Hollywood

22 Capítulo Vinte e Um


Notas iniciais
Oi, gente! Capítulo dedicado a Cha que recomendou a fic, muito obrigada por isso, linda. ♥ Boa leitura! Música especial do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=14iHRpk9qvQ

Capítulo Vinte e Um

Isabella Swan

"Isabella Swan é uma estrela!"

Comecei a trabalhar tão cedo que parecia que eu já tinha nascido diante de uma câmera, o que era praticamente uma verdade, levando em conta que meus pais eram famosos e todos queriam conhecer sua filha. Então, eu logo estava nas telas.

Mesmo quando era apenas uma criança eu adorava atuar, mas amava mesmo cantar, o que acontecia com frequência uma vez que muitos dos meus papéis eram em produções infantis que envolviam músicas. Quando Renée me escalou para o papel de Zoe eu tentei recusar e falar que queria trabalhar com música.

Renée não aceitou isso, mas ela sabia me manipular muito bem e jogou seu jogo comigo. Fui convencida de que seria muito arriscado mudar daquela forma tão repentina, de atriz para cantora, e Renée sugeriu — quando na época eu não sabia que ela estava mesmo era me enrolando para não perder sua grande estrela da TV e do cinema — que eu estrelasse a série e aos poucos fosse moldando minha carreira de cantora.

Os únicos passos que de fato dei para tal carreira foram: cantar em um show com Charlie e compor algumas canções. Composições essas que eu nunca tive coragem de mostrar para ninguém, nem mesmo para meu pai, ou para Paul que foi minha grande inspiração para muitas delas.

Por mim elas continuariam escondidas, para sempre.

***

Não conseguia parar de sorrir, mesmo que eu tivesse passado a maior parte da madrugada acordada o sorriso em meu rosto permanecia. Tudo isso era motivado por uma única coisa: naquele dia eu destruiria Carmen González.

Eu tinha traçado um plano para derrubar aquela puta mexicana, iria ligar para meu pai, falar que eu queria almoçar com a noiva dele para que nós duas pudéssemos nos conhecer melhor e quando estivéssemos sozinhas iria revelar o que sabia e mandá-la cair fora, ou foderia com a vida dela. Simples e fácil, seria como tirar doce de criança.

Meu celular tocou, me distraindo dos meus pensamentos enquanto eu me maquiava, era Alice, eu tinha mandado uma mensagem para ela durante a madrugada mando que ela me ligasse assim que acordasse. Atendi minha irmã rapidamente, ainda sorrindo.

— O que você quer comigo? — ela perguntou sonolenta. — Sua mensagem disse que era urgente.

— Hoje é o dia que o México cai, querida! — exclamei, passando mais rímel em meus cílios.

— Quê? Não tô entendendo nada, Bells.

— Eu descobri como tirar Carmen do caminho do papai — declarei.

— Hasta la vista, puta mexicana — minha irmã disse entusiasmada. — O que nossa querida madrasta aprontou? Ou você inventou algo?

— Não, eu não precisei inventar nada — garanti. — Ela foi uma vagabunda sozinha. Literalmente uma vagabunda, Alice.

— Espera...

— Isso mesmo que está pensando. — Meu rosto no reflexo do espelho parecia relaxado e perfeito com a maquiagem. — Ela foi uma garota de programa quando era mais nova, lá pelos vinte anos, quando morou aqui nos Estados Unidos por cerca de uns seis meses, com visto de turista.

— Puta merda! — Alice gritou em meu ouvido. — Conta mais — exigiu.

— Alistair descobriu isso pelo histórico do seguro saúde que Carmen usava quando esteve aqui...

— Uma garota de programa com seguro saúde? Decente! — Alice elogiou, me fazendo gargalhar. — Continua, continua!

— Como eu estava falando, ele descobriu isso pelo seguro saúde dela, porque, adivinha só... Carmen engravidou de um senador que comia a prostituta.

— Só fica melhor! — Alice comemorou.

— Alistair conseguiu o histórico médico dela, exames de sangue, ultrassom e conheceu uma enfermeira que atendeu Carmen, ele provavelmente dormiu com a mulher, então a fez contar que ela foi até quem indicou a clinica para a puta mexicana abortar. E como Carmen se tornou amiguinha da enfermeira, abriu a boca para a tal e contou tudo. Que ela era uma garota de programa, que estava grávida de um senador e que ela pediu uma boa grana para o cara para que não espalhasse a noticia, pudesse abortar, voltar para o México e nunca mais procurá-lo, foi exatamente o que ela fez.

— Ah, eu sabia que ela era uma vaca! — Alice comemorou. — O que fará agora, Bells?

— Não se preocupe, vou lidar com tudo para ela sair do caminho de papai de forma que não cause danos maiores. Aliás, preciso desligar agora e começar a resolver tudo isso. Não conte nada disso para Renesmee.

Alice riu.

— Eu com certeza não vou contar, seria capaz de ela defender a puta mexicana. Obrigada por ter começado meu dia com essa maravilhosa noticia, Bells.

— Ao seu dispor. Agora, tchau. — Desliguei, sem mais tempo para enrolações, ainda com o celular em mãos liguei para meu pai, que não demorou a atender. — Bom dia, papai!

— Bom dia, Bells — ele me saudou. — Vi que você anunciou o noivado, fico feliz com isso.

Ah claro, eu já até tinha esquecido daquilo.

— É, pois é, um grande fim de semana — falei, irritada ao pensar que Victoria continuava por perto e em como James e eu tínhamos brigado na noite anterior, sem sexo de reparação. — Enfim, liguei para falar sobre Carmen.

Meu pai bufou.

— O que você quer agora, Isabella? — perguntou na defensiva.

— Credo, pai — me fiz de boa moça. — Estou ligando em missão de paz.

— O quê?

— Eu decidi dar uma chance para Carmen — falei.

— Ah tá, qual a piada?

— Não tem piada nenhuma, pai — garanti. Tinham, várias, mas ele não saberia. — Mas, estou tentando ser superior, ok? Se você gosta dessa mulher me resta aceitar, né?

— Eu a amo, Isabella.

— É, que seja. — Revirei os olhos. — De qualquer forma estou disposta a recomeçar com Carmen, não prometo que seremos melhores amigas, ou que eu vou passar a aceitar esse noivado de vocês, mas tentarei ao menos ser mais aberta a tudo isso. Então, eu pensei em Carmen vir almoçar aqui no meu apartamento hoje, pode perguntar a ela o que acha disso?

Papai ficou em silêncio, ele certamente estava desconfiando de algo, mas eu precisava acreditar em minha atuação para que Charlie também acreditasse. Soube que um grande passo para isso tinha sido dado quando ele expirou alto, fazendo com que eu pudesse ouvir pela ligação e falou:

— Vou te dar esse voto de confiança, Bells. Espere um momento, irei falar com Carmen se ela pode lhe encontrar ainda hoje.

— Tudo bem.

Ele deixou a ligação no mudo, eu continuei me encarando no espelho esperando seu retorno.

