Hollywood

86 Capítulo Oitenta e Cinco


Notas iniciais
Olá! Capítulo dedicado a Leah Teles que recomendou a fic. Muito obrigada por recomendar, flor! ♥ —-- Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo NOVO no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —-- Música especial do capítulo: https://youtu.be/nObpbXPNe-U —___ Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure ajuda especializada sempre. —__ Boa leitura!

Capítulo Oitenta e Cinco

Edward Cullen

"Jane Volturi luta por sua vida."

Odiava ver minha amiga naquele estado, ela não deveria estar ali.

***

Eu não conseguia entender nada que Renesmee falava, mas seu choro indicava ser algo terrível. E aquela coisa horrível envolvia Jane, minha amiga, a filha do meu padrasto, a pessoa que celebrou meu casamento.

— Ei, ei, respira — pedi para Ness, segurei delicadamente em seus ombros, enquanto via as lágrimas rolarem sem parar por seu rosto. — Renesmee, respira e nos conta o que aconteceu.

Isabella apareceu perto da gente, Renesmee olhou para ela, eu tirei minhas mãos da caçula das Swan e esperei suas palavras explicando o que tinha acontecido.

— Jane. — Renesmee respirou fundo, ainda chorando. — Ela deu uma festa de ano novo na casa do Aro em Los Angeles. Alec acabou de me ligar e disse que… — Ness se interrompeu para soluçar. — Todos já tinham ido embora, quando a Jane ligou pro Alec, ele passou o dia na antiga casa dele com a Amber e o Samuel. Jane disse que ela tava muito mal, tinha bebido mais do que deveria, a ligação caiu na metade, Alec chamou uma ambulância e também foi até lá… Ma-Mas… — Outro soluço.

Eu paralisei, imaginado que tinha sido tarde demais quando Alec chegou lá com ajuda. Já sentia as lágrimas em meus olhos, aquilo parecia um pesadelo.

Stefan tinha morrido, agora Jane?

— Eles viram que a casa estava pegando fogo, os bombeiros chegaram e tiraram Jane desmaiada de lá de dentro.

— Como Jane está agora? — Isabella perguntou baixinho, senti sua mão em minhas costas, agarrando a roupa que eu usava.

— No hospital, em coma. — Eu senti meu estômago embrulhar, mas um pequeno conforto em meu coração, tudo ao mesmo tempo, Jane estava viva, mas mal. — Não sabem dizer ainda se ela desmaiou por inalação de fumaça, ou por ter bebido muito, tinha muito álcool no corpo dela e vômito por perto.

— Como esse incêndio começou? — perguntei desesperado, Isabella ficou mais perto de mim.

— Vazamento de gás, é a teoria inicial do corpo de bombeiros. O sistema anti incêndio da casa do Aro provavelmente estava com problemas e não adiantou de nada. — Ness fungou e limpou o rosto na manga de seu pijama. — Eu vou para Los Angeles — falou diretamente para a irmã. — Alec…

— Você precisa estar lá com ele — Bella completou quando Ness não terminou sua fala.

— Eu também vou — murmurei, Isabella olhou para mim preocupada, mas disse:

— Vamos nós três, vou conseguir um jatinho pra gente.

— Ness, quais são os riscos? — perguntei ainda murmurando, ela respirou fundo e sussurrou:

— Ela está estável, mas ainda é muito grave.

— Ei, vai ficar tudo bem — Bella disse de mim para a irmã. — Jane logo estará bem e fora do hospital, vocês vão ver.

Renesmee agarrou a irmã em um abraço, Isabella logo retribuiu e dizia palavras de consolo. Eu não sabia o que fazer, estava apavorado e se Isabella estivesse errada e Jane não saísse bem daquele hospital?

Meu celular tocando foi uma distração, o tirei do bolso da minha calça de corrida e vi que minha mãe estava ligando. Me afastei um pouco das garotas para atender, fiquei encarando meus pés, com medo de olhar para Renesmee chorando e acabar caindo no choro junto com ela.

— Edward — mamãe disse meu nome com tristeza quando atendi. — Jane está no hospital, aconteceu um incêndio.

— Acabei de ficar sabendo, vocês estão indo para Los Angeles? Ness, Bella e eu vamos ainda hoje.

— Sim, estamos. Aro está resolvendo tudo para nossa partida agora… Ainda não consigo acreditar que isso está acontecendo, falei com Jane ontem, ela estava tão bem. — Minha mãe começou a chorar.

— M-Mãe — gaguejei, engoli em seco e com minha melhor voz controlada voltei a falar. — Vai ficar tudo bem, Jane irá melhorar logo.

— Como você está? — quis saber ainda chorando.

— Bem, nos vemos em Los Angeles, okay? Fica do lado do Aro.

— Eu vou ficar, você está mesmo bem?

— Sim, vou desligar agora, preciso arrumar tudo para a viagem aqui também.

— Certo.

Finalizei a ligação antes de ela falar mais alguma coisa, sentei na cama, fechando os olhos e segurando o celular com força em minha mão direita.

— Edward. — Senti Isabella tocar em meus cabelos.

Não falei nada, apenas ergui uma mão e coloquei sobre o corpo dela próximo ao meu. Meu rosto procurou sua barriga, Holly estava ali, segura, mas tudo aquilo me fazia pensar muito, pensar em tudo que poderia acontecer.

Uma lágrima cruzou meu rosto, depois outra e eu não podia mais as conter. Beijei sobre a camisa de Isabella, ela e minha filha estavam bem, mas e se algo desse errado?

***

Eu estava furioso, Isabella tinha conseguido um jatinho para a gente, mas o voo seria apenas às dez da manhã. Claro, tempo suficiente para arrumarmos tudo e chegarmos ao aeroporto, porém muito tempo até estarmos em Los Angeles perto de Jane.

— Cara, senta um pouco e respira — Jasper pediu enquanto eu andava de um lado para o outro no quarto juntando minhas coisas, Isabella tinha ido na cozinha comer algo.

— Preciso manter minha cabeça ocupada e não posso nem sonhar em perder esse voo, preciso ver a Jane — resmunguei e soquei mais uma roupa na mala.

— Edward, olha para mim — Jasper pediu e eu olhei. — Você não é médico, cara. Sei que quer ficar perto da Jane, mas não pode fazer nada pra ajudar ela nesse momento, tá? Então, senta e respira.

— Senta e respira é o caralho — disparei, ainda segurando a mala que estava sobre a cama. — Ela é minha amiga, quero estar, lá, preciso estar!

— Cullen…

— Se fosse você na porra de uma cama de hospital eu também estaria cruzando o país na mesma hora pra te ver — continuei, ele assentiu.

— Sei disso.

— El-Ela — gaguejei, largando a mala. — Eu… Vou fazer tudo que for possível para ajudar a Jane, acampar naquele hospital se for necessário e fazer todos os médicos daquele lugar cuidarem dela, mas a minha amiga não vai morrer. Não irei a funeral de nenhum outro amigo meu.

Jasper expirou alto, assentiu e andou até mim, eu comecei a chorar e ele me pegou em um abraço apertado. Funguei e envolvi seu corpo em meus braços de volta.

— Eu poderia ter evitado a morte dele — sussurrei, ele sabia bem que eu estava falando sobre Stefan.

— Você sabe que não, Edward — murmurou. — Foi um acidente, também foi um acidente com Jane, mas ela vai ficar bem.

Ele mexeu em meus cabelos uma vez antes de me soltar, eu ainda estava chorando e me segurei para não bancar o desesperado por atenção e mantê-lo me abraçando.

