Hollywood
93 Capítulo Noventa e Dois
Notas iniciais
Capítulo Noventa e Dois
Isabella Cullen
“Isabella Cullen lança seu primeiro videoclipe.”
A vida era tão boa!
***
As luzes de Las Vegas eram tão brilhantes e a cidade parecia tão cheia de vida. Por muito tempo, após o Escândalo Swan, não me senti assim, nada brilhante, muito menos cheia de vida.
Eu me sentia muito brilhante no passado quando estava diante das câmeras, atuar era algo único. Dar vida a uma personagem era eletrizante, emprestar meu corpo, minha voz.
Também era algo único subir em um palco e cantar, para poucas ou muitas pessoas. Criar canções e poder contar uma história cantando era libertador, sentir a energia que o público emanava da plateia fazia meu corpo se arrepiar.
Sentia falta disso, queria mais dessas experiências.
Naquela noite em Las Vegas, escutando música, olhando para as luzes da cidade e sentindo as mãos quentes de meu marido em mim, eu me senti brilhante e mais cheia de vida do que nunca. Porém, ainda faltava algo, só que iria resolver esse problema, era importante para mim correr atrás dos meus sonhos, todos eles.
Começou a tocar Beautiful Day do U2, me levando de volta para o passado com mais força do que antes, quando a canção foi inserida no último episódio lançado de Zoe em Malibu. Zoe estava confusa naquele capítulo, perdida, sua vida estava mudando.
Zoe não teve um futuro, muito menos um final, sua história rudemente interrompida. A minha também tinha sido, mas eu estava voltando a ser roteirista da minha própria jornada e meu futuro seria construído por mim mesma.
— You’re on the road. But you’ve got no destination¹. — Ed cantou e naquele trecho comecei a chorar. Não era tristeza, sim alívio. — Linda, o que foi? — meu marido perguntou com receio na voz.
Eu comecei a sorrir naquele instante, minha vida tinha sido uma merda por tanto tempo, mas não era mais.
— Essa música tocou no último episódio lançado de Zoe em Malibu — contei. — Depois do Escândalo Swan, quando assisti ao episódio novamente, eu me sentia exatamente assim, em uma estrada sem destino, não sabia o que iria fazer na minha vida.
— E agora você sabe. — Edward sorriu para mim, eu o amava tanto, ter encontrado ele no meio do caminho fez tão bem para mim.
— Agora eu sei — murmurei, sorrindo ainda mais. Puxei meus pés, que Edward antes massageava. Me levantei e comecei a tirar a peruca loira da fantasia que usei no casamento de Alice e Jasper. — Sei muito bem o que quero fazer. — Ainda chorava e sorria. — Eu vou aceitar a proposta do filme de Aro, Edward.
Aquele era o primeiro passo de muitos, eu voltaria a atuar, também iria investir na carreira de cantora que um dia fui privada de perseguir. E se um dia quisesse me tornar professora de matemática? Faria isso também, foda-se, eu faria qualquer coisa que quisesse fazer.
Ed Cullen, o cara de 23 anos, pai da minha filha e meu marido há pouco mais de um mês, ficou de pé.
— Eu vou voltar a atuar! — gritei. — Que se foda o passado, estou disposta a construir meu futuro exatamente como quero. E também vou gravar mais músicas, lançar um álbum um dia. Escrever o roteiro da ideia que tive em Bath, dirigir ele se for necessário…Tiraram tudo de mim, só que isso nunca mais irá acontecer. Irei atuar, irei cantar, irei fazer o que sempre quis, fazer tudo que ainda vou querer fazer — desatei a falar, sentindo meu corpo ficar ainda mais cheio de animação.
O futuro parecia tão lindo naquele momento, mas eu também estava tão feliz com o presente. Queria aproveitar cada instante, viver a vida sem mais amarras ao passado, precisava disso.
— Porra, Capitã! — Edward me puxou para um beijo, que virou vários, ele beijou cada pedaço da minha face e começou a chorar também.
Segurei seu rosto, podendo ver as lágrimas transbordando por seus olhos verdes.
— Eu amo você — ele se declarou. — Vai ser tão foda te ver atuando novamente, te ver lançar um álbum. — Soluçou, eu não poderia ter um marido melhor, alguém que torcia tanto por mim e por meus sonhos. — Faz tudo que quiser, tá bom? — Beijou minha testa. — Se precisar eu fico em casa com a Holly, dou uma pausa na minha carrei…
— Ed, isso não será necessário!
— Mas se for, eu farei — disse em tom de juramento. — Sério, quero que você realize todos seus sonhos.
— Não precisa privar os seus pelos meus, Edward.
— Capitã, os meus maiores sonhos agora consistem em ser um bom pai e um bom marido, com ser um bom marido vem junto a vontade insaciável de te ver realizando seus sonhos. E eu vou estar ao seu lado para qualquer coisa, não me importo de sair dos holofotes para te deixar brilhar.
Neguei com um aceno de cabeça.
— Quero fazer isso com você ao meu lado sob os holofotes. — Estiquei meu corpo e beijei sua bochecha. — Será uma loucura de agendas e uma filha pequena, mas daremos conta. Os seus sonhos, os meus e os que a Donut tiver, serão nossos, como deve ser para uma família, okay? Mesmo que os sonhos dela no começo sejam só enfiar a mão na boca e se babar toda.
Ele riu e me abraçou.
— Você será a Audrey — ele sussurrou em meu ouvido.
— Porra, sim. Outra Audrey, você estava certo, é a melhor oportunidade para voltar a atuar. E parece tão certo para mim, como se estivesse, sei lá, no meu destino. O nome dela serviu de inspiração para a princesa Audrey. Ela interpretou uma Holly, o nome da Donut. E em Bath você comprou aquele livro de fotos dela. Só que será uma puta responsabilidade.
— Não para você.
— Claro que para mim, sim. Há anos que não atuo…
— Linda, eu aposto que você irá ganhar um Oscar.
Aquilo me fez gargalhar.
— Ed, não sonha tão alto — pedi. — Se eu não for massacrada já estará de bom tamanho.
Ele desfez nosso abraço, apenas para segurar em meus ombros, seus olhos não estavam mais cheios de lágrimas, apenas de expectativa.
— Vamos ter que incluir um quarto para seus troféus na reforma da casa, Capitã.
Eu ri em negação, ele afagou meu rosto.
— Vai produzir meu álbum, pirralho?
— Será a maior honra da minha vida trabalhar para você, Isabella Cullen.
— Para mim? Não comigo?
— A Capitã aqui é você, linda. Minha Capitã. — Mais um beijo. — Precisamos comemorar.
— Como?
— Abrindo um champanhe sem álcool e ligando para seu pai, ele precisa saber logo. Afinal, é seu segundo maior fã.
— Depois de você?
— Obviamente.
***
Edward acordou primeiro na manhã seguinte, me obrigando a acordar também, mesmo comigo implorando para dormir um pouco mais.
— Nem pensar, temos que voltar para Los Angeles na hora. — Ele me carregou para fora da cama, eu choraminguei e ameacei.
— Vou pedir o divórcio, Edward.
— Vai nada. — Meu marido me colocou no chão, resmunguei mais e apoiei meu corpo no seu. — É sério, precisamos tomar café da manhã, arrumar as malas e ir para o aeroporto. Você disse que queria falar com o Aro assim que estivéssemos em Los Angeles.
— Mas isso não significa às 5 da manhã.
— Para de exagero, são 10 da manhã, Isabella.
— Tão cedo! — Me arrastei até o banheiro do quarto de hotel, com ele me seguindo.
— Aro tá com minha mãe no apartamento dela, falei que queria almoçar por lá e que vamos direto do aeroporto.
— Ok — concordei.
— Você não mudou de ideia sobre atuar no filme dele, né? — perguntou preocupado. Eu soltei uma risada fraca, mas me voltei para Edward e beijei seu peito nu, ele estava usando apenas uma cueca.
— Relaxa, Betty — pedi. — Tô apenas com sono, eu não desisti de nada que falei ontem.
— Excelente. — Ele deu um beijo demorado em meu pescoço, que mexeu muito comigo, mas sabia que meu marido ainda não estava no clima para sexo.
Tomamos banho, nos vestimos e descemos para o restaurante. Jasper e Alice, para minha surpresa, já estavam lá comendo, nenhum sinal de Renesmee.
— Feliz aniversário, Alice. — Lhe dei um rápido abraço, Ed também a abraçou e felicitou pela data. — Como foi a noite de núpcias? — perguntei para o casal, Jasper parecia cansado e minha irmã mais elétrica do que nunca, ela tinha um pedaço de papel em mãos e escrevia algo nele.
— Não rolou — Jasper respondeu bocejando, isso fez Edward cair numa gargalhada. — Para com isso, não é o que tá pensando — o guitarrista resmungou. — Nós saímos, mas logo voltamos para o hotel, Alice teve uma ideia e precisava dar atenção a isso.
— Uma grande ideia envolvendo trabalho! — minha irmã exclamou entusiasmada.
— Que noite, ein — Edward continuou a provocar o amigo, Jasper atirou uma uva na direção dele, mas meu marido a pegou com a boca. — Você perdeu, Whitlock!
— Ok, ok, chega — interrompi os dois. — Que ideia você teve, Alice?
— Eu idealizei um reality show — contou e largou suas anotações em cima da mesa. — Envolvendo casamentos. — Ela se voltou para Edward. — E para de tirar barato com a cara do Jasper, ele ficou me escutando falar sobre a ideia, eu que acabei com nossa noite de núpcias envolvendo trabalho, irei compensar hoje após minha festa de aniversário.
— Tá, fala mais sobre a ideia — exigi, pegando algumas uvas para comer.
Edward jogou uma em Jasper, acertando a testa do guitarrista, mas ele jogou outra e meu mais novo, e oficialmente cunhado, conseguiu a pegar.
— Como falei, é um reality envolvendo casamentos. Ele irá começar com 5 casais, todos noivos, mas sem grana para bancar o casamento dos sonhos. Os casais serão confinados em uma casa, todo dia, por 4 dias, irão passar por uma prova e quem perder está eliminado, quando restarem apenas dois casais eles disputam pelo grande prêmio que será o casamento dos sonhos com tudo pago, mas com um teto de gastos, não sou maluca. O casal que vencer terá dois dias para lidar com os preparativos do casamento, no último dia, o casamento em si. Já pensei até no nome, Semana do Casamento. O que acha, Bells? Claro que eu além de produtora também seria a apresentadora.
Eu estava em choque, a ideia era mesmo excelente. Não que Alice não fosse criativa, ela era para muitas coisas, mas durante seus anos trabalhando com Renée nunca tinha a ouvido falar sobre ideias próprias, sempre seguiu as ideias de programas criados por nossa mãe.
— Eu adorei, sério — declarei. — Gosto de que terá uma competição, a ideia do confinamento e fazer as pessoas conhecerem o casal vencedor por mais tempo antes da data do casamento em si, também curto que não seja voto de público. Alguns programas por voto aberto declaram vencedor cada bomba.
— Só alguns mesmo — Edward reclamou, isso fez Alice, Jasper e eu rirmos.
— Não tava falando de você, Edward — declarei o óbvio. — Você precisa vender esse programa, Alice.
Ela suspirou nervosa.
— Eu amei muito a ideia que tive, mas e se ninguém topar investir nela? Não seria algo barato e eu não quero só a vender, quero mesmo ser a apresentadora, sem isso não tem acordo. Mas com as notícias sobre mim dos últimos tempos podem recusar minha participação como apresentadora.
— Como tá indo as reações sobre o casamento?
— Estão fazendo apostas de quanto tempo irá durar — Jasper quem respondeu, soltando mais um bocejo. — Ninguém quer apostar mais do que um ano, falam que Alice e eu não nos amamos de verdade.
— Que se fodam eles — resmunguei. — Você precisa vender essa ideia, Alice — insisti. — Ela é muito boa, merece ter esse programa e ser a apresentadora dele.
— Não sei se ajuda — Edward começou a falar. — Mas você pode vender essa primeira temporada, ao menos, prometendo uma participação especial no episódio final para o casamento. No caso, eu. Posso cantar nessa festa aí.
