Hollywood

60 Capítulo Cinquenta e Nove


Notas iniciais
Olá! Capítulo dedicado a karol Alves e Tami que recomendaram a história. Muito obrigada por isso, meninas! —-- Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo NOVO no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —-- Música especial do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=MmyDosjjP5U Música especial do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=uKqMNQkjHmI Música especial do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=VbD_kBJc_gI —-- Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure ajuda especializada sempre. —-- Boa leitura!

Capítulo Cinquenta e Nove

Edward Cullen

“Ed Cullen é o grande favorito no TMV Music & Video Awards”

Eu já tinha ganhado vários prêmios durante a minha carreira, mas a cada premiação me sentia nervoso como se fosse a primeira. Elas eram um daqueles momentos definitivos, uma forma de medir se o que eu estava fazendo realmente valia a pena.

***

Levantei do chão, indo para perto de Bella que estava parada junto ao balcão olhando para o notebook da minha irmã.

— O que foi? — perguntei.

— Olhe isso! — Isabella gesticulou para o computador.

Olhei para a tela, rapidamente vendo que estava aberto em uma página de editor de texto e li o que estava escrito ali.

“Eleanor segurou o pau do homem…”

— Puta merda, o que é isso? — gritei tirando meus olhos do texto pornográfico no computador da minha irmã, Isabella gargalhou e disse:

— Acho que a doce Rosalie Cullen escreve contos eróticos!

— Não, ela não escreve! — exclamei chocado, minha irmã não escreveria esse tipo de coisas. Aliás, ela escrevia qualquer coisa? Ela nunca tinha me dito sobre escrever nada, especialmente contos eróticos.

— Eu gostei, é bem quente — Bella disse se apoiando no balcão, para ler mais o que tinha no notebook de Rosalie. — Boa pornografia, viu? E ela leva jeito para escrever, você veio de uma família de artistas, pirralho. Rose, sua mãe, o seu pai a gente ignora.

Bufei com aquilo.

— Não acredito que a minha irmã tá escrevendo putaria.

Ouvimos passos, então Rosalie entrou na cozinha, distraída mexendo em seu celular, até que ergueu o olhar e viu a gente ali. Ela primeiro sorriu, mas depois ficou apreensiva quando nos viu perto do seu notebook.

— Você escreve contos eróticos! — Isabella exclamou antes que Rosalie ou eu pudéssemos dizer algo, aquilo fez minha irmã ficar muito vermelha.

— Vo-Vocês…

— Nós achamos um máximo, bem quente — Bella falou ainda com um sorriso travesso no rosto. — Não é, Edward?

— Eu li uma linha, prefiro não dar minha opinião — murmurei.

— Vocês não deveria ter lido nada disso! — Rosalie exclamou, mexendo-se até o balcão e tirando o notebook de cima dele.

— Ah, eu estava bem na parte do boquete — Bella se queixou.

— É falta de educação mexer nas coisas dos outros, Swan! — Rosalie gritou com ela.

— Eu não mexi — minha namorada se defendeu. — Já estava aberto nessa página, eu só fiz ler.

— Isso ainda é falta de educação. — Rosalie se agarrou ao seu notebook.

— Você realmente escreve contos eróticos? — a indaguei, Rose revirou seus olhos.

— Eu não escrevo contos eróticos, Edward!

— Não é o que parece, cunhada — Bella disse andando até a geladeira. — Não quando Eleanor estava prestes a chupar o pau do George.

— Isabella! — Rosalie e eu gritamos juntos, mas Bella somente riu e começou a mexer dentro da geladeira para pegar sua comida. — Eu não escrevo contos eróticos — Rose continuou. — Escrevo histórias de romance e elas tem cenas de sexo, isso é tudo.

— Você nunca me disse que escrevia nada — falei, Bella já estava fazendo um sanduíche para si.

— É, eu meio que tenho vergonha de tudo isso — minha irmã sussurrou. — Quando eu era adolescente, antes mesmo de você ficar famoso eu escrevia umas histórias bobas, mas não queria que o papai ficasse sabendo porque ele poderia achar uma falta do que fazer e bom, porque tinham coisas que ele não iria aprovar.

— Já escrevia cenas de sexo quando era adolescente? — Bella perguntou de boca cheia. — Precoce.

— Isabella, calada! — Rosalie exigiu. — E não, eu não escrevia cenas de sexo quando era adolescente, mas escrevia uma personagem que não gostava de ir à igreja e meu pai odiaria isso. Eu também nunca contei para a mamãe porque eu não sabia se ela ia gostar, quero dizer, ela já tinha muito trabalho em casa e em ajudar Edward com a música, poderia não querer perder tempo comigo.

— E por que nunca me contou? — questionei baixinho, pensando em sua fala sobre nossa mãe, em como aquilo parecia ela se sentindo deixada de lado.

— Você não é bom com segredos, poderia deixar isso escapar.

— Eu sou ótimo com segredos! — proclamei e apontei para Isabella. — Ou eu não estaria escondendo esse namoro tão bem.

— É, o Ed é realmente bom com segredos, mas não muito — Bella disse, eu a encarei. — Você me contou sobre Amber estar grávida bem antes dela e Alec anunciarem, pirralho.

— Tanto faz.

— Que seja, é isso que precisam saber, eu escrevia quando era adolescente, mais ou menos até entrar na faculdade, parei e voltei a escrever ano passado quando fui para a Inglaterra — Rosalie contou.

— Qual o nome da história que lemos? — Bella perguntou.

— Se chama Vermelho Vivo — Rose contou, mais vermelha do que antes. — É um conto sobre uma garota de programa — sussurrou.

— Eu preciso terminar de ler, estou curiosa — Bella falou dando mais uma mordida em seu sanduíche.

— Não, ninguém vai ler mais nada — Rosalie afirmou. — Eu escrevo só pra mim, além do mais nem terminei esse conto.

— Termine e me deixe ler — Bella pediu. — Sou sua cunhada, a musa da sua infância, eu mereço ler o que você escreveu.

— Não, nem pensar — Rosalie declarou, apertando mais o notebook contra si.

— Você poderia publicar — Bella afirmou. — Já pensou em lançar um livro? Pode ser uma coletânea de contos, não eróticos, mas com um pouquinho de putaria. — Piscou para minha irmã.

— Não pretendo publicar nada — Rosalie disse séria.

— Vamos, Rose, me deixe ler! — Isabella implorou.

— Não, não adianta insistir.

— Edward, pede pra Rosalie me deixar terminar de ler — Bella pediu para mim.

— Ele não vai fazer isso! — minha irmã declarou.

— Na verdade agora tô curioso pra ler o que você escreve — confessei, Rosalie resmungou. — Mas eu preferiria ler algo sem as cenas de sexo, porque ler algo de sexo escrito pela minha irmã é constrangedor.

Rosalie riu.

— Ok, sei que tenho vergonha sobre isso, mas te escuto cantar sobre sexo, isso seria uma forma de revidar.

— Excelente, deixa o Edward e eu lermos então — Bella tornou a pedir.

— Não, nem pensar.

— Vamos, seja boazinha comigo, sua cunhada favorita!

— Você é a única cunhada que eu tenho.

— Bom, tem a Leah — Bella disse com uma careta no rosto. — Pensa que você tem a mim agora, a irmã que você nunca teve e pode compartilhar comigo a história de Eleanor e George, vai me deixar ler, né?

— Ela é muito irritante, como você aguenta? — Rosalie perguntou para mim.

— Pois é, não sei, me apaixonei e agora amo ela, tô fodido e vou passar o resto da vida com essa mulher me enlouquecendo — falei sorridente.

— E você tem sorte por isso, Cullen — Bella resmungou com a boca cheia.

— Que fofos, tchau — Rosalie falou.

— Não, não — Bella falou. — Vai, deixa a gente ler mais, Rosie.

Minha irmã suspirou e proclamou:

— Ok, eu estou escrevendo paralelamente a Vermelho Vivo o que é pra ser uma comédia romântica, sem sexo explícito — disse aquilo e olhou para mim. — Eu posso deixar vocês dois a lerem quando eu acabar, se eu acabar.

— Mas quero ler a história da garota de programa também — Bella choramingou.

— Tá bom, Bella, quando eu acabar Vermelho Vivo também eu te deixo ler, satisfeita?

— Muito. — Minha namorada sorriu vitoriosamente.

— Mas você não lerá Vermelho Vivo! — Rosalie exclamou para mim.

— Por mim tudo bem, não quero ler a descrição de um boquete pela minha irmã. Você não vai achar isso estranho? — perguntei para Bella, que riu.

— Sou a irmã da Alice, não vou mesmo achar isso estranho. — Ela já terminava de comer seu sanduíche.

— Vocês não podem contar isso para mais ninguém — Rosalie falou. — Principalmente pra minha mãe, serão as únicas pessoas lendo, se mais alguém ler eu vou matar vocês dois.

— Edward tem um seguro de vida muito alto, que você está como um dos beneficiários, você não vai querer o matar, será uma grande suspeita — Bella disse.

— Você sabe sobre meu seguro de vida? — perguntei surpreso, aquilo era algo que eu resolvia com meu advogado, a última vez que fizemos ajustes nele tinha sido pouco depois da Bella viajar com Kate.

— Claro que eu sei, Edward — Bella falou como se fosse o óbvio. — Sei tudo sobre a sua vida. — Piscou pra mim.

Eu não me importava com ela sabendo sobre aquilo, na verdade, eu incluiria Bella no meu seguro de vida no futuro.

— Que seja, prometam não contar nada para ninguém — Rosalie exigiu.

— Nós prometemos — Isabella e eu falamos juntos. — E agora eu preciso ir — Bella anunciou.

— O quê? Por quê? — indaguei com Woody pulando na minha perna, a usando como apoio enquanto ele tentava fugir de Shrek. — Porra, Woody! — gritei e os dois saíram correndo pelo corredor, Madonna estava brincando com Amy do lado de fora da mansão.

— Preciso ir resolver algo na casa do meu pai — Bella explicou. — Na verdade, eu devo dormir por lá mesmo, será algo longo, então a gente só se vê amanhã, ok?

— Tá, ok — murmurei, afinal não podia a manter presa ao meu lado todo o tempo.

— Tchau, te amo. — Ela se aproximou de mim e me beijou rapidamente. — Tchau, escritora! — gritou pra Rosalie, minha irmã bufou.

