Hollywood

102 Capítulo Cem


Notas iniciais
Oi, pessoinhas! Capítulo dedicado a Prisc-little que recomendou a fic, muito obrigada, meu bem. —__ Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —___ Grupo no Telegram: https://t.me/joinchat/MrT_3cJdpvtiZDdh —___ Me siga no Instagram: @autoralolaroyal —___ Música do capítulo: 1. https://youtu.be/T-6YN8De-Yw 2. https://youtu.be/y1ru9OqE3Bk 3. https://youtu.be/YnUuyQKKqRQ 4. https://youtu.be/3mPmDFIlL20 5. https://youtu.be/WRCKdNLYlgE 6. https://youtu.be/_ZPtMfE018Q 7. https://youtu.be/0ZGWpcDwajg —___ Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure profissionais especializados sempre. —__ Boa leitura!

Capítulo Cem

Isabella Cullen

“Do topo de Hollywood ao limbo: Conheça a história de Isabella Swan.”

Eu fui exposta, humilhada, julgada e condenada. Por anos cumpri sentença, sendo que era a vítima, e quando a verdade foi revelada ainda me usaram como espetáculo midiático.

“Hollywood errou com Isabella Cullen.”

***

Balançava a cabeça ao som da música que tocava na loja, enquanto a vendedora nos atendendo explicava para Tanya as diferenças entre dois berços. Era impossível não curtir a canção, já que se tratava de Garota do cantor Ed Cullen, meu marido, e eu a inspiração para ela.

— Ei, reconhece quem está cantando? — perguntei para Tina, que estava sentada em um banco da loja, com meu celular em mãos, ela tinha implorado para jogar Candy Crush nele e permiti, já que as compras que a mãe dela e eu estávamos fazendo pareciam estar sendo cansativas para a garota, que antes estava resmungando.

— Ed — murmurou e parecia meio cansada.

Me aproximei mais dela e questionei:

— Tudo bem?

— Estou com frio e minha barriga dói.

Toquei em sua testa, sentindo que ela estava bem quente, não precisava nem de um termômetro para ter certeza de que estava com febre.

— Tanya? — chamei por ela e a olhei, quando me viu perto de Valentina, que estava visivelmente com algo a incomodando, minha amiga andou até a gente, já perguntando o que tinha acontecido.

Falei da febre e Tina contou que sua barriga estava doendo.

— Tina, você deveria ter dito antes. — Tanya a pegou no colo, eu peguei meu celular da mão da garota, bloqueei a tela e o guardei na minha bolsa.

— Estou com dor, mamãe — se queixou abraçando Tanya.

— E está tão quente! — Tanya exclamou tocando na testa de Tina. — Vou te levar para o hospital. Vamos precisar parar as compras por aqui — falou para a vendedora, que fez cara de choro ao escutar aquilo, já que iria receber uma grande comissão.

— Por que não fala com o Santiago para ele te encontrar no hospital e eu finalizo as compras? Pago tudo que já escolheu e cuido de organizar a entrega no seu apartamento — sugeri para minha amiga, eu ainda tinha tempo até voltar para Holly, também queria escapar do hospital, mesmo que fosse até lá como acompanhante.

— Certo, bom plano. — Tanya topou. — Vamos para o carro, filha — falou para Tina e beijou o rosto dela. — Depois acerto tudo com você, B.

— Não se preocupa com isso. — Afaguei os cabelos de Tina. — Melhoras, querida.

— Tchau, tia.

Tanya se despediu também e começou a sair com Valentina, já pegando seu celular para falar com Santiago. Esperei que elas não tivessem problema na saída da loja, Felix tinha me avisado minutos antes que alguém deveria ter vazado minha localização, pois alguns paparazzis surgiram na porta do lugar.

Ergui o braço chamando por Felix, que estava do outro lado da loja, e indiquei que ele fosse com Tanya até a garagem, o segurança hesitou, mas foi. Eu me voltei para a vendedora, como minha amiga não tinha escolhido o berço, isso deveria ser resolvido depois, mas ela já tinha reservado vários itens e eu também iria levar algumas coisas para Holly.

Fui para o caixa com a vendedora, estava preenchendo endereços de entrega quando outra funcionária do lugar, em um tom de voz empolgado, me questionou:

— É verdade o que Paul Lahote disse no vídeo?

O nome e a pergunta me congelaram, que diabos tinha acontecido?

— Ele falou do Escândalo Swan. — Ela me mostrou seu celular, só que sequer olhei para a tela. — Disse que... — A mulher se interrompeu quando ouvimos um grito.

— Isabella, como se sente depois do que Paul Lahote confessou? — Olhei em direção ao grito, um homem estava tirando uma câmera de dentro do casaco que usava e apontando para mim, um maldito paparazzi tinha conseguido burlar a segurança da loja, seguranças aqueles que correram até ele tentando o deter.

E Felix, que voltou naquele momento, vendo o tumulto, não esperou por mais nada. Segurou em meu braço e me fez andar para longe da confusão, o paparazzi ainda estava gritando perguntas para mim, mas eu estava mais concentrada em não cair, olhando para o chão no caminho até a garagem.

— Vou precisar lhe levar para a mansão — Felix falou já na garagem, diminuindo um pouco o passo até o carro. Escutei um celular tocar, mas não era o meu, deveria ser o dele. Ainda assim, o segurança não atendeu, focado na missão de garantir minha proteção primeiro. — É mais fácil deixá-los longe.

Concordei, sabia que seria melhor, os paparazzis lá fora provavelmente iriam me seguir e o condomínio era mais seguro do que o prédio onde minha sogra morava. Precisava falar com Ed, mandá-lo sair com Holly de lá logo.

Nem sabia o que realmente estava acontecendo, só que Paul tinha citado o Escândalo Swan. Segundo o paparazzi, confessado alguma coisa também.

Felix abriu a porta de trás do carro para mim, eu sentei atrás do banco do carona, logo meu segurança estava entrando no veículo também para dirigir. Meu coração estava a mil, tentando colocar o cinto de segurança, procurar meu celular na bolsa e praguejar quando senti leite saindo do meu peito esquerdo, vazando mesmo com o sutiã e molhando minha camiseta. Por sorte estava com uma jaqueta por cima da blusa, eu a fechei, soltando a bolsa e o cinto, precisava concentrar em uma coisa de cada vez.

Quando o carro deixou a garagem, vi que a quantidade de paparazzis ali era bem maior do que a informada por Felix mais cedo. Alguma coisa realmente tinha acontecido, eu me desesperei, Paul tinha vazado outro vídeo meu?

— Cinto — Felix disse me lembrando daquele detalhe, eu tinha paralisado a ver os paparazzis.

— Claro — murmurei e prendi o cinto ao redor de mim.

Peguei minha bolsa novamente e encontrei meu celular, Edward já tinha ligado e mandado várias mensagens. Só que o aparelho estava no silencioso, Tina deveria ter feito isso quando estava jogando nele.

— Vou falar para Ed levar Holly para casa — disse para Felix, estávamos sendo seguidos, paparazzis em carros e motos. Era uma loucura, não era tão perseguida assim desde que descobriram sobre Edward e eu.

O segurança concordou, estava prestes a ligar para meu marido quando tudo aconteceu muito rápido. O sinal estava verde para a gente, Felix continuou dirigindo, mas fomos atingidos, um carro acertando o nosso pela esquerda, na lateral do motorista.

Os airbags foram acionados, minha cabeça bateu com força no da lateral, perto da minha janela, o impacto me fez soltar o celular. O carro foi arrastado pelo outro por alguns metros de distância, até acabar acertando em um terceiro carro e parar.

Eu tremia, dos pés à cabeça. Nunca tinha sofrido um acidente, mas sabia muito bem a sensação de estar em uma situação de perigo extrema, vivi ela muito bem com a overdose.

— Felix, Felix! — Me voltei para ele, que estava com os olhos fechados, a cabeça tombada um pouco para o lado.

— Estou bem — murmurou abrindo os olhos. — Acho que quebrei alguns ossos, mas bem. — Conseguiu se soltar do seu cinto, gemendo muito de dor.

Também tirei o meu com um pouco de dificuldade por conta das mãos trêmulas, minha cabeça doía e minha perna direita também, por conta do impacto sofrido quando acertamos o terceiro carro do acidente.

Não tinha como abrir nenhuma das duas portas do banco de trás, forcei e algo estava mantendo-as presas, com certeza os outros carros. Os airbags não me permitiam ver nada pela lateral do carro, mas eu conseguia ver um pouco do lado de fora pelo para-brisas — que estava trincado —, por cima dos airbags frontais, pessoas paradas do lado de fora dos seus carros e alguns deles eram os malditos paparazzis.

— Puta que pariu — xinguei, tentando novamente forçar a porta perto de mim a abrir, mas não consegui.

Felix tentou abrir a porta do carona, mas também não conseguiu e gemeu ainda mais.

— Calma, não se mexe — implorei a ele, dava para perceber que tinha se machucado bem mais do que eu, o carro tinha atingido em sua direção. — Vão tirar a gente, só calma. — Eu tremia cada vez mais, procurei meu celular no chão do carro, mas não o encontrava. — Felix, o seu celular, cadê seu celular?

Eu não queria só chamar por ajuda, bombeiros, ambulância, polícia, a coisa toda. Não era só isso, também precisava ligar para meu marido, precisava que Edward me falasse que Holly estava bem, se estavam atrás de mim, também estariam atrás deles e eu poderia sofrer um milhão de acidentes, mas não queria que nada tirasse um fio de cabelo da minha filha do lugar.

— Tá no meu bolso de trás, não consigo pegar, você também não vai alcançar.

— Bosta! — Continuei procurando meu celular, mas nem sinal dele. — Abre, merda! — Apertei o botão do teto solar do carro, aquela altura eu estava chorando e sentindo mais dor na minha perna.

O teto solar não abriu, eu voltei a me sentar no banco de trás, já que estava curvada entre os bancos da frente e olhei para minha perna. Vi um corte grande na calça jeans e sangue, muito sangue.

— Eu quero sair daqui! — gritei tentando forçar mais a porta do carro. — Socorro!

Ouvi sirenes, todas elas e gritei mais, gritei ao ponto de ficar com a garganta doendo. Também não parava de forçar a porta, precisava sair daquele carro, estava sufocada, nunca fui claustrofóbica, mas a situação estava me deixando surtada. Acabei forçando tanto a porta que minhas mãos ficaram arranhadas por isso, mas não parei, também tentei tirar o airbag do meu caminho, só que era muito resistente e isso era algo bom, porém não no meu estado de desespero.

Por fim, pelo para-brisas, vi os bombeiros começarem a trabalhar. Pouco tempo depois, para meu alívio parcial, abriram minha porta. Outros tentavam abrir a porta de Felix.

— Você está machucada? Como está se sentindo? — o bombeiro perguntou para mim, comigo ainda sentada no carro, mas podendo ver um pouco mais do lado de fora agora que a porta tinha sido aberta e respirei melhor também.

— Minha perna está sangrando. — Indiquei a direita. — E bati a cabeça no airbag, mas só isso. O Felix, vocês precisam tirar ele. — O segurança ainda estava acordado, mas resmungando de dor cada vez mais.

— Vamos cuidar de vocês dois — o bombeiro garantiu e me tirou do carro, não me deixou andar, me carregando no colo.

Muitos gritos soaram pela rua naquele instante, paparazzis gritando meu nome loucamente. A polícia estava os mantendo longe, cercando o lugar, mantendo aqueles vermes e curiosos afastados, mas não o suficiente.

O bombeiro me colocou numa maca no chão, três paramédicos começaram a cuidar de mim ali mesmo e uma delas me enchia de perguntas.

— Você está tonta?

— Um pouco.

— Enjoada?

— É, acho que sim.

— Suas costas doem?

— Estão só tensas.

— Qual seu nome?

— Isabella.

— O nome completo, senhora.

— Isabella Marie Swan Cullen — murmurei, um deles mexia em minha calça, cortando o lado direito na altura do joelho. — O que você está fazendo? — questionei.

— Precisamos limpar seu corte e verificar a profundidade, senhora.

O outro paramédico apareceu com um colar cervical, o colocando em mim mesmo que eu tentasse negar.

— Não estou tão machucada assim.

— É uma precaução, senhora.

— Qual sua idade? — a paramédica das perguntas questionou, me fazendo deitar na maca.

Meu corpo todo estava dolorido aquela altura, mas não poderia dizer se por conta do acidente ou por minha ansiedade estar extrema.

— Trinta e três.

— Vamos lhe levar para o hospital... — Eles ergueram a maca e me colocaram na ambulância.

— Não, não. — Choraminguei e fechei meus olhos, as lágrimas correndo por meu rosto. — Hospital não, eu posso cuidar disso em casa. — Reabri os olhos e tentei me levantar, isso me fez ficar mais tonta e me deitaram novamente.

— Você precisa ser examinada mais detalhadamente — ela falou. — Também precisarão suturar o corte na sua perna.

— Preciso falar com meu marido! — gritei, ali notando quão rouca estava.

— Os bombeiros estão tirando seu marido do carro, senhora, a outra ambulância vai socorrê-lo. — O homem do colar contou, enquanto ajudava o outro com minha perna.

— Não é o marido dela.

— Não é meu marido.

A paramédica e eu falamos juntas, agarrei a mão dela, não conseguia me mover muito graças ao maldito colar, mas minha mão ainda estava livre.

— Você sabe quem eu sou.

— Sim, senhora Cullen.

— Então sabe que tenho uma filha de quatro meses em casa, preciso muito falar com Ed e saber se eles estão bem, esse acidente só aconteceu porque eu estava sendo perseguida por paparazzis e pode ter gente indo atrás deles.

Ela suspirou, mas concordou.

— O’Neill, pega a bolsa da senhora Cullen no carro, ela vai precisar dos documentos no hospital e pode usar o celular para falar com o marido — ordenou para o paramédico que achava que Felix fosse meu marido.

— Meu celular caiu na hora do acidente, procure ele no carro — ordenei também, estalei os dedos, mas estava tão cansada que não fez muito efeito.

O cara suspirou, não parecendo muito contente com as ordens, mas foi fazer aquilo. Voltei a fechar meus olhos, estava com mais vontade de vomitar e coração acelerado, só que também com um sono vindo do nada, mas a paramédica não me deixou dormir, continuando a fazer perguntas.

Sobre a data, o nome da cidade que estávamos, quem era o presidente. Estava testando minha cabeça, para ver se eu não tinha algo de errado após o acidente.

— Senhora Cullen, o seu marido... — Abri meus olhos e vi que o tal O’Neill estava de volta. — Ele está na linha. — Entregou meu celular, eu o peguei e falei com Edward.

— Pirralho — sussurrei, chorando mais ainda.

— Como você está? O que aconteceu? Esse paramédico não me deu a porra de detalhe nenhum, só falou que você sofreu um acidente e iria para o hospital — Edward gritava, estava furioso e preocupado.

— Estávamos saindo da loja, fugindo de uma multidão de paparazzis quando um carro bateu na gente. Eu estou bem, um corte estúpido na perna, mas ainda querem me arrastar para o hospital. — E fariam mesmo isso, fecharam as portas da ambulância e ela começou a se mover. — Cadê minha filha? Ela está bem? Está com fome? — Eu solucei.

— Ela está bem, vai ficar com minha mãe e Aro, vou mandar a Renata ficar com eles para ajudar e comprar fórmula caso precisem alimentar ela com algo a mais do que seu leite. Vou encontrar você, tá? Vai ficar tudo bem, Capitã. — A voz dele vacilou, mas Edward pareceu se conter para não chorar. — Jura que você está bem?

— Eu estou. Edward, o que estão falando sobre Paul?

Meu marido suspirou.

— Ele contou a verdade sobre o Escândalo Swan, agora todo mundo sabe que aquele filho da puta é o culpado por tudo.

