Hollywood

101 Capítulo Noventa e Nove


Notas iniciais
Oi, pessoal! Bom, é isso, o penúltimo capítulo chegou. —__ Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —___ Grupo no Telegram: https://t.me/joinchat/MrT_3cJdpvtiZDdh —___ Me siga no Instagram: @autoralolaroyal —___ Músicas do capítulo: 1. https://youtu.be/8Ff2Z0Dq2sg 2. https://youtu.be/YlUKcNNmywk 3. https://youtu.be/H1Yt0xJKDY8 4. https://youtu.be/d2smz_1L2_0 —___ Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure profissionais especializados sempre. —__ Boa leitura!

Capítulo Noventa e Nove

Edward Cullen

“Ed Cullen discute com paparazzis.”

Eu odiava aqueles filhos da puta de merda.

***

Estava feito, não tinha mais volta. O mundo inteiro já sabia sobre eu ser bissexual, nada poderia ser feito para apagar isso da mente das pessoas. Porém, surpreendentemente, apesar de sim estar sentindo certa tensão, não era nem de longe uma crise de ansiedade.

Isso me fez sorrir aliviado, eu estava bem, a terapia em dia, tomando meu remédio de forma correta — o psiquiatra e eu concordamos que era melhor mantê-lo por mais tempo —, me exercitando, era tão melhor assim. Coloquei o celular sobre o sofá, no espaço vago ao meu lado e olhei para minha esposa.

Nós tínhamos ido para a sala de música depois do almoço, Holly estava sob os cuidados de Renata no quarto dela.

— Como está se sentindo? — Capitã perguntou, sentada no banco do meu piano, mas de costas para ele e de frente para mim.

— Nervoso, claro — respondi. — Só que não a ponto de ter uma crise, na verdade, bem longe disso — falei e sorri mais um pouco. — Estou tão aliviado em finalmente ter contado.

Bella sorriu para mim, se levantou do banco e sentou no meu colo.

— Amo você — declarou, passeando sua mão esquerda por meus cabelos. — É o cara mais foda que conheço. — Segurou minha nuca e puxou meu rosto na direção do seu, fazendo com que nos beijássemos.

Segurei nas costas dela e em sua coxa, aprofundando o beijo. E quando ele chegou ao fim, eu deitei meu rosto na curva de seu pescoço, sentindo o cheiro dela, uma mistura entre seu shampoo de morango e do sabão que usavam para lavar as roupas de Holly.

Nós ficamos ali, agarrados, até ouvirmos Holly chorando pelo monitor da babá eletrônica. Bella ficou de pé, pegou o monitor de cima do piano e disse:

— Ela quer mamar, você vai subir?

— Vou logo mais. — Peguei meu celular de novo. — Sei que não deveria ficar lendo o que estão dizendo, mas ainda estou muito curioso.

— Ok, só não acabe com sua paz fazendo isso! — Se inclinou e beijou minha bochecha por longos segundos antes de sair da sala de música para ir atender nossa filha com fome.

Respirei fundo e abri o Instagram primeiro, vendo os comentários de lá na publicação que tinha feito.

Tá de brincadeira com a minha cara que você é gay?”

“Que desperdício ele ser gay, gente!”

“POR DEUS!”

“Agora assume que você e Jasper se pegam.”

“Ed Cullen ser bi renovou minhas esperanças de pegar ele.”

“Minhas filhas que não vão mais escutar suas músicas.”

“Ele vai largar a Isabella? Não entendi.”

“Ai maior textão quem tem tempo de ler tudo isso?”

“Obrigada por compartilhar isso com a gente, nós te amamos, Ed.”

“Ai, Ed, a gente te ama muito.”

“Eu sou bi e descobrir que meu maior ídolo também é mudou minha vida. Te amo, Ed.”

“Aposto que é mentira como o namoro com a Leah foi.”

“Era melhor ter ficado quieto.”

“Ed, me deixa entrar no seu casamento? Isabella, eu também te amo.”

“Eu não acredito que você contou isso justamente no dia que decidi me assumir para meus pais, obrigada pelo incentivo.”

“Tenho sua idade e também sou bi, Ed. Meus pais não foram nada compreensivos quando me assumi aos dezoito, mas hoje tenho amigos que me apoiam como a família que perdi. Toda força para nós. Obrigado por se tornar uma voz para a comunidade.”

“Você aparece assim do nada contando isso e agora tô morrendo de chorar, te amo muito!”

“Ontem eu tava no banho chorando ouvindo Sozinho, pensando que nunca teria coragem de me assumir. Hoje tô aqui lendo seu texto e pensando que sim, um dia vai acontecer e será libertador. Por isso você é o mais foda de todos, Ed.”

“Te amo, te amo, te amo, te amo!”

Eu estava chorando com os comentários, dividindo entre um choro de raiva por quem estava sendo escroto, e um choro de carinho por quem estava me apoiando e sentindo-se apoiado. Deixei o Instagram e abri o Twitter, meu nome já estava subindo na lista de assuntos mais comentados da rede social.

“Sabia que Ed Cullen era bi, ele sempre me passou essa energia.”

“Ed Cullen bi QUE DELÍCIA!”

“Geeeente, eu jurava que a Isabella era a bi da relação e o Ed Cullen o marido hétero aliado, mas é o contrário???”

“Ed Cullen deve tá mentindo sobre esse lance de ser bissexual, a gente sabe o histórico de mentiroso dele.”

“Me conta Ed Cullen como é ter essas fãs tão preconceituosas?”

“Ed Cullen bi qualquer coisa é o caralho, ele é MACHO!”

“Ed Cullen para com isso, apaga essa bosta, meu bebê.”

“Ed Cullen nunca foi visto com um homem, claro que não é gay.”

“Ed Cullen tá casado com uma mulher, a pior das piores, só que ainda assim uma mulher, óbvio que tá doidinho sobre isso de ser bissexual.”

“Não entendi nada, o Ed Cullen é gay?”

“Pra ser bissexual Ed Cullen não deveria ter que estar em um casamento aberto como o Jasper? Assim ele pegaria a esposa em casa e fora dela homens?”

“Ed Cullen eu vou colocar fogo em tudo que já comprei seu, que facada acabei de levar com essa publicação.”

“Apostam quanto que até o final do dia Ed Cullen publica que foi hackeado?”

“Em breve Ed Cullen e a Isabella Atriz Pornô devem anunciar o divórcio.”

“Tenho um primo que trabalha perto da boate do Ed Cullen, ele me contou que viu o Ed aos beijos com um cara lá na frente ontem e isso tudo de hoje é só pra não dar tempo de ninguém publicar as fotos que tiraram dele com o outro homem.”

“Coitada da Isabella vai levar tanto chifre desse Ed Cullen ainda, agora até homem ele inventa que pega.”

Estava pronto para deixar o Twitter quando recebi uma notificação de que Bella tinha postado algo, abri a postagem dela e vi seu texto para mim.

“Todo amor e apoio para meu marido. Ed, você é o cara mais incrível que existe, e ainda vai inspirar muita gente. Sua voz é extremamente importante no meio desse mundo louco cheio de preconceito. Te amo mais ainda depois de hoje!”

Eu sorri ao ler aquilo, em seguida chorei quando Jasper também publicou algo.

“É uma honra ser seu amigo, Ed. Obrigado por usar sua voz e o alcance dela para apoiar nossa comunidade.”

Era isso, uma comunidade. Como eu tinha colocado em meu próprio texto. Desliguei o celular e chorei mais um pouco, apesar dos comentários ofensivos isso não era o que me atingia, sim o carinho de quem estava me apoiando.

Fãs, amigo e família.

***

Mais tarde naquele dia eu estava com Holly na brinquedoteca dela, Renata já tinha ido embora e Bella estava tomando banho. A garotinha estava deitada em seu tapetinho, descobrindo sua mão e chutando o ar.

Eu estava deitado ao seu lado, apoiado em meus cotovelos para conseguir ficar olhando o rostinho lindo dela.

— Não importa o que sua mãe diga, você não vai gostar de Nashville, combinado? — eu conversava com minha filha, tentando a levar para o lado sensato da vida. — Imagina só, ela querer te arrastar para aquela fazenda fedorenta. — Beijei sua bochecha, Holly tirou a mão da boca e essa acertou meu rosto, o deixando todo babado. Eu ri e a beijei outra vez. — Isso foi um não, lindinha? — Limpei o rosto na manga da camiseta. — Sua mãe passou na minha frente e já fez sua cabeça sobre Nashville? Fica difícil competir com a pessoa que te alimenta.

Passei uma mão por seus cabelos, que por ela estar deitada, estavam bem bagunçados. Daquele jeito parecia mais comigo.

— Depois se você acabar pisando em uma grande bosta de cavalo naquele lugar, não venha chorar para mim.

Olhei para seus pés e vi que de alguma forma a meia esquerda dela tinha caído, eu a recoloquei prontamente. A temperatura dentro da mansão era controlada, mas ainda temia que Holly ficasse com frio e já estávamos em outubro, nada mais de verão, ainda que fosse Los Angeles e não ficasse tão frio quanto em Bath, por exemplo.

— Pronto, senhorita. — Beijei o rosto dela mais uma vez. — Sabe quem vem nos visitar hoje? Vovó Esme, acho que ela vai querer apertar essas suas bochechas fofas, mas te protejo, Donut.

Meu celular, no bolso da calça tocou, mesmo temendo ser Irina tendo um surto por ter que trabalhar o dobro naquele dia com meu anúncio, o peguei para atender. E não era ela, nem a Tirana, sim meu pai.

— Hum, seu avô — falei para Donut. — No caso não aquele do chapéu.

Holly voltou a colocar a mão na boca, temi que fazendo muito aquilo ela acabasse com ânsia de vômito e tirei. Claro que isso só a fez chorar, assim que soltei seu braço recolocou os dedinhos na boca e parou com o escândalo na hora.

— Você é muito difícil, Holly — acusei e atendi a ligação antes do meu pai desligar, era uma chamada por vídeo, mas larguei o celular sobre o tapetinho e sentei no chão. — Oi, pai, espera aí! — pedi.

— Olá, tudo bem — ele disse de volta.

Peguei Holly no colo a deixando na vertical, sem querer que ela se engasgasse deitada. Com ela segura recuperei o celular, meu pai estava usando suas roupas de trabalho, sentado no que parecia uma cama, deveria estar na sala de descanso do hospital.

— Holly! — falou animadamente ao vê-la, a garota estava ficando fascinada por celulares nos últimos dias, então aquilo só a fez ficar vidrada na tela do meu. — Você está tão crescida, querida. Estou morrendo de saudades. Vejo que descobriu suas mãozinhas.

— Sim — confirmei. — Ela está fascinada.

— Filho, como você está? — Carlisle perguntou. — Também estou com saudades suas.

— Bem, e o senhor?

— Tudo bem. Liguei para ver você, acabei de ver seu anúncio, Emma me contou, eu estive o dia no hospital operando sem mexer no celular.

Eu fiquei nervoso, de uma forma muito ruim ao escutar aquilo, temendo que Carlisle fosse dizer alguma merda. Porém, não foi o que rolou, pelo contrário.

— É bom ver que eu ser um idiota não te atrapalhou de encontrar e aceitar quem realmente era, Edward.

Isso me fez rir um pouco, já bem mais calmo, ele sorriu.

— É sério, estou muito feliz por você, garoto.

— Valeu, pai — agradeci.

— Foram palavras bonitas as que escreveu, eu também baixei todos os textos que recomendou.

Lágrimas se acumularam em meus olhos, mas já tinha chorado suficiente por um dia. Ao menos, sabia bem, aquelas eram de felicidade.

— Quando vem nos visitar mesmo? — perguntei e funguei, meu pai também parecia ter lágrimas nos olhos, mas a qualidade de vídeo dele não era tão boa assim para eu afirmar. — Holly também está com saudades suas, quero dizer, nós dois estamos.

— Estarei aí no dia catorze, pode me buscar no aeroporto?

— Claro, com certeza, me mande o horário depois e eu estarei lá.

— Ótimo. — Sorriu mais. — Holly, não acredito quão grande você está, garotinha.

Beijei a cabeça dela, enquanto seus pés ágeis chutavam minhas pernas.

— Ela está cada vez mais parecida com a Bella — papai comentou. — Você acha que os olhos vão escurecer?

— Acredito que sim, ou talvez fiquem mesmo azuis como os seus.

— Algo de mim! — Carlisle comemorou, Holly tirou a mãozinha da boca e sorriu para a fala animada dele. — Vou te levar presentes de Bath, querida.

— Coitada — murmurei, mas ele escutou e me lançou um olhar de julgamento. — Brincadeira! — exclamei e sorri. — Só uma brincadeira, espero que ela prefira Bath, ainda é melhor do que Nashville.

***

Holly decidiu que não queria dormir naquela noite, mal colocávamos ela para dormir depois da garota mamar e Donut acordava querendo voltar para o colo. Isso estava extraindo o resto das forças de Bella, sendo assim, após ela dar de mamar mais uma vez, eu peguei nossa filha e fui para o quarto dela, deixando minha esposa dormir um pouco.

— O que você tem, lindinha? — perguntei para Holly, que não estava com a fralda cheia, nós também já tínhamos feito massagens para gases e dado remédio se fosse isso ou cólica. — Você ainda não tem idade para passar a noite acordada, sabia? Está agitada assim porque recebeu visita da sua avó? Ela te mimou demais com aquelas roupinhas novas. — Sentei com ela na poltrona de amamentação, deixando a garotinha apoiada em minhas coxas, com suas pernas agitadas dando chutes leves em minha barriga. — Quer que eu cante uma canção? Escolha, só não pode ser nada country!

Peguei seus pezinhos e beijei os dois, ela ainda estava chorando. Fiquei nos balançando na cadeira, enquanto pensava no que cantar, até que decidi por algo. Comecei a cantar My Girl do The Temptations.

I don’t need no money, fortune or fame. I’ve got all the riches, baby. One man can claim. Well, I guess you’ll say. What can make me feel this way? My girl (my girl, my girl). Talkin’ ‘bout my girl (my girl). I’ve got sunshine on a cloudy day with my girl. Talkin’ ‘bout, talkin’ ‘bout, talkin’ ‘bout my girl. Ooh, my girl¹.

Pensei em todas as pessoas lá fora me julgando por conta da minha sexualidade, as vendas das minhas músicas caindo por isso e uma marca que eu tinha contrato querendo romper parceria. Só que no final, nada disso importava, eu estava feliz, tinha contado minha verdade e estava em casa com as pessoas que mais amava no mundo.

***

Na noite seguinte Holly estava mais tranquila, o que nos deu um pouco de sossego. Ela estava no berço do nosso quarto, Bella e eu na cama.

Massageava as costas da minha esposa, ajoelhado no colchão atrás dela, enquanto escutava o podcast de barcos que gostava por fones de ouvido. Já Isabella, estava apenas aproveitando a massagem.

E ela aproveitou tanto que em determinado momento, durante uma risada minha por conta de uma piada do podcast, a mulher se moveu na cama e ficou de frente para mim. Tirou meus fones, me deixando irritado.

— O que foi? A Holly não vai acordar comigo rindo, Isabella!

— Não é isso, vamos para um quarto de hóspedes.

— Por quê? — perguntei confuso.

Minha esposa resmungou, se aproximou mais e sussurrou em meu ouvido.

— Porque quero que você me coma, isso é o suficiente para você parar de enrolar e ir comigo para o outro quarto?

Porra, sim, claro que sim!

— Sim, o suficiente — respondi e limpei a garganta, ela riu baixinho.

Nós dois saímos da cama, eu peguei o monitor da babá eletrônica e Bella uma camisinha. Ambos conferimos Holly, que dormia pacificamente, antes de deixarmos a suíte e entrarmos no quarto de hóspedes mais próximo.

