Hollywood
89 Capítulo Oitenta e Oito
Notas iniciais
Capítulo Oitenta e Oito
Isabella Cullen
“Isabella Cullen irá deixar os bastidores e subir aos palcos?”
Edward estava certo, eu era uma artista. Precisava extravasar minhas ideias, fazer isso fazia com que me sentisse absurdamente bem, era revigorante.
***
Tamborilava os dedos da mão esquerda sobre a mesa da sala de jantar, enquanto encarava o quadro de uma paisagem genérica na parede à minha frente. No entanto, minha mente estava bem longe de querer apreciar aquela pintura feia, estava afogada em pensamentos a respeito da minha estúpida irmã.
Alice ter contado que Renée tinha um caso com Phill foi uma ideia terrível, isso só fez a internet odiar ainda mais a família Swan. Estavam falando sobre como todos nós não tínhamos nenhum pingo de caráter, meu pai por se envolver com uma ex-garota de programa, eu por meu passado assombroso, Alice por ter acobertado o caso extraconjugal da mãe e ter largado Randall, Renée por ser amante do seu chefe. Apenas Ness, até onde eu tinha visto, não tinha sido catalogada como uma pessoa de merda.
Claro que também sobrou para Edward. Ele, como parte da família, foi considerado por alguns a pessoa ideal para mim graças ao seu próprio passado. Pelo menos estavam nos vendo como par perfeito, era um milagre, eba!
“Bom, Ed Cullen entrou para o clã Swan e agora eu vejo que isso foi ideal para ele. Com essa família completamente disfuncional o garoto problema deve se sentir em casa mesmo.”
A fala de uma jornalista australiana continuava rodeando minha cabeça, eu odiava que a mídia e a internet estivessem usando Ed e eu como personagens da decisão impensada de Alice. Estávamos bem, tranquilos na medida do possível entre todos nossos problemas, não precisávamos de mais um escândalo nos atingindo.
Queria matar Alice, mas também queria correr de volta para Los Angeles e a consolar. Papai tinha ligado durante aquela madrugada — para mim na Inglaterra — e dito que depois de revelar o que Renée tinha feito com ela e finalizar seu vídeo, minha irmã seguiu para a casa dele e estava lá chorando sem parar.
Escutei passos se aproximando da sala de jantar e olhei em direção a porta, vi Carlisle entrando. O médico tinha uma cesta de café da manhã em mãos e estava analisando ela, o que o fez não me notar ali, até que por fim notou e se assustou.
— O que está fazendo aqui? — indagou.
— A casa é mais minha do que sua, Cullen — resmunguei. — Se está incomodado com a minha presença, vá embora.
Ele suspirou e colocou a cesta sobre a mesa. Eu percebi que tinha sido grossa sem necessidade alguma e pensando em me tornar uma pessoa melhor, para poder em alguns meses dar bons exemplos para a criança crescendo dentro de mim, pedi desculpas, ainda que odiasse ser educada com aquele filho da puta preconceituoso que era meu sogro.
— Me desculpe, não estou tendo um bom dia — murmurei.
— Tudo bem, vi na TV o que aconteceu com sua irmã.
— E deve estar morrendo por dentro, não? Afinal seu filho está nas mãos de uma Swan, somos tão inescrupulosos. — Não aguentei, tinha tanta raiva dentro de mim, precisava descontar em alguém.
— Emma e eu ganhamos algumas cestas de café da manhã de amigos, mais do que poderíamos comer. Doamos algumas para a igreja, essa eu trouxe para vocês comerem. — Apontou para a cesta, ignorando minha fala anterior, mordi a língua, me sentindo idiota novamente por continuar o atacando. — Edward e Rose já acordaram? Emmett vi lá fora conversando com os seguranças.
— Rose estava se arrumando. Edward ainda está dormindo, ele não dormiu muito a noite no meio de toda essa merda envolvendo minha família, ficou acordado comigo. — Também estava me sentindo mal por privar o sono do meu marido, sabia que ele precisava descansar, teria muito o que fazer nos próximos dias. Além do mais, ter uma noite de sono bem dormida era importante para Edward não ficar no dia seguinte cansado, o que podia aumentar seu estresse e desencadear mais ansiedade.
— É a família dele agora também — Carlisle disse e sentou na cadeira diante da minha. — Vocês são casados, você está grávida, ele precisa te apoiar.
— O quê? Você gosta de mim agora, sogro? — indaguei.
Carlisle não se conteve e riu.
— Posso ser sincero?
— Sim. — Dei de ombros, eu já tinha ouvido tanta merda durante meus trinta e poucos anos de vida, o que Carlisle falasse não me atingiria, não muito.
— Nem de longe você é a nora que imaginei ter um dia. Eu pensava que Edward casaria com uma garota de Bath, católica, da idade dele. — Bufei. — Vinda de uma boa família. — É, isso com certeza não era eu. — Eles morariam aqui perto, ela não me acharia um idiota...
— Idiota é até elogio para você — o cortei no meio de sua fala.
— Porém, isso era um dos meus sonhos para meu filho, não? — Carlisle continuou. — Edward nunca se casaria com uma garota católica de Bath, muito menos moraria aqui, ou faria faculdade como quis que ele fizesse. Meu filho não é o filho que idealizei em meus sonhos, ele é um ser independente. E, apesar de eu não gostar de você, Edward te ama e está feliz ao seu lado, isso é o que mais importa agora. Além do mais, eu já amo a neta que você está me dando. Então, sou duplamente grato a você, por ser a esposa que é para Edward e por estar me dando a oportunidade de fazer parte da vida da filha de vocês. Sei bem que não estaria por perto caso você não quisesse, sei que mereceria isso, fui um completo covarde em Liverpool pelo modo que te tratei. Como tratei meu próprio filho também.
Engoli em seco e assenti.
— É, um pedido meu e Edward se afasta de você, bom que sabe disso — murmurei. — E eu posso te fazer nunca chegar perto da minha filha. Porém, você e Ed estão bem agora, não vou os afastar, pode continuar me odiando em silêncio, será nosso segredinho.
— Não lhe odeio, Isabella.
— Que seja. — Puxei a cesta de café para perto de mim. — Cadê sua esposa? Ela já pediu o divórcio? Bom que você já tem experiência na área.
— É, talvez eu te odeie um pouco — ele falou e eu tive que rir da irritação em sua voz. — Emma está em casa terminando de arrumar as malas dela para nossa viagem.
Eu sabia que eles iriam passar uma semana na Itália, depois voltariam para a Inglaterra e ao trabalho.
— E para quando vão marcar a viagem do Japão? — questionei sobre o presente que tinha dado a eles junto de Ed.
— Vamos ver uma boa data, Emma e eu temos muito trabalho no hospital. — Peguei um bolinho de dentro da cesta e o médico pegou outro. — Foi você quem escolheu o destino da viagem? Está tentando me mandar literalmente para o outro lado do mundo, não está?
— Acertou! — exclamei de boca cheia. — Quanto mais longe melhor, querido sogro.
— Suspeitei. — Ele começou a comer também.
— Papai, bom dia! — Rosalie apareceu na cozinha, seguida por seu irmão que ainda estava usando pijamas e tinha o rosto todo amassado da cama.
Edward andou diretamente até mim, pensei que ele me beijaria, mas o que fez foi roubar um pedaço do meu bolinho.
— Estou exausto e faminto.
— Desculpe por essa última noite, pirralho.
— Relaxa, tá tudo bem comigo. — Ele roubou mais um pedaço do meu bolinho. — É só sono e fome — falou e a visão da comida em sua boca enquanto falava não era lá muito atraente, mas eu ainda achava ele o homem mais lindo do mundo.
***
Rose, Emmett e eu voltamos para Los Angeles em um avião particular. Edward nos deixou no aeroporto e em seguida entraria em um avião comercial para a França, quase não contive o choro quando dissemos tchau, queria ter ido com ele, ou queria que o músico voltasse para casa comigo, mas precisaríamos trabalhar em lugares diferentes pelos próximos dias.
— Ei, me dá um pouco disso — pedi para Emmett quando o vi abrir um pacote de amendoim.
O ex-segurança estava sentado em uma poltrona à minha frente, algumas poltronas atrás Rosalie estava concentrada nos afazeres do seu livro, ouvindo música alta em fones de ouvido. Estiquei a mão e Emmett despejou uma quantia generosa de amendoins nela, imediatamente comecei a comer.
— Você acha que vai durar? — Emmett perguntou.
— O voo? Ainda estamos na metade — respondi, sem entender direito seu questionamento.
— Não, desculpe — falou. — Deveria ter feito a pergunta inteira. Estava falando sobre o casamento do Carlisle com a Emma, você acha que dura?
Eu sorri, um puta sorriso gigantesco.
— Emmett, você está querendo fofocar comigo sobre nosso sogro?
— Estou — respondeu rindo. — Isso é bem errado, não é?
— Não, com certeza é algo certo a se fazer. Como os recém chegados a família Cullen temos total direito de fofocar sobre os outros. E concordo com você, também acho que esse casamento não dura. A Emma não é nem legal, mas o problema é ele mesmo, o cara é chato pra porra!
Emmett suspirou aliviado e sussurrou:
— Finalmente posso falar mal dele com alguém que conhece a figura, meus amigos sempre acham que exagero quando falo sobre Carlisle ser um idiota irritante.
Eu ri baixinho, sem querer atrair a atenção de Rosalie para nosso momento de confabulação, ela não ia gostar de nos ouvir falar mal do pai.
— Rose até critica ele, mas eu ainda não me sinto à vontade para criticar junto — admitiu. — Como você faz com Edward.
— Eu critico até o Ed na cara dele, não leve isso como uma diferença grande entre os relacionamentos, é que sou filha da puta mesmo.
Emmett me deu mais alguns amendoins.
— Sim, você com certeza não poupa ninguém — ele falou, eu assenti e comi meus amendoins. — Carlisle foi muito escroto com a família, se ele fosse meu pai não sei se teria me reaproximado como Ed e Rose fizeram.
— Os gêmeos são bonzinhos no final das contas. Quer dizer, Rosalie obviamente é boa, mas meu marido apesar de tudo é bem bondoso. E eles amam pra valer o pai.
— Como a Esme foi acabar com aquele cara? Ela é completamente diferente dele.
— Ai, não é? Ela é muito mais legal que ele. Pelo menos tivemos sorte no quesito sogra, Emm.