— Sério? — Alice perguntou desacreditada.
— Claro, além do mais, o guitarrista da minha banda é seu marido, faz todo sentido. — Edward começou a passar geleia em uma torrada. — Só terá de resolver a parte contratual com minha digníssima empresária. — Apontou para mim.
— Na verdade, agora ela conversa com Irina, eu só sou a chefe geral da produtora.
— Ai, obrigada, Ed — Alice agradeceu. — Mas não sei se mesmo com seu nome envolvido isso dará certo. Eu não tenho o talento de Renée como produtora. — Jasper e eu resmungamos.
— Renée é uma aproveitadora, isso sim — falei e Edward afagou minha coxa por baixo da mesa. — Você está bem crescidinha agora, sei que não será fácil, mas precisa ao menos tentar. Procure as pessoas certas e apresente a ideia do seu reality.
— E se todos rirem da minha cara?
— Eles não vão. E você ainda está na disputa de trabalhar na produção daquela série, nem tudo está perdido.
— Qualquer coisa você e eu mudamos para Vegas e abrimos uma capela — Jasper disse e beijou sua esposa, Alice negou.
— Nem fodendo.
— Realmente, o Jasper nem fodendo está — foi minha vez de provocar, Edward se engasgou com a comida de tanto que riu.
— Vocês dois são insuportáveis — Jasper acusou. — Cadê a Renesmee? Ela é a minha cunhada favorita.
— Hum, ela bateu no quarto mais cedo pedindo camisinha — Alice contou, foi minha vez de engasgar com a comida, mas logo me recuperei para perguntar.
— Ela o que?
— Isso aí que ouviu. Ela não deu detalhes, mas acho que estava com um cara do Magic Mike.
— Pelo menos alguém transou depois desse casamento — Jasper disse olhando bem para Alice, mas ele estava sorrindo e ela deu um beijo nele. — Irão comprar seu programa e ele será um sucesso, esposa.
***
Ed apertou o botão do elevador com a mão livre, a outra estava segurando a minha. Nós dois estávamos animados para eu falar de uma vez com Aro sobre aceitar a proposta de atuar no filme dele.
Apenas meu marido e meu pai, até aquele momento, estavam sabendo disso. Eu não queria anunciar a novidade e cortar o clima em cima do aniversário e casamento de Alice, ao menos naquele domingo todas as atenções de nossa família e amigos estariam sobre ela.
— Acho que já devemos começar a pensar em nossas roupas para o Oscar, Capitã — Ed falou, eu revirei os olhos, mas também sorri, era tão bom ter ele me apoiando. — Imagina só, eu casado com uma atriz vencedora do Oscar, sou sortudo pra caralho. — Levou minha mão até seus lábios e a beijou.
— Não começa a sonhar tão alto.
— Isabella Cullen, eu não irei sonhar baixo quanto a isso.
As portas do elevador abriram.
— Você irá mandar tão bem nesse filme que talvez as pessoas mudem o nome do Oscar para Isabella.
— Até parece. — Gargalhei e deixei o elevador, ainda com minha mão unida à dele. Caminhamos até a porta do apartamento de sua mãe, eu toquei a campainha, Edward beijou minha cabeça e depois meu rosto.
Esme abriu a porta, estava toda sorridente.
— Finalmente chegaram! — comemorou. Ela abraçou o filho primeiro, depois a mim. — Não acredito que Jasper e sua irmã casaram assim do nada, eles já estavam planejando?
— Que nada. — Entramos no apartamento, estava tocando Bon Jovi. Não vi Aro na sala, respirei fundo, e se ele tivesse encontrado outra atriz?
— Cadê o Aro? — Edward perguntou por mim, sentando em uma poltrona, eu sentei no braço do móvel. Meu marido repousou uma mão em minha coxa. Esme pausou a música.
— Está no quarto, Alec acabou de ligar para ele. Vocês já querem almoçar? Podemos começar a comer sem Aro, ele não irá se importar.
— Não — Edward e eu negamos juntos. — Tomamos um café da manhã reforçado — completei. — Vamos esperar o Aro. — Inspirei fundo, Edward beijou meu braço.
— Por que você está tão nervosa, Bella? — minha sogra perguntou. — Aconteceu alguma coisa em Las Vegas?
— Está tudo bem — garanti. — Por acaso a sobremesa será bolo de chocolate?
Esme riu um pouco, mas continuava me analisando atentamente, tentando descobrir o motivo da tensão que eu emanava.
— Fiz o bolo sim, sei que vocês dois iriam querer. — Apontou de mim para Edward. — Não querem mesmo contar algo?
— Mãe, relaxa — Edward falou, afagando minha coxa. — Tá tudo bem.
— Nenhum problema em Las Vegas?
— Nosso maior problema lá foi ter que comprar presente de casamento de última hora, de resto, foi tudo bem.
— Nos comportamos — afirmei para Esme. — Pode ter certeza disso, não estou nervosa por algo ruim, estou ansiosa com algo, mas em breve você ficará sabendo.
Isso se Aro ainda me quisesse para o papel.
— Ok — Esme concordou, mas ainda não parecia satisfeita. Aro, finalmente, apareceu na sala naquele momento.
Na hora me levantei, minhas mãos começando a tremer, mas respirei fundo. Iria dar tudo certo, mesmo que ele não me quisesse mais para o papel, isso não me faria desistir de voltar a atuar.
— Ed, Bella! — ele saudou animado. — Nem ouvi vocês chegarem, como estão?
— Podemos conversar? — Fui direto ao ponto, precisava ter aquela conversa logo, não aguentaria esperar para depois do almoço.
— Podemos, claro. — Aro ficou preocupado como Esme. — Tudo bem? Algum problema?
Olhei para Edward, ele entendeu o que eu queria e se levantou.
— Mãe, vamos deixar os dois conversando sozinhos, esperamos lá na cozinha. Preciso te contar como fui péssimo no cassino. — Edward levou Esme para fora da sala, por sorte o apartamento dela não tinha os cômodos integrados, isso garantiria mais privacidade na conversa, como eu queria.
— Pode falar, Bella — Aro incentivou e sentou em um sofá. — É algo sobre o clipe? Está tudo certo com ele, garanto que estará pronto a tempo para o lançamento na sexta-feira.
— Não é sobre o clipe. — Eu me sentei na poltrona de antes. — É sobre aquele outro assunto, sobre o seu filme, sobre eu protagoniza-lo. — Aro voltou a sorrir. — Aceito — murmurei, sentindo meus olhos encherem de lágrimas incontroláveis. — Aceito voltar a atuar, e quero que seja em um filme seu. Isso é, se você ainda quiser.
— Isabella, que notícia maravilhosa! — ele comemorou. — Claro que eu quero. — Eu respirei aliviada, as lágrimas escorrendo por meu rosto, enquanto sorria. — Já disse, você é a atriz perfeita para o papel.
— Não tão perfeita — sussurrei. — Eu sou mais baixa que a Audrey era, não tão magra…
— Esqueça isso, sua altura pode ser disfarçada e você já é bem magra.
— Mas eu vou ter um bebê, não sei como meu corpo ficará após isso, se irei conseguir alcançar a forma física ideal para o filme.
— A Holly nasce em julho, estou certo?
— Isso, se ela não decidir se adiantar, o que espero que não. — Estremeci temendo que ela fosse um bebê prematuro, ainda que até ali minha gestação estivesse dentro dos parâmetros.
— O próximo filme que irei dirigir só começará a ser rodado em agosto.
— O filme com a Amber?
— Esse mesmo. As gravações devem durar três meses e eu sempre tiro férias entre meus projetos. Ainda estou escrevendo o roteiro do filme da Audrey, como falei. E antes dele irei dirigir outro projeto no primeiro semestre do próximo ano, sendo assim, o filme que você fará parte ficará para depois de julho de 2020. Holly terá um ano, você e Ed podem organizar suas agendas em torno disso, okay? — Concordei com um aceno de cabeça, escutando ele falar atentamente. — Você terá um ano para se preparar fisicamente após o parto, será mais que o suficiente, acredite em mim.
— Eu já estarei bem mais velha.
— O roteiro começa com uma Audrey de 34 anos, você terá a mesma idade.
— Ed me disse que você queria fazer algo pós Bonequinha de Luxo.
— A história tem pontapé inicial na pré-produção de Minha Bela Dama, você já o assistiu, certo?
— Há muito tempo, não lembro direito de nada — confessei.
— Lembra que em boa parte das canções Audrey foi dublada por Marni Nixon?
— Não lembrava disso.
— Mas sabe que Julie Andrews interpretou o mesmo papel que Audrey, só que no teatro?
— Sim, disso eu sei.
— Julie não foi convidada para interpretar Eliza no filme, chamaram Audrey, só que não acreditaram na voz dela. Sendo assim, a Marni foi chamada para dublar, apenas alguns trechos são cantados por Audrey na versão final do filme. O meu filme será sobre a voz de Audrey, sobre ela ter sido subsituida no trabalho, sobre ter ficado tempo demais em casamentos falidos, sobre o abandono paterno, os abortos. — Engoli em seco. — Vamos contar a história dela além das telas, ao longo do tempo até seu último filme lançado. Teremos alguns flashbacks e alguns saltos para bem depois dos 30, você pode ficar tranquila, a equipe de maquiagem irá dar conta disso. Mas, sei que você também dará conta de segurar essa atuação difícil, Bella. Eu não teria feito o convite se achasse o contrário.
— Por que eu?
— Porque em New York você me contou sobre suas canções, as no álbum de Ed, a que foi para aquela garota Kate. Eu só consegui pensar em como você também não pode cantá-las. Você é perfeita para o papel, Isabella.
Eu chorei mais, colocando meu rosto entre as mãos. Ainda assim, perguntei:
— Já escolheu um nome?
— A Voz de Hepburn. — Olhei para ele. — Estrelado por Isabella Cullen.
— Eu amei o nome.
— Você também está convidada a colaborar na trilha sonora.
— Sério?
— Assim que você ler o roteiro pode começar a trabalhar em uma canção, que tal?
— Perfeito.
— Excelente. — Aro se levantou. — Preciso que você assista toda a filmografia da Audrey.
— Claro, irei sim.
— E que não se importe em cortar os cabelos quando for a hora, prefiro que trabalhemos com seus cabelos naturais só mexendo na cor.
— De jeito nenhum, posso cortar, pintar, o que for. Eu quero muito esse papel, irei dar o máximo de mim para me sair bem, você não irá se arrepender do convite, Aro.
***
Esme ficou eufórica quando contamos o que estava acontecendo, minha sogra me abraçou por um minuto inteiro, enquanto me parabenizava pela decisão de voltar a atuar. Também aproveitei o momento para contar a ela e Aro que iria lançar um álbum, ainda sem datas para isso, eles ficaram muito felizes por mim e aceitaram manter tudo em sigilo por mais tempo.
O filme principalmente, Aro só queria contar para a imprensa no começo do próximo ano. Eu entendia e preferia assim, teria menos tempo entre a notícia até o início das gravações para surtar com o que falariam sobre minha escalação.
Depois do almoço Edward e eu fomos direto para casa, eu tinha pedido para Tanya me encontrar lá. Queria contar de uma vez para ela as novidades, como também precisava que minha amiga e sócia cuidasse de alguns assuntos para mim.
— Vocês aprontaram em Las Vegas? — perguntou quando chegou a nossa casa, Ed e eu estávamos esperando por ela na sala onde meu piano ficava, cercados por nossos animais de estimação.
— Tanya, eu vou atuar em um filme.
Minha amiga arregalou seus olhos, gritou e correu para me abraçar.
— Isso é sério?
— Sim, Aro me convidou para interpretar Audrey Hepburn em um filme dele e eu aceitei.
— Ai, caralho! — Tanya gritou. — Audrey Hepburn? Num filme do Aro? Isso pode te levar a colocar as mãos em uma estatueta do Oscar, Isabella.
— Falei — Edward disse, ele tinha Amy em seus braços.
