Hollywood
54 Capítulo Cinquenta e Três
Notas iniciais
Capítulo Cinquenta e Três
Edward Cullen
“Ed Cullen completa vinte e três anos.”
Eu queria ter uma máquina do tempo, eu teria feito tudo diferente se voltasse para o passado. Nunca teria beijado Isabella na minha sala de música pela primeira vez, pois aquilo foi o que começou tudo entre nós dois.
***
O Havaí era entediante.
Não, vamos corrigir isso.
Estar no Havaí com Leah era entediante.
— Eu acho que melhorei muito, você não acha? — Leah perguntou enquanto seguíamos para uma das quadras de tênis do hotel que estávamos hospedados em Oahu, uma das ilhas do Havaí. Nos últimos dias eu estava a ensinando a jogar tênis, já que não tínhamos muito o que fazer além de ir para a praia, piscina, ou restaurantes.
— Aham, você está muito melhor — respondi entediado, porque a cada minuto que eu passava com aquela garota sentia parte da minha alma morrer de tédio.
— Isso me deixa tão feliz! — Leah comemorou, se agarrando ao meu braço.
Eu suspirei, também estava feliz, com a minha carreira, comigo mesmo sendo forte e evitando todo tipo de drogas e álcool, até mesmo com minha boa relação com minha família — se eu ignorasse o fato de não ter meu pai perto de mim —, por estar aguentando firme, cada dia mais, a morte de Stefan. Então, sim, eu estava feliz com um monte de coisa, entretanto não estava feliz com o fato de não ter Isabella.
Não só na questão física da coisa, eu sentia falta pra caralho da minha amiga e sequer trocar mensagens com ela me enlouquecia. Mas Isabella não sentia por mim nada que eu sentia por ela, eu precisava esquecê-la e se ficasse trocando mensagens com ela isso não aconteceria de jeito algum.
Eu era estúpido de seguir sentindo aquelas coisas por ela, quando bem sabia como ela não se sentia por mim. Quando eu já estava vendo ela com um outro cara, a internet falava sem parar no encontro que ela tinha tido com Tyler Hamilton alguns dias atrás, um cara que além de já ter sido namorado dela, para completar morava no mesmo fodido condomínio que eu.
O que eu faria se eles estivessem mesmo namorando? Eu iria ver os dois juntos frequentemente e não poderia fazer nada, absolutamente nada, mas teria de aceitar suportar olhar para eles se quisesse continuar tendo Isabella como minha empresária e amiga. Por isso eu precisava a esquecer, bom, esquecer os sentimentos que tinha por ela, com urgência.
Por que isso era tão difícil?
— Finalmente vocês apareceram! — Roger Tucker exclamou quando Leah e eu chegamos a quadra de tênis.
Roger era um ator americano, de vinte e oito anos, negro, da minha altura, cabelos curtos, com barba, mas com ela aparada, olhos escuros e um corpo atlético. Eu tinha o conhecido no leilão que fui no ano anterior com Isabella, então quando Leah e eu o encontramos ali no Havaí com sua esposa, Denise, nos aproximamos e nós quatro jogávamos tênis juntos todas as manhãs, algumas vezes também almoçavámos, jantavámos ou iámos a piscina juntos.
E eu precisava confessar, achava Roger bonito, definitivamente gostoso. Era um pouco mais fácil admitir esse tipo de coisa e pensar assim sobre um homem depois de assumir para mim mesmo que era bissexual, mas claro que eu nunca tentaria algo com ele — um cara que com certeza era hétero e que podia queimar minha imagem —, de jeito nenhum.
— Foi minha culpa, demorei demais no banho — Leah disse para Roger e Denise, que era uma mulher baixinha, de vinte e pouco anos, descendente de orientais e uma maquiadora em Hollywood.
— Sem problemas, vamos começar o jogo! — Roger disse animado e falou para mim. — Vamos mudar as coisas hoje, Cullen.
— Vamos? — Arqueei uma sobrancelha.
— Sim, nós dois contra Leah e Denise, o que acham meninas?
— Por mim tudo bem — Denise respondeu.
— Claro, vai ser divertido — Leah disse, mas não parecia muito contente em não jogar comigo.
Nós quatro nos preparamos para o jogo, então entramos na quadra para jogar. Sempre que tínhamos um bom resultado, ou quando íamos mal de alguma forma no jogo, Roger tocava em minhas costas com tapinhas rápidos, lançando olhares demorados para mim e sorrisos. Eu não queria fantasiar, mas aquilo parecia estranho.
Quando o jogo acabou, comigo e Roger ganhando, Leah e eu voltamos para nossa suíte, que na verdade era uma espécie de apartamento no hotel, com dois quartos — um para mim e outro para ela —, uma sala de estar, um banheiro social e até mesmo uma cozinha. Como eu não estava ali em turnê, com toda a equipe ocupando um andar inteiro, seria mais fácil que as pessoas vissem Leah em um quarto e eu em outro toda noite, sendo assim o apartamento com dois quartos era reservado para que mantivessemos as aparências.
— Você quer ir à praia mais tarde? — Leha me perguntou quando entramos no apartamento.
— Não — respondi largando as raquetes no meio da sala e seguindo para meu quarto, fechando a porta para não ser atrapalhado. Peguei meu celular, não tinha nenhuma mensagem ou ligação de Isabella, a última mensagem foi a dela dizendo que iria para a turnê comigo e me desejando boa viagem no dia que embarquei para o Havaí, também mandando me divertir, como se isso fosse possível com a chata da Leah ao lado.
Aproveitei que já estava com meu celular e liguei para minha mãe, que não demorou nada a atender.
— Edward, que saudades! — ela exclamou.
— Também estou sentindo sua falta, mãe — falei, sentando na cama para tirar meus tênis. — Como você está?
— Você não vai acreditar no que está acontecendo — ela disse animada.
— O quê? É algo bom, né? — Pelo seu tom de voz era sim, mas eu temia que alguma merda estivesse acontecendo em Los Angeles.
— É algo maravilhoso, filho — falou. — Eu fui escolhida como a nova presidente da ONG, isso é uma honra tão grande para mim.
— Ei, mãe! — exclamei, animado por ela, sabia que seu trabalho na ONG era algo que ela gostava pra caralho. — Parabéns por isso, eu nem sabia que você estava concorrendo ao cargo.
— Eu fiquei com receio de contar e você e Rose ficarem na expectativa e não dar certo, mas deu e agora posso finalmente dizer.
— Vai ter alguma festa para comemorar ou algo assim?
— Ah, não, não — ela negou. — Só uma cerimônia de posse interna, mas Rosalie e eu vamos sair para jantar hoje para comemorar, só irá faltar você e Leah.
— Acredite, eu adoraria participar disso — eu disse, ignorando sua citação a Leah. — Sei que já faço doações a ONG, mas que tal eu fazer uma maior esse mês? Posso falar com a Jessica assim que eu desligar essa ligação.
— Não, isso poderia pegar mal — ela disse. — Não quero ninguém dizendo que só consegui o cargo por conta das suas doações. Enfim, como está tudo com Leah?
