Hollywood

87 Capítulo Oitenta e Seis


Notas iniciais
Voltei! Capítulo dedicado a Camila e Roberta que recomendaram a fic. Muito obrigada por isso, gente! ♥ ♥ —-- Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo NOVO no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —___ Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure ajuda especializada sempre. —__ Boa leitura!

Capítulo Oitenta e Seis

Isabella Cullen

"Isabella e Ed Cullen visitam Jane Volturi no hospital."

Olhar para Jane naquela cama hospitalar fazia com que eu me lembrasse de mim em uma, tantos anos atrás, vítima de overdose. Eu reconhecia a fragilidade dela, a familiaridade daquela dor ainda estava presente em mim.

***

Entrei na cozinha e vi Jasper ali, ele estava apoiado no balcão e tinha uma cerveja em mãos.

— O que tá rolando? — perguntei ao notar que ele parecia estar preocupado com algo, e ao considerar que seu namoro com Alice tinha sido anunciado para o público há poucas horas suspeitei de que aquele fosse o motivo.

— Tá na cara que tem algo rolando?

— Com certeza. — Continuei meu caminho até a geladeira e peguei um pote com uvas ali dentro, tínhamos acabado de jantar e eu estava tentando evitar comer os brownies cheios de açúcar que Carmen tinha feito. — Quando uma pessoa fica sozinha num cômodo, encarando o nada e segurando uma cerveja parece ser preocupação.

— Não poderia ser apenas um cara desfrutando da própria companhia? — indagou e ergueu o corpo do balcão, bebeu um pouco de sua cerveja e por um instante muito longo desejei ter a bebida gelada em minha boca.

— Vai, me diz logo o que está te atormentando. — Abri o pote com uvas e comecei a comer, mas isso me levou ao desejo de vinho. Fiz cara feia, entretanto me forcei a continuar comendo.

Jasper se aproximou e pegou uma uva comigo, o cheiro da cerveja dele me atingiu em cheio. Prendi a respiração e contei até dez enquanto ele comia e não me respondia, foquei meus pensamentos na minha saúde, eu não poderia beber, nem uma gota que fosse, seria mais forte do que a tentação.

Também tinha a saúde de Holly. Por ela e por mim eu não tiraria aquela garrafa das mãos de Jasper.

— Só estou pensando em como meu namoro com Alice pode prejudicá-la a conseguir um trabalho novo — ele disse por fim e isso me distraiu de vez do dilema da bebida.

Eu não precisei ouvir mais nada, sabia que aquele namoro ter sido anunciado realmente poderia colocar Alice em problemas, mais do que ela já estava. No dia seguinte a emissora iria anunciar a demissão dela e até aquele momento ela não estava tendo sorte em conseguir contato com ninguém de outra emissora e eu tinha certeza de que Randall e seu orgulho ferido estavam por trás disso, talvez Renée também estivesse.

— Randall já ia tentar prejudicar ela com ou sem você, Jasper.

— Mas comigo é pior e sabe disso, não tente me convencer do contrário. Ele deve estar tão puto que ela mal acabou o noivado e já está de namorado novo, ainda mais por seu eu, o cara achava mesmo que não oferecia risco nenhum.

— Achava mesmo? — Comi mais uma uva. — Ou sabia muito bem que você e ela estavam por aí fodendo, mas confortável com Alice traindo ele até onde isso não afetava o relacionamento de fachada dos dois?

— É, talvez.

— Vocês até viajaram para a Grécia.

— Você foi junto e eu tava pegando um cara e postando sobre.

— Enfim, o que quero dizer é que não adianta ficar se remoendo. Vocês dois já assumiram e ambos concordaram com isso, não foi?

— Sim, não queremos mais ficar nos escondendo, é desgastante.

— Sei bem disso. Ela sabe que tá fodida — sussurrei. — Mas também sabe que isso não é de fato sua culpa, não adianta ficar remoendo isso, ou vocês dois vão acabar brigando entre si. Minha irmã é foda, ela vai conseguir outro trabalho. E vocês podem ficar enfiando a língua na garganta um do outro em público, sem preocupações.

Ele riu e beliscou minha bochecha, não tive tempo de bater na mão dele em reprovação por aquilo, já que logo a afastou.

— Agora volta para aquela sala de jantar e vai ficar com ela — ordenei. — Alice tá toda feliz com o anúncio do namoro de vocês, apesar de tudo, não fica longe dela agora ou aquela cabecinha loira artificial vai começar a pensar que você tá dando para trás.

— Tá bom, Capitã. — Bateu continência para mim.

— Deveria ter feito isso quando transamos, teria sido divertido — brinquei e ele gargalhou.

— Agora é tarde.

— Pois é, agora sou uma garota monogâmica e você é da família.

— Cara, sou cunhado da Princesa Audrey, que privilégio.

E começou a cantar a música mais famosa do filme, eu resmunguei e deixei a cozinha com ele me seguindo e ainda cantando.

***

Edward e eu saímos cedo na manhã seguinte, ele mal tinha dormido de tanta ansiedade para ir visitar Jane. Também estava doida para vê-la, mas nada animada sobre pisar em um hospital.

Como sempre, paparazzis nos seguiram por todo caminho de casa até lá. O fato de não ser nem nove horas de um domingo não lhes reprimia em nada, estariam lá a qualquer horário e em qualquer dia.

— Isabella, você já sabe que Paul Lahote é dono de uma produtora agora? — um deles perguntou quando deixamos o carro, contive o impulso de revirar os olhos e responder que estava pouco me fodendo para isso. Entretanto, meu marido não se conteve de nada.

— Não faça perguntas sobre Paul Lahote para minha esposa! — Edward ordenou ao homem e eu me vi invadida por receio do que aquela fala causaria, mas também proteção por ele tentar me manter longe daquele chateação.

Lancei um rápido olhar para Edward, já que até ali eu estava caminhando de cabeça baixa. Ele tinha a sua erguida, óculos escuros escondiam seus olhos — assim como eu também usava —, mas seus lábios estavam franzidos de forma a demonstrar como estava descontente.

