Hollywood

96 Capítulo Noventa e Cinco


Notas iniciais
Olá, galerinha! Estão prontos para mais um? Não deixem de recomendar, por favor! —__ Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —___ Grupo no Telegram: https://t.me/joinchat/MrT_3cJdpvtiZDdh —___ Me siga no Instagram: @autoralolaroyal —___ Música do capítulo: 1. https://www.youtube.com/watch?v=VbD_kBJc_gI&feature=youtu.be 2. https://www.youtube.com/watch?v=yURRmWtbTbo&feature=youtu.be —___ Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure profissionais especializados sempre. —__ Boa leitura!

Capítulo Noventa e Cinco

Edward Cullen

“Ed Cullen comemora aniversário ao lado da esposa.”

Quando conheci Isabella pessoalmente eu tinha 21 anos, passamos por um monte de coisa — juntos e separados — desde então, e lá estávamos nós, comemorando meu aniversário de 24.

***

Isabella entrou na cozinha e parecia irritada com algo. Talvez a barriga pesada, ela não tinha engordado tanto, seguiu ao máximo possível uma alimentação regrada durante a gestação e se exercitou, mas a barriga estava imensa e eu bem sabia que limitava os movimentos da minha esposa.

— Já estou finalizando aqui, depois que jantarmos faço mais massagem em você, linda — prometi, fazia uma salada para a gente, enquanto o salmão terminava de grelhar.

Cozinhar se mostrou algo relaxante para mim, no começo era caótico enquanto eu aprendia o básico do básico e deixava a cozinha parecendo uma zona de guerra, mas depois se tornou um lugar de conforto. Estar no mar, porém, foi uma calmaria desde a primeira aula. Eu tinha acertado no hobby de cozinhar e Bella em me fazer pilotar, ambos me divertiam e me deixavam mais tranquilo.

— O bebê da Leah nasceu — ela disse, virou seu celular para mim tão rápido que eu ainda estava processando sua frase quando vi a foto de um bebê cabeludo chorando.

— Mais material para aquele reality show horrível deles — comentei, o programa seguindo a vida de Enrico e Leah era péssimo. Com brigas claramente armadas, ela querendo virar cantora, ele querendo se tornar um grande coreógrafo na cidade e mais um monte de coisa, inclusive o acompanhamento da gestação daquela de que certa forma foi minha namorada, mesmo que falsa. Ao menos eles tinham sido proibidos de citar nossos nomes, já era algo, uma vez que infelizmente não tínhamos como impedir qualquer pessoa com acesso à internet de nos relacionar ao outro casal.

— Pelo menos o bebê é fofinho — Bella deu um mínimo sorriso. — Nada parecido com você.

— Ei, eu sou fofo! — brinquei, ela riu.

— Você entendeu o que eu quis dizer, Betty.

— Claro que entendi, mas de qualquer forma vai ter gente dizendo que sou o pai dessa criança. — Suspirei, Bella revirou os olhos. — Agora, esquece isso, senta pra gente comer. — Tirei o peixe da grelha, colocando em um prato para levar à mesa.

— Tem mais uma coisa. — Ela deixou o celular sobre a bancada. — Renée está noiva do pastor lá.

Isso não me surpreendeu, Renée tinha anunciado o namoro com Adam Clarke, o pastor da Igreja que ela estava frequentando desde o começo do ano, no mês anterior. O cara era um pastor famoso entre as celebridades protestantes, viúvo e pai de dois filhos, um que tinha minha idade e estudava para ser pastor também e uma adolescente de 15 anos.

— Capaz dela enviar convites — minha esposa resmungou.

— Ei, isso vai estragar seu apetite, vamos distrair sua mente.

— Estragar meu apetite? Estou morta de fome. — Pegou a salada e levou para a mesa, onde eu já tinha deixado um suco, copos, pratos e talheres. Segui Isabella com o salmão, ela serviu a salada para nós dois e eu dividi o peixe, depois colocando suco em nossos copos.

— Li a publicação no Instagram dela anunciando o casamento — ela continuou, sem se importar de falar com a boca cheia. — Falando como estava se sentindo abençoada de estar expandindo a família, que amava tanto os filhos do cara. Ela posta tantas fotos com a garota, várias, até vídeos da menina cantando canções da igreja, com Renée aplaudindo no final. — Bufou.

— Eu acho que vou pegar seu celular e bloquear tudo relacionado à Renée — declarei, Bella me olhou irritada. — Tô falando sério, não te faz bem ficar vendo isso, especialmente agora que essa mulher tem outra menina na vida dela para manipular, como ela já fez com você e suas irmãs.

Bella franziu o cenho.

— Você acha que ela vai fazer o mesmo? — indagou. — Ela nem está trabalhando, só fazendo trabalhos voluntários relacionados à igreja.

— Sei lá, mas você falando de Renée postar tantas fotos com a garota e até vídeos da menina cantando, isso parece uma forma de lançar ao estrelato outra garota sob o controle dela. Fora que o tal pastor já lançou umas músicas no passado, não é? — Bella assentiu, eu comi um pouco antes de continuar. — Enfim, você deveria estar se blindando de notícias de Renée.

— Não vou te deixar bloquear nada — falou e enfiou mais um pedaço de alface na boca.

— Você é muito teimosa. — Isabella deu de ombros. — Tô pensando no melhor para sua cabeça.

— Eu sei, mas fugir das notícias me deixaria mais ansiosa.

— Discordo.

— Ok, vamos mudar de assunto?

— Pode ser. — Peguei mais salada. — O que faremos no 4 de Julho?

Ela riu alto.

— Sei lá, nessa data eu já posso ter parido sua filha.

— E caso ela demore mais?

— Eu dou uma ordem de despejo — resmungou. — Espero que nasça ainda em Junho, estar grávida é muito cansativo.

— Quer mudar os planos e partir para uma cesárea? — perguntei.

— Não. — Bella balançou a cabeça. — Quero que seja tudo no tempo da Holly, mas se o tempo dela for ainda esse mês, será excelente para a mãe dela. — Eu tive que rir. — É sério, ela já poderá nascer sem problemas e eu preciso que essa barriga diminua.

— Você está linda.

— Isso não é o ponto, estou cansada. Parece que estou grávida há séculos. E sim, sei que será ainda mais cansativo no pós-parto, mas gosto de me iludir. — Fez uma carinha de choro para mim. — Não é fácil.

— Prometo que vou fazer tudo para diminuir seu cansaço, Capitã.

— Sei disso, vou só amamentar e você cuida do resto. — Piscou para mim. — Mas, sério, vai ser uma loucura e preciso de você comigo. Hormônios, a possibilidade do baby blues, amamentar, tudo isso irá me deixar doida.

— Vou estar com vocês, nada mais importa, sabe disso.

Ela começou a chorar, eu rapidamente me levantei e fui abraçá-la.

— Eu vou poder continuar tomando meu remédio, mas e se entrar em depressão pós-parto? Porra, era só o que me faltava.

— Linda. — Toquei seu rosto com extrema delicadeza, fazendo com que ela erguesse o olhar para mim. — Um passo de cada vez, ok? Vamos pensar assim, qual será seu próximo passo agora? Neste exato momento?

— Parar de chorar.

— E o passo seguinte?

— Comer o salmão delicioso que você fez pra gente?

— Exatamente. — Me abaixei e beijei seus lábios. — E vou estar ao seu lado, em todos esses passos e nos que vierem depois, somos um time.

***

Nós estávamos caminhando na manhã seguinte pelo condomínio, Bella não queria mais malhar e também não queria mais praticar Yoga. Sendo assim, nosso personal e eu saímos com ela para uma volta curta.

— Assim que minha médica liberar no pós parto, quero voltar a malhar, Chris — disse a ele, sua mão e a minha entrelaçadas, ela estava um pouco cansada aquela altura. — Tenho um projeto importante ano que vem e preciso emagrecer, mas vou fazer tudo direitinho, sem comprometer minha saúde.

— Vamos pegar leve no começo — ele prometeu. — Vou deixar todos os exercícios pesados para o Ed.

— Que bom — resmunguei.

Caminhamos por mais cinco minutos, até Bella pedir para voltar e para isso eu chamei o motorista para nos buscar, sem querer que ela andasse tudo de novo. Em casa, fomos para a cozinha, Sean já preparava nosso almoço e Nelly estava distribuindo os afazeres para a equipe de limpeza da mansão.

— Como foi a caminhada? — Nelly perguntou quando acabou com aquilo, Bella estava sentada tomando um suco que Sean preparou para ela.

— Cansativa, como tudo tem sido — Bella reclamou. — Amor, massagem — pediu, imediatamente sentei no chão para massagear os pés dela, Madonna apareceu ali e apoiou o focinho perto da barriga da dona.

— Eu sei, Mads — falou com ela. — Também quero que a Holly nasça logo.

— Ed — Sean falou comigo. — A entrega das vieiras para o jantar de hoje já foi feita.

— Excelente. Não precisa fazer tudo, será apenas Bella, Alec e minha cunhada.

— Ai, Sean, pra mim você pode fazer outra coisa — Bella disse e fez careta. — Não estou no clima de comer isso hoje.

— Hambúrguer de lentilhas, que tal isso? — ele sugeriu.

Minha esposa sorriu, eu ri baixinho, ela tinha ficado obcecada por aqueles hambúrgueres quando Sean fez pela primeira vez meses atrás.

— Perfeito, por isso te contratei. Também pode fazer aquele molho barbecue.

— O bebê do Alec vem? — Nelly perguntou.

— Vem sim. — Bella sorriu mais. — Mas para ele não precisa fazer nada, Sean. Alec vai trazer a comida do Sam. — Ela se calou e colocou a mão na barriga.

— Ela tá se mexendo?

— Não, contração de treinamento — respondeu.

— Certeza? — Fiquei em alerta. — Você faz 38 semanas hoje, talvez possa ser uma real.

— Não é — assegurou. — É como todas as outras de treinamento que tive, e já passou.

Ela vinha tendo contrações de treinamento desde a trigésima semana, segundo sua médica e o livro que li, elas serviam para o corpo de Bella ir de fato treinando para as contrações do trabalho de parto. Minha esposa relatava uma pressão na pelve, mas indolor.

— Bom que tem consulta com sua médica hoje. — Terminei a massagem. — É melhor irmos nos arrumar logo para isso.

— Ok. — Bella concordou e subimos para nosso quarto, mas antes disso implorou para Sean não esquecer do hambúrguer de lentilhas para o jantar. — E talvez alguns donuts.

***

Nenhum sinal do parto, mas Holly estava ótima e chutou durante toda a ultrassom. Bella também estava bem, sua médica elogiou seus últimos exames e a pressão arterial perfeita que conferiu no consultório.

Isso nos tranquilizou, ver Holly bem e saber que Bella estava com a saúde ótima. Só precisávamos continuar seguindo tudo direito e esperar pelo momento de Donut fazer sua grande estreia, que a médica achou bem difícil ser no meu aniversário.

Na saída do consultório, paparazzis. Tínhamos conseguido fugir deles por um tempo, já que nos últimos dias mal deixamos o condomínio, mas lá estavam aquelas pragas.

Segurei a mão da minha esposa com firmeza, seguindo na frente abrindo caminho para ela, junto aos seguranças. Então, abri a porta do carro e fiz Bella entrar primeiro.

— Para onde devo ir? — nosso motorista perguntou, já dirigindo para longe dos paparazzis.

— Quer passar em algum lugar, linda?

— Não, podemos ir para casa direto, quero almoçar e descansar.

Assim foi feito, nós dois aproveitamos para dormir a tarde inteira e estávamos renovados quando Renesmee chegou com o namorado e o filho dele. Eu fui logo pegando Sam no colo, ele já tinha sete meses e estava esperto pra caramba.

— Oi, como você está? — perguntei para o bebê, que carregava um mordedor de girafa. Ele já tinha dentes, os mordedores eram seus novos melhores amigos.

— Sujo, você troca a fralda. — Alec esticou uma das bolsas do filho para mim, Renesmee ao lado dele riu.

— Eu te ajudo, Ed. — Ela pegou a bolsa.

— Pode usar o trocador do quarto da Holly, Ness, não tem problema — Bella falou do sofá onde estava sentada.