— Amém. Como você está? Com tudo isso rolando na sua família?
— Mal, não tinha como ser diferente.
— Posso falar mal da sua mãe? — indagou ansioso.
— Pode, claro.
— Ela é tão escrota! — exclamou e revirou os olhos. — Quando eu ainda era segurança da Renesmee e ela aparecia era sempre querendo criticar tudo, tratava a filha tão mal. Estou feliz que ela perdeu o emprego, é o mínimo.
— É, mas Alice ter explanado sobre ela pegando Phill não é bom para os Swan. Nossa família já é bem fodida, isso só reforça que somos terríveis. — Levei uma mão até minha barriga a afagando um pouco.
— Você não é como ela, Bella — Emmett disse. — Como Renée, nem um pouco, sério.
Meus olhos se encheram de lágrimas ao ouvir aquilo.
— Você, assim como seu marido, apesar de tudo é bem bondosa. — Dei um sorriso pequeno. — E já está sendo uma boa mãe. — Gesticulou para minha barriga. — Imagino como deve ser ter todas essas pessoas te julgando 24 horas por dia, falando mal da sua família, mas eles não sabem de nada, só acreditam no que querem acreditar e ponto.
— Obrigada, Emmett — agradeci, respirando fundo para não chorar. — Estou feliz que podemos fofocar juntos e que detestamos nosso sogro.
***
Eu me permiti um momento de egoísmo, quando pisei em Los Angeles mandei uma mensagem para meu pai avisando que só iria ver Alice — que continuava na casa dele — no dia seguinte, Charlie me queria lá, mas neguei. Precisava descansar da viagem, tirar o resto do dia para colocar os pés para cima, assistir algo bobo na TV e comer pipoca cercada por meus bichos, evitando problemas.
Pirralho: Vai ficar sozinha em casa? Posso pedir para minha mãe ir dormir aí, mas ficar fora do alcance de seus olhos.
Edward perguntou por mensagem quando lhe avisei dos meus planos, ele já estava em Paris, no hotel trabalhando na música de Holly e me enviando o que estava fazendo para opinião. Opinei um pouco, mas naquele dia não estava com cabeça para finalizar a canção também.
Capitã: Vou ficar bem, relaxa.
Pirralho: Não gosto que fique sozinha, mas qualquer coisa liga para minha mãe, tá? Já mandei mensagem aqui para ela e pedi que ficasse atenta caso você precisasse de ajuda com algo.
Capitã: Perfeito, prometo que qualquer coisa ligo para Esme. E você está bem sozinho aí?
Pirralho: Tô, só que já vou dormir, é bem tarde aqui. Qualquer coisa fala com meus seguranças que eles tem ordens de entrar no quarto e me acordar se você entrar em contato.
Capitã: Amor, relaxa. Dorme sossegado, juro que vou ficar bem sozinha em casa. E meus próprios seguranças estão aqui, eles também sabem que qualquer coisa devem te contatar.
Terminamos de nos fala e eu larguei o celular sobre a bancada da pia do banheiro do nosso quarto, tomei um banho maravilhoso, debaixo de um chuveiro mil vezes melhor do que o de Bath e coloquei roupas confortáveis. Segui para a sala de TV após fazer minha pipoca, Shrek estava me seguindo desde que cheguei, Madonna, Amy e Jude estavam lá deitados juntos em um dos sofás, Woody ficou na cozinha brincando com um bichinho que eu tinha comprado para ele na Inglaterra.
Coloquei um reality show de dança para assistir, era com crianças e bem divertido, foi o suficiente para eu me distrair. E ter Shrek deitado em cima de mim era uma coisa boa, ele tinha um cheirinho bom que me fazia pensar justamente em casa e era incrível como aqueles animais faziam parte do meu lar.
— Você sentiu falta da mamãe, não foi? — perguntei para ele. — Também senti falta de você e dos seus irmãos, tem se comportado com o Jude? Espero que sim, precisam ser amigos.
Ele se remexeu em cima de mim, seu focinho cutucando minha barriga.
— Holly está bem, filho — garanti.
Meu celular tocou indicando uma mensagem, eu xinguei e o peguei. Era um dos seguranças avisando que tinha visita para mim, por sorte era Tanya, mas estranhei ela aparecer ali sem me avisar de nada.
Tirei Shrek de cima do meu colo, deixei o balde de pipoca sobre a mesinha perto do sofá e pausei meu reality show. Já tinha dito para o segurança liberar Tanya, ela logo apareceu na sala, carregando consigo uma caixa de pizza que exalava um cheiro muito bom.
— Oi, senti tanto sua falta! — Se aproximou e beijou meu rosto. — Como você está?
— Tô legal e você? Por que não avisou que estava vindo? — perguntei ainda confusa, ela suspirou, colocou a caixa de pizza junto da pipoca e sentou ao meu lado.
— Eu não vinha, sabia que você ia querer descansar. — Seus olhos estavam marejados, percebi isso mesmo com a pouca luz. — Mas aí aconteceu algo e precisava de um carinho seu — confessou e soltou uma risada baixa. — Se quiser vou embora…
— Tanya, não! — exclamei e segurei sua mão. — Tá doida? Não precisa ir embora. Me conta o que aconteceu, estou aqui para te ouvir, hoje e sempre, juro.
— Encontrei aquele meu ex hoje, o Louis.
Lembrei rapidamente de quem se tratava, era o cara que ela namorava quando mais nova, o cara que a engravidou e caiu fora rapidamente ao saber da gestação.
— Onde?
— Em um café lá perto de casa, ele é gerente. Quando vi aquele cara parece que voltei no tempo, não consigo parar de pensar no bebê que perdi desde aquele instante. — Lágrimas cruzaram o rosto dela e eu enxuguei cada uma delas.
— Vocês conversaram?
— Eu já estava tomando meu café quando Louis apareceu, ele tentou falar comigo, mas saí correndo de lá. E eu nem estou com raiva dele, mesmo que se trate de um idiota, só fiquei muito mexida, pensando como teria sido nossas vidas, a minha, se não tivesse sofrido aquele aborto.
— Talvez você e Santiago…
— Eu sei, que muita coisa teria sido diferente. Poderia acabar até sem ter a Tina hoje, mas é impossível não fantasiar.
— Sinto muito pelo aborto, T. — Afaguei seus cabelos. — Eu nunca vou me perdoar por não ter sido uma amiga boa suficiente para você ter me contado antes.
— Bella, nós já brigamos aos montes, mas você sempre foi a melhor amiga que eu poderia pedir. — Beijou minha bochecha. — Eu só não queria contar antes. E nem deveria estar trazendo esse problema para você agora, não é bom ficar pensando nesse tipo de assunto quando está grávida.
— Não, estou bem, você pode falar o que quiser. — Eu a abracei, Tanya chorou em meu ombro. — Falou com Santiago que viu o tal Louis?
— Não, só pedi para ele ficar sozinho com a Tina hoje que eu precisava te ver, vou contar quando voltar para casa. Ele e eu sempre falamos sobre tudo, acho justo que meu marido saiba sobre isso também.
— Dorme aqui hoje — sugeri. — Vamos comer essa pizza e chorar.
Ela riu e me soltou.
— Será? A Tina está tão grudada comigo…
— Ela está grandinha, vai entender. — Belisquei sua bochecha, Tanya sorriu.
— Ela é tudo para mim — murmurou. — Eu amo tanto aquela garota, mas preciso admitir que nas últimas semanas, com você grávida, um pedacinho de mim tem pensado em ter outro filho, estava quase contando isso para Santiago, mas depois de hoje. Se eu engravidar de novo e perder mais um bebê. — Tanya soluçou. — Não sei se vou ser capaz de aguentar, Bella.
— Vocês dois precisam conversar. — Voltei a segurar sua mão. — E talvez pensar em uma terapia em família, sei que são um casal quase perfeito, mas se for um medo muito limitante para um desejo muito grande, isso precisará ser assistido.
— Quando ele descobriu sobre você disse que estava contente só com a Tina, mas talvez esteja só morrendo de medo de mais uma gestação tão tensa. Eu não tive problema algum quando estava grávida da Valentina, porém sei que deixei o paranóico.
— Conversa com ele, pensa melhor sobre o que você quer também, sei que vão optar pelo melhor para todo mundo. — Beijei seu rosto. — E sei lá, Carmen também está bem mal depois do aborto, eu sugeri que ela adotasse…
— Já pensei nisso! — exclamou e voltou a sorrir, mesmo que por um segundo. — Mas e se eu não for capaz de amar uma criança que não gerei?
— Tanya, minha mãe me gerou e olha no que deu — falei baixinho. — Sangue não quer dizer muita coisa, amiga. Sei que estou em uma posição muito fácil agora falando isso, mas acho que posso dar essa opinião sendo filha de quem sou. Você e Santiago são fantásticos como pais, você é uma Tirana como diria meu querido marido. — Ela riu alto. — Mas é carinhosa e ama ver as pessoas próximas de você bem. Você me estendeu uma mão mesmo quando o mundo todo me odiava, amiga. Nunca saiu do meu lado, mesmo nas vezes que mereceria isso. Iria amar esse bebê no instante que colocasse os olhos nele ou nela, tenho certeza disso.
— Um garoto — falou fungando. — Antes de tudo eu sempre sonhei com um casal.
— E nenhuma gestação para te amedrontar, mas você também pode escolher passar por uma. Não sei o que irá decidir, T, só fica sabendo que pode contar comigo para qualquer coisa.
— Sei disso, amiga. — Afagou minha mão. — Eu te amo, obrigada por me ouvir.
— Também te amo. — Belisquei sua bochecha outra vez. — Vai, liga para o Santiago e fala que irá dormir aqui comigo. Amanhã vocês tem essa conversa séria.
— Tá ok. — Ela pegou o celular do bolso da calça. — Vamos aproveitar e colocar o papo em dia, fiquei sabendo uma fofoca gigante sobre umas modelos aí.
— Ótimo, tô tirando o dia para fofocar.
***
Acordei primeiro no dia seguinte, muito cedo, ainda com meus horários bagunçados pós viagem. Tanya estava apagada do outro lado da cama, com a cabeça escondida pelo travesseiro de Edward, usando um pijama meu. Eu a deixei continuar a dormir e fui até o banheiro, saindo de lá desci para a cozinha já com meu celular em mãos.