Eu fui deixar Bella no carro dela, então assim que ela estava fora da mansão voltei para a cozinha, onde minha irmã ainda estava, sentada a mesa de jantar.

— Você não vai mesmo contar isso para a mamãe, né? — ela perguntou preocupada.

— Eu não vou, pode ficar tranquila.

Andei até perto dela e sentei ao seu lado.

— Você sente que a mamãe te deixou de lado por minha culpa? — perguntei em um tom de voz baixo, Rosalie que até aquele momento me olhava desviou seu olhar para seu notebook que estava fechado sobre a mesa.

— Edward…

— Responde sinceramente — pedi. — Prometo que não vou ficar com raiva, ou sei lá, chorar, nem qualquer reação exagerada.

Ela deu um pequeno sorriso e voltou a olhar para mim.

— É, eu acho — confessou. — Antes de você ser famoso ela te protegia muito, porque você desde sempre vivia em conflito com o papai, além disso você e ela tem a música em comum e isso os aproximava mais, eu ficava mais perto do papai. E depois que você ficou famoso ela estava mais focada ainda em cuidar de você, então sim, eu me sentia deixada de lado, um pouquinho. Mas sei que ela ama nós dois igualmente e depois de tudo aquilo com papai sei que a mamãe é uma das maiores vítimas de toda a confusão familiar que vivemos.

— Ela é maravilhosa — sussurrei, Rose assentiu e afagou meu braço. — Me desculpa ter feito a mamãe focar muito da atenção dela em mim.

— Tudo bem, de verdade, eu estou bem melhor quanto a isso agora.

— Ela já te contou sobre toda a história dela?

Rose abriu um grande sorriso.

— Contou quando você saiu para a turnê em maio, incluindo a história sobre o Elvis, eu fiquei chocada com isso. — Eu tive de rir. — Sabe, às vezes me pergunto se não seria melhor para ela não ter ficado com o papai.

— É, talvez, nunca vamos saber. — Dei de ombros. — Além do mais, se ela não tivesse ficado com ele você e eu não estaríamos aqui.

— E o que seria do mundo sem Ed Cullen? — Rosalie provocou apertando minha bochecha.

— Pois é, o mundo seria uma merda sem Ed Cullen. — Nós dois rimos juntos. — Rosalie, eu te disse que iria comprar a casa de Bath do papai, mas eu não estou falando com ele desde que brigamos em Liverpool e eu sinceramente não quero ter qualquer contato com ele, então você pode fazer a compra, eu repasso o dinheiro para sua conta.

— Não, esqueça isso — ela pediu. — Não preciso daquela casa e também ainda estou chateada demais com Carlisle para manter conversa qualquer com ele. Não só pela história da Emma, mas como ele agiu com você e Bella em Liverpool por conta do namoro de vocês dois.

— Não foi só por isso que ele e eu brigamos em Liverpool — confessei, Rosalie me olhou confusa.

— Não? Por que mais brigaram?

Inspirei fundo, desviando o olhar para a mesa, eu estava pronto para contar a ela sobre eu ser bissexual? Como ela reagiria a isso?

— Ei. — Rosalie cutucou meu ombro. — Não se esquece que sou sua irmã, sua irmã gêmea, Edward, você pode conversar comigo, ok?

Assenti, engolindo em seco. Ainda olhando para a mesa eu disse:

— Eu sou bissexual. — Rosalie não disse nada, eu continuei encarando a mesa sem coragem de olhar minha irmã e seu possível olhar de julgamento. — Aceitei isso quando estava no comecinho da turnê, depois que eu fiquei com o Jasper. E quando fui para o Havaí fiquei com outro cara, enfim, é isso. Eu contei para o papai em Liverpool e ele não reagiu nada bem, nem um pouco bem.

Rosalie continuava calada, mas me pegou de surpresa quando me abraçou, mesmo de lado. Eu comecei a chorar, ela me abraçou com mais força e beijou a minha bochecha.

— Eu sempre soube — murmurou, fazendo com que a olhasse contra minhas lágrimas.

— Como? — Ela também tinha lágrimas em seu rosto, me soltou e disse:

— Sempre soube, ou melhor, sempre desconfiei. Você algumas vezes ficava secando alguns caras na TV, exatamente como eu fazia. E bom, ao longo do tempo foi encarando os caras pessoalmente, mas não sei se outra pessoa além de mim já percebeu isso. E teve uma vez, estávamos em Londres, você bebeu muito e estava falando todos seus segredos, me contou que odiava a sua namorada da época, que não estava satisfeito com o álbum que tinha lançado e que queria muito ter beijado o Jasper aquela noite na festa que foram juntos.

— Puta merda — sussurrei.

— Pois é. — Rosalie afagou meu rosto. — Eu nunca toquei no assunto com você porque sabia que você ia negar e que isso poderia te deixar mal, além do mais, sempre vi como você ficava irritado quando te chamavam de viado e coisas assim.

— É, sempre foi uma merda. Você não me acha um monstro por isso, né? Você também é toda religiosa.

— Edward, a religião para mim está aqui. — Ela colocou a mão na altura da borda da mesa. — Você está aqui. — Ela se levantou da cadeira e colocou a mão acima da cabeça, eu tive de sorrir para minha irmã. — Não me importo nada com que a religião pense sobre isso, você é meu irmão e não tem nada de errado com você, isso é tudo. Você pode estar com uma menina ou um menino, eu não me importo. Quer dizer, se você voltasse com a Lauren eu seria obrigada a parar de falar com você — ameaçou, eu gargalhei com aquilo, aquela altura já tinha parado de chorar.

— Não se preocupe, sem chances de eu voltar com Lauren, estou muito bem com a Bella.

— Eu sei. — Rosalie passou a mão por meus cabelos. — E estou muito feliz por vocês, mesmo que sejam dois intrometidos que leram minha história.

— Vai mesmo nos deixar ler algo depois?

— Vou sim — confirmou. — Mesmo que esteja morrendo de vergonha de vocês lerem o que escrevo.

— Ninguém nunca leu nada seu? — questionei, ela suspirou e respondeu:

— Emmett leu algo — confessou.

— Emmett meu segurança? Esse Emmett? — questionei, ela concordou com um aceno de cabeça.

— O próprio, quando fomos para a Disney, ele, Jasper e eu acabei contando que eu escrevia. Jasper estava em um brinquedo que não quis ir, Emmett não foi para eu não ficar sozinha e eu acabei falando como a Disney me enchia de ideias, aí ele perguntou do que eu estava falando e acabei contando sobre escrever. Então, uma semana depois enviei algumas coisas para ele ler.

— Sério que o segurança leu algo antes de mim seu próprio irmão?

Ela bufou.

— Emmett é um cara legal, pare de ficar chamando ele de segurança como se isso fosse algo horrível.

— É, sei que ele é legal, eu até desabafei com ele no Havaí. Enfim, só tô chateado de não ter ficado sabendo disso antes.

— Que seja, agora você e sua namorada irritante sabem.

— Irritante? Você é a maior fã dela. — Rosalie riu. — Na verdade em qual momento você passou de detestá-la a amá-la novamente? Porque quando você voltou da Inglaterra ainda não estava amiguinha da Bella.

— Acho que foi quando o Stefan morreu — Rose sussurrou. — Ela e você não estavam se falando e Isabella me colocou no cargo de informante, foi quando percebi que ela se importava mesmo com você e depois disso me liguei que ela também estava apaixonada e vi como você ficava bem ao lado dela.

— Ah, eu vi as mensagens de vocês duas naquela época — contei, Rosalie arregalou seus olhos.

— Você viu? Mexeu no meu celular? — gritou.

— Mais ou menos — murmurei dando um sorriso culpado. — Me fala mais sobre a história que você vai me deixar ler.

— Agora estou com raiva de você, não vou contar nada — esbravejou, bem no momento que o interfone tocou e ela foi atender. — Ok — falou com a pessoa e se virou para mim quando devolveu o aparelho para a base. — É a Leah, a namorada falsa, ela tá entrando na mansão.

— Que saco, ela vai passar o dia aqui — resmunguei. — Vou me trancar na sala de música, tchau! — Segui para lá antes de ter de aturar Leah.

Na sala de música me joguei no sofá, peguei meu celular do bolso e comecei a jogar Candy Crush. Então, me toquei que estava ali sozinho, que Isabella tinha dito que não nos veríamos mais aquele dia, então ela não estaria ali a qualquer momento para me ouvir compor a nova música que eu queria fazer inspirada nela.

Me livrei do meu celular e fui pegar meu violão.

***

No dia seguinte eu acordei com Bella na cama comigo me enchendo de beijos, enquanto Woody saltitava por meu quarto. Eu ignorei meu gato incontrolável e apertei minha namorada contra mim, enquanto ela seguia deixando beijos por meu rosto.

— Diz que a gente vai passar o dia juntos hoje — eu pedi, queria mostrar para ela a música que escrevi no dia anterior.

— Nós vamos — ela disse e sorriu para mim. — Mas, vamos sair logo logo.

— Vamos sair? Pra onde? — perguntei curioso, eu não tinha nenhum compromisso de trabalho para aquele dia.

— Segredo, pirralho. — Apertou meu nariz, eu resmunguei. — Vai tomar seu banho e se arrumar, certo? Sua mãe disse que tem bolo de chocolate na cozinha e eu tô louca por um pedaço.

— Não sei pra onde tô indo, como devo me arrumar?

— Bermuda, camiseta e talvez um short para banho — falou.

— Tá ok — concordei, ainda sem ter ideia para onde estávamos indo. Beijei os lábios dela rapidamente, o que fez com que Bella sorrisse para mim.

Nós enrolamos na cama por mais um tempo, até que ela determinasse que estava na hora de eu ir mesmo tomar banho e me deixou sozinho. Assim que terminei de me arrumar segui para o primeiro andar da mansão, indo para a cozinha onde Bella estava, ela e minha irmã sentadas a mesa de jantar comendo bolo, enquanto mamãe estava próxima ao balcão com Leah que preparava um suco de laranja.

— Bom dia, filho! — mamãe saudou.

— Oi. — Beijei seu rosto.

— Quer um pouco de suco, Ed? — Leah me perguntou, eu quase não tinha a visto no dia anterior, só uma duas vezes rapidamente durante pausas da minha composição, ouvi Bella resmungar da mesa.

— Não — respondi segurando um sorriso para o ciúmes de Isabella. — Capitã, pode vir comigo? Quero te mostrar algo antes de saírmos.