Renesmee, Sam e eu subimos até lá. O garotinho descobriu meus cabelos e ficou puxando, até Nessie tirá-lo de mim e colocá-lo no trocador.

— Felizmente é só xixi — falou, quando começamos a trocá-lo. Ele não parava mais quieto, era um trabalho para dois, ou para um experiente. Coisa que eu ainda não era, apesar de ter treinado com o garoto nos últimos meses.

— Amber não encheu o saco de vocês por trazerem ele? — perguntei.

— Não, ela gosta da Bells. — Renesmee deu de ombros. — Ela só odeia você e eu mesmo.

Bufei, minha cunhada assentiu.

— Mas preciso ser honesta, ela tem sido um pouquinho mais gentil comigo, bem pouco mesmo.

— Como se você fosse a culpada do divórcio deles?

— Bom, acho que sou em partes. — Suspirou.

— Você e Alec estão bem? Pareciam bem no outro dia.

— Estamos, estamos sim. — Sorriu. — Só preciso confessar que não é fácil isso. — Gesticulou para Sam. — Não o bebê! — exclamou apressadamente. — Eu adoro o Samuel. — Olhou para o menino e repetiu para ele. — Eu te adoro, você é o garotinho mais fofo do mundo. — Samuel retribuiu dando o mordedor para ela.

— Não é fácil ter um relacionamento com alguém que tem uma ligação forte assim com outra pessoa? — perguntei, entendendo onde ela queria chegar.

— É — confirmou. — Ela não é apenas uma ex, é a mãe do filho dele, eles sempre terão de estar por perto um do outro. Ou seja, Amber sempre estará perto do nosso relacionamento, isso me incomoda. Mas eu amo o Sam.

— Ness, tudo bem. — Acabei de colocar a fralda nova nele. — Eu sei que você gosta dele, não precisa ficar se explicando e repetindo.

— É que não quero ser uma madrasta escrota — murmurou. — Meu problema é ter a ex do meu namorado sempre perto, não essa coisinha linda. — Pegou Sam no colo, devolvendo o mordedor dele. — Felizmente tenho uma madrasta excelente, quero ser próxima dele como sou da Carmen.

— É normal, se sentir incomodada com isso. Pelo menos eu acho, não tenho experiência no assunto e espero nunca ter.

— Também espero. — Sorriu e me entregou Samuel, que voltou a puxar meus cabelos. — Como a Bells tá?

— Cansada, nervosa, com medo de cair em uma depressão pós-parto.

— Tem alguma coisa que eu possa fazer?

— Só de vir jantar com ela já é algo — garanti. — E pode vir depois trocar as fraldas da Holly, seremos gratos. — Renesmee riu e assentiu.

— Vou trocar algumas, as outras são suas. Ela viu sobre o noivado da Renée? Não quis perguntar por mensagem ontem, com medo dela não ter visto e sobrar para mim ser a portadora dessa notícia.

— Viu, isso também mexeu muito com ela. Renée agora está toda grudada com a enteada, coisa que eu acho ser ela se preparando para lucrar em cima de outra garota.

— Acho a mesma coisa, até Alec acha. Renée não tem jeito, ela só sabe usar as pessoas. Não que eu ache que esse tal Adam a ame, mesmo vendo de fora parece ser um relacionamento proveitoso para ambos em outros sentidos, com ele usando o nome dela e ela usando a adoração que ele tem para limpar a imagem suja que ficou. Ninguém mais fala mal dela, nem por ter batido na Alice, por ter ficado com um cara casado, ter tentado se aproximar da Bells por conta da Holly, nada. Virou um exemplo de mudança, agora é amada por ser uma mulher religiosa. Nisso tudo, sinto pena da adolescente que perdeu a mãe e agora ganhou uma madrasta digna de contos de terror. Enfim, mais um dia de traumas no mundinho das irmãs Swan — debochou.

— Sinto muito, Ness.

— Tudo bem — afirmou. — Acho que no final de contas fui a menos afetada.

— Eu discordo, vocês três foram bastante afetadas, cada uma de um jeito, aliás acho que você deve bloquear tudo sobre essa mulher em seu celular.

Ness riu alto.

— Prefiro me manter informada do que ser pega de surpresa.

— Você é igualzinha à sua irmã. — Comecei a sair do quarto com Sam, ela me seguiu.

Alec e Bella tinham ido para a área da piscina, eu sentei ao lado dela em uma espreguiçadeira, com Sam ainda em meus braços. O garotinho foi logo tocando na barriga dela, fazendo minha esposa sorrir e arrumar os cabelos escuros dele, mas não o pegou no colo.

— Sua amiga logo estará aqui para brincar com você, Sam — disse a ele.

— Como sua irmã está? — perguntei para Alec, sentei no chão com Samuel, o menino parecia muito inquieto para brincar na grama.

— Está bem, contando os dias para deixar a clínica — Alec contou. — A visitei hoje pela manhã.

— Estão mantendo o dia 11 de Julho para a alta dela? — Bella questionou, deitando-se na espreguiçadeira, Samuel estava arrancando a grama e tentando levar à boca, mas não permiti.

— Sim, nem acredito que ela finalmente vai sair, passou tanto tempo lá. — Meu amigo suspirou, eu estava morrendo de saudades de Jane, não via ela desde Abril quando o pessoal da clínica permitiu que a visitasse outra vez. — Ela está puta que não estará presente no seu aniversário, Ed.

— Falando nisso — Renesmee começou a falar. — Eu ainda não sei o que te dar de presente, Cullen.

— É bom você pensar em algo logo — Bella disse. — Não dar presentes ou parabéns para Ed Cullen no aniversário dele é um crime, você não sabia? — provocou, eu a encarei e minha esposa piscou para mim.

— Você não mandou uma mensagem sequer, Isabella!

— Lá vamos nós — Alec reclamou. — Samuel terá 30 anos e Edward ainda estará choramingando sobre isso.

— Pelo menos eu não passei 30 anos para pegar a garota que queria — falei para o Volturi, que bufou, Renesmee revirou os olhos.

— Não levou nem um ano — Bella disse rindo. — Fui bem fácil.

— Amém — murmurei e tirei mais grama da mão de Samuel. — Nem pensar, você não vai comer isso.

— Então — Bella voltou a falar. — Vocês dois finalmente pensaram melhor sobre minha proposta? — perguntou para a irmã e o cunhado.

Ela queria os dois na série que estava escrevendo, ainda não tinha decidido se iria estrelar a produção, mas queria muito ver Nessie e Alec como um dos casais. No entanto, os dois não queriam trabalhar juntos, tinham feito um acordo sobre isso, nada de trabalho os envolvendo.

— Não vai rolar — Alec respondeu, percorrendo uma mão pelos cabelos de Nessie. — Ao menos não os dois, combinamos de não trabalharmos em nada que o outro esteja.

— Vocês fizeram o clipe de Endorfina juntos — Bella resmungou.

— Não estávamos namorando, sabe muito bem porque não quero misturar, Bells — Nessie disse. — Podemos fazer testes para a série, mas você terá que escolher um. Porém, acho que seria melhor nem isso eu fazer, não quero estar numa série sua e ser acusada de nepotismo.

— Vocês são irritantes — Bella proclamou. — Alec recusa trabalhar com o pai dele e você comigo.

Alec tinha realmente recusado trabalhar no filme de Audrey que Aro faria, segundo ele não queria ser beneficiado por ser filho do diretor e roteirista.

— Qual o real problema com nepotismo? Não é como se vocês não tivessem talento — falei e tirei Samuel do chão antes que ele acabasse com a grama do quintal, fiquei de pé, com o menino em meus braços. — Eu daria tudo para ter tido uns parentes influentes que tornassem meu caminho mais fácil — admiti. — E olha que nem foi tão difícil para mim como é para muitos outros.

— Você pensaria diferente se tivesse crescido no meio, com pais conhecidos e os outros dizendo que só tem trabalhos por conta do sobrenome que carrega — Alec dissertou sobre, olhei para Bella, ela parecia entender aquilo.

— É, concordo — ela falou. — Mas que se fodam, vocês dois são excelentes e eu sei que também sou. — Sorriu. — E nós três trabalhando juntos nessa série seria foda pra caralho.

— Não vai rolar — Renesmee deixou bem claro novamente, a irmã dela bufou, mas Bella não insistiu mais. Ao menos não naquele dia.

— E você? — Voltei toda minha atenção para Samuel. — O que vai me dar de presente de aniversário?

***

No dia seguinte ao jantar com Alec e Nessie, era 19 de Junho, e minha irmã e eu fomos buscar Carlisle no aeroporto. Nossa festa seria no sábado, mas no dia 20 iríamos para Malibu com Bella, mamãe e o médico para dois dias na praia comemorando reservadamente.

Carlisle tinha tirado férias, talvez aquele fosse o ano que mais se ausentou do trabalho. Ficaria um mês em Los Angeles, queria estar com a gente em nosso aniversário e perto quando Holly nascesse e isso, precisava admitir, me deixava feliz para caralho.

Sua esposa, iria aparecer para a festa no dia 22. Rosalie não ficou muito animada com isso, mas entendia que não podíamos excluir nossa madrasta, ela era uma parte da vida de papai e precisávamos ser agradáveis.

Rose estava dirigindo, com o rádio ligado em uma estação de músicas dos anos 80. Eu mexia no celular, curtindo fotos no Instagram, respondendo mensagens de Laurent sobre algumas coisas da gravadora e alternando com Candy Crush, até que voltei para a rede social quando recebi notificação de que Bella tinha postado algo.

Ela tinha ido almoçar com Jasper no apartamento em que ele morava com Alice, meu melhor amigo queria ajuda dela com uma canção e Bella adorou a ideia de sair de casa um pouco para fazer algo que não fosse consultas e exames médicos, nem resolver detalhes da festa do sábado. Eles já deviam ter almoçado, pois a foto que ela postou em seus stories foi carregando uma caixa de donuts, nela escreveu:

“Sendo mimada pelo melhor cunhado do mundo @jasperwhitlock.”

Também tinha aproveitado para brincar com Alec, o provocando.

“Aprende @alecvolturi.”

— Vamos parar para comer donuts depois? — perguntei para minha irmã, ela riu suavemente.

Voltei ao meu jogo, estava preso em uma fase maldita.

— Você é mesmo marido da Bella.

— Fiquei com vontade, Jasper deu uma caixa para ela.

— Podemos comer sim, ou brownies.

— Você lembra daqueles que vendiam perto da Igreja em Bath? Eu comeria uns 10 desses fácil.

— E como lembro, você sustentou aquela cafeteria de tantos brownies que comprou lá, por isso que devem ter fechado depois que se mudou de Bath.

— É possível — concordei rindo.

— Como você está? — Rose perguntou depois de um tempo em silêncio confortável. — Estou tão ocupada com as coisas do meu livro, não temos passado muito tempo juntos.

— Estou bem, claro que tô nervoso com Holly quase chegando, mas acho que vou dar conta.

— Você vai sim. — Ela esticou uma mão e apertou meu ombro. — Tá tomando seu remédio direito?

— Sim, senhora — confirmei.

— E a Bella? Ainda tá tomando o dela? — Voltou a dirigir com as duas mãos.

— Tá, não seria uma boa fazer o desmame da medicação durante a gestação e ela irá poder continuar esse mesmo no pós parto.

— Eu sei que não moro mais com você, mas qualquer coisa é só chamar, tá? Posso ajudar com a Holly o quanto precisarem, mesmo que vocês não tenham me escolhido como madrinha — alfinetou.

— Foi um sorteio justo. — Rosalie bufou. — E qualquer coisa eu te chamo, mas teremos mamãe lá, isso já vai ser uma grande ajuda.

— E vão ficar só com uma babá mesmo? — Rose perguntou.

— Ao menos no começo, vamos ver se precisaremos de outras depois.

Bella e eu tínhamos escolhido uma babá com recomendações de mil pessoas, checagem de segurança completa e com vinculo à uma agência de renome em Los Angeles. Não queríamos qualquer pessoa com nossa filha, nem fodendo, Holly precisava estar com alguém que a tratasse bem.

