Hollywood

97 Capítulo Noventa e Seis


Notas iniciais
Olá, pessoaaaaas! O capítulo é dedicado a Galadriel e a Ingrid_M_Cullen que recomendaram a história, muito, muito, muito obrigada por isso!!!! ♥ —__ Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —___ Grupo no Telegram: https://t.me/joinchat/MrT_3cJdpvtiZDdh —___ Me siga no Instagram: @autoralolaroyal —___ Música do capítulo: 1. https://www.youtube.com/watch?v=2RicaUqd9Hg 2. https://www.youtube.com/watch?v=7ZYgKCbFbWY 3. https://www.youtube.com/watch?v=xFrGuyw1V8s 4. https://www.youtube.com/watch?v=tKjZuykKY1I 5. https://www.youtube.com/watch?v=_f5spy3-9XM —___ Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure profissionais especializados sempre. —__ Boa leitura!

Capítulo Noventa e Seis

Isabella Cullen

"Isabella Swan fala sobre carreira, família e o sonho de ser mãe."

Após a overdose, quando recebi alta do hospital, antes de entrar no carro e ir para a clínica de reabilitação, vi uma mãe com seu novo bebê na garagem. Eu estava saindo escondida do hospital, os seguranças do meu pai tinham montado todo um esquema para os paparazzis acampando na porta do lugar não me verem.

Porém, eu vi a mulher. Seu bebê estava enrolado em uma manta azul nos braços dela, enquanto o que presumi ser o pai da criança, preparava o carro deles para partirem.

Eu a invejei, ela tinha um bebê, um marido e estava feliz. Nunca seria feliz como ela, e naquela garagem me convenci que não queria mais ser mãe.

***

Edward avisou todos, me convencendo a ficar longe do celular e descansar. Isso foi uma grande ideia, fui para nosso quarto, enquanto ele estava no de Holly conferindo as malas dela, e consegui dormir rapidamente, talvez toda a ansiedade abaixando minhas energias, não o contrário.

Acordei vinte minutos depois, com uma nova contração. Meu marido apareceu no quarto logo em seguida, sorrindo de orelha a orelha, usando óculos, em uma mão seu celular, na outra uma garrafa de água.

— Tive outra — informei.

Não sei como foi possível, mas o sorriso dele aumentou ainda mais. Edward sentou ao meu lado, me ajudou a sentar e me entregou a garrafinha de água.

— Você precisa se manter hidratada, linda. Cadê seu celular? Vamos usar o aplicativo nele para cronometrar. — Pegou meu celular sobre a mesinha ao lado da cama enquanto eu me hidratava, ele sabia minha senha e o desbloqueou sozinho, também sabia como mexer no aplicativo sugerido nas aulas para pais. — A enfermeira já está vindo, ela quer conferir sua dilatação.

— Ok. — Bebi mais um gole de água.

— Minha mãe e Tanya também estão vindo, suas irmãs e a minha perguntaram se você as querem aqui.

— Sim, por favor. E meu pai, Carmen também.

Eu não imaginava que fosse querer tanta gente por perto, mas quanto mais a hora chegava, mais eu sentia a necessidade de acolhimento de todos eles. Talvez uma forma de compensar não ter Renée.

— Certo. — Edward me deu um beijo na bochecha, antes de voltar a atenção para seu celular. — Eu avisei a Amber, ela quer falar com você.

— Você avisou a Amber? — perguntei surpresa, ele revirou os olhos.

— Ela é chata, mas sua amiga. — Me entregou meu celular. — Liga pra ela, vou conferir sua mala e a minha. Qualquer contração marque no aplicativo, precisamos ficar atentos. Está sentindo mais alguma coisa?

Neguei, já ligando para Amber. Edward foi para o closet. Shrek entrou no quarto, aproveitando que Edward tinha deixado a porta aberta, e deitou no chão perto da cama.

Amber logo atendeu, estava animada e começou a me desejar coisas boas para o parto. Até chorou um pouco, lembrando do parto de Sam, dizendo como tinha sido lindo, que eu iria ficar nas nuvens quando pegasse Holly em meus braços. Eu mais ouvi do que falei, mas me senti um pouco mais calma com outra mãe me tranquilizando, coisa que ela também fez, falando que eu iria ser maravilhosa para minha filha e que o parto, independente de qualquer coisa, seria um momento mágico.

Finalizada a ligação, outra contração. Eu marquei no aplicativo e chamei Edward, ele voltou para o quarto com os olhos vermelhos e marejados, mas ainda estava sorrindo.

— Quer continuar deitada?

— Quero, ainda é suportável — murmurei, sentindo a dor.

Após a contração, Holly mexeu um pouco. Edward me convenceu a tirar outro cochilo e assim fiz, apenas abri os olhos e avisei ele da próxima contração minutos depois, assim que ela passou eu voltei a dormir. Queria e precisava estar descansada, sabia que ainda duraria mais tempo.

A outra contração veio e foi, Edward me fez ficar acordada.

— A enfermeira já chegou, ela precisa verificar sua dilatação. — Mexeu em meus cabelos, os afastando do meu rosto, aquela última contração tinha sido mais dolorosa que as anteriores. — Vou pedir para ela subir, ok?

— Tá bom — concordei, ele logo mandou uma mensagem para a enfermeira, sem querer sair perto de mim, eu sabia. — Tanya já chegou?

— Já sim, ela, minha mãe e Rose. Suas irmãs já estão vindo, assim como seu pai e Carmen.

— Pede pra Tanya subir.

Ele pediu, mas a enfermeira entrou primeiro. Foi meio constrangedor, mas ela fez o exame de toque e avisou:

— Um centímetro, está indo muito bem, Bella. — Descartou a luva. É, estavamos bem, mas eu precisava de dez centímetros, isso queria dizer que ainda duraria um bom tempo. — Vou lavar as mãos e medir seus sinais vitais, ok?

— Ok — murmurei, recolocando minha roupa. Edward, que estava em pé ao lado da nossa cama, se inclinou e beijou o topo da minha cabeça.

— Ouviu? Você está indo muito bem! — Lancei um sorriso preguiçoso para ele.

— Quando você me agarrou naquela sala de música pela primeira vez não achei que iria acabar assim, com animação sobre dilatação.

— Não acabou. — Mais um beijo. — E deveríamos ter suspeitado, já que não usamos camisinha — provocou, falando em minha orelha, depois a mordiscou, eu movi meu rosto e o beijei por um segundo.

Logo a enfermeira retornou, checando minha pressão, batimentos cardíacos, fazendo perguntas de como eu estava no geral e depois checando os batimentos cardíacos de Holly. Isso era o que mais me importava.

— Ela está com os batimentos dentro do esperado — a mulher, chamada Beatrice, avisou. — Isso é excelente, estão em sintonia. Vou medir a dilatação meia-noite, assim mantemos de uma em uma hora. Você quer que eu traga a bola de pilates?

— Sim, por favor — pedi sentindo a nova contração, chegar. Edward rapidamente segurou minha mão, eu apertei um pouco a dele, mas ainda era uma contração dolorosa, só que suportável e assim que ela se foi, eu estava bem.

— Ótimo! — a enfermeira voltou a elogiar. — Vou pegar a bola, mas se você quiser continuar cochilando entre as contrações, pode fazer isso, tá? Precisamos que esteja descansada mais tarde.

— Ok, vou ficar um pouco na bola e dormir depois — prometi. Só queria agilizar o quanto conseguisse a dilatação.

Ela deixou o quarto, Tanya entrou.

— Holly vai nascer no dia que eu apostei — comemorou. Edward e eu resmungamos. — Não fiquem bravinhos, vou ganhar só uma caixa de donuts.

— Bom, antes você do que Alice, ela é uma ganhadora terrível — declarei e comecei a me levantar. Edward me ajudou, sem me soltar até que eu estivesse com os pés seguros no chão.

Eu tinha colocado um top e um short solto dele, preferi evitar calcinha.

— Como estamos? — Tanya perguntou empolgada.

— Um centímetro, batimentos cardíacos dentro do esperado — Edward respondeu todo orgulhoso. — E sinais vitais da Bella perfeitos.

Caminhei até Tanya, que me envolveu em seus braços e disse que daria tudo certo.

— Se alguma coisa acontecer comigo você não deixa o Edward fazer uma tatuagem com meu nome — pedi.

— Isabella! — Ele ouviu.

— Para com isso! — Tanya exigiu. — Seu parto será otimo, nenhum problema.

Eu queria mesmo acreditar nisso, mas uma parte de mim sempre temia o pior.

— Ei, vai ficar tudo bem. — Edward se aproximou. — E eu ainda vou fazer uma tatuagem com sua inicial, lide com isso.

Revirei meus olhos, mas ignorei e comecei a caminhar pelo quarto. Shrek não estava mais ali, Edward deveria ter o tirado de lá em algum momento enquanto eu dormia.

Logo a enfermeira retornou, me ajudando a sentar na bola. Era uma sensão boa, também ajudou muito quando a próxima contração veio.

— Acho que vou dormir agora — falei para a enfermeira quando a contração se foi, Tanya tirou algumas fotos minhas e parecia estar muito emocionada. Beatrice concordou e me ajudou a ficar de pé, logo Edward estava do meu outro lado me sustentando. — Amor, você deveria ir dormir um pouco — eu disse para ele.

— Nem pensar, vou ficar acordado e você dorme.

— Ed, deveria mesmo dormir — Tanya falou. — Você vai precisar estar descansado para mais tarde.

— Não, não — ele continuou negando.

Tanya por fim saiu com a enfermeira.

Fui para a cama com Edward, ele ficou afagando meu braço e logo dormi. Quando despertei, para uma nova contração, meu marido tinha dormido. Não o acordei, ele precisava mesmo relaxar um pouco, sabia que estava todo cheio de sorrisos, mas também nervoso. Aguentei a contração sozinha, marcando o tempo em meu celular, caminhando pelo quarto e conversando com Holly.

— Seja boazinha comigo — pedi. — Se você for, eu prometo te levar para a Disney quantas vezes quiser, filha.

Meia-noite, a enfermeira retornou como prometido. A contração já tinha passado, mas eu continuava caminhando pelo meu quarto.

Acordei Edward, que se culpou por ter cochilado, mas logo arrumou a cama para que eu deitasse e a enfermeira fizesse o novo exame de toque. Eu ainda não estava com dois centímetros, mas chegando lá.

— Vou descer — falei para Edward, quando a enfermeira respondeu minha pergunta sobre meu pai e minhas irmãs já estarem lá, após uma nova contração. — Fica e dorme mais, sério — insisti. — Depois do parto vou estar exausta no hospital, você precisa estar descansado para ficar de olho na Holly.

Isso o fez ceder, permanecendo no quarto para dormir, enquanto eu descia com a enfermeira. Todas as mulheres me apoiando aquela noite e meu pai, estavam na cozinha.

— Bells! — Charlie andou até mim para me abraçar. — Você logo logo terá sua bebezinha em seus braços.

— Sim, isso mesmo — murmurei tensa.

— Vai dar tudo certo — ele garantiu e beijou minha testa. — Cadê o Cullen?

— Fiz ele dormir um pouco.

Papai resmungou.

— Ele está casando? Você está em trabalho de parto!