— Okay — Bella concordou visivelmente curiosa, comeu mais um pedaço da sua fatia de bolo e me seguiu até a sala de música. — Vamos ver, composição nova? — perguntou sentando-se no sofá, enquanto eu pegava meu violão e ficava em pé mesmo com ele.

— Sim e adivinha só, inspirada em você, linda. — Pisquei para ela, que abriu um grande sorriso.

— Eu nunca vou me cansar de você se inspirando em mim para suas canções — falou.

— Ótimo, porque pensei no meu próximo álbum se chamar Isabella — briquei, mas quem sabe fosse uma verdade, o sorriso dela morreu, imediatamente ficando preocupada.

— Isso não venderia bem, pirralho.

— Esqueça isso, tenho uma música nova para mostrar, ela se chama Garota. — Apontei para meu violão.

— Sim, você tem, vá em frente! — exclamou.

Ajustei o violão e pude começar a tocar, a canção que tinha uma melodia tranquila, bem romântica.

Garota. Eu te tive em meus braços por tantas noites. Porém. Elas não são mais suficientes — comecei a cantar, Bella tinha um sorriso no rosto e seus olhos brilhavam. — Eu quero mais noites ao seu lado. Eu quero mais dias com você. Eu quero mais madrugadas ouvindo você gritar meu nome. Eu quero mais tardes vendo você andar nua pelo meu quarto.

Bella soltou uma risada baixa.

Garota. Olhe para mim. E me veja cantar. Sobre você. — Ainda tocando e cantando me aproximei mais de Bella, que repousou uma mão sobre minha coxa esquerda. — Garota. Eu já disse que você é linda? Garota. Eu já disse que te amo? — Cheguei ao refrão. — Garota. Eu já disse que você é linda? Garota. Eu já disse que te amo?

— Eu te amo — Bella falou, eu dei tudo de mim para não perder o ritmo da música.

Foda-se. O que dirão. Eu não ligo. Só quero poder amar você. Fique mais essa tarde. Me deixe passar a noite. Deite-se aqui comigo. Vamos fingir que o mundo lá fora não existe. — Voltei para o refrão. Garota. Eu já disse que você é linda? Garota. Eu já disse que te amo? Garota. Eu já disse que você é linda? Garota. Eu já disse que te amo?

— Edward, eu te amo muito — Bella falou esfregando sua mão contra minha coxa, apenas sorri para ela, seguindo com a música.

Seja minha garota pelas noites. Seja minha garota pelas manhãs. Seja minha garota pelas tardes. Seja minha garota por todos os dias. — Bella riu de algo, mas não perguntei o que era. — Garota. Eu já disse que você é linda? Garota. Eu já disse que te amo? Garota. Eu já disse que você é linda? Garota. Eu já disse que te amo?

Eu me inclinei e beijei Isabella, antes de voltar à posição anterior e acabar a canção.

Garota. Você é linda. Garota. Eu te amo.

Isabella se colocou de pé, eu afastei o violão e nós nos beijamos.

— Eu amo você — sussurrou afagando meu rosto. — Obrigada pela música, amor.

Num primeiro momento aquilo me surpreendeu, depois eu só pude sorrir e voltar a beijá-la.

— Eu te amo, muito, muito, muito, muito, muito — falei repetidamente após nosso beijo.

— Posso te pedir algo?

— O quê?

— Mantenha a música em segredo...

— Ninguém vai saber que é pra você, Isabella — resmunguei.

— Não, você entendeu errado, eu quero que as pessoas saibam que a música é pra mim. Por isso estou pedindo que você a mantenha em segredo até nós assumirmos nosso namoro, quero que a primeira vez que todo mundo a escute seja sabendo que você a fez pensando na sua namorada, a verdadeira, eu.

— Eu mal vejo a hora de gritar para o mundo que a música é para você. — Bati um dedo em seu nariz, ela sorriu e corou mais. — Minha garota. — Beijei sua testa. — Minha capitã. — Beijei a ponta do seu nariz. — Minha linda. — Beijei sua bochecha. — Minha Isabella. — Beijei o outro lado do seu rosto. — Meu amor. — Vi os olhos dela se encherem de lágrimas e eu beijei seus lábios, sentindo todo nosso amor.

***

Bella continuava sem contar para onde estávamos indo aquela manhã, então ela foi dirigindo seu carro enquanto eu ocupava o banco do carona, tinha dispensado meus seguranças dizendo que não precisaríamos deles, mas os mandou ficarem na mansão caso fosse necessário eles estarem em serviço. Eu estava de DJ do carro, controlando pelo celular de Isabella as músicas tocando, pulei quando uma do pai dela começou e coloquei Everywhere do Fleetwood Mac para tocar e logo Bella começou a cantar.

Can you hear me calling. Out your name? You know that I’m falling. And I don’t know what to say. I’ll speak a little louder. I’ll even shout. You know that I’m proud. And I can get the words out.* — Ela olhou para mim e cantou o refrão em seguida, também apontando um dedo em minha direção. — Oh I. I wanna be with you everywhere. Oh I. I wanna be with you everywhere.*

Eu sorri e mordi a ponta do seu dedo, fazendo com que ela soltasse um gritinho e gargalhasse.

— Não me provoque quando estou dirigindo, Betty — exigiu.

— Como se a gente já não tivesse feito pior em um carro em movimento — falei, pensando quando tivemos masturbação e ela falando com James ao mesmo tempo enquanto eu dirigia.

Bella balançou a cabeça em negação.

— Não acredito que fizemos aquilo.

— Como se estar falando com James naquele momento não tivesse te deixado excitada.

— Não tô falando disso, tô falando que alguém podia ter visto a gente, a situação em si foi fodidamente prazerosa mesmo.

— Vamos fazer de novo agora! — exclamei animado levando minhas mãos até a barra da minha bermuda.

— Se mantenha vestido, Cullen — ordenou. — Já estamos chegando.

— Já? — Olhei para fora, prestando atenção ao caminho e me dando conta por fim para onde estávamos indo. — Ah não, Bella — choraminguei.

— Vai ser legal — ela afirmou.

— Não vai, seu pai e eu nos detestamos, agora que eu te namoro ele deve tá me odiando mais do que nunca.

— Você pode fazer isso por mim, Edward — pediu com um biquinho nos lábios.

— Bela tentativa, mas não.

— Qual é? Só um dia na casa do meu pai, minhas irmãs e Nahuel vão estar lá, vai ser um dia em família.

— De quem foi essa ideia? Tem cara da Renesmee ou da Carmen.

— Surpreendentemente foi minha ideia — Bella confessou. — A sua turnê recomeça em alguns dias, eu queria um tempinho com a minha família e você, todos juntos, antes de viajarmos.

— Percebeu que tá incluindo a Carmen como parte da sua família?

— É o que ela é agora, não? — Bella deu de ombros. — Vai se comportar?

— Vou — murmurei sem ter como negar.

— Ótimo! — exclamou animada. — Sabe, o James era o genro favorito do meu pai, com ele fora o Nahuel é o favorito agora e o Randall tá em último lugar e nunca sairá de lá, sendo assim você pode ganhar o primeiro lugar.

— Você quer que eu dispute com seu cunhado pelo coração do seu pai?

— Sim!

Eu ri alto.

— Você é fodidamente uma garotinha do papai, Capitã. — Belisquei sua bochecha.

— Eu sou, não pode me julgar por querer que você seja o genro favorito. E aí, topa uma disputa?

— Não, pare de ser competitiva, mulher.

— Chato — ela falou. — Ah, Vance Joy, eu adoro Vance Joy! — ela exclamou aumentando o volume do som quando uma música do cantor começou a tocar. — Ele com certeza aceitaria disputar o lugar de genro favorito do meu pai se fosse meu namorado.

— Engraçadinha.

— Vamos, vai ser legal disputar contra o Nahuel. Ele não entende nada de música, então você tem essa vantagem.

— Já sei, que tal se a próxima música que eu fizer for para seu pai? — debochei, ela me xingou. — Não vai rolar, pode deixar o Nahuel no posto de genro favorito.

***

Carmen parecia tão feliz aquela manhã quanto no dia do seu casamento, por outro lado Charlie não estava nada contente. Ele sequer saiu do sofá onde estava tocando seu violão quando chegamos, nem mesmo pra falar com Bella só resmungou um oi e continuou tocando uma canção que eu não reconhecia, devia ser para seu novo álbum.

— Vocês já tomaram café da manhã? — Carmen perguntou para Bella e eu.

— Eu sim, Ed não — Bella respondeu indo beijar a cabeça do pai, que por um milagre não estava de chapéu. — Oi, papai, fale direito comigo e Edward.

— Não sou obrigado.

— Que falta de educação! — Carmen proclamou. — Você quer tomar café da manhã? — perguntou para mim. — Dispensamos as empregadas para você e Bella ficarem mais confortáveis e eu assumi a cozinha.

— É, tô com fome. Você vem, linda? — perguntei para Bella, que tinha se deitado em um banco estofado embaixo de uma janela lateral da casa, o que fazia com que os raios solares alcançassem sua pele.

— Não, pode ir, preciso falar com a Helena sobre o álbum do Cameron — disse balançando seu celular já em suas mãos.

— Beleza, tchau sogrão! — provoquei Charlie.

— Vá se foder, Cabeludo Britânico.

— Educação, Charlie! — Carmen exclamou para ele.

— Ele não tem, perdeu na roça — falei.

— Você também pode ser mais educado, Ed — Carmen ordenou para mim.

— Ele só tem cinco anos, Carmen, ainda está no processo de ser educado — Charlie falou, Bella gargalhou.

— Isabella! — chamei a atenção dela.

— O quê? Essa foi realmente engraçada, pirralho.

— Chega, vai pra cozinha, Edward. Charlie, pare de ser idiota — Carmen ordenou.

— Tenho que te chamar de sogra agora? — perguntei para ela enquanto saiamos da sala que estávamos.

— Não! — ela e Bella exclamaram juntas.

***

Assim que acabei de tomar o café da manhã na cozinha com Carmen, voltamos para a sala onde estavamos antes da mansão do Caipira Swan. A mexicana foi se sentar perto do seu marido, eu andei para perto de Bella que estava concentrada demais jogando Candy Crush e sequer se virou para me olhar.

