Hollywood
59 Capítulo Cinquenta e Oito
Notas iniciais
Capítulo Cinquenta e Oito
Edward Cullen
“Show de Ed Cullen é interrompido por ameaça de bomba em Berlim.”
Eu já tinha tido dias terríveis na vida, muitos deles, mas aquele dia em Berlim foi o pior de todos.
***
Sempre depois da apresentação de Morango eu parava o show para ir trocar de roupas, naquele dia não foi diferente, porém nos bastidores sim. Eu tinha acabado de deixar o palco quando Emmett segurou meu braço, me puxando consigo, Bella estava junto logo atrás e Leah indo na frente, meus outros seguranças em serviço aquela noite nos cercavam, perguntei para todos o que estava acontecendo e no meio do tumulto Emmett respondeu;
— Ameaça de bomba, precisamos te tirar daqui agora!
— O quê? Caralho! — gritei, mas ainda sendo obrigado a andar por Emmett que não me permitia parar.
Olhei rapidamente para trás, vendo Isabella andando apressadamente também. Eu não precisei perguntar nada, ela viu a preocupação em meus olhos e disse:
— Estou bem.
Ao fundo já podia ouvir alguém no palco avisando o que estava acontecendo, implorei internamente para todo mundo naquele estádio conseguir sair ileso. Eu não queria ninguém, absolutamente ninguém machucado, minha equipe, o pessoal do estádio, meus fãs. Porra, não, ninguém.
— Jasper? Cadê o Jasper? — eu indaguei nervoso quando fui colocado dentro do carro que me levaria para o hotel, com Leah de um lado meu e Bella de outro, minha namorada verdadeira já tinha sua mão entrelaçada a minha no instante que entramos no veículo, por sorte não tinham paparazzis ali para captar aquele momento íntimo entre nós dois.
— Ele ainda está saindo, vai no outro carro depois, agora você precisa ir! — Emmett exclamou ainda em um tom de comando, fechou a porta do lado de Isabella e foi para o banco do carro junto ao motorista que logo tirou o carro de lá.
Olhei em direção ao estádio que ficava para trás, onde meu melhor amigo ainda estava. Bella soltou minha mão, no momento que Leah a agarrou, então eu notei os flashes das câmeras dos paparazzis do lado de fora do estádio. Leah escondeu seu rosto no meu ombro, eu apoiei minha cabeça na dela, me odiando, odiando toda aquela maldita situação e ainda com mais raiva por eu não poder estar junto como queria da mulher que amava naquela merda de momento.
***
Leah, Isabella, Emmett e eu entramos na minha suíte assim que chegamos ao hotel. E eu mal tinha pisado lá dentro quando ouvi meu celular tocar, olhei para Bella que era quem ficava com ele enquanto eu estava no palco, ela o entregou para mim e vi que era minha irmã me ligando.
— Oi, Rose — atendi, estava tremendo um pouco, por estar tão nervoso com tudo aquilo, sendo assim procurei sentar no sofá para tentar um ponto de apoio. Emmett estava em um canto da sala falando ao celular com alguém, Leah digitava no seu sem tirar os olhos da tela por um segundo que fosse e Bella tinha ido até o frigobar.
— Edward! — Era minha mãe. — Você está bem? Diga que você está bem!
— Eu estou bem, mãe. — Ao menos fisicamente, minha cabeça estava uma loucura, no entanto.
— Não acredito nisso, quando Rosalie me contou sobre eu enlouqueci, quero ir para Berlim agora mesmo te ver. — Ela já estava chorando, o que só me deixou mais nervoso.
— Mãe, calma — pedi baixinho, Bella se aproximou de mim e me entregou uma garrafinha de água já aberta. Com a mão trêmula eu a peguei, mas não bebi logo. — Fica em Los Angeles, eu nem sei como serão as coisas agora…
— Não, eu vou, tenho que ir cuidar de você.
— Mãe, estou bem — murmurei, apertando a garrafa com mais força em minha mão.
— Quer que eu fale com ela? — Isabella me perguntou.
Assenti e passei o celular para minha namorada, Isabella sentou ao meu lado e começou a falar com Esme.
— Esme, é a Bella, o Ed está nervoso agora, achei melhor darmos um tempo para ele, certo? Nós ainda não temos informações concretas sobre nada disso, mas posso garantir que seu filho está em segurança, eu prometo te ligar a cada novidade, ok? — Bella afagou meu braço e eu encostei minha testa no ombro dela. — Pode deixar, prometo te manter informada, tenta se acalmar um pouco. Posso falar com a Rosalie? Tá bom, tchau. — Isabella beijou meus cabelos e então estava falando com minha irmã. — Ele está bem, estou com ele, não deixa sua mãe entrar no primeiro avião pra cá, nem venha também, sei que vocês querem estar com o Edward, mas precisamos manter muita coisa sob controle agora. Eu vou resolver tudo aqui, nem sei se continuaremos com a turnê para que vocês venham.
Cancelar a turnê? Precisaríamos cancelar a turnê? Não, merda! Mas eu entendia, eu estava com medo de subir em um palco de novo e aquele horror daquele dia se repetir.
Por que aquilo estava acontecendo? Porra!
E no estádio? Todos saíram bem?
— Tchau, Rosalie. — Bella se despediu da minha irmã. — Você precisa deitar? — ela perguntou para mim.
— Não — sussurrei,
Ouvi a porta se abrindo e olhei para lá, Leah estava a abrindo para Jasper. Eu respirei aliviado, vendo meu melhor amigo bem, pulei do sofá e fui até ele o apertando em um abraço.
— Cara, porra, você está aqui! — exclamei, tendo o abraço retribuído.
— Puta merda, isso foi terrível, não? — ele perguntou de volta, me abraçando também.
— Sim. — Senti as lágrimas nos meus olhos.
— Edward, talvez você precise ir dormir um pouco — Leah disse nervosa.
— Não, não quero — neguei, soltando Jasper e olhando para Emmett que tinha terminado sua ligação. — E no estádio? — perguntei para o segurança.
— Todos já foram retirados— respondeu. — Teve tumulto como esperado, algumas pessoas se machucaram, mas nenhuma vítima fatal.
— E as bombas? — Isabella perguntou, se levantando do sofá.
— A polícia está cuidando disso, mas aparentemente elas deram errado e não explodiriam mesmo.
— Que bom! — Leah exclamou.
— E já estão procurando o suspeito, ou suspeitos, responsável por isso — Emmett completou. — Eu vou reforçar a segurança de Edward e chamar mais seguranças para o hotel, tudo bem? — perguntou para Isabella.
— Sim, faça isso! — ela exclamou. — E mande seguranças cuidarem de Rosalie e Esme, não sabemos quem está por trás disso e se quiser atingir diretamente Edward pode ir atrás delas.
Aquilo me paralisou, podia ser mesmo alguém especificamente atrás de mim?
— Quero que mande pessoas para Bath também, para cuidarem de Carlisle — Bella continuou e eu prendi minha respiração. Ela ainda pensava no meu pai? Mesmo depois dele ter a destratado? Eu me importava com ele mesmo depois de toda merda que ele tinha dito para mim, mas não julgaria Isabella se ela simplesmente o tirasse de sua mente e sequer pensasse na segurança dele.
