Hollywood

78 Capítulo Setenta e Sete


Notas iniciais
Olá! —-- Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo NOVO no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —-- Música especial do capítulo: https://youtu.be/FmDGR_4_-L0 Música especial do capítulo: https://youtu.be/QC_cuk9L648 —___ Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure ajuda especializada sempre. —__ Boa leitura!

Capítulo Setenta e Sete

Edward Cullen

"Ed Cullen tem quarto de hotel invadido por fã."

Alguns fãs cruzavam os limites, desde a se meter na minha vida pessoal a invadir meus quartos de hotéis.

***

A garota agarrada a mim era mais forte do que sua baixa estatura poderia indicar, seus braços estavam apertando com força ao redor do meu pescoço e suas pernas entrelaçando minha cintura. Eu não toquei nela, mantendo minhas mãos erguidas para longe de seu corpo.

Os gritos que ela começou a dar, tudo em português, fizeram com que meus ouvidos doessem. E no segundo seguinte quando a menina começou a tentar me beijar, os seguranças começaram a tirá-la de cima de mim.

Assim que eu estava livre meus olhos foram em direção a Isabella, ela tinha se afastado da porta e estava claramente aborrecida. Suas mãos sobre sua barriga, de forma protetora.

Os seguranças faziam perguntas para a garota, mas ela só falava em português e a única coisa que dizia em inglês eram as palavras amor e foto, enquanto apontava para mim, mas era mantida afastada pelo pessoal da segurança.

Eu repeti a palavra foto e fiz um sinal positivo, Isabella resmungou. Mandei os seguranças largarem a menina, que sequer devia ser maior de idade e ela voltou a me abraçar, mas a afastei rapidamente e ainda gesticulando indiquei que deveríamos tirar a foto.

Ela, com as mãos trêmulas, tirou o celular do bolso de sua calça jeans e entregou para um dos seguranças. Me posicionei ao seu lado e tiramos três fotos, depois a abracei e mandei um dos seguranças a levar para o gerente do hotel e resolver aquela confusão, enquanto pedia para Felix, que estava com a gente naquela noite, com um segurança de Bella que também estava conosco, revistar o quarto e garantir que estava tudo certo.

— Tudo bem? — perguntei para Isabella.

— Não, né? Uma louca acabou de surgir do nosso quarto, eu não estou legal com isso.

— Ok, linda. Está tudo bem agora. — Afaguei seus braços, ela ainda estava de cara feia. — Era só uma fã querendo tirar fotos, não precisa se preocupar.

— Preciso sim, tem fã por aí querendo matar o ídolo — disse e eu automaticamente lembrei da que tentou matar Paul, mas ele não foi o único, vários artistas já tinham sido atacados por fãs de modo realmente perigoso. Caralho, o John Lennon morreu assim. — E preciso me preocupar quando tentaram explodir seu show em Berlim — acrescentou e eu engoli em seco, soltando seus braços.

Bella suspirou e me abraçou.

— Não consigo não me preocupar com você, também não consigo não pensar que alguma merda pode acontecer e acabar machucando minha filha.

— Ei, não. — Afaguei suas costas. — Ela está bem, nada vai machucar nosso bebê.

Minha noiva começou a chorar e a abracei mais forte.

***

Os fãs estavam fazendo um bom barulho do lado de fora do hotel, mesmo com as portas da varanda do quarto fechadas nós éramos capazes de ouvi-los. Porém, felizmente, isso não parecia estar tirando Isabella do sério, ela comia e mexia no celular, rindo de qualquer coisa que estivesse lendo ali.

Isso era bom, ela não precisava de mais estresse depois da última noite. Com sua crise de ciúmes e a fã invadindo meu quarto foi muito para ela lidar.

Mesmo depois dos seguranças revistarem o quarto ela exigiu que fossemos para outro, eu nem precisei perguntar o motivo, Bella tinha medo da fã ter colocado qualquer coisa ali que pudesse nos gravar, ou algo pior. E no novo quarto ela inspecionou nossas malas com extrema atenção, para garantir que nada tinha sido colocado ou tirado.

Algo estava faltando, mas nem Bella descobriu isso. Foi só quando o gerente e o chefe de segurança do hotel foram se explicar com a gente que ficamos sabendo.

A fã, que se chamava Yasmin, tinha levado consigo uma cueca minha. O chefe de segurança me devolveu, enquanto contava que a menina tinha dezessete anos e que de alguma forma conseguiu burlar a segurança e invadir o quarto.

Eu dispensei prestar uma queixa sobre isso, Bella não estava contente, mas não me fez fazer o contrário. Apenas pedi que a segurança fosse reforçada e joguei a cueca no lixo. Enquanto isso, na internet, Yasmin falava para todos sobre ter me conhecido.

— Do que você está rindo? — indaguei quando Bella gargalhou.

Seus olhos se voltaram para mim e respondeu:

— Tanya me mandou uma longa mensagem ontem sobre determinado assunto, estou só reagindo a isso.

— Sexo?

— Santiago comprou um Kama sutra — respondeu e deu mais uma gargalhada. — E conseguiu machucar a coluna com uma das posições, já está bem, mas ainda é muito engraçado.

— Você é má! — declarei, ela assentiu e bebeu mais do seu suco.

— Você já sabia disso quando colocou esse diamante no meu dedo, querido. — Mostrou sua mão para mim, eu a peguei e beijei, Bella corou.

— Eu sabia e amo que você seja malvada.

Soltei sua mão quando alguém bateu na porta, levantei da cadeira onde estava sentado na sala da suíte tomando café da manhã e fui ver quem era.

— Cara, eu amo esse país! — Jasper exclamou quando abri a porta, eu estava paralisado vendo seus cabelos pintados de rosa. — Ah, vai sair quando eu lavar. — Apontou para sua cabeça e entrou no quarto.

— Ok — murmurei e fechei a porta.

— Jasper, por quê? — Bella indagou quando o viu.

— Vai sair no banho — assegurou e sentou na cadeira que eu estava antes, roubando minha comida.

— E quando isso aconteceu? — questionei. — Não me diz que foi no voo. — Ele e o resto do pessoal da banda voaram em um voo após o meu e de Isabella.

