Hollywood

58 Capítulo Cinquenta e Sete


Notas iniciais
Olá! Capítulo dedicado a devilisgay que recomendou a história, muito obrigada por isso, flor! —-- Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo NOVO no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —-- Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure ajuda especializada sempre. —-- Boa leitura!

Capítulo Cinquenta e Sete

Isabella Swan

“Paul Lahote e sua noiva assistem show de Ed Cullen em Londres.”

A vida nunca seria fácil, essa era a verdade. Eu poderia ter momentos de paz, mas alguma merda sempre aconteceria e isso era a vida sendo a vida.

***

Paul estava ali, no mesmo hotel que eu, na companhia de Julia, uma das cunhadas da sua noiva e de duas sobrinhas dela adolescentes. Bom, eu sabia bastante sobre a família Gaston, uma vez que quando apareceu com ela eu tinha ficado obcecada a respeito de tudo dela.

Mas, eu não gostava mais de Paul e estava pouco me importando com Julia, ainda assim, não esperava o encontrar ali. Pior ainda, não com Edward ali, não com meu namorado — secreto — sendo terrivelmente explosivo e podendo querer brigar com Paul Lahote.

— Tenho certeza de que podemos fazer uma excelente parceria — Helena continuava a falar, enquanto eu via Paul e as mulheres com eles falando com um dos funcionários do restaurante, até que uma das sobrinhas de Julia avistou Edward e saiu correndo até a mesa onde ele estava com Leah, o que fez com que a outra garota também corresse em direção a ele.

Eu me levantei rapidamente, ignorando minha surpresa pela aparição repentina de Paul e ignorando Helena também — ainda estava puta com ela sendo tão atirada com Edward —, indo até onde Ed estava sendo abordado pelas sobrinhas de Julia. Ele já estava de pé, conversando com elas e mantendo um sorriso forçado no rosto, sabia que o Cullen estava puto com Paul ali, mas ele sabia que fãs netas de senadores deveriam ser bem tratadas.

— Nós queremos muito ir ao seu show hoje! — uma das garotas falava quando cheguei lá, os seguranças de Edward estavam por perto, o que era ótimo, pois Paul, Julia e a cunhada dela se aproximavam da mesa também.

— Mas vamos para Dubai amanhã de manhã bem cedo, nossa mãe não quer nos deixar ir para o show por isso — outra das meninas disse, eram parecidas com a tia, loiras, brancas e de olhos claros.

— Meninas, onde está a educação de vocês? Não podem sair correndo dessa maneira por um restaurante, é deselegante! — a mãe delas, que se chamava Maureen ou algo assim, chamou a atenção das adolescentes.

Paul estava logo atrás de Maureen com Julia, ele tinha um sorriso pequeno no rosto, enquanto Julia esbanjava um sorriso imenso e vitorioso na cara. Ela parecia estar achando que eu estava me importando com os dois juntos, quando eu só estava preocupada com meu namorado socar a cara do noivo dela e acabar preso por isso.

— Olá, Ed Cullen! — Edward estendeu a mão para Maureen, falando educadamente e controlando. Respirei, um pouco aliviada, ele parecia mesmo contido e mais centrado com toda a terapia que fazia, esperava ser o suficiente para ele não dar um murro em Paul.

— Olá, Maureen Gaston — a mulher se apresentou. — Desculpe-me pelo incômodo das minhas filhas.

— Sem problema, elas não atrapalharam nada — Edward disse e voltou sua atenção para Paul e Julia. — Senhorita Gaston, Lahote. — Acenou com a cabeça para eles, o nome de Paul saindo com certo nojo por seus lábios, mas ele se conteve bastante. E ainda conseguiu trazer Leah para o assunto, o que era importante já que ele não podia deixar sua namorada falsa, mas oficial para o mundo inteiro, quieta na mesa. — Essa é minha namorada, Leah Clearwater. — Leah se levantou e acenou para todo mundo discretamente.