Ao entrarmos lá deixamos a babá eletrônica e a camisinha na mesinha de cabeceira, um único abajur foi acesso. Não tínhamos muito tempo a perder, sendo assim as roupas rapidamente estavam fora de nossos corpos, minha esposa apenas mantendo seu sutiã de amamentação. Eu acabei deitado na cama, com Bella entre minhas pernas, seus lábios se perdendo em mim.

Sua língua brincava com os piercings em meus mamilos, enquanto uma de suas mãos já me masturbava. Bella dizia quão gostoso eu estava, em resposta gemia para ela, muito perto de gozar.

No entanto, não gozei na mão dela. Bella me soltou, pegou a camisinha e me entregou, rapidamente a coloquei no meu pau e logo em seguida minha esposa estava montada em cima de mim. Ela ditou o ritmo, eu deixei, suas mãos estavam em meus ombros. Com a direita segurava na cintura dela, a ajudando a subir e descer em meu colo, a outra estava tocando em seu clitoris, querendo que fosse bom pra caralho para Isabella como estava sendo para mim.

— Você vai gozar? — ela questionou, os olhos cheios de luxúria voltados para mim. — Vai gozar com a sua putinha, senhor Cullen?

— Puta merda. — Ataquei seu pescoço em um beijo ansioso, mas ela me afastou de sua pele, puxando meus cabelos com força.

— Vai me deixar marcada, porra!

Em seguida, acertou um tapa em meu rosto. Ali, não aguentei mais deixá-la no comando, a mão em sua cintura foi até seu pescoço e a segurei naquela região, não forte, pois não queria machucá-la e isso a fez reclamar:

— É o mais forte que você consegue? — indagou e riu. — Eu te dei um tapa e não vai fazer nada?

— Quer isso?

— Quero, mas agora não sei se você conse...

Então, lhe dei o tapa pedido, com certeza nada forte como o que ela deu em meu rosto. O som foi mais alto do que a força, mas isso foi o suficiente para ela gemer, se inclinar e pedir por mais.

Fiz diferente, daquela vez dando o tapa, usando muito mais força, em sua bunda. Em seguida, mudei nossas posições, colocando Bella com as costas contra o colchão, sua cabeça pendendo um pouco para fora da cama, de forma que seus cabelos até tocassem no chão.

Eu a fodi, suas pernas abraçaram meu corpo me fazendo ir bem fundo. Mordi e chupei seu pescoço, ela me amaldiçoou, mas pediu por mais, suas unhas fizeram um estrago em minhas costas.

E acabei gozando primeiro, chupando a orelha dela, agarrando com força seu quadril, sentindo a camisinha encher com minha porra. Senti falta de gozar diretamente na boceta de Bella, mas sabia que era necessário aquela prevenção para evitarmos um novo bebê tão rápido.

Tirei meu pau, a camisinha e terminei de gozar na barriga dela, esfregando-me nela. Bella não parava de gemer, uma de suas mãos tentou dar atenção ao seu clitóris, entretanto a afastei com um tapa que ecoou pelo quarto.

Sem enrolação me movi na cama até alcançar sua boceta, minha língua logo estava a invadindo, suas coxas pressionando meu rosto, meus dedos cuidando de seu clitóris. Minha mulher gozou para mim, eu provei cada gota, enquanto sentia suas coxas me apertarem mais, seu quadril se erguendo e rebolando freneticamente, o que gerou mais atrito entre sua boceta e minha boca, seus gemidos altos povoavam minha audição, o cheiro dela, suas mãos puxando meus cabelos e talvez arrancando alguns fios.

Por fim, nós dois estávamos satisfeitos. Eu saí do espaço entre suas coxas, ela se moveu, de forma que a cabeça não estivesse mais para fora da cama. Deitei ao seu lado, ela riu e suspirou, uma mão se estabeleceu em meu peito, tocando em meus piercings.

— Caralho, eu marquei muito seu pescoço — comentei culpado de ver a marca na pele dela.

— Que bom eu ser a representante da Facial e ter um monte de bases de alta cobertura para esconder isso — disse de volta, movendo uma perna e a colocando entre as minhas, deslizei uma mão até sua boceta ainda sensível e ela respirou fundo e se abriu mais para mim, só que era mais uma carícia do que querer levá-la a um novo orgasmo tão rápido. — Você acha que gosto de apanhar no sexo por ser uma fodida problemática? — perguntou do nada, me fazendo ficar surpreso, parei de tocar nela e a olhei na hora.

— O quê? Do que está falando?

— Eu estava pesquisando sobre BDSM mais cedo — disse, se movendo na cama para me olhar melhor. — Querendo novas ideias para nosso sexo, o que a gente faz não é nem um terço do que as pessoas desse meio fazem e algumas coisas nem eu quero fazer, mas tem gente por aí afirmando que todos os praticantes de BDSM devem ser pessoas problemáticas com histórico de agressão na vida. Ok, talvez tenha sido um site ultraconservador falando isso, só que foi algo que me fez pensar, já que gosto tanto de ser submissa durante o sexo.

— Você me bateu primeiro hoje — acusei, ela riu suavemente. — Linda, eu acho que nosso sexo é totalmente consensual, não afeta terceiros, e não sou agressivo com você fora da cama... Quer dizer, fora do sexo, já que a gente também não fode só em camas. — Bella riu mais um pouco. — Enfim, o que quero dizer é que nosso sexo é bom pra caralho e eu não acho que curtir o que curtimos é porque temos problemas. — Beijei o rosto dela. — Eu diria pra gente continuar fodendo como gosta, sem deixar pensamentos alheios mexerem com o que gostamos. O que me diz?

Ela me beijou por poucos segundos antes de responder:

— Que eu concordo com o que disse, que queria você me fodendo mais hoje, só que preciso de um banho pra tirar sua porra de mim.

***

Alguns dias depois, no dia sete de outubro, Holly tinha consulta com a pediatra bem quando completava três meses. Tinha começado como uma segunda estressante, com Irina me ligando e falando sobre a única marca que quis romper contrato comigo por conta da notícia de eu ser bissexual, não quis bater boca com eles, assinaria os documentos no outro dia e infelizmente não poderia expor que eles eram uns cuzões do caralho por conta de cláusulas contratuais que continuariam valendo mesmo depois de não trabalharmos mais juntos.

Porém, apesar disso, contornamos o estresse. No carro, a caminho da consulta, mudamos o tópico da conversa para decidirmos as nossas fantasias para a festa de Halloween que Charlie e Carmen fariam na casa deles.

A festa também seria o dia que eles contariam para todos sobre a gravidez, aproveitando que seria o marco de doze semanas, e quando descobririam o sexo do bebê. Renesmee estava encarregada de ser a portadora desse segredo, ela mal via a hora de Carmen fazer o exame para poder saber de uma vez antes de todos.

Era ótimo que a gestação estava seguindo bem, sem qualquer tipo de problema. Tanto Carmen, quanto o bebê estavam saudáveis.

— Ok, acho justo. — Bella acabou concordando com a minha proposta. — Vamos fazer o tal sorteio, o escolhido decide as fantasias da família.

Holly estava dormindo em sua cadeirinha no carro, Bella sentada no banco de trás, no meio, e eu do outro lado dela. Dirigindo, estava nosso motorista, no banco do carona junto dele Felix, outro carro seguia com mais dois seguranças nossos e Renata que também iria subir com a gente para a consulta.

— Excelente! — comemorei, coloquei no site de sorteio e perguntei para minha esposa. — Qual número você quer, Capitã?

— Treze.

— Ok, vou de sete.

Configurei o site com nossos números e apertei o botão para o sorteio ser realizado, minha esposa riu alto a ver o que saiu.

— Ganhei e você perdeu, meu amor — disse debochada.

— Site estúpido — resmunguei, chateado de que não iríamos nos fantasiar de Shrek, Fiona e bebê ogro. Pior ainda, nem sabia qual ideia de fantasia Isabella tinha em mente. — O que você pensou, Isabella?

Ela riu mais.

— A chateação na sua voz me fará dormir como um anjo hoje — continuou debochando, pegou o celular da sua bolsa e abriu a galeria de fotos para me mostrar a referência das fantasias.

— Não, nem fodendo — reclamei.

— Sim, sim, sim! — teimou. — Eu ganhei, o número treze foi o vencedor, querido.

— Bella, não — choraminguei.

— Edward Anthony Cullen, aceite que iremos nos fantasiar como os personagens de Toy Story. Você será o Woody, meu cowboy. Eu serei a Betty, o que você deveria gostar porque terei que usar uma peruca loira. E... — Ela se voltou para Holly que continuava dormindo. — Essa coisinha fofa que eu pari vai se fantasiar de Jessie, com direito a chapéu e trança. — Tocou no rosto da nossa filha.

— Coitada, tão nova passando por esse tipo de tortura.

Bella beliscou minha bochecha, eu resmunguei.

— Ok, vou ser um bom perdedor, mas saiba que vou odiar cada segundo desse Halloween vestido como um cowboy.

— Supera, Ed!

Logo depois chegamos para a consulta da Donut, que ganhou uma estrelinha dourada da pediatra. Ela estava ótima, com ganho de peso ideal, crescendo, sem qualquer tipo de problema.

O problema veio depois, mas não da nossa filha. Estávamos saindo da sala onde ficava o consultório da pediatra no prédio quando Felix, um dos seguranças trabalhando para a gente no dia, nos informou.

— Teve um problema com o encanamento na garagem do prédio, o lugar está alagado. Os carros por serem altos estão bem, mas vocês iriam se molhar muito se entrassem lá. — Indicou suas próprias calças que estavam molhadas na altura das panturrilhas.

— Que merda — Bella reclamou, pegando Holly que estava no colo de Renata. — Precisamos sair pela frente do prédio? Não tem previsão de quando o lugar irá secar?

— Ainda vai demorar — Felix respondeu. — A saída traseira do lugar está tomada por um caminhão da equipe que está cuidando do alagamento.

— Ok, tá bom, saímos pela frente do lugar — murmurei, pensando nos paparazzis lá fora que iriam adorar nos ver. Principalmente por aquela ser minha primeira aparição pública depois de me assumir bissexual.

Bella suspirou, mas também concordou.

— Direto para o carro, tá? — falei com ela quando estávamos no elevador descendo. — Não responda nada, por mais que eles sejam bem filhos da puta com o que perguntarem.

— Ok — ela murmurou e beijou o rosto de Holly, a garotinha estava acordada, completamente alheia ao que estava acontecendo.

Felix e os outros seguranças nos guiaram para fora do prédio, e os paparazzis começaram a gritar perguntas e tentar colocar suas câmeras o mais perto possível de nós três. Holly começou a chorar no primeiro grito, fazendo uma corrente de ódio cruzar meu corpo, ela não deveria ter sua paz perturbada por aqueles merdas.

Com Holly aos prantos, Bella entrou primeiro no carro, tirando nossa filha do tumulto, mas os paparazzis ainda estavam tentando mais fotos delas. E um deles gritou para mim:

— Ed, Ed, uma foto em família!

— Tira essa câmera da minha cara, seu filho da puta — falei, sem nem pensar duas vezes, o homem riu. Eu ainda tinha que contornar o carro para entrar pelo outro lado, parte daqueles abutres me seguindo e tornando o curto caminho algo longo e cansativo.

— Só tô fazendo meu trabalho, cara.

— Seu trabalho? — gritei de volta. — Gritando e tirando fotos de um bebê de três meses? Vocês fizeram minha filha chorar. — Felix me segurou, só naquele momento percebi que estava andando não mais em direção à entrada do carro e sim dando passos para ficar mais perto do paparazzi, claro que aquilo poderia acabar comigo descendo um soco naquele merda.

O homem riu e tirou mais fotos minhas, outro estava batendo na janela do motorista querendo chamar atenção de Bella e Holly, e mesmo fora do carro ainda conseguia ouvir minha filha chorando. Um dos seguranças o afastou, o cara também alegou estar só fazendo seu trabalho.

— Ei, chefe — Felix falou comigo. — Para o carro, agora!

Xinguei, mas segui sua ordem e entrei no carro. Holly ainda estava chorando muito e alto, Bella, notei, estava tão furiosa quanto eu.

— Está tudo bem agora, lindinha. — Me curvei por cima de Isabella para falar com Holly, o motorista já estava dirigindo para longe dos paparazzis, mas parte deles ainda nos seguiram esperando tentar tirar mais fotos. — Sinto muito que você tenha passado por isso.

Comigo ainda curvado por cima dela, Bella me abraçou, enfiando seu rosto em meus cabelos. Eu respirei fundo, sentindo-a afagar minhas costas e beijar minha cabeça.

Quando entramos em casa, vários minutos depois, Holly estava dormindo. Bella e eu ainda estávamos bravos, mas ela voltou a falar sobre as fantasias de Halloween e tiramos nossas mentes do estresse que tínhamos passado.

***

Dois dias depois, eu fui visitar a ONG que mamãe trabalhava. No dia anterior ela tinha contado que George se mudaria para Seattle com a mãe dele e aquele seria seu último dia de aula, então me contou para que eu fosse me despedir do garoto, sabendo que tinha me afeiçoado a ele.

— Ed! — George comemorou quando me viu, depois dele e outras crianças finalizarem uma aula de piano, que não estava sendo ministrada por minha mãe.

— Oi. — Acenei e falei com as outras crianças. — Tudo bem, gente?

Todos começaram a falar juntos, me perguntando sobre músicas, viagens, Inglaterra e até Holly. Eu ri e respondi algumas das perguntas deles, também perguntei para a professora se podia tocar com as crianças, e ela concordou animadamente, era uma senhora, deveria ter uns sessenta anos.

Fiquei ali tocando com as crianças, até que os responsáveis por elas fossem aparecendo para buscá-las. Quando a turma já estava bem reduzida, agradeci pela parceria e foram brincar, mas falei com George que queria conversar com ele.

— Fiquei sabendo que você vai se mudar, carinha.

— Pois é — falou chateado. — Minha mãe vai trabalhar em Seattle. — Cruzou os braços na frente do corpo. — Não queria sair de Los Angeles.

— Você pode voltar quando for maior de idade.

— Vou sentir falta daqui. — Sabia que ele estava se referindo especificamente à ONG naquele momento.

— Gosta muito de música, não é?

— Adoro — disse e suspirou. — Quero muito, muito, muito, muito ser um músico quando crescer.

Conhecia muito bem o sentimento. Também pensei que poderia ajudar George com aquele sonho, tornar o caminho mais fácil para ele. Fiquei ali conversando com o garoto, até a mãe dele chegar e pedi para conversar com ela em particular.

Falei que queria muito ajudar nos estudos de George, financeiramente falando, os que envolvessem sua escola regular e escolas de música. Deixei claro que não estava esperando nada em troca, nem que queria forçar o filho dela a ser um músico, que George teria que ir bem na escola e só assim poderia continuar com suas aulas de música. E que ele também poderia deixar a escola de música em Seattle quando quisesse se tivesse em mente outra atividade extracurricular.

Ela hesitou, não queria aceitar dinheiro nenhum, mas eu teimei e minha mãe apareceu para ajudar a convencê-la. Nós dois conseguimos, a mãe de George aceitou que eu pagasse a escola de música em Seattle, me deixando procurar por uma boa para o garoto, mas não concordou em colocá-lo em uma escola regular particular, eu aceitei também e na hora fui contar a novidade para o garoto.

— Você é o melhor, Ed! — ele gritou e me abraçou.

Eu sorri, também segurei a vontade de chorar. Sentiria falta de cruzar com George na ONG quando fosse ali, mas ainda teríamos contato.

— Se comporte em Seattle, tá? Seja bonzinho para a sua mãe.

— Pode deixar — prometeu. — Também vou ser o melhor aluno da escola de música.

— Não precisa buscar perfeição, ok? Só espero que você se divirta com a música, é o mais importante.