***

No hospital, o mesmo para onde fui após a overdose, eu fui atendida por uma equipe gigante. Sabia que isso só estava acontecendo por conta de quem era, não por estar muito machucada e ser um caso grave.

Entretanto, eles ficaram ainda mais preocupados quando no meio da sutura da minha perna comecei a vomitar. Tentei explicar que não era por culpa de ter batido a cabeça no airbag, sim por ter medo extremo de hospitais e aquela situação toda estava atacando minha fobia, fazendo meu corpo reagir com vômito e muita tontura, também falei sobre minha cabeça ansiosa e depressiva.

— Se vocês me deixarem ir para casa logo eu vou ficar bem — teimei, mal tinha acabado de falar e quis vomitar mais, uma técnica de enfermagem me ajudou com um balde. Eles tinham me sentado, mas eu ainda usava o maldito colar cervical.

— Vai precisar passar por exames, ser medicada e... — o médico se interrompeu quando vomitei novamente, daquela vez sujando um pouco da minha bata hospitalar, duas enfermeiras tinham tirado minhas roupas quando dei entrada na sala de emergência, precisavam que eu ficasse sem a calça para cuidarem da minha perna e que eu tirasse todo o resto para ter meus batimentos cardíacos verificados por uma máquina que foi conectada a mim por vários fios. — Não podemos lhe liberar mesmo, já é a terceira vez que vomita, senhora Cullen.

Estava prestes a voltar a bater boca com ele, principalmente falar que os pontos que ele estava dando em minha perna não pareciam tão bons assim, mas qualquer ideia de discutir passou quando escutei a voz de Edward. Ele estava ali perto, provavelmente no corredor.

— Você que não está entendendo! — ele gritou com alguém. — É a minha esposa, ninguém vai me impedir de vê-la, pouco me importa a política do hospital.

Então, a porta se abriu e eu o vi. No mesmo instante voltei a chorar, Edward atravessou o curto caminho que nos separava em poucos passos, a técnica que segurava o balde para mim se afastou e isso permitiu que ele me abraçasse, com extrema cautela, evitando tocar no colar.

— Como você está, linda? — Olhou para mim, olhos verdes cheios de lágrimas. Segurou em meu rosto e beijou minha testa demoradamente. O médico pediu que ele saísse da sala, mas Edward e eu nos afastamos um pouco e rebatemos.

— Ela é minha esposa!

— Ele é meu marido!

— Nós sabemos — o médico falou. — Mas não é permitido a entrada de acompanhantes nessa sala.

— Foda-se, ninguém vai me tirar de perto dela. — Edward segurou minha mão, eu me senti um pouco mais calma com ele por perto, ainda estava tremendo e enjoada, mas tê-lo ali já era um conforto.

O médico desistiu de lutar com a gente, sussurrou algo para uma enfermeira e ela saiu da sala.

— Você vai ficar bem, tá? — Edward voltou a me olhar, primeiro meu rosto, depois meu corpo como um todo. — Sua perna, tá doendo?

— Eles deram uma anestesia local — murmurei, ele concordou.

— Está tonta? Enjoada?

— Vomitei algumas vezes — confessei, meu marido suspirou e afagou minha bochecha.

— Bateu a cabeça, Capitã?

— No airbag.

— Costelas? Costas? Você estava de cinto?

— Sim, eu estava. Minhas costas estão só tensas, não doloridas, nada nas costelas. — Ele já tinha sofrido acidentes de carro, já tinha se machucado neles, sabia como era. E naquele instante, eu desmoronei um pouco ao lembrar de Stefan. Porra, Edward deveria estar muito pior do que imaginei, meu acidente fazendo ele pensar na noite que seu amigo morreu.

— Suas mãos estão arranhadas — comentou olhando para elas, afagando a palma da esquerda.

— Você pode tirar os anéis dela, senhor Cullen? — uma das enfermeiras que tirou minhas roupas perguntou. — Ela não permitiu que ninguém tirasse.

Claro que não deixei, poderiam perder ou alguém roubar.

— E precisará estar sem nada para fazer os exames de imagem.

— Vou cuidar de tudo, tá? — Edward começou a tirar minha aliança de casamento e o anel de noivado, tentei concordar com um aceno de cabeça, mas o colar não permitia isso.

— Como a minha filha está? — perguntei, Edward estava colocando meus anéis no cordão com pingente de violão que dei para ele no ano anterior, o cordão que ele tinha me dado, logo que começamos a namorar, estava em nossa casa, eu tive que parar de usar porque Holly estava começando a puxar durante as mamadas.

— Ela está bem, ok? — Edward se aproximou, falando mais perto de mim. — Minha mãe e Aro levaram ela para nossa casa.

— Ainda não entendi o que aconteceu. — Choraminguei. — Eram só alguns paparazzis, de repente tinha um mundo deles e Paul tinha confessado sobre... O que ele realmente disse?

— Heidi gravou um vídeo dele, sob efeitos de cocaína e álcool contando a verdade — Edward falou bem baixinho.

— Heidi, Heidi?

— A própria.

— Preciso ver o vídeo!

— Não agora, vamos primeiro garantir que você está bem, depois disso te deixo assistir.

— Edward...

— Capitã, é sério, não teima comigo — implorou e os olhos ficaram ainda mais cheios de lágrimas. — Qualquer coisa agora pode esperar, mas sua saúde não.

— Tá ok — sussurrei e senti mais ânsia de vômito.

— Ela quer vomitar — Edward avisou a técnica, ele sabia muito bem qual era minha cara de vômito, tinha visto ela por várias semanas.

A mulher pediu licença, meu marido se afastou para dar espaço a ela. Só que ele contornou a maca onde eu estava sentada, indo para meu outro lado, sua mão encontrando a minha, afagando lentamente e repetindo que estava tudo bem, que eu ficaria bem.

— Logo estaremos em casa com a Holly, Capitã — prometeu.

Suas palavras foram um fio de esperança no meio daquela loucura.

***

Sutura, troca de roupa, exames e exames depois, oficialmente fui internada no hospital. Traída por meu próprio marido, que não concordou que eu estava bem para ir embora.

— Quero ver minha filha — resmunguei, já deitada na cama hospitalar do apartamento onde ficaria internada por sabe-se lá quanto tempo. Uma enfermeira estava pedindo para Edward preencher a papelada, o médico já tinha saído depois de explicar as medicações que eu tomaria, para enjôo, dor, cicatrização do meu corte e um calmante, também me dariam um soro.

Todos me ignoraram, inclusive Edward, por ele eu ficaria naquela prisão até todos os médicos do lugar concordarem que estava realmente bem. Revirei os olhos, recostando a cabeça no travesseiro, tinham tido uma prévia dos meus exames de imagem, então eu tinha sido liberada do colar por estar tudo bem.

Pensei em Felix, segundo Edward ele tinha fraturado perna e braço direitos, sendo o braço em dois lugares. Estava na sala de cirurgia, precisaria operar tanto o braço quanto a perna. O hospital já tinha entrado em contato com sua família.

Uma técnica de enfermagem colocava um acesso em meu braço esquerdo, não doía, mas me irritava e eu ainda queria arrancar tudo e fugir do hospital. Quando eu tinha tomado as medicações e estava com o soro na veia, ela e a enfermeira saíram.

— Preciso ver a Holly — me queixei para Edward, meu marido suspirou e sentou na cama, de frente para mim, segurando minha mão direita entre as suas.

— Eu imagino como deve estar se sentindo agora, mas você sofreu um acidente, linda. Consegue entender meu lado? — Os olhos dele estavam lacrimejando mais uma vez. — Precisa ver a Holly, entendo isso, eu também iria querer correr para casa e pegá-la nos braços. Mas, agora ela e eu precisamos que você fique aqui e seja cuidada por gente especializada. — Beijou minha mão, demoradamente, algumas lágrimas suas caindo sobre ela.

— Sinto muito. — Me movi, sentando na cama para ficar mais perto dele.

— Sente muito? — perguntou confuso.

— Sim, por estar te fazendo reviver o acidente do Stefan, sei que deve estar pensando nisso. — Apoiei meu rosto em seu ombro, Edward me abraçou.

— Não peça desculpas, você não tem culpa alguma sobre o que aconteceu, Capitã.

Comecei a chorar, molhando a camisa dele com minhas lágrimas. Ficamos ali, agarrados por um tempo, até eu me afastar. Menos enjoada e mais sonolenta.

— Me deixa ver o vídeo agora — pedi, ele suspirou, pronto para negar. — Edward, me deram calmante, eu vou apagar em pouco tempo. Só que preciso saber o que Paul disse, por favor!

— Depois disso você vai dormir e descansar?

— Vou, prometo. — Ele concordou, tirando seu celular do bolso, respondendo algumas mensagens antes.

— Sua família tá vindo pra cá, Tanya também.

— Mas a Tina está doente.

— Ela vai ficar com o Santiago, Tanya quer te ver.

Ele acabou com as mensagens e colocou no vídeo, passando o celular para mim. Peguei o aparelho, o vídeo ainda estava pausado.

— Você assistiu? — perguntei.

— Sim, vindo pra cá, está em todo canto, mas Irina me enviou.

— Heidi postou?

— Foi, nas redes sociais dela.

Assenti e dei o play, ainda sem saber direito tudo que rolava naquele vídeo. Começava com Heidi, ajoelhada diante da câmera, que eu não sabia se era um celular ou qualquer outro dispositivo que pudesse gravar em vídeo. A garota de programa, vestida com um vestido vermelho justo e curto, sussurrou:

Hoje é dia 25 de Novembro de 2019, por volta de uma da manhã. Estou em um prédio de luxo da Hollywood Boulevard, mais precisamente na cobertura que pertence a Paul Lahote. — Heidi sorriu. — Ele não sabe que irei gravar esse vídeo, sequer sabe que entrei aqui com um celular, já que sempre revista todos que pisam no seu apartamento, apelidado pelo ator como “Antro do Amor” — falou revirando os olhos e fazendo aspas com as mãos. — Sempre traz para cá amigos e garotas de programa, já promoveu muitas orgias aqui, sempre regadas a drogas e muito álcool. Nesse momento ele está na cozinha preparando drinks para a gente, hoje serei apenas eu aqui, Paul quer algo mais sossegado depois de virmos de uma festa bem exclusiva na casa de um diretor famoso da cidade. Lá já rolou muita coisa e muita droga, Paul está muito alto de cocaína. — Heidi sorriu mais. — Se vocês estão assistindo a esse vídeo quer dizer que consegui fazê-lo não perceber o celular gravando. — Ela acenou para a câmera. — Divirtam-se!

Heidi se afastou do celular, ela estava em uma sala ampla e parcialmente iluminada por algumas luzes de LED. A mulher contornou uma mesinha de centro e sentou em um poltrona, pernas cruzadas, tamborilando os dedos sobre a coxa que estava por cima.

O vídeo foi acelerado e Paul apareceu, eu apertei o celular de Edward com força, mas continuei a assistir. Lahote estava usando apenas uma bermuda, segurando dois drinks coloridos, entregou um para Heidi que sorriu para ele e começou a falar com voz manhosa para o homem que arruinou minha vida anos antes.

Você demorou, gatinho.

Paul riu e sentou no chão aos pés de Heidi, dando beijos nas pernas dela e bebendo um pouco do drink.

Tá doida pra eu te foder, não é? — perguntou para ela, apoiando sua taça com drink no chão para percorrer as mãos pelas pernas de Heidi, mas parou do nada. Ele se virou em direção a mesa de centro e meteu a mão no bolso, tirando de lá o que com certeza era um saquinho de cocaína, um cartão e uma nota de dólar. — Já vou te comer, só preciso um pouco disso.

Heidi foi para o chão junto dele, observando Paul distribuir a droga na mesa e começar a cheirar. Ele soltou um grito depois disso, batendo palmas e balançando a cabeça.

Eu me lembrava muito bem daquele escroto do caralho tendo reações similares quando estávamos nos drogando juntos. Como no começo aquilo foi um dos meus incentivos para cheirar também, porque pensei que realmente seria uma forma de me divertir, e distrair minha cabeça do trabalho e das exigências de Renée.

Paul ofereceu a droga para Heidi, mas ela o distraiu com um beijo. Eu resmunguei, mas me forcei a assistir, ficando mais atenta quando ela perguntou:

Sou a melhor que já passou na sua cama?

Para. — Ele riu e bebeu mais um pouco. — Não é nem meu top 10. — Heidi fez biquinho, Paul apertou a bochecha dela entre seus dedos imundos. — Mas com certeza tem sido muito mais divertido foder você e não minha esposa chata pra caralho.

— Puta merda! — exclamei e pausei o vídeo, Edward afagou minhas costas. — Ele falou da Julia também?

— Falou, continua, quanto antes acabar, antes vai descansar.

Concordei e voltei a dar play no vídeo.

Como ela se chama mesmo? — Heidi perguntou, mexendo nos cabelos de Paul, enquanto ele começava a beijar o pescoço dela.

Julia — respondeu e se levantou, afastando a boca de Heidi. Deixou a bebida na mesinha e começou a pular, ele estava muito chapado mesmo. — Minha linda, jovem e rica esposa! — gritou, fazendo Heidi levantar também e dançar com ela, notei que a garota de programa teve a esperteza de manter os dois dentro do enquadramento da câmera. — Uma riquinha burra do caralho. — Ele gargalhou. — Mas que assumiu nosso namoro na hora.

Era sobre mim, o que ele estava falando ali. Eu tinha nos mantido em sigilo, porque sabia que minha mãe não iria aprovar, já que ela me queria com Randall Dwyer.

Você a ama? — Heidi questionou, pegando a bebida e fazendo Paul beber mais.

O cretino bebeu tudo, riu mais e respondeu:

Amo o dinheiro dela e dos Gaston, amo que o pai dela me adora e investiu nos meus negócios. É isso que amo.

Voltou para o chão e cheirou mais cocaína, depois deitou contra o piso.

Ele quer que eu concorra a algum cargo público daqui uns anos, acho que vou aceitar. — Paul riu, se sentou novamente e moveu uma mão como se estivesse vislumbrando uma manchete. — Paul Lahote, Presidente dos Estados Unidos. O que acha? — perguntou para Heidi, que sentou com ele, bebeu um pouco do outro drink e mais uma vez o fez beber mais.

Você não acha que ter um vídeo de sexo por aí te faria ser desprezado pelos eleitores? — Ela o distraiu mais, montando em seu colo, o beijando antes que Paul respondesse e ele respondeu, muito bem humorado.

O videozinho pornô de Isabella Swan? Seja mais específica, ela não é a única que já gravei dando pra mim. — Deu um tapa no rosto de Heidi, que sorriu para ele. — Você sabe, dias atrás gravei essa sua boquinha gostosa me chupando, não foi?

É, foi sim. Mas pensei que a tal Isabella que tinha te gravado, não o contrário — Heidi comentou.

Eu gravei. — Ele tirou um cigarro e isqueiro do bolso, o acendendo e levando a sua boca, deu uma tragada e continuou. — Ela estava enrolando para contar que éramos namorados, tinha medo da porra da mãe dela, então eu iria usar o vídeo para força-la a contar para todo mundo do nosso romance e casar comigo com um belo acordo pré nupcial que iria me beneficiar. Só que aí a filha da puta da Renée me demitiu, e bolei um plano novo, um melhor. Terminei com a vagabunda da Swan e vazei o vídeo, sabia que isso me faria ser mais conhecido do que por aquela bosta de série de alienígenas. E deu certo pra caralho, não conseguiram provar que fui eu, Isabella se fodeu, e montei uma carreira de ouro! — gritou novamente.

Por que Isabella assumiu a culpa? — Heidi continuou instigando e conseguindo obter tudo dele, Paul deveria mesmo sentir que tinha total controle sobre ela, claro que também estava chapado pra caralho. — Acho que foi no ano passado.

