Hollywood
33 Capítulo Trinta e Dois
Notas iniciais
Capítulo Trinta e Dois
Isabella Swan
"O novo álbum de Ed Cullen é bom? Confira a nossa crítica!"
No dia que virei a empresária de Ed Cullen o meu nome e o dele passaram a trabalhar juntos também, ou seja, se ele estivesse rodeado por sucesso eu também estaria. Dessa forma, era de extrema importância que o novo álbum do cantor fosse bom, pois isso me garantiria muitos pontos positivos.
Isso também queria dizer que se Edward estava nervoso sobre o seu álbum, eu também estava. Até porque três das treze músicas nele eram minhas, mesmo com o pseudônimo em duas delas eu estaria naquele CD de uma forma ou de outra.
Por isso ele tinha de ser um sucesso.
***
Finalizei a chamada com Edward, esfregando meus olhos que estavam fechados. Eu estava exausta, não tinha parado desde que desembarquei em Los Angeles aquela manhã.
— Você vai sair? — James perguntou ao meu lado no sofá, onde eu tinha me jogado quando voltamos para casa depois de jantarmos no seu restaurante.
— Sim, preciso ir até a casa de Edward. — Abri meus olhos e olhei para meu noivo, que tinha Norma Jeane em seu colo. Minha gata tinha ficado sob responsabilidade de Tanya quando James viajou para Joanesburgo indo me encontrar, Norma Jeane ganhou uma coleira rosa da filha da minha amiga e eu a me desfiz dela no momento que peguei minha gata, era uma coleira ridícula e rosa em excesso.
— Está tarde — James falou, sem tirar seus olhos do livro que lia.
— É meu trabalho.
— Você não é a babá do Ed, Isabella. Ele é um homem de vinte e um anos, pode se virar só.
— Vinte e dois — o corrigi. — E ele precisa de ajuda com negócios, não pode se virar só quanto a isso, como empresária dele eu tenho que o auxiliar.
James olhou para mim.
— Você tem que descansar.
— Eu tenho que trabalhar, já tirei férias, não posso as prolongar mais. — Fiquei de pé, guardando o celular no bolso da calça que usava, peguei minhas chaves e cartão de crédito sobre a mesinha de centro. — Te vejo mais tarde. — Beijei os lábios de James rapidamente.
— Tchau — ele resmungou.
Ignorei seu resmungo, saindo do apartamento o deixando ouvindo minha cópia do álbum de Ed. Logo eu estava em meu carro, dirigindo até a casa de Edward. Era bom estar de volta em Los Angeles, apesar das férias terem sido muito boas e a turnê de Kate antes disso um sucesso, eu sentia falta de estar em Los Angeles.
Aqueles últimos meses longe tinham sido de pura desintoxicação para mim, no sentido figurativo da palavra, afinal eu tinha bebido pra caralho durante a turnê — mas, ao menos, não usei nenhuma droga ilícita —, no entanto, ficar longe de Los Angeles consecutivamente me fez ficar longe de Paul. Tinha sido melhor ir embora, se eu tivesse ficado teria ido até Paul, teria me envolvido com ele muito mais do que aconteceu naquela noite do leilão, Ainda temia meu retorno para Los Angeles, eu tinha passado um bom tempo fora clareando minha mente, mas sabia o poder que Paul tinha sobre mim e sabia como eu cedia fácil aquele homem.
— Não, não — chamei minha própria atenção. — Pare de pensar nesse homem, Isabella!
Liguei o rádio do carro, deixando em um estação qualquer. Música me distraía, era a melhor coisa a se fazer, escutar música.
Eu também me distraia com comida, então, quando avistei um McDonald's decidi parar e comprar algo para mim, como levar algo para Edward. Provavelmente o músico não tinha comido nada, como eu estava com fome, mesmo depois de jantar no restaurante de James, mas ele estava apresentando um prato novo com pato e eu descobri aquele dia que não curtia pato, mas tive que fingir gostar para não o magoar.
Assim que passei pelo drive thru, voltei a dirigir até a casa de Edward. Entrei facilmente no condomínio, já no portão da mansão do Cullen eu segui o carro que parecia o de Esme, que estava voltando para o local naquele momento.