— Normal, mãe.
— Você já disse a ela que está apaixonado? — Eu me engasguei com minha própria saliva ao ouvir aquilo.
— Mãe, não estou apaixonado. — Pelo menos não por Leah, completei em minha mente.
— Querido, eu lembro daquela sua ligação quando você ainda estava na turnê, perguntando sobre…
— Mãe, acredita em mim, não estou apaixonado, principalmente por Leah.
Ele bufou.
— Leah é uma excelente menina, filho.
— E ela e eu temos um contrato que eu mal vejo a hora de acabar, isso é tudo.
— Vocês combinam muito.
— Não combinamos não.
— Você já está há alguns dias de completar vinte e três anos, mal vejo a hora de encontrar seu grande amor, quero dizer, já o encontrou e é Leah, falta você se dar conta disso. — Eu tive de rir, mamãe era absurda. — Vocês poderiam ter um lindo casamento de verão logo no ano que vem se você a pedisse em casamento ainda esse ano. — Eu ri mais. — E um bebê…
— Epa, não, você está indo longe demais no seu delírio, mãe — a interrompi, ela resmungou. — Não sou apaixonado pela Leah, não quero casar com ela, muito menos ter filhos com essa garota, nem com qualquer outra — deixei bem claro.
— Você ainda tem mais alguns dias no Havaí, vai ser o tempo necessário para perceber que gosta sim da Leah.
— Mãe, você já pensou em ir a terapia? — perguntei sério. — Essa sua fascinação em me querer com a Leah não pode ser normal.
Ela riu um pouco.
— Ok, talvez eu esteja exagerando.
— Ah, pode apostar que você está sim!
— Eu só quero te ver feliz ao lado de alguém, Edward. Você teve aquele namoro com a Alison, mas não foi pra frente e antes dela teve a cretina da Lauren que partiu seu coração, eu sinto que Leah e você seriam mesmo um casal maravilhoso juntos se você se permitisse viver um romance de verdade ao lado dela.
— Isso não vai acontecer e pode ficar tranquila, eu não quero estar com ninguém agora, mas estou muito bem e feliz. — Ok, eu estava feliz em partes, mas queria estar pra caralho com Isabella. — Preciso ir tomar um banho agora, falo com você depois, certo?
— Tudo bem. Você não está chateado que sua irmã e eu não vamos estar com você no dia vinte, né? Eu tenho mesmo muito o que fazer aqui em Los Angeles com a ONG e Rose tem os últimos dias do curso dela que não pode faltar.
— Estou bem com isso, mãe — garanti. — Fica tranquila.
— Certo, amo você, use protetor solar.
Eu sorri.
— Pode deixar que estou usando. Tchau, mamãe, também te amo — falei e finalizei a chamada, larguei meu celular sobre a cama e fui tomar um banho.
***
Isabella estava em Santorini, na Grécia, com sua irmã e Jasper, ela tinha viajado com o fodido do meu melhor amigo que não respondia minhas mensagens desde que eu viajei para o Havaí. Eles tinham fotos um do outro em suas redes sociais, parecendo tão felizes na fodida Grécia, juntos.
Deviam estar fodendo pra caralho, tendo todo tipo de diversão, enquanto eu estava preso naquela maldita ilha no Havaí com a porra da Leah. Isso era uma merda, das grandes!
No dia dezoito daquele mês, de tarde, eu estava na minha suíte jogando videogame com Roger, era o último dia dele e da esposa no Havaí. Denise e Leah tinham ido ao SPA juntas, o que eu agradeci, pois isso significava algumas horas com minha falsa namorada bem longe de mim, parando de encher o caralho do meu saco.
— Caralho, você está matando até gente do seu próprio time — Roger disse quando eu atirei na cabeça de um bonequinho do jogo que era do meu grupo.
— Quem manda ele ser um filho da puta idiota — resmunguei irritado, atirando em mais um cara do meu time.
— E esse? Qual o problema desse? — ele perguntou.
— Não fui com a cara dele. — Dei de ombros, jogando o controle do videogame sobre a mesinha de centro, apoiando minhas costas no encosto do sofá e fechando meus olhos. Esfreguei meu rosto com minhas mãos, enquanto respirava fundo e tentava aplacar os ciúmes que estava sentindo.
— Você tá legal? — Roger questionou.
— Sim.
— Tem certeza? — insistiu, mas não foi sua insistência que fez com que eu o olhasse, sim sua mão parando sobre minha coxa em um aperto seguro.
Roger sorriu maliciosamente para mim quando o olhei, o que fez com que eu sentisse um arrepio em minhas costas e engolisse em seco.
— O que você está fazendo? — perguntei baixinho.
— O que você acha que estou fazendo, Cullen? — perguntou, movendo sua mão por minha coxa para cima e para baixo. — Você gosta disso, não gosta?
Ah, que se foda!
— Sim — confirmei.
— Por que não te ajudo a relaxar um pouco? — Ele moveu sua mão para o meio das minhas pernas, fazendo com que eu gemesse. — Ninguém precisa ficar sabendo e podemos nos divertir um pouco enquanto sua namorada e minha esposa não voltam. — Roger se aproximou mais de mim, seu rosto perto demais do meu, foi quando decidi o beijar.
***
Eu podia ouvir Roger no meu banheiro, enquanto eu estava deitado na minha cama, nu, coberto somente pelo lençol. Já estava anoitecendo, Denise e Leah ainda não tinham voltado do SPA, o que era ótimo porque teria sido terrível ser flagrado fodendo com Roger por uma das duas.
Respirei fundo, tentando ficar calmo com toda aquela situação, eu tinha de me manter controlado. Mas era um pouco complicado não surtar depois de foder com um cara, um famoso e casado. O que tinha acontecido entre nós dois não poderia sair daquele quarto, de maneira nenhuma, ou estaria muito encrencado.
— Ei, é melhor eu ir indo — Roger falou ao sair do banheiro, já devidamente vestido.
— Ok — sussurrei, sentando, tomando cuidado para o lençol não revelar minha nudez. Não que algo ali fosse algo que ele não tivesse visto durante aquela tarde, afinal nós fodemos para valer.
Tinha sido um sexo bom, eu achava que tinha curtido mais com Jasper, mas talvez isso se dava ao fato do Whitlock e eu sermos próximos. Mas, também foi mesmo bom com Roger, até porque eu fiz muito mais com ele do que fiz com Jasper, quero dizer, muito mais.
Eu fui o ativo no sexo, mas ainda assim, bom, era isso, eu tinha fodido um cara, não só sua boca. Ele perguntou se eu queria ser fodido, mas eu realmente não achei que teria coragem de fazer isso e preferi comer a ser comido.
Puta merda, ninguém poderia sequer desconfiar disso!
— Você não vai contar isso para ninguém, né? — perguntei apavorado para Roger, que riu e negou com um aceno de cabeça.