— Pai, não começa — pedi. — Eu quero que ele durma, mais tarde vai ficar tudo mais louco. — Me soltei dele e logo Renesmee estava me abraçando, enchendo meu rosto de beijos.

— Nem acredito, vou virar uma tia! — ela soltou um gritinho, isso me fez rir.

— Tá doendo muito? — Alice perguntou. Ness me largou, para que eu pudesse ver nossa irmã do outro lado da cozinha, parecia muito assustada para se aproximar.

— É uma cólica mais forte, mas tô indo bem, acho.

— Você está sendo incrível — Tanya elogiou, enchendo um copo com suco.

— Ah, querida! — Esme foi a próxima a me ter em seus braços. — Estou aqui, ok? Qualquer coisa pode contar comigo. — Afagou minhas costas, eu senti as lágrimas em meus olhos, enquanto abraçava minha sogra de volta. Naquele momento, ela era o mais perto de uma mãe que eu tinha ali comigo. Esme nunca substituiria o que Renée deveria ter sido para mim, mas era bom ter alguem tão gentil quanto ela me apoiando.

— Obrigada — foi tudo que consegui dizer, antes de me soltar dela e limpar meus olhos o mais discretamente que consegui.

Carmen e Rosalie falaram comigo em sequência, minha madrasta me fez sentar e Rose me deu o copo que Tanya tinha enchido com suco. Como seu irmão, insistiu que eu precisava me hidratar, também consegui comer umas duas torrada, mas ainda tão nervosa que não conseguia comer muito.

Fiquei na cozinha pelas próximas contrações, por volta de uma da manhã eu subi de volta para o quarto com a enfermeira, Esme subiu com a gente. Edward foi acordado novamente e mais um exame de toque foi realizado, finalmente os dois centímetros.

Em sequência, fiquei na bola. Meu marido estava atrás de mim, massageando meus ombros, o que era uma delícia e me relaxou um pouco.

Esme e Beatrice conversavam quando acabei sentindo algo e sussurrei para Edward:

— Amor, preciso ir ao banheiro.

— Certo, xixi?

— Não. — Senti minhas bochechas corando. — É a outra coisa.

— Ok, vamos lá.

— Vamos lá, não — neguei. — Limites! — exclamei, não queria ele no banheiro enquanto eu estaria fazendo aquilo. Como também estava temendo acabar fazendo cocô no meio do processo de expulsão do bebê.

— Capitã. — Ele se mexeu, ficando na minha frente. — Isso é algo completamente natural, não tô nem aí.

— Mas eu estou, vou sozinha. — Me segurei nos braços dele e levantei da bola.

Ignorei ele, sua mãe, a enfermeira e fui para o banheiro. Só não tranquei a porta, pois Edward gritou para eu nem pensar em fazer aquilo.

Quando aquela questão foi resolvida e eu me limpei, acabei decidindo tomar um banho com a próxima contração vindo. Chamei por Edward, que entrou no banheiro sozinho e ligou o chuveiro para mim, aquela contração foi bem mais forte do que qualquer outra e fiquei parada me segurando na bancada da pia, ele veio por trás e pressionou a base das minhas costas, também tínhamos aprendido aquilo nas aulas do curso preparatório.

— Tô fazendo direito? — perguntou com um toque de ansiedade na voz.

— Sim, perfeito — murmurei, aliviava muito a dor e quando a contração passou, Edward me colocou debaixo do chuveiro. Eu não me importei em tirar as roupas, se algo acontecesse e a enfermeira tivesse de entrar, não queria estar nua. — Entra comigo — pedi, Edward topou na hora, tirando sua camiseta e ficando com a bermuda que tinha vestido quando voltamos da caminhada.

— Isso ajuda? — perguntou, enquanto eu me apoiava nele e deixa a água morna cair por minhas costas.

— Pra caralho.

Ele me ajudou a prender meus cabelos quando o coque que eu tinha feito soltou, eu agradeci por isso e me sentia cada vez mais tranquila. Não teria minha mãe acompanhando o parto, mas ainda tinha o melhor marido do mundo.

Ficamos no chuveiro até umas duas e meia da manhã, as contrações debaixo do chuveiro eram ótimas, mas a enfermeira queria verificar minha dilatação novamente e sinais vitais. Continuava nos dois centímetros, assim como Holly e eu estávamos bem, era ótimo saber que o coração dela estava batendo como deveria.

Quando ficamos sozinhos no quarto, trocamos de roupas e eu tive mais uma contração, diretamente do closet. Me ajoelhei no chão e fiquei apoiada no banquinho que tínhamos ali, Edward já foi por trás, pressionando a base das minhas costas.

Eu gritei um pouco com aquela contração, mas nada ainda digno de um filme. Depois, ela passou e eu ri ao ver Woody na entrada do closet, horrorizado.

— Oi, Woody — falei com ele, que se moveu lentamente para fora do closet. — Acho que ele nunca mais entra aqui — eu disse para Edward, que riu comigo, massageando minhas costas. — Você tá se saindo um excelente massageador, Betty — elogiei. — Logo fará massagens melhor do que eu.

— Não tem anda que eu não faça com perfeição — se gabou. — Espere só até ver minha filha.

Eu sorri, ainda um pouco mole após a contração, mas logo fui atingida por uma nova vontade de ir ao banheiro.

— Ai que saco — reclamei levantando com a ajuda de Edward.

— Você sabe que essas vontades são normais e todo mundo fala que é até algo bom, calma.

— Não é algo bonito. E você sabe que está proibido de falar a palavra calma e relaxa hoje. — Tínhamos combinado depois de ouvir relatos de parto, onde parceiros falavam as tais palavras e só deixavam as mulheres mais tensas.

— Desculpa, quer que eu vá com você para o banheiro?

— Nem pensar!

***

Meu pai se rendeu ao sono, quando descemos, Charlie já tinha subido meia hora antes para dormir em um dos quartos de hóspedes. Alice foi a próxima a dormir, assim que me viu choramingando no meio de uma contração.

A enfermeira mediu a dilatação novamente por volta das três e quinze da manhã, eu estava com três centímetros, com contrações a cada vinte ou quinze minutos e que duravam uns trinta segundos. Aquele exame de toque foi feito na própria sala onde estávamos, com uma manta cobrindo o sofá onde deitei. E com todos por perto, não fiquei constrangida como achei que ficaria.

Na contração seguinte eu estava sentada na bola, Edward às minhas costas e Tanya afastando os cabelos do meu rosto, minha irmã segurando minha mão, deixando com que eu apertasse a sua. Carmen apareceu depois com uma bolsa de água quente, que eu prontamente deixei Edward manter em minhas costas.

— Rose, seu irmão e eu fizemos uma playlist, você pode colocar para tocar? — pedi para minha cunhada, a enfermeira se aproximou e mediu novamente os batimentos de Holly, tudo em ordem.

— Claro — Rose concordou, Edward entregou seu celular para ela, o meu seguia sendo usado para monitorar as contrações.

— Amor, não esquece de colocar Holly Holy para tocar quando estiver na hora — pedi para Edward.

— Claro, Capitã.

— Ele vai estar concentrado em outra coisa — Tanya disse rindo, Renesmee concordou com um aceno.

Música começou a tocar, o que adorei, eu queria um trabalho de parto com música tocando. A primeira da playlist era Twist And Shout.

— Fica com a gente na sala de parto? — me vi pedindo para minha amiga. Eu não teria minha mãe, mas poderia ter minha melhor amiga e madrinha da minha filha.

— Entro, óbvio. — Tanya afagou minha cabeça.

Olhei para Esme e fiz um pedido para ela também.

— Esme, você também pode entrar com a gente? Quero muito você lá.

Minha sogra deu um sorriso imenso.

— Será uma honra, Bella.

— Obrigada — agradeci e voltei minha atenção para Ness, beijei sua mão e perguntei baixinho. — Você tá chateada comigo por não ir para a sala de parto?

— Bells, claro que não! — Ela beijou minha mão de volta. — Eu sei porque é importante para você a Tanya e a Esme estarem lá — falou baixinho de volta. — Só promete que quando for minha vez, você entra comigo.

— Claro que entro. — Segurei a cabeça dela e beijei sua testa. — Eu te amo, irmãzinha.

— Também amo você.

Minutos depois, outra contração me atingiu. Quando ela acabou, Esme apareceu me entregando um copo de água.

— Vou pegar um canudinho pra você, Capitã — Edward anunciou.

— Valeu, fica melhor.

Quando ele voltou, eu tinha saído da bola para sentar no sofá. Rosalie tinha acabado de ir para a sala de TV, foi a próxima que não aguentou o sono.

Edward sentou ao meu lado, colocando o canudinho e segurando meu copo, também tinha cortado algumas frutas para eu comer e fez questão de me dar na boca, enquanto eu tentava relaxar um pouco.

Fiquei de pé, me apoiando no sofá, para a próxima contração, que foi bem intensa. A enfermeira ficou às minhas costas, Edward estava na minha frente, segurando minhas mãos, apertava as dele com toda minha força.

— Estão doendo muito mais — choraminguei. — E se eu não aguentar sem anestesia?

Queria fugir de analgesia, queria um parto sem interferências medicamentosas. Eu tinha medo, de precisar de uma anestesia, de acabar mais uma vez na minha vida precisando de um medicamento pra aplacar a dor. Minha psicóloga tentou trabalhar aquilo comigo durante toda a gestação, racionalmente eu entendia que não era a mesma coisa, mas a parte de mim que sempre temia o pior também ficava martelando minha cabeça com pensamentos intrusivos.

Também não queria uma cesárea, tinha medo de isso também me fazer parecer uma fraca incapaz de dar à luz sozinha. Eu não julgava quem escolhia esse método, quem pedia analgesia, mas iria me julgar e me culpar.

— Se você quiser, eu vou te apoiar, ok? — Ele afagou meu rosto suado. — Vou te apoiar no que você desejar, linda. É sua escolha, eu só quero que você e Holly fiquem bem. E uma anestesia não significa que você é fraca, está bem longe disso, Capitã. — Beijou meus lábios por um segundo. — E se for preciso uma cesárea, vai ficar tudo bem, vamos fazer ficar tudo bem. Te amo.

— Também te amo.

Continuei na posição que estava, com ele dando beijos em meu rosto e ainda com uma mão entre as minhas. Então, começou a tocar This is The Day do The The e eu sorri contra os lábios de Edward.

This is the day. Your life will surely change. This is the day. When things fall into place¹ — ele cantou para mim, fazendo com que eu chorasse emocionada, minha vida com certeza mudaria naquele dia. Cantei o resto da canção junto com Edward, nossos rostos apoiados um no outro, mãos entrelaçadas.

Tudo parecia meio surreal naquele momento, o fato de estarmos casados, aquela ser nossa casa e que em breve ele e eu teríamos uma filha. A dor, cada vez mais intensa, assim como os hormônios agindo em mim, me faziam ficar mais no mundo da lua.

Eu olhei para Edward, após nossa primeira vez ele tinha escrito uma canção sobre endorfina. Naquele momento, eu poderia escrever uma sobre a ocitocina, o hormônio do amor, um dos hormônios agindo em mim naquela madrugada, que preparava meu corpo para dar à luz para minha filha.