— Olá, Ed! — Julia falou com ele, com alegria na sua voz. — E olá você, Swan. — Piscou para mim e deu uma risadinha debochada, eu inspirei fundo para não ser a pessoa socando alguém. Julia era uma idiota se achava que estava namorando um cara decente, eu já tinha tentado a alertar uma vez, não perderia meu tempo com isso de novo, até porque para todos eu era a pessoa má, culpada integralmente pelo Escândalo Swan.

— Olá! — Paul cumprimentou todos ainda mantendo sua pose de bom moço.

— Mamãe, deixa a gente ir para o show do Ed hoje, por favor — uma das filhas de Maureen implorou.

— Nós teremos um voo amanhã cedo para Dubai — a mulher disse impaciente.

— Estamos saindo de férias em família — Julia contou sem ninguém perguntar. — Meus pais e meu irmão nos encontrarão lá em breve para todos relaxarmos, estamos aqui só para uma parada de um dia mesmo. Vocês sabem, depois do que Paul sofreu em New York ele precisa de um descanso! — disse afetada e beijou a bochecha do noivo.

— Nós vimos o que aconteceu, foi terrível! — Edward proclamou, eu deveria realmente o parabenizar, ele estava indo muito bem em se manter na linha.

— Sim, é tão ruim que isso aconteça com pessoas boas quando pessoas babacas por aí estão muito bem, quando certamente não deveriam estar — Julia disse olhando diretamente para mim, fazendo com que eu revirasse meus olhos.

— E aí, mãe? Podemos ir ao show do Ed? — uma das adolescentes tornou a perguntar impaciente, Maureen bufou e olhou para Julia, que assentiu e deu de ombros.

— Tudo bem, vocês podem ir. — Maureen olhou para mim e indagou. — Acha que consegue entradas no melhor camarote para todos nós, Swan?

Todos eles? Aquilo incluía Paul? Não, nem fodendo, eu não queria aquele cara no show de Edward!

— Não sei, o show está esgotado — falei.

— Uma pena! — Maureen exclamou, suas filhas começaram a protestar.

— Nós precisamos ir! — falaram juntas. — Mamãe, por favor, por favor, por favor!

Maureen bufou e se voltou para mim.

— Ok, quanto você quer para nos colocar nesse bendito show?

Eu suspirei, me rendendo, naquele momento não era pelo dinheiro, mas pela repercussão negativa que não deixar as netas do senador irem ao show poderia causar. Elas claramente eram adolescentes mimadas, se abrissem a boca na internet sobre não terem ido ao show porque eu não cooperei isso atingiria Ed e eu não queria que ele fosse atingido de jeito algum, especialmente por minha culpa.

— Certo, acho que podemos cuidar disso — falei por fim, sentindo o olhar de Ed sobre mim, ao mesmo tempo em que ele limpava sua garganta em um barulho alto. O ignorei, mesmo sabendo que depois o ouviria reclamar sobre isso em minha orelha por horas. — Leah, você pode pegar o contato da senhora Gaston e mais tarde resolver esse assunto diretamente com ela? — Joguei aquilo para a garota, afinal ela não estava na turnê só como a falsa namorada de Edward, mas também como uma das assistentes da minha produtora. — Eu preciso voltar para uma reunião agora — anunciei e me afastei de todos ali.

De volta à mesa com Helena, que parecia muito curiosa, lancei mais um olhar para onde os outros estavam. Edward estava tirando fotos com as sobrinhas de Julia, enquanto essa e Paul já iam para outra mesa no restaurante e Leah conversava diretamente com Maureen.

— Tudo bem? — Helena me indagou.

— Tudo ótimo! — menti e bebi um longo gole do meu suco, desejando que fosse uma dose de uísque, mas ainda tinha aquilo, eu tentando me manter longe do álcool, para suportar.

***

Edward entrou no meu quarto furioso algum tempo depois do café da manhã, eu já esperava por isso, então apenas fiquei no meu canto no sofá esperando ele gritar.

— Você não pode deixar Paul Lahote ir ao meu show! — gritou, jogando seu celular sobre a mesinha de centro. — É ridículo, não quero esse cara no meu show de jeito nenhum. Você faz ideia de quanto tive de me controlar lá embaixo para não socar a cara dele?

