Hollywood

100 Capítulo Noventa e Oito – parte 2


Notas iniciais
Olá, pessoaaaaas! Hoje Hollywood está completando 5 anos, são 98 capítulos, muitas palavras, estresse e felicidade em uma só fanfic hahah Eu quero agradecer a cada um que já passou por aqui, seja comentando, favoritando, recomendando. Também não posso deixar de mencionar duas pessoas que estão do meu lado desde sempre, Anny e Chloe, sem vocês Hollywood não existiria. Meu plano (desde a virada de 2021 pra 2022) era estar finalizando a fanfic hoje, infelizmente por conta das complicações pós cirurgia eu não tive como escrever na velocidade que queria pra finalizar. Mas aqui estamos com um um capítulo bem grandão e mais pertinho de encerrar essa história. Boa leitura e mais uma vez muito obrigada! —__ Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —___ Grupo no Telegram: https://t.me/joinchat/MrT_3cJdpvtiZDdh —___ Me siga no Instagram: @autoralolaroyal —___ Música do capítulo: 1. https://youtu.be/CeLqD5D4vks 2. https://youtu.be/u08RiMbw2JY —___ Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure profissionais especializados sempre. —__ Boa leitura!

Eu gelei, mas consegui indagar:

— Ele o que?

— Tanya não sabe muito, as notícias começaram a sair há menos de meia hora. Até agora só falaram que Richard foi encontrado morto no apartamento dele em New York. Não se sabe a causa ainda, ou não foi revelado.

— Preciso falar com meu pai. — Peguei o celular de Edward, já desbloqueando e ligando para Charlie. Também saí do quarto, dizendo para meu marido ficar ali com Holly.

— Oi, Cullen — meu pai atendeu, a voz completamente séria.

— Pai, sou eu — falei, àquela altura já estava tremendo. — Você tem alguma relação com isso?

Papai bufou.

— Isabella, não fiz nada com aquele merdinha.

Expirei alto, mas ainda muito nervosa. E se papai estivesse mentindo? Poderia ter feito a loucura de mandar alguém matar Richard?

— Você realmente acha que seria capaz disso, Bells?

— Você queria socar ele até vê-lo morto dias atrás — murmurei.

— Sei que falei isso, mas foi no calor do momento, não tenho coragem de matar ninguém, ou mandar matar. Se tivesse pode ter certeza de que teria feito isso com Paul, ou ter encontrado Nahuel antes daquela mulher fazer primeiro.

— Sabe como Richard morreu?

A ficha ainda não tinha caído para mim. Richard morto, Richard fora do meu caminho para sempre. Porém, não conseguia ficar feliz, ainda parecia tudo uma grande mentira.

— Sim, liguei para o advogado dele que está cuidando de tudo por lá, pelo que encontraram no apartamento aparentemente ele teve uma overdose de cocaína, também tinham algumas garrafas de vodca por perto, a empregada o encontrou quando chegou para trabalhar e ninguém esteve na casa com Richard segundo o porteiro do prédio.

— Puta merda!

— Não é culpa minha, nem de ninguém mais, só daquele desgraçado, Bells.

— Ele tá morto mesmo? — Comecei a chorar, me apoiando na parede atrás de mim para conter o tremor de nervoso que sentia.

— Ele está, filha. Nunca mais chegará perto de você.

Eu chorei mais, naquele instante grata por aquela notícia. Richard não tentaria mais nada comigo, nunca mais teria de olhar para ele, poderia viver sem o medo de ser machucada por aquele verme.

— Estou indo para aí, Bells.

— Obrigada, pai.

***

Eu me sentia feliz, culpada e nervosa. Feliz porque Richard não iria mais me perseguir, culpada por estar feliz com a morte de alguém e nervosa que de alguma forma descobrissem sobre ele ter apanhado do meu pai poucos dias antes de tudo aquilo.

Com o homem morto, cortei qualquer ideia de expor o que tinha acontecido, não iria contar nada para o público sobre uma pessoa que não poderia mais se defender, não iriam gostar nada disso e me odiariam por atacar alguém que tinha falecido. Talvez em um futuro muito distante, mas não naquele dia e nem nos próximos, nem nos próximos meses.

Ainda assim, temia que descobrissem sobre o soco e tentassem de alguma forma culpar meu pai pela overdose. Tinha insistido para Charlie permitir que Tanya fizesse uma publicação nas redes sociais dele falando sobre a morte daquele que foi seu amigo por muitos anos, mas ele não permitiu, não queria prestar qualquer tipo de homenagem.

— Também não quero nada sobre ele em minhas redes sociais — Edward disse, Holly estava com o pai, meu marido tinha dispensado nosso personal trainer aquele dia, sem querer ficar longe de mim, assim como dispensei meus advogados que não seriam mais necessários. Não no momento, talvez somente se fossemos acusados por algo, isso poderia acontecer? Se tivesse sido uma morte em decorrência de overdose mesmo não tínhamos culpa de nada.

— E se descobrirem que você bateu nele dias atrás? — questionei meu pai.

— Nós contamos que Richard me ofendeu, já que você não quer expor aquele desgraçado agora — papai falou e tomou mais um longo gole de café, tinha mandado Sean preparar um bem forte para ele. — Qualquer coisa genérica que abalou meu ego, pronto, ninguém precisa mencionar seu nome.

— Mas e caso não descubram? Qual desculpa dar para nenhuma homenagem, para público e imprensa vocês ainda eram amigos, pai — continuei. — Vão estranhar muito não publicar nada sobre a morte dele, ou não comparecer ao funeral daqui alguns dias.

— Deixe que especulem.

— E…

— Isabella — papai me interrompeu, levantando-se e caminhando até mim, segurando em meus braços após se livrar da sua xícara de café. — Pare de imaginar mil cenários para este problema, ok? Vamos passar por ele juntos e tudo ficará bem, garanto. Respire fundo. — Eu puxei o ar, aproveitando para fechar os olhos por um minuto. — Não vamos nos antecipar em nada, se for necessário iremos nos pronunciar, mas por ora vamos apenas esperar, não há mal algum nisso. Você não precisa resolver tudo, não precisa antecipar movimentos para se proteger e proteger nenhum de nós, apenas respire fundo.

Respirei fundo novamente e no meio disto, comecei a chorar. Papai me abraçou, deixando com que chorasse no seu colo. Abri os olhos e procurei por Holly, que continuava dormindo nos braços de Edward, ele me lançou um olhar reconfortante e eu me acalmei mais um pouco.

***

No final da tarde estava sentada perto da piscina comendo algo, Edward estava dentro de casa com Holly que dormia e logo mais deveria acordar para seu banho. Meu pai já tinha ido embora há algumas horas, eu tinha conseguido passar aquele tempo longe da internet, mas naquele instante, enquanto comia uma melancia, fiquei fuçando o que falavam sobre a morte de Richard.

“Ele era um excelente jornalista, lia todas as matérias dele.”

“Estranho ele ter uma overdose logo após aparecer de olho roxo.”

“Até agora ninguém da família Swan prestou nenhuma homenagem ao Richard.”

Deixei o celular sobre a mesinha ao meu lado, me sentia finalmente e estranhamente calma ainda que aquele tópico estivesse em minha mente. Talvez toda a terapia finalmente dando jeito, ou a confiança de que eu tinha pessoas para me protegerem caso algo desse errado e aquela história respingasse em mim.

— Bella. — Nelly se aproximou, tinha em mãos um envelope pardo, aquilo me apavorou.

— Você está vindo me entregar sua carta de demissão? — indaguei, não queria perder minha governanta e lidar com o trabalho que seria encontrar outra.

— O quê? Não! — respondeu e riu um pouco. — Isso chegou para você e Ed, bom, para Holly também. — Esticou o envelope, eu o peguei, mas ela continuou a falar antes que pudesse ler qualquer outra informação presente ali. — Não sabia se deveria te entregar, mas talvez seja justo que saiba.

Olhei para o envelope e vi as informações contidas nele.

“De: Renée Swan

Para: Isabella, Ed e Holly Cullen”

Abri o envelope e puxei lá de dentro um convite de casamento. Renée se casaria no dia 29 daquele mês, e tinha tido a cara de pau de convidar a mim, meu marido e minha filha.

Soltei um resmungo fraco e devolvi tudo para Nelly.

— Pode jogar no lixo — decretei.

— Tem certeza, Bella?

— Tenho sim.

Lhe entreguei o prato com resto de melancia e peguei meu celular, iria subir e ver minha filha.

Edward estava levando Holly para o banheiro quando entrei no quarto dela, eu deixei os dois seguirem a rotina de banho, mas fiquei por ali.

— Como você está, Capitã? — perguntou preocupado.

— Renée nos enviou o convite para o casamento dela.

— Maldita — Edward falou entre uma falsa tosse e em seguida beijou a cabeça de Holly. — Jogou fora?

— Pedi para Nelly cuidar disso. — Meu celular vibrou indicando que eu tinha recebido uma mensagem, o desbloqueei e vi que Alice tinha me enviado uma foto do convite do casamento, mas aquele tinha o nome dela e de Jasper.

Alice: Também recebeu um?

Alice: Desculpa, nem devia tá enchendo sua cabeça com isso justo hoje.

Bells: Tudo bem. E sim, recebemos. Ness recebeu?

Alice: Recebeu. Pedi pro Jasper queimar o nosso, quer que eu passe aí e pegue o seu pra queimar também?

Bells: Não é preciso, mas obrigada pela oferta, irmã.

Alice: Ao seu dispor.

Alice: Hum… Você viu o que o advogado do Richard acabou de falar para a imprensa?

Bells: Não o que?

Não queria entrar mais no Twitter ou Instagram para procurar, preferia que minha irmã me contasse.

Alice: Que Richard contou para ele ontem a verdade sobre o nariz roxo.

Alice: Essa verdade seria ele levando um soco em uma briga de bar em Los Angeles, que foi depois de deixar o show do papai.

Suspirei, isso era bom à sua maneira.

Bells: Ótimo.

— Linda? — Edward chamou por mim, já estava com Holly na banheira. — Tira meus óculos? Eles estão embaçados.

Eu sorri e tirei seus óculos que estavam mesmo embaçados.

— Consegue enxergar a Donut? — provoquei.

— Sem graça. — Ele beijou meu rosto, mas logo voltou a se concentrar em nossa garotinha.

Sorri e me apoiei na parede, observando meu marido. Ele estava um caco, como eu estava, olheiras, cabelos bagunçados e barba por fazer, e ainda era o homem mais lindo do mundo para mim. Na verdade, sempre ficou muito lindo de barba.

Beijei o rosto dele, fazendo com que Ed me olhasse por um instante.

— Te amo, pirralho.

***

Jane foi nos visitar no domingo, levando uma touca que tinha costurado para Holly, mas sequer entrava na cabeça da minha filha.

— A culpa não é minha — a Volturi se defendeu. — Holly que herdou o cabeção do Ed.

— Vá embora! — Edward gritou da piscina, ele estava louco para dar um mergulho aquele dia, eu também queria, mas antes que pudesse me trocar para entrar na água Holly quis mamar e ainda estava pendurada em mim.

— Você casou com um chato — Jane disse para mim e se sentou ao meu lado no sofá da varanda, a touca em suas mãos. — Será que cabe na cabeça de um dos seus cachorros?

Isso me fez rir alto.

— Talvez na do Jude, mas ele arrancaria seu dedo se você tentasse colocar isso nele. Como pode ter errado tão feio as medidas que tirou assim?

— Um pequeno problema com matemática. — Deu de ombros. — E a cabeça dela também cresceu nesse intervalo.

— Jane, você costurou uma touca tamanho Barbie!

— Não exagera, vou desfazer e trazer do tamanho certo dá próxima vez. — Largou o pedaço de pano laranja sobre a mesinha próxima da gente e pegou seu celular.

Eu me distraí com Holly, olhando e sorrindo para meu bebê. Ela estava mamando com muita vontade, doía um pouco, mas conseguia aguentar. Jane começou a falar sobre o próximo filme que participaria, recobrando minha atenção, estava louca para voltar a trabalhar, iria atuar como protagonista em um filme mais indie que seria gravado na Pensilvânia a partir de Janeiro.

— O roteiro é ótimo — declarou. — Tenho alguma chance de ter meu nome cotado para a temporada de premiações seguinte. — Ed deixou a piscina, pegou uma toalha em cima de uma das espreguiçadeiras e se aproximou da gente. — Não acredito que o Cullen ganhou um Grammy antes de eu ganhar um Oscar.

— Ganhei três Grammys, Jane. — Piscou para ela.

— E vai fazer nosso almoço, ganhador do Grammy? — indaguei, já que Sean estava de folga naquele domingo.

— Vou sim, o que vocês querem comer?

Jane e eu começamos a enchê-lo de pedidos, Edward reclamou que não era restaurante e declarou que iria decidir o que fazer. Ele entrou em casa para ir se trocar, Holly escolheu aquele momento para acabar de mamar e me levantei para fazê-la arrotar.

— Ela já tem dois meses, o tempo passa muito rápido — Jane comentou olhando para Holly.

— Nem me fala, chorei um monte ontem pensando nisso — falei de volta e beijei o rostinho da Donut. — Você está crescendo muito rápido, meu amorzinho.

Ela estava quase pegando no sono em meu colo, ainda tirava algumas sonecas durante o dia, mas já estava dormindo por mais tempo pela noite. Os olhinhos ainda estavam azuis escuros, mas ainda poderiam mudar. E ainda era uma cabeluda, como o pai dela, só que os cabelos poderiam e acabariam caindo com o passar dos meses também.

— E vocês vão ter mais bebês cabeçudos? — Jane questionou.

— Ridícula! — exclamei, mas acabei rindo. — Perdão, filha, não queria rir de você — falei com ela e beijei seu rosto de novo. — Não sei — dei a resposta para Jane. — Vamos decidir isso com o tempo.

— Decidir como decidiram sobre a Holly? — a filha de Aro provocou.

— Você tirou o dia para nos irritar, não foi?

Ela sorriu largamente.