— Não vamos pensar tão longe — implorei nervosa, me desvencilhiei do abraço de Tanya e continuei. — Eu também decidi que vou investir de fato da minha carreira como cantora. — Minha amiga soltou outro grito empolgado. — Eu iria lançar Anos no final da semana sem uma grande divulgação, especialmente para não querer afetar Ed com o Grammy…
— Bobagem — ele me interrompeu e deixou Amy ir para o chão.
— Enfim, T — voltei a falar. — Eu mudei de ideia e sei que Anos é o ponto de partida para minha carreira como cantora, sendo assim quero divulgar para valer. Entrevistas, ensaio fotográfico, a coisa toda.
— E quero ela em entrevistas comigo — Edward falou, eu revirei meus olhos. No carro até nossa casa, quando contei que queria divulgar de fato minha música, ele levantou a ideia de aparecermos juntos em entrevistas aquela semana, já que ele tinha as suas para a campanha do Grammy. — Ao menos dois programas juntos — ele seguiu falando sem ligar para minha careta, mas não queria me promover e prejudicá-lo.
— Edward, isso não — teimei.
— Isso sim — teimou de volta. — Sabemos como meu nome irá alavancar o seu, não vejo problema nenhum nisso, quero você em entrevistas comigo.
— E o meu nome vai manchar o seu.
— Para com isso, Bella — Tanya ordenou antes de Edward ter tempo de falar algo. — Vocês dois já sobreviveram ao Escândalo Swan-Cullen, saíram até que muito bem disso, Edward te ajudar efetivamente na divulgação da canção não irá prejudicá-lo.
— O clipe dele comigo não obteve bons resultados — lembrei minha amiga disso.
— Foda-se! — Edward deu de ombros. — Eu faria tudo de novo.
Expirei alto, sabia que era uma batalha perdida.
— Ok, pode nos juntar em entrevistas, Tanya.
Aquilo me deixava nervosa pra caralho, não só por Edward, mas por serem as primeiras entrevistas que eu daria após o caos do escândalo nos envolvendo.
— Preciso saber até onde podemos envolver Holly nas entrevistas — Tanya disse, tirando seu celular do bolso e começando a digitar nele.
— O mínimo — Edward se pronunciou primeiro, sentando ao banco do piano. — Falo do casamento sem restrições, mas sobre ela quero falar o mínimo necessário.
— O mesmo — concordei. — Também não aceito falar sobre Renée — reforcei o que já era bem óbvio para Tanya.
— Podemos continuar permitindo perguntas sobre seu pai? — Tanya perguntou para Edward.
— Sim, tudo bem falar dele, já venho falado em outras entrevistas e tem sido tranquilo.
— Certo. — Tanya parou de digitar. — Vou para a produtora, mandei a Irina e o assistente da Bella me encontrarem lá, iremos falar com as pessoas necessárias e mexer na agenda de vocês.
— Eu vou junto, não quero que você seja a única perdendo o domingo — declarei.
— Não, você fica, descansa um pouco antes de ir para o aniversário da sua irmã, nos encontramos lá. E qualquer coisa te mandamos mensagem.
— Tem certeza?
— Tenho. E estou muito feliz que você irá investir na sua carreira como cantora e atriz. — Tanya voltou a me abraçar, mas por pouco tempo, logo foi embora.
Caminhei até Edward, sentando em seu colo, ele me segurou e beijou meu queixo.
— Agora você topa cantar comigo no Grammy, Capitã?
— Isso não. — Mexi em seus cabelos. — Quem sabe outra vez.
Ele suspirou, mas sorriu e falou:
— Tudo bem, irei esperar pacientemente.
***
Renesmee sentou ao meu lado, ela estava bebendo refrigerante como eu. Nossa irmã, por outro lado, estava virando doses de tequila com seu marido no bar mais próximo.
— O que Renée deve tá pensando desse casamento? — Nessie perguntou para mim.
— Sei lá — respondi contra a canção da Lady Gaga que tocava. — Ela não tem que pensar nada sobre Alice ter casado, não tem direito algum sobre.
— É, eu sei — minha irmã caçula murmurou, olhando para o chão.
— O que foi? — questionei.
— Só não tô muito legal hoje — respondeu.
— Não foi bom com o cara do Magic Mike? — Na volta para Los Angeles, Renesmee tinha se privado de responder nossas perguntas sobre aquilo.
— O sexo foi bom, mas foi só isso, sexo.
— Você não gosta disso, né? Nunca gostou.
Ela me olhou confusa.
— Eu gosto de sexo.
— Não, você não gosta de transar casualmente.
— Ah, isso não — concordou. — Nunca foi um lance meu, depois sempre me sinto meio mal.
— E o Lucas? Não falou mais dele. — Ela tinha saído duas vezes com o agente de nosso pai, mas não tocou mais no assunto.
— O primeiro encontro foi ótimo, o segundo também foi legal. Ele me convidou para um terceiro, mas recusei para sair com Alec, depois que Lucas convidou de novo eu neguei, não queria mais. — Suspirou e me olhou quase chorando.
— Você é apaixonada pelo Alec.
Ela não disse nada, se moveu no sofazinho que estávamos até deitar a cabeça em meu ombro.
— Dá uma chance para vocês, Nessie. Sei que ele é seu amigo e você tem medo de perder a amizade caso um romance passe por problemas, mas parecem tão certos um para o outro…
— Com meu histórico tem tudo para dar errado. A namorada traída, humilhada. A filha que nunca foi a favorita de ninguém.
— Espera. — Me movi, tirando a cabeça dela de mim para olhá-la. — Você acha mesmo que não é a favorita do papai?
— Bells. — Nessie riu. — É óbvio que você é a favorita dele, mas eu até entendo. Vocês dois são muito parecidos, claro que essas similaridades iriam lhes aproximar. E obviamente nunca fui a favorita da Renée, assim que ela se afastou de você escolheu Alice. Então, sim, tenho certeza de que nunca fui a favorita do papai, muito menos da nossa mãe.
— O papai te ama, Renesmee.
— Eu sei que ele me ama, e tem sido tão bom morar com ele agora. Mas isso não muda muita coisa.
— Você acha que ele não foi um bom pai para você no passado?
— Ele foi um pai maravilhoso, Bells. Eu só acho que fiquei um pouco esquecida entre todo o caos familiar.
— O caos familiar que foi minha culpa — falei com pesar.
— Nada foi sua culpa, foi de Renée. Enfim, eu só tenho medo de me envolver pra valer com o Alec e em algum momento ser deixada de lado por ele também.
— Eu fui uma boa irmã para você?
Nessie sorriu, afagou meu rosto e beijou minha testa.
— Bells, que Alice não escute essa conversa, mas você foi a melhor irmã do mundo. Mais do que isso, muitas vezes foi como uma mãe para mim, mesmo você sendo jovem também e sem obrigação nenhuma de cuidar de mim. Nunca vou conseguir colocar em palavras o quanto eu te amo, o quanto você é importante na minha vida. Isso tudo que tô falando, esse sentimento de abandono, de esquecimento, eu nunca senti vindo de você, pelo contrário.
— O papai te ama muito — reforcei quase chorando.
— Bells, eu sei. Como falei, ele é um pai maravilhoso e tem sido bom pra caramba morar com ele agora. Só que isso está em mim há tanto tempo, você deve entender, sei que de certa forma possuímos sentimentos parecidos.
— Sim. — Balancei a cabeça positivamente. — E nunca foi uma obrigação para mim cuidar de você. Talvez eu nem tenha cuidado o suficiente.
— Você cuidou. — Ela limpou uma lágrima que cruzou meu rosto. — Eu vou ficar bem, te garanto. Talvez um dia não aguente mais Alec sendo extremamente gostoso perto de mim e fique com ele.
Isso me fez rir, minha irmã também. Alice, chegou naquele momento, nos mandando levantar para ir dançar com ela, estava bêbada, mas notou o clima pesado ainda que em meio a risadas e afirmou que queria nos ver felizes. Nós fomos, no final das contas, apesar de tudo, Renesmee, ela e eu tínhamos uma ligação forte.
Só as duas conseguiam entender o sentimento sobre Renée, ainda que cada uma tivesse sido afetada por tudo de forma particular.
— Eu te amo. — Abracei Alice em meio a dança. — Sempre quis muito uma irmã e pedi isso demais pra Renée e papai, quando você nasceu foi um dos dias mais felizes da minha vida. Não sabe como é bom para mim estar aqui comemorando outro aniversário seu e ainda seu casamento.
— Você é a melhor irmã mais velha do mundo. — Alice acabou chorando. — Eu te amo muito, Bells.
Beijei o rosto dela, me afastei e Ness assumiu meu lugar. As duas se abraçaram, falaram algo uma para a outra e a aniversariante chorou mais um pouco.
Eu desejei que um dia minha filha tivesse pessoas tão especiais na vida dela quanto eu tinha minhas irmãs, ou como o pai dela tinha Rosalie.
***
Na segunda, pela manhã, eu iria dar uma entrevista para a revista eletrônica da Billboard e fazer fotos para eles. Ainda não acreditava que Tanya tinha conseguido aquilo, especialmente tão de última hora, mas ela conseguiu.
Também tinha conseguido me encaixar em entrevistas de Ed ao longo daquela semana, além de conseguir novas para nós dois e algumas onde eu apareceria sozinha. Também tinha fechado uma live para o dia do lançamento do clipe, onde eu estaria com os atores que atuaram nele.
Minha amiga era foda, provavelmente uma empresária melhor do que eu.
— A Facial está querendo fechar uma parceria com você — ela contou sobre a marca de maquiagem na segunda, já em meu escritório. Tanya iria me acompanhar na sessão de fotos e entrevista para a Billboard, mas antes eu tinha de passar na produtora com ela para resolver algumas coisas, aquela proposta era uma dessas.
— Eu não acredito nisso. — Sentei em minha cadeira, com um copo de suco e uma maçã em mãos. Tinha tomado café da manhã em casa, preparado por nosso chef, mas já estava com fome de novo. — Certeza de que essa proposta é para mim? Não é para Carmen ou Kate?
— É para você. — Tanya riu e me entregou os documentos da proposta, eu folheei, em uma leitura rápida conferi o valor que era excelente e que eles me queriam como garota propaganda por um mês, com possibilidade de renovação de contrato caso as expectativas fossem alcançadas.
— Como isso aconteceu? Não acredito que eu não estou sendo tão escrachada após o escândalo como fui no passado.
— Parte de mim também fica surpresa — Tanya disse em tom de confissão, sentando-se na beirada da mesa. — Mas a outra parte entende, é 2019, Bella. O mundo está mudando, mesmo que não tanto quanto deveria, as pessoas odeiam um pouco menos mulheres hoje em dia. E não podemos esquecer que você está grávida, casada com o pai do bebê, isso é um prato cheio para os conservadores que antes te julgaram, agora te abraçarem. No entanto, você também tem ao seu lado as cabeças mais liberais que estão revisitando o Escândalo Swan e entendendo que na época tudo que aconteceu foi horrível e um erro da sua parte, porém rolou com uma menina, levando em conta que eles acreditam que você foi quem gravou e vazou aquele vídeo.
— Eles querem que eu fale sobre Holly nisso? — Balancei o contrato. — Se sim, isto está fora de cogitação.
— Não, eles não querem. Você pode ler com calma mais tarde e dar uma resposta até amanhã, tá? Eles querem tirar as fotos e fazer os vídeos depois de amanhã, no sábado seria liberado tudo.
— Ok, vou tentar ler, me manda a versão digital. — Devolvi a papelada para ela. — Essa semana será uma locura, Edward e eu temos um monte de entrevistas, ele tem os ensaios para apresentação no Grammy, eventos.
— Vocês darão conta, sei que Irina e eu enchemos a agenda de vocês, mas é tudo necessário.
— Eu sei. — Tomei um pouco do meu suco. — Por sorte ele eu vamos viajar após a premiação, conseguiremos descansar um pouco.
Iríamos para Paris no dia seguinte ao Grammy, por conta do contrato dele com a YSL. O lançamento da campanha dele aconteceria lá e eu queria ir junto, talvez pudesse ajudá-lo a esquecer um pouco de como sua última passagem pela cidade tinha sido ruim.
