Hollywood

98 Capítulo Noventa e Sete


Notas iniciais
Oi! Eu já tô tão triste com o fim cada vez mais próximo, me animem com comentários e recomendações. —__ Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —___ Grupo no Telegram: https://t.me/joinchat/MrT_3cJdpvtiZDdh —___ Me siga no Instagram: @autoralolaroyal —___ Música do capítulo: 1. https://youtu.be/L0HmBGWOlCM 2. https://youtu.be/h4Toe_s8AaM —___ Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure profissionais especializados sempre. —__ Boa leitura!

Capítulo Noventa e Sete

Edward Cullen

"Holly Cullen já está entre nós."

Nada se comparava ao amor que eu sentia por aquela garotinha nascida no verão.

***

No caminho para casa pensei muito em meu pai, tentando imaginar como ele tinha se sentido quando Rose e eu nascemos. Se ele também ficou cheio de felicidade e medo, como quando vi Holly pela primeira vez, temendo não ser um bom pai para ela, mas também feliz pra caralho em finalmente tê-la.

E naquele dia, o dia de levá-la para casa, eu estava com mais medo ainda. Medo de coisas que pareciam muito distantes, mas também das que eram mais práticas e reais. Chequei o nível de gasolina diversas vezes, temendo que o carro não tivesse o suficiente para continuar andando. Fiquei receoso com a temperatura e clima, era um dia ensolarado, mas e se chovesse?

Tanta coisa passava por minha cabeça, e nos curtos passos entre o carro e a entrada de casa, me apavorei que ela sufocasse no bebê conforto com aquela manta por cima. Meu coração bateu forte, lá dentro soltei a mão de Isabella e tirei o pano, podendo enfim ver minha filha.

Apoiei o bebê conforto no chão e me agachei junto, escutei a porta ser fechada, só que meu foco era me certificar de que Holly estava bem.

E estava, respirando direitinho, ainda dormindo. Cobrir ela com a manta não tinha afetado nada, a garota sequer percebeu.

— Estamos em casa agora, lindinha.

— Ela tá bem? — Bella perguntou.

— Tá sim. — Olhei para minha esposa e sorri, os olhos dela estavam focados em Holly. — Quer levar ela para o quarto agora? — Isabella me olhou.

— Não, vamos…Esme! — Minha mãe apareceu novamente no corredor de entrada da mansão, uma vez que tinha aberto a porta para nós. — Já estava com saudades suas — Bella disse e caminhou até mamãe, a abraçando, Esme riu um pouco.

— Noite dificil, querida?

— Muito. — Bella confirmou, rindo também, ainda nos braços da sogra.

Era bom ver que elas estavam mais próximas do que nunca, bom ver que minha esposa tinha uma figura materna ao lado dela. Eu sabia que ela queria aquilo, também sabia que minha mãe nunca poderia substituir nada nem ninguém na vida de Bella, mas já era algo.

— Vocês comeram?

— Comemos sim. — Bella desfez o abraço, mas ficou segurando no braço de Esme.

Levantei com Holly, deixando que ela ficasse no bebê conforto, temendo que se eu a tirasse de lá, iria acordá-la.

— Certo — mamãe disse. — Deixei todos os cães e gatos no quintal, como vocês pediram. Querem que eu os solte de uma vez?

— Não, Edward vai buscar um por um. — Bella se virou para mim. — Primeiros os cachorros. — Tínhamos combinado de apresentar Holly a eles, um de cada vez, ou ficaria uma confusão, especialmente com os cachorros que podiam ser barulhentos e agitados demais.

— Vamos levar Holly para a sala antes — afirmei.

Mamãe abriu caminho, com Bella seguindo logo atrás, mas se virando e olhando para Holly a cada dois passos. Fomos para a maior sala da casa, minha esposa sentou em um sofá e coloquei o bebê conforto ao seu lado, ela tocou cuidadosamente no rosto da nossa filha e sorriu.

— Ela está mais bonita ainda — mamãe comentou olhando para Holly. — Cadê o lacinho? — perguntou, estiquei meu braço onde o laço estava. — Não coube?

— Ed achou que fosse machucar, eu concordei — Bella respondeu, mamãe sorriu e beliscou meu rosto.

— Ai, mãe — protestei.

— Você é tão super protetor.

— Não pareceu certo. Vou pegar o Shrek.

Respirei fundo, sem querer me afastar de Holly, mas deixei a sala e fui até o quintal. Além dos seguranças, nenhum outro funcionário estava em casa naquele dia, tínhamos combinado de Sean ir e deixar comidas prontas durante os dias que ficamos no hospital, iriam voltar a trabalhar no dia seguinte, depois de Bella e eu termos um tempo com o bebê para nos ajustarmos a ela na mansão.

Bom, ao menos um começo de ajuste.

Fui para o quintal, depois de pegar a guia de Shrek e os cachorros ficaram loucos quando me viram, ele e Madonna pularam em mim, Jude ficou próximo latindo e girando atrás de seu próprio rabo. Falei com todos eles, já olhando ao redor procurando por Amy e Woody.

A gatinha estava deitada no sofá, acordando naquele instante conforme ouvia a barulheira dos cachorros. Woody estava um pouco mais afastado, brincando com um ratinho de brinquedo, perto da piscina que estava coberta.

— Carinha, você vai ser o primeiro a conhecer alguém muito especial, preciso que se comporte — falei com Shrek, que estava louco me cheirando, certamente sentindo o cheiro de Holly em mim. — Não confunda Holly com um brinquedo, por favor. — Coloquei a guia em sua coleira. — E seja legal com a Bella, tá? Ela está cansada, dolorida e preocupada com muita coisa. — Não era só minha cabeça pensando demais aquele dia. — Vamos lá? — Sorri para o cachorro. — Mads, você é a próxima — prometi a ela, enquanto a barrava de entrar na casa.

Shrek quis correr até a sala, estava sentindo os cheiros. Eu o contive, fazendo com que fosse mais devagar.

Ao entrar na sala, ele logo viu Bella, latiu querendo que o soltasse, mas não fiz isso. Segurei o cachorro pela coleira e andei até onde minha esposa e filha estavam.

Shrek começou a cheirar o bebê conforto, Isabella fez carinho nele, que naquele instante estava distraído cheirando a manta sobre Holly. Ele quase enfiou o focinho na boca dela, mas fui mais rápido.

— Calma — pedi, o segurando com firmeza, mas sem machucá-lo. — Você não pode lamber o rosto dela.

— Ei — Bella falou com ele, que passou a dar atenção para ela. — Lembra dos chutes na minha barriga? Era ela — contou balançando as orelhas dele.

Shrek latiu, Holly nem se moveu, ainda dormindo profundamente. Bella ficou matando as saudades dele mais um pouco, depois o cão voltou a se interessar por nossa filha e quando tentou lamber ela, o afastei outra vez.

— Por enquanto deu. Mais tarde você vê ela de novo — prometi. — Vou buscar a Mads, Capitã.

Foi difícil tirar Shrek de lá, mas consegui e peguei Madonna. Ela também era muito agitada, mas ainda era mais fácil de conter.

— Oi, Mads! — Bella exclamou, a cadela tentou pular nela, porém não deixei.

Minha esposa se curvou um pouco para dar um rápido abraço na nossa Golden Retriever, quando Madonna viu Holly pareceu desconfiada, cheirando apenas a manta, sem tentar lamber como Shrek fez. Porém, ela decidiu apoiar a cabeça na coxa de Isabella.

— Tô bem, Mads — Bella garantiu. — E sei que você vai amar a Holly, amava ficar perto da minha barriga.

Levei Madonna e peguei o antissocial Jude, no colo, já que ele ficou fugindo da guia.

— Ele não quis a guia — comuniquei, minha mãe bufou, ela estava em outro sofá, nos dando espaço.

— Jude, você é o menor cachorro, mas o mais ranzinza, precisamos que seja bonzinho com a Holly — Bella pediu a ele, quando me aproximei mais do bebê conforto ele começou a latir para Holly e a farejar o ar. O latido dele fez nossa filha se remexer, eu não a queria acordando estressada, então decidi levá-lo.

— Ok, Jude, vamos tentar com de novo outra hora — anunciei e deixei a sala.

Foi fácil pegar Amy, ela era boazinha. Para que a gatinha pudesse ver Holly melhor, Bella colocou o bebê conforto no chão, eu me sentei ali com nossa gata e a soltei.

Amy também cheirou Holly, mas logo parou e pulou no sofá para deitar no colo de Isabella. Nós rimos e decidimos deixá-la ali, enquanto eu ia para a missão impossível, pegar Woody.

Por um milagre, consegui, o gato ficou pendurado em meu ombro, uma pata batendo em meus cabelos. Na sala, Amy tinha deixado o colo de Bella e estava deitada atrás do bebê conforto.

— Woody, por idade, você era o filho mais novo, até agora. — Sentei no chão, ele ainda brincando com meus cabelos. — Se tornou um irmão mais velho, conheça a Holly.

O tirei do meu ombro e coloquei no chão. Woody olhou e cheirou Holly, mas logo avistou um brinquedo dele do outro lado da sala e foi atrás. Amy se levantou, cheirou o bebê novamente e miou, para nossa surpresa ela estendeu uma patinha e tocou na cabeça de Holly.

Bella arfou, eu gelei com medo de Amy arranhar Donut, mas notamos que ela não estava usando as unhas. Então, nós rimos, eu peguei Amy e a deixei deitar sobre mim.

— Ela é muito fofinha, não é, Amy? — perguntei e naquele instante ouvi Bella começar a chorar. — Capitã, o que foi?

— Nada — respondeu chorando e sorrindo. — Lembrei de quando você me deu a Amy, já era apaixonado por mim ali e nem percebi.

— Bom, também não percebi. — Sorri de volta. — Mas agora nós dois sabemos.

— Como é bom saber, pirralho.

***

Nós dois subimos com Holly não muito depois, também usamos as grades de escada — que tinham sido instaladas na reforma da mansão — pela primeira vez. Assim Shrek, Madonna e Jude não poderiam subir quando quisessem. Era um golpe contra eles, mas impediria que os três acordassem o bebê a qualquer momento com latidos, só que também tínhamos os enchido de brinquedos novos nos últimos meses, para que pudessem se divertir no primeiro andar.

Levamos Holly para o quarto dela, Bella voltou a chorar e me abraçou por trás, colocando a cabeça em minhas costas e as mãos em meu peito. Eu fiquei ali, carregando o bebê conforto e sentindo minha esposa agarrada a mim.

Entendia a vontade de chorar, também estava quase chorando. Era louco de se imaginar que finalmente estávamos ali com nossa filha. A garotinha que começou a acordar, olhei bem para ela e entendi o que queria, mamar.

Estávamos começando a diferenciar os choros e gestos que ela fazia, como o de mamar que era bem fácil, com Holly mexendo a boquinha procurando por algo. Com a mão livre toquei nas de Bella e sussurrei:

— Capitã, ela quer mamar.

Minha esposa respirou fundo.

— Ainda está com dor? — A amamentação não estava sendo fácil, me sentia mal por não conseguir fazer aquilo e aliviar seu lado.

— Sim — confirmou e se soltou de mim, andando até o banheiro. — Vou lavar as mãos, vai tirando ela do bebê conforto.

Concordei, apoiei o bebê conforto no sofá do quarto e tirei Holly de lá.

— Oi, Donut. Bons sonhos? — perguntei para minha filha linda, eu a amava, incondicionalmente.

Amava seus cabelinhos escuros, seus olhos, suas bochechas fofas… Porra, amava até ouvir ela chorando, isso era uma prova de quão real ela era.

Caminhei pelo quarto, tentando acalmá-la enquanto Bella não voltava.

— Aqui é seu quarto, lindinha — falei com ela. — O seu berço, seus brinquedos e aquela é sua mamãe! — exclamei quando Bella voltou, tinha tirado seu vestido, se mantendo apenas com a calcinha e o sutiã de amamentação.

Suas mãos estavam sobre sua barriga, ela tinha diminuído um pouco após o parto, mas ainda não era como antes. Só que isso pouco me importava, minha esposa nunca tinha parecido tão linda e tão foda para mim desde tudo que tinha feito naquele domingo. Eu não teria suportado um terço do que ela suportou com as contrações, mas Bella conseguiu e virou para mim uma espécie de mulher super poderosa.

— Acho que ela sabe bem quem sou, é comigo que consegue comida — Bella provocou, mas não estava irritada, nem alegre, sim apreensiva.

— Você tá com muita dor? Talvez a gente possa dar fórmula e te dar um descanso — sugeri.

— Não é isso. É meu corpo, durante a gravidez pelo menos tinha um bebê, agora é uma grande confusão de órgãos, barriga gigante, estrias e celulite.

— Você tá linda, Capitã — declarei, passando Holly para seus braços ansiosos. Bella resmungou.

— Até parece.

— É sério. — Beijei a cabeça dela. — Se pudesse iria fazer sexo com você hoje mesmo.

Ela riu e foi com Holly para a poltrona de amamentação, sentou ali e peguei o travesseiro de amamentação do quarto para colocar junto delas.

— Com meu corpo assim você não iria, Edward.