— Que foi, Ed? — o paparazzi insistiu. — Tem medo da Isabella te largar e ir correndo atrás do Paul? — provocou e os outros paparazzis ali riram.

Eu não estava segurando a mão de Edward, mas a capturei e a apertei com toda minha força. Porém, para meu alívio, ele não respondeu nada. Apenas levou nossas mãos unidas para trás de seu corpo e fez com que eu andasse mais perto dele.

Os paparazzis continuaram perguntando e zombando, mas o muro de seguranças a nossa volta era suficiente para quase não conseguirmos olhar para eles. E entramos no hospital em seguida, o curto caminho do carro até aquelas portas automáticas parecia ter durado horas.

Edward falou com o pessoal da recepção, já tínhamos nossa entrada liberada pelos Volturi e recebemos permissão para ir ver Jane. Os seguranças, entretanto, não puderam seguir conosco.

No elevador, sozinhos, Edward me questionou:

— Não vai falar que eu deveria ter ficado calado?

— Não — respondi e apoiei o rosto em seu braço. — Obrigada por me defender.

— Sério? Eu não vou levar um sermão pelo que falei?

Eu ri baixinho da sua surpresa.

— Relaxa, zero intenção de brigar com você por isso.

— Uau. Se eu soubesse que você iria ficar tão de boa teria falado mais umas verdades para aquele paparazzi de merda.

— Aí eu estaria brigando com você.

Ele bufou.

— Não posso fazer nada, que saco — reclamou, eu ri mais um pouco e beijei sobre a jaqueta que ele usava.

As portas do elevador se abriram, já no andar onde Jane estava. Coloquei meus óculos e os de Edward na minha bolsa, com exceção de funcionários no posto de enfermagem, ninguém mais estava à vista pelos corredores.

Meu marido me guiou até o quarto que Jane estava, ela tinha sido transferida da UTI no comecinho daquela manhã, então poderia receber mais visitas. Ele parou junto ao quarto, de número 603B e me perguntou em um tom de voz baixo.

— Tudo bem, linda? Sei que você odeia hospitais, não precisa entrar mesmo, falo para a Jane que…

— Não, não — eu o interrompi. — Quero ver ela, sim. Já cheguei até aqui, vou aguentar firme — falei aquilo com um nó na garganta.

Edward assentiu, beijou minha cabeça e abriu a porta devagar. Alec estava lá dentro com a irmã, minha sogra e Aro já tinham ido embora para descansar, o ator se virou para nós e sorriu.

Eu tinha visto fotos de Alec na internet, após o que tinha acontecido com Jane. Ele estava arrasado nelas, mas naquele domingo sua expressão era de pura felicidade.

— Olha só quem está aqui, Jane! — ele exclamou. Olhei em direção a cama, Jane estava acordada, com uma máscara semelhante as de nebulização no rosto. Parecia muito fraca, porém, ainda assim, a atriz mostrou a língua para a gente.

Edward na hora se soltou de mim e atravessou o quarto até estar perto da amiga, só que ele se impediu de tocar nela e encheu a mão de álcool em gel do depósito pendurado na parede junto a cama.

— Você está acordada. É tão bom te ver, Jane — ele disse emocionado para ela e mexeu nos cabelos loiros da garota.

Com a mão livre, que não estava sendo usada para receber a medicação, Jane tirou a máscara de seu rosto e disse:

— Não posso dizer o mesmo, seu feio. — Estava bem rouca, eu podia sentir o quanto tinha se esforçado só para dizer aquelas poucas palavras.

— Idiota — Edward rebateu, mas não deixava de sorrir. — E coloca essa máscara, poupa sua voz.

— O Ed tá certo — Alec falou e recolocou a máscara no rosto da irmã gêmea. — Sabe que precisa se cuidar direito.

Ela revirou os olhos, depois eles se voltaram para mim e Jane acenou lentamente. Eu forcei um sorriso, meu estômago estava revirado, nervoso com as lembranças que hospitais traziam para mim.

Todos aqueles remédios que ingeri, na vã tentativa de aplacar uma dor que, querendo ou não, ainda existia. Um dia eu iria a vencer?

— Oi, Jane — falei e também coloquei álcool em gel em minhas mãos, tirando do reservatório junto a porta. — Feliz ano novo!

Ela puxou a máscara de si outra vez.

— Não está sendo muito bom. Mas feliz ano novo pra você também.

— Jane, máscara — Alec falou, mas ela virou a cara e não deixou ele colocar nela.

Eu andei até sua cama, parando aos pés dela, apoiei minhas mãos com cuidado sobre o móvel hospitalar, sem querer acionar nenhum dos botões de regulagem de altura.

— Só uns minutos. — Ela tossiu um pouco. — Estou recebendo visitas, tenho que ser boa anfitriã.

— Seja anfitriã usando a máscara — Edward disse. — Prefiro nem te ouvir, você é tão chata! — brincou.

— Bella, bate no Ed por mim? — ela pediu para mim, eu automaticamente deferi um tapa no braço dele, mas foi de leve.

— Ei! — ele gritou indignado, Jane riu, só que logo começou a tossir novamente e daquela vez Alec ganhou e colocou a máscara nela, Jane não teve tempo de protestar.

— Você é mais teimosa que uma criança — disse irritado para a irmã.

— Quer que a gente te traga alguma coisa, Jane? — perguntei. — Roupas, livros, a Jessica?

Ela riu um pouco, mesmo com a máscara. Vê-la bem humorada era realmente muito bom, mas e se fosse algo superficial? Ela ainda tinha ido parar ali por estar se afundando em bebida, seu pai e seu irmão já planejavam interná-la em uma clínica de reabilitação, Ed estava preparando um discurso para a convencer de que isso era o melhor a ser feito no momento.

Jane fez um sinal positivo com a mão, Edward indagou:

— Sim para Jessica?

— Ela não pode receber tantas visitas assim — Alec avisou. — Não vai transformar o hospital em uma festinha, Jane.

A atriz balançou a cabeça em negação.