— Certo, agora precisamos falar sobre… — Tanya se interrompeu quando Greg ligou para o telefone do meu escritório, eu o atendi.
— Oi, tô ocupada!
— Bella, Helena Thompson está lá embaixo e queria muito falar com você.
Olhei para Tanya, minha amiga bufou e negou com um aceno de cabeça, mas eu acabei fazendo o contrário.
— Manda ela entrar, Greg. — Desliguei, Tanya me repreendeu.
— Isabella, você não deveria ficar batendo papo com essa mulher.
— Só quero saber o que ela tem a falar. — Apoiei meu copo de suco na mesa.
— Vou esperar lá fora, mas não vou deixar essa conversinha durar muito. — Tanya deixou a sala, Helena entrou minutos depois.
— Oi, muito obrigada por me deixar entrar. — A mulher tinha engordado um pouco, sentou na cadeira diante da minha mesa e foi logo falando. — Eu estou aqui para conversar sobre o processo, Bella, não posso acabar na cadeia. — Começou a chorar.
— Helena, para — exigi. — Você não vai para a cadeia. Ed e eu vamos aceitar o acordo, tanto o seu, quanto o do bostinha do Kevin, ok? — Ela chorou mais, estava tremendo um pouco. — E não estamos fazendo isso por pena de você, estamos fazendo por nós dois. — Peguei meu suco de volta. — Agora, vá embora, e nunca mais pise na minha produtora.
— Muito, muito obrigada — ela agradeceu se colocando de pé. — Eu não consigo emprego desde o que aconteceu, ser presa só foderia com tudo e ainda morro de medo do Kevin ter o vídeo que falou, vazar e destruir minha vida de vez.
— Helena, vá embora!
A mulher assentiu, saindo bem na hora que Tanya abriu a porta e apontou na direção do elevador.
— Agora, de volta ao trabalho, Isabella!
***
O local escolhido pela Billboard para as fotos e entrevista foi o Waldorf Astoria Beverly Hills, chegamos ao hotel na hora marcada e logo na recepção eu ganhei um presente inesperado.
— Estas são para a senhora. — Uma das funcionárias do hotel me entregou um gigantesco buquê de rosas. Eu forcei um sorriso e agradeci, fingindo felicidade, pensando que as flores eram do hotel, ou da revista, mas Tanya, já no elevador, pegou o cartão e anunciou:
— São de Ed.
— O quê? — indaguei surpresa, ele sabia que eu não gostava de flores.
Troquei com minha amiga, passando o buquê para ela e pegando o cartão. Abri ele e logo na caligrafia confirmei que tinha sido enviado por meu marido.
“Sei que você odeia flores, linda. Porém, há um bom motivo para eu lhe enviar esse buquê exagerado. Eu nunca assisti Minha Bela Dama, mas hoje pesquisando na internet descobri que a personagem era uma florista. Levando em conta que você irá interpretar Audrey, que interpretou Eliza, a florista, acho justo um presente que tem relação com a história do filme. Eu te amo, não bata em mim com o buquê, por favor.”
Sorri, verdadeiramente daquela vez, e guardei o cartão em minha bolsa. Também voltei a pegar o buquê, Tanya riu de mim.
— Quem diria que Isabella iria ficar toda animadinha por conta de flores — minha amiga provocou.
— Acontece. — Pisquei para ela.
O elevador chegou ao andar do nosso destino, deixamos ele e batemos na porta da suíte reservada pela revista. Fomos recepcionados pela produtora responsável por organizar a entrevista e sessão de fotos, já a conhecíamos, então pulamos a apresentação.
— O hotel e a revista tem flores para você, mas acho que alguém passou na nossa frente — Layla, a produtora falou rindo, uma assistente dela apareceu com dois buquês bem menores, um de rosas vermelhas e um de tulipas rosas.
— São do meu marido — contei, sem conter o tom de paixão fluindo por cada palavra que proferi.
Eu realmente não gostava de flores, mas amava ser mimada por Edward.
Deixei o buquê sob responsabilidade da mesma assistente, pedindo que colocasse todos os buquês em vasos para que durassem mais tempo. Também pedi que Tanya fotografasse todos, para que eu pudesse postar em minhas redes sociais mais tarde.
Logo comecei a ser preparada para as fotos, enquanto a jornalista responsável pela entrevista, alguém que eu também conhecia, dava início a nossa conversa. Algumas fotos também foram tiradas enquanto eu era maquiada e tinha uma cabeleireira trabalhando em mim.
— Como está a vida após o casamento?
— Melhor impossível — respondi. — Ed e eu construímos um relacionamento tão forte, nunca me senti assim com ninguém antes.
Quando acabamos com a entrevista no hotel, horas depois, eu estava exausta. Também com um pouco de dor de cabeça, porém meu dia de trabalho estava longe de acabar.
Tanya e eu seguimos para nosso próximo destino, um estúdio onde Ed e eu gravaríamos uma entrevista juntos para um canal grande do Youtube. Meu marido chegou atrasado, vindo dos ensaios para o Grammy, eu já estava no camarim fazendo a nova maquiagem para a nova entrevista.
— Foi mal a demora. — Ele beijou minha mão e sentou no lugar ao lado do meu para ser maquiado também.
— Obrigada pelas flores, amor — agradeci, ele sorriu um pouco, e com nossas mãos ainda unidas ficou afagando a minha.
Terminamos a maquiagem em silêncio, logo sendo levados para a sala de gravação. Seria uma entrevista mais descontraída, com o entrevistador fora da câmera e Edward e eu usando placas para escrever nossas respostas. Fizemos a introdução do vídeo e começamos a entrevista de fato.
— Qual a data de aniversário do outro?
Edward e eu começamos a escrever nas placas, meu marido sufocou uma risada e sabia bem o que ele estava pensando. Viramos nossas respostas quando terminamos de escrever, obviamente os dois tinham acertado, ele ainda omitiu meu ano de nascimento, o que amei.
— Ela acertou a data, mas no meu último aniversário não me mandou sequer uma mensagem de parabéns — Ed dramatizou para a câmera.
— Estávamos afastados! — Dei minha versão dos fatos. — E ele diz que não dei um presente, mas eu dei sim, o Woody.
— Não conta — ele continuou a dramatizar, mas logo se inclinou e beijou minha bochecha.
Seguimos para a próxima pergunta:
— Signo do outro?
— Ed é geminiano. — falei virando minha plaquinha.
— Isabella é de Tigre!
— Isso nem existe. — Eu gargalhei, ele olhou para mim sem acreditar.
— Como não? Claro que sim.
— Amor, não existe. — Tive de rir mais. — Você deve estar se confundindo com Leão.
— E você é de Leão?
— Não, eu sou virginiana. E você perdeu o ponto! — cantarolei. — Estou ganhando, pessoal. — Pisquei para a câmera.
— Só foram duas perguntas até agora, calma aí.
A terceira pergunta foi sobre o nome do meio do parceiro, nós dois acertamos. A seguinte, uma extremamente fácil também.
— Brooklyn Nine-Nine! — Viramos as placas juntos ao responder sobre a série favorita. — Eu apresentei Isabella à série, então deveria ganhar um ponto extra por isso — Ed falou.
— Sem pontos extras!
Em sequência, fomos questionados sobre nossas músicas favoritas.
— Ours, da Taylor Swift — Ed respondeu sem nem perder tempo escrevendo na placa. — Não tenho dúvida nenhuma sobre essa, gente.
— Eu amo mesmo. — Virei minha plaquinha quando terminei de escrever. — Ed é um grande fã de Let’s Dance do Bowie, acordei hoje com ele colocando para tocar lá em casa.
— É um excelente despertador.
Também não tivemos dúvidas na próxima questão.
— Isabella é uma garota do country.
— Sem dúvidas o gênero favorito dele é pop.
— Como foi o primeiro encontro de vocês?
Comecei a responder na plaquinha com um sorriso imenso no rosto, nosso primeiro encontro tinha sido perfeito. Quando terminamos de escrever e mostramos as placas para a câmera, eu contei melhor sobre o encontro e ele completou:
— No final da noite ela me pediu em casamento, diria que foi o encontro mais bem sucedido da história, aprendam comigo!
Isso me fez rir, mas também me fez beijá-lo por um instante.
— Qual profissão queria ter quando criança?
— Ed sempre quis ser um cantor.
— E ela nasceu para cantar e atuar, nunca pensou em outra coisa, não é? — Mexeu em meus cabelos.
— Não, só adulta que veio a ideia de ser empresária.
— Qual a comida favorita do outro?
— Minha esposa é viciada em comida japonesa.
— E não estou podendo comer, então é uma grande tortura. Ed adora uma boa comida italiana, diria que nhoque é a preferida de todas.
— Inclusive foi o que almocei, estava muito bom.
— O que menos gostam de comer?
— Carne de pato! — respondemos juntos e naquela hora rimos pela sincronia e a piada interna por trás daquilo. — Detestamos — Edward acrescentou.
— Qual o melhor filme? Dirty Dancing ou Footloose? — perguntaram, fazendo alusão ao debate que geramos dias atrás.
— Definitivamente Dirty Dancing. — Edward virou sua plaquinha.
— Footloose, com certeza, mas a versão original e não o remake.
— Tem um remake? — Ed me perguntou desacreditado.
— Tem sim, mas não é tão bom.
— Ainda assim, Dirty Dancing é muito melhor.
Nos perguntaram sobre o livro favorito um do outro, eu ri baixinho, ele cutucou minhas costelas.
— Emma da Jane Austen é o da Isabella, em algum momento irei ler com ela.
— O do Ed eu diria que é o livro sobre gestação para pais que ele ganhou de um amigo nosso.
— Está até na minha mesinha de cabeceira, acho justo.
Quando nos perguntaram sobre exercícios, eu respondi que ele gostava de correr e Edward falou que eu preferia esteira, ainda que não fosse muito de exercícios, mas que estava começando a mudar aquilo. Depois, fomos questionados sobre onde e como ocorreu nosso primeiro beijo.
— Eu tomei a iniciativa — ele contou. — Foi na nossa sala de música.
— Que na época era só dele — completei. — Também foi onde Ed me pediu em casamento, depois de eu ter pedido. É um lugar muito especial da nossa casa.
Terminamos aquela resposta com um beijo dele em minha cabeça. Respondemos mais algumas perguntas, inclusive uma sobre animais de estimação.
— Gato ou cão?
— A Capitã tinha uma gata quando nos conhecemos, eu tinha um cachorro. Nós influenciamos um ao outro e agora temos um mini zoológico em casa.
— E um gato que precisa ser visitado por um padre!
— Qual a primeira viagem que fizeram juntos?
— New York — respondi.
— Não, foi Londres para meu aniversário — Edward falou.
— Amor, não! — exclamei. — Fomos para New York primeiro, gravação do clipe de Endorfina, seu aniversário só veio depois. — Ele fez uma careta e assentiu.
— Okay, eu errei essa — admitiu.
— Último filme que o outro assistiu?
— Eu não faço ideia — confessei, Edward riu enquanto escrevia.
— Nós assistimos Esposa de Mentirinha juntos na viagem que fizemos para Las Vegas recentemente, é uma vergonha que ela já tenha esquecido que prestigiamos esse clássico. — Virou sua plaquinha para mim e depois para a câmera.
— Tá, perdi esse ponto.
— Qual a última música que o outro escutou?
Viramos as plaquinhas juntos, ele tinha respondido Ego da Beyoncé para mim.
— Como você sabe? — perguntei surpresa dele ter acertado em cheio, eu tinha escutado no caminho para a gravação.
— Você está usando a minha conta do Spotify há uns bons dias. O meu algoritmo está cheio de música country, mas hoje ela estava escutando canções pop direto.
— E eu acho que você estava escutando Let’s Dance do Bowie novamente? — arrisquei, ele negou.
— Vindo para cá eu coloquei uma playlist do Bruno Mars para tocar, a última foi Uptown Funk.
— Grande música.
— Excelente.
— Quem é o melhor amigo ou melhor amiga do seu parceiro?
— Tanya Denali é a melhor amiga da Bella.
— Jasper e Rosalie — respondi sem conseguir escolher um.
— É um bom empate.
— O outro foi para a faculdade?
