Hollywood

94 Capítulo Noventa e Três


Notas iniciais
Olá! Dia importante na vida do casal Cullen. Capítulo dedicado a Emilly Cullen que recomendou a fanfic. Muito obrigada, meu bem!!! —__ Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —___ Grupo no Telegram: https://t.me/joinchat/MrT_3cJdpvtiZDdh —___ Me siga no Instagram: @autoralolaroyal —___ Músicas do capítulo: 1. https://youtu.be/lcPh9UOhRPI 2. https://youtu.be/Jnq9wPDoDKg 3. https://youtu.be/VcjzHMhBtf0 4. https://youtu.be/F57P9C4SAW4 5. https://youtu.be/jYa1eI1hpDE —___ Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure profissionais especializados sempre. —__ Boa leitura!

Capitulo Noventa e Três

Edward Cullen

“Ed Cullen encerra a noite com derrota no Grammy.”

Aos 13 anos sonhei que ganhava um Grammy, entregue a mim pelas mãos do próprio Michael Jackson. Quando acordei, era meu aniversário de 14 anos. Contei sobre o sonho para papai e ele disse:

Você poderia sonhar com prêmios mais realistas, que tal se inscrever no curso de matemática de verão do centro comunitário? No final irão premiar o melhor aluno com duas aulas gratuitas de física.

Alguns dias depois daquilo, Michael Jackson faleceu. Ele nunca me entregaria um Grammy, mas eu também não iria desistir de ganhar.

***

Dormi tarde e acordei cedo, despertei com Isabella me dando um de seus chutes e depois não consegui voltar a dormir. Tentei ao menos continuar na cama, mas estava muito inquieto para isso.

Saí da cama, seguindo para o banheiro primeiro, depois para a sala de música, vestido em um roupão. Sentei ao piano, imediatamente começando a tocar a melodia de Vulnerável, eu estava no final da canção quando Bella apareceu.

Reconheci seus passos na escada, depois seus braços me envolvendo, ela estava enrolada no lençol e me fez ficar parcialmente coberto por ele. Repousou seu rosto sobre minha cabeça, eu parei de tocar e aproveitei o carinho dela.

— Você ainda deveria estar na cama, pirralho. — Moveu o rosto e beijou perto da minha orelha.

— Acordei com você me chutando — contei, ela bufou, eu ri.

— Algum dia isso vai ser motivo para você pedir o divórcio.

Revirei os olhos.

— Até parece, pode me chutar o quanto quiser, Capitã.

— Volta pra cama, é muito cedo e teremos um dia longo, vai descansar. — Me beijou novamente e me apertou mais em seus braços.

— Não consigo dormir mais, estou agitado.

Isabella suspirou, tirando seus braços de mim. Eu me movi no banco, de forma que ficasse de frente para ela, entre o lençol. Minha esposa estava nua, eu beijei seus seios, depois sua barriga onde nossa filha crescia.

— Por que você acordou?

— Um sonho.

— Ruim? — Eu a abracei, repousando meu rosto sobre seus seios, que já tinham crescido tanto só naquelas dezenove semanas de gestação.

— Não, pelo contrário. — Bella mexeu em meus cabelos. — Sonhei que estávamos em Nashville com a Holly, e eu a ensinava a montar.

— Com certeza foi um pesadelo! — exclamei brincando, Bella fingiu uma risada e puxou minha orelha de leve.

— Enfim, quer que eu te deixe sozinho aqui?

— Não. — Beijei seu corpo novamente, mas sem intenção alguma de transar naquele momento. A última noite tinha sido perfeita, tanto que eu precisava me recuperar e ela também. Além do mais, eu tinha planos para depois do Grammy, eles envolviam Isabella e uma limusine. — Fica tocando aqui comigo, ou podemos fazer outra coisa. — Ergui meu olhar.

— Sem sexo agora, ainda estou acabada. — Sorriu e percorreu um dedo por meu nariz, provavelmente seguindo o caminho das minhas sardas.