— Quer que eu vá com vocês para Los Angeles? — perguntou.

Foda-se, eu precisava de suporte, voltei a lhe abraçar, Jasper não me rejeitou.

— Sim, por favor.

***

O jatinho pousou em Los Angeles por volta de meio-dia no horário local, Bella também já tinha providenciado carros para irmos direto até o hospital. Ela seguiria em um comigo, enquanto Renesmee iria com Jasper.

Alice queria ter voltado junto com Jasper para a Califórnia, mas eles ainda não queriam ser vistos juntos publicamente. Sendo assim, ela ficaria mais um tempo na fazenda com o pai e a madrasta.

— Edward, podemos ir — Bella me avisou, ainda estávamos na garagem do aeroporto, ela acertando tudo com os seguranças que iriam levar Madonna, Shrek, Amy e Woody para nossa casa.

— Tá — murmurei, dei uma última olhada neles dentro do carro prata e caminhei até o preto que iria nos levar até o hospital.

— Quer comer alguma coisa? — Bella perguntou quando se juntou a mim.

— Não, tô bem. — Em minhas mãos eu tinha meu cordão com pingente de violão que ela tinha me dado meses atrás, não parava de mexer na corrente querendo me manter ocupado com algo.

— Amor — Bella interrompeu meus gestos repetitivos segurando minhas mãos. — Já estamos indo ver a Jane, ok? Mas se você ficar mais nervoso do que já está irei te levar para casa mesmo que proteste contra isso.

Engoli em seco, fiz com que ela soltasse minhas mãos e devolvi o cordão para o pescoço.

— Vou me acalmar quando estiver perto dela, quanto a você, é quem deveria ir para casa, não vai te fazer bem ficar no hospital — falei, ela mordeu o lábio inferior olhou pela janela e depois para mim.

— Tem certeza que não precisa de mim lá?

— Jasper estará lá, minha mãe já está vindo de New York também, eles ficam de olho em mim. Você precisa mesmo descansar. — Apoiei uma mão em sua coxa. — Não gosta de hospitais.

— É, detesto.

— Pois é, vai pra casa e fica tranquila por lá com Holly. — Subi minha mão para sua barriga. — Prometo responder suas mensagens e ligações o mais rápido que der pra não te deixar preocupada, linda. — Me inclinei e beijei sua cabeça, ela se moveu no banco traseiro do carro e recostou seu corpo contra o meu.

— Okay, vou te deixar no hospital e de lá sigo para casa. Mal dá pra acreditar que o ano já está começando assim.

— Nem me fala. — Inspirei o cheiro de seus cabelos, a fragrância de morango me deixava relativamente em paz. — Por favor, pede pra alguém checar o sistema anti-incêndio lá de casa — implorei.

— Já fiz isso — admitiu. — Uma equipe vai passar lá semana que vem.

Eu assenti, um pouco aliviado.

***

Jasper, Renesmee e eu não precisamos de muito para receber uma liberação no hospital para ir até o andar que Jane estava internada. Uma das recepcionistas do lugar ainda fez questão de nos escoltar até a sala de espera que Alec se encontrava, com Amber.

O ator estava sentado no sofá marrom com a ex-esposa ao seu lado, de olhos fechados, ela afagava as costas dele e segurava sua mão. Amber nos viu primeiro, eu estava na frente e seu olhar para mim foi cheio de raiva, mas quando viu Ness atrás de mim seus ombros caíram e seu olhar passou para torturado.

Ainda assim, o próximo gesto dela me pegou de surpresa, tirou suas mãos de Alec e se levantou. Ele abriu os olhos naquele momento, primeiro olhou para ela, depois para a gente.

Renesmee passou por mim com rapidez naquele momento, esbarrando em meu ombro e ignorando qualquer pedido de desculpas que poderia dar. A caçula das irmãs Swan se sentou onde Amber estava antes, já abraçando Alec que começou a chorar nos braços dela.

— Eu vou procurar um café — Jasper disse para mim e se afastou para longe da sala de espera que parecia ter sido reservada para quem estava ali por Jane.

— Ela não pode morrer, não pode — Alec começou a falar para minha cunhada, meu estômago embrulhou ao ouvir a fala cheia de dor do meu amigo.

Renesmee disse algo que de onde eu estava não consegui entender, mas aquilo só fez Alec a abraçar com mais força e ela beijou a bochecha dele, demoradamente. Amber viu cada segundo daquilo, soube disso quando olhei para ela e a vi ainda mais torturada que antes, então ela me pegou a olhando e fechou a cara.

A inglesa andou até mim e falou em um tom de voz baixo:

— Estou indo pra casa, deixei o Samuel com minha família, mas não posso ficar muito tempo longe dele. Diz pro Alec que qualquer coisa é só me ligar, pede também pra ele me manter informada do estado de Jane. Pode fazer isso, Cullen? — perguntou com petulância na voz.

— Posso sim — respondi. — Ei, você está bem?

Ela bufou, lançou um último olhar para Renesmee ainda consolando seu ex-marido e respondeu:

— Estou ótima, não dá pra ver? — Foi puro sarcasmo.

— Eles… — comecei a falar, mas Amber me interrompeu erguendo sua mão.

— Não precisa dizer nada, Cullen. Fica aí e cuida dele, tá? — Concordei com um aceno de cabeça positivo. — E é sério, faz Alec entrar em contato comigo se a Jane melhorar ou piorar.

— Tá — sussurrei, pensando nela piorando e… — Como o Sam está?

Amber deu um pequeno sorriso.

— Ele está bem. — Ela franziu o cenho. — Pensei que Isabella estava vindo com vocês.

— Ela veio, mas foi pra casa, não achei que seria bom ela ficar aqui.

— Entendo. — Olhou novamente para Alec. — Estou indo, não traia sua pobre esposa com uma enfermeira qualquer.

Revirei meus olhos e mordi a língua para não xingar Amber, que saiu de perto de mim sem dizer mais nada.

— Ela vai voltar? — Jasper reapareceu com um copo descartável cheio de café, quis pegar um pouco para mim, mas talvez não fosse bom abusar da cafeína eu já não tinha dormido direito na última noite.

— Não, pelo menos espero que não, chata pra caralho — resmunguei e caminhei para perto de Alec. — Ei, cara. — Toquei em seu ombro, aquilo fez com que Ness e ele se desvencilhassem.

— Obrigado por vir — Alec agradeceu e se colocou de pé, imediatamente o abracei.

— Como ela está? — perguntei dando tapinhas em suas costas.

— Ainda apagada, os médicos querem a manter assim por mais um tempo. — Ele fungou, se soltou de mim e esfregou o nariz com a manga de seu moletom. — Jane inalou muita fumaça, então eles precisam cuidar disso, ela também bebeu muito. — Os olhos de Alec estavam vermelhos e sua expressão era desolada. — Eu tô tão assustado — confessou. — Quando ela teve aquela overdose já foi tão desesperador, você lembra, né?

— Sim — sussurrei, tinha acontecido alguns anos antes e foi uma merda, mas na época não o suficiente para me fazer parar de usar drogas ao ver o que tinha acontecido com Jane.

— Ela vai melhorar — Jasper falou para Alec, enquanto estendia uma mão para tocar no ombro dele também. — Posso fazer alguma coisa?

— Não, eu acho que não. — Alec fungou outra vez. — Mas obrigado por terem aparecido. Pensei que Bella estava vindo de Nashville com vocês, ela está bem? — perguntou para mim.

— Está, só achamos melhor ela não ficar no hospital. Minha mãe e seu pai logo devem chegar.

