Hollywood
99 Capítulo Noventa e Oito – parte 1
Notas iniciais
Capítulo Noventa e Oito
Isabella Cullen
“Isabella Cullen comemora aniversário ao lado do marido e da filha.”
Em 13 de Setembro de 2019 comemorei meu aniversário de 33 anos.
***
Eu tinha Holly em meus braços, estava amamentando meu bebê, enquanto minha melhor amiga e madrinha dela falava sobre como andavam as coisas na produtora. Estar afastada do trabalho era um saco, sentia muita falta de estar na produtora resolvendo tudo, mas olhava para minha filha e não conseguia pensar em sair e ir cuidar de problemas.
— Merda — Tanya xingou quando seu telefone tocou alto no banheiro do quarto de Holly. — Esqueci de colocar no silencioso, foi mal. — Levantou e foi até lá, tinha deixado o celular ali durante uma das trocas de fralda, quando foi colocar sons de secador de cabelo para Holly se acalmar.
Já era de madrugada, Edward deveria estar voltando para casa naquele momento. Tanya já tinha feito Valentina dormir no quarto de hóspedes que elas ficariam, mas minha filha ainda estava muito bem acordada.
— Quanto você quer para dormir o resto da noite, Donut? — perguntei para ela.
Como Holly tinha ganhado um peso ótimo no seu primeiro mês, não precisávamos mais manter as mamadas de três em três horas, eu estava amamentando apenas quando ela queria. O que poderia ser com mais horas de intervalo, ou até menos, sonhava com o dia que ela dormisse umas seis horas seguidas para que eu conseguisse descansar bem.
— Ei, estou subornando sua afilhada. — Sorri para Tanya quando ela retornou ao quarto, mas parei de sorrir ao notar que ela estava tensa com algo. — O que foi, T?
Ela engoliu em seco, entretanto respondeu de uma vez:
— Seu pai bateu no Richard.
— Meu pai fez o que? — gritei, isso assustou Holly, que soltou meu peito chorando. — Não, amorzinho, não — falei com ela, tentando soar tranquila. — Me desculpa — pedi. — Mamãe não queria te assustar. — Tanya, o que diabos aconteceu? — Olhei rapidamente para ela, porém consegui fazer Holly voltar ao meu peito e se acalmar.
— Edward não falou muito, disse só que Charlie bateu em Richard no camarim depois do Buttler falar alguma merda, estão vindo pra cá. No caso, seu pai e Ed, não sei se mais alguém está vindo com eles.
— Puta que pariu, puta que pariu — comecei a repetir em desespero.
Sem conseguir nem imaginar direito o que tinha acontecido, insisti para Tanya ligar para meu marido e ela fez isso, mas ele não atendeu. Meu pai e Carmen também não, não quis ligar para minhas irmãs, ou meus cunhados, temendo espalhar uma notícia que talvez eles não soubessem.
Holly já tinha acabado de mamar, arrotado e dormido quando Ed, meu pai, Alec e Ness chegaram. A primeira coisa que percebi foi a tensão no rosto do meu marido, depois a face vermelha de Charlie.
Tanya e eu estávamos na cozinha, ela tomando conta das babás eletrônicas que colocamos para vigiar as meninas no outro andar.
— O que aquele merda fez para você, Isabella? — meu pai indagou com a voz alta.
— Pai…
— Ei, vamos conversar lá na sala de TV — Edward interferiu, meu pai o encarou com ódio. — Tanya, acho que você deveria vir também — ele disse para ela, depois se voltou para minha irmã e seu amigo. — Vocês dois podem ficar de olho na Tina e Holly? — Gesticulou para as babás eletrônicas.
— Claro — Alec concordou, pegando os aparelhos com Tanya.
— Bella — Renesmee começou a falar bem alto. — Você deveria ter visto o papai bater naquele merdinha! — exclamou animada.
— Você está bêbada? — indaguei, ela estava com cara de alcoolizada.
— Não, tô ótima — minha irmã mentiu, papai bufou.
— Ela bebeu mais cervejas do que o corpo dela aguenta — Alec confessou. — Vou deixá-la em algum quarto lá em cima e ficar de olho nas meninas, podem ir conversar sossegados.
— Qualquer coisa me chama — Tanya e eu falamos juntas.
Ela, Ed, meu pai e eu seguimos para a sala de TV, Alec subiu com minha irmã. Sentei em um dos sofás, meu marido veio para perto de mim e pegou minha mão gelada de medo na sua.
— O que aconteceu no show?
Tanya estava sentada do outro lado de Ed, meu pai andava sem parar, mexendo em seus cabelos. Edward suspirou e contou o que Richard tinha falado no camarim, já depois do show acontecer.
— Então, seu pai bateu nele. — Edward tentou disfarçar um sorriso.
— Cadê o Richard? — Tanya indagou nervosa. — Ele foi visto por mais alguém? Quão machucado ele está? Não podemos deixar isso chegar à imprensa.
— Os seguranças de Charlie o tiraram do estádio bem discretamente e o levaram para o hotel, um médico amigo do Caipi… Do Charlie irá lá avaliar ele, mas nem deve ter quebrado um nariz. Alec e Jasper logo os separaram.
— Ele bateu no senhor? — perguntei para meu pai, que bufou.
— Não, agora eu quero saber o que ele fez com você, Isabella. Edward não contou, só que claramente tem algo por trás.
— Deveria estar na festa em sua casa. — Tentei mudar de assunto, mas ele não parecia ligar nenhum pouco para isso. — E amanhã tem show em Las Vegas, precisa descansar também…
— Isabella, me diga agora mesmo o que Richard fez! — exigiu, eu comecei a chorar, Edward me abraçou, deixando com que chorasse em seu colo, revivendo toda perseguição que o jornalista tinha feito comigo.
Papai sentou ao meu lado, tocou em meus cabelos com uma mão e sussurrou:
— Bells, me conte, por favor.
— Ele queria me estuprar — sussurrei de volta, deixando os braços do meu marido e passando para os de Charlie.
— Porra, Bells. — Charlie começou a chorar também. — Por que você nunca me contou nada? Caralho, Cullen, você deveria te me dito algo. Tanya, você também sabia?
— Pai, não. — Me soltei dele, ainda chorando. — Eles queriam contar, eu que implorei para não fazerem isso.
— Foda-se, deveriam ter contado.