Nós dois rimos ao ouvir aquela.
— Não, não temos diploma universitário.
— No que o outro se formaria caso tivesse ido para a faculdade?
— Ed iria para uma faculdade de música.
— Acho que Isabella ficaria em dúvida entre se formar em teatro ou música, mas acabaria escolhendo música também.
— Sim, com certeza — concordei.
— Qual a viagem dos sonhos do casal?
Ele virou a placa primeiro, eu deixei porque queria saber se as respostas iriam mesmo bater e vi que meu marido tinha acertado.
— Nós ainda não conseguimos viajar juntos para a África do Sul.
— África do Sul! — cantarolei virando minha placa.
— Vamos assim que possível, Capitã — prometeu, eu sorri animada com aquela ideia.
— Quem disse eu te amo primeiro?
— Ed! — Mexi em seus cabelos.
— Eu, estávamos em Vancouver, depois de um show meu. — Ele se inclinou e sussurrou para mim. — Eu te amo.
— Te amo também, pirralho.
— Quantas tatuagens o outro tem?
— Fácil — Edward proferiu.
— Ele tem tantas. — Comecei a contar mentalmente, chutando 16.
— Você acertou — ele me parabenizou. — Isabella tem 4.
— Ainda, quero fazer outras.
— Qual a tatuagem favorita?
— A sua é a que tem no seu antebraço? — me perguntou após virar sua placa. Eu assenti, erguendo a manga da roupa que usava para mostrar a tatuagem para a câmera.
— Eu amo muito essa tatuagem, mas também amo a que tenho com as minhas irmãs. A do Ed é sem dúvidas a que ele fez recentemente com o nome da nossa filha.
— É a mais especial de todas — declarou, mas não mostrou a tatuagem.
— Ainda sentem borboletas no estômago quando beijam o outro?
— Sim!
Nos beijamos.
— Qual a música que melhor define o relacionamento de vocês?
Sabíamos que aquela pergunta seria feita e tínhamos uma resposta combinada.
— Anos, a nova canção da Isabella!
***
Deixamos o estúdio com pressa, ainda teríamos uma última parada antes de finalizar o dia. Ed tinha uma entrevista para dar em um talk show, ele tocaria Escândalo e Johnny Cash, a última com participação do meu pai, mas Tanya tinha mexido seus pauzinhos e me enfiado na apresentação. Quis declinar, mas os três me convenceram a aceitar.
Edward e eu cantaríamos, meu pai tocaria.
— Nem ensaiei com vocês — murmurei no caminho até o estúdio da emissora.
— Você não precisa ensaiar — Edward respondeu, estava mexendo em seu celular, já tínhamos recebido fotos da nossa entrevista com as placas e ele postava uma.
— Eu posso travar, errar a letra…
— Nada disso irá acontecer, Isabella.
Suspirei, apoiei minha cabeça nele e vi sua legenda para a foto escolhida.
“Isabella e eu gravamos uma entrevista muito legal hoje, mal vejo a hora de todos assistirem.”
A entrevista iria ao ar na sexta, ou no sábado, estavamos esperando nos confirmarem a data exata.
— Você está cansado? — perguntei.
— Extremamente. — Guardou o celular no bolso. — Mas esta é uma das semanas mais legais da minha vida.
Eu sorri e Edward me abraçou.
No estúdio falei com meu pai rapidamente, mesmo que ele fosse apenas tocar, seguia sendo o chato que não gostava de bater papo antes de apresentações.
— Estou muito feliz que você está investindo em sua carreira — ele disse ao me abraçar. — Serei o primeiro a comprar seu álbum, e o ingresso do seu filme.
— Pai, você não precisará pagar para assistir ao filme. Irá ser convidado para a estreia. — Charlie riu e me soltou.
— Você entendeu.
— Obrigada por sempre me apoiar.
— Sempre, filha. — Afagou meu rosto. — Agora preciso me concentrar.
Eu concordei, deixei ele ir para seu camarim e fui me encontrar com Ed. Nós estávamos dividindo um, ele estava lá terminando de ser maquiado, Jasper estava por perto e os dois conversavam e riam de algo.
— Cunhada, você vai cantar! — Jasper comemorou quando me viu, ele me abraçou apertado. — Temos que ir comemorar saindo daqui, sua irmã vem encontrar a gente.
— Nem pensar — neguei e sentei para ser maquiada também. — Saindo daqui só quero ir para casa descansar.
— O mesmo — Edward fez coro.
Jasper saiu resmungando, mas voltou em seguida para roubar chocolates do nosso camarim.
A entrevista foi ótima, Edward mesmo cansado estava extravasando felicidade. Falou sobre o Grammy, como estava sendo produzir o álbum de Kate, contou sobre a viagem que tínhamos feito para Bath e depois chegou a hora de cantar.
— E pode entrar! — um dos assistentes do programa liberou a entrada do meu pai primeiro quando foi anunciado pelo apresentador, meu nome veio em seguida. — Agora você, Isabella.
Inspirei fundo, segurei com força o microfone e entrei no palco, pisando firme em minhas botas. Acenei para a platéia, abracei o apresentador, meu pai e recebi um beijo na testa do meu marido. Logo nos unimos à banda de Edward, papai e eu conversaríamos brevemente com o entrevistador depois.
Cantar novamente com Edward, para um público que não fosse família ou amigos, em uma transmissão para todo o país, foi loucura, mas do melhor tipo. Eu estava muito feliz em cantar minha canção com ele, ainda mais feliz em ter papai tocando.
— Isabella, me conte como é fazer parte de uma família tão musical! — o apresentador pediu após a canção.
— É a melhor coisa. — Abracei meu pai outra vez. — Sou tão sortuda de ter sido criada por este homem que me ensinou a amar música. E muito sortuda por casar com o cara que me incentivou tanto a voltar a cantar.
Falamos mais um pouco com o apresentador, depois papai e eu saímos para Ed cantar Escândalo. Quando a apresentação acabou, assim como sua participação no programa, ele saiu do palco procurando por mim e assim que me pegou em seus braços me deu um longo beijo.
— Você é foda pra caralho, Capitã!
Eu precisava concordar.
***
Na manhã seguinte, em outro camarim, nos preparando para mais uma entrevista, Edward gravava um vídeo nosso. Eu tinha colocado uma playlist da Taylor para tocar e quando começou Our Song ele e eu acabamos cantando juntos, logo meu marido estava gravando nós dois em seu celular.
— Our song is the way he laughs².
Ele logo depois postou o vídeo em seu Instagram, eu me vi compartilhando e ignorando a vontade de ler o que estavam falando sobre. Terminamos de nos arrumar e fomos para a entrevista, falamos um pouco do dia do casamento, Holly, a compra da gravadora e como estávamos ansiosos para o Grammy, também falamos sobre meu videoclipe que logo seria lançado e o processo de criação do último álbum dele.
Depois daquela entrevista pegamos caminhos diferentes, ele foi ensaiar para o Grammy, eu fui para o escritório da Facial fechar meu contrato. Na noite anterior, tinha ficado até mais tarde acordada para ler tudo e aprovar.
Naquela tarde me preparei para a entrevista que daria em um talk show, não o mesmo que Edward tinha participado no outro dia. Fiz isso de casa, almoçando o que Sean preparou, depois brincando com Amy.
Edward não poderia me encontrar nos bastidores do programa, ele teria um jantar para comparecer oferecido por uma revista, algo envolvendo os outros indicados ao Grammy. Mas, naquela noite me encontrei com minhas irmãs.
— Você está tão linda! — Renesmee elogiou quando chegou ao meu camarim, eu estava usando um terno brilhoso e absurdamente caro, mas tinha sido um empréstimo que Tanya conseguiu para mim de uma grife.
— Oi, obrigada. — Ela me abraçou com cuidado, depois sentou junto com Alice no sofá do camarim que eu ocupava, ainda teria um tempinho até entrar para a entrevista.
E decidi matar aquele tempo no Twitter, o que não era lá muito o ideal para ajudar em meu nervosismo. Mas eu teria terapia na manhã seguinte, poderia desabafar lá.
Entrei no Portal Beward, que parecia ser a conta de fãs do nosso relacionamento com mais seguidores. Eles já estavam falando sobre minha entrevista daquela noite, com fotos minhas tiradas por paparazzis chegando lá e um mini vídeo que Alice tinha gravado de mim enquanto eu era maquiada. Também estavam falando sobre Ed no jantar que ele estava, ele tinha postado algumas fotos em seu Instagram.
Voltei algumas horas no perfil deles e vi fotos minhas com Edward no programa daquela manhã.
“Algumas fotos de Ed e Isabella Cullen no programa da Anne Marie.”
Sorri, tudo ainda parecia um sonho.
— Ai meu Deus! — Alice gritou, olhei para ela e vi minha irmã pálida.
— O que foi? — Renesmee perguntou preocupada.
— O pessoal da Netflix aceitou se encontrar comigo na próxima semana, para conversar sobre a ideia do meu reality, nem acredito nisso. — Olhou para mim ansiosa. — Você acha que vai dar certo?
— Tô torcendo para isso, você não nasceu para ser dona de casa — brinquei, com Jasper ocupado com os ensaios de Edward, minha irmã estava responsável por fazer a mudança dos pertences do marido do apartamento que o guitarrista morava para o dela, onde seria a casa oficial do casal, ela tinha mandado várias mensagens ao longo do dia reclamando sobre aquilo.
— Vamos pensar positivo. — Nessie a abraçou.
— Preciso mesmo disso, a Bella tá certa, não nasci para ser dona de casa.
Conversamos mais um pouco sobre o programa, uns quinze minutos depois apareceram me chamando para a entrevista. Não era minha primeira entrevista, mas estava bem nervosa, mas ainda assim considerei uma boa entrevista e por sorte não cantei aquela noite.
Saindo da entrevista, minhas irmãs e eu fomos convidadas para jantar com o pessoal importante do talk show, incluindo o apresentador e a esposa dele que trabalhava como uma das produtoras. Quando voltei para casa, já tarde e exausta, Edward tinha acabado de chegar do seu jantar.
— Longo dia? — ele perguntou terminando de tirar suas lentes.
— Muito longo. — O abracei por trás. — E ainda encontrei uma estria na barriga quando estava me arrumando para o programa, Holly tá crescendo e deixando a mãe dela feia.
Edward virou de frente para mim e proclamou:
— Vou te amar mesmo que seu corpo esteja tomado por estrias.
Fiz uma careta.
— Não é uma imagem bonita.
— Ok, vamos melhorar isso, vou te amar e te ajudar a passar creme para prevenir outras estrias.
— Eu mereço mesmo uma massagem.
***
A gravação e fotos para a Facial aconteceram na manhã do dia 6 de Fevereiro, em uma loja da marca, fechada especialmente para aquilo. Eu estava muito animada, a grana entrando era ótima e ter um patrocínio levaria meu nome — de forma positiva — para mais pessoas.
Pude escolher a playlist para tocar durante minhas fotos, deixei tocando a mesma de pop do outro dia, mas daquela vez na minha conta do Spotify, não mais na de Edward. No intervalo, eu consegui comer um pouco e mexer em meu celular também.
Vi que Edward tinha postado uma das minhas fotos para a Billboard, eu tinha as recebido no meio do nosso café da manhã e enviado algumas para ele. Meu marido perguntou se poderia compartilhar uma e com a minha resposta positiva fez isso depois de sairmos de casa, a entrevista seria liberada naquela tarde.
“Sou casado com a Garota mais linda do mundo.”
Ele completou com um emoji de coração e as hastags: IsabellaCullen, Billboard e AnosVideoclipe.
Curti e compartilhei o tweet dele, também curti o de Ness da noite passada, ela tinha postado uma foto minha entrando no palco do talk show.
“Alice e eu temos tanta sorte de ter essa mulher como irmã. Te amo @isabellacullen.”
Também chequei como estava indo as reações a foto que postei pós entrevista da última noite, onde minha legenda foi:
“Muito obrigada por assistirem a entrevista, pessoal.”