Nós nos despedimos após mais um pouco de conversa, de volta em casa, contei tudo para Bella. Já era de noite, tínhamos trocado o horário de Renata naquele dia para que eu pudesse ir para a ONG e ela ficasse com Holly ajudando Isabella, minha esposa que estava no estúdio quando cheguei lá, aproveitando que nossa filha já estava dormindo.

— Eu te amo — foi tudo que ela falou depois de eu terminar de contar.

Dei um pequeno sorriso, andei até Bella e a abracei por trás, aproveitando que ela estava sentada no banco do piano. Beijei seu rosto, ela ergueu uma mão e mexeu em meus cabelos e barba, algo que estava adorando manter e aparentemente minha esposa também.

— Como anda sua música?

— Hum, meio que comecei a trabalhar em outra, mas ainda não vou te mostrar.

— Isso é injusto. — Ela riu, eu a beijei mais. — É sobre o que?

— Sobre mim, sobre Paul, sobre o que passei. — Eu a apertei ainda mais em meus braços, querendo que isso fosse capaz de consertar o que tinha quebrado dentro dela por conta daquele assunto. — Estou bem, não vou dizer que não machuca mais, claro que sim, mas estou bem, sério.

— Quer ajuda com algo sobre ela?

— Não. — Virou o rosto e beijou meus lábios. — Quero fazer só, mas obrigada, amor.

— E você irá colocar em seu álbum?

— Não posso. — Deu um sorriso triste. — É a minha verdade, o que não é a verdade para os outros, nunca será. — Tocou em minha barba de novo. — Mas fico feliz que também é a verdade para você.

***

Na tarde do dia seguinte eu estava com Holly para que Bella pudesse trabalhar em sua música, e a garotinha não estava muito feliz. Nada a fazia dormir, nem mesmo o leite que ofereci e ela aceitou e tomou.

— Sua mãe está trabalhando e você precisa cooperar — falei com ela, tinha tido uma ideia e estava a colocando em seu carrinho, iriamos passear pelo condomínio, só nós dois, por mais que Shrek e Madonna estivessem por perto querendo ir junto. — Vamos dar uma volta, você vai adorar e dormir, para que a minha dor de cabeça passe.

Àquela altura minha cabeça estava explodindo por conta do choro dela. Holly choramingou mais, eu terminei de prendê-la no carrinho e saímos para o passeio.

E, como em um passe de mágica, ela parou de chorar logo depois.

— Era isso? — eu perguntei para a garotinha, que estava toda feliz brincando com sua mão na boca, sem mais nenhuma lágrima nos olhos. — Você só queria passear? Gosta do balanço do carrinho, não é?

Em resposta ela começou a mexer suas pernas, eu sorri para a garota e continuamos nosso passeio. Quando voltamos para casa dei mais leite para ela no copinho, com Jude encarando a gente na cozinha, enquanto eu conversava com Sean e Nelly, depois disso segui com Holly para a brinquedoteca dela e a coloquei deitada em seu tapetinho, sentando ao seu lado com o piano de brinquedo que ela tinha e tocando algumas teclas.

Bella apareceu logo depois, deitando ao lado da nossa filha, que ficou muito empolgada em ver a mãe.

— Oi, amorzinho. — Bella beijou o rosto dela. — Se divertiu com seu pai? Desculpa ter ficado tanto tempo longe, eu precisava mesmo trabalhar numa canção.

— Ela não estava muito contente no começo, mas fomos dar um passeio pelo condomínio e na hora parou de chorar — contei, Bella riu e falou com Holly.

— Dando trabalho para seu pai? Está fazendo ele provar do próprio veneno de quando era uma criança chata?

— Ei! — exclamei, Bella riu, sentou e pegou Holly no colo.

A garotinha começou a chorar para mamar, rapidamente Bella a colocou no peito.

— Pronto, sem escândalo Holly.

— É nossa filha, claro que vai fazer escândalos — pontuei, Bella chutou de leve minha perna, mas estava rindo. — Sim, ela com certeza é sua filha com todos esses chutes.

— Meu bebê lindo — falou com Holly, mexendo nos cabelos dela. — Vamos dar um tempo para seu pai depois de ele ter te aturado sendo mimada, o que é culpa dele, que tal?

Eu não discordei, mimava mesmo Holly. Todos nós mimávamos, mas como não fazer isso?

— Amo você, Donut. — Me inclinei e beijei a cabeça dela.

— Vai descansar um pouco — Bella falou para mim.

— Sério?

— Sim, trocamos de novo quando for a hora do banho dela.

— Beleza, vou correr.

Bella fez uma careta.

— Temos conceitos bem diferentes de descanso, marido.

***

O apartamento de Alice e Jasper estava cheio, Bella, Holly e eu estávamos lá para jantar. Ness também tinha ido, com Alec e Sam.

— Cadê seu precioso tapete, Alice? — perguntei quando meu amigo chegou com o filho dele e minha cunhada. — Sam está aqui para dar personalidade a ele — provoquei, lembrando o outro jantar que tivemos lá meses antes, quando Holly ainda não tinha nascido, e Alice ficou paranóica com Samuel podendo sujar e destruir suas coisas.

— Não é engraçado! — ela exclamou. — Alec, não deixa ele sujar o sofá, por favor — implorou. — Bella, não deixa a Holly sujar também — pediu para sua irmã, que estava sentada ao meu lado com Holly em seu colo.

— Dá vontade de colocar fogo nesse sofá — Bella resmungou, Alice bufou. — Aqui. — Bella me entregou Holly e pegou Sam que do colo de Alec estava querendo passar para o colo dela. — Oi, Sam, estava com saudades suas.

Ele ficou curioso com Holly, que mal parecia se dar conta da presença dele, o que também notei ser culpa da fralda que ela encheu logo em seguida.

— Eu acho justo essa ser trocada pela Alice. — Joguei no ar, ela estava sentada sobre a coxa de Jasper, sendo que ele estava sentado em uma das poltronas da sala.

— Bendita hora que minha irmã te encontrou na creche, Edward — Alice reclamou, fazendo Bella gargalhar.

— Vamos, você prometeu trocar uma fralda e até agora nada, Holly já tem três meses. — Levantei com minha filha e indiquei a bolsa que Alice deveria pegar.

Alice reclamou mais, porém acabou concordando. Pegou a bolsa e nos levou para o quarto de hóspedes, proibindo Renesmee e Alec de nos seguirem.

— Isso não é um espetáculo, respeitem meu momento.

No quarto dei as instruções, depois de acomodar Holly sobre o trocador em cima da cama, e Alice começou a trocar e choramingar dizendo que era muito nojento.

— Como pode, uma garotinha tão linda como você fazer algo tão feio assim? — perguntou para Holly.

— Alice! — chamei atenção dela, que riu e deu de ombros.

— Ei, pronto para a gravação do programa? — questionou.

Eu tocaria no casamento do programa dela em dois dias, tinha ensaiado com a banda naquele domingo de manhã e iria ensaiar mais nos próximos dias.

— Sim, pensei que te veria no ensaio hoje — comentei.

— Ah, eu gravei de madrugada com o pessoal e depois meio que viajei.

— Meio que viajou?

Alice suspirou e disse:

— Fui para San Diego. Cheguei aqui pouco antes de vocês.

Franzi o cenho, notando que qualquer que fosse o assunto, era um tópico sério já que ela estava bem tensa.

— O que você foi fazer lá? Posso saber? — Alice me olhou e assentiu.

— Você sabe sobre a irmã da Renée?

— A que faleceu quando era criança?

— Não, não, a que o pai da Renée teve fora do casamento.

— Ah sim, eu lembro, Bella me contou que ele foi morar em... — Parei e entendi tudo. — Em San Diego, você foi atrás da sua tia? — Lembrei que Bella tinha contado meses antes sobre Alice querer conhecer a mulher.

— É — Alice confessou. — Descobri o endereço dela, peguei um avião e fui lá hoje. — Engoliu em seco, terminando de colocar a fralda em Holly, eu a ajudei com isso e a recolocar as roupas.

— Como foi? — Alice fez uma careta, mas sorriu para Holly por um instante. — Será que os olhos dela vão continuar azuis? Se continuarem vou encher a paciência da minha irmã dizendo que ela é minha cara.

— Alice, não muda de assunto, como foi com sua tia? — perguntei. — Não me deixa curioso aqui.

— Não é curiosidade, é que você adora uma fofoca. — Sentou na cama, eu peguei Holly no colo e fiquei a embalando em meu colo. — E foi. — Os olhos dela se encheram de lágrimas. — Tudo que não sonhei.

— Ela te tratou mal? Te pediu dinheiro?

— Não, nada disso. Ela sabe bem quem sou, não me expulsou da casa dela, ou me viu como uma fonte de dinheiro. Só que eu pensava que seria algo meio de cinema, sabe? Um encontro daqueles que todos lembram da cena, mas só aconteceu e foi meio constrangedor. E meio perturbador, porque ela parece muito comigo fisicamente, só que precisa de uma boa esteticista.

— Alice!

Ela riu.

— Enfim, eu fui esperando conhecer alguém que não existe, porque essa mulher pode, tecnicamente, ser minha tia, mas ela não sente nada por mim e não sinto nada por ela. Foi uma conversa arrastada e desconfortável, comigo esperando a mágica de Hollywood cair sobre a gente, e chorarmos nos braços uma da outra, mas só ficamos lá conversando sobre os cachorros dela, os filhos que estavam num jogo de beisebol, ela me ouviu falar sobre Jasper e as meninas, só que nada de realmente se importar, como eu com certeza não estava me importando com a vidinha dela. Ness e Bells estavam certas, eu só queria alguém pra suprir a falta que sinto de Renée e essa mulher com certeza não será uma mãe para mim, vou procurar uma terapia.

— Sinto muito, Alice — murmurei. — Mas a terapia será boa pra você, confia em mim. E vai continuar mantendo contato com essa mulher?

— Trocamos números, mas duvido que ela queira falar mais comigo, eu não quero.

— E vai contar para suas irmãs?

— Vou ter que contar, né? Você sabe e fofoqueiro do jeito que é iria abrir a porra da sua boca e contar tudo para Isabella.

— É, saiba decisão. — Ela revirou os olhos.

— Pode levar a Holly e pedir para as meninas virem aqui? Estou quase chorando, então é melhor contar de uma vez antes da comida chegar.

— Pode deixar. — Antes de sair parei na porta e falei para ela. — Ei, você não tem uma tia que te faz sentir como uma estrela de cinema protagonizando uma cena comovente, mas pode ser a tia teatral da Holly.

Nós dois rimos, ela se levantou da cama e beijou a bochecha da minha filha.

— Pode contar para mim, sou sua tia favorita, não sou? — perguntou para a Donut, que sorriu para ela e ofereceu sua mão toda babada para Alice. — Ok, vou ser sua tia favorita quando você parar com esse lance de fraldas e mãos babadas. — Mais um beijo na bochecha de Holly. — Essa foi a última fralda que troquei, Cullen. Agora vai lá chamar minhas irmãs.

***

Isabella estava quieta na volta para casa, olhando pela janela distraidamente. Eu tentei não atrapalhar seus pensamentos, mas acabei perguntando:

— Como você está, Capitã?

— Bem, pensando no que Alice contou sobre a irmã de Renée.

— Quer conhecê-la também?

— Não, não mesmo. Só estou imaginando universos alternativos em minha mente, criando realidades paralelas onde a vida seria diferente se Renée não fosse o que é. Pensando que poderíamos estar voltando de um jantar agora onde Renée e essa irmã dela estariam presentes. — Ela parou de olhar pela janela e se voltou para a Holly. — Mas acho que tudo seria diferente e eu não iria querer uma vida sem a Donut, ou sem você. — Esticou uma mão e apertou meu ombro.

— Daria uma boa música.

— O quê? Sobre realidades alternativas?

— Isso — concordei. — Acho que vou trabalhar em algo assim. — Pelo retrovisor vi Bella sorrir, ela também se moveu para beijar meu rosto.

— Amo ser casada com um cara criativo.

— Ok, agora volte para seu lugar! — ordenei. — Sem brincadeiras no carro com a menor de idade presente. — Bella riu e voltou a se sentar direito. — Coloca o cinto.

— Edward...

— Precisamos dar bom exemplo pra Holly, sendo assim, coloque o cinto!

Ela resmungou, mas colocou. Eu estava um pouco surtado com aquilo de segurança, um cara da banda, que também era pai, tinha comentado durante uma pausa do ensaio que ele e a namorada estavam decidindo quem ficaria com a guarda do filho deles se ambos morressem.

Não queria pensar naquela realidade, uma que nós dois estivéssemos mortos e Holly sozinha. É, não queria pensar, mas também foi tudo na minha cabeça o resto da noite e mais tarde, no banheiro, enquanto Bella tirava a maquiagem e eu minhas lentes, comentei:

— Precisamos pensar quem fica com a guarda da Holly se algo acontecer com a gente — murmurei, ela me olhou apavorada.

— Do que está falando? — Eu suspirei e contei a história do baixista estar fazendo aquele tipo de plano com a esposa.

— Sei lá, acho que precisamos pensar no futuro dela de todas as formas.

O lábio inferior da minha esposa tremeu, ela estava chorando um segundo depois.

— Desculpa, desculpa — pedi, começando a limpar as lágrimas que cruzaram seu rosto. — Vamos esquecer isso.

— Não, você tá certo, precisamos pensar em garantir a segurança dela se algo acontecer com a gente. — Me apertou em um abraço.

— Tanya e Santiago? É justo, são os padrinhos.

— Sim, eles dois — ela concordou e enfiou o rosto em meu peito. — Sua mãe não vai ficar chateada?

— Ela entenderia.

— Vamos conversar com eles depois sobre isso, e com nossos advogados, deixar tudo legalizado.

— Tá tudo bem, estamos bem, é só uma prevenção, Capitã.

***

Rosalie não conseguiu ir comigo buscar nosso pai no aeroporto, ela estava ocupada com o lançamento do livro batendo na porta, também assinando contrato do apartamento que iria alugar com Emmett. Eu não queria estar perto quando ela fosse contar aquilo para Carlisle, mas talvez ele nem fosse criar confusão sobre.

— Oi, bebê! — ele falava com Holly, que estava em seu colo quando fomos para minha casa direto do aeroporto. Carlisle ficaria hospedado em um hotel, mas estava louco para ver a neta. — Você está cada vez mais linda.

Bella, que estava ali com a gente, tirou uma foto dos dois com seu celular.

— Quando vai conhecer Bath? Estou doido para te apresentar a cidade — Carlisle conversava com ela.

— Carlisle, bom te ver, mas preciso ir trabalhar agora — Bella falou para ele e se voltou para mim. — Fica com a Holly, vou para o estúdio.

— Beleza. — Eu beijei o rosto dela, Bella beijou Holly e foi para o estúdio que tínhamos construído em casa.

— Você já voltou a trabalhar? — meu pai perguntou para mim, com uma Holly toda sorridente no colo dele.

— Mais ou menos, não estou trabalhando em um novo álbum e acho que não irei tão cedo, mas estou ensaiando para tocar no programa novo da irmã da Bella. Amanhã irei gravar, será horrível ficar longe dessa garotinha. — Enchi o rosto de Holly de beijos, o que a fez sorrir mais. — Vem — chamei meu pai. — Vou te mostrar a brinquedoteca dela.

Fomos para lá, por uns dez minutos Holly ficou tranquila, mas quando começou a chorar para mamar e não aceitou o leite que ofereci no copinho, o jeito foi levá-la para Bella no estúdio. Ela ficou mamando por quase uma hora, enquanto eu conversava na brinquedoteca com meu pai, o ouvindo falar sobre o hospital, Bath, Emma e ele também me ouviu falar sobre como estavam as coisas na Califórnia.