— Bells?

— Oi, pai!

— Carmen pode ir, ela estará no seu apartamento por volta do meio-dia.

— Beleza, preciso desligar e resolver uns assuntos de trabalho agora, pai. Tchau...

— Isabella, eu estou confiando em você.

— E eu não irei lhe decepcionar, pai. Agora preciso mesmo desligar, tchau!

— Tchau, até mais.

Coloquei mais uma camada de rímel em meus cílios, mas antes que pudesse fazer qualquer outra coisa a campainha tocou. Larguei tudo sobre a penteadeira do meu closet, seguindo até a porta, uma rápida olhada no olho mágico confirmou minha suspeita de que era James. Ele tinha passe livre para meu apartamento sem que o porteiro precisasse me avisar, mas não tinha chaves, pois eu vivia trocando a fechadura do apartamento e dizia a ele que tinha medo que alguém conseguisse minhas chaves com ele e desse um jeito de invadir minha casa, era uma verdade, mas também um meio de eu não ter James invadindo totalmente meu espaço.

— Olá, amor! — Abri a porta para ele.

— Por que você publicou sobre o noivado sem me avisar? — James indagou, fazendo o sorriso morrer do meu rosto.

— Eu pensei que você queria isso — falei, deixando ele entrar e fechando a porta.

James bufou.

— Eu queria, Isabella. Mas, você queria?

— James...

— Além do mais, você não é a única pessoa pública desse relacionamento, ok? Eu queria que todo mundo soubesse do nosso noivado, mas também precisava preparar minha equipe sobre isso antes de você fazer uma publicação no meio da madrugada.

— Já está feito. — Dei de ombros, o fazendo revirar os olhos e cruzar seus braços na frente do corpo, o que me fez desejar pular em cima dele e implorar que ele me fodesse, mas eu ainda estava revoltada depois da recusa da outra noite, no carro.

— Que seja — James falou. — Agora é público, espero que você não se arrependa.

Franzi o cenho.

— De ter anunciado ao público, ou de ter aceitado seu pedido?

— Ambos — falou seriamente.

— James, eu decidi publicar, não vou me arrepender. Assim como te amo, não estou minimamente arrependida de ser sua noiva. — Apesar de eu estar o traindo com Ed Cullen, mas meu noivo não precisava saber disso, claro que não.

Ele inspirou fundo, antes de se aproximar de mim e beijar meu rosto.

— Odeio brigar com você, me desculpe pelos últimos acontecimentos.

— Tanto faz, eu gosto quando você grita — falei, lhe lançando um sorriso malicioso, James riu.

— Eu estive pensando, agora que o noivado é público, poderíamos dar uma festa para comemorar.

Ah não!

— Claro, seria uma boa — menti. — Vamos organizar tudo, para o mês que vem, que tal?

— Que tal sábado que vem?

— Isso não é rápido demais? — Torci o nariz.

— Prometo te ajudar a organizar tudo.

— Ah, você vai sim — ameacei. — Ok, acho que não tenho nada para sábado que vem, podemos fazer a festa, mesmo que esteja tão em cima da hora.

James beijou meu rosto novamente.

— Você já tomou café? Posso fazer algo para você comer, ainda temos boas horas até o almoço com meus pais e Victoria. — Não contive uma careta ao ouvir o nome, mas não entrei naquela discussão naquele momento, não valia a pena.

— Na verdade, eu não vou poder ir ao almoço com vocês.

— Por que não? Olha, se for por Victoria...

— Não, não é sobre sua amiga — esclareci. — Eu decidi dar uma segunda chance para Carmen, ela vem almoçar aqui em casa.

James me encarou surpreso.

— Isso é sério?

— É sim. — Assenti. — Ela é a noiva do meu pai, preciso começar a aceitar isso. — Eu não podia contar a verdade para James, ele não seria capaz de entender. — Enfim, me desculpe por não ir ao almoço com vocês.

— Não, está tudo bem — ele declarou, segurando meu rosto entre suas mãos. — Estou feliz que esteja se entendendo com Carmen, mais feliz ainda que nós dois nos entendemos.

— Eu também, por isso nós vamos agora mesmo para meu quarto transar. — Agarrei sua mão, o arrastando para meu quarto. Eu precisava ser fodida, com força.

***

Eu estava esperando Carmen chegar ao meu apartamento para nosso almoço, enquanto verificava em meu notebook as vendas de Endorfina, respondia e-mails de trabalho — como o fato de Charlie, Kate, Riley e Ed terem recebido convites para um leilão beneficente no fim do mês — e começava os preparativos para minha festa de noivado. Estava tentando não surtar com aquilo, James tinha saído da minha casa não muito depois do nosso sexo, por sorte ele ia passar o dia com seus pais — e sua amiguinha — o que o manteria longe do meu caminho e dos assuntos que eu tinha para resolver com Carmen.

Eu estava decidindo o melhor lugar para a festa, quando meu celular apitou em uma mensagem. O peguei entre as almofadas do sofá, vendo que tinha recebido uma mensagem de Edward.

Ed Cullen: Estou livre hoje, pronto para te amarrar.

Capitã: Eu estou ocupada. E pare de me mandar essas mensagens!

Ed Cullen: Eu sei que você gosta de mensagens assim, Isabella.

Ed Cullen: Então, quando eu finalmente vou fazer o que nós dois queremos?

Capitã: Amanhã!

Ed Cullen: Na minha casa ou na sua?

O interfone tocou, fazendo com que eu ficasse em alerta, Carmen tinha chegado.

Capitã: Sei lá, falamos sobre isso depois.

Ed Cullen: Não, espera, Capitã.

Ed Cullen: Vamos fazer sexo por mensagens!

Revirei os olhos, desliguei meu celular e o notebook, os deixando sobre a mesinha de centro e fui atender o interfone, liberando a passagem de Carmen. Praticamente saltitando de felicidade eu caminhei até a porta, pronta para abrir quando a campainha tocasse, o que não demorou muito a acontecer.

— Olá, Carmen! — saudei a puta mexicana, ela parecia ansiosa, enquanto usava um vestidinho verde.

— Ei, olá, Bella — me cumprimentou. — Estou muito surpresa com seu convite, obrigada por isso.

— Não precisa me agradecer. — Indiquei que ela entrasse no apartamento, a mexicana fez isso, seguindo até minha sala de estar.

— O que vamos comer? — me perguntou. — Se você quiser posso cozinhar, não cozinho tão bem quanto James, mas dou meu jeito — disse, sentando-se no sofá. Olhei ao redor procurando por Norma Jeane, mas a gata devia estar escondida em outro lugar do apartamento.

— Não, não precisa cozinhar nada — neguei. — Vamos começar bebendo algo. — Pisquei para ela e segui até a cozinha, indo pegar taças e uma garrafa de champanhe, pois eu queria comemorar aquele dia.

— Champanhe? — Carmen arqueou uma sobrancelha quando voltei à sala.