Porque ela acreditou que eu tinha mais vídeos dela sendo fodida, ficou com medo de eu divulgar e assumiu a culpa quando a obriguei a fazer isso, no lugar de não vazar as outras gravações. Julia estava sendo um pé no saco na época, duvidando da minha inocência no caso do Escândalo Swan, eu precisava que ela voltasse a acreditar em mim e quando a puta da Isabella assumiu a culpa, tudo voltou a ser flores para mim. Mas por que estamos falando disso mesmo? — Paul voltou a beijar Heidi. — Quero que você me chupe, estou te pagando pra isso.

O vídeo foi cortado, eu pausei antes da nova cena começar. Era mentira, a história dos outros vídeos, ninguém mais — nem mesmo Paul — tinham vídeos meu na hora do sexo.

— Você estava certo — murmurei para Edward. — Ele não tinha porra nenhuma, eu caí numa chantagem barata.

— Ei. — Edward me fez olhar para ele. — Você foi ameaçada, ele te machucou naquela noite, podia ter feito muito mais, não se culpe por assumir a culpa do Escândalo Swan.

Eu funguei, ele beijou minha testa. Suspirei e retomei o vídeo.

Daquela vez, Paul estava bem diante da câmera, parecendo saber muito bem que estava sendo filmado.

Grava direito, porra! — exclamou para Heidi, rindo e batendo no que deveria ser o rosto dela atrás da câmera. — Só sabe ser puta mesmo, né?

Ele estava parado na frente de uma porta, com cigarro e uma lata de cerveja na mão esquerda.

O que vai mostrar? — Heidi questionou.

Essa é para meus amigos! — Paul chegou bem perto da câmara e mostrou a boca aberta, ele era um nojento fodido. — Vocês vão ter muita coisa boa pra comprar. — Abriu a porta e entrou em um quarto quase vazio, ele tinha tirado a bermuda e estava enrolado numa toalha, apenas uma mala grande aberta no chão do cômodo e dentro dela vários pacotes pesados de cocaína.

Minha mão falhou ao segurar o celular, Edward o sustentou.

Uau, isso tudo é seu? — a garota de programa questionou, fingindo admiração, Paul estava tão fora de si que não notou.

Tudo é meu. — Ele andou até a mala e cutucou os pacotes de droga com o pé. — Chegaram hoje, tenho negócios com um cara que as vende para mim. Alguns chamam de tráfico. Eu chamo de vender felicidade em pó. — Olhou para a câmera e piscou. — Vem cá sua vagabunda do caralho — chamou por Heidi, ela se aproximou, gravando mais de perto. — Filma bem essas belezinhas. Eu vou comer esse seu cu e quem sabe te dou um pacote inteiro desses em troca.

O vídeo cortou de novo, na próxima cena Heidi estava em outra sala, que não parecia com a do apartamento de Paul, usando outras roupas. Ela também parecia mais solta e falava mais alto.

Hoje é dia 27 de Novembro de 2019, estou no meu apartamento e em algumas horas irei publicar esse vídeo nas minhas redes sociais. A última parte que viram no apartamento de Paul Lahote, nem eu sabia que iria conseguir, depois que transamos na sala, o cara me contou sobre as drogas e falou que queria me comer perto delas. — Heidi revirou os olhos, mas riu. — Sugeri gravarmos ele mostrando e contando sobre a cocaína antes do sexo, então essa parte foi filmada pelo celular dele, consegui enviar para o meu depois que o cara enfim dormiu. O vídeo acaba por aqui, mas não se esqueçam de mim. — Acenou para a câmera toda sorridente. — Sou Heidi, modelo e atriz.

O vídeo terminou, eu ri. Uma risada de pura tensão, Edward me abraçou, chorei um pouco em seus braços, ainda rindo.

— Todo mundo sabe, todo mundo sabe — repetia, ele me soltou e assentiu. — Ele é um fodido do caralho, um traficante... Todo mundo sabe.

Beijei o rosto de Edward, chorando e ainda rindo.

— Você precisa dormir agora, Capitã.

Eu cedi, tinha prometido e a energia do meu corpo caia, culpa do calmante, mas de também finalmente ter visto aquele vídeo. Edward guardou seu celular, deitei novamente, insistindo para ele ficar sentado ao meu lado na cama até eu dormir.

E dormi, pela primeira vez em catorze, sabendo que a máscara de Paul Lahote tinha caído.

***

A primeira pessoa que vi ao acordar, foi Alice. Minha irmã estava sentada na poltrona perto da cama, curvada sobre o colchão hospitalar, com a cabeça repousada perto da minha mão e o rosto voltado em minha direção, estava dormindo.

Eu dei um pequeno sorriso, observando como ela fazia biquinho para dormir, era assim desde o começo de sua vida. Mexi em seus cabelos, mas isso não foi suficiente para Alice acordar, o que realmente a despertou foi o grito que Edward, em algum lugar fora do quarto, deu:

— Eu quero esse merda preso pelo resto da vida dele!

Alice piscou e sustentou seus olhos abertos, ergueu o rosto e viu que eu tinha acordado também. Na mesma hora minha irmã começou a chorar, se moveu e sem falar nada me abraçou, chorando ainda mais e beijando minha bochecha demoradamente.

— Estou bem — sussurrei, estava muito rouca e cansada, mas bem no geral.

— Não estou nem aí, Jenks — Edward voltou a gritar, Alice suspirou.

— O que aconteceu? — perguntei.

— Hum, seu acidente? — Ela se afastou e arqueou uma sobrancelha. — Não me diz que acordou sem memória, eu não curto filmes assim — brincou e isso me fez rir um pouco.

— Não, quem Edward quer preso? — Então, um estalo em minha cabeça. — Os paparazzis que me seguiram?

— Especificamente o paparazzi que acertou o carro no seu e causou o acidente. — Ela segurou minha mão.

— Tá me dizendo que quem bateu no meu carro foi um paparazzi? — Raiva inundou meu corpo.

— Sim, ele estava indo para a loja atrás de você, furou o sinal vermelho e acertou vocês. — O rosto dela ainda estava tomado por lágrimas. — Então o seu carro acertou o de outro paparazzi que estava te seguindo desde a loja. O cara que não respeitou o sinal foi preso na hora, não teve um arranhão o desgraçado, mas pagou a fiança hoje cedo e foi solto e seu marido tá puto querendo que ele volte a ser preso.

Eu me senti muito grata por Edward estar cuidando daquilo, mas também não queria que ele ficasse muito estressado.

— Espera, que horas são? — perguntei para minha irmã, Alice tirou o celular do bolso de sua calça e conferiu o horário.

— Pouco mais de nove.

— Da manhã?

— É. — Assentiu. — Você dormiu direto. — Parte de mim nem se surpreendeu por isso, o calmante tinha me derrubado.

— Como a Holly está, você sabe? — Meu coração doía por estar todo aquele tempo longe dela, eu queria meu bebê em meus braços. E também precisava amamentar, meus peitos imploravam por isso.

— Ela está bem — Alice garantiu. — Carmen foi para sua casa ajudar a cuidar dela também. Papai achou melhor a grávida não vir para o hospital, mas ele, Ness e Jasper estão aqui, foram comer algo na cafeteria e esticar as pernas. Tanya tá lá fora com o Ed, todos ficamos aqui com você. Posso dizer que o pessoal do hospital não está muito satisfeito com tantas pessoas de acompanhante, mas o problema é deles. — Piscou para mim, se moveu e beijou meu rosto outra vez. — Você me assustou pra caralho, Bells.

— É, também fiquei assustada pra caralho. — Suspirei. — Felix está bem?

— Bom, ele está todo enfaixado por conta das cirurgias que passou, mas vai ficar bem. Você deve ter alta logo mais, estamos esperando o médico. Quer comer algo? Mandaram seu café da manhã.

— Quero ir pra casa.

— Ok, mas você vai comer. — Soltou minha mão. — Só perguntei pra ser educada, de qualquer forma vou enfiar comida pela sua garganta. — Se levantou e caminhou até uma bandeja com comida que estava sobre uma mesinha, Alice levou a mesa, que tinha rodinhas, para perto de mim. Estava abrindo um pote com frutas quando meu marido e minha melhor amiga entraram no quarto, ambos com expressões de irritação bem semelhantes.

— Ei, você acordou! — Edward sorriu para mim, mas seus olhos ainda estavam cheios de preocupação. — Está com alguma dor, linda? — Segurou meu rosto e beijou minha cabeça. — Enjoada?

— Só cansada — murmurei.

— Logo o médico deve vir te liberar, seus exames estão ótimos, só estão te mantendo para monitoração. — Ele me soltou e apontou para a comida. — Você vai comer tudo, sem reclamações.

Revirei os olhos, irritada por estar recebendo ordens, mas antes que pudesse reclamar sobre isso, vi Tanya chorando aos pés da cama. Movi a cabeça a chamando para perto de mim, e ela fez isso, me abraçando com força e chorando em meu ombro.

— Em um minuto estávamos juntas, depois você sofreu a porra de um acidente, quando descobri me senti culpada.

— Tanya, você não tem culpa nenhuma.

— Eu te convidei para as compras, se você estivesse em casa nada disso teria acontecido.

Eu a afastei um pouco para olhar em seus olhos.

— Não foi sua culpa, para com isso, T. E estou ótima, só com a merda de uma perna cortada, mas apenas isso. E a Tina?

— Está bem, Santiago está com ela. — Tanya limpou o rosto com a manga de sua camisa. — Mandou beijos. — Dito isso ela me beijou no rosto diversas vezes. — Pronto, estão dados. — Sorriu para mim, mas ainda estava chorando.

— Você deveria estar com ela, Tanya.

— Ela entendeu que eu precisava ajudar a cuidar de você. Isso inclui te fazer comer. — Na hora Alice colocou em minha mão o pote de frutas, resmunguei novamente, mas comecei a comer.

— Alice me contou sobre um paparazzi ter sido o culpado pelo acidente — falei de boca cheia. — Como ele se chama?

— Austin Marks — Edward pronunciou o nome com fúria e com seu sotaque inglês carregado. — O filho da puta pagou fiança e foi liberado, vai poder ficar solto por aí até ser julgado. — Cruzou os braços na frente do peito. — Isso se eu não pegar meu carro e passar por cima dele antes.

— Edward! — Tanya bateu no braço dele, meu marido bufou.

— Ele poderia ter matado Isabella e Felix.

— Mas não matou, estamos bem e você não vai sair por aí bancando o justiceiro — falei, só que sabia que ele estava dizendo aquilo da boca pra fora, Edward tinha mudado muito, não era mais o cara agressivo de antes que perdia a cabeça facilmente. E no fundo, eu também precisava admitir que queria pegar outro carro meu e passar com ele por cima de Austin Marks. — E o paparazzi do outro carro?

— Ele quebrou o braço, já foi liberado. Segundo nossos advogados só o maldito Austin pode ser processado nessa história. — Edward sentou na cama perto dos meus pés, infiltrando suas mãos por dentro da coberta e os massageando.

— E Paul? — sussurrei a pergunta.

— Ninguém sabe, a última vez que foi visto foi saindo da produtora dele ontem pela manhã, antes de Heidi publicar o vídeo — Tanya contou. — A internet, a imprensa e a polícia, estão todos loucos para encontrá-lo. Heidi também fez uma denúncia formal sobre as drogas no apartamento dele, então o filho da puta está sendo investigado. E o pai da Julia já soltou notas dizendo que os Gaston repudiam tudo que o Lahote fez, que Julia está entrando com pedido de divórcio e que eles não consideram mais Paul parte da família.

— E mesmo assim ainda tem gente defendendo aquele escroto — Alice disse entre dentes.

— Claro — sussurrei.

— Gente obcecada do caralho, viram tudo que ele falou, viram as drogas e acham que ele só é um coitadinho que precisa de ajuda. Ou que Heidi colocou alguma outra droga no meio das coisas dele e o fez alucinar para dizer aquelas coisas.

— Ei! — Edward chamou a atenção de Alice, ela parou de falar. — A maioria está ao seu lado, tá? — ele falou comigo e sorriu, daquela vez um sorriso mais sincero, mas eu ainda podia ver preocupação e cansaço em seus olhos. — Pedindo desculpas por terem errado com você no passado, você não está só dessa vez.

Eu concordei com um aceno de cabeça, absorvendo tudo aquilo e voltando a comer. Ainda estava comendo quando meu pai, Ness e Jasper voltaram, trazendo copos de café.

— Filha! — papai gritou e andou até mim, me dando um abraço tão apertado que quase sufoquei sem ar. — Porra, Bells, que susto!

— Você está bem? Tá com dor? — Ness perguntava ali perto, também nervosa. — Precisa de alguma coisa?

— Tudo bem — murmurei. — Pai, preciso respirar. — Ele me soltou e suspirou. Ness aproveitou e me abraçou na hora, dizendo quanto me amava e tinha ficado preocupada. Quando os dois se afastaram, Jasper foi o próximo a se aproximar.

— É bom você não morrer, Isabella. Porque se morrer, irei eu mesmo te torturar no inferno por ousar nos deixar. — Tive de rir ao escutar aquilo, ele segurou meu rosto entre suas mãos. — Não podemos viver sem você.

— Pode deixar, tô bem viva.

***

A equipe do hospital pareceu muito aliviada quando recebi alta, finalmente iria embora e junto comigo toda minha comitiva que estavam os tirando do sério por não respeitarem as regras do local. Mas, antes de ir, eu insisti que queria visitar Felix, que estava em um apartamento próximo ao meu, Edward tinha garantido que pagaria cada centavo do tratamento do nosso segurança.

Os outros ficaram do lado de fora, apenas meu marido e eu entramos no quarto, sendo recepcionados por uma mulher baixinha, de pele escura e cabelos crespos curtos. Ela parecia ter por volta da minha idade, e como todos naquele hospital, estava cansada.

— Bella, essa é Kristie, noiva do Felix. A conheci ontem — Edward contou, parecendo mesmo surpreso do segurança ter uma vida fora do trabalho. Entendia ele, eu também era o tipo de chefe que não sabia muito da vida dos meus funcionários, ao menos a maioria deles.

— Oi, como você está? — Kristie perguntou para mim, indicando que a gente entrasse no quarto.

— Bem melhor, obrigada — agradeci.

— Sua irmã trouxe café para mim — Kristie disse. — Foi uma fofa.

Pela descrição, era Ness, Alice não era considerada fofa por muitas pessoas, quase nenhuma.

— Você pode pedir o que quiser para a copa, Kristie — Edward falou para ela. — A comida inteira do lugar, eu vou pagar.

Ela assentiu.

— Tá ok.

Chegamos à área do apartamento onde Felix estava, deitado em uma cama e como dito, todo enfaixado.

— Oi — saudei, me aproximando. — Você parece péssimo.

Ele riu um pouco e assentiu.

— É como me sinto. Desculpe por não ter evitado o acidente...

— Não, sem essa — o interrompi. — O único culpado por isso é o paparazzi que nos atingiu, bom, eu também culparia quem estava nos perseguindo. Mas você fez tudo que podia para me proteger, Felix e sempre vou ser muito grata por isso. Também lamento muito que tenha se machucado, vamos pagar todo seu tratamento, e você pode tirar longos meses de férias remuneradas para se curar. Só quero muito que volte a trabalhar conosco um dia — praticamente implorei. — É segurança do Ed há anos, com certeza é um dos seguranças que mais confiamos. — Comecei a chorar, limpei meu rosto na manga do moletom de Edward que tinha vestido para deixar o hospital, antes de irem para lá noite passada, Alice passou na minha casa para pegar roupas para mim.

— Eu vou voltar — Felix prometeu me lançando um pequeno sorriso.