— É uma pena que você tenha que passar por esse resguardo, ou iria te mostrar que está errada.

— Tá, chega de falar essas coisas quando vou amamentar sua filha — ordenou, olhamos para Holly e a coitadinha estava procurando o peito por cima do sutiã. Bella o abriu e com um pouco de dificuldade e lágrimas, muitas lágrimas, conseguiu fazer o bebê começar a mamar. — Água — ela pediu para mim.

Nós tínhamos instalado um frigobar no quarto, sendo assim andei até ele e peguei uma garrafinha de água. Abri e dei em sua boca, já que ela estava com ambas as mãos ocupadas segurando Holly.

— Quer mais alguma coisa? Comer algo?

— Não, mas pega nossas coisas no carro e começa a arrumar.

— Beleza, vou pedir para minha mãe ficar aqui com vocês e organizo tudo. Tenho que montar o berço portátil lá debaixo e o do nosso quarto.

— Sobre isso, já que ela irá dormir lá conosco de noite, acho que vou precisar de uma poltrona de amamentação na nossa suíte, não vai ser confortável dar de mamar na cama. Não sem acabar com minhas costas.

— Você gostou dessa do quarto dela?

— Sim, parece boa.

— Vou comprar outra e fazerem entregar hoje mesmo.

***

Passei o resto da tarde organizando tudo. Inclusive as visitas, respondi a família e amigos, marcando horários — que já tinha combinado com Bella—, para que eles aparecessem só no outro dia, ou nos próximos.

E de noite, encomendei nosso jantar. A geladeira estava abastecida com tudo que Sean tinha deixado pronto, mas sabia que Bella iria gostar de algo especial e que não comia há meses.

— Hora de jantar — avisei ela que estava no quarto com Holly, a pequena dormindo em nosso berço e minha esposa deitada na cama olhando para ela apaixonadamente.

— Não quero deixá-la só, traz pra mim.

— Por que não desce e come com minha mãe? — sugeri. — Fico aqui com ela.

— Não está com fome?

— Como depois. — Me aproximei e beijei seus cabelos, o cheiro de morango era mais forte, já que ela tinha acabado de lavar.

— Vou aceitar.

Bella saiu, levando seu celular e assumi seu lugar. Estava respondendo uma mensagem de Rose, quando recebi notificação do Instagram, minha esposa tinha acabado de compartilhar uma foto nos stories.

Vi a foto do sushi que pedi para ela, em cima da imagem Bella tinha escrito em letras maiúsculas: EU AMO MEU MARIDO!

Aquilo me fez ter vontade de abrir o Twitter e ver o que estavam falando, desde a nossa chegada em casa registrada por paparazzis, mas fui mais forte em ignorar. Não seria bom, sabia que acabaria lendo coisas desagradáveis e ofensivas. Tanya e Irina já tinham falado comigo, comunicando que nenhuma foto de Holly tinha sido divulgada, só as do bebê conforto tiradas pelo pessoal no helicóptero.

Isso era o suficiente, era o primeiro dia da minha filha em casa, não queria estragar tudo ficando estressado com comentários idiotas. Larguei meu celular e me movi para checar a respiração de Holly, em ordem.

Ela acordou, querendo mamar, cerca de quarenta minutos depois de Bella descer. Naquele comecinho de vida da nossa filha ela precisava mamar no mínimo de três em três horas, ou antes se desse sinais de fome.

Minha esposa mandou uma mensagem bem naquele momento, parecia sentir que a filha tinha despertado. Eu sabia que ela não tinha levado o monitor da babá eletrônica do nosso quarto consigo, ele continuava ali na cama.

E tínhamos instalado outras câmeras de segurança pela casa na reforma, querendo proteção máxima para momentos que Holly não estivesse com a gente por perto, especialmente com a babá que começaria a trabalhar em alguns dias, só que não instalamos uma dessas em nosso quarto, que ficaria fechado sem a gente em casa.

Capitã: Donut já acordou?

Pirralho: Acordou querendo mamar, mas não está chorando.

Capitã: Já comi, desce com ela.

Não parei para responder, peguei Holly do saco de dormir que ela estava no bercinho, a manta sobre nossa cama e desci com minha filha. Bella esperava pela gente no final da escada, abriu a grade de proteção e falou:

— Não faz ideia de como foi bom comer sushi, praticamente um orgasmo gastronômico.

Ri e passei Holly para ela.

— Agora é você que está falando de sexo na frente do bebê.

— Mas é que foi muito bom. — Beijou a cabeça de Holly, a aconchegando em seu colo. — Vou dar de mamar na sala de TV, vai comer lá e a gente assiste algo.

— Brooklyn Nine-Nine?

— Obviamente. Vamos, Holly!

Ficamos nós três ali, mais uma tranquila Amy, um curioso Shrek e um desatento Woody, na sala de TV. Madonna estava com mamãe na outra sala, enquanto Esme resolvia pelo notebook algumas coisas de trabalho — ela tinha tirado umas férias para nos ajudar, mas em alguns momentos precisaria lidar com problemas de lá — e Jude estava dormindo no sofá da varanda.

Acabei dividindo meu sushi com Bella, que ficou com mais fome durante a amamentação. Quando Holly e eu acabamos de comer, fui pegar uma compressa de água fria para Isabella colocar em seus seios machucados, ela me deu o bebê, tirou a blusa e o sutiã que tinha colocado após seu banho para colocar a compressa.

— Precisamos abrir essa pilha de presentes em algum momento — murmurei olhando para as caixas que tínhamos recebido, Nelly e mamãe tinham colocado tudo na sala de TV no dia anterior.

— Não vou mandar cartões de agradecimento — Bella sussurrou exausta, limpando seu rosto ainda molhado por lágrimas de dor da amamentação.

— Tem umas caixas imensas, você se deu bem, Holly! — exclamei, andando perto dos presentes ao mesmo tempo que fazia minha filha arrotar.

Bella levantou do sofá, segurando a compressa com uma mão e remexendo as caixas.

— Ei, você deveria estar quieta, não pode ficar se abaixando.

— Espera, tô querendo ver se ela ganhou diamantes de alguém. — Balançou uma caixa pequena.

Mordi a língua, me impedindo de falar algo, tinha um presente envolvendo diamantes para dar, só que não para Holly, sim para Bella. Faria isso assim que ela terminasse de fazer a compressa.

— James mandou um presente! — exclamou surpresa.

— Sério? — perguntei também surpreso.

— Sim, vamos abrir? Tô curiosa. — Voltou para o sofá com uma caixa em tamanho médio, sentou e começou a rasgar o embrulho que era rosa com desenhos de sapatilhas de balé.

Bella tirou de lá de dentro um bichinho de pelúcia de uma gatinha que lembrava Norma Jeane, isso foi suficiente para que ela começasse a chorar. Mas, achou um cartão e o levou em voz alta.

— Holly, espero que você goste do presente, um dia sua mãe deve te contar a história da gatinha que a odiava e isso com certeza te fará rir. — Sorri ao escutar aquilo e Bella também. — Espero que você seja uma menina muito feliz. Bella, Ed, parabéns pelo bebê, também espero que vocês sejam muito felizes com a família que estão construindo. Tudo de bom. Sinceramente, James Klein.

— Assim fica fácil entender porque você tava com ele — me vi falando, Bella me encarou e assentiu.

— Ele era bom, claramente ainda é. — Balançou o cartão. — Mas ele não era certo para mim. — Piscou e voltou a olhar para o bichinho de pelúcia. — Pelo menos não é um pato!

Gargalhei, Holly arrotou e Bella voltou a escolher presentes para abrir.

Presentes depois, uma compressa praticamente esquecida e um bebê ainda acordado em meu colo, entretanto confusa com tudo que sua mãe lhe mostrava, anunciei:

— Vamos levar a Holly lá na sala de música.

— Sim, já deveríamos ter feito isso! — Bella comemorou, soltando sobre o sofá o brinquedo que Riley tinha dado para Holly.

Isabella se vestiu e descemos para a sala de música, ali eu comecei a chorar. Beijei o rostinho de Holly e murmurei para ela:

— Você ainda não tem noção de quanto eu te amo, lindinha. Mas saiba que te amo pra caralho, é meu maior sonho e nem sabia que sonhava com isso. Eu faria tudo por você, filha. — Olhei para Bella, os olhos dela estavam marejados. — Pela sua mãe também. Eu amo muito vocês. — Se um dia fosse necessário, a música se tornaria um hobby, minha carreira não era mais uma prioridade, elas eram. Eu amava música, amava cantar e tocar, mas tudo parecia menor perto delas.

— Nós duas também te amamos — Bella disse, se aproximou, segurou meu rosto e me beijou. — Eu também faria tudo por vocês, amor.

— Tem um presente para você, a caixinha em cima do piano.

— Eu sei, vi ela assim que entramos. Mas vocês dois são meus maiores presentes, tá? — Beijou Holly. — Aqueles diamantes não chegam nem perto.

— Como sabe que são diamantes, senhora Cullen?

— Com certeza são, posso pegá-los?

— Pode! — Beijei sua bochecha, ela andou até lá e abriu a caixinha que eu tinha deixado ali mais cedo.

— Pirralho, que coisa mais fofa! — Voltou para perto da gente, carregando sua pulseira nova de diamantes, com um pingente da letra H e outro com um donut.

— Você ainda irá demorar para fazer sua tatuagem, pensei que seria uma boa representação até lá.

— É perfeita. — Colocou a pulseira em si e se voltou para Holly, colocando seu rosto no campo de visão dela. — Você é mais perfeita ainda, meu amorzinho. Vem pro meu colo? Seu pai pode tocar para a gente a música que fizemos para você, Donut.

— Só se cantar comigo.

— Topo.

Entreguei o bebê para ela e fui para o piano, elas ficaram paradas ao lado do instrumento. Eu toquei, Bella cantou e foi assim que Holly Swan Cullen conheceu a sala de música onde tudo começou.

***

Mal dormimos, Holly ficou exigente a noite toda e Bella estava com muita dor para amamentar. Ainda assim, cedo no dia seguinte ficamos na varanda do quarto deixando nossa filha pegar um pouco de Sol.

Ela estava no meu colo, eu sem camisa e ela apenas de fralda. Bella estava comendo o café da manhã que mamãe trouxe para a gente, o que agradecemos aos montes, ambos famintos depois da noite agitada.

Para nossa sorte, nenhum helicóptero ou drone estava rondando a mansão, sendo assim podíamos ficar ali com Holly tranquilamente. Só que não por muito tempo, logo ela encheu a fralda e fui trocá-la.

Minha esposa apareceu em seguida e vestimos Holly para o dia, ela conheceria as tias e mesmo que fotos estivessem proibidas de serem postadas em redes sociais por tempo indeterminado, sabíamos que minha irmã e as de Bella iriam querer tirar fotos com a sobrinha. Talvez meu pai, que também iria visitar, fosse querer fotos também.

Ele e Rose tinham sido agendados para o primeiro horário de visita que estipulamos, parecíamos estar sendo rígidos demais, mas Holly ainda era tão novinha para estar cercada de gente ao mesmo tempo, com mais alguns dias poderíamos considerar afrouxar as regras.

— Como você está? — perguntei para Bella que estava terminando de se arrumar depois de arrumarmos Holly.

— Meus peitos estão doendo muito e bem cheios, o leite deve tá descendo.

Eu tinha aprendido que aquilo que Holly estava mamando desde seu nascimento se chamava colostro e não era o leite oficial, se é que podia chamar assim. Também tinha aprendido que alguns dias após o parto Bella passaria pela descida do leite em si e que isso poderia ser muito doloroso e desgastante, poderia até lhe fazer ter febre.

— Fica com a Holly, vou ordenhar um pouco antes da Rose e seu pai chegarem.

Ainda em nosso closet, ela pegou a bombinha de tirar leite e foi para o quarto. Eu fui para o de Holly com ela, que estava dormindo sobre mim. Deitei no sofá cama com ela, mas não dormi, precisava garantir que ela estava bem e respirando.

Minutos depois, Bella apareceu, com menos dor e a pegou para que eu pudesse trocar minha calça moletom por roupas para receber as visitas. Quando fiz isso, nós dois descemos e logo depois Carlisle e minha irmã chegaram.

— Ai, nem acredito que finalmente tô vendo ela pessoalmente! — Rosalie exclamou em êxtase depois dela e nosso pai terem ido lavar as mãos. — Posso pegar? — perguntou para Bella, que hesitou, mas passou Holly para minha irmã.

O bebê chorou um pouco, Bella fez um biquinho de quem estava odiando aquilo, mas não a pegou de volta. Rosalie tentou acalmá-la, mamãe que estava ali conosco também, eu fui distraído pela aproximação do meu pai.

— Parabéns, filho. — Ele me abraçou. — Ela é tão linda.

Eu sorri, recebendo batidinhas dele em minhas costas.

— Segundo meu pai e as fotos, é a minha cara quando bebê — Bella se gabou.

— Parabéns, Isabella. — Carlisle me soltou para abraçá-la, Bella não o afastou, nem fez cara feia, recebendo o abraço rápido de bom grado. — Ed contou que você fez tudo sem anestesia.