— Sim, senhorita Swan — Emmett falou e saiu da suíte.
— Cara, eu preciso ir tomar um banho e colocar a cabeça no lugar, se precisar de algo é só chamar — Jasper disse para mim, eu assenti, o abracei uma segunda vez e o deixei ir.
— Eu também vou para meu quarto, só me chamarem qualquer necessidade — Leah disse e saiu em seguida.
Isabella andou até mim naquele instante e me abraçou, foi o suficiente para eu começar a chorar. A Capitã me deixou chorar por um tempo, um choro que já era alto e muito nervoso, até que ela se afastou um pouco, pegou a garrafinha de água que ainda estava na minha mão e me fez beber um pouco.
— O que vai acontecer agora? — perguntei murmurando.
— Vamos resolver tudo amanhã, hoje você vai pensar só em si, Edward — ela proclamou, me fazendo beber mais água. — Quer que eu chame o Vladmir?
— Sim, por favor — pedi ainda chorando.
Bella sabia lidar com minhas crises e eu gostava de ter ela por perto, mas sabia que meu terapeuta era a pessoa mais indicada para lidar comigo naquele instante.
— Eu te amo — ela disse e beijou minha bochecha molhada por lágrimas. — Venho para cá assim que Vladmir sair?
— Sim, faça isso. — Beijei sua testa e a deixei ir.
Voltei para o sofá, eu ainda chorava e ainda estava nervoso e com medo de tudo aquilo. Bella tinha deixado meu celular ali, mas eu apenas o desliguei, não queria ver nada sobre aquela noite na internet e acabar piorando meu estado.
Eu estava chorando, muito, quando Vladmir entrou. Ele sentou do outro lado do sofá e perguntou:
— Como você está se sentindo, Edward?
— Péssimo — respondi, limpando meu nariz com a costa da mão. — Bombas no meu show, as pessoas poderiam ter morrido e felizmente ninguém morreu, mas ainda assim pessoas ficaram feridas. — Eu solucei. — E se isso se tornar recorrente? — questionei Vladmir. — E se tentarem em outro show meu? E se tentarem algo contra minha família? Ou se amanhã eu levar uma bala na cara de algum maluco? Porra, que merda! — gritei. — Tava indo tudo bem, ao menos na turnê, eu tava arrasando nos shows e isso acontece, isso não podia ter acontecido é um desastre. E se alguém tivesse morrido seria minha culpa, porque estavam lá por minha conta!
— Edward, você não foi o responsável por essas bombas, não seria o responsável pela morte de ninguém e todos que estavam no seu show estavam por serem seus fãs, ou estarem a trabalho, estavam lá por vontade própria.
— E se eu não tivesse feito show nenhum ninguém estaria em risco.
— Edward, você não tem culpa de nada — repetiu. — É uma vítima da situação tanto quanto qualquer outra pessoa.
— A Bella tava lá — sussurrei. — Ela podia ter se machucado também. — Limpei as lágrimas do meu rosto, mas elas não paravam. — Jasper também, eu morreria se algo acontecesse com um dos dois.
— Jasper e Isabella foram retirados em segurança, Edward. Eles estão seguros, assim como você está.
— E se algo assim acontecer novamente? Como eu vou fazer? Vou subir em todo palco agora com medo de ser arrancado lá de cima porque algum maluco quis explodir tudo?
— Edward, as chances de algo assim se repetirem são mínimas e eu tenho certeza de que a segurança de todos os shows e a sua no dia a dia será reforçada.
— Mas ainda pode acontecer.
— Eu entendo seu medo, e entendo se você precisar cancelar o resto da sua turnê, seus fãs e sua equipe certamente irão entender também. É uma decisão exclusivamente sua. Mas, também preciso reforçar que se você quiser seguir com os shows terá todo o apoio em sua terapia, assim como sua equipe e seus fãs com certeza também te apoiarão em tudo.
— Não sei o que quero fazer.
— Você não precisa decidir nada agora, Edward. Na verdade, você precisa descansar, teve um dia longo e será melhor dormir um pouco para relaxar. Se você quiser receber alguma medicação para dormir, ou para alguma dor, podemos chamar um médico aqui para te receitar algo. Eu mesmo entrarei em contato com seu médico em Los Angeles para que ele fique a par disso.
Eu pensei sobre aquilo, tomar um remédio e apagar, esquecer de tudo por horas. No entanto, eu sabia como os remédios agiam sobre mim e como depois eu poderia acabar na pilha de querer os tomar todo dia, isso seria um grande retrocesso, não queria voltar atrás no meu tratamento e ficar dependente de drogas — mesmo que lícitas — de novo.
— Não, eu não quero — respondi para Vladmir. — Vou tomar um banho e tentar dormir.
— Certo — Vladmir concordou. — Nós conversamos mais amanhã, mas se você quiser que eu volte é só chamar.
— Ok, obrigado — agradeci e Vladmir foi embora.
Larguei a garrafinha de água sob a mesinha e permaneci no sofá, em menos de um minuto desde que Vladmir saiu, Isabella entrou. Ela andou diretamente até mim e esticou uma mão em minha direção, deixei nossas mãos se unirem e fiquei de pé.
— Vamos tomar um banho? — sugeriu, com uma calma em sua voz que eu invejava.
— Vamos — respondi, deixando ela me levar para o banheiro.
Logo estávamos debaixo do chuveiro, eu abracei Bella, enquanto a água caia sobre nossas cabeças e chorei, chorei por muito tempo. Ela escondeu seu rosto em meu peito e beijou minha pele, e eu me senti feliz no meio de toda a tristeza que sentia ao saber que minha garota estava viva em meus braços.
Depois do longo banho nós fomos para a cama, eu estava usando só uma cueca, enquanto Bella vestia meu moletom de Brooklyn Nine-Nine que tinha sido um presente dela e uma calcinha. Nós deitamos abraçados, eu ainda chorava, mas peguei no sono sentindo Isabella mexer em meus cabelos e manter uma mão sobre meu peito, bem onde meu coração batia.
***
Acordei desnorteado na manhã seguinte, por um tempo pensando que tudo que tinha acontecido na noite anterior tinha sido um sonho, mas eu sabia que tinha sido real. Sentei na cama e esfreguei meu rosto, olhei no relógio ao lado da cama e vi que nem eram seis da manhã ainda.
Bella não estava comigo na cama e eu estava quase chamando por ela quando ouvi um som de choro, rapidamente sai da cama e fui até a sala da suíte. Minha namorada estava sentada em um dos sofás, encolhida e como suspeitei, chorando.
Sentei ao lado dela, que tentou esconder seu rosto, mas não permiti.
— Você pode chorar — sussurrei afagando seu rosto, ela chorou mais com minhas palavras.
— Eu fiquei com muito medo, pirralho — ela sussurrou de volta, se movendo para cima do meu colo, deixando com que eu a abraçasse e colocando seu rosto contra meu pescoço. — Pensei que algo aconteceria com você, isso foi tão assustador, tão horrível. Eu não quero te perder, nunca. — Entrelaçou nossas mãos e beijou a minha. — Amo você, eu te amo tanto.