— O que está fazendo aqui? — ela perguntou quando saiu do seu carro, junto com Rosalie. Eu sai do meu segurando toda a comida, fechando a porta com um chute.
— Vim resolver alguns assuntos sobre amanhã com Edward — menti, não queria que as duas fizessem um show sobre ele passando mal, esperava que ele estivesse mesmo na sua sala de música, como me informou em uma mensagem que vi quando estava na fila do drive thru.
— Está tarde, deixa meu irmão descansar — Rosalie protestou.
— Eu vou, depois que trabalharmos. — Andei até ela e coloquei a comida em suas mãos. — Leve isso para a cozinha, certo, linda? — Pisquei para ela, com deboche em minha voz, Rosalie revirou seus olhos.
Deixei as duas para trás, entrando na mansão primeiro, já seguindo até a sala de música. Edward estava lá, deitado no sofá, de olhos fechados e aparentando estar dormindo, mas os abriu no instante que me ouviu.
— Oi, Betty! — Sentei no sofá ao lado dele. — Você melhorou?
— Mais ou menos — murmurou, sentando no sofá. — Acho que só cheguei num ponto de estar exausto de chorar. — Deu de ombros. — Mesmo assim, valeu por ter vindo.
— Tudo bem. — Peguei meu celular do bolso. — Trouxe comida, tá com fome? É McDonald's.
— Eu estou com fome mesmo, mas, eu preciso saber o que as pessoas estão pensando de Escândalo — disse, bastante apreensivo.
— Não podemos fazer isso depois da comida? — Tentei barganhar.
— Não, não podemos, Isabella — teimou, apontando para meu celular. — Me diz o que estão pensando, agora.
— Tá okay — falei, era melhor arrancar aquele curativo de uma só vez.
Coloquei no Twitter, onde Ed Cullen já era o assunto mais comentado, o segundo era Escândalo, o nome do álbum. As críticas especializadas só sairiam na manhã seguinte, então teríamos que ver o que os fãs e as outras pessoas comuns estavam achando.
Fiz uma avaliação geral antes de dizer algo a Edward, mas podia sentir o olhar dele sobre mim. Quando acabei de ler, muitos tweets, me voltei para o Cullen.
— A maioria adorou — falei de uma vez, vendo Edward respirar aliviado.
— Sério?
— Sim, escuta alguns. Ed Cullen lançou o melhor álbum da carreira dele. Eu estou nos céus ouvindo o novo cd de Ed Cullen. Eu poderia passar o resto da minha vida escutando Morango, que música sexy. — Sorri maliciosamente para o Cullen. — Eu deveria ganhar uma grana extra por você me usando como inspiração para suas músicas. — A música falava sobre sexo, claramente, sobre sexo com uma garota de botas, tinha até mesmo citação a cordas envolvidas na letra.
— Você nem queria essa música no álbum, ficou dias reclamando quando te mandei ela — falou.
— Certo, mas topei que você a lançasse e deveria ganhar por isso.
— Eu te dei jóias para você aceitar isso — ele disse revirando seus olhos verdes. — Fodidos diamantes.
— Foi só um par de brincos.
— De diamantes — repetiu.
— Que seja, o importante é que a maioria está curtindo o álbum.
— E quem não está curtindo? O que estão dizendo?
— Vamos ignorar isso e ir comer. — Levantei.
— Mas eu quero saber — Edward falou, se colocando de pé.
— Edward, James me fez comer um pato, você já comeu isso? É horrível, tudo que quero agora é ir comer algo que tenha um gosto bom, por isso tem McDonald's lá em cima.
— Tem batata frita?
— Claro que tem batata frita, você pensa que eu sou louca de não comprar batata? Me respeita!
— Ok, ok — ele concordou, seguindo comigo para o andar de cima.
Rosalie tinha deixado os pacotes com comida sobre o balcão, Edward sentou de um lado e eu de outro. O óculos dele estava por ali, o Cullen o colocou e eu tentei não pensar em como ele ficava sexy com aquela merda. Eu não podia voltar a foder com Edward, ou com nenhum outro cara que não fosse James, tinha me saído muito bem durante a turnê, sem transar com nenhum outro, tinha de me manter assim.