— Obrigada. — Funguei. — Sério, obrigada por tudo.

Eu sabia que poderia conversar sobre o acidente com muitas pessoas, mas Felix era o único que tinha compartilhado aquela experiência comigo, isso de certa forma nos unia.

***

Alice, Jasper e Ness não foram para casa conosco. Meu pai e Tanya foram, em outro carro. Entramos nos carros na garagem do hospital, com um forte esquema de segurança nos acompanhando, meus outros seguranças e de Edward, assim como os do meu pai.

Meu marido segurava minha mão entre as suas, meus anéis tinham voltado ao seu lugar. Eu estava uma pilha de nervos, por ter que enfrentar tudo que iria cair em meu colo, mas também estava animada em finalmente ir ver minha filha.

O lado de fora do hospital estava tomado por imprensa, não só paparazzis, mas jornalistas de emissoras de TV, sites e jornais. Era um circo, todos loucos para terem mais de mim, mais da minha dor.

Porque doía, o acidente, a exposição, doía a verdade finalmente ser revelada só após aqueles anos todos. Em minha cabeça, enquanto o motorista guiava o carro por todas aquelas pessoas, eu relembrava do acidente, mas também da música Piece Of Me da Britney Spears.

Eles nunca se cansariam, sempre iriam querer um pedaço de mim. Eu era o prato favorito com minha vida tumultuada. Naquele instante pensei em jogar tudo para o alto, me livrar da produtora, voltar atrás com a decisão de atuar novamente e a ideia do álbum. Considerei de verdade fugir mais uma vez, me esconder para sempre das lentes daquelas câmeras.

Edward iria comigo? Ele aceitaria largar a maluquice que era nossa vida? Estava prestes a perguntar isso quando passamos na frente de um outdoor digital, que exibia várias propagandas e também mostrou uma manchete sobre mim em um jornal.

“Isabella Cullen sofreu acidente na tarde de ontem.”

Logo abaixo uma foto minha sendo colocada na ambulância. Era horrível, ter sido fotografada naquele momento de extrema vulnerabilidade.

No entanto, aquilo também me fez ligar um grande foda-se. Já tinha fugido antes, de todos meus sonhos, eu não faria isso de novo. Eles continuariam querendo um pedaço de mim, mas não iriam roubar meus sonhos.

— Vou colocar Queimando e Princesa no meu álbum. — Olhei para Edward, ele sorriu e beijou minha cabeça. — Aquele escroto do caralho ao menos vai me fazer ganhar um Grammy.

***

Praticamente corri para casa quando o carro estacionou na frente dela, estava louca para ver minha filha, mas Edward me freou, lembrando que eu ainda tinha uma perna machucada e precisava pegar leve. Ainda segurando minha mão, ele ditou o ritmo para andarmos, que para mim parecia muito, muito lento.

Rosalie abriu a porta para a gente, me abraçando e dizendo que era ótimo me ver bem. Eu não consegui dar muita atenção para ela, tudo na minha cabeça era ter Holly logo em meus braços, e em meus peitos tão cheios de leite para ela.

Assim que Rosalie disse que Holly estava na brinquedoteca com Esme e Carmen, fui até lá. Meu bebê estava ali, brincando em seu tapetinho, ela sorria e mexia suas perninhas ao som do piano de brinquedo que minha madrasta tocava.

Holly estava bem, segura, intacta. Novamente pensei em como poderia sofrer, mas odiaria ver algo de errado com ela.

— Ei, sua mamãe chegou! — Carmen exclamou ao me ver primeiro, parou de tocar e pegou Holly no colo, isso fez minha filha olhar para mim e começar a mexer os braços em minha direção.

Chorando, com o coração apertado de saudades, andei até meu bebê. Me sentei no chão, ficando na altura de Esme e Carmen que também estavam sentadas, peguei Holly em meus braços, eu chorava tanto que soluçava. Beijei e cheirei meu bebê, prometi que estava bem e de volta para cuidar dela.

— Você não deve ter noção de quanto eu te amo, garota — falei olhando para seu rostinho, ela estava começando a chorar e sabia que era para mamar. — Mas eu te amo muito. — Beijei sua bochecha. — E isso tudo foi tão assustador, porém é ótimo estar em casa com você. — Olhei para trás buscando Edward, ele estava claramente se segurando para não chorar, o lábio inferior tremendo e tudo. — E com você, Pirralho.

Foi o suficiente, ele chorou. Provavelmente chorando pra valer pela primeira vez desde que tudo aconteceu, se juntou a Holly e eu, Carmen e Esme levantaram e saíram para nos dar espaço.

— Pensei que ia te perder — Edward falou para mim aos prantos. — Foi o pior dia da minha vida, disparado. — Afagou meu rosto. — Porra, eu te amo tanto, Isabella.

Ele me beijou, com lágrimas, amor, desespero, conforto, tudo junto.

***

Minha casa cheia começou a esvaziar de noite, não tinham muito o que fazer ali. Tanya estava em contato frequente com os outros funcionários da Swan Productions, dispensando entrevistas que queriam comigo, ou com meu marido, ou mesmo Charlie e Carmen. Estavam loucos para ouvir algo de nós, mas eu ainda não me sentia pronta para falar nada.

Já tinha falado muito com os policiais que foram coletar meu depoimento sobre o acidente, também falei com o detetive que estava cuidando do caso de Paul. O homem queria saber se eu tinha alguma informação para dar sobre o Lahote, se ele tinha entrado em contato ou qualquer coisa assim, estavam bem empenhados em encontrá-lo, com certeza o pai de Julia estava se movimentando para isso acontecer logo. Quanto antes Paul fosse preso, mais rápido a família Gaston poderia começar a limpar os rastros do imundo de sua história.

Eu ainda tive consultas com psiquiatra e minha psicóloga, consegui horários para que ambos me atendessem online, precisava disso para garantir os cuidados com a minha saúde mental. E me senti muito forte por não estar me entregando, mesmo que tudo fosse tão assustador.

— Sinto muito que essa seja sua primeira Ação de Graças, meu amorzinho — falei para Holly, ela estava mamando e Edward me alimentava com sushi, Esme tinha sido a única a ficar, para nos ajudar já que Renata estava em seu novo dia de folga. — Ano que vem será tudo melhor. — Acariciei o rostinho dela.

O celular de Edward tocou, ele resmungou e deu para a mãe atender falando que era da portaria do condomínio. Esme atendeu e na hora sua expressão que era suave se transformou em uma furiosa, se voltou para mim e falou:

— Renée está aí.

Eu paralisei, parando de mastigar a comida que Edward tinha acabado de colocar em minha boca.

— Não! — ele exclamou. — Nem fodendo, ela não entra aqui. Capitã, não, nem pensar.

Hesitei, ele notou isso e soltou um suspiro.

— Bella, você não vai ganhar nada com isso.

Terminei de mastigar e engolir a comida, antes que acabasse engasgada com aquilo.

Olhei para minha filha, ela mamava muito, como se o tempo longe de mim tivesse durado uma semana, não um dia. Mas a entedia, para mim também parecia ter sido uma eternidade. Uma mão estava enrolada em meus cabelos, e ela olhava para mim de volta, olhos brilhantes.

Flashes do acidente, da overdose e do dia que Renée me bateu após o Escândalo Swan dançaram na minha mente, eram as piores lembranças que tinha, conseguia afirmar isso. Porque foram os dias mais assustadores da minha existência, os dias em que quase morri e o dia que perdi minha mãe.

Renée sempre seria minha mãe, nos termos legais da coisa toda, mas não era uma mãe de verdade, nunca tinha sido. Sendo assim, sorri para meu bebê e murmurei para Edward e Esme.

— Não a quero aqui também, digam que eles devem mandá-la embora.

Aquilo também doía, mas a dor dissipou um pouco olhando para Holly. Eu estava viva, ela tinha sua mãe e eu seria uma mãe boa pra caralho para meu bebê. Mesmo que tivesse meus erros, nossa relação nunca quebraria.

Não precisava de Renée, estava muito melhor sem ela.

***

Na manhã seguinte despertei no meio de um pesadelo, um bem ruim. Nele eu estava no apartamento de Paul, com ele me obrigando a beber vodca e cheirar cocaína, um segundo depois não era mais o Lahote ali, sim Richard, tentando me beijar. Eu corri pelo apartamento, até que acabei caindo e acordando.

— Tudo bem? — A voz de Edward me fez parar de encarar o travesseiro ao meu lado, ergui um pouco a cabeça e o vi em pé perto da nossa cama, colocando uma camiseta, já vestido com uma calça jeans. — Você teve um espasmo. — Subiu na cama e acariciou meu rosto.

— Pesadelo — sussurrei. — Holly!? — Olhei ao redor e a vi ainda dormindo em seu berço.

— Noite muito boa — Edward disse animado. — Ela só acordou uma vez para mamar.

Eu sorri, aquilo também me deixava animada, principalmente por ser a pessoa que tinha que acordar toda mamada sem escapatória. Estiquei uma mão, Edward bateu nela em comemoração, mas depois a segurou na sua e indagou:

— Quer compartilhar sobre o que foi seu pesadelo?

— Paul e Richard — contei. — Mas está tudo bem agora. — Sentei na cama. — Acho que vou tomar um banho bem demorado e depois a gente toma café da manhã.

— Bom plano, Capitã.

— Você sabe, tenho os melhores planos. — Ele beijou minha mão, meu pescoço, meu rosto e por fim me deixou ir para o banheiro.

Depois do banho e do café da manhã, nós estávamos no quarto de Holly. Edward deitado no chão dizendo que precisava esticar suas costas, eu na poltrona amamentando nossa filha.

Amy também estava ali, não deixávamos nenhum deles entrar no quarto de Holly, ou no nosso — o que eles estavam sentindo falta —, então aquela manhã deixamos a gatinha curtir um pouco. Ela brincava com os cabelos de Edward, que ria para ela e tentava pegá-la, mas Amy desviava bem a tempo do seu dono a alcançar, antes de voltar saltitante para provocá-lo.

Eu sorri para aquilo, era bom ter um momento de calmaria. Mas também me vi pegando meu celular e entrando no Twitter, Edward viu e seu olhar foi de puro julgamento, mas o ignorei.

Busquei por meu nome no aplicativo, sabendo que ia encontrar muita porcaria escrita ali.

“Isabella Cullen continua sendo a mulher que forçou o Ed a fingir um namoro, não comecem a babar o ovo dela agora.”

“Imagina se eu vou passar a amar essa filha da puta da Isabella Cullen, acho ela muito chata e ainda uma péssima cantora.”

“Paul tava claramente mal no vídeo, foi praticamente um pedido de ajuda dele. Meu lindo precisa ser internado em uma clínica de reabilitação. A Julia deve se foder por deixá-lo na mão. E nem vou falar sobre Isabella Cullen, só os tontos acreditam que ela é mesmo inocente.”

“Tá, Paul errou, mas vamos passar pano para os erros da Isabella Cullen? Ele não estava a obrigando a usar drogas, usou porque quis!”

“Surpresa, porém não muito com essa gente doida ainda endeusando Paul Lahote depois de tudo que ele confessou. Isabella Cullen é claramente uma vítima, a esposa dele uma coitada que foi traída de várias formas e vocês aí amando esse escroto.”

“Essa galera que continua sendo fã do Lahote parece os fãs do Ted Bundy, que para quem não sabe era um assassino em série! Espero que Isabella Cullen esteja bem, ela não merecia toda essa merda.”

“Dá um aperto no peito ver as fotos da Isabella Cullen depois do acidente, essa mulher não tem paz, nunca teve. Foi exposta de mil formas. Imaginem só o Ed vendo essas fotos dela machucada, como isso não doeu nele. Sorte que a Donut ainda é pequena e não entende o que tá acontecendo.”

“Parem de compartilhar as fotos do acidente da Isabella Cullen!"

“Espero que a Isabella Cullen tenha tudo que tiraram dela.”

“Deveria fazer uma lista de quem tá compartilhando as fotos do acidente da Isabella Cullen e mandar para os advogados dela. Queria tanto ver esse pessoal se fodendo.”

Aquela pessoa tinha sido Isaward Swullen, segurei uma risada ao ver aquilo, como se aquela pessoa aleatória fosse conseguir contato com meus advogados.

“Pelo menos a Isabella Cullen já tá em casa com a Donut dela.”

“A Isabella Cullen era tão nova quando aconteceu o Escândalo Swan, tudo isso é foda pra caralho, ela não deveria ter passado por todo esse caos.”

“Isabella Cullen deve ser uma das mulheres mais fortes do mundo, a vida dela não é nada tranquila, mas a mulher sempre consegue se manter de pé no final.”

“Eu era fã da Isabella Cullen lá no comecinho dos anos 2000, não me perdoo que virei fã do Paul e fui uma das pessoas apontando o dedo para ela.”

“Paul Lahote até traficante é, mas ainda tem gente jurando que Isabella Cullen é a vilã da história.”

“Como pode ter gente que ainda se diz fã de um cara que falou abertamente sobre ser traficante? Felizmente aqui em casa todos estão sob a ditadura de Isabella Cullen, minha mãe, minha deusa, minha inspiração.”

“Isabella Cullen solta um álbum agora mulher, vai vender tanto!”

“Ed, segura as pontas aí com a Holly, deixa a Isabella Cullen ir trabalhar que ela deve ter muito pra contar.”

“E a Renée? Não falou nada mesmo? Deve tá com medo de citar a Holly e levar processo da Isabella Cullen.”

“Revendo as fotos do Ed e da Isabella Cullen no Halloween com a Holly, tão felizes, que tristeza ver eles no meio desse problema agora. Mas pelo menos foi para a verdade ser revelada.”

“Ninguém encontra o Paul, pelo amor de Deus. Quero esse homem preso, quero ele pagando por todo inferno que fez a Isabella Cullen passar.”

“Precisamos falar sobre como esses paparazzis são pragas, Isabella Cullen poderia ter morrido por conta deles, igual a Lady Di.”

“Isabella Cullen e Lady Di, duas mulheres extremamente perseguidas por paparazzis. Hoje agradeço que a Isabella escapou dessa com vida.”

“Além de fã da Isabella Cullen agora também sou fã da Heidi, ela entregou tudo pra gente. TUDO!”

— Ed? — chamei por ele, me virando para olhá-lo. — Eu queria muito conversar com a Heidi.

Na mesma hora ele ficou de pé, estava empolgado.

— Você jura? Porque também queria, saber cada detalhe de como foi para ela gravar aquele maldito. Sei lá, me sinto muito grato por ela ter conseguido arrancar uma confissão dele.

— Liga pro Alistair — indiquei. — Ele vai encontrá-la e fazer ela vir aqui.

Edward concordou e saiu do quarto para ligar, eu voltei ao Twitter, mas parei quando recebi uma ligação de Carlisle.

— Oi — falei ao atender.

— Bella — ele disse meu apelido com alívio. — Como você está? Liguei para Edward mais cedo, mas você ainda estava dormindo.

— Estou bem — respondi. — Os pontos na perna incomodam um pouco, mas vou sobreviver — falei, sabendo que ele tinha noção do meu quadro médico. Edward tinha dito que contou sobre cada exame meu para seu pai, também mandou laudos e imagens para que Carlisle desse seu parecer, inclusive sobre os que não englobavam sua especialidade, mas meu marido confiava no pai e ter explicações dele o tranquilizou mais.

— Queria poder ir visitar vocês — ele disse e soltou um suspiro exausto. — Mas não estou conseguindo tirar folgas do hospital, só que qualquer coisa pode me ligar, ok? E seus exames parecem ótimos, mas se sentir qualquer coisa fora do normal procure o hospital logo. Sei que você tem medo, porém precisa ficar de olho na sua saúde.

Ouvi-lo falar daquele jeito me fez ficar com os olhos cheios de lágrimas.