Alec respirou fundo.

— Puta merda, meu pai deve estar surtando tanto com tudo isso. Nem tive coragem de ligar pra ele e contar, falei pra sua mãe, Edward.

— Você precisa que eu ligue para mais alguém? — Ness perguntou se colocando de pé.

— Não, a empresária da Jane já tá sabendo, ela cuida de ligações agora.

— Certo. — Renesmee assentiu. — Então, vou pegar algo para você comer, Alec.

— Não, eu tô sem fome, Ness, sério.

— Não foi uma pergunta — ela disse em um tom de voz mandão que me fazia pensar na irmã dela. — Cullen, você não comeu nada, vem comigo. — Definitivamente parecida com a irmã.

Eu não discuti, era melhor ir comer ou acabaria passando mal.

Renesmee e eu fomos até a lanchonete do hospital, fomos reconhecidos no caminho, mas já era algo esperado. Ao menos ninguém se atirou na gente pedindo fotos ou qualquer coisa assim, mas foi fácil entender os cochichos e os dedos apontados na nossa direção.

— Você não vai querer nada? — perguntei para Renesmee depois de fazermos os pedidos, também pedindo para a atendente embalar tudo, sem chances de eu parar para comer qualquer coisa naquela lanchonete cheia de olhares curiosos.

— Não, comi antes de sairmos de Nashville. — Ela pegou um lencinho do suporte no balcão e limpou a lágrima que rolou por seu rosto naquele instante. — Estou com medo da Jane não melhorar.

— Eu sei, também estou.

Muito medo.

— Aqui, senhor Cullen. — A atendente me entregou as embalagens com sanduíches e sucos em garrafas.

— Obrigado — agradeci e antes de conseguir sair dali ela me perguntou.

— Sua esposa está internada? Espero que ela melhore logo.

— Não, não — neguei rapidamente. — Isabella está bem, ela sequer se encontra no hospital.

— Okay, precisamos ir agora. — Renesmee segurou em meu braço e me puxou para fora da lanchonete. — Tudo que não precisamos agora é conversar com uma total estranha sobre Jane.

— Já deve ter vazado na internet, ou estar prestes a vazar.

Paramos diante dos elevadores, esperando algum para nos levar para o andar que estávamos antes com Alec.

— Claro, você não passa despercebido e comigo ao seu lado piorou tudo, devem mesmo estar achando que a Bells está aqui. — Renesmee estremeceu e cruzou os braços. — Deus, não quero nem pensar na minha irmã em um hospital.

O elevador parou para a gente, eu entrei nele e por um segundo imaginei Bella internada naquele hospital no lugar de Jane. Foi aterrorizante.

— Segura? — pedi pra Ness já colocando as embalagens em suas mãos, tirei meu celular do bolso e mandei uma mensagem para minha esposa.

Pirralho: Está tudo bem?

Ela respondeu rápido.

Capitã: Tudo bem, Holly e eu estamos assistindo O Mágico de Oz. Como estão as coisas por aí?

Pirralho: Confusas? Alec tá péssimo e eu não sei muito da Jane, só que ele está em coma induzido. Faz tempo que não assisto O Mágico de Oz.

O elevador parou no andar que sairíamos, Ness foi na frente.

Capitã: Posso rever quando você voltar para casa. Provavelmente vou dormir daqui a pouco, mas qualquer coisa me liga que eu acordo, é sério!

Pirralho: Ok.

Capitã: Como a minha irmã tá?

Pirralho: Dando ordens, parece você!!!

Bella me enviou uma foto dela rindo e aquilo fez com que eu desse o primeiro sorriso do dia.

***

Mamãe bebeu mais um gole de café e percorreu uma mão por meus cabelos, eu pisquei demoradamente e senti que a qualquer momento dormiria ali mesmo. Ou não, dormir com Alec chorando parecia impossível.

— Acho que ele deveria ir para casa, coitadinho — mamãe disse para mim em um tom de voz baixo, Alec estava do outro lado da sala de espera sentado entre o pai e Renesmee.

Aro Volturi estava acabado, eu não o vi chorando por um segundo desde que apareceu no hospital com minha mãe, mas dava pra ver em seu rosto quanto estava sofrendo. E o quanto estava tentando ser forte pela filha hospitalizada e o filho em seu momento de dor.

— Eu não sairia do hospital se fosse a Rose internada — falei baixinho de volta para mamãe.

Ela suspirou e tirou a mão dos meus cabelos.

— Eu sei. Mas não há nada que Alec possa fazer por Jane agora e ele precisa descansar, está com ela desde o primeiro momento disso tudo.

Apenas respirei fundo, exausto e apoiei a cabeça no ombro de mamãe. Ela me envolveu em seu braço, fazendo com que eu fosse inundado por uma sensação de segurança por tê-la junto de mim.

Vi a enfermeira de Jane passar na frente da sala de espera, mas ela não entrou ou chamou por qualquer um de nós. Meia hora atrás o médico tinha nos atualizado sobre o estado de Jane, falando um monte de termos técnicos que eu não entendia, mas compreendi o básico, ela ainda estava em coma induzido e respirando com ajuda de algo enfiado na sua garganta, seu estado era grave por conta de alguma síndrome respiratória que não gravei o nome.

— Vou andar um pouco por aí. — Mamãe me olhou preocupada, mas também estava cansada demais para lutar contra minha fala.

Saí da sala sozinho, lá ainda estavam minha mãe, Aro, Alec, uma prima de Jane, Renesmee e duas amigas e um amigo da garota Volturi. Jasper tinha ido para minha casa, eu pedi que ele fosse passar um tempo com Bella, ela não estava contente pelo guitarrista ter me deixado no hospital sem sua supervisão.

Caminhei até o posto de enfermagem daquele andar da unidade de tratamento intensivo, por enquanto as visitas estavam suspensas e ninguém poderia estar no quarto com Jane. Porém, Alec e Aro conseguiram liberação mais cedo para vê-la de longe da porta, eu queria isso também.

— Olá! — falei ao parar junto do balcão, duas mulheres e um homem estavam ali. Uma era a enfermeira de Jane, as outras duas pessoas, pelas cores de suas roupas diferentes, deveriam ser técnicos de enfermagem.

— Posso ajudá-lo? — o cara perguntou para mim, me lançando um sorriso gigantesco e me olhando atentamente, depois umedecendo seus lábios e sorrindo mais. Eu julguei que ele deveria gostar de homens, era o que explicava ele estar me secando daquela forma. Ele era bonito, não podia negar isso, seu tempo livre fora do hospital deveria ser preenchido com algum tempo na praia para conservar seu bronzeado e mais um tempinho na academia para manter os músculos marcando em sua roupa cinza e branca.

— Sim, pode sim. Você também. — Voltei minha atenção para a enfermeira de Jane. — Eu gostaria muito de poder dar uma olhada em Jane Volturi, estou aqui com a família dela, sou amigo deles…

— Desculpe, senhor Cullen — ela me interrompeu, obviamente sabia quem eu era. — A senhorita Volturi ainda não pode receber visitas.

— Eu sei e entendo, mas o pai e irmão dela a viram de longe parados na porta do quarto, não posso mesmo fazer como eles?

— Lamento, senhor Cullen, é uma medida só para familiares.

— Ele é meu enteado. — Eu olhei para trás e vi Aro se aproximando, parou ao meu lado e apoiou uma mão em meu ombro. — Acho que isso é o suficiente para ele ver a minha filha, não?

Olhei ansioso para a enfermeira, ela suspirou, mas cedeu.