— Foi, meu irmão tá com o Sam e sua irmã, meu pai com minha querida madrasta, então decidi vir encher a paciência do meu novo irmãozinho e da esposa dele.

— Esme arranja um cara para transar e eu sou punida — brinquei. — Dá próxima vez você pode ir atrás da Rosalie.

— Ela e eu ainda precisamos nos aproximar mais — Jane disse e voltou a mexer em seu celular.

Edward reapareceu, já seco, com roupas que não eram para a piscina e avisou:

— Alice tá ocupada com o trabalho, Jasper está entediado e vem almoçar com a gente.

— Excelente, outra pessoa para eu tirar do sério — Jane comemorou, Edward bufou e voltou para dentro de casa.

Meu celular, que estava no bolso do short que usava, tocou. Consegui segurar Holly com apenas uma mão e peguei o aparelho, era meu pai ligando.

— Oi, papai — falei.

— Bells, como vocês estão?

— Bem e por aí? Animado para o show de hoje?

Ele tinha retomado a turnê, sem se importar com o luto que imprensa e internet estavam cobrando que ele vivesse. A autópsia de Richard ainda não tinha sido finalizada, então ele ainda não tinha sido enterrado, mesmo assim todos estranhavam meu pai não estar dando uma palavra sobre.

Também tinha quem estava na internet levantando suspeitas de o nariz roxo de Richard tivesse sido causado por uma briga com meu pai, não em um bar como dito, entretanto eram poucas pessoas. A imprensa não estava batendo nessa tecla, talvez com medo de levantar falsa acusação contra Charlie e se dar mal.

— Sim, tenho certeza de que será um bom show. Liguei só para saber como vocês estavam, apesar da turnê estar sendo ótima, fico preocupado de estar longe.

— Está tudo bem — garanti, olhei para Jane e ela estava séria encarando algo em seu próprio celular. — Você pode curtir e aproveitar sua turnê.

— Certo. Falo com você depois, Bells. Te amo.

— Também amo você, pai. Até mais.

Finalizei a ligação e Jane me ajudou pegando meu celular.

— Acabei de ver uma notícia horrível — ela disse, colocando meu celular e o seu na mesinha. Ainda parecia tensa.

— O que foi? — Sentei novamente. Holly estava bem sonolenta, mas não cedia ao sono.

— Jacob Black foi agredido ontem à noite em uma boate.

— Por quê? — Franzi o cenho.

— Ataque homofóbico. — Ela suspirou. — Aparentemente um grupo de caras o reconheceu, lembraram das fotos do Jacob com o outro cara, o agrediram no banheiro e depois fugiram.

— Que horror! — exclamei.

— Pois é.

Ficamos em silêncio, sabia que assim como eu, Jane estava pensando naquilo. Não deixei de também me sentir um pouco culpada por ter me divertido quando saíram as fotos de Jacob traindo Lauren com outro homem, não era motivo para as risadas, nada sobre a sexualidade de uma pessoa era.

— Por que estão com essas caras? — Edward apareceu novamente na varanda. — Tô deixando a carne marinar. Vim pegar um pouco você, minha lindinha. — Ele tirou Holly dos meus braços, a aconchegando em seu peito coberto por uma camiseta do seu último álbum.

— Jacob sofreu um ataque homofóbico ontem e apanhou de uns malditos — Jane contou para Edward, que também ficou surpreso com a notícia. — Quer dizer, nem sei se posso chamar mesmo de homofóbico, ele nunca deu nenhuma declaração sobre sua sexualidade ou gênero.

Meu marido me olhou rapidamente, vi pavor em seus olhos e podia apostar que sabia o que ele estava pensando, conhecia Edward muito bem. Ele estava se imaginando no lugar do Black, sendo o cara apanhando por conta da sua sexualidade.

Também imaginei aquilo e um nó se formou em minha garganta. E se tivesse sido Edward? Ou Jane? Poderia ter sido Jasper também. Porra, poderia ter sido eu.

— Foi aqui em Los Angeles mesmo? — ele questionou Jane. — Ou em Seattle onde Jacob está gravando o álbum dele?

— Aqui em Los Angeles, foi em uma boate não muito longe da de vocês.

— Que merda — Edward murmurou, balançando de leve Holly em seus braços, ela ficava ainda mais sonolenta.

— Acho que vou postar algo no Instagram em apoio, nem conheço o Jacob pessoalmente, mas desde que me assumi publicamente sempre comento sobre casos assim para alcançar mais gente e ajudar. Você se importa, Edward?

— O quê? Não. Claro que não. Faz um século que a Lauren me largou para ficar com ele, isso não me atinge mais. Você pode prestar seu apoio, acho que eu também deveria.

— Você não é obrigado, Ed. Não depois do que Jacob e Lauren fizeram com você, foi uma falta de respeito gigantesca.

— Sim, mas sei lá. — Os olhos dele se focaram em Holly. — Poderia ter sido comigo.

Vi Jane arregalar seus olhos, então ela me encarou com uma dúvida imensa estampada em seu olhar antes de se voltar para ele.

— Como assim poderia ter sido com você, Ed?

Ele suspirou e voltou a atenção para sua amiga.

— Eu sou bissexual, Jane — disse de uma vez.

Isso fez com que ela segurasse em meu braço e falasse entre dentes:

— Seu filho da puta, como você conta algo assim bem quando sua filha tá quase dormindo e eu não posso gritar?

— Foi mal, não estava pretendendo contar para mais ninguém.

— Não acredito que eu não sabia disso. Só que, pensando bem, até que faz sentido. Você falava sobre minha sexualidade, e não tinha problemas em ver garotas juntas, entretanto quando topávamos com dois caras juntos não parecia nada confortável. Eu pensava que era um hétero sexualizando mulheres, e sendo chato com caras se pegando, mas aparentemente era você se escondendo.

— Tem pouco tempo que me aceitei como um cara bi — Edward explicou. — Rolou ano passado, durante minha turnê.

Jane voltou a olhar para mim.

— Você tá bem com esse papo, Bella?

— Eu tô sim, também sou bi. — Me surpreendi de como contei aquilo com tamanha facilidade, mas Jane era uma amiga e sabia que podia confiar aquele segredo a ela.

— Sabia, sabia, sabia — repetiu animada, mas não aumentou seu tom de voz. — Meu radar apitou pra você desde que te conheci, Isabella!

Aquilo me fez rir.

— Apitou nada.

— Apitou sim, eu juro. Acho que apitou algumas vezes para o Edward, mas bem pouco, confesso, já que ele tava sempre agarrando alguma mulher. Você pegou algum cara depois que se aceitou? — indagou Edward, ele corou um pouco.

Notei ali que Holly tinha enfim dormido, sendo a perfeita garotinha do papai que era, pegando no sono quando estava no colo dele.

— Vai, me conta, Cullen.

— Peguei, foi assim que me aceitei.

— Quem? O Jasper? Tenho certeza de que foi ele. O cara era apaixonado por você, percebia isso na forma que ele te olhava.

— Sim, Jane. Eu fiquei com o Jasper — ele falou meio de saco cheio, e ainda mais vermelho. — Podemos mudar de assunto agora?

— Não, eu quero saber mais, ficou com mais alguém?

— Sim, mas não vou te dar o nome.

Ela resmungou e se voltou para mim.

— E você, senhora Cullen?

— Eu o que?

— Você sempre soube que era?

— Primeiro peguei algumas mulheres lá pelos meus vinte anos, mas só fui entender mesmo na mesma época que Edward se aceitou, quando fiquei com outras.

— É um casalzinho mesmo, combinam até no momento que aceitam sua sexualidade. — Jane riu. — Estou feliz que compartilharam isso comigo.

— Você nos obrigou — Edward afirmou, se aproximou de mim e me entregou Holly, por sorte nossa filha não deu sinais de que acordaria pela troca de colo. — Vou voltar para nosso almoço, fiquem aí fofocando.

Ele beijou minha cabeça e nos deixou lá fora.

— Vai postar sobre o Jacob? — perguntei para Jane.

— Sim, vou preparar um texto mais tarde em casa, aproveitar quando tivermos mais informações sobre o caso. — A expressão dela voltou a ficar tensa. — Você pensa em se assumir publicamente? Conhecendo o Ed sei que ele não fará isso tão cedo.

— Não, com certeza não penso. — Ajeitei Holly em meus braços. — Poucas pessoas sabem, já tive muitos problemas em minha vida, sei que se me assumisse seria outro. E sim, Ed também não pensa em se assumir publicamente tão cedo, também tem poucas pessoas que sabem sobre ele.

— Acho que foi mais fácil para mim mesmo — comentou. — Eu tive um pouco de dúvida na época que fiquei com Ed, achava que era bi porque estava muito próxima de outro cara, e quis fazer um experimento com o Cullen, mas acabou que não curti mesmo pegar um homem. — Nós duas rimos. — Sempre soube que era lésbica e também não tive uma criação tão machista quanto ao do Edward, nem passei pelo que você passou. Você fez aquela publicação assumindo a culpa por aquele vídeo, mas duvido que realmente fez isso.

Desviei o olhar para minha filha, que tinha um pequeno sorriso em seu rostinho.

— Pode contar comigo para qualquer coisa que precisar, Bella — Jane afirmou. — Sou chata, mas sou uma amiga fiel.

— Você é chata mesmo — provoquei, ela riu. — E uma péssima costureira.

— Isso é um fato, vou procurar outro hobby.

Voltei a olhar para ela.

— Mas é uma excelente amiga, Jane.

— Sou sim, né? — Piscou para mim. — Vocês são muito sortudos de terem a mim.

***

Jasper não demorou muito a chegar, também não demorou muito para contarmos para ele a história de Jacob e o marido da minha irmã também ficou abalado. Nós quatro sentamos para comer e o clima não era o dos mais animados.

— Jacob está internado — Ed contou olhando em seu celular. — Não em estado grave, mas ficou muito machucado e segundo o boletim médico que liberaram precisa ficar no hospital por mais um tempo.

— Tenho um amigo que o primo dele faleceu vítima de ataque homofóbico — Jane contou encarando a comida em seu prato. — Já era amiga dele na época, foi tudo muito difícil, especialmente porque os pais do garoto tinham o expulsado de casa quando contou que era gay. — Ela se virou para Edward que estava na cabeceira da mesa. — Vocês já pensaram que Holly pode ser bi também? Ou lésbica? Ou mesmo não se identificar como uma garota? — Os olhos dela se voltaram para os meus ao terminar de falar.

— Já pensamos sobre — murmurei. — Mais ou menos, quando fizemos o chá revelação, e nos últimos meses da gestação.

— Pensei também quando minha fã lésbica foi morta pelo pai — Edward disse, seus olhos estavam focados em Holly que dormia no carrinho perto dele. — Queria que o mundo não fosse essa merda que é, pensar em Holly crescendo com tantos perigos por aí é desesperador. Como é desesperador pensar em qualquer um de vocês também sujeitos a algo parecido com o que aconteceu com Jacob. — Ele olhou para cada um de nós, deixando a mim por último.

— Vamos todos ficar bem. — Jasper que estava ao meu lado afagou meu braço, eu desisti de fingir que estava comendo para apoiar a cabeça no ombro dele.

Meu cunhado ficou sabendo sobre minha sexualidade em Março, quando acabei contando para ele durante um dia que estávamos ouvindo o álbum de Ed e tocou uma das canções feitas por Jasper, que tinha todo o conceito de liberdade relacionado a sexualidade. Jasper, assim como Jane, disse que também tinha suas suspeitas de que eu fosse bissexual.

— Vamos? — Jane questionou. — Porque não sei se confio nessa comida do Ed — brincou, isso foi suficiente para fazer com que Jasper e eu rissemos, enquanto meu marido revirava seus olhos, mas dava um sorrisinho, depois esticou uma mão e afagou os cabelos da amiga.

Nós voltamos a comer, ainda que todos ainda estivessem muito pensativos conseguimos ao menos conversar sobre outras coisas. Jane e Jasper foram embora depois do almoço, decidiram ir passar o resto da tarde em Santa Monica aproveitando o verão.

Edward e eu ficamos sozinhos com Holly até o começo da noite, quando Esme e Rose foram ficar com a gente. Minha sogra e cunhada já tinham combinado isso conosco, queriam curtir um pouco Holly e fizemos uma noite do sushi, elas também aproveitariam e dormiriam por lá.

— Tudo bem? — Edward perguntou mais tarde naquele dia, estávamos em nosso quarto, eu deitada em nossa cama folheando um livro e ele fazendo Holly dormir depois de mais uma mamada noturna da pequena.

— Sim, só estava pensando no meu pai.

— Sobre Richard?

— Não, por incrível que pareça não. — Respirei fundo e larguei o livro de vez. — Estava pensando no quanto quero contar para ele que sou bi, acho que vou fazer isso essa semana de uma vez.

— Como acha que ele vai reagir?

— Não sei, realmente, as vezes as pessoas nos surpreendem, né? Posso achar que ele vai levar de boa, mas no final reagir mal.

— Se quiser fico do seu lado enquanto você conta, já tenho experiência em pais surpreendidos com isso.

Eu sorri e assenti, ele se aproximou e beijou o topo da minha cabeça, aproveitei e beijei Holly.

— Pelo menos vamos levar de boa se ela não for hétero — comentei. — Será até uma sorte caso não goste de homem — brinquei, Edward riu e beijou nossa filha também.

— E se ela quiser ser um ele? — Edward questionou. — Ou um elu? É assim que se fala quando a pessoa é não-binária? Precisamos estudar sobre, Bella! — exclamou ficando nervoso.

— Amor, calma — pedi. — Ela acabou de fazer dois meses de vida, temos tempo para estudar sobre. Mesmo que ela se identifique como cis, acho importante que a gente estude sobre gênero e sexualidade, não queremos criar uma filha em uma casa que isso não é conversado, afinal mesmo que ambos sejamos bissexuais, nós não podemos responder por todo mundo.

— Certo, vamos ir estudando. — Beijou Holly outra vez, ela ainda não tinha dormido.