Quando Holly terminou de mamar Bella me avisou por mensagem, precisava que eu fosse pegar a Donut para ela continuar trabalhando em sua música. Assim fiz, voltei com Holly para a brinquedoteca e tentei fazê-la dormir, mas não venci a garotinha.

— Que tal fazer ela dormir no quarto? — meu pai sugeriu.

— Não, tenho um plano. — Lembrei do outro dia quando ela dormiu no carrinho durante nosso passeio e como, quase sempre, dormia andando de carro. — Vamos dar uma volta de carro com ela pelo condomínio.

Meu pai concordou, talvez ele estivesse se coçando para dar palpites, mas os guardou para si. Coloquei Holly na cadeirinha dela, Carlisle iria atrás com ela e eu dirigindo.

Quinze minutos no carro e a garota ainda estava chorando, eu apelei para música, colocando para tocar as canções que costumava tocar para ela, mas isso também não funcionou. Até que acabei ligando na rádio e estava tocando Californication do Red Hot Chilli Peppers, sem ter mais ideias deixei aquela tocando.

E, de forma surpreendente e rápida, Holly parou de chorar. Eu conseguia ver pelo espelho preso a sua cadeirinha, uma forma de quem estivesse no banco da frente pudesse conseguir ver o bebê lá, que ela não tinha dormido, mas estava mexendo suas pernas e com a mão na boca. O jeitinho que ficava quando estava curtindo algo.

Eu ri, ri tanto que meu pai perguntou, sem entender nada:

— O que foi?

— Eu não acredito que a minha filha tá curtindo ao som de uma banda de rock, não com ela sendo filha de um cantor pop e uma cantora de country, parece que sua neta tá de zoação com a minha cara.

Meu pai riu, mudei a estação de rádio para testar e Holly estava quase chorando quando uma canção de Taylor Swift tocou.

— Não deixa sua mãe saber que você não gosta de Taylor, Holly! — avisei e voltei para a música de rock, estava acabando Californication e começou outra que não conhecia, mas parecia ser algo do AC/DC, minha filha voltou a parar de chorar e apreciar seu novo gênero musical favorito.

***

Quando voltei da gravação do programa de Alice no dia quinze, Holly estava com Bella e Renata na brinquedoteca. Minha esposa, muito animada, falou que tinha terminado sua canção e queria que eu ouvisse, nós fomos para o estúdio e levei Donut com a gente, estava morrendo de saudades dela depois de passar boa parte do dia fora.

— Ok, a música se chama Queimando — Bella disse mexendo na mesa de edição do estúdio. — Gravei uma versão com o violão, não tá 100%, preciso do resto dos instrumentos, mas já é algo. — Apertou o play e sua canção começou a tocar, primeiro o violão, mas Holly também escolheu aquele momento para chorar e Bella pausou. — Não acredito que você não curtiu a música da mamãe — falou para ela, Holly chorou mais.

— Ela já mamou?

— Sim — respondeu. — É sono, ou realmente está mostrando pra gente que não gosta de country.

— Sensata — brinquei, Bella bufou.

— Você gosta mesmo de rock, é? — ela questionou Holly. Eu tinha contado sobre o lance do rock no carro, o que Bella viu com seus próprios olhos quando noite passada fizemos nossa filha dormir com Red Hot Chilli Peppers tocando. — Sua garota traidora — disse, mas estava falando de bom humor e beijou o rosto de Holly antes de pegá-la do meu colo. — Vou levá-la para Renata a fazer dormir, já volto para você ouvir a canção, pirralho.

— Beleza.

Bella logo voltou e colocou sua canção para tocar do início, sua voz logo estava dominando o sistema de som do estúdio. Minha esposa também me entregou a partitura do violão para que acompanhasse.

Você queria sucesso. Conheci o excesso. Ao meu coração teve acesso. Seus lábios. — Olhei para Bella, que tinha fechado seus olhos e estava mexendo os lábios junto com a canção, mas sem cantar de fato. Isso me fez pausar a gravação, recebi um olhar confuso dela.

— Não gostou? — perguntou.

— Não é isso, eu estava adorando, mas se tenho a cantora em casa prefiro um show particular. — Deixei a partitura do violão sobre a mesa e fui pegar o instrumento para que ela tocasse.

— Você é impossível, Betty.

— Eu sei, agora cante e toque para mim. — Beijei seus lábios antes de me afastar e dar espaço para ela começar seu show.

E ela fez o que pedi, mais uma vez ouvi o começo da música, mas daquela vez da forma que mais gostava de ouvir Isabella, ao vivo.

Você queria sucesso. Conheci o excesso. Ao meu coração teve acesso. Seus lábios. Os meus. Suas mãos. As minhas. Você e eu. Você nunca foi meu. — Ela cantava com toda sua potência vocal e o violão era um aliado em demonstrar como era uma canção raivosa. Um country furioso, Holly teria gostado se tivesse uma guitarra e alguém com vocal gutural, já que a canção com certeza não era sobre amor, sim sobre alguém que tinha sido magoado. — O seu nome clamando. A minha pele queimando. O seu plano tramando. Nós dois fumando. O seu nome clamando. A minha pele queimando. O seu plano tramando. Nós dois fumando.

Fiquei surpreso com a parte do fumando no refrão, mas lamentei que eu provavelmente seria a única pessoa escutando aquela canção tão verdadeira e mais explícita de Bella. Queria que Paul Lahote se fodesse e Isabella pudesse colocar aquela música em seu álbum, expondo como ele tinha sido um escroto com ela.

Você me acendeu. Você me apagou. Minhas coxas. As suas. O meu olhar. O seu olhar. Queima! — A voz dela vacilou naquele momento, mas não parou. — O seu nome clamando. A minha pele queimando. O seu plano tramando. Nós dois fumando. O seu nome clamando. A minha pele queimando. O seu plano tramando. Nós dois fumando.

A melodia ficou um pouco mais lenta e Bella praticamente sussurrou a próxima parte.

Você me deu. Você tomou. O meu amor. Só meu. A minha paixão. Só minha. — Em seguida, a melancolia voltou a dar lugar para a raiva em sua voz. — Eu gritei. Clamei. Me aproximei. E me queimei. O seu nome clamando. A minha pele queimando. O seu plano tramando. Nós dois fumando. O seu nome clamando. A minha pele queimando. O seu plano tramando. Nós dois fumando.

O violão foi o protagonista por alguns segundos, até ela voltar a cantar para finalizar a canção.

Minha lágrima. Queima. Minha solidão. Queima. E você? Está com o sucesso. E eu? Você me deixou do avesso.

Então, a música acabou e eu bati palmas. Minha esposa corou e balançou a cabeça em negação, eu segurei seu rosto e a beijei.

— Ótima música.

— Jura?

— Foda pra caralho, que honra a minha ser casado com você.

Ela suspirou, de forma apaixonada e me beijou outra vez.

— É bom fazer uma canção de ódio. — Isso me fez rir. — Gostou mesmo?

— Juro que amei, Capitã.

***

Como Rosalie continuava com a ideia de ser uma autora de livros anônima, o dia do lançamento do seu livro foi marcado por um jantar no apartamento da nossa mãe. Bella e eu fomos para lá com Holly, meu pai também estava presente e obviamente o namorado da minha irmã.

— Aqui, vai com seu tio. — Bella passou Holly para os braços de Emmett, ela e eu estávamos acabados, nós dois tínhamos malhado aquele dia com Chris.

— Sua tia me disse que você agora gosta de rock — Emmett falou para Holly.

Ela, Bella e eu tínhamos sido os primeiros a chegar ao apartamento da minha mãe, então minha filha já tinha mamado e tirado um cochilo, depois mamado de novo, quando os outros chegaram ela estava acordada e tranquila.

— Qual sua banda favorita?

— Red Hot Chilli Peppers — Bella e eu respondemos juntos. — Ela também curtiu escutar Ramones no caminho para cá.

— Boa escolha! — Emmett a parabenizou. — Eu gosto bastante de Ramones.

— Vai tocar muito no seu novo apartamento? — provoquei, Rosalie já tinha contado para Carlisle sobre a mudança dela, ele não parecia muito contente com isso, mas estava se esforçando para mudar sua expressão a respeito daquele assunto, só que quando falei aquilo o vi revirar os olhos, Bella também notou e riu baixinho.

— Não seja um chato. — Rosalie sentada do meu outro lado cutucou meu ombro.

— Quando vocês se mudam? — Bella perguntou, minha mãe voltou da cozinha naquele momento, ela tinha insistido em fazer o jantar e estava finalizando.

— Em duas semanas — Emmett respondeu e sorriu mais para Holly. — Você vai nos visitar roqueirinha?

— Vocês podem levá-la todas as noites para eu dormir. — Bella apoiou a cabeça em meu ombro. — Ei. — Minha esposa ergueu a cabeça e olhou para minha irmã. — Já contou a novidade sobre o roteiro para seu pai?

— Ainda não — Rose confidenciou.

— Pois conte agora! — Bella estalou os dedos para ela, isso me fez sorrir, era algo muito característico da minha esposa.

— Do que estão falando? — Carlisle perguntou.

— Bella teve ideia para uma série quando esteve em Bath, ela estava com dificuldades com o roteiro e me chamou para ajudar. E bom, eu topei, então acho que sou roteirista de uma série agora além de escritora de livros, o que é louco. — Rose soltou uma risada nervosa, eu afaguei seus cabelos.

— Isso é ótimo! — Carlisle exclamou e parecia mesmo estar soando sincero naquele momento. — Do que se trata a história?

Rose e Bella começaram a contar, meu olhar se desviou para minha mãe, e notei que ela parecia nervosa com algo, mexendo em seu celular sem parar. Depois respirou fundo e foi para a cozinha, pedi licença e fui atrás dela.

— Ei, oi! — Se assustou quando me viu. — Já está com fome?

— Não, eu percebi que a senhora parece preocupada com algo, tudo bem? É por meu pai estar aqui? Ou por Aro não estar? Ele está no meio da gravação do filme, não é?

Ela soltou uma risada e colocou o rosto entre as mãos.

— Não, não é nada sobre seu pai, é bom que ele esteja presente no dia especial da sua irmã. — Ela tirou as mãos do rosto. — Estou só pensando em Aro, sei que ele está ocupado com as gravações do filme, mas tem dias que anda tão calado, mal responde minhas mensagens e não atende as ligações, nos vimos ontem e o homem estava com o celular na mão o tempo todo falando por mensagem com alguém. Deve ser besteira da minha cabeça, mas estou com medo de estar sendo traída.

— Quer que eu vá atrás dele e o pressione a falar a verdade? — perguntei, sentindo raiva tomar conta de mim, se aquele homem estivesse brincando com os sentimentos da minha mãe, eu iria acabar com ele. Ou melhor, não, eu não poderia fazer isso, meus dias de sair por aí agredindo pessoas tinham acabado, mas Aro no mínimo receberia uma ligação furiosa minha se eu descobrisse que ele estava traindo mamãe.

— Não, não quero nada! — ela disse e me lançou um olhar de repreensão. — Sou uma mulher adulta, posso resolver meus problemas sozinha e você não deve se meter nisso, Edward.

— Tá, tá — concordei, mas me tornei a segunda pessoa preocupada com Aro estar distante. — Talvez seja mesmo culpa das gravações, elas estão na reta final.

— Sim, deve ser isso. Me ajuda a levar a comida para a mesa agora — ordenou.

— Sim, senhora.

Quando todos já estavam sentados à mesa, Rosalie chamou nossa atenção e se levantou.

— Bom, eu gostaria de dizer que estou muito feliz por todos estarem aqui. Especialmente você, princesinha. — Olhou para Holly, que estava em seu carrinho entre a minha cadeira e a de Bella. — O livro é a grande realização de um sonho, ainda nem caiu minha ficha de que ele se tornou real. Muito obrigada pelo apoio de todos vocês. — Minha irmã estava quase chorando e eu também, era foda pra caralho vê-la feliz daquela forma. — Enfim, eu autografei livros para todos! — Ela pegou os livros de dentro de uma bolsa que tinha levado para a sala de jantar e entregou exemplares para todos, inclusive para Holly. — E cada um tem uma dedicatória especial, agora podemos comer antes de eu cair no choro. Por favor, comam, mamãe fez minhas comidas favoritas. Te amo, mãe.

Mamãe sorriu para ela, se levantou e abraçou a filha apertado. Eu espiei a dedicatória em meu livro.

“Para Ed, meu irmão, a primeira pessoa que conheci e a pessoa que mais me tira do sério, mas também a que mais me entende. Eu te amo, obrigada por sempre estar ao meu lado.”

Respirei fundo e deixei o livro sobre a mesa, não iria chorar. Mas também peguei o livro de Holly e li a dedicatória para ela.

“Para a garotinha que mais amo nesse mundo todo, espero que quando você for BEM crescida e for ler este livro goste dele. Mal vejo a hora de compartilhar mais histórias com você, minha sobrinha querida. A sua tia te ama muito!”

Ali não foi possível mais segurar o choro, Bella afagou meu ombro, mas eu tive de sair para o banheiro limpar o rosto das lágrimas. Antes disso abracei Rose, que choramingou um pouco, mas estava mais contida que eu.

No banheiro, terminando de limpar meu rosto, meu celular tocou. O peguei para atender e vi que era Jane, atendi na hora e a atriz gritou:

— Eu tenho uma fofoca!

Fechei a porta do banheiro e questionei:

— Seu pai tá traindo a minha mãe?

— O quê? Não!

— Por que ele está evitando-a então?

— É parte da fofoca que tenho pra te contar.

— Ok, conta logo — exigi.

— Meu pai vai pedir sua mãe em casamento.

Puta que pariu!

— Ele não está a evitando por uma traição, só está nervoso com o pedido e com medo de dar com a língua nos dentes antes da hora.

— Caralho, eles vão casar — eu sussurrei animado. — Quando ele vai pedir?

— Dia primeiro de novembro.

— Por que tão longe?

— Ele não quer pedir no meio das gravações do filme, vai conversar com sua mãe amanhã e combinar uma viagem para New York e fazer o pedido lá, papai ama aquela cidade.

— Ele mandou você me contar? Ele te contou?

— Peguei ele escolhendo o anel, aí fiz papai contar tudo. Eu precisava conversar sobre com alguém, Alec ouviu a palavra fofoca e mandou eu ir cuidar da minha vida, sabia que você iria querer saber.

— É, você está certa. Caralho, nós vamos virar oficialmente da mesma família.

— Sim! — ela gritou. — Alguém terá de fazer o filme contando a história dos irmãos postiços que foderam.

— Jane! — A garota gargalhou.

— Brincadeirinha. Não conte para sua mãe.

— Óbvio que não vou contar.

— Ela acha que meu pai está a traindo?

— Sim, por ele estar distante.

— Coitadinha, mas como se fosse possível, o velho está todo apaixonado por ela. Agora preciso desligar, não faça fofoca sobre para mais ninguém.

— Eu vou contar para a Bella, sem chances de não contar.

— Claro que vai, seu fofoqueiro.

— Você começou com a fofoca.

— Ok, justo. Tchau!

— Até mais!

Finalizamos a ligação e eu deixei o banheiro, todos já estavam comendo e conversando sobre a peça que Emmett tinha feito meses atrás. Eu me inclinei e sussurrei para minha esposa.

— Vou te contar uma fofoca depois.

***

Bella ficou em casa com Holly no dia do lançamento do álbum de Kate, iriamos trocar quando fosse o lançamento de Carmen dias depois, ela iria e eu não. Para ajudá-la com Holly, Ness tinha ido ficar com a irmã e a sobrinha, já que da festa ainda iria com Rose levar Carlisle para o aeroporto.

— Estou tão, tão feliz! — Kate exclamou e me abraçou. — O álbum ficou perfeito e não seria tão bom sem você trabalhando nele também, Ed.