— Tudo bem, vou levar vocês até lá. — Saiu de trás do balcão e nos guiou pelo corredor.

— Até mais, senhor Cullen. — Ouvi o técnico dizer em um tom de voz provocante quando me afastei com Aro e a enfermeira.

— Valeu — agradeci Aro que já tinha tirado a mão do meu ombro, suas mãos estavam dentro de seus bolsos e ele encarava o chão enquanto andávamos.

— Não por isso, sei que vocês são muito amigos, eu deveria ter notado antes que você também iria querer a ver mesmo que só de longe. Queria poder ficar ao lado dela todos os segundos possíveis — sussurrou.

— Aqui! — a enfermeira anunciou ao parar diante de um dos quartos. — Não tentem entrar, por favor. Estamos evitando que ela seja exposta e acabe com alguma infecção, assim que Jane melhorar irá poder receber visitas. Dois minutinhos, okay? — Aro e eu concordamos, a enfermeira abriu a porta e se moveu da frente deixando com que olhassemos para Jane.

Minha amiga estava deitada na cama hospitalar ligada a vários aparelhos, assim como tinha de fato algo em sua boca, o que estava auxiliando ela a respirar. Parecia muito pequena e desprotegida no meio daqueles fios todos, naquela cama grande e cheia de botões, com todos aqueles barulhos irritantes das máquinas ligadas a ela.

— Isso tudo é minha culpa — Aro falou e saiu andando para longe do quarto, eu dei uma última olhada na minha amiga, sentindo as lágrimas em meu rosto e a garganta fechada, mas segui até onde o pai dela estava.

Aro tinha ido até outro corredor do andar, estava sentado sozinho em um sofá de canto, em cima de uma revista, ele não parecia estar incomodado com isso. E lá ele estava chorando, pela primeira vez desde que chegou ao hospital.

— Aro, quer que eu chame minha mãe? — perguntei sem saber o que fazer.

Ele negou e falou:

— É minha culpa se a Jane quase morreu, se ela está naquela cama sem nem conseguir respirar direito. Se ela morrer… É tudo minha culpa.

Franzi o cenho e sentei ao seu lado.

— Por que seria sua culpa? Você estava em New York, do outro lado do país, as amigas dela falaram que Jane estava exagerando na bebida e nem queria acabar a festa, que deve ter continuado a beber sozinha quando todos foram embora e aí o vazamento de gás…

— O sistema anti-incêndio da minha casa não funcionou, isso é minha culpa. — Aro soluçou, colocando as mãos na frente de seu rosto. — Quando a mãe dos meninos morreu eu prometi para ela que sempre cuidaria dos gêmeos, olha o que aconteceu agora. Poderia ter sido ainda pior, imagina se Alec estivesse lá com o pequeno Sam, meus filhos e meu neto poderiam estar internados em estado grave agora. A minha menina está internada e eu não posso fazer nada.

— Aro, isso não é sua culpa — afirmei. — Você não poderia prever que isso aconteceria, o sistema anti-incêndio estava em dia na inspeção?

— Sim.

— Então, foi um acidente, não foi sua culpa.

— Mas aconteceu, Ed. — Olhou para mim. — Se ela não sobreviver… — Soluçou outra vez.

— A Jane é forte, ela vai ficar bem — falei, mas sabia que minha frase não estava tão cheia de segurança quanto deveria. — Quer saber? Por que você não vem com Alec para minha casa para jantar? Vamos pedir comida e sair um pouco desse hospital.

— Não quero ficar longe dela.

— Eu entendo, mas vocês precisam descansar um pouco. — Fiquei de pé. — Vamos, padrasto.

Ele deu um sorriso pequeno.

— Você está mesmo bem comigo me relacionando com sua mãe?

— Estou sim, não é todo mundo que pode se gabar por aí de ter um padrasto vencedor de um Oscar, eu posso.

— Dois Oscars, na verdade. — Ele riu um pouco. — Okay, vamos perguntar para o Alec se ele quer sair um pouco daqui.

***

Bella parou o carro no sinal vermelho e me perguntou:

— Então, podemos contratar a Nelly?

— Hum, sim? — Dei de ombros. — A equipe de segurança checou o histórico dela e disse que tudo bem, né? Podemos contratar sim.

— Ei, Jane está bem. — Bella afagou meu braço por um segundo antes de voltar a dirigir, naquele dia dois de janeiro estávamos indo no abrigo de animais buscar Jude, alguns dias antes do previsto, mas já estávamos em Los Angeles e não fazia sentido o fazer esperar mais.

— Eu sei, estou feliz que ela está melhorando, mas ainda preocupado que ela possa piorar, não vou ficar cem por cento tranquilo sobre isso até Jane sair do hospital.

Acordamos aquela manhã com boas novas, Aro ligou e avisou que a filha estava melhor. Ainda apagada e entubada, mas dando bons sinais de melhora.

No dia anterior Renesmee convenceu Alec de ir para minha casa jantar, nós três fomos com Aro e minha mãe. Isabella pediu comida, Jasper escolheu um filme de comédia sem drama algum para assistirmos e distrairmos a cabeça, foi bom para Alec e o pai que depois voltaram para o hospital e ainda estavam por lá.

Renesmee também, ela só deixou o hospital cedo aquela manhã para passar rapidamente em sua casa e depois voltou e estava por lá com os Volturi. Eu queria ir também, mas mamãe disse para eu ficar com Bella, que ela estaria com o namorado e o filho dele.

Claro que tudo isso não passou despercebido para a mídia, eles não paravam de falar sobre o coma alcoólico de Jane e o incêndio na casa de Aro, obviamente algo assim logo cairia na boca da imprensa. Eles também tinham fotos da família e dos amigos de Jane entrando e saindo do hospital, como relatos de que minha mãe parecia muito próxima de Aro, assim como Renesmee de Alec.

A empresária de Renesmee trancou os comentários do Instagram dela, o de Alec fez o mesmo para controlar as pessoas cobrando que eles assumissem um namoro que nem existia de verdade. Amber, Bella me contou, tinha desativado todas suas redes sociais.

— Ela não vai mais piorar — Bella insistiu e olhou para mim rapidamente, sorrindo de orelha a orelha. — Logo Jane estará fora do hospital, curtindo com a gente e dizendo que vai enfiar a língua na boca da Jéssica.

Aquilo me fez rir, eu assenti e apoiei a cabeça na janela.

— Isso é a cara dela.

— Pois é, só pensa no melhor agora, tá? Ela está melhorando.

— Ok, vou tentar conter o pessimismo.

— Certo, vamos voltar ao tópico Nelly. Pensei que assim que fecharmos o contrato dela escolhermos logo alguém para assumir a cozinha, não posso ficar falhando com minha alimentação.

— Você também precisa fazer exercícios físicos, lembra o que sua médica disse.

— Eu sei, vou falar com seu personal depois, podemos começar na sexta-feira? Amanhã vou para a produtora, Tanya quer aproveitar que voltei antes do previsto para já começarmos a falar sobre contratações de outros agentes.

Fiz a careta ao ouvir aquilo.

— Por favor, não acha ninguém chato pra ficar no meu pé, já aturei você e a Tirana demais.

Bella me deu um soco no braço, mas não doeu. Eu ri, peguei sua mão e dei um beijo na palma.

— Quer mesmo ir amanhã para a gravadora trabalhar no álbum de Kate? — me perguntou. — Tecnicamente só iríamos voltar de Nashville no domingo e você iria para a gravadora na segunda.