— O que eu ganharia com isso, Cullen? — ele indagou. — Sou um ator de filmes de super heróis, meus fãs são mulheres e caras héteros que surtariam se descobrissem que eu gosto de foder com homens também.
— Então... — Engoli em seco. — Você é bissexual?
— Sou — respondeu.
— Sua esposa sabe? — Ele riu de novo da minha pergunta.
— Ela já me pegou fodendo com outros caras, então sim, mas eu sempre prometo que vou parar e ela acredita, ou finge que acredita. O importante é que você não terá seu segredinho revelado para ninguém — garantiu. — Você é gay?
— Não, bissexual! — respondi rapidamente.
— Isso é novo para você, não?
— Sim. — Ele assentiu.
— Relaxa, Ed, você é muito nervoso. — Ele acenou para mim e disse. — Te vejo por aí, meu voo é amanhã cedo e não vamos mais nos encontrar por aqui.
— Ok, tchau — murmurei e ele foi embora.
Voltei a deitar na cama, daquela vez mais nervoso ainda. Eu não conhecia Roger direito e se ele quisesse destruir minha carreira? Se aproveitar da minha fama? Eu era mais famoso que ele, se ele quisesse poderia foder com a minha vida em segundos.
Respirei fundo, me sentindo um merda por ter fodido com um cara e por estar me colocando em risco. O sexo foi bom, sim, mas eu ainda não conseguia levar aquela situação numa boa.
E naquele momento eu só poderia conversar sobre aquilo com duas pessoas, uma era Vladmir, mas isso teria de ser feito por ligação já que ele estava em Los Angeles. A outra pessoa era Isabella, mas eu não podia falar com ela, não até deixar de amá-la e ser seguro de novo escutar sua voz.
Sai da cama e fui atrás do meu celular, eu ligaria para Vladmir.
***
Na manhã seguinte Leah foi para a piscina do hotel sem mim, eu disse a ela que estava com dor de cabeça e não queria ficar de molho, ou exposto ao Sol. E mesmo que estivesse com um pouco de dor, a verdade era que queria a maior distância possível dela que acordou naquele dia super animada, enquanto eu só conseguia me sentir preocupado com a história de Roger.
— Você precisa de algo mais? — Emmett perguntou quando ele colocou para dentro da suíte o carrinho entregue pelo serviço de quarto com meu café da manhã, o segurança era um dos que estavam me acompanhando na viagem para o Havaí.
— Não, valeu — agradeci. — Você já comeu algo? — perguntei, antes que ele pudesse responder eu continuei a falar. — Quer saber, vem tomar café comigo, você é uma companhia mais legal que a chata do caralho da Leah.
— Eu sou seu segurança, tem certeza de que quer que eu coma com você? — perguntou desacreditado.
— Tenho sim. — Indiquei o espaço vago ao meu lado no sofá.
— Ok — ele disse ainda com suspeita na sua voz, sentando no local que indiquei.
Nós comemos em silêncio por um tempo, até que não aguentei e perguntei:
— Isabella tem estado em contato com você?
Ele bebeu mais um pouco de suco e respondeu:
— Não, por quê?
— Nada não. — Peguei mais geleia e passei na torrada. — Espera, ela não tem mesmo falado mais com você, ou ela está em contato só que pediu que você não dissesse nada para mim?
Emmett franziu o cenho e disse:
— Eu nunca mais falei com a senhorita Swan, acredito que a última vez foi logo que retornamos para Los Angeles. Não lembro bem, mas sei que não falei com ela nenhuma vez desde que chegamos aqui.
— Certo, merda — reclamei.
— Você quer que eu ligue para ela e pergunte algo? — Emmett questionou.
— Não, não, não! — respondi rapidamente. — Não fale com ela, especialmente em meu nome — exigi, largando a torrada sobre o prato.
— Ok.
Ele voltou a comer, eu não.
— Emmett?
— Sim? — Ele suprimiu uma risada.
— Você já esteve apaixonado?
— Sim, algumas vezes — respondeu.
— E alguma dessas suas paixões era proibida? — Ele riu baixinho com a minha pergunta.
— Tipo Romeu e Julieta? — Bufei para seu exemplo, mas assenti.
— É, tipo essa merda aí.
— Nunca me apaixonei por nenhuma menina proibida — ele contou. — Não sei se sou a pessoa certa para te aconselhar sobre isso. — Arregalei meus olhos.
— Não… Eu? Não! — exclamei. — Não estou apaixonado por ninguém, quer dizer, estou sim, por Leah, minha namorada. Isso, eu amo a Leah. Te perguntei sobre paixão proibida porque quero escrever uma música, só isso. — Dei de ombros e suspirei, Emmett riu de novo, eu o encarei com raiva.
— Foi mal, mas você se enrolou todo — ele falou. — Além do mais, sou seu segurança. lembra? Eu já vi e ouvi muita coisa.
É, ele sabia sobre Bella e eu.
— Você está apaixonado por Isabella? — ele perguntou, engoli em seco e respondi:
— Estou, muito. Eu a amo — confessei, era bom dizer aquilo em voz alta. Eu tinha conversado sobre com Vladmir, mas já não era mais o bastante, não quando parecia que a cada dia amava mais Isabella e queria que o mundo inteiro soubesse disso.
— E a Leah? Não é um relacionamento verdadeiro com ela, né?
Mordi o interior da minha bochecha, e se Emmett vazasse nossa conversa?
— Ok, você não precisa conversar comigo sobre isso ou qualquer outra coisa, só perguntei porque você iniciou o assunto — ele disse notando minha hesitação.
Ele já teria vendido informações para a imprensa se quisesse, né? Mesmo com os acordos dos contratos, com as multas que teria de pagar, se ele estava se mantendo fiel por tanto tempo não iria ser agora que isso mudaria.
— Leah e eu temos um namoro de mentira, mas você já deve ter percebido isso, né? Afinal durante a turnê ela sempre estava dormindo em um quarto, eu em outro com Isabella, a garota que realmente amo, mas com quem não posso ficar junto — desabafei.
— Por que você não pode ficar com Isabella?
Suspirei.
— É complicado demais, Emmett. Você sabe sobre o passado dela, o vídeo, a fama que ela tem. Minhas fãs irritantes já não gostam dela perto de mim sendo minha empresária, porque a consideram uma puta e uma má influência, se ela fosse oficialmente minha namorada seria um caos. A imprensa também não sairia do nosso pé. Eu aposto que duraria menos de um mês, até um de nós dois estragarmos tudo, porque somos péssimos com relacionamentos sérios. Quero dizer, traí praticamente todas minhas namoradas e ela traiu o noivo dela, comigo ainda por cima. — Eu inspirei fundo. — A primeira vez que nós ficamos juntos ela tinha praticamente acabado de ficar noiva do James, cara, foi uma das melhores noites da minha vida. Eu lembro de cada fodido segundo, como isso é possível? Mas é isso, ela traiu o James comigo e se me traísse? E se eu traísse ela? Eu estou apaixonado agora, caindo de amores, mas e depois de um tempo ia cansar dela como aconteceu com quase todas as outras? Além do mais, Isabella não está apaixonada por mim, por mais que eu achasse que ela estava com ciúmes. Não tem jeito, ela e eu nunca vamos ficar juntos. E mesmo que ela me amasse de volta, o que íamos fazer com a chata da Leah? Cancelar o contrato? Esperar ele acabar para a gente se assumir?