Tirei meu celular do bolso e tirei uma foto dela naquele momento, o Sol batendo em seu rosto, seus olhos fixos no celular, a boca levemente entreaberta. Assim que tirei a foto a encaminhei para Isabella, quando ela a recebeu sorriu e ergueu o olhar para mim.

— Você é um excelente fotógrafo, Betty.

— Você é uma boa modelo — afirmei sentando perto dela, repousando minha mão sobre a pele da sua cintura que estava aparecendo uma vez que sua camiseta estava levemente levantada. — Vamos pro seu quarto foder?

Ela mordeu seu lábio e assentiu.

— Vamos nessa!

Bella e eu nos levantamos, estavamos indo em direção a escada quando Charlie gritou:

— Nem pensem em ir para o quarto, não quero esse tipo de coisa acontecendo na minha casa!

Carmen riu, Bella xingou.

— Porra! — Ela cruzou os braços na frente do corpo. — Pai, eu sou maior de idade, posso fazer o que quiser.

— Seu namorado tem dezessete, só estou protegendo a honra dele.

— Perdeu a graça — Bella declarou e voltamos para o banco onde estavamos antes

Ela sentou colocando suas pernas sobre as minhas e ficou mexendo no seu celular, eu estava prestando atenção na música — sem letra — que Charlie tocava em seu violão. Era boa, eu precisava confessar isso.

— Ei — Bella falou, fazendo com que eu a olhasse, seu celular estava voltado para mim. Vi que ela tinha postado a foto que eu tirei dela minutos antes, a legenda era um trecho da música que toquei para ela aquela manhã e um emoticon de uma nota musical.

“Eu quero mais noites ao seu lado. Eu quero mais dias com você.”

— Perdidamente apaixonada — sussurrei, ela corou e assentiu.

— Não estou negando isso, nunca mais vou negar o que sinto por você. — Se remexeu no banco e arranjou um jeito mesmo no espaço apertado de ficar com a cabeça sobre minha coxa, voltando ao seu jogo.

Sorri e passei a mão em seus cabelos, falando para Charlie:

— Caipira, eu realmente gostei dessa sua música. — Ele parou de tocar e olhou para mim, sério, Carmen estava chocada. Bella sussurrou para que só eu ouvisse:

— Rumo ao posto de genro favorito.

— Você gostou mesmo? — ele perguntou desconfiado.

— Gostei, mesmo sendo muito melancólica, já tem ideia sobre a letra? — indaguei, Charlie olhou para Carmen e ela respondeu:

— Eu estou trabalhando na letra.

No mesmo instante Bella se sentou no banco, olhando surpresa para seu pai e madrasta.

— Você está? — minha namorada questionou.

— Sim — Carmen respondeu nervosa.

— E quero que a música entre no álbum que estou gravando, no caso Carmen a gravaria comigo — Charlie completou, Bella estava petrificada ao meu lado, seus ombros tensionados. — Será uma canção sobre o bebê que perdemos, por isso da melancolia — falou para mim.

— Ah sim. — Olhei para Bella, que continuava encarando os dois. Toquei na mão dela, fazendo com que os ombros dela caíssem um pouco e senti parte da tensão abandonar o seu corpo.

— Se eu não estiver em Los Angeles quando a canção ficar pronta vocês podem enviá-la para mim? — ela perguntou, estava se esforçando para manter um bom relacionamento com Carmen.

— Você será a primeira a ouvir — Carmen garantiu, sorrindo aliviada.

— E você tem escrito algo novo desde a música de Berlim que fez com a Isabella, Cullen? — Charlie me questionou.

— Na verdade eu fiz uma música nova ontem — contei. — Mas a Bella me proibiu de tocar ela para outras pessoas até nos assumirmos publicamente.

— Excelente — Charlie resmungou.

— Eu que não vou cantar sobre você nua e gritando meu nome aqui nem fodendo, seu pai me mataria — murmurei para Bella.

***

Logo as irmãs de Bella e Nahuel chegaram, Renesmee disse que era um dia bonito demais de verão para ficarmos dentro da casa e todos foram para o lado de fora. Charlie foi o único a não entrar na piscina, ficando do lado de fora lendo jornal como o ancião que era.

Bella tinha colocado sua playlist para tocar no som da casa, sendo assim estávamos na parte da sua playlist tocando Vance Joy, já que tinha parado nele durante nosso caminho até ali. Eu tinha minha namorada sobre minhas costas, seus braços ao redor do meu pescoço e eu os segurava a mantendo contra mim enquanto deixávamos a água levemente nos balançar de um lado para o outro enquanto a movimentação de Nahuel nadando fazia ela se mover mais perto da gente.

Oh, Saturday Sun. I met someone. Out on the West Coast. I gotta get back, I can’t left this go. Oh, Saturday Sun. I met someone. Don’t care what it costs. No ray of sunlight’s ever lost. Ever lost* — Bella cantou o refrão de Saturday Sun do músico e beijou minha cabeça.

— Casalzinho? — Renesmee gritou pela gente do outro lado da piscina. — Vamos jogar vôlei na água? Tem uma rede lá dentro, vou pegar.

— Opa, uma competição! — Bella exclamou. — Nós topamos — respondeu por nós dois. — Mas queremos a Carmen no nosso time.

— Queremos? — perguntei.

— Sim! — Bella disse com urgência em sua voz. — A Alice é baixinha demais e não vai jogar direito por medo de quebrar a unha.

— Idiota — Alice proclamou. — Só por isso eu vou fazer meu time com a Ness e o Nahuel ganhar.

***

O time deles perdeu, eu era bastante alto, Carmen sabia jogar vôlei muito bem e Bella fazia pressão psicológica no time adversário. Charlie teve, inclusive, que intervir algumas vezes, pois Isabella estava tirando Alice e Ness do sério e as duas já queriam matar a irmã mais velha.

Quando o jogo acabou já estava até passando da hora do almoço, Alice foi correndo tomar um banho, enquanto Charlie ia ajudar Carmen a esquentar a comida que ela tinha feito desde cedo, Bella estava mexendo no som e eu fiquei para trás com Ness e Nahuel.

— Já pensei em mil formas de matar a Bella, a minha favorita é enforcando ela na rede de vôlei — Renesmee disse quando paramos perto de uma mesa ao redor da piscina, onde estavam jogadas nossas roupas e celulares.

— Vou ser obrigado a te impedir, você sabe, eu amo sua irmã — falei, Renesmee riu e assentiu.

— É, bom motivo para impedir um homicídio.

— Nessie? — Nahuel chamou por ela, ele estava mexendo em seu celular.

— Sim?

— Vou precisar sair, tenho que resolver algumas coisas com meu empresário.

— Você tá falando sério? — Renesmee perguntou chateada. — É o sábado em família e você já trabalhou até duas da manhã ontem.

— Sinto muito, preciso mesmo ir.

Ela resmungou, mas assentiu. Nahuel a beijou, recolheu suas coisas e disse para mim:

— Tchau, Cullen. Na próxima vez eu vou ganhar o jogo.

— Aham, vamos ver — falei, ele acenou e seguiu seu caminho.

— Nahuel foi embora? — Bella apareceu.

— Sim, resolver assuntos de trabalho — Renesmee respondeu.

— Pirralho, agora é sua chance de conquistar o lugar de genro favorito do papai! — Capitã exclamou, Renesmee gargalhou.

— Até parece que o Edward conseguiria isso, aceita que a não ser que a Alice largue o Randall e passe a namorar o Arnold Schwarzenegger ninguém vai tirar o meu namorado do posto de genro favorito do papai.

— Schwarzenegger? — questionei.

— Papai é um grande fã de O Exterminador do Futuro — Bella contou.

— E Um tira no jardim de infância — Renesmee acrescentou.

— Sério? Valeu pela informação, cunhada, isso será muito útil. — Segui para o interior da mansão já chamando pelo Caipira Swan. — Charlie, é verdade que você tem uma paixão secreta pelo Schwarzenegger?

***

Bella e eu voltamos para minha casa por volta de cinco da tarde, Leah tinha ido embora, mamãe foi para seu apartamento também e minha irmã estava trancada no seu quarto escrevendo — ela gritou isso quando bati à sua porta. Minha namorada e eu fomos para meu quarto, ela jogou um livro — Emma da Jane Austen — que tinha pego da casa do seu pai sobre minha cama e foi para o banheiro tomar um banho, tinha uma mochila com roupas suas no seu carro e eu a subi até ali para ela ter o que vestir na minha casa, mesmo que a casa dela estivesse a pouca distância da minha.

Prestei atenção no seu livro jogado sobre minha cama, aberto aleatoriamente em uma página qualquer, com um raio de Sol o atingindo. Aquilo me fez pensar imediatamente em Saturday Sun do Vance Joy, sendo assim tirei uma foto do livro de Bella e resolvi postar, a legenda um trecho daquela música que dizia:


“She left her books in my bed. And her song in my head.*”

Logo os comentários chegaram, eu não queria os ler, mas acabei vendo um ou outro, como um que dizia:

“Consigo sentir aqui em Dallas o amor que você sente pela Leah.”

— Amor? — Ouvi Bella me chamar, eu olhei para trás, vendo-a na porta do meu banheiro, enrolada em uma toalha. — Vem tomar banho comigo?

— Eu postei uma foto do seu livro.

Ela franziu o cenho.

— Okay, mas isso me diz que não posso ser vista com ele em público para ninguém me associar a sua foto.

Eu suspirei.

— Quando isso vai acabar, Bella?

— Pirralho, por favor, o dia foi perfeito, não vamos brigar agora.

— Ok — concordei. — Sexo no banheiro?

— Foi exatamente por isso que te chamei!

***

De noite Isabella e eu obrigamos minha irmã a participar de uma maratona de Brooklyn Nine-Nine com a gente, isso foi até a madrugada e Bella e eu já tínhamos apagado em algum momento. Rosalie nos acordou e nos mandou para o quarto, lá eu expulsei todos os gatos e cachorros que habitavam aquela casa, os mandando para um dos quartos vagos, eram bichos demais para meu quarto.

Bella e eu estávamos exaustos, então não teve qualquer sexo e logo fomos dormir. Eu estava quase pegando no sono, Bella já tinha voltado a dormir, quando meu celular vibrando na mesinha ao lado da cama me despertou, o peguei e vi que era minha irmã me mandando mensagens.

Rose: Eu ainda não acredito que você tá mesmo namorando Isabella Swan.