— Foi com essas festas que veio parar aqui… — Ele se calou e foi óbvio que por estar prestes a cair no choro, pediu licença em um tom de voz baixo e deixou o quarto. Edward hesitou, mas acabou pedindo licença também e saiu atrás do amigo.

Fiquei só com Jane, me aproximei mais dela e não reclamei quando a loira tirou a máscara.

— Só um pouco — pediu.

— Tudo bem — concordei e afaguei seu braço. — Quer que eu faça algo por você?

— Não, não tem nada pra ser feito. — Puxou o ar com força. — Eu já fiz toda merda que podia, bebi até passar mal e incendiei a casa.

— O incêndio foi um acidente.

— É, mas beber até passar mal foi, digamos assim, algo que poderia ter sido evitado.

— Quer compartilhar o que estava sentindo para exagerar tanto na bebida? — perguntei, os olhos azuis dela se encheram de lágrimas.

— Estava cansada, já se sentiu assim, né? Você teve uma overdose de cocaína, como eu tive no passado, não foi?

— A minha foi por remédios — sussurrei. — Mas entendo, esse sentimento de exaustão, que leva a gente a pensar que medidas assim são uma forma de resolver tudo, mas nunca são.

— Eu não estava querendo me… Matar — murmurou e as lágrimas cruzaram seu rosto. — Só que eu estava naquela festa, cheia de amigos, e ainda assim me sentindo tão inferior, tão insignificante, fiquei cansada de mim. E aí fui bebendo e bebendo, querendo me tornar alguém mais legal. Quando tive a overdose de cocaína, anos atrás, foi pouco depois da morte da minha avó materna. Perder ela, depois de já ter perdido minha mãe, foi uma bosta, ali eu queria mesmo morrer. Na festa de ano novo eu só queria crescer, brilhar que nem os fogos de artifício.

— Você não precisa da bebida para ser brilhante, Jane.

Ela bufou.

— Eu tô falando sério, ninguém precisa beber para ser mais legal ou qualquer coisa assim.

— Eu sei, mas do que adianta saber se sou uma viciada? Vou parar por um tempo e voltar a beber depois, até destruir meu corpo, porque minha cabeça já foi destruída tem tempo, sem conserto. Ninguém se recupera de perder a mãe com dez anos de idade. — Chorou mais um pouco.

— Sinto muito por sua mãe, Jane. E nem consigo imaginar o que você sentiu ao perdê-la tão cedo, talvez nunca se recupere de fato disso, sempre vai doer não ter ela mais com você, mas não significa que sua vida acabou. Olha, Ed e eu estamos a meses sem beber, é difícil pra caralho, mas estamos conseguindo. E você já não usa cocaína há anos, né? — Assentiu. — Viu? Quando eu parei de usar cocaína também continuei bebendo, por anos e anos, agora parei e estou muito bem.

— Muito bem? Vai me dizer que é fácil?

— Tá, não é fácil, eu também não estou muito bem. Só que é um processo, sei que se beber isso não vai resolver as coisas que sinto, sei que a bebida é só uma forma que eu tinha de aliviar a ansiedade. Não preciso encher a cara mais para me sentir melhor, tem outras formas. Eu posso te ajudar, podemos ir juntas para um grupo de apoio se quiser.

— Nem fodendo.

— É, grupo de apoio é chato, mas nós iríamos tornar divertido.

Ela deu um pequeno sorriso.

— Você já era tão insistente assim antes de conhecer o Ed?

— Sim.

— Feitos um para o outro mesmo, caramba.

Eu sorri e alisei uma mecha de seu cabelo entre meus dedos.

— Nada de grupo de apoio?

— Não, mas valeu a tentativa.

— Ok, se mudar de ideia é só falar.

— Beleza, a pequena Holly está bem?

Sorri largamente e respondi.

— Está ótima. Você gostou do nome?

— É bem legal — disse sonolenta. — Me ajuda com a máscara?

— Claro. — Peguei a máscara e com cuidado coloquei em seu rosto. — Fica bem, Jane — pedi. — Você é brilhante. Quero que minha filha te conheça.

Ela sorriu, moveu um pouco a máscara e disse:

— Sou péssima influência, um dia comigo e a Holly volta para casa com piercing no nariz e cabelo rosa.

— Ela é filha do Ed, mais péssima influência que isso? — Jane riu.

— Aquele idiota, gosto tanto dele e de você também, obrigada por ter vindo.

***

Decidimos passar o resto do dia trancados em casa, descansando à beira da piscina. Ed estava nadando, enquanto eu tocava violão, a música da vez era Anos.

— E o clipe? — ele me questionou da água.

— Não é hora, nem lugar para falar de trabalho, pirralho — respondi. — Estamos de folga.

Ele riu e deixou a piscina, caminhou até a mesinha perto da espreguiçadeira que eu estava e se serviu com limonada e alguns amendoins.

— Vai, me conta mais sobre seu clipe — pediu falando de boca cheia. — Estou aqui perguntando como seu sócio na gravadora, preciso saber sobre essas coisas, faz parte do meu trabalho.

— Não me ouviu antes? Estamos de folga. — Parei de tocar e estendi uma mão para ele. — Limonada, amor.

Edward encheu um copo e me entregou, bebi e estremeci, faltava açúcar, mas era melhor controlar a ingestão de qualquer forma.

— Me diz pelo menos se o clipe ainda vai rolar.

Suspirei e lhe respondi por fim.

— Não sei, eu ia convidar o Aro para dirigir, mas com a Jane assim não sei se ele vai topar.

— Porra — Edward xingou e sentou aos meus pés. — É, talvez ele não queira nenhum trabalho por enquanto.

— Pois é. — Bebi mais um pouco da limonada. — Acha que devo fazer o convite ainda assim? De qualquer forma não é como se as gravações do clipe fossem começar na próxima semana, eu ainda preciso gravar a música.

— Perguntar não faz mal, né? — Acariciou a palma do meu pé, isso fez cosquinha e ele deu um sorriso pequeno vendo minha reação, mas parou o que estava fazendo, deixando apenas sua mão parada sobre minha pele. — Fala com Aro amanhã, talvez ele tope, as coisas podem ficar mais calmas quando Jane sair do hospital e for para a reabilitação.

