Hollywood
79 Capítulo Setenta e Oito
Notas iniciais
Capítulo Setenta e Oito
Edward Cullen
"Ed Cullen está gravando música nova?"
Cantar era algo que eu amava incondicionalmente, mas explorar outras áreas da música era muito bom também.
***
Tirei Woody de perto do pote de ração de Shrek e levei o gato até o dele, porém, obviamente aquele animal voltou para onde estava antes. Eu apostava que ele era um ser racional e estava fazendo aquilo com a intenção de me provocar.
— Essa não é a sua comida, Woody! — protestei e o tirei de lá novamente, não adiantou. — Capitã, você pode me ajudar aqui? — implorei por sua ajuda, ela estava sentada ao balcão comendo torradas e tomando um grande copo de leite.
— Tô comendo — respondeu de boca cheia.
— Mas o Woody não para de querer a ração do Shrek — me ergui com o gato nos braços, ele tentava se soltar de mim e quando quase me arranhou o deixei ir para o chão. — Ele não pode comer a ração do cachorro. Woody isso não é pra você! — exclamei para o gato irritante.
— Suspende a ração do Shrek, Edward. — Deu de ombros.
— Não posso, olha só! — Apontei para Shrek que resolveu entrar na cozinha naquele momento, mas ele não se abateu com Woody comendo sua ração e foi comer a de Amy. — Ah pronto, excelente!
Bella riu.
— Você está se estressando muito com a dieta deles, pirralho.
— Não quero ninguém passando mal — me defendi e fui lavar minhas mãos para eu poder tomar meu café da manhã. — Com certeza não precisamos de mais problema.
— Você precisa do dia de folga? — ela indagou com olhar de preocupação.
— Não, não preciso. — Tirei o suco da geladeira e coloquei em um copo. — Só preciso que essa gente filha da puta suma de uma vez por todas do nosso caminho, Capitã.
— Eles vão — garantiu. — Por isso estamos gastando uma nota com advogados.
Só naquela manhã já tínhamos recebido intimações para depor sobre o caso que abrimos contra Kevin e Helena, teríamos de prestar depoimento na quinta-feira. Nós também já tínhamos acionado nossos advogados para que eles conseguissem na justiça uma forma de proibir Leah e Enrico de falarem da gente em seu reality show de merda, o que deveríamos ter feito antes deles soltarem aquele teaser maldito que o dançarino falava sobre ter transado com Isabella.
— Agora senta e come um pouco — pediu.
Assim que peguei o resto do que queria comer sentei ao seu lado.
— Como você não está surtando com o que Enrico disse?
Ela tinha ficado nervosa quando na noite passada eu contei sobre e vimos o teaser, mas conseguiu dormir antes de mim e estava bem tranquila aquela manhã.
— Tô tentando me manter sã, mesmo isso sendo bem difícil, não adianta eu ficar surtando, preciso ser prática e fazer as coisas funcionarem. Odiei que ele expôs que transamos, mas sinceramente isso é mínimo perto de todo o resto que já passei, agora está nas mãos dos advogados resolverem isso e eu vou ficar o mais tranquila possível pra garantir que Catherine e eu fiquemos bem.
Franzi o cenho e falei:
— O nome dela não será Catherine.
— Será sim. — Piscou para mim. — Não me vejo a chamando por outro nome agora.
— Consegue sim, porque será Caroline.
— Catherine é melhor e você sabe disso, só está querendo ser do contra. Olha como o nome fica perfeito em todas as situações.
Ela limpou a garganta, mexeu em seus cabelos e colocou um sorriso no rosto, por fim pegou o saco de pão que eu tinha levado para o balcão e o segurou em seus braços e ficou olhando para ele. Balancei a cabeça em negação, eu sabia que ela estava preparando uma atuação.
— Catherine, você tem os olhos do seu pai, bebê. Caramba, eu te amo tanto, garota!
Segurei uma risada.
— Posso? — perguntei apontando para o saco de pão.
— Claro — Bella concordou. — Vai com o seu pai, Catherine.
Revirei os olhos e peguei "minha filha".
— Caroline — falei com o olhar direcionado para o saco de pão. — Você pode ser feita de trigo, mas juro que vou te amar, tá bom?
— Farinha de trigo integral — Bella disse com seriedade e olhei para ela. — Mais doze grãos, ela é um pãozinho caro.
— Bom, esse pãozinho não vai se chamar Catherine. Aliás, eu prefiro chamar de pãozinho a Catherine. — Sorri vitoriosamente, Bella arrancou o saco da minha mão e bateu com ele no meu braço.
— Por que vocês estão brigando? — mamãe apareceu na cozinha, estava no quintal antes falando ao celular com alguém.
— Edward está sendo mau comigo se recusando a aceitar o nome Catherine. Dê um jeito no seu filho, Esme.
— Sabe, eu pensei em outro nome — minha mãe falou. — Beatrice.
Bella e eu nos olhamos, estava claro que nós dois odiamos aquele nome.
— Não vai rolar, Esme — a minha noiva declarou. — Estamos mesmo entre Caroline e Catherine.
Ela bufou e foi se servir de café, eu comecei a comer, já tinha enrolado muito.
— Mudando de assunto, eu estava falando com o Aro…
— Love is in the air* — Bella cantarolou a música do John Paul Young interrompendo mamãe e me fazendo gargalhar.
— Posso terminar de falar, Isabella? — Esme indagou em tom de voz autoritário e a empresária se calou, mas estava sorrindo. — E você pode parar de rir agora — ordenou para mim e eu parei imediatamente. — Enfim, Aro me ligou, ele quer que eu conheça o neto dele filho do Alec. Ele vai visitar o bebê hoje e me convidou para ir, vocês bem que poderiam me acompanhar, né? Rosalie terá aula até mais tarde.
— Na casa da Amber? Ela me odeia — lembrei. — E se a mãe dela e Alison estiverem lá vai ficar um clima pior, quando fui visitar o Samuel da outra vez até que consegui evitar um constrangimento maior, mas não sei se conseguimos de novo se for uma visita mais longa.
— Eu quero conhecer o bebê, Edward não vai, mas eu vou — Bella anunciou.