— Era minha escolha — teimei. — Não queria essa história se alastrando por aí, como não queria que terminasse com o senhor batendo em ninguém, especialmente alguém com um nome tão importante quanto Richard.
— Quando isso aconteceu, Isabella?
— Começou em 2017 — confessei. — Quando fomos para New York gravar o clipe de Ed que a Ness atuou. Ele entrevistou o Edward lá, aí ficou jogando cantadas para cima de mim, me chamando para ir vê-lo no apartamento dele, depois mandando trechos do vídeo do Escândalo Swan, dizendo que queria… — Eu solucei, meu pai tentou limpar minhas lágrimas, mas eram muitas. Edward afagou minhas costas, sentia as pernas dele balançando sem parar. — Naquela época voltei para Los Angeles, não o encontrei mais, até a nova matéria que a revista quis que ele fizesse com o Ed durante a turnê, Tanya foi até lá me substituir para isso, fiquei fora das vistas dele. Mas, Richard encontrou meu quarto no hotel, invadiu enquanto eu estava no closet, onde me tranquei, ele ficou lá me oferecendo cocaína, batendo na porta, falando sobre o vídeo novamente, dizendo até que pagaria para ficar comigo. Edward apareceu e quis chamar a polícia, eu que não deixei, Richard foi embora. Não poderia me envolver em outro escândalo assim — sussurrei. — Não ia aguentar, Tanya também quis me convencer a denunciar, mas eu não podia.
— Depois você ainda o encontrou na festa em Nashville. — Papai suspirou, afagando meus cabelos. — E no Halloween, ele tentou algo nesses dias?
— Não pessoalmente, mas ele ainda me importunou por mensagens um milhão de vezes, chegou até a mandar um presente para Holly quando todos ficaram sabendo da gravidez.
— Ele o que? — Edward gritou.
— Eu me livrei do presente, não chegou nem perto daqui de casa.
— Esse não é o ponto, deveria ter me contado.
— Você também deveria ter contado o que aquele desgraçado tentou fazer, Cullen. — Meu pai se levantou, voltando a andar pela sala.
— Acredite, eu quis contar várias vezes, mas Bella achava que você mataria o maldito.
— Era o que eu deveria ter feito! — papai gritou. — Se Alec e Jasper não tivessem me tirado de cima daquele verme, eu teria o matado com minhas próprias mãos. Tanya — meu pai falou com ela. — Marque entrevistas, irei contar tudo que aconteceu, para todos os programas do país, em todo maldito estado ficarão sabendo que Richard Buttler é um assediador de merda. Também vou falar com meus advogados, ver se Bells ainda pode denunciar mesmo que já tenha passado tempo.
— Pai, eu não quero que você faça nada disso — falei antes de Tanya abrir a boca.
— É minha decisão, Isabella!
— Não, pai. — Fiquei de pé também. — É minha decisão. Eu tenho uma filha lá em cima e ela não tem nem dois meses de vida, não vou deixar jogar o nome da nossa família em mais um escândalo agora, entendeu? Preciso preservar a Holly, é isso que farei.
— Edward. — Meu pai se voltou para ele, o cantor olhou para mim e suspirou, colocando o rosto entre as mãos, ainda balançando as pernas. — Você é uma testemunha, Cullen. Pode denunciar ao público também.
— Pai, já falei que não!
— Charlie — Edward falou, tirando as mãos da frente do rosto. — Não faz ideia de como já quis dar um soco naquele merda como você fez hoje, só me controlei porque pensei na Holly e é nela que tô pensando agora. Eu amo a sua filha, você também ama a Isabella e por isso quer ver Richard onde ele merece, mas também amo minha filha e também preciso protegê-la agora. — Respirei aliviada, não queria Edward se unindo ao meu pai naquela ideia de fazer justiça. — E eu tenho que respeitar a decisão de Isabella de não denunciar nada, mesmo que seja contra isso desde o começo, mesmo que ainda ache que Richard suspeitava sobre nós dois e deu a dica para Kevin.
Meu pai franziu o cenho ao escutar aquilo.
— Charlie — Tanya se pronunciou. — Vamos respirar um pouco, tá? Pensar com mais calma no que faremos. Carmen foi para a casa de vocês? Para a festa? Me desculpe perguntar isso, mas estou no comando da produtora agora com Bella afastada pela licença maternidade.
— Sim — ele confirmou, ainda bravo. — Carmen, Jasper e Alice foram para lá. Lucas também, mandei ele dizer para todos que eu estava muito cansado após o show e precisava descansar, mas que aproveitassem a festa. Quero que cancelem o show de Las Vegas, aliás. Não tenho cabeça nenhuma para deixar Los Angeles ainda hoje e ir tocar.
— Certo — Tanya concordou, eu voltei a sentar, segurando na coxa de Ed, isso não o fez parar de balançar as pernas. — Vamos cancelar e mais tarde, com mais calma, decidiremos o que fazer. Vou falar com os advogados da produtora e com seus seguranças, Charlie, precisamos saber como Richard está e descobrir se ele irá denunciar você.
Charlie olhou para mim, depois para Edward, segurou no ombro do meu marido e disse:
— Você fez bem em não ter batido naquele merda, Cullen. E agora vai ficar aqui, cuidando da sua esposa e da sua filha, eu vou até ele acabar com isso.
— Você vai o que? — Edward indagou, nós dois levantando na hora.
— Vou até o hotel que Richard está, fazê-lo ficar quieto sobre o soco, mantê-lo longe da Bells de uma vez por todas e deixar bem claro que se ele tentar alguma coisa, nós iremos o denunciar.
— Pai, para com isso — implorei. — Não vá até aquele homem mais. — Segurei no braço dele, Charlie me beijou na cabeça e murmurou:
— Ele atormentou você, Bells. Prometo que não irei mais socar aquele filho da puta, mas irei o fazer ficar longe, meus seguranças ainda estão lá, mandei ficarem até eu mandar que saíssem. Só vou fazer Richard ficar quieto sobre o soco, mas se perguntarem o que rolou, ele que fale que apanhou em algum bar, tanto faz. O que importa é que aquele cara não chega mais perto de você, tá bom?
Eu me vi concordando com um aceno de cabeça.
— Vou com você, Charlie — Edward falou.
— Não, nem pensar. — Tanya ficou de pé também. — Você fica com a Bella e Holly, fica de olho na Tina também, eu vou. Só preciso trocar de roupas, te encontro no carro, Charlie.