— Ela estava bem abalada — comentei.

— Ela falou algo quando vocês ficaram sozinhas?

— Disse que estava bebendo muito por não estar satisfeita consigo mesma.

Ele suspirou e olhou para meu pé.

— Espero que esse tempo na reabilitação a ajude, não fez maravilhas para mim, mas foi um começo.

Concordei assentindo, apoiei meu copo no chão e afaguei o rosto de Edward. O músico apoiou o peso da cabeça em minha mão e suspirou, mas também sorriu.

— Espero que Aro tope dirigir seu clipe, seria foda. Entretanto, se ele não topar, acho que você tem total capacidade de fazer isso sozinha, não desiste. E já tem ideia de locação?

— Queria muito que fosse em New York, o que acha?

— Perfeito, você pode colocar no fundo um boxeador e uma bailarina passando e fazer referência a Endorfina — sugeriu e tirou a cabeça da minha mão, eu tive de rir lembrando de como ele teve de suar para me convencer de que gravar aquele clipe era uma boa ideia.

— Vou pensar no seu caso. Mas, sinceramente, até desanimei com o clipe de Anos depois da recepção ruim que Garota teve.

— Não vamos falar sobre isso, já passou, bola pra frente. — Se inclinou e beijou sobre minha sobrancelha. — Levando em conta o Escândalo Swan-Cullen até que tivemos menos problemas do que o imaginado, um clipe com recepção ruim dá pra aguentar.

— Dá mesmo?

— Dá sim. Vai, volta a tocar. Aposto que Holly estava adorando tanto quanto eu.

Ouvir aquilo me fez colocar o violão na espreguiçadeira ao lado, então me movi até estar colada em Edward. Minhas pernas sobre suas coxas e mãos em seus cabelos molhados.

— Te falei hoje o quanto amo ser sua esposa, pirralho?

— Hum, acho que hoje não. — Beijou meu queixo.

— Eu amo, adoro como você me incentiva. — Ele deu um sorriso bonito, seus olhos brilharam e me abraçou. — Faz eu me sentir a pessoa mais especial do mundo.

Edward não disse nada, apenas afagou meus cabelos e costas e distribuiu beijos sobre meu ombro exposto graças ao biquíni.

— Eu vou fazer o clipe, mesmo que Aro não tope dirigir — falei decidida. — Quero contar essa história. A história dos personagens do videoclipe, mas também a nossa pela música.

Ele se afastou um pouco, só para me olhar e falar:

— Não faz ideia de quão sortudo me sinto por te você fazendo parte da minha história, por termos uma juntos. — Levou sua mão esquerda até meu ventre. — Olha isso, vamos ter uma filha! — exclamou extasiado. — Eu te amo, Capitã. — Afagou meu rosto, fechei os olhos e apreciei seu toque.

Acabamos deitando juntos na espreguiçadeira, comigo apoiada sobre seu peito. Edward mexia em meus cabelos enquanto falávamos sobre meu clipe, ele tinha sugestões e prometi levar todas em consideração.

— O que vamos dar de presente de casamento para seu pai e a Emma? — lhe questionei quando o assunto do clipe chegou ao fim.

O casamento de Carlisle aconteceria no dia 12. Rosalie, Ed e eu iríamos para a Inglaterra na quarta-feira de noite, Emmett iria na quinta.

Não estava muito animada com aquela viagem, porém, sabia que era importante para Edward restaurar sua relação com o pai.

— Sei lá, que tal alguma viagem? Meu pai nunca pisou na Ásia, acho que seria uma experiência bacana pra ele.

— Boa. Podemos mandar ele pro Japão ou à Coreia do Sul.

— Acho o Japão mais divertido.

— Eu também. — Entrelacei nossas mãos. — Estou ansiosa para viajar pelo mundo com a Donut.

— A primeira viagem internacional dela tem que ser para a Inglaterra. — Edward tocou em minha aliança. — Você está bem?

— Estou sim, é muito bom que os enjoos já diminuíram.

— Os dias de água com limão estão acabando.

— Ufa, essa limonada aí já está horrível.

— Quer alguma outra coisa da cozinha?

— Aceito um pouco de sorvete.

Meu celular tocou, estava embaixo de nós dois. Edward o capturou e entregou para mim, era Jasper ligando.

— Oi, Whitlock — atendi.

— Jasper, vem pra cá mais tarde, vamos jogar videogame! — Edward falou praticamente colado ao aparelho, o afastei, queria saber porque o guitarrista estava me ligando.

— Bella, manda o Ed se calar, é um assunto sério — Jasper falou, estava bem furioso.

Claro que era, tinha sido um sonho muito alto imaginar ficar o resto do domingo despreocupada em casa.

— Fala o que foi.

— Sua irmã teve uma briga muito feia com Renée. E estou tendo que me segurar para não ir até a casa daquela mulher, ela é uma… Uma grande filha da puta!

— O que Renée fez agora?

— Alice foi falar com ela, sobre trabalho, discutiram e Renée deu um tapa nela.

***

Renesmee mexeu nos cabelos de Alice e perguntou:

— Você não vai contar para o papai?

Nós duas estávamos com nossa irmã no apartamento de Jasper, mais especificamente no quarto. O guitarrista tinha ligado para Ness também, ele achou que juntas poderíamos ajudar sua namorada melhor.

E o inglês também precisava ser convencido a não ir atrás de Renée e brigar com ela. Isso sobrou para mim, expliquei que ele ir tirar satisfação com Renée não resolveria nada, ela iria só debochar dele.

— Não — Alice respondeu, os olhos estavam vermelhos de tanto chorar, tinha acabado de nos contar sobre seu terrível encontro com Renée.

Logo após a emissora anunciar que Alice não trabalhava mais com eles, minha irmã foi até a casa da produtora implorar para ela lhe ajudar a conseguir um novo trabalho. Acabou com Renée dizendo que Alice tinha desperdiçado tudo que fez por ela e não moveria um dedo para ajudá-la, com minha irmã dizendo que nossa mãe nunca se importou com ninguém além de si mesma, então o tapa.