— Você acha que um dia vai se assumir publicamente, Edward?

— Não sei. — Ele suspirou. — Pensei sobre algumas vezes hoje, me sinto enganando meus fãs por não contar isso, talvez se contasse parte deles me visse como um exemplo para se aceitar. Você entende?

— Perfeitamente, pirralho.

— Mas também penso em como Jacob foi excluído do meio quando aquelas fotos saíram, como até eu achei graça da situação. É apavorante imaginar passar pelo mesmo, principalmente agora que nossa vida parece um pouco mais tranquila. Você pensa em se assumir publicamente um dia?

— Sabe que para mim tudo seria mais difícil. Então, não penso em me assumir publicamente, não mesmo. Entretanto, saiba que se um dia você quiser contar para todos, estarei ao seu lado te apoiando. Não deixe que meus receios te segurem, sou sua esposa e vou te apoiar em tudo.

— Você é a melhor.

— Bem que sabe disso, Betty. Tive uma ideia.

— Qual?

— Que tal depois que fizer nossa garotinha dormir sairmos para dar uma volta?

Ele ficou confuso.

— Agora? Já está tarde, é mais de meia-noite. — Isso me fez achar graça.

— A vida é incrível, não é? Agora achamos que meia-noite é tarde.

— Sou um velho de espírito agora, você sabe. — Sorriu. — Mas você está pensando em sair para onde?

— Nenhum lugar especial, só entrar no carro e dirigir por aí por uma hora com as janelas abertas, acho que nós dois precisamos respirar um pouco de ar fresco.

— Em Los Angeles?

— Você passou muito tempo com a Jane hoje e está um chato — resmunguei, mas sabia que ele estava brincando. — Vamos? Acha que sua mãe e Rose podem ficar de olho na Holly? Elas estavam assistindo a um filme.

— Acho que podem sim, quer tentar fazer sua filha dormir e eu falo com elas?

— Agora que ela está te enrolando pra dormir é minha filha? — foi minha vez de brincar.

— Ela está sendo uma teimosa como a mãe dela. — Eu estiquei minhas mãos e ele colocou Holly em meu colo, ela não quis mamar de novo o que foi ótimo, ou iríamos demorar mais para sair. — Vou falar com Rose e minha mãe. — Deixou o quarto e quando voltou Holly estava começando a fechar os olhos.

Foi preciso de mais alguns minutos, mas quando ela dormiu a coloquei no berço, deixaríamos o bebê ali em nosso quarto mesmo, com a babá eletrônica e acesso liberado para Rose e Esme, que toparam na hora ficarem com ela.

— Por favor, avisem se qualquer coisinha acontecer — implorei para as duas antes de sairmos. — Não vamos demorar, provavelmente estaremos aqui antes dela acordar querendo mamar, mas se ela acordar antes do que estou prevendo vocês me avisam no mesmo instante que voltamos correndo.

— Pode deixar, ela vai ficar bem, mamãe está aqui para controlar a situação — Rose disse, mas era quem estava na posse da babá eletrônica. — Bella, divirta-se!

— Ok, ok, vou tentar! — Segurei na mão de Edward e descemos.

Não quisemos sair com seguranças, nem o motorista, acreditamos que não seria preciso já que não pretendíamos sair do carro e seria rápido. Eu insisti em dirigir, já estava liberada para isso — assim como estava para exercícios físicos e sexo — e sentia falta de estar atrás do volante. Abaixamos as janelas, ligamos o som em um volume bom — só que não tão alto —, e deixamos o condomínio.

Não era a primeira vez que eu saia de casa sem Holly, mas era a primeira vez que eu a deixava lá sem Edward junto e isso me deixava apreensiva. Porém, minha sogra tinha criado dois filhos e Rose poderia ajudar a mãe, além do mais, nossos seguranças estavam lá para qualquer emergência, eu ainda estava nervosa, mas fiquei me convencendo de que estava tudo bem e poderia sair sem surtar por uma hora.

Edward estava cantando junto com a música tocando, ele tinha escolhido uma playlist dos anos 80. Eu fiquei dividida entre prestar atenção na música e pensar muito em outras coisas, a morte de Richard, o casamento de Renée e a agressão sofrida por Jacob.

— Vamos parar em uma conveniência para pegar alguma coisa para comer? — Edward sugeriu.

Aceitei e fiquei atenta para a próxima loja de conveniência em nosso caminho, quando vi uma dirigi até lá. Deixamos o carro juntos, Edward colocou um boné que tinha em seu carro e mesmo que fosse de noite eu coloquei óculos escuros, era uma forma de tentar disfarçar quem éramos para não sermos reconhecidos, antes de entrar na loja eu ainda suspendi o capuz do meu moletom.

Edward pegou algumas batatas e doces para comer, eu não estava com fome e escolhi apenas um suco.

— Você trouxe o seu cartão para pagar? — Edward perguntou quando terminamos de pegar tudo, o encarei em choque.

— Você que quis parar para comprar qualquer coisa, não tenho cartão, nem dinheiro aqui, só vim com minha carteira de motorista e celular.

Ele riu, se inclinou e beijou minha bochecha.

— Tô tirando onda com sua cara, Capitã.

— Ai, idiota — reclamei. — Realmente, você passou muito tempo com a Jane, vou podar a amizade dos dois.

— Ela é uma péssima influência. Vamos pagar?

— Com vamos significa você, tô aqui só pra me beneficiar do fato de ser esposa de um rico.

Edward riu e indicou com a cabeça o caixa da loja, andamos até lá e o funcionário do lugar — que deveria ter por voltar de vinte anos —, perguntou para meu marido:

— Você é Ed Cullen, não é? Tira uma foto comigo? Acabei de postar no meu Twitter que te vi aqui, só vão acreditar com uma foto.

Eu revirei os olhos e a expressão de Ed mudou de relaxada para tensa.

— Foi mal, sem fotos agora — ele negou e entregou o dinheiro referente às compras. — Pode ficar com o troco. — O atendente parecia que iria chorar com a negativa, mas ficou quieto.

Tirei uma garrafa de suco da sacola e abri para beber logo, já que estava com sede. Nós estávamos quase saindo do lugar quando Edward avisou:

— Tem um paparazzi lá fora.

Olhei para fora e comprovei o que ele disse, um único paparazzi estava atrás do seu próprio carro tirando fotos. Não achava que ele tivesse visto o tweet do atendente e já nos encontrado ali, provavelmente estava nos seguindo antes e não percebemos.

— Eu dirijo. — Edward esticou a mão querendo suas chaves, não contestei e lhe entreguei o chaveiro.

Deixamos a loja e o paparazzi gritou chamando nossa atenção, perguntando sobre Holly, ignoramos e entramos no carro. Decidimos voltar para casa de uma vez, ainda que não tivesse passado nem meia hora desde que saímos, entretanto não tinha condições de ficarmos dirigindo por aí com um cara nos seguindo.

— Outro dia a gente respira ar puro de Los Angeles por mais tempo — Edward prometeu.

Assenti e coloquei música para tocar, meu marido afagou meu rosto e isso me fez sorrir. Nossos planos não tinham dado certo, mas ainda tinha sido bom ter um momento só com Edward.

***

Meu pai foi nos visitar no dia seguinte, indo direto do aeroporto, dizia estar morrendo de saudades de sua neta. Logo estava com ela no colo, e uma acordada Holly até deu sorrisinhos para ele.

— Quem é seu avô favorito? — perguntava para ela. — Claro que sou eu, não é? Aquele inglês não é páreo para mim.

Olhei para Edward, que estava na brinquedoteca de Holly conosco, meu marido não estava abalado com aquele assunto, até sorriu. Entretanto, não deixou de alfinetar papai.

— Talvez ela só esteja achando que você é personagem de desenho animado com esse bigode. Espera, como a Carmen te chamou uma vez mesmo? Ligeirinho?

— Cullen, suma! — papai ordenou, meu marido apenas riu. Charlie olhou para mim e falou — Comprei um pônei para Holly.

— Sério? — indaguei animada. — Como ele é?

— De pelagem preta, como o seu primeiro era também, você pode escolher o nome.

— David!

— Nem fodendo! — Edward exclamou. — Se tivermos um menino esse será o nome dele.

— Nem fodendo — falei de volta.

— Ei, parem de xingar na frente da Holly — papai chamou nossa atenção, se abaixando com ela e a colocando no tapetinho propício para a idade dela, ela estava gostando mais de ficar ali.

— Não aceito que seja David — Edward teimou.

— Ok, ok, vou pensar em outro nome.

Ficamos ali mais um tempo, meu pai estava amando passar aqueles preciosos minutos com Holly. Enquanto ele contava como iriam se divertir juntos na fazenda, fiquei pensando no tanto que já tinha me divertido lá com ele e no quanto podia confiar no meu pai, sendo assim decidi contar de uma vez para ele o que tanto queria.

— Papai? — Charlie me olhou. — Preciso te contar algo. — Eu também tinha sentado no chão junto dele e Holly, Edward ainda estava na brinquedoteca, com um piano de brinquedo em mãos.

— Pode dizer, Bells.

— Eu sou bissexual — falei de uma vez, com medo de enrolar e acabar amarelando. Edward parou de tocar na hora, estava atrás de mim, mas senti seu olhar em minhas costas.

Meu pai arregalou os olhos, também empalideceu um pouco. A sala ficou em silêncio profundo, até Holly choramingar pedindo atenção, eu a peguei em meu colo e ela parou na hora.

— Pai, diz algo — implorei nervosa com ele ainda congelado.

— Não estava esperando por isso — murmurou. — Isso significa que assim como o Jasper você gosta de homens e mulheres, estou certo?

— Isso, isso mesmo.

Ele assentiu e respirou fundo antes de fazer a próxima pergunta:

— O casamento de vocês é aberto como o de Jasper e Alice? Quero estar preparado caso apareçam com outras pessoas, não ser pego de surpresa como foi com eles.

— Não, nada de casamento aberto — declarei. — Ed e eu não nos relacionamos com outras pessoas.

— Mas ainda tem chances de você se apaixonar por alguma mulher e largar o chato do seu marido? — indagou menos pálido e bem menos em choque, Edward bufou e eu ri.

Estava mais tranquila, ele não ter surtado de fato me deixava assim.

— Não vou largar o Edward pai, desiste.

— Uma pena. Obrigado por ter me contado, Bells. — Ele sorriu para mim e se moveu para me dar um abraço. — Está tudo bem, ok? Não tenho porque ter problema algum com isso, estou feliz que confiou em mim para falar, pode confiar para contar qualquer coisa.

— Estou feliz em ter contado, queria ter dito há muito tempo. — Beijei o rosto dele, comecei a chorar um pouco, mas eram lágrimas de alívio por ter enfim compartilhado aquilo.

— Só fico preocupado — meu pai falou quando desfizemos o abraço. — Vi o que aconteceu com aquele Jacob, foi um crime terrível, você vai contar publicamente, Bells?

— Não está nos meus planos. — Ele respirou fundo e afagou meus cabelos, depois a cabeça de Holly.

— Fico muito, muito preocupado que algo aconteça com você por conta da sua sexualidade… É sexualidade, né? Tô falando certo? Não sou o mais entendido sobre o assunto.

— Tá sim, pai.

Ele olhou para Edward atrás de mim e questionou:

— Por que você está chorando, Cullen?

Na hora virei para olhar meu marido, que estava mesmo com algumas lágrimas deslizando por seu rosto, ele as limpou na hora. Eu passei Holly para meu pai e fui até Edward, toquei em seus cabelos e perguntei:

— Amor, o que foi?

— Nada — sussurrou. — Só lembrei de quando contei para meu pai e como ele reagiu mal, mas estou feliz que as coisas estão mais fáceis agora, para todos nós. — Puxou uma de minhas mãos do seu cabelo e a beijou.

— Tudo bem, Cullen? — meu pai perguntou para ele, não parecia ter ouvido o que Edward disse, ficando de pé.

— Sim, tudo — Edward respondeu. — Charlie, eu também sou bissexual — contou, meu pai não ficou mais em choque. — Não que eu precisasse te contar isso, mas já que sou seu genro favorito acho que você deveria saber.

— Você não é meu genro favorito, o Alec é — meu pai afirmou em um tom divertido, Edward riu e eu sorri me apoiando nele.

— Eu te dei sua primeira neta, mereço o posto de genro favorito! — meu marido teimou.

— Não é assim que funciona. — Papai se aproximou, com Holly em seus braços. — Você também pode confiar em mim para contar qualquer coisa, Cabeludo Britânico.

— Obrigado, Caipira.

Papai resmungou.

— Tomara que a Bella se apaixone por outra pessoa e te largue, acho que ia preferir uma nora.

— Charlie, você me adora — Edward afirmou.

— Em seus sonhos, Cullen. Nunca serei capaz de adorar alguém que não sabe nem pentear os cabelos.

— Por que se importa tanto com cabelos se você só vive de chapéu? Admite que tá ficando careca, Charlie!

— Ok, hora de te tirar do meio dessa discussão sem fim — falei para minha filha.

Peguei Holly dos braços do avô dela e voltei com ela para o tapetinho, deixando os dois discutindo. Porém, nem demorou muito, eles acabaram declinando para uma conversa sobre a turnê do meu pai e isso os uniu em um papo tranquilo sem provocações.

Eu estava muito feliz por meu pai ter nos aceitado, isso significava muito para mim. Outro dia eu tomaria coragem e contaria sobre Paul ter me forçado a admitir a culpa pelo vídeo do Escândalo Swan, mas não naquela segunda, naquele dia queria apenas relaxar com minha família.

***

Mais tarde, quando meu pai já tinha ido, Edward foi tocar um pouco na sala de música e levou Holly consigo. Eu recebi algumas mensagens de Rosalie, ela tinha terminado de ler o que lhe mandei do meu roteiro e estava com algumas ideias em mente, com isso topou escrever comigo, ainda que estivesse tensa em participar de um projeto com seu próprio nome.