Parei de falar e passei as mãos por meus cabelos, nervoso.
— Sinto falta dela — falei. — Todo dia, toda hora. Eu queria que ela estivesse aqui comigo, que fossemos a porra de um casalzinho de verdade, mas isso nunca irá acontecer.
— Eu realmente não sei o que dizer — Emmett falou de volta, dando um tapinha no meu ombro. — Sempre que tenho que consolar um amigo levo ele para beber, mas você não pode, isso acaba com minhas alternativas.
Aquilo me fez rir, mesmo chateado e nervoso como eu estava.
— Valeu por me ouvir, isso já foi muito — falei em agradecimento. — Eu tenho falado sobre direto com meu terapeuta, mas queria desabafar com outra pessoa, Jasper meio que não seria uma boa escolha, não posso envolver mais nenhum amigo nesse rolo e minha irmã já tentou conversar comigo um milhão de vezes, mas ela seria muito mais emocional que racional.
— E você acha que Rosalie está errada? Por ser mais emocional que racional. Você me deu os motivos que não poderia ficar com Bella, inclusive não saber como ela realmente se sente ao seu respeito, mas você vai simplesmente ficar suprimindo isso?
— Vou, é a única coisa que posso fazer, Emmett.
— Por que você não tenta conversar com ela sobre?
— Nós já conversamos, ela me dispensou e eu prometi que ia a esquecer.
— Bom, tem algum tempo que você não a vê, né? Quem sabe ela descobriu que também gosta de você. Eu não sei sobre relacionamentos proibidos, mas quando eu era adolescente uma amiga da escola se mudou de Boston para Seattle, foi aí que descobri que gostava dela mais do que como uma amiga, a distância me fez perceber isso.
— Você ficou com ela?
— Não, eu a esqueci com o passar do tempo.
— Quanto tempo? Preciso saber quando terei Isabella fora da minha mente.
Emmett sorriu.
— Durou alguns meses.
— Isso é muito. — Cocei meus olhos. — Quer saber, não posso beber, mas posso malhar. Vai trocar de roupas, Emmett, nós vamos para a academia malhar pelo resto do dia até eu perder a consciência e parar de pensar em Isabella Swan.
***
Eu soube que aquele seria o pior aniversário da minha vida quando ele começou com Leah me acordando, tudo porque Jessica já tinha entrado em contato com ela dizendo que eu deveria atualizar minhas redes sociais pela primeira vez ao dia por conta do meu aniversário. Puto da vida, deixei com que Leah tirasse uma foto minha, comigo deitado na cama mesmo e postei a foto só com a minha nova idade.
— O que você quer fazer hoje para comemorar seu aniversário? — Leah perguntou praticamente saltitando em seus pés.
— Dormir — respondi. — Você pode ir fazer o que quiser — falei e puxei o cobertor para cima da minha cabeça.
— Hum, certo — Leah murmurou. — Eu vou ficar no meu quarto, não seria legal eu sair sem você no dia do seu aniversário. Mais tarde posso pedir um cupcake para mais uma foto, Jessica pediu algo desse tipo — ela falou.
— Tá, tchau! — exclamei, querendo que ela entendesse que era para cair fora.
— Tchau — ela sussurrou e a ouvi se afastar, então a porta ser fechada.
Eu estava quase voltando a dormir quando meu celular tocou, o peguei e nem me importei em ver quem ligava, somente atendendo a ligação de uma vez.
— O que é?
— Edward? — Eu estremeci ao ouvir a voz, era meu pai.
Puta que pariu, Carlisle estava me ligando!
— O-Oi — gaguejei.
Por que ele estava me ligando? Ele já não tinha desistido de mim quando não foi ao meu show depois de eu pedir por isso?
— Feliz aniversário — ele murmurou, parecia envergonhado.
— Obrigado — agradeci.
— Edward — ele disse meu nome e respirou fundo. — Eu sinto muito não ter ido para seu show — falou.
— Tanto faz. — Eu sentia meu estômago doer ao estar falando com meu pai.
— Eu estou realmente arrependido de não ter ido, Edward.
— Tarde demais para isso, não?
Ele suspirou.
— Você tem todos os motivos do mundo para estar chateado comigo, filho. Mas, eu estou disposto a corrigir as coisas, nós podemos tentar, não podemos?
— Não acho que possamos — falei irritado.
— Por favor, Edward — ele implorou. — Me escute, sua irmã está vindo para Bath depois de amanhã, você pode vir também, venha passar alguns dias em casa antes da sua turnê. Na volta dela você tocará aqui na Inglaterra umas três vezes, não? Procurei sua agenda na internet. Eu prometo que vou em um dos seus shows aqui, dessa vez estou jurando.
Eu parei para pensar, sem saber o que fazer. Não só com meus sentimentos bagunçados em relação ao meu pai, mas na questão da minha agenda mesmo.
— Espere um instante — falei para ele e afastei o celular da minha orelha.
Procurei minha agenda no calendário, vendo que eu ficaria no Havaí até o dia vinte e seis, voltaria para Los Angeles e de lá partiria no dia vinte e nove para Nashville, uma vez que no dia trinta teria o casamento de Carmen e do Caipira Swan para ir, isso se Isabella até lá não estragasse o casamento do pai dela e ele fosse cancelado. Eu podia falar com Jessica, adiantar minha partida do Havaí e ir para Bath no dia vinte e dois, voltar para Los Angeles no dia vinte e seis e ir para Nashville no dia vinte e nove como planejado.
Mas eu realmente ia atrás do meu pai?
— Edward? — Ouvi ele me chamar e voltei a colocar meu celular na orelha. — Você decidiu? — ele perguntou.
Fechei meus olhos e decidi no impulso.
— Sim, eu vou para Bath também.
Ele suspirou, parecia aliviado.
— Isso será incrível, filho. Mal vejo a hora de ter você e Rosalie aqui. Sua namorada estará vindo também, não?
— É, sim. — Seria bom para a publicidade levar Leah comigo para Bath. Mas, seria um inferno quando lá eu tivesse de contar ao meu pai que era um namoro falso, eu podia mentir para ele sobre isso, mas preferia jogar com a verdade daquela vez.
— Ótimo, vou preparar tudo para receber vocês — ele disse, parecia animado, eu estava tenso demais com a nova viagem para me sentir daquele jeito.
— Ok, preciso desligar agora — falei e não lhe dei tempo de falar nada, logo desligando a chamada. Rapidamente liguei para minha irmã, que atendeu sem muita demora.
— Olá, gêmeo! — ela exclamou feliz. — Parabéns para você!
Eu sorri por um segundo, mas também fiquei cheio de saudades, não era o primeiro aniversário que eu passava longe da minha irmã gêmea, mas sempre era chato quando isso acontecia.