A maioria das respostas eram elogiando a mim e a entrevista, mas se eu jogasse meu nome na busca do aplicativo veria as pessoas me criticando. Bebi um pouco do meu suco de uva, respirei fundo algumas vezes e voltei ao trabalho, não me deixaria abalar por quem adorava espalhar ódio.
***
Fui almoçar no apartamento de Alice, Nessie que também iria, me deu uma carona até lá e preparou nosso almoço. Enquanto ela tentava ensinar nossa irmã a fazer purê de ervilhas, eu estava na sala em ligação com alguém, sobre algo importante.
Quando acabei, contente que minha ligação tinha sido produtiva, voltei ao encontro das duas na cozinha. O almoço estava quase pronto, Alice aproveitou para perguntar:
— Como estão os sintomas da grávidez?
— Encontrei uma estria ontem e hoje tô suando muito, minha médica disse que o suor poderia acontecer.
— Nojento! — Alice exclamou e Nessie bateu no braço dela em repreensão, mas eu apenas ri.
— Também tô começando a enxergar aquela linha preta na minha barriga.
— Ainda não sentiu Holly mexer?
— Até agora não, falei por mensagem com minha médica hoje e ela falou que pode demorar mesmo mais tempo para eu sentir por ser primeira gestação.
— Pelo menos você tá com peito grandão sem precisar de silicone — Alice comentou me fazendo rir de novo.
Conversamos mais um pouco até Nessie acabar de fazer o almoço, falei para elas sobre minhas opções de vestido para o Grammy. Naquela tarde precisava decidir por um e ir tirar as medidas para ter tudo pronto para o domingo, Tanya iria comigo naquela jornada de moda. Eu também precisava pensar num presente de dia dos namorados para Edward, já que a data estava próxima.
— Preciso falar com vocês — Alice comunicou no meio do almoço.
— Fala — Ness incentivou.
— Esses dias eu fiquei pensando que nós três deveríamos fazer algo.
— O quê? — indaguei me servindo com mais salada.
— Ir atrás da irmã da Renée. — O pegador de salada escapou da minha mão, Renesmee engasgou com o suco que bebia e falou:
— Nem fodendo.
— Por quê? — questionei sem entender.
— Porque essa mulher é nossa tia.
— Ela é filha do pai de Renée, um cara que nunca conhecemos, que largou a esposa e a filha pra ficar com a amante grávida. Irmã de uma mulher que odiamos. Nada referente a essa tia nos interessa — declarei, Renesmee concordou.
— Eu sei que o pai da Renée foi um escroto, assim como ela foi com a gente, mas essa mulher ainda é parte da família.
— Você só está querendo uma ligação com essa tia para suprir o que não temos com a Renée — Nessie disse sabiamente, Alice negou.
— Eu só quero conhecê-la, não tô achando que ela vai virar nossa mãe.
— Alguma vez Renée mencionou essa irmã, Alice?
— Não.
— Pois é, só ficamos sabendo da existência dela porque papai contou. A única vez que essa tia falou com Renée foi quando o pai delas morreu, duvido muito que tenham mantido contato depois. Ela não é família.
— Acho que você precisa ir para terapia, Alice — Renesmee proclamou. — Bella e eu já vamos, está na sua vez de se juntar ao clube.
Alice suspirou, encarando seu prato.
— Ela pode ser legal.
— Alice, se você quiser ir atrás dela, vai sozinha. Quer dizer, não posso mandar nas decisões da Nessie, mas eu não irei embarcar nessa — falei querendo encerrar o assunto.
— Claro que eu não vou! — Renesmee exclamou. — Confesso que quando era mais nova pensei nisso, mas hoje em dia, não.
Eu bufei, sem acreditar que um dia ela tinha pensado naquilo.
— Podemos mudar de assunto agora? — implorei. — Vão me dar azia com esse papo.
O silêncio pesou, eu decidi contar de uma vez sobre querer gravar um álbum e o filme que faria com Aro. As duas na hora, ao menos superficialmente, esqueceram a história da tia para me parabenizar e comemorar minha decisão.
***
Depois de escolher meu vestido, fui para a gravação de um novo programa com Ed. Naquele, nós dois, iríamos participar de vários jogos contra outro casal de famosos, um ator e uma atriz. Também iríamos cantar, Edward Escândalo, um trecho de Garota e depois tocaria violão enquanto eu cantaria Anos.
— Alice precisa de terapia, a ideia de ir atrás dessa tia é maluquice — eu contava quando chegamos ao estúdio, ele estava fazendo um pouco de nebulização.
— Você não pode se estressar por isso — falou parando por um momento.
Resmunguei, mas ele estava certo. Mudei de assunto, falando sobre meu vestido e depois falando que tinha adorado a entrevista que ele deu aquela manhã, que assisti em um dos intervalos que tive do pessoal da Facial.
Mais tarde aquele dia — mesmo exaustos com a gravação que iria ao ar na noite de quinta, que foi incrível, assim como nós dois cantando —, fomos jantar com Laurent e alguns produtores musicais. No dia seguinte, mais entrevistas, uma minha em determinada emissora, dez minutos depois a de Edward em outro canal.
Almoçamos em um evento ofertado por outra revista, de tarde ainda tivemos que comparecer a um encontro feito por um site. E de noite, nada de descanso, tivemos de fazer publicações sobre o programa de jogos com nossa participação, o Hollywood Couple.
Primeiro usei fotos nossas no programa, cedidas pelo pessoal da emissora, anunciando nossa participação.
“@EdCullen e eu participamos do Hollywood Couple, o programa vai ao ar hoje às 22:00, não percam! #TimeCullen.”
Respondi alguns tweets de fãs, por isso não deixei o post nas mãos de ninguém da produtora, queria fazer aquilo pessoalmente. Quando o programa estava começando, do carro indo para um aniversário, Edward também postou uma foto nossa, com a legenda:
“Está começando o #HollywoodCouple espero todo mundo torcendo pelo #TimeCullen.”
Ele também respondeu alguns tweets, enquanto assistíamos ao programa na tv do carro. Porém, logo chegamos ao nosso destino. Era aniversário de um cantor pop muito famoso do final dos anos 80 e 90, Ed já tinha cantado com ele em eventos no passado e fomos convidados para a festa do cara, era o tipo de proposta irrecusável devido a forte influência do homem no meio musical.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Logo depois de chegarmos à festa, que estava acontecendo na casa do cantor, minha irmã apareceu com Jasper. O aniversariante também conhecia o melhor amigo de Edward, sendo assim o casal recebeu um convite.
— Tudo bem? — perguntei segurando na jaqueta de Edward, que parecia meio tenso com o clima da festa.
Tinha muita bebida, cheiro de cigarro e sabíamos que em lugares mais discretos — porém não muito — drogas eram usadas. Também não estava lá sendo muito fácil para mim, mas parecia estar sendo pior para ele.
— Sim, está muito bom aqui com meu refrigerante de laranja — declarou forçando um sorriso e bebeu da lata.
— Vamos ficar só mais um tempinho, tá? — Me estiquei na ponta dos pés e beijei sobre seu queixo.
Edward concordou, então fomos circular pela festa. Alice estava conversando com um cara, Jasper já beijava outro, ela tinha contado sobre ter o relacionamento aberto com seu marido, sendo assim nada daquilo me surpreendeu.
Eu estava conversando com uma atriz, Edward ao meu lado se distraiu com algo em seu celular, quando vimos a primeira surpresa desagradável da noite surgir. Lauren, a ex-noiva dele, chegou acompanhada de outras duas mulheres, e a atriz conversando com a gente, notando a chegada da Mallory e minha cara nada contente, fofocou:
— A Lauren é amiga da Megan — contou, se referindo a nova esposa do aniversariante, uma atriz de 20 e tantos anos.
— Lauren? — Edward questionou tirando os olhos do celular, eu indiquei com a cabeça onde a ex dele estava, meu marido fez uma careta.
— Ninguém merece — reclamou. — Monica, vamos dar uma volta por aí, foi bom te ver — falou com a atriz que eu estava conversando e me levou para outra sala da mansão.
— Relaxa, te protejo daquela nojenta — prometi para Edward, o abraçando, ele riu e beijou meu ombro por cima do vestido que eu usava.
— Obrigado por defender minha honra, Isabella.
— Sempre, meu amor. — Ele estava prestes a me beijar, mas chamaram pela gente.
Era outra surpresa, mas não tão desagradável quando Lauren, apenas desconfortável.
— Olá! — Heidi saudou, eu desfiz o abraço com Ed, ele ficou segurando em minha cintura, enquanto ficávamos de frente para a garota de programa. — Faz tempo que não nos vemos, não é? Sinto a falta de vocês.
— Não vai mais acontecer — falei, com medo de que ela pudesse usar as coisas que sabia de nós, especialmente de mim, contra a gente.
— É uma pena. — Heidi tocou em meus cabelos. — Sinto mais ainda sua falta, Isabella.
Edward limpou a garganta, ela riu e olhou para ele.
— Não seja ciumento, Ed — falou para meu marido. — Pensem em mim se quiserem diversão verdadeira. — Heidi se inclinou e me deu um rápido abraço. — Você tá muito gostosa hoje, faria até de graça.
Então, ela se afastou, me deixando arrepiada e talvez para Edward tenha sido mesmo desagradável encontrá-la, ele estava com a cara vermelha.
— Não precisa ter ciúmes. — Ele forçou uma risada e sussurrou para mim.
— Você é tão inesquecível fodendo que até me superou. Ela nem deu mole pra mim.
Isso me fez gargalhar.
— Você é um garoto muito mimado, Cullen. Não acredito que está chateado porque ela quer foder comigo, não com você.
— Ela me convidou também. — Olhou para mim e piscou.
— Por educação — provoquei. — E falou que para mim seria de graça.
Ele suspirou e apoiou a cabeça na minha.
— Para de falar disso — pediu. — Fico lembrando daquela noite.
— Você quer repetir? — Apesar de Heidi ter me deixado arrepiada, eu definitivamente não queria um relacionamento aberto como Jasper e Alice tinham, também não queria transar com outras pessoas mesmo com Edward junto.
— Não, eu só quero você. — Afagou minhas costas. — Mas não posso te levar para uma cama, ainda não tô legal para isso. Tentei me masturbar hoje e… Não tá rolando, minha cabeça tá cheia, meu corpo tomado pelo remédio e tensão — confidenciou.
Eu assenti, o beijei delicadamente, afirmei que estava tudo bem e o levei para circular pela festa. Sempre evitando cruzar o caminho de Lauren ou Heidi, no entanto, estávamos por perto quando a maior surpresa desagradável da noite chegou.
Paul Lahote, na companhia de sua noiva.
— Isabella, Ed — eles pararam para falar com a gente, imediatamente segurei a mão de Edward, mas meu marido se soltou e colocou um braço sobre meus ombros, me deixando colada ao seu corpo.
— Lahote, que infelicidade é te encontrar! — Edward exclamou, mas sua voz soava animada. — Julia, que pena ver você ainda ao lado desse merda.
— Você é doido? — ela indagou revoltada, Paul fechou a cara na hora.
— Eu? Talvez. — Edward sorriu mais. — Mas você também deve ter algum probleminha para continuar com esse cara, não é?
Eu deveria, mas não contive uma risada. Paul, puto da vida, começou a falar:
— Cullen, você não deveria…
— Espera, nem precisa terminar de falar, eu não me importo, Lahote — Edward o interrompeu, fazendo Paul ficar ainda mais furioso, porém também sem palavras. — Vamos, Capitã. — Ele segurou minha mão e me puxou para longe do casal.
— Tchau Julia, até nunca mais Paul! — proferi e acenei em despedida. Quando estávamos longe, tentei chamar a atenção de Edward, mas parte de mim ainda estava extremamente feliz com ele sendo um escroto com aquele merdinha do Lahote. — Não deveria ter falado com ele assim, Paul pode… — Eu ri mais, Edward segurou em minha cintura, também estava rindo. — É sério, sabe que ele é um fodido, pode tentar fazer algo contra a gente.
— Linda, relaxa — pediu e beijou a ponta do meu nariz. — Só essa noite não cede à pressão que aquele bosta cria na sua cabeça.