— Você não está sendo legal só por agora saber a verdade do Escândalo Swan, está? — questionei.

— O quê? Claro que não. Pelo amor de Deus, Bella. Você é minha nora, mãe da minha neta, me preocupo com sua segurança e saúde.

— Certo — concordei controlando o choro. — Obrigada por se preocupar, pode deixar que qualquer coisa te ligo.

Nós nos despedimos, eu desliguei meu celular e respirei fundo. A vida era uma loucura.

***

Heidi apareceu em nossa casa por volta das quatro da tarde, usando roupas da Dior e sapatos da YSL. E um sorriso vitorioso no rosto.

— Desculpe — ela disse para mim. — Pensei em te avisar sobre o que faria, para te preparar, mas temi que você me atrapalhasse de alguma forma. Eu precisava postar aquele vídeo... — Eu a peguei de surpresa, cruzando o caminho que nos separava na sala principal da mansão e a abraçando com força. — Ok, ok, tudo bem. — Heidi afagou minhas costas, eu chorei um pouco em seus braços.

— Obrigada — murmurei.

— Não por isso. — Ela parou de afagar minhas costas para me abraçar com mais força de volta. — Não sei se você vai acreditar em mim, mas como garota de programa já passei por muita merda, quando vi Paul se gabando para amigos sobre o que tinha feito para você, eu precisei pensar numa forma de expor aquele babaca. E sim, isso também foi um jeito de me promover. — Ela nos afastou e sorriu mais. — Tudo original. — Apontou para suas roupas. — Estou recebendo propostas para filmes, desfiles, propagandas, entrevistas, é tudo uma loucura. Mas é um passaporte para sair da minha antiga carreira, se é que podemos chamar assim. Só que se vocês quiserem algo, eu ficaria feliz de fazer de graça. — Olhou para Edward atrás de mim. — Talvez de você eu acabe cobrando, não sou muito fã de trabalhar com homens, apesar de ter sido a maior parte da minha clientela.

Ele riu e negou.

— Pode ficar tranquila, não estamos pensando em trios mais.

— Uma pena. — Heidi tocou em meu queixo por dois segundos e o soltou me lançando uma piscadela. — Quando se cansar dessa vida chata de casada, me procure.

— Ok, você pode parar de dar em cima da minha mulher? — Edward pediu, Heidi revirou os olhos para ele, sufoquei uma risada.

— Você só está triste porque não é meu cliente favorito. — Ela se sentou em uma poltrona. — Ou melhor, não é meu ex-cliente favorito.

Eu sentei no sofá junto de Edward, perguntamos se Heidi queria beber ou comer algo, mas ela recusou.

— Cadê a garotinha? Hope?

— Holly — corrigi imediatamente. — Ela está com a babá. Como você conseguiu? — perguntei e Heidi sabia do que eu estava falando.

— Bom, indo ao começo — Heidi falou. — Conheci Lahote brevemente naquela festa de aniversário onde vocês também estavam, se lembram disso, né? Com certeza lembram. No outro dia o cara já estava atrás de mim, marcou um programa no apartamento dele que aparece no vídeo, pelo que entendi não é o mesmo onde ele morava antes de casar, então Julia nem sabe da existência do local. Mas, ele não estava sozinho, tinha mais caras e outras garotas de programa, uma verdadeira orgia. Acho que nem você já participou de algo assim, Ed.

Meu marido bufou, apoiando uma mão sobre minha coxa.

— Ele me contratou outras vezes, alguns amigos dele também. Um dia estávamos no apartamento de um amigo dele, que é jogador de futebol americano, Patrick Bennett, isso foi no final de setembro, Paul estava lá com outra garota de programa, mostrando para Patrick o vídeo que tinha gravado dela, na época ele ainda não tinha gravado nada meu. Depois disso falou com todas as letras que ele era ótimo gravando videozinhos pornôs, que tinha tido uma boa primeira atriz sob sua direção. — Heidi suspirou e apontou para mim. — Você Bella, ele disse seu nome e eu fiquei chocada, porque achava, pela sua declaração, que tinha mesmo sido responsável por aquele vídeo, mas Paul continuou se gabando de como tinha... Fodido você, de todas as formas possíveis, e isso incluía o vídeo e a queda da sua carreira anos atrás.

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Engoli em seco, desviando meu olhar para o chão.

— No outro dia pensei em contar o que ouvi para esses sites de fofoca, mas fiquei com medo. Muito medo, de contar como fonte anônima e Paul descobrir que era eu, ou achar que tinha sido a outra menina, não tive coragem, ele poderia machucar uma de nós. Ele é agressivo pra caralho com garotas de programa, trata todas como lixo, não é nada sobre sexo mais pesado, é bruto há todo tempo. Então, não, eu não podia contar sem ter provas, porque sabia que com ele, só tendo uma prova para que no mínimo tivesse um pingo de credibilidade. Só que não tinha ideia de como conseguir essas provas, ele sempre foi muito esperto em barrar celulares de todos, revistava todo mundo, ou fazia seus seguranças de extrema confiança revistarem. Até que tive uma ideia brilhante! — Heidi exclamou.

Eu nunca tinha tido uma ideia brilhante, nunca consegui nenhuma forma de arrancar confissões de Paul. Isso me deixou péssima, mas logo em seguida pensei que tudo estava feito, Heidi tinha conseguido isso, não adiantava ficar chorando sobre o passado.

— Demorou muito tempo, okay, só fui pensar nisso no final de outubro, mas pelo menos deu certo no final das contas. No corredor, de fora do apartamento dele, tem um vaso de plantas, eu poderia esconder um celular lá, levar outro e deixar ele recolher o segundo pensando que era o único. Fiz isso no começo de novembro, em uma noite que ele estava sem seguranças, a outra parte do plano era aproveitar alguma brecha dele e pegar o celular do vaso, esconder em algum lugar e gravá-lo. Tentei pelo mês todo, mas ou ele sempre estava muito em cima de mim, ou o apartamento cheio com seus amiguinhos, ou seguranças lá fora vigiando tudo. Até que chegou dia 25, ele me contratou e me levou para uma festa na casa daquele diretor, que não vou falar o nome para a imprensa, porque espero ainda trabalhar com o cara um dia, mas para vocês posso sussurrar. É Doug Jones...

— Caralho, ele dirigiu seu filme! — gritei para Edward quando reconheci o nome, Doug tinha dirigido o único filme que meu marido atuou, muitos anos atrás.

— Conheço a fama de Doug nos bastidores — Ed disse.

— É, um viciado do caralho, mas os filmes dele sempre tem boa popularidade — Heidi falou. — Enfim, fomos para essa festa na casa do Doug, a pobre Julia achava que Paul estaria no trabalho até o outro dia, coitada. Bom, a festa foi louca pra caralho, muito álcool e droga aos montes, Paul já estava bem doido quando fomos para o apartamento dele, ele me queria o resto da noite, mesmo já tendo transado aos montes na casa de Doug. E ele dispensou os seguranças ao chegarmos no prédio, eu tinha que aproveitar, aquela era minha chance de ouro. Quando entramos no apartamento, pedi para ele ir nos fazer drinks, Paul foi e me deixou só na sala, além de estar chapado, achava que estaria tudo bem, ele tinha meu celular oficial consigo desde o começo da noite. Eu corri, aproveitando o mole dele, peguei o celular lá fora e coloquei para gravar, escondido atrás de um troféu besta qualquer de Paul, ainda precisei colocar conectado ao carregador, já que todo aquele tempo ali tinha descarregado, mas deu certo e ficou bem escondido. Nem sabia que ele tinha uma mala de cocaína lá, já sabia que ele estava envolvido com venda, mas não desconfiava que armazenava aquela quantidade no apartamento. — Sorriu orgulhosa. — Editei o vídeo cortando as partes de sexo, consegui pegar o celular dele e enviar para mim a parte da mala, o que foi outro mole, nunca deixou seu celular perto de mim ou de outra garota, muito menos dormia com a gente lá, mas naquele dia estava derrubado de álcool e cocaína, e eu já tinha espiado sua senha. Para sair escondi o celular na calcinha e rezei para Paul não me tocar de novo quando me mandasse embora, com o celular oficial achando que era o único. Ele era completamente paranóico com essas coisas, sempre achando que poderia estar sendo gravado por alguém, tinha vezes que suspeitava até de seus amigos.

— Você... Caralho, você foi foda, muito obrigada — agradeci, mais uma vez chorando. Paul poderia ter descoberto e feito sabe-se lá o que com Heidi, e mesmo assim ela não tinha desistido.

A mulher se levantou e sentou do meu outro lado.

— Estou feliz que aquele merdinha perdeu a pose de bom moço. — Afagou meu braço. — Você não merecia mais pagar pelos erros dele. Valeu a pena temer que ele me matasse. — Heidi olhou para Edward. — Se eu já não estivesse com muita grana essa era a hora que ia fazer você me preencher um belo cheque, Cullen.

— Eu preencho — Edward falou. — Você quer? Te dou o que você quiser por ter desmascarado Paul, é sério.

Heidi riu.

— Não precisa, é melhor que ninguém ache que vocês me pagaram para fazer isso. — Ela segurou em meu queixo outra vez. — Não deixa mais aquele escroto mexer com sua vida, tá?

Eu assenti, ainda chorando e sem conseguir falar. Ela me abraçou e disse:

— E lembra, quando você cansar da vidinha de casada é só procurar por mim.

— De novo, Heidi? — Edward protestou, mas notei a risada em sua voz, ela me soltou e olhei para ele, que beijou entre meus olhos.

— Fofos! — Heidi fingiu som de vômito. — Não tenho saco para essas coisas de casal, me dá enjoo. Preciso ir agora, vou começar a dar entrevistas. Não se preocupem, eu não vou falar sobre nosso passado regado à sexo. — Beijou meu rosto e se levantou. — Tchau, Isabella. Pense em mim da próxima vez que estiver se tocando.

Eu pigarrei ao ouvir aquilo, Edward resmungou e foi levar Heidi até a saída. Fiquei ali no sofá, percebendo cada vez mais que aquilo tudo era real.

Um vídeo tinha acabado com a reputação de Paul Lahote.

— Devo me preocupar com esse seu sorrisinho? — Edward perguntou quando voltou, sentando de frente para mim.

— Eu amo a Heidi, mas não do jeito romanticamente falando — me declarei, ele riu e concordou.

— É, eu também amo, ainda que Heidi dê em cima da minha esposa descaradamente.

— Ela é boa e mesmo assim estou com você, isso significa que te amo muito — provoquei, ele revirou seus olhos verdes para mim.

— Qual a nota dela?

— Ela é um bom dez, preciso confessar isso.

— Acho que preciso fazer algumas coisas com você. — Infiltrou sua mão entre meus cabelos. — Para te fazer perceber que nem devo ser classificado por sistema de notas, estou muito acima delas.

— Está?

— Eu estou, meu amor.

Então, ele me beijou. E sim, um dez era muito pouco para Ed Cullen.

***

Edward estava com Holly no canguru, era manhã do dia primeiro de dezembro e eles passeavam pelo nosso quintal. Eu estava sentada no sofá da varanda, comendo o resto do bolo de aniversário de Esme, que tinha acontecido no dia anterior.

Como o dia de Ação de Graças não aconteceu por conta de eu estar saindo do hospital, a data acabou se unindo ao aniversário da minha sogra no dia 30. Porém, tudo foi feito na nossa casa, para que eu não precisasse colocar um pé para fora do condomínio e ser engolida por imprensa e paparazzis que ainda estavam querendo mais um pedaço de mim.

Esme, Aro, Alec, Sam, Jane, minhas irmãs, Jasper, Tanya, Santiago, Tina, Carmen e meu pai foram para nossa casa. Edward não quis fazer o jantar, estava cansado para isso, mas preparou o bolo, uma réplica do de chocolate que a sua mãe sempre fazia e tinha se saído muito bem.

Eu estava aproveitando para enfim ler o roteiro do filme de Aro, algo que deveria ter começado a fazer no dia 27 se o acidente não tivesse acontecido. Amy estava deitada no meu colo, Jude no sofá ao meu lado. Woody estava brincando com seu próprio rabo no chão ali perto, Shrek e Madonna estavam pegando a bolinha que Edward jogava para eles.

Era uma manhã tranquila, eu podia chegar muito perto de esquecer todo mundo querendo que me pronunciasse sobre o acontecido, a minha perna ferida e Paul ainda desaparecido por aí. Quase, ainda acabava pensando em tudo isso, como também pensava na reunião que teria com meus advogados naquela tarde, onde falaríamos sobre o acidente e a possibilidade de processar Paul por chantagem, quando ele me obrigou a dizer que a culpa do vídeo do Escândalo Swan era minha. Eu já sabia que não poderia o processar pelo vídeo em si.

O crime já prescreveu — um dos advogados disse quando perguntei no dia anterior. — Sinto muito.

Isso era uma merda, me restava apenas aceitar que por aquilo Paul não seria mais preso. Porém, torcia para pegarem ele o prenderem por tráfico, torcia para que conseguisse o processar por chantagem e conseguir algo disso, de preferência uma prisão, não apenas indenização monetária.

Voltei a me concentrar no roteiro, lendo uma cena de Audrey falando sobre balé. Eu começaria a ter aulas, para me reconectar a dança em janeiro, estava animada para isso, seria bom, sentia falta de dançar.

Estava sorrindo para o roteiro, quando escutei Edward me chamar. Ergui o olhar para ele e vi meu marido muito sério, o que era sinal de que algo tinha acontecido. Alguma coisa que não era esperada por nós.

Olhei para Holly, mas ela parecia muito bem no canguru, sorrindo para Mads que estava cheirando seu pé. Tirei Amy de cima de mim e fui até Edward, ele tinha uma bolinha numa mão, na outra o seu celular.

Quando cheguei mais perto vi as lágrimas em seus olhos, ele sussurrou:

— Paul matou Julia.

— O quê? — Arregalei os olhos, sem conseguir processar o que ele tinha dito.

— Paul matou Julia — repetiu e me entregou seu celular, com as mãos tremendo eu o peguei, lendo a manchete do jornal online que Edward estava lendo.

“A atriz Julia Gaston, filha do senador Gaston, foi assassinada pelo marido, Paul Lahote.”

— Puta merda, puta merda!

Desci a tela para ler a matéria, meus olhos ficando embaçados com minhas lágrimas também dando um olá.

“Na madrugada do dia 1 de Dezembro de 2019, a atriz Julia Gaston foi assassinada em sua casa pelo marido Paul Lahote. Fontes informam que o ator apareceu e Julia o deixou entrar, mandando os seguranças não se meterem.

Eles teriam ido para o quarto conversar, quando ouviram gritos de Julia os seguranças correram até lá. Porém, já era muito tarde, Paul tinha acabado de assassinar sua esposa, a sufocando até a morte.

Paul foi imobilizado e preso, a polícia chegou logo depois, o ator já vinha acumulando problemas desde o dia 27, quando uma garota de programa divulgou um vídeo dele. Nesse Lahote falava sobre ser o culpado pela gravação e divulgação de vídeo explícito de Isabella Cullen em 2005, também contava sobre ter envolvimento com tráfico.

O senador Gaston, pai de Julia, e família da atriz ainda não se pronunciaram. A notícia do assassinato foi confirmada pelo detetive Mark Stevens na manhã de hoje. Ainda hoje ele e outros policiais devem dar uma coletiva de imprensa sobre a prisão em flagrante do ator.”

***

Eu estava deitada no chão do estúdio, tinha ido para lá ter minha sessão com a psicóloga e depois disso coloquei Taylor Swift para tocar. Naquele momento tocava Mean, era uma canção que sempre me dava esperança, mas naquele domingo nem ela era capaz de me animar.

Você deveria deixar esse cara.