— Então, você disse que não vai para a minha turnê — Edward começou a falar, enquanto eu comia algumas batatas. — Mas, você vai para a gravação do clipe de Johnny Cash? Em Nashville — disse a última parte com nojo em sua voz. Ele e meu pai gravariam o clipe na cidade — iriam viajar em poucos dias para lá — com cenas inclusive na fazenda da minha família lá, onde Ed também ficaria hospedado.
— Vou, Tanya me deu essa missão mais cedo — respondi. — Aparentemente ela precisa de férias de você e não quer estar no meio do fogo cruzado com meu pai.
— Ótimo, podemos transar lá — disse convencido.
— Não vamos transar, eu já disse isso. — Ele bufou, começando a comer.
— Não acredito que vou gravar um clipe com seu pai, pior ainda, um em que eu vou ter ele como meu ídolo. — Eu ri da sua reclamação, a ideia do clipe tinha sido de Laurent, mas tinha tido minha total aprovação no instante que ouvi sobre.
— Você pensou em um clipe que tinha referência a Cinderela — o lembrei, citando Endorfina.
— O clipe ficou ótimo, você e o pessoal do Grammys que não souberam reconhecer o potencial dele — reclamou.
— Você também gravou um clipe com uma fantasma —falei, citando daquela vez o clipe de Onde está você? A música que ele tinha feito pensando em Lauren, onde o clipe era ele interagindo com o fantasma de uma namorada morta, o vídeo tinha sido lançado em janeiro e feito um sucesso considerável.
— Foi um ótimo clipe — ele disse. — Minhas ideias são as melhores.
— Que seja. — Peguei mais batata, nós ficamos algum tempo em silêncio, até que ele se manifestou.
— Por que você nunca surta comigo quando eu tô surtando? — Edward perguntou, dando uma generosa mordida em seu hambúrguer.
— Se nós dois surtassemos ao mesmo tempo seria um grande caos, Betty — declarei. — Além do mais, eu sei como se sente.
Ele suspirou, se concentrando em mastigar antes de falar:
— Você estava claramente tendo uma crise como as minhas naquele dia do leilão, né?
Bebi um pouco de Coca, tentando fugir da sua pergunta, mas Edward continuou com os olhos focados em mim.
— Sim — respondi por fim.
Ele apoiou o hambúrguer no balcão, ficando com uma expressão revoltada no rosto.
— Desculpa — murmurou. — Por não ter te ajudado naquele dia, eu deveria ter retribuído o que já fez por mim. — Neguei com um aceno de cabeça, mordendo um pedaço do meu hambúrguer, mas ele insistiu. — Devia sim, mesmo que você tenha me mandado embora. Enfim, somos amigos e eu devia ter te ajudado.
Eu me engasguei com o hambúrguer, rapidamente alcançando minha Coca para ajudar a engolir, então, perguntei:
— Nós somos amigos? — Antes que ele respondesse eu mesma respondi. — Não somos amigos, Edward!
— Nós somos — ele falou, com um sorriso malicioso no rosto. — Tá ok, amigos com um passado de sexo, mas amigos. Olha só, amigos coloridos.
Revirei meus olhos.
— Não sou sua amiga, nem colorida, nem de outra forma.
— Você tá comendo hambúrguer na minha casa de madrugada, depois de me ajudar a passar por uma merda de crise de ansiedade, isso é amizade.
Ok, podia ser, parecia muito com diversas noites entre Tanya e eu.
— O que deu em você enquanto eu estive fora? — indaguei Edward.
— Como assim?
— Você está diferente.
— É a barba.
— Não, não fisicamente. Você parece mais… Maduro, um pouco, só que sim, um tanto quanto mais maduro.
— Eu passei um monte de tempo em terapia, lembra? — Voltou a pegar seu hambúrguer. — Aparentemente evolui com isso.
— Ótimo, é bom que isso tenha acontecido. Mas, ainda vai continuar tendo suas sessões de terapia, não vamos esquecer que amadureceu só um pouco. Foi de oito para dez anos de idade mental, vamos fazer você chegar aos quinze pelo menos.