— Claro que não, assim que chegamos saímos para uma festa. Foi muito maneiro, de algum jeito acabei indo parar em um salão de beleza e assim fiquei com os cabelos rosa.

— Noite agitada, nós tivemos uma fã invadindo o quarto — falei e Jasper fez uma careta, mas se distraiu quando Bella apontou o celular para a cara dele.

— O que você tá fazendo, Swan?

— Mandando uma foto pra minha irmã, ela precisa ver como você tá ridículo.

Eu gargalhei, mas também me distrai quando os gritos dos fãs na porta do hotel se tornou um coro cantando Escândalo.

— Acho que você deveria aparecer lá e dar atenção pra essa galera, Ed — Jasper sugeriu.

Eu assenti e fui para a varanda, quando apareci ali os gritos voltaram.

***

Coloquei o microfone na mão do roadie e deixei o palco, Bella estava na lateral desse esperando por mim e mordendo seu lábio inferior.

— Você tem certeza de que quer fazer isso? — perguntei para ela. Era só a passagem de som naquela tarde e ela estava muito nervosa, mal conseguiu cantar Anos e errou muito em Johnny Cash mesmo conhecendo a música melhor do que ninguém. — Não vou ficar chateado se você não quiser.

Ela engoliu em seco e balançou a cabeça em negação.

— Não, eu quero, até o show vou estar mais calma.

— Ok. — Afaguei sua bochecha. — Acabei por aqui com a passagem de som, pra mim está tudo certo, podemos voltar pro hotel e pegar uma piscina, que tal?

Ainda era bem cedo, poderíamos aproveitar o hotel sem prejudicar o resto do cronograma do dia.

— Pode ser — ela concordou e olhou para o palco. — É, vamos pra piscina, por favor.

***

Deixei a piscina e segui até a espreguiçadeira, peguei minha toalha e me enxuguei um pouco, depois deitei ali e coloquei meus óculos de Sol, aproveitando a sombra. Isabella estava na espreguiçadeira ao lado, ela tinha um livro em mãos e estava concentrada nele, era o que eu pensava, até ela falar:

— O garçom tá pra vir aqui implorar pra você foder ele.

— O quê? — perguntei, alto demais, sendo pego de surpresa por suas palavras.

Ela riu, largou seu livro e pulou para minha espreguiçadeira. Sentou ao meu lado, mas de frente para mim e apoiou uma mão na minha barriga, percorrendo seus dedos por ali suavemente.

— Olha pra sua esquerda, mas disfarça.

Fiz aquilo e vi o garçom que servia o pessoal na área da piscina olhando para mim, mas como Bella instruiu eu disfarcei e fingi analisar todo espaço que estávamos.

— Você está com ciúmes do garçom? — perguntei para ela.

— Não — respondeu, subindo seus dedos para a tatuagem em meu peito. — Acho que é mais fácil não me sentir ameaçada por homens.

Virei minha cabeça para ela e ergui meus óculos.

— Você não precisa se sentir ameaçada por ninguém, Capitã.

Assentiu e me beijou, depois falou:

— Lembra do seu joguinho outro dia com a gente fingindo ter namorados? Que eu era sua professora…

— Lembro bem. — Sorri.

— Acabei de ter uma ideia, o que me diz de irmos lá pro quarto brincar um pouco?

— Vamos nessa!

***

Ainda de tarde, naquele domingo, voltamos para o local onde aconteceria o festival, que já tinha iniciado para aquele dia quando chegamos lá. Eu encontraria ali com algumas integrantes de três fãs-clube locais sorteados para me conhecer, tiraria fotos, daria autógrafos e conversaria um pouco.

— O que foi, Capitã? — indaguei Isabella, que lia com seriedade algo em seu celular.

Estávamos no meu camarim esperando a hora dos fãs chegarem, o local estava cheio com a minha banda, alguns dos dançarinos, outras pessoas da produtora e da gravadora que faziam parte da comitiva da viagem, também o pessoal da produção do festival que estava cuidando da minha passagem por lá. Porém, eu atenderia os fãs na sala ao lado, que também fazia parte do meu camarim, ser uma das atrações principais do festival tinha seus privilégios.

— Sabe que comprei o anticoncepcional fora da validade aqui. — Olhou para mim. — Estou lendo sobre mais casos de mulheres que engravidaram por comprar o remédio na mesma farmácia, foi um erro deles por não verem que o estoque já tinha passado da data, não do laboratório do anticoncepcional esse entregou tudo certo, então são os responsáveis por arcarem com as consequências.

— Você quer que eles arquem com a nossa consequência? — perguntei em um tom bem humorado e toquei na barriga dela, Bella sorriu.

— Não, o mundo inteiro já sabe que não foi algo premeditado, mas não preciso abrir um caso contra uma farmácia para sustentar minha filha. Mas tem gente que realmente precisa de dinheiro que foi afetada por esse erro, sabe? E aqui no Brasil o aborto não é permitido em casos assim. Enfim, a farmácia vai dar dinheiro para essas mães, mas uma ong feminista está arrecadando doações para ajudar elas, vou fazer uma doação anônima para apoiar também.

— Nossa filha vai ficar muito orgulhosa de ter uma mãe como você, linda.

Ela me lançou um sorriso nervoso.

— Espero que sim.

— Eu pensei em um nome para ela, ontem a noite, mas com a fã invadindo o meu quarto fui distraído.

— Sério? Qual nome? — Guardou o celular no bolso.

— Caroline, lembra que eu tava cantando Sweet Caroline ontem? Veio disso.

Bella franziu o cenho.

— É um nome bonito, mas eu não tenho certeza.

— Podemos pelo menos colocar o nome na lista de considerações? — indaguei.

— Podemos — concordou e me beijou.

Logo fomos avisados que o pessoal dos fãs-clube chegaram, preparei meus ouvidos para os gritos e fui até lá, Isabella e mais algumas pessoas me acompanharam até a outra sala. Quinze pessoas, cinco de cada fãs-clube ocupavam o lugar e como esperado gritaram quando me viram.

A maioria das fãs, não tinha nenhum garoto entre elas, falavam inglês, sendo assim a comunicação foi fácil. Bons minutos foram gastos entre abraços e elas chorando por me conhecerem pessoalmente, assim como muitas quiseram abraçar Isabella, o que a pegou de surpresa, e parabenizar pelo bebê.