Na Europa, boas horas à frente, Edward já tinha me enviado mensagens querendo saber como eu estava.
Capitã: Oi, acordei agora. Estou bem. Tanya acabou vindo para cá ontem de noite e dormiu por aqui. Daqui a pouco vou ir ver minha irmã, irei tentar não a matar.
Ele não me respondeu, no lugar disso ligou e atendi prontamente enquanto enchia um copo com água.
— Oi, linda. Bom dia — saudou.
— Oi, amor. Como está por aí?
— Tudo bem, estava na reunião com o pessoal da YSL, agora estamos indo para o atelier e depois uma reunião disfarçada de jantar. Já disse que detesto reuniões? É um saco.
— Pobre menino — debochei. — Vou falar melhor com Jessica depois para ver como anda essa parte burocrática. Alguém comentou sobre o Escândalo Swan-Cullen? — questionei e bebi minha água enquanto ele respondia.
— Quando não comentam? Fizeram piadinhas sobre eu ser doido de ter tido duas namoradas ao mesmo tempo, mas poderia ter sido pior.
— Concordo.
— Mas ninguém disse nada ofensivo sobre você, eu já estaria em um avião se isso tivesse rolado.
— Pega leve — pedi. — Esse contrato é importante.
— Sei bem disso, mas não vou deixar ninguém falar merda de você na minha frente e ficar calado. Enfim, Alec me contou que Jane deixa o hospital hoje.
— Ai, sério? — Abri a geladeira e peguei um pote com uvas. — Ela vai direto para a reabilitação? Eu tenho tanta coisa para fazer, provavelmente não conseguir ir vê-la. Vou mandar algum presente em nosso nome, outro em nome da gravadora.
— Beleza. Preciso desligar agora, Capitã. Falo com você depois, te amo. Diga para Holly que estou pensando nela.
Eu sorri.
— Irei dizer. Nós duas também te amamos, traga presentes de Paris para a gente.
— Claro, não deixaria de levar.
Estendemos mais um pouquinho a despedida, mas Jessica o chamou e precisamos desligar. Nelly apareceu bem naquele momento, sorridente e trazendo pães consigo.
— Olá! — disse animada. — Trouxe pães para o café da manhã.
— Ok, é o que irei comer! — exclamei e me livrei das uvas. — Como foi por aqui na minha ausência?
— Tudo tranquilo. Fiz uma lista de candidatos para assumir a cozinha por aqui.
— Excelente, me mostra enquanto eu me entupo de carboidratos.
***
Alice e Charlie estavam em casa, Carmen tinha saído com Renesmee segundo me avisou a empregada que abriu a porta para mim. Encontrei meu pai e minha irmã tomando café perto da piscina, eles tinham acordado em um horário normal para Los Angeles e ainda estavam fazendo a primeira refeição do dia.
— Ai, nem começa a gritar — Alice pediu quando me viu. — O que está feito não pode ser mudado — alegou e bebeu um longo gole de café.
Suspirei, beijei o rosto de papai e sentei ao lado da minha irmã maluca.
— Tá cheio de paparazzis lá fora, um verdadeiro inferno.
— Eles vão cansar e ir embora — papai suspirou também. — Como foi sua viagem?
— Tudo bem — respondi e afaguei o braço de Alice. — Odeio que você criou mais caos com nosso nome, mas tô aqui para o que precisar, tá bom?
Ela assentiu, estava segurando o choro e isso era bem claro para mim.
— Renée falou com alguém? Ela continua calada nas redes sociais e nenhum avistamento em público.
— Nada, nem uma mensagem que seja — Alice murmurou.
— Que ela desapareça! — papai resmungou. — Não a quero mais perto de nenhuma de vocês, Renée já fez muita merda.
— Eu fui tão idiota falando sobre ela me bater, mas ainda sinto muita raiva só de lembrar daquilo — Alice disse encarando suas mãos sobre a mesa diante de si. — Provavelmente nunca mais serei contratada por ninguém, minha imagem só ficou ainda mais suja com isso.
— Vem trabalhar comigo na produtora — sugeri, ela e papai olharam para mim na hora. — Tanya e eu estamos procurando por novos agentes, você é esperta, irá pegar o jeito do trabalho rapidinho. — Minha amiga e eu acabamos falando sobre a produtora na noite anterior e a ideia surgiu em minha mente, poderia ser uma boa forma de resolver o problema de Alice.
— Não quero sua pena, Isabella — reclamou.
— Não é pena, eu tô falando sério. Vem trabalhar comigo na produtora, você irá se sair bem.
Talvez me desse dor de cabeça no começo, mas acreditava que ela realmente poderia pegar o jeito e render bastante na produtora.
— Isso com certeza não é para mim, além do mais pareceria que estou tentando ser você e já fui sua substituta por muito tempo.
— O que pretende fazer? Ninguém está aceitando sequer conversar com você, acabou de falar sobre como sua imagem está suja. Fica comigo na produtora, pelo menos por alguns meses.
— Sem chances. Além do mais, eu não sei nada de música.
— Você só não sabe cantar — papai disse e Alice olhou para ele com raiva. — Estou apenas sendo sincero. — Eu dei uma risadinha.
— Prefiro virar uma Youtuber, sei lá. — Alice bebeu um gole de café. — Vou dar meu jeito, revirar minha lista de contatos e… — Se interrompeu e arregalou os olhos. — Bella, Bella! — gritou, mas naquele momento parecia animada. — Já sei quem pode me ajudar a conseguir um trabalho.
— Quem? Fala logo, não enrola.
— James. Ele pode conseguir algo para mim em um dos programas dele.
— Eu não vou…
— Ah, você vai sim — cortou minha fala. — Se quer me ajudar basta ligar para ele e pedir que consiga uma vaguinha para mim. Eu faço qualquer coisa, não preciso entrar como apresentadora, posso ficar nos bastidores por um tempo, só quero estar envolvida com TV.
— Alice, esquece isso, eu não vou falar com o James. Minha produtora é o melhor lugar para você ir trabalhar, vai ter um cargo decente.
— Eu falo com o James — papai falou para Alice. — Ele ainda gosta de mim.
Rolei os olhos.
— Não duvido, pai — Alice falou. — Mas acho que a Bells ligando fica mais fácil para mim.
— Pra quem não queria minha pena agora está querendo muito minha ajuda — reclamei, ela riu.
— Só uma ligação, Bells.
Esfreguei minha testa, sentindo o estresse acumulado em cada pedacinho do meu corpo, mas peguei meu celular para fazer a bendita ligação.
— Só vou pedir uma vez, não vou me humilhar para James.
— Ok — Alice concordou.
Levantei, já procurando pelo número de James e liguei quando estava afastada o suficiente da mesa. Ele demorou um pouco, mas atendeu.
— Bella? Tudo bem? — James perguntou nervoso.
Senti uma pontada de culpa, ele ainda se importava comigo. Eu poderia ter tornado o término mais fácil para James, por exemplo, terminando bem antes de o trair por tantos meses.
— Oi, tudo bem. E você?
— Estou bem, mas duvido que você me ligou para saber como eu estava — falou, mordi o interior da bochecha ao escutar aquilo. — O que aconteceu?
— Já deve estar sabendo sobre Alice, não é?
— Sim, já recebi algumas propostas da imprensa querendo me entrevistar, querem saber se eu tinha conhecimento da história da Renée com Phill. É por isso que me ligou? Relaxa, não dou esse tipo de entrevista.
— Não, não é sobre isso. — Parei perto da piscina. — Alice tá bem fodida, James. Ela não consegue nem uma reunião para tentar um novo trabalho, eu estive pensando se talvez na produção de algum dos seus programas…
— Não posso ajudar, Isabella — ele me interrompeu rapidamente. — Sinto muito, mas não pegaria bem para mim ou para meus programas ter Alice por perto, nem por conta de tudo que ela expôs, sim por ela ser sua irmã. Você me traiu, uma traição que todos sabem, achariam que sou um completo idiota se desse um emprego para a irmã da minha ex-noiva. Eu queria ajudar, só que também preciso cuidar da minha imagem. Espero que você entenda.
— Sim, eu entendo. — Suspirei, ele tinha razão, claro que tinha. — Obrigada por pelo menos me ouvir, James.
— Sem problemas. Olha, eu vou tentar ver se pelos bastidores indico ela, tá bom? Mas não prometo nada.
— Isso já é uma grande ajuda, sério. Como Norma Jeane está? — quis saber, sentindo falta da minha primeira gata.
— Ela está bem, prometo que estou cuidando direitinho dela.
— Não tenho dúvidas disso.
— Preciso desligar agora, Bella. Qualquer coisa eu te mando uma mensagem.
— Tá certo. Mais uma vez, obrigada.
Ele desligou, eu voltei para perto de papai e Alice.
— Pela sua cara ele negou — ela falou.
— Minha proposta ainda está de pé.
— Eu agradeço, mas não vou aceitar. Vou pensar em algo sozinha.
***
Eu queria tanto que Edward estivesse comigo naquele dia, era o começo das gravações de Anos na nossa gravadora e meu coração doía de saudades dele. Ao menos Tanya estava me acompanhando, ela não entendia muito de música em si, mas sua presença me dava segurança.
— Você pode dizer não — ela começou a falar, enquanto Laurent que iria me ajudar com as gravações, conversava com um técnico antes de eu entrar na cabine. — Mas eu pensei em amanhã fazermos alguns stories em vídeo com você respondendo perguntas dos fãs daqui da gravadora, durante os intervalos.
— Que fãs? — Fechei cuidadosamente a garrafinha de água que eu tinha em mãos.
— Os seus, Isabella.
— Os dois? No caso meu pai e meu marido?
Tanya bufou, eu ri e falei:
— Tá pode ser, vamos ver o que os cinco fãs tem para perguntar e se vão mesmo engajar com o conteúdo sem Ed aparecendo.
— Vai ter engajamento — disse animada. — Amanhã vem uma maquiadora, não vamos querer nada muito chamativo, mas uma profissional vai te deixar mais bonita.
— Tanto faz, só quero gravar agora. Manda uns vídeos pro Edward enquanto estou na cabine, ele vai gostar.
— Pode deixar, arrasa!