— Imagino, também precisei me conter — murmurei.

— Isso é loucura, Isabella, nós somos pessoas sensatas que não vamos admitir isso, certo? — Minha expressão, que era de negação, o fez voltar a gritar. — Isabella!

— As sobrinhas de Julia são netas de um senador, Edward!

— Foda-se!

— Sabe muito bem que não podemos deixar duas meninas mimadas como elas de fora do show, iam falar isso por ai e iam acha que eu não as quis lá por serem sobrinhas da noiva do Paul.

— É justamente por isso que não queremos ninguém daquela família no meu show, por serem ligadas ao filho da puta do Lahote. Ele ir é ainda pior!

— Edward, eles vão estar em um camarote, no máximo tirarão fotos com você depois e só.

— Eu não quero isso, Isabella!

Suspirei e me levantei.

— Ok, sei que sou sua namorada e você tem mil motivos para detestar Paul, mas como sua empresária não posso deixar com que você tenha seu nome ligado ao dele por qualquer tipo de conflito.

— Que se foda, eu não tô nem aí, agora mesmo quero entrar na porra do Twitter e escrever que o Paul é um filho da puta de merda que deveria ter morrido dias atrás!

— Nem brinca com isso. — Peguei o celular dele da mesinha antes que Edward fizesse alguma besteira. — Você sabe muito bem que Paul tem mais vídeos meus…

— Não, ele diz que tem, você não sabe se é verdade.

— E se for? Você quer provocá-lo ao ponto de Paul postar mais vídeos meus? Ou melhor, que ele saia por aí falando sobre você e eu?

— Se ele contasse sobre você e eu seria um favor para mim, estou farto de esconder!

— Você sabe porque precisamos esconder, pela sua carreira e sim, por mim, sabe disso, sabe que quero um pouco de paz antes de todo mundo me odiar!

— Todo mundo já te odeia, Isabella! — ele esbravejou, me fazendo paralisar. — Merda, desculpe, não era para isso sair assim — se desculpou rapidamente. — Eu não te odeio, estava falando de todas as pessoas que vão te atacar e já te atacam.

— É, eu sei — resmunguei.

— Olha, só impede esse cara de ir ao show.

— Ele vai, Edward. Não quero provocar Paul, tudo para ele é um desafio.

Ele revirou os olhos e escondeu o rosto entre as mãos.

— Você realmente não gosta mais dele?

— É sério que está com dúvida sobre isso ainda? Eu te disse em Nashville que não amo mais o Paul, estava falando a verdade, acho que está na hora de passar a acreditar na palavra da porra da sua namorada. — Joguei o celular dele no sofá.

— Eu confio em você — ele disse tirando as mãos do rosto. — Mas te ver perto dele. — Edward engoliu em seco. — Isso me mata, Isabella!

Edward deu um passo na minha direção.

— Me mata saber que não posso o mandar ficar longe, que tenho que te ver o tolerar por minha culpa, tudo para preservar minha carreira.

— Eu te amo, Edward, sou sua namorada. Mas também sou sua empresária, quando aceitei isso sabia que teria de fazer um monte de coisas pela sua carreira e vou continuar fazendo meu trabalho, se isso significa conceder cortesias para Paul e ver ele bancando o bom moço no camarote do seu show, eu farei isso.

Ele andou mais até mim e me abraçou apertado.

— Promete quando a gente se assumir eu vou poder xingar o Paul publicamente? Só uma vez.

— Nem pensar! — Ele bufou, eu apertei ainda mais nosso abraço. — Eu te amo — sussurrei.

— Também te amo, Capitã. — Beijou o topo da minha cabeça. — E a Helena? — perguntou.

— O que tem ela? — perguntei enciumada.

Ele riu e beijou minha cabeça de novo.

— Quero saber se você vai a colocar na produtora, não perguntei se ela queria foder comigo, se controla.