— Eu te amo pra caralho — falei para meu marido, ele sorriu. — Se as coisas ficarem malucas e eu te xingar, saiba que é só cansaço, porque te amo, sempre vou amar, pirralho.

— Também, sempre vou te amar, Capitã. — Beijou meu rosto novamente, eu estava com as bochechas cobertas por lágrimas.

— Mesmo se eu fizer cocô na sua frente? — Edward riu suavemente.

— Você pode fazer o que quiser, eu vou continuar sendo louco por você, mulher.

— Será nojento.

— Eu não ligo, é sinal que você está trazendo ao mundo nossa filha. Nossa garotinha com nome escolhido no Natal, nossa menina de apelido mais doce e nascida no verão. Pode fazer o que quiser, Isabella, continuarei segurando sua mão.

— Não me deixa — implorei. — Posso ter sua mãe e Tanya lá, mas você é a pessoa que mais importa para me acompanhar.

***

Quatro e meia da madrugada, eu continuava com três centímetros. Renesmee, também acabou indo dormir, subindo para dividir um quarto de hóspedes com nossa irmã.

— Você pode dançar para ajudar com a dilatação — a enfermeira falou para mim, Edward estava me alimentando com mais frutas, Tanya segurava meu copo de água e Esme estava refazendo meu coque.

— Vamos tentar isso, Bella! — Carmen pediu animada, se levantando do sofá onde estava quase pegando no sono também.

— Não sei…

— Vamos, vamos, vamos — insistiu, eu acabei topando, Edward se afastou para pegar seu celular e deixou com que eu escolhesse uma música da playlist. Tínhamos montado uma com músicas agitadas, ou com um climinha bom, eu escolhi Dancing Queen e dancei com Carmen, a enfermeira deu dicas de passos, como agachar para mexer bem meu corpo. — Isso, você é uma ótima dançarina — Carmen falou.

Alice apareceu ali naquele momento, parecendo ainda exausta, só que naquele instante mais confusa. Tanya lhe explicou o que estava acontecendo, eu chamei minha irmã para dançar, mas ela negou, porém perguntou se queria que registrasse aquilo e topei, deixando com que Alice gravasse a dança.

Algumas fotos já tinham sido tiradas desde o começo do trabalho de parto, inclusive por meu marido, mas todos ali em casa sabiam que nada deveria ser postado. Edward e eu nem tínhamos definido quando após o parto iríamos avisar fãs e imprensa sobre o nascimento de Holly, mas eu sabia que não queria nenhum daqueles registros de momentos mais íntimos circulando por aí.

A contração pareceu vir muito pior depois da dança, eu segurei em Carmen, que ficou repetindo o quanto eu estava indo bem. A enfermeira ficou pressionando minhas costas, mas pedi por Edward, ela era profissional e já tinha contribuído para vários partos, porém meu marido tinha mais força para pressionar e conhecia meu corpo muito melhor.

— Quero ir para a banheira — pedi para a enfermeira, eu tinha ouvido que para muitas mulheres foi uma forma de aliviar a dor, queria tentar isso.

Esme subiu com ela até a suíte para preparar a banheira. Eu ainda tive outra contração na sala, até as duas aparecerem e me levarem para lá, Edward indo comigo. Também pedi para ele entrar na banheira comigo e para minha sogra e Beatrice nos deixarem sozinhos lá.

Deitei na banheira entre as pernas de Edward, tirei o short que estava usando e fiquei só com o top, nossas mãos se uniram. Minha cabeça estava no peito dele e acabei tirando um cochilo, despertei com mais contração, ele me ajudou a passar por ela e depois incentivou que eu voltasse a dormir, mas daquela vez não consegui.

— Eu gosto da banheira — sussurrei, ele massageava meu pescoço. — É ainda melhor que o chuveiro, talvez eu não saia daqui e Holly nasça na água. — Você vai ensiná-la a nadar?

— Claro, ainda que Alec seja o melhor nadador da família.

Ri um pouco, puxando as mãos dele para minha barriga. Edward ficou a afagando, eu queria dormir, mas não conseguia mesmo e me vi cantando a canção da nossa playlist que tocava.

I believe in a thing called love. Just listen to the rhythm of my heart. There’s a chance we could make it now. We’ll be rocking ‘til the sun goes down. I believe in a thing called love².

I wanna kiss you. Every minute, every hour, every day³ — Ed cantou em sequência.

Fiquei na banheira por mais um tempo, dispensei os exames de toque da enfermeira, querendo prolongar mais até sabermos a dilatação, mas deixei que ela ali mesmo verificasse os batimentos cardíacos de Holly. Poderia ter passado mais tempo na banheira lidando com as contrações, mas senti outra vez vontade de fazer cocô.

Relutante, Edward me deixou só. Eu tomei um banho depois e saí do banheiro, meu marido ajudou a secar meu corpo e a me vestir com o terceiro short dele do dia e um top meu. Ele também já tinha trocado de roupas, mas o cabelo estava levemente molhado.

— O que quer fazer agora, linda?

Toquei em seu rosto, vendo suas sardas, seus lindos olhos verdes atrás dos óculos e que ele poderia tirar alguns pelinhos perdidos entre suas sobrancelhas.

— Posso fazer sua sobrancelha?

— O quê? — Ele riu.

— Na pinça, só alguns pelos. — Toquei no espaço entre suas sobrancelhas.

— Você já tá doidona, não é?

— Muito — confirmei. — E aí?

— Faça sua mágica.

Peguei uma pinça nas minhas coisas e fomos para nossa cama, depois de pedir para Edward abrir as cortinas e as portas da varanda do quarto, queria que a brisa do começo da manhã entrasse, também queria conseguir ver o Sol nascer naquele dia especial. Eu comecei a depilação, ele sequer reclamou de dor, logo uma contração me atingindo e eu estava gritando.

— Como dói, merda! — Ele tentou soltar nossas mãos, para ir pressionar minhas costas, mas não permiti. — Fica aqui!

Edward ficou, quando a contração passou, apoiei meu rosto em seu peito.

— Tá doendo bem mais, e ainda vai piorar, eu vou acabar pedindo anestesia.

— Por que não esperamos a próxima lá fora? O Sol logo nasce.

Eu concordei, deixando ele me levar para assistir ao Sol nascer e sabia que tentar me distrair. Nossa varanda dava para o quintal da mansão, o mesmo lugar onde casamos e na direção exata para o Sol nascendo. Fiquei agarrada ao meu marido, que tinha as mãos em meus quadris e fazia com que nos mexêssemos juntos ao som de I Feel It Coming, a canção do The Weeknd com o Daft Punk.

— Deveríamos ter musicas sobre sexo na playlist do parto? — perguntei, ele riu. O Sol já tinha aparecido e aquecia nossas peles.

— Bom, sem sexo este parto não estaria acontecendo. — Puxou meu rosto para o seu e me deu um beijo.

A calma do nascer do Sol acabou com a nova contração. Eu me vi segurando na grade da varanda para suportar, também agachando no chão.

Edward chamou a enfermeira depois da contração, ela checou minha dilatação e anunciou que eu estava com quatro centímetros. Quase chorei, já estava há horas em trabalho de parto e só aquilo, ainda precisaria de mais seis.

— Vai dar tudo certo — Edward falou quando voltamos a ficar sozinhos a meu pedido.

— Você promete?

— Prometo.

E outra contração me atingiu, fazendo com que eu ficasse de quatro na cama para tentar suportá-la melhor.

— Quer ir para a banheira de novo? — Edward perguntou quando passou.

— Não, chama a Alice? Se ela estiver acordada, quero me maquiar e dar um jeito no meu cabelo, tem que estar tudo pronto para quando formos para o hospital.

Era uma futilidade, eu não precisava estar arrumada, mas seria uma forma de ajudar a melhorar meu humor. Edward chamou por Alice, que logo apareceu, hesitante.

— Não tenho que tocar em nada, né?

— Não — respondi rindo.

— Ufa.

— Me ajuda a fazer maquiagem? E o cabelo?

— Claro, Bells! — Ela topou na hora. — Vou pegar tudo no seu closet. — Seguiu até lá sem precisar ouvir mais nada.

Papai surgiu no quarto, parecendo que tinha acabado de acordar.

— Olha só quem dormiu! — provoquei.

— Desculpa, filha — pediu. — Acho que a adrenalina baixou e eu fiquei morto. Cullen, você deveria dormir — falou para meu marido.

— Não, estou cheio de adrenalina aqui — Edward garantiu. — Acho que só vou dormir agora quando a Holly tiver 18 anos.

— Até parece. — Meu pai bufou. — Mas desça e coma algo, eu fico com a Bells.

— Ele tá certo.

Alice surgiu do closet carregando tudo que iriamos precisar, sorrindo para papai quando o viu.

— Vai comer, pirralho — falei para meu marido.

Ele acabou concordando, estava faminto.

— Como você quer sua maquiagem? — minha irmã indagou empolgada.

— Algo simples, mas que dure.

— Perfeito, vamos te preparar para receber a nova garota Swan.

Eu sorri, ela teria os dois sobrenomes, isso era mesmo maravilhoso.

***

Gritei, agarrada às mãos de Tanya. Era por volta de oito da manhã, eu estava na banheira, maquiada e com contrações ainda mais fortes, mais longas e com intervalos menores, a dilatação era de cinco centímetros.

— Quer continuar na água, Bella? — a enfermeira perguntou. Edward ajoelhado no chão, do lado de fora da banheira, naquele momento não quis ninguém tocando em minhas costas.

— Não — choraminguei. Eu adorava a banheira, mas precisava andar.

E assim fiz, me ajudaram a deixar a banheira e caminhei pelo quarto, até parar na minha cama. Edward ficou diante de mim, eu o abracei, chorando mais um pouco, dolorida, feliz, mas também nervosa.

— Vamos para o hospital — sussurrei para ele.

— Você quer anestesia? — perguntou.

— Não, ainda não, pelo menos. Porém, mesmo odiando hospitais, quero estar lá caso alguma coisa aconteça.

— Ok, vamos nos arrumar e ir. Quer que todos aqui sigam com a gente?

— Não, vai chamar muita atenção. Meus pais, minhas irmãs, Rose e Carmen ficam. Eles vão quando Holly nascer.

Edward concordou, avisou Beatrice que eu queria ir para o hospital e a enfermeira foi ligar para eles, assim teríamos tudo pelo que tínhamos pagado pronto mais rapidamente quando chegassemos lá. Tanya e Edward me ajudaram a trocar de roupas, todas dele, uma calça moletom preta e uma camiseta branca.

Com tudo pronto, comecei a me despedir de quem não iria para o hospital.

— Vai dar tudo certo, Bella — Rose disse ao me abraçar. — Você vai ver só.

— Prometo que vou trocar ao menos uma fralda — Alice falou, eu ri um pouco. — Jasper mandou dizer que você é foda e vai levar isso numa boa.

— Espero que sim.

— Levo seu pai assim que você mandar — Carmen prometeu.

— Obrigada — agradeci. — Por tudo.

A próxima foi Ness.

— Você é incrível — falou segurando em meu rosto. — Eu te admiro muito, Bells.

Por último, meu pai.

— Vai lá e traz essa garota ao mundo. — Me abraçou firme. — Você está construindo uma família linda, garota. E saiba que sempre poderá contar comigo.

— Obrigada, papai. Eu te amo muito.