Bem na hora que fiquei de pé, Laurent chamou por mim, ele abriu a porta da cabine para eu entrar e senti meu corpo inteiro se encher de adrenalina. Aquilo estava mesmo acontecendo? Puta merda, eu iria gravar uma canção.
Me posicionei na frente do microfone, beijei sobre minha aliança e anel de noivado e anunciei:
— Podemos começar.
***
Depois da gravação eu fui para minha casa, Renesmee e Alice também estavam indo para lá e nós três iríamos jantar juntas, eu esperava convencer minha irmã do meio a se juntar a mim na produtora, Ness já sabia da proposta e prometeu me ajudar. Tanya já tinha reduzido nossas contratações, nos próximos dias iamos bater o martelo, mas antes de contratar os outros queria fechar com Alice.
Renesmee já estava em casa quando cheguei, animada ela me recepcionou falando sobre ter visitado Jane aquele dia na clínica de reabilitação.
— Ela está bem melhor, infelizmente não pode ficar recebendo muitas visitas, por mim ia todo dia.
— Eu queria ir, mas tô tão cheia de coisas para fazer — reclamei, ao mesmo tempo que respondia Edward.
Capitã: Já está bem tarde aí, amor. Vai dormir.
Ele queria saber mais detalhes da gravação, mesmo eu já tendo contado muitos durante o caminho para casa. Além de Tanya ter enviado dezenas de vídeos para ele, ela também aproveitou algum deles para meu Instagram, inclusive já tinha feito a publicação pedindo que as pessoas enviassem perguntas que eu responderia no dia seguinte, como nós duas combinamos.
Pirralho: Aff tudo bem, conversamos mais quando você acordar.
Alice chegou naquele momento, com um sorrisinho diabólico em seu rosto.
— Adivinhem só quem tem uma reunião promissora amanhã?
— Você conseguiu algo? — Larguei o celular em cima da bancada da cozinha. — Onde? Com quem? Como? — indaguei empolgada.
— Querida irmã, transar com todo mundo abre portas além de pernas — disse e sentou junto ao balcão. — Falei com Alistair…
— Nem lembra do Alistair — Renesmee reclamou, Alice e eu rimos.
— Como eu estava falando, falei com Alistair, que falou com uma garota que estava devendo favores para ele e agora eu posso trabalhar na produção de uma série nova da Prime Video.
— Ai meu Deus! — Renesmee gritou e correu para abraçar Alice.
— Ainda não está nada certo, mas só de ter uma reunião já é algo. A série não é nenhuma grande aposta, mas…
— Cala a boca, você vai conseguir! — exclamei e me uni ao abraço.
Os segundos que ficamos ali foram suficientes para sermos pegas de surpresa. Eu deveria ter suspeitado que Jude, Shrek e Madonna, que estavam trancados para o lado de fora no quintal, não estariam latindo apenas para o vento.
— Não esperava encontrar todas minha garotas aqui!
Soltei minhas irmãs e vi Renée parada na porta da cozinha.
— Mas isso pode funcionar.
Alice, que era a mais próxima de Renée, andou até estar atrás de mim. Enquanto isso, Renesmee permaneceu onde estava, colocando as mãos na cintura e olhando para nossa mãe com um olhar desafiador, de nós três, naquele momento, ela parecia a mais corajosa.
— O que está fazendo aqui, Renée?
— Vim fazer uma proposta para Bella, mas posso incluir vocês.
— Como entrou na minha casa? — indaguei, falando entre dentes.
— Um dos seus seguranças me deixou entrar, Carter foi bem recompensado — disse, não se intimidou e caminhou até sentar em uma das cadeiras perto da mesa. — Vamos direto ao ponto.
— Vá embora! — ordenei.
— Vim propor uma trégua. — Renesmee bufou, Alice segurou meu braço. — Isabella, você está querendo sair um pouco dos bastidores pelo que tenho notado. Não será bom para sua imagem toda essa ladainha de família disfuncional agora, justo agora que você estava parecendo consertar as coisas, não?
Engoli em seco.
— Renesmee, depois de tudo que passou também seria bom verem que você tem uma família que te apoia em tudo, quem sabe até naquele seu namorinho com o Volturi.
— Alec e eu não somos namorados — minha irmã esbravejou.
— E Alice — Renée continuou. — Estou tão decepcionada, mas podemos consertar isso também. Como falei, a proposta era para Bella, só que vamos pensar em todas vocês, isso será até melhor para mim. — Sorriu. — E para vocês também, claro. Que tal começarmos agora? Um jantar, vocês escolhem o restaurante, eu cuido de avisar os paparazzis, nós quatro sendo fotografadas juntas, reconstruindo nossa relação.
— Você é uma pessoa completamente doente — eu murmurei. — Acha mesmo que depois de tudo vamos querer participar desse seu teatrinho, mamãe? — debochei ao chamá-la daquele jeito.
— Eu vim aqui justamente pensando no melhor para nós duas — falou, ignorando minhas irmãs naquele momento. — Quero que você possa ter tudo que quer, Isabella. E se as pessoas virem que estamos nos entendendo após todos esses anos irão amar, você sabe disso. Pensa no que dirão: mãe e filha juntas novamente, comigo por perto durante sua gestação. Seremos um caso de recomeço, podemos conquistar tudo juntas outra vez. Diremos que nos unimos novamente porque nos amamos, porque você quer sua mãe perto da Holly.
— Não é a primeira vez que propõem sermos agradáveis uma com a outra, Renée. Talvez nem seja a última, mas essa é a primeira e a última vez que você coloca seus pés imundos na minha casa. Eu te quero longe de mim, das minhas irmãs e da minha filha. Nunca mais ouse a falar o nome dela em voz alta. — Soltei meu braço de Alice, ultrapassei Renesmee e parei diante daquela bruxa, apontando o dedo para a cara dela. — Holly é a pessoa mais importante da minha vida, você não irá chegar perto dela, você não irá a usar como fez comigo e as meninas. Eu tenho nojo de você, tenho pena por você ser uma narcisista, mas que se foda essa pena, que você morra sendo essa doente que é, mas bem longe de mim.
Ela me encarava de volta.
— Saia da minha casa.
Ela se levantou e questionou:
— Você acha mesmo que será uma boa mãe? Com seu histórico de vícios e pensamentos suicidas?
— Você veio pedir minha ajuda, não foi? — Dei de ombros. — Está desesperada, podem estar falando de mim, Alice, do meu pai, de quem for, mas nós estamos juntos e você está sozinha. Não tem mais trabalho, muito menos a família que usou por décadas, Renée. Eu posso ser uma viciada com tendências suicidas, posso carregar a culpa daquele maldito vídeo, posso ter armado para promover Ed com o falso namoro, posso ter feito um milhão de merdas, mas no final do dia eu sou a mulher com a família a apoiando e você é só a fracadassada invejosa. Então, sim, eu serei uma boa mãe, uma boa irmã, uma excelente esposa, uma maravilhosa filha para meu pai, uma cantora e empresária de sucesso e seu nome será esquecido.
— Não esqueça que eu fiz o seu nome.
— Bom, não esqueça que você o jogou fora quando achou conveniente. Agora aceite que eu posso cuidar dele sem sua ajuda.
O rosto dela estava vermelho de ódio, o meu também deveria estar. Renée olhou para suas outras filhas e foi embora, pisando firme no chão em seus saltos.
Caminhei até meu celular, abri o Twitter e comecei a escrever.
“Estou aqui para prestar total apoio a minha irmã, Alice Swan, em relação às últimas informações que ela levou a público. Nós duas e nossa irmã mais nova, Nessie, somos filhas de um pai amoroso e dedicado, o mesmo não pode ser dito de nossa mãe. Renée Swan é uma mulher narcisista, que desde meu primeiro dia de vida me viu como uma forma de ganhar dinheiro, hoje ela me procurou e tentou transformar minha filha, ainda nem nascida, em mais uma peça de seu xadrez lucrativo. Ela não conseguirá isso, não sei os próximos passos dela, por isso fiz o primeiro movimento. Essa mulher não convive comigo e com minha família, qualquer palavra que ela diga sobre Holly é apenas uma tentativa de limpar seu nome. E agora, depois de eu expô-la, duvido que ela tente mencionar minha filha, mas se mencionar será processada.”
Eu postei, sem ligar para nada, só queria jogar a última pá de terra em cima do nome dela
— Bells… — Renesmee começou.
— Agora não, vou demitir um segurança. Alice, pede nosso jantar, eu vou sentar e comer depois disso.
***
Os paparazzis estavam em peso na porta do condomínio, eles também estavam na frente da gravadora quando cheguei lá pela manhã. Coloquei meus óculos escuros, respirei fundo e deixei o carro, meus seguranças me rodeando.
A equipe tinha sido reforçada, o segurança que aceitou suborno de Renée foi demitido e meus advogados estavam cuidando da quebra de contrato. Ele tinha sido um completo idiota achando que não seria descoberto, se dependesse de mim nunca mais trabalharia para ninguém e ainda ficaria me devendo.
— Isabella, é verdade que sua mãe esteve na sua casa ontem à noite?
— Você confirma o que Nessie disse sobre Renée?
Renesmee acabou fazendo uma publicação também, expondo como Renée sempre foi terrível com ela, inclusive na época da morte de Nahuel. A internet estava pegando fogo, eu ousava dizer que ninguém era mais odiado que minha mãe naquele instante, as pessoas poderiam até achar Alice e eu duas cretinas — Ness continuava sendo a Swan abençoada —, mas por fim levantaram bandeiras de apoio para a gente.
Éramos as filhas de uma mulher terrível, merecíamos empatia. E ao saberem que ela estava tentando usar uma criança ainda no ventre como peça publicitária causou ainda mais revolta.
— Eu confirmo, Renée é tudo que minhas irmãs e eu expomos — me permiti responder ao paparazzi, mas foi a única resposta, logo estava no interior da minha gravadora, protegida.
— Seu marido está me enlouquecendo — Tanya acusou quando me encontrou. — Ele está quase vindo a nado para Los Angeles.
Edward estava furioso, não comigo, mas com Renée. Fui acordada no meio da madrugada por ele, que em um fuso diferente queria entender o que tinha acontecido comigo, expliquei e ele achou o máximo eu não ficar calada e jogar a real na internet, entretanto queria estar perto para me proteger e manter minha mãe longe.