— Também te amo, Capitã. — Beijei sua mão. — Estou aqui, você não me perdeu, nem vai.
Ela suspirou e chorou mais.
— Eu não devia estar chorando — disse irritada. — Não devia te deixar preocupado comigo.
— Ei. — Puxei seu rosto para mim, fazendo com que ela me olhasse, seus olhos castanhos estam muito molhados por conta das lágrimas. — Amo você, Isabella Swan e vou cuidar de você, não precisa ser a única nessa relação segurando minhas crises em momentos ruins, eu vou fazer o mesmo por você, linda. Hoje, amanhã, sempre, me deixa cuidar de você também, tá bom?
Ela assentiu e me beijou. E eu soube que nós ficaríamos bem, mesmo que o mundo fosse muito assustador naquele instante.
***
Cento e trinta e três pessoas — todos fãs — se machucaram na saída do show, alguns braços quebrados, pernas, pés torcidos, escoriações, ataques de pânico com necessidade de internação, e o caso mais sério foi o de uma garota que teve um traumatismo craniano, mas ela estava indo bem na sua recuperação. Assim que recebi de Bella e do pessoal da Swan Productions, em uma reunião no hotel, os dados sobre isso declarei na hora que queria pagar pelo tratamento hospitalar de cada um dos meus fãs.
Bella não me contrariou sobre isso, o que foi ótimo, inclusive concordou de que era uma boa ideia. Então, era bom que estivessemos alinhados sobre aquilo.
O homem responsável pelas bombas — que como Emmett no dia anterior disse tinham dado errado e não explodiriam — era um alemão que tinha se filiado a um grupo terrorista, ele tinha sido localizado aquela manhã pela polícia, em uma cidade vizinha a Berlim, mas se suicidou antes das autoridades chegarem ao seu esconderijo. Era tudo um grande pesadelo, tudo isso. Porém, tirava a ideia de que tinha sido um atentado direcionado diretamente a mim, o grupo terrorista ao qual o homem estava ligado assumiu a tentativa de atentado como uma retaliação pelo governo alemão ter enviado tropas para um país do Oriente Médio em conflito.
E eu decidi continuar a turnê, não a cancelaria como um todo, nem qualquer um dos shows. Bella me pediu para pensar sobre isso por mais tempo, também pedindo que eu cancelasse o show do dia seguinte em Glasgow na Escócia, também me fez ter mais uma sessão com Vladmir, mas ele reforçou que seu eu quisesse seguir na turnê teria apoio para isso. Então, Bella teve de aceitar que eu seguisse os shows, mesmo que ela e eu ainda tivessemos medo de algo mais dar errado. E eu também pedi que Bella conseguisse uma data para um novo show em Berlim, mesmo que isso custasse um dos meus dias de folga, eu queria que os fãs pudessem voltar de forma totalmente gratuita — uma vez que já tinham pago pelo primeiro show — e vissem o show por inteiro daquela vez, ela gostou dessa ideia.
Naquela noite eu daria uma rápida entrevista no hotel em Berlim, mas antes disso fui de tarde visitar os fãs que se machucaram no hospital. Bella ficou no hotel resolvendo um milhão de coisas, sendo assim fui só com Leah e claro os meus seguranças.
Foi bom ver os fãs, mesmo que eles estivessem machucados também ficaram felizes em me ver. Eu passei o maior tempo que pude com eles, tirei fotos, gravei vídeos, dei presentes e autógrafos, cantei com eles e abracei todos, fodidamente grato por ninguém ter morrido aquela noite.
De volta ao hotel eu me preparei para a entrevista, que seria dada na sala de conferência do local, Isabella estaria na entrevista comigo. Eu sabia que ela não gostava de dar entrevistas, mas me senti muito grato por ela estar disposta a me ajudar nessa.
— Sua irmã e sua mãe já embarcaram para Glasgow — Bella me contou, minha mãe tinha batido o pé que queria ir para a Escócia me ver, então Isabella arrumou tudo para que ela e Rosalie fossem me encontrar lá. Madonna, Shrek, Amy e Woody ficariam em um hotel para animais em Los Angeles, ainda que por mim eu teria dado um jeito de fazer com que eles cruzassem o Atlântico para que os pudesse ver também.
— Ótimo — falei para Bella, estavamos só esperando a hora certa para entrarmos na sala de conferência, enquanto isso esperávamos em uma sala ao lado com o pessoal da equipe da produtora.
— Consegue mesmo fazer isso? — ela perguntou. — Posso cancelar a entrevista.
— Não, eu consigo — assegurei, enquanto abria e fechava minhas mãos sem parar, em uma tentativa de me concentrar em algo que não fosse toda a tensão que eu sentia desde a noite passada — Você consegue?
— Sim — Bella respondeu. — Eu posso dar uma entrevista, mas principalmente, não quero que você fique sozinho lá.
— Hora de entrar — uma das assistentes da produtora avisou.
Eu respirei fundo, Bella afagou meu braço em um gesto rápido e seguimos até a sala de conferência. Logo os jornalistas ali, de toda parte do mundo, começaram a falar ao mesmo tempo e os flashes das câmeras batiam contra as lentes dos meus óculos, uma vez que eu tinha dispensado as lentes naquela noite.
Bella e eu nos sentamos um ao lado do outro, a uma mesa diante para os jornalistas. Logo peguei a garrafinha de água na minha frente para beber um pouco, enquanto minha empresária recepcionava todos falando ao seu microfone.
— Pode escolher alguém para começar agora — ela disse para mim baixinho depois.
Apontei para um jornalista que perguntou:
— Ed, você acha que um novo atentado pode ocorrer em um dos seus shows?
— Eu realmente espero que minha equipe, meus fãs e mesmo eu não tenhamos que passar por uma situação como a de ontem novamente, nunca mais. Para falar a verdade, espero que nenhum novo atentado ocorra em show de ninguém, boates, restaurantes, escolas, seria muito bom mesmo que eles parassem. — Ajustei meus óculos, Bella tinha me preparado para a entrevista e eu sabia o que responder.
— Você é contra o envio de tropas alemães para países em guerras? — perguntou o próximo jornalista escolhido.
— Eu não sou a favor de guerras, então sim, pode anotar em seu bloquinho que não compactuou com envios de tropas alemães ou de qualquer outro país para outros países em conflitos, não quando considero que isso pode gerar mais caos. Mas, não sou um especialista nesse assunto, ou em política, sendo assim não posso ser tomado como referencial de nada, não?
Bella escolheu o próximo jornalista.
— Você ficou com medo ontem?
— Muito, eu ainda estou — confessei.
Mais um jornalista.
— Vai cancelar sua turnê?
— Não, em respeito aos fãs dos outros países e cidades que ainda iremos, de toda minha equipe envolvida nessa turnê, eu decidi continuar com ela. Mas a segurança certamente será reforçada, queremos garantir que cada fã na plateia se sinta seguro nos shows.
O outro jornalista perguntou para Bella.
— Como o homem entrou no show ontem portando dois explosivos e os conseguiu deixar em banheiros?
— Falha na segurança do estádio, mas como Ed disse isso será corrigido e a segurança será reforçada para os próximos shows — ela respondeu.