— Ei, obrigada! — Bella agradeceu quando recebeu mais um abraço, seu rosto estava corado e seu sorriso era envergonhado.

— Vocês já sabem se é menina ou menino? — a garota perguntou para ela, as outras começaram a perguntar também, ansiosas.

— Ainda não podemos falar. — Bella piscou.

Todas choramingaram juntas, mas quando eu falei que estava na hora das fotos voltaram a ficar animadas.

***

Após as fotos, muitas, sentei com as fãs para conversar. No chão mesmo, em uma rodinha que me fazia pensar em quando eu era criança na escola.

As garotas me falavam sobre elas, os fãs-clube e como me conheceram. Vez ou outra alguma, ou mais de uma ao mesmo tempo, ficava barulhenta de novo por se dar conta de que eu estava ali.

— Bella ia me dar um novo cachorro no Natal, mas não sei se ela ainda vai manter isso — respondi a pergunta de uma fã que me questionou sobre eu ter um novo cachorro, depois de contar que seu cachorro sempre abanava o rabo quando ouvia Escândalo. Olhei para minha noiva sentada em um sofá na sala, ela estava comendo chocolates e fingiu não ouvir a pergunta ou a resposta, as fãs e eu também estávamos comendo alguns lanches.

Falamos mais um pouco sobre meus cães e gatos, até que o assunto ficou pesado quando a presidente do que era meu primeiro fã-clube brasileiro contou a história de uma integrante dele, de dezoito anos, que tinha sido assassinada alguns meses antes.

— A Ana Clara era incrível, super animada e doce, tratava todo mundo muito bem. Ela era lésbica, mas não tinha assumido pra família — a presidente do fã-clube, Verônica, disse. — Tinha medo, porque os pais eram muito conservadores. Então, o pai dela viu a Clarinha beijando a namorada, perto da faculdade que as duas estudavam. Quando a Clara chegou na casa dela o pai espancou ela. — Eu engoli em seco e vi todas as meninas visivelmente tristes pelo o que estavam ouvindo. — Ela já foi pro hospital muito mal e não resistiu.

— Ele está preso? — consegui perguntar, lutando contra a vontade de chorar.

— Está, confessou tudo, mas disse que estava possuído pelo diabo. — Revirou os olhos, Verônica tinha uma cartolina dobrada consigo e entregou para mim. — Fizemos uma colagem de fotos suas e da Clarinha, você pode assinar? Queríamos dar de presente para a irmã mais nova dela que se mudou para outro estado com a mãe, ela também é muito sua fã.

Eu olhei para as fotos, a fã assassinada pelo próprio pai parecia mais nova que dezoito anos. Era só uma garota, que teve a vida interrompida cedo demais, de forma extremamente brutal.

— Claro, claro que assino — murmurei e prontamente uma das garotas me entregou caneta para que eu fizesse aquilo.

Escrevi uma mensagem para a irmã de Ana Clara, que se chamava Gabriela, também pedi que Verônica gravasse um vídeo meu e mandasse para a menina. Nele dei meus pêsames, pedi que ela nunca deixasse de sorrir e que lembrasse da irmã com felicidade e amor.

Quando acabei de gravar o vídeo olhei para Isabella, ela estava extremamente séria. Eu não pude ficar com a cara abatida por muito tempo, precisava continuar atendendo as meninas, mas não conseguia parar de pensar que o que tinha acontecido com Ana Clara poderia ter acontecido com alguém próximo a mim, não necessariamente pelas mãos de um familiar, mas por algum homofóbico de merda.

Jane era lésbica, Jasper e minha noiva bissexuais… Eu também, aquilo poderia ter acontecido com qualquer um de nós ao topar com um ser humano intolerante. Bella e eu tínhamos nossa orientação sexual em sigilo, mas em uma realidade que qualquer um soubesse sobre estaríamos ameaçados também.

E minha filha? E se ela fosse lésbica, bissexual, ou mesmo trans? Também correria riscos.

— Amor, você precisa de algo? — Bella perguntou quando as garotas foram embora.

— Não, eu só tô pensando sobre a menina assassinada pelo pai — falei.

— O caso repercutiu muito aqui — uma das organizadoras do festival, que estava na sala, disse. — Foi na época da votação de primeiro turno para presidente da república, todos os candidatos se pronunciaram e mostraram solidariedade, menos o candidato que acabou vencendo as eleições, ainda foi pego curtindo tweets de um pastor defendendo a desculpa do pai da garota estar possuído pelo diabo. Ele, o futuro presidente, sempre demonstrou ser homofóbico, racista, machista e tudo mais, está todo mundo bem nervoso pensando em como será um governo autoritário e intolerante quando ele assumir ano que vem. Enfim, Ed, você precisa ir tirar umas fotos agora lá na área vip, tudo bem?

— Posso ter uns minutos sozinho? — pedi.

A organizadora olhou no relógio em seu pulso e concordou, mesmo que hesitante.

— Ok, tudo bem, posso te dar uns vinte minutos.

— Ótimo.

Ela saiu da sala, aquela altura todos os outros já tinham saído também e fiquei só com Bella.

— Imagino o que você tem na cabeça agora, pirralho — falou para mim. — E sei que parar de pensar nisso não é fácil, mas você não pode cair nisso agora, ou ficará mal.

— Já estou.

— Entendeu o que quis dizer. — Toquei nos cabelos dela.

— Posso ficar um pouco sozinho?

Ela suspirou, mas assentiu.

— Te busco em dezoito minutos. — Me beijou e deixou a sala, fazendo com que eu ficasse só.

Me joguei no sofá e fechei os olhos, tentei me concentrar e tirar os pensamentos tristes e os ruins da minha cabeça, mas eu ficava pensando na história de Ana Clara repetidamente. Tudo sobre aquele caso era tão injusto, ela ter escondido sua sexualidade e quando essa foi descoberta resultar em sua morte por aquele que deveria a proteger, então aquele que seria o futuro presidente do país apoiar a narrativa fantasiosa do pai da garota que estava tentando fugir de seus crimes.

E foi assim, triste e puto, que saquei o celular do bolso e abri o bloco de notas.