— Ela foi uma super heroína! — exclamei, Bella franziu o cenho ao ouvir aquilo, mas não tive tempo de perguntar o que tinha de errado, Holly chorou ainda mais e Rose ficou visivelmente aflita. — Aqui, me dê ela — pedi para minha irmã, que me entregou sua sobrinha sem pestanejar.

— Pensei que ela não fosse chorar comigo — Rose murmurou chateada. — Sempre fui boa com crianças.

— Ela só está sendo mimada querendo ir para os braços do Edward — Bella falou, eu sorri convencidamente, Holly parou de chorar logo depois que a peguei.

— Talvez ela esteja chorando porque descobriu que não sou a madrinha dela — Rose provocou, Bella riu e as duas se abraçaram. Diferente de como foi com meu pai, um longo abraço. Até minha irmã vir até mim, beijar Holly e depois minha bochecha. — Nem acredito que você já tem um bebê, irmão.

— Pois é. — Beijei a testa de Rose. — Quer pegar ela de novo?

— Não — Rose negou na hora. — É melhor que ela não fique chorando.

— Ei, vocês Cullen originais — Bella falou. — Fiquem ao redor de Ed e Holly para tirarem fotos — ordenou pegando seu celular.

Rose continuou ao meu lado, meu pai e minha mãe se aproximaram e participaram da foto também. Depois mamãe saiu da sala, indo chamar Nelly, que já estava trabalhando, para que ela pudesse tirar uma foto com Bella junto.

Após varias fotos, Bella levou Rose para ver alguns presentes, deixando com que eu ficasse ali com meus pais e minha filha.

— Como você está se sentindo? — Carlisle perguntou.

— É uma loucura — confessei, olhando para Holly em meus braços. — Como foi para vocês? Assim que nos levaram para casa saindo do hospital? — Ergui o olhar, vendo que minha mãe parecia magoada e meu pai arrependido.

— Não fui o pai que deveria ter sido naquele dia — ele respondeu, mas estava olhando para Esme. — Nem o marido. Deixei vocês em casa e fui trabalhar, pensando que precisava de mais dinheiro para garantir nosso futuro.

— Não vamos falar disso agora — minha mãe pediu, desviando o olhar para Holly e sorrindo largamente para ela. — Hoje é um dia de celebrar. E Edward — me olhou. — Sei como é, essa loucura de sentimentos, sei mais do que você, afinal eu era a pessoa que tinha acabado de parir e estava sob um milhão de hormônios. Você está se saindo bem, filho. Mas também saiba que vai errar e precisa reconhecer seus erros, para não os repetir depois. Confia em mim, os primeiros meses são os mais difíceis.

Eu confiava, mas era impossível não temer que algo pudesse acontecer com Holly por minha culpa, ela era tão pequena e frágil.

— Bom, até ela se tornar uma adolescente, aí fica difícil de novo.

***

Rosalie e meu pai ficaram menos de uma hora, indo embora quando Holly quis mamar, para que Bella tivesse privacidade. Que ela precisou muito, mais do que nos outros dias estava sentindo muita dor, até gritando um pouco quando o bebê pegou e soltou seu peito.

— Dói tanto, não sei se vou conseguir continuar amamentando — falou quando Holly já estava nos braços da minha mãe para arrotar.

Estava sentado ao seu lado, deixando que ela segurasse em minha mão, a sua tremia um pouco de dor e nervoso.

— Vai me considerar menos super heroína se eu tiver que parar de amamentar, Edward?

— Não, Bella, claro que não. — Ela fungou. — Quero que Holly se alimente, mas não quero que você sofra, se precisarmos alimentar ela de outro jeito podemos fazer isso.

— Tá. — Foi tudo que disse e me soltou. — Vou tomar banho.

Entendi que ela queria um minuto sozinha e a deixei ir, assim peguei Holly dos braços da minha mãe.

— Lindinha, faça a próxima mamada ser mais fácil para sua mãe — pedi a ela.

Não foi, Bella ainda sentiu tanta dor que chegou a soluçar enquanto chorava e quando Holly acabou, minha esposa deitou no sofá e continuou a chorar mais. Mencionei a fórmula, mas ela me mandou sair, hesitei, mas minha mãe me lançou um olhar severo e deixei a sala indo fazer Holly arrotar e dormir no quarto dela.

Bella só ficou um pouco mais animada quando suas irmãs apareceram para a visita.

— Como pode ser tão linda assim? — Ness perguntou para Holly que estava em seu colo.

Sentei perto de Bella, que apoiou a cabeça em mim e murmurou:

— Quero continuar amamentando.

— Tudo bem, linda. Qualquer que for sua decisão, vou apoiar.

Alice, que assim como Ness, não estava prestando atenção na gente, falou:

— Estou feliz que Jasper fez vasectomia, bebês são minúsculos! — Nós tivemos que rir.

— Você não vai segurá-la, Alice? — Ness perguntou.

— Hoje? Com ela sendo tão pequena assim? Claro que não, mas vou tirar mais fotos. Ah, Jasper disse que se precisarem que ele compre algo é só falar que ele traz amanhã quando vier visitar.

— Fraldas — Bella e eu respondemos juntos.

— Qual o tamanho Holly tá usando?

— Fraldas para Bella — esclareci, não tínhamos comprado muitas e elas estavam acabando, minha esposa já tinha pedido para eu comprar para ser entregue até o outro dia.

Alice arregalou os olhos.

— Saí tanto sangue assim que precisa usar fraldas? Jasper vai morrer de vergonha se tiver que comprar isso na farmácia, podemos pedir delivery?

— Pode deixar que compro, Alice — comuniquei, ela ficou aliviada na hora.

Logo depois que Ness e Alice foram embora, meu sogro chegou com Carmen. Foi no meio de mais uma mamada dificil, o que só me deixou mais angustiado, quis implorar para Bella parar de se torturar, mas ela claramente não queria voltar atrás em sua decisão.

— Aqui, Bella. — Carmen tinha ido pegar um copo de água para ela, Holly estava nos braços de Charlie e eu me sentia um inútil sem fazer nada.

— Ela está cada dia mais parecida com você, Bells — Charlie falou, os olhos focados na neta em seu colo, Holly não resmungou nem por um segundo de estar nos braços dele.

— Que bom — Bella sussurrou ainda com dor e cansada.

— Linda, por que você não sobe e tenta dormir um pouco? — Ela não se deu ao trabalho de responder minha pergunta.

Carmen e Charlie ficaram conosco por mais tempo que eu queria, ela trocou a fralda de Holly e ele a fez dormir. Ao menos, foram as últimas visitas do dia.

No começo da noite, Bella e eu preparamos o banho de Holly. Insisti que poderia fazer aquilo só, mas ela queria participar.

— Não vou dormir, Edward — resmungou. — Preciso cuidar da minha filha.

— Você não precisa fazer tudo.

Ela bufou, sem falar mais nada, indo pegar Holly no berço para acordá-la e começar a tirar suas roupas. Minutos depois, Bella estava dando o banho, comigo ao lado caso fosse necessário, mas ela estava fazendo tudo só. Entretanto, Bella me deixou trocar Holly e foi se preparar para dar de mamar.

— Capitã, hoje é quarta, você marcou horário com sua psicologa?

— Remarquei para amanhã — respondeu da poltrona de amamentação, enquanto eu terminava de vestir uma chorona Holly que queria colo e mamar. — Não tô pronta para isso hoje, com toda essa dor.

— Ok — murmurei de volta.

Levei Holly até ela, o ritual de amamentação cheio de dor se seguiu, mas Bella chorou menos depois que o bebê engatou na mamada. Sentei no chão ao lado delas, a cabeça apoiada no braço da poltrona, olhando para minha filha e a mãe dela.

— Me desculpa por não poder fazer essa parte — falei, Bella assentiu algumas lágrimas rolando por seu rosto.

— Me desculpa se estou sendo insuportável — ela disse.

— Você não está, não peça desculpas por nada.

— Prometo não remarcar a terapia amanhã, sei que tô precisando.

— Também precisa dormir. Assim que a Holly terminar de mamar, você irá deitar e dormir até a próxima mamada, ok?

— Não consigo.

— Vai ao menos tentar. Quer comer algo?

— Não, estou cheia dos pães que Carmen trouxe. Tá, eu vou tomar um banho depois dela mamar e tento dormir, acho que preciso mesmo de um cochilo. Dou conta aqui, desce e come algo, não te vi comer nada hoje desde o café da manhã.

Era uma verdade, eu não quis almoçar, nem comer nada durante o lanche que Carmen e Charlie levaram.

— Posso comer depois — foi o que falei.

— Edward, desce e come — Bella exigiu. — Também não precisa mandar sua mãe vir aqui, quero ficar um pouco sozinha com a Donut. Mas deixa meu celular por perto, qualquer coisa te mando mensagem.

— Não…

— Edward, quero ficar sozinha.

Suspirei, mas deixei as duas e saí do quarto, após colocar o celular de Bella perto dela para que pudesse falar comigo se preciso. Eu estava acabando de comer, tinha tirado rápidos minutos antes disso para um banho, quando ela me mandou uma foto de Holly dormindo em seu colo, depois duas mensagens.

Capitã: Toda sua, pirralho.

Capitã: Preciso tomar banho.

Pirralho: Isso é um convite?

Respondi e na mesma hora me arrependi, não queria que ela se sentisse forçada a nada, mas pareceu levar na boa.

Capitã: Vai sonhando!

Capitã: Mas em breve, espero…

Pirralho: Amém!

Tomei o resto do meu suco, pronto para subir, mas conferi antes se ela não queria comer alguma coisa.

Pirralho: Quer algo da cozinha?

Capitã: Chocolate.

Pirralho: Beleza.

Peguei uma barra de chocolate e subi, lá trocamos. Ela pegou o doce e eu nossa filha dormindo como um anjinho.

— Mamou bem — Bella disse de boca cheia já comendo, o rosto molhado por lágrimas e olhos vermelhos. — Eu vou tomar aquele banho e tentar dormir agora. — Afagou as costas de Holly antes de sair, mas voltou logo depois e me deu um rápido beijo.

— Te amo — falamos juntos e sorrimos um para o outro.

***

Na quinta-feira, Jasper foi o primeiro a visitar. Ele queria pegar Holly, mas também estava com medo de carregá-la.

— Para com isso, você não vai deixá-la cair! — exclamei a colocando nos braços dele, estava acordada, tinha acabado de mamar e arrotar.

— Se você deixar eu te mato — Bella falou do sofá da varanda onde tínhamos tomado nosso café da manhã.

Aquela noite foi de longe a mais complicada, os peitos de Bella doíam muito, estavam quentes, duros. Holly golfou um pouco, também ficou com gases e só queria ficar no colo. E minha esposa estava mal, chorando, se sentindo uma péssima mãe por nossa filha estar com dor.

Eu já desconfiava do início do baby blues nela, que era uma tristeza e mudança de humor apresentada por várias mães logo após o parto, geralmente acontecia por conta da queda hormonal. Seria bom que ela iria mesmo ter terapia naquela noite. Esperava que com isso ela se sentisse melhor, já que eu não estava sendo bem sucedido em ajudá-la a passar por aquilo.

— Bem que Alice falou sobre ela ser minúscula — Jasper murmurou apavorado, minha esposa riu um pouco da forma toda travada que ele estava carregando o bebê.

Bebê aquele que golfou na roupa dele e começou a chorar.

— Parabéns, você foi batizado! — exclamei, limpando a boca dela com um paninho e a pegando de volta em meus braços. Porém, Bella se levantou e a pegou de mim.

— Filha, você não pode ficar colocando tudo para fora — falou com ela. — Ed, liga para a pediatra de uma vez e pergunta o que devemos fazer — implorou, ela queria ter ligado de madrugada, mas achei melhor esperarmos para ver como Holly se comportava no resto do dia.

No entanto, com aquela sendo a terceira vez que ela golfava, eu concordei. Entretanto, antes que pudesse alcançar meu celular, Isabella mudou de ideia.

— Na verdade, deixa que eu ligo, fica com a Holly. — Me devolveu nossa filha, pegou seu celular e foi para dentro de casa.

— Como as coisas estão por aqui? — Jasper perguntou, ignorando sua roupa suja, eu suspirei e dei um beijo no topo da cabeça de Holly. — Complicadas?

— Sim — confirmei.

— Posso ajudar com alguma coisa?

— Não, mas valeu. Vamos ajustar tudo com o tempo. Pelo menos espero que sim. — Beijei Holly de novo. — Ela não é linda?

— Ela é. — Forçou um sorriso, eu fechei a cara. — Não tô falando que ela é feia, claro que não é, mas ainda tem um rostinho amassado de quem acabou de ser expulsa do útero.

Rolei os olhos e falei para minha filha:

— Não escute o Jasper, ele é um idiota.

Ele riu e iria rebater, mas se interrompeu quando mamãe surgiu ali toda sorridente.

— Ed, Aro acabou de me ligar, Jane já deixou a clínica de reabilitação e tá indo pra casa com ele.