Liguei para ela, abri meu notebook e ficamos um tempo conversando sobre o roteiro e como poderíamos escrever em conjunto sem tudo se tornar uma bagunça, acabamos decidindo por começarmos a escrever juntas depois do lançamento do livro dela. Quando terminamos a conversa parei no Twitter, vendo as fotos que o paparazzi da noite passada tinha tirado de Edward e eu, o Gossip Hollywood tinha compartilhado algumas com a legenda.

“Ed e Isabella Cullen deixaram Holly em casa e foram dar uma volta essa madrugada.”

Não perdi tempo lendo os comentários daquilo, apenas desci a linha do tempo e vi o post de Ed sobre o caso de Jacob, ele tinha feito a publicação aquela manhã, compartilhando em todas suas redes sociais. Também tinha pedido que Irina entrasse em contato com a equipe de Jacob se disponibilizando a ajudar no que fosse possível no caso que ele estava movendo contra os agressores, ainda não tínhamos nenhuma resposta sobre isso, talvez o Black nem fosse responder qualquer coisa.

Li mais uma vez a publicação do meu marido, que ele tinha pedido para que eu visse se estava boa antes de postar.

“Jacob Black e eu nunca fomos amigos, mas é lamentável e desesperador saber o que aconteceu com ele no sábado. Espero que os culpados paguem por isso o quanto antes, que a justiça não deixe um crime de ódio como este passar impune.

Cuidem de si mesmos e de todos ao seu redor, sejam apoio para aqueles que necessitam de um ombro amigo para passar por estes tempos difíceis. Lembrem-se de que está tudo bem não estar dentro da caixinha que a sociedade conservadora espera que estejam.

Ao Jacob, todo meu apoio e solidariedade. Àqueles que passaram por situações parecidas também desejo que sejam fortes e procurem as ONGs listadas abaixo, as pessoas nelas podem lhe ajudar com suporte psicológico e judicial.”

As ongs eram as que ele já fazia doações em Los Angeles e no Brasil, desde o caso da sua fã, mas também coletamos outras espalhadas pelos Estados Unidos e Inglaterra. Irina também estava preparando, com a equipe responsável por Ed da produtora, uma tabela com mais lugares voltados para ajudar a comunidade LGBTQIA+ para divulgar nas redes dele em breve.

Os fãs — não conservadores e não abertamente preconceituosos — e a imprensa tinham gostado do texto de apoio de Ed, mas sabia que a maioria daquelas pessoas iria infernizar a vida do meu marido se ele contasse publicamente que era bissexual. Ainda assim, como tinha dito, se ele quisesse contar eu estaria ao seu lado o apoiando.

Fechei o notebook e fui atrás do meu marido e da nossa filha, eles ainda estavam na sala de música, para onde ele tinha levado a cadeirinha de balanço automática dela e era onde Holly estava acordada, mas quietinha. Edward estava sentado no sofá, com um de seus violões em mãos tocando Night Changes do One Direction.

We’re only getting older, baby. And I’ve been thinking about it lately. Does it ever drive you crazy? Just how fast the night changes¹.

Sentei em um dos últimos degraus da escada, Edward me viu ali, mas continuou com sua apresentação exclusiva para Holly e eu. Estar naquela sala com eles me fez pensar quando contei que estava grávida, mas também me lembrou do dia que decidimos não seguir com o plano do aborto, tinha sentado ali naquele mesmo lugar quando meu marido falou que ficaríamos juntos e juntos teríamos aquele bebê.

Parecia que aquilo tinha acontecido mil anos atrás, não há apenas alguns meses. Tanta coisa tinha acontecido e mudado, inclusive nós dois, contando ainda com um segundo pedido de casamento naquela sala de música.

Quando Edward acabou, eu perguntei:

— Então, o pônei da Holly não pode mesmo se chamar David? — Ele riu e negou com um aceno de cabeça. — Você quer ter mais filhos para brigarmos pelo nome dele ou dela?

— Você quer? Não vou te impor nada, é você quem precisa passar nove meses carregando o bebê por aí e depois tem o parto, ainda tem os hormônios desregulados depois disso. Eu amo Holly e gostaria que ela tivesse um irmão, ou irmã, talvez algo no plural? Mas também viveria perfeitamente tranquilo só com ela, como também vou entender se ainda for cedo demais para tomarmos essa escolha.

Olhei para Holly, sorri e respondi:

— Eu quero, não quero que ela seja filha única. Mas quero que demore mais um bom tempinho até engravidar de novo. — Voltei meu olhar para ele. — Vamos passar alguns anos curtindo ela, tocando nossas carreiras e aí pensamos no próximo.

— E se for um menino irá se chamar David. — Edward levantou, deixando o violão no sofá e caminhou até parar diante de mim para me beijar.

— Não vai, amor.

— Vai sim, ainda tenho alguns anos para te conv... — Holly começou a chorar interrompendo o pai.

— Viu? Ela também não aprova o nome.

Edward resmungou e foi pegá-la.

— Holly, quando você tiver um irmão ele se chamará David é bom ir se acostumando!

***

Edward era gostoso, obviamente já sabia disso tinha muito tempo, mas quando o vi fazendo exercícios na manhã de terça-feira em nosso quintal, meu corpo se lembrou disso de forma que não se lembrava desde boas semanas antes de Holly nascer. Lá estava ele com nosso personal, fazendo um circuito pela grama, da varanda do nosso quarto observava tudo e chegava à conclusão: minha libido estava voltando.

— Caralho, estou exausto — ele reclamou quando entrou em nosso quarto longos minutos depois, tinha tirado sua camisa ficando apenas com sua calça de malhação, os tênis também já tinham sido deixados para trás.

Levantei da nossa cama, para onde tinha ido depois que ele terminou o show de malhação no quintal, fiquei no caminho entre o banheiro e meu marido. Coloquei minhas mãos em seu peito suado e falei:

— Você é muito gostoso, senhor Cullen.

Edward abriu um sorriso imenso.

— Sou, senhora Cullen?

— Muito. — Me aproximei mais e o beijei, porém nada foi adiante já que Holly de seu berço acordou chorando, eu me afastei choramingando. — Continuamos mais tarde.

— Aham, claro. — Ele me beijou de novo antes de me deixar ir até Holly e sussurrou em meu ouvido. — Você também é muito gostosa, putinha.

Foi um longo dia pensando em como queria poder ter ido além com Edward, também foi longo porque Holly teve consulta com a pediatra e depois tomou vacina. Isso nos levou para uma terça nada animada com um bebê manhoso, com dor e tendo sua primeira febre.

Conseguimos passar por isso sem surtar, ainda era doloroso ver Holly mal e exaustivo com ela querendo mais atenção do que nunca, mas demos conta. No final do dia, qualquer ideia de sexo tinha sido esquecida.

— Eu sei, lindinha — Edward conversava com ela que estava em seu colo, chorando e sem querer dormir. — Você teve efeitos colaterais, mas a vacina é necessária. Amanhã estará muito melhor, só precisa dormir agora.

Suspirei, estava tão cansada, queria dormir logo. Holly tinha passado muito tempo mamando aquele dia, o que voltou a machucar meus mamilos.

— Quer que eu leve Holly pro quarto dela, Capitã? Deixo ela dormindo no berço de lá e fico no sofá cama.

— Faz isso pra mim?

— Sim. Vamos deixar sua mãe dormir um pouco, Donut.

Eles saíram, sem o choro de Holly eu dormi em pouco tempo, só voltando a acordar duas horas depois quando ela quis mamar. Ainda estava exausta, mas aquele tempinho dormindo já tinha sido muito bom.

— Ela dormiu? — questionei Ed.

— Não muito. — Ele me entregou a água que pedi. — Toda vez que tentava colocá-la no berço acordava, desisti e fiquei com ela no colo, mas não dormi com medo de deixá-la cair.

— Dorme um pouco, eu fico com ela depois dessa mamada.

— Não é preciso, tô de boa. — Sentou perto da gente. — Pelo menos ela não teve mais febre.

— Ela é tão pequena. — Olhei para meu bebê. — Mamãe sente muito que você tenha tido um dia difícil, meu amorzinho. — Na hora da aplicação da vacina eu tinha chorado bastante com o choro de Holly, queria tirar a dor dela e colocar em mim. — Amanhã será melhor, você vai ver só. — Afaguei o rosto dela e olhei para meu marido. — E se tivermos outra menina, como iremos chamar?

— Quer começar essa discussão agora?

— É, você tem razão, melhor não. Até porque sabemos que ela será Catherine.

— Você é impossível, Isabella.

***

No dia 12, véspera do meu aniversário, Holly já estava 100% novamente e convenci Edward a ir cortar seus cabelos como ele queria, depois treinar boxe na academia especializada que Chris tinha o convidado a visitar.

— E não importa o que seu pai diga, você vai amar Nashville, tenho certeza disso — falei para Holly, estava com ela na brinquedoteca, com minha filha deitadinha em seu tapetinho e eu segurava um cavalo de pelúcia perto dela. — Como quer chamar seu pônei, filha?

Meu celular apitou, uma mensagem de Edward avisando que já estava voltando, que só ia parar para comprar os donuts que pedi. Respondi com vários emojis de coração e voltei a me concentrar em Holly, até que recebi outra mensagem, daquela vez uma de Alice me perguntando se eu queria uma bolsa ou sapatos de presente.

Deixei o cavalinho ao lado de Holly e respondi minha irmã, pedindo ambos, ela me respondeu que tinha um bom trabalho, mas não me daria dois presentes. Eu ri e a chamei de mão de vaca, ela me ignorou, mas me mandou o link de um tweet seu que tinha uma foto de nós duas quando crianças no meu aniversário de 9 anos.

“Amanhã minha irmã mais velha vai ficar ainda mais VELHA... Te amo, Bells!”

Aquilo não me abalou, iria fazer 33 anos e tinha de aceitar isso, só me fez rir mais e xingá-la mentalmente, em público respondi o tweet de forma menos agressiva.

“Ridícula, mas te amo também!”

Aproveitei que já estava no Twitter e fiquei por lá mais um tempo, vi postagens do pessoal que seguia e também fui atrás de saber o que estavam falando sobre meu marido. Como imaginei, ele tinha sido flagrado deixando sua aula de boxe.

“Ed Cullen deixando uma aula de boxe hoje pela manhã. Você gostaria de ser madrasta da Holly?”

— Não se preocupa, amorzinho — falei com Holly, ela estava bem entretida com suas próprias mãos. — Nada de madrastas para você.

Ao menos a foto de Edward era boa, ele estava muito gostoso nela. O fato de estar com barba por fazer ajudava nisso, fora os cabelos recém cortados. Também tinha uma sensação muito boa em meu peito o vendo com a minha garrafinha de água que me acompanhava na academia, roubada porque a dele se perdeu, uma prova material tão pequena que compartilhávamos tudo.

Voltei a perder tempo com o Twitter, mas com a ideia de uma letra de música se formando em minha cabeça. Algo sobre compartilhar momentos e detalhes de uma vida com outro alguém, ainda estava pensando nisso quando vi a notícia de que tinham terminado a autópsia de Richard, confirmando o que àquela altura muitos já sabiam por conta de fofoca da imprensa.

Ele tinha morrido vítima de uma overdose de cocaína, que lhe causou um AVC, em três dias seria enterrado. Respirei fundo algumas vezes me tranquilizando, quando estava bem voltei a dar atenção para meu bebê, deixando minha mente vagar apenas para a letra que ia ganhando mais versos.

Quando Edward chegou, após tomar um banho, ficou com Holly. Eu fui escrever o que pensei para a letra em um caderno na sala de música, ia começar a brincar com a melodia no violão, mas fui requisitada para dar de mamar.

— Certo, primeiro você, filha. — Peguei ela.

— Canção nova? — Edward perguntou passando a mão por sua barba.

— Sim, depois te mostro o que já pensei para a letra.

— Beleza, vou subir e fazer a barba, não fiz onde cortei o cabelo para não perder muito tempo e esqueci quando fui tomar banho ao chegar, vou acabar antes da Holly terminar de mamar.

— Não, não — falei rapidamente.

— Não o que?

— Não tira a barba, você tá muito bem com ela.

— Tô? — Ele se inclinou, falando com o rosto bem próximo ao meu.

Concordei e trocamos um rápido beijo, mas que me fez corar e tomar uma decisão.

— Amanhã — sussurrei. — Quero esse presente de aniversário.

— Você quer dizer...

— Exatamente, sabe muito bem ao que estou me referindo. Já comecei o anticoncepcional, mas quero usar camisinha, não posso nem sonhar em engravidar agora, ainda temos em casa?

— Temos sim. Amanhã? — Sorriu.

— Amanhã!

***

Meu aniversário não começou da melhor forma, não quando tive um pesadelo terrível. No sonho Holly era levada dos meus braços por policiais, não sabia onde Edward estava, mas eu estava sendo presa pela morte de Richard.

Quando despertei levei um tempo para entender que nada daquilo tinha sido real, eu não estava presa, Richard não era mais um problema e minha filha estava comigo. Olhei em seu berço do meu lado da cama, mas não a vi lá, Edward também não estava no quarto e aquilo voltou a me desesperar.

E se tivesse acontecido algo? Não envolvendo policiais, mas qualquer outra coisa?

Deixei o quarto e corri até o de Holly, no momento que abri a porta vi ela lá dentro nos braços do pai que terminava de vesti-la.

— Não! — Edward reclamou quando me viu. — Você deveria estar dormindo, Isabella.

— Deveria? — Coloquei a mão sobre o coração, ainda batia depressa por conta do nervoso que passei.

— Sim, Holly e eu iríamos te levar café da manhã na cama.

— Por quê? — Foi só ali que lembrei, era meu aniversário, o pesadelo tinha bagunçado minha mente. — Ah, já sei porque.

— Pois é. — Ele se aproximou e eu pude ver que Holly estava usando uma roupinha que dizia Feliz Aniversário, Mamãe!

— Amorzinho! — Voltei minha atenção para ela, pegando meu bebê no colo. — É meu primeiro aniversário com você, isso é tão legal. — Beijei o rosto dela, Holly sorriu. — Desculpe ter estragado seus planos com o papai, acordei e não te vi, fiquei preocupada. — Mais um beijo.