— Não, vai ser bom eu trabalhar um pouco e distrair minha cabeça — falei sustentando minha decisão. — Mesmo que tenha de aturar a Kate. — Beijei sua mão mais uma vez.

— Boa sorte aturando a rainha do drama — resmungou. — Vou precisar dessa mão para estacionar.

Olhei para fora do carro e vi que já estávamos perto do abrigo.

— Mais um filho de quatro patas, quando viramos acumuladores de animais mesmo? — perguntei.

— Pois é, nem me fala. — Manobrou o carro para o colocar em uma das vagas no estacionamento frontal do abrigo, como era de costume estávamos sendo seguidos por seguranças no outro carro, mas minha esposa quis ir dirigindo. — Espero que Holly não tenha nenhuma alergia a animais. — Parou o carro.

— Não se preocupa se ela tiver a deixamos pra trás na maternidade — brinquei, mas Bella não gostou daquilo e me olhou de cara feia. — Foi uma piada, Capitã.

— Sei que foi uma piada, mas achei sem graça e idiota, não faz mais isso — pediu.

— Não vou fazer, desculpa. — Entendi que tinha sido algo bem babaca de se falar.

— É sério, se você estiver querendo cair fora…

— Isabella — a interrompi. — Foi só uma piada de mau gosto, não estou te mandando sinais de que não quero mais ser pai.

Ela me lançou um olhar desconfiado e pela forma que se encolheu demonstrou que estava nervosa e preocupada com aquele assunto.

— Linda, desculpa — pedi novamente.

Os olhos dela se encheram de lágrimas.

— Eu já deixei bem claro que entre você e Holly… — Parou, respirou fundo duas vezes e continuou. — Ela é minha prioridade, você sabe disso desde o momento que fui falar que teria ela e não faria aborto nenhum, independente da sua opinião.

— Ela é minha prioridade também. — Tirei meu cinto, me aproximei de Bella e beijei sua bochecha. — Me perdoa, não vou mais brincar sobre deixarmos Holly.

— Promete?

— Prometo, amor. — Beijei seu rosto novamente. — Eu amo Holly, você sabe disso, não seria capaz de abandonar ela.

Bella ergueu uma mão e afagou meu rosto.

— Se você abandonar ela eu vou te matar — ameaçou. — Pode pedir o divórcio e nunca mais olhar na minha cara, mas deixar ela, se fizer isso, eu juro que te mato.

— Não vou fazer — falei com toda seriedade em minha voz. — Nunca, é uma promessa. — Lágrimas cruzaram o rosto dela. — Bella, eu não vou deixar vocês.

— Eu sei, mas é assustador imaginar.

— Então para de pensar nisso, não vai acontecer, vocês duas são as pessoas que mais amo no mundo inteiro, Capitã. — Tirei seu cinto e limpei sua face. — Vamos, temos que pegar o Jude. E se Holly nascer e for alérgica iremos dar um jeito, deve ter algum remédio, sei lá. Qualquer coisa colocamos eles em uma casa separada, uma mansão só deles.

— Os cães e gatos mais mimados do oeste. — Sorriu. — Certo, vamos pegar o Jude. E você não vai nos deixar?

Afaguei seus cabelos, ela repousou o peso de sua cabeça em minha mão.

— Não vou a lugar algum sem minhas garotas.

***

Eu estava encantado, ele era tão fofo, aqueles pelinhos brancos, o latido engraçado e forma que pesava quase nada. Além do mais, parecia ter me adorado logo de cara, estava quietinho em meus braços.

— Melhor presente de Natal — repeti pela terceira vez quando entramos no carro com Jude, tínhamos uma transportadora para ele no banco de trás, mas eu queria ir o carregando no banco do carona.

— Animado para conhecer sua casa nova, Jude? — Bella perguntou para ele mexendo em sua orelha.

O cachorro rosnou mostrando seus dentes, ela retirou sua mão rapidamente.

— Ei, calma aí, campeão — chamei sua atenção. — Se você morder ela tá encrencado, vou te mandar pra fazenda e isso nem é uma metáfora.

— Tudo que eu precisava, um cachorro que me detesta, talvez ele conheceu a Norma Jeane por aí.

Aquilo me fez rir.

— Vamos estabelecer regras aqui, Jude — falou com ele, começando a dirigir. — Sou eu quem mando, o time Swan pode ter virado Cullen, mas ainda sou a Capitã, se você não jogar o meu jogo está fodido.

— Mais respeito, não xingue na frente de um idoso. — Tapei as orelhas dele.

— Ele é mesmo um velinho, não é? — Bella perguntou derretida. — Cheio de pêlos brancos.

— É um sinal de sabedoria.

— Tá bom, quando você tiver seu primeiro cabelo branco vou dizer isso.

— Eu vou raspar meus cabelos quando o primeiro branco aparecer. — Acariciei uma patinha de Jude, que apoiou a cabeça na minha outra mão.

— Se você ficar careca vou te obrigar a usar peruca.

— Até parece que mesmo careca eu ficaria feio, sou lindo de qualquer jeito.

— Quando você tinha espinhas era horrível — provocou.

— Nem vem, Isabella.

— Você tinha muitas espinhas.

Bufei.

— Gastei uma nota com dermatologistas, isso foi resolvido.

— Tantas espinhas — continuou provocando.

— Seu pé é feio.

Ela gargalhou.

— Meu pé não é feio. — Tocou em Jude, ele latiu. — Isso é mesmo sério? Ele precisa gostar de mim.

— Espero que ele e os outros se dêem bem.

— Aposto que Woody vai ser o primeiro a comprar briga com ele.

— Não tem como discordar, aquele gato que você arranjou é doido.

— Ele é um bom gato.

— Sim, mas é totalmente maluco.

— Não vamos deixar ele sozinho com a Holly.

— Capaz dele fazer a Donut miar antes de falar.

— Vamos fantasiar ela de gatinha no primeiro Halloween?

— Lembra que já combinamos nossa fantasia pro próximo Halloween, né?

— Sim, lembro, continua de pé.

— Deveríamos trocar e fazer algo em família.

— Você pode ser um gatinho também.

— Não vou usar um rabo, Isabella.

— Mas ficaria engraçado.

— Nem pensar.

— Eu vou te convencer.

— Não vai.

— Vou sim — teimou e pelo resto do caminho até nossa casa ficamos falando sobre o primeiro Halloween com Holly.

***

Rosalie sentou ao meu lado e me entregou um copo de refrigerante, eu não conseguia me mexer com Shrek em cima de mim e pedi para ela me arranjar algo para beber. Meu primeiro cachorro estava sendo o mais ciumento com a chegada de Jude, eles tinham se estranhado durante o dia e até uma briga se iniciou, mas os afastei antes de se machucarem.

— Cadê o Jude? — Bella perguntou ao voltar para a sala de TV onde estávamos assistindo filme com Rosalie, ela tinha voltado aquele dia para Los Angeles e com Emmett ocupado com os ensaios de sua peça e mamãe ainda com Aro, se convidou para jantar com a gente.

Isabella usou a cartada grávida e fez Rose cozinhar.

— Dormindo no sofá da varanda — Rosalie respondeu. — Com a Amy.

— Pelo menos eles dois se deram bem. — Bella foi para o outro sofá.

— Falou com a Kate? — perguntei, ela tinha saído da sala para retornar uma ligação da cantora.

— Sim, ela queria falar como está feliz com o Cameron. Rose, pode dar play.

Minha irmã pegou o controle e retornou o filme, estávamos assistindo Mamma Mia.

— Meu Deus, como o Pierce Brosnan tava bonito nesse filme — Rosalie falou.