Meu pai concordou, os dois saíram da sala juntos, depois dele me dar um rápido abraço. Então, eu abracei Edward.
— Você não quer mesmo denunciar, linda?
— Não, não agora. — Chorei mais. — Sei lá, tô uma confusão com tudo isso.
Me soltei dele alguns minutos depois e falei:
— Precisamos ir ver a Holly.
Ele concordou e subimos, Tanya já tinha ido embora com papai. Alec estava no sofá do quarto de Holly, ela continuava dormindo em seu berço, ele tinha a babá eletrônica de Tina em suas mãos.
— Oi, lindinha. — Edward se aproximou do berço, mas não mexeu com o bebê. — Senti sua falta.
— Alec, você pode ir — falei para ele. — Nós ficamos com as meninas.
— Você precisa de algo, Bella? — ele me perguntou preocupado, me entregando a babá eletrônica. — Posso testemunhar, ouvi o que Richard falou.
— Não, por enquanto não. — Suspirei. — Mas obrigada. — Alec concordou com um aceno de cabeça.
— Vou acordar sua irmã para irmos.
Lembrei de Ness bêbada, era melhor eles ficarem ali em segurança também.
— Pode dormir com ela aí.
— Tem certeza? Não vamos atrapalhar vocês?
— Não — Edward e eu negamos juntos. — Vou pegar roupas nossas para vocês dormirem — falei, Alec concordou.
Passei em nosso quarto e segui até o de hóspedes que Alec tinha colocado Ness, queria conferir como minha irmã estava, afinal ela não era de beber muito álcool.
— Ei, Ness. — Sorri para ela que acordou ao escutar Alec e eu. — Vocês vão passar a noite aqui, te trouxe roupas minhas, quer ajuda para se trocar? — Coloquei as roupas sobre a cama.
— Não — Ness negou, parecia mais sóbria. — Consigo fazer isso. Cadê o papai?
— Tá com a Tanya resolvendo algumas coisas, troque de roupa e descanse — ordenei, sem querer minha irmã mais envolvida naquele caos.
Renesmee não discutiu, ainda não estava no seu melhor estado. Pedi para Alec ficar de olho nela e me chamar se precisasse de ajuda, voltei para o quarto de Holly e vi Edward com Valentina em seus braços.
— Alguém acordou procurando pela mãe — ele explicou, afagando os cabelos dela.
— Tia Bella, a mamãe vai demorar? — A garota olhou para mim.
— Ela precisou ir resolver algumas coisas de trabalho, Tina. Talvez demore, mas vamos ficar com você, tá bom?
— Tá bom. — Ela deitou a cabeça no ombro de Edward.
— Vou fazer a Tina dormir lá no quarto de hóspedes, ou quer que eu fique com a Holly?
— Não, pode ir com a Tina. — Sentei no sofá cama do quarto de Holly, deveria ter colocado ela para dormir no nosso quarto, mas Tanya e eu enrolamos no dela, depois a confusão se instaurou e deixei meu bebê ali mesmo.
Edward saiu com Tina, que estava pedindo para ele contar como tinha sido o show. Eu fiquei ali, sem conseguir nem imaginar dormir, pensando em meu pai na rua indo se encontrar com Richard, lembrando de quando o jornalista tentou invadir o closet onde me tranquei fugindo dele… Suspirei e levantei, indo ver se Holly estava bem, ainda me assombrava que algo acontecesse com ela durante seu sono.
Eu ainda estava ali, a olhando dormir, quando meu marido voltou. Tinha trocado de roupas e estava com um copo do que parecia Coca-Cola em mãos.
— Você não deveria beber nada com cafeína a essa hora — sussurrei, ele assentiu, mas bebeu ainda assim. — Obrigada por não ter batido no Richard, Ed — agradeci, ele balançou a cabeça e disse:
— Eu deveria ter batido.
— Não deveria não, sabe bem disso, já que não bateu.
— Pensei em Holly. — Se apoiou no berço também para olhá-la. — Não posso mais ser aquele cara violento. — Ouvi a vontade de chorar em sua voz. — Não quero que ela cresça me vendo ter ataques de raiva, não mesmo. — Olhou para mim. — Mas não sinto que te defendi como deveria, desde a primeira vez que Richard tentou algo com você, eu estava lá e não movi um dedo, deveria ter quebrado a cara dele em New York, isso o manteria longe.
— Não, isso não resolveria nada, só iria te colocar em problemas, como pode acabar colocando o meu pai agora. Richard pode denunciar Charlie.
— Ok, não deveríamos usar da agressão, mas denunciá-lo isso deveria ter sido feito. Mas não fiz, e não vou fazer agora caso não queira isso, Bella. Vou respeitar sua escolha de se preservar, só pensa bem, tá? Na minha opinião, esse cara precisa ser exposto e penalizado de alguma forma, nem que não seja judicialmente, apenas por opinião pública.
Concordei com um aceno de cabeça, andei até Edward e ele me colocou em seus braços.
— Vou pensar melhor — prometi, tinha muito para pensar mesmo. Refletir se valia a pena expor Richard, jogar nossos nomes em um novo fogo cruzado, não sabia nem se ainda poderia o denunciar formalmente ainda com tanto tempo se passado.
Também teria a opinião pública, quantos não acreditariam em mim? Eu não tinha nenhuma prova física contra o jornalista, somente algumas mensagens e o relato do meu marido.
Eles não acreditaram em mim com o Escândalo Swan, só ouviram o que eu tinha para falar quando assumi a culpa. Poderiam dizer que estava fazendo isso novamente, criando uma polêmica envolvendo um homem para aparecer nas notícias.
Era tudo confuso pra caralho, queria não ser uma pessoa conhecida, seria mais fácil denunciar. Ou não? Não, com certeza não. Apesar de tudo, eu ainda tinha um suporte financeiro invejável, outras mulheres não tinham nem isso e estavam sendo silenciadas por seus abusadores até financeiramente.
Edward me soltou, aquilo me despertou. Vi que ele tinha se voltado para o berço novamente, Holly estava acordando e começando a choramingar.
— Acho que é fralda — murmurei, ele concordou e me entregou seu copo de refrigerante.
Tirou Holly do berço, cuidadosamente e conversando com ela.
— Vou trocar sua fralda, lindinha. — Caminhou com ela até o banheiro.