"Hoje fiquei sabendo sobre o assassinato de uma fã brasileira, uma garota de apenas dezoito anos que perdeu a vida de forma brutal. Ana Clara não estava fazendo nada de errado ao se relacionar com outra menina e foi morta pelo próprio pai.

Uma jovem, com a vida inteira pela frente…

Infelizmente não posso fazer nada por Ana Clara agora, mas demonstro aqui meu total apoio e condolências aqueles que a amavam. Também quero demonstrar meu total repúdio aquele que por homofobia tirou a vida da filha, assim como também cobrar que as autoridades brasileiras olhem para este caso e para todos os outros crimes de ódio com mais atenção.

Fiquei sabendo que o homem que irá assumir o cargo de presidente da república no próximo ano já demonstrou ser homofóbico, racista e machista. Espero que ele possa aprender que está agindo errado e mudar seu comportamento e discurso, também espero que o povo brasileiro não se deixe abater por um "político" que nem deveria ter sido eleito antes de qualquer coisa.

Agora, falando diretamente com o futuro senhor presidente do Brasil, não há nada de errado em ser homossexual. Mas está tudo errado em sua atitude de curtir tweet de um pastor apoiando a desculpa do pai de Ana Clara para ter cometido o assassinato. O pai dela não estava possuído pelo diabo, ninguém deve acreditar nessa besteira, o que se deve fazer agora é justiça em nome de uma menina. Então, senhor, seja justo, honesto e respeite o próximo, ou largue seu cargo antes mesmo de o assumir.

Voltando a falar com todos, irei buscar ongs aqui do Brasil que apoiam gays, lésbicas, bissexuais, pansexuais, transexuais e mais para doar dinheiro que possa ajudar essas pessoas que estejam em situação de risco. Sendo assim, se você souber, ou fizer parte, de alguma ong dessas, mande sobre para mim em minhas redes sociais que irei selecionar ao menos uma por cada região do país.

Em algumas horas estarei no palco do Pop Festival e lá em cima cantarei cada música pensando em Ana Clara, peço que você que estará no show cante bem alto comigo para que possamos a homenagear todos juntos."

Tirei print do texto e compartilhei as imagens em minhas redes sociais, em menos de dois minutos Isabella surgiu na sala, obviamente irritada.

— Você não consegue ficar longe de problemas, Edward Cullen.

Não era uma pergunta, ela conhecia bem como eu era.

— Tive que me pronunciar sobre o caso.

— Mas não deveria ter falado do presidente!

— Eu nem mandei ele se foder, bem que deveria, mas não fiz. E ele nem assumiu ainda.

— Você tá querendo arranjar mais confusão mesmo, né? — Cruzou os braços na frente do corpo, ela estava usando uma blusa mais larga, que conseguia camuflar a barriga dela. Não dava pra dizer ainda, não pelo físico, que Bella estava grávida, mas aos poucos a barriga dela começava a despontar.

— Arranjar confusão? Não. Buscar justiça? Sim!

— Edward, você não é um advogado, muito menos um juíz.

— Mas sou influente, o que posso fazer para tentar ajudar devo fazer.

Ela respirou fundo e saiu da sala, sem dizer mais nada. Revirei os olhos e voltei a olhar para meu celular, obviamente as minhas publicações já estavam sendo comentadas. No Twitter já estava um caos e eu usava o Google tradutor para conseguir ler o que os brasileiros — fãs ou não — falavam.

"Meu Deus… Edward Anthony Cullen…"

"Ed Cullen e eu temos algo em comum, ambos odiamos aquele que não deve ser nomeado."

"Fandom vai se reunir com o Ed Cullen no porão militar quando a ditadura acontecer."

"Estudei com a Ana Clara, ela era tão doce e cheia de vida. Estou feliz que o Ed Cullen ficou sabendo sobre ela e se manifestou, Clarinha amava ele."

"Quem é esse tal de Ed Cullen pra falar mal do nosso grande presidente?"

"Esse Ed Cullen deve ser um viadinho!"

— Ok, chega. — Desliguei o celular e fui tirar minhas fotos.

***

Isabella estava usando botas brancas com brilhos, mas sem saltos. Usava uma calça preta justa e uma blusa justa também branca com brilhos, em sua cabeça para completar o visual, chapéu de caubói, também na cor branca.

Estava gostosa pra caralho e eu queria poder transar com ela antes de ir para o palco, mas não aconteceria. Estava um verdadeiro entra e sai no meu camarim, além do mais ela claramente não iria querer sexo, continuava irritada comigo por ter falado mal do futuro presidente do Brasil no Twitter, político aquele que postou em suas redes sociais que sequer me conhecia e que minha opinião era irrelevante, quis muito mandar ele se foder diretamente, mas Bella proibiu e até Tanya me ligou mandando que eu ficasse quieto.

Eu fiquei quieto, mas não ficaria por muito tempo. Tinha uma carta na manga e na hora certa ela seria usada.

— Ok, ok, vamos de novo — Bella pediu para Jasper, ele estava ajudando ela a ensaiar. Tocava a melodia de Anos para que ela cantasse, mas no palco eu seria a única pessoa tocando neste momento.

— Você já deveria ter seu álbum, Isabella — ele disse.

— É o que sempre falo — sussurrei, mas não tirei meus olhos do celular onde curtia algumas publicações dos fãs.

— Foco no que tá pra acontecer, eu subindo naquele palco — Bella pediu.

— Você cantou com Ed na final da turnê e nem doeu, doeu? — Jasper questionou.

— Aquele dia foi diferente. Primeiro, Edward e eu ainda não tínhamos sido expostos. Segundo, eu não estava grávida. Terceiro, não cantei uma música totalmente inédita sozinha.

— Vai passar tão rápido, você nem irá sentir, Swan — Jasper declarou e voltou a tocar. — Vamos, cante!

Olhei para minha noiva quando ela começou a cantar, seus olhos estavam fechados e suas bochechas bem vermelhas. Aproveitei que ela não estava me olhando e a gravei um pouquinho no celular, também tirei fotos dela, inclusive uma que só aparecia suas botas.

Quando Bella acabou de cantar ficou conversando com Jasper sobre a canção, enquanto isso eu postava a foto de suas botas com a legenda:

"Ela está pronta!"

