Hollywood

61 Capítulo Sessenta


Notas iniciais
Olá! Capítulo dedicado a vincat e Carol que recomendaram a história. Muito obrigada por isso, suas lindas! —-- Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo NOVO no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —-- Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure ajuda especializada sempre. —-- Boa leitura!

Capítulo Sessenta

Isabella Swan

“Novo Escândalo Swan: Ness Swan é agredida pelo noivo Nahuel Cortez.”

Eu amava minhas irmãs, sempre amei. Algumas vezes — talvez muitas — nós discutiamos e tirávamos umas às outras do sério, mas nós sabíamos que sempre podíamos contar uma com a outra.

E eu iria até o inferno para ver Nahuel pagando pelo o que fez com minha irmã. Eu faria tudo por ela.

***

O carro que me levou da premiação para a casa de Renesmee mal tinha parado quando eu abri a porta e sai dele, sentia meu coração disparado enquanto fazia o curto caminho do

carro até a entrada da casa. Eu sequer precisei tocar a campainha, Carmen abriu a porta para mim, joguei meu celular e bolsa em cima dela e sai correndo até o quarto de

Renesmee onde julguei que ela estava.

Alice estava ali com ela quando entrei no quarto, sentada ao lado de Renesmee que estava deitada na sua cama, encolhida e chorando. Eu me aproximei com cuidado, podendo ver o rosto machucado da minha irmã caçula, ela tinha um olho roxo e inchado, sua bochecha esquerda também estava inchada e arroxeada, seu lábio cortado, seus cabelos presos de forma desajeitada no topo da cabeça e a blusa que usava tinha a alça rasgada.

— Ness — sussurrei, subindo na cama, ela chorou mais. — Estou aqui, vou cuidar de tudo — prometi afagando sua perna por cima da calça jeans, ela estremeceu.

Olhei para o rosto de Alice, vendo que minha outra irmã também chorava, mas silenciosamente. Quando Ness me ligou mais cedo aquela noite ela não disse muito, apenas que eu precisava ir para sua casa, que Nahuel tinha surtado e batido nela.

— O que aconteceu? — perguntei para Ness, mas ela não parecia disposta a responder, apenas seguiu chorando.

— Ele estava traindo ela — Alice sussurrou em resposta.

— O quê? — indaguei, controlando meu tom de voz para não gritar.

— Ela não disse muito mais que isso — Alice continuou sussurrando, passando a afagar o braço de Ness, enquanto eu continuava tocando na perna da minha irmãzinha caçula.

— Cadê o papai? — questionei.

— Cheguei um pouco antes de você e ele estava na cozinha ligando para o advogado dele.

— Ok. — Me movi na cama para mais perto de Ness. — Querida, você precisa nos dar mais informações do que aconteceu, por favor. Onde o filho da puta do Nahuel está agora?

— Espero que no inferno — Alice disse entre dentes. Não, eu não queria aquilo, queria aquele cretino na minha frente para que pudesse lidar com ele por conta própria.

— Não sei — Ness murmurou. — Ele me trancou no banheiro e foi embora.

— Ele te trancou no banheiro? — gritei, foi impossível me controlar. Alice arregalou os olhos, não parecia saber daquela informação.

— Sim — Renesmee disse ainda chorando. — Por sorte eu estava com meu celular no bolso, ai liguei pro papai e pra vocês duas. E quando o papai e a Carmen chegaram eles me tiraram de lá de dentro, eu devia ter ligado pra polícia, eu sei, mas estava com tanto

medo.

— Ok, eu realmente preciso de mais informações, Renesmee — pedi, ela assentiu e lentamente se sentou. — Você está com muita dor? — Ela tornou a acenar positivamente com a cabeça. — Ok, nos diga o que aconteceu e vamos te dar algo para a dor passar.

— Tá bom — concordou. — Tem algumas semanas que tenho achado o Nahuel estranho, ficando muito tempo ocupado fora de casa com coisas do trabalho, mexendo demais no celular e sequer o deixando perto de mim, sendo que antes nós dois pegávamos os celulares um do outro sem problema algum, ele também começou a ficar aparentemente entediado com tudo envolvendo os planos do casamento e tem muito tempo desde a última vez que transamos. Eu comecei a pensar que ele estava me traindo, mas não quis acreditar, não queria e tirei isso da cabeça. — Ela olhou para o anel de noivado em sua mão, Alice o tirou de Renesmee e o jogou no chão do outro lado do quarto. — Alice!

— Você não usará esse maldito anel por um segundo a mais na sua vida! — Alice proclamou decidida, estava tremendo. Renesmee soluçou, eu a peguei em um abraço cuidadoso antes que ela cedesse.

— Estou aqui, estou aqui — falei afagando suas costas com delicadeza. — Termine de nos contar, por favor.

Ela precisou de um tempo, mas se afastou de mim e seguiu com sua história.

— Como eu não queria acreditar que ele poderia estar me traindo não contei sobre nada disso para ninguém. Hoje nós tínhamos combinado de passar a noite juntos aqui, comendo pipoca, vendo filmes, ele prometeu que não teria trabalho para essa noite. Mas ele não apareceu na hora marcada, não respondia minhas ligações, nem mensagens. Mandei mensagem para todos os amigos dele, para o empresário, ninguém me respondeu. Já estava até ficando preocupada, pensando que algo sério pudesse ter acontecido e ia ligar para a polícia, mas aí o Alec me ligou e eu me distrai, nós conversamos por sei lá, uns dez minutos e uns cinco minutos depois que encerramos a ligação o Nahuel chegou, bêbado demais.

Eu já sabia como a história acabava, mas ainda assim não conseguia me sentir menos apreensiva com o relato da minha irmã.

— Eu perguntei onde ele estava, perguntei o que estava acontecendo para ele estar tão diferente comigo. Ele gritou que eu era irritante, chata e foi pro banheiro, fui atrás dele, continuei fazendo as perguntas, até que Nahuel falou que estava com outra mulher. — Ela não parava de chorar e aquilo cortava meu coração. — Eu surtei, claro, comecei a querer

saber mais e mais, então… Foi tão rápido, em um segundo ele estava em cima de mim batendo no meu rosto, puxando meus cabelos, ai ele me puxou pela blusa, me jogou no chão, trancou a porta do banheiro e foi embora.

— Eu vou matar esse homem! — Alice exclamou horrorizada.

— Não, nós vamos para a delegacia agora mesmo para Renesmee prestar depoimento. — Viramos para olhar papai que estava na porta do quarto, com Carmen atrás de si, ele

estava visivelmente furioso pelo rosto vermelho, mas seu tom de voz era controlado. — Falei com meu advogado, ele está indo até lá para isso e nós precisamos levar a Renesmee.

— E-Eu — ela gaguejou.

— Querida, eu imagino o quão difícil isso tudo é pra você, mas precisa denunciar Nahuel.

— Eu não posso — sussurrou assustada.

— Pode sim — insisti. — Nós todos estaremos lá para te apoiar. — Segurei em sua mão.

— Não, Bells, eu não posso — afirmou. — Se eu denunciar Nahuel, se ele for preso por isso em dois minutos vai espalhar para o mundo seu namoro com o Edward, e ele sabe sobre o namoro falso do Ed com a Leah. Você está tão feliz, não posso deixar tudo isso vir à tona por minha culpa.

Puta merda, eu tinha esquecido de tudo isso, mas não poderia deixar minha irmã poupar aquele homem, de forma alguma.

— Não importa — declarei, mesmo temendo meu próprio futuro e de Edward naquele momento. — Você irá denunciar, deixe com que Nahuel fale o que quiser, não me importo e Edward não se importará também.

— Mas…

— Renesmee. — Segurei em sua outra mão. — Você é minha irmã, eu vou cuidar de você pelo resto da minha vida, nós iremos juntas até aquela delegacia e Nahuel irá pagar por ter te machucado. — Beijei sua cabeça.

— Ok — ela murmurou. — Eu posso trocar de roupas? — perguntou para nosso pai.

— Sinto muito, Ness — ele disse. — Mas você precisa ir do jeito que está, mas podemos levar roupas para que as troque depois.

— Eu cuido disso! — Alice pulou da cama e foi para o closet da nossa irmã.

— Vou ajudar a Alice — Carmen a seguiu.

— Ei. — Papai se aproximou da cama e sentou onde Alice estava antes. — Você não está sozinha, filha — falou para Renesmee. — Sua família inteira está aqui e nós iremos cuidar de você.

Ela deu um pequeno sorriso, assentiu e abraçou papai. Eu não pude deixar de pensar que a família não estava completa, faltava Renée, mas ela tinha abandonado a família anos antes, não?

***

Eu andava de um lado para o outro na sala de espera da delegacia, que tinha sido reservada para a gente, onde estava com meu pai, Carmen e Alice. Renesmee ainda estava na sala do delegado com o advogado, eu queria estar lá com ela, segurar sua mão e garantir que tudo ficaria bem, mas não permitiram minha entrada.

— Está demorando muito — me queixei pela milésima vez, meu pai estava em pé apoiado em uma parede segurando com força demais um copo descartável, Alice sentada em um sofá encardido com Carmen ao seu lado, minha irmã chorava e parecia não se dar conta do braço da nossa madrasta ao redor dela.

— Ele podia ter matado a Ness — Alice murmurou.