Eu me livrei do copo e fui atrás deles. Holly sequer continuou choramingando com Edward trocando a fralda dela, também não quis mamar depois disso, aceitou ficar no colo dele e fomos para nosso quarto, levando a babá eletrônica do quarto que Tina estava. Ela dormia tranquilamente lá, o que era bom, esperava que não acordasse de novo no meio da madrugada.
Algum tempo depois, Tanya apareceu. Holly ainda estava sendo mimada pelo pai, nos braços dele, Edward contava para ela sobre o show — sem citar o pós caótico — e como tinha sentido falta dela durante o tempo que ficou na rua.
Quando Tanya chegou, Holly tinha acabado de dormir, mas Edward ainda a mantinha em seu colo. Falamos que Tina estava bem e minha amiga contou sobre o que tinha rolado no hotel.
— Richard não quebrou o nariz nem nada, o médico avaliou e está tudo bem, apenas um pouco roxo e dolorido. O pior mesmo é que o cara está chapado de cocaína.
— O que meu pai fez lá? Aliás, cadê ele?
— Não veio pra cá, nem foi para a casa dele, disse que iria limpar a cabeça dando umas voltas pela cidade, mas está com motorista e seguranças.
— Ok — falei baixinho.
— E no hotel? — Edward perguntou.
— Richard tentou dizer que Charlie o entendeu errado, depois falou que estava muito drogado e que não queria ter falado nada daquilo. Aí o seu pai. — Gesticulou para mim. — Disse que já sabia de tudo, Richard insistiu que você estava inventando, é um grande filho da puta, mas já sabíamos disso. Bom, seu pai falou que vocês não iriam o denunciar, só que Richard deveria ficar com a boca fechada e bem longe de todos vocês. Ele aceitou, não quer que descubram sobre a cocaína, sobre ele ter saído de uma clínica de reabilitação recentemente, a revista está dando um duro para esconder toda essa história dele ter ficado internado.
Aquilo entrou como um pró na minha listinha de motivos para denunciar ou não Richard, ele tinha problemas com drogas. E eu também, todos sabiam disso, mas estava limpa há muito tempo, mesmo de álcool. Ele, por outro lado, não. Tinha acabado de deixar uma clínica de reabilitação e já estava se drogando de novo.
Mas e se o jogo virasse contra mim? Já tinha acontecido, Paul foi pintado como a vítima, antes mesmo de eu assumir a culpa, sempre fui a vilã daquela história.
— Gravei tudo — Tanya continuou a falar. — Ainda que não tenha muito daquele filho da puta falando — falou chateada.
— Charlie não bateu nele de novo, né? — Edward perguntou preocupado, Tanya deu um sorrisinho, ela não se conteve. — Ele não deveria ter batido mais.
— É — fiz coro.
— Foram só uns tapinhas, Richard merecia e está bem, mais tarde vai até voar às custas de Charlie em um jatinho alugado para New York para que o mínimo de pessoas veja o roxo na cara dele. Já cancelei o show de Las Vegas, alegando que Charlie se sentiu mal após o show daqui e precisará de uns dias para descansar.
— Richard disse algo sobre passar ou não informações nossas para Kevin? Sobre o Escândalo Swan-Cullen — meu marido quis saber.
— Charlie perguntou, mas Richard disse que não tinha nenhuma relação com isso. Agora preciso muito ir dormir, estou exausta.
Deixamos Tanya ir descansar, Edward colocou Holly no berço e foi tomar banho, eu deitei para dormir também. Algumas lágrimas depois, Edward deitando comigo e me abraçando, foi o suficiente para finalmente relaxar.
***
Alec precisou ir embora cedo, iria passar o dia com Sam e não podia se atrasar. Alice e Jasper apareceram logo depois, Edward estava com Holly no quarto dela e eu tomava café da manhã com Ness, nós duas estávamos ligando para Charlie, que ainda não tinha dado notícias desde que deixou o hotel.
— Vocês sabem do papai? — Ness, com ressaca estampada em seu rosto, perguntou para nossa irmã e Jasper.
— Ele me mandou uma mensagem, pediu para eu vir aqui. — Alice andou até mim e me abraçou. — Não sei direito o que aconteceu, só o que rolou ontem, mas fica sabendo que tô aqui para o que você precisar. — Beijou meu rosto.
— Obrigada — agradeci murmurando, ela me soltou e Jasper veio para perto de mim, também me abraçou e disse:
— Só tirei seu pai de perto daquele merda ontem porque não queria correr o risco de Charlie se machucar, mas se quiser eu vou atrás do desgraçado e acabo com ele para você.
Isso me fez rir, Jasper me abraçou com mais força.
— Não precisa, fique longe de problemas também — exigi.
— Vou tentar, mas não prometo nada. — Tirou seus braços de mim, mas antes de se afastar apertou minha bochecha. Bati em sua mão o xingando, agradecendo que Tina e sua mãe ainda estavam dormindo, assim a criança não me ouviria falar palavrão.
Terminei de comer e contei para minhas irmãs e Jasper toda a história, Ness já sabia de Richard me cercando na época do clipe de Endorfina e o Whitlock ligou os pontos entendendo de quem eu estava fugindo em Nashville durante a turnê de Ed, também falou que no momento que o jornalista entrou no camarim noite passada notou como meu marido tinha ficado extremamente tenso. Eu tinha acabado de contar e todos estavam abalados, quando papai apareceu, ainda vestindo as mesmas roupas do dia anterior.
— Isabella, Alice e Renesmee, preciso conversar com as três! — exclamou e seguiu para fora da cozinha onde estávamos.
Nós três nos entreolhamos, mas o seguimos. Charlie entrou na sala de TV, quando todas nós estávamos lá também, ele fechou a porta. Sentamos juntas em um sofá, com Alice no meio e ele ficou de pé diante da gente.
— Onde você esteve a noite toda? — Alice perguntou. — Carmen ficou preocupada, mesmo com Tanya garantindo que saiu por aí com seus seguranças.
— Primeiro fui dar uma volta pela praia. — Ele suspirou. — E já liguei para Carmen.
— E depois? — Ness questionou.
— Depois fui atrás de Renée.
— O quê? — nós três gritamos juntas. — Por quê? — indaguei.
— Não sei — ele confessou. — Quando me dei conta estava batendo na porta dela.
Papai começou a chorar, mas ninguém se mexeu, todo mundo meio paralisado com o choro dele.