— Tudo bem? — Edward perguntou.

— Tive um pesadelo, tudo bem agora. — Sorri para ele. — Você comprou essa roupinha pra ela?

— Claro. — Ele beijou meus lábios demoradamente e quando se afastou falou. — Feliz aniversário, Capitã.

— Obrigada, amor.

— E os planos não foram estragados. Holly, leva sua mãe para o quarto que vou buscar o café da manhã dela.

Ri suavemente, mas deixei os planos seguirem. Fui com Holly para nossa suíte, lá ela quis mamar e fiquei na cama mesmo, logo Edward apareceu com uma bandeja cheia de comida para o café.

Ele me ajudou a comer, já que Holly também estava tomando seu café da manhã, falando sobre o jantar daquela noite. Me perguntou se queria que ele, ou Sean cozinhassem, mas também me deu a opção de pedirmos comida japonesa e não resisti a essa sugestão.

— Amo sua comida, mas quero muito comer um sushi.

— Tudo bem. — Me deu mais um morango na boca. — Vou aprender a fazer sushi para o ano que vem — prometeu.

— Amo você — declarei. — Obrigada por estar comigo em mais um aniversário.

Edward beijou meu rosto delicadamente e disse:

— Seu aniversário é o segundo dia mais importante do ano pra mim, só perde para o da Holly. Deveriam instaurar um feriado mundial no dia 13 de Setembro em sua homenagem. — Aquilo me fez rir. — Parabéns, amor. Espero que seu novo ano seja ainda melhor.

— Tenho certeza de que será.

— E agora Holly vai te dar o presente.

— Edward, não!

— Sem reclamações. — Saiu da cama e foi até nosso closet, voltou de lá com uma caixinha pequena. — Feliz aniversário, mamãe! — falou em uma tentativa de imitar voz de criança, mas ficou parecendo mais o Mickey britânico.

Abri a caixinha com a mão livre e vi lá dentro uma chave.

— Preciso de explicações — pedi.

— Sei que você ama ir para Nashville e ficar na fazenda do seu pai, mas caso queira, agora pode ficar em um apartamento no centro da cidade. — Sorri na hora ao escutar aquilo. — Só que a Holly não conseguiu escolher o apartamento, sendo assim essa é apenas uma chave de representação e você pode escolher por conta própria o apartamento que quiser. O que acha?

— Podemos passar um tempinho em Nashville curtindo o apartamento escolhido?

— Holly e eu faremos esse esforço por você.

— Obrigada pelo presente, filha — falei com ela. — Edward, pega meu celular, vou começar a procurar o apartamento agora mesmo!

— Pra quem não queria presentes está bem animada — provocou, levantando para pegar o celular.

— Me deixa!

— Escolhe um com bom isolamento acústico para eu blindar o som de country daquela cidade.

— Deixa de ser chato, Ed.

Ele gargalhou e me beijou.

***

Edward organizou o jantar, contando com 15 convidados entre amigos mais próximos e família. Estavam lá minhas irmãs, meu pai, Carmen, Jasper, Alec com Sam, Aro e Jane, Tanya, seu marido e sua filha, Rose e Emmett também, além da minha sogra.

Edward decidiu montar o jantar em uma das salas de estar da nossa casa, não na sala de jantar. Assim teríamos um clima mais descontraído. Ele espalhou as comidas por mesas de centro e contornou os móveis com almofadas para sentarmos, mas também tínhamos sofás ali e eu estava em um amamentando Holly, mas já tinha comido uma boa quantia.

— Tia Bella — Tina se aproximou. — A Holly não pode comer sushi?

— Não, Tina — respondi. — Ela ainda é muito pequena. — Valentina suspirou e foi até sua mãe ali perto contar que Holly não poderia comer sushi e que isso era triste.

Meu celular tocou e o peguei para atender, era uma ligação de Carlisle.

— Alô — atendi.

— Isabella, olá — falou. — Me desculpe ligar só agora, passei o dia preso no hospital, mas não poderia deixar de te desejar um feliz aniversário.

— Obrigada, Carlisle — agradeci sinceramente. — Tudo bem em Bath?

— Tudo bem, espero que vocês possam vir em breve com Holly para ela conhecer a cidade.

— Acredito que no próximo ano.

— Emma e eu estaremos esperando por vocês. Ela também pediu para te dar parabéns.

— Agradeça a ela por mim.

— Como Holly e Edward estão?

— Ótimos, ela está crescendo rápido, você precisa vir vê-la em breve.

— Tentarei ir para Los Angeles em outubro, perto do lançamento da Rose.

— Perfeito. Obrigada por ligar, Carlisle — agradeci sem querer esticar mais a conversa.

— Mais uma vez, feliz aniversário. Até mais!

— Tchau, tchau! — me despedi e encerrei a ligação.

Ainda com o celular em mãos, entrei no Instagram para postar nos stories uma foto que tinha tirado com Ed e Holly aquele dia. Coloquei um coração sobre o rosto dela como fazíamos e escrevi na foto: Comemorando meu dia especial com as pessoas que mais amo no mundo.

Edward já tinha feito uma publicação me parabenizando, usando uma foto que tirou de mim quando viajamos para a África do Sul. Na legenda escreveu:

“Vocês não fazem ideia de quanto amo essa mulher e de quanto estou feliz por estar ao lado dela nesse dia importante. Capitã, eu te amo muito, mais a cada segundo. Comemorar esta data com você é um sonho, espero que possamos comemorar muitos outros dias 13 de Setembro juntos. Holly também te deseja parabéns, ela pediu para eu te dizer isso e também te dar aquele presente. Obrigado por ter nascido, linda!”

Eu já tinha respondido e curtido a publicação, mas aproveitei para curtir respostas de algumas fãs que estavam me parabenizando nos comentários. Depois, entrei no Twitter para curtir mais mensagens de parabéns e foi naquela rede social que vi a notícia sobre a enteada de Renée.

“Violet Clarke anuncia que irá lançar álbum gospel ainda esse ano.”

Não aguentei e abri a matéria para ler.

“Violet Clarke, filha do popular pastor Adam Clarke, anunciou hoje em suas redes sociais que irá lançar ainda esse ano seu primeiro álbum. As músicas serão todas gospel, mas segundo a adolescente com uma pegada jovem para que as mensagens de amor, Deus e igreja que deseja espalhar alcancem mais pessoas.

Renée Swan, que irá se casar com o pai de Violet no final deste mês, está assumindo o posto de empresária da enteada. Já vimos esse filme antes? Será Violet a nova Isabella? Só que sem a carreira de atriz, apenas como cantora? Vamos esperar para ver.”

Fechei a matéria, olhei ao redor e vi que Alice estava do outro lado da sala me observando atentamente, sorri para ela o que pareceu acalmar minha irmã. Naquele instante quis postar outra foto, uma que Alice tinha me enviado dias atrás, nela eu era uma jovem Isabella Swan no auge de seus 13 anos.

Na legenda escrevi:

“Hoje estou completando 33 anos, esta na foto era eu aos 13. Minha vida mudou muito, de mil formas, nesses 20 anos. Perdi e ganhei pessoas, ganhei a mais importante do mundo para mim que é minha filha. Estou feliz de uma forma que nunca estive antes. Obrigada a todos que tiraram um minuto do seu dia para me parabenizar.”

Aquela menina de 13 anos era totalmente comandada por Renée, como eu achava que Violet também seria. Entretanto, não poderia fazer nada para livrar aquela garota das garras da minha mãe, eu já tinha falado o suficiente de Renée para o público, não poderia abordar Violet e dizer que a madrasta dela iria destruir sua vida, talvez ela soubesse, entretanto não tinha como fugir, talvez seu pai estivesse totalmente do lado de Renée em transformar sua filha adolescente em um produto.

Só poderia desejar, internamente, que dali 20 anos Violet estivesse bem como eu finalmente estava.

***

Edward, estrategicamente, convidou Esme para dormir em nossa casa na noite do meu aniversário. Nós também trocamos o horário de Renata daquele dia, fazendo com que ela ficasse conosco no turno noturno.

Sendo assim, as duas poderiam cuidar de Holly para que tivéssemos um momento livre para eu ganhar o presente de aniversário que mais queria no momento.

— Eu te amo, mas preciso que você vá embora — murmurei para Alice que estava me contando sobre seu programa, estava ficando tarde e queria ir logo aproveitar o resto do meu aniversário somente com meu marido.

— Credo, que estúpida — Alice resmungou.

Ela, Jasper e Aro eram os últimos convidados na mansão, mas o namorado da minha sogra já estava se despedindo para ir embora. Jane tinha ido mais cedo com Alec, Sam e Ness.

— Alice, eu preciso ir transar — continuei murmurando, ela arregalou os olhos.

— Coitadinha, faz quanto tempo que você não faz sexo, irmã?

— Muito, sendo assim você vai pegar seu marido e cair fora da minha casa para que eu possa transar, ok?

— Certo, ok. — Ela se levantou do sofá que estávamos na hora. — Aproveite sua primeira vez, virgem. — Bateu um dedo no meu nariz, bufei com aquilo, mas ela não me provocou mais.

Ela foi falar com Jasper, que estava conversando com Esme enquanto Edward se despedia de Aro, sussurrou algo no ouvido do marido que sorriu e assentiu. Os dois começaram a se despedir da minha sogra, depois foram dar tchau para o pai da minha filha também e por último Jasper veio até mim, me abraçou e falou:

— Bom sexo!

— Suma — falei entre dentes, ele riu alto e me soltou.

Esme levou Jasper, Alice e Aro até a saída, eu já tinha me despedido do diretor. Isso fez Edward andar em minha direção com um sorriso imenso em seus lábios, segurou meu rosto entre suas mãos grandes e falou:

— Holly já está lá em cima, alimentada e dormindo, com a babá. E eu falei para minha mãe que após todos os convidados irem embora iriamos trabalhar em uma canção lá na sala de música, ela irá supervisionar Renata com a Donut e só chamar a gente se for algo importante. Sendo assim, hora de eu te dar um presente, senhora Cullen.

— Se eu fosse uma pessoa religiosa esse era o momento que diria Graças a Deus.

Nós rimos juntos, ele me fez ficar de pé e segurando minha mão me guiou até a sala de música. Lá, fui pega de surpresa por algo, Edward tinha afastado o sofá da posição que comumente ficava e colocado um colchão de casal, além disso, algumas lanternas imitando velas estavam espalhadas pelo lugar, também tinha um balde de gelo com uma garrafa de champanhe que eu sabia bem ser sem álcool e para completar meu marido tirou seu celular do bolso de sua calça, mexeu nele e música começou a tocar no sistema do som da sala, a canção escolhida foi Earned It do The Weeknd.

— Por que o colchão? Aliás, quando ele veio parar aqui?

— Escolhi a sala de música porque é um lugar especial pra gente, mas não queria te fazer foder no chão, no sofá, ou sobre o piano, apesar de saber como ama isso, putinha — falou terminando de descer a escada e me fazendo descer também. — Para preservar suas costas. — Porra, ele bem sabia como elas doíam muitas vezes por conta do longo tempo amamentando. — Então, hoje mais cedo quando você ainda estava no nosso quarto, eu fiz os seguranças descerem o colchão de um dos quartos de hospedes para ser mais confortável. — Aproximou sua boca do meu ouvido e sussurrou. — Só não fique muito mimada, em breve irei te colocar de quatro nesse chão e te fazer pagar por todo esse trabalho que tive te batendo com um cinto.

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Puta merda, aquilo me fez arrepiar, ficando ainda melhor quando ele soltou minha mão e colocou a sua por baixo do vestido que eu usava. Percorreu minha pele ansiosa com seus dedos quentes, até chegar à minha calcinha. Entretanto, também estava receosa.

— Não sei se vai ser bom — murmurei, ele olhou para mim, as pupilas estavam dilatadas.

— Do que está falando, putinha?

— Não sei se hoje vai ser bom, ainda sinto meu corpo diferente, eu estou diferente.

— Me avise caso você queira parar, independente do momento que seja, tá? — perguntou, concordei com um aceno de cabeça, sua mão tinha se afastado da minha calcinha. — Só faremos o que você quiser, pode ficar no comando hoje.

— Prefiro quando você fica no comando. — Ele sorriu e beijou meus lábios demoradamente. — Quero que fique, mas ok, vamos com calma. Podemos começar com aquele champanhe horroroso?

Edward assentiu, segurou em minha cintura e andamos até o colchão. Sentamos ali e ele pegou o champanhe do balde, eu as taças que estavam perto e comentei sobre as lanternas:

— Não tínhamos velas de verdade?

— Não seja debochada, putinha! — ordenou, pegando um pedaço de gelo do balde e colocando sobre minha coxa exposta graças ao vestido que subiu um pouco quando sentei. Tremi com o frio, mas não ousei pedir que ele parasse, era bom.

Edward continuou com aquilo, levando o gelo até a outra coxa, até que parou e devolveu o cubo para o balde. Abriu a garrafa de champanhe e nos serviu, depois a deixou de lado e pegou sua taça.

— Um brinde — ele começou. — Em comemoração ao aniversário da mulher mais gostosa que já pisou na Terra.

Sorri e respondi:

— Aposto que tem alguma alienígena por aí que deve ser mais gostosa do que eu.

— Bom, concordo — debochou de volta. — Mas, enquanto ela não cruza meu caminho, aceito foder você, putinha.

— Idiota — falei, mas estava sorrindo. — Também é aniversário da mulher mais velha que já deitou na sua cama.

Ele segurou em minha nuca, me puxando em sua direção. Me beijou de novo e mordeu meu lábio inferior.

— Não ligo nenhum pouco se você tem 33 anos, Isabella, é gostosa pra caralho e sempre será gostosa para mim, putinha. — Mais uma mordida em meu lábio. — E vou te provar isso quando te fizer gozar em minha boca logo mais.

— Quero muito ver você provar isso, mas estou bem com os 33 anos, melhor do que estive com os 32 — comentei e ergui minha taça. — Brinde?