— Concordo — falei, ela riu e me soltou.

— Queria que Bella estivesse aqui, estou com saudades dela brigando comigo — Kate disse fazendo careta de choro.

— Posso brigar com você, quer? — Tanya que estava perto falou.

— Não, muito obrigada — Kate agradeceu, bem na hora Cameron se juntou a gente, ele e a rainha do drama tinham voltado a namorar.

Nós três e Tanya ficamos conversado por um tempo, até Alistair chamar Kate para algumas fotos com outros convidados da festa. Eu aproveitei para ir falar com meu sogro e Carmen.

— Como vocês estão? — perguntei para Carmen. — E não estou me referindo ao seu marido ancião, sim ao bebê — sussurrei, ela revirou os olhos e Charlie acertou um tapa na parte de trás da minha cabeça. — Ai! — reclamei.

— Pra você aprender a deixar de ser idiota — Charlie disse com falsa animação na voz.

— Estamos bem — Carmen respondeu para mim. — Estou enjoando muito, mas pelo menos o bebê está ótimo. — Sorriu. — Mas o lançamento da Kate está me deixando nervosa, logo serei eu e isso me apavora.

Charlie a abraçou de lado.

— Seu álbum será muito bem recebido — ele disse e eu concordei.

O estilo que Carmen tinha seguido para seu primeiro álbum era dance pop, mas com muita influência dos ritmos mexicanos e várias das canções eram cantadas em espanhol. Apesar de ela ter gravado pela minha gravadora, eu não tinha participado da produção dele, mas Laurent tinha e estava animado com ele, também tinham convidado produtores mexicanos para colaborar na produção do álbum.

Ficamos ali conversando, eu também troquei mensagens com Bella para me certificar de que ela e Holly estavam bem. E estavam, mas eu também estava morrendo de saudades das duas.

— Ed. — Irina se aproximou. — Preciso que você tire fotos com algumas pessoas.

Mentalmente reclamei, mas fui tirar as fotos que ela queria.

— Ah, você recebeu proposta para participar de um podcast, para falar sobre carreira, família e sexualidade. É comandado por duas mulheres lésbicas, elas cobrem o meio pop e abordam muito gênero e sexualidade no programa.

— Vou pensar, manda as informações direito para mim depois.

— Pode deixar — ela confirmou. — Como a pequena Holly está?

— Ótima. — Eu sorri. — E o que estão falando sobre ela na internet? — Nem Bella, nem eu, tínhamos parado para explorar a internet depois das fotos que tiraram nossas na saída da pediatra. E também não abrimos processo contra os paparazzis, evitando mais confusão que isso geraria, mas ainda estávamos mantendo o que tínhamos movido contra a mulher que tinha vazado a primeira foto de Holly.

— A maioria das fotos foram divulgadas censurando o rosto dela, as contas de fofoca não iriam querer provocar vocês para receber intimações, mas as fotos ainda estão circulando sem censura, especialmente espalhadas pelos fãs.

— Uma merda — resmunguei. — Bom, vou comer algo, ou preciso tirar mais fotos?

— Não, pode ir comer.

— Ótimo trabalhar com você e não com a Tirana da Denali, tchau!

Fui embora antes do final da festa, pedindo desculpas para Kate, mas precisava mesmo acompanhar meu pai ao aeroporto. Encontrei com ele e Rose no hotel, saímos de lá e fomos conversando sobre Holly, o livro da minha irmã e quando Carlisle poderia voltar para nos visitar, ou a gente ir até ele.

— Você pensa em tirar cidadania americana? — meu pai perguntou.

— Não sei — murmurei. — Já poderia tirar até antes do casamento pelo tempo que resido aqui e tenho Green Card, mas não sei se quero ser considerado um americano. — Fiz careta e meu pai riu.

— Como está seu visto? — perguntou para Rosalie.

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— Tudo certo, ainda estou ligada à universidade pelos cursos que faço lá e vou falar com advogados para ver se consigo o Green Card. E não sei se um dia também vou querer tirar cidadania americana. — Fez uma careta parecida com a minha.

— Holly vai ter dupla cidadania? — Carlisle me perguntou. — Ou já tem?

— Já está encaminhada para ter.

Papai sorriu.

— Uma pequena inglesa, excelente. Mal vejo a hora de vocês levarem ela para férias bem longas em Bath.

Voltei a fazer uma careta ao escutar aquilo, mas não falei nada. Logo chegamos ao aeroporto, não tinha nenhum paparazzi em minha cola, então não me despedi de Carlisle no estacionamento, sim lá dentro.

— Vou sentir muito a sua falta — falou para mim enquanto nos abraçávamos. — Se cuida, filho — pediu.

— Pode deixar. Se cuida também. — O apertei mais forte em meus braços. — Eu te amo muito, pai.

— Também te amo muito, garoto. — Ele olhou para mim, os olhos cheios de lágrimas. — Iremos nos ver em breve.

Bom, ele estava errado, mas naquele momento nenhum de nós dois poderia saber disso.

***

Eu estava na sala de música, mas não tocando, ou compondo qualquer coisa. Sentado no chão, com meu notebook rodando um vídeo, fones de ouvido e em minhas mãos um caderno onde fazia anotações. Holly estava ali comigo, dormindo em um berço portátil que eu tinha levado para lá.

— Edward. — Ouvi Bella me chamar, ergui o olhar e a vi estalar os dedos para mim, tirei os fones para escutá-la melhor. — Você precisa ir se arrumar.

Eu resmunguei.

— Preciso mesmo ir para isso?

Charlie tinha inventado de levar Alec, Jasper e eu para um jogo de basquete.

— Sim! — Bella teimou. — O que você está fazendo? — Apontou para meu caderno.

— Estudando mais um pouco sobre pequenas pessoas. — Gesticulei para Holly, estava tomando conta dela enquanto Bella trabalhava em outra música, uma que minha esposa apelidou de irmã gêmea de Queimando. — Achei um curso online sobre desenvolvimento infantil e me inscrevi, estou assistindo a primeira aula. — Fechei o notebook, Bella me encarou em choque.

— E fazendo anotações?

— É — confirmei rindo, pensando nela fazendo anotações no curso preparatório para pais que tivemos durante a gestação. — Não que eu seja um nerd como você — provoquei, ela revirou os olhos, mas se juntou a mim no chão e nos beijamos rapidamente. — Preciso mesmo ir? Eu deveria ficar aqui cuidando da Holly.

— Holly estará bem comigo e minhas irmãs.

— Eu não estarei bem assistindo a um jogo chato no meio da competição de quem é o melhor genro — dramatizei, mas Bella não se importou.

— Vá se arrumar, Cullen.

— Você que está perdendo minha companhia — declarei e subi com minhas coisas, a deixando lá com Holly.

Menos de uma hora depois eu estava saindo de casa com Alec, que foi deixar Ness ali e me buscar. Na arena encontramos Jasper e Charlie, os dois estavam bebendo cervejas e conversando com um jogador aposentado de basquete que estava sentado perto da gente.

Enquanto o jogo não começava fiz Alec tirar uma foto minha, naquele dia estava me sentindo bonito pra caralho, considerava nunca mais tirar minha barba, ela estava sendo um grande charme a mais para mim. Enviei a foto para Bella, que respondeu se lamentando.

Capitã: Que merda.

Capitã: Agora estou arrependida de ter feito você sair.

Capitã: Poderia estar sendo fodida por você.

Pirralho: Bem feito!

Capitã: Agora entendo as pessoas que ficam falando mal de mim, é inveja porque elas não podem sentar em você, marido.

Eu ri alto ao ler aquilo, Charlie perguntou:

— O que é tão engraçado, Cullen?

— Nada, nada. — Pigarrei, Jasper me lançou um olhar de quem sabia bem o que eu estava conversando pelo celular.

Pirralho: Tô com seu pai aqui perto, para de falar disso, Isabella.

Capitã: Tá, tchau!

Guardei meu celular e comecei a participar da conversa que os outros estavam mantendo.

— Ei, olha quem tá aqui. — Alec cutucou meu braço e com a cabeça indicou o outro lado da arena, eu olhei e vi Kevin Fodido Ford.

O maldito jornalista também me viu e acenou, na hora pensei em algo. Ou melhor, em alguém, Richard, que tinha morrido sem eu descobrir se ele realmente tinha tido alguma relação com o Escândalo Swan-Cullen.

Me vi andando até Kevin, ignorando Alec que tentou me barrar, ou Jasper e Charlie chamando por mim.

— Edward! — Kevin exclamou, ele também tinha uma cerveja em mãos. — Posso te pagar uma bebida?

— Podemos conversar? Só nós dois? — Ele estava com outros caras por perto.

— Ih, você é gay, Ford? — um deles provocou, eu revirei meus olhos, claro que aquele tipo de piadinha seria feita.

Kevin riu, mas nos afastamos para fora da arena, seguindo para a área das lanchonetes do local, a vip no caso.

— O que quer conversar? — indagou. — Já estamos quites, Cullen.

É, eu bem sabia, o maldito acordo feito entre nós dois sobre ele ter nos exposto.

— Sim, estamos quites e não vou mais mexer no processo encerrado, mas preciso saber de algo. Richard Buttler te alertou sobre Isabella e eu?

— Não gosto de falar sobre mortos — Kevin disse em tom de brincadeira, eu bufei. — Ok, ok. — Ele suspirou. — Richard e eu nos encontramos em um evento ano passado, o cara me falou que suspeitava de algo sobre você, ele não queria contar, só queria que eu descobrisse sozinho um modo de ferrar com sua carreira. Mas pressionei, pressionei e Richard falou que desconfiava de você e Isabella estarem juntos. Então, eu coloquei Helena no jogo e aqui estamos. — Piscou para mim. — Acho que ele queria proteger Isabella da exposição, mas ainda te expor. Eles eram próximos, não é? Ele era muito amigo do seu sogro. — Kevin sorriu. — Me conta porque ninguém da família Swan, incluindo sua esposa, não falaram nada sobre Richard após ele morrer.

Eu não falaria nada, Kevin era um escroto e nunca poderia ficar sabendo do segredo de Bella.

— O que ele escondia, Cullen? E o que vocês sabem que não estão contando?

— Adeus, Kevin! — Me afastei, no caminho de volta para meu lugar vi Heidi conversando com um ator, ela sorriu para mim, eu a ignorei.

— Tudo bem? — Jasper perguntou quando sentei ao seu lado.

Eu assenti, peguei meu celular para contar para Bella o que tinha acabado de descobrir, mas por alguns segundos me distraí com a notificação de atualização que vi do Twitter dela. Minha esposa tinha compartilhado a foto que lhe enviei, com a legenda:

Como deve ser difícil a vida de quem não sou eu.”

Rindo, curti o tweet dela, também respondi:

“Até eu estou te invejando agora, estou bonito pra caralho.”

Depois disso, foquei e mandei a mensagem para ela.

Pirralho: Topei com o Kevin aqui, o fiz contar sobre Richard e ele confirmou minhas suspeitas. O Buttler deu a dica sobre você e eu estarmos juntos.

Capitã: Ele está morto, não há nada que possamos fazer agora. Curte o jogo, tá?

Pirralho: Não gosto de basquete.

Capitã: Se o time para qual vocês estão torcendo ganhar, irei te recompensar.

— Porra, sim — comemorei e me voltei para Alec. — Volturi, para quem estamos torcendo nesse jogo mesmo?

***

Emmett deu de presente para Holly uma camiseta do Ramones, uma touca e calça cinzas para compor o visual da roqueirinha, assim que a roupa estava limpa eu a coloquei na Donut e tirei uma foto. Enviei para Rosalie e Emmett, também para minha mãe e Alec, que era outro grande fã de rock.

Porém, não aguentei e tive de compartilhar a foto com mais pessoas. Coloquei o emoji de coração no rostinho dela na edição e postei no Twitter com a legenda:

“Minha filha traindo a música pop...Sim, Holly é uma roqueirinha.”

Bella, que estava ali no quarto de Donut me esperando terminar de brincar de boneca com Holly para dar de mamar, riu quando viu o post e respondeu.

“Traiu o country também, mas tão fofa curtindo as músicas rock dela.”

Curti o tweet dela e tirei Holly do trocador, levando o bebê até Bella que estava sentada na poltrona de amamentação.

— Oi, meu amorzinho, como você está linda! — falou para Holly e a pegou no colo, já estava sem as partes de cima de suas roupas para amamentar.

— Como está sua nova música? — perguntei para Bella, sentando aos pés dela, peguei um em minhas mãos e comecei a massagear.

— Está indo bem — disse animada. — Mal vejo a hora de finalizar para te mostrar.

— Preciso te contar algo — sussurrei com seriedade na voz, ela me olhou preocupada.

— O que foi?

— Seu pé é tão ossudo! — Gargalhei, ela resmungou e puxou o pé das minhas mãos.

— Puta merda, casei com um idiota.

— Lide com isso. — Peguei novamente o pé dela em minhas mãos.

O resto do dia foi bem corrido, naquela noite aconteceria a festa de lançamento do álbum de Carmen e Bella teria uma equipe de cabelo e maquiagem em casa para prepará-la para sua primeira festa após o nascimento de Holly. Nós três também passamos por novas provas das nossas fantasias de Halloween, que já estavam sendo confeccionadas desde que minha esposa as escolheu.

Quando Holly dormiu no começo da noite e ficou sob os cuidados de Renata, que estava no turno noturno para me auxiliar, eu peguei dois copos de Milkshake que pedi pelo delivery e levei o de Bella para ela na sala que minha esposa estava com seu cabeleireiro e maquiador. Entrando lá escutei música, tocava Obsessed da Mariah Carey no som e minha esposa estava cantando, muito feliz.

Oh, oh, why you so obsessed with me? Boy, I wanna know².

— Pra você, linda. — Lhe entreguei a bebida, ela agradeceu com uma piscadela, sem parar de cantar e era tão bom vê-la feliz assim.

***

No dia 29 de Outubro aconteceria a entrevista para o podcast que topei participar, estava até animado com aquela entrevista, poderia falar sobre minha sexualidade e influenciar mais pessoas a se aceitarem. Eu também tinha entrado em acordo com Isabella, poderia falar mais sobre ela e Holly, sentimos segurança em expor mais um pouquinho da família. Fui para o estúdio com Irina, repassando possíveis perguntas com ela no carro.

As entrevistadoras se chamavam Kristal e Mandy, eram um casal e foram muito simpáticas comigo. Tomamos um café primeiro, depois começamos a entrevista, era um podcast com transmissão ao vivo, indo ao ar às cinco da tarde, o que infelizmente me faria perder a hora do banho de Holly.

Após a introdução inicial, as perguntas começaram.

— Como está sendo a vida de pai, Ed?

— É cheia de altos e baixos, os primeiros meses da vida de um bebê não são nada fáceis, especialmente para quem é pai de primeira viagem. Ainda assim, não posso nem de longe me colocar no mesmo lugar de que outros pais, minha condição financeira permite que nossa família tenha muito suporte, nos permite focar muito mais em Holly. E eu também preciso frisar como o lado da mãe é mais puxado, estou lá cumprindo meu papel, só que minha esposa com certeza tem uma carga em cima maior dela. Então, só posso dizer para todos aí darem muito apoio para as mães, ou para os pais trans que também passaram por uma gestação.

— Kristal e eu temos um filho, o Peter, adotamos ele com dois anos de idade e mesmo assim os primeiros meses foram extremamente exaustivos — Mandy disse. — Se tornar pai, mãe, é realmente um processo cansativo.

— Sim, eu imagino que por adoção o cansaço deve ser similar, de qualquer forma é uma criança e uma mãe e um pai, ou no caso de vocês duas mães, se conhecendo, tudo muda.

— O que mais mudou na sua relação com a Isabella desde que se tornaram pais?