Decidimos ter apenas uma babá, pelo menos nos primeiros meses. Não queríamos simplesmente passar Holly para mãos de terceiros, nossos laços com ela não existiriam se fizéssemos isso. Então, a babá, seria uma ajuda, como minha mãe também, mas não iria ser a pessoa criando Donut.

— Você acha errado termos babá? — questionei. — Como se isso fizesse nós dois menos pais?

— O quê? Não, claro que não, Edward — Rosalie negou.

— Mamãe fez quase tudo sozinha pela gente, sem babás, quase sem Carlisle — sussurrei. — E éramos dois ao mesmo tempo, deixando ela doida.

— Você deixava ela doida — Rose brincou, mas voltou a falar sério. — Eu não acho que seu plano e de Bella é deixar Holly ser criada por outras pessoas…

— Claro que não.

— Então, ter ajuda é essencial. A Bella vai tá em um momento bem complicado e você precisa estar lá fazendo sua parte, mas podem ter uma rede de apoio para não surtarem, isso não é um crime. Cuidem da filha de vocês, paguem bem a babá, não sejam chefes terríveis e tudo estará bem.

— Bom, até agora nunca recebemos nenhum processo trabalhista. — Ajustei meus óculos em meu rosto. — E olha que a Bella não é a chefe mais simpática do mundo.

— Como se você fosse.

— Ei!

— Mas, vocês dois mudaram muito, é justo salientar isso — Rose continuou. — Estão bem mais simpáticos agora do que há dois anos.

— Que bom, é tão legal ser simpático! — falei com falsa animação na voz, fazendo minha irmã rir. — E o Emmett? Tem tempo que não vejo ou falo com ele.

— Está bem, amando a peça, fazendo alguns testes. Talvez ele consiga fazer uma participação em Grey 's Anatomy.

Emmett também se recusava a aceitar os contatos de Bella, ou mesmo a minha divulgação. Pediu que eu não postasse nada sobre sua peça, mesmo quando fomos assistir, eu só saí em uma foto que Rose postou em seu Instagram, mas ela tinha feito uma conta nova e fechada meses atrás, onde meus fãs e outros desconhecidos não podiam ver suas fotos novas.

O livro da minha irmã seria lançado em Outubro, eu achava muito tempo, mas ela já tinha me explicado que era um processo demorado entre revisões, edições, processo de confecção da capa, planejamento de marketing e tudo mais. E disso eu entendia, lançar um álbum também não era algo rápido.

Ela tinha decidido continuar com a ideia do pseudônimo, também optou por não mostrar sua cara, já que isso iria deixar claro quem ela era, mesmo não usando nosso sobrenome.

Por enquanto vou ficar anônima, depois vejo o que faço — ela tinha dito meses atrás. — Provavelmente será até bom para a promoção do livro não saberem quem é a pessoa por trás dele, irá dar um climinha de mistério.

Éramos diferentes, apesar das minhas inseguranças, nunca faria aquilo. No final das contas, gostava de estar sob os holofotes.

— Ele não consegue mesmo ir para Malibu com a gente amanhã?

— Não — Rose choramingou. — É trabalho, ele não pode largar a peça assim do nada e no outro dia tem testes cedo. Mas vai sair da peça direto para a festa sábado, mesmo que chegue depois que tudo tiver começado.

— Será nossa melhor festa de aniversário — declarei.

— É um ano surpreendente — falou. — Com papai vindo e a gente indo viajar com ele e mamãe juntos depois do divórcio, mesmo que Malibu seja aqui perto, enfim, você entendeu.

— Ela disse que estaria tudo bem viajar com ele, Carlisle também não viu problemas. Será se Aro ou Emma viram problemas nisso? Eu convidei Aro, mas ele disse que tinha muito trabalho, com o roteiro do filme da Audrey.

Rose já sabia sobre o filme do nosso padrasto que minha esposa iria atuar, ela estava louca por isso.

— Sei lá, Aro é tão de boa e eu não tenho contato nenhum com Emma para saber como ela está reagindo. — Finalmente entramos no estacionamento do aeroporto. — Espero mesmo que eles não criem problemas um com o outro, tem tudo para ser um aniversário perfeito. Porra, não tem vaga nenhuma nesse lugar!?

— Olha só, Rosalie Cullen sendo a irmã boca suja.

— Não enche, isso aqui tá lotado e o papai já deve estar chegando. Me ajuda a achar uma vaga, Ed.

— Lá no final deve ter. — Conferi o horário em meu celular, Carlisle logo chegaria mesmo. Vi uma mensagem de Bella naquele momento, falando que já estava voltando para casa, mas pararia para fazer umas compras antes.

Capitã: Holly e eu estamos bem, eu só preciso comprar roupas para Malibu. Nada me serve mais!

Eu respondi, dizendo onde estava e que logo iria para casa também, depois de deixarmos Carlisle no hotel. Meu pai tinha sido convidado a ficar em nossa casa, mas preferiu se hospedar em outro lugar, até porque em alguns dias Emma chegaria, mesmo que ela não fosse ficar todo aquele mês com ele em Los Angeles.

— Finalmente — Rosalie comemorou quando conseguiu uma vaga. — Vou entrar e trazer o papai, não crie problemas — ordenou antes de sair do carro.

Eu tinha escolhido sair sem meus seguranças e aparecer em um aeroporto lotado sem eles seria pedir para ser tragado pela confusão, sendo assim esperaria no carro. Pacientemente jogando Candy Crush, ou não tão paciente assim, já que eu não conseguia passar de fase.

Uns dez minutos depois, meu pai e Rose apareceram. Ali me permiti sair do carro, indo logo abraçar o médico.

— Como você está, filho? — perguntou. — Belo brinco. — Fez uma careta quando viu a argola em minha orelha. Eu tinha colocado piercings nos mamilos há algum tempo e depois me vi com vontade de furar a orelha, e estava cogitando colocar um na sobrancelha, mas ainda não estava decidido.

— Você odiou, não precisa fingir — falei rindo. — Estou bem. — Rose abriu o porta malas e eu coloquei a mala de Carlisle lá, ele tinha levado só uma grande e outra de mão, não era o tipo de pessoa que viajava cheio de bagagens. — E o senhor? E Emma?

— É um voo muito longo, mas foi tranquilo. Emma está animada para vir em breve, ela nunca esteve na Califórnia.

— Vamos? Antes que alguém veja o Edward.

— Eu vou na frente. — Carlisle passou por mim antes que eu pudesse ir para o banco do carona, xinguei baixinho e entrei no banco de trás.

Até o hotel ficamos falando sobre amenidades, minha irmã e eu subimos com Carlisle para o quarto. Eu fui logo pedindo serviço de quarto, por sorte eles tinham donuts para vender e foram entregues rapidamente.

— Depois eu te pago, pai — prometi, ele tinha insistindo em pagar por sua hospedagem e passagens, mesmo que eu tivesse teimado em querer arcar com todos os gastos.

— Não precisa pagar nada, Edward. — Terminou de ajeitar suas roupas no armário. — Vamos viajar que horas amanhã?

— Nós dois vamos no meu carro, pai — Rose disse. — Venho te buscar às nove, Ed vai com a Bella e mamãe da mansão. Nesse mesmo horário, né? — me perguntou, eu assenti e de boca cheia respondi:

— Queremos aproveitar bem o tempo lá, então talvez um pouco mais cedo.

— Edward, mastigue e engula antes de falar — Carlisle chamou minha atenção, revirei os olhos, mas não falei mais de boca cheia.

Acabamos ficando por ali por um bom tempo, conversando com meu pai, comendo donuts e apreciando a vista para a piscina do hotel que o quarto tinha. Estávamos em paz, até meu celular tocar, era Felix. Isso me apavorou na hora, ele estava fazendo a segurança de Bella naquele dia, algo tinha acontecido com ela? Holly estava nascendo?

— Oi — falei ao atender, tão nervoso que meu corpo gelou na hora.

— Chefe, estou levando a senhora Cullen para casa, algumas garotas jogaram ovos no carro dela.

— O quê? Que porra é essa? — gritei, meu pai e Rose me olharam confusos. — Como ela está?

— Um pouco nervosa…

— Eu tô indo pra casa agora!

***

O carro estava imundo, alguns funcionários da mansão começavam a limpá-lo. Bati a porta do carro de Rosalie e corri para dentro de casa, topei com Nelly no meio do caminho, indagando onde estava minha esposa.

— No quarto…

Não esperei mais nada, correndo pelas escadas para encontrar Isabella. Estava deitada em nossa cama, com minha mãe ao seu lado mexendo em seus cabelos, olhos fechados, mas eu sabia que não dormindo.

— Filho, oi — mamãe falou comigo, em um tom de voz baixo. — Eu tinha acabado de chegar quando Bella chegou.

Ignorei o que Esme falava, subindo na cama também, tocando no rosto de Isabella com cuidado.

— Linda, como você está?

— Como acha que estou? — questionou irritada, ainda de olhos fechados, franzindo os lábios em seguida.

Olhei para minha mãe, preocupado com o jeito que Bella tinha falado. Esme me lançou um olhar de compaixão e disse:

— Bella precisa descansar.

— Vamos medir a pressão dela, se estiver alta temos que falar com a médica — falei, sentindo meu corpo muito agitado, talvez precisasse medir minha própria pressão.

— Acabei de medir, filho. Está normal — minha mãe falou e colocou uma mão sobre meu ombro, pressionando. — Vamos sair e deixar a Bella deitada um pouco, ok?

— Não!

Eu queria ficar com minha esposa, mesmo que naquele momento ela não parecesse querer papo com ninguém.

— Edward, vamos — Esme disse, em um tom de voz tão autoritário que só me restou ceder.

Segui com ela para fora do quarto, e assim que fechamos a porta, eu indaguei:

— Você sabe direito o que aconteceu?

— Bella deixou o apartamento do Jasper, parou para fazer umas compras. Felix estava dentro da loja com ela, o motorista e o outro segurança ficaram do lado de fora. Não tinham paparazzis, mas Felix viu uma adolescente tirando foto da Bella na loja, avisou que poderiam aparecer paparazzis, ela quis continuar as compras mesmo assim. Os paparazzis não apareceram, mas umas duas adolescentes com ovos sim e começaram a atirar no carro. O segurança e o motorista conseguiram detê-las, a polícia apareceu e logo as levou, Bella veio para casa.

— Na porra daquele carro sujo de ovos. — Senti minha garganta fechar.

Desci as escadas, indo atrás de Felix. Ele estava do lado de fora, supervisionando a limpeza do carro.

— Senhor Cullen, acabei de falar com a polícia — começou a contar. — As garotas foram liberadas, mas a senhora Cullen pode prestar queixa.

— Nomes!? — exigi, tirando meu celular do bolso, Felix me falou os nomes delas e claro que no Twitter tudo aquilo já estava sendo comentado, com pessoas bem mais informadas do que eu falando sobre as garotas.

Uma tinha 15 anos, a outra 16. Ambas minhas fãs, pelo teor das contas delas nas redes sociais, detestavam Isabella e achavam que eu deveria voltar a namorar Sophie Hills. A porra da atriz que namorei um milhão de anos atrás, logo no começo da minha carreira.

Voltei para dentro de casa, não liguei para minha mãe dizendo que Bella precisava ficar um pouco sozinha e segui para nosso quarto. Isabella tinha sentado e estava de olhos abertos, rosto coberto por lágrimas e suas mãos protetoramente sobre sua barriga.

— Linda, você vai prestar queixa contra essas meninas.

Bella bufou, revirando os olhos.

— Quantas queixas terei que prestar? — indagou revoltada. — Uma parte considerável das suas fãs ainda me odeiam, seria mais fácil nos divorciarmos do que lutar contra elas.

— O quê? — gritei, Bella revirou os olhos novamente.

— Tô falando que é exaustivo, isso tudo — disse chorando mais. — Ser odiada simplesmente por ser casada com você. — O lábio inferior dela tremeu. — Não poder nem sair para compras sem correr o risco de ter meu carro alvejado por ovos. E se fosse mais do que ovos? E se algo machucasse a mim ou a Holly? Eu só tô exausta. — Levou as mãos ao rosto. — Não quero que todos me amem, mas quero poder sair sem ter medo de alguma merda acontecer comigo.

— E você quer se divorciar?