— As pessoas machudas receberão alguma ajuda financeira em nome de Ed Cullen? — o jornalista seguinte continuou perguntando para Bella.
— Todas as pessoas feridas no show já estão recebendo tratamento médico completamente custeado por Ed.
— E os outros fãs terão o dinheiro dos seus ingressos reembolsados? — mais uma pergunta para ela.
— Nós estamos agendado um novo show para Berlim, Ed. — Ela apontou para mim. — Quer continuar o show interrompido da noite passada em nome dos seus fãs que estavam presentes e tiveram a noite interrompida por conta deste acontecimento, mas qualquer um que queira reaver o dinheiro do seu ingresso poderá fazer isso em breve.
— Ed, você tem certeza de que é uma boa ideia voltar a tocar em Berlim? — um jornalista perguntou para mim.
— Eu amo Berlim e a Alemanha! — afirmei. — Aprendi alemão quando novo e já vim a cidade várias vezes, seja a trabalho ou para passeio. E mais do que amo a cidade ou o país, eu amo demais meus fãs daqui. Eles e eu sempre teremos algo nos ligando desde ontem, um acontecimento que certamente nos marcará por todas nossas vidas, quero voltar aqui em breve e acabar aquele show, quero que eles saibam que não podem deixar o medo vencer, que precisamos sair e nos divertir, cantar, dançar e pular.
— Última — Bella sussurrou para mim.
Escolhi o jornalista que perguntou:
— Algo a falar sobre o homem responsável pelas bombas?
— Não — respondi criteriosamente. — Não me sinto em uma posição para julgar ninguém, este homem possui uma família que também precisa ser respeitada neste momento. Mas, eu gostaria de falar para meus fãs, seja aqueles no show de ontem, ou não, e pedir que eles se cuidem e cuidem um dos outros neste momento difícil, quero dizer que amo cada um de vocês e também agradecer por cada mensagem de apoio que estou recebendo em minhas redes sociais, vocês são os melhores.
Bella encerrou a entrevista, eu voltei para meu quarto no hotel e chorei por mais um tempo antes de partirmos para Glasgow.
***
Na manhã seguinte, já em Glasgow, Bella me acordou por volta de nove da manhã, para avisar que Rose e minha mãe já estavam subindo para me ver. Eu vesti uma roupa, já que tinha dormido só de cueca e Bella colocou um short seu que estava em uma das minhas malas, ficando com ele e uma das minhas camisetas que tinha usado para dormir.
Não demorou muito mais para baterem na porta da suíte, fui abrir e no mesmo instante minha mãe me esmagou em um abraço. Eu retribui, prontamente, feliz que ela estava ali.
— Eu fiquei com tanto medo de algo te acontecer, meu Deus! — ela exclamou, começando a encher meu rosto de beijos. — Você ainda vai ser responsável por eu ter um infarto, Edward Cullen! — brigou comigo em seguida.
— Eu não tive culpa de nada, mãe — resmunguei.
— Eu sei, mas meu coração não aguenta — declarou e me abraçou por mais alguns segundos antes de me soltar, então a vi indo até Bella e lhe dando um rápido abraço, o que certamente pegou a mim e minha namorada de surpresa. — Estou feliz que você também esteja bem, Isabella — disse sinceramente.
— O-Obrigada — Bella gaguejou.
— E a Leah? Ela está bem? — mamãe perguntou para mim.
— Sim — resmunguei, me voltei para Rosalie e a abracei. — Senti sua falta, irmã.
— Eu também senti a sua. — Ela começou a chorar.
— Ei, tá tudo bem — garanti afagando suas costas.
Ela assentiu e me soltou, indo até Isabella para a abraçar também.
— Eu também tô feliz que você está bem, cunhada — disse fazendo Bella rir.
— Imagino, porque senão você teria que lidar só com a chata da Leah — provocou, fazendo minha irmã rir e minha mãe bufar, mas Esme tinha outra coisa para falar comigo.
— Você falou com seu pai depois do que aconteceu em Berlim? Ele te ligou? — Rosalie e Esme só sabiam sobre metade da minha briga com Carlisle em Liverpool dias atrás, eu só tinha dito para elas que meu pai não tinha aceitado meu namoro com Bella, xingado-a e caído fora depois de discutirmos sobre isso, ainda não queria contar para elas sobre o fato de eu ser bi, tinha medo de como reagiriam a isso, se fosse como ele reagiu seria uma merda.
— Não, ele não me ligou — respondi, andando até Bella e a abraçando por trás, ela recostou sua cabeça em mim.
— Sério que ele não te ligou depois do que aconteceu? — mamãe perguntou furiosa. — Você estava no meio de um atentado e aquele homem não se deu ao trabalho de ligar? — Senti meus braços tremerem de nervoso, Bella os apertou com suas mãos. — Ele não me atende, provavelmente a noivinha dele o proibiu disso e Rosalie se recusa a ligar para ele.
— Eu ainda estou chateada demais com o papai para ligar para ele — minha irmã murmurou. — E depois dele ser idiota com a Bella e o Edward tenho mais motivos para isso.
— É inadmissível que essa família não consiga conviver em paz — mamãe reclamou mais e disse para Bella. — Aliás, bem-vinda a família em que ninguém se entende, Isabella.
Minha namorada riu e falou:
— Obrigada, sogrinha!
***
Eu estava sozinho no meu camarim antes do show daquela noite, minha mãe e Rose estavam em um dos camarotes com Leah, tentando me manter calmo sobre subir ao palco. O estádio onde o show aconteceria estava cheio, ainda assim pessoas faltaram e todo mundo da equipe acreditava que o motivo era a ameaça de bomba em Berlim, Bella estava começando a surtar que aquilo prejudicasse a turnê como um todo, mas a segurança tinha sido reforçada e a minha parte sã estava certa de que nada aconteceria.
— Ed? — Olhei para a entrada do camarim onde Bella tinha aparecido. — Você quer realmente continuar com os shows? — perguntou preocupada, fechando a porta e andando até mim, segurando minhas mãos na suas.
— Eu quero — respondi, beijando suas mãos. — Eu não quero sair correndo de volta para casa por medo, não quero fugir.
Ela deu um pequeno sorriso e disse:
— Você é incrível, Cullen, eu não podia ter mais orgulho de ser sua namorada.
— Bom. — Afastei uma mecha de cabelo do seu rosto. — Em alguns meses eu terei um Grammys de Álbum do Ano e aí você vai se orgulhar muito mais de mim. — O sorriso dela aumentou. — Isso é, se seu pai não me roubar esse também.
Bella gargalhou.
— O álbum do meu pai só sai em janeiro, depois dos períodos de indicações aos Grammys, você tem uma chance!
— Excelente. — Beijei sua bochecha, queria beijar seus lábios, mas logo eu estaria no palco e não podia acabar com seu batom na minha boca.
— Amo você, pirralho.
— Também te amo, Capitã. — Beijei sua testa. — Mais do que você imagina.