— Vocês sabem que eu cresci sem uma família, apenas com um tio que só sabia beber. Não sabia o que era ter uma família, não até conhecer Renée. Eu me apaixonei por ela de cara e achei que ela me amasse de verdade, que também estava apaixonada desde o primeiro segundo. Então, nós tivemos vocês três e éramos uma família de cinco pessoas, era tudo para mim. Fui um completo idiota, deixando Renée assumir o controle sobre vocês, achando que tudo que ela fazia era para o bem das três. — Gesticulou para mim. — Colocando Bells para trabalhar desde muito nova. — Olhou para Alice. — Fazendo você ter aulas e aulas de atuação. — Ele suspirou e se voltou para Ness. — E controlando seu peso. Ela fez um monte, com todas as três, mas achei que estivesse tudo bem, que era só a forma dela de manter a família bem. Eu não deveria ter trabalhado tanto e ficado longe por muito tempo, quem sabe em casa teria conseguido perceber que nada disso era saudável. Até pouco tempo achei que Renée realmente sentisse algum tipo de amor por vocês, porém não consigo mais achar isso há um tempo.
Esfregou seu rosto, limpando as lágrimas.
— Lamento muito não ter afastado Renée de vocês antes, não ter percebido que o comportamento dela era nocivo para nossa família. Reencontrando ela hoje de madrugada. — Bufou. — Só ficou mais claro que tudo que ela pensa é em si mesma, sempre será assim, ainda que agora aquela mulher esteja jogando o papinho de amor à Igreja. E eu lamento mais ainda que as três não tenham a mãe que merecem… — A voz dele falhou. — Porque são garotas incríveis, não merecem nada pelo que passaram. — Ele caminhou até Ness e beijou o rosto dela que já estava coberto por lágrimas, depois beijou o de Alice e o meu. — Queria ter impedido que machucassem vocês. — Segurou o rosto de Alice que estava começando a chorar. — E não prefiro nenhuma, tá? Eu amo as três, quis as três, festejei quando cada uma nasceu. Bells e eu temos apenas mais afinidades, mas isso não quer dizer que não amo vocês duas e que ela é minha favorita — falou de Alice para Ness. — Mas me perdoem se sentiram jogadas de canto por mim em algum momento. Já tinham de lidar com a omissão de Renée, não precisavam da minha também.
Alice e Ness ganharam outros beijos e abraços.
Foi minha vez de começar a chorar, os três olharam para mim e vieram me abraçar. Meu pai e minhas irmãs, falando que me apoiariam todo segundo se eu quisesse expor Richard.
— Você tem o sobrenome Cullen agora, eu estou casada também, logo a Ness aparece com um anel no dedo — Alice falou, nossa irmã caçula franziu o cenho sem parecer crer nisso. — Mas somos uma família para sempre, tá? — Segurou meu rosto entre suas mãos, os olhos dela iguais aos da nossa mãe fixos nos meus, mas os dela cheios de amor e sabia que era real vindo dela. — Ed é, Jasper, Alec, a pequena Holly — Alice sorriu.
— Carmen — meu pai acrescentou, ele e Alice se entreolharam. Minha irmã suspirou, mas concordou.
— Carmen também. — Ela voltou a olhar para mim. — Nós todos somos sua família e vamos estar ao seu lado. É sua decisão expor aquele maldito ou não, mas fica sabendo que não estará sozinha, nunca estará, estaremos aqui para cuidar de você.
Eu assenti, ainda na dúvida, mas aquilo era mais um pró para denunciar o jornalista.
***
Charlie foi embora logo em seguida, negando dar mais detalhes sobre como tinha sido encontrar Renée. Minhas irmãs e Jasper foram depois. Tanya e Tina ficaram até depois do almoço e foram buscar Santiago no aeroporto, sendo assim, Ed e eu ficamos com Holly.
A babá dela também estava lá, então quando minha filha dormiu no meio da tarde deixamos Renata tomando conta de Donut e me tranquei com Edward no nosso quarto para uma conversa. Falei todos os prós e contras de expor Richard, de procurar denunciá-lo formalmente também.
Entretanto, não tomei nenhuma decisão naquele dia, foi impossível decidir qualquer coisa com o cansaço da madrugada tomando conta de mim. Aproveitei o resto do domingo para dormir entre as mamadas de Holly, deixando que Edward ficasse de olho nela.
Quando acordei sozinha, sem ser com ele me chamando para amamentar nossa filha, nenhum dos dois estava em nosso quarto. Deixei a cama e fui até o de Holly, obviamente ela estava no colo do pai, que conversava com o bebê.
— O aniversário da sua mãe é em alguns dias, o que faremos, lindinha? — Edward estava de costas para mim, seus olhos focados em Holly, que também o olhava.
Eu amava ver os dois juntos. Ele era louco por ela, eu sabia disso. Mas a cada dia percebia como Holly ficava mais ligada à ele. Tinha entrado em desespero na noite em que Edward dormiu por horas, sem sequer escutar nossa filha chorar, com medo de que fosse o início de uma separação entre os dois, mas meu marido não permitiu isso.
— No ano passado organizei uma festa surpresa…
— Não quero nada.
— Porra, Bella! — Edward exclamou assustado quando me ouviu falar, girando em seus pés para me olhar, olhos arregalados. — Sua mãe está tentando me matar do coração, mas está tudo bem agora — falou para Holly, que fez um biquinho pelo susto também, o que me fez ficar mal. Andei para perto deles e beijei a bochecha dela, Edward beijou a outra, nós dois a reconfortando antes que Donut começasse a chorar.
— Tudo bem, tudo bem. — Dei mais um beijo nela. — Esqueci que você ainda não está acostumada com fortes emoções, como ser pega tramando planos de aniversário com seu pai.
— Eu vou te dar presentes, nem tenta se livrar disso — Edward falou para mim, revirei meus olhos.
— Não quero presentes, nem festas. Só quero ficar quieta em casa com vocês. — Peguei Holly em meus braços, mas aí ela chorou de vez, o que me fez rir. — Quando você quer mamar não chora nos meus braços, não é? Mas quando quer ficar de grude com seu pai fica nessa — acusei, só que não estava chateada de verdade, longe disso, era mesmo bom ver que os dois se amavam. — Toma sua garotinha chorona. — Devolvi ela para Edward, ele tinha um sorriso convencido no rosto quando a recuperou.