— Ainda sinto a mão dela ardendo no meu rosto — Alice falou, diretamente para mim. Ela sabia que eu entendia muito bem como era sentir aquilo, eu também já tinha apanhado de Renée. Mais do que um tapa, entretanto, a dor era muito parecida em nós duas. Uma dor de reconhecimento de que nossa mãe, que deveria nos amar e proteger, não estava nem aí para a gente.

— Vocês duas deveriam contar sobre tudo isso nas redes sociais, expor Renée, sem pena — Renesmee proclamou revoltada. — Eu deveria falar também como ela sempre foi uma vaca comigo. Temos que fazer alguma coisa, estou farta dela desgraçar nossas vidas e não ser penalizada. O que acha, Bells?

— Eu não farei nada disso. — Sentada bem longe da cama de Jasper, numa poltrona do outro lado do quarto, senti o olhar furioso da minha irmã caçula recair sobre mim. — Nem insiste, Ness — implorei. — Não quero travar outra batalha com Renée, se eu não falei para o mundo o que ela fez comigo no passado, não irei falar agora. Eu estou procurando cortar essa mulher de vez da minha vida, ainda estou longe de fazer isso por completo, mas ficar armando confusão com ela não irá ajudar em nada a finalizar isso.

— Eu só acho que… — Renesmee respirou fundo e segurou a mão de Alice. — Detesto termos uma mãe assim, odeio que ela tenha tanto poder em mãos. Cresceu em cima do papai e de você, Bells. Estava crescendo em cima de Alice. Ela não deveria ter nada disso.

— Bom, já disse, não falarei nada. Você irá falar, Alice?

— Eu quero pedir uma pizza — minha irmã respondeu, Nessie e eu a olhamos confusas. — Tomar um banho, beber um vinho, engatar numa conversa boba com o Jasper. Dormir por mais de dez horas e descansar. Pelo resto desse dia, pelo menos, quero esquecer que acabei de perder uma mãe que nunca tive pra valer.

Ela se aninhou no colo de Ness e voltou a chorar, eu fui até minhas irmãs. Desejando que Renée um dia realmente perdesse tudo, entretanto, sem querer mover um dedo para a queda dela acontecer.

***

Cliques e perguntas. Uma delas me encheu de ódio.

— Isabella, a Holly é mesmo filha do Ed?

Fechei minhas mãos com força, imaginando socar a cara daquele paparazzi estúpido. Para a sorte dele, ou ele levaria mesmo uns bons socos, logo eu estava dentro do prédio da gravadora.

— Você bateria naquele merdinha por mim? — perguntei para Felix, o segurança do meu marido estava comigo naquela segunda. Ed achava melhor eu andar por aí com um segurança que já estava com ele a mais tempo.

— Não posso fazer isso, senhora Cullen — respondeu em um tom de voz baixo. — Mas conheço pessoas que fariam por uma boa quantia.

Eu sorri e falei:

— Não perca esses contatos, talvez eu precise deles.

— Como desejar.

Continuei o caminho pela gravadora, que não era a minha. Eu estava na gravadora que cuidava das músicas de Riley, estava de passagem para ver como andava a gravação do próximo álbum do cantor.

— Ei, bom te ver, Bella! — ele comemorou quando eu entrei no estúdio, suas backing vocals estavam gravando naquele momento.

— Oi. — Aceitei o abraço dele. — Como você está?

— Bem. E você? E a Holly? Eu amei o nome!

— Estamos bem, tô só dando uma passadinha para ver como anda seu álbum.

— Quer me ajudar a produzir?

Neguei na hora.

— Não vim como produtora, sim como empresária. Aliás, Jessica, vem cá — chamei pela mulher, ela estava mexendo em seu celular e em um tablet ao mesmo tempo, mas caminhou até mim e após me cumprimentar perguntou no que podia ajudar. — Vamos tirar umas fotos do Riley hoje, tá? Ele precisa de uma movimentada nas redes sociais dele. Riley. — Me voltei para ele. — Você acha que a Lucy pode passar aqui por uma hora e tirar fotos com você?

— Pra que? — perguntou confuso.

— Vocês são um casal, seria bom ela te apoiar no trabalho.

— Mas ela me apoia.

— Entendeu o que quis dizer, fotos para o público ver ela te apoiando. Um vídeo de você gravando e ela assistindo toda derretida, essas coisas vendem muito e vai colocar vocês no radar de marcas para publicidades em conjunto…

— Que renderia muito mais para mim — ele completou.

— Isso, para mim também. — Ele riu. — Não vai negar um dinheiro a mais para uma grávida, vai? Preciso comprar fraldas para minha filha — dramatizei, ele revirou os olhos, mas estava sorrindo.

— Vou falar com a Lucy, pode ficar tranquila que terá dinheiro para as fraldas da Holly.

— Muito obrigada!

***

Fiz um exercício de respiração antes de fazer aquela ligação, bebi um pouco de água, treinei minha voz. Quando me senti confiante peguei o celular, disquei o número e esperei o diretor me atender.

— Alô.

— Aro, olá. É a Bella.

— Bella, oi. Tudo bem?

— Tudo sim. Você está no hospital com a Jane?

— Não, estou com a Esme no apartamento dela, viemos almoçar aqui.

— Ai, é hora do almoço, desculpa ligar agora.

— Pode falar, já acabamos de comer. Posso te ajudar em algo?

— Isso você vai me dizer, tenho uma proposta e quero saber se a aceitaria.

— Me diz o que é — o diretor pediu.

— Certo, primeiro não se sinta obrigado a aceitar só porque você está com a minha sogra, tá? Enfim, eu vou lançar uma música, em breve vou para estúdio começar a gravar ela, mas queria muito que tivesse um videoclipe e pensei em você dirigindo.

— É a música que toca no final do clipe do Ed?

— É sim, essa aí, se chama Anos. O que me diz sobre dirigir o clipe? Quer mais tempo para pensar? Tudo bem. Pode dizer não sem tentar agradar a mim e aos outros Cullen, só reforçando isso.

Aro soltou uma risada suave.