— Não sei — resmunguei. — Ela parece realmente boa para o trabalho, mas Tanya tem que a aprovar também, tô mandando ela para Los Angeles amanhã ir conversar com a T.

— Bom, a Tirana parece ter um bom julgamento — Edward disse e me beijou, daquela vez indo direto aos meus lábios. — Você é linda, eu te amo — sussurrou quando acabamos o beijo e afastou uma mecha de cabelo do meu rosto, o que me fez sorrir. — Desculpe ter gritado.

— Eu também grito. — Dei de ombros. — Sabemos que não vamos nunca ser um casal modelo para ninguém, somos dois fodidos, não?

— Dis fodidos que agora irão foder? — perguntou.

— Não, que vão se arrumar para sair, temos que ir para o seu ensaio.

— Ok, ok — ele disse e se afastou, no momento que seu celular tocou, Edward o pegou e murmurou. — É meu pai.

Ótimo, só o que faltava era Carlisle tirar Edward do sério também.

— Alô? — Edward atendeu e sentou no sofá. — Oi, pai. — Ele olhava para mim. — Sim, sim, eu cheguei ontem de noite, toco aqui hoje e amanhã, em Liverpool dia oito. — Edward deu um pequeno sorriso. — Vai ser bom te ver, pai! — exclamou e sorriu mais, eu sorri de volta para ele, mesmo que não gostasse de Carlisle. — Hum, a sua noiva vai? — Ele revirou os olhos. — Certo, beleza, eu te vejo lá, vou pedir para alguém falar com o senhor sobre me encontrar no hotel no dia. Tchau!

Edward desligou e eu perguntei:

— Então, pelo que entendi ele vai para o show de Liverpool?

— Isso! — Edward confirmou animado. — Eu nem me lembro a última vez que meu pai foi a um show meu — disse e engoliu em seco. — Vamos contar a ele sobre nós dois, não vamos?

— Edward…

— Ele é meu pai, Capitã.

— Eu sei, mas ele não me suporta, não parece que vai ficar feliz de saber sobre nosso namoro.

— Bom, ele vai ter de aceitar. — Edward se colocou de pé e sorriu outra vez. — É realmente inacreditável que ele esteja vindo.

É, eu esperava que Carlisle não resolvesse furar em cima da hora.

***

Edward e eu praticamente tínhamos acabado de entrar no seu camarim onde aconteceria seu show aquele dia, quando bateram na porta. O Cullen estava ocupado afinando seu violão e eu trocando mensagens com Tanya e Leah, a última que ainda estava no hotel resolvendo tudo para as mulheres Gaston e Paul irem ao show aquela noite, quando alguém bateu na porta.

— Entra! — Edward e eu exclamamos juntos.

Jasper entrou ali, segurando sua guitarra em mãos.

— Jasper — Edward murmurou, eu fiquei quieta no meu lugar, sabia que os dois não se falavam tinha muito tempo e sabia bem o motivo para isso.

— Ei, cara! — Jasper sorria, para mim parecia um sorriso sincero. — Bella. — Ele olhou para mim, eu acenei para ele. — Vocês estão bem?

— Sim, tudo bem — Edward respondeu. — E você?

— Ótimo, eu fui para Los Angeles e depois para Chicago nos últimos dias com um amigo — contou e deu de ombros.

— Sentimos sua falta no casamento do meu pai — falei, mesmo sabendo que deveria ficar quieta.

— Eu precisava mesmo ir resolver algumas coisas — comentou. — Então, vocês se acertaram?

Edward e eu nos entreolhamos, sabíamos que podíamos dizer a verdade para Jasper, afinal o guitarrista já sabia de muita coisa.

— Sim — Edward respondeu. — Mas vou seguir com o namoro falso com Leah, Bella e eu só vamos assumir depois disso.

— Eu entendo — Jasper disse e apontou para a porta do camarim. — Te vejo no palco em dez minutos, Cullen.

— Estarei lá — Edward prometeu e sorriu para Jasper, o outro deu um rápido sorriso antes de sair.