— Edward, puta merda. — Voltou a me olhar. — Não quero me divorciar, foi modo de falar. Só tô expondo que entre nós dois, nosso casamento tem um peso maior para mim.

— Desculpa se isso acontece — falei ainda me sentindo abalado por ela mencionar um divórcio. — Mas eu não tenho culpa de nada disso, você está despejando em cima da pessoa errada.

— Perdão, feri seus sentimentos? Esqueci quão difícil foi seu dia — debochou.

— Quer saber, acho melhor eu descer mesmo.

Saí do quarto sem falar mais nada, meus pais e Rose estavam em uma sala lá embaixo. Mamãe rapidamente subiu para ficar com Bella, eu sentei em um sofá e comecei a chorar, tremendo um pouco. Odiando que aquelas pessoas tivessem atacado Bella, odiando que nosso casamento ainda era motivo de ódio para uns, e odiando ainda mais termos discutido quando deveríamos ter ficado lado a lado.

***

No começo da noite eu estava na sala de TV, assistindo Brooklyn Nine-Nine, tentando distrair minha mente ao máximo. Meu pai e Rose tinham ido embora, minha mãe continuava com Bella.

Nenhum de nós tinha feito nada efetivo sobre o ocorrido, eu apenas tinha postado um texto em minhas redes sociais mais cedo. Sem ligar para Irina que pediu para eu ficar quieto, até as coisas se acalmarem e Bella decidir o que queria fazer.

“Minha esposa está grávida de 38 semanas, minha filha pode nascer a qualquer momento e ambas foram vítimas de um ataque idiota hoje. As pessoas responsáveis por ele gostariam de me ver namorando alguém com quem me relacionei muitos anos atrás, alguém com quem nunca mais tive contato. Eu sou casado, tem seis meses que Isabella e eu trocamos votos e alianças diante da família e amigos. Nada do que fizerem ou falarem fará com que eu peça divórcio para ficar com qualquer outra mulher, amo minha esposa, é com ela que quero estar. Esta não é a primeira vez que falo sobre assuntos desse tipo, mas espero que seja a última. Vocês que propagam ataques virtuais e também pessoalmente, estão machucando pessoas que amo, não os considero meus fãs. Por favor, deixem minha família em paz.”

Bella estava certa, parte considerável das pessoas que se diziam minhas fãs, ainda a odiavam. Mas, a maioria estava revoltada com o que tinha acontecido, subiram até hashtag pedindo respeito por Isabella no Twitter.

— Oi. — Tirei meus olhos da série ao escutar o cumprimento e vi Bella entrando na sala. Tinha tomado um banho, seus cabelos pareciam bem brilhosos e escovados, passou até um pouco de maquiagem, isso ajudou a esconder sua cara de choro.

Ela caminhou até sentar ao meu lado, os olhos estavam ansiosos.

— Desculpa pela forma que falei com você, Edward — pediu, sem desviar o olhar mesmo que estivesse apreensiva. — Foi muito escroto da minha parte. E eu nunca vou pedir o divórcio. — Lágrimas invadiram meus olhos. — Sério, me perdoa. Você estava certo, não deveria ter jogado minha raiva em você. — Afagou meu rosto, as minhas lágrimas venceram, seguindo caminho por minhas bochechas.

— Me desculpa também — pedi. — Por ter essa gente maluca te atacando por minha causa.

— São só adolescentes — Bella murmurou. — Eu e você já fizemos um monte de merda quando tínhamos a idade delas.

— Elas poderiam ter machucado vocês duas. Você precisa prestar queixa.

— Não quero, só preciso esquecer isso. — Segurou o choro. — Me perdoa — pediu outra vez. — Não queria te magoar, eu só estava muito estressada.

— Não tem o que te perdoar. — Beijei a cabeça dela, depois a coloquei em meus braços.

— Tem sim, não posso ser grossa com você só porque estou chateada, preciso controlar meus sentimentos, não despejar eles de forma grosseira em ninguém.

— Você está grávida, isso foi muito para você.

— Para de tentar limpar minha barra — implorou.

— Ok, eu te perdoo. Você me perdoa por não ter te entendido direito na hora e ter dado corda para a discussão?

— Sim. Estamos bem? Não quero ficar brigando com você às vésperas do seu aniversário.

— Estamos bem. — Afaguei suas costas. — Ainda quer ir para Malibu?

— Por favor, vai ser melhor. — Roçou o nariz em meu pescoço. — Não quero cancelar nossos planos por nada disso.

— Ok.

— Obrigada por me defender na internet.

— Não precisa agradecer por isso.

— Tanya disse que chegou um monte de flores e presentes de fãs lá na produtora para mim. Vou focar nessas pessoas que gostam da gente, que gostam de mim, as outras que se fodam. Ai, Holly! — exclamou quando Donut chutou, por estarmos abraçados eu também senti.

Ri um pouco e desfiz o abraço, coloquei minha mão em cima da barriga de Bella e Holly chutou de novo.

— Ela pensa que sou uma bola de futebol — Bella disse, mas riu também, se movendo no sofá e apoiando as costas nele.

— Você mediu sua pressão de novo?

— Tudo em ordem — confirmou. — Aparentemente Holly e eu temos uma saúde física de ferro.

— Excelente. Então, Holly Cullen, você vem amanhã?

— Eu acho que não, amor — Bella falou, eu suspirei, mas assenti.

— Ainda será um grande aniversário.

***

Minha mãe e Bella estavam na cozinha jogando cartas mais tarde naquela noite, eu cozinhava. Tinha feito alguns pães dias atrás, em grande quantidade e poderia aproveitá-los para fazer torradas.

— Filho, já está tarde, descansa um pouco — minha mãe pediu.

— Estou bem, não vou demorar muito aqui.

— Trinta minutos para o aniversário da Rosalie — Bella cantarolou, eu olhei para ela e fiz careta, minha esposa riu. — Seu também, pirralho. Calma que vou te dar parabéns… Não, você não venceu! — gritou, mamãe tinha acabado de levar aquela partida.

— Venci, aprenda a perder, Bella.

— Que saco — Bella reclamou. — Embaralha para a próxima?

— Eu ganhei, você deveria embaralhar.

— Esme, estou te dando uma neta, você deveria me mimar. — dramatizou e se levantou com cuidado, pegou seu copo de cima da mesa e veio para perto de onde eu estava. — É bom essas torradas ficarem boas, Cullen.

— Elas vão, o que você quer aqui?

— Água, mas também quero comer algo doce. — Foi até a geladeira, encheu seu copo e pegou um pote com uvas.

— Aproveita que tá em pé e tira uma foto minha?

— Exibido — disse rindo, mas se aproximou, pegou meu celular que estava ali perto e tirou uma foto minha cortando o pão.

— Valeu, Capitã. — Dei um beijo barulhento em sua bochecha, ela riu e voltou para perto de mamãe e as duas recomeçaram o jogo.

Continuei minha missão e acabei de fazer tudo por ali, coloquei os pães para assarem no forno com um tempero feito por mim, também preparei rapidamente uma geleia salgada para acompanhamento e comecei a limpar a bagunça. Lavar louça era um saco, mas deixar tudo sujo não era algo legal, então dei uma geral no que baguncei, enfiando as louças na máquina de lavar.

Peguei meu celular e postei a foto que Bella tirou de mim no Instagram, só a foto, sem falar mais nada. Já tinha esgotado minhas palavras nas redes sociais por aquele dia com meu texto sobre o ataque que Isabella sofreu.

Fiquei longe do Instagram e Twitter depois disso, fui responder mensagens de Alec, Riley e até de Emmett. Ele queria o endereço correto da casa de Malibu, para onde mandaria o presente da minha irmã.

Por fim, tirei as torradas do forno, provei um pouco com a geleia e adorei.

— Meia-noite! — Isabella gritou, isso me assustou e na mesma hora começou a tocar Let’s Dance do Bowie no sistema de som da casa. Isso fez Jude latir, então Shrek latir para ele, Woody apareceu e tentou pular no balcão, mas não deixei.

Minha esposa andou em minha direção, em seu celular a foto de um cupcake com uma vela em cima. Eu ri, ela me mandou apagar a vela e entrei na brincadeira, em seguida ela me beijou.

— Feliz aniversário, amor — desejou. — Eu te amo muito, ainda vamos comemorar muitos outros aniversários seus juntos, prometo. — Mais um beijo. — Sua filha também está desejando parabéns, ela te ama. — Afaguei sua barriga, minha garganta fechando um pouco com vontade de chorar. — Já disse feliz aniversário, suficiente? — provocou.

— Não!

— Feliz aniversário, parabéns, tudo de melhor na sua vida e essas coisas todas. — Encheu meu rosto de beijos.

— Obrigado, Capitã — agradeci. — Você está perdoada por ter sido relapsa no ano passado.

— Que bom, esperei tanto por isso. — Mais um beijo e me soltou, mamãe se aproximou e me deu um forte abraço.

— Feliz aniversário, filho. — Ela começou a chorar. — Nem acredito que você já tem 24, parece que foi ontem que você e sua irmã nasceram.

— Falando nela, Rose está ligando. — Bella anunciou, olhei para ela e vi seu celular tocando. Atendeu e minha irmã apareceu em uma chamada de vídeo, estava no hotel com Carlisle.

— Feliz aniversário! — gritei para minha irmã. — Vinte quatro anos de Rose e Ed, porra! — Segurei o celular, Rose riu, papai não ficou contente com o palavrão.

— Feliz aniversário, irmão — Rose desejou.

— Parabéns, Edward — papai falou. — Espero que seja um ano incrível.

— Será, não tenho dúvidas disso.

***

Isabella dormiu primeiro, depois de mais beijos e felicitações pelo meu aniversário. Eu estava agitado, não conseguia ficar parado na cama e isso me fez deixar nosso quarto, acabei indo para o de Holly.

Depois de muita indecisão entre Bella e eu, assim como várias reuniões com os arquitetos que cuidaram da reforma da mansão, optamos por manter o tema de donuts que tínhamos cogitado logo no começo da gestação. Os arquitetos tinham dado um jeito do lugar ficar aconchegante e ainda assim divertido com a decoração dos doces, como também remeter Bella e eu ao lugar.

Holly já tinha um closet abastecido, um banheiro imenso só para si e seu quarto era um pouco menor do que a suíte que a mãe dela e eu dividiamos. O berço era branco, a peça mais bonita do quarto.

Em cima dele, um mobile que tínhamos mandado fazer. Com alguns donuts, mas também nossos próprios animais, tínhamos um Shrek, uma Amy, um Woody, Jude e Madonna.

A poltrona de amamentação foi onde sentei, apoiando meus pés no banquinho diante dela. Era um tom de rosa confortável aos olhos. Nós também colocamos ali um sofá de três lugares e um sofá cama que eu tinha dormido umas três vezes para testar, era bom mesmo para mim que era alto.

A parede mais chamativa do quarto, tinha sido pintada com a partitura da música que Bella e eu fizemos. Com alguns donuts substituindo as notas musicais.

Perto da poltrona, estava um abajur e o bichinho de pelúcia do Shrek que Jasper deu para Holly. Bella o achava pavoroso, mas fiz questão de tê-lo no quarto. Além disso, outros itens de decoração e alguns brinquedos completavam o quarto dela.

Tirei o celular do bolso do meu moletom, colocando para tocar a canção de Holly. Nós ainda não tínhamos decidido se ela seria lançada, e se fosse, faríamos com que todos os lucros fossem revestidos para alguma causa importante.

Ainda olhando para o quarto, percebi que minha casa tinha se tornado um lar de verdade. Não só por causa dela, era um sentimento que eu vi crescer quando deixei aquela reabilitação e me vi pouco a pouco mudando, melhorando.

Abri o bloco de notas, digitando algumas frases para uma possível canção. Fiquei mais um tempo ali, até voltar para meu próprio quarto, Bella estava dormindo, mas despertou quando deitei ao seu lado.

— Tudo bem, amor?

— Tudo bem. — Mexi em seus cabelos, ela sorriu e fechou os olhos de novo.

— Ótimo, feliz aniversário, pirralho.

— Já tenho 24, ainda mereço esse apelido? — perguntei brincando, não ligava para ele, não quando era ela o usando.