— Claro — confirmei, colocando as taças em suas mãos. — Quero que nosso almoço seja comemorado em grande estilo, madrasta. — Abri a garrafa de champanhe, deixando com que um pouco do liquido caísse no chão, mas não me importei, servi as taças, coloquei a garrafa sobre a mesinha e peguei minha taça com Carmen. — Vamos brindar, fique de pé.

Carmen se levantou, sorrindo feito uma idiota.

— Um brinde a nossa aproximação — ela disse, eu neguei com um aceno de cabeça.

— Tenho uma ideia melhor — anunciei. — Um brinde a você, a garota de programa que engravidou de um senador.

Carmen empalideceu, qualquer vestígio de sorriso morrendo do seu rosto.

— O quê?

— Você sabe muito bem o que estou falando, Carmen. — Provei o champanhe. — Me conte melhor, você veio passar alguns meses nos Estados Unidos como turista, aproveitou para se prostituir, engravidou de um senador, tirou dinheiro dele para se manter quieta, se livrou do bebê e agora quer fazer algo parecido com meu pai?

— Co-Como vo-você desco-descobriu iss-isso? — gaguejou a pergunta.

— Tenho meus contatos. — Dei de ombros. — Mas, posso dizer que aquela sua amiguinha enfermeira é péssima em guardar segredos.

Carmen arregalou os olhos.

— Você foi atrás de Abigail? Tem anos que não falo com ela.

— Não vamos bater papo sobre isso agora. — Bufei. — Temos um assunto mais importante para debater, ok? — Ela engoliu em seco. — Você vai embora da vida do meu pai, Carmen. — Bebi mais um pouco do meu champanhe. — Ou eu irei desgraçar sua vida.

— Você não vale nada, Isabella — ela murmurou.

— Exatamente como você. A diferença é que quem manda aqui sou eu e você obedece. Eis o que fará, irá voltar para a casa do meu pai e falará para Charlie que não pode continuar com ele, que percebeu com nosso almoço que você não merece meu pai, irá assumir toda a culpa do fim do namoro, se deixar isso recair sobre mim estará fodida. Você fará isso, nunca mais falará no nome do meu pai, ou o procurará, se seguir nosso acordo eu não divulgo para a imprensa o que sei de você, também não falarei para meu pai, mas se ousar me desobedecer todas as pessoas dessa porra de planeta saberão do seu passado sujo.

Carmen riu, colocando sua taça ao lado da garrafa de champanhe.

— Seu pai sobre meu passado sujo, Isabella.

— Como? — Vacilei por um instante.

— Isso mesmo o que ouviu. — Ela voltou a se sentar. — Charlie sempre soube que eu fui uma garota de programa. Sabe que tirei dinheiro do tal senador, sabe que abortei aquele bebê e sabe sobre cada detalhezinho do meu passado. Então, você não estará contando nenhuma novidade a ele se lhe disser isso.

Isso só poderia ser mentira, meu pai sabia mesmo daquela merda toda?

— E sim, querida enteada, você ainda tem em suas mangas a possibilidade de contar isso para o público e foder minha imagem. Porém, vai querer foder a do seu pai por associação? Ou melhor ainda, a do ex-presidente? Porque, bom, o senador que me engravidou naquela época é o ex-presidente dos Estados Unidos, se você for a público revelar isso eu digo quem era o senador e isso vai sobrar para você. Nós duas sabemos muito bem como homens são influentes, não é mesmo? Vai querer desafiar um homem tão poderoso?

Engoli em seco.

— A escolha está em suas mãos, Isabella. Se você me expor eu farei com que você se foda comigo, acha mesmo que pode passar por outro grande escândalo e sair ilesa? Eu estou, literalmente, acostumada a me foder, mas você está? A última vez que isso lhe aconteceu você quase morreu, não é? E depois disso passou anos fugindo por ai. Eu, por outro lado, consigo me reerguer de qualquer merda e essa eu posso superar muito fácil. Na verdade, se isso viesse à tona meu nome seria tão mencionado que eu seria mais famosa do que você jamais foi.

— Você está blefando, meu pai não sabe sobre isso.

— Ele sabe muito bem, Isabella. — Carmen passou a mão por seus cabelos. — Charlie e eu não nos conhecíamos, mas eu já estive com amigos dele quando fui garota de programa aqui em Los Angeles, seu pai já tinha ouvido falar de mim. Quando me abordou na noite que nos conhecemos foi perguntando se eu ainda cobrava por encontros.

— E você cobrou?

Ela sorriu.

— Uma garota esperta nunca deve dispensar um bom dinheiro, Isabella. — Piscou para mim. — Agora, mesmo que você não acredite, devo dizer que seu pai e eu nos apaixonamos verdadeiramente um pelo o outro. Eu amo Charlie, assim como ele me ama, então é melhor você aceitar isso de uma vez por todas e parar de tentar me afastar do seu pai. Ah, eu até tenho de dizer, adoraria ter você como minha madrinha de casamento.

Eu pulei em cima de Carmen naquele momento, estapeando seu rosto, enquanto a puta mexicana gritava e tentava se soltar de mim. Queria matar aquela vagabunda, eu iria presa feliz se fizesse isso.

— Fique longe do meu pai, sua puta! — gritei com ela.

— Você é maluca! — Carmen conseguiu me empurrar de cima dela e saiu do sofá. — Deveria estar internada em um hospício, você precisa se tratar. Não é feliz e não aceita que ninguém ao seu redor seja!

— Cala a porra da sua boca! — Atirei uma almofada nela, mas Carmen desviou, pegou sua bolsa e saiu rapidamente do meu apartamento.

Peguei a garrafa de champanhe e tomei um longo gole, antes de caçar pelas chaves do meu carro e sair do meu apartamento. Carmen já não estava mais no corredor do andar, eu ainda tive de esperar um elevador para chegar à garagem. Mas, assim que entrei em meu carro segui para a casa do meu pai, dirigindo em alta velocidade. Para a sorte de Carmen não a encontrei pelas ruas, ou eu teria a atropelado e resolvido meu problema.

Estacionei meu carro nos limites da mansão de Charlie, antes que eu pudesse chegar à porta de entrada, ela se abriu e ele saiu lá de dentro, seguido por Carmen que estava com o rosto todo vermelho. Meu pai caminhou até mim, furioso, o que me fez dar dois passos para trás.

— Eu lhe dei um voto de confiança! — ele gritou. — Você precisa parar de se meter em minha vida!

— Papai, você não pode se casar com uma garota de programa — sussurrei.

— Cala a porra da boca, Isabella!

— Pai...

— Vá embora, agora!

— Você está me expulsando de casa? — indaguei horrorizada.

— É a minha casa e de Carmen, nós mandamos aqui, esse lugar não faz parte do seu reinado de armações. Você será muito bem-vinda quando voltar e pedir desculpas sinceramente, quando prometer que ficará quieta, mas até lá eu não quero que você pise aqui.

— É a minha casa também! — o desafiei.

— Vá embora, Isabella!