— Ele tava mais em 007 — declarei.

— Não mesmo, em Mamma Mia tava mais. Bella, o que você acha?

— Preciso concordar com o Ed, ele tava muito gostoso em 007.

— Eu não disse gostoso. — Senti minhas bochechas esquentarem, Bella olhou para mim e disse:

— Amor, relaxa. E pode admitir que ele tava gostoso em 007.

— Tá, ele estava gostoso — sussurrei. — Mas ele também tá em Mamma Mia. — Apontei pra tela. — Só que em 007 tinha um charme a mais.

— Vocês não sabem valorizar o charme dele em Mamma Mia — Rosalie reclamou.

— Você que não tem um gosto refinado. Capitã, vamos assistir 007 com ele depois?

— Uhum, claro. — Piscou pra mim e deu um sorrisinho malicioso.

— Eca! — Rosalie exclamou.

— Agora silêncio, quero escutar — Bella exigiu.

Um minuto depois o silêncio foi interrompido pelo celular de Rosalie tocando, ela pediu licença e foi atender fora da sala, quando voltou anunciou:

— Era a mamãe, ela tá indo pro apartamento e quer que eu vá logo depois do filme, está com saudades de mim.

— Ela disse como a Jane está? — falávamos em voz baixa para não atrapalhar Isabella.

— Estável. — Rose mexeu na trança em seus cabelos. — Vamos rezar para que em breve ela consiga respirar sem aquelas coisas todas.

— Não rezo, mas você pode fazer isso por nós dois.

— É, eu posso. Você deve estar muito preocupado com a Jane, né?

— Não faz ideia.

Minha irmã assentiu e me abraçou.

***

Kate além de amar chorar também amava agarrar Cameron, ela tinha arrastado o cantor country para a gravadora aquele dia e entre uma tomada de gravação e outra ficava se pegando com ele pelos cantos. Não que eu pudesse julgar alguém por pegação em público, mas estava de mau humor e cansado demais para aturar isso sem achar irritante.

— Kate, precisamos gravar! — Bati palmas para chamar sua atenção, ela tirou a boca do pescoço de Cameron e olhou para mim

— Deixa de ser chato, Ed! — resmungou, mas entrou na cabine.

— Cara, você tá com o pescoço todo vermelho — Laurent comentou com Cameron.

— Kate, vamos ir pro refrão de Certo — falei com ela.

— Não sei se estou contente com esse refrão, Isabella bem que podia me deixar mexer nessa letra.

— Acho que a letra está ótima.

Kate não me deu ouvidos, pegou seu celular e mandou uma mensagem para Isabella.

— Ela disse não! — falou aborrecida.

Meu celular vibrou e vi a mensagem que Bella enviou para mim.

Capitã: Se a Kate mexer na letra da minha música vou dar motivos pra ela chorar, impeça isso.

Ótimo!

— Ed, eu não gosto dessa letra — Kate choramingou.

Eu quis chorar também, mas Laurent salvou minha pele, lendo algo em voz alta de seu celular ele anunciou para a cantora:

— Kate, o advogado principal do caso de plágio acabou de falar comigo, a outra parte ofereceu uma boa grana de acordo.

— Quanto? — perguntou receosa e irritada, colocando as mãos em sua cintura.

Ele se levantou e entrou na cabine, indo mostrar para ela o valor enviado pelo advogado. Kate gritou de alegria, bem no microfone.

***

Não dei tempo de Isabella falar nada, lhe dei um beijo assim que encontrei com ela na cozinha e segurei seu corpo contra o meu.

— Boa noite, senhor Cullen — saudou ao fim do beijo. — Como foi seu dia?

— Kate é uma ótima cantora, mas muito difícil de se lidar.

Ela assentiu com diversão no olhar.

— Eu sei, divirta-se na produção desse álbum. Foi no hospital?

— Fui, passei uma hora lá com o Aro, Alec estava com o Sam em casa.

— Conseguiu ver a Jane?

— Não, mas vou ver amanhã. Ela está respondendo bem o tratamento, devem tirar a sedação e a entubação até sábado.

— Sério? — indagou aliviada, assenti. — Isso é muito bom de se ouvir.

— Espero que aconteça mesmo. Vem tomar banho comigo?

— Vamos sim — concordou e seguimos para nosso quarto.

— Como foi seu dia? — foi minha vez de perguntar quando já estávamos debaixo do chuveiro.

— Bom, mas cheio. Fechei o contrato de Nelly, ela já começa amanhã. Separei outra briga de Shrek e Jude. Holly e eu sentimentos vontade de comer donuts, mas fui mais forte que isso e comi uma maçã. Marquei com o personal, amanhã já vou treinar com vocês. Tanya e eu decidimos que vamos promover Irina para agente, iremos dar a notícia semana que vem, temos outros bons currículos em análise, espero que ninguém acabe sendo babaca como Helena. Tenho que começar a procurar uma assistente. Também estou começando a cogitar ter um parto normal.

— Opa, sério?

— Sim, mas nada decidido ainda. O que você acha?

— Que dói muito, mas se for sua escolha eu vou te apoiar.

— É, deve doer muito, mas a recuperação é mais rápida. Acho que aguento a dor, você aguenta assistir?

— Consigo! — declarei. — Vou estar ao seu lado a todo minuto, depois não vou tirar os olhos da Holly, vai que trocam ela, ou sequestram. — Bella estremeceu.

— Isso é outra piada ruim?

— Hum, não, foi mal. Eu realmente tenho medo que aconteça algo assim com ela — confessei. — Mas esquece o que falei, ela não vai ser trocada nem sequestrada.

— Não tira mesmo os olhos dela enquanto eu estiver acabada pós parto.

Segurei seu rosto e beijei sua testa molhada.

— Fica tranquila, vou cuidar de vocês duas.

— Cobrariam muito sequestrando ela.

— Ela não será.

Toquei em sua barriga. Bella me abraçou e começou a chorar. Me senti um idiota por a amedrontar, outra vez.

***

Nós fomos para a sala de música depois de jantar, escutávamos canções dos anos oitenta e eu estava lendo o livro que Santiago deu para mim, Isabella relia Orgulho e Preconceito. Bom, ela estava até Alice mandar uma mensagem.

— Alice falou que estava mexendo em uns discos de vinil antigos do papai, ela achou um do Andy Williams, sabe quem é, né?

Eu ri.

— Sei sim, você pensa que tenho o que, dezessete anos?

— Só é seis anos mais velho que isso, amor. Enfim, ela viu lá que ele tinha uma música chamada Holly e nos mandou ouvir. Vou procurar no Spotify, não lembro da letra, ou se sequer já ouvi.

Bella mexeu em seu celular, que estava conectado ao som da sala e logo começou a tocar a música.

— Ah, eu lembro dessa música! — exclamei, saindo do chão para o sofá com ela.

— Eu realmente não lembro, ainda prefiro Holly Holy, mas claro que essa também é muito boa.

Incentivado pelo ritmo da canção eu perguntei:

— Quer dançar?

Bella suspirou e negou, afagou meu rosto e deu um beijo rápido na minha bochecha.

— Vou ter que recusar, amor. Estou cansada pra dançar, na verdade acho que já vou indo pra cama.

— Sério?

— Sim, se vou treinar amanhã quero estar descansada.

— Beleza, só vou ler mais um pouco e subo depois.

— Meu Deus, Edward Cullen lendo!

Revirei os olhos.

— Deixa seu celular aqui? O meu tá sem bateria, queria continuar a ouvir música.

— Claro.