Ouvir isso me fez respirar aliviado, era tão bom saber que minha amiga estava melhor depois de todos aqueles meses. Mal via hora de vê-la, mas isso teria que esperar, Holly ainda era a prioridade ali.

Ainda receberiamos visita de Tanya e Santiago naquele dia, mas depois disso iríamos dar uns dias de folga para Holly e minha esposa também precisava de um descanso.

Minha mãe ficou ali fora conosco mais um pouco, saindo quando precisou atender a ligação de uma amiga da ONG. Bella apareceu naquele momento, mal humorada.

— A pediatra disse que precisamos continuar observando Holly até a consulta na segunda, então aí teremos mais dias para avaliar como ela está. — Bella beijou a parte de trás da cabeça de Holly, que estava quase dormindo sobre mim. — Você pode ficar com ela para eu cochilar um pouco, Betty?

— Claro, Bella.

— Foi mal não dar muita atenção para você, Jasper — falou para ele, que balançou a cabeça.

— Relaxa, pode ir dormir, Cullen — ele disse — Que tal eu pedir donuts para você comer quando acordar?

Isso fez com que minha esposa sorrisse.

— Vou amar, obrigada. — Jasper a abraçou rapidamente e deixou com que ela fosse descansar.

— E você, Ed? Quer donuts também?

— Não, valeu. Já tenho o donut que queria. — Inspirei o cheirinho tão bom que Holly tinha.

— Você definitivamente tá amando ser pai, mesmo com as coisas sendo difíceis, né?

Só tinha uma resposta para a pergunta dele.

— Estou.

Sorri para Holly, que finalmente tinha dormido. Talvez eu não fosse o melhor pai do mundo, mas amava ser o pai dela.

***

Tanya e Santiago visitaram sem Valentina, todos achamos melhor esperar Holly ter mais alguns dias de vida para poder conhecer a filha do casal Denali. Receber eles também animou Bella, e era bom para mim conversar com outro pai que não fosse o meu, ou Charlie. Santiago e eu falamos um pouco — enquanto ele trocava sua afilhada — sobre se sentir inútil naquele começo e sobre o baby blues.

— Também fiquei assim, me sentindo um inútil enquanto Tanya fazia a parte mais complicada. Fazer arrotar, colocar para dormir, dar banho, tudo é difícil também, mas elas têm o papel mais complicado de todos que é prover a alimentação do bebê. Ficam sobrecarregadas pra caramba, ainda mais com a baixa de hormônios, Tanya recentemente na terapia de casal que estamos fazendo que veio jogar algumas verdades na minha cara sobre essa época — contou. — Enfim, escute a Bella chorar, faça o que ela mandar, cuidado com o que fala e seja proativo. Além disso, mime muito essa garotinha linda. — Sorriu carinhosamente para Holly.

— Você também morria de medo da Tina parar de respirar enquanto dormia? Eu passei duas horas olhando a Holly dormir essa noite com medo disso.

— É normal, Ed. Para todos os pais de primeira viagem, acredite. Vai melhorar e em breve você irá acordar com Holly pulando na sua cama te chamando para olhar a nova arte que ela fez, no caso, pintar seus tênis brancos com canetinha.

— Valentina fez isso?

— Ontem — choramingou. — Mas é incrível, ser pai. Não todos os segundos, mas nos segundos bons, você esquece dos segundos que é desgastante.

— Ei! — Tanya surgiu. — Minha vez de pegar essa coisinha linda.

Eu sorri, me afastei e deixei com que ela pegasse Holly, que tinha sido trocada com rapidez e eficiência por Santiago.

No final da tarde eu dei banho em Holly, a vesti para a noite e Bella deu de mamar. Depois disso, peguei nossa filha e desci com ela para a sala de TV, fiz ela dormir lá, enquanto deixei tocando em meu celular sons que diziam acalmar bebês, como o de secador de cabelo.

Aquilo realmente fez efeito, Holly apagou e sentei com ela, deixando minha filha deitada em minhas coxas sobre uma almofada fina com elevação para que a cabeça dela não ficasse muito baixa e assim evitar que ela tivesse mais episódios de regurgitação. Fiz um casulo ao redor dela, lhe aquecendo com sua manta.

O som do secador continuava rodando no celular, não me atrevi a tirar, também não liguei a TV, deixando apenas uma luz da sala ligada para que não ficássemos no completo escuro. Eu fiquei ali, observando ela dormir, toda encolhida e tranquila.

Tão pequena, era uma loucura pensar que Bella e eu tínhamos a feito. Me lembrava com exatidão do dia que minha esposa contou sobre estar grávida, como surtei e depois como passei a imaginar ter aquele bebê.

Ela estava ali, eu tinha de cuidar dela pelo resto da vida. Garantir que nada nunca lhe faltasse, fosse bens materiais ou apoio emocional.

— Shrek estava quase roubando!

Olhei para cima e vi Bella, com um boné meu em mãos, ela o colocou na minha cabeça e deu um pequeno sorriso.

— Valeu, linda.

— Como ela está? — perguntou olhando para Holly.

— Bem tranquila, nem pensa em tirar ela daqui, vamos deixá-la dormir.

— Não, que ela durma. — Bella suspirou e foi sentar em outro sofá.

— Como foi sua terapia?

— Vou ficar bem — sussurrou. — Pode continuar com ela mais um pouquinho para eu ir comer?

— Óbvio, pedi para Sean fazer aquele hambúrguer de lentilhas para você.

Ela abriu um sorriso gigantesco.

— Maravilha, sério!

Uns trinta minutos depois, Bella voltou, eu estava novamente babando sobre Holly dormindo.

— Vocês são lindos. — Tocou em meu rosto, notei que ela tinha tirado uma foto nossa. — Meu bebê. — Se inclinou para beijar Holly.

— Bella, você não pode se abaixar.

Nem pareceu me dar ouvidos, mas deu a Holly que choramingou.

— Provavelmente é fralda — falamos juntos e sorrimos um para o outro. — Eu troco, vamos subir com ela, linda.

Bella topou e fomos para o quarto de Holly, eu a troquei e entreguei para minha esposa que foi amamentá-la. Quando aquilo acabou, continuamos no quarto de donuts, Isabella com ela na poltrona e eu deitado no sofá cama colocando o som de secador para tocar. Acabei no Google lendo mais sobre aquilo, parando apenas quando recebi uma mensagem da minha esposa.

A foto que ela tinha tirado nossa e uma frase.

Capitã: Eu amo vocês, Betty.

Sorri para a mensagem, deixei o celular de lado e fui até elas.

— Também te amo — falei para minha esposa.

— Vamos superar essa fase difícil, não vamos? — perguntou triste.

— Iremos superar quantas fases difíceis aparecerem, Capitã. Eu prometo.

***

Sexta, sábado e domingo foram dias longos. Bella e Holly chorando, por motivos diferentes e alguns iguais. Peitos machucados, gases, fralda cheia, sono, fome e mais.

Mas, conseguimos sobreviver. E na segunda-feira de manhã saímos de casa para a consulta com a pediatra. Não quis dirigir, estava muito cansado para isso, tinha dormido por uma hora na última noite e temia nos envolver em um acidente.

Bella foi no banco de trás com Holly, eu no banco do carona enquanto nosso motorista levava o carro. No carro de trás estavam nossos seguranças, o número de paparazzis acampando na porta do condomínio já tinha diminuído, mas os que persistiram nos seguiram até o consultório.

Lá conseguimos entrar direto pela garagem, impedindo que aqueles vermes tirassem foto de Holly. Na volta para casa, Irina me garantiu — por mensagem quando perguntei —, que eles também não obtiveram nada.

A consulta tinha sido boa, Holly fez mais alguns testes, a pediatra nos tranquilizou que ela estava bem mesmo com os episódios de cólicas e regurgitação, precisávamos ficar de olho naquilo e se continuasse talvez tentar suspender alimentos da alimentação de Bella que pudessem estar contribuindo para aquilo para testarmos se era algo relacionado a isso, como produtos com lactose. O peso de Holly estava dentro do esperado para um bebê de sua idade, fazendo xixi e cocô também de formas normais. Ela ainda tinha dificuldades em mamar da forma correta, mas a médica garantiu que com os dias Bella e o bebê iriam pegar o jeito da coisa.

Tiramos mais algumas dúvidas e voltamos para casa, Bella ainda estava com muita dor e com uma tristeza rondando seu olhar, mas parecia melhor do que no final de semana que chorava até quando não estava amamentando. Naquela noite, quando Holly dormiu após a mamada das oito da noite, eu dormi também, precisava muito.

Só um cochilo, era tudo que meu corpo queria para recuperar as forças. E quando acordei, notei que tinha dado certo, estava descansado como não me sentia desde o dia do parto.

Mas, logo depois que acordei, notei que algo estava errado. Se tinha sido só um rápido cochilo porque alguns feixes de luz solar entravam pelas cortinas mal fechadas da suíte?

Me remexi na cama, vendo que nem Bella, muito menos Holly estavam no quarto. Olhei para o relógio na mesinha de cabeceira e xinguei:

— Puta merda!

Não foi um cochilo, eu tinha dormido por doze horas.

— Porra! — continuei xingando, saindo da cama. Já eram oito e meia da manhã, eu não poderia ter dormido tanto.

Deixei nosso quarto, indo direto para o de Holly. Ela estava lá, dormindo em seu berço, com Bella em pé ao seu lado, olhando para nosso bebê.

— Capitã…

Isabella me encarou, com raiva em seus olhos castanhos. Não falou nada, apenas pegou o monitor da babá eletrônica do quarto e gesticulou para fora.

Suspirei, olhando uma vez para Holly antes de sair, voltando para nosso quarto. Bella fechou a porta, indo sentar na poltrona de amamentação que tínhamos comprado para a suíte, fiquei em pé, desconfortável e me sentindo um merda por ter dormido a noite inteira.

— Sua mãe e eu tentamos te acordar, diversas vezes — começou a falar, olhos vidrados no monitor da babá eletrônica. — Ninguém conseguiu, nem o choro de Holly. E olha que ela chorou muito.

— Me desculpa, Bella. Eu estava tão cansado, mas sei que não deveria ter dormido desse jeito.

Ela olhou para mim, olhos cheios de lágrimas e decepção.

— Holly passou a noite com cólica e gases — contou. — Eu quase tive sangue saindo dos meus peitos de tão machucados que estão. — Estremeceu. — E você não acordava, por nada, tive que acordar sua mãe para ela me ajudar. Sabe como me senti com isso? Sei que está cansado, mas imagine como eu estou, porra! — gritou e as lágrimas rolaram por seu rosto. Fiquei calado, sabendo que ela estava totalmente certa, eu tinha falhado feio. — Mas ainda assim não dormi nem por cinco minutos, fiquei acordada com a nossa filha com dor, enquanto eu estava com dor também. Não tive um bebê com a Esme, Edward, tive com você. Eu também não casei com um adolescente, você tem 24 anos e é um adulto, pode controlar seu sono e cuidar da sua filha, nem precisa cuidar de mim, mas precisa cuidar dela. — Apontou para o monitor. — Você sempre falou que ela seria sua prioridade, mas não foi o que pareceu nessa madrugada infernal.

Bella esfregou seu rosto, sem parar de chorar.

— Eu sou a mãe da Holly, não sua. Sou sua esposa e ponto, não deveria estar te dando um sermão porque você dormiu muito, só te faz parecer ainda mais um adolescente que perdeu a hora da escola. Se isso é sobre sua idade, se é muita responsabilidade para você, me diga agora — exigiu. — Nós duas podemos nos virar sozinhas, mas não vou continuar dividindo a cama com a porra de um cara que dorme por doze horas e não escuta nem a própria filha chorar de dor.

— Capitã, não… — Dei um passo em sua direção, mas ela fez sinal para eu parar.

— Não pense em vir me abraçar e beijar, isso não vai resolver essa situação. Você não faz ideia de como estou me sentindo, de como meu corpo e minha cabeça estão uma loucura, sei que não está fácil para você também, mas eu posso afirmar sem medo nenhum de parecer uma vaca que é pior para mim. Eu estou com os peitos feridos por ela, com as costas e pescoço em merda de mantê-la em meu colo mamando, preocupada com gases e cólicas, apavorada que ela possa parar de respirar e morra, que se sufoque no meio da noite regurgitando, apavorada que fique com fome por eu não conseguir a amamentar direito. Se alguma coisa acontecer com ela, nunca vou me perdoar. Então, ou você é o pai dela e faz a sua parte em manter essa criança viva também, ou você deixa a gente agora mesmo, não fica dormindo sob o mesmo teto que nós duas enquanto estamos sofrendo.

Terminei de andar até Bella, me ajoelhando na sua frente. Ela estava chorando, mas olhando para mim.

— Sinto muito, eu prometo que não vai acontecer de novo, Capitã.

Bella soluçou, colocando as mãos sobre sua barriga.

— Estou exausta, sinto que nunca mais serei eu mesma — murmurou. — Que agora sou só uma mãe paranóica. Eu amo ela, não estou falando o contrário, mas é tão cansativo. E você precisa estar ao meu lado — implorou, quando nem deveria estar fazendo isso, era minha obrigação.