— Não, não, não! — exclamei, sentindo o nó em minha garganta. — Nem pensa nisso, Alice — exigi. — Nossa irmã tá bem, ok?

— Ela não tá bem — Alice disse.

— Ela vai ficar — sussurrei. — Nós vamos fazer com que ela fique.

— Isabella, você deveria ir pra casa — meu pai falou, tinha se aproximado de mim e segurava minha mão, eu olhei para nossas mãos entrelaçadas e vi como a minha estava tremendo.

— Eu estou bem. — Tirei minha mão da dele.

— Filha, por fa…

— Eu vou ficar, ninguém vai me tirar de perto da minha irmã! — declarei decidida, meu pai suspirou e assentiu.

— Ao menos se sente um pouco, vou buscar água para você. — Apontou para o lugar vago ao lado de Carmen, para onde eu fui, enquanto ele se movia até o canto da sala e enchia o copo em sua mão com água no bebedouro.

— O que acontece com o Nahuel quando o pegarem? Ele é preso imediatamente, certo? — Carmen perguntou, seus lábios estavam brancos e seus olhos preocupados, eu podia jurar que ela estava pensando em quando o senador com quem se envolveu a espancou.

— Ele devia ser morto imediatamente — Alice resmungou.

— Ei, acalme-se — meu pai pediu para Alice, ele parou diante de mim e me entregou o copo com água. — Beba isso, Isabella.

Eu peguei o copo e me forcei a beber a água.

— E sim, eu acredito que ele será preso imediatamente quando for encontrado, querida — falou para Carmen.

— Excelente, ele merece morrer na cadeia — Carmen falou, Alice começou a chorar alto. Rapidamente passei o copo em minha mão para papai e fiz Carmen trocar de lugar comigo, pegando minha irmã em meus braços, deixando com que ela chorasse em meu ombro.

— Eu sou tão fraca, devia tá ajudando a Renesmee, não chorando — Alice murmurou.

— Eu estou aqui, vou cuidar de tudo — prometi a apertando contra mim.

Eu cuidaria das minhas irmãs, não deixaria que nada de ruim acontecesse com elas, não mais.

— Amo você — falei baixinho para Alice. — Você sabe disso, né?

— Sei — ela falou ainda chorando. — Também te amo, Bells.

Passei um longo tempo mantendo Alice em meus braços, até que Renesmee aparecesse na sala com o advogado do nosso pai. Eu me coloquei de pé antes de Charlie alcançar Ness, mas o advogado me impediu de a abraçar.

— É melhor não tocar nela agora, Isabella. Sua irmã vai ser levada para o exame de corpo de delito, quanto menos interferência melhor.

— Ma-Mas — eu comecei a gaguejar, porém me segurei quando notei o estado apático que Renesmee se encontrava, sem mais chorar, só encarando o nada. — Vai ficar tudo bem, Ness — garanti a ela. — Logo você estará em casa.

Ela somente assentiu, eu inspirei fundo. O advogado nos explicou tudo até ali, falou um pouco sobre o depoimento e sobre o exame, que aconteceria em outro lugar.

Renesmee foi para este outro prédio na cidade no carro de um dos policiais da delegacia, acompanhada do advogado e Charlie. Eu quis ir junto, mas fui proibida, papai me mandou ir para sua casa com Alice que não conseguia parar de chorar e Carmen.

No carro a caminho de lá eu falei com a empresária de Renesmee, a deixando por dentro de tudo e a colocando em alerta para quando a notícia vazasse. Eu também mandei um milhão de mensagens para o empresário de Nahuel, Eleazar, querendo saber se ele tinha ideia do paradeiro daquele filho da puta, mas minhas mensagens não foram respondidas.

Nós tínhamos acabado de chegar a casa quando meu celular tocou, era Alec.

— O que foi? — atendi, falando com impaciência.

— Isabella, oi, desculpa te incomodar — ele disse.

— O que você quer? — Larguei meus sapatos que tinha tirado no carro em um canto da sala.

— É que estou tentando falar com sua irmã tem meia hora e ela não me atende.

Eu suspirei e esfreguei uma mão na testa.

— Você tá sozinho?

— No cômodo? Sim, a Amber tá no nosso quarto e eu na sala.

— Tá, isso vai vazar em questão de horas mesmo e você é amigo da Renesmee, pode ficar sabendo logo, desde que fique quieto sobre.

— Porra, o que aconteceu com a Ness? — perguntou preocupado.

— Nahuel bateu nela — sussurrei. — Eles brigaram e ele agrediu ela.

— Ele fez o que? Eu vou socar a cara desse filho da puta! Cadê ele? Onde tá a Ness? Vocês já tem um advogado? Eu posso levar o meu. Eu preciso ver a Renesmee, onde ela está?

— Nahuel fugiu, aparentemente. Renesmee estava na delegacia e agora tá fazendo exame de corpo de delito, ela já tem um advogado e não acho que seja uma boa ideia você aparecer agora.

— Eu preciso ver ela — Alec repetiu.

— Você pode ver ela outro dia. — Desliguei na cara dele, antes que eu pudesse me livrar do meu celular e ir até o sofá onde Alice estava encolhida chorando, eu recebi uma nova ligação, daquela vez era Edward e eu atendi rapidamente. — Oi — sussurrei.

— Como sua irmã está? — Edward perguntou nervoso, eu podia ouvir muito barulho do outro lado da linha. — Como você está?

— Estou bem — menti. — Ness vai ficar bem, com o tempo. Onde você está? A premiação já acabou?

— Sim, eu estou na after party — respondeu. — Tanya não me deixou ir te ver.

— Você precisa estar na festa, Edward! — ordenei, ele bufou. — Consegue ir para um lugar mais silencioso? Preciso te contar algo antes de desligar.

— Ok, espera aí — falou, colocou a ligação no mudo e algum tempo depois, em um lugar mais tranquilo, voltou a falar comigo. — Pode falar, Capitã.

— Nahuel fugiu depois do que fez com a minha irmã — falei sentindo vontade de chorar, porém me controlei mais uma vez aquela noite. — Renesmee não queria ir até a delegacia o denunciar, por medo do que essa denúncia poderia acarretar, afinal o filho da puta do Nahuel sabe sobre você e eu, sabe sobre o namoro falso que você tem com a Leah. Mas, a minha irmã precisava denunciar, eu não poderia deixar ela sem isso e a convenci a ir para a delegacia, mesmo que isso nos coloque em risco. — Eu parei de falar, precisando de uma pausa para respirar fundo, minhas mãos e pernas tremiam muito. — Nahuel pode contar sobre nós dois a qualquer momento.

— Vamos assumir antes — Edward disse em um tom de voz baixo. — Eu deixo essa festa agora mesmo, vou até você e nós assumimos o namoro pelo Instagram.

— Não, não pode ser assim.

— Leah não tá comigo hoje, vão pensar que o afastamento dela era sobre nosso término de namoro.

— Você falou sobre ela no tapete vermelho da premiação, pirralho. — Ele resmungou.

— Nahuel pode abrir a boca, precisamos ser rápidos.

— Eu não posso lidar com isso agora — murmurei. — Renesmee precisa de mim, Alice também.

— Isabella…

— Elas são minhas irmãs!

— Eu sei que ela são suas irmãs, sei que você as ama, mas nós também estamos encrencados agora. Precisamos agir antes do Nahuel.

— Amanhã nós falamos sobre isso, hoje não.

— Isabella… — Eu desliguei na cara dele antes de Edward completar sua fala e recusei a ligação que ele fez em seguida. Larguei meu celular sobre uma mesinha da sala e fui até Alice, Carmen estava ao telefone ao longe com alguém. — Ei, por que você não sobe para seu quarto e toma um banho? — sugeri para minha irmã, ela concordou com um aceno de cabeça.

Eu subi com Alice, enquanto ela tomava seu banho fui para meu quarto na mansão e troquei de roupas por peças que tinha no closet de lá. Voltei para o quarto de Alice em seguida, que estava deixando seu banheiro.

— Você quer comer ou beber algo? — perguntei.

— Não — negou indo se vestir no closet, eu sentei em sua cama a esperando voltar.

— Ele ainda fica bem em você — falei quando ela retornou ao quarto usando um pijama da Barbie que era da sua adolescência, Alice sorriu minimamente e se deitou.

Deitei ao seu lado, minha cabeça estava doendo, meu corpo ainda tremendo, o coração acelerado e a vontade de beber começando a despontar. Fechei meus olhos, tentando controlar todas aquelas reações indesejáveis, eu estava perto de começar a chorar quando Alice chamou por mim.

— Bella? — Abri meus olhos e voltei minha atenção para ela. — Nós deveríamos avisar a mamãe.

Tudo que eu estava sentindo naquele momento piorou, tive de sentar na mesma hora para tentar acalmar a pressão em meu peito.

— Não, ninguém vai ligar para Renée, Alice.

— Mas…

— Eu disse não! — Levantei da cama dela. — Durma, você precisa descansar um pouco.

— Para de me tratar como se eu tivesse cinco anos de idade, Isabella.

— Ótimo, se você é adulta não precisa ligar para sua mamãe.

Alice revirou seus olhos.

— Ela é mãe da Renesmee também, precisa estar aqui.

— Ela não esteve aqui por Renesmee nos últimos anos, não é agora que vai estar.