— Você está sendo igual a ela — choraminguei, prestes a chorar de verdade.

— Pare de falar de Carmen...

— Igual Renée. — Cruzei meus braços na frente do corpo. — Me jogando de lado.

— Você sabe muito bem que não sou como a sua mãe, não tente bancar a garotinha desprotegida para cima de mim. Agora, eu quero que entre na porra desse carro e caia fora, ou eu chamarei os seguranças para te tirarem daqui.

— Não faria isso comigo, papai — o confrontei.

— Pague para ver. — Ele deu um passo para longe de mim. — Vá embora! — ordenou uma última vez, antes de voltar ao interior da mansão.

Carmen continuou do lado de fora, ela soltou um sorrisinho malicioso para mim e disse:

— O convite de madrinha do casamento continua de pé, Bells.

***

Minha cabeça estava estourando, eu me sentia enjoada e prestes a vomitar, ou desmaiar. Deitada no chão da sala de estar do meu apartamento, depois de ser expulsa da casa que cresci, uma garrafa de champanhe quebrada ali perto de mim, uma de vinho seca e começando a beber a segunda.

— Vadia do caralho — xinguei, bebendo mais um pouco de vinho, mas não aguentei e coloquei para fora. Sequer tive tempo de virar a cabeça, vomitando em mim mesma. — Porra, porra, porra — resmunguei.

A campainha tocou, eu consegui a ouvir, mas não tive coragem de sair do chão para atender quem quer que fosse. Continuei largada no chão, agarrada a garrafa de vinho e suja em meu próprio vômito. Fechei os olhos, pronta para dormir, quando ouvi alguém gritar meu nome.

— Isabella!

Abri os olhos, Alice surgiu no meu campo de visão. Ela se jogou no chão ao meu lado, ficando sobre seus joelhos e fazendo com que eu sentasse.

— Me solta — ordenei.

— Porra, Bells. — Olhou horrorizada para mim. — Por que você bebeu tanto, merda?

— Porque eu odeio minha vida — falei. — E amo beber. — Dei um mínimo sorriso.

— Você vai parar de beber! — ela exclamou decidida, arrancando a garrafa de vinho da minha mão e se colocando de pé.

— Quê? — perguntei, ela seguia para a cozinha.

— Vou jogar todo o álcool desse apartamento fora! — Alice gritou.

Com as pernas bambas eu me coloquei de pé, indo até a cozinha onde minha irmã já estava. Alice tinha largado a garrafa de vinho sobre a pia, para se virar e olhar para mim.

— Você não precisa fazer isso — falei para ela, tentando a tirar de lá.

— Eu preciso sim! — Alice gritou comigo, agarrando meus braços. — Sabe muito bem que preciso fazer isso, Isabella.

— Eu sei me cuidar, Alice.

— Sabe? Então, me diz porque você está bêbada e suja de vômito no meio da tarde. Me conta porque sua casa está fedendo a álcool, me diz porque quando eu te vi naquele chão eu só consegui pensar em quando você quase morreu anos atrás. — Alice começou a chorar, soltando meus braços e desviando seu olhar para o chão.

— Desculpa — pedi a minha irmã, ela não disse nada, só continuou chorando.

Quis vomitar de novo, o que só pioraria minha imagem diante de Alice. Entretanto, não conseguiria conter, me inclinei em direção a pia e vomitei, sentindo minha irmã afastar meus cabelos do meu rosto.

— Papai me ligou e contou o que aconteceu — ela disse, enquanto eu seguia vomitando. — Ele falou que se eu estivesse te ajudando nisso estava proibida de pisar na casa dele até pedir desculpas, vim correndo para cá quando você não me atendeu.

— O papai me odeia — sussurrei, tremendo. — Ele vai me abandonar. — Comecei a chorar. — Todo mundo me abandona.

— Ah, Bells. — Alice me fez virar o rosto para ela. — Eu estou aqui, irmã, nunca vou te abandonar.

— Eu sou uma vagabunda, Alice. Eu era uma estrela, mas eu me tornei uma puta.

— Isabella…

— Mamãe me odeia, papai me odeia, todos me odeiam. — Minhas pernas fraquejaram e eu acabei cedendo, Alice não conseguiu me segurar de pé, então nós duas acabamos sentadas no chão.

— Eu não te odeio, Bells — Alice disse.

— Odeia sim — teimei.

— Não, eu não odeio e nunca seria capaz de odiar. — Ela limpou minha boca. — Você é minha irmã mais velha e te amo. Por isso preciso que você prometa que nunca mais vai beber, pelo menos não como bebeu hoje, não posso te perder.

Não prometi nada, no lugar disso falei:

— Eu me odeio.

***

Alice colocou um copo de café diante de mim, eu o peguei a contra gosto, mas não ousei recusá-lo, ou seria capaz da minha irmã jogar o liquido na minha cara. Bebi alguns goles do café, antes de colocar o copo de volta sobre a bancada da cozinha do meu apartamento.

Era segunda-feira de manhã, Alice tinha passado o resto do domingo em casa comigo, cuidando de mim. Me ajudado com todo o vomito, uma vez que eu tinha enchido a cara sem ter comido nada aquele dia, aguentando meu choro e depois ficando de olho em mim caso eu voltasse a passar mal, também esvaziou todas as garrafas de bebidas alcóolicas daquela casa.. Ela tinha uma chave reserva do meu apartamento, que nem eu sabia da existência, foi como conseguiu entrar no apartamento.

Minha irmã também tinha pego meu celular e mandado uma mensagem para James, se passando por mim, dizendo a ele que eu estava em um dia de meninas com ela e que não poderia o encontrar. Eu sabia que James não se recusaria a me ajudar com o porre, Alice também, mas ela sabia lidar muito melhor com a Isabella em crise de ódio a si mesma.

— Você devia tirar umas férias — Alice disse, fazendo com que eu a olhasse.

— Como?

— Você me ouviu. — Ela bebeu um pouco do seu próprio café. — Tire pelo menos um mês de férias e vá passar esse tempo internada em uma clinica de reabilitação.

— Não preciso ir para a reabilitação — resmunguei.

— O que aconteceu ontem me diz exatamente o contrário — Alice declarou.

— Só passei mal porque bebi sem comer nada antes — expliquei. — Já te falei isso antes, Alice.

Ela negou com um aceno de cabeça.

— Isso não pode acontecer de novo, Isabella.

— Não vai — garanti. — Eu prometo que estou bem.

— Você tem um péssimo histórico com álcool, não devia beber.

— Alice, eu estou bem — repeti, ela suspirou. — Mas, preciso de ajuda sobre algo, o que vamos fazer quanto à puta mexicana? — Na noite passada, quando melhorei, tinha contado melhor toda a história para ela.

— Acho que pelo menos por enquanto nós devemos dar um tempo no plano de mandar essa vadia para longe do papai, o que rolou ontem já o deixou bem puto, vamos esperar as coisas se acalmarem.