— Ela tá chorando porque você está sendo uma péssima aniversariante — Edward falou, embalando Holly devagar em seus braços, acalmando a menina do choro.
— É sério, nada de comemorações.
— Pode ter um jantar ao menos? — questionou. — Só para família e amigos mais próximos.
— Isso já junta muita gente, só quero você e Holly, ponto.
Ele suspirou alto.
— Ok, então eu vou oferecer um jantar no dia 14 e não será sobre seu aniversário — provocou, isso me fez rir. — Por favor, é seu aniversário, me deixa celebrar. Sei que está cansada, abalada com tudo que rolou de ontem para hoje, mas ainda é seu aniversário, linda. Nós precisamos comemorar, é o certo a se fazer.
— Ok, ok — cedi. — Mas com uma condição, se tivermos o jantar nada de presentes. — Ele sempre me dava ótimos presentes e eu estava cada vez com menos criatividade para retribuir.
— Você é má. — Ele olhou para Holly, que já tinha parado de chorar. — Holly, sua mãe é má.
Eu ri e beijei a bochecha dele.
— Mas eu aceito, sem presentes, vou te presentear em dobro no Natal. — Piscou para mim, bufei, mas concordei. — Agora, temos outro assunto para tratar.
— Qual? — perguntei desconfiada.
— Chris me mandou mensagem mais cedo, insistindo que a gente volte a se exercitar. — Foi minha vez de choramingar. — Eu sei, também tô chorando só de imaginar como ele vai me torturar naquela academia.
— Eu preciso muito, meu corpo…
— Seu corpo está ótimo!
— Claro que não está, mesmo que eu tenha emagrecido algo, mas preciso começar a me cuidar para valer logo, ou o tempo é capaz de voar e perder o papel de Audrey por conta do meu físico.
— Você vai pegar leve no começo — ele declarou. — Só excercicios de boa, nada de se matar na academia.
— Certo, podemos começar em dias alternados? — sugeri. — Ao menos na primeira semana, ainda que a academia seja no nosso quintal, caso a Holly precise terá um de nós dois.
— Ok — Edward concordou. — Vou falar com ele, quer começar primeiro?
— Não, amor, pode ir primeiro — cedi, ele riu, mas concordou.
— Vou começar amanhã.
— Perfeito. Vai dar banho nela agora? — Conferi o horário no relógio digital do quarto de Holly.
— Sim, acho que ela vai curtir um banho no ofurô hoje.
— Nossa, isso me deu uma ótima ideia, vamos tomar um banho de banheira depois?
Os olhos de Edward brilharam com a ideia.
— Não é um convite para sexo — me apressei em falar, eu definitivamente não estava no clima para transar.
Ele pigarreou.
— Tudo bem. Pode preparar o ofurô para Holly?
Concordei e fui fazer isso, mas não participei do banho em si, tinha se tornado algo que Edward fazia integralmente há algum tempo. Depois dela sair do banho, do pai a secar e vesti-la, Holly me quis.
— Viu? Agora você não está chorando — provoquei ela, estava amamentando em nosso quarto, Edward estava deitado ao nosso lado tirando um cochilo. E depois de um começo de amamentação difícil no início da vida de Holly, eu já conseguia fazer aquilo mais tranquilamente e sem nem precisar das duas mãos, com a que estava livre eu usava para trocar mensagens com Rosalie e acabamos combinando dela e Emmett irem jantar conosco na terça-feira, quando os dois estariam livres.
Quando Holly acabou de mamar deixei Edward dormir mais um pouco, fiz ela arrotar e dormir, coloquei ela no berço com o maior cuidado para não acordá-la. Em seguida preparei a banheira do nosso banheiro e por fim chamei meu marido, distribuindo beijos no rosto dele e em seus braços nus já que ele estava usando uma regata.
— Oi — murmurou grogue de sono.
— Vamos pra banheira, amor.
Ele deu um sorrisinho e assentiu, fomos para o banheiro levando a babá eletrônica. Ficamos um tempo debaixo do chuveiro antes de ir para a banheira, lá fiquei entre suas pernas, minhas costas coladas em seu peito, suas mãos passeando por meus braços.
— Como você está se sentindo? — perguntou.
— Ainda nervosa, pensar que meu pai já sabe de tudo mexe muito com minha cabeça. — Edward beijou meu ombro. — Mas também é bom não guardar mais esse segredo, já guardo muita coisa dele, entre Paul me chantageando a assumir a culpa do vídeo e o fato de ser bissexual, desde quando fomos para Nashville, para as festas de final do ano, penso em contar sobre minha sexualidade para ele. Mesmo que eu esteja com você, um cara, é algo importante sobre mim e seria bom ter meu pai sabendo, mas nunca acho o momento certo para isso. Agora entendo mais porque você quis contar para Carlisle, mesmo sabendo que ele é como é, ou como era, sei lá. Você ainda não quer ficar com outras pessoas, Edward? — questionei.
Ele riu e me fez ficar de frente para si na banheira, com as mãos molhadas segurou meu rosto delicadamente.
— Linda, não quero mais ninguém. Estou bem em estar neste relacionamento monogâmico, como também não preciso estar com um cara para me provar como um homem bi. Você está sentindo vontade de ficar com outra pessoa? Outra mulher? — perguntou, mas não tinha nenhum tom de desespero ou ciúmes em sua voz.
— Não. No momento não quero sexo com ninguém. — Ele sorriu, se inclinou e beijou meu rosto.
— Então, estamos bem.
Eu sorri e beijei seus lábios.
— Amo você — declarei. — E vou amar mais se você fizer panquecas para mim depois do banho.
— Comida de café da manhã na hora do jantar?
Assenti ainda sorrindo.
— Tô com desejo, não pode deixar a mãe da sua filha passar vontades. — Ele gargalhou.
— Você não tá mais grávida para jogar essa, Bella. Mas vai ganhar suas panquecas.
— E eu te amo ainda mais por isso, Betty!
***
Na terça-feira mal conseguia carregar Holly, meus braços estavam doloridos depois de voltar a malhar naquela manhã, ainda que tivesse sido um treino bem leve estava acabada. Por isso, logo depois de Rose e Emmett aparecerem para o jantar, passei a pequena para a tia dela, dando também uma folga para meu marido.
— Ei, parabéns! — Edward exclamou quando Emmett contou que ele tinha sido escalado para um filme.