— Linda, Amber odeia sua irmã.
— Ah é, tem isso. Mas Samuel não é filho só dá Amber e eu não sou a Ness, vou ligar pro Alec depois e ver se tudo bem por ele nós formos na visita. — Bella se levantou e bagunçou meus cabelos. — Agora come mais rápido, ainda precisamos ir ao seu médico.
Suspirei e me concentrei em comer, eu iria ver meu psiquiatra para ele atestar de uma vez se precisaria voltar a tomar remédios, ou se estava livre disso.
***
Bella encostou a cabeça no meu ombro e pegou seu celular, estávamos presos em um fodido engarrafamento depois de sairmos do consultório do meu médico. Ao menos não precisaria tomar remédios continuamente, ele decidiu que poderia ficar sem eles, mas obviamente eu deveria continuar com a terapia e se ficasse muito mal entraríamos com medicação diária.
— Kate já tá enchendo o saco pela sua demora — Isabella falou digitando uma mensagem de volta para a cantora.
Naquele dia ela começaria a gravar seu próximo álbum e eu produziria a música que Bella tinha escrito — Certo — e dado para Kate gravar.
— Onde eu fui me meter? vou ter que aturar a Kate chorando.
Minha noiva riu alto, mas parou rapidamente.
— Opa, Alice tá mandando mensagem pra falar da minha despedida de solteira. — Sentou ereta no banco, naquele momento meu celular tocou, o tirei do bolso da calça e atendi a ligação que era de Jane.
— Olá! — exclamei, ela com certeza queria falar sobre a minha despedida de solteiro, que estava organizando nos últimos dias.
— Olá! — ela praticamente gritou no meu ouvido. — Você tem algo marcado para amanhã de noite? Nove horas para ser mais exata.
— Não, não tenho, sou todo seu e das strippers.
Bella beliscou meu braço, eu ri e beijei sua cabeça.
— Perfeito, amanhã às nove aqui no meu apartamento. Depois, lá por volta de meia-noite, nós vamos encontrar a sua futura esposa e as garotas que estarão com ela em um bar de karaokê, teremos uma sala reservada só pra gente.
— Sério? Eu adorei essa ideia.
Olhei para Bella e ela sussurrou:
— Karaokê?
Assenti.
— Sério, Alice e eu achamos que seria legal que vocês dois tivessem uma segunda parte da festa juntos e fazendo algo que gostam, cantar. Mas, se quiserem um lugar pra transar também lá no bar eu posso dar um jeito.
— Jane, eu te amo — me declarei.
— Docinho, você vai casar no sábado, nosso amor terá que ser cancelado aqui — debochou.
— Tudo bem, eu vou superar você casando com a Bella — debochei de volta.
— Poxa, a Jane não te disse? — Bella questionou. — Nós duas temos um caso, perdeu, Edward.
— Diz pra Bella que se ela realmente quiser ter um caso comigo tô disposta — Jane falou em meu ouvido.
— Para de tentar furar meu olho, Jane. Tchau!
***
Entrei na sala e vi a loira olhar para mim com raiva, por sorte ela ainda não estava chorando.
— O trânsito estava horrível — me justifiquei antes que ela falasse algo.
— Eu já estou surtando, Ed — Kate proclamou, lancei um olhar para Laurent que também estava na sala, mas ele estava dando tudo de si para não rir e ficou quieto. — Meu álbum será azarado, tenho certeza disso. Hoje quando acordei eu bati o pé na porta, depois encontrei uma espinha! — Apontou para sua bochecha. — São péssimos sinais, meu álbum será um fracasso, em um ano ninguém irá lembrar de mim.
Então, como esperado, Kate começou a chorar.
— Não, não, não chore, Kate! — Laurent implorou, entrando em desespero. — Claro que irão lembrar de você, Kate. Quem esqueceria de Kate Allen? Você é uma estrela!
— Eu sou? — perguntou fungando.
— Claro que é, todos te amam e sempre irão amar. Vão fazer até filmes sobre sua história, não é, Edward?
— Sim? — falei na dúvida.
— Sim! — Laurent me encarou como se quisesse me matar por eu não estar sendo convincente.
— Tá ok — Kate sussurrou, parando de chorar um pouco. — Espero mesmo que façam filmes, séries e documentários sobre mim. Vou arrumar minha maquiagem, com licença. — Deixou a sala levando sua bolsa.
— Cara, você tem que agradar a Kate — Laurent sussurrou. — Quando ela começar a chorar levanta a moral dela, ou a garota vai chorar pelo resto do dia.
— Ok, ok, entendido.
Quando Kate voltou falei o que Bella, que tinha fugido daquela gravação e ido pra produtora, me mandou fazer.
— Posso tirar uma foto sua? Preciso compartilhar no meu Instagram, você também precisa postar uma minha, ordens da Isabella.
— Por que a Bella não veio? — Kate já estava com cara de choro outra vez.
Agi rápido como Laurent me ensinou.
— Ela não achou que seria necessário, você é uma cantora tão boa que Isabella disse que nem ia precisar dela aqui pra nada. — Para completar eu sorri.
— Sim! — exclamou animada. — Eu sou mesmo ótima.
— Extraordinária, podemos tirar as fotos agora?
— Claro, claro.
Nós tiramos as fotos, uma dela sozinha em uma pose de vencedora, que compartilhei com a legenda:
"Lá vamos nós! @kateallen"
E uma foto nossa, onde estávamos mexendo na mesa de som, que ela postou com a frase:
"Coisas boas estão por vir!!!"
— Animado para começar a produzir para outros artistas? — Laurent me perguntou, enquanto Kate se preparava para entrar na cabine de gravação para um primeiro teste da música. — Vai fazer muito isso de agora em diante.
Eu sabia, estávamos esperando só uma confirmação, mas provavelmente no dia seguinte Bella e eu já assinaríamos a compra da nossa porcentagem da gravadora. Com isso, eu teria muito mais espaço lá dentro com os outros artistas, não só com Kate.
— Muito, mas não sou o melhor produtor nem de longe, você vai me ajudar, né? — perguntei humildemente, Laurent era foda produzindo e foi quem abriu as portas da gravadora para mim quando estava na merda ao sair da reabilitação, aprender com ele seria bom.