— Eu quero matar aquela mulher — sussurrei, Alice sorriu.

— Nós duas queremos, Bells. Mas, no momento estou preocupada com você, então esqueça a puta mexicana.

Antes que eu pudesse insistir que ela não precisava se preocupar com nada, o celular de Alice no bolso de sua calça jeans tocou. Ela o pegou e o atendeu, desviando o olhar para o copo de café em sua mão.

— Oi, mãe — murmurou.

Meu corpo tencionou ao ouvir que Alice estava falando com Renée.

— Não, eu não estou no meu apartamento, mas posso sair de onde estou e te encontrar lá no café. Te vejo em meia hora, se o trânsito cooperar. Tchau. — Ela finalizou a chamada e voltou a olhar para mim. — Preciso ir, se você passar mal pode me ligar, ok? Vou de onde estiver até você.

— Como Renée está? — perguntei baixinho.

Alice engoliu em seco.

— Bem, normal. — Deu de ombros. — Preciso mesmo ir agora.

— É, você deve ir mesmo, Renée odeia atrasos.

Minha irmã assentiu, colocando o copo que estava usando na pia.

— Por favor, Bella, se cuide — ela pediu.

— Eu vou — jurei, mas não sabia se daria certo.

***

Entrei na sala de reuniões da gravadora mais cedo do que o horário marcado para a reunião com o pessoal para o clipe de Endorfina, mas aquele tempinho extra era bom para que eu conseguisse descansar um pouco antes do trabalho. Talvez Alice estivesse certa e eu precisasse de férias, mas não em uma clinica deserta, sim em um lugar paradisíaco onde eu pudesse beber drinks de frutas e receber boas massagens.

— Olá, Bells! — Olhei para a entrada da sala, vendo Renesmee entrando ai.

— Ei, oi Ness. Que bom que não se atrasou.

— Nem pensar, estou muito animada com esse clipe — anunciou. — Não acredito que vou contracenar com Alec Volturi! — Renesmee soltou um gritinho. — Ele é tão famoso, isso vai ajudar tanto na minha carreira.

— E ele é tão gostoso — acrescentei, Renesmee revirou os olhos.

— Eu tenho um namorado, Bells.

— Grande coisa — debochei.

Minha irmã não disse nada, mas ficou visivelmente irritada com meu comentário. Ainda assim, ela caminhou até perto de mim e sentou ao meu lado direito.

— Falando no seu namorado, cadê ele? — perguntei.

— Ele volta de Vancouver amanhã — contou. — Finalmente, tem sido bem difícil com ele tão longe. E o James? Como está tudo com ele? Fiquei bem surpresa quando você postou a foto anunciando o noivado, pensei que não ia fazer isso.

— É, estava na hora de anunciar. — Eu olhei para minha mão, onde eu tinha colocado o anel de noivado, escolhido pela irritante Victoria, aquela manhã. — Está tudo bem.

— Mas, não com o papai, certo? — Encarei Renesmee, ela me lançou um sorriso pequeno. — Ele me contou o que aconteceu.

— É, então ele também te contou que nossa madrasta é uma garota de programa?

— Ela foi — Renesmee me corrigiu, eu bufei.

Logo vimos Edward entrando na sala, seguido de Laurent e Tanya. Os três cumprimentaram minha irmã e a mim, então todos se sentaram à mesa, enquanto ainda esperávamos Alec e o diretor do clipe chegar para nossa reunião.

— Como foi seu fim de semana, Capitã? — Edward me perguntou, sentado do meu outro lado. Minha irmã falava sem parar sobre sua animação de gravar aquele clipe com Laurent e Tanya.

— Foi maravilhoso — menti, tinha sido uma merda de fim de semana. — E o seu?

— Foda. Literalmente. — Piscou para mim.

— Espero que não tenha engravidado ninguém.

Ele revirou os olhos.

— Usei camisinha — garantiu. — Falando nisso, fiquei longe das redes sociais como você mandou, mas como está aquele lance com Laura?

— Tudo controlado — respondi.

— Excelente...

— Nós vamos para meu apartamento hoje à noite — sussurrei, o interrompendo, mas a minha fala o fez sorrir. James estaria no trabalho, como tinha me avisado por mensagem mais cedo, eu poderia foder com o Cullen nesse tempo.

— Devo passar na minha casa e pegar algumas gravatas para te amarrar? — ele sussurrou de volta.

— Não, eu tenho algemas em meu apartamento. — Edward se engasgou, fazendo com que eu risse, mas não tive tempo de provocá-lo mais, já que Alec estava chegando.

Todos com exceção de Edward levantaram para cumprimentar Alec, minha irmã precisou se conter para não agir com ele como uma fã louca, mas por sorte não me envergonhou. Antes que pudéssemos terminar de recepcionar o Volturi, logo o diretor do clipe chegou e mais cumprimentos tiveram de ser feitos.

Quando por fim voltei a sentar, Edward sussurrou em meu ouvido:

— E chantilly e morangos, isso você tem em casa?

Olhei para ele.

— Sim, para que vai querer isso?

— Você verá — falou para mim, antes de se voltar para os outros. — Vamos falar sobre Endorfina!

***

Depois da reunião, onde acertamos valores de contratos, os dias para a gravação em New York, de catorze a dezessete daquele mês, e mais um monte de burocracias, Renesmee, Alec e o diretor foram embora, assim como Tanya que foi para a produtora. Eu fiquei pela a gravadora, querendo acompanhar mais uma leva de gravações para o álbum de Edward, ele estava testando mais algumas canções compostas por Jasper e outros compositores, mas nenhuma parecia de fato se adequar ao álbum, que eu estava pressionando que ele escolhesse um nome de uma vez por todas.

— Endorfina — Edward teimou, ele estava o dia inteiro dizendo que queria aquele como o nome do álbum, mas eu teimava que não era bom o suficiente.

— Não! — vetei novamente, nós dois estávamos em uma sala com Jasper, depois dos dois terem tentado compor algo, que foi nada bem sucedido.

— Ed, vamos sair? — Jasper perguntou para o Cullen.

— Não posso, vou para o apartamento da Bella resolver uns assuntos de contratos — o cantor respondeu, fazendo com que Jasper nos olhasse desconfiado.

— Por que vão fazer isso no seu apartamento? — Jasper perguntou diretamente para mim. — Por que não aqui ou na produtora?

Puta merda!

— Lavagem de dinheiro — Edward respondeu em um tom bem humorado, Jasper não riu. — Não podemos fazer isso onde podem nos flagrar roubando grana. Podemos ir agora? — perguntou para mim.

— Sim — respondi, pegando minha bolsa, já me encaminhando para a saída da sala com Edward me seguindo.

— Boa noite! — Jasper gritou para nós.

— Você não deveria ter dito a ele que ia para minha casa — falei para Edward quando nos afastamos de Jasper, seguindo pelo corredor vazio.

— Relaxa, tá tranquilo.

— Claro, ele não vai desconfiar nada de nós dois sozinhos no meu apartamento de noite, nem um pouco suspeito.