— Vou ligar para ele — anunciei já tirando meu celular da bolsa e fazendo a ligação para Edward. — O que conversamos? — perguntei assim que ele atendeu, meu marido xingou. — Você precisa estar aí e segurar as pontas para ter certeza de que minhas ações não vão afetar esse contrato.
— Não vão — afirmou. — Por aqui as pessoas estão do seu lado, xingam Renée em francês e tudo.
Eu tive de rir.
— Quero estar perto de você — murmurou. — E da Holly. Hoje começa a décima sexta semana da gestação, não quero perder nada.
— Você precisa desse contrato, é importante, sabe disso. Se vier embora agora eles nunca mais vão querer olhar na sua cara.
Edward suspirou.
— Eu sei.
— Você estará aqui no sábado e qualquer coisa te mantenho informado, especialmente sobre Holly. Vou tentar voltar mais cedo para casa, aí conversamos por vídeo.
— Ok, tá. Eu te amo.
— Também amo você, agora para de infernizar a Tanya, tá bom?
— Ela que me inferniza, mas vou tentar. Irei encher o saco da Jessica agora. Au revoir, mon amour¹.
Senti um arrepio na coluna com ele falando em francês comigo, era muito sexy.
— Se quiser pode falar em francês mais vezes comigo, senhor Cullen.
— Vou me lembrar disso.
— Excelente, até mais tarde.
Finalizamos a ligação e Tanya surgiu na minha frente.
— Comecei a conversa sobre ter mais um filho com Santiago ontem.
— E aí? O que ele disse? — indaguei, estava animada, mas controlei meu tom de voz.
— Quer que a gente reflita melhor sobre antes de qualquer decisão, pensamos em uma viagem lá pelo final do mês, uns dois dias no dia 26 e 27, sem a Tina, para podermos ter a cabeça livre de outras distrações e focar no assunto. O que acha?
— Uma ótima ideia, eu posso ficar com a Tina.
Tanya me encarou surpresa.
— Tá falando sério?
— Tô sim. Vai ser um bom treino — brinquei. — Ed também vai gostar.
Tanya riu.
— Ela vai é enlouquecer vocês, mas eu topo a oferta. Agora vamos trabalhar, tem muitas perguntas para responder nos intervalos da sua gravação.
— Nenhuma sobre Renée, né?
— Claro que não. Eu nem quero ficar pensando nesse assunto e nessa mulher, ela é tão filha da puta. Mas você recebeu dezenas de convites para falar sobre Renée em entrevistas exclusivas.
— Sem chances. — Nós começamos a andar até a sala de gravação. — O que postei no Twitter já foi suficiente, minhas irmãs também já fizeram a parte delas. Você sabe algo sobre Renée?
— Pedi para Alistair ficar de olho e me informar qualquer coisa, mas aparentemente ela não está nem buscando outro emprego agora, deve querer ficar fora da mídia depois do que você e as meninas publicaram e esperar a poeira abaixar.
— Que seja, contanto que ela não fale sobre minha filha eu nem irei me estressar mais com essa mulher.
— É e você precisa pegar leve, não pode ficar se estressando assim durante a gravidez.
Eu ri e abri a porta.
— Até parece que esse é o último estresse que vou ter, é melhor aceitar que sou azarada e que os problemas estão sempre me cercando.
— Bella, isso chegou para você! — Já na sala, quando me viu, Laurent anunciou apontando para um buquê de rosas brancas.
— Edward? — Tanya perguntou.
— Ele sabe que não gosto de flores. — Peguei o bilhete de dentro do buquê.
“Parabéns pelo início das gravações de sua música. Espero que você me conceda uma entrevista quando ela for lançada.
Richard Buttler”
— Não disse? — Mostrei o bilhete para minha amiga. — Como viver sem estresse com essas pessoas existindo?
***
Um dos funcionários da produtora gravava os vídeos, outro cuidava da iluminação e Tanya fazia as perguntas em voz alta, fora do vídeo, para eu responder.
— O que você gosta de fazer nas horas livres?
Eu era toda sorrisos respondendo, a pessoa mais simpática do mundo todo. E nem era só atuação, era verdadeiro.
— Ed me fez uma fã de Brooklyn Nine-Nine como ele, passo muito do meu tempo livre assistindo a série. Mas eu também amo ficar com meus gatos e cachorros.
— Você pretende manter seus gatinhos e cachorros afastados da Holly enquanto ela for muito novinha?
— Não pretendo, iremos criar Holly com todos eles e esperamos que seja tranquilo para todos. Eu acredito que ela irá amar seus irmãos de quatro patas.
— O que você achou de Bath?
— Eu amei Bath! — exclamei, enquanto ajustava o microfone na cabine de gravação. — Conhecer a cidade foi muito legal, estou doida para voltar lá com Holly.
— O quarto da Holly já está pronto?
— Ainda não, Ed e eu estamos bem ocupados com trabalho nas últimas semanas, mas ainda temos mais da metade da gestação pela frente para conseguirmos organizar tudo.
— Como seu pai está lidando com a primeira neta a caminho?
— Ele está tão empolgado, Charlie já ama muito nossa pequena Donut.
— Como está sendo conciliar tanto trabalho? Produtora, empresária, cantora, dona de uma boate!
— É realmente muito trabalho, mas eu amo tudo que faço, então no final estou sempre muito grata, especialmente por ter ao meu lado profissionais tão dedicados.
— O que tem sido mais difícil durante a gravidez?
— Os enjoos do começo foram terríveis, mas eles se foram por completo!
— E a melhor parte?
— Imaginar que logo mais terei minha filha em meus braços.
— Alguma chance de você e Ed lançarem um álbum em conjunto?
— Nenhuma chance. — Eu ri.
— Qual a última música tocada em seu celular?
— State of Grace da Taylor Swift.
— O que você falaria para a Isabella de 5 anos atrás?
— Quando Esme Cullen aparecer na sua porta… Esse será um ponto de virada da sua vida.
— E o que diria para a Isabella de 2023?
— Espero que você tenha passado da fase de Candy Crush que está presa. E que esteja passando férias com seu marido e filha em Nashville.
Tanya sorriu e indicou o fim dos vídeos.
— Está ótimo, com o que gravamos antes já temos bastante material. Você estava excelente, Bella.
— Eu sei — falei convencida e sorri mais um pouco.
***
Não conseguia tirar meus olhos da tela, estava completamente hipnotizada por aquele vídeo. Uma fã, aparentemente eu tinha acabado por conquistar mais que cinco, tinha feito uma montagem com os vídeos que Tanya soltou em meu Instagram e juntou com imagens minhas dando uma entrevista quando era criança.
Era tão bom ver aqueles vídeos meus tão novinha, por muito tempo eu fugi das lembranças de antes do Escândalo Swan, finalmente poder revisitar eles sem tanta mágoa era excelente. Principalmente quando o mesmo sorriso sincero e cheio de sonhos se refletia nos meus vídeos recentes, eu tinha passado por tanta coisa, mas estava reencontrando a minha eu do passado e moldando a cada dia uma versão nova de mim mesma.
O que eu diria para a Isabella do futuro? Aquela de 2023?
Seja gentil consigo mesma, você passou por muita coisa até chegar aí.
Deixei aquele vídeo, mas só para procurar por outro semelhante e consegui encontrar. Naquele a montagem começava comigo abrindo a porta do camarim de Zoe em Malibu, eu conseguia me lembrar um pouco daquele dia, era no primeiro ano da série.
— Oi, sou Isabella Swan, sejam bem-vindos ao meu mundo! — Garota de Ed começou a tocar como trilha sonora.
E o vídeo seguia com imagens minhas ao longo dos anos, sem menção ao Escândalo Swan, Paul ou mesmo Renée. Quando as imagens chegaram ao meu casamento, uma montagem de voz minha falando que era Isabella Cullen superou o som da música.
Uma lágrima cruzou meu rosto e não me preocupei em limpá-la. A montagem terminava com um pequeno frame meu em Malibu durante a lua de mel para o clipe de Edward.
Alguém batendo em minha porta fez com que eu me sobressaltasse, fechei as guias com os vídeos em meu computador. Limpei a lágrima, chequei meu reflexo na tela apagada do celular e fui ver quem era.
— Encontrei meu substituto! — Era Irina, carregando uma pasta roxa fina em suas mãos.
— Bom, pensei que você enrolaria tanto que teria de ficar no cargo de minha assistente.
— Não, não. Ele é ótimo, você irá adorar.
— Vamos ver. — Peguei a pasta da mão dela e fui para minha poltrona, Irina sentou do outro lado da mesa, olhando para mim com expectativa.
O nome do cara era Gregory Reid, 25 anos e pelo que dizia no currículo já trabalhava na Swan Productions, o que era bom.
— Nunca vi ele por aqui — falei ainda lendo o currículo.
— Ele já trabalhou direto com você algumas vezes — ela disse.
— Hum, que seja. Ele ainda está no prédio? — Olhei a hora em meu celular, era pouco mais de seis da tarde.
— Acredito que sim, já quer falar com ele?
— Claro, por isso a pergunta. — Joguei a pasta em cima da mesa. — Traga-o aqui, quanto antes eu pré-aprová-lo e você começar a treiná-lo será melhor. Isso é, se você ainda quiser sua promoção…
— Quero sim, quero muito. Vou chamar o Greg agora! — Ela praticamente saiu correndo da minha sala, naquele meio tempo recebi uma mensagem de Aro.
Aro Volturi: Bella, olá! Sobre seu clipe, eu consigo ir para New York com você do dia 20 ao dia 25, o que me diz?
— Merda — xinguei baixinho.
Isso me daria só um dia com Edward quando ele voltasse da Europa e sabia que ele já tinha uma agenda cheia na mesma época com sua campanha para o Grammys, mas eu não poderia dispensar Aro, de forma alguma, mesmo com o homem sendo namorado da minha sogra.
Isabella Cullen: Está perfeito para mim. Podemos nos encontrar ainda hoje para acertar alguns detalhes?
Aro Volturi: Tenho horário amanhã de manhã.
Isabella Cullen: Se importa de ir até minha gravadora? Estarei gravando, mas faço uma pausa para nossa reunião, o tempo que você quiser.
Aro Volturi: Acho até melhor assim, acompanhar um pouco da gravação da canção será bom para pegar o ritmo do clipe. E será melhor ainda se conseguirmos definir os nomes do elenco até quinta. Estarei lá às 09, sei onde fica. Até amanhã.