Rose: Tipo: ISABELLA SWAN.

Rose: A Zoe em Malibu!!!

Rose: Enfim, vocês são muito fofos juntos e eu tô feliz demais que você esteja feliz nesse relacionamento, Ed.

Rose: Espero que não se importe, mas tirei uma foto de vocês dois. Tô enviando e vou apagar do meu celular.

Rose: Boa noite, irmão!

A foto enviada por ela contava comigo e Bella dormindo no sofá da sala de TV há pouco tempo, era uma excelente foto e como Isabella e eu estávamos deixando de lado a ideia de apagarmos nossas fotos, aquela seria uma que eu certamente manteria comigo. Não respondi minha irmã, sabendo que as mensagens de Rose não necessitavam de uma resposta por serem mais ela tendo um ataque de fã.

Porém, antes de eu me livrar do meu celular percebi a data. Era vinte e nove de julho, um mês desde que Isabella e eu tínhamos começado a namorar em Nashville. Eu não tinha me atentado a data e ela? Porra, ela estaria esperando um presente? Ou teria deixado a data escapar da sua mente também?

Eu só sabia de algo, não deixaria a data passar em branco. Rapidamente pensei em algo para presenteá-la e isso foi fácil de ser decidido, mas precisava de ajuda para obter o presente e por isso mandei uma mensagem para Tanya.

Ed Cullen: Tirana, preciso da sua ajuda.

***

Na manhã de domingo Bella quis ir para sua casa, o que combinava perfeitamente com meus planos e foi o que fizemos. Ela ainda não tinha tocado no assunto do aniversário, o que me fazia pensar que tinha mesmo esquecido disso, ou estava raivosa por dentro por eu ter esquecido e eu seria punido por isso no futuro.

Nós estávamos tomando café da manhã, levado da minha casa até ali, quando o interfone tocou. Atendi antes que Bella pudesse fazer isso, era Tanya na portaria do condomínio esperando a liberação para entrar no lugar com o pessoal que estava levando o presente de Isabella.

Eu liberei a passagem dela e falei para Bella:

— Seja uma boa menina e vá esperar lá em cima no seu quarto, só sai quando eu for te buscar.

— O que você está tramando, Cullen? — questionou.

— Confia em mim, linda.

Ela resmungou, mas fez o que pedi. Logo Tanya chegava, com alguns segundos de dianteira do pessoal que estava transportando o presente, eu deixei ela cuidar de tudo e fiquei recluso na cozinha, sem querer que os entregadores me vissem na casa de Bella recebendo um presente, a imprensa ainda não tinha noticiado ela estar morando ali, mas eu não queria que ninguém espalhasse o assunto de eu estar ali recepcionando ninguém no futuro.

Quando tudo estava pronto Tanya me avisou, ela foi embora em seguida e eu fui chamar Isabella em seu quarto. Ele tinha as janelas voltadas para a parte de trás da casa, sendo assim Bella não teria como ter visto de lá o caminhão de entrega. Minha namorada estava sentada em sua cama visivelmente nervosa, mordia o seu dedo sem parar e pulou da cama quando me viu.

— Agora posso saber o que está acontecendo, Edward? — indagou.

— Pode sim, vem comigo. — Estendi uma mão para ela, Bella praticamente correu até mim, entrelaçando sua mão a minha.

Nós descemos até o primeiro andar de sua casa, seguindo até uma das salas que ainda estava vazia, já que Isabella não tinha tido tempo de mobiliar cada cômodo da sua nova mansão. Antes de entrarmos ali eu soltei a mão dela, me coloquei atrás de Bella e tapei seus olhos com minhas mãos.

— Para que tudo isso? — perguntou ainda nervosa.

— Calma, quero que a surpresa seja completa. Pode andar agora — falei, dando um chute na porta diante da gente, que estava só recostada, para que ela se abrisse.

— Você chutou a porta? — Bella indagou tensa, começando a andar o que me fez andar também.

— Chutei, não se preocupa que ela tá inteira.

Fiz com que ela andasse até estar parada diante do seu presente e comecei a falar:

— Capitã, há um mês em Nashville você aceitou ser minha namorada e eu acho que esse foi o melhor mês de toda a minha vida. Tenho um presente para você, espero que goste. — Tirei minhas mãos de seus olhos, permitindo que ela visse seu presente, um piano preto, que eu tinha escolhido e repassado a grana para Tanya cuidar da compra e entrega.

— Edward! — Bella exclamou, eu me movi até ficar ao lado do piano e de frente para ela, vendo seus olhos cheios de lágrimas e um sorriso doce em seu rosto. — Você está me dando um piano?

— Estou.

O rosto dela ficou molhado pelas lágrimas, ela andou até mim e me abraçou, encostando sua face em meu peito.

— Você é o melhor namorado do mundo, Pirralho — declarou.

— Eu sei, sou maravilhoso — me gabei, fazendo com que ela risse, mas Bella logo estava me puxando para um beijo. — Olha — voltei a falar quando paramos de nos beijar. — Agora com um piano na sua casa você pode compor mais canções e logo terá o suficiente para seu próprio álbum.

Bella estremeceu.

— Você deveria fazer isso, virar uma cantora, era seu sonho.

— Ok, eu não pretendo mesmo virar uma cantora a essa altura da minha vida. Agora, eu também tenho um presente para você de um mês de namoro.

— Você não esqueceu da data?

Ela me encarou indignada e desfez nosso abraço.

— Claro que não esqueci, Edward. E com certeza tenho um presente para você, para que não fique reclamando depois como foi no seu aniversário, fica aqui, eu vou buscar seu presente.

— Beleza, vai logo que tô curioso — falei e me apoiei em seu piano, ela tocou nele por um segundo, antes de sair praticamente saltitando da sala que estávamos.

Isabella ainda não tinha retornado quando escutei o instrumental de Let’s Dance do David Bowie começar a tocar pela casa, foi quando Bella apareceu na porta da sala, com um controle remoto do som em sua mão direita e sua mão esquerda escondida atrás do seu corpo. Eu ia perguntar como aquilo poderia ser meu presente, até que ela deu um sorrisinho e ouvi a letra da música começar a ser cantada.

Let’s dance. Put on your red shoes and dance the blues. Let’s dance. To the song they’re playin’ on the radio*. — Puta merda, era Isabella cantando. Isabella estava cantando minha música favorita, ela tinha gravado a si mesma a cantando.

— Você fez mesmo isso? — perguntei, não esperei uma resposta dela, não consegui. Andei até ela, segurei em seu rosto e a beijei, porra, eu a beijei com mais urgência do que nunca, eu estava simplesmente de joelhos por aquela mulher naquele instante, ela era perfeita para mim.

— Sim, eu fiz, mas fiz muito além disso — ela sussurrou quando libertei seus lábios, foi quando me mostrou o que estava escondendo atrás do seu corpo, era a capa de um cd. E aquilo quase me fez infartar, meu coração estava tão acelerado, a foto da capa era uma que eu tinha tirado em Nashville, dela cavalgando, quando fomos para lá para as gravações de Johnny Cash. Ali estava escrito o nome dela Isabella Swan e Primeiro Mês. — Olhe atrás.

Fiz aquilo imediatamente, vendo que ali tinha uma foto nossa na cama, também em Nashville quando já estávamos namorando. E além disso, estava escrito o nome de diversas músicas.

Let’s Dance — David Bowie

These Boots Are Made For Walking — Nancy Sinatra

Bad Things — Jace Everett

Fuck You — Lily Allen

I Want You Back — The Jackson 5

Endorfina — Ed Cullen

This Is The Day — The The

City Of Stars — Ryan Gosling, Emma Stone

Butterflies — Kacey Musgraves

Delicate — Taylor Swift

Call It What You Want — Taylor Swift

Ours — Taylor Swift

Certo — Isabella Swan

— Porra, porra, porra! — eu exclamei deslumbrado vendo aquilo, deduzindo o que queria dizer, enquanto pela mansão ainda soava a versão de Let’s Dance na voz de Bella. — Você gravou um cd para mim? Você regravou todas essas canções?

— Sim — ela disse corando. — Eu só tive o trabalho de pegar o instrumental de cada canção e gravar minha parte, depois juntar tudo, fiz isso na sexta na casa do meu pai, sabe que ele tem um estúdio lá. Ah, claro que eu fiz questão de tocar Endorfina por mim mesma em um violão e essa é a primeira gravação de Certo.

— Porra, Isabella! — exclamei novamente. — Esse é o melhor presente de todos, linda. — Beijei seus lábios rapidamente. — Eu nunca vou te dar um presente tão bom quanto esse! — Ela riu daquilo. — Cada música tem um significado, não?

— Sim, com certeza, Bad Things por exemplo foi uma canção que ouvi antes de calçar minhas botas ano passado e ir foder com você de novo. — Ela mordiscou seu lábio e apontou para Certo na listagem. — E essa não é sobre você, mas agora eu sei que encontrei meu cara certo e esse definitivamente é você, Edward Cullen.

— Ok, vamos foder! — proclamei animado, deixando a capa do cd sobre o piano dela.

— Vamos?

— Com certeza vamos!

Nós praticamente corremos para seu quarto, quando chegamos lá estávamos rindo, mas nossas risadas não demoraram muito, pois logo estávamos nos beijando. Então, começamos a tirar nossas roupas, com pausas para mais beijos.

Eu tirei a camiseta dela e beijei seu ombro, Isabella tirou minha camiseta e beijou meu peito. A livrei do seu short e me ajoelhando diante dela beijei sua coxa, subindo meus lábios por seu corpo, até tirar seu sutiã também e beijar seus seios, já podendo ouvir minha namorada gemendo baixinho.

Ela me fez ir para a cama, me colocou contra o colchão e ficou por cima de mim, tirou minha bermuda e minha cueca, eu já estava duro, depois se moveu sobre meu corpo até colocar seus lábios nos meus. Sem interromper nosso beijo eu inverti nossas posições na cama, ficando por cima de Bella, suas mãos foram para minhas costas, suas pernas ladearam minha cintura, eu me apoiei na cama com uma mão, enquanto a outra estava entre os cabelos de Isabella que exalavam cheiro de morangos.

— Edward, preciso de você me fodendo — Isabella afastou nossas bocas para dizer.

— Você quer, putinha? — Mordisquei seu queixo.

— Sim. — Remexeu seu corpo embaixo do meu em resposta, abaixando suas pernas.