Minhas primeiras palavras para Julia Gaston foram aquelas, em 2017, no leilão que ela apareceu com Paul e descobri que eles estavam juntos. Era só uma garota de 21 anos naquele dia, uma menina que pouco mais de dois anos depois tinha sido assassinada pelo homem que alertei para que ela ficasse longe.

Culpada, era como me sentia, por não ter feito mais. Entretanto, o que eu poderia ter feito? Ninguém acreditava em mim naquela época, eu não tinha prova alguma contra Paul.

Mas e se tivesse me recusado a levar a culpa do Escândalo Swan em 2018? Quando Julia estava desconfiando de Paul e brigando com ele. Eu deveria ter dado a cara a tapa, ter reforçado publicamente o que falava desde 2005, que Paul era o culpado. Ter brincado com o fogo sobre ele ter ou não mais vídeos meus, mas encarado aquele verme, poderia ter feito Julia ser convencida de que o Lahote não prestava. Com isso, ela nunca teria se casado com ele, nunca teria sido assassinada por ele.

— É minha culpa — murmurei para papai, que apareceu no estúdio e sentou perto de mim.

— Paul é o único culpado, Bells.

— Ela era tão nova, tanta coisa pra viver. — Cobri meu rosto com a mão. — Não é justo, que ele destruiu a vida de tanta gente. E eu cooperei com ele destruindo a vida dela, sei que sim.

— Bells. — Papai segurou minhas mãos, as afastando do meu rosto, seus olhos castanhos se encontraram com os meus. — Você não tem culpa e vou repetir isso pelo resto da minha vida, tá?

Eu sentei e o abracei, não parava de tremer e chorar, me sentindo a pior pessoa do mundo. Entretanto, nos braços do meu pai, me senti uma garotinha, uma Isabella que nunca teve culpa de nada.

Fechei os olhos com força, minha vida não tinha passado por meus olhos no dia do acidente, mas passaram durante aquele abraço. Meu pai, Renée, minhas irmãs, minha carreira, Paul, Tanya, a viagem pelo mundo, a produtora, James. Então, Edward, os hotéis, ele dizendo que me amava. Então, Holly, ela nascendo. Então, Julia, morta.

Solucei, pensando mais uma vez em Paul. O dia que o conheci. Queria apagar aquele dia da minha existência, por todas as Isabellas que fui e seria, queria fazer isso por mim, pela garotinha que corria pelo estúdio do pai dela, pela Isabella casada chorando no estúdio de sua própria casa.

Como alguém poderia mexer tanto com a cabeça de outra pessoa? E até quando Paul ainda iria me atormentar? Eu lutava contra, com todas minhas forças, mas não conseguia o apagar.

Era uma mancha em meu passado, um fantasma para meu presente.

— Ela era só uma garota — falei para meu pai.

Naquele momento, não sabia se estava falando sobre Julia, ou sobre mim no dia que conheci Paul Lahote.

***

Paul Lahote não teve direito a fiança. Paul Lahote teve sua estrela na calçada da fama depredada. Paul Lahote era considerado um preso com alto potencial para cometer suicídio. Paul Lahote era a programação diária nos programas de TV.

Paul Lahote foi o assunto que conversei com os pais de Julia. Eu os visitei em sua casa no dia dez, a mãe dela estava destruída, o senador irritado. Mas, não comigo, com Paul. Ele faria de tudo para o Lahote passar o resto da sua vida preso.

Julia estava na nossa casa desde que o vídeo foi revelado — o senador contou. — Mas bateu o pé e insistiu em voltar para a dela no dia 30. Paul acabou aparecendo no dia primeiro, os seguranças tinham ordem de chamar a polícia e não deixá-lo entrar, mas Julia os mandou ficar de fora daquilo e subiu com Paul. Ainda assim os seguranças chamaram a polícia, só que foi tudo tarde demais, Paul matou minha filha, ela nunca mais voltará.

Contei como me sentia culpada, com papai segurando minha mão. Tinha insistido para Edward ficar em casa com Holly, ele concordou depois de muita insistência e Charlie me acompanhou. Os pais de Julia não aceitaram minha culpa, eles insistiram, que o único culpado era Paul.

No depoimento dele aquele verme contou que ele precisava que Julia o ajudasse a fugir do país, como ela negou, Paul acabou a matando no ápice da raiva.

Paul era um covarde.

E ainda assim, mesmo tendo ouvido tudo aquilo, eu me senti um pouco melhor depois desse dia pelos pais dela não me culparem. Eu chorei muito mais no funeral de Julia dois dias depois, com Edward segurando minha mão daquela vez e Alice afagando meus cabelos.

— Vou falar — sussurrei naquela noite, depois do funeral, Holly estava no meu colo mamando.

— O quê? — Edward perguntou sem entender, ele massageava meus pés.

— Vou falar sobre tudo. — Lágrimas deslizaram por meu rosto, eu as limpei antes que atingissem o rosto de Holly. — Paul, Richard, sobre Renée. Tudo. — Respirei fundo. — Eu preciso falar, preciso ajudar e incentivar outras pessoas que passam por abusos, ameaças, mãe abusiva. Foda-se se mesmo sendo um assassino Paul ainda tem fãs. Foda-se se Richard está morto. Foda-se se Renée é minha mãe. Nunca fui ouvida, minha voz foi calada desde que era uma garota, preciso falar agora. Entendo perfeitamente neste instante porque você falou sobre ser bi, é sufocante não falar sobre nossa verdade e particularidades, nossos problemas, é aterrorizante lidar com tudo sozinho. E sei que tenho você, nossa família e amigos, mas preciso falar, preciso ser ouvida pelas pessoas lá fora dessa vez.

Assim que Holly dormiu, Edward me ajudou. Montamos um tripé na sala de TV e colocamos meu celular lá para gravar, meu marido saiu e sentei no sofá para falar.

— Oi, meu nome é Isabella Marie Swan Cullen, tenho trinta e três anos, sou casada e mãe. Há mais de catorze anos conheci um cara chamado Paul Lahote. — Amargo tomou conta da minha boca ao dizer o nome dele. — Eu me apaixonei e me entreguei, ele me induziu a fumar, beber e usar cocaína. Ele gravou nosso sexo um dia, sem meu consentimento, e o espalhou para o mundo quando foi demitido da série que trabalhávamos. Aquele vídeo também me fez ser demitida, me fez parar de atuar e me fez conhecer a verdadeira face da minha mãe, uma que até aquele momento sempre esteve à espreita, mas saiu totalmente à luz quando ela me bateu, me culpando por ter arruinado os planos dela. Renée nunca foi uma boa mãe, ela não se preocupou comigo quando dias depois tentei me matar. Renée, antes Swan, agora Clarke, é cruel, sempre foi.

Respirei fundo e continuei a falar.

— Anos depois, conheci Ed Cullen e errei pra caramba tramando um relacionamento falso para ele com outra mulher, errei quando trai meu antigo noivo com Edward, reconheço meus erros. E Paul Lahote já tinha voltado a me assombrar a essa altura, me forçando a assumir a culpa do Escândalo Swan, para que Julia. — Meu lábio tremeu ao falar o nome dela. — Para que Julia acreditasse que ele era um príncipe, Paul me machucou e me ameaçou falando que iria divulgar outros vídeos, não consentidos, de sexo meu. Eu não tinha certeza da existência ou não daqueles vídeos, então cedi a sua ameaça.

Lutava contra minhas lágrimas, não queria chorar ou não conseguiria terminar de contar tudo.

— Paul esteve longe de ser o único homem aterrorizando minha vida, Richard Buttler também fez isso. Ele tentou me estuprar, ele me assediava por mensagens, ele era como um tio para mim, até que passou a me perseguir, enviando trechos do vídeo do Escândalo Swan. Sei que Richard não pode se defender agora, sei que muita gente não vai acreditar nisso, como não acreditaram em mim sobre o Escândalo Swan lá atrás, mas essa é a minha verdade.

Girei meu anel de noivado e a aliança em meu dedo antes de continuar a falar.

— Por conta do vídeo do Escândalo Swan muitos de vocês me consideram uma vagabunda, mas eu não me considero uma. Sou uma empresária, uma atriz, uma cantora, uma péssima cozinheira, uma mulher bissexual, uma pessoa sóbria a mais de um ano, uma esposa perdidamente apaixonada e uma mãe de primeira viagem. E sim, eu gosto de sexo, consentido. Não, eu não gosto do que alguns homens — como Paul e Richard — fazem, forçando mulheres a fazerem coisas que elas não querem, as perseguindo, as expondo. Por favor, não deixe ninguém te silenciar, ninguém tem esse direito. Me chamo Isabella, esta é minha história, a verdadeira história.

***

Publiquei o vídeo nas minhas redes sociais na manhã do dia treze, sem ninguém além de Edward saber que eu estava fazendo isso. O mundo inteiro surtou depois disso, Tanya ligou chorando para me apoiar, mas também me ameaçando por não ter dito antes para ela se preparar.

As pessoas, como sobre qualquer assunto, assumiram lados. Alguns acreditavam em tudo que falei, ou em quase tudo, outros não acreditavam em nada, ou em quase nada.

Sabia que tudo era verdade, então isso me tranquilizou, ao menos daquela vez mais pessoas estavam me apoiando. Flores foram enviadas para mim na produtora e gravadora, mensagens e mais mensagens eram enviadas publicamente para mim, ou de forma privada para me parabenizar pela coragem de contar tudo, ou eram relatos de situações parecidas com as minhas. E de alguma forma, eu também apoiei aquelas pessoas.

Marcas não paravam de me procurar para publicidade, mas eu estava ignorando aquilo naquele momento. Meu foco foi conversar com instituições voltadas a cuidar de vítimas de estupro, aos grupos que ajudavam vítimas de vídeos íntimos divulgados na internet, aos filhos de pais ou mães abusivos, as pessoas que eram bissexuais e queriam se assumir.

Eu cresci sendo uma princesa, a atriz mirim que conquistou o mundo, mas aquela garotinha não representava quase ninguém. Eu, aos trinta e três, representava várias pessoas, elas me viam como um exemplo de força.

O mundo não mudaria magicamente, eu não mudaria magicamente, a vida ainda era a vida cheia de surpresas e sabia que ainda me sentiria fraca. Mas, olhava para minha filha e me sentia bem melhor, bem mais forte como ela também deveria me enxergar no alto dos seus cinco meses de vida.

— E você voa! — Eu a ergui bem alto, fazendo Holly rir. A puxei novamente para mim e beijei sua bochecha. — Amo você, Donut.

Ela olhou para mim, seus olhos estavam escurecendo.

— Ei, ela está perdendo os olhos azuis! — exclamei para Edward, ele andou até a gente, vindo do closet e deitou ao nosso lado.

— Você está cada vez mais parecida com sua mãe, Donut.

— E ela voa! — Eu ergui Holly de novo, fazendo com que ela se divertisse mais com minha brincadeira boba.

***

Paul, diretamente da prisão, deu uma entrevista no dia quinze. Eu não assisti, estava mais focada em meu aniversário de casamento, ou como Edward estava chamando, o feriado oficial de Isaward.

— Acho que Isaward combina mais do que Beward — falou dando de ombros, rodando em um dedo o presente que tinha dado para mim, uma calcinha minúscula, parte de um conjunto imenso de lingerie, eu mal via a hora de estrear e era tanta coisa que iria renovar todo meu closet de roupas íntimas com elas, mas ainda manteria meus sutiãs de amamentação.

Eu ri, folheando o presente que dei para ele, um livro sobre barcos.

— Vamos fazer uma longa viagem de barco quando as crianças estiverem grandes, só nós dois, amor — falei para ele. Edward arqueou uma sobrancelha.

— Então vai demorar, ainda temos só uma.

— Você entendeu o espírito da coisa. Estou planejando nosso futuro.

Holly chorou no berço, ele e eu respiramos fundo ao mesmo tempo.

— Sem longas viagens de barco para a gente por enquanto, senhora Cullen. — Se levantou e foi pegar nossa filha.

Mais tarde aquele dia recebemos um monte de gente em casa, tinha sido em cima da hora, mas decidimos comemorar o aniversário de casamento com a casa cheia. Os únicos convidados que não puderam ir foram Carlisle e Emma, por estarem ocupados demais no hospital. E eu não tinha convidado Amber para evitar possíveis desentendimentos.

— Por que a carinha triste? — perguntei para Ness, que estava com Holly no colo, minha irmã tinha uma expressão de choro se formando em seu rosto

— Alec não quer ter filhos, quer dizer, ele não quer ter mais filhos por enquanto.

— O quê? — Alice ouviu e se aproximou. — Que otário, ele sabe que você quer ter filhos logo.

— Alice. — Belisquei o braço dela. — Vocês... Vão terminar?

— Sei lá. — Ness deu de ombros e sorriu para Holly, um sorriso também triste. — Meus sentimentos estão bem complicados, mas hoje é o seu dia, não se preocupe comigo.

— Eu sempre me preocupo com você. — Gesticulei para ela e depois para Alice. — E com essa aqui que está usando um sapato meu, se você arranhá-lo, está fodida, Alice.

— Credo, é só um sapato — Alice resmungou, mas logo estava me abraçando. Eu não recusei o abraço, também puxei Ness e Holly, virando um abraço em grupo.

Interrompido segundos depois por Edward, que queria dançar comigo. Sorri quando começou a tocar Lover da Taylor Swift, quando o álbum de mesmo nome dela saiu, aquela foi uma das canções que declarei ser nossa.

Não era tão boa quanto Ours, mas ainda era maravilhosa.

All’s well that ends well to end up with you¹ — Edward cantou em meu ouvido.

Mais tarde naquela noite, eu sentei no primeiro sofá que vi, exausta. Ainda tinham convidados ali, minha filha seguia acordada adorando as músicas de rock que Edward tinha incluído na playlist da festa para ela, Holly estava no colo dele, os dois rindo enquanto ele dançava com nosso bebê.

Um celular, que não era o meu, perto de mim no sofá vibrou. Eu olhei e vi uma notificação, era uma tal de isaed15 mandando mensagem no Twitter, mas o que chamou minha atenção não foi aquele nome, sim como aquela pessoa se referiu a quem estava recebendo a mensagem enviada.

Isaed15: Isaward, te adoro, sigo você desde que Ed e Isabella ficaram noivos, amo seus tweets.

— Isaward? — sussurrei.

De quem era aquele celular?

— Ai, encontrei!

Arregalei os olhos quando Irina se aproximou e pegou o celular, colocando o aparelho no seu bolso.

— Não estava encontrando ele — falou para mim, sorriu e soltou um suspiro. — Pensei até que tivesse deixado cair no vaso sanitário.

— Isaward? — me vi questionando, na hora Irina empalideceu.

— O-O qu-quê? — gaguejou.

— Você recebeu uma notificação de mensagem, acabei olhando e tinha alguém te chamando de Isaward.

— Eu? Como assim? — Soltou uma risada nervosa e olhou para os lados querendo buscar algo para se salvar, mas não conseguiu.

Me levantei e apontei para sua bolsa.

— Você é Isaward!

— Não sei do que você está falando, Bella. — Outra risada nervosa.

— Isaward Swullen! — Pulei duas vezes em meus pés. — Talvez a primeira pessoa que estava na internet falando sobre como Ed e eu deveríamos ser um casal.

Irina ficou vermelha e cobriu o rosto com uma mão.

— Você é Isaward?

— Sou — murmurou a confirmação. — Ai Bella, me desculpa. — Olhou para mim em pânico.

— Desculpar, por quê?

— Porque eu era sua assistente, agora sou agente do Ed e continuo na internet como uma fã atrás de um nome falso. Mas é que vocês sempre tiveram tanta química, era impossível não os querer juntos, fui fraca, perdão.