— Feliz aniversário para você também, Rose — falei. — Estou com saudades.
— Eu também, ano que vem vamos comemorar juntos, ok?
— Pode apostar que sim, vou reservar a data desde já, gêmea. — Ela riu e perguntou:
— O papai te ligou?
— Sim.
— Você aceitou?
— Aceitei, mas estou com medo de ir.
— Eu vou estar lá — ela falou. — Qualquer coisa nós voltamos para Los Angeles juntos, ok?
— Promete?
— Você tem minha palavra.
— Beleza. — Apertei meu nariz. — Nós estamos velhos. — Ela resmungou.
— Não temos nem vinte e cinco ainda, Ed, não queira adiantar sua crise dos trinta — ela exigiu. — Preciso desligar agora, estou na faculdade. Falo com você melhor depois, te amo.
— Também te amo, bons estudos, seja inteligente por nós dois.
Ela gargalhou, nos despedimos e encerramos a ligação. Eu mandei uma mensagem para Jessica falando sobre Bath, enquanto esperava sua resposta não conseguia parar de pensar em Isabella.
Porém, daquela vez, não só em Isabella. Eu estava pensando em seus pais também, em como ela tinha se afastado de Renée, em como claramente ainda sofria com isso, fosse ao ouvir o nome da sua mãe ser mencionado, ou ao escutar uma música que fizesse pensar em Renée, como This Is The Day do The The.
***
Mais tarde naquele dia Leah apareceu com um cupcake, nós tiramos a foto e eu postei com a legenda que Tanya — que me mandou uma mensagem de parabéns — mandou para mim. Depois eu pedi para Leah me deixar sozinho de novo, mesmo que ela quisesse falar sobre a viagem para Bath, que Jessica já estava organizando.
Peguei o violão que eu tinha levado para a viagem, precisava tocar um pouco, no caso This Is The Day do The The, já que eu estava com ela na cabeça desde cedo. Posicionei meu celular para gravar, então toquei e cantei uma parte da canção para o vídeo.
— This is the day. Your life will surely change. This is the day. When things fall into place.*
Gostei do vídeo e decidi postar mesmo, a legenda foi:
“Passei a manhã inteira com essa música na cabeça, precisava a tocar.”
Larguei o celular de lado e voltei a tocar, mas não me demorei tanto assim naquela música. Logo eu estava tocando Morango, morrendo de vontade de estar fodendo Isabella.
***
Aquele foi mesmo o pior aniversário da minha vida, eu passei o dia inteiro no meu quarto de hotel fazendo praticamente nada. Com saudades da minha mãe, da minha irmã, dos meus cachorros e com certeza de Isabella.
Já era por volta de dez da noite, quando eu estava curtindo alguns comentários de fãs nas minhas duas fotos daquele dia e do vídeo, quando vi que Isabella tinha visualizado o vídeo. Aquilo fez meu coração disparar e eu esperei que ela ao menos me enviasse uma mensagem de parabéns.
Eu esperei até meia-noite e cinco, ela não enviou nenhuma mensagem.
***
Leah e eu deixamos o Havaí no dia vinte e dois às cinco da manhã e só chegamos à Londres seis da manhã do dia vinte e três, graças as escalas e mudanças de fuso horário, e ainda teríamos mais duas horas e alguns minutos de carro até Bath. O voo tinha sido cansativo, mas eu estava conseguindo voar sem precisar do meu terapeuta ao meu lado ou no mesmo avião, o que já era uma enorme progresso.
Já no carro a caminho para Bath eu me dei conta como eu estava perto de Isabella, ela ainda estava em Santorini, estava muito mais próxima do que antes quando eu estava no Havaí. Seria tão fácil ir até ela dali, e seria tão bom vê-la. Tirei meu celular da calça e coloquei no Google. Eu entrei no site de uma companhia aérea, pronto para comprar uma passagem para Santorini.
— Que vista linda! — Leah, sentada ao meu lado no carro, exclamou, o que me fez a olhar e isso me levou de volta a realidade. Eu não podia ir até Santorini, não podia ir ficar com Isabella, de forma alguma. Ela sequer gostava de mim.
***
Eu estava quase vomitando quando o motorista parou o carro diante a casa do meu pai — a mesma que passei minha infância e parte da adolescência —, também estava quente aquele dia, o que me sufocava. Sai do carro e tentei respirar fundo, mas não conseguia. Por sorte a rua estava vazia e nenhum paparazzi já tinha me encontrando em Bath, eu segui até a entrada da casa e toquei a campainha, Leah estava ao meu lado, mantendo um sorriso no rosto.
Meu pai abriu a porta, foi quando eu parei de respirar de vez e quase vomitei ali mesmo. Fazia séculos desde que nos vimos pela última vez, além disso, fazia anos desde que nossa relação era extremamente conturbada e lá estava eu indo passar alguns dias sob o mesmo teto que ele.
Péssima ideia!
E se algo em mim o fizesse desconfiar que eu era bissexual? Ele não poderia sequer sonhar com aquilo, nunca aceitaria.
— Edward, é tão bom te ver! — ele exclamou e me pegou de surpresa ao me apertar em um abraço. Eu levei alguns segundo para retribuir, mas fiz isso. Sentia falta do meu pai, muita. Precisei de muita concentração para não chorar, não queria fazer isso onde algum vizinho poderia ver, ou pior, Leah. — Você está tão bronzeado — ele disse rindo quando se afastou de mim e olhou meu rosto, segurando minha face com uma mão. — O Havaí te fez bem, não?
— Muito bem — respondi baixinho.
— Vem, vamos entrar. — Ele me puxou para dentro, Leah entrou também. Os seguranças e o motorista que nos levaram até ali ficaram do lado de fora, em espera, aguardando minhas próximas ordens, ou as de Leah. — Você é a Leah, certo? — Carlisle perguntou para ela após fechar a porta atrás da gente.
— Sim, senhor Cullen — ela respondeu ainda sorrindo, estendendo uma mão para ele, que retribuiu o gesto.
— Pode me chamar de Carlisle — ele falou para ela.
— Tiveram um bom voo? — ele perguntou de Leah para mim.
— Ótimo — ela respondeu por nós dois, eu não me importei com isso, não quando vi Rosalie aparecer na sala de estar, a casa não parecia muito diferente desde a última vez que estive ali.
Me afastei de Leah, contornei Carlisle e fui abraçar minha irmã.
— Senti muito sua falta, Rosalie — sussurrei para ela.
— Estamos em casa agora — ela afagou minhas costas.
— Você e Leah precisam dormir, Edward? — Carlisle perguntou, fazendo com que eu o olhasse. — Ainda estão no fuso do Havaí, são que horas lá agora?
— Não sei ao certo, mas já é de noite — Leah respondeu. — Estou realmente cansada, não consegui dormir muito no voo, gostaria de dormir algo.
— O quarto de Edward está pronto para receber vocês dois — Carlisle disse.