— Já volto — falei para Edward e deixei o camarim também, alcançando Jasper a tempo. — Você está bem? — perguntei a ele quando paramos de andar.

— Vou ficar — Jasper sussurrou. — Cuida do Edward, ok?

— Eu vou.

Jasper assentiu, beijou minha bochecha e voltou a andar.

***

Edward estava atendendo aos fãs depois do show aquela noite, eu estava ali como quase sempre estava em todo show, mas daquela vez Paul também estava. Ele desviava um pouco do foco de Ed, mas eu sabia que isso seria bom para meu namorado e mesmo um pouco para mim, com Paul ali a internet e a imprensa acharia que estava tudo na mais perfeita ordem.

— Os nomes de Ed, Paul e o seu estão nos assuntos mais comentados do Twitter — Leah sussurrou para mim ao se aproximar, assenti.

— O que dizem? — indaguei, mantendo meu olhar sobre Edward que tirava fotos com as sobrinhas de Julia naquele instante.

— Estão adorando Paul e Ed juntos, são duas grandes estrelas reunidas — ela continuou a falar. — E estão achando Paul muito evoluído por estar no mesmo lugar que você. — Voltei meu olhar para Leah e questionei:

— E o que estão falando sobre mim?

— Bom, estão dizendo que se Paul está aqui com a noiva dele é porque ele realmente aceitou suas desculpas sobre o Escândalo Swan, mas ainda acham que você não é confiável e não a querem perto dele. Eu sugiro que não tire fotos com ele. — Bufei e revirei meus olhos.

— Não está nos meus planos. — Apontei para a fila de fãs e ordenei. — Vá falar com algumas fãs, obrigada pelas informações.

— É meu trabalho, Isabella, sou assistente da sua produtora. — Sorriu para mim. — Eu sei que você deve me odiar por eu estar nessa com o Edward, mas confia em mim, ok? Não estou aqui para cruzar seu caminho de forma alguma. — Ela olhou para os lados e quando se certificou que não tinha ninguém perto para nos ouvir continuou. — Quando eu fiquei com Edward de verdade foi antes da turnê, eu não sabia ainda sobre você e ele. Eu nunca tentaria nada com alguém comprometido, especialmente com você que confiou em mim para essa missão e que é uma boa chefe.

— Você não precisa mentir, não sou uma boa chefe.

— É sim! — Ela sorriu. — E eu realmente gostaria que você confiasse em mim, isso vai ser melhor para si mesma, não? Confia em mim e esses meses de contrato serão mais tranquilos, em algum tempo o contrato acaba e eu saio do seu caminho e do de Edward. — Leah afagou meu braço, eu me retrai com seu toque. — Você e Edward são lindos juntos, torço muito por vocês dois.

Torcia mesmo? Eu podia confiar em Leah plenamente?

— Melhor eu ir falar com os fãs agora. — Tocou no meu braço novamente e se afastou.

Voltei a olhar para Edward, que naquele momento era fotografado ao lado de Julia e Maureen, até que elas se afastaram e foi a vez de Paul ir até ele. Os dois sorriram para a câmera, o sorriso de Edward era pequeno, dividido entre o forçado e o cansado, o de Paul o de um grande filho da puta.

Eles trocaram algumas palavras e Paul se afastou, para minha surpresa andando até mim.

— Nós precisamos voltar para o hotel agora — ele disse quando parou na minha frente, apontando para onde as mulheres Gaston estavam reunidas perto da saída. — Muito obrigado por ter conseguido as entradas, Isabella.

— Não por isso, Lahote — falei entredentes, ele sorriu e antes de se afastar disse:

— Te vejo em Los Angeles!

Aquilo era uma ameaça ou eu estava totalmente paranóica com tudo e todos? Porém, eu tinha todos motivos do mundo para ter suspeitas sobre Paul, não?

***

Assim que voltamos para o hotel e entramos na suíte de Edward ele indagou:

— O que Paul disse para você antes de ir embora?

— Queria agradecer sobre as entradas para o show — respondi, apoiando-me em Edward para tirar meus saltos. — E o que ele disse para você?

Edward bufou.