— Não é nada grande — o McCarty contou, estava em pé junto de Rose, a loira não podia sentar sem que Holly chorasse, minha filha era bem exigente. — É um papel de duas cenas, mas tem um bom elenco e um bom diretor. As gravações começam no início de outubro.
— Vai filmar aqui em Los Angeles mesmo? — perguntei.
— Isso — ele confirmou. — O resto do elenco precisará filmar em Portland depois, mas não estou dentro dessas filmagens.
— Temos outra novidade — Rose disse mais animada ainda, olhou para o namorado e os dois sorriram um para o outro. — Vamos morar juntos.
— Você vai casar? — Edward indagou em choque.
— Não, ainda não, queremos morar juntos por um tempo — Rosalie explicou. — Estamos começando a procurar por um apartamento para alugar, já que o de Emmett é bem pequeno para duas pessoas.
— Pensamos em um segundo quarto para Rosalie usar de escritório, assim pode escrever e estudar com mais conforto — Emm explicou.
— Achei que você fosse casar antes de ir morar com um cara, Rose — Edward falou, mas estava mais provocando do que qualquer coisa. Sabia muito bem como Rosalie amava Emmett, assim como o contrário, os dois eram perfeitos um para o outro. — Não sei se aprovo isso, irei conversar com seus pais e discutir a situação.
— Muito engraçado. — Rose revirou os olhos, mas logo estava voltando toda sua atenção para Emmett, enquanto eu voltava a perguntar sobre o filme para o ator e Edward ia checar se Sean tinha terminado de preparar nosso jantar.
Holly começou a resmungar e dar trabalho para tia, não precisei de muito para saber que ela estava com fome. Rose a passou para mim e não me importei em amamentar na frente dos dois, até por Emmett ser muito discreto e educado para não ficar olhando.
Logo o jantar ficou pronto e com Holly ainda mamando insisti que eles fossem comer primeiro, permanecendo na sala de TV onde estávamos. Edward tentou recusar, mas eu ainda estava farta de comer um monte de frutas de tarde e sabia que ele não tinha comido nada.
Fiquei ali com minha filha, os pensamentos indo para um lugar não muito legal, Richard. Eu tinha marcado com meus advogados para o dia seguinte, queria conversar melhor e pessoalmente com eles sobre o que tinha passado com o jornalista, com isso tomar minha decisão final a respeito do assunto.
— Ei — Rose apareceu na sala, trazendo um copo de suco para mim. — Pra se manter hidratada.
— Valeu, Rose — agradeci e peguei o copo. — Agora pode voltar ao jantar. — Ela riu.
— Estou meio que fugindo, Emmett pegou meu irmão para falar sobre futebol americano.
— Coitado do meu marido.
— Pois é. — Rose sentou ao meu lado. — Preciso compartilhar algo.
— Pode falar.
— Achei que quando Holly nascesse ia sentir mais vontade de ter filhos, mas isso meio que deu uma esfriada? — Me lançou um sorriso tenso. — Eu amo a Holly, mas acho que não estou nem perto de ser mãe.
— Você viu todo trabalho que estamos tendo. — Ri, ela assentiu e suspirou.
— Não parece algo que eu vá dar conta, não agora. Ainda quero ter filhos, mas não me sinto pronta no momento. Só que você tá se saindo muito bem, sério.
— Não tem sido tanto em cima de mim…
— Claro que tem!
— Calma, me deixa terminar — pedi. — Tô falando que no geral eu sou bem privilegiada, né? Não preciso limpar casa, fazer comida, nem essas coisas. Consegui me afastar completamente do trabalho e isso não está afetando minha conta bancária, logo não é uma preocupação, mesmo que sinta falta de trabalhar. Não é maravilha o tempo todo, mas eu não vou falar que tá sendo difícil como é para mulheres sem a rede de apoio que tenho, ou condição financeira diferente. E você ainda tem muito tempo para ter bebês, Rose.
Ela assentiu.
— Emmett também, ele é só um cara que completou 31 anos alguns meses atrás. — Isso tinha acontecido no final de fevereiro. — Vocês vão morar juntos e depois podem pensar em bebês, especialmente agora que estão investindo nos empregos que realmente queriam.
— No fundo ainda sinto que é meio errado estar indo morar com ele sem casar.
— Porque você cresceu numa religião que julgava isso — comentei, ela suspirou.
— Não sou muito parecida com o Ed, né?
— Em algumas coisas, mas essas diferenças são significativas. E você pode ir treinando com a Holly até ter seus bebês. Tipo ir trocar a fralda dela depois que ela terminar de mamar, aposto que vem cocô.
Rose riu, se inclinou e afagou a cabeça de Holly cuidadosamente.
— Ainda é louco pensar que meu irmão teve um filho justamente com você.
— Não cansa de ser minha fã, né? — provoquei, ela negou.
— Algumas coisas não mudam. — Deu de ombros. — Quando pretende começar o seu álbum?
— Não sei — murmurei e olhei para Holly. — Quero trabalhar, atuar, tocar, cuidar da produtora, mas também só quero ficar grudada com a sua sobrinha. E como estão indo as coisas para o lançamento do livro, senhorita Audrey Platt? — Usei seu pseudônimo.
— Tudo bem, a pré venda está ótima, mesmo que não seja um nome conhecido, mas a editora tem feito uma boa divulgação.
— Nós deveríamos trabalhar juntas em algo — afirmei acabando de ter uma ideia.
— No que? — perguntou confusa. — Sabe que não quero vocês divulgando meu livro.
— Não no seu livro — falei. — Sabe do roteiro que eu estava escrevendo antes da Holly nascer, aquele que tive a ideia em Bath, você deveria escrever comigo. Sei o que quero, no geral, mas é tão difícil colocar no papel. Sou boa com palavras, quando se trata de uma composição, mas escrever uma história assim é bem difícil.
— Não sou roteirista, Bella.
— Pode se tornar, eu também não sou e estava escrevendo o roteiro. Você assinaria como Rosalie Cullen, já que não quer meu nome e o do seu irmão promovendo a carreira da Audrey Platt.
— Não sei mesmo — disse incerta.
— Posso te mandar o que já escrevi? Não é muita coisa, mas você pode ler e me falar o que acha, então decidir se quer embarcar nessa comigo.
— Ok — concordou. — Posso ler, mas não prometo mais nada.