Abri a boca para prometer aquilo também, mas pelo monitor vimos Holly começar a acordar. Isabella levantou prontamente indo até lá, eu a segui, hesitante. Temendo falhar de novo, mesmo que prometesse o contrário.

***

Na tarde daquela terça-feira, depois de Holly mamar, Bella foi dormir e eu fiquei com a Donut no quarto dela. A garotinha dormia em meus braços, enquanto estava sentado na poltrona a embalando.

— Sinto muito — falei para ela. — Por ter sido um idiota com você e sua mãe nessa última noite, não ouvi seu choro, ou ela me chamando. — Senti lágrimas deslizarem por meu rosto, mas não tentei mover uma mão para longe de Holly e secá-las. — Nada justifica o que deixei acontecer, dormir tanto assim foi um erro grave, se sua avó não estivesse aqui sua mãe teria ficado sozinha lidando com você, lindinha. — Chorei mais. — Vou tomar vergonha na cara…

— Acho bom.

Olhei para a entrada do quarto, vendo Charlie lá.

— Você errou feio mesmo, Cullen. Bella me ligou antes de você acordar hoje, chorando, aflita e exausta, me contou tudo. — Ele entrou no quarto, eu engoli em seco.

Charlie era um pai exemplar, eu era um bosta.

— Como ela está? — perguntou olhando para Holly.

— Melhor agora, não teve mais cólica — respondi.

Ele concordou com um aceno de cabeça e sentou no sofá, olhando diretamente para mim quando disse:

— Sei bem que ser pai não é fácil, Edward. Sou pai de três, de quatro, se contarmos o bebê que Carmen e eu perdemos. Eu tinha sua idade quando a Bells nasceu, então, você ser novo não é uma desculpa. Foi bem adulto quando fizeram a Holly, não é por minha filha ser mais velha que ela precisa ser a única responsável da relação, ok? — Eu assenti, envergonhado, ainda me sentindo um lixo por ter deixado Bella na mão. — Dito isso, preciso falar que você ainda irá errar várias vezes com a Holly e com Isabella. Não porque acho que você é um vagabundo, não, sério. Mas, por eu também ter errado com minhas filhas…

— Você não errou com elas — o interrompi, ele bufou.

— Renée explorou Isabella, a manipulou e fodeu com a cabeça dela bem debaixo dos meus olhos. Negligenciou Alice e Ness, depois fez com Alice o que tinha feito com Bells. Mas fui estúpido e não percebi nada disso, não era um pai tão presente quanto me tornei após aquela bosta de vídeo e mesmo assim não consegui afastar Alice daquela mulher. Eu tentava estar com as meninas ao máximo, mas ainda estava viajando por aí e tocando, poderia ter sido mais presente na infância delas e mais atento, percebido que elas não estavam crescendo em um lar saudável. Eu sei que minha neta tem a melhor mãe do mundo, então seja você o melhor pai, um muito melhor do que eu e o seu fomos. Você ainda vai errar, eu só espero que não cometa erros imperdoáveis. Dormir não é um deles, mesmo que tenha deixado Bells aguentar muito só na última madrugada, você ainda pode se redimir e permitir que Holly cresça em um lar saudável, amada por ambos os pais, crescendo sabendo que pode contar com eles para cólicas, ou para escândalos. Então, você irá errar, Bells vai acabar errando também, ninguém é perfeito nisso de criar filhos. No entanto, tudo vai cair sobre os ombros dela em maior escala, sabe como as coisas funcionam.

Eu sabia, Paul estava por aí livre, enquanto ela ainda tinha de lidar com o passado.

— Não seja um peso sobre os ombros dela, Cullen. Não seja um peso para Holly também.

Aquilo me fez chorar e olhar para minha filha.

— Elas precisam de você, como pai e marido. No momento, você é o genro em último lugar para mim, mas é único para as duas, não as deixe lidar com um único e primeiro lugar que não seja bom, sabe que elas merecem apenas o melhor.

***

De noite, enquanto Holly chorava para tomar banho em meus braços, Bella estava sentada sobre a tampa do vaso sanitário do banheiro do quarto dela, olheiras, cabelos presos em um coque bagunçado e com a frente de sua roupa manchada de leite.

— Acaba comigo ouvir ela chorando — se queixou e fungou.

Isso me acertou, eu não ter ouvido Holly chorar. E se um dia estivesse só com ela e também não escutasse? Algo sério poderia acontecer.

Mais tarde naquela noite, isso ainda me assombrava. Holly estava dormindo no berço do nosso quarto, Bella ainda cantava para ela e a olhava dormir, eu comecei a chorar.

— Me desculpa — pedi quando Bella olhou para mim. — Por ter sido insuficiente para vocês duas noite passada, por qualquer outra merda que já possa ter dito ou feito. Vou melhorar, me esforçar para ser o pai e marido que as duas merecem, eu prometo, Capitã.

— Não quero que você tente ser perfeito, Edward — ela falou para mim. — Só quero que esteja ao nosso lado, eu teria vivido a madrugada passada mil vezes se você estivesse com a gente. Também não quero ser perfeita, preciso que esqueça aquele papo de me ver como uma super heroína por conta do parto. Fui foda para caralho fazendo tudo sem anestesia, sei bem disso, mas ainda sou uma mulher que sente dor, fraqueza e não é imbatível. Eu não sou Zoe em Malibu. — Soltou uma risada fraca. — A alienígena com poderes, que uma hora estava vivendo dramas adolescentes, mas que em um piscar de olhos lutava contra vilões, não sou isso, não quero que me enxergue assim, tá?

— Me desculpa — pedi novamente, ainda chorando. — Eu não deveria ter te colocado nesse papel mesmo, nem vou te deixar mais agir como se fosse minha mãe e precisasse me colocar na linha. Chega disso, sou adulto, serei responsável, a criança aqui é Holly.

Foi a vez da minha esposa chorar. Chorar e se mover até estar em meus braços. Ela desabou, chorando até Holly acordar querendo mamar mais.

Uma madrugada longa nos aguardava, não dormi por um segundo querendo me redimir.

***

No dia 19 Jane e Alec iriam nos visitar para conhecer Holly. Isabella a vestiu com as roupas que o Volturi deu, que dizia sobrinha favorita.

Eu estava louco para rever Jane e que ela e Alec pudessem conhecer Holly pessoalmente. Já tinha trocado algumas mensagens com ambos, mas meu celular tinha virado mesmo um aparelho para tirar fotos do bebê e colocar o som de secador para tocar, assim como eu sabia que o da minha esposa também, ela só trocava mensagens com sua família e amigos mais próximos, porém assim como eu não ficava muito tempo batendo papo.

— Oi, lindinha! — Peguei Holly nos braços quando Bella terminou de vesti-la.

— Vou tomar um banho rápido, amor. — Bella beijou meu rosto e foi para nosso quarto.

Ela estava melhor, nós estávamos melhores. Ainda não era fácil, mas Holly estava mamando sem machucar tanto e dois dias antes Bella tinha passado em sua médica — em mais uma missão bem sucedida de nós dois e a equipe de segurança de preservar a imagem de Holly que precisou ir para o consultório também, já que a qualquer momento podia acordar querendo mamar —, começado a fazer um tratamento com laser para seus seios machucados. A pediatra, diante os mais frequentes episódios de regurgitação, cólica e gases de Holly, também sugeriu que Bella desse um tempo de comer alimentos com lactose, isso tinha um dia e não teríamos um resultado imediato, mas estávamos esperançosos que Donut melhoraria e eu já tinha feito Sean reabastecer a despensa com alimentos que minha esposa pudesse comer, mas sem impedir que ela comesse queijos, tomasse leite, ou qualquer coisa do tipo.

Psicóloga e psiquiatra de Isabella também estavam a ajudando, de olho em sua saúde mental e no evidente baby blues que ela estava passando — e melhorando também —, para que nada a levasse para mais uma crise depressiva, daquela vez uma depressão pós parto. Eu também já tinha voltado para minha terapia, precisava disso para colocar a cabeça em ordem.

— Quer que eu fique com ela, senhor Cullen? — Renata, a babá de Holly, apareceu no quarto da pequena.

Ela tinha começado a trabalhar dois dias antes, ainda era estranho, mas pelo menos era uma ajuda para as coisas mais práticas.

— Não, valeu — agradeci. — Mas você pode reabastecer as fraldas lá do banheiro?

Renata concordou e foi fazer isso, ela era uma italiana que vivia nos Estados Unidos desde adolescente. Tinha quase quarenta anos e era mesmo boa no que fazia, Holly quase não chorava no colo dela, mas Bella e eu concluímos que tínhamos uma filha mimada que chorava no colo de quase todos querendo voltar para nossos braços.

A babá faria turnos de 12 horas, dia sim, dia não. Era como a escala dela funcionava, se com o tempo precisássemos de mais ajuda, iríamos ter de contratar mais babás. Esperávamos ficar apenas com Renata por um tempo, sem querer várias babás cercando Holly.

Quando Bella ficou pronta, descemos com Holly. Minutos depois, Jane e Alec chegaram, sendo recepcionados pela madrasta deles, que no caso era minha mãe.

— Ed! — Jane exclamou entusiasmada quando me abraçou, Holly estava nos braços de Bella e Alec foi até elas.

— Como você tá? — perguntei afagando os cabelos loiros da Volturi.

— Bem, tão bem! — comemorou. — Sair da clínica foi ótimo, mas também foi bem importante ficar lá, sério. Ai que saudades, agora me larga, quero ver sua filha.

Nós rimos e ela foi ver Holly.

— Ufa, ela é sua cara, Bella!

Minha esposa riu alto, por sorte Holly estava acordada.

— Senti sua falta, Jane — Bella decretou.

— Claro que sentiu. — Jane piscou para ela. — Posso carregar essa coisinha linda que você pariu?

— Depois que lavar suas mãos.

— Justo — Jane concordou, eu levei ela e Alec para lavar as mãos, meu amigo também estava animado, falando como Holly era fofa e lembrando de quando Sam era daquele tamanho.

— Agora só falta você ter um bebê, Jane — falou para a irmã, que fez careta e enxugou suas mãos na minha camiseta.

— Jane! — protestei.

— O quê?

— Você é ridícula.

— Ridículo é o Alec querendo que todos tenham filhos.

— Não é assim, só to falando que do nosso trio falta apenas você.

— E não quero tê-los, continuará faltando para sempre. Vocês podem ter um milhão de bebês para eu mimar, é o suficiente para mim. Agora, Cullen, me deixa ir pegar sua filha e medir o tamanho dela, vou costurar aquela roupinha que prometi. — Tirou uma fita métrica do bolso de sua calça.

— É bom mesmo. — Eu a segui, Alec estava terminando de lavar suas mãos. — Tenho dois hobbys novos, falta você colocar o seu em prática.

— Duvido que sua comida seja boa — ela alfinetou quando entramos na sala, Bella estava dando beijinhos na bochecha de Holly.

— Jane, acredite, ele cozinha bem — minha esposa me defendeu.

— Ele é ótimo com comida italiana — mamãe acrescentou.

— Vocês duas não contam para dar opinião sobre Ed. — Ela balançou a sua fita. — Holly, vou te fazer uma roupa cheia de estilo!

***

Quando Holly dormiu, coloquei ela no berço e a garota não deu um resmungo em protesto, Bella me encarou em choque.

— Você sabe o que isso significa, pirralho? — questionou sussurrando.

— Eu sei. — Sorri, também surpreso. — Vamos poder sentar e almoçar juntos, a Renata fica de olho nela.

— Não acredito nisso, vou poder comer com você, faz tanto tempo que não sentamos para comer juntos sem a Holly no colo de um dos dois.

— É melhor a gente descer logo antes que ela acorde. Renata? — Olhei ao redor e vi a babá nos olhar com uma expressão divertida do outro lado do quarto, ela tinha um filho e era babá há anos, pais de primeira viagem comemorando aquilo deveria ser algo realmente engraçado por seu ponto de vista.

— Podem ir comer, fico de olho na pequena.

Almoçar com Bella foi ótimo, comemos conversando sobre a nova turnê de Riley que começaria aquele dia. O Biers tinha lançado seu álbum em Abril, assim como Cameron teve o seu lançado em Maio e o Caipira Swan colocou o seu no mundo no comecinho de Junho.

A turnê de Cameron iniciaria no final de Agosto, quanto a de Charlie no começo do mesmo mês. Carmen, que estava lidando com a pré produção do seu álbum desde que assinou contrato com a Hollywood Records e começou a gravá-lo para valer em Fevereiro, ainda não tinha uma turnê confirmada, a equipe da Swan Productions queria esperar a resposta do público em cima do lançamento do álbum dela que ocorreria em Outubro. Ela era uma novata como Cameron, porém com a diferença de ter tido seu passado exposto por Kevin, aquele maldito, e ter feito muitas pessoas passarem a não gostar dela.

O álbum de Kate que produzi também seria lançado em Outubro, mas dias antes do de Carmen. Já estava pronto, mas queríamos que ele saísse mais perto do final de ano garantindo as vendas que aconteciam mais nesta época.

— Ed, sua irmã mandou avisar que Carlisle já está na Inglaterra — minha mãe disse depois do almoço, eu estava com Bella e Holly na sala de TV, fazendo massagem no bebê para tentar aliviar suas gases.