O celular dela apitou na mesma hora, ela tinha minhas notificações ativadas e depois de ver o que era disse:

— Você pode segurar um pouco e não postar mais nada meu até depois do show? Já basta o quanto as pessoas ficarão putas por eu subir ao palco.

— Certeza de que teve muita gente feliz com essa foto — afirmei, ela revirou os olhos. — Vou provar!

Entrei no Twitter e fui checar o perfil Portal Beward, como imaginei tinham compartilhado a foto ali. Porém, as primeiras respostas não eram tão boas.

"Que bota ridícula é essa da vagabunda Swan?"

Escreveu uma fã com minha foto no seu perfil.

"Pronta pra que? Pra destruir a vida do Ed?"

Outra pessoa usando foto minha.

"Denunciando esse Portal Beward até ele cair, não merecemos essa nojeira no Twitter."

Aquela usava uma foto de Lauren.

"Pronta pra sair da vida do Ed, né? Meu sonho!"

Essa pessoa usava uma foto da minha irmã, algumas fãs adoravam Rose e usavam imagens dela em seus perfis de redes sociais.

"Vocês nem sabem se é mesmo a Swan."

Outra fã de Lauren.

"Essa Isabella me dá nojo."

Uma fã de Leah. E depois daquilo finalmente encontrei alguém que torcia por mim e Bella, tanto que ela usava uma foto da minha noiva e seu nome no Twitter era Baby Donut Fã.

"Seria um sonho a Isabella cantar com o Ed hoje."

— Linda! — exclamei animado e mostrei aquilo para ela, Isabella não resistiu e deu um pequeno sorriso, mas ele desapareceu logo.

— Olha a resposta seguinte, Betty.

Eu olhei, uma fã minha xingando Isabella de todas as formas possíveis.

***

Estar no palco definitivamente era algo que eu amava, ainda mais quando a platéia era tão animada e isso era lei no Brasil. E saber que nem todos naquele festival, 100 mil pessoas no último dia, eram meus fãs, mas mesmo assim estavam ali até tarde dançando e cantando comigo era maneiro pra caralho.

— Brasil, eu quero agradecer vocês por estarem me proporcionando essa noite mágica! — exclamei ao microfone. — Hoje fiquei sabendo que o futuro presidente de vocês é um grande idiota.

A multidão gritou em apoio.

— Alguns anos atrás Lily Allen nos deu uma grande música, sobre outro político filho da puta, mas que eu tenho certeza de que vai servir para o babaca daqui. Então, quando chegar a hora do refrão desta canção eu quero que todos vocês cantem bem alto e também quero que vocês continuem lutando por seus direitos e não deixem político filho da puta nenhum os roubar. Senhoras e senhores, com vocês, Fuck You! — gritei e apontei para minha banda. Eu tinha combinado aquilo com eles secretamente, afinal Bella não me deixaria fazer isso, sabia que ela ficaria puta depois, mas precisava fazer.

O público gritou em resposta e as palmas foram ouvidas. Caminhei para mais perto do fim do palco, tentando ficar mais próximo das pessoas e comecei a cantar.

Look inside. Look inside your tiny mind. Now look a bit harder. 'Cause we're so uninspired. So sick and tired. Of all the hatred you harbour. So you say. It's not ok to be gay. Well, I think you're just evil. You're just some racist. Who can't tie my laces. Your point of view is medieval.* — Passei a mão pelos cabelos que caiam por meu rosto e disse ainda aí microfone. — Brasil, agora é sua vez!

Virei o microfone para eles cantarem o refrão e fizeram isso muito bem, enquanto batiam palmas.

Fuck you. Fuck you very, very much. 'Cause we hate what you do. And we hate your whole crew. So, please, don't stay in touch. Fuck you. Fuck you very, very much. 'Cause your words don't translate. And it's getting quite late. So, please, don't stay in touch.*

— Brasil, eu amo muito, muito vocês! — declarei enquanto a banda continuava a tocar e o público a cantar e bater palmas. — Vocês são fodas! — gritei antes de deixar o palco para ir trocar de roupa para a próxima rodada de músicas do show.

— Eu vou matar você! — Isabella gritou nos bastidores quando cheguei lá, não tive tempo de parar, correndo contra o relógio tirando a roupa que usava e recebendo as novas.

— Você não vai, sou seu noivo — aleguei contra os gritos do público que ainda protestava contra o futuro presidente. — E pai da sua filha.

Ela bufou, eu interrompi o processo de me vestir para beijar seu rosto rapidamente.

— Sua sorte é que te amo, Edward. Agora se apressa e volta pro palco.

***

Eu peguei o violão e me dirigi para o centro do palco, onde os dois microfones já estavam montados, depois de tocar no piano que já estava sendo levado para fora.

— A próxima música foi feita por alguém que eu amo muito — falei, começando a dedilhar Johnny Cash. — E hoje ela vai nos agraciar com sua participação neste show. Senhoras e senhores, Isabella Swan!

Gesticulei para a lateral do palco por onde ela estava vindo, carregando o violão que tocaria e sorrindo timidamente. Fui ao encontro dela, a alcancei no meio do caminho e nos abraçamos, o público gritou, mas claro que as vaias ainda eram uma realidade.

Seguimos até os microfones e antes de começarmos a música, Bella falou:

— Olá, Brasil. Muito obrigada por me receberem.

Eu puxei as palmas, que felizmente foram correspondidas. Bella afagou meu braço em um gesto de agradecimento, mas não pude a beijar como queria, afinal a música precisava começar.

Vivendo em uma cidade pequena. Dono de grandes sonhos. Seu melhor amigo era seu violão. Ele queria seguir sua paixão — cantei.

A música era tudo em seu coração. Sua salvação. Toda sua motivação. Se enchia de obstinação — Bella cantou sua primeira parte.

Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Presley. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples. Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Presley. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples — cantamos juntos. — Seus sonhos. E seus desejos

Ele era capaz de tudo para concretizá-los — continuei.

Mas ele era apenas um garoto da cidade pequena. Preso a um mundo limitado. Sem ter para onde ir — ela cantou e olhou para mim.

Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Elvis. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples. Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Elvis. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples.