— Mas…
— Relaxa! — Mais um beijo. — E agora, já que não podemos encher a cara e ficar doidões, vamos comer um monte de chocolate e liberar endorfina, serotonina e dopamina em nossos organismos. O que acha?
— Chocolate com morangos? — Salivei só de imaginar.
— Chocolate com morangos!
Alguns chocolates depois eu descobri algumas coisas: Megan iria gravar um filme com Julia, Alice tinha ido parar no segundo andar da mansão com um dos irmãos do aniversariante, Jasper foi parar na piscina e Lauren se pudesse me daria um soco.
— Você é uma vaca velha! — Lauren exclamou contra a música alta, enquanto eu estava no bar pegando refrigerante para Ed e água para mim. A atriz de quinta categoria estava claramente bêbada, com uma alça de seu vestido até rasgada.
— Por quê? — Bebi um gole da minha água e fingi estar interessada.
— Porque você é uma velha e gorda! — gritou. — Ed ainda vai perceber tudo isso e te largar.
— E voltar para você?
— Sim, ele vai voltar para mim, é o certo.
— Poxa, que notícia triste. — Fiz um biquinho. — Quando você acha que ele irá me largar?
— Não sei… — Soluçou. — Logo! — gritou.
— Beleza, me avisa quando for o logo? — Sorri e belisquei a bochecha da garota, que afastou o rosto rapidamente. — Sua idiota. — Eu ri. — Fica aí amargando a merda que fez com a sua vida — ordenei e me afastei.
Encontrei Edward na pista de dança improvisada, ele estava lá com minha irmã que tinha reaparecido. Alice roubou minha água e se afastou, entreguei o refrigerante para meu marido.
— Lauren te chateou?
— De nós duas ela é a mais chateada agora, pobrezinha. — Me movi e sussurrei para ele. — Sua foda também é bem inesquecivel, sabe? Ela deve sentir muita saudade de sentar em você, eu sentiria, consigo até me compadecer.
Ele riu e me fez dançar. Ficamos ali dançando, dividindo seu refrigerante e depois cantando juntos uma canção mais antiga, porém que combinou perfeitamente com o estado de animação que estávamos naquela noite, So What da Pink.
— I gave you life. I gave my all. You weren’t there. You let me fall³ — cantávamos e algumas pessoas pararam para nos olhar em um show particular. — So, so what? I’m still a rockstar. I got my rock moves. And I don’t need you. And guess what? I’m having more fun. And now that we’re done (we’re done). I’m gonna show you tonight. I’m alright (I’m alright). I’m just fine (I’m just fine). And you’re a tool⁴.
Versos depois, quando acabamos, fomos devidamente aplaudidos. Naquela noite o Time Cullen não ganhou apenas no programa de TV Hollywood Couple.
***
Edward deveria ir ensaiar naquela manhã de sexta-feira, mas ele conseguiu trocar seu horário de ensaio para ficar por perto de mim durante o lançamento do videoclipe. Às 9 da manhã, dei início à live no Instagram, junto dos atores do clipe, diretamente de uma das salas de nossa casa. Também com algumas pessoas da produtora, inclusive meu assistente, auxiliando por trás da câmera.
Respondemos perguntas, comentamos sobre as gravações, agradecemos a Aro pela direção e quando a live se encerrou, o clipe foi enfim publicado na minha conta do Youtube. Tinha sido criada naquela semana, para divulgar trechos das minhas entrevistas e então o clipe.
Dispensei os atores e fui encontrar meu marido, que esperava por mim na sala de música.
— Estou muito nervosa.
— Será um sucesso — falou e me abraçou com mais força.
— E caso não seja?
— Aqui nesta casa a música e o clipe já são número um em todas as paradas musicais.
Eu comecei a chorar, de felicidade e tensão. Edward me consolou, cantando minha música, me fazendo amá-la e amá-lo ainda mais.
***
A Hollywood Records ofereceria um coquetel de lançamento para meu clipe e uma festa em comemoração às indicações de Ed ao Grammy, mais um motivo para fazer campanha em nome dele para a premiação e divulgar meu clipe e música. O clipe tinha sido bem visualizado naquelas primeiras horas, a música não estava sendo tão vendida, mas depois que fiz outra live aquela sexta, enquanto me arrumava para a festa e agradeci por todo carinho, as vendas melhoraram.
No meio da festa eu estava tão cansada, que precisei sentar, Edward me acompanhou, ainda que tivesse insistido para ele continuar conversando com o pessoal. Porém, teimoso como era, preparou um prato com canapés para nós dois e me fez comer com ele, enquanto estava mexendo em seu celular lendo todo tipo de tweet possível sobre nós dois.
— Escuta esse, daquele Portal Beward, falando sobre a gente no Hollywood Couple — falou e leu o tweet em voz alta. — Um dos meus momentos favoritos do Hollywood Couple: Ed, o pobre míope, sem conseguir enxergar e a patroa rindo da cara dele. — Virou seu celular e me deixou ver a foto que usaram a gente, parecíamos estar nos divertindo e estávamos mesmo, foi um programa legal de gravar.
— Bom que eles sabem quem é que manda — brinquei e cutuquei o braço dele. — E você precisa ir ao médico conferir o grau das suas lentes.
— Faço isso quando voltarmos de Paris. — Continuou mexendo no celular. — Isaward também assistiu ao programa.
— O que ela falou?
— Ela fez uma centena de tweets, em um escreveu: É tão bom ver o Ed e a Isabella felizes assim! — Me mostrou a tela do celular de novo, Isaward tinha compartilhado várias fotos do programa, nelas também senti o clima de diversão emanando de nós dois. — É doido pensar que Isaward foi a primeira pessoa na internet, ao menos que eu vi, achando que deveríamos ser um casal.
— Na sua próxima turnê vamos mandar convites para um dos seus shows.
— Excelente ideia. — Edward largou o celular em cima da mesa e afagou meu rosto tranquilamente. — Eu também sou muito Isaward.
— Os fãs preferem Beward.
— Tanto faz, só sei que você e eu somos fodas pra caralho juntos.
— Somos?
— Muito, Capitã. E agora você precisa comer mais um pouco.
— Já comi…
— Coma! — Empurrou o prato em minha direção.
Eu resmunguei, mas comi.
— Nada de sentir Holly mexer?
— Ainda não, mas com você me fazendo comer tanto logo devo sentir algo, que será dor no estômago. Mas, eu tô com vontade de comer algo com abacaxi, deve ter algum doce assim por aqui, procura e traz para mim?
— Sim, senhora — concordou e prontamente foi atrás.
***
Tina me serviu com mais torradas, carregadas de geleia, eu agradeci, mas raspei um pouco da geleia com uma faca antes de comer. Edward e eu estávamos tomando café da manhã na casa dos Denali, no sábado, antes de ele ir ensaiar.
Eu, ficaria até de tarde no apartamento de Tanya com ela e Tina, Santiago estava no trabalho. Para mim, aquelas horas no sábado, com minha melhor amiga e a filha dela, seriam um pouco de calma no meio da semana agitada.
Não que já estivesse sem nada para fazer, minha campanha com a Facial seria publicada no final da manhã e de noite iria acompanhar Ed em mais um evento, uma festa pré Grammy organizada pelo próprio pessoal da premiação. E o domingo seria todo voltado para a premiação em si.
Depois do almoço, Edward ainda conseguiu ficar mais um pouquinho, ele foi assistir TV com Tina na sala. Enquanto isso, Tanya e eu na sala de jantar davamos a aprovação final para a liberação da minha campanha.
— Não consigo te agradecer suficiente por tudo que fez essa semana — falei para minha amiga.
— Não precisa agradecer, estar ao seu lado nessa já é bom demais para mim.
— Amiga — murmurei. — Se essa coisa toda de cantar e atuar der certo para mim em algum momento terei que sair do comando geral da Swan Productions, e deixar tudo nas suas mãos, você vai aceitar, né?
Tanya riu.
— Isabella, vamos fazer você ser uma estrela na atuação e música, assim nós duas saímos ganhando.
Eu ri, ela piscou para mim.
— Até prometo que não irei pedir uma mudança no nome.
— Obrigada, a Swan Productions é um dos meus bebês e eu amo o nome. — Afaguei minha barriga.
— Fica fria, sempre será a Swan Productions, mas comigo no comando.
— Kate chorando só para você, nossa, talvez eu largue tudo agora! — brinquei, Tanya fez uma careta.
— Minha primeira decisão será mandar a Kate para Marte. — O celular dela tocou. — Falando no diabo, vou ver o que ela quer.
— Tchau. — Deixei a sala de jantar rápido e fui até a de estar, Ed estava lá no sofá e Tina subia as escadas, gritando que ia pegar seu caderno de desenhos.
— Bella, eu tô fodido — Edward murmurou para mim quando a criança desapareceu no segundo andar.
— O que você aprontou? — Sentei ao seu lado.
— Lembra quando o Santiago descobriu sobre a gente e ele, Tanya e Tina foram lá pra casa?
— Lembro, naquele dia todo mundo acabou aparecendo lá.
— Então, teve um momento que eu meio que acabei prometendo um presente de aniversário para Valentina.
— O quê?
— Um cachorro e agora ela tá me cobrando.
Eu não aguentei, tive de rir da cara de desespero dele.
— O aniversário dela é dia 15, o que eu faço? A Tirana não quer um cachorro aqui.
— Valentina vai esquecer e ainda vamos estar na França dia 15, fica calmo.
— Mas estaremos aqui no dia da festa e duvido que ela vá esquecer, só quem esqueceu fui eu. Tô muito fodido.
— Eu falo com a Tanya quando estiver mais perto, quem sabe ela permite o cachorro.
— Por favor — implorou. — Usa a Holly na conversa, diz que eu topei que ela fosse a madrinha da minha filha.
— Você sugeriu um sorteio.
— E o sorteio que sugeri escolheu a Tanya, continua sendo interferência minha.
— Não acho que seja assim.
— Isabella, fica do lado do seu marido — pediu ainda em desespero.
Eu ri mais.
Um tempinho depois, meu marido foi embora, ainda preocupado com a história do cachorro. Eu fiquei desenhando com Tina, a mãe dela se juntou a gente e era melhor desenhando do que nós duas.
Quando cansei, deixei as duas naquilo e peguei meu celular. Conferi a publicação da Facial em meu Instagram, mesmo que já soubesse cada palavra escrita ali de tanto que revisei antes de aprovar a publicação.
“A @facialoficial lançou ontem o Vermelho Los Angeles e estou apaixonada. O batom de longa duração, fácil aplicação e ação hidratante é perfeito para você que assim como eu não tem tempo para ficar retocando a maquiagem toda hora. Ideal para festas, trabalhos e muitos beijos com seu amor. #vermelholosangeles #publicidade.”
Olhei os comentários na minha publicação e nas que a marca já tinha feito, a maioria estava positiva, isso me tranquilizou. Poderia ser que assim eles quisessem renovar o contrato comigo, torcia muito por isso.
Também entrei no Twitter para ver como estava a repercussão por lá, ali foi mais fácil encontrar gente falando mal. Porém, foquei em curtir os tweets dos fãs — ainda era louco pensar que eu realmente tinha fãs novamente —, criar um laço mais forte com eles faria com que aquelas pessoas me apoiassem mais em tudo, e se fosse comprando minha música e aquele batom, seria ainda melhor.
“Isabella fazendo publi para a Facial tudo que eu precisava e nem sabia!”
“Isabella tá na melhor semana da vida dela? Essa parceria com a Facial apenas perfeita.”
“Passando mal com tanta beleza a Isabella em Facial simplesmente a mulher mais linda do mundo.”
“Sortudo é o Ed que beija esse mulherão cantora e garota propaganda da Facial.”
“Comprando o novo batom da Facial agora mesmo! Escute, marca, quero mais publis com a patroa Isabella!”
“A Isabella com a Facial é a parceria mais certeira que vi nos últimos meses.”
“Facial o povo tá clamando por uma propaganda da Isabella com o Ed.”
“Imaginem só uma publi da Isabella testando o batom com o Ed, Facial faz isso pela gente.”
“Mamãe da Holly @isabellacullen servindo publi no Instagram! Imaginem só o quanto ela e Ed não se beijaram para testar o novo batom da Facial.”