Ela me entregou seu celular e deixou a sala. Eu sabia a senha, então coloquei a música do Andy Williams para tocar repetidamente até eu ter a letra gravada na cabeça, peguei meu livro e fiquei lendo por meia hora, mais ou menos.

Parei apenas quando comecei a sentir meus olhos pesarem.

Thoughts of Holly are my company* — cantei aquele trecho da música antes de a interromper para subir e ainda com o celular de Isabella em mãos vi que ela tinha recebido uma mensagem de um número desconhecido.

Não abri para ler, apenas bloqueei a tela do aparelho e saí da sala de música, chequei todos meus cães e gatos que dormiam no primeiro andar e fui para o quarto. Lá encontrei com Bella saindo do banheiro.

— Tudo bem? Pensei que você já estava dormindo.

— Estava, mas fiquei com vontade de fazer xixi.

— Aqui, você recebeu uma mensagem, mas de número desconhecido. — Lhe entreguei seu celular e ela olhou confusa para ele ao pegá-lo.

— É do Paul — disse com raiva na voz e atirou o celular em cima da cama.

— O quê? — A raiva tomou conta de mim na hora.

— É uma mensagem daquele babaca cretino, acabaram de anunciar a produtora de filmes dele — falou, o rosto vermelho. — Mandou o link de uma matéria falando sobre e um emoji estúpido de positivo.

— Bella…

— Nem termina — pediu. — Pra gente é óbvio que é ele por trás dessa afronta em forma de mensagem, mas não adianta falar nada sobre isso para a imprensa. O que eu diria? Olhem só Paul Lahote me provocando? Além do mais, todo mundo acreditou que eu vazei o vídeo do Escândalo Swan, não tenho prova nenhuma contra Paul, não tive no passado e não tenho agora.

Olhei para o celular dela e desejei com todas minhas forças que Paul morresse, ou que no mínimo perdesse sua pose de bom moço.

***

O primeiro dia de treino de Isabella foi leve, Chris apenas a colocou para uma caminhada na esteira. Claro que comigo foi uma sessão de tortura, ele não queria que eu me acomodasse por não estar em turnê.

— Você está demitido, Chris! — exclamei no fim do treino, largado no chão da academia, mal conseguindo respirar.

— Foi ótimo, mal fiquei suada — Bella disse animada para o personal.

— Claro, você está sendo poupada. Eu juro, estou morrendo aqui.

— Nem foi um treino tão pesado, Ed — Chris falou. — E vê se não vai dormir muito tarde, amanhã vou te colocar para correr pelo condomínio. Isabella, você vai caminhando, precisa pegar o ritmo antes de acelerar as coisas. E vamos agendar alguns dias de hidroginástica.

— Beleza, vamos pra casa, marido.

— Seu marido está morto — me queixei ficando de pé, tudo em mim doía. — Chris, não olha mais na minha cara.

Ele riu e exclamou:

— Continua nesse drama e vou te fazer correr meia maratona amanhã!

— Demitido! — Fui para a porta da academia.

— Até amanhã, Ed!

***

Eu tomei um longo banho de banheira pós treino, só queria ficar ali na água. Bella foi rápida em seu banho, uma vez que Nelly já estava chegando para começar seu dia de trabalho.

— E Edward gosta muito de comida italiana. — Ouvi Bella falar quando entrei na cozinha para comer algo, eu iria passar o dia na gravadora, mas antes visitaria Jane. — Olha ele aí.

— Olá, senhor Cullen. — Nelly acenou para mim, estava com roupas sociais e o cabelo preso em um coque.

— Oi, me chama só de Ed mesmo.

Caminhei até a geladeira e peguei uma garrafa de suco.

— Estava falando para a Nelly sobre contratarmos alguém para a cozinha, de preferência alguém que saiba fazer comida italiana e japonesa, para quando eu puder comer.

Eu sorri para Bella.

— Você está sendo muito exigente, linda.

— Me deixa sonhar. — Se voltou para Nelly. — Vamos ver depois seu quarto no anexo, tem uma ala de dormitórios só para os seguranças e os motoristas, você e os outros funcionários estarão em outra, mas lá tem espaços em comum, como sala e cozinha.

Me desliguei de Bella falando sobre tudo aquilo e me concentrei em fazer um sanduíche com tudo que achei na geladeira, eu já sabia quanto estaríamos pagando para Nelly, que ela trabalharia das oito da manhã às seis da tarde e que teria um espaço para dormir por ali quando não quisesse voltar para sua casa, assim como pagaríamos horas extras quando os serviços dela fossem necessitados fora do seu horário de trabalho já estabelecido.

Ouvi latidos e olhei para fora, vi Shrek e Jude no quintal se estranhando, era incrível como um cachorro tão baixinho adorava uma briga.

— Coloca na sua lista de contratações um adestrador, Isabella — falei e fui separar os dois.

***

Renesmee estava deixando o quarto de Jane quando cheguei ao hospital, ela sorriu para mim e me abraçou.

— Como você está? — perguntei afagando suas costas

— Cansada — respondeu e desfez nosso abraço, eu suspeitava de que ela estava mesmo cansada, praticamente não deixava o hospital. — Mas Alec precisa de suporte — sussurrou. — Mesmo com Jane melhorando significativamente ainda está muito assustado.

— Escuta, sei que está ajudando ele ter você perto, mas vocês dois estavam se afastando antes — murmurei. — Se você tornar a se afastar, bom, ele pode ficar mal. Quer dizer Alec vai acabar indo para a Inglaterra em algum momento, não é?

— Ele não vai mais — respondeu. — Pelo menos não agora, irá ficar até Jane estar bem de fato, não só após ela sair do hospital, mas você sabe, melhor psicologicamente.

— Por conta da forma que ela estava bebendo?

— Sim, ele e Aro querem a internar em uma clínica de reabilitação quando ela deixar o hospital. Talvez seja bom, o que você acha?

Suspirei e coloquei as mãos nos bolsos da minha calça.

— Talvez seja melhor para ela mesmo.

— E não fica apreensivo sobre eu deixar o coração do seu amigo quebrado. — Ness deu uma batidinha em meu ombro. — Já deixei bem claro para Alec que estou aqui como amiga dele. E vamos continuar amigos, aquilo de nos afastamos não estava mesmo dando certo.

— Certo, vão se pronunciar oficialmente sobre?

— Não, a internet e a imprensa que pensem o que quiserem, tem coisa mais importante acontecendo agora. E eu tenho que ir. — Olhou no relógio em seu pulso. — Tenho um almoço com uma diretora de um filme que quero muito o papel principal, preciso me preparar.

— Chances de Oscar?

— Talvez, torça por mim.

— Vou torcer. — A abracei, nos despedimos e ela foi até os elevadores, bati na porta e entrei no quarto.

Alec estava sentado na poltrona perto da cama hospitalar onde Jane repousava, ele tirou os olhos de seu celular e sorriu para mim.

— Fala, cara.

— Oi, como ela está?

— Melhor — disse sorrindo mais. — Estão se programando pra tirar ela da intubação hoje de noite, vão colocar só uma máscara para ajudar a respiração e ir diminuindo os sedativos.

Assenti e caminhei para perto de Jane, antes que tocasse na mão dela que não estava com o acesso, Alec chamou minha atenção:

— Passa álcool em gel, ou lava as mãos.

— Claro. — Peguei um pouco do álcool no reservatório pendurado na parede e esfreguei em minhas mãos.