— Você está muito nervosa, Capitã — Edward falou. — Mas, beleza, minha missão hoje é fazer você relaxar. Vamos ao cronograma da noite? Primeiro vou chupar a sua boceta, depois foder seu rabo e comer sua boceta de novo, com meu pau.

— Cala a boca, Edward! — ordenei, sentindo meu rosto esquentar, ele apenas riu.

***

Edward e eu deixamos o elevador no andar do meu apartamento, tínhamos ido até o prédio que eu morava em meu carro, com Emmett nos seguindo no carro do cantor. O segurança estava em algum lugar aos arredores do prédio, esperando a hora que Edward o chamasse para irem embora.

— Mais rápido com isso, putinha — Edward exigiu enquanto eu abria a porta do apartamento.

Limpei a garganta, enquanto tentava me concentrar no que estava fazendo para que entrássemos de uma vez, mas aquilo só me deixou mais acessa. Edward tinha passado o caminho inteiro me provocando, ele chegou a tentar enfiar sua mão por dentro da minha calça, mas não deixei.

— Se você não abrir essa porta logo eu vou te comer aqui nesse corredor, Isabella.

Olhei para trás, seus olhos verdes estavam cravados em mim.

— Você bem que podia fazer isso — sussurrei, pensando em quando pedi que James me fodesse no corredor.

— Não me provoque, putinha — ele ordenou, tirando a chave da minha mão e abrindo a porta. — Entre de uma vez!

— Sim, senhor. — Entrei no apartamento, sendo seguida por ele que trancou a porta.

Antes que eu pudesse dizer algo a mais Edward estava caminhando para longe do hall de entrada, me dando mais ordens.

— Vá para seu quarto, pegue suas algemas, tire sua roupa e deite na cama. Ah, acho bom que você tenha uma venda!

— Eu tenho duas — respondi. — Você ainda vai querer os morangos e o chantilly? — indaguei quando chegamos à sala, Norma Jeane estava deitada em um dos sofás e pulou deste para ir se esfregar nas pernas de Edward. — Vagabunda! — xinguei a gata.

— Hoje não vim aqui por você, Jean. — Edward se afastou dela. — E sim, ou querer os morangos e chantilly.

Indiquei onde era a cozinha, deixando Edward ir para lá. Fui para meu quarto, já tirando minhas roupas e sapatos, os deixando pelo caminho. Entrei no closet e do alto de uma das prateleiras tirei a caixa onde eu guardava minhas algemas, as benditas vendas, assim como uma munição de camisinhas, também lubrificantes, assim como vibradores e outros brinquedos sexuais.

Carreguei a caixa comigo até o quarto, deixando-a próxima a cama. Antes que eu pudesse me vendar, ou sequer deitar na cama, Edward chegou ao quarto, carregando um pote de morangos e uma lata de chantilly que eu só tinha em meu apartamento porque de vez em quando James fazia sobremesas com eles.

— Você já devia estar vendada e deitada na cama, putinha — ele disse em um tom irritado, colocou as coisas em suas mãos sobre o aparador do quarto onde ficava minhas caixinhas de som e o receptor da tv a cabo da televisão na parede. Vi Edward tirar seu celular do bolso da calça e começar a mexer nele.

— O que vai fazer? — indaguei tensa, imaginando que ele poderia estar colocando algo para gravar.

Edward olhou para mim.

— Não estou te gravando, pode parar de pensar nisso.

— Foi mal — pedi, pegando a venda e subindo na cama, arrumei os travesseiros e deitei, tapando meus olhos. Eu tinha deixado o ar condicionado ligado antes de sair mais cedo de casa, mas meu corpo estava quente contra o frio que fazia no quarto.

Música começou a tocar nas caixinhas de som, o que me deu a resposta do que Edward estava fazendo com seu celular antes. Não reconheci o cantor, nem a música, o que era um milagre, mas a batida era sexy e a voz do vocalista deliciosa de se ouvir.

No entanto, logo a música ficou em segundo lugar em minha mente, pois senti uma mão de Edward deslizando em minha perna, desde o pé até a altura do meu quadril. Quando a mão dele saiu de mim resmunguei, mas não disse nada.

Ouvi Edward remexer na caixa, então, eu o senti subindo na cama. O cantor colocou seu corpo sobre o meu, se apoiando em seus joelhos ele ladeou meu quadril. Agarrou minha mão direita e envolveu o pulso com uma algema, ergueu meu braço e o prendeu ao espelho da cama, repetiu isso com o braço esquerdo, deixando-me com os braços imobilizados. Aquilo me excitou para caralho, principalmente porque eu sabia que em sequência Edward iria me chupar.

O Cullen deixou a cama novamente, o escutei andando pelo quarto e depois senti algo ser colocado junto de mim sobre a cama. A música abafou um pouco o barulho, mas consegui distinguir Edward balançando a lata de chantilly.

— Você está pronta, putinha?

— Sim! — respondi ansiosa para tudo que ele iria fazer comigo aquela noite.

— Boa garota, ou má, sei que você prefere assim. — Edward colocou algo perto da minha boca, senti o cheiro de morango e chantilly. — Morda!

Eu fiz o que ele mandou, abri a boca e abocanhei o morango coberto por chantilly, o gosto era delicioso. Então, Edward se mexeu sobre mim e o senti espirrar chantilly sobre meu seio direito, o frio do doce me arrepiou, porém não mais do que sentir Edward levar sua boca ao meu seio.

— Porra — murmurei.

Não ver aquilo tudo, assim como não poder tocá-lo, ou tocar minha boceta, me deixava maluca. Entretanto, só aumentava o prazer.

Edward lambeu todo o chantilly do meu seio, depois chupou o mamilo e por fim o colocou entre seus dentes, fazendo com que eu arfasse. Me movi embaixo dele, podendo sentir suas pernas nuas, mas também senti que ele ainda usava uma cueca.

— Edward — gemi seu nome quando ele fez o mesmo com o seio esquerdo que fez com o direito.

A música mudou, Pour Some Sugar On Me do Def Leppard começou a tocar, o que era muito propício uma vez que estávamos brincando com doce.

Ganhei mais um morango coberto de chantilly, antes de Edward percorrer um terceiro morango dos meus lábios até meus seios. Não comi aquele, então suspeitei que o Cullen se serviu desse.

Edward afastou meus cabelos do pescoço, logo o senti espirrar chantilly em minha garganta e levar sua boca até lá. Ele colocou um pouco do doce na lateral do meu pescoço também, fazendo com que eu gemesse alto e me debatesse na cama, o que fez as algemas baterem contra a cabeceira.

You got the peaches, I got the cream. Sweet to taste, saccharine.* — ele cantou um trecho da música em meu ouvido, mas em um tom de voz bem baixo, sussurrando em minha orelha. — ‘Cos I’m hot, hot, so hot, sticky sweet. From my head, my head, to my feet.*

— Edward, por favor, me chupa de uma vez — implorei, minha boceta estava molhada, eu estava morrendo de excitação, precisava que ele desse um jeito naquilo de uma vez.