— O mundo fora da nossa casa ainda existe, óbvio, mas nossa prioridade agora é criar aquela garotinha. Então, acho que como casal, isso foi uma oportunidade para tirarmos o peso externo de nossos ombros, algo que esteve lá desde o começo da nossa relação.

— Vocês já irão fazer um ano de casados em dezembro, o tempo passou rápido?

— Muito, nossa! — exclamei e sorri. — Entre o pedido de casamento e o casamento propriamente dito foi em um piscar de olhos, depois disso parece que passou ainda mais rápido, ainda que o final da gestação tenha sido bem longa. Inclusive acho que já está na hora de eu começar a pensar no presente de casamento. Capitã, sei que está me ouvindo, então vá se preparando para ser presenteada.

— Qual foi o presente mais legal que ela te deu?

— O meu último presente de aniversário, ela mandou fazer uma caixinha de música inspirada na sala de música que temos em casa, é algo lindo, eu amo. Isso falando de coisas materiais, porque com certeza nada é mais especial do que a filha que ela me deu.

— Falando sobre essa sua sala de música, ela tem sido usada para compor mais canções ao mundo? — Kristal questionou.

— Não, ao menos não por mim — confidenciei. — Eu estou sem trabalhar de fato desde a finalização do álbum de Kate Allen. — A participação no programa de Alice não contava muito para mim, por ser algo gravado foi muito mais mecânico do que extasiante como tocar em um show. — Devo esperar mais um pouco para voltar.

— Isso é para você poder focar no bebê?

— Com certeza, também preciso de férias, o meu último álbum e turnê foram bem intensos, é bom relaxar um pouco agora.

— Mas você disse que a sala de música está sendo usada, por Isabella? — Mandy quis saber.

— Sim, eu não posso falar muito sem ela ficar revoltada comigo, mas minha esposa tem trabalhado em canções novas.

— E espero que você esteja ficando com a Holly para Isabella trabalhar, é sua obrigação! — Kristal exclamou, mas não em um tom agressivo, eu até ri.

— Com certeza, é total minha obrigação e como falei, pelo lance da condição financeira podemos todos ficar em casa, mesmo com Isabella trabalhando ali, e eu não preciso trabalhar incansavelmente agora no começo da vida de Holly e posso cuidar dela. Tem sido uma honra para mim, ser pai daquela garotinha incrível, é tão bom vê-la crescer de perto.

— E ela está crescendo sendo uma roqueirinha?

— Ela está! — Eu ri mais. — Nos traiu completamente, ontem eu fui fazê-la dormir e no momento que coloquei Ramones para tocar a garota se acalmou. E hoje pela manhã nós colocamos AC/DC e a menina não parava de se mexer no colo da mãe.

— Deve ser tão fofo! — as duas falaram juntas.

— Agora, nós precisamos perguntar, no começo do mês você postou em suas redes sociais que é bissexual, sempre soube?

— Eu só fui me aceitar e entender o que era no ano passado — respondi. — Tive uma criação bem conservadora, não só por conta dos meus pais, mas por ter sido criado em uma comunidade católica rigorosa, até a escola que frequentava era religiosa. Talvez nem tivesse me aceitado se não estivesse em terapia desde 2017, com certeza a terapia mudou minha vida.

— Como foi a reação dos seus pais ao descobrirem? Pode nos deixar sem uma resposta para isso caso não queira contar.

— Meu pai descobriu primeiro, sentia que precisava falar para ele logo — comecei a contar, sem querer pular a pergunta. — Não foi bem aceito, por esse e outros motivos acabamos nos distanciando muito mais na época. Quando minha mãe descobriu, primeiro foi um choque, mas Esme é uma das pessoas mais acolhedoras que existem no mundo, ela me abraçou e garantiu que estava tudo bem. O que realmente estava, ser bi definitivamente não era um defeito meu. E depois de um tempo, acabei me reconciliando com meu pai, nossa relação está muito melhor agora.

— E como foi a decisão de contar para o público?

— Depois do ataque que Jacob Black sofreu, eu não conseguia parar de pensar que poderia ser eu, ou meus amigos LGBTQIA+. Pensei nos meus fãs que são, tive uma fã no Brasil que foi assassinada pelo próprio pai por ser lésbica. Eu precisava contar, para ser uma voz na comunidade, usar o alcance que tenho, e também porque não queria mais viver escondendo isso, estava me sufocando. Foram boas horas de terapia, decidi contar de uma vez e aqui estamos.

— Isabella sempre soube?

— Sim, sim. Foi a primeira pessoa para quem falei em voz alta, ela me apoiou muito no processo de aceitação e também me deu muito suporte para contar para todos.

— Isso é muito legal. Você tem apoiado ONGS voltadas para assistência da comunidade LGBTQIA+, não é?

— Tenho, ainda quero apoiar outras, sei que não vou mudar o mundo sozinho, mas preciso me mexer e fazer algo por ele e pelas pessoas como eu.

— Ok, sei que você não está compondo nada agora, mas podemos esperar canções sobre sua sexualidade no próximo álbum?

— Provavelmente irá acontecer, eu não era um grande compositor, mas meu último álbum teve várias músicas de composição minha e todas eram sobre algo referente a minha vida. Então, sim, provavelmente o próximo álbum irá contar sobre ficar a madrugada acordado com um bebê com cólicas, casamento, sexualidade e quem sabe até meus novos hobbies que são barcos e cozinhar.

— Não sou da galera que acha que felicidade é um sentimento contínuo, a vida é cheia de sentimentos, altos e baixos, mas no momento, você parece muito feliz, Ed.

— Eu estou — confirmei. — Logo depois que saí da reabilitação minha cabeça e vida ainda estavam uma bagunça, mas as coisas estão no lugar agora, ao menos o máximo que é possível.

— Você acha que se apaixonar resolveu essa bagunça?

— Isabella é a mulher mais incrível que já cruzou meu caminho, eu sou perdidamente apaixonado por ela e muito feliz ao lado da minha esposa e da minha filha. Porém, falo isso sabendo que Isabella concordaria comigo, foi preciso mesmo cuidar da minha saúde mental para estar bem agora. É outra bandeira que venho defendendo há algum tempo, precisamos cuidar da nossa cabeça como cuidamos do resto do corpo, ou tudo desanda. Mas, estar apaixonado é muito bom. — Sorri. — Eu com certeza encontrei o amor da minha vida, quando nem estava procurando.

***

Naquela noite, por volta de dez horas, Bella estava em nosso quarto trabalhando no roteiro da sua série. Ela e Rose já estavam escrevendo e pareciam estar indo bem, já que minha esposa mal conseguia desviar o olhar do notebook.

Holly já estava em seu berço dormindo desde às oito, eu tinha ido gastar tempo fazendo pão, e quando acabei com isso estava pronto para dormir. Voltei para nosso quarto e deitei ao lado de Bella, que tirou uma mão do notebook para mexer em meus cabelos.

— Tenho um presentinho para você, marido.

— O quê? — perguntei animado, sentindo o sono deixar meu corpo na hora. — Vamos transar? — Movi meu corpo e beijei a barriga dela por cima da camiseta que ela estava usando, uma camiseta que era minha.

— Mais ou menos. — Ela desviou o olhar do notebook, se voltando para mim, com um sorrisinho safado no rosto. — Eu fiz algo quando você saiu, antes da sua entrevista começar, enquanto Holly estava dormindo com a Renata. — Bella pegou seu celular e entregou para mim. — Você sabe minha senha, tem um vídeo especial te esperando, vai lá se divertir, ainda tenho muito trabalho pra fazer, depois quem sabe...

— Puta que pariu! — exclamei entusiasmado, ela riu. — Vou para o quarto de hóspedes. Te amo, muito, pra caralho. — Beijei ela e saí do quarto, levando seu celular e um frasco de lubrificante.

Fui para o quarto de hóspedes que tínhamos usado da outra vez, tirei minhas roupas e sentei na cama. Desbloqueei o celular dela e procurei pelo vídeo na galeria, estava em uma pasta com o nome Senhor Cullen. Eu dei play e vi que Bella tinha o gravado no banheiro da nossa suíte, o celular estava apoiado na bancada da pia e ela na frente, mostrando seu corpo para a câmera.

Isabella era gostosa pra caralho, eu me senti um sortudo da porra por aquela mulher ter me dado atenção. E ainda mais sortudo por ela estar ali perto, na nossa casa, sendo minha esposa.

Meu pau já estava duro, com a mão que não segurava o celular eu o toquei lentamente usando um pouco de lubrificante. Na tela minha esposa também começava a se tocar, de costas para a câmera suas mãos estavam em sua bunda, até ela as apoiar na parede e inclinar seu rabo em direção ao celular.

Gemi alto, minha mão trabalhando com mais força e rapidez no meu pau. Ver a bunda de Isabella arrebitada para mim era um convite, queria mergulhar no corpo dela e me perder ali.

Queria você aqui — Bella falou no vídeo. — Dentro de mim, me fodendo com muita força.

— Porra!

Ela tirou uma mão da parede, a usando para abrir um pouco das suas nádegas.

Você bem no meu rabo, senhor Cullen. Gosta disso, não é?

Gostava e muito. Toquei em minhas bolas também, aumentando meu prazer.

Faz tanto tempo que não me fode no rabo, senhor Cullen.

Fazia, mas precisamos de mais tempo para isso, não podia ser no meio de uma foda rápida. Isabella, no vídeo, virou de frente para a câmera, o rosto estava perigosamente vermelho.

E minha boceta? Você gosta dela, senhor Cullen?

Levou uma mão até sua boceta deliciosa, tocando seu clitóris, descendo os dedos até sua entrada. Eu apertei mais meu pau, sonhando em meter ele naquela boceta gostosa, quase podia sentir o calor de Isabella ao meu redor.

Hum, meus dedos não me satisfazem como o senhor satisfaz — ela disse se masturbando, eu emiti um som quase animalesco, deixando o celular na cama de forma que conseguisse continuar a assistir ao vídeo, mas ganhando a outra mão para me dar mais prazer.

Brinquei com os piercings em meus mamilos, acariciei minha barriga e por fim a levei até minhas bolas, deixando a outra exclusivamente para meu pau necessitado. Bella se masturbava no vídeo, gemendo, apoiada na parede, seus peitos balançando conforme o movimento.

Gozei antes dela, sem aguentar mais, sujei minhas coxas e barriga de porra. Cansado, acabei deslizando na cama, me limpei com o lençol e recuperei o celular, bem a tempo de terminar de assistir meu vídeo particular.

Minha putinha gozando, descabelada, corada, arfante, dizendo meu nome, falando que queria montar em mim logo mais. A vida era bela.

***

Detestei minha fantasia, mas amei a de Holly, ela era a coisinha mais fofa do mundo vestida de Jessie. E estava tão divertida com a trança falsa acoplada ao chapéu dela, eu queria apertar as bochechas da minha filha de tanta fofura que ela exalava.

Antes de irmos para a festa, nós fizemos fotos em casa. Bella, assim como eu, também estava encantada com Holly vestidinha daquele jeito.

— Ela é tão fofa! — minha esposa exclamou, enquanto a fotografa tirava fotos de Holly deitadinha em um tapete que compramos que dizia que aquele era seu primeiro Halloween.

— E você fica muito bem loira — sussurrei para minha esposa, ela riu e eu beijei sua nuca, sentindo ela se arrepiar.

A fantasia de Bella era cheia de coisa, calça, vestido, um cajado, ovelhas de pelúcia, um chapéu, a peruca. O visual inteiro era bem brega, mas ela ainda era minha esposa e eu ainda a achava uma gostosa.

— Você foderia com esse boneco? — perguntei em seu ouvido, ela abafou uma risada.

— Para tem gente aqui perto — chamou minha atenção e eu me contive.

Mais algumas fotos depois, fomos para a festa. Renata estava conosco, para ajudar a tomar conta de Donut. Estávamos preocupados com Holly em uma festa daquelas, mas Charlie e Carmen tinham reservado três quartos e uma sala da mansão para que as crianças e bebês que fossem pudessem descansar. De qualquer forma, Holly poderia ficar no quarto de Bella lá e se a música a irritasse muito a levaríamos para casa.

Mas, ela estava bem e foi a sensação da festa quando chegamos lá. Todos estavam encantados por Holly e querendo fotos com ela, Bella e eu reforçamos que se fossem postar, o rostinho dela deveria estar coberto.

— Vai me contar se o bebê da Carmen é menino ou menina? — perguntei para Ness, as fotos tinham parado por um tempo, Bella tinha subido para seu quarto com Holly para amamentar, Renata estava com elas. Minha cunhada, a única a saber o sexo do bebê, estava fantasiada de Ariel e toda empolgada com a revelação que logo mais aconteceria.

— Não, não vou — ela respondeu.

— Você já sabe? — perguntei para Alec, a fantasia dele era a do príncipe da Pequena Sereia para combinar com sua namorada.

— Não faço ideia — respondeu e bebeu mais do drink que tomava. — Renesmee não deu nenhuma dica.

— Vamos apostar? — Jasper, que estava na mesa conosco perguntou, a fantasia dele era ridícula. Estava vestido com suas roupas normais e uma plaquinha pendurada no pescoço escrita dragão, também era uma fantasia de casal combinando com a de Alice, ela estava vestida de Daenerys, a personagem de Game Of Thrones. Aparentemente, meu amigo e sua esposa também decidiram suas fantasias por meio de uma aposta, ele tinha vencido.

— Não, sem essa de apostar — Renesmee negou.

Resmunguei e me afastei deles, indo pegar alguma coisa para comer. Lá conversei um pouco com Tanya e Santiago, com a pequena Tina também. Eles também tinham caprichado em uma fantasia familiar, a Tirana era a Rapunzel de Enrolados, Santiago o carinha do filme e a filha deles estava vestida de lagarto.

Quem também tinha caprichado na fantasia era minha mãe, ela estava de Estátua da Liberdade e Aro de turista, uma referência ao local para onde viajariam na manhã seguinte. A mesma cidade onde ela seria pedida em casamento, eu não estava me aguentando de animação sobre isso, não tinha dúvidas de que mamãe iria aceitar.

— Por que está sorrindo tanto desse jeito? — perguntou desconfiada quando fui parar na rodinha que ela estava com Emmett e minha irmã. Meu cunhado e Rosalie estavam vestidos como os personagens do clipe de Oops!...I Did It Again da Britney Spears.

— Nada, só animado com a festa. — Sorri mais para minha mãe e me voltei para Rosalie. — Podemos conversar? Vem cá! — Precisava compartilhar aquilo com ela de uma vez.

A puxei para longe da nossa mãe, enquanto fazia isso vi que Bella já tinha voltado com Holly e que nossa filha estava no colo de Kate. A cantora mais chorona do universo estava vestida de Morticia Addams, combinando com seu namorado que era o Gomez.

— O que foi? — minha irmã questionou.

— Alguém vai pedir outro alguém em casamento.

Rosalie ficou pálida e agarrou meu braço.

— Emmett vai me pedir em casamento? Não! — exclamou, em um tom de voz baixo e urgente. — Eu amo muito ele, to amando morar com Emmett, mas não quero casar agora, está tão bom a gente se conhecer melhor.

— Não, não é o Emmett, nem você — neguei, ela suspirou aliviada. — Tenta de novo.

— Ai, não sei. Por que está me contando? Eu deveria saber? Isso é fofoca, não é? — Ela olhou ao redor e voltou a me olhar com olhos bem arregalados. — Aro vai pedir a mamãe em casamento?

Eu concordei com um aceno de cabeça, Rose soltou um gritinho e me abraçou.

— Estou tão feliz, ela ama tanto ele. Como você sabe? Quando vai ser? Hoje? — Me encheu de perguntas e comecei a contar tudo.

***

Jane acertou um tapa em meu braço, por sorte era Bella segurando Holly naquele momento, pois aquilo realmente doeu.