— Eu tenho um presente para você — ela disse e colocou sua mão no bolso da calça jeans, super apertada, que usava, tirando de lá um cordão de prata, que o pingente era um violão, eu não pude deixar de sorrir vendo aquilo. — Combina com meu microfone — ela sussurrou e tocou no cordão em seu pescoço, que quase nunca tirava.
— Gosto muito disso! — afirmei, ela sorriu, se esticou em seus pés mesmo que estivesse de salto e colocou o cordão em mim.
— Você fará um excelente show, Edward.
***
Eu segurava o microfone com força, enquanto estava no elevador que me levaria para o palco. Fechei meus olhos e pensei em todos os bons momentos da turnê até ali, me concentrando neles, permitindo que minha cabeça ficasse sobre coisas boas por um tempo e quando o elevador chegou à superfície do palco eu estava sorrindo de verdade.
E logo eu estava cantando Hollywood para todos os fãs ali, feliz, confiante e comprometido em não deixar a tentativa de atentado em Berlim me colocar para baixo. Eu tinha uma carreira que amava, no seu melhor momento, nada iria a tirar de mim.
***
Mais tarde no show, quando sentei ao meu piano da turnê para tocar e canta Vulnerável, falei um pouco com os fãs.
— Vocês não fazem ideia de como estou feliz em estar aqui hoje, como podem imaginar os últimos dias desde Berlim foram muito turbulentos. Mas, estar aqui nesse estádio me divertindo com vocês é a prova de que ainda temos muito para viver, vocês, eu, todo mundo. Quero agradecer a todos que vieram aqui hoje, quero agradecer as pessoas que estão em suas casas ao redor do mundo, mas entrando na internet para ter notícias do show, quero agradecer a todos os fãs que sempre estiveram ao meu lado, mesmo nos momentos mais complicados da minha vida. E quero fazer um agradecimento para toda minha banda, minha equipe, meus amigos, minha empresária, minha família e minha namorada que me ajudaram a passar pelos últimos dias e me apoiaram a estar aqui hoje. — Toquei no cordão que Bella me deu, que estava por dentro da minha camiseta, queria que ela soubesse que a namorada era ela, não Leah. — Eu sou muito grato por cada pessoa me apoiando, desde a minha mãe a cada fã aqui hoje, eu sou muito feliz com todos vocês. E a música que tocarei agora fala sobre se sentir vulnerável, mas quero que saibam que desde que comecei essa turnê me sinto cada dia mais forte. E espero que se alguém aí estiver se sentindo vulnerável também encontre sua força dentro de si mesmo, garanto que todo mundo possui a sua.
***
No dia vinte e dois de julho eu tinha ganhado um dia de folga, isso porque estava com um pouco de dor no meu pé que tinha sido quebrado ano passado e Bella me liberou de um dia batendo perna com Leah por Dublin, a cidade que eu tinha tocado na noite anterior. Minha mãe e Rose tinham voltado para Los Angeles no dia anterior de manhã, quando eu voei de Glasgow para Dublin.
Bella e eu tínhamos acabado de almoçar, estávamos na minha suíte, quando entramos em Candy Crush e não conseguiamos mais sair. Tentávamos passar de uma fase no meu celular, enquanto no celular dela ouvíamos música.
— É impossível passar dessa fase de merda! — eu exclamei.
— Eu já passei na minha conta, calma — Bella pediu rindo, estava deitada sobre mim com suas costas no meu peito, enquanto eu estava deitado no chão. — Vamos conseguir, trabalho em equipe, pirralho. — Tirou o celular da minha mão.
— Time Swan?
— Você sabe que sim, sempre Time Swan!
Eu ri e beijei sua orelha, a fazendo resmungar.
— Não me distrai.
— Você tá fazendo tudo errado — falei olhando pro jogo.
— Fica quietinho — ordenou. — Eu sou a Capitã aqui, não?
— Aham, mas tá fazendo errado… Olha só! — exclamei quando ela perdeu aquela partida.
— Eu vou conseguir agora!
— Não era para jogarmos em time?
— Eu jogo melhor só.
— Exibida — resmunguei, passando minha mão por sua barriga por cima do vestido que ela usava aquela tarde.
Começou a tocar Sweet Caroline do Neil Diamond, o que me fez rir ao pensar quando cantei ela durante minha foda com Bella quando estávamos na casa de Kate para seu aniversário.
— Hands, touching hands, reaching out. Touching me, touching you. Oh, sweet Isabella* — cantei alterando a letra da música, o que fez minha namorada emitir um som e se mover sobre mim, ficando com seu peito contra o meu. Eu sorri para ela e continuei cantando. — Good times never seem so good. I’ve been inclined to believe it never would.*
Ela me calou com um beijo, largando meu celular perto de mim. Logo Isabella estava abrindo minha bermuda, puxando-a para baixo junto com a cueca, ao mesmo tempo que eu erguia seu vestido e empurrava sua calcinha, não demorou muito mais para estarmos fodendo, ela cavalgando sobre mim, enquanto eu apertava sua coxa com força com uma mão, enquanto a outra estava na sua cintura a ajudando com seus movimentos.
Minha namorada gozou primeiro, fechando os olhos e jogando a cabeça para trás, depois seu corpo veio de encontro ao meu, ela ainda estremecia pós orgasmo. Eu continuei metendo nela, procurando meu próprio orgasmo, que veio enquanto eu chupava seu pescoço, aquilo deixaria uma marca, mas Bella não me pediu para parar, além do mais, não seria a primeira vez, ela já estava com um no seio esquerdo do dia anterior, e eu sabia que ela seria capaz de o esconder com maquiagem.
— Porra, eu poderia ter você me fodendo o dia inteiro — ela sussurrou quando sai de dentro dela e ficou esfregando sua boceta no meu pau.
— Caralho, sim, eu ia amar isso. — Segurei no seu rosto e a puxei para um beijo, que ela interrompeu.
— Ei — ela começou timidamente. — Eu estava pensando em uma melodia para uma música.
—Sério? Porque estou pensando na letra de uma — contei. Não a que eu estava querendo escrever para ela desde Nashville, essa teria que esperar mais um tempo, pois eu queria a compor com mais calma e sem Bella por perto para acabar me flagrando a qualquer instante e ouvindo algo antes da música estar finalizada. — É sobre Berlim.
Ela assentiu e disse:
— Estamos sincronizados, viu? A melodia que tenho está na minha cabeça desde Berlim.
Sorri para ela e afaguei seu rosto.
— Quer juntar o que tenho com o que você tem?
— Sim, definitivamente sim!
Nós fomos para o banheiro nos limparmos, pegamos meu violão, um caderno e uma caneta no quarto e voltamos para a sala da suíte. Bella pausou a música do seu celular e sentou no chão com o violão em mãos, eu apoiei o caderno na mesinha de centro e a puxei para mais perto do sofá onde sentei, eu tinha tirado as lentes e colocado meus óculos também.
A hora seguinte Bella e eu usamos para trabalhar sem parar em cima da música, sua melodia de fato combinava com a letra em minha cabeça, até que começamos a dispersar quando ela pegou meu celular e tirou uma foto minha lendo o que eu já tinha escrito no caderno.