Movi minha mão dos seus cabelos até o elástico da calcinha que ela usava, movendo a peça de roupa até onde consegui, Bella conseguiu sozinha se remexendo terminar de se livrar dela, quando isso aconteceu eu a penetrei em um movimento único. Suas mãos foram das minhas costas para meus cabelos e ela fechou seus olhos, mordendo seu lábio inferior, o rosto vermelho.

Porra, ela era fodidamente linda. E eu era um filho da puta sortudo pra caralho de namorar aquela mulher, não só pela beleza, mas por tudo, ela era maravilhosa.

— Eu te amo tanto, linda — sussurrei, beijando delicadamente seu rosto, enquanto me movia com calma dentro dela, voltando a segurar em seus cabelos. — Você é maravilhosa, Isabella.

Ela abriu seus olhos, que estavam marejados e não disse nada, apenas deixou um breve gemido escapar por seus lábios. O som da casa dela, que era possível de se ouvir ali do quarto, me permitia ouvir a gravação dela para uma das músicas do cd que fez para mim.

— E eu amo a sua voz, meu amor. — Ela assentiu e voltou a fechar seus olhos. — Eu amo cada pedacinho de você, até mesmo seus pés ossudos. — Bella riu, tirando uma mão dos meus cabelos para tocar meu rosto. — Obrigado pelo melhor primeiro mês. — Estoquei meu pau mais fundo dentro dela, Bella gemeu mais alto e puxou um pouco dos meus cabelos com a mão que ainda estava entre eles.

Eu a beijei, sentindo o gosto dos seus lábios, com calma. Enquanto fodiamos, enquanto ela e eu buscávamos por prazer, juntos.

Fiz com que ela gozasse primeiro, Bella ainda mantinha seus olhos fechados, gemendo meu nome, puxando meus cabelos de leve e apertando mais seu corpo contra o meu. Eu atingi meu orgasmo em seguida, atacando sua boca em um beijo quase desesperador, como se aquele pudesse ser nosso último beijo, mas sabia que não seria, ela e eu não iríamos nos separar nunca mais.

Me mantive sobre ela, Bella não reclamou e fiquei com meu corpo sobre o seu, meu rosto escondido entre a bagunça dos seus cabelos sobre o travesseiro. Eu estava concentrado em sentir o cheiro dela, sua respiração e ouvir sua voz cantando no som, quando fui pego de surpresa por Isabella começando a chorar.

— Capitã? — Ergui um pouco meu corpo, vendo-a chorar de forma intensa sob mim. — Ei, o que está acontecendo, Isabella? — Toquei no seu rosto, ela chorou mais, tremia um pouco. — Você está me assustando — sussurrei, mas procurei manter minha própria calma.

— Não é nada — murmurou.

— Claro que é algo! — Sai de cima dela, sentando ao seu lado. Bella cobriu seu rosto com as mãos, continuando a chorar. — Ok, vou te deixar chorar, quando você estiver pronta para conversar vou estar aqui para te ouvir. Quer que eu saia do quarto?

— Não — respondeu baixinho, então eu continuei ao seu lado, lutando contra mim mesmo para não ficar a forçando a dizer o que estava acontecendo.

Minutos depois o choro dela perdeu intensidade, eu tinha coberto seu corpo com um lençol para que ela ficasse mais confortável e vesti minha cueca. Estava ao lado dela na cama, mas sem tocá-la, ou dizer nada, até que não aguentei mais e perguntei:

— Você quer conversar agora?

— Eu não quero te perder — ela sussurrou, ainda com as mãos sobre seu rosto.

— Por que você acha que vai me perder, Isabella?

— Porque eu perco todo mundo. — Soluçou. — As pessoas sempre me tiram de suas vidas, ou eu faço alguma merda e perco elas por minha culpa. Hoje estamos completando um mês juntos e eu nem sei se chegaremos aos dois meses, porque algo pode acontecer, eu posso te magoar de algum jeito, ou você vai cansar de mim e me chutar.

— Eu não vou fazer isso, Isabella — afirmei. — Não mesmo, na sexta-feira eu estava pensando em te incluir no meu seguro de vida no futuro, então eu não estou mesmo cogitando a ideia de te deixar.

Com aquilo ela me encarou, em choque.

— E se você fizer algo — continuei. — O que tenho certeza de que não fará, mas se fizer, nós vamos acertar tudo e vamos ficar bem.

— Eu sou uma puta egoísta, eu vou machucar você — disse. — Em algum momento eu farei algo, eu já te magoo por não assumirmos, será questão de tempo até errar com você.

— Você está falando sobre traição? — perguntei engolindo em seco.

— Eu sou uma puta, isso pode acontecer. Eu te amo, mas eu posso te magoar assim, eu sempre decepciono todo mundo mesmo. — Ela sentou na cama, ainda tremia e voltou a chorar de forma mais intensa. — Ou você vai cansar de mim e me trair, me largar por alguma menina que vai conhecer e se apaixonar perdidamente. E eu te amo tanto, a última vez que amei alguém tanto eu só me fodi e eu estou com tanto medo de dar tudo errado com a gente, porque você se tornou a porra de um amigo pra mim e não quero te perder, não quero perder sua amizade, mas se você me trocar, se você me trair…

Bella parou de falar e voltou a cobrir seu rosto com a mão, toquei de leve em seu joelho e falei:

— Capitã, na madrugada antes do casamento da Carmen e do seu pai você me disse que iria jogar suas inseguranças sobre mim, que teria suas próprias crises. Esse é um momento desses, ok? Imagino como sua cabeça está agora, por isso não vou pedir que você seja racional e não vamos discutir esse assunto agora, mas preciso que você respire comigo, tá bom? — Toquei sobre seu peito, sentindo seu coração acelerado. — Vamos te tirar dessa crise para que você possa melhorar um pouquinho que seja. — Afaguei seu joelho sobre o lençol. — Inspire com a contagem que vou fazer — pedi. — Um, dois, três. — Ela fez aquilo, ainda com as mãos sobre o rosto. — Isso, agora expire em um, dois, três. — Bella tirou as mãos do rosto para aquela parte, mas seus olhos estavam fechados.

Nós continuamos com isso por um tempo, até que ela parou de chorar por completo, não tremia mais e aparentava estar mais calma.

— Me deixa sozinha — ela pediu, ainda de olhos fechados, soando envergonhada. — Preciso de um banho e uns minutos só, pode me esperar lá embaixo.

— Ok — concordei, sai da cama sem beijá-la como queria, mas imaginando que aquilo não era o que ela queria no momento.

Peguei minhas roupas, me vesti rapidamente e deixei seu quarto.

***

O cd gravado por Bella já tinha acabado há um bom tempo, então eu estava sentado ao seu piano o tocando. Sabia que ela sequer tinha tocado nele ainda, mas eu não conseguia resistir ao instrumento.

— Obrigada pelo piano, eu amei. — Olhei para a entrada da sala, onde Isabella estava.

— Como você está? — perguntei, parando de tocar.

— Melhor — respondeu, andando até o piano e sentando ao banco ao meu lado. Ela tinha colocado uma blusa listrada preta e branca, com mangas até seus cotovelos e usava uma saia preta, rodada, até o meio de suas coxas, seus cabelos estavam molhados, mas secando e ela tinha prendido parte deles. — Desculpe por tudo aquilo — falou olhando para as teclas do piano.

— Eu não vou trair você, nem te largar por outra pessoa, linda — garanti, ela suspirou. — E você não é uma puta, eu confio em você e sei que não vai me trair, certo? Se você já errou no passado foi com seu ex, não comigo, isso não quer dizer que vai cometer o mesmo erro. E deixando o tópico traição de lado, nós dois sabemos que somos dois fodidos da cabeça de mil formas diferentes. — Afaguei seu braço. — Mas eu estou em terapia para isso e seria ótimo que você também procurasse ajuda, Capitã.

— Eu vou procurar.

— Tá falando sério dessa vez?

— Tô sim. Você tá certo, preciso disso, tem feito bem a você, pode funcionar comigo se eu me esforçar dessa vez. — Ela olhou para mim. — Eu realmente não quero te colocar como uma droga na minha vida, não quero ser dependente de você como fui da cocaína e como ainda sou do álcool, mesmo que eu esteja há um tempo sem beber. Não quero que nosso relacionamento seja doentio, não quero agir e pensar sobre você como eu pensava sobre o Paul, não quero que se um dia a gente terminar eu fique obcecada por você e sequer consiga ser sua amiga, porque não vou conseguir olhar na sua cara sem me sentir mal. Então, eu vou procurar ajuda, por mim, e por nós dois, para que nós possamos ter mais aniversários de namoro e que seja tudo o mais tranquilo possível, sem eu caindo no choro após o sexo com medo de te perder, com medo que você me largue e nunca mais seja meu amigo.

— Ei. — Toquei no rosto dela. — Nós vamos continuar amigos, quando eu fui para o Havaí também só pensava em manter nossa amizade e sei que você demorou a confessar para manter nossa amizade. E eu prometo que nada que possa acontecer vai foder com nossa amizade, Capitã, não quando ela foi selada naquele dia com hambúrgueres — falei, vendo Bella dar um sorriso pequeno. — E se você e eu terminarmos, o que eu bem sei que é só uma suposição porque não vamos terminar, prometo que manteremos um ritual de amigos.

— Que tipo de ritual?

— Uma vez por semana vamos nos reunir na sua casa ou na minha, iremos discutir o que pedir para jantar e vamos fazer maratona de Brooklyn Nine-Nine.

— Isso é perfeito — ela falou sorrindo mais um pouco.

— Pois é, mas versão namorados que termina com sexo e você dormindo em meus braços é melhor, por isso garanto que não vamos acabar nunca.

— Eu também prefiro essa versão, pirralho. — Tocou no cordão que eu tinha dado a ela e voltou a olhar para seu piano. — Vamos pedir comida para o almoço?

— Vamos, sushi. — Ela olhou para mim e bufou.

— Não precisa só pra me agradar.

— Eu realmente tô com vontade — confessei.

— Certo, vou pegar meu celular na cozinha para fazer os pedidos.

—Beleza, pode pegar o meu?

— Claro — concordou, beijou meu rosto e saiu.

Quando Bella voltou passou meu celular para mim, enquanto ela fazia nossos pedidos eu checava meu Instagram. Alguém, provavelmente Tanya, tinha postado uma foto de Leah na minha conta, a garota estava sentada no que reconheci muito bem ser a áreas externa da minha casa, na legenda da foto estava escrito:

“Como eu amo o seu sorriso.”