Eu gargalhei, mandei que ela ficasse lá e fui pegar Edward, ele parou de dançar com Holly e me ouviu.

— Irina é Isaward.

— Ela o que? — perguntou surpreso.

— Isso que ouviu.

— Não, calma aí, essa é uma fofoca muito surpreendente. — Ele riu e andamos até Irina. — Você é Isaward? — Edward a questionou, ela voltou a esconder o rosto. — Caralho, não acredito que você é Isaward. Holly a Irina é Isaward — contou para nossa filha.

— Não podemos esquecer isso? — Irina implorou, abaixando a mão. — Vou deletar a conta.

— Não, não! — Edward e eu exclamamos juntos rapidamente e alto, Holly riu da gente, achando engraçado de alguma forma. — Não apaga — ele pediu.

— É, não apague — fiz coro. — Você pode continuar sendo a maior fã do nosso amor — provoquei, ela suspirou.

— E vamos continuar bisbilhotando seus tweets — Edward provocou também.

— Ei! — Estalei os dedos para ele. — Irina estava cheia de conversa com o Laurent hoje de novo, deveríamos criar uma conta no Twitter para torcer pelo amor deles.

Edward riu alto, jogando a cabeça para trás.

— Eles podem ser Irilau! — gritei contra a música que tocava.

— Okay, peço demissão, até nunca mais! — Irina tentou se afastar, mas segurei seu braço.

— Tá doida? Nada de demissão, você foi minha assistente e agora é agente do Ed, não tinha pessoa melhor do que nossa fã para isso, Isaward, quero dizer, Irina.

— Vocês não vão esquecer, vão?

— Não, nunca — respondemos juntos. — Acredite, já li mais seu perfil do que livros — Edward falou, isso me fez rir.

— Você postou tanto quando fomos para Cidade do Cabo!

— E hoje que ela postou um texto imenso comemorando nosso aniversário de casamento?

Pelos próximos minutos, Irina sofreu com Edward e eu a aterrorizando sobre o tópico Isaward. Mas, prometeu nunca deletar a conta, também pediu um aumento que falei que iria considerar, porém fiz ela trocar a próxima fralda de Holly.

— Se você nos ama tanto, vai trocar a fralda do fruto do nosso amor, Isaward.

***

No dia seguinte Edward e eu estávamos na sala de TV assistindo à Brooklyn Nine-Nine, depois de termos assistido Shrek. Holly já estava em nosso quarto dormindo, o monitor da babá eletrônica estava ali conosco para que pudéssemos ficar de olho em Donut.

— Passa pra mim — Edward pediu me entregando seu celular, ele também estava jogando Candy Crush.

Peguei o celular e comecei a tentar passar a fase, que era terrível. Meu marido deixou a sala, dizendo que iria tirar suas lentes de contato, minutos depois ele voltou usando óculos, voltou a sentar no lugar ao meu lado, puxando meus pés para cima das suas coxas, começando a massagear.

Logo ele também estava os beijando, subindo seus lábios para minhas pernas, aproveitando que eu estava usando um short suas mãos também foram até minhas coxas. Olhei para Edward, ele olhou de volta com um sorrisinho travesso no rosto.

Umedeci meus lábios e continuei a jogar, ele continuou a me provocar com suas mãos e bocas, tomando cuidado com minha perna machucada do acidente. Até que se moveu no sofá, ficando entre minhas pernas, eu inspirei fundo, mas continuei focada no joguinho, sabendo que isso só ia aumentar a vontade de Edward em me ter.

— Vamos, pare de jogar. — Ele começou a abrir meu short, eu ergui o quadril para ajudá-lo a tirar aquela peça de roupa.

— É uma fase difícil, quero... — Não completei, ele arrancou o celular de mim e o jogou de lado, isso me fez rir. — Você que sabe, vai continuar empacado no jogo.

— Não me importa, vou ganhar muito mais. — Ele continuou a tirar meu short, erguendo e unindo minhas pernas para tirá-lo de vez.

Abaixou seu corpo, uma mão me tocando por cima da minha calcinha, uma segurando minha nuca. Beijou meus lábios por um segundo, antes de levar os seus para meu ouvido e sussurrar:

— Quero você em cima de mim, putinha.

Mais um beijo e depois nos movemos juntos, ele sentou no sofá, eu fiquei de pé no chão na frente dele. Tirei minha calcinha, depois a camisa dele que estava usando e subi em seu colo, ele abriu a bermuda que estava usando, mas antes que pudéssemos movê-la para baixo, Edward pegou uma camisinha de seu bolso.

— As lentes foram só uma desculpa pra ir pegar camisinha, não é? — perguntei descendo sua bermuda e a cueca de uma vez, ele deu de ombros.

— Não, eu realmente queria te foder usando óculos, sei que você gosta do kit completo com a barba porque fico com cara de professor gostoso.

— Sim, fica mesmo. — Segurei seu rosto entre meus dedos e mordi seu lábio inferior, o fazendo gemer. — Se eu tivesse ido para a faculdade iria querer ter um professor como você, gostoso pra caralho.

Me posicionei de forma que minha boceta ficasse sobre seu pau, foi minha vez de gemer quando me esfreguei em sua ereção. Fiquei mais molhada, ele pareceu ficar ainda mais duro.

Ficamos assim por um tempo. Suas mãos na base das minhas costas, nossos quadris seguindo o mesmo ritmo. Eu me apoiava em seu ombro esquerdo com uma mão, a outra estava em meu clitóris para adiantar meu lado e a boca dele estava em meu pescoço, garganta, ombros, por toda parte que alcançava.

Quando estava chegando ao meu limite e aparentemente ele também, pausamos para Edward colocar a camisinha. Feito isso, eu sentei nele de uma vez, sentindo seu pau me preencher.

Agarrei seus cabelos, que já tinham crescido bastante, ele me xingou, mas me mandou continuar assim. Eu me movia de encontro a ele, que estava erguendo seu quadril com impulso de seus pés, me fodendo com rapidez e força, suas mãos dando tapas em minha bunda.

Gozamos praticamente ao mesmo tempo, eu desabei em cima dele, me movendo o mínimo necessário para que ele tirasse a camisinha, coloquei meu rosto próximo ao seu pescoço para descansar um pouco. Ele tinha cheiro do meu shampoo e de sabonete, baixinho, ainda me recuperando, perguntei:

— Você usou meu shampoo, Betty?

— Usei, queria seu cheiro de morangos em mim. — O olhei desconfiada. — Ok, o meu acabou e fiquei com preguiça de sair debaixo do chuveiro para pegar um pote novo, satisfeita?

Soltei uma risadinha.

— Sim, se tem algo que eu tô é satisfeita.

— Já? Mal comecei com você, vamos subir, pegar um dos seus vibradores e ir para o quarto de hóspedes.

— O que vai fazer?

— Você sabe o que vou fazer, putinha. — Suas mãos voltaram a passear por minha bunda.

— Vamos nessa!

***

Era bom estar na produtora de novo, mesmo que por poucas horas. Tanya iria se afastar — depois de muita insistência minha para convencê-la que estava bem para trabalhar — do trabalho no dia dezoito, já que a qualquer momento seu filho poderia nascer e precisava ter os detalhes finais prontos para recebê-lo.

Nós teríamos uma reunião naquele dia, Edward estava na minha sala com Holly, para esperar por mim e apresentar a produtora a ela. A garotinha tinha sido a sensação do lugar, aonde chegava Donut era toda sorrisos e isso roubava o coração das pessoas.

A reunião foi boa, e meio chorosa porque Tanya estava muito emocionada em precisar se afastar, mesmo que fosse por um excelente motivo. No final, voltamos para minha sala, ficamos ali conversando com Edward, enquanto eu amamentava Holly.

— Tem certeza de que não quer que eu continue trabalhando? — Tanya perguntou com preocupação para mim.

— Tanya, tá tudo bem — garanti. — Holly já tem cinco meses, logo mais estará até comendo, não apenas mamando. E ela agora é mais boazinha com o pai dela para aceitar leite em copinho ou mamadeira.

— Sim, Holly tem sido muito legal comigo nesse quesito depois que prometi uma pulseira de diamantes para ela — Edward brincou, ajustando a meia no pezinho dela. — Não poderia ser mais parecida com a Capitã.

Tanya abriu um largo sorriso e disse:

— Algumas vezes ainda é difícil acreditar que vocês foram de dois chatos discutindo por tudo, com direito a guerra de flores nesta sala, para casados e pais.

— Fazer o que? Bella não resistiu a mim. — Edward me beijou na bochecha, eu ri e o afastei com meu ombro.

— Convencido.

— Apenas fatos, Capitã.

— Ai Bella — Tanya choramingou de novo. — Não é mesmo justo que você tenha que voltar a trabalhar agora, vocês deveriam curtir mais. E isso pode te atrapalhar com a atuação e seu álbum.

— Tanya, para! — ordenei. — Eu vou trabalhar de casa o máximo que der, relaxa. E pode ficar tranquila, nada vai me impedir de voltar a atuar e lançar um álbum.

— Sim, eu não vou deixar isso acontecer. — Edward afagou a parte de trás da minha cabeça. — Agora, Tirana, vocês já pensaram no nome do meu afilhado?

— Quem disse que é seu afilhado?

— É justo que seja!

Eles começaram a discutir e se provocar sobre o assunto, eu apenas sorri e fiquei de fora. Dei uma bela olhada em minha sala, pensando como aquela produtora tinha sido o pontapé inicial, anos atrás, para conhecer Edward.

Eu queria atuar e cantar, mas amava aquele lugar e amava ser uma empresária. Tinha vivido muitos momentos maravilhosos sendo uma, e não somente com meu marido, mas com todos os outros.

E, ser uma empresária, também tinha sido uma forma de parar de fugir. Foi uma volta, mesmo que só para os bastidores, minha para Hollywood depois de tudo que tinha acontecido.

Depois de Paul ter arruinado tudo. Pensar nele formou um nó em minha garganta, ele continuava preso, o Senador Gaston mexeu seus pauzinhos que manteriam o assassino de sua filha na cadeia até o julgamento dele, que ainda não tinha data marcada.

Eu também estava movendo um processo, por conta da chantagem que sofri, contra Paul. Se ele perdesse, seria uma pena mínima perto do que o Lahote acabaria tendo que pagar por conta do assassinato de Julia, mas queria que aquele homem fosse responsabilizado por seus crimes, todos eles.

Paul também continuava amado, por poucos, mas ainda assim tinham pessoas o idolatrando. Era perturbador, como algumas pessoas poderiam ter um ídolo como aquele? No entanto, ele estava cedendo entrevistas falando estar arrependido de tudo, pedindo perdão aos Gaston e a mim, dizendo que focaria em Deus durante o tempo na prisão para mudar sua vida.

Era um papinho de dar nojo, parecido com o que Renée usava. Para minha sorte, ela não tinha tentado me procurar mais, nem falou nada sobre o que a acusei em meu vídeo. Renée estava voltada para sua igreja, o marido e a sua nova filha, Violet era um talento em ascensão.

— O que você acha, Bella? — Tanya perguntou e voltei a conversa com ela e meu marido.

Minutos depois, quando Holly terminou de mamar, pegamos tudo e saímos. Eu fechei minha sala, dando um sorriso orgulhoso.

Dois dias depois, Daniel Denali nasceu. Ele era um garotinho lindo, só não poderia dizer que era o bebê mais fofo do mundo porque Holly existia.

— E você está gostando de ser irmã mais velha? — Ed perguntou para Tina quando fomos visitar Daniel no dia vinte e um.

Ele estava ótimo, saúde de ferro, mas precisaria ficar no hospital mais um dia. Com seus pais adotivos, que estavam perdidamente apaixonados por seu filho.

— Eu tô amando! — Tina respondeu, Santiago riu e pediu para que ela não gritasse para não acordar Daniel que dormia em meu colo, mas a garotinha estava muito empolgada.

Eu me afastei um pouco, quando ela começou a narrar para Edward sobre quando viu Daniel da primeira vez, sem querer que ela acabasse acordando o irmão. Tanya andou comigo, os olhos fixos em seu bebê.

— Ei — falei com Daniel, bem baixinho. — Mal vejo a hora de você conhecer a Holly, acho que vocês serão melhores amigos como sua mãe e eu.

Olhei para minha amiga, o rosto dela tomado por lágrimas. Não precisamos falar nada uma para outra, com cuidado para que Daniel não fosse perturbado, ela me abraçou.

Um abraço cheio de história, amizade e amor.

***

A fazenda estava cheia para o Natal, era muito bom estar em Nashville de novo e daquela vez com Holly. Na manhã do dia 25 sentamos ao redor da árvore para trocar presentes, minhas irmãs, Jasper, minha cunhada, Emmett — que tinha levado um puxão de orelha de sua família por não ir passar as festas de final de ano com eles —, Esme e claro que meu pai e Carmen.

Eu queria mais pessoas ali para celebrar o primeiro Natal da minha filha, mas nem todos poderiam ir, como os Denali e os Volturi. Meus amigos não iriam viajar com um bebê de cinco dias de vida, Aro e Jane tinham ficado em Los Angeles também para passarem as festas com Alec, que estava lá para ficar com seu filho.

Minha sogra estava triste por não estar com seu noivo, só que assim como ela queria ficar com seus filhos e sua neta, entendia que ele queria ficar com os seus. E Ness, bom, ela entendia que Alec queria estar com o filho dele, mas o clima entre os dois ainda estava estremecido. Eu torcia para eles se acertarem, talvez o próximo Natal fosse mais fácil para todos.

— Sei que você ainda não tinha comprado nada para suas aulas de balé em janeiro — Edward falou quando abri o presente que ele me deu, sapatilhas de balé.

— Amor! — Soltei um gritinho e o beijei. — Obrigada, obrigada — agradeci. — Eu amei. Por isso você deu aquela boneca de bailarina para a Donut?

Ele assentiu todo sorridente, olhando para nossa filha que estava brincando com a boneca em questão, que era de pano, perto de Emmett e Rose.

— Ano passado eu dei a boneca da princesa Audrey, esse ano uma bailarina, tudo para ela pensar na mãe incrível que tem. — Beijou a ponta do meu nariz, me fazendo sorrir mais. — E fico feliz que você gostou do seu presente, porque com certeza amei o meu. — Beijou o dedo anelar de sua mão esquerda.

Ele tinha vencido, após chorar e suplicar, dizendo que o único presente que queria que eu lhe desse fosse a permissão para fazer a tatuagem com a minha inicial. Eu cedi, ele tatuou no dia 23, antes de entrarmos num jatinho com cachorros, gatos e nossa filha, estava todo bobo com sua nova tatuagem.

Após a troca de presentes, todos seguiram para a cozinha, era hora de preparar o almoço. Eu tinha Holly em meus braços, isso me livrava de ter que fingir estar ajudando, estava ali apenas roubando comida antes da hora e me movendo pelo local ao som das músicas que estavam tocando.

Quando começou a tocar I Want You Back do Jackson 5, Alice gritou, era nossa canção. Ness ainda estava calada e triste, mas acabou sendo contagiada por nossa animação e naquele ano fizemos nossa performance anual com uma integrante a mais, uma pequena de cinco meses que se divertiu muito com tudo aquilo.

Papai olhava para nós quatro sorrindo e eu pensei que no próximo Natal a performance teria a participação de um garotinho, com nome ainda não definido.

— Vocês precisam escolher o nome do bebê! — exclamei para meu pai e Carmen depois que as meninas e eu acabamos a apresentação.

— Não conseguimos concordar em nada — Carmen se queixou.

— Ah, sei bem como é! — Edward exclamou, ele estava ajudando a mãe a fazer uma torta de nozes. — Mas quando o nome de Holly veio, soubemos na hora que deveria ser esse.

— Espero que seja assim, porque Charlie quer chamar o bebê de Ernest — Carmen reclamou.