— Também te amo demais, Bells. — Beijou meu rosto. — Você já é uma mãe incrível.

Chorei mais e deixei Edward me levar. Ele e eu tínhamos combinado de seguir sozinhos em um carro até o hospital, meu marido estava nervoso também, mas tranquilo o suficiente para dirigir. Queríamos aqueles minutos sozinhos, então Tanya foi no carro dela com Esme e Beatrice, outro carro seguia com nossos seguranças.

No carro, sem música tocando, eu tive novas contrações. Também foi lá que aconteceu, minha bolsa rompendo, sabia bem que era isso, não xixi, por conta da quantidade de líquido escorrendo por minhas pernas e molhando o banco.

— Ed, a bolsa rompeu! — gritei animada, chorando, já descabelada.

Ele pegou minha mão na sua e beijou.

— Estamos quase lá, linda.

— Você acha que ela será mais parecida com quem? Palpite final.

— Com você.

— Posso confessar? Também estou mais inclinada para essa opção. Será legal, uma mini Bella correndo por aí.

— Estalando os dedos!

Eu ri e olhei para fora do carro, era um belo dia de verão para conhecer Holly.

***

Nós entramos pela garagem do hospital, onde nossos seguranças e os do local nos guiaram até um elevador privativo para o andar onde eu ficaria. Edward e eu tínhamos fechado uma ala da maternidade, querendo mais segurança para evitar estranhos chegando perto da nossa bebê. Os funcionários que iriam interagir conosco e nossa filha também tinham assinado termos de confidencialidade, uma forma de tentar evitar vazamento de informações.

Eu fui primeiro para uma sala de parto, imensa, não era muito diferente de um quarto, mas era um local com mais aparatos médicos caso alguma intervenção precisasse ser feita. Também era onde cabia perfeitamente uma banheira inflável, mas resistente que foi montada.

Minha médica, Madeleine, estava na sala, esperando por mim. Durante a madrugada Edward, ou a enfermeira nos acompanhando, esteve a mantendo informada de tudo. Ela deixou a enfermeira do hospital fazer algumas perguntas para mim, me explicar os procedimentos do local, verificar meus sinais vitais e de Holly, depois deixou me examinou.

— Você dilatou bem, já está com seis caminhando para sete. São quase dez horas da manhã e a dilatação deve se manter um ritmo de um centímetro a cada hora, ou mais, isso é muito bom mesmo, veio no melhor momento.

Eu mal ouvi o que ela disse, sentindo mais uma contração dos infernos. Só queria agarrar as mãos de Edward e Esme e gritar, por longos segundos.

— Vai querer anestesia, Bella? — a médica perguntou solidária.

— Não, eu aguento.

Ou não, talvez fosse implorar por anestesia em breve, mas ainda queria aguentar mais.

— Posso ir para a banheira?

— Claro.

Eu só tirei a camiseta e vesti um top, não queria mais shorts ou calcinhas, ficando nua nesta área. Só queria ficar na água, era o melhor lugar para lidar com as contrações. Edward estava sentado no chão diante de mim, limpando minhas lágrimas e sempre falando que eu estava indo bem, me dando água e carinhos.

A enfermeira estava cuidando das massagens, Tanya gravava vídeos e tirava fotos. Esme estava perto, sempre ajudando em tudo que fosse preciso. Entre as contrações, no meio do meu estado doidona, falei para minha sogra:

— Quero ser uma mãe tão boa quanto você.

Ela se aproximou mais e afagou meu rosto.

— Você será melhor, querida.

— Não sei, talvez não.

Mais uma contração, eu agarrei a mão dela. Me senti um pouco nauseada depois daquela, uma enfermeira do hospital foi informada por Tanya e eu ganhei uma toalha molhada e fria no rosto, que meu marido segurou lá para mim.

— Um bebê vai sair da minha vagina — eu choraminguei depois de mais duas contrações, muito próximas uma da outra. — Não sei se vou dar conta.

— Vai sim, você consegue — Tanya incentivou.

— Como você conseguiu, T?

— Tina abriu caminho, Holly vai abrir o dela.

— Ok — murmurei, tão cansada, mas outra contração chegou logo depois. — Você não vai mesmo me achar uma covarde se eu pedir anestesia? — perguntei para Edward.

— Não vou, Capitã. Quer pedir?

— Não. — Movi meu rosto para mais perto do dele e beijei seus lábios. — Mas quero fazer cocô.

— Vou te levar.

Eu nem consegui negar, aquela altura, estava totalmente entregue às contrações. Me tiraram da banheira, e ele com Tanya me ajudaram a chegar lá. Eu chorei, sentada no vaso, me sentindo ridícula, mas depois ri e eles me garantiram que estava tudo bem.

Tanya ajudou na parte da limpeza, depois eu fui levada de volta para a banheira. O paraiso.

A enfermeira checou os batimentos de Holly, isso me fez voltar um pouco para o mundo.

— Como ela tá?

— Perfeita, forte como a mãe dela.

— Nós duas somos fodas! — exclamei, outra contração, cravei minhas unhas no braço de Edward.

Em seguida, Tanya tentou me fazer chupar um picolé, eu aceitei só um pouco. O gelado ajudava com a náusea, mas ainda preferia só a água. Edward me fez comer um único morango, só que aquilo me incomodou mais.

Eu não queria comer, queria gritar e queria que aquela menina nascesse.

— Dez e meia, sete centímetros.

Eu nem sabia dizer se quem tinha feito o exame era a médica ou a enfermeira, estava focada na dor.

— Bella. — A médica entrou no meu campo de visão. — Anestesia?

— Não, porra! — gritei com outra contração. — Toma você, eu sou forte, caralho!

Ela riu, eu a xinguei. Também xinguei Edward naquele momento.

— Você só terá a Holly, seu filho da puta. Nunca me peça para ter outros filhos.

— Ok, Capitã. Quer mais água? — Mostrou o copo

— Enfia esse copo no seu cu, Edward. — Me movi na banheira, doia tanto. — Edward — choraminguei, voltando para perto dele, buscando seu conforto. — Desculpa — pedi. — É que dói muito.

— Tudo bem, linda, você pode xingar e gritar o quanto quiser. — Aproximou nossos rostos. — Tô aqui ao seu lado, nada vai me fazer sair de perto de vocês.

Um século depois, entre um monte de contrações, outro exame de toque.

— Oito centímetros.

— Ainda falta muito.

Olhei para meu marido, que segurou meu rosto e voltou a repetir que eu aguentava.

— Logo Holly estará em seus braços, linda.

Isso me motivou, ou foi o fato de que também levaria tempo até uma anestesia ser preparada e aplicada. A próxima hora foi ainda mais insana, até que mediram novamente a dilatação.

— Você pulou de oito para dez, Bella.

Ouvir aquilo me paralisou por um instante, queria dizer que a hora estava ainda mais próxima.

— Ei, ei, ei — Edward fez com que eu o olhasse. — Um passo de cada vez, ok?

— Ok — sussurrei.

— Quer continuar na água, Bella? — perguntaram.

— Mais um pouco.

Não muito depois, eu comecei a sentir vontade de fazer cocô de novo e não aguentei sair da água. Naquele momento, qualquer vergonha tinha abandonado meu corpo, eu fiz na banheira e ninguém me repreendeu, a médica até comemorou.

— Está mais perto.

Beatrice e outra enfermeira me levaram para o banheiro, elas ajudaram a me limpar e ainda no mundo da lua voltei para a sala de parto. Ainda sentia contrações e também vontade de fazer força, trocaram meu top e me informaram que a banheira estava sendo higienizada, que eu poderia voltar para lá depois se quisesse.

— Não, não quero. Edward?

— Aqui, Capitã. — Eu estava apoiada na cama em meus cotovelos, ele apareceu diante de mim, unindo nossas mãos.

Mais dor, mais vontade de empurrar. Eu me vi saindo da cama e me agachando no chão, Edward me segurou por trás, Beatrice e a enfermeira do hospital estavam na frente olhando minhas partes, a médica checou o coração de Holly.

— Ela está bem? — Edward perguntou.

— Está otima.

Eu dei um pequeno sorriso e fiz mais força.

— Ainda vai demorar muito?

— Ela estará aqui logo, Bella — responderam.

Voltei a me levantar, Edward me seguiu conforme eu andava pelo quarto. Pensei em voltar para a banheira, mas não queria me molhar de novo.

Perdi a noção do tempo, enquanto sentia dor e fazia força. Acabei indo parar na cama, com a parte das costas do colchão erguida, me fazendo ficar praticamente sentada ali, com as pernas bem abertas e elevadas.

— Bella — minha médica falou comigo. — Você quer sentir a cabeça da Holly?

Eu chorei a ponto de soluçar, respondi apenas com um aceno positivo de cabeça. Ela segurou minha mão, a guiando até o local, eu senti os cabelos, chorei ainda mais.

— Edward — choraminguei, tirando minha mão. Naquele momento fiquei apavorada, era tão real. — Estou com muito medo.

— Eu também — sussurrou, apoiando sua testa na minha. — Mas lembre-se que será a melhor aventura das nossas vidas, Bella. Será incrível, eu prometo. — Beijou meus lábios.

Os minutos foram passando, eu tive mais vontade de empurrar. Mas não quis mais sair da cama, me sentindo mais segura ali. A pediatra que já tínhamos escolhido para ser a médica de Holly apareceu, era bom tê-la ali, mais uma segurança de que minha filha estaria sendo assistida por todos profissionais necessários ao nascer.

— Tanya — chamei ela, que se aproximou da cama. — Coloca logo Holly Holy para tocar, Donut precisa nascer com essa música tocando — exigi.

— Vou colocar — prometeu, se afastando já mexendo em seu celular, logo ouvi a canção preencher o quarto.

Eu fiz força, não precisava de ninguém falando nada, meu corpo praticamente implorava para eu empurrar. Edward estava segurando firmemente minha mão esquerda, Esme apareceu e ficou perto da direita, eu sabia que Tanya estava gravando e tirando fotos.

A equipe estava ali e minha filha queria nascer, eu precisava que ela nascesse logo. Chorei mais, puxando a mão de Edward para meus lábios, beijando e depois mordendo um pouco seus dedos.

— Desculpa, desculpa — pedi.

— Pode morder. — Piscou para mim.

Eu não mordi, mas continuei apertando e beijei novamente. Esme falou algo sobre estar rezando por nós, mas não entendi direito, ainda assim era bom poder apertar sua mão também.

— Isso, Bella, você está indo muito bem — a obstetra parabenizou. — Respire, não esqueça de manter sua respiração controlada.

Edward voltou a apoiar sua testa na minha, naquele instante me fazendo lembrar como era respirar direito para o trabalho de parto. Minha mente nebulosa não me faria lembrar só, ele conseguiu me ajudar.

Na sequência, fiz mais força. Me sentia menos cansada, parecendo estar mais agitada naquele instante, provavelmente todos os hormônios em mim estavam fazendo aquilo.

— Ela está bem? — perguntei assustada quando vi a enfermeira do hospital conferir os batimentos de Holly.

— Está sim, é apenas monitoração padrão.

— Ok, ok.

Mais força, meu corpo parecia pegar fogo. Mas ela estava tão perto, eu só precisava continuar empurrando.