— Também estou — confessei e afaguei sua barriga. — Ficar de quatro não foi muito pra você? — indaguei preocupado, a barriga dela estava bem maior agora e isso deveria pesar e doer.

— Não…

— Tá falando sério? Você não se machucou? — questionei ficando nervoso com aquela possibilidade.

— Edward, tá tudo bem — garantiu, tirando o dedo do meu rosto. — E eu já tinha pesquisado sobre posições para cada período da gravidez, minha barriga tá maior agora, mas ainda dá pra fazer assim. No final é que não vai rolar de quatro.

— Beleza, mas qualquer coisa que fizermos no sexo que possa te machucar quero saber na hora, ok? Por isso nem te bati forte ontem, tenho medo de fazer isso de forma que te machuque pra valer.

— Ei, ontem foi maravilhoso. — Voltou a tocar em minhas sardas. — Eu estava morrendo de saudades suas, você não me machucou, nem nada assim, tá?

— Certo.

— E eu? Fiz algo errado? — Franziu o cenho. — Também quero saber se cruzei algum limite, como te pedir para gravar o vídeo, você estava hesitante no começo.

— Eu estava porque não sabia se era o que você realmente queria, Isabella. Não sou contra gravarmos isso, ou fazermos sexo virtual, mas só farei qualquer uma dessas coisas se você quiser 100%, sabe disso, não sabe?

— Sei, amor. — Se inclinou e beijou minha testa. — Você foi muito cuidadoso ontem e antes quando fizemos sexo virtual. E é cuidadoso mesmo sem uma câmera envolvida.

— Gravar foi realmente bom para você, não? Como falou, está se sentindo dona do seu próprio corpo novamente.

— Exatamente, é uma sensação de liberdade gigantesca. Não que eu tenha virado uma puritana depois daquele vídeo vazado, fiz muitas coisas após ele, só que no fundo sempre senti que meu corpo era domínio público. O vídeo ainda está por aí, mas agora entendo que ele não define minha história, quem define sou eu.

— Então, vamos gravar de novo?

— Eu gostaria. Só pra gente.

— Sempre apagando em seguida.

— Talvez não tão em seguida, podemos demorar alguns minutos. Pensei em algo.

— O quê?

Ela sussurrou a sua resposta em meu ouvido, eu sorri adorando a ideia. Quase pedi para fazermos aquilo naquele momento, mas não precisávamos ter pressa.

No lugar disso, eu me levantei, beijei a lateral da cabeça dela e Bella me abraçou.

— Uma ideia maravilhosa.

— Eu sei — se gabou. — Enfim, você não quer mesmo voltar para a cama?

— Não, só vou ficar lá encarando o teto, pensando que mais tarde posso perder em todas as categorias que fui indicado.

— Edward…

— Que tal saímos um pouco? — sugeri, sem deixar ela concluir qualquer que fosse a frase de incentivo que iria dizer para mim. — Vamos levar Jude, Madonna e Shrek para passear.

— Pode ser, vamos nos trocar, comer algo e ir.

Fizemos tudo aquilo rapidamente, logo estávamos passeando com os cachorros pelo condomínio. Madonna e Shrek estavam em uma coleira dupla e eu os levava, Bella estava com o pequeno Jude, que tinha deixado sua encrenca inicial com ela de lado e passou a adorar minha esposa também.

— Ai, que saco! — Bella reclamou quando Jude parou pra fazer cocô. — Você trouxe os saquinhos para recolher?

— Sim. — Deixei o cachorro terminar e recolhi. — Pra um cachorro tão pequeno você tem muito o que colocar pra fora, Jude. — Leva. — Passei o saco com merda pra Isabella, que pegou, mas ficou emburrada.

— Eu amo esses bichos, mas ficar carregando a bosta deles não é a melhor parte do meu dia.