Dois dias para escolher o elenco, nada estressante.
Isabella Cullen: Até! Muito obrigada, Aro.
Irina voltou para a sala naquele momento, atrás dela estava Gregory. Mais baixinho que a minha assistente, era negro, cabelos crespos e curtos. Usava uma calça jeans clara, camisa de gola alta preta e tinha em mãos um casaco marrom.
— Gregory, olá! — Indiquei que ele se sentasse onde Irina estava antes, para ela indiquei o sofá. — Obrigada por ter vindo.
— Eu que agradeço a oportunidade da entrevista.
— Refresque minha memória, você está na equipe…
— Do Alistair, eu geralmente acompanho ele com a Kate — disse animado, mas conseguia se conter, eu lembrava da entrevista com Irina, ela faltava gritar de tão empolgada que estava. — Eu estava na equipe que você levou para a turnê dela.
— Claro! — Naquele instante me lembrei dele. — Você ajudou muito naquele primeiro show com os problemas técnicos que tivemos. Acho que isso é suficiente para eu deixar Irina te treinando, se consegue lidar com Kate conseguirá lidar comigo, eu choro menos. — Gregory riu. — Irina começa a te treinar amanhã, eu viajarei no dia 20, então vocês terão só até o dia 19, se eu gostar do seu progresso será meu novo assistente, caso não irei te deixar voltar para seu cargo atual. Tudo bem por você?
— Sim, senhora Cullen — respondeu obedientemente.
— Pode me tratar só como Isabella ou Bella. Posso te chamar de Greg, né? Gregory é nome de gente velha.
Ele riu novamente.
— Pode sim, eu também acho nome de velho.
— Muito bom, concordamos com algo. Agora vocês podem sair da minha sala. — Estalei os dedos, Irina na hora ficou de pé para sair, Greg teve um atraso, mas logo se tocou que tinha de cair fora.
***
Era bom ver Edward, mesmo que fosse pela tela do meu notebook, ainda que a câmera do dele não fizesse justiça à sua beleza. Ele estava usando óculos, cabelos bagunçados como sempre, camiseta de Bath que eu tinha insistido para que comprasse e estava com as cortinas da janela do seu quarto abertas, me deixando ter acesso a vista da Torre Eiffel atrás de si.
— Desculpa não ter vindo mais cedo para casa — falei enquanto prendia meus cabelos em um coque. — Acabei ficando muito tempo na gravadora hoje e ainda precisei ir para a produtora.
— Relaxa, Capitã — disse apoiando um cotovelo sobre a mesinha e colocando uma mão no rosto. — Sei que você tem muita coisa para fazer por aí.
— Me desculpa também por só ficar aqui um dia depois da sua volta para casa.
Eu já tinha mandado mensagem e falado sobre as gravações do clipe.
— Isabella, pare de se desculpar — ordenou. — É seu trabalho, você não precisa se justificar. Estou chateado por esses desencontros de agendas, mas eu entendo eles muito bem. Relaxa, vamos ficar bem. E vamos ficar grudados quando eu voltar até ter que levá-la ao aeroporto.
— Promete?
— Prometo!
— Agora me ajuda em algo?
— O que você quiser, amor.
— Preciso escolher o elenco do clipe, não sei nem por onde começar.
— Você está mesmo fora de cogitação?
— Sim!
— Tá — resmungou. — Vamos pensar em duas opções.
— Qual a primeira?
— Um elenco já famoso, isso atrairia mais atenção para o clipe.
— Também me faria gastar muito, o que Aro está cobrando já é uma quantia bem alta.
— E aí vamos para a segunda opção, convidar atores totalmente desconhecidos e fazer caridade ao mesmo tempo.
— Não pagar cachê?
— Não, você irá pagar cachê. Mas existem muitas escolas de teatro que se sustentam com doações, você irá escolher atores de uma instituição assim, irá contratar e pagar eles, mas também vai definir uma porcentagem dos lucros do clipe para doações a mesma escola.
— Eu vou acabar perdendo grana — falei nervosa de ser um fracasso. — A nossa gravadora está investindo nisso e…
— Eu financio seu clipe.
— Edward…
— Isso é uma afirmação. — Ele tirou a mão de seu rosto. — Não estou perguntando se posso, tô dizendo que vou. Assim você não faz um rombo na gravadora, nem em sua conta.
— Não, eu posso pagar da minha conta.
— Linda, para com isso, além do mais é praticamente a mesma conta agora. — Eu tive de rir ao escutar aquilo. — Me deixa pagar pelo clipe, tá?
— Tá — eu concordei.
— E aí, você vai de atores famosos ou ser caridosa com atores no começo de carreira?
— A segunda opção, um pouquinho de caridade envolvendo meu nome irá cair muito bem agora.
— Boa garota. — Vi ele pegar seu celular e digitar nele. — Vou pedir para o Emmett te enviar o nome de algumas instituições, ele deve conhecer. Aliás, ter ele no clipe seria uma boa, mas sabemos que o orgulhoso não toparia.
— Pois é. — Revirei os olhos.
— E Alice? Notícias da série?
— Eles estão entrevistando outras pessoas, mas ela disse que o clima da entrevista foi muito bom, acho que toda a exposição de Renée comigo e Nesse apoiando realmente fez o jogo virar.
— Ok, agora falando sobre Holly. Você sabia que na semana que está é quando ela começa de fato a escutar os primeiros sons? Dorme ouvindo músicas minhas? Quero que ela se acostume comigo desde o comecinho. — Ele sorria, mas sua voz estava triste. — Também pode acontecer de você já começar a sentir ela se mexer, se isso rolar me liga na hora? Independente do horário, quero compartilhar esse momento com você, linda.
Eu me mexi, saindo da cama e deixando o notebook lá em cima, mas com a câmera voltada para fora. Me movi até estar posicionada de lado e ergui minha camisa do pijama, deixando Edward olhar para minha barriga, que parecia bem mais fácil de ser notada mesmo com roupas.
— Capitã, ela está crescendo para valer!
— Meus peitos também — contei olhando para a câmera. Edward suspirou e se remexeu na cadeira.
— Não fala isso, estou com saudades deles. Tenho sido muito amigo da minha mão nos últimos dias pensando neles e em você. — Aquilo me fez rir, mas estava mesmo era pensando em Edward se masturbando, desejei poder assistir, só que isso seria impossível. Eu não pediria para ele se gravar nessa situação, não, isso era… Não! — O que foi? Consigo ver sua cabeça pensando demais daqui — falou.
Voltei para a cama, reposicionando o notebook, arrumei minha roupa e respondi:
— Pensei em você me enviar um vídeo se masturbando.
Meu marido arregalou os olhos, ele também se mexeu de modo que suas costas ficaram eretas.
— Eu posso fazer isso, mas só se você quiser, linda. Quero dizer, não faria contra minha vontade só porque você pediria, mas eu não vou fazer sem que queira ver. Consegue entender?
— Acho que sim, mas não vou pedir que faça. — Mordi meu lábio inferior, minha mente me traindo, imaginava receber aquele vídeo. Porra, seria tão bom terminar o dia ouvindo Edward gemer meu nome.
— Sem problemas, não vou fazer. — Ele umedeceu seus lábios com a ponta da língua.
— Você quer fazer, Ed?
— Não vou negar que é algo bem legal — sussurrou.
— Quantos vídeos você já fez assim antes? — indaguei curiosa.
O rosto dele assumiu uma expressão de culpa.
— Alguns — confessou. — Eu nunca tive muito cuidado com esse tipo de coisa antes.
Antes de mim.
— Então, vamos mudar de assunto? — ele praticamente implorou. — Antes de eu ficar focado demais no tipo de pensamento que estou tendo agora.
Inspirei e tentei pensar em outro assunto, mas Edward acabou falando:
— E sexo por telefone? Só voz.
Eu já tinha pensado sobre aquilo, meses atrás, quando ele estava na turnê e eu em Los Angeles. Na época descartei totalmente a ideia, mas ali naquela noite fria de Janeiro, com ele do outro lado do oceano e comigo querendo tanto um pouquinho que fosse dele, a ideia pareceu perfeita.
— Só voz?
— Só voz! — Ele se remexeu na cadeira de novo. — Paramos a hora que você quiser, amor. E se você quiser também só eu me masturbo, tanto faz, eu vou mesmo ter que fazer isso agora.
Porra!
— Você já está duro? — Praticamente choraminguei, eu queria Edward, queria o corpo dele.
— Sim, linda.
— Que se dane, vamos fazer isso! — exclamei.
— Vamos? — Ele sorriu largamente.
— Vamos, desliga seu notebook e me liga assim que tiver tudo pronto. — Não esperei sua resposta, desliguei meu computador, o guardei e corri até o closet.
Peguei um vibrador, lubrificante e voltei para o quarto. Diminui as luzes e deitei na cama, o celular estava ali e segundos depois ele tocou. Eu atendi e Edward disse:
— Pega um vibrador…
— Já fiz isso.
— Boa garota — parabenizou e ouvi ele segurar um gemido. — Colocou o celular no viva-voz?
— Não, devo?
— Sim.
Tirei o celular da orelha e liguei o viva-voz.
— Feito.
— Agora eu quero que faça algo por mim, putinha. Vai me obedecer?
— Vou sim, senhor Cullen.
Eu sorri e estava começando a tirar meu short e calcinha, mas ele disse:
— Leva suas mãos aos seus peitos, por dentro da camisa que está vestindo, quero que os aperte bem devagar e belisque seus mamilos.
Meu coração estava acelerado, minhas pernas se esfregaram uma na outra sem eu nem refletir sobre, eu já estava molhada e querendo um pouco de alívio. Porém, segui as ordens de Edward, toquei em meus seios por dentro da roupa.
— Queria que fossem suas mãos — eu falei, ele xingou. — Meu corpo sente falta delas — declarei. — Elas sentem falta de mim?
— Pra caralho, putinha. Você beliscou seus mamilos?
— Estou fazendo isso agora. — Fechei meus olhos. Meus mamilos já estavam muito sensíveis, meu corpo pegava fogo só com aquilo.
— Imagine que são meus dedos beliscando eles.
Era fácil imaginar, eu conhecia o corpo dele tão bem quanto conhecia o meu e os dois respondiam diretamente um ao outro.
— O que você está fazendo, senhor Cullen?