— A Renesmee escolheu ficar com o papai e afastou a mamãe da vida dela.

— E isso foi a melhor coisa que ela fez, ou você se esqueceu que Renée me deu uma surra depois do vazamento da porra daquele vídeo? — Alice ficou quieta e desviou o olhar. — Eu não quero aquela mulher perto da minha irmã, especialmente agora. E entre você e Renesmee agora eu vou proteger a Ness com todas minhas forças, sendo assim não me faça escolher. Vá embora se quiser falar com Renée, mas saiba que não vou deixar você ou ela entrarem. Você me entendeu? Olhe para mim!

Alice olhou e sussurrou:

— Sim, eu entendi.

— Excelente, agora durma! — ordenei e sai do seu quarto batendo a porta com força.

Desci até a sala, Carmen estava lá e parecia chorar, mas parou quando me viu. Eu a ignorei e fui em direção ao bar que papai tinha no canto da sala, estiquei a mão para abrir o armário e percebi que tinham colocado um cadeado ali, o que me impossibilitava de pegar qualquer bebida.

— Cadê a chave disso? — questionei Carmen.

— Está bem guardada.

— Ok, pegue-a para mim!

Ela negou com um aceno de cabeça.

— Você parou de beber, lembra?

— Foda-se! — gritei. — Eu quero a maldita chave, preciso beber!

— Não vou compactuar com isso, Isabella.

— Carmen, me dê a porra da chave! — esbravejei.

— Você sabe que não pode beber.

— Que se foda você, meu pai guarda cerveja na cozinha mesmo. — Comecei a andar em direção a saída da sala.

— Elas estão trancadas em um armário também, assim como a adega está fechada — Carmen disse, fazendo com que eu mudasse meu percurso, parei perto dela e indaguei:

— O que diabos você pensa que está fazendo?

— Protegendo você de si mesma, Isabella — falou com seriedade na voz. — Não vou te deixar beber e cair em autodestruição, seu pai está ocupado com Renesmee, Alice consigo mesma e alguém precisa cuidar de você.

— Não preciso que ninguém cuide de mim — falei entre dentes.

— Você precisa sim — falou, seus olhos brilhavam por conta das lágrimas. — Você quer cuidar de tudo e todos, mas não está sozinha nesse mundo e precisa de alguém te vigiando.

— Quem é você mesmo? Ah sim, a puta mexicana que meu pai trouxe para casa! — exclamei furiosa, Carmen ficou vermelha de raiva, mas não disse nada. Eu suspirei, logo me sentindo mal por ter a atacado daquele jeito. — Desculpa — pedi. — Estou nervosa demais.

— Eu sei — ela sussurrou. — Mas não me ataque, estou do seu lado.

— Ok.

— Quer comer algo?

— Não, eu preciso beber. — Passei as mãos pelos cabelos.

— Não vou te dar bebida, Isabella. — Ela se colocou de pé. — Porém, vou buscar um chá para você.

— Eca.

Carmen não disse nada, saindo da sala, eu sentei no sofá, evitando olhar para o armário com bebidas, ou para meu celular sobre a mesinha. Fiquei ali, encarando o chão, por longos minutos, até que Carmen voltou com uma bandeja onde tinha uma xícara de chá e torradas.

— Não quero isso.

— Você não pode ficar sem comer. — Colocou a bandeja ao meu lado.

— Eu comi.

— Que horas?

— Sei lá, acho que almocei por volta das três. — Carmen revirou os olhos e apontou para a bandeja. — Coma, Isabella.

— Você é irritante — proclamei pegando uma torrada e dando uma mínima mordida.

— Olha quem fala — rebateu, sentando em outro sofá. — Alice dormiu? Eu deveria levar algo para ela comer também.

— Não sei, eu a mandei dormir, ela estava delirando sobre termos de falar com Renée. — Peguei a xícara e tomei um gole do chá, era terrível, mas eu bebi ainda assim.

— Bom, ela é mãe da Renesmee.

— Grande merda, ela não estava aqui quando minha irmã precisou nos últimos anos, não é agora que vai estar. Quando Renesmee teve sua primeira menstruação? Eu estava lá a ajudando. Quando Renesmee se apaixonou a primeira vez? Eu estava lá a ouvindo falar sem parar sobre. Quando Renesmee quebrou o dedinho do pé na cama elástica? Eu a levei para o hospital. Renée é uma filha da puta cretina, eu não a quero perto da minha irmã e sei que Renesmee não a quer perto de si também.

Peguei mais uma torrada, sem olhar para Carmen. Terminei de comer e de beber o chá sem conversar mais com minha madrasta, quando acabei deixei a bandeja sobre a mesinha e peguei meu celular, Edward tinha ligado mais vezes, assim como enviado mensagens, mas não li nenhuma. Respondi algumas mensagens de Tanya que queria saber como estava tudo e troquei algumas com a empresária de Renesmee, a história da agressão ainda não tinha vazado, mas eu sabia que com minha irmã circulando por aí seria questão de tempo até isso acontecer.

— Algo sobre Nahuel? — Carmen perguntou para mim.

— Não.

— O que você e Edward vão fazer? — Eu olhei para ela e balancei a cabeça em negação.

— Ele queria assumir logo hoje.

— E você não quer?

— Tem muito em jogo.

— Você sabe que Nahuel pode contar sobre vocês dois a qualquer momento.

— Eu sei, mas hoje só quero pensar na minha irmã. — Deitei no sofá, enfiando o celular no bolso do short que usava, escondendo meu rosto com uma almofada.

Mais tempo passou, até que ouvíssemos Renesmee e meu pai chegando. Eu dei um pulo do sofá, podendo ver ela e papai entrando na sala, minha irmã estava sem chorar, mas parecia exausta, eu andei até Ness e a abracei carinhosamente.

— Você está em casa agora, Ness — falei, afagando suas costas, ela começou a chorar e apertou seus braços ao redor de mim.

— Carmen, você e eu precisamos ir até a delegacia — meu pai falou, eu olhei para ele por cima do ombro de Renesmee, enquanto ela continuava chorando. — Como fomos as pessoas achando Renesmee… Precisamos depor.

— Claro, vamos sim! — Carmen concordou.

— Bella? — Papai se voltou para mim.

— Eu dou conta — garanti, ele suspirou, não parecia seguro daquilo, mas concordou e saiu com Carmen. — Ei, quer comer algo? — perguntei para Ness.

— Não — respondeu, tentava parar de chorar, mas não conseguia. — Eu fiz o exame lá, depois um médico me deu algo para dor e algo para relaxar, melhor ir para o quarto tentar dormir. E tomar um banho, eu me sinto suja.

— Ok, vamos fazer isso. — Eu a ajudei a subir.

Fomos para seu quarto, trocando apenas poucas palavras necessárias ajudei Ness a ir para o banheiro e ela me pediu para esperar lá dentro. Eu fiquei do outro lado do box do chuveiro, enquanto minha irmã tomava banho e chorava. Ela passou meia hora ali, foi o tempo para Alice aparecer e esperar junto comigo, não trocamos uma palavra, mas ela segurou na minha mão.

Quando Renesmee deixou o chuveiro eu entreguei um roupão para ela vestir, Alice deixou o banheiro dizendo que pegaria roupas para Ness, enquanto eu perguntava para minha irmã caçula se ela queria que eu secasse seu cabelo. Ness concordou com aquilo, como não tinha um secador naquele banheiro, deixei o quarto dela na mansão e fui até o de Carmen e papai, encontrando lá um secador, mas além disso vendo remédios no armário entreaberto, peguei o frasco e li o nome, era um antidepressivo, eu sabia, me questionei se era para meu pai ou Carmen e me questionei se eu conseguiria furtar alguns sem que ninguém desse falta, só para eu minimizar a loucura dentro de mim.

Foi quando o celular no bolso vibrou, me distraindo. Eu o peguei e vi que era Edward ligando, inspirei fundo e atendi:

— Oi, amor.

— Você sumiu! — ele exclamou tenso.

— Desculpa, estava tentando resolver tudo aqui. E não posso ficar falando com você agora, tô ajudando a Ness.

— Ok, só queria falar com você e ouvir sua voz, se precisar de algo me liga, tá bom?

— Ok.

— Isabella — Edward falou meu nome antes que eu pudesse desligar. — Eu amo você, estou ao seu lado para tudo, sabe disso, não sabe?

— Sei — respondi sentindo uma lágrima deslizar por meu rosto, no mesmo instante fechei a porta do armário sem pegar nenhum remédio de lá de dentro. — Preciso ir ficar com a Ness agora, falo com você depois.

— Certo, se cuide também, Capitã.

Mais uma lágrima deslizou por meu rosto.

— Tchau, Edward — murmurei e desliguei a chamada, limpei meu rosto e peguei o secador, saindo do banheiro antes que eu pudesse pensar novamente em pegar aqueles remédios.

***

Assim que sequei os cabelos de Renesmee e ela se vestiu com o pijama selecionado por Alice minha irmã foi para a cama, ela já parecia dopada o suficiente pelos remédios que tomou no hospital. Alice e eu deitamos com ela, Ness se deitou em posição fetal e fechou seus olhos, eu fiquei afagando seus cabelos enquanto Alice do outro lado apenas olhava atentamente para nossa irmã.