Voltei a me aproximar dela, era tão estranho ver Jane daquele jeito. Ela sempre estava por aí toda animada, cheia de vida e até enchendo meu saco. Eu conheci ela e Alec na mesma noite na festa de aniversário de uma atriz, logo acabei em uma amizade com os dois.

Quando Jane me pediu para transar com ela eu gargalhei pensando que era uma piada, já que antes quando a cantava a loira sempre me rejeita dizendo não gostar de homens.

Não tô brincando, é sério. Sei que gosto de meninas, mas preciso ter certeza de que não gosto de meninos.

Acabou que ela não gostava e o sexo só foi bom pra mim, mas Jane estava feliz em poder se entender melhor e me ter como amigo.

Peguei a mão dela na minha e sussurrei para seu corpo em coma.

— Você vai melhorar, não vai? — Voltei meu olhar para Alec. — Ela pode nos ouvir?

— Os médicos disseram que nesse estado de sedação que ela está não. Mas conhecendo minha irmã ela iria mandar a gente parar de choro, que certamente vai melhorar em breve.

— Sim, isso é algo que ela falaria. — Respirei fundo e devolvi a mão dela com cuidado para a cama. — Melhora logo, Jane — exigi. — Quero que você esteja bem para contar a Holly sobre quando achei que tinha visto um disco voador no céu do Havaí.

Alec riu.

— Meu Deus, aquelas férias no Havaí foram as piores!

— Eu sei. — Sorri. — Você teve insolação.

— E a Jane teve aquela queimadura de água viva e você perdeu o celular numa trilha.

— Vamos repetir quando ela melhorar, mas sem a parte de queimaduras e celulares perdidos.

Toquei em uma mecha de cabelo dela.

— Como seu pai está, Alec?

— Melhor, ele estava se culpando muito por ter acontecido na casa dele, mas o lugar já passou por toda uma vistoria e foi falha do sistema anti-incêndio, estava tudo normal na última inspeção. E Jane estava com algo no fogão, o vazamento aconteceu e… Minha irmã estava muito bêbada, foi tudo um grande acidente terrível.

— Encontrei a Ness lá fora, ela falou sobre vocês quererem que Jane vá para uma reabilitação.

— Será bom, ela precisa se cuidar. Bebeu muito na festa, me ligou bem abalada, não queremos que ela acabe voltando pra cocaína.

— Eu concordo, posso ajudar a convencer ela a ir.

— Valeu, Ed. Obrigado por estar ajudando.

— Nem estou ajudando tanto, minha mãe e Ness estão fazendo isso mais. Ness tem te ajudado bastante — comentei.

— Eu amo a Renesmee, não consigo controlar, é muito bom ter ela perto — sussurrou.

— Eu sei, cara.

— Não vai dizer para eu insistir em ficar com ela?

— Não vou, apesar de querer vocês dois junto sei que tem muito rolando de ambos os lado. E de qualquer forma, vocês são amigos, foi assim que começou com a irmã dela e comigo, um dia as coisas se ajeitam.

***

No sábado, depois de correr por mais de vinte quilômetros como Chris queria, Isabella e eu voltamos para casa. Ela estava no banho enquanto eu trocava mensagens com Alec recebendo atualizações de Jane, já estava sem a intubação e praticamente sem sedativos, a qualquer momento do final de semana acordaria.

Aquilo fez com que eu me sentisse muito feliz, tão feliz que tive uma ideia para o dia.

— Capitã. — Entrei no banheiro, ela estava deixando o chuveiro.

— Oi?

— Que tal você e eu sairmos para fazer algo?

— O quê? — Arqueou uma sobrancelha. — Sabe que meu pai volta hoje para Los Angeles com a Carmen e a Alice, vai todo mundo jantar na casa deles, nem tenta fugir disso.

— Não vou, estava pensando em ir fazer a minha tatuagem.

Ela sorriu e uniu suas mãos, seus olhos brilhavam.

— Com o nome da Holly?

— Exatamente.

— Sim, sim! — gritou e pulou em meus braços.

***

Bella conseguiu que Jenny, a mesma tatuadora das nossas últimas tatuagens me encaixasse em sua agenda daquele dia.

— Queria poder fazer uma tatuagem também — Bella reclamou no estúdio, enquanto eu tentava escolher um lugar para a tatuagem, eu tinha quinze e muitas delas eram grandes, estava ficando sem espaço.

— Talvez eu deva começar a cogitar remover algumas tatuagens, especialmente essa da Betty Boop — falei.

— O quê? Não — Bella protestou. — Essa tatuagem faz parte de você, amor. Faz a da Holly no seu antebraço esquerdo, mas em um tamanho pequeno, se tivermos mais filhos você vai precisar de espaço.

— Posso tatuar seu nome? — perguntei, ela negou rapidamente. — Por que não?

— Porque não. Tatuar nome da sua filha tudo bem, mas dá sua esposa? Não mesmo, suas fãs iriam enlouquecer.

Bufei.

— E sua inicial? — Ergui minha mão esquerda. — No dedo da aliança de casamento.

— Edward, não.

Revirei os olhos.

— Vou te convencer, mas não hoje. Certo, Jenny, pode fazer o nome da Holly com um donut no meu antebraço esquerdo.

— Beleza. — A tatuadora pegou suas coisas para primeiro desenhar no papel. — Qual vai ser a cor do donut?

— O que acha de azul? — perguntei para Isabella. — Como os do chá de revelação.

— É uma boa.

— Será azul mesmo, Jenny. O nome dela e um donut.

— Guarda o desenho — Bella pediu. — Assim que eu puder vou fazer a mesma tatuagem.

Sorri para ela e beijei seus cabelos.

— Teremos tatuagens iguais, linda!

— Mas você não vai tatuar minha inicial.

— Vou sim.

***

Apoiei minha cabeça no ombro de Bella e continuei olhando as fotos da minha tatuagem no celular, tinha ficado maravilhoso. E eu mal via a hora de Isabella ter uma igual e o mais importante de tudo, termos Holly em nossos braços.

— Estou morrendo de fome — ela falou. — Espero que o jantar já esteja pronto quando chegarmos lá.

— Eu também… Alec tá me ligando! — anunciei vendo o nome dele na tela do celular, endireitei meu corpo e atendi sua ligação.

— Ela acordou! — ele gritou, exalando felicidade.

Jane! Jane estava acordada!

— E aí? Como ela está? Posso falar com ela? Tô indo jantar na casa do Charlie, mas posso passar aí mais tarde?

— Ela não pode receber mais visitas hoje. E ela tá com dificuldade pra falar por conta do período que passou entubada, fora que estava bem confusa no tempinho que esteve acordada, já dormiu de novo. Os médicos falaram que é normal, ela precisa descansar e vai ir despertando aos poucos.

— Posso visitar ela amanhã?

— Claro que pode, não sei se você vai pegar ela acordada, mas vem sim.

— Você vai passar a noite no hospital?

— Não, meu pai e sua mãe vão.

— Por que não aparece na casa do Charlie para jantar? — Cutuquei Bella que estava vendo algo no Instagram, ela sussurrou:

— Ele pode ir sim.

— Na verdade, Renesmee me chamou para jantar lá, mas eu vou ir ver o Samuel, mal estive com ele essa semana, estou com saudades.

— Entendo, qualquer coisa me avisa.

— Pode deixar, bom jantar, manda um oi pra Bella.

— Vou mandar. — Finalizamos a ligação, mas antes que eu falasse algo Bella exclamou:

— Alice e Jasper estão oficialmente namorando, com direito a publicação no Instagram e tudo.

Notas finais
*Pensamentos de Holly são a minha companhia. Beijos! Lola Royal. 07.09.20