— Leah e eu não vamos dormir no mesmo quarto — eu falei, fazendo com que meu pai me olhasse confuso, Leah ficasse tensa e Rosalie começasse a tossir. — Ela e eu não temos um namoro de verdade, é tudo um contrato por publicidade.
— O quê? — Carlisle gritou, Leah perto dele se encolheu um pouco por conta do berro que ele deu.
— Foi o que você ouviu, pai — falei e forcei um sorriso. — Vai me aceitar aqui, na sua casa e na sua vida, mesmo sabendo disso? — provoquei.
— Um namoro falso? — ele perguntou ainda desacreditado.
— Isso mesmo que ouviu — respondi.
— Você sabia disso? — ele questionou minha irmã.
— Sabia — Rose murmurou, segurando em meu braço.
— Isso é inadmissível! — Carlisle exclamou revoltado.
— Quer que eu vá embora? — questionei. — Pensei que você estivesse disposto a corrigir as coisas entre nós dois — completei, o que foi o suficiente para o desarmar.
Ele expirou alto e falou:
— Ok, você é maior de idade e capaz de fazer suas próprias escolhas. — Ele olhou para Leah. — Não sei onde você pode dormir agora, só temos três quartos.
— Edward fica no dele e Leah comigo no meu — Rosalie resolveu o problema e me olhou de cara feia, não parecia contente com a ideia de ser colega de quarto de Leah pelos próximos dias.
— Excelente, tudo resolvido! — comemorei com falsa animação. — Vou mandar os seguranças levarem as malas lá para cima. — Antes que eu pudesse me mover Carlisle anunciou:
— Eu tenho de ir para o hospital daqui a pouco, mas de noite teremos um jantar aqui em casa com minha namorada.
— Ah, como ela se chama mesmo? Francesca, né? — indaguei com uma careta no rosto.
— Não — ele respondeu. — Eu terminei com a Francesca em abril — ele contou, me voltei para Rosalie, ela não tinha me contado aquilo, mas vi pela expressão em seu rosto que ela também não sabia. — Eu estou com outra mulher agora, ela se chama Emma Hathaway, trabalha comigo no hospital, estamos juntos desde maio.
— Por que você não me contou nada disso? — Rosalie perguntou com tristeza em seus olhos azuis.
— Estava esperando o momento certo, agora que meu relacionamento com Emma é mais do que sério, você e seu irmão podem ficar sabendo.
— O que você quer dizer com mais do que sério? — eu perguntei baixinho.
— Emma e eu estamos noivos, pedi ela em casamento na semana passada.
Puta merda!
— Nossa, muito obrigada por ter escolhido o melhor momento para dizer isso para Edward e eu, papai — Rosalie falou com raiva e saiu correndo para o segundo andar, eu lancei um olhar de raiva para nosso pai e segui minha irmã, que tinha se trancado no seu quarto, mas abriu a porta para mim. — Ele não me disse nada, Ed — ela choramingou.
— Eu sei. — A abracei, deixando com que ela chorasse em meu ombro.
— Eu não acredito que ele vai casar com outra, é um pesadelo, agora mesmo que ele e mamãe nunca vão voltar.
— Acho que isso é o melhor para ela, provavelmente para ele também.
Rosalie não disse mais nada, continuando a chorar. Minha irmã ainda estava chorando, minutos depois, quando uma batida na porta me fez deixá-la de lado por um instante.
— Oi, Leah. — Abri a porta, ela estava no corredor cercada das nossas malas.
— Seu pai foi para o hospital, eu pedi para os seguranças trazerem nossas malas. E… Eu preciso mesmo dormir — disse, de fato parecia exausta.
— Você pode ir para meu quarto. — Apontei para o quarto ao lado. — Eu divido o quarto com a minha irmã, vai ser melhor assim.
— Ok. Você está bem?
— Estou ótimo! — Fechei a porta.
***
Dormi na cama de Rosalie, enquanto ela ainda chorava. Quando acordei, horas depois, já tinha anoitecido. Peguei roupas das minhas malas que já estavam no quarto de Rose, ela provavelmente tinha as colocado para dentro e fui tomar banho. O quarto de Carlisle, o antigo quarto que ele um dia ocupou com a minha mãe, era a única suíte e eu tive de me arrumar no banheiro do corredor para não ir me vestir no quarto da minha irmã, nem no meu que estava ocupado por Leah.
Depois de pronto eu fui para a cozinha, onde Rosalie e Leah estavam, meu pai ainda não tinha voltado. Minha irmã me entregou um sanduíche e eu peguei de boa vontade, estava faminto.
— Eu fui passear pela cidade quando você estava dormindo — ela disse. — Encontrei com umas amigas da escola, vai ter uma festa na casa de uma delas amanhã e fomos convidados, o que acha?
— Não sei, Rose.
— Pode ser divertido — ela disse. — Bom, com certeza vai ser melhor que o jantar hoje com nossa madrasta Emma. — Ela revirou os olhos. — O nome dela é parecido com o da mamãe, que ridículo!
— É, tudo bem, vamos para a festa. Você tem roupa para isso? — perguntei para Leah.
— Claro — ela respondeu. — Quer que eu fale com Jessica sobre?
— Sim — confirmei. Olhando ao redor para a cozinha, pensando em como um dia aquela foi a casa da minha família, minha casa, mas não parecia mais assim.
***
Cerca de uma hora depois meu pai voltou, acompanhado de sua noiva, Emma. Ela era uma mulher na faixa de seus quarenta anos, alta, dona de cabelos loiros em um corte que ia até seus ombros, olhos azuis e um sorriso educado, em sua mão um simples anel de noivado.
— Esse é o Edward — meu pai me apresentou a ela.
— Olá, Edward! — A médica estendeu a mão para mim, eu toquei a dela por um segundo, ainda sentindo que aquilo era uma espécie de traição a minha mãe.
— E essa é a Rosalie. — Minha irmã ao meu lado não esboçou nenhum sorriso quando meu pai a apresentou para sua noiva.
— Rosalie, você é tão linda! — Emma disse.
— Você deveria ver minha mãe, ela é muito mais bonita — Rosalie resmungou.
— Rosalie! — Carlisle chamou a atenção dela.
Ele apresentou Emma para Leah, então não demoramos muito em ir nos reunirmos na cozinha para o jantar, comida italiana que meu pai tinha comprado. Parecia uma piada, mas naquele dia eu estava mesmo querendo comer sushi.
O jantar foi um porre, Rosalie estava no seu pior humor, o que não era muito comum dela. Leah estava tentando ser eleita a nora do ano falando sem parar com meu pai, também puxando papo com Emma — que não sabia sobre o namoro falso — e eu só queria voltar para a cama e dormir, ainda cansado. Ou comprar mesmo aquela passagem para Santorini e ir ver Bella.
— Nós estamos começando a procurar uma casa nova primeiro e colocando essa à venda — Emma respondeu a pergunta de Leah quando foi perguntada sobre a data do casamento.