— Valeu, mãe — agradeci.

Carlisle tinha viajado no dia anterior, já que suas férias acabavam naquele dia 19. Rose e ele foram ver Holly antes dele ir, meu pai estava encantado por ela e prometeu voltar em breve para vê-la novamente.

— Gases? — Esme perguntou.

— Sim. — Bella suspirou. — Espero que a mudança na minha alimentação ajude ela a melhorar. — Minha esposa mexeu nos cabelos de Holly, que estava deitada entre nós dois no sofá.

Madonna e Amy estavam por ali também, a gatinha deitada no encosto do sofá olhando para Holly e Mads no chão perto dos pés de Isabella.

— Também espero que melhore. — Mamãe afagou os cabelos de Bella. — Escutem, Aro me convidou para um jantar hoje com uns amigos dele, vocês acham que conseguem passar a noite sozinhos? Eu dormiria em meu apartamento — Seus olhos me encararam com julgamento, ela tinha ficado bem puta comigo, e com razão, por eu ter dormido e não acordado para cuidar de Holly dias atrás.

— Pode ir, mãe — garanti. — Ficará tudo bem.

Bella estava hesitante, mas sorriu para mim e falou:

— Divirta-se, Esme.

Minha mãe foi embora uma hora depois, Renata em seguida acabando seu turno. No horário que estávamos acostumando a dar banho em Holly fui acordá-la, iríamos testar aquele dia o ofurô que Amber deu de presente. Segundo ela, iria fazer o bebê relaxar.

Eu estava no quarto sozinho com Holly, tirando suas roupas para lhe levar ao banho, Bella tinha ido para a cozinha comer algo rapidamente antes de subir para colocarmos nossa filha na água. Coloquei Donut sobre o trocador, enrolada em uma manta e ela seguia sem querer acordar, era tão fofa, com os cabelinhos escuros, bochechuda, com cheirinho de bebê, mãozinhas e pezinhos minúsculos.

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Não me aguentei, tirei uma foto dela, e enviei para sua mãe com a mensagem.

Pirralho: Fizemos uma filha muito linda, estávamos bem inspirados.

Bella respondeu na hora.

Capitã: ELA É TÃO LINDA.

Capitã: Já vou subir.

Pirralho: Sem pressa, ela tá enrolando para acordar.

Capitã: Olha o tamanho desses pés!!!

Capitã: Quero morder ela.

Pirralho: Ela é um donut só no apelido!

Capitã: Donut mais lindo do mundo!

Bella não podia estar mais certa, peguei Holly do trocador e beijei a ponta do seu nariz.

— Vamos acordar, lindinha.

A água já estava pronta, então quando Bella chegou, tirei a manta de Holly e ela choramingou um pouco quando limpei seu rosto e cabeça ainda fora do ofurô. Enchemos ela de beijos antes de colocá-la lá, o coto, o restante do cordão umbilical, tinha caído na última madrugada, sendo assim não era mais uma preocupação.

— Ai, você tá segurando direito? — Bella indagou aflita enquanto eu segurava Holly pela cabeça.

— Tô sim. — Olhei para o rostinho dela, a garota de fato estava começando a relaxar, ainda mais com o som do secador rolando em meu celular que Isabella pegou para tocar. — Ela parece tá curtindo mesmo. — Sorri para Bella, que concordou, mais calma vendo que Holly estava bem.

Nossa filha tinha fechado os olhos e deu um sorrisinho, isso desmanchou meu coração e o da mãe dela.

— Lindinha, você está sorrindo — comemorei, mas falando baixo para não agitá-la.

— Meu amorzinho — Bella disse animada também. — Ed, ela tá sorrindo. Foda-se que seja um sorriso de reflexo, é o sorrisinho mais lindo do mundo.

Após o banho, que Holly saiu dormindo, eu a sequei e a vesti para a noite. Bella a colocou para mamar e quando acabou, me entregou Donut para que eu a fizesse arrotar e dormir, indo tomar seu próprio banho.

Fiquei cantando para Holly, enquanto andava com ela pelo quarto, sentindo o cheiro bom que ela tinha, seu calor e ouvindo seus resmungos enquanto lutava contra o sono.

And you can tell everybody. This is your song. It maybe quite simple but. Now that it’s done. I hope you don’t mind. I hope you don’t mind. That I put down in words. How wonderful life is. While you’re in the world¹. — A música era Your Song do Elton John e Holly pareceu amar, parando de resmungar, mas ela também parecia amar as músicas country que Bella cantava para fazê-la dormir. — Meu bebê — sussurrei. — Um dia irei te ensinar a tocar esta canção no piano — prometi.

— Edward? — Olhei para a porta do quarto, Bella estava ali, sorrindo para a gente.

— Oi, Capitã.

Bella andou até estar conosco, beijou a cabeça de Holly, depois ficou na ponta de seus pés e me beijou demoradamente.

***

Coloquei Holly no berço, com o máximo de cuidado possível e alcancei a vitória, ela não acordou. Expirei e sentei no sofá da sala de TV, onde o bercinho portátil dela do primeiro andar estava naquele sábado.

Ela estava completando treze dias de vida, mais cedo tínhamos recebido uma fotógrafa especializada em fazer ensaios com bebês recém nascidos e ela fez fotos de Holly sozinha e conosco. Já tínhamos recebido algumas e estávamos babando nelas, nossa filha era linda pra caralho.

— Você quer? — Bella surgiu na sala com um pote cheio de frutas vermelhas.

— Não. Obrigado, linda. — Ela sentou ao meu lado, começando a comer, Shrek entrou na sala também, cheirou o berço e deitou ao lado dele, de vez em quando levantando para dar uma olhada em Holly.

Ele e os outros tinham participado da sessão de fotos, ainda que Woody e Jude não tivessem cooperado muito, mas Bella e eu conseguimos três boas fotos com todos juntos. Uma delas, comigo carregando Holly, sentado na varanda, com Bella ao meu lado carregando Judy, Amy entre nós dois, Woody no encosto do sofá atrás da gente e Mads com Shrek à nossa frente no chão, tinha virado o protetor de tela do meu celular.

— Essa seria uma boa foto para postar. — Virei a tela do aparelho para Bella, que estava tirando os cílios postiços que colocou para as fotos.

— Seria mesmo, ainda mais com o Woody atrás como se tivesse visto um fantasma. — Riu, de fato ele estava com uma cara assustada olhando para a câmera. — Joga no lixo pra mim depois. — Enfiou os cílios no bolso do meu moletom.

Nada disso era nojento, não quando na última troca de fralda Holly tinha feito cocô em minhas mãos.

— Você quer postar alguma foto? — ela perguntou enchendo a boca com as frutas.

— Quero, mas também não quero mostrar o rosto dela. E só postaria se você também quisesse.

Ela terminou de mastigar e engolir para falar:

— Podemos fazer como outras pessoas, colocar algo para tapar o rosto dela, ou só postar alguma que ela esteja de costas. E eu também estou considerando seriamente postar. Me dá aqui. — Estalou os dedos e em seguida fez sinal para eu entregar meu celular, passei para ela, que o desbloqueou e abriu a galeria.

Ficamos vendo as fotos que já tínhamos recebido, até ela anunciar:

— Aqui, parece perfeita.

Naquela foto nós dois estávamos sentados no banco do meu piano na sala de música, de costas para a foto. Nem nossos rostos, ou o de Holly que estava nos braços de Bella enquanto eu tocava, apareciam. Tudo que aparecia de Holly era sua manta branca e seus pés cobertos por meias amarelas com desenhos de donuts.

— Quer postar essa? — Bella perguntou animada.

— Você topa mesmo? — Mexi em seus cabelos.

— Sim, vamos postar. Não temos nenhuma postagem publicitária programada para os próximos dias, não estaremos movimentando nossos perfis para em seguida publicar algo pago, claro que postar algo dela irá movimentar muita coisa das marcas que estamos ligados, da boate e nossas músicas, mas não acho que isso seja cruzar uma linha e colocar Holly como uma isca monetária. Você acha?

— Não, só fico receoso de falarem mal dela, mas quero muito finalmente poder eu falar dela.

— Te entendo, amor. E as pessoas já falam dela. — Um brilho de ódio cruzou os olhos de Bella.

— Você leu algo, Isabella? Pensei que não estivesse entrando em redes sociais.

— Acabei entrando ontem — admitiu. — Li alguns absurdos, mas não deixei isso me afetar, muito. — Me devolveu o celular.

— Ok. — Roubei uma framboesa dela. — Vamos postar. Cadê seu celular?

— Lá no quarto, pega pra mim?

Subi e desci, entreguei seu celular e começamos a postar a foto ao mesmo tempo, cada um em sua conta no Instagram. Bella começou a chorar, mas não me deixou espiar sua legenda, ainda que quisesse espiar a minha.

Por fim, eu escrevi tudo e publiquei.

“No dia 7 de Julho minha vida mudou por completo, após longas e ansiosas semanas de espera, Holly nasceu, na sala tocava a canção que nos inspirou a escolher seu nome. F

Tê-la em nossos braços é algo mágico, ser pai dela é uma honra.

Eu conheço mais um pouco dela a cada dia, ela tem muito da mãe e isso me fascina. São as duas pessoas mais importantes da minha vida, então saber que nossa filha parece com Isabella é como ganhar na loteria em dobro.

Peço que vocês sejam gentis, com minha esposa e com nosso bebê que tem apenas treze dias nesse mundo. Nós estamos felizes e bem exaustos, mas muito gratos por ter Holly.

Vocês me acompanharam por diversas situações ao longo desses anos, mas fiquem sabendo que essa é a mais feliz de todas. Isabella, muito obrigado por dividir uma família comigo. Eu amo você e nossa pequena Donut.”

Olhei para Bella, que já estava vendo minha publicação. Abri a dela para ler, mesma foto, palavras diferentes, mas uma emoção parecida.

“Quando criança eu amava brincar de bonecas e fingir que elas eram minhas filhas, é louco pensar que finalmente tenho meu bebê em meus braços. Holly é perfeita, roubou meu coração para si no primeiro segundo.

A maternidade está longe de ser tranquila, mas eu faria qualquer coisa por minha garotinha. Amo ser a mãe dela, amo tudo nela.

Uma vez, durante a gestação, pedi que vocês não odiassem meu bebê. Hoje peço isso novamente, ela não merece qualquer tipo de ódio, acreditem em mim.

Obrigada a todos que sempre desejaram coisas boas para minha família, obrigada à equipe que cuidou de nós duas no hospital, obrigada à minha sogra e à minha melhor amiga que estiveram lá comigo.

Edward, criar uma filha com você tem sido incrível. Você e ela são os grandes amores da minha vida. Quando está com Holly em seus braços só consigo pensar em como sou sortuda por nossos caminhos terem se cruzado.

Holly Swan Cullen é uma menina linda, mas decidimos preservar o rosto dela, ao menos por enquanto. Respeitem isso também, por favor.

Até mais, se cuidem!”

— Te amo. — Beijei a cabeça da minha esposa que estava chorosa. — E eu sei que não sou tão incrível assim, mas irei continuar me esforçando.

— Cala a boca, você é incrível. — Me abraçou apertado. — Eu falei sério, vocês são os amores da minha vida.

Ficamos ali agarrados, trocando beijos rápidos e olhando para Holly dormindo. Também vimos algumas respostas para nossas publicações.

“Bem vinda, Holly. Estávamos ansiosos esperando você, a Donut mais famosa de Hollywood.”

“Bem vinda, Holly!! Estava achando que você ia deixar a gente esperando muito mais tempo. Que sua vida seja doce, Donut favorito de Hollywood.”

“Bem vinda, Holly!!! Que você tenha uma vida incrível, seus pais e seus fãs te amam. DONUT DE MILHÕES.”

“Holly Holly bem vinda a esse mundo louco!!!! Seus pais são maravilhosos!!! Isabella, Ed, parabéns pela chegada da Holly!!! Vocês serão pais maravilhosos.”

“Feliz vida Holly! Que sua vida seja repleta de bênçãos e felicidades.”

“Seja muito bem vinda, Holly!!! Olha você tirou a sorte grande pois seus papais te amam muito e vão sempre priorizar a sua felicidade, seja muito feliz!! Parabéns, Ed e Isabella.”

“Aquele letreiro em Hollywood? É todo dela, pois é a cidade de gata, é verdade os pais dela me disseram que compraram pra ela. Que venha com muita saúde para tocar o terror nas terras dela.”

“Acompanho o Ed desde o comecinho, nem acredito que ele agora é pai, é muita felicidade. Holly, nós já te amamos!”

“Voltei a ser fã da Isabella no último ano, eu assisti todos os trabalhos dela e acompanhei muitas entrevistas. Desde pequena era isso aí mesmo, ela falando sobre querer construir uma família com alguém que amasse muito e ter filhos, tô mega emocionada que ela conseguiu.”

“A gente só tá vendo os pés da Donut (cobertos por meia) e já podemos considerar ela o bebê mais lindo do mundo se o Ed disse que ela parece com a mãe. Parabéns pela garotinha de vocês, que sejam os três muito felizes!!!”