— Me parabenizar pelo show, filho da puta do caralho.

— Acabou agora, eles vão embora logo e passamos por esse dia sem caos.

Edward suspirou, assentiu e me beijou.

— Eu tive uma ideia.

— Sobre?

— Para o clipe do último single do álbum. — Que seria Hollywood, eu mal podia acreditar que duas das minhas canções teriam clipes, ainda que não soubessem sobre aquela ser minha.

— O que pensou? — Virei de costas para Edward, deixando com que ele abrisse o zíper do meu vestido.

— Então, a ideia veio quando eu estava prestes a entrar no show de hoje — começou a contar animado.

***

Nós chegamos a Liverpool na manhã do dia oito, Edward teria ensaio e entrevista naquela tarde, mas ainda aquela manhã se encontraria com Carlisle. Ele estava nervoso com isso, já tinha tido uma longa sessão com Vladmir no dia anterior, mas até eu estava ansiosa sobre encontrar o pai dele de novo.

— Olha essa. — Mostrei para ele mais uma foto de uma das casas que minhas irmãs estavam visitando, no condomínio que Ed morava, para mim. Tinham três disponíveis, uma melhor que a outra, eu não conseguia me decidir.

— Gosto da piscina, posso imaginar a gente fodendo nela pra caralho — ele falou olhando para meu celular também, fazendo com que eu risse e roubasse um rápido beijo dele.

— Claro, comprar a casa com base nos lugares para foder nela é o que mais importa. — Guardei meu celular no bolso da calça.

— Exatamente, Capitã. — Ele brincou com seu nariz na minha bochecha. — Mas a área externa parece mesmo fantástica, Amy vai adorar. Ainda que eu considere uma injustiça você tirar ela lá de casa, ainda mais agora que tenho o Woody.

— Amy vai comigo — declarei, ele resmungou.

— Podemos dividir a guarda? — brincou, eu tentei não pensar em como aquilo soava como se estivéssemos falando de filhos, não de animais. Aquele assunto me assustava, eu definitivamente não queria filhos, nem mesmo com Edward, mas sabia que ele também não os queria e isso era perfeito para nós dois.

— Ela é toda minha. — Apertei o queixo dele e lhe dei um rápido beijo.

— Ok, ter ela lá será uma excelente desculpa para eu ir te visitar mais vezes — ele disse e tocou no cordão que tinha me dado.

Eu praticamente não o tirava, só para tomar banho para que o fio não apodrecesse.

— Minha mãe me ligou antes de sairmos de Londres — ele começou a contar. — E ela até perguntou como você estava.

— Minha sogra gosta de mim agora? — debochei o fazendo rir. — Bom, ainda é melhor do que a sua sogra que queria fazer coisas com você — reclamei, ele fez uma careta.

— Esquece a Renée — falou. — E tenho certeza de que o com o tempo a minha mãe vai te amar.

— Tanto faz, o filho dela me ama e é isso que importa para mim. — Ele me beijou no segundo que acabei aquela frase, me puxando para cima do seu colo.

Ainda estávamos nos beijando quando alguém bateu na porta do quarto, Edward me tirou de cima de si e foi até lá, sabíamos que era seu pai. Eu arrumei meus cabelos que Edward tinha bagunçado ao passar suas mãos por eles durante o beijo e sentei ereta no sofá, esperando Carlisle entrar.

Edward olhou uma última vez para mim antes de abrir a porta, então pudemos ver Carlisle do outro lado. Ele sorriu para o filho e sem dizer nada os dois se abraçaram, eu torci — do fundo do meu coração — para aquilo ser um bom sinal e os dois se entenderem de vez aquele dia. Talvez fosse mais fácil, a noiva de Carlisle não estaria indo, mas comigo ali eu temia que o conflito continuasse em alta ao ponto de não se entenderem.

— Pai, é tão bom te ver! — Edward exclamou, deixando com que Carlisle entrasse na suíte e trancando a porta.