— Você sempre será meu pirralho. — Segurou minha mão, puxando-a para colocar sobre sua barriga, nossa filha estava mexendo um pouco. — É só ouvir sua voz.

Eu sorri. Novamente pensando em como aquela casa tinha virado um lar e em como, apesar dos problemas ainda existirem, preferia minha vida aos 24 anos do que a versão de anos atrás.

***

Deixamos a mansão por volta das oito da manhã, eu dirigia e Bella estava ao meu lado, minha mãe no banco de trás. Como era a pessoa dirigindo e o aniversariante, ganhei o direito de escolher o que ouviríamos até Malibu, eu acabei colocando um podcast sobre barcos que tinha começado a escutar por indicação dos professores com quem tive aula.

— O Diabo deve colocar esse podcast para tocar no inferno e usá-lo como método de tortura — Bella resmungou, ela não gostava de podcasts no geral, mas dizia que aquele era o pior de todos.

— Isabella! — Esme chamou a atenção dela pela forma que falou.

Minha esposa resmungou, pegando seu celular e tirando uma foto sua fazendo cara feia. E ditou em voz alta o que estava escrevendo na legenda que usaria para postar a foto no Instagram.

— Sendo obrigada a escutar podcast sobre barcos — falou, suas unhas estavam compridas e faziam barulho quando ela digitava rapidamente. — Reticências.

— Espero que a Holly não seja tão chata quanto você — eu falei contra uma falsa tosse, ganhando um tapa dela no braço. Apenas ri e aumentei o volume do som, podendo escutar melhor o podcast.

Ser o aniversariante do dia era o máximo, era até uma pena a viagem para Malibu ser tão curta. Em pouco mais de uma hora, com duas pausas para Bella ir ao banheiro em lanchonetes no meio do caminho, chegamos lá, com escolta dos nossos seguranças em outro carro.

Isabella foi direto para o banheiro, eu fui trocar minhas roupas para cair no mar. Já estava na água quando meu pai e Rose chegaram, minha mãe e Bella estavam na varanda da casa que dava vista para o mar. Eu acenei, mas continuei ali, sentindo as ondas contra meu corpo e o Sol me aquecendo.

Rose acabou se juntando a mim alguns minutos depois, nos abraçamos e mais felicitações de aniversário foram proferidas. Bella não entrou no mar, mas se sentou um pouco mais perto, em uma cadeira de praia que meu pai colocou para ela ali, só seus pés molhando.

Eu segui até eles, meu pai também me parabenizou novamente, e disse que me abraçaria quando eu não estivesse molhado.

— Como a Califórnia é quente — protestou.

— Você deveria entrar na água — falei, sentando na areia, perto de Bella.

— Não sou fã de praia, você sabe. Rosalie não vá muito para o fundo! — gritou para minha irmã.

— Veio para o lugar certo, sogro — Bella debochou, ele teve que rir ao escutar aquilo.

Bella e meu pai não se viam pessoalmente desde que nos encontramos com ele na França em Fevereiro, porém um sempre perguntava sobre o outro para mim e se viam vez ou outra quando eu estava fazendo chamadas de vídeo com Carlisle, algo que fizemos muito. Eu tinha viajado com Rose para Bath em Abril, uma viagem rápida, de um final de semana, justamente apenas para ficarmos um tempo com nosso pai.

Mas eu sabia, que mesmo sem ter muito contato, Bella e Carlisle estavam mais confortáveis em ficar perto um do outro. Eu nunca teria deixado ele ir para Malibu sem aquilo, Isabella estar bem era o que mais me importava.

Nós ficamos mais um tempo na praia, até entrarmos para sair do Sol quente. Mamãe estava fazendo o almoço, Rosalie e eu fomos ajudar depois de trocarmos as roupas molhadas, Bella tentou sentar com seu notebook e escrever um pouco do roteiro, mas não conseguia concentrar.

— Você decidiu se irá querer algum tipo de medicamento para dor durante o parto? — Carlisle perguntou para ela.

— É uma possibilidade, está no meu plano de parto — Isabella respondeu. — Mas depois de todas essas semanas estudando mais sobre partos, eu quero que seja o mais natural possível, quanto menos interferência médica e farmacológica melhor. Também só quero ir para o hospital quando for necessário, sem precisar passar horas e horas lá.

— Você tem medo de hospitais? — Carlisle quis saber.

— Sim, detesto. — Ela se arrepiou. — Por isso, quanto menos tempo ficar lá será melhor para ficar mais calma.

— Carlisle, você consegue lembrar quantas vezes eu fui para o hospital por conta de contrações de treinamento? — minha mãe perguntou a ele, que sorriu para ela.

— Diversas.

Bella riu.

— Na primeira eu também quis ir, Edward quem lembrou o que era e me acalmou.

— Carlisle não conseguiu me convencer que era normal, quis que o obstetra me acompanhando me avaliasse e garantisse que estava tudo bem com os meninos.

— Nem quero imaginar o que é ter gêmeos, ainda mais se um fosse tão irritante quanto Edward — minha esposa provocou e piscou para mim, eu não me abalei, todo aquele papo e clima leve com a família me fazia bem. Sabia que para Rose também, ela não parava de sorrir mesmo cortando cebolas, que sempre a faziam chorar muito.

— Eu tinha gêmeos em minha família — mamãe contou. — Uns primos da minha mãe, mas ainda foi uma surpresa.

— Edward veio de intruso — Rosalie brincou.

Continuamos conversando, ainda brincando e provocando, meu pai participando parecendo muito a vontade. Por um minuto ou dois, imaginei como seria a vida se ele e minha mãe voltassem a ficar juntos, sem Emma ou Aro no caminho, mas percebi algo e Rose parecia ter lido meus pensamentos, pois cochichou para só eu escutar.

— Parece que eles estão mais felizes assim, não é? E mais amigáveis um com o outro também.

— Sim — concordei. — Talvez nem toda história de amor precise ser eterna — sussurrei, mas torci para a minha ser.

— É um dos melhores aniversários que temos em anos — minha irmã falou ainda olhando para eles dois conversando sobre o dia do nosso nascimento, Bella os escutava atentamente e ainda sorria. — Para mim, só faltava o Emmett aqui.

— Ano que vem, manda ele se programar desde já. E você escolhe o tema da festa dos 25.

***

De tarde, Bella e eu estávamos no nosso quarto degustando das maravilhas do ar-condicionado. Iríamos sair de noite para jantar, então ela aproveitou para tirar um tempo de cochilo e eu, depois de trocar um bilhão de mensagens com Jasper, entrei em minhas redes sociais para agradecer aos fãs pelos parabéns que não paravam de chegar desde a virada do dia.

Primeiro vi que o Portal Beward tinha postado prints de uns stories que Bella postou ainda na madrugada do dia 20, logo depois de encerrarmos a chamada de vídeo com Carlisle e Rose, minha esposa gravou dois stories me parabenizando diante da câmera. Eu aparecia na tela no final do segundo, a abraçando por trás, beijando seu rosto e afagando sua barriga.

O Portal escreveu:

“Começando os trabalhos: Isabella nos stories dando parabéns pro Ed!

Holly continua no forninho, mas apostamos que ela nasce ainda hoje no aniversário do papai dela. O que vocês acham?”

Eu achava que aquilo seria bem impossível, Bella seguia sem nenhum sinal de que estava entrando em trabalho de parto. Mas, curti a publicação, quem sabe eles não estavam certos e meu maior presente do dia fosse o nascimento da minha filha.

Continuei lendo e curtindo os parabéns no Twitter, me sentindo muito grato por todas aquelas pessoas que tiraram um tempo para me parabenizar. Depois fui para o Instagram, até então, eu só tinha postado lá uma foto minha com Rose de quando éramos bebês e escrito na legenda:

“Um maravilhoso aniversário para a melhor irmã do mundo, a pessoa que me atura desde os primórdios. Dividir essa data com você é uma honra. Amo você, Rose.”

Os fãs tinham lotado aquela publicação de comentários e também curti o máximo deles.

“Parabéns, Ed! Muitas felicidades, que você continue realizando todos os seus sonhos, que você e a família que está construindo sejam imensamente felizes!”

“Feliz aniversário, Ed e feliz aniversário, Rose!!! Será que a Holly vai nascer hoje também??! Estou ansiosa por essa notícia!!! Isabella compensou a falta das felicitações no ano passado? Deixe a gente saber qual foi o presente que ela te deu. Toda felicidade do mundo, amo vocês.”

Até aquele momento não tinha ganhado presente, nossos pais e Bella iriam presentear Rose e eu no restaurante.

“#cometobrasil Feliz aniversário! Que a Isabella não tenha esquecido dessa vez.”

Eu ri, a piada nunca perderia a graça. Não que ela tivesse esquecido, sim só se privado de falar comigo um ano atrás.

“Ed Cullen, parabéns e felicidades!! Cuide muito bem da Holly e da Capitã! Isabella, não esquece do aniversário do Ed esse ano ou ele não vai te perdoar haha”

“Feliz aniversário para o próximo papai mais fofo, para o melhor cantor, Ed Cullen! Ed que você seja cada dia mais feliz e ainda mais com a Holly chegando! Cuide bem dela e da Isabella! Capitã, se esse ano você esquecer do aniversário do Ed, ele não te perdoa! hahaha Amo vocês!”

“Parabéns, Ed! Felicidades mil para você.”

“Parabéns! Muitas felicidades, Ed.”

“Parabéns, Ed!”

“Parabéns, te desejo felicidade e vários grammys.”

“Torcendo para a chegada da Holly aqui como o melhor presente de aniversário do mundo. Amo vocês, feliz aniversário, Ed!”

Um dos comentários não curti, pois poderia deixar as pessoas chatas fazendo suposições irritantes, mas também me fez rir.

“O parabéns que eu quero dar pro Ed é diferente, desculpa gente…”

Bella acordou com minha risada, mas não parecia brava por ter tido seu sono atrapalhado. Me inclinei e beijei seus lábios, ela sussurrou contra minha boca.

— Tenho um presente para te dar mais tarde, mas acho que você merece outro agora, senhor Cullen.

O jeito que ela se referiu a mim fez meu corpo esquentar na hora, não pelo calor que estava fazendo em Malibu.

— Sério? — Desliguei meu celular e o joguei na cama.

Não transavamos desde o final de Maio, ela já não queria mais e eu entendia que todas as mudanças em seu corpo estavam diminuindo sua líbido.

— Bom, apenas um presente manual. — Sorriu mais e fez um movimento sugestivo com a mão. — Só algo para não passar em branco.

— Eu te amo! — exclamei e voltei a beijá-la.

Quis tocar por debaixo do vestido que ela usava, mas Bella pediu para eu não fazer aquilo, dizendo que aquilo seria só sobre mim, não sobre ela. Eu aceitei, ela parecia decidida sobre isso, mas eu a beijei ainda mais, dando também beijos em seu pescoço.

Então, ela se sentou com minha ajuda e começou a abaixar meus shorts e cueca. Suas mãos, que eu tanto amava, logo estavam em meu pau e bolas. Eu gemi alto, jogando a cabeça para trás e implorando por mais.

Tinham sido longas semanas me masturbando sozinho, sem nem os vídeos dela, já que todos eram apagados o quanto antes de nossos celulares. Era bom pra caralho ter um momento sexual novamente com minha esposa, muito, muito bom.

— Esse é um bom presente para você, Cullen? — ela indagou dando um sorriso malicioso, eu assenti e suspirei. — Quer mais presentes de noite? — Sua mão em meu pau começou a ir mais rápido, eu já estava muito perto. — Que tal eu te foder? — sugeriu, naquele instante, gozei, Bella ficou muito satisfeita. — Acho que isso é um sim, hoje vou foder seu rabo. — Usou a mão que não estava suja para me dar um tapa. — E você estará amarrado, também terá de ficar em silêncio absoluto para ninguém te escutar.

— Talvez eu acabe gritando. — Dei um sorriso preguiçoso. — E eu não vou poder te foder, putinha?

— Hoje não, você compensa no meu aniversário.

— Ok, no seu aniversário irei retribuir muito bem, você sabe que dou os melhores presentes.

Ela bufou, mas voltamos a nos beijar.