— Claro, o primeiro passo você já sabe, não deixar Kate chorar, ou será um dia perdido.
***
Entrei no carro e imediatamente beijei Isabella, um barulhento beijo em sua bochecha. Ela riu e me beijou de volta, colocando seus lábios nos meus.
— Senti sua falta, linda — falei quando nos separamos e afastei uma mecha de cabelo do seu rosto. — Como foi seu dia?
— Cheio — respondeu. — Mas sua mãe e eu ainda tivemos tempo de fazer umas compras para o bebê na hora do almoço.
— Aliás, cadê ela? — questionei. Já era noite naquele dia de terça-feira, nós dois e minha mãe iríamos fazer a visita para Samuel, Bella tinha falado com Alec e ele disse que poderíamos ir sem problemas.
— Precisou ficar até mais tarde na ONG, está indo direto de lá. Como foi a gravação? Quer dizer, as gravações. Quero saber tudo, deveria ter estado lá, mas tenho muito que resolver na produtora, está uma bagunça nos últimos tempos. Também tem os preparativos para o casamento, a compra da gravadora, até o final de semana vou ficar maluca com tanta coisa pra fazer.
— Ei, não, você não vai ficar maluca. Lembra que não pode fazer um milhão de coisas ao mesmo tempo, nem precisa fazer tudo perfeito.
— É, eu sei. Vamos, me conta sobre as gravações, amor.
— Foram ótimas. Obviamente no começo da gravação com a Kate eu estava tendo que lidar com ela chorando por tudo, mas depois de um tempo as coisas se acalmaram e fomos bem produtivos. Sua música está sendo bem cuidada. — Pisquei pra ela.
— Excelente e a gravação de Garota?
De tarde eu tinha deixado a sala da gravadora que estava com Kate e fui para outra, precisava começar a gravar Garota para ela ser lançada no Natal. Bella também já tinha tudo programado para a gravação do clipe da canção que ela iria dirigir, eu estava muito animado por tudo isso.
— Tô cheio de vídeos pra te mostrar sobre isso, será melhor do que eu ficar falando sobre. Aqui! — Saquei o celular do bolso e coloquei na galeria, tomando cuidado para Bella não ver as fotos que tirei com minha roupa para o casamento, ela tinha ido me buscar justamente onde me encontrei com o alfaiate, mas o que eu vestiria também seria uma surpresa para ela. Porém, claro que eu tinha Tanya e minha figurinista ajudando com tudo.
Comecei a mostrar os vídeos para ela, tanto das gravações de Garota como as de Certo com Kate também. Bella me ouvia atentamente, às vezes comentava uma coisa ou outra, mas estava até bem quieta.
— Então, é isso — finalizei quando o último vídeo chegou ao fim. — Por que você está tão silenciosa, Capitã?
Ela deu um sorriso pequeno e revelou:
— Só estava observando como você está animado com tudo isso, produzir a canção para o álbum da Kate, gravar Garota. É muito legal ver como você fica empolgado falando sobre música. — Segurou em minha mão. — Eu amo te ver feliz assim, deixa meu coração feliz também.
Sorri para ela e apoiei minha testa na sua.
— Amo você, Capitã.
— Eu quero lançar Anos, oficialmente — confidenciou, fazendo meu coração disparar.
— Você quer? — Olhei para seu rosto, seus olhos estavam marejados.
— Sim. — Mordeu o lábio inferior por um segundo. — Ano que vem… Ano que vem entro no estúdio para gravar e lanço, mas não estou falando que irei gravar um álbum, é só uma música.
Eu concordei com um aceno de cabeça, mas sabia que aquilo seria um ótimo primeiro passo.
— Tive uma ideia, linda.
— Edward…
— Por favor, me escuta — pedi.
— Tá, pode falar!
***
Alec abriu a porta para a gente segurando uma fralda suja na mão, torci o nariz para o cheiro, era muito ruim. E em alguns meses eu teria de lidar com várias fraldas sujas da minha filha, não estava ansioso por isso.
— Bem na hora, olha o presente, Ed! — Alec jogou a fralda em mim, mas consegui desviar e aquela bomba caiu no chão.
— Muito maduro — Bella resmungou afastando seu pé da fralda. — Aparentemente Samuel tem alguém da idade dele pra brincar.
— Sua filha também terá — Alec provocou Bella e apontou para mim, claro que ela riu de mim.
— Podemos parar de papo furado e entrar? E Alec recolhe essa bomba. — Apontei para a fralda.
— Vai se acostumando com elas, cara — Alec disse e pegou a fralda do chão, deixando com que entrássemos na casa.
— Se eu fizer Caroline dormir todas as noites você troca as fraldas sozinha? — sugeri para Isabella.
— Nem pensar e ela não se chamará Caroline.
— Eu gosto de Caroline — Alec expôs sua opinião.
— Ninguém te perguntou, Volturi — Bella o cortou e ele ameaçou passar a fralda no cabelo dela, mas ela também conseguiu se afastar. — Nem ouse, vou casar no sábado, nada pode dar errado com meu cabelo… Ai, ele é lindo! — exclamou quando entramos na sala e vimos Samuel no colo de Aro, Amber também estava lá, sentada no sofá e visivelmente furiosa, seu olhar era direcionado para mim, claro.
— Oi, Isabella. Oi, Ed — Aro falou com a gente, eu apenas assenti e não puxei papo, não por ter qualquer raiva do pai de Jane, mas por temer que eu falar muito fizesse Amber voar no meu pescoço de raiva e me estrangular. Não poderia morrer antes de Caroline nascer, nem de ver Bella lançando sua música.
— Oi, Aro. — Minha empresária se aproximou dele, mas estava focada em Samuel. — Você é muito lindo, bebê. Eu já estou apaixonada por você, posso te segurar?
— Lave as mãos — Amber ordenou para Isabella, seu tom de voz era tão furioso quanto sua expressão.
— Vem, gente — Alec chamou por nós dois e o seguimos até um banheiro, onde ele se livrou da fralda e lavamos nossas mãos como se estivéssemos prestes a entrar numa sala de cirurgia.