— Você não dá ordens aqui, putinha. — Mordiscou minha orelha, percorrendo uma mão pela lateral do meu corpo. — Hoje à noite não teremos pressa alguma, eu vou foder tudo de você, por isso fique comportada, ou será punida. Entendido?

— Sim, senhor — respondi.

Edward voltou a se mexer, traçando um caminho de chantilly do vale entre meus seios até meu umbigo. Minha boceta molhou ainda mais quando ele percorreu sua língua por toda aquela extensão do meu corpo, brincando com sua língua em meu umbigo quando chegou lá.

— Edward, por favor — tornei a implorar.

— Por favor, o quê?

— Minha boceta... — Gemi, me interrompendo, quando o senti passar um morango sobre meu clitóris inchado, depois o descer até a minha entrada molhada, não me penetrou com a fruta, mas foi o suficiente para que eu soubesse que ele tinha ficado molhado com minha excitação. — Porra, Edward.

— Cuidado com sua língua, putinha. E, para que fique claro, seu gosto fica uma delicia, principalmente com morango.

— Me chupa, por favor, por favor, por favor...

— Ok, eu acho que entendi.

— Por favor! — clamei uma última vez.

— Tudo bem — ele disse. — Não é como se isso fosse um sacrifício para mim.

Amém!

Edward desceu até minha boceta, colocando minhas pernas sobre seus ombros. Sem perder tempo ele levou sua língua até meu clitóris, fazendo com que eu arfasse, principalmente quando ele o sugou.

— Edward, sim! — exclamei. Queria me livrar daquelas algemas, tirar a venda e ver cada coisinha que ele estava fazendo comigo, mas ao mesmo tempo queria continuar presa e vendada, deixando a experiência ainda mais estimulante pela privação.

Meu corpo inteiro arqueou quando ele levou sua língua até a entrada da minha boceta, a lambendo, antes de colocar de uma só vez dois dedos. Gemi muito alto, era uma sorte que meu apartamento tinha paredes grossas e que a música tocando estava alta, ou era capaz dos vizinhos me ouvirem.

Então, me pegando de surpresa, Edward deferiu um tapa em minha coxa. Eu o ouvi rir de entre minhas pernas quando eu arfei novamente, mas, quando ele bateu de novo eu só consegui gemer de prazer.

— Você vai me matar — me queixei, mas no fundo estava adorando. Porra, como eu não gostaria de sexo daquela forma? Sempre gostei, adorava sexo intenso.

Edward não respondeu, apenas continuou metendo seus dedos em mim, voltando a colocar sua boca sobre meu clitóris. O Cullen era excelente com sua boca, o filho da puta sabia exatamente o que fazer.

Eu estava quase enfartando, meu coração batendo com força dentro do peito, todo meu corpo em alerta por conta do prazer e quente, pegando fogo. Isso tudo se tornou ainda mais difícil de se lidar quando ele tirou seus dedos da minha boceta, me pegando de surpresa — de novo — quando os enfiou em meu outro buraco.

— Edward! — gritei.

— Você não faz ideia de quão ansioso estou para foder seu rabo, putinha — disse, mexendo seus dedos lá dentro, minhas pernas sobre seus ombros estavam inquietas, mas ele não reclamou. — Seu cu é apertadinho, né? — ele tinha diversão em sua voz. — Há quanto tempo você não é fodida aqui atrás?

— Muito tempo — confessei. — Caralho!

Edward tirou seus dedos, só para os enfiar de novo.

— Eu quero que você me foda ai.

— Eu vou — prometeu. — Hoje e quando mais você quiser. Mas, agora preciso fazer você gozar na minha boca. — Ele voltou a colocar sua boca na entrada da minha boceta, me penetrando com sua língua, ainda mantendo seus dedos no meu rabo, os movendo devagar.

Tudo aquilo me fez explodir, mais o acréscimo dos dias que eu não transava somado a todo aquele tesão acumulado. Gozei na boca de Edward, deixando com que ele tomasse para si todo meu prazer.

Meu orgasmo bateu forte, os dedos dos meus pés enrolaram, eu quase quebrei a cama ao fazer força com as algemas e meu quadril se elevou mais do que já estava. Eu sorri, satisfeita, sentindo o orgasmo tomar conta do meu corpo, enquanto Edward continuava me chupando e metendo seus dedos em meu outro buraco que eu sabia que logo seria penetrado pelo Cullen.

A certeza foi ainda maior quando Edward tirou sua boca da minha boceta, levando-a até mais embaixo. Tirou seus dedos e substitui por sua boca úmida, deixando-me molhada.

— Agora eu vou foder seu rabo, putinha — anunciou ao se erguer lá debaixo, ficando mais próximo de mim e sussurrando em meu ouvido. — Mas, quero te comer de quatro, então vamos tirar as algemas e a venda, depois podemos voltar com elas.

— Depois eu podia te prender — provoquei, ele riu em minha orelha.

— Não reclamaria disso.

Não? Porra, Edward aceitaria ser submisso por uma rodada? Eu adorava ser a submissa no sexo, mas se algum dia os papéis se invertessem não reclamaria também.

— Mas, não hoje — ele alertou. — Hoje é só você quem irá ser algemada.

— Sim, senhor.

Eu o ouvi pegando as chaves, depois ele libertou meus pulsos — que estavam doloridos — e tirou a venda de mim.

— Olá! — me cumprimentou.

— Oi, você vai comer meu rabo agora?

— Não sabe quanto esperei por isso, putinha. — Ele me ergueu da cama, fazendo com que eu me apoiasse na mesma em meus cotovelos e ficasse com a bunda empinada em sua direção.

— Usa camisinha — pedi.

— Sério? — resmungou.

— Sério!

— Que saco! — protestou, mas ele pegou uma da caixa e um tubo de lubrificante. — Ah, eu gostei da sua caixa do sexo — elogiou, senti seus dedos molhados de lubrificante em mim, fazendo com que eu mordesse meu lábio inferior.

— Ela é muito útil, você deveria ter uma. Sabe, ter os vibradores e pênis de borracha também, talvez se divirta sozinho com eles.

— Há, muito engraçado — debochou. — Agora cale a boca — ordenou.

Eu calei, voltando a focar apenas no sexo, no caso a prévia dele, já que Edward continuava colocando lubrificante em mim. Tentei levar uma mão a minha boceta, mas ele a afastou com um tapa.

— Nem pense nisso, putinha, você só irá gozar quando eu deixar.

Choraminguei de tesão ao ouvir aquilo, mas o obedeci.

Edward colocou mais um pouco de lubrificante, quando ficou satisfeito jogou o tubo sobre a cama e pegou a camisinha, vi sua cueca ir para a minha cama também. Mas, antes que ele me penetrasse, pelo canto do olho o vi mexer de novo na caixa e tirar de lá um dos meus vibradores.