— Calma, Bella. Está tudo bem — assegurou. — Eu gosto muito da sua proposta. Mas, já que estamos sendo profissionais aqui, preciso dizer que seria um trabalho caro.

— Imagino, você já ganhou dois Oscars, poxa. Não ia te pagar pouco, ou estipular um preço para seu trabalho, se aceitar é só me dizer o valor e eu digo se está dentro do meu orçamento.

— Certo, eu aceito. — Eu segurei um grito, Aro Volturi iria dirigir um clipe meu, tudo parecia um sonho. — Porém, o clipe só poderá ser gravado depois da alta de Jane, não quero me preocupar com trabalho enquanto ela está no hospital.

— Claro, com certeza, será muito melhor assim. Eu ainda preciso gravar a canção antes. Você aceita mesmo, Aro?

— Aceito. O que você tem em mente para o clipe?

Eu comecei a contar, entusiasmada. Mal podia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. Eu teria um clipe, dirigido por um diretor renomado. Lançaria uma música que escrevi sobre a história de amor que tinha com meu marido.

A Isabella pós Escândalo Swan nunca pensou que pudesse ser tão feliz assim, mas lá estava eu. E sem precisar de ajuda nenhuma de Renée para triunfar na minha vida pessoal ou profissional.

***

A assistente terminou de arrumar meu almoço na mesa da minha sala e eu falei:

— Você será promovida.

Irina olhou para mim, olhos arregalados e boca escancarada.

— V-Vou? — gaguejou.

— Vai. Espero que não me decepcione.

— Eu não irei, prometo. Irei ser uma excelente agente, eu juro! — disse ainda em choque, mas com toques de felicidade tomando sua voz. — Quando eu começo? Irei agenciar quem?

— Quem você irá agenciar ainda será definido. E vai começar depois que eu voltar da Inglaterra, só que antes da mudança de cargo disso irá me ajudar a escolher uma nova assistente. Quero que treine a garota, ou cara, tanto faz, para mim. O que me diz?

— Vou fazer o treinamento perfeito! — A mulher faltou saltitar tamanha felicidade.

— Excelente, já pode começar a selecionar currículos, tanto de funcionários da produtora quanto de pessoal externo.

— Muito obrigada pela oportunidade. Por confiar em mim e no meu trabalho.

— Tá, agora já cansei desse papo. — Estalei os dedos. — Pode sair, quero almoçar sossegada.

— Certo, com licença.

Ela saiu e eu sorri, era terrível perder Irina como minha assistente, mas sabia que ela tinha aprendido muito comigo e faria um bom trabalho como agente.

***

Kate e Ed, diretamente da gravadora, estavam fazendo uma live juntos no Instagram dela. Respondiam perguntas dos fãs, cantavam juntos e ela até mostrou um pouco de uma das músicas do seu próximo álbum.

Apesar de ser chorona e de dar nos nervos de Edward, os dois juntos tinham uma energia muito boa. A live estava divertida, com muita gente assistindo e eles estavam exalando química.

Por isso comentários do tipo:

"Será que o Ed e a Kate estão se pegando?"

"Quem mais aí shippa Kaed?"

"Perdeu, Isabella!"

"Se beijem, eu imploro."

Poderiam ser lidos, Kate leu um deles e falou:

— Gente, parem de viajar, tá? Ed e eu somos só amigos. Eu tenho namorado e ele é casado, com a minha empresária que amo muito. Beijos, Bella!

— Oi, linda. Te amo! — Ed falou também e piscou, eu tinha avisado que conseguiria assistir uma parte da live dos dois, que tinha sido arquitetada por Tanya.

Mandei meu comentário após a fala dele e de Kate.

@isabellacullen: amo vocês dois!

Eles leram, Kate até tirou sarro de Ed quando ele começou a falar que estava sentindo minha falta. Eu ri, sem sentir ciúmes, sabia que ele me amava e não estava tendo nada com a rainha do drama, também confiava muito em Kate.

Minutos depois eu tive de parar de assistir a live, logo quando os dois começaram a contar histórias engraçadas de shows. O motorista parou meu carro na frente da casa de papai, eu estava indo ali para enfim ouvir a canção dele e de Carmen sobre o bebê que tinham perdido. Os dois a finalizaram aquela manhã e queriam que eu fosse a primeira pessoa a ouvir.

— Você demorou! — papai exclamou, ansioso, quando entrei no estúdio. Ele e Carmen estavam ali, ela com os olhos ainda molhados, deveria estar chorando por conta da canção.

— Desculpa, estava muito cheia de coisa para fazer na produtora, mas estou aqui agora. Oi, Carmen.

— Oi, Bella — falou e fungou. — Obrigada por ter vindo, queríamos muito que fosse a primeira pessoa a escutar a música.

— Vamos começar. — Papai se sentou no banco do piano, ao lado da esposa, ele tinha um de seus violão em mãos. Eu me sentei em outro banquinho, bem de frente para eles, pronta para escutar a canção.

Afaguei minha barriga, implorando ao meu corpo que não caísse num choro. Porém, com os hormônios em alta, isso era difícil.

Papai começou a tocar, Carmen iniciou o canto. A voz dela era linda, a música tinha uma letra forte e dolorosa, aliada a melodia melancólica e angustiante reproduzida por Charlie.

Eu comecei a chorar quase que imediatamente, claro. Na letra Carmen perguntava aos céus se aquilo era uma punição aos seus erros, também implorava que a dor parasse. Meu pai cantou também, falava sobre se sentir incapaz de ajudar a mulher que amava, clamava para que a alma do filho tivesse sido acolhida e ele estivesse bem.

Carmen, de olhos fechados, finalizou a música. Dizendo que estava tentando se reconstruir, que um dia esperava parar de chorar, mas que ainda choraria muito até lá.

— É isso — ela anunciou depois que papai parou de tocar, abriu seus olhos e respirou fundo. — O que achou?

— É maravilhosa. — Limpei as lágrimas do meu rosto. — Não será uma música comercial, mas imagino que isso não seja a ideia dos dois para ela.

— Não mesmo — papai negou. — A canção estará no meu álbum, mas não queremos tornar ela um single.