Voltamos para a sala e Alec desligou a televisão, estava sem som, mas noticiava a morte de um agente do FBI em um acidente aéreo. Eu agradeci por isso, meu medo estava controlado, não precisava ficar me apavorando
— Pronto bebê, vem pra mim! — Bella disse para Samuel, ele estava acordado e com uma chupeta.
— Vai com a tia Isabella, Sam. — Aro passou o neto para ela, não me surpreendi que Bella o pegou muito facilmente e com jeito. Ela já era mais velha quando Ness nasceu e amiga de Tanya quando essa teve Valentina.
— Você gosta da sua chupeta, lindinho? Eu adorei que ela é laranja, muito estilosa. E esses olhos azuis? São tão lindos! — Bella olhou para Amber e sorrindo falou. — Ele é tão lindo, sério.
Amber se permitiu sorrir.
— Ele é sim, só não é legal quando quero dormir, não caia nesse charme todo que me deixa acordada a noite inteira.
— Você tem que deixar sua mãe dormir, Sam. — Bella andou até o sofá e sentou ali. — Ela precisa descansar.
— Ed, cadê sua mãe? — Aro me perguntou.
— Está vindo da ONG, é um pouco longe daqui.
— Ah sim, okay.
— Calma, pai. Sua namorada já está vindo. — Alec deu uma batidinha do braço de Aro, que rolou os olhos.
— De quanto tempo você está grávida mesmo? — Amber questionou Isabella.
— Onze semanas hoje — contou. — Está passando até que rápido.
Amber assentiu.
— Sim, passa bem rápido, especialmente no final. Parece que pisquei e estava com esse menino nos braços. — Se aproximou mais um pouco de Bella no sofá. — Nossa, o seu anel de noivado é imenso. Infelizmente seu noivo não tem nem metade de tamanho em caráter.
Claro, estava demorando muito para ela me atacar.
— Amber! — Alec chamou a atenção dela e Bella perdeu seu sorriso.
— O quê? Tô falando a verdade, Ed Cullen adora trair. — Olhou para mim. — Espero que você seja um bom pai, mas um bom marido nós sabemos bem que não será, não consegue nem ser um bom namorado.
Eu me mantive quieto, queria discutir com ela, mas não a atacaria na sua própria casa e não iria gritar na frente do bebê. Também não iria explodir e deixar Bella nervosa.
— Amber, por favor, se controla — Alec pediu.
— Pode deixar, Alec. — Ela se levantou. — Vou ficar lá em cima com a minha mãe e irmã. Pode curtir com seu amiguinho cretino, eu que deveria ter sacado logo de cara que você seria um babaca que nem ele. Aliás, mande um oi para sua irmã, Isabella, diga que ela conseguiu destruir meu casamento e uma família.
Bella respirou fundo, Alec abriu a boca para rebater, mas Aro segurou no braço dele e Amber seguiu para a escada.
— Alec, você quer que a gente vá embora? — Bella perguntou baixinho quando Amber não estava mais por perto.
— Não, vocês podem ficar. — Ele forçou um sorriso. — Samuel adorou seu colo.
Bella voltou a sorrir e concordou com um aceno de cabeça.
— Ele já adora a tia Bella! — Mexeu nos cabelos de Samuel. — E não se preocupe, Sam, eu com certeza comprei um presente para você, só que ele será entregue amanhã.
— O que você comprou? — Alec e eu perguntamos juntos.
— Um piano.
— Bella, ele é um bebê de menos de dois meses. — Alec riu.
— Ele vai crescer e quando crescer terá seu próprio piano. É um presente meu e da Esme, na verdade. — Olhou para mim e entendi tudo, minha mãe tinha contado sobre seu primeiro piano, que herdou do falecido marido de sua vizinha e que sua mãe quis vender. — Se quiser ser um músico já terá seu instrumento para praticar.
— Isso foi uma excelente ideia — falei e sentei junto de Bella.
— Espero que dê pra transportar um piano em um avião, porque Amber vai pra Inglaterra no começo do ano. Consegui a convencer a ficar aqui até às festas, mas depois disso ela vai embora com meu filho — Alec murmurou triste.
— Você vai junto? — Bella indagou.
— Provavelmente, eu não quero deixá-lo.
***
Eu estava tirando uma foto de Bella com Sam quando mamãe chegou, vindo da entrada da casa de mãos dadas com Aro — que tinha ido abrir a porta —, o que não deixei de notar, nem Bella, muito menos Alec.
— Esme, eu tenho que te chamar de madrasta agora? — Ele apontou para as mãos unidas dos dois, mamãe corou e eles se soltaram.
— Vou lavar as mãos pra pegar o Samuel — ela falou. — Onde é o banheiro?
— Por aqui, quer… Esme. — Aro rapidamente a levou até lá.
— Cara, nós somos quase irmãos com esses dois se pegando — Alec proferiu, eu ri e apoiei meus braços no encosto do sofá, olhando para Samuel.
— Isso quer dizer que sou oficialmente seu tio, Sam. Você vai ver como sou mais legal que o seu pai.
— Vai sonhando, Ed!
— Posso pegar ele agora! — mamãe exclamou quando voltou pra sala com Aro, o diretor e ela estavam bem sorridentes.
— Não, eu não quero soltar ele — Bella choramingou.
— Por favor, vai ser rapidinho. — Mamãe sentou ao seu lado e estendeu as mãos, Bella reclamou, mas entregou Samuel para ela. — Ai, ele é lindo. Oi, Samuel. — O arrumou em seu colo.
— Ele é muito parecido com Alec, é como ver meu filho bebê outra vez — Aro disse orgulhoso.
Esme sorriu para ele e depois para mim.
— Mal vejo a hora da nossa garotinha nascer para sabermos se ela vai se parecer mais com você ou com Bella.
— Espero que com a Bella, a coitada não merece ser a cara do Edward.
— Vai tomar no cu, Alec! — rebati.
— Edward, modos na frente do Samuel — mamãe exigiu.
— Você é avó agora, Esme! — Bella exclamou para minha mãe.