— É justo que eu tire uma foto sua agora! — exclamei, pegando meu celular da mão dela, saindo do sofá e indo para o chão. Foquei a câmera apenas em suas mãos que tinham voltado ao violão, ela logo estava tocando a melodia da nossa música, enquanto eu via a foto que tirei dela e a que ela tirou de mim, elas se completavam e eu me vi querendo postá-las para o mundo com uma legenda que diria:
“Minha garota, Isabella Swan, e eu compondo mais uma música.”
Mas eu não poderia postar aquilo, não ainda. Sendo assim, selecionei as fotos e escrevi uma legenda aceitável para a fase escondida do nosso namoro.
“Compondo com @IsabellaSwan”
— Posso? — Virei o celular para Isabella, que parou de tocar, querendo saber como ela se sentia sobre aquilo, ela passou um bom tempo olhando para a tela do celular avaliando a publicação, até que respondeu:
— É, ok, pode, não acho que tem nada demais nisso.
Eu sorri largamente, revisei a publicação e postei.
— Você terá quatro premiações para ir no mês que vem, será um mês cheio com a turnê e tantas premiações — Bella falou voltando a tocar.
As indicações, para tais premiações que eram menores do que o Grammys em quesito de prestígio, principalmente por duas delas terem votações abertas ao público, estavam saindo desde o dia vinte, eu estava concorrendo em várias categorias em todas elas, estava animado com todas, mas não queria ficar animado demais e perder nelas. Afinal, se eu perdesse nelas queria dizer que nem meu público era grande o suficiente nas premiações e nas que tinham votos técnicos perder por conta da crítica me deixaria mais nervoso para o Grammys.
— É, não quero pensar nisso, tô com medo de perder tudo — murmurei, Bella suspirou e falou:
— Na verdade eu toquei no assunto porque tô pensando em como vai ser uma merda não ser sua acompanhante em nenhuma delas.
Olhei para Bella, tirando meus olhos do celular e falei:
— Sabe que por mim você seria minha acompanhante em todas elas.
— Não podemos assumir ainda — sussurrou.
— Eu sei disso — falei calmamente, o que pareceu a pegar de surpresa. — Eu queria muito assumir logo, você sabe disso, mas também sei o que isso geraria e acho que você está certa em querer um pouco de paz até a notícia nos consumir.
Ela sorriu para mim e piscou.
— Time Swan ganha outra vez, Cullen.
Revirei meus olhos e comecei a ver os comentários deixados na publicação recém feita.
“É uma música sobre como Isabella é uma vagabunda?”
Uma fã de Paul, pelo o que a foto de perfil da garota indicava disse. Eu xinguei e continuei a ler os outros comentários.
“Já está fazendo seu álbum novo?”
“Ela não vai cantar, né? Odeio a voz dela.”
“Espero que não seja uma merdinha country.”
“Ed você fica muito gostoso de barba.”
— Eu fico gostoso de barba? — perguntei para Bella, passando a mão pela minha que estava relativamente grande já que não a fazia desde um pouco antes de Berlim.
— Você sabe bem que sim. Tem gente falando da sua barba, né?
— Tem.
— Ninguém merece o tanto de mulher que quer te foder — ela resmungou.
Eu ri daquilo.
— Não se preocupe, Capitã, você é a única que eu fodo.
— Aham, excelente — falou ainda enciumada.
Eu ri mais e continuei a ler os comentários, um deles era da minha irmã.
“Yay, animada para ouvir logo!”
Conhecendo minha irmã ela choraria com a música.
O comentário seguinte eu fiz questão que Bella ouvisse.
—Escuta esse, linda.
— Não quero ouvir ninguém dizendo sobre como quer que você a foda — reclamou.
— Não, não é comentário sobre isso. É uma das minhas fãs que tá falando bem de você.
— Sério? Isso sim é surpreendente. O que ela disse?
— Sério? Que legal! Eu amo Johnny Cash, Isabella fez um trabalho maravilhoso com ela, louca para ouvir a música de vocês dois — eu li o comentário da tal Phoebe Cullen. — Nem todas minhas fãs te odeiam.
— Uma em um milhão, Ed — falou.
É, a proporção era bem desequilibrada. Mas o próximo comentário foi justamente de Isaward Swullen.
— Isaward comentou.
Bella riu.
— Essa pessoa vai surtar quando anunciarmos o namoro, né?
— Provavelmente, escuta o que ela escreveu — falei. — Meus pais compondo juntos!!!
— Eca, pais — Bella disse com asco na voz.
— Que bom que combinamos nisso, Capitã — falei aliviado de ela não querer filhos assim como eu.
Continuei lendo os comentários, até que cheguei em um que dizia:
“Ed, pede pra Isabella lançar um álbum!”
Eu cliquei no perfil daquela garota, uma Sarah Cullen, para ver se ela tinha escrito mais sobre Bella. E ela tinha tirado um print da minha publicação e colocado na legenda da imagem:
“Isabella Swan compõem muito bem que vimos com Johnny Cash e é uma excelente cantora desde sempre, ela deveria lançar um álbum!!!”
Não resisti e compartilhei aquela publicação, escrevendo:
“Concordo!”
— Ei, já disse que te amo hoje? — perguntei para Bella, mostrando o celular para ela, que leu aquilo e ficou com uma expressão revoltada no rosto.
— Você vai começar uma campanha na internet agora?
— Se for preciso? Vou! — Pisquei para ela.
No meu celular Sarah já estava surtando por eu ter a notado.
“PORRA, ED CULLEN ME NOTOU!”
“ED EU TE AMO!”
“ED PEDE PRA BELLA LANÇAR UM ÁLBUM, POR FAVOR!”
“MANDA UM BEIJO PRA LEAH, AMO ELA, FOI UM DOCE COMIGO NO MEET & GREAT EM SEATTLE.”
“CARALHO ED CULLEN ME NOTOU!!!”
Os outros comentários, de outras pessoas, não eram tão bons. A maioria dizia que Bella não merecia fama, por conta do que tinha feito com Paul — a falsa admissão de culpa de Isabella sobre o Escândalo Swan — e ainda achavam que mesmo ela sendo uma boa empresária — não podiam deixar de reconhecer como minha carreira estava indo bem —, eu deveria trocar de produtora para não ser associado a uma filha da puta.
Aquilo me fez deixar o celular de lado e olhei para Bella, que estava tocando naquele momento uma das minhas música, Sozinho. E ela ali tocando me fez lembrar da Isabella dos tempos de Zoe em Malibu, onde minha namorada interpretava a alienígena que também tocava e cantava.
— Ei. — Ela tirou os olhos do violão para me olhar. — Você pode me bater se quiser, mas eu fiquei com vontade de assistir Zoe em Malibu.
Isabella arregalou os olhos.
— Você tá brincando?
— Não, você sabe que eu via com a Rose, faz parte da minha vida. — Me aproximei mais dela e beijei seus lábios rapidamente. — Você faz parte da minha vida há muito tempo, linda.
— Se eu nunca tivesse dado pra você esse seria o momento que a gente ia foder pra caralho pela primeira vez — falou em um suspiro alto e deu um pequeno sorriso. — E nosso voo para Amsterdã só sai às dez da noite, acho que podemos usar as próximas horas para assistir alguns episódios de Zoe em Malibu. Primeira temporada, antes de Paul aparecer.