Não demorou muito para Renesmee dormir, Alice dormiu logo em seguida. Eu não consegui, me sentia exausta, mas sequer conseguia me imaginar dormindo naquele momento, queria estar alerta caso algo acontecesse, especialmente se Renesmee acordasse e precisasse de mim.

Em algum momento a porta do quarto foi aberta, foi quando fechei meus olhos e fingi estar dormindo, pelo barulho dos sapatos no chão eu sabia muito bem ser meu pai. Ele andou até perto da cama e ficou ali por um longo tempo, até que foi embora e a porta tornou a ser fechada e eu abri meus olhos.

Era meu pai tomando aqueles remédios? Aquela dúvida me deixava louca, mas eu não tinha coragem de ir perguntar.

***

Por volta de quatro da manhã meu celular vibrou e eu sabia o que estava acontecendo, o tirei do bolso e vi a mensagem da empresária de Renesmee, ela me informava que a agressão já estava prestes a ser noticiada e que não conseguiu deter aquilo. Eu entrei no Twitter e busquei o nome da minha irmã, aparentemente o site Gossip Hollywood foi primeiro a conseguir o furo, uma vez as primeiras publicações na rede social sobre o caso eram deles.

“E se falássemos para vocês que aconteceu um novo Escândalo Swan?”

As respostas aquele tweet acreditavam que eu tinha feito algo, mas não me importei com elas e li o que mais o pessoal filho da puta do Gossip Hollywood tinha dito.

“BOMBA: Nahuel Cortez agrediu a noiva Ness Swan.”

Tinha um link para a matéria no site deles anexado, eu cliquei para ler.

“Notícia quente nesta madrugada pessoal, segundo fontes noite passada ocorreu um caso de violência doméstica em Los Angeles envolvendo duas estrelas: Nahuel Cortez e Ness Swan.

Ao que tudo indica, o ocorrido aconteceu na casa do casal — que ficaram noivos este ano —, lá Nahuel agrediu Ness e logo depois deixou o lugar e está sendo procurado pela polícia. Ness Swan já prestou depoimento, assim como seu pai e sua madrasta — Charlie e Carmen Swan —, nossa fonte garante ainda que Alice e Isabella Swan acompanharam a irmã a delegacia, mas não foram com ela ao local de realização do exame de corpo de delito.

Iremos atualizando vocês sobre toda essa história, não deixem de votar em nossa enquete no Instagram: Nahuel Cortez mocinho ou vilão?”

Meu estômago embrulhou ao ler aquele trecho final, minha irmã teria a história dela colocada em votação? Ela tinha sido agredida e traída, ainda assim as pessoas não conseguiriam acreditar nela e votariam em Nahuel como um mocinho? Era nojento e repulsivo, era exatamente o que aconteceu comigo no passado.

Desliguei meu celular, se eu continuasse lendo qualquer coisa iria passar mal e eu não podia ficar mal, tinha de ajudar minha irmã.

***

Renesmee acordou duas horas depois, chorando quando pareceu se lembrar de tudo, o que fez com que Alice acordasse também. Eu coloquei Ness em meus braços, Alice logo começou a afagar suas costas.

— Por que ele fez isso comigo? — ela se questionava. — Eu sempre amei ele, sempre. Eu não acredito que ele fez isso comigo, eu o odeio tanto por ter me machucado.

Não falei nada, nem Alice, deixamos Renesmee chorar. Alguns minutos depois meu pai apareceu, ele ordenou que Alice e eu fossemos tomar banho e comer, dizendo que ficaria com Ness. Eu aceitei, precisava de um banho e beber ao menos um pouco de café para lidar com o cansaço cada vez mais forte tomando conta de mim.

Carmen e Alice estavam a mesa do café da manhã quando desci, em silêncio e sequer comiam.

— Algo sobre Nahuel? — perguntei para Carmen, enchendo uma xícara com café puro.

— Não, a polícia está atrás dele ainda e vão começar a falar com amigos dele e familiares do outro lado do país para ver se alguém sabe de algo. Rudy, a empresária da Ness, ligou ainda há pouco para seu pai, todos querem uma entrevista com ela. O cretino do Kevin Ford teve até a audácia de ligar diretamente para cá pedindo uma exclusiva.

— Acho que isso seria uma boa ideia — murmurei, Alice e Carmen me encararam confusas. — Nahuel está foragido, isso pesa para o lado dele, mas ele ainda é um homem, ele pode admitir a culpa e ainda terá muita gente o defendendo. Ness precisa aproveitar que ele está se escondendo agora e dar a versão dela dos fatos primeiro, odeio dizer isso, mas também mostrar o quão machucada está.

— Ele tem tantos fãs quanto ela, mas você acha mesmo que irão ficar ao lado dele nesta história? — Alice perguntou para mim.

— Ficaram ao lado de Paul, não? E eu era muito mais famosa que ele. — Alice suspirou e disse:

— Desculpa, mas sabe que nesse caso foi diferente, Bells. Você estava sob efeito de drogas naquele vídeo e foi tida como a vilã.

— Por isso precisam ver a Ness o quanto antes — Carmen falou, entendendo meu ponto. — Precisam ver ela como a vítima que realmente é, mas você acha que isso deve ser feito com Kevin? — A campainha tocou. — Deve ser o advogado.

— Kevin tem bastante público — respondi a pergunta de Carmen. — Eu vou conversar com Renesmee e ver o que ela acha disso, uma entrevista curta, contando sobre o que aconteceu e…

Eu me calei quando vi Renée parada junto à entrada da sala de jantar onde a mesa para o café da manhã estava posta, senti minhas pernas fraquejarem a ver minha mãe ali.

— Onde está a Renesmee? — ela perguntou tirando seus óculos escuros e os guardando na bolsa que carregava.

— Como você entrou aqui? — Carmen perguntou se levantando, sua expressão não era nada boa, eu deixei a xícara sobre a mesa, antes de deixá-la cair e segurei no encosto de uma cadeira para me firmar de pé.

— Pela porta, querida — Renée debochou. — Onde está minha filha? Alice, prepare uma xícara de café para mim com duas gotinhas de adoçante.

— Você não deveria estar aqui — sussurrei e foi a primeira vez que Renée pareceu olhar para mim naquela manhã.

— Renesmee precisa de mim — ela disse e me analisou de cima a baixo. — E você claramente precisa dormir, Isabella. — Não falei nada, eu me sentia totalmente fora de mim naquele momento.

— Mãe, é melhor você ir embora — Alice disse apreensiva, se levantando.

— Vim ficar com Renesmee, é o que farei — declarou e apontou para a mesa. — Prepare meu café, só duas gotas de adoçante! — ordenou e saiu da sala de jantar, pisando firme em seus saltos.

— Bells, juro que não falei com ela — Alice disse rapidamente.

— Tanto faz agora — falei e segui Renée.

Eu a alcancei, segurando em seu braço e fazendo com que ela parasse de andar.

— Não machuque mais ainda a Renesmee!

— Eu nunca faria isso — ela disse.

— Não? Você deixava ela para baixo sempre falando sobre o corpo dela, deixou ela em segundo plano quando separou do meu pai e ainda tem coragem de dizer que nunca machucou a minha irmã? E eu preciso te lembrar o que fez comigo? Como bateu em mim? Você teve sorte em não deixar marcas em mim e sorte que eu não quis te denunciar, mas você me machucou naquele dia, Renée.

— Isso está no passado, Isabella. — Afastou uma mecha de cabelo do meu rosto e aquilo me fez querer chorar e a abraçar, me fez pensar no passado quando eu a tinha ao meu lado. — Eu vim de coração aberto para cuidar da minha filha.

— Você deve estar querendo algo com isso, não se importa com a Renesmee! — Senti a vontade de chorar tomar conta de mim mais ainda.

— Isabella, eu sou a mãe dela.

— Você não foi uma mãe de verdade para ela por mais de dez anos.

Renée soltou seu braço da minha mão e segurou meu rosto entre suas mãos finas, eu estava sem saltos, mais baixa que ela e me sentindo amedrontada pela figura imponente da minha mãe. Não era simples para mim confrontar ela, ao menos não pessoalmente.

— Eu sou a mãe de Renesmee, não você, eu vou cuidar dela. — Aquilo foi como uma facada no meu peito, eu sabia que não era mãe de Ness, eu sabia que não tinha jeito nenhum para ser mãe e não queria ter filhos, mas ela era minha irmãzinha, eu devia cuidar dela. — Agora vou ver sua irmã, comporte-se. — Soltou-se de mim e começou a subir a escada.

Fiquei para trás, recuperando minhas forças para ir atrás dela, mas não falei nada mais. Renée abriu a porta do quarto de Renesmee, onde minha irmã ainda estava chorando no colo do meu pai.

Charlie a viu primeiro e ficou automaticamente furioso, ele parecia estar prestes a gritar quando Renesmee viu nossa mãe e saiu da cama correndo até ela.

— Mãe! — minha irmã exclamou, eu engoli em seco, odiando ela estar buscando apoio em Renée. Isso não estava certo, Renée era uma filha da puta que não merecia nada de nenhuma de nós três, nem mesmo nossas lágrimas. Porém, eu sabia que naquele momento Renesmee iria se apoiar em qualquer um para se sentir melhor, mesmo que ela soubesse como nossa mãe era uma cretina.

— Ah, meu bem, eu sinto muito por tudo isso — Renée disse abraçando minha irmã de volta. — Estou aqui agora, prometo não te deixar sozinha.