— Sim, mal vejo a hora da minha neta nascer.
— Não, eu não tô falando da Donut, tava falando do Sam. Se você é a nova madrasta do Alec é avó do filho dele.
— Aro e eu não estamos namorando — disse envergonhada, Alec e eu gargalhamos, ele foi atingido por um tapa na cabeça dado pelo pai.
— Bella já contou qual o presente do Sam? — mamãe mudou de assunto.
***
Esme saiu para jantar com Aro depois da visita, ela também disse que não dormiria na minha casa aquele dia e iria para seu apartamento. Eu tentei evitar pensar que isso significaria outra coisa, não precisava imaginar minha mãe…
— O que vamos pedir pra jantar? — indaguei Isabella quando o carro entrou no condomínio que morávamos.
Ela estava ao celular postando sua foto com Samuel, Alec e Amber tinham postado as primeiras fotos dele nas suas redes sociais aquela tarde, então estávamos liberados. Eu já tinha postado, a primeira que tirei com ele quando fui o conhecer no mês anterior e uma que tirei aquela noite de nós dois com Isabella.
A legenda dela dizia:
"Oi, Samuel!"
E a minha:
"Estamos treinando, Samuel tem sido bem paciente com a gente. Obrigado por tudo, Sam, você é incrível!"
— Não sei, nem tô com fome. — Guardou seu celular. — Tô mesmo é com vontade de dormir, amanhã será outro longo dia.
— E um dia mais perto de você se tornar minha esposa. — Beijei a ponta do seu nariz e afaguei sua barriga. — Oi, Caroline. Você se divertiu hoje conhecendo o Sam?
— O nome dela é Catherine.
— Caroline.
Bella bufou e se afastou de mim.
— Vamos fazer assim, ela se chamará Catherine, no futuro se tivermos outra menina ela poderá se chamar Caroline — sugeriu.
— Não, essa pode se chamar Caroline e a outra Catherine.
— Não, minha ideia é melhor.
— Nada feito.
O carro parou na frente da mansão e abri a porta.
— Você vai me deixar doida, Edward — ela disse quando saiu do carro. Emmett, que estava no banco do carona também saiu, enquanto o motorista levava o carro para a garagem e o outro que vinha com outros seguranças meus e de Bella ia pelo mesmo caminho.
— Gente — Emmett murmurou.
— Sim? — Bella se virou para ele.
— Preciso conversar com vocês, é um assunto importante.
— O que você fez pra minha irmã? — questionei.
— O quê? Não, eu não fiz nada para Rosalie — respondeu. — Ela nem é parte do assunto.
— Ok, acho bom. Vamos conversar lá dentro! — Segui até o interior da mansão, com ele e Bella me seguindo.
Fomos para a cozinha e consegui pegar um copo de água depois de dar um pouco de atenção para Shrek e Madonna.
— O que aconteceu, Emmett? — Bella perguntou preocupada e sentou a mesa, fui sentar ao lado dela, ele preferiu ficar em pé.
— Primeiro, quero agradecer por vocês terem me dado esse trabalho, não quero fazer isso por qualquer problema relacionado a vocês, é uma escolha pessoal. Bom, eu decidi voltar a tentar a carreira de ator. Na verdade fui convidado para atuar em uma peça pequena de um amigo, provavelmente será um fracasso de bilheteria — disse nervoso. — Mas fiquei animado com a oportunidade. A partir disso vou voltar a fazer testes para filmes e séries, quem sabe algo aconteça.
— Emmett, posso te ajudar a conseguir um bom papel no cinema ou na TV — Bella lembrou.
— Não, nem pensar — Emmett negou. — Agradeço isso, mas quero conseguir sozinho. E já vou acabar sendo reconhecido por Ed e Rose, o que não queria, não preciso de mais privilégios.
Isabella rolou os olhos e eu balancei a cabeça em negação, ter privilégios era o meio mais fácil de crescer em Hollywood.
— Você e Rosalie precisam ser tão orgulhosos negando minha ajuda? — ela protestou. — Seria bom pra você.
— Eu sei, mas não seria justo.
— É, você com certeza é o cara certo pra minha irmã — declarei.
— Sim! — Bella exclamou. — Par perfeito. É isso, Emmett, você tá demitido.
— Eu pedi demissão — falou confuso.
— Sou uma mulher grávida, não tire de mim a diversão de demitir alguém.
***
A casa estava uma loucura naquela manhã de quarta-feira, Rosalie e minha mãe — que tinha aparecido ali cedo, mas bem animadinha —, organizam suas coisas que iriam para o apartamento delas para que se mudassem de vez. Em contrapartida recebíamos os móveis de Bella que estavam vindo da sua casa no condomínio e de lá Ness organizava sua mudança para a casa do Caipira Swan.
— Sim, esse é um bom lugar para meu piano — Bella concluiu quando os carregadores colocaram o instrumento em uma das salas do primeiro andar. — O que achou, amor? — perguntou para mim.
— Perfeito — respondi e peguei Woody no pulo, literalmente, antes dele atacar o piano. — Nem pensar, coisinha. Vou levar ele lá pra fora.
Deixei a sala e fui até o quintal, coloquei o gato lá e voltei para dentro de casa. A cozinha estava vazia, mas logo Emmett apareceu ali carregando um envelope visivelmente pesado em mãos.
— Veio ajudar mamãe e Rose? — perguntei, afinal ele já tinha sido oficialmente demitido, ou melhor, pedido sua demissão na noite anterior e não trabalharia mais pra gente. Bella já estava contratando alguém para ficar no lugar dele.
— Sim, elas vão precisar de ajuda para subir com as coisas para o apartamento. Isso é para você e Isabella. — Sinalizou o envelope.
— Aqui. — Bella surgiu atrás dele e pegou o envelope. — Edward, é nosso acordo pré-nupcial, vamos assinar agora que mais tarde entrego para os advogados.
— Certo. Emmett, minha mãe e Rosalie estão lá em cima no quarto da mamãe, pode ir lá ajudar elas.
— Beleza — Emmett foi atrás delas.
— Procura uma caneta — Bella ordenou para mim enquanto abria o envelope e tirava os papéis.