Fechei os olhos por um instante, respirei junto de Edward e empurrei. Ele tirou a testa de mim, o vi espiar o que estava acontecendo, eu também olhei. Tinha muita coisa rolando, mas eu podia ver, eu podia sentir, Holly cada vez mais perto.

— Vamos lá, vamos lá! — Edward gritou quando empurrei. — Isso, linda, respira. Está perto.

Com a mão livre ele afagou meu rosto.

— Amo você — falou para mim.

Parei um pouco, ainda estava movida pela agitação, mas queria reunir mais forças para empurrar de novo. Esme beijou minha cabeça, eu coloquei a mão dela contra meu rosto.

— Tudo bem, querida — garantiu. — Só mais um pouquinho e sua filha estará com você.

Eu assenti, mas continuei sem empurrar, mantendo a mão dela no meu rosto. Era quente e reconfortante. Edward beijou meu rosto e disse repetidamente o quanto me amava, eu sussurrei o mesmo de volta. Então, consegui fazer mais força.

— Isso, Bella!

Perto, tão perto.

— No seu tempo.

Concordei, respirei fundo, checaram os batimentos dela outra vez. Quando voltei a empurrar, não fiz mais paradas longas, meu corpo não queria mais parar.

— Porra! — gritei após um empurrão.

E veio mais um empurrão, eu senti ela começar a sair e me rasgar. Gritei alto, não consegui olhar, meus olhos se fechando junto a força que fazia. Edward dizia o nome dela, beijando minha mão.

Quando abri os olhos, ela tinha acabado de sair por completo e começou a chorar. E eu, em meio ao meu próprio choro, comecei a rir.

— Ela nasceu — murmurei e ri mais. — Filha, meu amor. — A médica a colocou em meu peito, não tive hesitações, consegui a segurar sem medo algum, nossas peles se tocando, apenas não na parte do meu top.

Holly estava toda coberta por sangue e a substância branca de nome difícil que envolvia recém nascidos, chorava e resmungava, mas eu ainda achei ela a pessoa mais linda do mundo. Os olhos dela estavam abertos e se voltaram para meu rosto, parecia me reconhecer. Eu também a reconhecia, minha Donut, minha menina nascida no verão. Peguei sua mãozinha direita na minha, contando os dedinhos e chorando mais. Olhei para meu marido, os olhos dele estavam vidrados nela, seu corpo inclinado sobre nós duas.

— Porra, Capitã — murmurou.

— Eu sei. — Sorri e me movi para beijar o rosto dele, Edward olhou para mim e nos beijamos brevemente.

— Oi, Holly Swan Cullen — ele falou com ela, pegando sua outra mãozinha para contar os dedos também. Holly também parecia reconhecer a voz do pai, se agitando em meus braços. — Ela é linda, tão linda. Tão pequena, tão frágil. — Tocou delicadamente na cabeça dela, tinha uma quantia considerável de cabelos escuros ali, o que me fez rir mais.

— Ela é uma Cabeluda Americana! — exclamei, meu marido riu.

Uma enfermeira começou a limpar Holly, sem tirá-la do meu colo, mas isso fez minha garota chorar mais. Odiei, não queria que nada fizesse meu bebê chorar, mas permiti. Edward continuava preso em uma bolha com ela.

— Uma mini Cabeluda Caipira — disse, tocando na ponta do nariz dela. — É o seu nariz, tenho certeza.

— E os cabelos escuros.

— Mal vejo a hora de saber qual será a cor exata dos seus olhos, Holly. — Ele beijou a cabeça dela. — Ainda que você seja fofa pra caralho com esses olhinhos azuis escuros.

— Ela está bem? — perguntei para a enfermeira que chegou os batimentos do bebê.

— Está sim, vamos deixar ela no seu colo e depois a pediatra irá avaliar ela direitinho, ok?

— Certo, obrigada.

Eu não queria desgrudar da minha filha, a enfermeira terminou de limpá-la e a envolveu em uma manta quente, mas ainda deixou nossas peles se tocando. Também colocaram uma touca amarela nela, que tinha um bordado de Donut rosa, foi um presente do meu pai para a maternidade.

— Bella — Edward falou, olhei para ele, mas vi que ele não estava falando comigo, sim com minha médica que continuava trabalhando lá embaixo. — Bella está bem? Tudo bem com minha esposa?

— Tudo bem, logo faremos a expulsão da placenta e eu darei alguns pontos. Bella — ela falou comigo a última parte. — Você teve uma dilaceração, nada grave, pelo contrário foi algo bem simples, precisará só de dois pontos, tá bom?

— Sim, tanto faz.

Eu não estava preocupada comigo, só queria saber da minha filha. Voltei meus olhos para ela, tão pequena, tão linda. Me movi e beijei sua testa, sentindo seu cheirinho tão bom.

Ela era minha, isso era mágico. Eu tinha uma filha, uma filha linda, uma filha perfeita.

— A mamãe ama tanto você — falei com ela, pensando em quando vi o positivo no teste de gravidez. — Você é a pessoa mais importante do meu mundo, Holly. Eu juro que vou cuidar muito bem de você, filha. Vai poder contar comigo para tudo, tá ok? É uma promessa!

— Você está bem? — Edward perguntou para mim, colocando uma mão em meus cabelos, a outra ficou sobre as costinhas de Holly, próxima a minha que a segurava ali, só que a dele por cima da manta.

— Sim. — Eu sorri. — Estou apaixonada por ela.

— Não tem como não estar. — Beijou meu rosto demoradamente. — Obrigado, Capitã. Por ter me dado ela, sério, muito obrigado.

— Obrigada por ter me engravidado — agradeci de volta, ele riu. — Ela pode mamar? — perguntei a ninguém em especial.

Beatrice se aproximou, eu a agradeci também. Queria falar com Tanya e Esme, mas também só queria ficar ali concentrada na minha filha. A enfermeira me ajudou a abaixar o top e a encaixar Holly em meu seio, doeu um pouco, mas eu ainda estava cheia de empolgação para ligar para dor.

Holly começou a mamar, me fazendo chorar e sorrir mais.

— Edward? — chamaram por ele. — Hora de cortar o cordão.

— Claro. — Ele me beijou de novo, beijou Holly, sussurou para ela que a amava e ergueu o corpo.

Começaram a mexer de novo nela, parar preparar o ponto exato de corte do cordão, fazendo minha filha largar o peito e chorar. Edward e eu imediatamente começamos a conversar com ela, explicando o que aconteceria e que era necessário, ela pareceu chorar menos.

Explicaram para Edward como ele deveria fazer, eu tentei prestar atenção à explicação, mas não conseguia desviar a atenção muito tempo da garotinha linda em meus braços. Holly fazia um bico e choramingava, eu prometi que logo ela estaria quietinha novamente.

Ouvi Tanya chamar meu nome, ela estava por perto, e queria que eu olhasse para a câmera de seu celular que gravaria o corte.

— Pronta, Holly? — Edward perguntou a ela.

— Sim, papai! — respondi pela minha garotinha, nós dois sorrimos, dois completos idiotas por aquele bebê.

Então, ele cortou o cordão. Nós dois chorando, ele devolveu a tesoura e se inclinou para beijar nossa filha, depois a mim.

— Nós temos uma filha.

— Nós temos uma filha.

E ela tinha que mamar, Beatrice me ajudou a colocar Holly de volta no peito, a pequena amou isso, eu sabia.

— Prometo que vou te deixar segurará-la — falei para Edward, que tinha voltado para a posição anterior tocando em nós duas, nos envolvendo em seus braços protetores. — Só não tão pronta para largar ela ainda.

— Tudo bem, quando eu pegar ela não irei soltar também.

— Tão linda — falei olhando diretamente para Holly.

Minha Donut, minha Holly, minha filha.

***

A expulsão da placenta foi feita, assim como os pontos foram dados e as enfermeira e técnicas do hospital me limparam. Eu seguia sem vergonha de nada, pouco me importando para o resto, o que mais me importava no mundo estava em meus braços, terminando de mamar.

As médicas, enfermeiras e técnicas continuaram por ali, eu vi Esme de relance conversando com Tanya.

Por fim, Holly soltou o peito.

— Posso segurá-la agora? — Edward perguntou ansioso.

Eu não queria soltá-la, mas também queria que os dois se conhecessem melhor. Sendo assim, cedi, queria que ela amasse o pai, queria que ele se sentisse ligado à ela.

Beatrice foi nos ajudar com a troca de colo. Recolocou meu top no lugar, pediu para Edward sentar comigo na cama, que tinham mudado um pouco a inclinação. Eu abri espaço, conseguindo me mover sem problemas, estava meio dolorida, mas naquele momento nada incontrolável como as contrações de antes.

Holly estava adormecida, quando eu passei ela para os braços de Edward. Como eu, ele não hesitou, queria muito tê-la consigo. Nosso bebê resmungou um pouco com a troca de colo, mas seu pai conversou com ela, sem dúvidas Holly reconhecia a voz dele.

— Está tudo bem, filha — falou suavemente. — É o papai, você está segura. — Eu sorri para os dois, mais apaixonada por meu marido naquele momento enquanto o via com nossa garota em seus braços. — Lembra de mim, não é? Sempre estávamos conversando pela barriga. Sou o cara que não calava a boca. Como estão sendo esses primeiros minutos de vida? Estou tão feliz que você está aqui e bem, bebê. — Beijou ela. — Esperamos tanto por você. — Ele olhou para mim, mas continuou conversando com ela. — Viu como sua mãe foi foda? Ela aguentou tanta dor para te conhecermos, você precisa ser muito boazinha com a mamãe.

Eu apoiei minha cabeça no ombro dele, olhando para nossa filha dormindo.

— Te amo. — Edward beijou meus cabelos, Alice tinha os alisado pra nada, continuavam presos em um coque mal feito. — E amo você, Donut. Muito mais do que já amava. — Ele chorou, limpei as lágrimas de seu rosto. Eu o entendia perfeitamente, também senti o amor triplicar desde que ela nasceu.

— Fotos, fotos! — Tanya voltou a se aproximar, Edward e eu a ignoramos, olhares focados em Holly, mas ela tirou fotos e eu agradeceria por isso depois.

— Parabéns, querida. — Senti Esme afagar meu braço, eu me mexi e a vi perto de mim.

— Obrigada. — Ela me abraçou gentilmente, chorei um pouco em seus braços. Antes dela ir abraçar e parabenizar o filho.

— Obrigado, mãe — ele agradeceu.

— Oi, pequena. — Esme falou com Holly, beijando sobre a touca dela. — Sou a vovó.

A única avó, eu pensei que iria chorar por isso, mas naquele momento não aconteceu. Amava minha filha, incontrolavelmente, entendendo menos ainda como Renée poderia ter sido uma mãe tão perversa, não quando tudo que eu queria era proteger meu bebê de tudo e todos.

Esme se afastou logo depois, deixando com que Edward e eu voltássemos para a bolha, o que não durou muito. A pediatra avisou que precisaria examinar Holly e a enfermeira do hospital disse que estavam prontos para me levar para o quarto, que minha filha iria para lá em seguida.

— Fica com ela — pedi para Edward, meu coração apertado por precisar me afastar, mas sabendo que ele também seria protetor sobre ela.

— Vou ficar — prometeu. — Tenta descansar um pouco. Mãe, vai com a Bella.