— Obr-Obrigada — Renesmee gaguejou ainda aos prantos.

Olhei para meu pai, seu rosto estava muito vermelho naquele momento. Charlie se levantou e disse:

— Não acho que deva ficar aqui, Renée.

Renesmee se soltou dela e falou:

— Deixa ela ficar, por favor.

— Renesmee…

— Papai, por que você não desce e fica um pouco com a Carmen? — sugeri. — Ficarei aqui. — Ele balançou a cabeça em negativa e andou até onde Renesmee estava com Renée.

— Você não foi convidada para estar nessa casa, Renée!

— Estou aqui por nossa filha, Charlie.

— Papai, deixa ela ficar, por favor — Renesmee tornou a pedir, ele olhou bem para minha irmã naquele momento. — Eu quero todos vocês aqui.

Meu pai bufou e exclamou:

— Você só ficará nesta casa porque Ness está pedindo, Renée, ou eu mandaria a polícia te tirar daqui por invasão de propriedade privada. — Ela revirou seus olhos frios e papai saiu do quarto batendo a porta com força.

— Você está tão machucada, Ness — Renée falou afastando-se da minha irmã por um segundo para colocar sua bolsa sobre uma poltrona próxima, depois segurou nos braços de Nessie e disse. — Aquele homem vai pagar por tudo que fez com você, querida.

— Eu não posso acreditar que ele fez isso tudo comigo — Renesmee sussurrou. — Ele estava me traindo, mãe. Isso é loucura!

— Ele é um idiota. — Renée tornou a abraçar Renesmee, naquele momento senti inveja da minha irmã, inveja por ela estar tendo o carinho de Renée em seu momento difícil quando eu não tive no meu.

Alice abriu a porta, me distraindo momentaneamente do abraço das duas, minha outra irmã segurava uma xícara de café em mãos e suas mãos tremiam um pouco.

— Mãe, aqui está o seu café — anunciou, Renée soltou Renesmee e pegou a xícara de Alice.

— Acertou na dosagem do adoçante?

— Sim — Alice respondeu.

— Bom, não posso exagerar no açúcar e acabar gorda — disse bebendo um pouco do seu café, vi Renesmee franzir o cenho naquele instante. — Já comeu algo, Renesmee? — questionou minha irmã.

— Não — ela respondeu baixinho.

—Alice, vá buscar frutas e suco para sua irmã — Renée ordenou.

— Eu não quero comer — Renesmee falou, cruzando os braços na frente do corpo.

— Você quer panquecas? — perguntei para ela, Renesmee olhou para mim. — Com calda de chocolate. — Ela assentiu.

— É, acho que quero isso — murmurou.

— Renesmee, é cedo demais para tanta…

— Alice, mande fazer panquecas com chocolate para Renesmee — ordenei para minha irmã, interrompendo a fala de Renée. Alice respirou alto e saiu. — Acho que você também precisa de um banho para relaxar um pouco — falei para Ness, ela concordou com um aceno de cabeça e seguiu para o banheiro sem precisar me ouvir dizer mais nada.

— O que você está pretendendo com isso, Isabella? — Renée indagou furiosa.

— Com isso o que?

— Enchendo sua irmã com comida gordurosa, sabe que ela sempre teve problemas de comer muita besteira como forma de descontar a ansiedade dela.

— Primeiro, o que você entende sobre ansiedade? Segundo, se a Ness tem problemas sobre isso foi você que causou, passou a infância dela enchendo a cabeça da menina sobre peso e sua ideia de corpo perfeito. Em terceiro lugar, minha irmã está sofrendo e se ela quiser comer todo o chocolate da porra da Califórnia eu deixarei se isso a acalmar um pouco.

— Ah claro, você gosta de abusar de vícios, não?

Aquilo fez qualquer pose durona que eu consegui manter nos últimos minutos desabar.

— Estou cuidando da Renesmee, se eu não acho uma boa ideia ela se encher de comida é para o bem dela, para evitar que Ness acabe com problemas maiores depois.

— E onde você estava quando eu engoli um monte de pílulas e tentei me matar? — a confrontei, sentindo as lágrimas nos meus olhos.

— Estava limpando meu nome, esse que você sujou quando foi pra cama com aquele babaca e destruiu todo o futuro perfeito que construí para você!

— Eu quase morri e você não estava lá! — falei entre dentes.

— Você está bem agora, precisa superar!

— Chega! — A voz de Carmen me fez olhar para a entrada do quarto. — Cale a porra da sua boca, Renée — ordenou. — Ou eu passo por cima de Renesmee e te tiro dessa casa, te jogo na frente dos malditos paparazzis lá fora.

— Você é só a prostituta do Charlie, cale a boca…

— Não! — Eu agarrei o braço de Renée com força, fazendo com que ela parasse de falar. — Você não é mais a dona dessa casa, a Carmen é e você não vai mandá-la calar a boca!

Renée riu e se soltou de mim.

— O que deu em você para proteger essa mulher? Pelo que Alice me falava você a detestava.

— Eu percebi que ela faz meu pai feliz, diferente de você, então não ouse destratar Carmen na minha frente.

— Tão doce, Isabella! — Renée debochou. — No fundo você ainda é a mesma garotinha de antes, não?

— Eu com certeza não sou! — exclamei, andei para fora do quarto de Renesmee, evitando o olhar de Carmen.

***

Eu estava no meu quarto, deitada em minha cama encarando o teto, por um longo tempo quando Alice entrou ali. Ela sentou perto de mim e falou:

— Você já tá aqui dentro há horas.

— Precisava de um tempo longe da Renée.

— Imaginei, mas por que seu celular está desligado por todo esse tempo? Seu namorado já me mandou um milhão de mensagens.

Dei um pequeno sorriso pensando em Edward.

— Ele fez isso?

— Sim, ele queria saber sobre tudo aqui, especialmente você.

— O que você disse?

— Que estava tudo bem conflituoso, principalmente com Renée na casa.

— Eu queria que ela morresse.

— Isabella! — Alice chamou minha atenção. — Ela ainda é sua mãe.

— Foda-se.

— Ok, vim te lembrar sobre o lance de colocar a Ness para dar entrevista.

— Como ela tá?

— Saiu do banho e voltou a dormir, acordou tem uns cinco minutos e sequer comeu as benditas panquecas.

— Porra! — xinguei, dando um pulo para fora da minha cama. — Ela não pode ficar em greve de fome, precisa comer algo.

— Ela estava cansada e preferiu dormir, além do mais você ainda não comeu nada também.

— Estamos focando na Renesmee agora — falei, peguei meu celular sobre a mesinha ao lado da minha cama e fui para o quarto de Ness.

Renée estava sentada na cadeira da penteadeira mexendo em seu celular, Ness deitada na cama sozinha encarando o teto como eu estava fazendo antes.

— Você precisa comer! — exclamei, o que fez com que as duas olhassem para mim.

— Não, eu… — Renesmee começou a falar, eu pulei na cama com ela e a abracei.

— Não estou te ouvindo! — declarei deitada em cima dela, ela resmungou, mas também riu.

— Estou sufocada.

— Com todo meu amor — anunciei, ela riu mais um pouco e me abraçou.

— Ok, eu como.

— Vou buscar algo para vocês duas comerem — Alice, que tinha ido até ali comigo avisou.

Sai de cima de Ness ficando ao seu lado, fazendo com que ela se sentasse.

— Onde quer comemorar seu aniversário? — perguntei para Ness, ela me olhou confusa.

— Por que estamos falando do meu aniversário?

— Porque sei que você ama comemorar seu aniversário, estamos em agosto, mas o tempo passa rápido e logo estaremos em novembro e precisamos saber como vamos comemorar.

— Não tenho cabeça para pensar em comemorar nada, Bells — disse triste.

— Você precisa que eu faça os cancelamentos de tudo que já tinha agendado para o casamento? — Renée perguntou tirando os olhos de seu celular, Nessie claramente hesitou em dar uma resposta. — Renesmee esse casamento não acontecerá de forma alguma — a produtora deixou bem claro.

Ness ficou com seus olhos cheios de lágrimas, segurei na mão dela e falei:

— Eu sei que nesse momento os sentimentos que você está sentindo são bem confusos, mas preciso que comece a trabalhar neles e que comece a tentar entender que não poderá mais ficar com Nahuel.

— Eu amo ele, Bells.

— Eu sei, eu também amava o Paul, lembra? E você sabe que isso fazia mal para mim, eu sei agora que ele não merece nada de mim, nenhum pouco do meu amor. Você vai entender com o tempo também que Nahuel não merece seu amor.

— Você vai conhecer alguém muito melhor — Renée proclamou, fazendo com que Ness e eu olhassemos para ela, nossa mãe tinha voltado a mexer em seu celular, os olhos fixos na tela. — De preferência um cara mais importante. — Renée sorriu. — E branco — sussurrou, mas eu fui capaz de ouvir e podia apostar que Renesmee também, uma vez que minha irmã soltou minha mão e voltou a se deitar.

Eu sabia dos preconceitos de Renée, cresci os ouvindo e reproduzi muito deles sem nem mesmo entender e outros ainda reproduzia. Fora isso, meu próprio pai tinha a cabeça muito mais fechada no passado, mas ele mudou muito.