Ri ao escutar aquilo, mas bem na hora Shrek inventou de correr, o que fez com que Mads e eu tivéssemos de seguir seu ritmo. Por sorte eu tinha colocado tênis, ou não teria conseguido acompanhar os dois correndo e me puxando.

Quando contive os dois, voltei para perto de Bella e Jude, andando junto a eles. Minha esposa estava cantando Rich, uma música country da cantora Maren Morris.

— Talvez eu coloque um pouquinho de pop em meu álbum — começou a falar após terminar a canção. — Mas será principalmente um álbum country.

— Não teria como ser diferente. Já consigo te ver nos shows, calçando botas, tocando violão e me fazendo chorar nos bastidores.

Ela riu.

— Escuta, vou ficar envolvido no álbum da Kate por mais alguns meses, logo depois a Holly nasce. Falamos sobre o estúdio em casa, quero muito ele, mas não quero correr com o álbum. — Bella me escutava atentamente. — Provavelmente não irei ficar sem compor ou produzir nada, só que quero e acho bem necessário focar na Donut e você nos primeiros meses dela.

Minha esposa sorriu.

— Quero conhecer a Holly desde o comecinho, sabe?

— Sei bem.

— Então, não vou colocar um prazo para meu próximo álbum, talvez libere algumas músicas soltas sem o compromisso de um álbum, mas não quero me cobrar com datas. Meu pai focou tanto no trabalho dele que Rose, minha mãe e eu nunca fomos prioridade, quero que Holly e você sejam as minhas. Por sorte tenho grana suficiente para poder demorar com o próximo álbum, mesmo sabendo que uma demora pode me afastar dos fãs, só que isso não me importa muito no momento, quero focar em ser pai.

— Quero que você e Holly sejam próximos, pirralho. — Paramos de andar, estávamos perto da casa dela no condomínio, Bella já tinha colocado ela para alugar, mas ainda não tinha fechado contrato com ninguém. — Também é importante para mim fortalecer esse laço com ela no início, eu vou gravar com Aro quando ela tiver um ano, este é meu prazo para a carreira de atriz, mas também não quero estabelecer uma data para lançar meu álbum. E você tem razão, temos tanta grana que podemos ficar sem lançar nada por um bom tempo. Talvez eu não tanto, por não ter uma base estabelecida de fãs, mas o seus não irão abandoná-lo.

Eu suspirei, pensando em tudo que já tinha perdido durante minha carreira por conta do meu mau comportamento.

— Amor, vai ficar tudo bem — Bella afirmou, eu respirei fundo e assenti, apontando para a casa dela.

— Dá pra acreditar?

— Que a casa ainda não foi alugada?

— Não, que um dia você teve que comprar uma casa aqui só para conseguirmos ficar mais perto sem desconfianças, agora temos um zoológico, uma filha a caminho e somos casados.

— É, não dá pra acreditar. — Olhou mais um pouco para a casa. — Vamos voltar? — Já tô com fome de novo. Sean vai trabalhar hoje e eu tô querendo panquecas.

— Agora eu também estou.

Voltamos para casa, Shrek quis correr outra vez, mas eu não deixei. Sean já estava na cozinha, Nelly também, naquele domingo eles e boa parte da nossa equipe de segurança iriam trabalhar, por conta do Grammy e das festas que iríamos depois. Em poucas horas chegariam o pessoal de cabelo e maquiagem, assim como minha mãe e irmã para se arrumarem ali.

Bella estava comendo alguns morangos, esperando pelas panquecas que Sean fazia. Eu brincava no chão com Woody e Amy, querendo que eles não se sentissem excluídos, afinal não foram para o passeio matinal. Também tinha colocado música para tocar na rádio, querendo escutar se alguém falaria sobre mim e o evento daquela noite, mas acabei ouvindo uma música de Stefan.

Não queria isso, não naquele dia. Isabella me olhou, eu apenas forcei um sorriso, tentando apenas abstrair e brincar com os gatos, mas não consegui.