— Com certeza! — concordei. — Vamos mesmo assistir?
— Você quer mesmo?
— Muito, mas só se você quiser.
— Eu topo, pode ser divertido. — Beijou minha bochecha. — Tem na internet para comprar.
— Você ainda recebe por vendas de dvds e online? — perguntei, enquanto nós dois deixávamos o chão e íamos sentar no sofá, com ela já pegando o controle da TV.
— Não — respondeu. — Me contrato não cobria isso, Renée fez um que ela fosse a maior beneficiada.
Filha da puta!
— E eu não ligava para contratos, meu pai nunca se importou em fiscalizar nada, já que era minha mãe resolvendo tudo. Além do mais, sempre tive tudo que queria, não faltava dinheiro pra nada. Ainda assim tenho até hoje grana daqueles tempos. — Deu de ombros.
— Deveria ter mais se Renée fosse honesta.
— É tanto faz, pronto para ver sua namorada lutando contra alienígenas?
— Claro que sim, isso sempre foi muito legal! — exclamei animado.
Bella riu, comprou a primeira temporada da série para assistirmos e se aconchegou a mim. Eu dividia minha atenção entre a TV e Bella, analisando ela corando de tempos em tempos, ou repetindo frases clássicas do seriado.
— Eu sou Zoe, eu sou forte! — nós dois falamos juntos com a personagem que estava usando uma armadura, Bella gemeu de vergonha e escondeu o rosto no meu peito, eu apenas ri.
Já estávamos no quarto episódio, em uma cena de Zoe cantando e tocando violão em uma cafeteria em Malibu, quando Bella se mexeu para pegar seu celular. Eu a vi achar uma foto daquela mesma cena no Google, então a vi postando aquilo nas suas redes sociais, com a legenda:
“Zoe em Malibu, 2003.”
— Você está com saudades? — perguntei, fazendo com que ela me olhasse, estava sorrindo.
— Um pouco — confessou, largando o celular de lado. — Mas eu quero mesmo voltar a trabalhar na nossa música, podemos só acabar esse episódio e voltar a ela?
— Você vai lançar um álbum?
— Não — respondeu com uma careta, o que me fez revirar os olhos.
— Ao menos vai tocar ela comigo em Berlim?
— Também não.
— Um dia você irá dizer sim, Isabella.
Ela sorriu mais, corou e olhou para baixo.
— É, um dia eu vou dizer sim.
— O que você está pensando? — perguntei confuso.
— Nada. — Ela me distraiu com um beijo, enquanto na TV Zoe cantava uma canção dos anos oitenta.
***
Isabella e eu terminamos de compor a música no dia vinte e quatro, poucas horas antes do meu show em Berlim — aquele que não seria interrompido por nada — no meu camarim mesmo enquanto eu fugia do ensaio de coreografia de Endorfina. Nossos planos para a música eram, eu a cantar em primeira mão no show daquela noite — que também era o último show daquela parte da turnê, no dia seguinte iríamos para Los Angeles —, a canção seria gravada ao vivo ali mesmo — Bella tinha organizado isso com Laurent — em formato de música e vídeo e ambos seriam exclusivamente vendidos, todo o dinheiro arrecadado com essas vendas seria destinado a ações sociais de Berlim, para idosos, crianças, pessoas com deficiências e animais, eu não ficaria com nada, mas essa era mesmo a intenção, ajudar a cidade de várias formas depois da tentativa de atentado que tinha deixado muita gente em pânico.
— Berlim — comecei a falar no microfone aquela noite, quando meus assistentes de palco prepararam um dos meus violões de turnê e um banquinho para eu sentar com o microfone em um suporte diante dele, uma vez que a música era só voz e violão, no meio do show. — Dias atrás nós estavamos aqui e passamos por um grande susto, não? E eu sei que assim como eu, muitos de vocês ficaram com muito medo. Bom, Berlim, nos últimos dias minha empresária, Isabella Swan, e eu trabalhamos em uma música sobre aquela noite, mas que também fala sobre o que devemos fazer agora. A canção se chama Berlim. — Todos gritaram. — E ela estará sendo gravada em formato de música e vídeo esta noite, será vendida e todo o dinheiro arrecadado irá para ONG’s daqui da cidade, para que muitas pessoas possam saber que estão recebendo além de ajuda, amor e respeito em forma de doações. Vamos mostrar ao mundo que somos valentes e que o medo não irá nos derrubar?
Mais e mais gritos, eu sorri, terminei de preparar meu violão e comecei a tocar, logo também cantando.
— Todos nós sentimos o medo. Naquela noite em que o enredo. Não seguiu como planejado. E nos sentimos desencorajados. Fracos. Assustados. Intimidados. Mas, deixe-me dizer algo. — Naquele instante papel picado branco caiu sobre o público e eu comecei o refrão. — Este não é o fim. Berlim. Este não é o fim. Berlim. Este não é o fim. Berlim. Este não é o fim. Berlim.
O público gritava alto, eu podia ver as pessoas que a câmera filmava e jogava no telão lateral se abraçando e chorando, julguei ser uma reação coletiva de todos no estádio.
— Nós vamos nos recuperar. Nós vamos superar. Nós vamos unir nossas mãos e cantar essa canção. Porque somos fortes. Corajosos. Valentes. E deixe-me dizer algo. — Voltei para o refrão. — Este não é o fim. Berlim. Este não é o fim. Berlim. Este não é o fim. Berlim. Este não é o fim. Berlim.
Eu pulei do banco, ficando de pé e parando de tocar, mas sendo imediatamente substituído por Jasper que penou para conseguir aprender a canção em pouco tempo, mas conseguiu. Tirei o microfone do suporte e andei até a beira do palco, depois desci e mesmo com seguranças por perto, cheguei perto dos fãs da grade e voltei a cantar.
— Nós estamos de pé. Nós estamos bem. E vamos espalhar o amor. E o respeito. Abrace aqueles que ama. Sorria para a pessoa que adora. Respire fundo. E sinta-se cheio de vida. — Abracei algumas meninas, antes de me apoiar na grade, ficando com o corpo elevado, enquanto um segurança me aparava por trás e cantei no microfone. — Porque. — Apontei o microfone para o público, que sabia que era hora do refrão novamente e cantamos juntos. — Este não é o fim. Berlim. Este não é o fim. Berlim. Este não é o fim. Berlim. Este não é o fim. Berlim.
Eu sentia as lágrimas no meu rosto ouvindo todos cantarem, então finalizei a música.
— Nós estamos bem. Nós somos valentes. Nós vamos seguir em frente. Porque não é o fim, ainda temos muito para viver.
***
Nós chegamos em Los Angeles quatro horas da manhã do dia vinte e cinco, por conta do fuso horário. Isabella foi direto para seu apartamento, enquanto eu fui para minha casa com Leah, infelizmente. Mas lá ela foi para o quarto que ocupava e eu para o meu, que já era mais dos cachorros e dos gatos do que realmente meu, e Bella só pegaria Amy no dia vinte e seis quando se mudasse para a casa nova no mesmo condomínio que eu morava, por mais que eu quisesse que ela ficasse comigo, não só Amy, mas Bella também.