Eu vi alguns comentários deixados por fãs.

“Ele é tão fofo.”

“Se casem, por favor.”

“Leah é perfeita.”

— Eca — resmunguei e guardei meu celular no bolso da bermuda.

— O que foi? — Bella perguntou, olhando para mim.

— Foto da Leah no meu Instagram. — Minha namorada suspirou alto e disse:

— Sinto muito por isso, ela é tão feia!

Eu gargalhei.

— Você é impossível, Isabella!

— Bom, eu sei que quero tirar uma foto com meu piano novo e postar, assim sua linha do tempo ficará mais bonita. Me ajuda a subir nele?

— Claro.

Eu a coloquei sentada sobre o piano, Bella se deitou nele de forma que ficou voltada para as teclas as olhando. Ela tinha me dado seu celular, então eu tirei sua foto, uma que eu usaria de papel de parede do meu próprio aparelho no instante que nos assumíssemos publicamente, melhor, eu mandaria emoldurar aquela foto e colocaria na minha casa.

— Aqui — repassei o celular para Bella quando ela voltou a se sentar no piano, ela mexeu nele por um tempo, até que o virou para mim, me deixando ver a foto em seu Instagram com a legenda:

“O melhor presente para a casa nova.”

— Muito melhor, você é linda. — Pisquei para ela.

— Sou, né? — Piscou de volta. — Agora que tal a gente se livrar desses celulares e irmos assistir Brooklyn Nine-Nine enquanto nossa comida não chega?

***

Enfiei um monte de pipoca na boca, enquanto Bella e eu assistíamos Titanic na minha casa com minha irmã e minha mãe. Era quinze de agosto, Isabella e eu tínhamos voltado de mais uma parte da turnê (que teve dois shows em Tóquio, dois em Hong Kong, dois em Sidney e dois em Adelaide), no dia anterior. Leah estava com a família dela, o que era um alívio porque assim eu não precisava aturá-la, porque seu pai estava doente.

Aqueles dias de turnê tinham sido normais, os shows foram ótimos, a viagem em si, tirando o fato de eu continuar no teatro com Leah. Bella tinha começado a se consultar com uma terapeuta pela internet, por vídeo, ainda estava no comecinho do seu tratamento e se recusava a ir à um psiquiatra tomar medicamentos, eu a entendia, mas também sabia que aquela parte do tratamento com remédios era necessária para ela, só que isso era algo que a própria precisaria aceitar.



— Esse filme não acaba nunca? — perguntei entediado e ansioso, em dois dias eu teria a primeira premiação para ir depois do lançamento de Escândalo, estava uma pilha por isso.

— Edward, fica quieto ou vou te colocar pra fora — mamãe ameaçou do sofá onde estava com a minha irmã.

— E me livrar desse filme chato? Por favor, faça isso — pedi.

— Fica quieto, Cullen! — Bella me deu uma cotovelada, o que doeu pra caralho.

— Ai, porra, Isabella — me queixei. — Isso vai ter volta — sussurrei no ouvido dela. — Vou bater muito nessa sua bunda quando formos para o quarto.

Ela pigarreou, eu ri. Peguei mais pipoca, enquanto via a tragédia de Jack e Rose desenrolando diante de mim, quando chegou a cena do Jack congelando minha mãe e irmã já choravam, isso não foi uma surpresa, mas Bella começando a chorar ao meu lado sim, ela só tinha aceitado ver aquele filme porque queria agradar minha mãe que tinha o escolhido.

— Você tá realmente chorando com Titanic? — indaguei surpreso.

— Tô — murmurou e fungou.

— Tinha lugar pra ele na porta — minha irmã disse do seu lugar.

—Sim, eles podiam ter ficado juntos para sempre! — Bella exclamou, eu ri, ela me deu outra cotovelada nas costelas.

— Capitã, já quebrei essas costelas antes, para com isso — pedi com dor, ela olhou para mim culpada.

— Desculpa, amor, não queria te machucar.

— Tá tudo bem — falei sorrindo, vendo o rosto dela cheio de lágrimas e vermelho. — Só me promete que se tiver lugar na sua porta você vai me deixar subir.

— Eu vou — ela prometeu e fungou mais. — Mesmo você sendo alto demais, vai me deixar num cantinho de nada da porta.

— Olha quem fala, a mulher que me chuta durante toda a noite.

— Já falei que é algo que não posso controlar porque tô dormindo — resmungou.

— Aham, okay — debochei, olhando rapidamente para minha mãe e vendo que ela estava sorrindo.

Assim que o filme acabou fomos para meu quarto, depois que expulsamos Woody que estava lá, Bella se vestiu em um moletom meu e foi pra cama, eu fui para o banheiro tirar minhas lentes e escovar os dentes. Quando deixei o banheiro ela estava mexendo em seu celular e disse:

— Ei, lembra quando o Tyler quis que eu fosse a protagonista da nova série dele?

— Lembro sim. — Tirei a camiseta que usava, a largando no chão, a bermuda que usava e fiquei só de cueca. — Por quê?

— Ele acabou de me mandar uma mensagem, não consegue achar ninguém para o papel e as filmagens devem começar em setembro.

— Você está pensando em aceitar? Porque eu vou te apoiar pra caralho se for isso!

— Não — ela negou com um aceno de cabeça. — Sabe que não vou aceitar isso de jeito nenhum. Mas ontem a Carmen tava falando no jantar sobre não ter mais trabalho algum depois de tudo aquilo sobre ela ter sido garota de programa vazar, né? — Nós tínhamos jantado no dia anterior na casa de Charlie e Carmen, com Ness e Alice presentes. — Então, talvez ela pudesse ser a protagonista da série do Tyler. Acho que vou sair com ele amanhã para almoçar e sugerir isso, você não se importa, né?

— Você não precisa pedir minha permissão, Bella.

— Não estou, só quero que você fique sabendo pra gente não brigar por isso. Minha terapeuta diz que manter o diálogo numa relação é muito importante.

— Vladmir diz o mesmo, por isso pode ir tranquila almoçar com o Tyler, garanto que não vou surtar, mesmo sabendo que a internet vai surtar se descobrirem sobre esse almoço e vão ficar de novo achando que é namorada dele.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

— É, isso vai ser um saco, mas tanto faz, realmente quero ajudar a Carmen.

— Chorando com Titanic, ajudando sua madrasta e planejando me dar um novo cachorro no Natal, você está tão doce, Bella — provoquei.

— Ei, como você sabe sobre o cachorro?

— Ouvi você falando com a mamãe mais cedo na cozinha, você tava tão animada que sua voz tava super alta. Eu vou adorar um novo cachorro, para que fique claro, mesmo que daqui a pouco essa casa se torne um abrigo. — Ela riu e assentiu.

— É, tem muito bicho aqui. Ei, o próximo bem que podia ser adotado!

— Sério?

— Sim, seria um ótimo golpe de publicidade também.

— Bom, o que importa é que o próximo eu vou escolher o nome.

— Putz, é mesmo, não é a minha vez.

— Não, não é, minha vez!

— Ok, tanto faz, o próximo do próximo será eu.

— Seis animais?

— Nos tornamos os loucos dos bichos, vamos aceitar os fatos!

— Ok, agora sabe que horas são?

— Onze?

— Errado, hora de eu dar uns tapas na sua bunda como castigo pelas cotoveladas.

— Melhor hora do dia!

***

No dia seguinte Bella saiu para sua casa após o café da manhã, eu teria que fazer umas fotos aquele dia e iria com Tanya. E minha namorada tinha combinado de Tyler ir buscá-la na casa dela para eles irem almoçar, já que ele morava no mesmo condomínio que a gente.

Já era por volta de uma da tarde quando fui liberado para o almoço, estava no meu camarim comendo quando peguei meu celular e entrei no Twitter, o nome de Tyler e o de Bella já estavam nos mais comentados. Tinham visto os dois chegando ao restaurante e isso se tornou uma grande coisa, uma publicação de uma fã de Tyler dizia:

“Não acredito que o Tyler tá saindo de novo com essa Isabella Swan.”

Seria tão fácil acabar com aquele boato, eu só precisava postar que Bella era na verdade minha namorada e aquele era um almoço de negócios. Porém, ela não gostaria nada disso e eu iria respeitá-la.

***

Mais tarde, em um breve intervalo das fotos, vi as mensagens que Bella tinha recentemente me enviado.

Capitã: Tyler não ficou muito animado com a minha ideia.

Capitã: Mas ele prometeu pensar.

Capitã: Vai falar com os outros produtores da série também.

Capitã: Não conta nada pra Carmen, tá? Não quero que ela crie expectativas antes de ter algo mais concreto.

Capitã: Tyler me chamou para um jantar qualquer dia desses, mas eu o dispensei dizendo que tinha feito uma promessa que nunca mais ficaria com alguém. Acho que a segunda rejeição em menos de um ano da minha parte não animou muito ele pro lance da Carmen, mas eu não posso fazer nada quanto a isso.

Capitã: Ah, Tanya me enviou umas fotos dos bastidores da sua sessão de fotos e…

Capitã:...Porra! Como você tá lindo, eu sou uma filha da puta sortuda por ser sua namorada.

Capitã: Preciso ir trabalhar agora, tenho que resolver algumas coisas com o Riley.

Capitã: Te amo, pirralho.

Tanya chamou por mim, eu sabia que estava na hora de voltar às fotos, então falei com Bella rapidamente.

Pirralho: Sem tempo para responder tudo, mas dá pra dizer que também te amo, linda.

***

Meu dia começou cedo na manhã seguinte, eu consegui malhar e ter alguns exercícios de Yoga, depois uma hora com Vladmir. Estava comendo algo depois da minha sessão, com minha irmã e mãe, um café da manhã mais tarde, antes de ir para o ensaio da minha apresentação para a premiação.

— Que palhaçada! — Rosalie exclamou, estava mexendo no seu celular.

— O que foi, filha? — mamãe perguntou.

— Um site de fofoca, aquele Gossip Hollywood, publicou no Twitter que a Bella assumiu o namoro com Tyler Hamilton.

Tirei o celular da mão da minha irmã para ver do que ela estava falando e lá estava a publicação.

“Isabella Swan assume namoro com Tyler Hamilton.”