Edward se levantou da cama, meu coração palpitou, só que ele segurava Holly perfeitamente e ela nem resmungou com a mudança de altura. Chorou apenas quando a pediatra a pegou, eu chorei também, mas deixei a enfermeira e Esme me levarem para o quarto.

Tanya ficou com eles, o que me acalmou ainda mais. Holly estaria 100% protegida com o pai e a madrinha.

No quarto, eu aceitei tomar banho. Foi muito bom me sentir limpa depois de tantas coisas rolando, mas precisei ir com calma, ordens médicas e usar uma fralda pós-parto para controlar o sangramento esperado.

Quando Holly apareceu, foi com uma comitiva. Ela estava em um berço móvel, seguida pela pediatra, duas técnicas de enfermagem, sua madrinha e o pai. Eu já estava na cama, ansiosa para tê-la comigo novamente.

— Tudo bem? Ela está bem? Fez todos os testes e exames?

— Ela está ótima — a pediatra garantiu, parando o berço perto da cama. Holly estava vestida, em um conjuntinho todo amarelo e dormindo. Tirou minha filha de lá e a passou para meus braços, eu cheirei meu bebê, ela tinha o melhor cheiro do mundo.

A pediatra me contou sobre os exames, reforçando que Holly estava ótima. Explicou tudo uma segunda vez, quando eu não entendi de primeira, disse o que deveríamos esperar para as próximas horas também. Quando eu estava calma sobre a saúde da minha filha, ela e o resto da equipe saíram, me incentivaram a beber bastante água e chamar por alguém caso precisasse de algo.

— Trataram ela direitinho? — questionei Edward, que sentou comigo.

— Como uma princesa, ninguém machucou ela, juro.

— Ótimo, não mentiram para mim sobre nenhum resultado, né?

— Não, ela foi aprovada em todos.

— Ai filha, é tão bom estar agarrada com você de novo. — Senti um beijo em minha cabeça e vi Tanya. — T, eu tenho um bebê.

— Você tem um bebê, e ela é tão linda. Parabéns, B. — Beijou meu rosto molhado por lágrimas. — Vocês três serão muito felizes, tá? — Olhou para Edward e afagou o braço dele, meu marido também estava chorando de novo. — E obrigada por me escolherem como madrinha.

— Foi sorteio — Edward provocou entre suas próprias lágrimas. — Brincadeira, Tanya, você tinha que ser a madrinha.

— Você registrou tudo? — perguntei a ela.

— Com certeza, por que não tiramos mais fotos agora?

— Topo — concordei.

— Capitã, você não quer descansar?

— Não, eu nunca mais quero dormir, só ficar acordada curtindo a Holly. Esme, devo estar com a maquiagem toda cagada, me ajuda?

Ela concordou e pegou batom e rímel para corrigir ao menos aquilo na minha cara. Quando eu estava pronta, Edward, Holly e eu posamos para fotos.

Minha família. Porra, eu os amava tanto!

***

Holly Swan Cullen nasceu dia 7 de Julho de 2019, às treze horas e cinquenta e sete minutos, em Los Angeles. Ela pesava 3,570 kg, media 50 cm e era linda.

Eu não conseguia tirar os olhos dela, o que me fez não dormir após as primeiras horas seguintes ao parto. Só queria ficar ali, admirando meu bebê perfeito.

Por volta das seis horas da tarde, Tanya foi embora, ela precisava ir ver a própria filha. Esme ficou conosco, mesmo que eu e Edward tivéssemos insistido para ela ir.

Queríamos aproveitar mais a bolha com Holly, por isso acabamos dispensando visitas durante o tempo que ficaríamos no hospital, deixando apenas meu pai ir aquela noite dar uma rápida olhada em sua neta. Seria justo com ele, uma vez que Esme já tinha a conhecido.

— Não, eu não quero — neguei quando Edward sentou na cama comigo, carregando um prato de comida em mãos, tinham acabado de entregar nosso jantar. Depois de uma técnica de enfermagem verificar os sinais vitais de Holly e os meus.

Holly estava em meu colo, dormindo tranquilamente depois de mamar pela segunda vez em sua vida. A segunda mamada não foi tão simples quanto a primeira, doeu mais e Holly não estava pegando o peito direito, mas a equipe do hospital era excelente e me ajudou a fazer a pega corretamente.

— Você precisa — ele teimou. — Não come direito desde o jantar de ontem, está amamentando, tem que se hidratar e alimentar corretamente. — Ele espetou um pedaço de beterraba com o garfo e estendeu para mim.

Cedi, sabia que precisava mesmo estar bem alimentada para cuidar de Holly. Abri a boca e deixei meu marido me alimentar.

— Boa garota — elogiou.

Eu revirei os olhos, mas sorri um pouco e conforme mastigava, percebi que estava faminta.

— Tô com muita fome — anunciei.

— Imaginei — ele falou, me dando um pedaço de salmão grelhado em sequência.

— Quer que eu segure a Holly para você comer, querida? — Esme perguntou.

— Não, não — neguei. — Edward pode continuar me dando na boca. — E ele continuou, prontamente me dando um pouco de batatas. — Desculpa — falei para minha sogra após engolir. — Se eu estou sendo chata e ciumenta — me expliquei, Esme riu suavemente.

— Eu entendo, Bella. Também não queria largar Rose e Ed quando eles nasceram. Curta bastante, antes dela virar uma adolescente irritante. — Esme puxou a orelha do filho antes de se afastar.

— Ok, chega de papo, mais comida — Edward esticou o garfo, seus olhos se voltando para Holly. — Depois que você comer, eu vou pegar ela.

— Vou comer devagar — provoquei, ele fingiu uma risada, se aproximou e beijou minha bochecha. — Eu te amo — falei para meu marido. — Você não faz ideia o quanto.

— Eu te amo mais.

— Duvido. Mais batatas, por favor.

Quando acabei de comer e Edward se livrou do prato e talheres, entreguei Holly para ele. A garota sequer resmungou, continuando a dormir plenamente, eu aproveitei para ir ao banheiro fazer xixi e escovar os dentes, Esme me ajudou.

Estava com um acesso no braço, para tomar alguns medicamentos, que era irritante. Mas também, não me sentia pronta para estar no banheiro só, meu corpo ainda era uma confusão, a barriga remanescente, os órgãos ainda fora de lugar por conta do tempo que ficaram mexidos com o aumento do útero, as dores, o sangramento, fora que o cheiro de hospital me deixava nervosa. Talvez fosse mesmo melhor ter minha sogra nos acompanhando, ela podia ficar de olho em mim enquanto Edward estava de olho em Holly.

E era bom ser cuidada, eu deixei Esme saber disso. Ela sorriu e disse que poderia contar com ela para sempre.

Ao voltarmos para o quarto, Edward estava sentado na poltrona. Segurava Holly na vertical sobre seu peito, afagava o corpinho dela lentamente.

— Ela tá bem? — perguntei me aproximando deles.

— Tá sim — garantiu. — Dorme um pouco, Capitã.

Não consegui dormir, mas deitei e descansei um pouco. Era bom esticar meu corpo, especialmente minhas costas e pescoço doloridos por tanto tempo que fiquei curvada sobre Holly.

Por volta de sete da noite, meu pai apareceu, trazendo balões em formato de Donuts. Seus olhos passeando entre mim e Holly, andando por fim primeiro até mim.

— Oi, papai.

— Oi, Bells. Como você está? — Afagou meu rosto, tinha entregue os balões para Esme, ela os pendurou do outro lado do quarto.

— Maravilhosa — respondi.

Estava exausta, com um pouco de dor e nervosa, mas tudo ainda era mínimo perto da felicidade de finalmente ter minha filha.

— Ela é uma Cabeluda Americana — contei, fazendo meu pai e Edward rirem.

Edward levantou e se aproximou com Holly, Charlie rapidamente olhou para ela. Meu pai sorriu e chorou um pouco.

— Ela parece tanto com você, Bells. Você era exatamente assim quando nasceu.

— As bochechas são do Ed, as dele eram assim mesmo — Esme disse.

Ela e Charlie ficaram falando sobre Edward e eu quando bebês, com eles distraídos com isso, abri espaço na cama e indiquei para meu marido. Ele sentou ao meu lado, Holly ainda deitada na vertical em seu colo.

Cheirei e beijei minha filha, depois beijei o pai dela.

— Ela tem um cheiro muito bom — Edward falou.

— O melhor.

Papai não conseguiu carregar Holly antes de ir, Edward e eu achamos melhor não tirá-la do seu colo e correr o risco dela acordar. Charlie ficou cerca de meia-hora, me abraçou, disse que qualquer coisa poderia chamá-lo e foi embora depois de dar um rápido beijo na cabeça de Holly.

— Você ainda não comeu — falei para Edward quando papai se foi, Esme jantou depois que eu fui ao banheiro, mas a comida do meu marido seguia intocada.

— Eu como quando ela for mamar. Como estão seus peitos?

Ri um pouco.

— Doloridos. Como estão os seus?

— Não doem mais depois dos piercings. — Eu ri de novo.

— Sim, porque é igualzinho.

— Sei que não, é só uma brincadeira.

— Eu sei, pirralho, relaxa.

— Já posso usar as palavras calma e relaxa de novo?

— Você não, eu posso. — Ajustei a touca em Holly. — A internet ainda não descobriu sobre ela, descobriu? — perguntei pensando sobre aquilo, meu celular tinha sido completamente esquecido após o parto, Edward pegou o seu algumas vezes, só para tirar fotos nossas e responder nossos amigos e família. Entretanto, eu sabia que Tanya estava o mantendo informado de tudo que fosse preciso.

— Não, continua sendo um segredo.

— Quando você quer anunciar, amor?

Ele suspirou.

— É estranho, ao mesmo tempo que quero gritar para o mundo que ela está aqui, também quero manter ela só para nós.

— Sei como se sente. — Assenti. — Vamos esperar até uma semana?

— Ou mais, caso ainda não estejamos prontos?

— Ok, perfeito — concordei. — Vamos mostrar o rosto dela?

— Podemos preservar isso um pouco mais? — perguntou de volta, se movendo na cama de forma que pudesse me olhar nos olhos. — Ela é linda, a garota mais linda do mundo, mas sabemos que tem tanta gente escrota no mundo, não quero ninguém comentando sobre a aparência dela.

— Certo. — Afaguei as costas de Holly. — Podemos esperar mais para mostrar o rostinho dela, ou nunca mostrar, sei lá. Acho que precisamos ir tomando essas decisões aos poucos, afinal.

— Temos que tomar uma decisão agora — falou.

— Qual?

— Ela está fazendo cocô.

— Jura?

— Sim. — Sorriu. — Tô sentindo.

— Amor, a primeira fralda dela será sua! — comemorei, Edward revirou os olhos, mas se inclinou e beijou meu rosto.

— Tudo bem, estou ansioso por isso. Vamos deixar ela terminar e chamar a enfermeira, falaram que vão auxiliar na primeira.

— Isso é roubo — declarei, e aquele papo me lembrou de algo. — Você me viu fazendo cocô, não foi?

Edward assentiu.

— Vi sim.

— Ai, que nojento — reclamei, cobrindo meu rosto com as mãos.

— Para, nada foi nojento.