“Olha, eu não gostava da Isabella, mas ver como o Ed parece feliz me fez mudar de opinião. Ela também tá feliz. A Holly deve tá feliz. Isso tudo é o que importa!”

“Depois de tudo que eles passaram ver esses dois finalmente postando uma fotinho com a Holly aquece meu coração, cara. Espero que um dia eles postem a carinha dela, mas caso não aconteça vou entender. Holly, saiba que você é a bebê mais amada do mundo.”

“Eu me tornei fã deles depois daquela matéria lá expondo o relacionamento, não sei como tem gente torcendo contra esse casal, é só ver como eles se olham, falam um com o outro e tudo mais. Também sou mãe, tive um bebê dois anos atrás quando tinha só 20 anos e é tudo menos tranquilo, forças, Isabella.”

Holly acordando, chorando alto e movendo muito suas pernas contra o peito, um indicativo que estava com dor, fez com que parassemos de ler as respostas. Os celulares foram ignorados, pegamos o bebê e fomos cuidar dela.

***

No final de Julho, com Holly maior, mamando e dormindo melhor. Sem ter mais tantos gases e quase nada de cólicas, Bella decidiu algo.

— Preciso sair de casa sem ela, por uma hora, duas no máximo. E distrair minha cabeça, acho que é importante, para eu conseguir entender que não preciso estar perto dela 24 horas.

— Você pode sair amanhã. — Era noite do dia 30, Holly estava em meus braços para arrotar. — Saí ontem, você sai amanhã.

— Você foi trabalhar — Bella murmurou.

Eu tinha ido para uma reunião na gravadora, poderia ter mandado meu advogado, mas Isabella insistiu para que fosse e representasse ela também.

— Sairia para fazer qualquer coisa, menos trabalho. — Suspirou. — Mas fico com vontade de chorar só de me imaginar longe dela.

— Capitã, você precisa sair — foi minha vez de insistir. — E acho que deveria fazer isso com Alice.

— Por quê?

— Porque sua irmã não tem filhos, nem quer, ela vai saber te distrair de ficar só com o assunto Holly na cabeça.

— É, faz sentido. Ok, vou ver com Alice se ela quer ir ao salão fazer as unhas. Saio de casa quando Holly acabar de mamar e volto antes da próxima mamada, mas vou deixar leite, você, sua mãe ou Renata podem tentar dar para ela no copinho se for necessário, o que espero que não seja.

Me aproximei dela, virei Holly em meus braços, deixando que ela visse a mãe. Minha esposa sorriu e beijou a bochecha da nossa filha.

— Ela vai ficar bem, não irei tirar os olhos dela. Confia em mim?

— Confio, amor.

Alice buscou Bella em casa na manhã seguinte, minha esposa estava nervosa e a irmã dela animada. Holly ficou bem, logo depois que a mãe saiu ela dormiu em meu colo, eu estava sentado no sofá da varanda, com Jude deitado ao meu lado, ele estava bem mais tranquilo com a chegada do bebê, até assumia uma postura de protetor sobre ela.

Shrek e Madonna eram loucos para brincar com ela, Amy gostava de invadir o quarto de Holly para dormir lá como fazia na gestação, mas não permitiamos isso. Woody, bom, ele continuava cuidando da sua própria vida aprontando pela casa.

— Senhor Cullen, precisa que eu pegue a Holly? — Renata perguntou.

— Não, não, pode deixar que fico com ela.

Nos últimos dias tentamos deixar Renata mais tempo com Holly, mas era mesmo difícil soltar o bebê. Ela concordou, falou que iria arrumar o quartinho da minha filha e nos deixou só.

Minha mãe estava precisando resolver algumas coisas da ONG e estava na sala de jantar trabalhando, os outros funcionários da casa também cuidavam das suas funções. Eu só precisava ficar com Holly e faria isso com prazer, continuamos ali do lado de fora até eu achar que estava muito quente para ela.

Com cuidado me levantei, entramos e fomos para a sala de TV. Deitei no sofá, com ela em cima de mim, sem dar qualquer indício de sono perturbado pela movimentação. Tirei fotos dela e mandei para minha irmã, Rose estava toda enrolada com seu livro, mas tinha conseguido visitar a sobrinha há três dias e levou Emmett junto daquela vez, também já tínhamos recebidos mais visitas, repetidas e novas, como de Kate e Irina, Laurent e Alistair também apareceram, assim como Amber e Jessica.

O celular em mãos, Holly dormindo e eu sem querer ligar a TV, acabou me fazendo entrar no Twitter. Não era a primeira vez desde o nascimento dela, tinha entrado ali algumas vezes nos últimos dias, mas não passei muito tempo.

E na mesma hora que entrei, começaram a pipocar tweets envolvendo Isabella.

“Isabella Cullen larga filha em casa e vai ao salão de beleza.”

Fotos e vídeos da minha esposa entrando no salão foram capturados por paparazzis. Em um vídeo, um dos paparazzis de merda perguntava:

Cadê sua filha, Isabella?

E ela respondeu, curta e grossa:

Foi pra faculdade.

Eu ri, mas parei quando Holly resmungou um pouco.

Caí em um poço de comentários na publicação daquele vídeo, a maioria xingando Isabella por já estar indo ao salão sendo que tinha um bebê em casa. Não aguentei e publiquei um tweet.

“Holly está em casa com o pai dela, que sou EU. Parem de fiscalizar os passos da minha esposa, cuidem das suas próprias vidas.”

Cinco segundos depois, Bella mandou uma mensagem.

Capitã: Já tô no salão, como a Holly tá?

Pirralho: Dormindo.

Capitã: Paparazzis me abordaram aqui, mas os seguranças estão os contendo lá fora. Eu fui bem irônica respondendo um…

Pirralho: Eu vi e adorei, linda.

Capitã: Claro que você adorou. Vou precisar soltar o celular, mas qualquer coisa me liga, tá?

Pirralho: Pode deixar.

Holly tinha acabado de acordar quando Bella chegou, minha esposa subiu rapidamente para trocar de roupa e desceu para amamentar.

— Já estava morrendo de saudades de você, filha. Sentiu falta da mamãe? Ou só ficou se aproveitando do colo do seu pai?

— Segunda opção — respondi por Holly, Bella virou o rosto para mim ao seu lado e nos beijamos.

— Senti sua falta também, amor. E amei seu tweet.

***

Renesmee foi visitar Holly de tarde, a irmã de Bella estava mais calada e visivelmente preocupada, isso se devia ao fato de ela no dia seguinte precisar ir ao tribunal prestar testemunho no julgamento de Nicole. A modelo estava sendo julgada pela morte de Nahuel, enfim, após todo aquele tempo.

Charlie e Alice iriam com ela ao tribunal, Bella queria muito estar junto, mas não deixaria Holly um segundo dia seguido. Alec também queria ir, mas Ness pediu para que ele não fosse.

A irmã caçula de Bella já tinha ido há algumas horas quando postou nos stories do Instagram uma foto que tirou com Holly, depois que postamos a primeira foto com ela permitimos que os outros também postassem, desde que não deixando o rosto dela aparecer. Naquela nem o rosto de Ness aparecia, mas sua sobrinha estava dormindo agarrada nela. A Swan tinha escrito na imagem: princesinha da tia.

— Como pode ela ser tão linda? — Bella perguntou, estava sentada na poltrona de amamentação do nosso quarto, com Holly dormindo em seu colo depois de arrotar.

— Ela é sua filha, claro que seria linda — falei e tirei uma foto delas.

Coloquei no editor de fotos, botando um emoji de coração vermelho no rosto de Holly. Já tínhamos feito isso com outra foto que postamos dela dias antes, aquela que estávamos cercados por nossos bichos de estimação.

Escrevi a legenda, mas antes de postar mostrei para Bella, que riu.

— Pode postar sim, amor.

Eu sorri e postei.

“Holly acabou de voltar da faculdade, que alegria!”

— Irina e Tanya vão querer arrancar os cabelos com a gente — Bella disse. — Mas eu nem ligo. — Beijou Holly. — Só ligo pra você, filha.

***

Holly estava ganhando peso, crescendo e muito bem de saúde. A consulta dela de um mês foi sucesso, assim como a de Bella também foi. As duas estavam ótimas e teria sido o dia perfeito, caso não fosse outra paciente da médica de Isabella que na saída do consultório conseguiu fotografar Holly no bebê conforto.

Tínhamos acabado de pisar em casa quando descobrimos, Irina ligou e avisou, a mulher tinha postado no seu Instagram, mas a imagem já estava circulando por toda a internet. Na hora liguei para nossos advogados, eles iriam cuidar de mover um processo contra a mulher por exposição de menor sem autorização dos pais, não teríamos muito controle com a foto circulando pelo Twitter e outras redes sociais, mas também iríamos processar sites e contas de grande alcance que usassem a foto dela para lucrar.

Bella também estava furiosa, ligou para sua médica e falou quão insatisfeita estava com toda aquela merda. Madeleine prometeu parar de atender a mulher, liberar as imagens de câmera de segurança da clínica onde a fulana aparecia fotografando Holly e também redobrar os cuidados do local para que não acontecesse de novo.

— Bella, saí do Twitter — pedi a vendo com o celular em mãos horas depois, sabendo bem que ela estava fazendo aquilo.

Eu estava deitado na nossa cama com Holly, ela estava acordada, uma mão segurando meu dedo, enquanto olhava para o bichinho que eu balançava na sua frente com a outra mão.

— Bom, pelo menos os fãs estão ajudando a denunciar quem está postando a foto dela — minha esposa contou, largou o celular e deitou com a gente. Eu afastei o elefante de pelúcia para Bella entrar no campo de visão de Holly. — E muita gente tá falando sobre você ser muito linda, filha.

— E amanhã vamos para a praia fazer fotos — comemorei.

Isabella e eu iríamos com ela, Rose e Renata para Malibu. Lá a fotógrafa que tirou as primeiras fotos profissionais de Holly tiraria mais, por ela ter nascido no verão queríamos um ensaio fotográfico na praia.

Na manhã seguinte, saímos cedo para Malibu. Com Holly em sua cadeirinha no banco de trás, Bella lá com ela. Eu dirigia, minha irmã estava ao meu lado, respondendo mensagens de nossa mãe, que já tinha voltado a trabalhar e a ficar em seu apartamento, Isabella e eu estávamos tendo mais horas de sono com Holly dormindo mais e nos virando melhor só nós dois para cuidar dela, ou contando com a ajuda da babá. Renata estava no carro nos seguindo com os seguranças.

Paramos em mais um engarrafamento, suspirei e abri o teto solar um pouco a pedido de Isabella. O Sol ainda era fraco e Holly poderia ser exposta a ele. Estiquei um braço e coloquei a mão na parte de trás do encosto do meu banco, senti minha esposa unir nossas mãos e sorri. Ficamos assim até eu voltar a dirigir.

Em Malibu foi tudo tranquilo e voltamos para casa no mesmo dia, não queríamos dormir lá e nem tínhamos levado nenhum berço de Donut. Já enquanto Bella amamentava Holly no nosso quarto, eu postei nos stories uma foto que tirei de Madonna, minha esposa e nossa filha naquela manhã. Na verdade, o foco da foto era Mads, que estava cheirando o bebê no colo de Bella, só aparecia a mão de Bella e a manta de Holly.

E no feed do Instagram publiquei uma foto que tirei com Holly assim que acordamos, com ela vestindo uma roupinha com estampa de Sol. O foco da foto foi do pescoço para baixo, principalmente em suas mãozinhas e como uma delas estava segurando o polegar da mão que usava para segurá-la.

Naquela madrugada, entre uma mamada e outra, postei a foto que Bella tirou das nossas mãos juntas no carro. Nela escrevi: entre um engarrafamento e outro.

— Queria tanto ir para algum show do papai — Bella se queixou às cinco da manhã com Holly em seu colo mamando. Eu estava dando água e algumas torradas para minha esposa faminta comer.

Charlie estava na Flórida para seu próximo show, mas ele tocaria em Los Angeles no final de Agosto. A turnê dele seria curta, apenas Estados Unidos e nem passaria por todos estados, ele tinha decidido assim, não queria ficar muito tempo longe das filhas, ou da neta, nem da esposa, tanto que suas apresentações eram somente em finais de semana.

— Na próxima turnê.

— Mas quero que você vá no show dele aqui, amor.

— Não sei, Bella, vamos ver. — Lhe dei mais um pouco de água. — Como pode uma menina desse tamanho estar mamando por uma hora?

— Meus peitos fazem a mesma pergunta, mas está sendo bem melhor agora do que no começo da amamentação.

Naquela sexta-feira recebemos várias visitas de uma só vez, mas isso não pareceu estressar Holly. Minha irmã, Emmett, mamãe, Aro, Jane, Ness, Alec e também o pequeno Samuel, que parecia muito grande perto de Holly.

Foi um jantar excelente com eles, era bom reunir as duas famílias e naquele dia Ness estava mais animada com o julgamento de Nicole tendo sido encerrado. A mulher tinha sido condenada à prissão perpétua pelo assassinato, Renesmee não estava feliz com isso, segundo Alec toda a história ainda confundia os sentimentos dela, mas estava feliz em acabar com mais aquele capítulo de um passado que ainda a assombrava.