— Edward, isso é mentira — Rosalie falou.

— Claro que eu sei que é mentira, Rosalie — falei, mas entrei no Google para ler algo sobre aquilo, a matéria do próprio Gossip Hollywood dizia:

“Ontem Isabella Swan e Tyler Hamilton saíram para almoçar juntos, lembrando que eles namoraram quando eram adolescentes, assim como em junho desse ano eles já tinham saído juntos e o ator até disse que queria Isabella como a protagonista da sua nova série. Será que há alguma chance do casal estar mesmo namorando? Será que nossa próxima postagem sobre eles dirá: Isabella Swan assume namoro com Tyler Hamilton.

Esperamos que não, ele é precioso demais para esse mundo, enquanto ela… Bom, todo mundo lembra do Escândalo Swan, certo?”

— Idiotas. — Devolvi o celular para Rosalie, peguei o meu e mandei uma mensagem para Bella, que estava na produtora aquela manhã.

Pirralho: Amor, você tá bem?

Capitã: Você viu a notícia do Gossip Hollywood, né? Relaxa, eu tô bem, não é a primeira nem a última.

Capitã: O próximo namoro que irei assumir, em alguns meses, será o nosso e ponto.

Capitã: Te amo muito.

Capitã: Preciso focar no trabalho agora, ainda tenho muito pra fazer hoje com você e Kate indo a premiação mais tarde.

Capitã: Pare de ler fofocas, sério.

Pirralho: Ok, vou ficar um pouco longe da internet.

Pirralho: Te amo, te vejo de noite.

***

Naquela noite passei pelo tapete vermelho sozinho, Leah estava no hospital com o pai dela — que estava com pedras nos rins —, e nem minha irmã ou mamãe quiseram ir comigo de última hora, mesmo vendo que eu estava nervoso sobre aquilo, mas compreendia que aquele tipo de exposição também não era fácil para elas. Ao menos Tanya, Alistair e principalmente Bella estariam por lá, e eu tive Tanya me assessorando por todo tapete vermelho.

— Ed, onde está a Leah? — uma jornalista me perguntou, a primeira com quem parei para falar, após eu posar para fotos e acenar para os fãs que estavam nas arquibancadas ladeando o teatro onde a premiação aconteceria.

A premiação musical, a TMV Music & Video Awards, era o prêmio de uma emissora de TV voltada essencialmente para o público jovem. A votação de todos os prêmios era aberta ao público, eu estava nas mãos dos meus fãs.

— Meu sogro está com um problema de saúde, então minha namorada está o acompanhado no hospital. Eu queria muito que ela estivesse aqui, mas eu sei que é importante para ela estar com ele neste momento, mas em pensamentos estou lá com eles, assim como sei que Leah está me acompanhando pela TV agora. — Olhei para a câmera próxima sorri e acenei. — Querida, eu te amo! Senhor Clearwater, espero que fique bem logo!

Tanya devia estar delirando de felicidade pela minha sacada naquele instante.

Eu continuei a falar com os jornalistas, mas não demorou muito, pois eu seria a apresentação de abertura da noite — cantaria Hollywood, que em alguns dias em uma outra apresentação teria seu clipe apresentado —. Então, fui deslocado até o interior do teatro logo e levado para meu camarim — para que eu tirasse o terno que usava e colocasse as roupas para a apresentação, Bella estava me esperando lá.

Naquela noite ela usava um macacão branco com brilhos, saltos, jóias, maquiagem forte, mas que a deixava com um olhar perigoso e eu mal via a hora de a ter em minha cama. Eu quis a beijar ali mesmo, mas sabia ser arriscado demais, então me contive.

— Oi, pirralho. Suas roupas estão aqui! — Apontou para a arara onde estava o que eu devia usar.

— Você está tão linda — sussurrei, fazendo com que ela sorrisse.

— Estou, você também, mas não me provoque porque tô doida pra que me foda e preciso resistir.

— Ok, vou me comportar. Já preciso me arrumar?

— Você ainda tem um tempinho até precisar ir ao palco. — Checou o horário no seu celular. — Quer beber algo ou comer?

— Água e uma maçã, mas eu mesmo pego. — Tirei a garrafa de água do frigobar e bebi um gole, depois peguei uma maçã da mesa com comidas preparadas para mim.

— Ok, vou precisar te deixar só porque tenho que ir supervisionar a Kate no tapete vermelho com Alistair. Come, descansa um pouco, depois se arruma, Tanya tá ai fora?

— Sim, tá falando com um dos produtores da premiação.

— Ótimo, ela vai te dizer se você estiver sendo lento. Tchau!

Bella já estava fora antes que eu pudesse me despedir. Sentei no sofá que tinha ali para comer minha maçã e mexer um pouco no meu celular, tentei só jogar Candy Crush, mas não resisti em fuçar no Twitter, eu pude ver lá, por exemplo, que a conta oficial da emissora tinha postado uma foto de Bella nos bastidores do teatro, a legenda era simples:

“Isabella Swan nos bastidores do TMV Music & Video Awards.”

Eu salvei aquela foto, Bella estava linda demais nela para eu não a querer em meu próprio celular. Depois fui ver o que estavam falando de mim, querendo ter ideia se ganharia algo aquela noite, mas uma publicação — feita mais ou menos no instante que cheguei ao tapete vermelho — não relacionada a isso e seus comentários foi o que mais chamou minha atenção.

“Por que a Leah não foi pra premiação com o Ed???”

“Eu tô com muito medo deles terem terminado, meu casal precioso não podem ter se separado de jeito nenhum!!!!!”

“Muito estranho a Leah não ter ido com ele, ela não é só namorada do Ed, mas uma das assistentes da Swan Productions, deveria tá lá mesmo se tivesse rolado um término, que acho que não aconteceu porque eles claramente se amam muito.”

“O Ed acabou de chegar, calma que logo ele fala porque a Leah não tá com ele. Não surtem, nosso casal de ouro com certeza não se separou!”

— Esse povo vai ficar tão puto quando eu assumir o namoro com Bella — sussurrei para mim mesmo.

***

Bella apareceu antes de eu ir para o palco, me desejou sorte e eu me senti um pouquinho mais confiante com a presença dela nos bastidores. Seria como as noites de turnê, eu poderia esquecer as câmeras, a transmissão mundial pela TV, o fato de eu ser a abertura da noite, fora minha ansiedade para receber os prêmios, ou não.

Eu me posicionei no palco, sentado em um trono dourado e vermelho que estava na minha turnê para a apresentação de Escândalo, não Hollywood, mas para aquela noite tínhamos mudado a coreografia da canção de Bella. Fechei os olhos, inspirei fundo e disse para mim mesmo que tudo daria certo, mas que se algo desse errado não seria o fim do mundo.

Então, o instrumental começou com a guitarra de Jasper, as luzes do palco foram ligadas, abri meus olhos e os dançarinos começaram a se mover. Eu sorri para a câmera mais próxima e comecei a cantar, e arrasei aquela noite.

Cantando, dançando, foi um fodido glorioso espetáculo e quando acabou minha apresentação fui aplaudido de pé. Eu não poderia estar mais orgulhoso de mim, quer dizer, ainda queria ganhar meus prêmios aquela noite.

***

Sentei na primeira fila com Kate que estava acompanhada do pai dela, com outros artistas perto da gente. Minha namorada, Tanya e Alistair estavam fileiras atrás, o que era um saco, eu queria estar com Bella.

Especialmente quando a primeira categoria que eu estava concorrendo — melhor videoclipe pop — começou a ser anunciada. Eu estava concorrendo naquela categoria pelo clipe de Onde está você? A música que fiz pensando em Lauren.

— E o prêmio vai para — a apresentadora da categoria disse. — Onde está você? De Ed Cullen.

Um peso saiu das minhas costas, ao menos de mãos vazias não sairia dali aquela noite. Sorrindo de orelha a orelha eu deixei meu lugar e fui até o palco, assumindo meu lugar junto ao microfone depois de receber meu troféu. De onde eu estava não conseguia ver Bella, o que detestei.

— Olá, gente! — exclamei animado, pronto para começar meu discurso, o coração quase saindo pela boca, mas verdadeiramente feliz. — Vocês não podem imaginar a felicidade que estou sentindo de estar aqui hoje, como sabem estou me reerguendo aos poucos de vários erros, então estar de volta aos palcos é uma das maiores alegrias da minha vida. Quero dedicar esse prêmio a toda minha equipe, a que trabalha comigo todos os dias e a que esteve ao meu lado para a gravação de Onde está você? Eu não estaria aqui sem essas pessoas fantásticas cuidando da minha carreira. Quero agradecer imensamente aos meus fãs que votaram incansavelmente para me dar este prêmio e dizer que eu os amo, perdidamente, vocês são parte da minha vida, da minha história e da minha família. Eu sei exatamente onde vocês estão — brinquei com o nome da música. — Ao meu lado, sempre e garanto que ainda teremos muito mais pela frente! — finalizei o discurso e a assistente de palco me guiou para fora dele junto com a cantora de rock que estava apresentando a categoria.

Nos bastidores topei com Tanya, que estava muito séria.

— Eu falei alguma besteira?

— Não, você foi ótimo.

— Por que essa cara de enterro? Cadê a Bella?

Tanya respirou fundo, segurou meu braço, me afastou das pessoas próximas e contou:

— Bella precisou ir embora, recebeu uma ligação da Renesmee. — Tanya engoliu em seco. — O Nahuel bateu nela, na Renesmee.



Notas finais
A letra de Garota foi escrita por mim... *Você pode me ouvir chamando. O seu nome? Você sabe que eu estou caindo. E eu não sei o que dizer. Vou falar um pouco mais alto. Eu vou até gritar. Você sabe que eu estou orgulhoso. E eu não consigo pronunciar as palavras. *Oh eu. Eu quero estar com você em todos os lugares. Oh eu. Eu quero estar com você em todos os lugares. *Ah, Sol de sábado. Eu conheci alguém. Lá na costa oeste. Eu preciso voltar, não posso esquecer isso. Ah, Sol de sábado. Eu conheci alguém. Não me importa o quanto custe. Nenhum raio de sol está perdido. Está perdido. *Ela deixou seus livros na minha cama. E sua música na minha cabeça. *Vamos dançar. Ponha seus sapatos vermelhos e venha dançar o blues. Vamos dançar. A música que está tocando na rádio. Beijos! Lola Royal. 21.04.19