— Imaginando que vou te foder em cada lugar dessa casa quando voltar para Los Angeles.
— Vai?
— Vou sim. Estou tocando no meu pau, mas só consigo pensar em suas mãos nele e depois sua boca.
— E minha boceta?
— Nela eu vou enfiar um vibrador, quero te ver gozar nele e ainda assim implorar para que eu te coma.
Apertei ainda mais meus seios e esfreguei mais as pernas.
— Agora quero que tire toda essa sua roupa.
Eu levei dez segundos para ficar nua.
— Liga seu vibrador putinha, mas antes me diz, você já está molhada?
— Muito, seu pau entraria tão fácil em mim agora.
— Estou tão duro por você, Isabella. Queria tanto ter você montada em cima de mim, ou melhor ainda, queria te foder de quatro e puxar seus cabelos.
Ok, aquilo não era nada como foder pra valer, mas era muito, muito bom.
— Enfia esse vibrador na sua boceta.
Liguei o vibrador e o coloquei em mim com um pouquinho de ajuda do lubrificante, eu gemi o nome de Edward. Eu o ouvi dizer que só aquele vibrador e ele poderiam me fazer gemer daquele jeito.
— Só nós dois, ninguém mais pode te dar tanto prazer assim, putinha.
— Ninguém mais consegue — falei, meio desnorteada, enquanto o vibrador fazia seu trabalho, pulsando dentro de mim. — Você está quase gozando?
— Muito perto.
— Eu também não vou demorar.
— Está bom?
— Muito, mas ficaria melhor se você estivesse aqui. E se terminasse isso gozando na minha boca.
Ele urrou.
— Vai, imagina meu pau fodendo essa sua boca, então. Enquanto eu uso minhas mãos em seus peitos e clitóris. Faça isso consigo mesma agora.
Eu fiz, uma mão dedicada a meus peitos, a outra a meu clítoris inchado. Minhas mãos não eram as de Edward, mas sabia muito bem como dar prazer a mim mesma e ouvi-lo gemer do outro lado da linha era um excelente estímulo.
Só que eu queria mais, precisava de algo. Aquele vídeo, o pau dele em suas mãos grandes e experientes, vê-lo gozar para mim.
— Edward, vamos… — Me calei quando o vibrador aumentou de intensidade, estava programado para isso e eu estava grata.
— O quê? — Edward indagou entre dentes.
— Vídeo — consegui dizer.
— O quê? — tornou a perguntar.
— Me liga por vídeo, vou deixar minha câmera desligada, mas quero te ver gozar.
— Quer mesmo isso? Eu não consigo conversar muito agora para…
— Edward, faz isso agora, porra!
E ele fez, finalizou a chamada por voz e ligou por vídeo. Segurei o celular, desativei minhminha câmera e atendi.
Então, o pau dele estava na minha tela. Duro, em sua mão direita, que o tocava com agilidade. Edward gemia ainda mais.
— Tá vendo como você me deixa, putinha?
— Sim.
Droga, eu o queria tanto em mim. Na minha boca, na minha boceta, em meu rabo. Queria as mãos de Edward apertando meu corpo, deferindo um tapa em minha bunda, puxando meus cabelos. Seus lábios em meu pescoço, seu peito malhado grudado em meus seios.
— Queria que você visse meu estado.
Era só um botão, mas parecia muito ameaçador ligar minha câmera. E se meu celular estivesse sendo vigiado outra vez? E se alguém além de mim estivesse vendo Edward? Seria possível me gravar sem eu nem me dar conta disso?
— Isabella! — ele gemeu me levando de volta para a realidade, começando a gozar. Estava sentado em sua cama de hotel, sua porra caindo sobre sua barriga, ele gravou isso.
— Eu queria te lamber. Caralho! — O vibrador mudou novamente de intensidade. — Edward, eu vou gozar.
Ele mudou a câmera, naquela hora focando em seu belo rosto vermelho e sorridente, totalmente satisfeito.
— Sim, reconheço por sua voz. Vai, linda, goza pra mim. Pensa que só mais uns dias e eu vou te fazer gozar na minha boca, enquanto você estiver deitada em cima do meu piano e suas pernas em meus ombros.
Só precisei de mais aquilo para gozar, chamando o nome do meu marido e agradecendo a existência daquele vibrador. Que tirei de mim e larguei ao meu lado, eu precisava me limpar e dormir, mas só queria continuar naquela cama olhando para Edward por aquela chamada de vídeo, imaginando ele do meu lado, me dando um abraço e beijando meus cabelos, afagando minhas costas.
— Como você está se sentindo? — ele perguntou.
— Bem — sussurrei. — Muito bem.
Ele assentiu.
— É como me sinto, só ficaria melhor se eu te abraçasse agora.
— Estou pensando a mesma coisa. — Me remexi na cama, meu corpo ainda se recuperando do orgasmo. — Obrigada pela experiência.
— Isabella, eu que agradeço.
Ri um pouquinho.
— Você é tão exibido, Ed Cullen.
— As câmeras me amam.
— Eu preciso concordar. — Cobri meu corpo com um lençol e liguei minha câmera, estar coberta me dava segurança, mesmo que a câmera estivesse só para meu rosto. — Se um vídeo nosso vazasse ele pelo menos seria estrelado por duas pessoas que são bem fotogênicas.
— Nada vai vazar, fica tranquila.
— Boa parte de mim está, é só uma porcentagem pequena surtando. Vou tomar um banho agora.
— Eu também, quando voltar pega seu notebook de novo.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Por quê? Precisamos dormir, principalmente você, já tá muito tarde na França.
— Vamos dormir, mas quero que a gente durma em chamada de vídeo, pode ser? Acho que só vou pegar no sono se estiver te olhando.
— É por coisas assim que casei com você.
— Eu sei, sou irresistível.
***
Minha quarta-feira foi cheia. Tive gravação, reunião com Aro, entrevista com um cozinheiro no horário do almoço com Esme e Nelly me ajudando, ouvir lamentos de Kate sobre seu álbum, assistir os vídeos que Jessica mandou de Ed assinando o contrato com a YSL, supervisionar as postagens nas contas dele referente ao assunto. Mais entrevistas, daquela vez com o pessoal que Tanya tinha escolhido para a seleção de novos cargos de agentes e por fim, outra reunião com Aro para escolhermos os atores entre os nomes que uma das escolas de teatro, que Emmett tinha me sugerido, nos enviou.
— Meu garoto propaganda favorito! — Soltei um gritinho quando Edward se juntou a mim em uma chamada de vídeo aquela noite, ele riu e até corou um pouco.
— Nem acredito que fechei esse contrato, parece um sonho, estou muito feliz.
— Estou feliz também! — exclamei e impulsivamente toquei na tela, como se pudesse sentir seu rosto. — Logo logo você estará aqui?
— Logo, eu prometo.
— Você está tão lindo todo vestido de Yves Saint Laurent — eu disse observando suas roupas, sabia que ele tinha acabado de voltar de um coquetel oferecido pela marca para comemorar a parceria formada. — Traz essa roupa para casa, quero tirá-la de você.
— Farei isso, Capitã. O que me diz de nos divertimos um pouco antes disso?
— O que tem em mente? — eu perguntei, mas já podia imaginar. Meu dia tinha sido longo e cheio, mas passei por ele toda animadinha após minha última noite de sexo à distância com Ed.
— Posso te ligar de novo — falou e sua mão esquerda passou por seu cabelo. — Você decide se com minha câmera ligada ou não.
— Ligada — respondi na hora, eu queria vê-lo, só ouvir não seria suficiente, apesar de amar sua voz.
— É?
— É. — Eu me vi rindo e corando, me senti um pouco boba pela minha reação, mas logo passou. Era meu marido ali, ele me conhecia por completo, podia ser boba com Edward.
— Beleza, vamos desligar aqui e pega seu celular. Alías, antes de você desligar, me deixe dizer que também quero tirar essas roupas do seu corpo.
Eu estava vestindo um pijama de seda, de alcinhas e vermelho, que deixavam meus peitos bem salientes. Também tinha um pequeno decote, uma provocação de um centímetro.
— Você gostou?
— Adorei.
Como na noite passada eu fiquei de pé ao lado da cama, deixando o notebook voltado para mim. Lentamente dei uma voltinha, querendo que ele conseguisse ver como o short daquele pijama era curto e marcava minha bunda.
— Isabella…
— Fala, senhor Cullen.
— Você é muito gostosa.
— Eu sei. — Apoiei minhas mãos na beirada da cama, meu rosto ficando bem próximo da câmera, mas mexi no notebook fazendo com que a câmera ficasse voltada para a região dos meus seios, que aparecia um pouquinho a mais naquela posição.
— Bella, sério, vou te ligar logo, desliga isso.
Voltei a tela para o lugar anterior, bem a tempo de vê-lo com apenas uma mão abrir sua camisa, a outra mão estava escondida e eu tinha um palpite do lugar.
— Você já tá se tocando, Edward?
— Tô — confessou.
— Me deixa ver — eu pedi.
— Vou desligar aqui e…
— Não pelo celular, quero te ver logo aqui — deixei bem claro, a surpresa estampou seu rosto. — Vai, faz isso.
Ele fez, encostou as costas na cadeira que estava sentado e abaixou sua câmera. Pude ver sua mão envolvendo seu pau, que estava ficando duro entre seus dedos longos.
Eu mataria alguém para ter aqueles dedos dentro de mim. Eu também queria beijar Edward, montar em cima dele e distribuir beijos por cada pedacinho do seu rosto bonito, depois descer por suas tatuagens.
— Não consigo mais parar, Isabella — falou e respirou fundo, erguendo novamente sua câmera. — Vai ter que ser por aqui mesmo, desliga sua câmera.
Por que eu deveria desligar? Por que um filho da puta mais de dez anos atrás resolveu me expor? Por que usou meu corpo sem meu consentimento? Por que eu não poderia ter aquele momento de prazer com o homem com quem casei? Por que precisava me esconder? Eu estava exausta disso.
Ciente do que estava fazendo e com os olhos de Edward focados em mim, eu abaixei a alça esquerda do meu pijama. Ela caiu o suficiente para que meu seio quase aparecesse.
— Bella?
— Eu quero isso — expressei meus sentimentos em voz alta. — Confio em você, me sinto segura e estou morrendo de tesão. Quero que você olhe enquanto eu me toco, quero ver você fazer o mesmo.