Revirei as gavetas da cozinha e encontrei uma caneta, entregando para ela.
— É isso, Cullen. Vamos casar. — Começou a assinar tudo.
Eu sorri e me aproximei mais dela.
— Quem diria, né? Nem parece que a gente queria se matar no começo.
— Se te conforta tem horas que ainda quero enfiar a mão na sua cara.
— Pode fazer isso, eu iria gostar.
Ela tirou os olhos do papel para me olhar e falou:
— Sem tempo pra foder agora. Porém, mais tarde depois das nossas despedidas vamos fazer aquilo. O seu pedido especial para essa noite já chegou, tá lá no nosso quarto.
***
Jasper estava encarando a parede quando entrei na sala de gravação, eu começaria aquele dia dando continuidade as gravações de Garota.
— Que foi? Você tá vendo um fantasma na parede? — indaguei e fechei a porta, ainda éramos só nós dois ali.
— Ei, oi! — Parou de encarar a parede. — Nem te ouvi entrar.
— O que tá rolando?
— Nada, tava só pensando em Alice. — Ele levantou da cadeira que estava.
— Jasper…
— Não, cara — me interrompeu. — Não quero falar disso agora.
***
Mais tarde naquele dia Isabella postou em seu Instagram uma nova foto — enviada para ela por Alec — de Samuel, aquela era dos pés do bebê sobre o piano que ela e minha mãe deram de presente para ele. Sua legenda era:
"Espero que tenha gostado do presente e que a música seja parte da sua vida. Beijos, pequeno Sam!"
— Ed, te vejo mais tarde pra gravar com a Kate — Laurent falou antes de sair da sala de gravação, era horário do almoço e todos estavam saindo, eu logo sairia também. Meu pai queria almoçar comigo e Rosalie, faríamos isso em um restaurante perto da gravadora.
— Tá foda aguentar a Kate? — Jasper perguntou quando todos os outros saíram e ficamos sozinhos, Bella naquele momento me mandou uma mensagem, era sobre almofadas para uma das salas da nossa casa.
— Tô pegando o jeito, basta não dar motivos pra ela chorar, o foda é que tudo acaba sendo motivo para choro — respondi enquanto dizia para Bella minhas almofadas preferidas. — Essa aqui ou essa? — Mostrei para Jasper duas das almofadas, uma verde e outra azul.
Ele franziu o cenho.
— Sei lá. Qualquer uma.
— Não pode ser qualquer uma, tem que combinar com o resto. Acho que a verde, mas a azul por si só é mais bonita, apesar de que… — Minha linha de raciocínio foi interrompida pela porta sendo aberta, quem estava entrando ali era Alice. — Olha só, olá, cunhada!
— Olá, cara que engravidou minha irmã. — Riu para mim e beijou a bochecha de Jasper. — E oi, você.
Ele não disse nada em resposta, no lugar disso começou a beijar ela. Eu resmunguei e fui para perto da porta a trancar e impedir que alguém visse os dois se pegando, Alice era noiva e seria um novo escândalo para a família Swan se descobrissem que ela estava tendo um rolo com Jasper.
Enquanto eles se agarravam continuei respondendo Bella sobre as almofadas e por fim, quando o não casal parou de se engolir, falei:
— Preciso sair para almoçar com Carlisle e Rosalie, não sejam pegos.
— Não vamos — Alice murmurou, Jasper suspirou.
***
Meu pai e minha irmã já estavam no restaurante quando cheguei lá, para minha felicidade Rosalie já tinha pedido entrada para mim e eu pude comer algo logo e segurar a fome que estava sentindo.
— Como tá indo a gravação da música nova? — ela me perguntou.
— Incrível, mal vejo a hora de lançar, o clipe com certeza vai ficar muito legal também.
— Ansiosa por isso — Rose afirmou.
— Pai, tudo bem? — perguntei para ele que não parava de se abanar com o cardápio.
— Tudo, só essa cidade que é muito quente, em pleno dezembro, isso está errado.
Rosalie riu suavemente.
— É realmente quente.
— Eu prefiro isso ao frio, acho que congelaria se tivesse que passar muito tempo no frio da Inglaterra de novo — emendei.
— Queria falar sobre a Inglaterra — Carlisle disse em tom de aviso.
— Vai nos dar aula de história? — indaguei e bebi um pouco da minha Coca-Cola.
— Não. Eu queria falar sobre a possibilidade de vocês irem até Bath para meu casamento com Emma.
Rosalie e eu ficamos em silêncio, silêncio absoluto.
— Sei que é um assunto delicado para vocês dois, mas gostaria que fossem e que levassem Isabella e Emmett. Será algo simples, em janeiro, vamos casar no cartório e apenas sair para jantar depois. Lá nós também poderemos cuidar de passar a casa para o nome de vocês.
Rosalie e eu continuamos quietos, mas quebrei o silêncio primeiro.
— Não posso afirmar que Isabella irá comigo, mas eu farei de tudo para ir, Carlisle.
Meu pai sorriu para mim, feliz e aliviado.
— Eu também — Rose sussurrou. — Vou tentar ir, pai. E ver se Emmett poderá me acompanhar.
— Fico feliz por isso, muito obrigado — Carlisle agradeceu. — Vocês vão gostar de Emma quando a conhecerem melhor.
— Pai, não força a barra — pedi.
***
Kate estava mais animada aquele dia, quando a encontrei para a produção da música, por volta de quatro da tarde, ela estava cheia de ideias e eu gostei de muitas delas.
— Mais uma coisa! — Pulou em seus saltos altos. — Quero que você se junte a equipe para produzir todo o álbum, não só a composição da Bella.
— Tá falando sério? — perguntei descrente.
— Estou sim, acho melhor topar, ou vou começar a chorar — ameaçou, me fazendo gargalhar.
— Eu topo!
***
Eu estava exausto, mas quando me encontrei com Bella e os outros para assinarmos o contrato de compra da gravadora recuperei minhas energias. Nós dois estávamos muito animados em finalmente nós tornamos donos de parte da gravadora, mais animados do que estivemos com a compra da boate.