— É… — Carlisle começou a falar, mas se interrompeu quando me viu. — Desculpe, Ed, pensei que você estava livre essa manhã, mas se tem de trabalhar podemos conversar depois.

— Não, não estamos trabalhando. — Edward apontou para mim. — Na verdade, Isabella e eu temos algo para te contar — ele disse passando a mão por seus cabelos, claramente muito nervoso.

Carlisle franziu o cenho, confuso sobre aquilo.

— Olá, Carlisle! — Acenei para ele, que não se importou em acenar de volta, mas pelo menos murmurou:

— Olá. — Depois se voltou para o filho e perguntou. — O que ela e você tem para me contar?

— Se senta — Edward pediu, Carlisle sentou no outro sofá. — Quer beber algo?

— Não, estou bem — ele respondeu. Edward assentiu, mas ainda assim foi até o frigobar, quando o abriu eu vi as garrafinhas com bebidas alcoólicas entre as com água e refrigerante, o pessoal do hotel tinha esquecido de removê-las antes de Ed chegar ali, era um erro enorme. Ainda assim, Ed só pegou duas garrafas de água, as colocando sobre a mesinha de centro, uma na direção de Carlisle, outro na minha. — Edward, pode parar de enrolar? — Carlisle pediu. — O que foi agora? Precisam que eu dê alguma entrevista?

— Não, eu disse que não estavamos aqui trabalhando — Edward respondeu baixinho e sentou ao meu lado.

Nós nos olhamos, depois ele olhou para minha mão sobre minha coxa e colocou a sua sobre ela. Então, ele ergueu o olhar para seu pai, que pareceu entender tudo naquele instante e arregalou seus olhos.

— Pai, eu te disse em Bath sobre meu namoro com Leah não ser real. — Edward olhou para mim novamente e deu um sorriso rápido. — Mas, Bella e eu estamos juntos agora — disse aquilo ainda olhando para mim antes de Carlisle recobrar sua atenção. — Leah e eu vamos continuar o namoro falso até o final do contrato que temos, mas Isabella e eu estamos namorando e iremos assumir depois disso. Eu queria mesmo que o senhor soubesse sobre, quero que saiba sobre minha vida toda, a realidade sobre mim.

Carlisle seguia de olhos arregalados, preso em choque com a informação. E ali eu soube que Edward e ele não se entenderiam, não aquele dia ao menos e eu sabia que seria porque o médico nunca gostou de mim.

— Pai? — Edward chamou por ele. — Fala algo. — Carlisle piscou e focou o olhar no filho. — Por favor.

— Eu não sei o que dizer — Carlisle disse, Edward apertou mais sua mão a minha, eu engoli em seco.

— Ok, tem algo a mais que você precisa saber — Edward sussurrou, eu o encarei sem entender, o que mais ele tinha para dizer? — Se eu quero te dizer tudo sobre mim, você tem de ficar sabendo que eu sou bissexual.

Puta merda, ele tinha mesmo contado aquilo para o pai? Nem Rosalie ou Esme sabiam!

— Você o que? — Carlisle gritou, no mesmo instante ficando de pé.

— É exatamente o que você ouviu — Edward disse. — Eu tive relações com outros caras e na minha terapia consegui aceitar o que sou. Quer dizer, estou aceitando, mas ao menos sei o que sou realmente agora.

— Isso é ridículo! — Carlisle seguiu gritando. — É inaceitável!

— Isso não é nada inaceitável — eu falei irritada com ele.

— Cala a sua boca! — Carlisle gritou diretamente comigo, o que me pegou de surpresa e fez Edward se levantar também e eu prontamente me coloquei de pé caso precisasse intervir.

— Não ouse gritar com Isabella, Carlisle!

— Você não percebe, Edward? Não entende que está errado sobre todo esse papo de ser bissexual? Isso é mais uma vez você sendo influenciado por esse meio de merda que vive, foi com aquele seu amiguinho viado, o Jasper, né? Ele fez algo com você, não foi? E namorando com essa vagabunda você deve estar ainda mais sujeito a esse monte de besteira!

— Não chame Isabella nunca mais assim, Carlisle.