— Um brinde ao amor da minha vida. — Ergueu sua taça e bateu na minha.

Bebi só um gole do champanhe, Ed também não bebeu muito e recolheu nossas taças. Depois de deixá-las no chão, ele tirou seus sapatos e em seguida os meus.

Nos movemos no colchão, sentando no meio deste. Meus cabelos estavam soltos, Edward os segurou, os puxando para longe do lado direito do meu pescoço e beijou ali, sem pressa, me fazendo suspirar.

Também voltou a percorrer uma mão por dentro do meu vestido, fazendo com que eu gemesse alto entre seus toques e beijos. Edward afastou minha calcinha um pouco e perguntou:

— Sentiu minha falta?

— Pra caralho, senhor Cullen.

— Como imaginei.

Tirou suas mãos e boca de mim, não me deu muito tempo para protestar, já que começou a tirar meu vestido, o jogando em direção ao sofá. Também não demorou para arrancar minha calcinha, mas eu o impedi de tirar meu sutiã de amamentação.

— Não, quero ficar com ele. Meus peitos são zona proibida por um tempo — estabeleci aquele limite, não me sentiria confortável com eles envolvidos no sexo, não com a amamentação em uma fase tão inicial e com a alta sensibilidade que estava sentindo naquela região.

— Certo. — Beijou minha garganta e em seguida mandou. — Se deita de bruços, putinha.

Obedeci prontamente, em seguida senti Edward ficar sobre mim, suas pernas ladeando meu corpo, mas sem apoiar seu peso em mim. Suas mãos encontraram minhas costas e ele começou a me massagear, eu amei aquilo e senti um pouco de sono, mas antes que pudesse acabar dormindo, meu marido se moveu um pouco e em seguida uma pedra de gelo foi colocada no meio da minha coluna.

— Porra — guinchei, ele riu e continuou percorrendo o cubo por minhas costas, isso fazia com que eu me arrepiasse e desejasse ainda mais o corpo quente dele sobre o meu.

Edward desceu a pedra até meu cóccix, parando com ela quando chegou ali e a descartando. Depois, sua boca refez o caminho do cubo de gelo, o quente substituindo o frio, mas seus lábios desceram ainda mais, ele abriu minhas pernas e por trás chupou minha boceta.

Gemi o nome dele e agarrei com força o lençol cobrindo o colchão, colocando uma mão para trás busquei a cabeça de Edward e puxei um pouco dos cabelos dele, mas ele afastou minha mão com uma tapa e me repreendeu.

— Não, putinha, você está proibida disso.

Choraminguei, mas aceitei. Ele saiu de cima de mim, pensei que iria me punir mais, entretanto foi apenas para mudar minha posição, fazendo com que eu ficasse com as costas no colchão, meu marido ficou entre minhas pernas, sua boca voltando à minha boceta.

A língua dele me invadiu, um de seus dedos encontrou meu clitóris. Eu me contorci embaixo do seu corpo, sentindo todas as sensações que aquele homem causava em mim.

Não precisou de muito para me fazer gozar, fazia muito tempo que eu não tinha um orgasmo e a boca dele logo me deu o que tanto precisava. Gemi e me contorci, Edward seguiu me chupando, prolongando as sensações maravilhosas percorrendo meu ser.

Por fim, sua boca subiu por meu corpo, minha barriga, minhas costelas, meus braços, o ponto logo acima dos meus seios, minha garganta e seus olhos se encontraram com os meus antes de nossas bocas se unirem. Agarrou meus cabelos com força, colocando uma perna entre as minhas para que sua coxa ainda coberta pela calça roçasse em minha boceta ainda sensível.

— Caralho — murmurei, meu corpo estava suado e mole por conta do orgasmo, mas ainda queria que ele fodesse tudo de mim. — Me come de quatro no chão como você falou — implorei, ele riu, sua boca tinha ido beijar perto da minha orelha.

— Mas suas costas...

— Não importa, eu marco uma massagem amanhã. Uma pena que você está sem cinto. — Saí debaixo dele e fui para o chão, afastando as taças, o balde e as lanternas. Fiquei de quatro e olhei para meu marido, ele já estava tirando sua camisa. — Me fode, senhor Cullen.

— Com maior prazer, putinha. — Terminou de tirar suas roupas, praticamente arrancando do corpo a calça e cueca.

Logo estava atrás de mim, uma mão em minha boceta que ainda não tinha se recuperado do primeiro orgasmo. Isso me fez gemer, também soltei um gritinho de surpresa quando ele me deu um tapa na bunda.

— É bom você ir se preparando, em breve quero foder seu rabo também.

— Hoje! — implorei, ele me acertou outro tapa.

— Hoje não, provavelmente não teremos tempo para isso.

Resmunguei, mas aceitei. Edward continuou me tocando, até que parou e se afastou, olhei e vi que ele estava pegando uma camisinha do bolso de sua calça, voltou para perto de mim, colocou o preservativo e me deu mais um tapa forte. Era bom não estar mais grávida e ele poder usar mais força, eu gostava pra caralho disso.

Então, ele me penetrou. De uma única vez, meu corpo foi um pouco para frente, mas ele me segurou pelos cabelos, me puxando para si. Com a outra mão tocou em meu clitóris, eu xinguei baixinho, estava trêmula e de olhos fechados, deixando com que ele assumisse todo o controle, já que mal conseguia fazer qualquer outra coisa além de rebolar e gemer.

— Não faz ideia de quanto senti falta de te foder, putinha.

Balancei a cabeça em resposta, ele puxou mais meus cabelos, se inclinou e beijou minha nuca, o movimento fazendo ele ir ainda mais fundo em mim. Meus braços mal se aguentaram, mas recuperei um pouco da força para me manter e não acabar caindo.

Entretanto, não aguentei muito. Acabei deitada de bruços no chão, com um braço do meu marido embaixo de mim com sua mão em meu clitóris e ele me fodendo por trás, montado no meu corpo, me comendo, puxando meus cabelos, beijando e lambendo minha nuca, sussurrando frases de pura luxúria em minha orelha.

Foi impossível não lembrar da nossa primeira vez, naquela mesma sala, naquele mesmo chão. Eu sorri com as memórias, mas logo o sorriso foi interrompido por meus lábios se apertando de tanto prazer.

Era tão bom ter Edward dentro de mim, se movendo como sabia ser maravilhoso para ambos.

— Amo você — murmurei.

Ele mordeu minha orelha antes de responder:

— Te amo, Isabella.

— Putinha — o corrigi, ele soltou meus cabelos e ergueu meu rosto.

— Não me corrija, vai ter consequências por isso!

— O que vai fazer comigo? — Ergui mais meu quadril para ir de encontro ao seu, meu corpo tremendo ainda mais.

— Vou gozar nessa sua boca atrevida.

Não era uma punição, não para mim, não mesmo.

— Acho que irei te corrigir mais.

Ele riu e soltou meu rosto, segurou em minha nuca, mas sem força e ficamos em silêncio parcial. Este era quebrado apenas por gemidos e exclamações de prazer, até que chegamos ao ápice, eu primeiro, quis segurar no chão tamanha intensidade do orgasmo e nisso acabei quebrando uma unha que foi de encontro ao piso sem ter onde agarrar.

— Porra! — gritei, pouco me importando com a unha, estava gritando de felicidade e tesão.

— Você tá me apertando tanto — Edward falou em meu ouvido, tirando sua mão do meu clitóris, a apoiando em minha barriga ainda avantajada, mas que pouco me importou no momento.

Foda-se qualquer coisa, meu corpo tinha mudado muito, mas eu ainda me sentia gostosa e ainda me sentia muito bem fazendo sexo.

— Sua boceta com certeza sentiu minha falta.

— Você não faz ideia.

Edward mordeu minha orelha, gemendo nela conforme seu orgasmo se aproximava. A mão em minha nuca apertou mais um pouco quando ele gozou, eu não reclamei, pelo contrário. O corpo dele desabou sobre o meu, sentia seu coração bater rápido e sua pele suada, também pude sentir o frio de seus piercings no mamilo, contrastando com o calor emanando de nós dois.

— Feliz aniversário — ele desejou por fim, ainda por cima de mim.

Eu ri, tinha sido mesmo um feliz aniversário.

Edward se moveu um pouco, eu protestei ainda querendo ele onde estava, mas me lembrou da camisinha e depois de descartá-la voltou a ficar sobre mim. Amei isso, seu peso me pressionando contra o chão, seus batimentos que ainda conseguia sentir em minhas costas e seu rosto mergulhando em meus cabelos.

Movi uma mão e mexi em seus cabelos, toquei em sua barba e ele beijou meus dedos.

— Quer tomar um banho? — ele perguntou.

— Ainda não. Quero continuar aqui sentindo você em mim.

Beijou meus dedos de novo, afastou minha mão e se moveu para beijar meu rosto.

— O que você vai me dar de presente no meu aniversário?

A pergunta dele me fez gargalhar.

— O meu ainda nem acabou, não vou pensar no seu agora.

— Tá, que seja, não tenho culpa se amo meus aniversários.

— Mimado.

— Seu marido mimado. — Mais um beijo. — Acha que aguenta mais?

— O que você está pensando?

— Te chupar de novo.

Começou a se mover, descendo sua boca por meu corpo.

— Sim, eu aguento!

***

Depois do sexo, nós tomamos um banho no banheiro da sala de música. Edward também tinha pensado nisso e mais cedo levou roupas nossas para lá, quando subimos Holly estava acabando de acordar.

Deixamos Esme ir dormir, minha sogra tinha dado um intervalo para Renata, e levamos nossa filha para nosso quarto. Holly queria mamar e mesmo que minhas costas estivessem acabadas, eu sentei com ela na cama. Edward deitou ao nosso lado, ele estava fofocando sobre Kate e Cameron que tinham sido vistos juntos aquele dia na saída de um dos shows do cantor, até que meu marido acabou pegando no sono.

Não o acordei, deixei que ele tivesse um pouco de descanso e fiquei ali me sentindo a mulher mais amada e sortuda do mundo. Eu tinha um marido maravilhoso e a filha mais incrível da galáxia inteira, sim, com certeza estava muito mais feliz aos 33 do que aos 32.

— Amo você, filha — falei para Holly que estava olhando para mim. — E amo seu papai também. Amo muito nossa família, meu amorzinho. — Afaguei o rosto dela. — Você é o presente mais especial que já ganhei. Mas também amei a ideia do apartamento em Nashville, vamos continuar procurando pelo perfeito para a gente.

Voltei meu olhar para Edward, ele ainda estava dormindo, um braço sobre seu rosto, o outro repousado sobre mim. Eu sorri dele para Holly, sorri pensando em como aquele realmente tinha sido o melhor aniversário de todos.

***

Eu estava correndo na esteira da academia de casa, mesmo sendo domingo não recebi folga do nosso personal. Chris estava lá me vigiando, mas também batendo papo com Edward que não estava malhando, entretanto ficou ali para me dar apoio moral.

Holly estava com ele, dormindo depois de ter mamado até minha alma. A TV da academia também estava ligada em um jornal, eu mal estava prestando atenção nisso, até começarem a anunciar o enterro de Richard diretamente do cemitério em New York.

Parei a esteira e fiquei ali assistindo as imagens ao vivo, o local estava cheio, várias pessoas se despedindo de um dos homens mais perversos que já tinha cruzado meu caminho. Desliguei a TV e inspirei fundo, tinha realmente acabado, Richard estava morto.

As pessoas ainda questionariam por que a família Swan não estava prestando homenagens, porque Ed e eu não estávamos também, mas nada seria tão perturbador quanto o que passei com aquele homem. Ele estava morto, ele não iria mais me assombrar, eu não acreditava em fantasmas.

***

Consegui algo histórico alguns dias depois, sair com Carmen e Alice sem que um clima de merda se formasse entre as duas. Fomos fazer as unhas no salão que sempre ia com minha irmã, deixando Holly com o pai dela e a babá.

Depois do salão, onde inevitavelmente fomos fotografadas por paparazzis, Alice quis parar em uma sorveteria. Era um lugar relativamente novo e ela insistiu que eu iria amar, especialmente por ter sorvete sem lactose para mim.

— Amei esse — Carmen declarou tomando o seu de limão, tínhamos decidido tomar ali mesmo na sorveteria depois de eu falar com Edward e ele me garantir que Holly estava bem e que poderia esperar mais um pouco meu retorno. Eu estava mandando uma foto do meu sorvete para meu marido quando recebi dele um print do Twitter, era um tweet do Gossip Hollywood com fotos minhas deixando o salão de beleza há poucos minutos, nele a legenda dizia:

“Aparentemente Holly voltou para a faculdade e a mãe dela, Isabella Cullen, aproveitou para ir fazer as unhas novamente.”

Ri baixinho e respondi.

Capitã: Acho que devemos começar a pagar essa faculdade imaginária dela!

— Meu pai também adora de limão, vou comprar para você levar para ele, Carmen — Alice disse para nossa madrasta e se levantou para ir até o balcão.

Foi olhando para o balcão que notei a família descendo a escada da sorveteria, vindo do segundo andar do lugar, para onde não tínhamos subido em nenhum momento. Era Adam Clarke, o noivo de Renée, e os filhos dele. Eu travei, imaginando que ela também apareceria ali, mas isso não aconteceu, estavam apenas os três.

Todos loiros, de olhos azuis, bem brancos e altos, mesmo a adolescente não era nada baixa. Violet, a nova marionete nas mãos de Renée.

— Bosta — xinguei baixinho.

— O que foi? — Carmen perguntou, ainda distraída com seu sorvete.

— O noivo da Renée tá aqui. — Minha madrasta me olhou, ficando rapidamente em alerta. — Os enteados dela também. — Carmen olhou primeiro para Alice, minha irmã ainda não parecia ter visto o pastor e a família dele, depois procurou por Adam e seus filhos.

O pastor e o filho dele conversavam, pareciam estar em um assunto importante, mas divertido já que estavam sorrindo um para o outro. A garota estava na frente deles, distraída com seu celular, até que pareceu notar Carmen e eu olhando para ela e nos viu.