Aquele, do Portal Beward, recebeu uma curtida e um comentário meu. Apenas um emoji corado e sorrindo. Eu ainda não tinha beijado Edward usando o batom, aquela noite seria minha primeira noite o usando fora das fotos e vídeos que fiz no meio da semana, mas que eles pensassem aquilo, seria melhor para as vendas.
Larguei o celular quando Tina me convocou para brincar de Barbie, uma hora depois Tanya recebeu uma mensagem maravilhosa.
— Sua música teve um disparo de vendas depois do anúncio da Facial.
— Sério? — perguntei sentindo meus olhos se encherem de lágrimas.
— Ela ainda tá em primeiro nos trends do Twitter. E tem algo nos e-mails sobre a Harry Winston querer um contrato com você, vou ler melhor já. Entra no Twitter e agradece!
Eu entrei, vendo o surto de quem tinha recebido curtidas minhas uma hora antes. Também vi que Ed tinha acabado de responder o Portal Beward.
“Batom devidamente testado!”
— Tanya, prepara uma proposta de publicidade envolvendo Ed e eu para a Facial.
— Sério?
— Sim. Faz para a Harry Winston também.
Eu deixei o Twitter, antes de agradecer aos fãs, queria ligar para meu marido e agradecer a ele por todo o apoio primeiro.
***
O evento daquela noite acabou cedo, Edward e eu, na volta para casa, fizemos planos de assistir Brooklyn Nine-Nine na cama para distrair da ansiedade. Entretanto, eu queria usar a cama para outra coisa.
Tomando banho primeiro, fiquei um pouco frustrada pela falta de sexo. Mas precisava respeitar o tempo dele, como já tinha tido o meu respeitado.
Eu estava quase acabando meu banho quando Edward entrou no banheiro, também escutei Pillowtalk do Zayn começar a tocar no meio da playlist aleatória que ele colocou assim que entramos em casa, meu marido cantava baixinho. Parou diante do espelho e começou a tirar suas lentes, finalizei meu banho, a canção sobre sexo me deixando com mais vontade ainda de transar.
Me enxuguei um pouco antes de sair, me vestindo em um roupão. Parei ao lado de Edward, ele já tinha tirado suas lentes e escovado os dentes, pegou lencinhos para limpar a maquiagem de seu rosto, eu estava quase pegando o secador quando fui distraída.
— Eu amo o cheiro do seu shampoo — ele disse, se movendo até seu rosto estar entre meus cabelos e apoiou uma mão na base das minhas costas.
Isso fez cada pedaço do meu corpo se arrepiar, eu também não contive o gemido que escapou por meus lábios. Antes que pudesse me afastar, buscando preservar minha sanidade, Edward deslizou sua mão e apertou minha bunda.
— Quero você, Isabella.
Movi meu rosto, podendo encará-lo, não falei nada, mas ele respondeu a pergunta em meus olhos.
— Vamos tentar.
Eu sorri, meu marido me acompanhou. Nossos lábios se encontraram, ao mesmo tempo em que suas mão começaram a tirar meu roupão, o largando no chão.
Quando ele tocou em mim, completamente nua, senti Edward tremendo um pouco.
— Ei, tudo bem — interrompi o beijo. — Podemos parar.
— Eu não quero parar, só estou tenso. — Apoiou sua testa na minha. — Fico pensando em Paris, pensando em tanta coisa.
Segurei seu rosto entre minhas mãos, nossos olhos se encontrando novamente.
— Pensa só em mim, amor. Mas se quiser parar, no momento que for, só falar.
— Tudo bem. — Respirou fundo.
— Vem comigo. — Eu o levei para nosso quarto, paramos perto da cama e começamos a nos livrar das suas roupas.
Então, quando elas saíram do meu caminho, eu estava passeando minhas mãos e meus lábios por suas tatuagens, espalhadas por todo o corpo tenso, querendo que ele relaxasse. Beijei cada uma delas, mesmo aquelas que precisavam de muita flexibilidade para alcançar. E a cada tatuagem beijada, me declarava em três palavras:
— Eu te amo.
Beijei mais uma vez a tatuagem tribal em suas costas.
— O que você quer fazer, Edward? — Deslizei uma mão até seu pau, ainda posicionada perto de suas costas. — Quer me foder? — O pau dele já estava duro, assim como eu estava ainda mais cheia de desejo de tê-lo dentro de mim.
— Quero que você me chupe, putinha.
Isso me fez sorrir, eu beijei a tatuagem outras vezes, sentindo meu coração palpitar de animação.
— Senta na cama, senhor Cullen.
Ele sentou, eu me ajoelhei entre suas pernas. Fazia muito tempo desde a última vez que transamos, sem contar as vezes que fizemos virtualmente, meu corpo implorava pelo dele, nem acreditava que finalmente o teria de novo.
Comecei a chupá-lo, fazendo meu marido, o homem que mexia comigo de todas as formas possíveis, gemesse meu nome e implorasse por mais. Ele me queria, tanto quanto eu o queria.
— Porra, putinha, que saudades. — Mexia seu quadril acompanhando meu ritmo.
Éramos tão bons juntos, éramos perfeitos.
— Isso, isso! — exclamou, agarrando meus cabelos, os enrolando em seu punho. — Sua boca é meu paraíso.
Ele me amava, ele me queria, era a melhor forma de terminar a noite.
Puxões de cabelo, gemidos, pedidos luxuriosos, minhas unhas cravando em sua coxa. Minha boceta precisando de atenção, ele prometendo me foder, eu erguendo meu olhar e vendo o homem comigo sorrir.
Pensei na primeira vez, pensei em como era sortuda. A vida era tão boa comigo, eu nem achava que merecia tudo, mas estava feliz em ser privilegiada aquele ponto.
— Isabella! — Mais um puxão de cabelo, ele gozou, eu afastei a boca, deixando seu gozo cair em meus peitos. Vi meu marido de olhos fechados, descabelado, rosto vermelho de prazer e um sorriso que me deixava mais apaixonada.
Seus olhos verdes voltaram a se abrir, viu sua porra em mim e disse:
— Puta merda, você tá com os peitos ainda maiores, tá tão gostosa.
Eu me levantei do chão, sentei em sua coxa esquerda e o beijei. Ele me beijou de volta, com fome e uma mão indo até minha boceta, mas não o deixei ir muito além, apesar de querer.
— Fica aqui.
Edward protestou, mas me deixou ir. Segui até o banheiro, me limpei e levei um lencinho para ele se limpar também.
E voltei ao chão, primeiro me ajoelhando, depois sentando e por fim deitando. Virada para ele, pernas entreabertas, uma mão indo dar prazer a mim mesma.
— Um pouquinho do que você viu pelo computador — provoquei, querendo ele de novo 100% duro para me foder.
Eu me toquei, sem fechar os olhos, sem querer perder suas reações. Ele olhava para mim como se eu fosse a mulher mais bela do mundo, eu também me considerava muita coisa, mas me vi pedindo por algo.
— Me grava.
— O quê? — perguntou alto, ficando naquele momento mais confuso do que com tesão.
Eu queria me ver pelo vídeo de novo, como tinha visto quando ele me fez masturbar e olhar por meu computador.
— Pega seu celular e me grava. — Estiquei um pé, roçando em sua perna.
— Isabella…
— Vamos apagar em seguida, mas eu quero isso.
— Não sei.
— Edward, eu quero.
— Você não vai se arrepender?
— Vou me arrepender caso não faça.
Ele suspirou, mas levantou e foi pegar seu celular que estava na mesinha de cabeceira do outro lado da cama. Antes de me gravar, se juntou a mim no chão por alguns segundos, me deu um beijo, afagou meu rosto, meus seios e fez com que eu deslizasse mais um dedo em minha boceta.
— Certeza? — perguntou sentando novamente na cama.
— Sim.
Mexeu no celular e começou a gravar, eu gemi o nome dele, Edward suspirou, tesão. Eu olhei para a câmera, mas também desviando o olhar várias vezes para ele.
Meu marido anunciou o corte, quando seu pau já estava muito duro outra vez. Deitou ao meu lado, me entregando o celular e substituindo minha mão.
Eu coloquei o vídeo para assistir, vendo meu corpo pela câmera. Eu era gostosa, eu era linda e amava meu marido. Além disso, sexo era tão bom.
— Como se sente? — perguntou, seus dedos trabalhando em mim como ninguém mais sabia fazer.
— No paraíso. — Nos beijamos, o vídeo ainda rolando, meus gemidos preenchendo o quarto contra uma canção qualquer que tocava.
Ao fim do beijo, eu apaguei o vídeo permanentemente. Só meus olhos e os de Ed iriam vê-lo.
— Um dia quero que grave enquanto fode minha boceta. — Desliguei o celular e o larguei no chão.
Edward não respondeu, apenas assentiu e voltamos aos beijos, sua mão me levando à beira do orgasmo várias vezes, mas parando e me deixando querendo mais. Até que eu o afastei, só para ficar de quatro ali no chão mesmo e clamei pelo que precisava e queria:
— Me fode, senhor Cullen.
Ele se posicionou atrás de mim, sem perder tempo metendo seu pau em minha boceta. Na mesma hora começou a tocar Our Song da Taylor, a canção fofa não tinha nada a ver com o que estava rolando, rimos daquilo, mas não durou muito.
Poderia tocar qualquer canção, nada iria nos fazer parar do que estávamos fazendo. Eu sentia saudades dele, ele sentia saudades de mim. E o reencontro foi melhor do que poderíamos ter sonhado.
— Porra, sua gostosa!
— Mais forte.
Fomos mais forte, fomos mais rápido. Eu gozei, ele me segurou, ainda metendo. Meu coração estava disparado, ele puxou meus cabelos e me chamou do jeito que gostava de ser chamada.
Pedi para ele me bater, ele bateu de leve em minha bunda. Meu orgasmo só se intensificou.
Pedi mais, queria ele gozando em mim. Ele gozou, deslizando as unhas curtas por minhas costas, me atiçando. O corpo dele primeiro se arrepiou com o orgasmo, depois tremeu sobre o meu.
Era prazer. Era culpa do nosso sexo. Nada mais. Apenas nós dois.
— Senhor Cullen, no que você está pensando?
— Em foder você o resto da noite.
Saiu de dentro de mim, deixando beijos em minhas costas. Até me tirar do chão e me colocar na cama. Estávamos sujos, mas não da forma que me senti anos atrás quando outro vídeo causou um estrago em minha história.
— Como você está? — ele perguntou.
— Feliz. E você?
— Feliz pra caralho. — Riu e mexeu nos cabelos suados. — Precisava de você. — Se moveu e beijou entre meus seios. — Ainda preciso, só tenho de me recuperar um pouco mais antes.
— Ok — falei e o fiz beijar meu seio esquerdo demoradamente, depois o direito, sua mão esquerda em meu pescoço, não apertava, só segurava.
— Por que quis gravar? — perguntou.
— Porque eu queria me ver. — Dei de ombros.
— Como se sente com isso tudo? Esse vídeo e as vezes que transamos pela internet, quero dizer.
— Feliz pra caralho — repeti suas palavras e completei com as minhas. — É bom ser a dona do meu corpo de novo.
Eu chorei, sem nem saber que precisava daquilo, ele beijou meu rosto molhado por lágrimas e sussurrou:
— Você pode se ver por câmeras, mas te garanto que é ainda mais bela aos meus olhos.
— Sou?
— Cem vezes mais, Isabella.
— Ok, a cem vezes mais precisa de um banho.
— É, eu também. E depois vou te chupar. — Beijou a tatuagem em meu antebraço. — Bom que aproveite, será a última noite que transa comigo…
— O quê?
Ele riu e completou.
— Comigo sendo apenas um indicado ao Grammy, amanhã à noite vou te foder como um vencedor.
— Você ganhando, ou não, isso não muda nada para mim, sabe disso.
— Eu sei, mas será muito divertido foder depois de ganhar. Irá liberar mais endorfina do que chocolate com morangos. — Cheirou meus cabelos. — Você, esse seu cheiro de morangos e eu um vencedor. A vida é maravilhosa, não?
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