Eu não vi minha namorada naquele dia, ela estava ocupada assinando a papelada da casa nova, preparando a mudança e ainda atarefada com trabalho. E eu passei a maior parte do dia dormindo, aproveitando o dia livre, já que no dia seguinte eu estaria ocupado com o lançamento da campanha para a K Motors, que começaria pela parte da manhã em uma pista de corrida, como Bella estaria ocupada com sua mudança eu ia para isso com Tanya.
Naquela noite do dia vinte e cinco eu ainda tive que receber na minha casa o pai e o irmão de Leah, para mais um jantar chato em família. Mas assim que eles foram embora e peguei meu celular e fiquei trocando mensagens com Bella, até eu voltar a dormir.
O evento no dia seguinte foi bom, muito divertido não só por eu estar pilotando motos com pilotos profissionais, mas por ficar provocando Tanya que tinha medo quando as motos passavam muito perto dela. Porém, a melhor parte do evento foi quando ele acabou, isso já no fim da tarde e eu voltei para minha casa, tinha combinado de ir passar o resto do dia com Bella na casa nova dela e mal podia esperar para ir logo para lá.
Passei na minha casa só para tomar banho, colocar roupas limpas em uma mochila, me surpreender que Amy estava ali ainda e pegar o bolo de chocolate que mamãe tinha preparado ao meu pedido e ir até a casa de Bella em um dos meus carros, mesmo que eu pudesse ir até a dela andando, de carro tornava tudo mais fácil. Ela liberou minha entrada ali e estava na porta da mansão me esperando.
— Bela casa, Capitã — elogiei olhando para a fachada.
— Eu sei, foi uma excelente escolha.
— Por que você não pegou a Amy? — perguntei, assim que entrei ela me beijou por um segundo.
— Eu já estava com saudades — disse. — E você venceu, decidi deixar a Amy na sua casa, mas antes que você comemore muito, ela só vai ficar direto lá até sua turnê acabar, seria muito chato para ela a trazer para cá por poucos dias e depois a mandar de volta quando voarmos para o Japão no dia trinta. Mas, quando a turnê acabar e as viagens também, ela vem pra casa comigo e ponto final. — Tirou o bolo da minha mão.
— É o que veremos, Capitã. Até lá você muda de ideia.
— Eu não vou! — afirmou. — Quer fazer um tuor pela casa? Minhas irmãs, Carmen e sua irmã me ajudaram com tudo, foi impressionantemente rápido, mas também não trouxe muita coisa do meu apartamento, que aliás eu decidi deixar fechado por um tempo até decidir se vendo mesmo ou alugo, gosto demais dele — ela falou rápido. — Na verdade eu tô com fome, vamos pra cozinha atacar esse bolo e depois eu te mostro tudo.
***
Depois que comemos, falando sobre nossos dias, Bella me mostrou cada canto da casa, que era praticamente do tamanho da minha, só um pouco menor no interior, mas tinha um exterior maior na parte da piscina. Quando o tour também acabou ela decidiu que deveríamos estrear a banheira, eu aceitei aquilo na hora, mesmo tendo praticamente acabado de tomar banho, com certeza não negaria estar numa banheira com Isabella.
Estavamos lá, com ela deitada contra meu peito, cercados por espuma, com a luz baixa e ouvindo música. Uma playlist country dela, que eu já tinha em meu próprio celular porque Bella me obrigou a isso, sendo assim reconheci facilmente quando Butterflies da Kacey Musgraves começou a tocar. E, logo Bella estava cantando:
— Now you’re lifting me up, instead of holding me down. Stealing my heart instead of stealing my crown. Untangled all the strings round my wings that were tied.* — Ela se moveu na banheira, ficando de frente para mim e segurando meu rosto entre suas mãos molhadas, eu sorri, enquanto observava seu rosto calmo e ela cantando. — I didn’t know him and I didn’t know me. Cloud nine was always out of reach. Now I remember what it feels like to fly. You give me butterflies.*
Eu não resisti e comecei a beijá-la no rosto, pescoço e colo, o que fez Bella rir e dizer que me amava entre sua risada doce, que eu queria que fosse meu próximo toque de celular.
***
Na manhã seguinte Bella e eu saímos para uma reunião na gravadora, onde eu e ela, assim como Laurent e o pessoal da gravadora falariamos sobre o clipe de Hollywood que já estava em produção. Nós deixamos o condomínio em um carro dela, era excelente poder ter passado a noite com ela e sair da sua casa sem grandes preocupações, mas ainda estavamos tomando cuidados e certamente tínhamos seguranças nos seguindo.
Antes de irmos para a gravadora paramos em uma cafeteria ali perto, já que a única comida na casa de Bella era o bolo da minha mãe e meu personal me mataria se eu comesse aquilo de manhã. Fomos rápidos lá dentro, Bella não queria nada e eu escolhi só um suco em garrafa e uns pães, comeria na gravadora mesmo.
No entanto, na saída da cafeteria, paparazzis estavam por ali. Isabella e eu os ignoramos, andando até o carro dela, mas a presença deles me incomodava pra caralho e dei tudo de mim para não mandá-los enfiar suas câmeras na bunda.
Na gravadora, Bella e eu fomos para a sala de reuniões, Laurent estava atrasado, o que me deu tempo para comer em paz e checar as redes sociais. As fotos que os paparazzis tinham acabado de tirar já estavam circulando e vi publicações do tipo sobre elas.
“Isabella Swan com esse boné na cabeça parece um macho.”
Bella estava usando um boné do pai naquela manhã, segundo ela um dos poucos de Charlie, já que ele usava basicamente só seu chapéu inseparável. Eu até tinha brincado com ela sobre o boné, dizendo que ela estava o usando igual ao irmão de Leah, mas isso não queria dizer que ela era um macho e aquele tipo de comentário era idiota, era só a porra de um boné.
Outra escreveu:
“Essa Isabella Swan é tão feia!”
E uma disse:
“Ed Cullen em Los Angeles hoje e essa barba de matar?”
Aceitável, mas alguém comentou na publicação dela dizendo:
“Odeio que uma foto que era para ser tão bonita só do Ed foi estragada por essa mulher.”
— Ei, Isaward ataca novamente — Bella sentada ao meu lado sussurrou, me mostrando a tela do seu celular, onde vi a publicação da nossa fã número um.
“Isabella e Ed saindo para tomar café da manhã juntos? Meu dia de sorte!”
— Essa pessoa com certeza vai surtar quando descobrir sobre você e eu — sussurrei de volta.
***
Depois da reunião na gravadora voltamos para o condomínio, daquela vez para minha casa. Mamãe estava na ONG, mas Rosalie tinha me dito que passaria o dia em casa, ainda que quando chegamos lá ela não estava em lugar algum do primeiro andar, só vimos seu notebook ainda aberto sobre o balcão da cozinha.
Isabella e eu acabamos no chão, atacados por meus cachorros, meu gato e a gata dela. Até que minha namorada pediu trégua para os animais e se levantou para pegar algo para comer, eu ainda estava no chão quando ela exclamou de forma urgente:
— Edward, você precisa ver isso no computador da sua irmã!
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