***

Holly não nasceu no meu aniversário, mas continuou sendo um dia maravilhoso até o último segundo. De noite, como combinado, fomos jantar e lá Rose e eu ganhamos presentes.

Meu pai me deu um livro sobre barcos, minha mãe uma biografia do Bowie, os dois contentes que Bella naqueles últimos meses tinha me feito começar a ler mais, ainda que não fosse meu hobby favorito. Mamãe também me deu facas para a cozinha com minhas iniciais. Rosalie me presenteou com um violão novo, mas esse seria entregue em Los Angeles.

E Bella, lembrando do seu aniversário do ano anterior, mandou confeccionar uma caixinha de música para mim também. Aquilo fez meus olhos encherem de lágrimas, era uma réplica da nossa sala de música, eu estava sentado ao piano e ela sentada ao sofá, com Holly em seus braços.

— Não sei se ela terá cabelos ruivos como os seus, mas decidi arriscar! — Apontou para o bebê na caixinha, que tinha mesmo os cabelos pintados da cor dos meus. — Aperta o botão.

Eu apertei e a canção tocando foi a que fizemos para Holly, isso me fez chorar para valer, sem me importar de estarmos no meio do restaurante. Beijei e abracei minha esposa, agradecendo pelo presente e pela filha que ela estava me dando.

Mais tarde, depois de Bella me dar mais um orgasmo de presente, ela dormiu primeiro. Eu estava acordado, mexendo em seus cabelos e tirando fotos dela. Minha esposa estava corada e dormia com um sorrisinho no rosto, era linda pra caralho, ainda mais bonita carregando Holly em seu ventre.

Eu também tirei fotos da barriga e fiz vídeos, sem falar nada, beijando a barriga dela. Bella nem se moveu, dormindo pesado.

Abri o Instagram para postar uma foto de nós dois, mas acabei me distraindo com a que Isabella tinha postado minha pouco antes de sairmos para o restaurante. Era uma minha de um mês atrás, tirada ali mesmo em Malibu quando fomos passar alguns dias na praia com Jasper e Alice. Eu estava na cama, com um livro na cara.

“Feliz aniversário para meu marido, amigo, pai da minha filha e o cara que lê livros da Jane Austen para debater comigo. Finalmente estamos comemorando um aniversário seu da maneira correta. Eu te amo muito, obrigada por ter aparecido na minha vida, por cuidar de mim e por ser uma das melhores partes dos meus dias.

ps: vocês estão de prova que esse ano eu dei parabéns!”

Eu curti e comentei a foto.

“Te amo tanto, garota. Leria todos os livros já escritos para debater com você, mesmo que alguns sejam tão chatos e assistir aos filmes seja uma ideia melhor. Terceiro aniversário desde que te conheci pessoalmente e meu favorito, a tendência é só melhorar. Já animado pensando no do próximo ano!”

Em seguida, foquei em postar a foto que queria, tínhamos tirado no restaurante, comigo beijando sua barriga e Bella carregando a caixinha de música sorrindo largamente.

“Aos 23 eu passei o meu aniversário praticamente sozinho, longe da família e da garota que amo. Aos 24, eu estou casado com a garota, com uma filha quase nascendo e me sentindo um sortudo do caralho. Nem todos os dias são dias felizes, mas tem sido uma vida feliz.”

***

No dia 21, Bella dormiu primeiro novamente, queria estar descansada para a festa da noite seguinte. Ela tinha planejado praticamente tudo só, iria acontecer na nossa boate e eu sabia que seria legal pra caralho.

Eu estava sem sono, tinha dormido pela tarde. Então, aproveitei para curtir um pouco das nossas horas restantes em Malibu, nadei sob o luar e depois sentei na varanda, escutando música, comendo o que restou do bolo que Esme fez para nós, por alguns minutos entrei no Twitter, vendo as respostas ao post que fiz ali mais cedo na hora do jantar.

Publiquei uma foto minha cozinhando, me gabando daquilo.

“Sim, eu cozinho tão bem quanto canto.”

Jasper tinha respondido.

“Ok, já entendemos que você cozinha agora, Cullen.”

Eu ri e continuei vendo as respostas, também acabei entrando no Portal Beward vendo suas publicações do dia. Uma era a foto que Bella postou deitada na areia, seu rosto não aparecia, mas sua barriga sim.

"Nossa mãe está na praia!"

Aquele foi outro dia sem sinal de parto, Holly parecia não estar com pressa alguma.

Minha esposa também tinha postado aquele dia em seus stories outra foto com foco em sua barriga, colocando um emoji de donut e outro de coração na imagem. Os fãs estavam bastante ansiosos também, loucos para que Holly nascesse.

"Só eu sei o quanto tô ansiosa para ver essa criança."

Isaward Swan tinha dito, durante aqueles últimos meses não tinha postado muito em sua conta no Twitter, mas sempre acabava voltando. Deixei o perfil dela e acabei procurando por mais informações das adolescentes que atacaram Isabella, elas tinham enviado cartas de desculpas para minha esposa e eu, estavam nas mãos dos nossos advogados, eu nem queria ler e sabia que a Capitã também não.

Ela só queria esquecer tudo aquilo. Eu não conseguia esquecer.

As garotas aparentemente tinham excluído todas suas redes sociais. Seus pais, no entanto, tinham postado notas pedindo que parassem de jogar ódio em suas filhas.

Eu tive de rir ao ler aquilo, elas podiam literalmente jogar ovos no carro da minha esposa...

— Não — murmurei, desligando o celular, me impedindo de ficar julgando os outros. Não era legal, eu deveria ser melhor do que isso.

— Tudo bem? — meu pai apareceu, sentando ao meu lado.

— Oi, pensei que você estivesse dormindo já.

— Perdi o sono, ainda estou uma confusão com o fuso horário. Tudo bem? — repetiu a pergunta.

— Tudo sim. — Apoiei o prato, já sem bolo, na mesinha diante da gente.

— Muito ansioso?

— Você não faz ideia.

— Faço sim. — Sorriu para mim. — Já fui um pai esperando os filhos nascerem.

— É, acho que você sabe. — Suspirei. — Tô morrendo de medo de errar com a Holly.

— Como errei com vocês? — Não respondi, ele sabia bem qual seria minha resposta. — Você nem sempre irá acertar, mas tem um bom coração e sei que fará tudo pensando no melhor dela.

— Você também fazia coisas pensando no melhor para a gente, mas veja onde paramos — murmurei, minha mãe surgiu naquele instante, também com um prato de bolo.

— O que vocês estão fofocando? — questionou sentando em outro sofá da varanda.

— Também achei que você estivesse dormindo — falei.

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— Estava em ligação com Aro, ele estava me contando como ficará a reforma da casa.

Aro, depois do incêndio no ano novo, tinha ido morar por um tempo em um apartamento que também tinha na cidade. E algumas semanas atrás decidiu enfim reformar sua casa, Jane ficaria com ele no apartamento quando deixasse a reabilitação.

— E aí fiquei com fome. — Ela começou a comer.

— Estávamos falando sobre eu ter errado com vocês — meu pai contou, minha mãe fez careta. — Você não será um pai como eu fui, Edward — Carlisle falou. — Esme fez a parte dela muito bem na sua criação.

Minha mãe resmungou.

— Isso não é o suficiente e você sabe, mas eu também tenho certeza de que Edward será um bom pai.

Nós ficamos em silêncio, eu fiquei pensando na minha infância, adolescência, lembrando de como foi quando Bella contou da gravidez. Pensei no som do coração de Holly batendo, em todas as noites que dormi conversando com ela pela barriga de sua mãe e em como sonhava com ela diversas vezes, algumas delas me imaginando como um pai excelente, nas outras como um pai terrível.

Comecei a chorar, rapidamente meu pai me abraçou, não se importou que eu ainda estivesse molhado de água do mar. Mamãe logo estava me consolando também, eu falei para eles:

— Desculpa se fui um péssimo filho. — Pensei nos pais das adolescentes, em como deveriam sim estar decepcionados com elas, imaginei o quanto não decepcionei meus pais num passado não muito distante.

— Você nunca foi um péssimo filho — Carlisle murmurou.

— Fui sim.

— Não, nunca, nem repita isso — mamãe exigiu afagando minhas costas. — Todos erram, Edward. Você cometeu seus erros, mas nunca foi uma má pessoa. E ainda irá cometer outros erros, ok? Não dá pra ser perfeito, ninguém consegue, é exaustivo tentar sempre acertar.

— Garoto. — Papai me fez olhá-lo. — Respire comigo — pediu, eu me vi seguindo sua respiração, me acalmando mais. — Excelente, puxa o ar de novo.

Eu puxei, soltando aos poucos.

— Você gosta de mim? — perguntei a ele alguns minutos depois. — Não só me ama, mas verdadeiramente gosta.

— Eu gosto de você desde a primeira vez que soube da sua existência, Ed. — Beijou minha testa, chorei mais um pouco. — E quando te peguei em meus braços torci para sermos melhores amigos. Infelizmente isso não aconteceu, mas eu sempre irei gostar de você, nada é capaz de mudar isso, filho.

***

A melhor festa de aniversário do mundo!

Não tinha dúvidas e eu já tinha tido diversas festas de aniversário. A boate tinha sido transformada com a decoração em uma réplica do cenário da delegacia de Brooklyn Nine-Nine, nos telões as minhas cenas favoritas eram exibidas.

O assalto inspirado nos episódios de Halloween foi divertido pra caralho, mesmo Bella dizendo que parecia uma gincana infantil participou e quase ganhou. Quem venceu foi Alice, Bella e eu reclamamos e tentamos acusá-la de trapaça, mas tivemos que engolir nossa derrota, eu nem cheguei perto de vencer para ser franco. O prêmio da Swan foi um troféu imenso, quase do tamanho dela.

Para completar a noite, o próprio Andy Samberg, intérprete do protagonista da série, apareceu na hora dos parabéns. Porém, minha parte favorita da noite ainda foi Bella subindo ao palco com Jasper e cantando Anos, enquanto meu melhor amigo tocava violão.

— E assim encerramos as comemorações do seu aniversário. — Bella beijou meus lábios quando entramos no nosso quarto ao voltarmos da festa.

— E você continua enrolando, Holly — Me abaixei e beijei a barriga de Bella.

— Ela tem os pais mais ansiosos do mundo e decidiu ser a garota mais tranquila de todas. — Isabella mexeu em meus cabelos. — Acho que está tentando nos ensinar uma lição sobre um passo de cada vez.

— Era o que eu temia, ela é irritante como a mãe dela — provoquei, Bella riu. — Você está aí dentro estalando os dedos, Donut? — questionei, ela mexeu um pouco. — Em um dia agitado. Eu sorrio. Imaginando ela e você ao meu lado. É o melhor cenário — cantei nossa canção para Holly. — Te amo, pequena.

***

No dia 25 a editora que tinha fechado contrato com Rose revelou a capa do livro e a data de lançamento, eu quis muito compartilhar e pedir para todos comprarem quando se iniciasse a pré-venda no próximo mês. No entanto, minha irmã, assim como seu namorado, não queria nossa divulgação, mesmo que não falássemos quem era a pessoa por trás do pseudônimo.

Naquela noite, eu estava na cozinha fazendo o jantar, tinha dispensado Sean, e escutando Michael Jackson. Era a data de 10 anos de falecimento do cantor, então foi impossível não ficar pensando nele e escutando suas músicas.

Estava tocando Don’t Stop ‘Til You Get Enough, quando Bella entrou na cozinha cantarolando a canção e usando outra camiseta minha. Ela já tinha pego uma para usar pela manhã, depois de reclamar que mesmo suas roupas de gestante estavam apertadas, mas tinha subido para trocar depois de ter um acidente com vazamento, antes disso eu a fotografei e compartilhei a foto no Instagram, colocando de legenda um “minhas garotas” e um emoji de coração.

— Parece gostoso — comentou ao se aproximar do fogão e ver o omelete que fiz para ela, tinha até cortado no formato de coração. — Mas o que aconteceu com essa frigideira para ela estar toda arranhada? — Observou, eu resmunguei.

— Ela e eu não nos entendemos no primeiro omelete e acabei arranhando a coitada com a colher. — Bella riu e beijou meu ombro. — Controlou o vazamento?