Edward me mostrou a língua, toda suja de comida, que não era uma boa visão, mas eu ri.
— Ok, eu posso ser sua amiga.
— Colorida? — perguntou de boca cheia.
— Nem pensar.
Ele suspirou teatralmente.
— Eu vou te ajudar da próxima vez, tá? — Olhei bem para ele. — Se você tiver alguma crise, quero dizer, se eu estiver por perto vou te ajudar.
Sorri para ele.
— Obrigada, pirralho.
— De nada, Capitã.
— Você pode me ajudar…
— Colocando mais dinheiro na sua conta? — Acertou em cheio. — Não irá acontecer.
Apenas não prolonguei o assunto, mas eu tinha planos de conseguir uma casa nova em Londres e acharia muito bom se fosse Edward, Riley, Kate ou meu pai pagando por ela. Meu celular tocou, me distraindo, eu não reconheci o número, mas achei melhor ver quem era e não ignorar, podia ser importante.
— Alô! — falei ao atender. — Quem fala?
— Sou eu, Isabella. — Eu prendi a respiração, era Paul. — Nós precisamos nos ver.
Senti todo o sangue fugir do meu rosto, o que diabos Paul queria comigo?
— Bella? — Edward me chamou, mas eu tinha meu olhar fixo no balcão.
— O que você quer? — consegui perguntar para Paul, mesmo me sentindo muito nervosa e a um ponto de não conseguir respirar mais.
— Te ver, como acabei de falar — disse em um tom bem humorado, parecia bêbado também. — Fiquei sabendo que voltou para Los Angeles, depois de meses viajando com a Kate, senti sua falta, você não sentiu a minha? Devo dizer que esperei sua ligação por toda aquela noite quando nos vimos pela última vez, você foi uma garota muito má em não ligar para mim, querida.
— Como conseguiu meu número?
— Não foi nada complicado, mas o que importa aqui é quando iremos nos encontrar?
— Nunca, não me ligue mais! — falei rapidamente, desligando a chamada. Me arrependi no instante seguinte, Paul tinha outros vídeos meus e se ele os publicasse como retaliação?
— Capitã, quem era? — Edward perguntou.
— Carmen — menti, com a primeira desculpa passando em minha cabeça, enquanto ainda encarava o balcão. — Ela queria falar qualquer merda sobre o casamento com meu pai.
Paul poderia estar postando os vídeos naquele exato instante.
— Preciso ir embora — falei para Edward, levantando do banco onde estava sentada, ele me olhou confuso.
— Você ainda não acabou de comer.
— Foi um dia muito longo, preciso ir para casa. Te vejo amanhã, não se atrase — exigi, enfiando meu celular no bolso.
Minha carreira inteira iria por água abaixo quando os vídeos se espalhassem.
— É, você tá meio pálida, deve tá uma merda depois de todas aquelas horas de voo — Edward observou, eu assenti.
— É, isso. Fica longe da internet, certo? Não preciso que tenha outra crise.
— Pode deixar — concordou, indo me deixar na porta da mansão.
—E tira essa porra de barba — ordenei, ele gargalhou.
— Porque fico muito sexy com ela, especialmente com os óculos e você não quer cair em tentação.
— Cala a boca, Edward. — Abri a porta, bem na hora que meu celular apitou em uma mensagem, o peguei rapidamente e vi a mensagem de Paul.
Número Desconhecido: Que tal você parar de joguinho e vir me encontrar? Tô louco para te foder!
— Olha só! — Edward exclamou, vi que ele também tinha lido a mensagem. — Quem é esse? — perguntou em um tom divertido. — Amante número cinco? Conheceu ele na turnê? E quando a gente vai transar? Você obviamente não está sendo fiel ao mestre cuca.
— Não é amante nenhum — disse enjoada, Paul me rondando não era nada bom.
— A mensagem diz o contrário, Capitã.
— É o Paul, Edward — sussurrei, me arrependendo também daquilo, não era para ninguém saber daquela história.
Edward arregalou seus olhos por trás de seus óculos.
— Foi ele quem te ligou — deduziu.
— Foi. — Guardei o celular de novo. — Não conte isso para ninguém.
— Espera, você tá saindo com esse babaca? — indagou descrente.