— Vou te mandar hoje mesmo.
— E o roteiro do filme da Audrey? Você já recebeu de Aro?
— Não, ele ainda está mexendo no roteiro, mas agora com as gravações do filme que tá tendo só deve acabar de fato após isso. E o que sua mãe achou sobre você ir morar com o Emmett? Ela tá pensando em ir morar com o Aro?
— Não até onde sei, mas acho que vai acabar acontecendo em breve. Eles se gostam bastante.
— Ela parece mesmo muito bem com ele, fico feliz por isso.
— E ela tá me dando maior apoio de mudar com Emm, meu pai que ainda não sabe, só quero contar quando estiver tudo resolvido. Medo dele me dar um sermão e eu amarelar.
— Se ele te der um sermão ligo pro Cullen e resolvo esse problema — ameacei de brincadeira, mas podia mesmo intervir se ela quisesse. — Aliás, ele ligou diretamente para mim hoje — contei. — Queria saber como Holly e eu estávamos, foi bem atencioso da parte dele, dá até pra esquecer por uns minutos que ele já foi um completo babaca comigo.
— Sinto muito por isso, Bella.
— Não, você só é filha dele, não tem relação nenhuma com o fato dele ter seus momentos de escrotidão.
Pensei, naquele instante, em contar para Rose sobre Richard, mas achei melhor não. Preferia preservar nosso jantar, ainda que não estivéssemos comendo no momento, sem tocar em um assunto como aqueles.
— Vocês tem algum bairro de preferência em relação ao apartamento novo?
— Não, mas eu vi uns apartamentos bem lindos lá perto do prédio em que a mamãe mora — contou entusiasmada. — Tenho fotos, quer ver?
— Vamos nessa, Holly ainda vai mamar por mais um bom tempo.
***
Depois que Rose e Emmett foram embora, Edward foi dar banho em Holly, já tinha passado do horário que costumava fazer isso, mas ele não queria perder o momento dos dois. Eu estava no quarto dela, mexendo no celular, só ouvindo ele cantar no banheiro a música que fizemos para Donut.
No meio de um verso Edward exclamou:
— Você vai comprar um presente muito legal para sua mãe, lindinha!
Eu ri, seria impossível fugir dos presentes dele.
— Não diga alto o que é Holly, ela pode nos escutar.
— Não quero presentes, Holly! — gritei.
— Ignore sua mãe, filha — falou para ela e em seguida voltou a cantar.
Voltei minha atenção para o celular, estava perdendo tempo com o Instagram e vi uma publicação da Rolling Stone. Naquela tarde, no fuso de New York, alguns jornalistas da revista tinham se reunido para um almoço especial, quase no centro da foto estava Richard.
O rosto levemente arroxeado na área do nariz, mas quase nada, estava desaparecendo. Olhei os comentários da foto e vi que ele tinha escrito um.
“Não se preocupem com o nariz roxo, foi um acidente doméstico estupido envolvendo uma porta de armário.”
Na mesma hora Ness me enviou uma mensagem, o que foi ótimo para me distrair.
Ness: Olha o que comprei para minha sobrinha favorita!
Em seguida mandou a foto de um pequeno chapéu de cowboy, isso me fez rir. Fui mostrar para Edward, que já estava acabando o banho.
— Diga para Renesmee que ela está proibida de entrar nessa casa — decretou e tirou Holly da banheira.
A pobrezinha começou a chorar, mas Edward foi rápido em colocar a fralda e vesti-la. Eu respondi minha irmã e fui me preparar para a próxima mamada de Holly, que dormiu nos braços do pai logo depois de arrotar.
Nós dois ficamos na cama conversando, sobre os apartamentos que Rose tinha me mostrado e meu convite para ela escrever o roteiro da série comigo, eu já tinha enviado e minha cunhada prometeu começar a ler logo. Mas, não demoramos muito a dormir, aproveitando que Holly também estava dormindo.
Ainda assim, acordei algum tempo depois com Edward se mexendo na cama para olhar ela.
— O que foi? — perguntei confusa, não tinha ouvido ela chorar nem nada do tipo.
— Nada, pode voltar a dormir, linda. Só queria ver se ela estava bem e está.
Concordei, mas não voltei a dormir, deixei a cama e fui ao banheiro. Quando retornei para a cama ignorei meu lado do colchão e deitei em cima do meu marido que ainda estava acordado e olhando para nossa filha, ele riu, mas me abraçou e beijou minha cabeça.
— Amo você — falamos juntos. — Te amo mais.
— Duvido, Capitã.
— Sempre venço, pode acreditar que tô nessa liderança também.
Ele não debateu mais, ficou mexendo em meus cabelos, enquanto eu me aproveitava do seu calor. Meu marido estava apenas de shorts, então tinha todo seu peito largo embaixo de mim.
Beijei sobre a tatuagem que ele tinha ali, sentindo Edward se arrepiar.
— Isabella! — me repreendeu, soltei uma risadinha, mas parei de atiçar.
Quando eu estava quase dormindo, Edward me tirou de cima de si, me colocando ao seu lado e me abraçando por trás. Seu rosto entre meus cabelos, nossas mãos unidas e pernas entrelaçadas.
Era tão bom, uma noite perfeita. Mesmo com Holly acordando logo depois para mamar, tudo estava bem e tranquilo.
De manhã, eu estava trocando Holly antes de irmos tomar nosso café, quando ele recebeu uma ligação.
— Sim, por quê? — Ele estava sentado na cama junto de Holly, fazendo ela sorrir passeando um dedo pelo pequeno nariz dela. — Tanya, diz logo. — Só ali fiquei sabendo quem era do outro lado da linha. — Puta merda. — Os olhos dele se voltaram para mim. — Tá, ok, qualquer coisa falo com você. — Finalizou a ligação.
— O que foi? — perguntei preocupada, notando a tensão que ele estava.
Edward engoliu em seco, olhando para Holly.
— Deixa eu terminar de trocar ela.
— O quê? Eu já tô acabando. — Peguei a fralda. — Me conta, Edward!
— Quando você acabar. — Respirou fundo.
Não insisti, apenas terminei de colocar a fralda em Holly e em seguida a roupinha nela.
— Tá, agora me diz. — Sentei na cama também, Edward pegou Holly no colo, beijando e cheirando a cabeça dela antes de enfim falar:
— Richard está morto.
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