— Nem vender os direitos para filmes, ou séries — Carmen acrescentou.

— Eu entendo vocês. E sério, adorei tudo. — Me levantei e fui abraçar os dois. — Sinto muito pelo bebê, eu nunca vou me desculpar suficiente por não ter sido mais solidária aos dois quando o perderam.

Carmen voltou a chorar, eu soltei papai para a abraçar unicamente.

— Você é tão forte, Carmen! — declarei.

— Obrigada, Bella.

***

Eu voltei primeiro para casa aquela dia, Ed ainda iria demorar mais um pouco no estúdio com Kate. Aproveitei a salada de frutas que Nelly preparou para mim e fui comer assistindo Brooklyn Nine-Nine na sala de TV, com Shrek e Madonna comigo, Jude estava no quintal brincando com Woody e Amy dormindo em cima do meu piano.

— Precisa de mais alguma coisa? — Nelly perguntou aparecendo na sala.

— Não. E nem é seu trabalho cozinhar, vamos escolher alguém para cuidar disso quando eu voltar de viagem.

— Não me importo, gosto de cozinhar e salada de frutas é bem fácil de fazer. Você precisa se alimentar direito por conta da gravidez, não pode descuidar, no meu segundo filho eu tive pressão alta e foi bem difícil.

Pensei em dar uma resposta atravessada, falar que não precisava dela me dando dicas. Então, parei e refleti, Nelly só estava sendo gentil, eu não precisava ser estúpida com a mulher.

— Obrigada, Nelly — agradeci. — Pode deixar, estou regrando minha alimentação e me exercitando. Mas no final deu tudo certo na sua segunda gestação, não é?

— Sim, meu menino nasceu forte e saudável. Quer ver uma foto dos meus filhos?

Sinceramente? Não queria. Mas de novo refleti, eu já mostrava imagens de ultrassom da Holly para todo mundo — literalmente pelo meu Instagram —, Nelly, assim como eu, só estava sendo uma mãe babona. Além do mais, em breve eu estaria educando uma criança e seria bom me reeducar antes disso, ser menos grossa com as pessoas para que Donut tivesse exemplos bons a seguir.

— Claro. — Pausei o episódio. — Me mostre.

Nelly se aproximou e me mostrou, umas trinta fotos dos filhos e contou histórias que não pedi para ouvir. Mas mantive a pose interessada e deixei a mulher falar, quando ela se sentiu satisfeita, animada pelo papo — praticamente unilateral —, me deixou só na sala e voltei a assistir minha série.

No entanto, não tive muito tempo para voltar a me concentrar no episódio. Nelly reapareceu avisando que minha cunhada estava lá para me ver, eu disse para ela deixar Rosalie seguir até a sala de TV e pouco depois da governanta sair, Rose entrou.

Ela me pegou em um abraço, fazendo até com que eu me assustasse um pouco.

— O que aconteceu?

— Meu livro foi aceito, ele será publicado! — gritou cheia de felicidade.

— Rose! — gritei também, a afastando para ver a felicidade estampada no seu rosto, logo eu também estava dominada pelo sentimento. — Seu irmão já sabe?

— Sim, ele, mamãe, papai e Emm. Faltava te contar, aí Ed sugeriu sairmos para jantar em comemoração, o que acha? Emm e mamãe vão nos encontrar no restaurante.

— Eu acho ótimo, vamos nos arrumar juntas. Ai, estou tão feliz. — Apertei sua bochecha, ela riu.

— Tenho que te contar mais uma coisinha.

— Diz.

— Lembra que falei em usar um pseudônimo?

— Lembro e acho meio desnecessário, desculpe. Quando você for promover o livro saberão seu verdadeiro nome, todos sabem quem você é, basta olhar pra sua cara.

— Sei disso, mas vou me sentir mais confortável assim. Enfim, sobre o pseudônimo, espero que não fique brava.

Franzi o cenho, sem entender.

— Por que eu ficaria?

— Porque escolhi Audrey — contou apreensiva, ouvir aquilo me fez cair numa gargalhada.

— Eu já deveria esperar por isso — afirmei ainda rindo. — Você deve ser a maior fã da princesa Audrey.

— Eu definitivamente sou! — soltou outro gritinho. — Posso usar?

— Claro que pode. Será só Audrey?

— Audrey Platt, sobrenome de solteira da mamãe. Acha legal?

— Acho sim, mal vejo a hora de ter seu livro autografado em mãos. Holly, sua tia vai ser uma escritora, famosa, bebê! — avisei para minha filha, afagando a barriga.

Rosalie sorriu, mas falou nervosa:

— Tenho medo de ninguém se interessar pela história.

— Vão se interessar sim, você escreve muito bem, seu livro será um sucesso. Agora vamos nos arrumar, precisamos comemorar em grande estilo.

***

Na tarde de quarta-feira fui visitar Samuel, eu tinha falado com Alec e ele falou com Amber. Segundo os dois eu poderia ir visitar o bebê, seria um pouco estranho fazer isso sozinha — até mesmo sem Alec, que estava no hospital com a irmã —, mas eu queria ver o pequeno Sam.

— Oi, pode entrar. — A própria Amber abriu a porta para mim, ela segurava a babá eletrônica em uma mão.

— Obrigada por me receber — agradeci.

— Sem problemas, só fala baixo, ele tá dormindo.

— Quer que eu vá embora? Posso ir se for atrapalhar vocês.

— Não, sério, pode ficar.

— Okay, então vou lavar minhas mãos.

Amber me deixou na porta do banheiro, higienizei minhas mãos com cuidado e fui até a sala de estar. A ex-esposa de Alec estava sentada no sofá e sobre ele, ao lado dela, Samuel dormia em seu bebê conforto.

— Tem muito tempo que ele está dormindo? — perguntei baixinho.

— Sim, daqui a pouco acorda. E aí, como vai a gravidez?

— Tudo indo bem. — Sorri e sentei no sofá desocupado. — A fase dos enjoos finalmente passou.

— Não sinto falta disso. Essa fase que você está agora é a melhor, aproveita. O final vai ser puxado de novo.