— Falando assim parece que eu sou um cano — protestou.

— Desculpa. — Beijei sua cabeça.

— Mas sim, parou de sair o bendito colostro por hora e coloquei um protetor nos seios para conter novos possíveis vazamentos. Não é fácil ser uma grávida, Holly nem está aqui e estou colocando leite para fora, ainda que nem seja leite de fato.

— Vai, senta para comer — ordenei. — Assim você pode ir para a cama descansar e eu te faço uma massagem.

— Já vai, me deixa tirar uma foto do meu omelete de coração e fazer pessoas morrerem de inveja de mim — pediu, eu ri e deixei ela fotografar o omelete.

Sentamos para comer, eu nos servindo enquanto ela postava a foto no Instagram. Depois de largar o celular, me perguntou:

— Acabei de ver uma fofoca, quer saber?

— Manda!

— Jacob está gravando, parece que vai finalmente voltar a trabalhar depois da polêmica do ano passado.

— Estou é surpreso do Royce não ter o chutado da gravadora — falei me referindo a minha antiga gravadora.

— Acho que foi, a fofoca disse que ele estava gravando em Seattle, talvez tenham rompido contrato e ainda não revelado. — Bella cortou o coração ao meio. — Tá bonito, cheiroso e… — Comeu um pedaço. — Gostoso, parece você, pirralho — disse depois de engolir.

— Sou o melhor nisso.

— Quem diria que eu ia mesmo acabar casada com um cozinheiro.

— Um que é nota 10 no sexo, um que não cozinha patos e um que também canta.

— É, eu saí ganhando. — Piscou para mim. — Aliás, o novo programa do James estreia no final de Julho, ele nos mandou convites para a festa de lançamento.

Aquilo me surpreendeu.

— Tá falando sério?

— Tô, Greg me avisou mais cedo, deve ter sido mais por educação do que qualquer coisa.

— Nós vamos?

— Nem fodendo — negou. — Não quero ir e dar margem para fofocas. E sei que você não ficaria nada confortável.

Não mesmo.

— Será que ela vai nascer antes da festa de aniversário de casamento do seu pai e da Carmen no dia 30? Eu ficarei pessoalmente ofendido se ela nascer nesse dia, podendo ter nascido no meu aniversário — brinquei.

— Só sei que queria ela nascendo logo, já estou na trigésima nona semana e nada, ela parece estar bem de boa.

E estava, três dias depois, sem mudanças. Bella até cansou de ficar em casa e foi visitar Amber e Samuel. Eu fui para ONG passar o dia com minha mãe e foi bem legal reencontrar George, fazia algum tempo que não o via.

Toquei com as crianças, ajudei minha mãe com algumas aulas e voltei para casa no final da tarde. Meu pai, sua esposa que ainda ficaria mais um dia em Los Angeles, minha irmã, Bella e eu iríamos jantar juntos lá.

Isabella já estava em casa, quando me ligou aos gritos:

— Edward, você não vai acreditar! — Eu logo pensei que ela estava entrando em trabalho de parto, mas não era isso ainda que fosse algo muito bom também. — Anos voltou para a lista das 100 músicas mais escutadas no país, mesmo depois de tanto tempo do lançamento. Puta merda, isso é um sonho. Tô na octagésima quarta posição, mas ainda assim é loucura.

— Linda, isso é incrível! — exclamei do banco de trás do carro, enquanto um motorista guiava o veículo.

— Aparentemente os fãs fizeram mutirão para isso acontecer, eu tinha visto a movimentação no Twitter outro dia, mas não sabia que de fato aconteceria. Preciso aparecer nas redes sociais e agradecer, você já está vindo para casa?

— Já sim, quando eu chegar aí iremos comemorar — prometi.

— Excelente, até daqui a pouco, amor. — Desligamos.

Logo recebi uma notificação, Bella tinha postado vídeos nos stories do Instagram e um texto no Twitter. Eu assisti aos vídeos primeiro.

— Gente, o que vocês fizeram acontecer hoje parece um sonho, sério! Anos foi lançada em Fevereiro, ficou algumas semanas no top 100 e depois saiu, agora tanto tempo depois vocês a recolocaram lá, pode parecer pouco para muitos, mas eu juro que pra mim é algo imenso.

Ela não aguentou e começou a chorar, eu sabia bem que não estava atuando em cima daquilo. O vídeo cortou para o próximo, Bella estava com uma mão sobre os olhos. E tinha escrito sobre o vídeo “não dá pra controlar o choro”, respirou fundo e voltou a falar, tirando a mão do rosto.

— Obrigada por escutarem minha música, obrigada por terem se mobilizado para voltar a colocar ela nessa lista. Depois do que aconteceu comigo dias atrás, é muito bom saber que tenho o carinho de tanta gente. E sim, Holly ainda não nasceu. — Riu um pouco. — Ela parece ter gostado muito da minha barriga. Mais uma vez, muito obrigada. Falo com vocês em outra oportunidade. — Mandou um beijo e parou de gravar.

Eu sorri, ver Bella animada e sendo reconhecida por sua canção era algo que me deixava absurdamente feliz.

***

Jasper me entregou uma lata de Coca-Cola, enquanto ele bebia uma cerveja. Nosso sogro e Carmen estavam comemorando 1 ano de casamento naquele sábado e uma grande festa foi organizada na mansão do casal, minha esposa estava em algum lugar com Tanya, a eposa de Jasper estava na pista de dança com Alec, Renesmee por outro lado conversava com Lucy e Riley não muito longe da mesa onde eu estava com meu amigo.

— Ontem você e Bella comemoraram um ano namorando, não foi? — Jasper indagou.

— Foi — confirmei. — Mas ela pediu para não trocarmos presentes, ou fazer nenhum outro tipo de comemoração maior, aparentemente ela está ficando sem criatividade para me dar presentes — comentei rindo, Jasper revirou os olhos.

— Você encheu o saco dela com o aniversário, eu também ficaria puto e iria querer não te dar mais presente algum.

— Você também não me deu parabéns no ano passado — ressaltei, Jasper fez uma careta. — Não estou cobrando, só observando. Todos que pisaram em Santorini em Junho de 2018 esqueceram de me parabenizar.

— Em defesa da Alice, ela estava bem ocupada, foi o dia que ficamos juntos pela primeira vez. — Jasper passou a mão pelos cabelos, já tinham crescido consideravelmente desde que raspei na after party do Grammy. Ele bocejou, o que me fez bocejar também. — Tô morto, passei a noite de ontem fora.

— Como vocês estão? Você e minha querida cunhada.

— Tudo bem. — Ele deu um sorriso e olhou ao redor até vê-la.

Em meados de Abril, Jasper tinha sido flagrado por paparazzis aos beijos com outra garota. Eles estavam no estacionamento de uma boate, ou algo assim. Isso se tornou uma grande fofoca, com todos anunciando que ele estava traindo Alice.

Algumas horas depois Alice e Jasper publicaram um vídeo juntos, falando que ninguém estava traindo ninguém, contando que o casamento deles era aberto e que poderiam se relacionar livremente com outras pessoas. Isso acabou sendo mais polêmico do que uma suposta traição, gerando toda uma discussão sobre o tópico relacionamento aberto no Twitter. Bella e eu, que não tínhamos nada a ver com o assunto, fomos questionados por centenas de pessoas nas redes sociais se também tínhamos um relacionamento naqueles termos, como se ela ser irmã de Alice e eu amigo de Jasper nos obrigasse a tomar decisões semelhantes.

Porém, Alice e Jasper passaram pelo mini escândalo se divertindo. Ela, inclusive, já até pensava em um novo programa que envolvesse acompanhar casais com relacionamentos abertos.

— E como você tá depois da vasectomia? — me vi perguntando também.

Jasper e Alice não queriam filhos e depois de Bella e eu sermos surpreendidos, eles decidiram tomar muitas providências para evitar uma gravidez. Uma delas foi a vasectomia que meu amigo fez no mês anterior, mas Alice também tinha falado muito para mim e contado que tinha colocado um DIU e que eles nunca faziam nada sem camisinha.

Não que você saiba o que é camisinha, Cullen — ela alfinetou no dia daquela conversa. — Acho que faltou essa aula de educação sexual.

Sua irmã também faltou — revidei, isso fez Bella acertar uma almofada em mim.

— Tá tudo normal — Jasper respondeu sem se envergonhar do assunto. — Nada mudou... Na real, mudou, ficou melhor. Você deveria fazer — incentivou.

— Bella e eu ainda não decidimos sobre termos outros filhos ou não.

— Você pode reverter, sabe disso.

— Sei lá, vou conversar com ela sobre isso depois da Holly, mas se decidirmos ter mais filhos será mais fácil fazer a operação só depois. Você e Alice não querem mesmo ser pais?

Jasper riu.

— Nós com certeza não queremos.

— Isabella e eu falávamos a mesma coisa.

— Isabella tava se enganando e você tinha medo — ele falou para mim em tom de correção. — Alice e eu realmente não queremos, gostamos da ideia de não termos ninguém dependente da gente. Estamos bem com o posto de tios, vocês terão Holly, logo Renesmee deve ter bebês com Alec. Nem todo mundo precisa ser pai e mãe.

— É, claro que não — concordei.

Ele estava certo, Isabella e eu tínhamos aquela vontade abafada por inseguranças, mas isso não significava que os dois também precisavam fazer bebês. Nada disso, ou o adiamento da cerimônia mais tradicional do casamento deles, parecia afetar a relação.

Com Alice focando na produção do seu programa, ela acabou conversando com Jasper e se acertaram de que o segundo casamento ficaria para 2020. Assim ela poderia fazer as duas coisas, o programa e organizar uma grande festa, sem deixar com que nenhum deles não fosse perfeito.

Charlie se aproximou da nossa mesa, também bebia uma cerveja e tinha o seu inseparável chapéu na outra mão.

— Vocês querem jogar baralho? O pessoal da minha banda e eu…

Ele foi calado por Bella, ela apareceu me abraçando por trás e dando um beijo demorado em minha bochecha.

— Vamos dançar, pirralho. Eu pedi para tocarem You’re The One That I Want para a gente, vai ser a próxima.

— Você não está cansada e com dor nos pés?

— Um pouco, mas quero dançar. Vamos?

— Com certeza. Caipira, jogo com vocês depois.

— Quebre o pé, Cabeludo Britânico — ele desejou, Bella o encarou com reprovação, Charlie riu e acenou para a filha ir para a pista de dança.

Nós fomos e dançamos, ela estava com um pouco de dificuldade por conta da barriga, mas se divertiu. Ao final da canção, segurei em seu rosto e lhe dei um beijo demorado.

***

Valentina colocou a última peça do quebra-cabeças e comemorou batendo palmas. Era dia 2 de Julho, Bella e eu tínhamos ido jantar na casa dos Denali, aproveitando que nossa filha continuava na barriga.

Holly e Bella estavam bem, era a quadragésima semana e desde algumas semanas antes eu levava minha esposa para consultas semanais com sua médica para que Donut e Capitã fossem monitoradas. A médica deu a opção de uma cesárea agendada, ou indução do parto, mas Isabella não queria nada disso e eu queria o que ela decidisse, não iria a forçar passar por uma cesárea, nem fazê-la induzir seu parto se preferia seguir o tempo de Holly, mesmo que ela estivesse demorando.

Minha esposa tinha decidido que iria induzir se chegasse a metade da quadragésima primeira semana, então ainda tínhamos um tempo até isso. Sendo assim, podíamos ir jantar com os Denali.

— Vamos montar o da Ariel agora. — Tina pegou o próximo quebra-cabeças.

Bella estava sentada no sofá mais próximo de mim, uma mão dela passeava por meus cabelos, aproveitando que eu estava sentado no chão com Valentina. Santiago estava conversando com a Capitã, ela contava um pouco mais do roteiro de sua série para ele, ainda não tinha finalizado e seus planos de acabar antes de Holly nascer pareciam mais distantes naquele momento, não conseguia se concentrar por muito tempo quando sentava para mexer no texto.