Suspirei e voltei a olhar para ele.

— Sério, Capitã. Não sinta vergonha por isso, tá tudo bem.

E estava, eu sabia. Ele era incrível, o melhor pai que Holly poderia ter e o melhor marido para mim.

— Bom, que se foda — murmurei. — Pari essa criança sem anestesia, isso que rolou foi o mínimo.

— Isso aí!

— Não ouse comentar sobre com Alice e Jasper.

— Jasper faria piadas e sua irmã iria acabar passando mal, pode ficar tranquila que não irei comentar.

— Melhor, não comente com ninguém. Esme? — chamei por ela que estava distraída mexendo em seu celular.

— Sim?

— Não fale sobre o episódio cocô para ninguém.

— Pode deixar, minha boca é um túmulo.

Excelente, eu também obrigaria Tanya a ficar calada sobre aquilo.

***

Edward não trocou a primeira fralda, nem eu. A enfermeira nos ensinou como fazer, enquanto mostrava na prática, sendo assim nos livramos daquela.

Após a troca, Holly estava chorando e veio para meu colo mamar um pouco. Era importante que naquele primeiro mês de vida, ao menos, ela mamasse no mínimo de três em três horas, depois, com a liberação da pediatra ao avaliar o ganho de peso dela, poderia mamar só quando quisesse aquilo, sem que eu precisasse manter as horas regradas.

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— Seja boazinha com sua mãe, Donut — Edward pediu quando Holly ficou pegando e soltando o peito, isso fazia doer muito e eu estava ficando bem tensa, a enfermeira me auxiliava.

Levou um bom tempo até Holly pegar de vez, quando isso aconteceu, eu estava exausta e com o rosto tomado por lágrimas, Edward as limpou. A enfermeira saiu, dizendo que qualquer coisa deveríamos chamá-la.

Encostei minha cabeça no travesseiro atrás de mim e fechei os olhos, não iria conseguir dormir, mas precisava ao menos relaxar um pouco. Edward sentou com a gente, evitando tocar em Holly para não nos distrair, alguns minutos depois, Esme apareceu com uma garrafa de água.

— Você precisa beber, Bella — falou quando abri meus olhos.

Concordei, Edward ia pegar a garrafa da mão dela, mas eu neguei quanto a isso.

— Vai comer, Edward. Sua mãe me ajuda agora.

— Mas…

— Sério, você precisa comer.

Ele hesitou, porém acabou deixando a cama e foi se alimentar. Esme me ajudou a beber água e ficou comigo até Edward acabar de comer rapidamente e voltar para nós, ele também me hidratou e me fez comer um pouco das frutas que tinham mandado para a gente.

Quando Holly terminou de mamar, deixei Esme pegá-la para fazer com que ela arrotasse e eu pudesse ir ao banheiro, com Edward me acompanhando.

— Ela arrotou, está quase dormindo — Esme disse ao deixarmos o banheiro.

Eu queria minha filha em meus braços, mas ela estava tão calma com a avó e também queria ficar quietinha um pouco. Edward me deixou na cama e foi tomar um banho, quase cochilei, enquanto escutava Esme conversando baixinho com Holly.

Assim que Edward deixou o banheiro, vestindo roupas limpas e cabelos lavados, Holly começou a chorar e Esme avisou que era a fralda. Chamamos a enfermeira, daquela vez ela deixou Edward trocar nossa filha, eu fiquei ao lado, conversando com meu bebê e também aprendendo o que deveria fazer.

— Seu pai se saiu tão bem — falei para Holly, quando a enfermeira saiu, pegando Donut no colo. Ela não queria mamar de novo, o que eu agradeci, precisava de um descanso para meus peitos.

— Me deixa pegar ela? — Edward pediu. — Você aproveita e dorme até ela querer mamar.

— Tá bom, vai com o papai, Holly. — Passei ela para ele, Edward deu um grande sorriso, enquanto a ajustava em seu corpo e beijava a cabeça da nossa filha. — Você não está com sono?

— Não, ainda não. Mas você sim, vá descansar.

Eu fui, deixando Holly com ele e Esme. Dormi rápido, e quando acordei Edward estava trazendo a garotinha até mim para mamar. Com ajuda da minha sogra, consegui fazer com que ela pegasse o peito sem muita luta. Durante a mamada Edward sentou em uma cadeira que colocou junto da cama, uma mão sobre minha coxa, a outra fixando o travesseiro de amamentação embaixo de Holly.

Ele acabou pegando no sono, sentado mesmo. Eu sorri, vendo meu marido e minha filha, sentindo meu coração bater forte de amores pelos dois.

Também foi por amor que eu fiz ele acordar após Holly mamar, pedindo para Edward a fazer arrotar. Isso me permitiu dormir e descansar mais um pouco. Minha cabeça martelou, aquela parte de mim que amava se sentir culpada por tudo e insegura, tentou me fazer acreditar que eu deveria ficar acordada direto e tomar conta do bebê, mas naquela noite consegui a ignorar.

Horas depois, fui acordada novamente para Holly mamar. Troquei a próxima fralda com sucesso, mas a deixei voltar para os braços de Edward. Ela amava o colo dele, dormiu logo e ele a colocou no bercinho que até aquele momento mal tinha sido usado.

— Silêncio — ele sussurrou, indicando que eu deveria dormir.

Espiei Holly mais um pouco, Edward deitou em um dos sofás-cama. O berço estava entre nós dois, Esme dormia no outro sofá, mais afastado do outro lado do quarto.

— Isabella, durma — ele ordenou.

— Ok — sussurrei.

Mas antes de voltar para cama, me certifiquei de que Holly estava respirando, que ela estava segura dentro do saco de dormir e que sua touca não estava apertada. Quando me tranquilizei, fui deitar, mas da cama fiquei olhando para ela por um tempo, até finalmente cair no sono.

***

A noite foi agitada, com Holly acordando para troca de fraldas, querendo colo ou mamar. Comigo acordando diversas vezes para a olhar no berço, checando sua respiração. E também com técnicas de enfermagem aparecendo para verificar como estávamos.

Na manhã seguinte eu estava um caco, mesmo que Edward e Esme tivessem me dado todo o suporte, nada conseguia eliminar o cansaço físico e principalmente mental que sentia. Ainda assim, não queria ficar longe de Holly e fiquei chateada quando levaram ela para o berçário, para que fizesse mais testes e fosse avaliada pela pediatra, eu fiz Edward ir junto, deixando Esme me ajudar a lavar os cabelos e depois secar.

Quando eles voltaram, Edward e eu tiramos dúvidas. A pediatra garantiu que estávamos indo muito bem, que Holly estava saudável e que deveria receber alta na tarde do dia seguinte.

Minha médica também passou para uma visita e disse a mesma coisa sobre a alta, me examinou e falou que eu estava me recuperando bem. Me fez recomendações e disse que deveria procurar por ela caso quisesse tirar alguma dúvida.

De tarde, depois de almoçarmos, uma enfermeira veio para o primeiro banho de Holly. Era quase duas da tarde, enquanto recebíamos instruções para o banho, o relógio marcou a hora exata do nascimento do nosso bebê.

Edward, que estava com ela no colo, anunciou aquilo.

— Feliz um dia, minha lindinha!

Eu sorri para eles, me aproximando, beijando e parabenizando Holly também.

— Feliz um dia, Capitã — Edward desejou para mim. — Você é uma mãe foda, no melhor dos sentidos.

Ouvir aquilo animou meu dia sonolento e exaustivo. Voltamos para nossa aula de banho, que não foi muito diferente da que tivemos no curso durante a gestação, mas a enfermeira que daria o primeiro banho.

Holly começou a chorar no momento que a enfermeira tirou ela do colo do pai, chorando bem mais no processo de tirar as roupinhas e fralda, chegando ao ápice do choro que cortava meu coração quando a enfermeira a colocou na água, após higienizar seu rosto e cabeça.

Após o banho, sentei com Holly para dar de mamar. Edward e eu, conversando baixinho, decidimos que já estávamos mais seguros para passar as próximas 24 horas sozinhos no hospital. Esme ficou relutante de ir, mas foi convencida pelo filho quando ele sugeriu que ela fosse sair um pouco com Aro e curtir o resto do dia.

Eu adorava minha sogra, também sabia que ainda iria precisar de muita ajuda dela pelo resto da vida, mas era bom ficar ali só com meu marido e filha. Ainda que fôssemos interrompidos direto pelo pessoal do hospital, poder curtir Holly, só nós dois, conhecer ela melhor, era tão gostoso.

Mais tarde naquele dia, Edward estava colocando Holly para arrotar, enquanto cantava para ela a canção que fizemos. Eu estava sentada na poltrona, comendo frutas, o escutando cantar e só vendo um filme de comédia passando na TV, uma vez que o aparelho estava mudo.

— Amor, come um pouco.

Edward se aproximou, com cuidado curvou o corpo e comeu um pedaço de morango que dei para ele.

— Como você está se sentindo? — perguntou de boca cheia.

— Exausta, pensando que não dormi o suficiente nos meus trinta e muitos anos.

— Você pode ir dormir agora. — Ele pegou mais um pedaço de morango.

— Depois que ela dormir, fico mais tranquila assim.

— Eu dou conta.

— Tenho certeza disso, ela ama seu colo. — Gesticulei para eles agarrados um ao outro. — Mas ainda fico preocupada. Sei lá, minha cabeça fica pensando que eu tenho de estar dando atenção à ela direto.

— Voltamos para casa amanhã, que tal você agendar uma consulta online com sua terapeuta para quarta?

— Você acha? Tão rápido assim?

— Precisa seguir sua terapia, reserve uma janela de tempo com ela, amamenta Holly, eu faço ela dormir e você se isola no quarto para ter um momento. O que acha?

— Ok, está certo, meu corpo e minha cabeça estão uma loucura, não posso falhar com a terapia. Talvez eu consiga duas sessões por semana.

— Ótimo, também acho uma boa. Mais morangos?

— Folgado! — exclamei brincando.

— Estou segurando sua filha, o mínimo que pode fazer é me alimentar — provocou.

— Engraçadinho. — Dei mais morangos para ele. — Ela parece menos bochechuda hoje, está desinchando.

— Mas ainda é a garota mais linda do mundo — falou docemente e beijou a bochecha dela, Holly ainda estava acordada, olhando para o pai. — Eu amo tanto você — disse para nossa filha. — Se eu pudesse te colocava literalmente dentro do meu coração, só para te proteger do mundo.

— Eu me sinto assim. — Edward me olhou. — Quando ela chora, quero a colocar de volta na barriga e garantir que estará segura.

— Ela está. — Meu marido se aproximou e sentou comigo, Holly olhou para mim, quando repousei minha cabeça sobre o ombro de Edward, entrando no campo de visão dela.

Nós três, uma família dentro de uma bolha silenciosa. Até Holly começar a chorar.

— É fralda suja — Edward declarou e choramingou um pouco.

— Boa sorte com ela, amor.

***

A ideia de voltar para casa era maravilhosa e terrível, tudo ao mesmo tempo. Eu estava louca para tirar Holly do hospital, poder sair também e levá-la para seu lar. No entanto, deixar os cuidados de toda a equipe do hospital assustava, ainda que fossemos ter todo um suporte que muitos não tinham na mansão.