— Ai, tá doida, Legalmente Loira? — questionei fazendo referência a fantasia que minha amiga usava.

— Você contou para quantas pessoas sobre o pedido de casamento? Rose veio falar que deveríamos começar a coordenar nossos discursos para o casamento.

— Só contei para Bella e Rose.

— Só? — Jane se virou para minha esposa. — Você se casou com o maior fofoqueiro.

— É, eu sei. — Bella riu, aquela altura ela já tinha deixado pra lá seu cajado e as ovelhas.

— Cala sua boca até amanhã, Cullen — Jane ordenou e fez cosquinha em Holly. — Você é como seu pai uma garota de festas, não é?

— Nem sei como ela não está chorando — Bella disse. — Ah, Jane, a Jessica estava procurando por você.

Minha amiga sorriu.

— Estava? Claro, sou inesquecível. — Olhou ao redor. — Como ela está fantasiada?

— Como Vivian de Uma Linda Mulher — respondeu para ela.

— Qual versão?

— A do começo.

— Ok, falo com vocês depois, ou não. — Jane se afastou indo atrás de Jessica.

— Ei, tenho uma fofoca para você — Bella falou para mim, me entregando Holly, eu a acomodei em meus braços, tínhamos tirado o chapéu dela e enrolado a garota em uma manta, estava meio frio, ainda que a festa aquele ano estivesse mais concentrada no lado de dentro da casa. — Adivinha quem vi se pegando mais cedo.

— Não sei, quem?

— A Cher e o Mário Kart.

— Quem? — questionei confuso.

— As pessoas com essas fantasias.

— Ah sim — murmurei tentando lembrar de quem estava fantasiado assim, lembrei que Laurent estava de Mário, mas não tinha visto nenhuma Cher.

— Não a Cher a cantora, Cher a personagem de As Patricinhas de Beverly Hills — explicou como se pudesse ler minha mente.

— Irina!

— A própria, pegação forte. Fica com a Holly, vou conversar um pouco com a Tanya, e acho que ela está lá fora.

— Beleza.

Eu andei até Riley e Lucy, que estavam vestidos como personagens de Hotel Transilvânia. Disso só sabia porque eles falaram, já que nunca tinha assistido.

Poucos minutos depois, Holly estava dormindo. Sem nem se importar com o falatório ao redor dela, Renata que estava por perto a levou para dormir no quarto de Bella, eu também tinha colocado Felix para ficar fazendo a segurança de Donut, temendo que algo acontecesse no meio daquela casa lotada de gente.

Fui atrás de Bella, e logo em seguida Carmen e Charlie subiram ao palco montado no quintal da mansão e chamaram por todos. Estavam fantasiados de Fred e Wilma Flintstones, o Caipira já tinha feito diversas piadas da minha fantasia e eu da dele. Eles discursaram sobre como estavam felizes por ter todo mundo ali e contaram a novidade sobre o bebê, a maioria das pessoas, incluindo minha esposa e eu, bateram palmas e gritaram em comemoração.

Os dois agradeceram e também falaram que iriam descobrir o sexo do bebê naquele momento, nisso Ness subiu ao palco carregando tubos de confetes, entregou um para seu pai e outro para a madrasta. Uma contagem regressiva apareceu no telão, Ness a comandou pelo microfone e no final dela Carmen e Charlie estouraram os confetes.

Papel picado azul saiu por eles, também foram salpicados em direção aos convidados por máquinas espalhadas pelo quintal. Carmen e Charlie comemoraram, sabia que depois do que tinham passado, o sexo do bebê era um detalhe, eles amariam de qualquer forma.

— Eu vou ter um irmão! — Bella gritou para mim em choque. — Caralho, não acredito nisso, um garoto. Você tá entendendo? Nunca tive um irmão e agora tenho! — Ela me abraçou e começou a chorar.

***

Carmen não parava de sorrir, Charlie estava feliz também, só que chorando de alegria. Eu tinha segurado todas as piadas de velho que poderia fazer, sem querer acabar com o clima de comemoração.

— O nome, vocês já pensaram? — Bella perguntou praticamente pulando no chão de tanta animação.

— Ainda não — o pai dela e Carmen responderam juntos.

— Que tal David? — Isabella sugeriu.

— Você não cansa? — indaguei.

— Não, amor.

Rolei os olhos.

— Vamos pensar com calma — Carmen disse, colocando uma mão sobre sua barriga.

— Ai, eu tô tão feliz! — Ness abraçou a madrasta mais uma vez, Alice, Jasper e Alec também estavam por ali.

— Não acredito que vou ter um irmão — Alice falou, parecendo muito com a fala de Bella anteriormente. — Parece... Legal. — Sorriu. — Qual a data pra nascer mesmo? — questionou Carmen.

— Está previsto para maio — respondeu empolgada. — Parece que o tempo está voando.

Nosso grupo ficou ali mais um tempo conversando, Carmen chorou um pouco quando o DJ colocou para tocar uma canção do álbum dela. O álbum estava tendo uma recepção mista, tanto de crítica quanto de público, especialmente pela esposa de Charlie não ter uma base de fãs fortalecida fora do México.

Com a gravidez, qualquer ideia de turnê tinha sido suspensa pela própria Carmen, ela queria focar no bebê. Ainda estava cumprindo a campanha de divulgação do álbum planejada pela equipe da Swan Productions, mas tinha batido o martelo de que se fosse fazer uma turnê seria apenas depois do bebê nascer e já ter mais de seis meses, no mínimo.

Eu a entendia, Bella e Tanya também entendiam, então mesmo sem trabalhar efetivamente na produtora, minha esposa tinha concordado com a decisão de Carmen. A Tirana, que bem de vez em quando sabia ser legal, também estava concordando com isso. Laurent, pela parte da nossa gravadora, tinha ficado chateado, achando que uma turnê pequena poderia ajudar o álbum e a carreira de Carmen como um todo, mas com Bella e eu respondendo pela gravadora também ele não tinha muita escapatória.

Depois da canção de Carmen, começou a tocar Escândalo. Bella gritou e me puxou para a pista de dança, eu fui rindo. Lá, cantei e dancei com ela minha canção, naquele instante senti uma falta esmagadora de estar nos palcos, só que era algo que diminuiu logo em seguida, ainda queria continuar na minha licença paternidade.

Deixei Bella na pista de dança, Alistair e Tanya tinham se aproximado para conversar com ela e os três ficaram lá cantando junto a uma música da Beyoncé, e fui ver minha filha dentro da casa. Passei por Felix na porta do quarto, lá dentro não estava muito silencioso, mas escuro e Holly dormia como um anjo no berço portátil que Bella tinha mandado para a casa do seu pai justamente para aquilo no dia anterior.

Renata garantiu que minha filha estava bem, dormindo direto. Eu me tranquilizei e saí, sem querer acabar acordando Holly e perturbando sua paz.

Estava descendo a escada quando Jasper apareceu e disse:

— Ei, precisamos conversar.

— O que rolou? — perguntei e parei de descer, ele subiu a escada até parar no mesmo degrau que eu e se sentou, o acompanhei, sentando ao seu lado.

Jasper respirou fundo, os olhos fixos em seus sapatos.

— É sobre essa sua fantasia ridícula? — questionei. — Você poderia ter se esforçado mais. — Meu amigo riu. — Algo com Alice? — perguntei começando a ficar preocupado.

— Não — negou e olhou para mim, os olhos cheios de lágrimas. — É sobre minha vida profissional. — Assenti e ele continuou a falar. — Estou pensando em lançar um álbum. — Deu um sorriso nervoso. — E sei que você não está gravando nada agora, nem com planos de sair em turnê, mas eu também estou pensando em deixar sua banda... — Jasper parou de falar quando comecei a chorar. — Cara, não — implorou, ele próprio segurando mais suas lágrimas.

— Você acabou de voltar — murmurei.

— Eu sei, o último álbum e a última turnê foram ótimos. Só que acho que tá na minha hora de sair do fundo do palco e ir para a frente, tenho falado com uns caras, posso montar uma banda muito maneira, e ser o guitarrista principal dela e vocalista. Não que a minha voz seja a melhor do mundo, mas eu também curto cantar.

Puxei o ar, coloquei as mãos na frente do rosto e chorei mais.

— Quem sabe dá tudo errado e volto para a sua banda, Ed — ele disse, afagando minhas costas.

— Cala a boca, porra — ordenei. — Claro que não vai dar errado, você é um guitarrista foda pra caralho e tem uma voz excelente, talvez melhor do que a minha. — Olhei para ele e falei. — Vou te colocar na minha gravadora, monta sua banda, vamos fazer acontecer.

Jasper respirou aliviado.

— Estava torcendo pra você falar isso. — Eu ri e o abracei, Jasper foi o próximo a chorar.

— Um dia volta pra tocar em um show comigo — pedi quando nos afastamos, eu ainda estava chorando. — Vou sentir falta de dividir os palcos com você.

— Volto sim. — Jasper fungou. — Ok, preciso sair de perto de você agora para parar de chorar — falou e desceu a escada, eu fiquei sentado lá, controlando meu próprio choro, Bella apareceu logo depois e me olhou confusa.

— Holly está bem? — Subiu a escada até mim rapidamente.

— Está, não estou chorando por isso.

— O que aconteceu?

— Jasper não vai mais tocar na minha banda. — Segurei a mão de Bella e a beijei, com ela ali parei de chorar e contei o plano de carreira do marido de Alice.

— Vem. — Bella puxou minha mão, me incentivando a ficar de pé. — Nada de ficar aí sentado chorando, Jasper está procurando algo legal para vida dele, você tem que ficar feliz.

— Eu sei. — Fiquei de pé.

— Vamos dançar?

Eu sorri e concordei, nós dois voltamos para a pista de dança e ficamos dançando e cantando as músicas que sabíamos as letras. Quando já tinha tirado o chapéu de sua fantasia, e roubado o meu, ela estava dançando de costas para mim, minha mão em sua barriga, sua bunda se esfregando contra meu pau. Mais um pouco e eu ficaria duro ali na frente de todo mundo.

— É melhor você parar — alertei.

— Não quero parar.

— Então, é melhor você resolver isso.

Bella ficou de frente para mim.

— Ok — disse em um tom de desafio. — Vamos resolver.

Praticamente corremos para dentro da casa, Bella nos trancou dentro de um banheiro do primeiro andar, ela tinha o escolhido a dedo, era mais afastado de onde os convidados estavam e espaçoso o suficiente para o que iríamos fazer.

— Porra, o quão errado é transar enquanto estamos usando fantasias de personagens do Toy Story? — perguntei, enquanto a boca dela estava em meu pescoço e minhas mãos agarradas a sua cintura, as dela já abriam minhas calças e começavam a me masturbar.

— Foda-se — Bella disse.

— Está se sentindo uma garota má hoje, putinha? — indaguei, segurando o rosto dela entre meus dedos.

— Estou. Vai me punir por isso?

— Fica de joelhos e me chupa. — Tirei meu chapéu da cabeça dela e coloquei na minha.

Isabella umedeceu os lábios e sorriu, antes de se ajoelhar à minha frente. Logo sua boca estava me engolindo, fazendo com que eu gemesse. Apoiei uma mão na porta, a outra toquei na cabeça de Bella, mas ela a afastou, soltou meu pau e falou que eu não poderia arrancar a peruca dela.

Me restou não tocar na minha esposa, ao menos não naquele momento. Deixei ela me chupar, lamber e me levar aos céus, mas não quis gozar na boca dela.

— Chega, se apoia na bancada da pia, putinha. — Relutante, ela ficou de pé, antes que fizesse o que mandei, eu a beijei, podendo sentir meu gosto nela. Também lhe devolvi meu chapéu e disse. — Gostosa do caralho.

— Eu amo te chupar, senhor Cullen.

— Também amo quando você me chupa, mas não está louca para que eu enfie meu pau na sua boceta?

— Porra, sim, faça isso — implorou. — Estou tão molhada.

Ela ficou de costas para mim, se apoiando na bancada da pia como ordenei. Primeiro abaixei suas calças e calcinha, depois ergui o seu vestido bufante como deu, odiei a fantasia dela com todas minhas forças naquele instante, era cheia de camadas.

Agarrei sua cintura com uma mão, a outra comecei a tocar em sua boceta. Estava mesmo molhada e eu ia começar a fodê-la, quando lembrei de algo.

— Não tô com camisinha, Isabella.

— Você não pensou nisso? Amador! — exclamou e tirou uma camisinha do seu decote. — Toma, guardei aqui depois de dar de mamar, amamentar é sempre um bom lembrete que não posso ter outra gestação agora.

Peguei o preservativo e o abri, colocando em meu pau. Toquei mais um pouco em sua boceta com meus dedos, depois a provoquei com meu pau, fazendo Bella sufocar um gemido alto.

Porém, não demorei muito. Precisava foder minha putinha. Fiz isso com força e rapidez, como ela gostava, como eu sabia muito bem e também curtia. Uma mão em seu clitóris, meu corpo debruçado sobre o seu, Bella gemendo meu nome, o chapéu foi parar no chão, a peruca dela ficou um pouco bagunçada.

Ela gozou primeiro, suas pernas ficaram fracas, eu a mantive no lugar, mordiscando sua nuca, aumentando o prazer dela. Sua boceta me apertava, seu cheiro estava me inebriando, os gemidos dela, meu nome sendo falado sem parar.

— Me fode, me fode — continuava pedindo por mais.

E eu fodi, gozando logo em seguida. Era tão bom, porra, bom pra caralho. Transar era maravilhoso.

Alguém bateu na porta, eu só tinha me movido para tirar a camisinha, e voltei a colocar meu corpo sobre o dela, uma mão voltando ao meio de suas pernas.

— Tem alguém aí? — Era Alice, Bella riu, eu tapei a boca dela com a outra mão. — Ai que merda, não tem um banheiro desocupado nesse andar — a irmã dela reclamou e saiu batendo pé.

Saí de cima de Bella, recoloquei minha calça. Ela se limpou e vestiu suas roupas. Mas, eu ainda não estava pronto para deixá-la ir. A ergui pela cintura, a sentando na bancada da pia e ficando entre suas pernas.

Nos beijamos demoradamente, depois eu coloquei meu rosto na curva de seu pescoço e fiquei ali sentindo seu cheiro. Ela mexia em meus cabelos, o toque de seus dedos em mim me fazia pensar em um piano, que me levaram a ideia de uma música, algo contando sobre um Halloween, sobre as doçuras e travessuras que poderiam ser feitas nele.

Olhei para Isabella, os olhos dela estavam brilhando.

— Você está feliz? — perguntei, ela deu um sorriso preguiçoso.

— Muito feliz, meu amor. — Afagou meu rosto, eu tinha mantido a barba mesmo que isso fugisse da caracterização da minha fantasia. — E vou ficar ainda mais se for ver minha filha agora. — Se remexeu para sair da bancada, eu a ajudei a descer, lavamos as mãos, terminamos de nos arrumar e saímos do banheiro.

Mãos dadas, balançando entre nós dois. No meio do caminho até Holly cruzamos com algumas pessoas, parando rapidamente para negar conversas, explicando que estávamos indo ver nossa garota.

O DJ colocou Paparazzi da Lady Gaga para tocar, eu cantei um pedaço da letra enquanto subíamos a escada.

Baby you’ll be famous chase you down until you love me. Papa-paparazzi³.

***

No dia seguinte, primeiro de novembro, demos folga para todos os funcionários, com exceção dos seguranças. Ficaríamos, apenas nós três, em casa, aproveitando a preguiça depois de uma noite agitada.

Pela parte da tarde, acabamos atrasando o banho de Holly, eu estava fazendo donuts e a queria na cozinha comigo. Conseguia imaginar aquilo se transformando em uma tradição, nós dois fazendo donuts juntos, com a mãe dela tirando fotos e gravando vídeos, mas se recusando a ajudar.