— Espera, o quê? — questionei parando de enrolar o macarrão no garfo. — Você vai se desfazer dessa casa? — indaguei Carlisle.
— Nós queremos um lugar menor — ele respondeu. — Será apenas nós dois...
— Um lugar menor ou um lugar que não te lembre de Edward, eu e mamãe? — Rosalie gritou com ele, ficando de pé. — Essa foi a casa que Edward e eu crescemos, você a vender é um desrespeito com a memória que nós construímos aqui.
— As memórias… — Emma começou a falar e minha irmã jogou o suco que estava em seu copo na cara dela.
Aquilo me deixou chocado, mas eu também gargalhei. O irmão problema era eu, era engraçado ver Rosalie assumir o papel.
— Olha o que você fez! — Emma gritou, ela e meu pai se levantaram também.
— Bem-vinda a família, Emma! — Rosalie debochou e saiu correndo da cozinha, mais uma vez eu fui atrás dela aquele dia.
Encontrei minha irmã no seu quarto, sentada no chão encarando a parede do outro lado.
— Eu não acredito que ele vai vender essa casa.
— É só uma casa, Rosalie. — Sentei ao seu lado.
— Pra você, pra mim é minha casa. Eu pensei que papai pensava mais em mim, mas aparentemente não. E eu realmente vinha sonhando nos últimos meses que ele largaria a Francesca para voltar com a mamãe, quando ele nos chamou para vir até aqui eu pensei que ele queria reunir a família, nós três para ele voltar com a gente para Los Angeles e voltar com a mamãe. — Ela revirou os olhos. — Não acredito que ele está fazendo isso.
— Eu vou comprar a casa — falei, ela me encarou.
— Como?
— Irei comprar essa casa para você — eu disse, ela sorriu. — Meu presente para você pelos vinte e três anos.
— Você me enviou óculos de presente.
— Tanto faz. — Belisquei sua bochecha. — Você gosta de Bath e gosta da casa, ela será sua. Talvez você crie seus filhos aqui.
— Eu nem tenho um namorado — choramingou. — Mas, eu tomei uma decisão.
— Tomou?
— Sim, quero me mudar de vez para Los Angeles. Vou fazer mais cursos na UCLA e lá estarei perto da mamãe e de você.
— Mas não de Carlisle — observei.
— Ele tem a Emma agora — falou revoltada, o que me fez rir, pois a sua revolta com nossa madrasta me fez pensar em Isabella.
— Eu ainda vou te dar essa casa — eu disse, ela sorriu e me abraçou.
— Amo você, irmão.
— Também te amo, ainda mais agora que você jogou suco naquela mulher. — Nós rimos juntos daquilo.
***
Fiquei mais um tempo com minha irmã, até que desci e fui atrás de Carlisle. Encontrei meu pai na cozinha, Leah não estava em lugar algum, então presumi que ela já tinha ido para o quarto.
— Como Rosalie está? — ele me perguntou.
— Menos irritada — respondi me apoiando no balcão. — Você ama essa mulher?
— Eu amo.
— Você não ama mais minha mãe? — Ele suspirou.
— Esme é a mãe dos meus filhos, sempre terei um carinho muito grande por ela, mas nossa relação já tinha acabado tem muito tempo. Nós dois temos direito de seguir nossos caminhos.
— Ela ainda te ama — murmurei.
— Não pode haver um relacionamento que só um ame, Edward.
É, eu bem sabia disso. Eu provavelmente seria capaz de enfrentar tudo e todos para ter algo com Isabella se ela me amasse de volta.
— Eu quero comprar essa casa para Rosalie — anunciei.
— Não, eu não vou vender nada para meu próprio filho.
— E eu não vou deixar você vender a casa para um estranho, não a casa que minha irmã ama. E, porra, nem quero imaginar como minha mãe irá reagir quando souber disso. A casa será de Rosalie, você terá dinheiro para sua casinha de um cômodo para ficar grudado em Emma.
— Nós nunca vamos estar em paz?
— Eu vim até aqui para isso, mas você elegeu esse como o momento de anunciar seu noivado — o lembrei. — Isso me faz sentir menos importante para você, fez Rosalie se sentir da mesma forma com você vendendo a casa. Então, sim, acho que nunca estaremos em paz. Nunca estivemos, né?
— Você nunca foi fácil de se lidar, Edward — murmurou. — Sempre foi muito complicado.
— Eu sei, lamento muito se nunca fui o filho perfeito que você queria, doutor Cullen.
— Nunca quis que você fosse perfeito.
— Queria sim e hoje não aceita que eu não tenha seguido seus planos para mim. — Contornei o balcão e andei até ele, o abraçando, o que pareceu o pegar de surpresa. — Eu realmente te amo — sussurrei. — Mas eu acho que é melhor Rosalie e eu nos afastamos de você agora, ela está chateada demais e eu estou confuso demais com algo, aqui isso só me deixa mais ansioso.
— O que você tem?
— Eu não posso contar. — Ele seria a primeira pessoa a apontar o dedo e julgar o amor que eu sentia por Isabella. — Eu vou falar com Rosalie, vamos ir embora amanhã. — Me afastei dele.
— Edward, por favor, fica — ele pediu quase chorando.
— Eu te vejo no meu show, você jurou que ia, pai. — Sorri para ele e deixei a cozinha.
***
Vinte e nove de junho, eu estava em Nashville. Sentado no banco de trás de um carro, com Leah ao meu lado, em meus fones de ouvido eu ouvia Taylor Swift, pois estava viciado na cantora desde que a garota que eu amava disse que gostava dela.
Sim, garota que eu amava. Todos aqueles dias longe de Isabella, sem falar com ela, sem senti-la, sem beijá-la não foram suficientes para eu a esquecer. Eu só sentia que a amava mais, a distância dela fazia com que o sentimento parecesse muito maior. Por fora eu podia parecer tranquilo, mas por dentro estava surtando por estar quase a reencontrando.
Eu sabia que ela já estava em Nashville, há alguns dias, ela tinha viajado direto de Santorini para lá com Alice e Jasper. E quando nos reencontrassemos seria somente como amigos, somente com ela sendo minha empresária, era o acordado. Ela e eu nunca mais ficaríamos juntos, aquilo me enlouquecia, claro, mas eu daria o melhor de mim para manter nossa relação profissional e sobretudo, nossa amizade intacta.
Olhei pela janela, vendo Nashville passar por mim enquanto íamos do aeroporto para o hotel. Eu tinha vindo de Los Angeles com Leah, minha mãe estava lá com Rosalie. As duas estavam muito próximas nos últimos dias, desde que minha irmã e eu contamos para Esme sobre o noivado de papai, ela tinha chorado por um dia inteiro, mas Rose e eu demos nosso melhor nos dias seguintes para a distrair.
Como decidi após o jantar frustrado em Bath, Rosalie, Leah e eu partimos de lá no dia seguinte para Los Angeles. Jessica não tinha gostado nada disso, eu achava que Bella também não e mais cedo ou mais tarde ela iria me dar um sermão por não ter passado mais tempo na minha cidade natal.