— Minhas mãos estão até tremendo! — exclamei quando fui assinar minha parte, senti a mão dela em minhas costas.
— Quando vocês irão casar? — Patrick Wilson, o cara vendendo sua parte da gravadora pra gente perguntou.
— Em breve — Bella respondeu, mas sem dar muitos detalhes. — Sinto muito pelo seu divórcio.
— Não sinta, eu não sinto, estou finalmente livre. Quero dizer, não se sintam presos por estarem indo casar.
— Não estamos — Bella e eu respondemos juntos.
— Vocês estão na fase da lua de mel — Patrick proclamou.
Eu não respondi, nem Bella, focamos em terminar de assinar os papéis. E quando isso acabou nos reunimos com Patrick, Laurent e Jeffrey — que também estavam ali para consolidar a venda — e tiramos fotos.
As fotos logo estavam nas redes sociais de todos nós, eu esperava que com isso as pessoas esquecessem de falar sobre Enrico ter contado que transou com Bella. Afinal, mesmo que conseguíssemos proibir ele e Leah de falar sobre a gente, aquele teaser já tinha sido exibido e as pessoas sabiam do conteúdo dele, isso queria dizer mais um motivo para falarem sem parar de sexo envolvendo Bella.
— Capitã, tá vendo essa parede? — Apontei para a parede cinza fora da sala onde assinamos o contrato quando saímos dali. — Ela é nossa!
— 20% sua e 20% minha, pirralho — corrigiu.
— Tanto faz, é nossa de qualquer forma. — Puxei Bella para perto de mim, segurei em sua cintura e completei. — Ninguém conseguirá deter o poder de Ed Cullen e Isabella Swan.
Os olhos dela brilharam, mas me corrigiu novamente.
— Em alguns dias Ed e Isabella Cullen.
— Sim, isso mesmo! — exclamei empolgado e em seguida a beijei com vontade.
Eu amava aquela mulher.
— Preciso ir agora, senhor Cullen — sussurrou após o beijo. — Vou pra casa da Alice curtir minha festa, você tem que ir curtir a sua também.
— Até o karaokê, linda. — A beijei novamente.
***
Jane tinha transformado a sala de estar e sala de jantar do seu apartamento em algo que parecia muito Las Vegas, mesas para jogos, bar, um telão passando clipes musicais — em sua maioria meus — e pista de dança com a porra de uma barra de pole dance no meio. Ela estava mesmo empenhada na minha festa.
— Suco de uva já que você não pode beber, noivinho. — Colocou em minha mão um copo com o suco.
— Valeu, Jane.
Eu não quis que ela proibisse os outros, ou a si mesma de beber. Teria que me colocar em provação, mas ser resistente e continuaria limpo.
— Que horas vou ver o show de stripper que você arrumou?
— Em breve, vamos primeiro curtir um pouco com jogos e comidas. Tem comida italiana aos montes pra você.
— Por isso sou seu amigo. — Beijei a bochecha dela.
— Pois é, sou incrível, agora vai se divertir que eu vou lá na cozinha falar com meu irmão. O coitado tá super pra baixo.
— Ele está preocupado com Sam.
— Sim, sim, eu sei. Vá se divertir! — Se afastou deixando a saia longa que usava balançar atrás de si conforme se mexia.
Eu fui para a mesa onde os outros estavam organizando uma partida de baralho, os convidados além de Alec eram Santiago, Riley, Emmett, Alistair — ele tinha ajudado Alice e Jane a coordenarem os strippers para as duas festas — e Jasper. Logo fui incluindo na rodinha para o jogo, Santiago, já entusiasmado demais pelo uísque que bebia, começou a dar dicas para todos nós sobre manter um casamento.
— É isso, rapazes, tratem suas esposas muito bem! — exclamou e começou a choramingar.
— Excelente, mais um chorão — Alistair disse e sabia que estava se referindo a Kate, o que me fez rir.
— Sobre o que estão falando? — Alec apareceu na sala com Jane, ele claramente estava chorando antes.
— Santiago está dando dicas para manter um casamento — Riley respondeu.
— Você tá atrasado, Denali, meu casamento acabou — Alec resmungou. — Não se casem, é furada.
— Valeu — agradeci ironizando.
— Só tô falando a verdade, cara, casamento é um erro.
— O seu foi porque tava apaixonado por uma mulher que não era sua esposa, irmão — Jane decretou, Alec cruzou os braços.
— Ok, chega desse papo, vamos jogar! — Alistair anunciou. — Apostando, peguem suas carteiras.
***
Jogamos por um bom tempo, eu deveria ter usado o poder de homenageado na festa pra parar com aquilo, já que estava perdendo bastante, só não mais que Riley. Ele era péssimo.
Quando mudamos os jogos eu fui melhor, Santiago quase enfiou o taco de sinuca no seu olho, mas todos sobrevivemos no final. E quando já era mais de dez da noite, após comermos, bebermos — eu suco — e jogarmos pra caralho, Jane avisou que as strippers estavam chegando.
— Preciso dos celulares de todos vocês. — Passou pela gente com um cestinho, onde fomos colocando os aparelhos. — Nada de filmarem ou fotografarem as garotas e depois saírem postando por aí, seria ruim para vocês e iria as expor. E sei que vocês, menos o Ed, já estão bêbados e animadinhos, mas se eu ver qualquer um sendo filho da puta com essas garotas vou colocar pra fora daqui. Elas também não precisam lidar com mais gente cretina. E dêem bastante gorjeta, mandei todos trazerem dinheiro em espécie pra isso, Ed você está livre de pagamentos.
— Ok — murmurei, pensando sobre tudo que ela estava falando e fui o último a colocar meu celular junto aos outros.
— Que foi, Cullen? — perguntou quando os outros se dispersaram.
— Só fiquei pensando no que você falou sobre as meninas, meio escroto pensar que elas devem lidar com um monte de clientes babacas, me faz pensar no que a Bella passa.
Jane deu um sorriso triste.
— É, bem escroto, mas é sua festa, não fica triste por isso.
— Tá bom. — Forcei um sorriso, sem conseguir parar de pensar nos homens por aí que assistiram e os que ainda iriam assistir o vídeo do Escândalo Swan e se achariam no direito de falarem o que quisessem de Isabella, como os clientes das strippers que se achavam donos de tudo.