— Olha, estou tão ansiosa para ver a Holly logo que quero essa fase final chegue rápido — confessei, Amber riu e assentiu.

— Ansiosa pra não dormir direito. — Apontou para Samuel. — Esse aqui decidiu passar a noite inteira acordado, se a minha irmã não estivesse aqui teria sido bem puxado pra mim lidar com ele só.

Meu corpo ficou tenso ao ouvir aquilo, não queria cruzar com a ex do meu marido, não na casa da irmã dela e deixar o clima pesado.

— Ela está aqui?

— Alison? Agora? Não, ela foi ao shopping — Amber respondeu. — E vai demorar, por isso aceitei você vir agora, relaxa.

— Beleza. — Foquei meus olhos em Samuel. — Quando vocês vão para a Inglaterra?

— Não vamos mais. — Aquilo me pegou de surpresa, mas fingi estar tudo bem e continuei olhando só para o bebê, deixando Amber desenvolver. — Meus pais já voltaram para lá, Alison volta mês que vem, só que decidi ficar com o Sam aqui. Devido ao que aconteceu com Jane.

Desisti e meus olhos foram ao encontro dos de Amber, estava muito curiosa com a mudança de planos dela.

— Alec está muito abalado, Jane vai para uma reabilitação depois e seria extremamente covarde levar Samuel para longe dele. Hoje ele e eu almoçamos juntos para definir algumas coisas, Aro estava junto e eu falei que ficaria em Los Angeles permanentemente, se o meu ex sogro me colocar em um papel de destaque no próximo filme dele.

— Uau, que jogada.

Amber piscou para mim.

— Estou unindo o útil ao agradável. Alec fica perto da Jane, do filho e até da sua irmã. — Engoli em seco. — Eu não vou receber o título de mãe que leva o filho para longe do pai, terei um começo de carreira na atuação bastante promissor e minha pele é bem mais bonita em Los Angeles do que em Londres.

Eu ri.

— Quando vão gravar o filme? Já sabe seu papel?

— As filmagens começam em agosto, até lá será mais fácil passar algumas horas longe do meu bebê. — Olhou com carinho para o filho. — E já sei sobre o papel, mas não vou te contar ainda, vai ter que descobrir no anúncio oficial, será grandioso.

Concordei, mas não ficaria curiosa por muito tempo. Faria Ed descobrir com o padrasto dele, Alec ou até mesmo sua mãe e ele iria me repassar a fofoca, simples assim. Amber não era mais esperta do que eu.

— Ei, calma, calma — Amber disse para Sam quando ele acordou chorando. Tirou o neném do bebê conforto e colocou ele para mamar rapidamente, sem se enrolar nem um pouco.

Com isso mudei totalmente de assunto, perguntei a ela mais sobre amamentação. Amber respondeu todas as minhas curiosidades, também me apoiou em buscar um parto normal.

Falamos sobre amamentação, parto e o pós parto enquanto Samuel mamava. Quando ele acabou Amber o passou para mim, ela me ensinou a colocar o bebê para arrotar e o deixou comigo após isso.

— Eu detesto o seu marido, você sabe disso — ela começou a falar. — Mas preciso confessar algo.

— O quê? — perguntei temerosa.

— Eu era muito sua fã.

— Sério? — indaguei surpresa.

— É sério. — Passou a mão pelos cabelos. — Eu adorava Zoe em Malibu, mas era doidinha pelo seu filme da princesa Audrey. Toda garota inglesa era. Você não pretende voltar a atuar, não?

— Não.

— Uma pena, você era excelente. Aquele fodido do Paul estragou sua carreira.

Meu corpo voltou a se encher de tensão ao ouvir a fala dela, não consegui desviar o olhar, mas fiquei quieta.

— Com certeza não foi você quem gravou e espalhou aquele vídeo, Isabella. Estou certa, não é mesmo?

— Não, está errada, fui eu quem fez tudo aquilo e coloquei a culpa no Paul na época — menti, reforçando a narrativa que sustentava desde que Paul me chantageou a isso. Eu não confiava em Amber para confessar a verdade, não queria a mulher espalhando por aí nada referente àquele assunto, Paul poderia se vingar vazando os outros vídeos que dizia ter.

Amber estalou a língua.

— Não foi você, Bella. Mas tudo bem, vamos mudar de assunto, prometo não falar mais disso. Como eu estava dizendo, não gosto do cretino traidor do seu marido, mas gosto de você. Nós duas podemos ser amiguinhas por Sam e Holly, vai ser bom eles crescerem juntos, já que provavelmente sua irmã vai acabar casando com o pai dele.

— Ainda gosta do Alec, Amber?

— Um pouco, o sentimento está desaparecendo aos poucos. Me apresenta algum velho rico de Hollywood? Espero ficar viúva e bilionária com meu próximo casamento.

Eu gargalhei, por sorte Samuel não estava dormindo, ou teria o acordado naquele instante.

— Vou pensar em alguém para você.

***

Edward não estava no melhor humor quando chegamos a Bath, ele não tinha dormido quase nada no voo e estava com dor de cabeça. Sendo assim, no carro até a casa do seu pai, fui no banco de trás com ele, massageando seus ombros, querendo que aquilo lhe ajudasse a relaxar. Rose estava na frente, junto com o motorista, falava com sua mãe por mensagem, garantindo que mesmo longa, a viagem tinha ocorrido bem.

— É uma cidade bonita — comentei com Edward vendo Bath passar pela gente. — Sabia que a Jane Austen morou aqui?

— Sim, coitada. — Edward bufou. — A cidade já é chata agora, imagina na época dela.

Revirei os olhos, não rebati, mas já planejava fazer ele me levar por um tour na cidade no dia seguinte.

Meu celular tocou, o tirei da minha bolsa e atendi na hora, era Alice. Estava preocupada com minha irmã, nos últimos dias estava reclusa no apartamento de Jasper, temia que aquele período se prolongasse por mais tempo.

— Bells, eu fiz algo — foi a primeira coisa que Alice Swan disse. — Tá podendo conversar agora?

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 28.03.21