— É, essa caixa é útil para caralho — ele falou. — Ligue! — o colocou na minha frente, eu o peguei e liguei, antes rapidamente colocando um pouco de lubrificante.

Devolvi para Edward, que não perdeu tempo em o colocar sobre meu clitóris, fazendo com que eu gemesse. Minhas pernas ficaram bambas imediatamente, mas não tive tempo para me recuperar, já que Edward se posicionou atrás de mim e enfiou a cabeça do seu pau no meu rabo.

— Puta merda! — ele xingou, ainda passando o vibrador em meu clitóris, enquanto ia aos poucos enfiando seu pau em mim.

Agarrei os lençóis da cama, por um instante imaginando James deitado ali me olhando com julgamento, entretanto, isso não demorou muito. Imaginei como seria ter ele e Edward me fodendo ao mesmo tempo, James comendo minha boceta enquanto Edward fodia meu rabo.

— Isso, assim! — exclamei, fechando os olhos, ainda imaginando ser fodida por dois. Ou quem sabe três? Eu ainda podia chupar alguém. Jasper, talvez, ele já tinha dado em cima de mim incontáveis vezes.

Edward acertou um tapa na minha bunda, fazendo com que eu despertasse da minha fantasia e abrisse meus olhos. Ele já estava todo dentro de mim, o que mesmo com o lubrificante todo que ele tinha usado, mais o da camisinha, doía. Mas, era uma dor suportável, principalmente para mim.

— Rebola, putinha!

Rebolei, sentindo seu pau deixar meu rabo aos poucos, fazendo com que nós dois gemessemos. Só que, ele não deixou seu pau sair por completo, voltando a meter fundo — o que me fez gritar — antes disso.

— Você gosta disso, putinha?

— Muito, me bate.

Ele bateu, com toda força de um lado da minha bunda, antes de bater no outro. Sua outra mão continuava passando o vibrador em meu clitóris, me deixando cada vez mais próxima de um novo orgasmo e mais sedenta para ser fodida por dois, ou três.

Merda, eu era a porra de uma puta mesmo!

— Não vou aguentar muito tempo — Edward disse entre dentes, eu podia sentir isso, o pau dele estava duro para caralho e ele se mexia cada vez mais rápido dentro de mim.

Continuei rebolando, seguindo seu ritmo, enquanto nós dois gemíamos e ele estimulava meu clitóris com o vibrador. Eu também estava perto de gozar, mas daquela vez, Edward veio primeiro. Ele agarrou meu quadril com força, meteu uma última vez seu pau bem fundo no meu rabo e gemeu alto.

— Puta que pariu! — ele xingou, tirando seu pau de mim, também tirou a camisinha pelo que senti, uma vez que seu gozo atingiu minha bunda e respingou em minhas pernas. — Minha porra fica ótima em você, putinha — Edward falou ofegante em meu ouvido, ao se inclinar sobre mim. — Agora é sua vez de gozar — avisou, descendo o vibrador até mais baixo em minha boceta, não me penetrando, mas chegando quase, enquanto usava uma mão para tocar em meu clitóris.

Foi o suficiente para mim, também gozei, puxando os lençóis da cama e jogando meu corpo mais para trás, sentindo o do Edward completamente atrás de mim. Fiquei mais um tempo de quatro, com Edward se mantendo perto.

— E ai, putinha? — Edward beijou meu ombro, fazendo com que eu gemesse mais um pouco.

— Você vai foder meu rabo de novo, né? Não hoje, porque eu não vou aguentar, mas outro dia.

Ele riu.

— Eu disse, vou fazer isso quando você quiser.

— Excelente. — Subi na minha cama, derrubada dos orgasmos, enterrando minha cara no colchão.

Edward se jogou ao meu lado, passando uma mão por minhas costas, especialmente na minha tatuagem, me deixando arrepiada.

— Eu quero que você me foda...

— Eu vou fazer isso — ele disse me interrompendo.

— Quero que você me foda com outro cara — completei minha fala, olhando para ele, que estava com uma careta no rosto.

— Eu não vou fazer isso!

— O cara é para mim, não para você.

— Não vai acontecer, eu não vou ficar pelado na frente de outro cara.

— De novo, o outro cara iria manter o pau dele em mim, não em você.

— Em quem você está pensando? Seu noivinho?

— Com certeza não! — James nunca aceitaria isso, porque obviamente descobriria minha traição. — Jasper.

Edward gargalhou.

— Jasper que já quis me pegar? Agora mesmo que não!

Bufei.

— Eu foderia com você e outra garota se pedisse isso. — Sai da cama, precisava de um banho.

— Espera, você faria isso?

— Faria, agora não vou fazer. A menos que você aceite me foder com outro cara.

— Não — negou. — De boa, eu consigo ménage com outras mulheres.

Revirei os olhos, ele estava certo, conseguiria aquilo facilmente. Mas, eu não conseguiria, pois James nunca aceitaria. Bom, eu podia achar um segundo amante que topasse colocar um terceiro na história. Talvez fizesse aquilo, já estava traindo James com Edward mesmo, mais dois caras não seria tão pior.

— Vou tomar um banho — avisei.

— Isso é um convite?

— Não, não é, fique ai!

— Ok, Capitã!

— Eu não me esqueci de você aceitando ser algemado, vai acontecer — declarei antes de entrar no banheiro.

***

Meu banho demorou mais que o esperado, mas eu precisava disso. Sai do banheiro enrolada em meu roupão, cheirando a morangos por conta do meu shampoo, relaxada e pronta para mais sexo.

— Se você... — Parei de falar quando vi que Edward estava sentado na minha cama, vestido em sua cueca, com folhas de papéis em suas mãos e a minha caixa de sexo ao seu lado. — O que é isso?

Ele ergueu o olhar para mim.

— Me diga você, Capitã — exigiu sorridente. — Você compõem músicas?

— O quê? — gritei, então olhei novamente para os papéis em suas mãos, depois para a caixa. — Merda! — Aquela não era só a caixa de sexo, eu tinha esquecido completamente que ela tinha um fundo falso onde eu escondia minhas letras de músicas. — Você não deveria estar mexendo nisso. — Andei até Edward, tirando os papéis das mãos dele.

— Não me culpe — falou. — Fui ver o que você tinha na caixa do sexo e encontrei as músicas.

— Esqueça-as!

— Não posso, elas são incríveis — ele falou, eu emiti um som de discordância. — Por que você nunca as gravou?

— Até parece — murmurei, tentando as arrumar de volta na pasta que estavam.

— Eu as quero — Edward disse, fazendo com que eu o olhasse.

— Como?

— Eu quero que você me deixe cantar suas músicas, Capitã. Quero as lançar no meu álbum, eu adorei tudo que li e acredito que tem muito potencial. O que me diz?

Notas finais
* Você tem os pêssegos, eu tenho o creme. Sabor doce, sacarina. *Porque eu estou excitado, adocicado. Da minha cabeça, minha cabeça aos meus pés. Beijos! Lola Royal. 05.09.18