Dois roadies se aproximaram e levaram nossos violões, Bella e eu tiramos os microfones dos suportes e unimos nossas mãos.

Ele seguiu sua paixão. Pegou um avião. Com seu fiel violão. — Caminhamos pelo palco ainda de mãos dadas. — Cidade grande. Luzes por todo lado. Onde todos queriam ser os melhores.

Fiz Bella girar em seus pés, com cuidado, depois a coloquei contra mim, suas costas coladas em meu peito. E finalizamos a música unidos daquela forma.

Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Elvis. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples. Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Elvis. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples. — Beijei os cabelos de Bella e afaguei sua barriga. — Ele decidiu deixar de lado o sonho de ser Cash. Ou mesmo Elvis. Ele seria grande. Por seu próprio nome.

Não ouvi uma vaia sequer após a canção acabar, se alguém vaiou foi abafado pelos gritos e palmas de quem tinha gostado. Capitã e eu nos separamos, eu afaguei seu rosto e fui me posicionar para a próxima música.

Fiquei quase junto da banda, mas ainda na frente deles, sentado em um banquinho e com o violão que um dos roadies me devolveu. Isabella voltou para o centro do palco, onde agora só o suporte do microfone dela se encontrava e ali ela o colocou.

A iluminação do palco focava apenas em nós dois, um holofote centrado nela e outro em mim.

— Ok, gente — ela falou. — Nos últimos dias escrevi uma música nova e Ed me ajudou a finalizar a melodia, ele insistiu que eu cantasse ela aqui para vocês hoje, se vocês a odiarem culpem ele por me fazer a apresentar.

— Você é linda! — escutamos um coro de parte do público, parecia vir de um grupo perto da grade.

— Obrigada! — Isabella agradeceu e mexeu nas pontas de seus cabelos com a mão esquerda, a direita já estava sobre sua barriga. — Bom, a música que vocês irão ouvir agora se chama Anos.

Ela se virou para me olhar e eu assenti, começando a tocar.

Aos cinco anos. Você me viu em uma grande tela. Eu cantava sobre querer ser uma garota normal. Anos depois você aprovaria meu sotaque. Aos quinze anos. Você ganhava o mundo. Eu me escondia de todos. Anos depois você diria que se esconderia comigo. — Isabella colocou a outra mão também sobre sua barriga e abaixou a cabeça ligeiramente. — Aos dezessete. Você falava mal do meu pai. Eu te achava um idiota. Anos depois você cantaria minha canção com meu pai.

O público gritou e aplaudiu naquela parte, fazendo com que Bella risse ao microfone.

Anos e anos. Até chegarmos aqui. Anos e anos. Até eu me tornar sua garota. Anos e anos. Até chegarmos aqui. Anos e anos. Até eu me tornar sua garota. — Ela olhou para mim durante todo o refrão e eu sorri para ela. — Aos vinte e um. Você estava noivo de outra. Eu achava que estava bem com meu cara. Anos depois você me consolaria quando meu noivado chegasse ao fim. Aos vinte e dois. Você estava em minha cama. Eu não sabia onde isso iria acabar. Um ano depois e eu posso ter uma ideia.

Ela apontou para sua barriga, já olhando novamente para o público.

Ainda aos vinte e dois. Você estava comigo naquela festa. Eu fugi. Alguns meses depois e você estaria tão feliz a me ver.

Isabella tirou o microfone do suporte e como tínhamos feito antes caminhou pelo palco.

— Vocês conseguem cantar comigo o refrão? — indagou.

E o público cantou com ela. Eu não poderia estar mais orgulhoso da minha garota.

Anos e anos. Até chegarmos aqui. Anos e anos. Até eu me tornar sua garota. Anos e anos. Até chegarmos aqui. Anos e anos. Até eu me tornar sua garota.

Quando acabou de cantar aquela parte andou até mim, tirou o chapéu de sua cabeça e colocou na minha. Eu ri, mas não o tirei e segui tocando para que ela cantasse.

Aos vinte e três. Você estava do outro lado do mundo. Eu estava com medo de te amar. Semanas depois e eu poderia dizer as palavras sem hesitar. Aos trinta e dois. Eu descobri. E você está aqui. E você disse que somos uma família agora. Dois cachorros. Dois gatos. Um bebê. Apenas o começo de anos e anos.

Posicionada ao meu lado mantinha sua mão direita sobre meu ombro.

Anos e anos. Até chegarmos aqui. Anos e anos. Até eu me tornar sua garota. Anos e anos. Até chegarmos aqui. Anos e anos. Até eu me tornar sua garota. — Nos olhamos e ela finalizou sua canção. — Eu amo você. E vou continuar te amando. Por anos e anos. Meu amor.

Eu levantei do banco e beijei Isabella, assobios e palmas foram ouvidos, aproveitei para colocar o chapéu de volta em sua cabeça neste instante e me livrar daquela coisa. Ela parou o beijo, riu e o ajustou em si.

Novamente de mãos dadas fomos para a frente do palco.

— Obrigada por tudo, pessoal — agradeceu e começaram a gritar seu nome.

Eu vi seus olhos marejados quando ela me entregou o microfone. Sem pensar muito nas minhas palavras, envolvido com a empolgação que sentia, falei mais do que deveria.

— E esta foi Isabella Swan, minha noiva e mãe da minha filha, pessoal. Uma salva de palmas!

— Edward! — ela exclamou ao meu lado, eu me toquei do meu erro e arregalei os olhos.

— Droga, desculpa, Capitã! — pedi, falando fora do microfone, mas em seguida falei com o público que aplaudia, gritava e estava surtando com a revelação. — Eu não deveria ter contado isso ainda, finjam que não ouviram!

Bella gargalhou, eu ri também e a beijei de novo. Minha noiva acenou para todos, apertou minha mão e deixou o palco.

— Não perguntem o nome da Donut, gente — falei. — Nós ainda estamos decidindo. Agora, que tal um pouco de Endorfina?

***

Estava quase pegando no sono quando Isabella gritou:

— Pirralho!

— Que foi, Capitã? — Abri meus olhos e encarei o teto do nosso quarto.