— Claro que não, Cullen! — exclamei. — Eu já mandei você esquecer isso.
— Mas…
— Tchau! — gritei, me afastando dele, sem parar para mais conversa.
Andando até meu carro bloqueei o número de Paul e torci para que ele não postasse nenhum outro vídeo meu.
***
Ed teria um dia cheio por conta do lançamento de Escândalo naquela sexta-feira, pela manhã ele iria em duas grandes lojas autografar cds, de tarde daria duas entrevistas exclusivas, faria uma live no Instagram e ainda teria um ensaio para o show. De noite, então, ele faria o show, tiraria fotos com as fãs — seria no mesmo hotel onde ocorreu o show onde ele lançou Endorfina, mas daquela vez tínhamos vendido ingressos limitados —, depois teria uma festa para encerrar o dia.
— Você tá legal? — ele me perguntou enquanto seu motorista nos levava até a primeira loja, Tanya já estava lá.
— Estou ótima — respondi, fingindo que nada tinha acontecido, mas sabia que ele estava se referindo ao assunto de Paul. Eu tinha pensado melhor naquela história voltando para meu apartamento, o Lahote ainda estava com sua namorada, Julia, ele não perderia tudo que ganhava estando com ela por um joguinho comigo. Ou seja, não vazaria mais nenhum vídeo, isso se ele realmente os tivesse.
— Qual é, Capitã? — Edward teimou. — Somos amigos, lembra?
Forcei uma risada, ser amiga de Edward era estressante.
— Amigos? O quê? — Ele bufou com a minha fala, passando a mão por seu rosto que estava livre da barba e dos óculos, tinha se barbeado e colocado suas lentes transparentes, mantendo seus olhos na cor verde.
Não falamos mais nada enquanto íamos até a loja, eu estava respondendo mensagens de Tanya e Edward jogando Candy Crush em seu celular. Quis muito começar a jogar também, mas estava cheia de coisas a acertar aquele dia.
Assim que paramos na frente da loja, cercada por fãs e imprensa, sai primeiro e entrei no local. Edward saiu depois, escoltado por seus seguranças que o colocaram no interior da loja. Ele cumprimentou o gerente, depois foi deslocado até uma área especial, sentando a uma mesa para dar os autógrafos, atrás de si tinha um grande painel com a imagem da capa do álbum.
Tudo estava dentro do cronograma, nada atrasado — o que era ótimo —, o que fez com que logo os autógrafos — também fotos — começassem. Edward estava visivelmente animado com aquilo, provavelmente por todos os fãs declarando seu amor pelo novo álbum dele.
Eu estava do outro lado do salão, com Tanya ao meu lado. Nós duas falávamos sobre todos os detalhes daquele dia.
— Quando vai ter aquela conversa com ele? — Tanya me perguntou.
— Em breve — respondi.
— Tem certeza de que quer fazer isso?
— Absoluta.
Eu tinha um novo plano para Edward, algo que tinha certeza de que iria ajudar e muito sua carreira. Mas, só falaria isso com ele no dia seguinte, não queria ele focado em outra coisa aquele dia que não fosse seu álbum.
***
Escândalo estava vendendo bem, muito bem. A crítica especializada estava adorando, o que com certeza era um alívio para mim — pois sabia que isso era um passo a mais para o Grammys indicar e premiar o cd —, elogiavam a voz de Ed, a sonoridade, as letras mais verdadeiras das canções, tudo, ele estava sendo muito bem recebido.
As entrevistas daquela tarde aconteceriam no hotel, Edward já estava no meio da primeira. Eu estava na sala de conferência com ele e o pessoal do site o entrevistando, enquanto Tanya estava em outra sala acertando tudo com o jornalista da segunda entrevista.
— A produção desse álbum foi muito difícil?
— Todos foram bem complicados, esse não foi diferente — Edward declarou. — Mas, toda a equipe trabalhando comigo foi incrível. — Ele olhou para mim. — Especialmente Isabella Swan, que mesmo viajando durante a maior parte da produção e pós produção do álbum, sempre me ajudou no que eu precisava. — Ele sorriu. — Eu não teria lançado esse álbum sem ela.