— Você teve a ideia, lide com isso — Bella falou. — Meu amorzinho, você é uma cozinheira de primeira — disse para Holly, que estava no canguru em meu peito, quase dormindo com a cabeça encostada em mim, quando chegasse a hora de fritar os donuts ela iria para os braços de sua mãe.

Mesmo com Holly sem entender nada, e quase dormindo, ia explicando como deveríamos fazer a massa. Eu estava falando sobre o ponto certo, quando Bella soltou um resmungo.

— O que foi? — perguntei olhando para ela, que estava mexendo em seu celular do outro lado do balcão.

— Paul foi escalado para uma grande série de filmes. — Olhou para mim. — Algo de fantasia, com muitos fãs, papel principal, todo mundo adorou a ideia e ele vai ganhar mais adoradores com isso. — Revirou os olhos.

— Ei. — Estalei meus dedos para ela. — Ignore esse merda. Você vai ganhar um Oscar em breve.

— Até parece. — Bella riu e seu celular tocou. — Falando em Oscar, é o Aro, a essa hora já deve ter pedido sua mãe em casamento. — Aquilo me animou, minha esposa atendeu a ligação e ouvimos mamãe gritar.

— Bella, o Ed está com você? Ligo pra ele mas não sou atendida.

— Oi, mãe...

— Eu vou casar! — ela gritou mais. — Aro acabou de me propor, na Estátua da Liberdade, que loucura, fechou ela pra gente. — Riu do outro lado da linha. — Sua irmã já está sabendo, ela me atendeu primeiro, mocinho. Aro está contando para Alec e Jane, voltamos para Los Angeles amanhã, vamos comemorar. Eu vou casar! — gritou novamente.

***

Tirana e Santiago seriam pais novamente em breve. Bella e eu ficamos sabendo em um domingo, quando fomos almoçar com eles, tínhamos acabado de chegar quando o celular de Tanya tocou, era uma assistente social para dar a notícia.

Uma adolescente, de Los Angeles mesmo, estava grávida e decidiu colocar o bebê para adoção. Eles foram escolhidos, seriam pais de um garoto, que deveria nascer antes do Natal.

— Ai, temos tanta coisa para fazer — Tanya disse, chorando e rindo. — E a produtora? — Se voltou para Bella.

— Holly já tem quatro meses, eu dou meu jeito de segurar as pontas trabalhando de casa e indo para lá quando for necessário — minha esposa garantiu, não parecia nada abalada. Sabia que ela estava amando compor mais canções, escrever o roteiro de sua série e estava animada para receber o do filme de Aro, mas também sentia falta de comandar sua produtora. — Você pode focar no seu bebê agora, eu vou organizar minha lista de tarefas.

— É. — Fiz coro. — Holly tá aceitando melhor mamar pelo copinho comigo, vou te dar dicas, Santiago.

Ele riu, estava com Tina no colo, os dois também extravasando felicidade.

— Pronta para ser irmã mais velha, Tina? — Bella perguntou para ela.

— Sim! — Tina gritou, por sorte Holly estava acordada, nos braços da mãe mamando.

Conversamos mais um pouco, quando Holly terminou de mamar eu a peguei para arrotar e fazê-la tirar um cochilo. Insisti para Bella e os outros irem almoçar logo, fiquei na sala com minha filha, quando ela dormiu sentei no sofá, iria trocar com alguém depois e comer. Peguei meu celular para me distrair, vi que tinha uma mensagem de Alec e logo cliquei para ler.

Alec: Preciso desabafar.

Edward: Diga.

Alec: Quando Ness e eu começamos a namorar eu já sabia que ela queria casar e ter filhos logo, e por mim eu casava com aquela mulher hoje mesmo e no começo do namoro também achei que fosse querer mais filhos o quanto antes. Só que agora o Sam já tem um ano, estou trabalhando mais, tudo está mais tranquilo. Sei lá, minha cabeça e meu coração não estão prontos para terem mais filhos agora.

Edward: Mas a Ness está. Por isso ela e você não estavam de grude no aniversário dela?

Tinha acontecido três dias antes, foi comemorado com uma pequena comemoração na casa de Charlie. O dia sete de novembro também foi o marco de quatro meses de Holly e de um ano que Bella e eu descobrimos que ela estava grávida.

Alec: Sim. Eu conversei com ela logo depois do Halloween, contei que não estava me sentindo pronto para ter mais filhos por enquanto, mas ela está. Enfim, estamos numa tensão fodida.

Edward: Não tem um errado na história. Ela quer muito ser mãe, esperava ter isso com você em breve, está magoada e eu a entendo. Mas as pessoas mudam de ideia, você não é um monstro por isso. Não sei bem como te ajudar, mas talvez terapia de casal?

Eu sabia que Tanya e Santiago tinham feito para decidirem sobre ter mais filhos ou não.

Alec: Sei lá. Tá tudo tão foda agora.

Edward: Vocês não vão terminar, vão?

Alec: Não.

Alec: Espero que não.

***

De noite, assim que Holly dormiu. Bella me arrastou para a sala de música, levando a babá eletrônica para ficarmos de olho em Donut, ela queria me mostrar sua outra música nova, tinha finalizado logo depois que voltamos do apartamento dos Denali.

— Tudo bem? — Bella perguntou, estava escolhendo um dos meus violões para tocar. — Tá quieto desde a hora do almoço. É sobre eu voltar a trabalhar na produtora?

— Não, não é — respondi rapidamente, sem querer que ela se sentisse culpada por isso. Eu estava mesmo pensando em Ness e Alec. — Não é nada sobre trabalho, ou sobre a gente, fica tranquila.

— E você não irá fazer fofoca? — Arqueou uma sobrancelha, eu dei uma risada baixa.

— Não, não posso. Mas é sério, tudo bem com você voltar a trabalhar, na produtora, na gravadora se quiser, no que desejar, linda. Estou aqui te apoiando e tomando conta dela. — Indiquei o monitor da babá eletrônica.

— Ok.

— Vamos, cante! — Incentivei.

Ela pegou um violão, se preparou e começou. Já tinha me dito que aquela canção se chamava Princesa, a melodia que Bella tocava era animada.

O alvo escolhido. A garota perfeita. E tudo estava perdido. Ela teve a vida desfeita. Nasceu como herdeira. Cresceu como princesa. — A letra, ao menos naquele começo, não parecia algo comemorativo, e eu tinha o conhecimento de ser a irmã gêmea de Queimando, então deveria mesmo ser algo mais pesada. No entanto, Isabella cantava como se estivesse falando sobre um dia feliz, era um grande deboche de sua parte. — Por ele estava apaixonada. Um erro. Por ele foi destronada. Seu enterro. Por ele estava apaixonada. Um erro. Por ele foi destronada. Seu enterro.

Se moveu pela sala de música, ela tinha calçado botas de montaria para aquilo e fazia todo sentido. Era uma canção country muito dançante e o visual dela um complemento.

Chore chore princesa. Implore implore princesa. De todos fugiu. Bêbados. Abastados. Pervertidos. — Fez cara de surpresa ao terminar de cantar aquele trecho, eu tive de rir. — Ainda herdeira. Desmoronando por uma ladeira. Não mais princesa. Exilada na costa francesa. Por ele estava apaixonada. Um erro. Por ele foi destronada. Seu enterro. Por ele estava apaixonada. Um erro. Por ele foi destronada. Seu enterro.

Tocou e dançou mais, e quando voltou a cantar, daquela vez tinha expressão de pavor no rosto.

Corra corra princesa. Não morra não morra princesa. — Depois disso, voltou ao sorriso debochado. — A flecha não era do cupido. Ele era um caçador. E você caiu e caiu princesa. A vida desfeita. O seu rosto? Um desgosto. Pobre princesa. Não é mais nobre. Por ele estava apaixonada. Um erro. Por ele foi destronada. Seu enterro. Por ele estava apaixonada. Um erro. Por ele foi destronada. Seu enterro.

Parou de tocar o violão e finalizou a canção batendo palmas, seguindo o ritmo.

Fuja fuja princesa. Fuja fuja princesa.

Finalizou a apresentação se curvando, dramatizando ainda mais.

— Muito boa, não é? — perguntou animada.

— Você precisa colocá-la no seu álbum.

— Não vou, mas se eu colocasse, pode ter certeza de que iria trazer mais Grammys para casa por conta dela.

Sorri, me levantei do sofá e fui beijá-la.

***

Aro finalizou o roteiro do filme da Audrey no dia vinte e seis de novembro, no dia seguinte fomos almoçar para comemorar. No apartamento da minha mãe, eles dois, eu, Bella e Holly.

Minha esposa nos encontrou lá, naquela manhã tinha ido ter uma reunião na produtora. Holly ficou só comigo em casa, já que Renata estava de folga, Nelly e Sean estavam lá, mas dei conta sozinho.

— Estava morrendo de saudades suas, Donut — Bella falou enchendo o rosto dela de beijos, Holly estava se deliciando, sorrindo e balançando as perninhas, também mexendo as mãos para tocar no rosto de sua mãe.

As duas não quiseram se desgrudar, Bella almoçou com Holly no colo. Falamos sobre a produtora, o casamento de Aro e minha mãe — marcado para meio de janeiro, seria uma comemoração pequena para os mais íntimos —, o roteiro do filme e como Holly estava crescendo e desenvolvendo novas habilidades, já estava rolando e adorava fazer aquilo.

Após o almoço, Bella amamentou Holly e a fazia dormir, estávamos no antigo quarto de Rosalie no apartamento. Minha esposa precisaria sair de novo, iria encontrar Tanya e Tina em uma loja para que pudessem comprar algumas coisas para o bebê da Tirana.

Eu ficaria no apartamento da minha mãe com Holly, tinha levado leite que Bella tirou no dia anterior para lá e estava com a geladeira abastecida. Mamãe também tinha tirado o resto do dia de folga e queria curtir mais a neta, Aro provavelmente continuaria ali conosco.

— Venho direto da loja para cá, aí vamos para casa juntos — Bella falou baixinho, ainda fazendo Holly dormir.

Concordei, ao mesmo tempo que espiava o celular, Alec tinha mandado uma mensagem, ele e Ness ainda estavam se desentendendo por conta da história de terem ou não filhos em breve. No outro dia seria Ação de Graças, ele iria ficar com Sam, o que o faria acabar passando a data com Amber — que não quis abrir mão do filho no feriado — e isso estava gerando mais caos para o casal, já que Ness estaria na casa do pai dela, assim como o resto de nós.

Minha cunhada estava bem puta, com Alec e com Amber, mas não com o pequeno Sam. Não achava justo Alec, um americano, não poder levar o filho para um feriado que Amber não comemorava até se mudar para os Estados Unidos.

— Vai no carro só com Felix? — perguntei para Bella, largando meu celular, ela tinha saído só com ele aquela manhã, enquanto eu estava com o outro carro e dois seguranças para cuidarem de mim e Holly.

— Sim, a loja tem garagem e entradas laterais e ninguém está atrás de mim hoje. — Ela sorriu para Holly. — Eu amo esse dia. — Olhou para mim e sorriu mais.

Eu também amava, já tínhamos comemorado de madrugada, inclusive. Foi naquele mesmo dia, um ano atrás, que nos pedimos em casamento.

Dias antes, tinha acontecido o aniversário de um ano de outra coisa, o Escândalo Swan-Cullen. Mas quase ninguém ligava mais para isso, não éramos mais notícia fresca.

— Ok, preciso ir — Bella disse. — Amo muito você, Holly. — Beijou a cabeça da nossa filha que tinha dormido. — Logo volto para buscar você e seu papai, aí vamos para casa e serei toda sua o resto do dia, Donut. — Minha esposa andou até o berço portátil que Esme comprou para ter em seu apartamento, uma utilidade para quando Holly ou Sam fossem lá, com cuidado colocou Holly nele, ficou babando nela por mais um tempinho, até se afastar.

— Tchau, Linda — sussurrei, sem querer acordar Holly, eu estava sentado na cama do quarto. Bella se aproximou, beijou meus lábios rapidamente e disse:

— Vamos comemorar mais o nosso aniversário de noivado mais tarde.

— Sushi, Brooklyn Nine-Nine e sexo?

Ela sorriu e me beijou mais uma vez.

— Perfeito, Pirralho.

— Volta logo pra gente, Capitã.

***

Quando Holly acordou, Aro me ajudou a preparar o copinho de leite para ela. Minha mãe, mesmo de folga, precisou parar e resolver um problema de última hora da ONG, eu estava na sala com Donut e meu padrasto, ele me contando o caos que era ter bebês gêmeos.

— Até nisso você e minha mãe... — Parei de falar quando meu celular começou a tocar, era Irina. Pedi para Aro atender e colocar no viva-voz. — Irina, tô com a Holly, você pode ligar depois?

— Ed, você já viu o vídeo?

— Vídeo? Que vídeo?

— Uma tal de Heidi, estão dizendo que ela é garota de programa, gravou escondida um vídeo de Paul Lahote confessando que armou tudo sobre o Escândalo Swan. — Eu prendi a respiração e parei de alimentar Holly, me faltava forças para continuar, ela choramingou. — Essa Heidi também o gravou contando que tinha negócios com tráfico, o cara tava muito chapado de cocaína, mostrou para ela um quarto no apartamento dele lotado de pacotes de drogas. Cadê a Bella? Está com você? A produtora está uma loucura e não consigo falar nem com ela, nem com a Tanya.

— Não, não está comigo — murmurei em choque, Aro se mexeu e tirou Holly e o copinho de mim, minha mãe apareceu e ele começou a explicar para ela o que tinha acontecido. — Vo-Vou ligar para ela.

Puta merda, Paul tinha sido desmascarado. Eu precisava falar com Bella, porra, aquilo era motivo de comemoração.

Comecei a ligar e mandar mensagem para ela, mas minha esposa não atendia ou respondia. Também tentei entrar em contato com Felix Tanya, só que assim como Bella, eles não estava respondendo, tentei Santiago e ele me atendeu.

— Ei, cadê sua esposa e a minha? — perguntei apressadamente. — Elas tinham ido fazer compras com a Tina.

— Cara, a Tina começou a passar mal, alguma coisa que comeu. Tanya está levando ela para o hospital, com a Valentina assim não vai atender ninguém agora. Tô saindo de casa e indo encontrar elas lá, não sei se a Bella foi junto.

Pedi para Santiago tentar falar com Tanya e conseguir alguma informação para mim, ele prometeu me dar notícias assim que possível e encerramos a chamada. Irina ligou de novo, querendo saber se eu tinha conseguido falar com alguém, eu neguei, me despedi rapidamente e liguei mais incontáveis vezes para Bella, até o celular ser atendido.

Só que a voz que atendeu estava longe de ser a dela, era a de um homem.

— Alô? — o homem disse.

— Quem é você? O que está fazendo com o celular da minha esposa? — indaguei aflito.

— Pode me chamar de O’Neill. Senhor, sua esposa se chama Isabella Cullen?

— Sim, quem é você? — Tornei a perguntar.

— Sou paramédico, sua esposa sofreu um acidente.

Notas finais
¹Eu não preciso de nenhum dinheiro, fortuna ou fama. Tenho todas as riquezas, querida. Que um homem possa exigir. Bom, eu suponho que você perguntaria. O que pode me fazer sentir desse jeito? Minha garota (minha garota, minha garota). Falando sobre minha garota (minha garota). Eu tenho o brilho do Sol num dia nublado com minha garota. Eu tenho até o mês de maio com a minha garota. Falando sobre, falando sobre, falando sobre minha garota. Ooh, minha garota. ²Oh, oh, por que você está tão obcecado por mim?Garoto, eu quero saber? ³Amor, você será famoso. Vou te perseguir até você me amar. Papa-paparazzi. Beijos! Lola Royal. 26.06.22