Ainda assim, o fato de Nahuel ser descendente de latinos nunca foi um problema para meu pai, Alice e eu. Eu fui muito preconceituosa com Carmen, e ainda dava meus deslizes, por ela ser mexicana, mas com Nahuel era diferente. Ele sempre foi bem-vindo à nossa casa e família, não era mais, mas eu sabia que isso não era ocasionado pela cor de sua pele.

Mordi minha língua, me freando de debater com Renée naquele momento. Eu não podia, nem queria estressar mais minha irmã.

Ness estava quietinha em seu lugar, encarando sua própria mão. Enquanto ela parecia distraída eu peguei meu celular e o liguei, ignorei as mensagens e entrei no Twitter. O nome dela e o de Nahuel eram os dois assuntos mais comentados, minha conta estava sendo muito citada também, especialmente nos últimos minutos e entendi rapidamente, era culpa de um tweet recente de Renée que dizia:

“Queria agradecer por todas as mensagens de carinho para a Ness, neste momento ela está com toda a família sendo cuidada e amada.”

E as pessoas estavam me marcando naquilo, a maioria querendo saber como estava o clima entre nós duas. Quis mandar todo mundo se foder, mas me contive.

— Pronto, agora as duas vão comer! — Alice exclamou ao entrar no quarto, carregando uma bandeja de café da manhã cheia de comida.

— Ness, senta — pedi para minha irmã, ela não recusou, se sentando. Alice colocou a bandeja sobre a cama e se sentou ali também.

— Cadê meu pai e Carmen? — perguntei para Alice, entregando para Renesmee um copo com suco.

— Papai foi pra delegacia com o advogado ver se consegue agilizar algo, Carmen está lá embaixo. — Ela se virou para Ness. — Lucy me ligou, disse que está tentando pegar um voo mais rápido possível vindo de New York.

— Ok — Ness sussurrou.

Peguei um morango, pensando em Edward. Aquilo me fez ceder e mandar uma mensagem para ele, mas não parei para ler nenhuma das dezenas que ele tinha me enviado antes.

Capitã: Como você está, pirralho?

Pirralho: Eu tô bem, quero saber como você está!

Capitã: Comendo morangos.

Pirralho: Precisamos conversar.

Capitã: É o que estamos fazendo…

Pirralho: Sabe do que estou falando, precisamos decidir se vamos ou não contar sobre nós dois antes de Nahuel fazer isso.

Não respondi, voltando a desligar meu celular. Somente a ideia de expor meu relacionamento já me deixava em pânico, sabia que estava sendo muito filha da puta com Edward o deixando de lado, mas eu não daria conta de tudo aquilo, não conseguia.

— Tudo bem? — Ness me perguntou, eu sorri para ela e assenti, enfiando o morango na boca. — E o… Você sabe quem? — Eu sabia, ela estava perguntando sobre Edward.

— Ele está bem — respondi de boca cheia, pegando mais um morango.

— Vocês vão contar?

— Contar o que? — Renée perguntou do seu lugar, mesmo que Nessie estivesse falando bem baixo.

— Você não foi convidada para fazer parte dessa conversa — afirmei, ela balançou a cabeça em negação.

— Não seja grosseira quando estou me preocupando genuinamente com você, Isabella — Renée exigiu.

— Por favor, não briguem! — Alice implorou, eu olhei para Renesmee e vi minha irmã tensa com a discussão se iniciando.

— Não estamos brigando. — Comi um pedaço de panqueca que Alice tinha levado para mim também. — Come mais — falei para Ness vendo o quão pouco ela tinha comido.

Ela voltou a comer e eu também, mas não consegui ir muito além de alguns morangos e mais um pequeno pedaço de panqueca, estava nervosa demais para me alimentar direito. Quando Ness acabou de comer, Alice tirou a bandeja da cama e Renée falou:

— Ness, precisamos conversar sobre algo muito importante.

— O quê? — ela perguntou desconfiada, segurando em meu pulso, passei minha mão por cima da dela.

— Alice, Isabella, nos deixem sozinhas — Renée ordenou.

— Não — Renesmee falou. — Elas podem ouvir, o que quer que seja.

Renée suspirou e disse por fim:

— Eu estive pensando e acredito que você deva dar uma entrevista. — Meu corpo tremeu ao ouvir aquilo, prevendo onde Renée chegaria. — Uma que você exponha sua versão da história, desse jeito as pessoas saberão que você é uma vítima, vão evitar te culpar por qualquer coisa. Você sabe como mulheres são desacreditadas, mas se você se manifestar antes de Nahuel será melhor.

— E para quem eu daria tal entrevista? — Ness questionou séria.

— Cinthya Hollan.

— A mesma que tem aquele talk show na emissora dos Dwyer? A emissora que você trabalha? — Renesmee arqueou uma sobrancelha.

— Cinthya é uma jornalista muito boa, seria excelente para você conceder uma entrevista a ela.

E seria ainda melhor para Renée levar aquela história com exclusividade para a emissora onde era produtora, esse era o motivo dela ter ido até ali, claro. Renesmee assentiu, soltou-se de mim e andou até a porta do quarto, a abrindo para Renée.

— Vá embora — minha irmã ordenou.

— O quê? — Renée perguntou perplexa.

— Você me ouviu muito bem, quero que vá embora, mamãe — disse em um tom de voz debochado e apontou para fora. — Quero que saia.

— Você enlouqueceu, Renesmee? — nossa mãe gritou e se colocou de pé. — Estou tentando te ajudar!

— Está mesmo? Por que eu não consigo acreditar em você querendo que eu dê uma entrevista justamente para Cinthya Hollan? Ou por você tudo bem eu falar com outro jornalista? Estaria tudo bem?

— Cinthya é a melhor, Renesmee!

— Não, você só quer uma exclusiva para aquela maldita emissora que trabalha. É por isso que veio aqui, não se importa comigo, não se importa com o que sofri, só quer saber de audiência.

— Eu sou sua mãe, claro que me importo com você.

— Você sequer foi a minha festa de aniversário ano passado!

— Eu estava ocupada com o trabalho.

— Você sempre está, Renée, sua vida é seu maldito cargo de produtora e sua obsessão em virar a presidente de tudo aquilo um dia.

— Renesmee, pare de show e me escute, essa entrevista vai ser importante…

— Para você! — Renesmee gritou. — É importante para você que eu dê uma entrevista justamente para Cinthya. O que foi, Renée? Ser amante de Phill Dwyer não está sendo o suficiente para que daqui há alguns anos ele te nomeie presidente? — Arregalei meus olhos ao escutar aquilo, Alice escondeu o rosto atrás das mãos e Renée ficou pálida. — O que foi, mamãe? — Renesmee voltou a debochar. — Você pensa que ninguém desconfia do seu caso de anos com seu chefe? Bom, eu sei disso tem muitos e muitos anos.

Renée cruzou o quarto até parar na frente de Renesmee, falando entre dentes:

— Não tenho caso algum com Phill Dwyer, ele é meu chefe, é casado e sou amiga da esposa dele. Nunca mais repita um absurdo desses, garota.

— Vá embora! — Renesmee gritou mais uma vez. — Eu não sei porque pensei que você estava mesmo aqui para cuidar de mim, você só pensa em si mesma, Renée, sempre foi assim. Eu te odeio, você me dá nojo!

Renée, vermelha de raiva, não disse mais nada, pegou sua bolsa e saiu, batendo a porta do quarto com força.

— Há quanto tempo ela tem um caso com Phill Dwyer? — indaguei Renesmee, que olhou para mim com os olhos cheios de culpa.

— Muitos, muitos anos, Bells.

— Quanto tempo? — insisti.

— Eu tinha sete quando a ouvi falando com ele ao telefone, era Natal, estávamos em Nashville — sussurrou. — Ela dizia o que faria com ele quando se encontrassem.

— Ela ainda estava com o papai — murmurei.

Renesmee começou a chorar.

— Você nunca disse isso para ele, não é?

— Não até eles se separarem na época do Escândalo Swan.

— Ela esteve traindo o papai por sabe-se lá quanto tempo antes disso, você deveria ter dito para ele logo! — falei furiosa.

— Eu era uma criança — Renesmee se defendeu. — Eu mal conseguia entender o que ela estava querendo dizer para o Phill.

— Você deveria ter dito! — continuei gritando, ficando de pé. — Ele teria se separado dela antes, eu teria me afastado dela por ter traído o papai, isso faria com que Paul nunca entrasse na minha vida, faria com que o Escândalo Swan nunca acontecesse.

— Não coloque a culpa disso em mim, Isabella — Renesmee pediu aos prantos. — Eu era só uma criança.

— Você poderia ter feito com que tudo fosse diferente — repeti. — Para todos nós, você deveria ter dito.

— Bells, ela era só uma menina — Alice falou.

— E você não sabia? — gritei com Alice.

— Não e eu só tive a confirmação disso agora, desde o Escândalo Swan que fiquei mais perto da mamãe sabia que ela e Phill eram próximos, mas não acreditava que fosse assim.

— Foda-se, obrigada por ter mantido segredo sobre algo tão importante! — disparei para Renesmee e sai do quarto.

***

Entrei no estúdio do meu pai e me assustei a ver Carmen ali, ela estava sentada ao banco do piano e chorava.

— Carmen?

Ela olhou para mim, limpando seu rosto.

— Oi.