— É o que ela é e todos sabem!

— Vai embora! — Edward ordenou apontando para a porta. — Vai antes que eu perca a cabeça com você.

— Não posso acreditar nisso — Carlisle disse sem se mover um centímetro. — Não acredito que você está por aí se deitando com homens, isso é tão errado, tão nojento. É tudo culpa da sua mãe, ela te deixava fazer o que quisesse, te colocou nessa merda de caminho de música que só destruiu sua vida.

— Ao mesmo tempo que você era um terrível pai!

— Eu estava dando duro no trabalho, ajudando as pessoas e ganhando dinheiro para nossa família ter uma vida confortável e feliz.

— Notícia quente, papai, todo seu esforço foi uma perda de tempo. Eu sou um ser nojento segundo você mesmo, minha mãe não é mais sua esposa e Rosalie ainda está puta contigo.

Carlisle bufou.

— Vá embora, Carlisle — foi minha vez de ordenar, vendo Edward tremendo.

— Você não manda em mim, Isabella!

— Eu disse que você não deveria gritar com Isabella! — Edward explodiu mais uma vez. — Vá embora, Carlisle. Suma, eu nunca mais quero te ver!

Carlisle não disse mais nada, saindo da suíte batendo a porta com força atrás de si. Edward sentou no sofá e começou a chorar, ainda tremendo.

— Por que você contou a ele sobre ser bi? — perguntei baixinho.

— Eu queria que ele me aceitasse como sou de verdade, por inteiro — Edward sussurrou.

— Acho que você precisa de um banho…

— Não. — Ele desviou do meu toque. — Você pode chamar o Vladmir? Por favor!

Por um segundo me senti rejeitada, mas afinal, era para isso que o terapeuta estava na viagem, para ajudar Edward com as suas crises. Eu apenas assenti, mesmo que Edward não estivesse olhando para mim, lancei um rápido olhar para o frigobar implorando internamente para que meu namorado não bebesse nada de lá e deixei a suíte.

***

No dia dezessete de julho a turnê de Edward estava passando por Berlim, ele tocaria em um estádio e todos os ingressos tinham sido esgotados. Aquele seria o trigésimo segundo show da sua turnê e o oitavo na Europa na segunda parte da turnê.

Ele tinha ficado péssimo depois de todo o desentendimento com Carlisle, os dois também não tinham se falado mais muito menos se visto, mas a terapia era essencial para ele se manter bem e de vez em quando conversava comigo sobre. E nós dois estávamos bem, mantendo nosso namoro escondido sem grandes dificuldades e sem ninguém nos expondo.

Quando eu não estava ocupada com algo de sua turnê, estava em contato com os outros em Los Angeles. Helena tinha sido contratada, meu pai, Riley e Cameron estavam gravando seus álbuns e Kate me dando pequenas dores de cabeça, como quando resolveu assumir um namoro com um DJ, que só durou três dias.

Eu também já tinha escolhido qual casa comprar, mas toda a papelada só seria assinada quando eu voltasse para Los Angeles. Edward e eu estávamos muito animados com a minha mudança.

— Bom show, pirralho! — exclamei para Edward antes de ele ir se posicionar para ir ao palco aquela noite.

Não conseguia cansar de vê-lo no palco, mesmo o vendo lá em cima quase todas as noites. Não só por o amar, mas porque eu simplesmente adorava como ele era bom no que fazia e a cada dia parecia ainda melhor.

Edward estava quase encerrando a apresentação de Morango aquele dia, que era quase no começo do show, quando Emmett se aproximou de onde eu estava nos bastidores e disse de forma enfática:

— Senhorita Swan, temos um problema. — Aquilo tirou o sorriso do meu rosto. — A polícia recebeu ameaças de bombas em dois banheiros do estádio, precisamos evacuar todo mundo.

Não, não, não!

— Tire Edward do palco agora mesmo! — ordenei.

Notas finais
Possíveis comentários com teor preconceituoso sobre a sexualidade do Ed serão deletados. Beijos! Lola Royal. 25.03.19