É, eu também tinha escrito três das treze músicas, minha participação naquele álbum era grande.
— Você vai gravar o clipe de Johnny Cash com Charlie Swan na próxima semana, está animado?
— Muito, mal vejo a hora de gravar esse clipe — Edward respondeu, tentando ao máximo soar animado com aquilo, ele quase conseguiu.
A viagem para Nashville seria muito divertida, ao menos para mim que veria meu pai e Edward em plena guerra.
***
James não iria para o show de Edward, ele me ligou algum tempo antes do mesmo começar, avisando que ia ter que ficar até mais tarde gravando para seu programa aquela noite. Odiei aquilo, queria aproveitar a festa com ele, mas eu acabaria nem aproveitando de uma forma ou de outra, já que tinha muito que manter em ordem.
— Você já está pronto, Cullen? — Entrei no camarim de Edward, que tinha uma caixa de chocolates em mão.
— Tô — respondeu de boca cheia, balançando sua perna sem parar.
— Você não devia estar comendo tudo isso de chocolate, vai ficar gordo.
— Cala a boca, Isabella — exigiu, eu ri, andei até ele e peguei um pedaço de chocolate. — Tô muito nervoso.
— Percebe-se.
— E se eu desafinar? Se eu esquecer a letra de alguma música?
— Não vai acontecer — garanti, ele suspirou, largando a caixa na mesinha ao lado do sofá que estava sentado. — Vai ser um show muito bom, você está preparado e escreveu a maior parte dessas canções, não irá esquecer nenhuma.
— Ok, mas e se eu sem querer der um soco no seu pai?
— Há, muito engraçado — debochei, ele riu, mas ainda nervoso. — Meu pai e você irão cantar direitinho, entendido? Sem brigas no palco, lá em cima serão melhores amigos.
— Que seja — resmungou, pegando mais um pedaço de chocolate.
— Pare de comer, estou falando sério sobre seu peso.
— Eu não vou ficar gordo — afirmou. — Você que está gorda!
— Não estou gorda. — Apalpei meu corpo por cima do macacão que eu usava, era um preto com listras brancas, com um belo decote frontal, eu estava usando uma rasteirinha, meus cabelos estavam soltos e ondulados e usava um chapéu Panamá branco, com detalhe preto.
Edward riu.
— Pode continuar se tocando, Capitã — aprovou.
— Idiota. — Parei na mesma hora.
Alguém bateu na porta e avisou que Edward entraria em cinco minutos.
— Chegou sua hora, pirralho. — Bati palmas, ele respirou fundo, pegando sua jaqueta jeans de cima do sofá. Ele usava uma camiseta branca, com a estampa de uma boca que tinha língua azul. Usava também uma calça jeans clara, na mesma cor de sua jaqueta, toda rasgada e que parava antes do seu tornozelo, em seus pés all star branco. Seu cabelo era a bagunça de sempre, estava de lentes e alguém tinha colocado um pouco de maquiagem nele para esconder suas olheiras.
— Se esse show for um fracasso, Capitã? — perguntou ao parar diante de mim, vestindo sua jaqueta.
— Não será — declarei, segurando na barra da jaqueta. — Escândalo já é um sucesso e o show de hoje só vai contribuir positivamente.
Ele fechou seus olhos e passou alguns segundo quieto.
— Certo, tô pronto.
— Excelente. — Soltei sua jaqueta e abri a porta do camarim, deixei ele sair na frente e fui atrás.
Nos encontramos com o pessoal da produção, os dançarinos e a banda nos bastidores do palco. Edward recebeu seu microfone, trocou algumas palavras com Jasper e Laurent, depois a banda subiu ao palco, logo depois os dançarinos. O músico me olhou uma última vez e falei:
— Bom show, pirralho!
— Obrigado, Capitã — agradeceu antes de ir para o palco também, começando a cantar Hollywood, uma das minhas músicas.
Permaneci nos bastidores com Laurent e o pessoal da produção, não era o melhor ângulo para ver o show, mas eu ainda preferia estar ali do que no camarote. Pouco antes do momento de Johnny Cash ser tocada, Leah apareceu com meu pai, ele já tinha seu violão em mãos e não estava nada animado.