— É um nome forte — meu pai se defendeu.

— É nome de velho! — a esposa dele exclamou, Alice ao meu lado sufocou uma risada e meu marido disse:

— De velho o Caipira Swan entende. — Ele levou tapas na cabeça da mãe e da irmã por falar isso.

Ficamos ali sugerindo nomes, cantando canções e eles cozinhando enquanto eu seguia com Holly em meus braços. Era tão bom tê-la ali, só fazia o Natal ser ainda melhor.

Mais tarde, já depois de todos estarem alimentados, estávamos na sala da Árvore de Natal conversando e tendo a honra de ouvir meu pai tocar. Holly estava dormindo no colo de Esme ao meu lado, Edward estava sentado aos meus pés jogando cartas com Emmett, eu escondia uma para meu marido embaixo da minha bota, quando o cunhado dele não estivesse olhando iria ajudar o pai da minha filha a vencer a partida.

— Ed, você falou com o papai? — Rose sentou do meu outro lado, tinha ido na cozinha beber água. Ela apoiou a cabeça em meu ombro, mexi em seus cabelos loiros tranquilamente. — Ele mandou mensagem dizendo que você não olhava seu celular.

— Falei, ele queria mais fotos de Holly com esse suéter feio de Natal que a Bella obrigou a Donut a vestir — ele disse balançando o seu celular, tinha um minuto antes mandado mais fotos para o pai.

— Ela está linda! — declarei.

— A garotinha mais linda do mundo — Esme falou embalando a neta em seus braços, meu coração se encheu de amor por elas, ainda mais, naquele instante tão terno.

— Queria que o papai estivesse aqui. — Rose suspirou.

Carlisle tinha sido convidado, eu mesma tinha ligado e o chamado para as festas em Nashville. Mas, além dele já ter tirado muitas férias e folgas ao longo daquele ano, Emma estava com a mãe se recuperando de uma queda de escada e precisava de ajuda do marido para lidar com isso.

Holly, Ed, Rose, Emm e eu já tínhamos conversado com Carlisle e Emma por chamada de vídeo mais cedo. Estávamos planejando uma viagem em grupo para Bath em Março, antes disso não conseguiríamos ir por conta do trabalho.

Fiz Rose pensar em outra coisa, falando sobre nosso roteiro. Ela e eu tínhamos formado uma dupla muito boa para escrever, mesmo com meus dias cheios, estava conseguindo me dedicar um pouco à história.

— Já pensou que roupa vai usar quando nossa série estrear? — a provoquei, ela ficou vermelha e riu. Eu ainda não tinha vendido a ideia para nenhuma emissora, mas estava confiante que quando tudo estivesse pronto isso iria acontecer num piscar de olhos.

— Não tenho escapatória, né? Vou ter que ir já que dessa vez será meu nome lá.

— Isso, eu não vou te deixar fugir dos holofotes. — Continuei mexendo em seus cabelos.

Quando Emmett se distraiu com uma pergunta que Ness fez para ele, ergui minha bota e meu marido pegou a carta. Rosalie viu, ela estava pronta para gritar, mas olhou para Holly e não entregou o irmão.

— Vocês dois se merecem — disse para mim em um sussurro, eu sorri e falei de volta.

— Você que quis assistir a um filme meu e fez seu irmão se apaixonar por mim quando era só um garotinho.

Ela riu.

— É, ele com certeza é apaixonado por você desde a primeira vez que te viu na tela daquele cinema.

Eu sorri muito ao escutar aquilo. Mas o sorriso morreu quando instantes depois Emmett anunciou que tinha vencido.

— Não acredito que você perdeu mesmo roubando! — Rosalie exclamou para o irmão, Emmett tinha ido na cozinha buscar um refrigerante.

Meu pai começou a tocar Johnny Cash, Jasper cantou com Carmen minha música.

Edward resmungou e sentou do outro lado de Rosalie, fazendo o sofá ficar lotado.

— Odeio seu namorado, Rose — se queixou e apoiou a cabeça no ombro dela, formando uma conexão entre nós dois através de sua irmã gêmea. — Ele tinha que vencer?

Ela segurou a mão dele, e os dois começaram a conversar sobre como ambos eram péssimos com jogos quando crianças. Eu me voltei para Esme, que continuava babando sobre sua neta e sussurrei para ela.

— Obrigada, sogra.

— Por fazer Holly dormir? Não precisa agradecer.

— Não, por ter ido atrás de mim e ter me convencido a ser empresária de Edward.

Esme sorriu, olhou para o filho — que ainda estava conversando com a irmã —, depois para mim e disse:

— Deu muito certo, não foi?

— E como.

— John! — Carmen exclamou alto, parando de cantar e fazendo todos olharem para ela, por sorte Holly não acordou. — Charlie, o nome do bebê pode ser John, e vamos poder chamá-lo de Johnny como apelido. — O olhar dela se encontrou com o meu, parecia estar em busca de aprovação minha por ter pensado no nome com minha canção, eu pisquei para ela, dando toda minha benção.

— Certo, essa é uma grande ideia — papai falou. — John Swan, Johnny Swan.

Carmen afagou sua barriga, eu senti uma ansiedade — uma boa —, me dominar para conhecer logo John, meu irmão.

***

No ano novo, já depois da contagem regressiva, eu estava dançando com Jasper. Ele me rodopiou e me segurou quando fiquei tonta, nós rimos e paramos para recuperar o fôlego, ali perto vi Holly dormindo nos braços de Rosalie.

— Será um grande ano, não é? — Jasper me perguntou.

— O melhor! — Passei a mão por meus cabelos, ele sorriu e me abraçou, eu afaguei suas costas.

— Você sabe que é meu cunhado favorito?

— Bom, com Alec longe, acho que não tem muita concorrência. E ok, você é minha cunhada favorita, mas não conta isso pra Ness.

— Prometo não contar. — Me afastei para ver seu rosto, o sorriso dele refletia em seu olhar.

— Ok, chega dessa melosidade toda. — Beijou minha cabeça e me soltou. — Vou atrás da sua irmã e conseguir o primeiro sexo do ano.

— Nojento. — Ele riu e foi procurar Alice, ela estava tirando fotos com nosso pai.

Eu fui até meu marido, que estava sentado a uma mesa da grande sala da fazenda onde foi organizada nossa festa particular de ano novo. Edward ria para algo em seu celular, sentei em seu colo e espiei a tela do aparelho, era um tweet de Isaward Swullen, o primeiro desde nossa descoberta.

“É muito estranho voltar para cá, mas... Feliz ano novo, Ed, Isabella e Holly, amo vocês!”

— Tira um print e manda pra mim — pedi, mexendo nos cabelos dele.

— Já fiz isso, linda.

— Tão eficiente — parabenizei.

— Aprendi algumas coisas trabalhando com você.

— Trabalhando para mim — o corrigi, Edward revirou os olhos, mas antes que ele pudesse discutir de volta, começou a tocar Ours da Taylor Swift e sorrimos um para o outro. — É a nossa música! — comemorei, começando a encher o rosto dele de beijos.

Seems like there’s always someone who disapproves. They’ll judge it like They know about me and you. And the verdict comes from those with nothing else to do. The jury is out, but my choice is you. So, don’t you worry your pretty little mind. People throw rocks at things that shine. And life makes love look hard. The stakes are high, the water’s rough, but this love is ours² — Edward cantou para mim, eu o beijei ainda mais.

***

Esme levou Holly para o quarto, mas tirando as duas, todos ainda estavam aproveitando a festa. Carmen e Rosalie estavam tendo uma conversa animada, Emmett e meu pai também conversavam, meu marido estava cantando com seu melhor amigo as músicas que tocavam e minhas irmãs dançavam, eu tinha parado por alguns minutos para comer mais um pouco.

Ness e Alice acabaram indo até mim, roubando comida do meu prato.

— Isso não é educado da parte de vocês — chamei a atenção das duas.

— Poxa, que pena — Alice debochou de boca cheia e se sentou ao meu lado, Ness ficou à minha frente, estava um pouquinho mais feliz aquele dia.

— Nós somos fodas pra caralho, não é? — minha irmã perguntou e o jeito de ela falar até me surpreendeu. — Quero dizer, olha tanta merda que enfrentamos. — Gesticulou para nós três. — Começando por Renée, então, sim a gente é muito foda. — Os olhos dela se encheram de lágrimas, talvez ela não estivesse tão feliz assim e isso partia meu coração. — Eu quero casar e ter filhos.

Estiquei minha mão e afaguei a dela.

— Ei, você ainda pode ter filhos sozinha — a lembrei daquilo.

— Mas eu amo o Alec. — Suspirou. — Tá tudo muito confuso para mim, minha vida amorosa vai se ajeitar como a de vocês se ajeitou?

— Vai sim. — Alice afagou o braço dela. — Talvez você só precise encontrar um cara inglês e manter um relacionamento escondido com ele por algum tempo, foi o que funcionou para Bells e eu.

Isso me fez rir, Ness também soltou uma risada sincera.

— É, talvez essa seja a solução. Enfim, não importa qual seja a solução, sei que sou foda e vou ter tudo que quero e mereço. Eu amo vocês. — Sorriu para Alice e eu. — São as melhores irmãs do mundo. — Ela ficou de pé e abraçou nós duas.

— Também amo vocês — falei para minhas irmãs.

— Não tem dúvidas de que eu também, né? — Alice perguntou beijando nossos rostos. — Vocês são tão importantes para mim.

Ainda estávamos enroladas em um abraço quando papai apareceu, nos abraçou, beijou e chorando um pouco falou:

— Eu amo vocês, minhas meninas.

— Não pensa que só porque vai ter um garoto ele não vai te atormentar — Alice disse brincando. — Irei ensiná-lo como ser um Swan direitinho, um verdadeiro criador de problemas.

Ness e eu rimos.

— Vou ter que continuar usando meu chapéu para esconder os novos cabelos brancos que estão vindo por aí — papai disse.

— Não deixa aquele Cabeludo Britânico com quem casei escutar isso — eu falei e bem na hora começou a tocar Let’s Dance do David Bowie, isso fez Edward me chamar para dançar.

Alice foi comigo, nós duas dançamos com ele e Jasper. Eu desejei, de todo meu coração, que Ness estivesse dançando com Alec novamente em breve.

***

Holly, Edward e eu voltamos para Los Angeles na manhã do dia 5 de Janeiro de 2020. Eu tinha muito trabalho a fazer, ele tinha muito o que organizar para a introdução alimentar da nossa filha, ele queria ser o responsável por aquela parte, mas também disse que tinha uma letra em sua mente, algo que só me deixaria ter acesso quando estivesse finalizada, pois falava sobre meu acidente.

Concordei, uma canção sobre aquele dia também tomava conta da minha cabeça. Mas, ainda não estava pronta para trabalhar nela. Eu precisava continuar cuidando das cicatrizes deixadas por aquele dia, e não só aquela em minha perna.

No carro, indo para casa, Holly estava acordada brincando com a boneca que ganhou do pai, a balançando em suas mãozinhas. Edward estava no banco de trás com a gente, respondendo uma mensagem de Carlisle que estava lhe perguntando se tínhamos qualquer plano envolvendo a China nos próximos dias.

Não tínhamos, ficaríamos em Los Angeles para eu trabalhar e em sete dias seria o casamento de Aro e Esme. Mas, Carlisle estava preocupado com um vírus, ou qualquer coisa assim, novo que estava deixando as pessoas doentes no país asiático.

— Ele tá me mandando o que o pessoal da OMS falou sobre — Edward disse, não parecendo interessado naquilo de fato. — Vamos pedir sushi hoje? — perguntou.

— Por favor! — exclamei.

Eu estava tirando fotos de Holly, mas também parei para mandar uma mensagem para Felix e perguntar como ele estava naquele dia. Virou parte da minha rotina checar como estava indo a recuperação do segurança, e ele estava indo muito bem.

O rádio do carro estava ligado e quando a parte das músicas parou para dar lugar às notícias, o apresentador começou a falar sobre Paul. Algo sobre o Lahote estar falando com a imprensa em suas entrevistas que gostaria muito de conversar comigo, para pedir perdão pessoalmente.

Edward bufou, eu pedi para o motorista, ou o segurança que estava no banco do carona, desligarem o rádio. Conectei meu celular ao carro e coloquei em uma playlist da Taylor Swift, a primeira música no aleatório tocando foi Clean e cantei junto.

Rain came pouring down. When I was drowning, that’s when I could finally breathe. By morning, gone was any trace of you. I think I am finally clean³.

Olhei pela janela, era inverno, mas o dia estava lindo com céu azul. Edward segurou minha mão e beijou meu rosto, me fazendo sorrir.

Naquela noite sairia a notícia de que eu iria interpretar Audrey Hepburn. A imprensa ficaria louca, sabia disso e em breve teria que dar entrevistas, as primeiras depois da verdade vir à tona. Dava medo, a exposição, ainda ficava pensando no acidente mais do que gostaria, torcendo para o julgamento chegar logo e o paparazzi ser preso, só que mesmo assim era um dia lindo de inverno e iria aproveitá-lo sem ficar paralisada temendo o futuro, ou presa ao passado.

Logo depois de chegarmos a nossa casa, após trocamos de roupas e darmos atenção para nossos filhos de quatro patas que estavam bem após a viagem, fomos para a sala de música com Holly. Nos sentamos no chão com ela e meu antigo teclado, deixando a garotinha explorar.

Não fazia ideia do que Holly seria no futuro, mas sabia que Edward e eu estaríamos lá apoiando e torcendo por cada passo dela. Em algum momento ele pegou um de seus violões, estava o afinando para tocar algo e eu continuei junto de Holly permitindo ela desbravar o teclado.

O celular de Edward tocou e ele atendeu.

— Oi, Irina. — Ele fez uma pausa e revirou seus olhos verdes. — Não, eu não tinha visto, mas tanto faz. Falo com você depois, tchau!

Meu marido desligou o celular e o guardou em seu bolso.

— O que foi? — perguntei, mas não estava preocupada, só curiosa.

— Saíram fotos minhas andando sem aliança, depois de fazer a tatuagem, estão dizendo que estamos em crise.

Eu gargalhei e olhei para ele outra vez, Edward completou debochando:

— Um escândalo!

— Pois é, um dos grandes — ironizei também, me movi e o beijei, ele sorriu contra meus lábios.

Edward afagou meu rosto e o de Holly delicadamente.

— Te amo, Donut. E amo você, Capitã.

— Eu também te amo, Pirralho. E amo ser um escândalo com você e chocar Hollywood.

Sim, nós tínhamos chocado Hollywood, e o mundo todo, com nossos escândalos. Estivemos em vários lugares, do topo ao limbo, porém, nosso lugar favorito era aquela sala de música.

Minutos depois, Holly decidiu sentar no teclado, o que me fez rir. Edward terminou de afinar o violão e começou a tocar Hollywood.

Notas finais
¹Tudo está bem quando termina bem se o final for com você. ²Parece que há sempre alguém que desaprova. Eles vão julgar como se soubessem algo sobre você e eu. E o veredito vem daqueles que não tem nada melhor pra fazer. O júri está dispensado, mas a minha escolha é você. Então não esquente a cabeça. As pessoas jogam pedras em coisas que brilham. E a vida faz o amor parecer difícil. Os riscos são grandes, a água é agitada. Mas esse amor é nosso. ³A chuva caiu forte. Quando eu estava me afogando. Foi aí que eu pude finalmente respirar. E pela manhã. Se foi qualquer vestígio seu. Eu acho que estou finalmente limpa. Bom, este foi o último capítulo. Vou guardar o choro e despedidas para o epílogo, que irei postar na quinta-feira dia 07 de Julho às 18:00. Muito obrigada por terem me acompanhado até aqui. Beijos! Lola Royal. 03.07.22