Era segunda de noite em Los Angeles, tínhamos pousado em solo americano pouco antes das seis da tarde e seguimos direto para casa. Iríamos jantar com Rose, Emmett, minha mãe e Carlisle. Eu não estava muito animado com a ideia de ter meus pais perto um do outro depois do almoço de revelação, mas minha irmã insistiu pelo jantar.

— Edward! — Bella tornou a gritar.

— Oi!

— Vem cá, tô te chamando.

Resmunguei e saí da cama, indo encontrar ela no banheiro. A empresária estava se maquiando e abriu um sorriso grandioso para mim.

— Já sei o nome perfeito para nossa filha, aliás estou até revoltada que não falei ele antes.

— Qual? — perguntei hesitante, eu gostava muito de Caroline.

— Catherine.

— Prefiro Caroline — afirmei rapidamente, precisava sustentar minha posição.

Bella largou o batom sobre a bancada da pia e disse:

— Caroline é bonitinho, mas Catherine é perfeito.

— Você está errada. Catherine é bonitinho e Caroline é perfeito.

— É injusto você não me deixar escolher o nome, sou eu quem vai carregar essa criança na barriga por meses e meses. — Fez bico e apertei sua bochecha, ela me xingou e afastou minha mão.

— Quer justiça? Podemos tirar na sorte.

— E correr o risco de perder para meu próprio azar? Não. Vou te convencer que Catherine é o nome ideal. — Voltou a pegar o batom, mas o usou para escrever o nome no espelho.

— Você vai limpar isso — anunciei e deixei o banheiro.

***

Rosalie me entregou um copo de suco e sentou do meu lado, nós dois, Esme e Bella estávamos na sala de TV esperando meu pai e Emmett chegarem. Isabella, sentada junto de mamãe estava falando com Tanya por mensagem sobre meu mau comportamento.

Eu ter falado sobre o futuro presidente do Brasil não só na internet, mas também no show causou caos. Os eleitores dele, incitados pelo próprio, estavam subindo hashtag querendo boicotar minha carreira, também falando mal da minha família, eu tive de ser forte e não mandar uma centena daqueles babacas se foderem por ofenderem Isabella, minha filha e principalmente por estarem revivendo o vídeo do Escândalo Swan sem parar.

— É um monte de gente burra, mais velha e que gosta de lamber o saco de político, ninguém é realmente público alvo do Ed, mas ainda queremos controlar a crise — Tanya tinha dito mais cedo para Bella por ligação.

Bebi um pouco do meu suco e brinquei com as pontas dos cabelos de Rosalie.

— Estou preocupada com esse pessoal te ofendendo, filho — mamãe disse bem nervosa.

— Não, não fique. — Bella guardou seu celular. — Eles estão bem longe do Edward e o que eles fazem é isso, atacar pela internet, a maioria dessas contas ainda devem ser de robôs, não se preocupe, Esme.

Ela suspirou e concordou com um aceno de cabeça.

— Rose e eu precisamos falar com vocês, melhor agora antes do Carlisle chegar — mamãe disse, falando o nome dele com repulsa.

— O que aconteceu? — Soltei os cabelos de Rose.

— Nós duas achamos melhor nos mudarmos — Rosalie respondeu. — Vamos embora ainda essa semana para o apartamento da mamãe, deixar vocês dois terem sua privacidade, principalmente agora com o casamento.

— Não! — Bella gritou desesperada. — Esme, você não pode me deixar! — Agarrou a mão dela. — Quando Donut nascer não vou saber o que fazer, precisarei da sua ajuda, não vá embora, eu imploro.

Mamãe riu suavemente e afagou a mão de Bella.

— Calma, querida. Quando o bebê nascer eu posso vir ficar com vocês por um tempo, certo?

— Promete? — Bella perguntou já chorando.

— Prometo, vou ajudar vocês no que for preciso.

— Ótimo, porque eu vou precisar de muita ajuda. — Isabella a abraçou.

— Não quero que vocês se mudem — falei para minha irmã.

Ela sorriu e deu um tapinha na minha perna.

— Você estará casado em alguns dias, será melhor assim, precisam de seu espaço sem nós duas perambulando por aqui.

— Mas eu gosto de vocês perambulando por aqui — me queixei. — E quem vai aturar comigo a Bella quando ela fica chata? — brinquei e minha noiva me atingiu com uma almofada.

***

Quando meu pai chegou, pouco depois de Emmett, Madonna e Shrek estavam loucos correndo para todo lado e latindo. Mamãe disse que eles precisavam passear e sugeriu que eu os levasse com Emmett para uma volta pelo condomínio antes do jantar chegar, também sugeriu — praticamente ordenou —, que Carlisle fosse junto.

— Vocês ainda não decidiram um nome? — meu pai perguntou, eu levava Madonna pela coleira e Emmett estava com Shrek, mais atrás porque o cachorro estava sendo lento querendo parar em cada canto possível.

— Isabella quer que o nome seja Catherine, eu quero Caroline.

— Eu gosto de Catherine — ele falou, eu bufei.

— Não diz isso pra Bella, estou tentando ganhar.

Ele riu e concordou com um aceno de cabeça.

— Vi o que aconteceu com aquela sua fã brasileira, sinto muito, isso com certeza mexeu com você.

— É, mexeu — sussurrei.

— Como foi o show? Vi alguns vídeos, gostei bastante.

— Foi muito bom. — Dei de ombros. — Quer dizer, maravilhoso, amei que Bella cantou comigo.

— Ela canta bem, sempre cantou, se bobear até eu lembro de uma música ou outra graças a Rose.

Eu ri, ele provavelmente lembraria mesmo.

— Então, ela chama Madonna? — Apontou para a cadela.

— Chama sim.

— Como a cantora?

— Claro, pai.

— Certo — disse hesitante.

— Carlisle, fala o nome de uma das músicas da Madonna — pedi, desconfiando que ele não sabia, mas não estava com raiva, sim achando engraçado.

— Emmett, você é de qual estado mesmo? — ele mudou de assunto rapidamente, olhando para o namorado de Rosalie, eu ri outra vez.

***

Bella estava com um violão em mãos quando voltamos para casa, sentada ao balcão da cozinha com minha mãe e Rose.

— O que estava tocando? — perguntei, fazendo uma careta quando vi minha irmã e Emmett se agarrando no canto da cozinha.