Parou de andar, o que fez seu pai e irmão também pararem, depois Violet voltou a dar alguns passos. E foi em direção à mesa que eu estava, sorrindo de orelha a orelha, até parar perto de mim e exclamar:

— Isabella, eu queria tanto te conhecer!

Fiquei muda, sem saber o que falar para aquela garota. Poderia mandar ela fugir de Renée, mas parecia que tinha desaprendido a mexer a boca.

— Mamãe falou tanto sobre você, o que acha de ir jantar lá em casa qualquer dia desses?

Mamãe? Ela queria dizer Renée?

— Bells!? — Alice apareceu ali, sem o sorvete de papai, apenas com o que ela já tomava antes em mãos. A adolescente se virou para minha irmã como se estivesse vendo um milagre bem diante seus olhos. Adam e o irmão de Violet também se aproximaram, o pastor tocou no ombro da filha e disse:

— Violet, melhor irmos agora, filha.

— Isso não está certo — Violet se queixou. — Alice e Bells são praticamente minhas irmãs, mamãe sente a falta delas e...

Alice gargalhou.

— Mamãe? Você chama aquela mulher assim? Pobre menina!

Uma expressão de confusão e irritabilidade dominou o rosto de Violet, mas foi Adam quem se pronunciou:

— Vocês duas tiveram problemas com Renée, mas deveriam se reaproximar dela. Estão convidadas à irem até nossa casa e igreja quando quiserem.

— Até parece — Alice resmungou e estava meio trêmula.

— Bom, o convite foi feito — Adam disse e acenou com a mão livre, a outra ainda segurava o ombro da filha. — Espero conhecer vocês e Renesmee, apropriadamente, um dia.

Ele fez Violet seguir até a saída, o outro filho dele, que eu sequer conseguia me lembrar o nome foi atrás sem protestar. Alice espalmou suas mãos na mesa, largando seu sorvete ali.

— É melhor a gente ir embora — Carmen murmurou.

— Coitada dessa menina chamando aquela maldita de mãe — minha irmã disse entre dentes, eu seguia muda.

— Bella? — Carmen tocou em meu braço. — Vamos embora?

Eu assenti, era mesmo melhor ir embora. Alice resmungou mais, porém concordou. Foi buscar o sorvete de papai que já tinha pedido e deixamos a sorveteria entrando no carro da minha irmã, ela tinha ido buscar Carmen e eu na minha casa mais cedo, entretanto tínhamos um carro com meus seguranças nos seguindo e eles foram de muita necessidade, já que os paparazzis estavam loucos depois de descobrirem que cruzamos com Adam Clarke, aquele que de certa forma era nosso padrasto.

— Renée vai destruir a vida dessa menina! — Alice reclamou já dirigindo, eu estava no banco do carona e Carmen atrás.

— Vai mais devagar — eu pedi para minha irmã, com medo de ela bater por estar nervosa.

Alice bufou, mas procurou se acalmar e diminuir a velocidade. Ninguém falou mais nada por um tempo, até eu acabar perguntando:

— Como é o nome do garoto? Eu não lembro de jeito nenhum.

— Tá falando do nosso irmãozinho? — Alice provocou e nós duas acabamos rindo juntas do deboche dela.

— Sim, dele mesmo. Eu sempre quis um irmão, você e Renesmee são muito chatas — provoquei de volta.

— Cala a boca. — Alice riu mais. — E ele se chama Ryan ou Bryan, sabe-se lá, pouco importa. Como está se sentindo com isso? — perguntou aflita. — Se sente substituída por Renée?

— Um pouco — confessei mexendo no copinho do sorvete, Alice tinha descartado o dela, mas não quis abrir mão do meu. — Mas o maior sentimento no momento é o de pena daquela garota. — Suspirei. — Ela não merece ter sua vida destruída por Renée, eu deveria ter dito algo para ajudá-la.

— Ei. — Carmen tocou em meu ombro e por pouco não me assustei com aquilo, tinha me envolvido na conversa com Alice e quase esqueci da nossa madrasta ali atrás. — Você não é responsável por proteger Violet de Renée, nem você Alice.

Minha irmã, para minha surpresa, respondeu:

— Eu sei, obrigada, Carmen. Nós duas e Ness já falamos o bastante na internet sobre como Renée é, quem deveria proteger Violet dela era o Adam, que é pai da menina, não a gente.

Ela estava certa, eu sabia bem disso, não poderia cuidar de todos. Já fazia isso tinha muito tempo e poderia menos ainda cuidar da enteada de uma mãe que tinha sido tão cruel comigo. Eu tinha só uma filha e ela era minha responsabilidade, Violet sequer era realmente uma irmã.

O silêncio voltou a dominar o carro, eu terminei de tomar o meu sorvete, jogando em seguida o copinho e a colher no saco de lixo que Alice mantinha ali. Me virei para Carmen, querendo perguntar se o sorvete de papai estava realmente durando dentro da embalagem de isopor que ela levava, mas vi minha madrasta com uma expressão sofrida.

— Carmen? Tudo bem?

— Só um pouco enjoada, acho que o sorvete não caiu bem. — Ela estendeu para mim o resto do seu sorvete. — Joga no lixo, por favor. — Peguei o copo da mão dela e joguei no lixo, Alice resmungou.

— Não vomite no meu carro, Carmen.

— Não vou. — Carmen inspirou fundo e fechou os olhos, repousando a cabeça no encosto do banco.

— Já estamos chegando — acalmei Carmen, preocupada de ela vomitar no carro de Alice e isso ser um passo para trás na relação delas, mas também confusa com aquele enjoo e se fosse um enjoo por conta de uma gestação? Quis perguntar aquilo, mas temi machucar Carmen com aquele assunto caso não fosse.

No entanto, Alice não se importou em perguntar, seguindo a mesma linha de pensamentos que eu.

— Tá com enjoo por que, Carmen? É gravidez?

— Alice! — Belisquei o braço dela, mas minha irmã não se importou.

— O quê? Só fiz uma pergunta. — Deu de ombros, voltei a olhar para Carmen, ela tinha aberto os olhos e estava claramente nervosa.

— Pode ser gravidez — murmurou. — Mas não, quero dizer, com minha sorte com certeza foi só o sorvete. — Uma lágrima deslizou por seu rosto. — Ai meu Deus, eu tô muito atrasada!

— E você não desconfiou antes? — Alice indagou.

— Eu pensei que pudesse ser estresse, com Charlie viajando em turnê, toda essa história do Richard, meu álbum cada vez mais perto de ser lançado, não quis dar atenção para uma possibilidade. Até porque não faz muito tempo que voltamos a tentar engravidar.

— Não precisamos de muitos detalhes! — exclamei antes de ela falar mais sobre a vida sexual com nosso pai.

— Porra, porra. — Ela se remexeu no banco de trás, completamente inquieta. — Eu posso mesmo estar grávida — disse em pânico.

— E você quer isso, não? — perguntei.

— Quero, mas e se estiver? Posso perder esse bebê também. — Começou a chorar.

Alice suspirou e disse:

— Carmen, eu tenho um teste de gravidez na bolsa, você pode fazer quando chegarmos à casa da Bells.

— Por que você está andando com um desses na bolsa? — questionei confusa.

— Pelo mesmo motivo que tinha um no meu apartamento quando você descobriu sua gravidez, para casos de emergência, vai que algum dia suspeito estar grávida e preciso fazer um teste logo, não vou ficar parando em uma farmácia para comprar e deixar alguém me fotografar com um desses, sendo assim os compro pela internet. E depois que Jasper e eu batemos o martelo sobre filhos passei a me testar todo mês, afinal ele fez vasectomia e eu tenho um DIU, mas transo com outros caras e mesmo com a camisinha e meu DIU alguma merda pode acontecer.

— Ok, ok — Carmen murmurou. — Irei fazer o teste assim que chegarmos à casa da Bella.

— Vai ficar tudo bem. — Estiquei uma mão e apertei a de Carmen. — Independente do resultado, tá? Se você estiver não quer dizer que irá sofrer outro aborto, e caso não esteja pode continuar tentando.

— Mas não queremos ouvir sobre tentativas! — Alice exclamou de novo, Carmen riu um pouco.

— Pode deixar, não irei contar detalhes para vocês. Acho que vou pedir para Charlie ir para sua casa, Bella, ou eu pego o teste da Alice e vou para a minha.

— Não, nem pensar, quero estar perto. — Aquela altura eu já estava me corroendo de curiosidade e queria estar junto para comemorar, ou ajudar a consolar Carmen, dependendo do resultado. — Fala com meu pai e manda ele ir pra minha casa.

— Certo. — Carmen soltou minha mão e pegou o celular de sua bolsa, ligou para meu pai, mas antes que ela pudesse mencionar o teste ele disse algo que ajudava a logística da coisa toda. Por fim, ela desligou e contou. — Ele tá na sua casa já, Bella. Foi ver a Holly e ficou por lá para me esperar e voltarmos para casa juntos. Pessoalmente falo sobre a possibilidade de estar grávida.

— Ok, ótimo! — exclamei e voltei meu corpo para a posição certa no banco.

Olhei para minha irmã, que tinha ficado silenciosa e bem séria. Sabia que para ela tudo aquilo de Charlie ter filho com Carmen ainda era algo a se aceitar mais do que para mim e Ness.

Pensar em Ness me fez pegar meu celular e mandar uma mensagem para ela.

Bells: Cadê você?? Foge do trabalho e vai para minha casa, a Carmen pode tá grávida e vai fazer um teste lá.

Por sorte, ela não demorou a responder.

Ness: O QUÊ?

Ness: AI EU NÃO ACREDITO!!!

Ness: Eu já acabei de gravar por hoje, ia sair com a Lucy, mas vou cancelar e encontro vocês na sua casa, chego logo.

Ness: QUERO SER UMA IRMÃ MAIS VELHA!!!

Isso me fez rir um pouco, mas também respondi pedindo cautela.

Bells: Não chega muito entusiasmada, mesmo que ela esteja grávida vai ficar preocupada com a possibilidade de outro aborto espontâneo.

Ness: Tá bom, vou me conter, já entrei no carro, vou desligar para dirigir.

Cerca de cinco minutos depois Alice estava parando seu carro na frente da minha casa, nós seguimos para dentro e por um tempo esqueci de tudo acontecendo quando vi minha filha. Ela estava com Edward e meu pai na brinquedoteca, um sorriso tomou conta do meu rosto ao vê-la sorrindo e me aproximei dela.

— Oi, amor da minha vida! — Ela estava no colo de Edward, Holly se remexeu quando me viu e quis ir para meu colo, mas não queria pegá-la com as mãos sujas. — Sentiu muito a falta da mamãe?

— Ela fez um escândalo de saudades — Edward contou rindo. — Tomou o leite que você tirou, mas com certeza prefere direto da fonte.

Isso me fez rir.

— Já vou te alimentar, amorzinho. — Beijei a bochecha dela, naquele momento Carmen falou para meu pai.

— Charlie, eu acho que estou grávida.

Foi Edward quem reagiu primeiro, meu pai ainda parecia estar absorvendo as palavras.

— Puta merda! — meu marido exclamou, Alice sufocou uma risada.

— Sério? — papai perguntou, soltando o brinquedo de Holly que ele tinha em mãos. Um sorriso brincou em seus lábios, mas ele pigarreou e falou. — Posso sair e comprar um teste, assim não prolongamos a dúvida.

— Não é preciso, já tem um teste aqui para ela fazer. — Alice abriu sua bolsa e tirou lá de dentro uma caixinha que entregou para Carmen. — Aqui, boa sorte — desejou.

— Obrigada, Alice — Carmen agradeceu, meu pai andou até sua esposa, o sorriso voltando a aparecer no rosto dele, mas ele também voltou a escondê-lo.

Os dois se olharam por um segundo, antes de deixarem a brinquedoteca e provavelmente irem direto para o banheiro mais próximo. Eu fui até a pia que tínhamos mandado instalar na sala de brincar da minha filha, era uma boa ideia ter uma ali e com o tempo iriamos reformar o local de novo para deixar a pia em uma altura que Holly alcançasse para lavar suas mãos.

— Cadê a Renata? — perguntei para Edward.

— Intervalo, depois de conseguir acalmar nossa filha chorona e faminta. Não consegui dar de novo o leite sozinho — reclamou, eu sentei em uma poltrona que tínhamos ali e ele andou até mim com Holly, me entregando o bebê que logo coloquei para mamar, meus peitos já estavam bem cheios e isso foi um alivio.

— Ela está tão grande — Alice comentou se aproximando. — Ei, adivinha quem encontramos na rua — falou para meu marido, eu suspirei.

— Quem?

— Adam Clarke e os filhos dele, a menina chama Renée de mamãe.

Edward fez uma careta.

— Coitada.

— Exatamente.

— Como você está? — meu marido perguntou para mim.

— Bem — respondi, olhando para Holly e sorrindo. — Não vou ficar me preocupando com uma adolescente que não é nada minha, sinto muito que ela esteja nas mãos de Renée, mas não posso fazer nada.

— E você? — questionou Alice.

— Puta da vida com Renée usando outra menina para lucrar, mas agora estou pensando mais no resultado daquele teste de gravidez. Acho melhor eu correr e ir embora, tenho medo de não aparentar a felicidade que deveria caso dê positivo e isso chatear o papai.

— Não, fica — pedi para minha irmã. — Você foi bem legal com Carmen hoje, e independente do resultado o papai vai amar te ter por perto, você não precisa fazer uma grande festa em comemoração se der positivo, basta não ser uma escrota como fomos quando descobrimos do bebê que Carmen perdeu no outro ano.

Alice respirou fundo, mas concordou por fim.

— Tudo bem, não vou reagir daquele jeito — garantiu. — Acho que vou avisar a Ness que estamos aqui, Carmen adora ela e seria uma boa distração e ajuda caso dê negativo.

— Já avisei, ela está vindo.

— Ótimo! — Alice olhou para Edward. — Consegue uma cadeira para eu sentar, cunhadinho?