***

Em um domingo, quase no final de Agosto, saí para passear com Shrek, Madonna e Jude pelo condomínio de noite, estavam muito inquietos e causando demais. Então, depois de dar banho em Holly — função que eu tinha assumido integralmente —, coloquei as guias e saí com eles.

Os três estavam explorando uma grama, eu deixei e peguei meu celular para enviar para Bella a foto que tinha tirado dela beijando Holly após o banho. Nossa filha estava sorrindo, a coisa mais linda do mundo.

Pirralho: Ela é tão lindinha!

Isabella enviou de volta uma mensagem de Holly mamando, que só me fez sorrir mais. Quando achei que os três tinham passeado o suficiente, voltamos para casa e só aquela caminhada me cansou. Precisava me exercitar novamente, Isabella também, mas estávamos enrolando.

O sexo tambem já poderia ser retomado, só que com um bebê pequeno e a gente sempre cansado, era a última coisa que pensávamos em fazer.

Entrei em nosso quarto e vi e ouvi Bella dançando com Holly pela suíte e cantando, tentando fazer a garotinha dormir. Minha esposa cantava Daylight, uma das músicas do novo álbum de Taylor Swift, Lover tinha sido lançado dois dias antes e estava sendo o cd mais escutado naquela casa.

No mesmo dia do lançamento Bella tinha postado uma foto que tirou minha carregando Holly em Malibu na praia, com a legenda: enquanto escuto o Lover só consigo pensar em meu marido e como ele também me fez perceber como o amor é dourado e brilhante, principalmente quando está com nossa filha em seus braços.

Bella me viu e fez um sinal com a cabeça para que eu me juntasse a elas, assim fiz. Envolvi as duas em meus braços, ela continuou a cantar e dançamos juntos com nossa filha.

I don’t wanna look at anything else now that I saw you. I can never look away. I don’t wanna think of anything else. Now that I thought of you. Things will never be the same².

***

Amber e Samuel foram visitar na terça-feira, eu estava com o garoto em meu colo, enquanto ela tinha Holly e Bella estava comendo.

— Está sendo tão legal gravar o filme — Amber contou, o filme de Aro que ela estava gravando tinha começado a ser rodado no dia 15 daquele mês, ali mesmo em Los Angeles, mas também iriam gravar em outras cidades. — Só é muito chato ficar longe desse pequeno. — Ela sorriu para o filho em meu colo e não fez cara feia para mim, não éramos melhores amigos, com certeza não, mas estávamos nos tolerando mais.

— Ele vai com você quando forem gravar fora de Los Angeles? — Bella perguntou.

— Sim, Alec e eu contratamos duas babás e ele também vai ir quando puder, agora que está enrolado com as gravações do novo filme dele por aqui. — Holly resmungou no colo dela, mas Amber rapidamente se levantou e ficou passeando com ela pela sala, isso fez minha filha se acalmar. — Viu? Tudo bem, Holly, não precisa chorar — falou com ela gentilmente.

Samuel continuava em meu colo entretido com um bichinho de pelúcia de Holly, ele queria brincar com ela, mas ainda era muito pequena para esse tipo de interação.

— Tirei uma foto com a Holly — Amber falou na hora de ir embora, eu estava a ajudando a colocar Samuel na cadeirinha do seu carro. Mostrou a tela do celular deixando que eu visse a foto de Holly em seu colo. — Vou colocar um coração no rostinho dela como você, a Bella e os outros fazem. Sua esposa deixou eu postar, mas pediu para conferir com você se tudo bem. Então, tudo bem?

— Claro, pode postar sim.

— Perfeito, valeu.

Terminei com Samuel, que estava dormindo e fechei a porta do carro com cuidado para o barulho não acordá-lo.

— Tchau, Cullen — Amber disse. — Cuida das meninas.

— Pode deixar, manda uma mensagem pra Bella ou para mim avisando que chegou bem em casa com o Sam — pedi.

— Olha só você, todo responsável — provocou e antes de entrar em seu carro disse. — Gosto um pouco mais de você agora, é mais fácil não sentir raiva te vendo ser legal com meu filho e sendo um bom pai para Holly, como um bom marido para Bella. Não estrague tudo com elas.

— Não vou. E também gosto um pouquinho mais de você.

— Excelente, assim a gente não se mata. Até mais!

— Dirige com cuidado. — Ela entrou no carro e antes de fechar a porta concordou.

— Pode deixar, eu mando mensagem pra Bella quando estiver em casa com o Sam.

Eles foram embora e voltei para casa, louco para pegar meu bebê no colo.

***

Bella saiu com Alice no dia seguinte, para o salão novamente indo fazer suas unhas. Holly não ficou só dormindo como da primeira vez.

Eu não estava sozinho com ela, Renata estava ali, mas tentei assumir a maior parte da situação. A babá preparou o leite que Bella tinha deixado, me dando um copinho para dar para Holly, ela estava com fome mesmo tendo mamado antes da mãe sair.

— Holly — choraminguei quando ela praticamente cuspiu o leite em mim, sem querer beber do copinho. — Você está com fome e enquanto sua mãe não volta é assim que tem que rolar. — Tentei mais uma vez, ela bebeu um pouco antes de recusar novamente.

Renata trouxe mais, tentei mais um pouco, mas Holly continuava negando e ficando muito nervosa de fome. Sendo assim, eu cedi e deixei a babá dar, Donut recusou com ela também, mas na segunda tentativa tomou o leite, peguei mais e o bebê conseguiu tomar até se saciar.

Me senti mal e com vontade de chorar por não ter conseguido só, mas forcei um sorriso, agradeci Renata e pedi para ficar sozinho com Holly. Fiz ela arrotar e dormir, a garotinha ainda estava em meu colo quando fez cocô.

A coloquei no trocador e fui premiado, tinha vazado pela fralda. Literalmente uma grande cagada.

E bem na hora Bella começou a mandar mensagens.

Capitã: Manda foto dela

Capitã: Amor.

Capitã: Foto.

Capitã: Foto!

Capitã: Edward, cadê vocês???

Tirei uma foto de Holly, que estava dormindo e nem tinha se incomodado ainda com sua fralda e bumbum sujos, mas não fotografei aquela parte. A foto foi da barriga para cima, mostrando uma Donut dormindo e até fazendo biquinho. Eu não queria que Bella ficasse preocupada e quisesse voltar para casa antes.

Pirralho: Oi, mamãe.

Capitã: Ai, eu amo tanto.

Capitã: O biquinho, Betty.

Capitã: Ela tá bem?

Pirralho: Tá ótima, pode curtir sua folga.

Me livrei do celular e fui limpar Holly. Quando Bella voltou, contei tudo para ela. Meu fracasso em alimentar o bebê e a cagada, estava muito decepcionado comigo mesmo.

— Amor, tá tudo bem — Bella garantiu. — Vamos treinar com o copinho outras vezes, você vai pegar o jeito.

— Ou não — resmunguei.

— Você pode me alimentar — Bella disse, ela estava amamentando Holly. — Adoro a comida do Sean e ele já está fazendo o almoço, mas eu amaria comer um daqueles seus omeletes em formato de coração. Faz pra mim?

Aquilo me animou, seria bom me distrair na cozinha. Desci e fui fazer o omelete para Bella, estava terminando de colocar no prato quando minha esposa mandou uma foto de Holly sorrindo com a boca aberta e olhos fechados, seguida de duas mensagens.

Capitã: Oi, papai.

Capitã: Traz a comida da mamãe logo.

Pirralho: ISABELLA.

Pirralho: A carinha dela!

Respondi já subindo, mas lá em cima Bella não estava mais relaxada como antes.

— O que foi, linda?

— Meu pai acabou de mandar uma mensagem, Richard deixou a reabilitação.

***

Tanya pegou Holly de mim, começando a encher o rostinho dela de beijos.

— Ed, eu não posso ir? — Tina perguntou.

Santiago estava em Vancouver trabalhando e eu teria de ir ao show do Charlie, naquele último dia de Agosto. Sendo assim, Tanya e Bella decidiram que Tirana e Valentina fossem dormir na mansão para cuidarem das meninas juntas. Tina estava empolgada com isso, ela já tinha conhecido Holly e a adorado, mas ela também queria ir ao show exibir sua fantasia de Branca de Neve nova.

— Não pode, Tina. Se você fosse quem iria ajudar sua mãe e a Bella a cuidar da Holly?

Valentina suspirou, mas assentiu.

— Tá certo, vou ficar de olho na Holly.

— Muito obrigado. — Beijei a bochecha dela e me voltei para Bella.

— Se cuida. — Me deu um forte abraço.

Ela sabia que eu estava uma pilha de nervos, com medo de Richard aparecer no show. Charlie tinha o convidado, porém não sabia se o jornalista iria.

— Vou me comportar — prometi.

Nos beijamos, eu dei tchau para Holly, Tanya e Tina e deixei a casa. Meu motorista estava me levando, também tinha seguranças indo comigo.

No caminho até lá, não apenas a ideia de poder acabar topando com Richard, mas estar em uma arena lotada — ainda que em um camarote privativo com o resto da família de Charlie e amigos dele — mexeu comigo. Eu mal saia de casa desde Holly, era estranho estar indo para um lugar com tantas pessoas.

Mas, iria aguentar firme. Abri a galeria do celular e fiquei vendo fotos de Holly e Bella, também fui para o Instagram. Mais cedo naquele dia minha esposa tinha postado uma foto da Donut deitada no sofá, com Shrek a olhando de perto e nosso bebê olhando para a câmera.

Minha filha era tão linda, porra!

— Pai do ano! — Alice gritou quando entrei no camarote já cheio.

— Ed! — Ness me abraçou, ela estava cheirando à cerveja, agradeci quando Alec a afastou de mim.

Cumprimentei todos, Jasper e Carmen também. Então, vi Richard do outro lado do camarote, ele também bebia uma cerveja, parecendo ignorar que tinha acabado de deixar uma clínica de reabilitação após meses.

Falei com outras pessoas do camarote, mas não me dei ao trabalho de ir falar com o jornalista que olhava para mim com ódio. Troquei algumas mensagens com Tanya, falei que Richard tinha ido e perguntei como minha esposa e Holly estavam, ela me garantiu que ambas estavam ótimas e isso me relaxou um pouco.

Também relaxei mais durante o show, não era um fã de música country, mas meu sogro tinha mandado bem naquele álbum, precisava admitir. Ainda assim, me senti mais aliviado quando acabou.

Todos iriam para uma festa na casa de Charlie e Carmen depois dali, mas eu só precisaria ir até o camarim com os outros genros do Swan, suas filhas e esposa, tirariamos uma foto em família e depois disso voltaria para minha casa e para minhas garotas.

Charlie odiava receber visitas antes dos shows dele, mas gostava da confraternização pós apresentações. Ficou muito animado quando aparecemos, só lamentando que Bella e Holly não poderiam estar ali, eu o parabenizei, sendo sincero que tinha gostado muito de tudo e posamos para algumas fotos.

Me permiti parar uns minutos para conversa antes de ir, estava rindo com Jasper e Charlie de algo quando ouvi Carmen exclamar:

— Oi, Richard!

Olhei para a porta e vi o jornalista entrando, Charlie foi até ele e o abraçou, dizendo estar feliz em vê-lo depois de todo aquele tempo. Jasper me perguntou baixinho:

— Quer ir embora, cara?

— Sim. — O camarim de Charlie tinha duas portas, ele estava com Richard perto de uma e eu só precisaria de alguns passos para sair pela a outra.

— Eu preciso ir, tchau! — Me despedi alto de todos e comecei a andar, Charlie já tinha soltado Richard e naquele momento o jornalista falou para mim.

— Indo foder a gostosa da sua esposinha, Cullen? — Ele estava bêbado, e suspeitei que sob uso de cocaína também, sua voz era um bom indicativo disso.

O camarim ficou em silêncio diante a fala dele, eu quis ir até lá e arrebentar a cara daquele merda, mas me contive. Não iria mais sair por aí socando ninguém, Holly não precisava de um pai violento, mesmo que fosse violência contra aquele bosta que já tinha feito muito mal à mãe dela.

— O que você disse? — Charlie perguntou confuso, Richard riu.

— Não surte, Charlie — ele pediu ainda rindo. — Só não posso mentir, sua filha é uma gostosa do caralho, eu mesmo queria foder ela, já tentei um milhão de vezes.

Bom, eu não bati em Richard, mas Charlie socou a cara dele naquele instante.

Notas finais
¹E você pode contar pra todo mundo. Que esta é sua canção. Pode ser bem simples. Agora que está pronta. Espero que você não se importe. Espero que você não se importe. Que eu expresse em palavras. Como a vida é maravilhosa. Com você nesse mundo. ²Eu não quero olhar para mais nada agora que te vi. Não consigo mais deixar de olhar. Eu não quero pensar em mais nada. Agora que pensei em você. X Três capítulos e o Epílogo para a história acabar, vou ali chorar. Beijos! Lola Royal. 01.05.22