— Só você para me envolver nisso, Isabella — falou revoltado, esperando sua hora de subir ao palco. — Onde já se viu, eu cantando com esse Cabeludo Britânico.
— Pai, supera — exigi, ele beliscou minha bochecha. — Papai!
— Eu queria chamar ao palco um dos melhores cantores que já conheci — Edward começou a falar no palco, a frase pronta que Tanya tinha o ordenado a dizer. — Senhoras e senhores, com vocês o brilhante Charlie Swan!
Charlie xingou, mas foi para o palco. Ele cumprimentou Edward com um rápido abraço e os dois logo estavam cantando, a música ficava perfeita na voz de ambos, eu estava feliz para caralho vendo minha canção sendo tocada para um público, com ela em um álbum e prestes a ganhar um clipe. Aquilo me dava vontade de escrever mais, no entanto, era melhor deixar as composições no passado.
Quando meu pai deixou o palco nem falou comigo, seguindo diretamente de volta para seu camarim. Eu o deixei ter seu momento diva, sua participação tinha sido excelente e estava orgulhosa por isso.
— Melhor show da minha vida! — Edward gritou quando deixou o palco, tinha tirado sua camisa durante a performance de Morango, estava apenas com a jaqueta aberta cobrindo parte do seu tronco. — Melhor show da minha vida! — repetiu, extremamente animado, parou na minha frente e me agarrou em um abraço apertado.
— Me solta — reclamei. — Você está coberto de suor.
— Não seja fresca, Capitã! — Riu da minha cara, me soltando. — Eu já disse que esse foi o melhor show da minha vida?
— Sim, três vezes agora — resmunguei, sentindo o suor dele em mim. — Agora vai para o camarim colocar roupas secas, tem que ir tirar fotos com os fãs.
— Estou tão feliz que nem essa chatice vai me desanimar! — exclamou, saiu de perto de mim cumprimentando cada pessoa em seu caminho, gritando que aquele tinha sido o melhor show da sua vida.
***
Depois de Edward ter seu momento com os fãs, seguimos para a festa para patrocinadores, colaboradores, amigos, familiares e gente importante. No meio da festa, quando eu já tinha feito Ed cumprimentar as pessoas mais importantes entre os mais importantes, deixei ele ir se divertir um pouco — sem bebidas —, enquanto eu ia para o bar, encher a minha cara.
Eu estava lá, já bêbada, relendo a mensagem de Paul sem parar. E se ele fosse maluco ao ponto de arruinar sua relação com Julia para foder com a minha vida outra vez?
— Para de pensar nisso, Isabella! — Desliguei o celular, voltando a beber. Olhei ao redor da festa e vi Nahuel dançando com Renesmee, eu também vi Alec com sua esposa em uma mesa, ele não parecia nada feliz.
Ignorei o drama que estava claro ali, procurando por Edward, ele conversava com Jasper e tinha uma latinha de Coca-Cola na mão. Os dois olharam para mim e Edward disse algo para o amigo, foi quando o outro andou em minha direção.
Jasper sentou ao meu lado, com um sorriso malicioso nos lábios.
— Quando vamos repetir o que rolou em Londres?
— Não vamos. — Bebi um pouco do meu drink.
— Vamos lá, Bella. — Se inclinou mais na minha direção. — Eu sei que você quer.
— Edward te disse isso? — Eu estava bêbada, mas certamente não ia trair mais James.
— Foi — respondeu. — Falou que você tava louca para ficar comigo de novo.
Eu gargalhei e olhei para Edward, que estava rindo do seu lugar.
— Ele mentiu para você. — Jasper ficou sério ao ouvir minha fala. — Você foi um tolo, Whitlock.
— Eu sei que você quer transar comigo de novo, Isabella — disse em um tom de voz sedutor. — Quando quiser sabe onde me encontrar.
— Aham, anotado. — Fiz um sinal positivo com a mão.
— Ei! — Alice apareceu perto da gente e bebeu meu drink, o que não gostei nada, mas não me importei em reclamar. — Você se chama Jason, né? — perguntou para Jasper.
— É Jasper — ele a corrigiu. — E acho que já fomos apresentados umas duas vezes — comentou.