— O que aconteceu?

— Nada demais, só Renée que saiu daqui falando um monte de merda. Por que ela foi embora?

— Ela queria que Renesmee desse uma entrevista também, mas claro que para um talk show da emissora dos Dwyer.

Carmen revirou os olhos e cruzou os braços na frente do corpo.

— O que ela disse para você?

— Não…

— O que ela disse?

— Que estava feliz de eu ter perdido meu bebê, mas triste que eu não tinha morrido.

Porra, aquela mulher era o próprio demônio.

— Não… Não liga para o que ela diz, Carmen. — Sentei ao seu lado. — Ela é louca.

— Tanto faz, como sua irmã está?

— Nós duas brigamos.

— Por quê?

— Longa história. — Apoiei minhas mãos sobre o piano. — Carmen, de quem são as pílulas no armário do banheiro da sua suíte e do papai?

— Você pegou alguma? — indagou nervosa.

— Não. — Olhei para ela. — São do meu pai? Ele está com algum problema?

— Não, querida. — Afagou meu rosto, eu não a afastei. — As pílulas são minhas, eu estou as tomando desde o aborto, meu médico as receitou.

— Você está melhor?

— Consideravelmente. — Levou sua mão do meu rosto ao meu braço. — Seu pai me disse que você está indo a terapia, vai fazer uso de remédios?

— Eles não foram bons para mim no passado.

— Você sabe que não foram os remédios, foi a forma que usou eles.

Assenti, engolindo em seco.

— Por que não sobe e vai dormir um pouco?

— Não quero.

— Ok, então suba e se entenda com sua irmã, sei que vocês se amam e não será bom para nenhuma das duas nesse momento estarem brigadas.

— Ela errou.

— Você já errou também, não? — Suspirei. — Vai ficar com sua irmã. — Tirou a mão de mim. — E tenta descansar um pouco.

— Ok — concordei, me levantei e voltei para o quarto de Renesmee, ela estava só. — Cadê a Alice?

— Randall ligou — Ness respondeu, estava sentada em sua cama, encolhida.

— Por que você nunca me contou? — perguntei.

— Eu era uma criança, já disse isso!

— Não, não quando você tinha sete anos, mas depois, quando já era mais velha. Você e eu sempre fomos tão próximas.

— Não queria te dar mais dor de cabeça, eles já tinham se separado mesmo.

— E você passou anos guardando isso sozinha.

— Não estava sozinha, o papai sabia.

— E alguma vez depois que você contou ele e você conversaram sobre isso?

— Só uma vez — sussurrou. — Quando ele disse que eu nunca deveria aceitar uma traição, por mais que amasse a pessoa.

Suspirei e fui para a cama com ela, segurando em suas mãos.

— E eu estava duvidando de Nahuel me traindo, mesmo assim não o confrontei antes, não disse isso para mais ninguém.

— Você precisa prometer que nunca mais vai esconder nada tão sério de mim, Ness — pedi. — Eu sou sua irmã, eu me preocupo tanto com você. — Beijei suas mãos. — Não faz ideia de quanto dói em mim te ver machucada.

— Eu faço ideia sim — murmurou. — Já estive do outro lado, Bells. — Apertou nossas mãos. — Desculpe não ter contado sobre Renée, nem sobre eu estar suspeitando de Nahuel me traindo.

— Sem mais segredos entre nós duas. — Beijei seu rosto e a abracei.

— Bells, ela nunca amou a gente de verdade?

— Não sei, Ness.

— Eu queria ter tido uma boa mãe. — Apertei ainda mais Renesmee em meus braços. — Obrigada por ter cuidado de mim, obrigada por ainda cuidar.

— Sempre, querida. — Beijei seus cabelos e a afastei um pouco. — Você deve dizer não caso não queria, mas eu pensei como Renée mais cedo e acho que deva dar uma entrevista contando seu lado da história.

— Eu entendo a motivação disso — falou baixinho. — Mas não consigo sequer pensar na ideia de ficar na frente de uma câmera e contar o que Nahuel fez comigo.

Concordei, eu respeitaria totalmente a decisão dela.

— Bells, você precisa contar ao mundo sobre seu namoro com o Edward, antes de Nahuel aparecer e fazer isso.

— Não, ainda não — neguei. — Que tal assistirmos algum filme?

***

Por volta de oito da noite eu estava com Ness, Alice, Carmen e meu pai na sala principal da mansão, assistíamos filme todos juntos e comíamos pizza — bom, eles comiam eu não conseguia — que papai tinha pedido, ele tinha voltado para casa na hora do almoço. Até aquele momento Nahuel ainda não tinha sido localizado, o que era terrível, eu o queria preso, porém isso ainda me apavorava, sabia que ele poderia falar sobre Edward e eu como retaliação.

O celular do meu pai tocou, fazendo com que todo mundo olhasse para ele. Ele o pegou de seu bolso e saiu da sala, Renesmee sentada no sofá sob o braço de Carmen ficou tensa, depois de um tempo se divertindo com o filme que viamos.

Meu pai passou cerca de dez minutos fora e quando voltou Alice pausou o filme para ele falar:

— O empresário do Nahuel decidiu abrir a boca de verdade para a polícia, ele contou sobre a mulher que o filho da puta estava traindo você, Ness. — Ela começou a chorar na hora. — Você quer ouvir?

— Sim, pode dizer.

— Nicole Benson, a modelo.

— Ai caramba, ela é casada com aquele jogador de basquete, né? — Carmen indagou.

— Sim, o Ashton — respondi, sabia quem eram os dois.

Renesmee ainda chorando disse:

— Nós conhecemos eles em uma festa alguns meses atrás, já depois do nosso noivado, meu Deus, como ele é baixo!

— Foram falar com a Nicole? — Alice perguntou.

— Ela desapareceu — papai respondeu. — Eleazar disse para a polícia sobre o envolvimento dela com Nahuel e contou que estava sabendo que ontem ele ia vê-la, em um apartamento que Nicole alugava, mas pelo o que Eleazar também disse ele não sabe para onde Nahuel foi depois de sair de casa e deixar Ness lá, nem sabe onde ficava o tal apartamento que ele usava para se encontrar com a amante. O marido da Nicole já passou por depoimento, ele alega não saber nada sobre o envolvimento da esposa com Nahuel, nem onde ela está, disse que não a vê desde ontem de manhã.

— Então, Nicole e Nahuel fugiram juntos — pressumi.

— A polícia está trabalhando nessa hipótese — meu pai falou. — Eles estão buscando pelos dois agora.

Chorando, muito mais, Renesmee correu até a escada para subir. Alice e Carmen a seguiram, eu fiquei para trás, cansada demais aquela altura para ser tão rápida.

— Bells, você precisa assumir o namoro com Edward agora — papai disse para mim. — Nahuel será encontrado em breve, a polícia está muito mais mobilizada agora, e quando for encontrado ele vai atacar de volta e o que sabe sobre vocês dois é uma boa arma. Ele ainda vai atacar se vocês já tiverem assumido, mas será mais fraco.

— V-Vou f-fazer i-sso — gaguejei e me levantei, o celular em meu bolso parecia pesar, mas eu não avisaria Edward que estava indo até ele, iria direto para sua casa e resolveríamos isso.

— Quer que eu te leve? — papai perguntou.

— Não precisa, vou pegar algum carro da garagem e ir, fica com a Ness.

— Tudo bem, qualquer coisa me liga.

— Papai?

— Sim?

— Renesmee contou sobre Renée te traindo. — Os ombros dele caíram ao escutar aquilo. — Você deveria ter me dito antes.

— Eu não queria, sei que ela já feriu você de tantas formas, queria tentar preservar algo da imagem de mãe que você tinha em sua cabeça.

— Não acho que adiantou muito.

— Sei que odeio Renée, Bells, sei que ela é um monstro, mas ela realmente amou você e suas irmãs. Ao menos no passado posso afirmar isso, entretanto ela tem essa coisa dentro de si de querer ser melhor e maior, todo esse egoísmo...

— Alguma chance de uma de nós três sermos fruto de algum caso extraconjugal de Renée? — questionei preocupada, eu tinha os olhos de Charlie, ou sempre achei isso, mas tinha as feições de Renée e se só fosse filha de outro cara de olhos castanhos? E se minhas irmãs fossem filhas de outro?

— Isabella. — Papai segurou em meus ombros. — Você e suas irmãs são minhas filhas, eu garanto.

— Você tem provas?

— Eu tenho — ele anunciou, me deixando um pouco aliviada. — Cuidei disso tem muito tempo, mas se algum teste nesse mundo dissesse que uma de vocês não tem meu sangue eu não me importaria, filha. Vocês são minhas garotas, sempre serão. — Ele me abraçou por um tempo, até falar e me soltar. — Você realmente precisa ir resolver sua situação com Edward agora.

***

O sinal vermelho me mantinha parada em uma rua, eu segurava o volante do carro com tanta força que minhas mãos doíam. Meus músculos estavam contraídos, minha boca seca e sentia vontade de vomitar.

Eu contaria ao mundo sobre meu namoro com Edward, em algumas horas as pessoas iriam começar a jogar pedras em mim, tudo de novo como foi na época do Escândalo Swan. E as pessoas falariam mal de Edward também, iriam o desestabilizar, isso o deixaria mal, eu sabia, o conhecia.