— Senta no chão, Alice.

— Você é muito chato, Edward — ela reclamou e não se deu ao trabalho de sentar no chão.

— Eu só não quero sair da brinquedoteca e correr o risco de ouvir Carmen e o pai de vocês no banheiro descobrindo o resultado, deixa que eles vão vir até aqui contar. Já descobri primeiro da outra gestação dela, não quero que se repita.

— Descobriu e escondeu de mim.

— Pra você ver como sou bom com segredos. — Piscou para mim.

Revirei os olhos, ele e Alice voltaram a fofocar sobre Adam e os filhos dele, mas eu foquei em amamentar meu bebê. Longos minutos depois meu pai apareceu na porta da brinquedoteca, chorando, porém também com um sorriso gigantesco no rosto.

— Deu positivo — ele contou e chorou mais.

Queria levantar e correr até ele para abraça-lo, mas Holly ainda estava mamando e iria se assustar. No entanto, Alice fez o que eu queria fazer, me pegando totalmente de surpresa por seu gesto, que nada parecia planejado.

Ela correu e abraçou papai, começando a parabenizá-lo e também o provocar.

— Parabéns, pai. Estou muito feliz por você — falou e beijou a bochecha dele. — Nem acredito que vai ser pai de novo com toda essa idade, vai ser o pai mais velho da escolinha!

Edward gargalhou, meu pai resmungou.

— Você é impossível, Alice.

— Eu? Imagina. — Ela se soltou dele rindo. — Mas é sério, parabéns e estou mesmo feliz por você... E pela Carmen também, cadê ela?

— No banheiro, ela precisa de um minuto sozinha.

— Claro. — Alice assentiu, papai andou até mim e beijou minha cabeça, eu beijei seu rosto e o parabenizei.

— Parabéns, papai. Tenho certeza de que você, Carmen e o bebê serão muito felizes. E estou muito feliz que a família vai aumentar. Além do mais, Holly vai ter um tio quase da idade dela para brincar, isso vai ser muito legal.

Edward riu mais, fazendo com que a gente olhasse para ele.

— O que foi, Cullen? — meu pai questionou.

— Nada, nada, só pensei na piada da Alice de novo, foi muito boa. — Papai esbravejou ao escutar aquilo, mas Edward parou de sorrir e declarou. — Meus parabéns, Charlie. Vai ser ótimo te dar dicas sobre paternidade.

— Até parece — papai resmungou.

Carmen voltou para a brinquedoteca naquele momento, sorrindo, mas visivelmente tensa. Alice, que ainda estava perto da entrada foi a primeira a falar com ela.

— Ei, você está grávida — minha irmã disse com cautela, esticou uma mão e nossa madrasta a apertou de volta. — Parabéns pelo bebê, Carmen. Não prometo trocar fraldas, nem servir de babá, mas posso ajudar com a compra das roupinhas e indicar bons decoradores para o quarto.

— Muito obrigada! — Carmen soltou a mão dela e apertou Alice em um abraço, minha irmã não escapou, retribuindo.

Depois delas se abraçarem, Carmen também recebeu os parabéns de Edward e os meus.

— Sério, estou tão feliz por vocês — falei com ela me abraçando com cautela para não interromper a mamada de Holly.

Carmen afagou a cabeça da minha filha e disse:

— Ela logo terá o tio para brincar, será engraçado explicar que ele é tio mesmo sendo mais novo que ela.

— Mais engraçado ainda será o Charlie nas reuniões escolares chegando de andador e falando que acabou de sair do asilo — Edward brincou, ganhando olhares revoltados de todos nós. — Ok, peguei pesado, sinto muito. Vão todos almoçar aqui, certo? Vou mandar Sean caprichar no almoço, tchau! — Ele deixou a brinquedoteca.

Meu pai, minha irmã, Carmen, eu e Holly também, ficamos ali e poucos minutos depois Renesmee apareceu.

— Ness, você será uma irmã mais velha! — Carmen anunciou, ela ficava mais feliz e menos tensa a cada segundo.

Minha irmã não se conteve, soltou um grito de pura felicidade e saltitou até abraçar Carmen. Depois pulou em papai para o abraçar também, se soltou dele e começou a pular no lugar batendo palmas e começando a fazer planos.

— Estou louca para ajudar com tudo, Carmen. Vamos preparar o quartinho perfeito para ele ou ela, vocês também precisam fazer uma lista com nomes. De quantas semanas está? Me deixa ser a madrinha? Por favor, por favor.

Eu sorri, Alice tinha se aproximado e sentou no braço da poltrona onde estava sentada. Se inclinou e sussurrou para mim:

— Papai tá muito feliz, e eu ainda não sou a maior fã da Carmen, mas estou feliz por eles. — Afagou meus cabelos. — E mais feliz ainda que não sou eu grávida.

Tive de rir, ela beijou minha cabeça, depois começou a perguntar qual quarto Carmen e nosso pai escolheriam para o bebê na casa deles.

***

Tanya me convocou para uma emergência de moda no final do mês, ela teria um casamento para ir em outubro com Santiago e Tina, de um amigo dele e precisava de ajuda para escolher o vestido dela e o da sua filha. Eu topei, era um domingo, mas não qualquer um, já que era a data do casamento de Renée, queria distrair minha cabeça, sendo assim saí com minha melhor amiga e Tina.

Edward ficou em casa com Holly, Renata estava trabalhando, mas minha sogra, Rose e o namorado dela também estavam lá.

— Deixa eu ver, tia Bella! — Tina pediu, eu tinha acabado de tirar uma foto dela, após escolhermos os vestidos paramos em uma cafeteria para beber e comer algo. Ela pediu um donut e eu a fotografei com o doce.

— Aqui. — Mostrei a foto para ela, ao fundo da imagem era possível ver a boneca que Tina estava apegada, Tanya disse que aquilo começou depois de Holly nascer e da filha saber que em breve seria irmã mais velha.

Santiago e Tanya já estavam conversando sobre a adoção com ela, eles ainda não tinham ideia de quando o filho, ou filha, chegaria, mas queriam que Tina estivesse preparada. A garota estava muito feliz com a ideia de ser irmã mais velha, assim como Ness.

— Tá muito legal! — Tina comemorou e pegou sua boneca, chamada Penélope, para fingir dar um pedaço de Donut para ela.

Não demoramos muito na cafeteria, eu precisava voltar para casa e para Holly. No carro, a caminho de lá, perguntei se podia postar a foto de Tina em meu Instagram, cortando a imagem para o rosto dela não aparecer por inteiro, Tanya e Santiago não se importavam com fotos dela em redes sociais, mas minhas redes ainda eram muito visadas por gente idiota engajada em distribuir ódio, então queria poupar a imagem completa de Tina ali.

Postei a foto com a legenda:

“Domingo na companhia de outra fã de donuts!”

Mexi mais um pouco no Instagram, curti fotos de Rose com meu bebê, curti fotos de Alice que estava em New York com Jasper. Vi os stories de Nessie com Alec curtindo um dia na piscina, também vi os do meu marido tocando piano, vídeos que eu tinha gravado na noite anterior, e por fim vi uma conta de fofoca postando as primeiras fotos do casamento de Renée.

Em uma delas ela estava abraçando Violet e as duas sorriam uma para a outra, eu suspirei, mas não deixei aquilo se infiltrar muito em minha mente. Renée tinha casado, ela estava brincando de família feliz com outras pessoas e eu não poderia surtar por isso, por sorte tinha tido terapia no dia anterior, já ajudava muito a lidar com o que estava sentindo.

***

Na noite do dia primeiro de outubro eu estava no estúdio de casa, depois de Holly ser alimentada e entregue para o pai para tomar banho e dormir. A música que comecei a trabalhar no outro dia estava voltando a minha mente, então fui para o estúdio ver se conseguia compor mais alguma coisa decente para ela.

Em uns minutos que tirei para distrair a cabeça, acabei postando uma foto de quando estava grávida e com Edward tocando em minha barriga, na legenda escrevi que aquela foto parecia ter sido tirada há muito tempo, não só poucos meses antes. Voltei para a música depois, mas tinha acabado travando com ela, sendo assim fiquei ao violão tocando Anos e cantando minha canção.

Até que meu marido surgiu ali, sem Holly.

— Cadê a Donut? — perguntei.

— Dormindo no quarto dela, Ness e Alec estão de olho nela.

Franzi o cenho confusa.

— O que eles estão fazendo aqui?

— Vieram jantar, você esqueceu? Combinamos com eles.

— Hum, sim — confirmei envergonhada, Edward sorriu e quando se aproximou beijou meus lábios devagar.

— Quer que eu mande eles irem embora? Não dormiu quase nada noite passada com Holly sendo uma garotinha da mamãe querendo seu colo.

Eu ri e neguei.

— Não, tudo bem, posso gastar umas horas com um jantar, já não estava conseguindo render com minha música. Você está bem? — perguntei notando a preocupação em seus olhos, ele suspirou e sentou ao meu lado.

— Estava gastando uns minutos no Twitter depois de Holly dormir, fui procurar sobre aquela minha fã brasileira que foi assassinada pelo pai, li relatos de outros fãs meus que os pais também não aceitam a sexualidade deles, ou que sequer sabem porque eles tem medo de contar. Pensei de novo em contar sobre ser bi para todos, cada vez parece mais a decisão certa a ser tomada.

Mexeu na ponta dos meus cabelos.

— Não só para incentivar os outros, mas por eu sentir que ficar escondendo essa verdade sobre quem sou me sufoca.

— Conta — incentivei, ele suspirou. — Posso te ajudar, não estou trabalhando nas coisas da produtora, mas organizo com Tanya e Irina tudo que for necessário antes e depois da sua publicação falando, se alguma marca quiser criar problemas, ou possíveis ataques que você possa sofrer online por conta disso.

Ele engoliu em seco, afaguei suas costas, depois puxei sua mão para a minha.

— Edward, se omitir isso está te sufocando quero que faça o que for necessário para resolver esse problema, tá? Eu estarei aqui te apoiando, seus amigos, familiares e funcionários também. Se tivermos problemas com as marcas que você representa, elas que se fodam, vamos dar um jeito nisso depois.

— Vou ter terapia amanhã, já tenho conversado sobre contar publicamente com Vladmir, mas irei me decidir nos próximos dias. — Sorriu para mim, mas ainda estava preocupado. — Só não quero te causar estresse.

— Estou bem, vou continuar assim. — Beijei o rosto dele. — Qualquer coisa a gente foge pra Nashville e fica morando no nosso apartamento lá.

Ele resmungou, eu ri suavemente. O apartamento já estava escolhido e estávamos na finalização da compra.

— Me poupa, Bella.

— Apenas uma sugestão, além do mais eu escolhi um apartamento muito bom.

— Só para férias, não vou morar em Nashville.

Ficou de pé, eu também me levantei e deixei o violão no suporte. Edward segurou meu rosto entre suas mãos e me deu um longo beijo na testa.

— Amo você, Capitã.

— Também te amo, pirralho!

***

Edward decidiu se assumir publicamente no dia 3 de Outubro de 2019, uma quinta-feira. Tanya e Irina estavam bem estressadas por isso, temendo que as marcas o rejeitassem, mas meu marido estava decidido e eu estava o apoiando totalmente.

Antes de postar o texto que tinha preparado, e eu revisado, Edward ligou para a mãe e irmã, avisando-as do que faria. As duas também o apoiaram, Esme ainda prometeu ir até nossa casa aquela noite depois que deixasse a ONG. Ele não avisou o pai, disse que respeitava Carlisle, mas não queria dar margem para o médico palpitar sobre nada. Porém, ele também falou com Jasper, a segunda pessoa depois de mim que leu seu depoimento.

Então, depois de almoçarmos, Edward publicou o texto. Com os prints que tirou do bloco de notas do seu celular.

“Eu poderia ter feito um longo texto contando sobre minha infância e parte da adolescência cercado por pessoas extremamente conservadores, com pensamentos preconceituosos sobre gênero e sexualidade, mas aqui o intuito não é narrar minha vida. Este texto é apenas um anúncio de algo que guardo para mim e para as pessoas mais próximas por muito tempo, algo que finalmente me sinto pronto para expôr publicamente.

Sou um homem bissexual.

Isso não quer dizer que sou uma aberração. Isso não quer dizer que meu casamento com uma mulher é de fachada. Isso não quer dizer que sou indeciso. Isso não quer dizer que estou passando por uma fase.

Sou um homem bissexual, filho, irmão, pai e casado. Ser bissexual não é um erro, espero que entendam isso.

Também espero que você, pessoa LGBTQIA+, possa encontrar sua voz para se assumir. Sei quão aterrorizante pode ser, especialmente quando se vem de uma criação conservadora, mas se estiverem em segurança e longe de pessoas que podem te machucar fisicamente e emocionalmente, se aceitem como são.

O que aconteceu com Jacob Black dias atrás foi um pontapé para hoje eu estar aqui contando esta verdade sobre mim, espero que casos como o dele diminuam até nunca mais acontecerem. Em meus stories e site oficial estarei disponibilizando artigos sobre gênero e sexualidade — muitos que eu mesmo venho estudando para educar a mim e garantir para minha filha uma educação mais inclusiva e menos preconceituosa —, novamente também estarei listando ONGS voltadas para apoio da comunidade LGBTQIA+, comunidade que hoje vocês sabem que faço parte.

Vocês não estão sozinhos e vocês não são anormais, ou qualquer outra palavra ofensiva que veem e escutam por aí. Muito obrigado por todos aqueles que já lutaram por nossa comunidade, hoje eu me comprometo em lutar ainda mais por pessoas como eu, que por muito tempo esconderam de si mesmo a verdade sobre o que são.

Com amor, Ed Cullen.”

Notas finais
¹Nós estamos envelhecendo, amor. E estive pensando sobre isso ultimamente. Isso já te deixou louca? A rapidez com que a noite muda? Muito, muito, muito obrigada por tudo. Em breve volto com o penúltimo capítulo da história. Beijos! Lola Royal. 11.06.2022