— Anos, sua mãe pediu. — Ela passou o violão para mim e eu sentei no banco ao seu lado.

— O restaurante avisou que ainda vai demorar um pouco para nosso pedido estar aqui — mamãe disse e colocou um pote com amendoim sobre o balcão.

— Saco, estou com fome — reclamei e comi alguns amendoins.

— Isabella — meu pai falou o nome dela. — Edward me disse que você pensou no nome Catherine para o bebê, eu gostei bastante desse.

— Carlisle! — chamei sua atenção.

Bella sorriu vitoriosamente e deixou o banco que estava.

— Viu, pirralho? Até Carlisle sabe que meu gosto é bem melhor que o seu. — Cutucou meu braço. — Agora preciso ir resolver algo lá no quarto. — Seguiu para fora da cozinha, eu apostava que ela queria fazer xixi.

***

Estava tocando I Want It That Way dos Backstreet Boys quando Bella voltou, meu pai conversava com Rose e minha mãe com Emmett. Entretanto, todos se calaram quando Isabella pediu para poder me gravar.

Tell me why. Ain't nothin' but a heartache. Tell me why. Ain't nothin' but a mistake. Tell me why. I never wanna hear you say. I want it that way.*

— Ficou ótimo — ela falou quando parei. — Vou postar.

— Ei gente, preciso falar com todos vocês sobre algo — Rosalie falou. — Quer dizer, Emm, Bella e Ed já sabem de parte do assunto.

— Você está grávida? — Carlisle perguntou tenso.

— Não, pai! — exclamou. — Não é nada disso. É algo completamente diferente…

— Ok, diga o que foi — mamãe exigiu.

— Bom, eu meio que escrevo — Rose sussurrou, mamãe franziu o cenho e Carlisle ficou sério. — E eu meio que terminei de escrever um livro.

— É o conto da garota de programa? Preciso acabar de ler aquilo — Bella declarou e meus pais a encararam. — Esqueçam o que eu disse — murmurou, Emmett riu.

— Obrigada, Isabella — Rosalie agradeceu aborrecida.

— Você está escrevendo contos eróticos? — Carlisle perguntou para ela em choque.

— Mais ou menos, quer dizer, não! — Minha irmã estava muito vermelha. — O livro que acabei de escrever se chama Faça um Pedido, é uma comédia romântica, as cenas de sexo são bens leves. Né, Emmett?

— Sim, sim, bem leves — ele concordou, também estava corado.

— Por que ele já leu e eu ainda não? — Bella perguntou aborrecida.

— Porque você não me escolheu como madrinha da sua filha — Rose recrutou.

— Rosalie — mamãe a chamou. — Desde quando você escreve?

— Há anos — murmurou. — Nunca senti segurança para contar para vocês dois. — Gesticulou de mamãe para nosso pai. — Pra Ed também não, ele descobriu sem querer algum tempo atrás.

— Eu adorei o pouco que li daquela história da garota… Vocês já sabem. — Bella deu de ombros.

— Depois falamos sobre isso, Isabella — Rose falou. — Enfim, eu acabei Faça um Pedido e pensei em enviar para uma editora, talvez consiga publicar.

— Isabella e eu podemos falar com algumas pessoas e…

— Não — Rose me interrompeu. — Se eu for ser publicada quero que seja por conta própria, por isso nem enviarei com meu nome, vou colocar um pseudônimo.

— Certo, mas se mudar de ideia pode falar comigo. Não conheço muita gente do meio literário, porém posso conseguir contatos — Bella disse.

— Tá bom. — Rose se voltou para meus pais. — O que vocês acham?

Mamãe sorriu largamente e foi abraçar minha irmã gêmea.

— Estou feliz de saber disso tudo, filha. Quero ler seu livro e vou torcer para você conseguir uma publicação.

— Obrigada, mãe. — Rose estava claramente aliviada, mas não muito, ainda faltava saber a opinião de Carlisle.

Este olhou em minha direção antes de dizer para ela:

— Tenho certeza de que você será publicada, querida.

Suspirei, aliviado. Ele tinha errado comigo quando sempre ia contra minha carreira, mas estava tentando se redimir com Rosalie.

***

Meu braço foi pressionado com força, eu resmunguei e Bella me soltou. Estávamos na cama mais tarde naquele dia, ela lendo em seu celular o arquivo do conto da garota de programa escrito por Rosalie e eu perdendo tempo na internet.

— Ela matou um cara com dezesseis anos! — Bella gritou.

— Quem?

— A garota de programa. Você precisa ler isso, pirralho!

— O sexo aí é mais explícito, me recuso sabendo que foi minha irmã que escreveu.

Bella bufou e chutou minha perna.

— Opa, sem querer.

— Aham, sei que foi. — Me afastei um pouco dela.

Entrei no perfil do Portal Beward no Twitter e vi sua última publicação, a repostagem do vídeo que Bella compartilhou de mim.

"Enquanto o jantar não chega…" — Isabella Swan via Instagram

Dêem play no vídeo e sejam abençoados com Ed cantando Backstreet Boys!"

Curti a publicação deles e voltei para a página inicial do aplicativo, a primeira coisa que vi ali foi.

"Enrico, namorado de Leah Clearwater, revela em teaser do reality show Leah & Enrico que transou com Isabella Swan."

Notas finais
*Olhe dentro. Olhe dentro da sua mente minúscula. Depois olhe mais atentamente. Porque ficamos tão desanimados. Tão de saco cheio. De todo ódio que você alimenta. Então você diz. Que não é certo ser gay Bem, eu te acho simplesmente do mal. Você é apenas um racista que. Não consegue sequer disfarçar isso. Seu ponto de vista é medieval. * Vá se foder. Vá se foder muito, muito mesmo. Porque odiamos o que você faz. E odiamos toda a sua turma. Então, por favor, não mantenha contato. Vá se foder. Vá se foder muito, muito mesmo. Porque suas palavras não condizem. E está ficando muito tarde. Então, por favor, não mantenha contato. *Diga-me por que. Não foi nada além de uma magoa. Diga-me por que. Não foi nada além de um erro. Diga-me por que. Eu nunca quero te ouvir dizer. Eu quero assim. Beijos! Lola Royal. 25.03.20