O sinal ficou verde, eu não quis voltar a dirigir, mas uma buzina me obrigou a isso. Então, o carro avisou que a gasolina estava acabando, xinguei e parei no primeiro posto que vi, abasteci o carro mecanicamente e quando acabei com isso entrei na loja de conveniência para comprar uma garrafa de água e algo de chocolate para me dar energia e manter de pé.

A loja estava vazia, apenas o vendedor atrás do caixa, um garoto que mal parecia ser maior de idade. Eu peguei três barras de chocolate e segui até o refrigerador para pegar água, vendo as garrafas de cerveja ali, pensando que poderia beber uma, só para aliviar a tensão e me ajudar a ficar mais calma, não faria mal.

Peguei uma garrafa de cerveja e ignorei a água, levei tudo para o caixa.

— Só isso? — o atendente perguntou entediado.

Pensei por dois segundos e respondi:

— Não.

Andei pela loja até encontrar garrafas de vodca, a bebida era bem melhor do que cerveja e me acalmaria mais rápido. Escolhi uma garrafa e voltei para o caixa.

— Só? — ele perguntou novamente.

Olhei ao redor, vendo chicletes e mais chocolates perto do caixa, mas também vendo cigarros. Minha mão foi até um maço e joguei junto das minhas compras, aproveitei e peguei um isqueiro.

Cigarros não me matariam, além do mais eles e o álcool eram drogas lícitas, não?

O atendente passou tudo, eu paguei e cai fora. Deixei a sacola com compras ao meu lado no banco do carona e sai do posto, dirigindo e procurando um lugar para beber e fumar. Eu não podia fazer aquilo na minha casa ou na de Edward, ele surtaria comigo, mas precisava daquele alívio, eu precisava.

Estacionei meu carro no estacionamento vazio de uma loja que não estava mais aberta aquele dia, remexi na sacola e peguei a garrafa de vodca, consegui a abrir com facilidade e imediatamente bebi um gole. Queimava, mas também parecia um conforto. Apoiei a garrafa entre minhas coxas, enquanto pegava um cigarro e o acendia.

Fazia tanto tempo que eu não fumava que aquilo me fez engasgar, mas logo recuperei o ritmo e era como nos velhos tempos. Quando como eu estava no meu apartamento bebendo, fumando e cheirando com Paul, antes da minha vida ser arruinada por aquele vídeo, antes da minha mãe me abandonar.

Bebi mais um gole de vodca e dei mais uma tragada no cigarro, liguei o som do carro e deixei em uma estação que tocava rock pesado. Não me importei com as letras, ou com quem cantava, eu só queria o barulho ensurdecedor sendo mais alto do que meus pensamentos.

Queria abafar a vontade de chorar, queria me proibir de pensar em como Renesmee sentiu dor quando Nahuel bateu nela, ou quando Carmen foi espancada pelo senador. Queria esconder meus pensamentos sobre Renée traindo meu pai no passado, ou as fantasias que me assustavam em pensar que Edward poderia me trair um dia. E não queria pensar quando engoli aqueles remédios, nem pensar nos remédios no armário de Carmen e como estava arrependida de não ter os roubado.

Então, eu continuei bebendo, precisava esquecer tudo aquilo.

***

Meu celular, em algum lugar no carro tocou, me fazendo despertar, já estava no segundo cigarro e a garrafa de vodca quase na metade. Eu o procurei pelo carro, querendo o desligar, encontrando-o debaixo do banco do motorista, sequer lembrava de ter ligado o som dele para ligações. E vi que era Rosalie me ligando, por que ela estava me ligando? Edward estava bem? Ele poderia estar machucado de alguma forma?

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Apaguei o cigarro na sola do meu sapato, abaixei o volume do som e atendi a ligação de Rosalie.

— Oi.

— Bella — ela começou a falar. — Você está bem? Desculpa estar ligando, mas com tudo isso acontecendo fiquei preocupada com você. Precisa de algo? Mamãe pensou em te levar um bolo de chocolate.

Eu comecei a chorar, sem conseguir mais controlar aquilo.

— Bella?

— Onde você está?

— Vim buscar algo no apartamento da mamãe, mas nós duas já vamos volta para a casa do Edward.

— Vem me buscar, por favor — implorei. — Não quero ver Edward agora. Eu não posso ligar para ele vir me pegar, não posso assumir esse namoro publicamente agora, não posso, não consigo.

— Meu Deus, Bella! Onde você está? — Ela disse algo fora do telefone, mas não consegui ouvir o que era.

— Não sei onde tô. — Chorei mais. — Só me tira daqui, eu estou bebendo, não posso dirigir, não sei se conseguiria do jeito que estou tremendo de pânico.

— Preciso que me diga onde está, Bella — Rosalie insistiu.

— Eu não sei! — gritei.

— Isabella? — Era a voz de Esme. — Me escute, certo? Rosalie e eu vamos te buscar, mas precisamos saber onde. Mande uma mensagem para mim com sua localização, querida e vamos te pegar agora mesmo.

— Ok — murmurei. — Vem rápido — pedi, desliguei a chamada e bebi mais, não conseguia parar, mas tive forças de enviar a mensagem para Esme.

***

Alguém bateu na janela do carro, me assustando, olhei para o lado e vi Esme. Com a mão tremendo eu abri a porta, com a outra mão ainda segurava a garrafa de vodca.

— Vem, vamos te levar para casa. — Rosalie estava atrás dela, Esme tirou a garrafa da minha mão, pegou meu celular sobre meu colo o guardou em seu bolso e me ajudou a sair do carro. — Rose, você dirige.

Elas me colocaram no banco de trás do carro de Esme, e ela ficou ali comigo.

— Você usou algo?

— Só bebi e fumei — murmurei ainda chorando.

— Ok, vai ficar tudo bem, querida. — Ela me abraçou e eu chorei em seus braços por todo o caminho.

***

Eu deixei Esme cuidar de mim, simplesmente não tinha mais forças para nada e estava bêbada demais para qualquer outra coisa além de chorar. No banho eu vomitei duas vezes, enquanto ela me segurava e dizia que tudo ficaria bem.

— Eu amo ele — falei para Esme enquanto ela terminava se secar meus cabelos depois de me botar em roupas de dormir, estávamos na minha casa, perto, mas ao mesmo tempo longe de Edward. — Amo seu filho, mas estou com medo de assumir nós dois para todos, medo do que vão falar e fazer.

— Sei disso — ela disse e desligou meu secador, o colocando sobre a mesinha ao lado da minha cama. — E vocês dois vão resolver isso amanhã, hoje você vai dormir, precisa descansar.

— Não, eu não posso, tenho que voltar e ficar com a minha irmã e preciso resolver tudo com Edward para nos assumirmos.

— Isabella. — Esme segurou em meu rosto com ambas as mãos. — Você claramente teve um dia difícil e só precisa agora de um pouco de paz. Me deixe cuidar de você, ok?

— Você não me odeia?

Ela deu um pequeno sorriso.

— Não, eu não te odeio, se eu te odiasse não teria ido te buscar. — Ela beijou minha cabeça. — Você viu sua mãe hoje, certo? Edward disse que ela foi para a casa do seu pai.

— Ela traiu meu pai — murmurei. — Ela é a pior pessoa do mundo, ela não estava lá por mim, ela nunca esteve de verdade. E quando Edward e eu revelarmos o namoro ninguém vai estar lá por mim, Renée não estará.

— Você tem seu pai, Bella. — Esme disse, ainda segurando meu rosto. — E suas irmãs, você tem Edward agora e tem a mim também. — Afagou meu rosto. — Você não precisa da sua mãe, você consegue sem ela, você já conseguiu, olha onde está.

— Não é simples, eu sinto falta dela, sempre senti.

— Eu imagino, querida. Mas estar perto dela dói mais do que estar longe, não?

Concordei com um aceno de cabeça.

— Eu vou estar ao seu lado e ao lado de Edward quando tornarem público o namoro, sei que você está com muito medo das consequências disso, mas quero que se lembre que vai poder contar comigo. Tenho dois filhos, mas sou capaz de colocar mais uma nos meus braços. — Sorriu carinhosamente para mim, eu dei um pequeno sorriso ao escutar aquilo.

— Mas você prefere a Leah.

Esme suspirou.

— É você quem faz meu filho sorrir. — Tirou suas mãos de meu rosto. — E se Edward está feliz, eu estou feliz.

— Obrigada, Esme.

— De nada, agora você precisa dormir. Rosalie está com Edward na casa dele, quer que ele venha para cá?

— Não — confessei. — Ele vai ficar me vigiando a noite toda, não quero ele acabando tendo uma crise por isso. Você pode ficar comigo?

— Com certeza, querida.

***

Na manhã seguinte acordei morrendo de dor de cabeça, mas isso ficou em segundo plano quando abri meus olhos e vi os de Edward.

— Oi, Capitã. — Ele sorriu para mim, eu comecei a chorar, Edward me abraçou e não disse nada, mas eu falei:

— Me desculpa por ter ficado fugindo de você ontem.

— Eu entendo.

— Vamos assumir hoje, agora, antes de Nahuel ser encontrando e nos entregar…

— Bella — Edward falou me interrompendo, me afastou um pouco e falou. — Nahuel já foi encontrado.

Senti meu coração apertar e perguntei:

— Já sabem sobre você e eu?

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 20.06.19