Ele não disse mais nada, apenas tirou sua camisa, eu aproveitei para voltar para a cama, o notebook a minha frente. Tirar a parte de cima do meu pijama foi o próximo passo. Olhos fixos nos dele, ao mesmo tempo em que minhas mãos iam até meus seios, os apertei delicadamente e entreabri meus lábios, Edward chegou ligeiramente mais perto da câmera.
Ainda tocando a mim mesma pedi para ele continuar a se despir. Edward se levantou, afastando a cadeira e atirando a camisa no chão. Sua calça estava aberta, a cueca abaixada, o pau para fora, ele tirou o resto das roupas e ficou completamente nu na frente da câmera, o corpo coberto apenas por tatuagens.
No cantinho da minha tela estava eu, me tocando. Uma sensação eletrizante percorria meu corpo ao ver aquilo.
— É a sua vez.
Meus olhos voltaram para ele, uma mão estava em seu pau a outra na barriga definida que eu desejei lamber. Fiquei de joelhos na cama, abaixando meu short, depois sentei e o tirei, tinha escolhido não usar uma calcinha aquela noite e me agradeci por isso.
Ambos estávamos nus, a quilômetros de distância, mas o calor que eu sentia fazia parecer que Edward estava na mesma cama.
Eu me abri diante da câmera, coração alucinado, corpo pegando fogo, me abri para ele. Completamente exposta, mas sorri, eu estava feliz.
— Aproxima mais da câmera.
Deslizei na cama para mais perto do notebook, minhas pernas o ladeando. Edward começou a se masturbar com mais intensidade, aquela altura o pau totalmente duro.
— Você é tão linda. Se toca, Isabella.
— Devo imaginar seus dedos em mim, senhor Cullen? — Minha mão direita começou em minha barriga e foi até minha boceta molhada de prazer.
— Não — ele negou. — Quero que você se toque e dê prazer a si mesma, faz ainda mais, minimiza minha tela e aumenta a sua.
— Edward, isso…
— Faz isso, olha como você é na câmera. Veja como é linda, meu amor.
Ele me convenceu, minimizei a tela dele e aumentei a minha. Então, passei a ter uma visão privilegiada de mim.
Toquei minha boceta timidamente no começo, ao fundo ouvindo os gemidos de Edward, mas logo me entreguei. Me toquei como fazia quando nenhuma câmera estava voltada para mim, eu gemi alto, senti os arrepios da ponta dos meus dedos do pé até minha nuca.
Eu era linda, meu corpo era lindo. E eu era uma mulher que amava sexo. Qual era o problema nisso? Nenhum!
Amava ser chamada de putinha por meu marido, mas isso não significava que eu não merecia respeito. Naquela noite eu respeitei a mim mesma como nunca antes, respeitei a garota humilhada por anos, respeitei a mulher reassumindo o direito por seu corpo.
Ele era meu, só meu e poderia fazer o que quisesse com ele. Nem Edward poderia fazer algo sem minha aprovação, eu decidia, eu tinha controle sobre.
Paul roubou aquele direito de mim, fez com que outros se achassem no direito de vê-lo sem minha permissão, mas eu estava o tomando de volta. Já tinha recuperado meu coração, era hora de recuperar todo o resto.
Fechei meus olhos e curti um pouco, apenas sentindo e ouvindo, sem nem precisar ver. Mas, quando os reabri foi buscando por Edward, voltei a deixar sua tela em primeiro plano e o vi sorrir.
Embalados apenas por gemidos, nós continuamos a nos tocar. Em algum momento ele desacelerou, o que me deixou gozar primeiro, segurando o lençol da cama com força, o corpo estremecido, o lábio inferior inchado de tanto que mordi.
Eu não disse o nome dele, mas pensei repetidamente. Ele não se incomodou na minha falta de vocalização e em não chamá-lo, sabia que estava incluso. Voltou a se tocar com intensidade, apertando a mão livre na cadeira ao seu lado, buscando apoio.
Então, gozou. E em voz alta disse meu nome, repetidamente. Isabella parecia um refrão saindo por seus lábios, ali eu comecei a pensar em uma canção, uma que falava explicitamente o quanto ele era bom para mim na cama, de todas as formas possíveis.
O refrão? Nossos nomes, sendo repetidos sem parar. Uma canção de sexo, que eu poderia escrever e lançar, porque a porra do corpo era meu e eu poderia usar cada pedacinho dele para o que desejasse, inclusive cantar músicas sobre transas à distância com o homem que amava.
— Vem para casa — pedi.
— Logo estarei aí.
— E vai me beijar no instante que me encontrar?
— Será o melhor beijo da sua vida.
***
A quinta-feira foi tão cheia de trabalho quanto o dia anterior, mas foi diferenciada pelas dezenas de mensagens de teor sexual que troquei com Edward. Já fazíamos isso antes, só que aquelas foram diferentes.
Tínhamos um novo segredinho, também tínhamos a promessa de mais uma chamada de vídeo divertida. Quando me atrasei, depois de ficar presa em uma reunião, ele começou a me mandar fotos de seu pau, então larguei tudo e fui para casa.
Naquela noite nós dois usamos brinquedinhos especiais e foi foda pra caralho. Também dormimos, pela terceira vez seguida, olhando um para a cara do outro pelo notebook.
E eu sonhei com ele me encontrando no aeroporto, em uma cena digna de um filme de romance. Foi perfeito.
***
Na quinta eu estava ansiosa para falar com Edward, as gravações de Anos estavam quase encerrando e queria compartilhar com ele. Também queria contar sobre as contratações da produtora, a outra entrevista com mais um chef de cozinha e o que estava decidido sobre meu clipe.
Entretanto, não conseguiríamos uma chamada de vídeo aquele dia. Ele estava no último evento noturno que precisaria comparecer da YSL em Paris e Jessica já tinha me avisado que terminaria apenas de madrugada no fuso da Europa.
Mais ou menos no horário que julguei já ter acabado e dado tempo do retorno para o hotel, liguei de forma convencional para meu marido. Ele atendeu, eu exclamei:
— Oi, amor! — Ouvi uma porta bater. — Já está no hotel?
— Sim — respondeu, sua voz estava estranha, parecia nervoso com algo. Entretanto, antes que eu pudesse perguntar qualquer outra coisa, ele disse. — Estou com muito sono, preciso mesmo dormir.
E sem falar mais nada, ele desligou. Aquilo me deixou incrédula, olhei para o celular e não entendi nada do que tinha acabado de acontecer.
Edward tinha desligado na minha cara!?
Ele não fazia isso, não dormia sem dizer que amava a Holly, sem falar que me amava.
As lágrimas foram mais fortes, sem ser convidadas encheram meus olhos e deslizaram por meu rosto. Eu continuei olhando para o celular, mesmo com a vista embaçada, esperei uma ligação e ele explicar que tinha perdido sinal, qualquer coisa. Também me contentaria com uma mensagem, porém não recebi nada.
Naquela noite, sem meu notebook na cama, sem olhar para Edward, eu não sonhei com ele.
Me vi sonhando com uma mansão, que parecia com a nossa, mas com algumas diferenças. No sonho eu entrava na sala onde meu piano estava, mas no lugar dele estava um branco, com rosas brancas em cima e sentada de frente para o instrumento estava uma garotinha de cabelos castanhos longos e que não deveria ter mais de dez anos.
Eu sabia quem era aquela menina.
— Holly? — chamei por ela, a garota olhou para mim e sorriu.
— Oi, mamãe. Vem tocar comigo?
Holly, era ela, claro que sim. Seus olhos eram como os meus e seu rosto era idêntico ao de Rosalie. Edward precisava vê-la, nós três poderíamos tocar juntos.
Eu deixei a sala, chamando por ele aos gritos e conforme ia cruzando a casa o procurando todos os móveis iam desaparecendo. Aquilo me desesperou, eu corri de volta para a sala onde Holly estava, quando entrei lá ela e todo o resto tinham sumido.
No chão, apenas as flores brancas.
***
Eu acordei e não vi nenhum sinal de que Edward tinha tentado falar comigo, mandei uma mensagem perguntando se estava tudo bem e sua resposta foi.
Pirralho: Sim, indo para meu último compromisso antes de Los Angeles.
Talvez fosse isso, poderia ser, claro. Ele estava ansioso com o avião, estava ansioso em voltar para casa. Tinha dormido tão pouco e completamente fora de hora durante nossas últimas noites, estava apenas cansado, tudo estava bem com ele e com a gente.
Mas e se ele…
— Não. — Balancei a cabeça e larguei o celular na cama, não queria afundar em pensamentos daquele tipo. Edward não estava cansando de mim ou qualquer coisa assim que minhas inseguranças poderiam delirar sobre.
Sai da cama e fui enfrentar aquela sexta. Pelo resto do dia minhas mensagens foram respondidas, mas era como se ele as respondesse por obrigação.
Nenhuma delas dizia me amar, apenas em uma ele perguntou sobre Holly. Aquilo era desesperador, só que me forcei a acreditar que eram paranoias minhas.
***
O voo dele chegou pouco depois das quatro da manhã, eu fui para o aeroporto buscá-lo e como tínhamos combinado, ainda em Bath, esperei por ele no carro. Meu coração faltava sair pela boca, minhas mãos estavam suadas.
Ele aparecia, se juntaria a mim naquele banco de trás de sua Mercedes e tudo ficaria bem. Sem mais preocupações, sem mais quilômetros nos separando, nos beijáriamos, iríamos para casa transar pelo resto da madrugada e pegaríamos no sono junto com o nascer do Sol.
A movimentação de seguranças dele se aproximou do carro. Eu toquei em minha barriga e sorri.
— Seu pai tá chegando, Holly!
O vi pela janela do carro, parecia cansado, isso era explicável. Abriu a porta sozinho e entrou. Eu não me contive, fiz o que tanto queria fazer e o beijei, mas Edward me afastou e beijou o canto da minha boca.
Estava longe de ser o beijo prometido.
— Edward, tudo bem?
— Melhor impossível.
Mentira. Mentira. Mentira.
Ele encostou a cabeça na janela e fechou os olhos, o carro se moveu para fora do estacionamento e tremi de pavor. Me senti sozinha, mesmo com ele bem ali ao meu lado.
Podia ouvir Renée rindo de mim, falando que no final eu estava tão só quanto ela.
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