— Então, Tanya Denali — comecei a falar com ela, que estava no outro sofá mexendo em seu celular e com o cachorro que era para ser de sua filha no seu colo. Baby Shark tinha uma adoração pela Tirana e ela por ele. — Como se sente amando o cachorro que você nem queria?

— Calado, Cullen — ordenou, eu ri, Tina resmungou.

— O Baby nem gosta de brincar comigo, papai diz que ele é cachorro de madame — a garota reclamou. — Me dá outro cachorro, Ed?

— Nem pensar — Tanya respondeu por mim. — E o Baby brinca com você sim, Tina. Ele só não gosta tanto assim de brincar. — Afagou os pelos do cãozinho. — É um…

— Cachorro de madame — Santiago disse.

— Não é cachorro de madame — Tanya protestou. — Ele só é um cãozinho que gosta de sossego.

— Nossos cachorros não conhecem essa palavra — falei para Isabella.

— Não mesmo — ela concordou. — E Shrek estava roendo aquele seu tênis novo da Nike ontem.

— O quê? Não! Você tirou dele?

— Eu não, deixei lá, você acha que com esse barrigão consigo parar pra salvar um tênis?

— Que saco — reclamei. — Era meu novo tênis favorito.

— Baby nunca destruiu nada, não é, meu lindinho? — Tanya falou com ele toda derretida. Isso fez com que todos nós rissemos, inclusive Tina. — Ai, qual é, me deixem amar meu cachorro.

— Mamãe, ele era pra ser meu — Valentina falou. — Mas tudo bem, você pode ser dona dele também. E que tal outro cachorro?

— Já disse que não, o apartamento não comportaria dois.

Valentina fez cara feia, começando a montar o novo quebra-cabeças. Eu quase prometi um novo cão para a menina, mas já tinha aprendido minha lição.

***

Não saímos de casa no 4 de Julho, também dispensamos os funcionários, com exceção dos seguranças de plantão e recusamos visitas. Boa parte das pessoas que conhecíamos estavam em festas comemorando o Dia da Independência dos Estados Unidos, mas Bella só queria ficar na mansão quieta.

Minha mãe e Aro, inclusive, estavam na festa de Charlie. Rose, Emmett e meu pai também tinham sido convidados, mas o ator levou minha irmã e meu pai para assistir aos desfiles, depois iriam jantar em algum lugar legal que Rosalie escolheu.

No meio da tarde, Bella começou a chorar.

— O que foi, linda? — mexi em seus cabelos, estávamos na cama, ela usando um short e um dos meus moletons.

— Renée não vai estar comigo no parto, obviamente não percebi isso só agora. — Fungou. — Mas foi agora que a ficha caiu de vez. — Mais lágrimas deslizaram por seu rosto. — Toda vez que me imaginava tendo filhos antes do Escândalo Swan, pensava em dar à luz com meu marido e minha mãe me apoiando, isso não vai acontecer. Ela não vai estar lá ao meu lado, não vai dizer que minha filha se parece comigo, não vai me contar histórias do dia que nasci. Eu sei que tenho meu pai, que tenho minhas irmãs, mas é como se parte de quem sou fosse apagada por não ter uma mãe. Isso dói muito.

Continuei mexendo em seus cabelos, sem saber o que falar para lhe consolar.

— Queria minha mãe, Ed. Queria a mulher que por anos imaginei me amar. Queria o carinho dela me ajudando a passar pelo parto. Mas essa mulher não existe.

— Minha mãe pode entrar na sala de parto com a gente, Capitã — sugeri. Esme já vinha dando indiretas sobre aquilo.

— Eu adoro a sua mãe, mas não é a mesma coisa. Ela é minha sogra, não é minha mãe, são coisas tão diferentes. — Toquei em seu rosto, limpando suas lágrimas. — Não me pede para parar de chorar.

— Não vou — garanti.

Ela chorou por mais alguns minutos, uma mão repousando sobre sua barriga. Até que parou e aos poucos abriu os olhos, estavam vermelhos e ainda marejados.

— Sou uma idiota.

— Você não é, tem todo direito de se sentir mal por isso, linda. — Beijei sua testa. — Também tem o direito de aceitar aquele convite que recebeu em Fevereiro de se encontrar com Renée.

— Não quero, a mãe que queria comigo era uma farsa. Essa Renée de agora só é mais uma das máscaras dela e isso iria manchar o dia do nascimento de Holly. Vamos fazer alguma outra coisa — pediu inquieta. — Preciso tirar Renée da minha mente.

— O que você quer fazer?

— Sei lá, vamos dar uma volta pelo condomínio.

— Andando mesmo?

— Sim, me mexer irá fazer bem, ficar deitada não está ajudando com minha ansiedade.

Nos levantamos, ela trocou os shorts por uma calça de malhação que cabia nela, uma das peças da linha de gestante que comprou. Colocamos tênis e saímos para andar pelo condomínio, em diversas casas escutamos barulho de festas, mas entre nós dois o silêncio dominou, com Bella ainda perdida em seus pensamentos.

De volta para casa, ela foi dormir. Eu fui preparar nosso jantar, também querendo ajudar a dissipar minha própria ansiedade.

Jantamos na sala de TV, assistindo a um filme de romance na Netflix que eu gostei, mas Bella odiou.

— Péssimo! — exclamou rindo, enquanto mexia em seu celular. — Que tal? — perguntou para mim ainda rindo, me mostrando a tela do aparelho, me deixando ver que ela tinha postado uma foto sua nos stories, deitada na cama, rosto coberto por seus cabelos e escreveu:

“Vou dar uma ordem de despejo pra essa garota.”

— Que eu vou entender se você não quiser ter mais filhos, gravidez com certeza não é algo fácil.

— No comecinho eu não queria mais, no meio quis muito, agora parece o começo de novo. — Riu, eu sorri, me sentindo mais calmo por ela estar melhor. — Mas estou bem exausta, então não é uma decisão para agora. Ainda menos nesse exato momento que preciso ir ao banheiro. — Deixou a sala indo para lá, eu estava procurando outro filme para assistirmos quando Bella mandou uma mensagem para meu celular.

Capitã: Amor, eu acho que o tampão mucoso saiu…

Eu corri até o banheiro, Bella estava sentado ao vaso com um pedaço de papel higiênico em mãos, mas o escondeu de mim.

— É nojento, você não vai querer olhar.

— Para com isso, quero ver, eu vi várias fotos enquanto pesquisavámos sobre gestação e naquele livro que ganhei do Santiago.

Ela cedeu, me mostrando o papel onde a secreção estava. Era gelatinosa e amarelada, tinha uma boa quantidade ali.

— Só pode ser! — exclamei, Bella gargalhou.

— O próprio obstetra — provocou. — Pega meu celular e tira uma foto, vou mandar para minha médica.

Peguei o celular dela de cima da bancada da pia ao lado e fotografei o papel.

— Tá sentindo mais alguma coisa? — questionei, Bella balançou a cabeça em uma negativa, descartou o papel sujo e mexeu no celular enviando a foto para sua médica.

Nós dois sabíamos que a saída do tampão mucoso, que era uma espécie de barreira para proteger o útero durante a gestação, não indicava o trabalho de parto, ele poderia sair até mesmo muitos dias antes disso. Porém, era emocionante ver que algo estava acontecendo, mesmo que ainda pudesse demorar muito mais tempo até Holly nascer.

— Aposto que ela nasce amanhã — me vi falando.

Bella mordeu o lábio inferior, refletiu e disse:

— Acho que ela só vai vir dia 8.

— Estamos apostando?

— Só entre a gente não tem graça, vamos fazer um bolão?

— Tá falando sério?

— Acho que tô. — Riu nervosa. — Qualquer coisa para me tirar a tensão de que é real e em alguns dias, ou sei lá, horas, posso estar no hospital dando à luz.

— Tá todo mundo comemorando o 4 de Julho agora, mas vou mandar mensagens coletando apostas. Quem acertar leva o que?

— Uma caixa de donuts, é justo — ela disse decidida. — Mas se eu ganhar quero diamantes.

— Fechado!

***

Eu perdi a aposta. O dia 5 veio e foi sem Holly nascer. Não fui o único a apostar na data errada, Alice e Charlie também apostaram, nós três estávamos fora da disputa.

E o pessoal do dia 6 também corria o risco de perder, às nove da noite daquele sábado Bella e eu estávamos na sala de música, sem sinal de parto. Mas, mãe e filha continuavam seguras, a médica estava sempre em contato com a gente e fomos dois dias seguidos até o consultório dela para mais monitoramento. Também estávamos de olho em Holly de casa, ela seguia mexendo o tanto quanto era esperado após as refeições, algumas vezes fora disso também.

Eu estava sentado ao piano, Bella no sofá tirando um cochilo, até que minha esposa despertou.

— Ed? — chamou por mim.

— Oi, linda — respondi, ainda tocando Garota no piano.

— Tô com uma cólica. — Na hora parei de tocar, me virei em direção ao sofá e vi Bella sentando, com uma expressão de dor no rosto, mas no meio disso dando um sorriso pequeno.

— Você acha que é uma contração real? — questionei. — Não uma de treinamento.

— Acredito que sim, minhas costas doeram, a dor irradiou para frente e parecia uma cólica menstrual. — Lágrimas cruzaram o rosto dela, Isabella sorriu mais. — A barriga também ficou dura, já acabou agora, acordei sentindo isso, então não sei quanto durou. Estou entrando em trabalho de parto, pelo menos acredito que sim.

— Você está! — exclamei, me enrolando para deixar o banco, até sentar ao seu lado. — Tá sentindo de novo?

— Ainda não, se estou mesmo é o comecinho do trabalho de parto e você sabe que elas não vão vir tão perto uma da outra nessa fase. Merda, quem apostou no dia 7? Será que ela vem amanhã mesmo ou vai demorar até segunda para eu vencer?

— Bella, você está pensando na aposta agora?

— Claro que estou, não gosto de perder, você sabe disso.

— Tanya apostou no dia 7, e só ela.

— Ela vai se gabar tanto. — Bella limpou o rosto com a manga do meu moletom que estava usando. Era um moletom preto de Endorfina, com o nome da música e o meu.

Isso me fez pensar na inspiração daquela canção, mais de dois anos antes, naquela mesma sala. A primeira vez que nos beijamos e transamos. E lá estávamos nós, naquela mesma sala de música, com nossa filha ainda mais perto de vir ao mundo.

Eu fui para o chão, fiquei entre as pernas de Isabella e beijei sua barriga.

— Amo você, Donut.

Bella chorou mais e afagou sua barriga.

— Ed, nós seremos pais.

Meus olhos se encontraram com os dela.

— E será a melhor aventura das nossas vidas, Capitã. Estou animado para termos mais uma integrante no time Cullen.

— Me ajuda a levantar.

Eu ajudei.

— A médica e o pessoal das aulas falaram que era bom ficar em movimento para agilizar as coisas. Vamos sair para mais uma caminhada.

Era uma ótima ideia, deixamos a sala de música, nos arrumamos e saímos da mansão indo caminhar novamente. Mãos entrelaçadas, as minhas suando.

Uns vinte e cinco minutos depois, já retornando para casa, Bella sentiu novamente. Paramos de andar, ela respirou fundo, nós dois tocamos em sua barriga que de fato estava dura.

— Tá muito forte?

— Não mesmo — respondeu quando passou. — Durou uns 30 segundos e a intensidade foi leve, ainda dá pra aguentar sem hospital.

— Quer voltar a andar?

— Não, vamos ir para casa, avisar minha médica, a equipe do hospital, a enfermeira obstetra que contratamos para suporte exclusivo e quem sabe eu consiga dormir um pouco para estar mais descansada quando as coisas ficarem mais intensas.

— Vai ficar tudo bem, tá? — Levei sua mão que ainda segurava aos meus lábios.

— Vai sim. — Sorriu. — Em breve ela estará aqui com a gente.

Notas finais
Lembrando que não tenho nenhuma formação na área médica, especialmente uma voltada para gestação. Tudo escrito referente a isso é baseado em pesquisas, qualquer erro, me desculpem, juro que estou dando meu melhor. Obrigada a quem mandou as mensagens de parabéns para o Ed pelo Facebook e Telegram! Agora faltam apenas 5 capítulos e o epílogo para o final, prontos? Beijos! Lola Royal. 10.04.22