— Que seja — Alice disse impaciente, pedi mais dois drinks e virei os dois em sequência. — Você sabe dançar? O idiota do meu namorado não veio, tô louca para dançar, mas a maioria dos caras aqui ou eu já peguei, ou dançam mal, outros são muito feios e não lido bem com gente feia. Eu chamaria o Ed para dançar, mas a Bella fica reclamando depois que eu tô tentando pegar ele.
— O que é a mais pura verdade. — Alice rolou seus olhos.
— Vamos dançar, Jason? — Consegui mais um drink.
— É Jasper — ele repetiu, mas se levantou. — Ok, vamos lá dançar. Então, quem está aqui que você já pegou? — o ouvi perguntar enquanto eles se afastavam, eu já tinha conseguido um novo drink quando Edward apareceu.
— Olá, Capitã!
— O que preciso fazer para ter um momento de paz? — perguntei para o teto.
— Quanto mau humor, Capitã! — Edward cutucou minhas costelas, fazendo eu resmungar. — E aí, se divertiu com o Jasper?
— Eu não e você?
— Muito — ele disse rindo.
— Aposto que sim, vocês devem ter tido um montão de sexo nos últimos meses — provoquei, fazendo com que Edward parasse de rir no mesmo instante.
— Você não é nada engraçada, Capitã.
— Ah, eu não acredito! — soltei um grito quando escutei a canção que estava começando a tocar, This Is The Day do The The, uma das músicas que cresci escutando, era uma das favoritas dos meus pais. Apesar dela me remeter diretamente a Renée, eu nunca deixei de amar aquela canção.
— Diabos, o que foi? — Edward perguntou assustado.
— Eu amo essa canção! — gritei para ele. — Meu pai sempre dançava ela com a mamãe na nossa casa — contei para o Cullen, que parecia interessado na minha história. — Sabe, antes de ela se revelar uma psicopata do caralho — reclamei. — Porra, que música maravilhosa, você não acha?
— Eu não lembro de já ter a escutado antes, Capitã — confessou.
— Que coisa terrível, Edward! — exclamei, ele apenas riu. — Sabe quem adorava essa música?
— Não, Capitã, quem? — perguntou achando graça de algo.
— Paul. — Senti o choro se formar na minha garganta. — Ele a adorava.
— Ok, chega, não vamos falar disso, não podemos, se lembra? Ano passado você me proibiu de conversar com você sobre esse babaca. Então, vamos apenas tirar seu drink daqui e te dar um pouco de água. — Ele passou meu drink para dentro do balcão e gritou para um barman pedindo por água, foi prontamente atendido. — Aqui, Capitã. — Abriu a garrafa de água e colocou na minha mão. — Fique sóbria.
— Ok — concordei, bebendo a água. — Obrigada, pirralho.
—De nada.
— E aí, você já transou com o Jasper? — perguntei quando parei de beber água.
— Isabella, sem mais perguntas — ele exigiu.
— Isso é um sim?
— Não, isso é um não, eu não transei com o Jasper.
— Que pena!
***
Eu estava de ressaca na manhã seguinte, mas ainda precisava ter aquela conversa com Edward, sendo assim eu coloquei óculos escuros, tomei um remédio para dor de cabeça, bebi um litro de água e fui para a casa dele. Rosalie me deixou entrar, não parecia contente com a minha aparição, mas não criou caso e me disse que o irmão ainda estava dormindo.
Fui para o quarto de Ed, ele dormia em sua cama com Shrek deitado ao seu lado e Madonna sobre sua barriga. Shrek acordou primeiro, pulou da cama em mim e começou a latir.
— Oi, animal selvagem — falei com ele, afagando sua cabeça.
Edward e Madonna acordaram, o músico reclamou.
— Ah não, é cedo, o que você tá fazendo aqui, Capitã?
— Já é quase meio dia — o corrigi, indo até a cama e tirando Madonna de cima dele. — Oi, Madonna — falei com ela.
— Sério, o que tá fazendo aqui? — Edward perguntou, coçando seus olhos.
— Vim falar com você sobre Leah, a assistente da produtora. Eu tive uma ideia, que consiste em Leah virar sua namorada, pirralho.
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