— Você está com dor de barriga? Eu estou — Edward disse ansioso enquanto estávamos conferindo nossas malas.

Holly estava dormindo no bercinho do quarto hospitalar, já tinha tomado seu segundo banho — dado por Edward, que se saiu muito bem nisso —, mamado e sido vestida com a roupinha para sair da maternidade. Era um macacão vermelho, com gola branca curtinha, eu tinha checado um milhão de vezes se aquilo não estava a sufocando e não estava. Não colocamos luvas, estava quente, mas iríamos a envolver numa manta também vermelha e seus pequenos pés estavam agasalhados em meias fofinhas.

Edward não quis o laço, falando que aquilo poderia machucar sua cabeça, eu me vi concordando, mesmo que soubesse ser algo liberado, tínhamos aprendido durante as aulas que fizemos, que os modelos certos não causavam mal algum. Ainda assim, nada de laços, ela tinha dezenas de roupinhas que vinham com eles, mas seriam deixados de lado, ou virariam pulseiras para meu marido, como ele fez com laço daquele dia 9 de Julho.

Com duas voltas, Edward colocou o laço em seu pulso direito, o que escondia sua tatuagem de código de barras. Nós dois estávamos usando vermelho, meio brega combinar cores de roupas, mas eu não resisti ao escolher semanas atrás o que iríamos usar ao deixar o hospital.

Eu estava com um vestido vermelho, que era próprio para que conseguisse abaixar as mangas e amamentar, mas meus peitos estavam cobertos por sutiã de amamentação e com protetores de silicone evitando os mamilos de roçarem no tecido da roupa, assim evitando que eu ficasse mais machucada, uma vez que já estava sofrendo bastante naquele quesito.

Meu marido usava uma calça jeans escura e uma camiseta vermelha básica, apenas com o nome da cidade que morávamos estampada. Ainda não tinha colocado lentes, então estava com seus óculos de grau.

— Sim, também estou com dor de barriga — respondi apreensiva, com tanto medo de que algo acontecesse com Holly em casa.

Eu me aproximei dele, que rapidamente me envolveu em seus braços, afagou minhas costas e beijou minha cabeça. Ficamos assim por um tempo, até baterem na porta, Holly resmungou, mas não acordou.

Edward foi ver quem era, Felix estava ali para levar as malas para o carro. Como nosso chefe de segurança, ele estava encarregado de nos tirar daquele hospital e comandar os demais seguranças. Segundo Edward, que só respondeu quando perguntei pela quarta vez, a internet e imprensa já estava suspeitando do nascimento, entretanto, Tanya — com nosso consentimento algumas horas antes — fez correr o boato com contas anônimas, que iríamos sair de outro hospital aquela tarde.

Mostrei Holly para Felix, antes de ele descer com as malas. Ele nos parabenizou, mas manteve sua pose profissional, mesmo dando um sorriso pequeno para nosso bebê. O segurança desceu com as malas, Edward e eu ficamos com a missão de colocá-la no bebê conforto que seria acoplado à base da cadeirinha que já estava no carro dele.

Queríamos ir para casa sozinhos em seu carro com Holly, como tinha sido feito no caminho para o hospital. Felix e os outros seguranças estariam em outro carro nos seguindo.

— Ai, filha — eu choraminguei quando a vi no bebê conforto. — Você é minúscula. Edward, ela é tão pequena. — Parecia ser ainda menor naquele negócio, toda encolhidinha.

Ele começou a chorar, com cuidado beijando a cabecinha dela.

— Vai ficar tudo bem, não vai? — perguntou para mim.

— Claro, vai sim — garanti, para nós dois, não só para ele.

Dariamos conta, teríamos que dar. Uma vida dependia da gente.

— Você está bem para dirigir?

— Estou. — Respirou fundo.

A enfermeira chefe do plantão apareceu, nos acompanharia até a garagem, com Felix que tinha retornado. Já tínhamos assinado toda a documentação de alta, assim como conversado com as médicas e sido mais instruídos, eu tinha receita para casa, principalmente para dor e uma pomada para meus peitos machucados.

Edward carregou o bebê conforto, só precisou de uma mão, estava inseguro com a volta para casa, mas tinha treinado com Sam carregar bebês naquilo. Sua outra mão envolveu a minha, eu a levei aos meus lábios antes de deixarmos o quarto, notei que ele tinha uma pequena marca dos meus dentes em seus dedos, resultado da mordida que dei durante o trabalho de parto dois dias antes.

O hospital e funcionários também estavam dentro do nosso esquema de segurança, seguimos para um elevador vazio, que continuou assim, apenas com minha família e a enfermeira, até a garagem. Lá, a enfermeira tirou as pulseiras de identificação que Holly, eu e meu marido usávamos.

Se despediu, desejando tudo de melhor para a gente e nos deixou sozinhos. Bom, apenas cercados por seguranças.

— Ok, vamos te colocar no carro — Edward conversou com Holly, eu dei a volta e entrei pelo outro lado. Iria com ela lá atrás, se algo acontecesse, estaria junto da minha filha.

Edward também tinha treinado, daquela vez com Alec, a acoplar o bebê conforto no carro. Se enrolou um pouco no começo, tentei ajudar, mas vi que isso o deixou mais nervoso e o deixei terminar só.

Quando acabou, eu chequei tudo junto com ele, nós dois garantindo que ela estava segura. Holly, até certo peso, teria de ficar de costas para a frente do carro.

— Dirige com calma — pedi para Edward, ele assentiu, beijou Holly e eu antes de ir para o banco do motorista.

Inspirei fundo, ajeitando a mantinha sobre o corpinho de Holly, tomando cuidado para não deixar nada tapar sua boca e nariz, também me certificando de que sua cabeça estava na posição certa. Edward começou a dirigir, bem devagar e com calma. Ao deixar a garagem, não vimos paparazzis, nem fãs ou curiosos. Isso nos relaxou, peguei meu celular e coloquei música para tocar. A canção que nomeou nosso bebê.

Era uma tarde linda de verão, ensolarada e feliz. Sorri para Holly, tirei fotos dela, tirei fotos minhas e das costas e perfil de Edward. No meio do caminho, recebi uma mensagem da madrinha da Donut.

Tanya: Os paparazzis estão cercando o outro hospital. Sou a melhor madrinha do mundo, eu sei. Mas fiquem de olho no condomínio, provável que alguns estejam indo pra lá.

Esperei por isso, e como imaginado, tínhamos paparazzis na entrada do local, sendo contidos por seguranças e até mesmo pela polícia. Eu me antecipei, pegando outra mantinha de Holly e colocando por cima de nós duas, criando um casulo para minha filha e eu. As janelas do carro eram escuras, mas não queria dar brechas para fotos.

— Tudo bem, Capitã? — Edward perguntou.

— Sim, ela continua dormindo.

— Pode descobrir, já entramos bastante no condomínio, tem um helicóptero, mas está longe.

Tirei a manta de cima de nós duas, logo ele estava entrando com o carro nos limites da nossa mansão. Portões foram abertos, o combinado era entrar pela garagem e fugir de câmeras do helicóptero e possíveis drones de imprensa, mas Edward exteriorizou os pensamentos que tive ao mesmo tempo.

— Vamos entrar com ela pela porta da frente? Não quero colocá-la dentro de casa pela entrada da garagem.

— Vamos.

Parou o carro e olhou para mim.

— Tem certeza?

— Tenho sim, também quero que ela entre pela porta da frente, pode parecer meio bobo, mas é o que parece mais certo.

— Certo. — Ele sorriu. — Entra com o pé direito primeiro.

Eu ri um pouco.

— Supersticioso, não?

Deu de ombros.

— Pisei com pé direito em Malibu na lua de mel e foi incrível, então, estou considerando a superstição, sim.

— Tudo bem, vamos fazer isso.

O helicóptero parecia mais próximo, entretanto seria uma curta caminhada do carro até a entrada da casa. A porta abriu, Esme apareceu ali, mas se afastou de perto da porta, desaparecendo das nossas vistas.

Edward deixou o carro, abriu a porta do lado de Holly e desacoplou a cadeirinha, mas eu entreguei a manta de antes, que ele entendeu e colocou em cima do bebê conforto. Me esperou sair do carro também, quando dei a volta e estava ao seu lado, tirou nossa filha. Segurou minha mão e caminhamos juntos para casa.

Pé direito primeiro, só para garantir.

Notas finais
¹Este é o dia. Sua vida com certeza vai mudar. Este é o dia. Quando as coisas se encaixam. ²Eu acredito numa coisa chamada amor. Apenas escute as batidas do meu coração. Tem uma chance de ficarmos juntos. Nós vamos dançar até o sol se por. Eu acredito numa coisa chamada amor. ³Eu quero te beijar. A cada minuto, cada hora, cada dia. XXXXXXXXXXXXX EU NEM ACREDITO QUE ESTE DIA FINALMENTE CHEGOUUUUU! Porém, importante salientar algumas coisinhas. Não sou médica, nunca engravidei, não tenho filhos e a última criança que eu 'vi' nascer já tá quase do meu tamanho haha Ou seja, tenho pouco experiência nos assuntos maternidade, partos, desenvolvimento do bebê, como já tinha na gestação. Tudo aqui é uma mistura de pesquisa (eu assisti mais vídeos de parto do que posso contar) e uma licencinha poética para encaixar as coisas na fanfic. Me perdoem desde já quaisquer absurdos, os que ainda podem vir pela frente também, tento deixar tudo mais perto possível da realidade, mas impossível ser algo 100% real. Também quero falar que não sou contra nenhum tipo de analgesia para partos (inclusive tomaria), também não critico quem acaba optando, ou precisando, de uma cesárea. O melhor para a mãe (que ela decida como irá querer o parto após se informar das alternativas) e para o bebê é o que importa, e se você estiver grávida, procure por uma equipe que se sinta seguro para lhe acompanhar por todo esse processo. A Bella é rica (muito) e o marido dela também, então eles nadam em privilégios de terem tido o melhor, sem nenhum tipo de violência obstétrica, mas até mesmo com pessoas ricas isso pode acontecer, então o melhor é que quem for ter um bebê sempre pesquise tudo sobre o momento que está passando e sobre o parto, para que saiba identificar quais abusos que possa passar durante este processo e caso aconteça, denuncie. Mas, torço para que se tiver grávidas lendo a fanfic, tenham um parto maravilhoso, como planejado, sem momentos ruins em seu caminho e do seu bebê. Enfim, eu tô TÃO exausta hahah vocês não sabem como foi trabalhoso escrever esse capítulo, mas espero que tenham curtido. Hollywood ainda não acabou, teremos mais 4 capítulos e um epílogo pela frente. Peço que comentem e também recomendem a história, é o jeitinho que tenho de me sentir abraçada depois de parir esse capítulo hahah JURO, eu tô tão cansada. Todo meu amor e carinho para quem é mamãe, seja por meio de uma gestação, ou adotiva, vocês são fodas pra caramba. E eu não poderia terminar esse longo discurso sem agradecer a Chloe Less por ter segurado minha mão a cada contração para colocar essa capítulo no ar hoje. Agradeçam a ela também, foi a melhor em me incentivar a passar por esse longo processo de escrita. Agora, beijão! Lola Royal. 24.04.22 ps: A HOLLY NASCEUUUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!