— Ed, posso sentir sua cabeça fervilhando daqui. Leva isso pra terapia, agora não é hora de pensar muito.
— Certo, certo.
— Jane. — Emmett se aproximou praticamente carregando Santiago junto de si, o marido da Tirana mal conseguia manter seus olhos abertos. — Ele vai apagar a qualquer momento, onde posso deixá-lo?
— Que saco, vem, vamos largar ele no quarto de hóspedes. Que fraco!
Jane e Emmett tinham acabado de voltar para a sala quando a campainha tocou, ela foi abrir a porta e Alec me fez sentar em uma poltrona vermelha que estava destinada para mim, no centro do lugar bem de frente para a barra. Eram dez garotas ao todo, mas só uma loira.
— Ela será a última loira rebolando no seu colo — Alec falou para mim e eu ri.
As meninas se apresentaram para todos, com longos abraços, principalmente em mim. Todas usavam vestidos curtos, ou saias e blusas decotadas, com saltos bem altos nos pés.
Uma dupla de asiáticas foram as primeiras dançando uma música qualquer na barra de pole dance, enquanto as outras estavam espalhadas pela sala. A única loira, que se chamava Scarlett, estava sentada no braço da minha poltrona.
As garotas foram dançando, se despindo, recebendo dinheiro e depois dançavam no meu colo, Scarlett se afastou para que elas fizessem isso. Depois, elas eram substituídas por outras na barra, ganhando a grana e vindo para meu colo.
Era excitante pra caralho, claro, eu não poderia mentir sobre isso. E sim, eu já estava ficando duro, com certeza.
Quando todas, menos Scarlett, dançaram, ela andou até mim e sussurrou em meu ouvido:
— Sua amiga disse que você merece uma dança particular.
Olhei para Jane que falou:
— Vai pro meu quarto.
Eu fui, com Scarlett atrás de mim. Não foi uma grande surpresa ver uma barra de pole no quarto de Jane também, mas me questionei se aquilo estava ali só para a despedida, ou se era algo dela, fazia tempo que não ia ao seu apartamento, não poderia afirmar nada.
— Pode se sentar. — Scarlett gentilmente me empurrou para a cama gigantesca de Jane, sentei e inspirei fundo. Meu pau precisava de um alívio, eu precisava e só de pensar o que Bella e eu faríamos depois do karaokê me deixava ainda mais excitado.
Vi Scarlett tirar um pendrive de seu decote e colocar no som do quarto de Jane, ela aumentou o volume, mas não muito. Também diminuiu as luzes e eu sabia que as cores se alterando aos poucos era algo que Jane tinha desde sempre, não só pra festa.
Scarlett começou seu trabalho na barra e eu pensei se no futuro Bella toparia ter aulas daquilo, eu aceitaria colocar uma barra daquelas no nosso quarto. As luzes coloridas não, aquilo era muito brega.
No ritmo da música a stripper se movia na barra, bem pra caralho, parando vez ou outra para tirar uma peça de roupa, até estar totalmente nua e ir para cima de mim. Engoli em seco quando ela montou no meu colo e rebolou sobre mim.
— Quer pegar nos meus peit…
— Não — respondi antes mesmo de ela completar sua pergunta.
— Tá incluso no seu pacote, não precisa pagar mais nada. — Esfregou seus seios contra minha camiseta.
— Eu tenho noiva, não quero mesmo — neguei.
— Mas essa é sua despedida, querido.
— É, mas não, tô de boa. Aliás, eu preciso de um minuto, você pode me dar licença?
— Claro. — Saiu de cima e eu fui até o banheiro da suíte de Jane. Sentei em um banquinho ali e me concentrei, não iria gozar nas calças com uma stripper em cima de mim. Não, as coisas não iriam ir até aí para mim naquela despedida.
Passei um tempo no banheiro me controlando, contando os azulejos nas paredes e desviando os pensamentos para a chatice que seria ter que lidar com as reuniões burocráticas da gravadora comigo sendo um dos chefes a partir dali. Quando meu pau e eu nos acalmamos voltei para o quarto, Scarlett tinha recolocado suas roupas e as luzes não piscavam mais, mas a playlist dela seguia.
— Você quer recomeçar? — perguntou.
— Não, mas não se preocupa, seu pagamento vai continuar completo.
Ela sorriu, claramente aliviada.
— Valeu — agradeceu, sem forçar sua voz sexy. — Preciso mesmo da grana.
— Os meninos tão cheios de dinheiro lá fora, você pode ir e conseguir um pouco mais. Mas se quiser um tempo pode ficar aqui, eu vou ficar.
— Você não quer cair em tentação com tudo aquilo de mulher nua — observou.
— Não — confirmei. — Não posso fazer alguma merda e acabar traindo minha noiva — completei pensando no que Amber tinha dito no outro dia. Eu amava Isabella, estava apaixonado por ela e queria uma vida inteira ao seu lado, mas temia que todo meu histórico me fizesse sair da linha e isso não poderia acontecer, não iria colocar em risco meu relacionamento.
— Você é o primeiro noivo em muito tempo que não pega nos meus peitos, isso diz muito sobre você.
— É, talvez eu tenha mudado, não sei se você me conhece, mas já fui bem filho da puta com minhas ex-namoradas.
Ela gargalhou.
— É óbvio que te conheço, você é bem famoso entre strippers, Ed Cullen.
É, eu tinha passado muito tempo em clubes antes.
— Legal mesmo que tá mudando, sua noiva tem sorte. Quando será o casamento?
— Em breve, não posso te contar a data.
— Imaginei, já fez seus votos?
— Ainda não, preciso pensar nisso logo.
— Por que não tenta agora? — ela levantou da cama e ajustou sua roupa, tirou seu pendrive do som e disse. — Vou pegar dinheiro dos seus amigos, faça seus votos.
Ela saiu e eu olhei ao redor, podia ser mesmo um tempo gasto para pensar nos votos. Consegui achar papel e caneta nas coisas de Jane e fui para a cama começar a rascunhar.
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