Porra, Bella!
Eu estava tão nervoso em reencontrá-la!
— In the middle of the night, in my dreams. You should see the things we do, baby, hum. In the middle of the night, in my dreams. I know I’m gonna be with you, so I take my time* — comecei a cantar alto ...Ready for It da Taylor Swift. — Are you ready for it? Are you ready for it?
Eu não estava pronto para ver Bella, mas era o que eu mais queria ao mesmo tempo.
***
Leah e eu entramos na suíte que ficaríamos no hotel, um apartamento como o do Havaí, os seguranças se estabeleceram do lado de fora. A garota junto de mim falava sem parar sobre qualquer coisa que eu não prestava atenção, enquanto minha mente estava focada com a ideia de ver Bella logo mais.
Meu estômago doeu, me senti ansioso, ainda mais. Eu queria desesperadamente ver Bella, ao mesmo tempo que sabia que isso só me faria sentir dor, afinal ela e eu não teríamos mais nada.
— Que tal irmos nadar? — Leah sugeriu.
— Pode ir sozinha — resmunguei, estava farto daquela menina, mas ainda teria longos meses de contrato para a aturar.
— Mas…
Eu parei de ouvi-la quando a porta se abriu, meu coração disparou a ver Isabella entrando. Porra, lá estava ela.
A mulher usava um vestido azul, de alças finas e em um decote que deixava seus seios tão tentadores. Em seus pés, botas.
Por um segundo sonhei que aquilo era para mim, mas não eram as botas que dei para ela e estávamos em Nashville, onde todo mundo louvava o country e botas de montaria. Isabella só estava de acordo com o vestuário padrão do local.
— Olá! — ela saudou, sua expressão era entediada, o que pareceu me matar mais um pouco, Isabella não estava feliz a me ver. — Como foi o vôo?
— Tranquilo — Leah respondeu. — Eu estava…
— Você estava saindo — Bella completou a fala por Leah, notei como a Capitã estava bronzeada, a viagem dela com Jasper e Alice claramente tinha surtido efeito em sua pele.
Contive um suspiro de ódio, ao pensar que ela e Jasper provavelmente foderam para caralho naquela viagem. Afinal, meu amigo sequer respondia minhas mensagens e bom, ele já tinha estado com Bella, com certeza os dois repetiram o que tinham feito antes.
— Preciso repassar a agenda com Ed, pode ir dar uma volta — disse para Leah.
— Mas… — Leah tentou falar, sendo interrompida novamente.
— Saia, agora! — Estalou os dedos para a garota.
Leah resmungou algo, provavelmente um palavrão, antes de pegar sua bolsa e sair do quarto. Isabella trancou a porta, no instante que eu me jogava no sofá. Eu precisava sentar, me conter de ir até ela para a beijar.
— Qual a minha agenda? — perguntei. Eu precisava manter tudo aquilo profissionalmente, ou seria mais difícil de lidar com aquela situação.
Isabella não respondeu, ela somente andou para perto de mim. Pensei que sentaria na poltrona próxima, mas ela a ignorou e quando me dei conta a Capitã estava montando em meu colo.
— Puta que pariu! — exclamei assustado, um segundo antes de Isabella segurar meu rosto e beijar meus lábios.
Foda-se, Isabella estava me beijando. Eu devia a parar, manter minha dignidade e dizer que não ficaria com ela sendo só seu brinquedinho sexual, no entanto eu já morria de falta dela e se aquilo era tudo que teria, ia aproveitar. Foda-se o lance de só amigos e colegas de trabalho, nós poderíamos continuar fodendo, eu provavelmente ia chorar todas as noites por ela não me amar, mas ainda teríamos o sexo para eu me apoiar também.
— Oi — ela sussurrou quando tirou seus lábios dos meus, levando sua boca ao meu pescoço. — Você aproveitou suas férias?
Não consegui responder, não quando estava ocupado com aquele corpo que eu — porra! — amava em cima de mim. Deslizava minhas mãos por suas costas, enquanto a sentia se esfregar sobre meu pau que já ficava duro.
— Odiei cada momento das minhas férias — contou, me deixando surpreso ao ouvir aquilo.
Bella segurou meu rosto entre suas mãos, olhando diretamente em meus olhos.
— Odiei ver todas aquelas fotos suas com a maldita da Leah!
O quê?
— Odiei não estar com você!
Caralho!
— Odiei sentir sua falta!
Ela corou, mordendo seu lábio.
— Eu não conseguia parar de pensar em você, pirralho — disse aquilo com a voz ansiosa. — Eu não conseguia parar de pensar em como queria você comigo. — Percorreu suas mãos por meu peito. — Você está aqui agora, porra, eu não aguentava mais te ter longe. — Ela sorriu largamente.
— Vo-Você usou alguma droga?
Isabella riu, antes de me beijar mais uma vez. Suspirei em seus lábios, sentindo ela me agarrando, tendo todo o controle para si daquela vez. Era só sexo pra ela, sempre foi.
E eu adorava estar no comando do sexo, mas também curtia as vezes que ela estava. Ah, que se foda, qualquer sexo com aquela mulher era maravilhoso justamente pelo fato de eu amá-la.
— Eu te amo.
Por um segundo estava tão absorto em meus próprios pensamentos e sentimentos que pensei que tinha sido eu a proferir tais palavras, porém, não foi preciso de muito para me dar conta de que não fui eu quem disse aquilo. Abri meus olhos, deparando-me com o castanho do olhar de Isabella.
— O que você disse?
— Você ouviu.
— Repete! — exigi.
— Não!
— Repete! — gritei, Isabella gemeu, claramente excitada, mas naquele instante não conseguia ligar para sexo, não depois de achar que ela tinha dito aquelas três palavras.
— Eu te amo — ela repetiu, enfiando suas mãos nos meus cabelos. — Caralho, era isso que queria ouvir, não era seu arrogante de merda? Então, é isso que vai ouvir. Eu te amo, tá bom? Fiquei louca de ciúmes vendo você e aquela vadiazinha da Leah viajando juntos. Era para ser eu no lugar dela, porque é a mim que você ama e eu te amo de volta! — exclamou furiosa.
Eu ri, ou melhor, gargalhei.
— Não ria de mim! — Ela socou meu ombro.
— Não estou rindo de você, estou rindo de nós dois — esclareci, sentindo meu coração bater forte. — Nós somos dois fodidos, Isabella. Mas, olha onde estamos agora.
Ela choramingou, mas sem chorar.
— Deus, você me ama — eu murmurei ainda em êxtase, tocando no seu rosto macio.
— Pare de ficar repetindo isso, parece estúpido.
— Que se foda o que você acha, eu não tô nem aí. — Ri de novo, depositando beijos em seus seios no espaço do seu decote, o que a fez gemer novamente. — Você me ama, Isabella. — Voltei a atenção aos seus olhos.
— Ah, que se foda, eu amo pra caralho! — ela exclamou, rindo e me beijando em seguida. — Você nunca mais irá se livrar de mim, Edward Cullen.
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