Fiquei pensando em Stefan o resto do tempo que fiquei na cozinha para o café da manhã, quando acabei de comer e fui para o quarto, com Bella atrás de mim, não aguentei. Comecei a chorar e ela me envolveu em seus braços.

— Eu queria que ele estivesse aqui.

— Sei disso amor.

— Sinto tanto a falta dele.

Me soltei dela, caminhei até nossa cama e sentei ali. Bella se aproximou, sentando ao meu lado, gentilmente mexendo em meus cabelos.

— Quer que eu fale com Vladimir para você ter uma sessão hoje? Acho que vai precisar.

— Não, já marquei com ele, serei atendido de tarde.

— Certo.

— É que a história do Stefan mexe muito comigo. Sei que não é minha culpa o que aconteceu, mas fico pensando que poderia ter sido eu, a pessoa morrendo naquele acidente. Você sabe, já sofri acidentes antes, já enchi a cara e me droguei antes de ir dirigir, poderia ter morrido em algum desses momentos, mas quem morreu foi Stefan. Eu sou mais sortudo que ele? Ou existe mesmo um Deus que me protegeu quando aconteceu comigo?

— Não sei a resposta para nenhuma dessas perguntas, amor.

Eu sorri, olhei para ela, vendo que seus olhos também estavam cheios de lágrimas.

— Amo você, Isabella.

— Também te amo, Edward. Quer ficar aqui pensando mais sobre isso, ou se distrair? Podemos assistir algo lá embaixo antes da casa encher de gente.

— Prefiro sair.

— Certo, passear com os cachorros outra vez? Shrek vai amar.

— Não, quero pegar o carro e dar uma volta.

— Eu dirijo.

— Na verdade, estava falando em sair sozinho.

A expressão dela deixou claro como não gostou daquela ideia.

— Não sei se você pode sair só agora, vá pelo menos com o motorista e um segurança.

— Isso definitivamente não é o que eu quero. — Tirei a mão dela dos meus cabelos, segurando entre as minhas. — Eu só fiquei triste, não estou em crise, consigo sair só. Será apenas uma volta pela cidade, ouvindo música, dirigindo, não irei parar em lugares lotados e juro que não estou mal a ponto de precisar ser vigiado.

— Tá, mas qualquer coisa me liga na hora.

— Não quero ir e te deixar tensa.

— Ah não, eu vou ficar bem. — Ela deitou na cama e bocejou. — Vou tirar um cochilo. Vá e tenha seu momento, marido.

***

Eu acabei dirigindo até o cemitério onde Stefan foi enterrado, não era o plano quando saí de casa, mas aconteceu. O lugar ficava longe, quase uma hora de distância, até lá fiquei escutando uma playlist apenas com canções de Michael Jackson e David Bowie.

Ninguém pareceu me reconhecer no cemitério, eu estava usando uma calça jeans, um moletom com o capuz levantado, cobrindo meu boné e para completar óculos escuros. Andei pelo cemitério sem saber direito onde meu amigo tinha sido enterrado, já que não participei daquilo no ano anterior.

Até que vi sua lápide. Parei ali, sem flores nas mãos, sem conversar com o túmulo como via as pessoas fazerem nos filmes. Apenas parei, li seu nome, sua data de nascimento e a frase escrita na lápide.

“Melhor filho e melhor amigo.”

Eu chorei, lembrando dos últimos minutos que tive ao lado dele, um completo desastre. Mas também pensei nos momentos bons, mesmo que a maioria daquelas lembranças ainda estivessem contaminadas por álcool e drogas, por mim traindo namoradas. Pensei nele me visitando após meu último acidente, me fazendo jogar damas, quando eu estava na merda naquela ocasião, com o corpo ainda doendo após a batida.

Os socorristas falaram que eu tinha dado sorte, que a árvore foi a mais prejudicada.

Odeio esse jogo — reclamei para Stefan.

Calado, é o melhor jogo do mundo! — exclamou, dando uma tragada em seu cigarro. — Quem ganhar a partida decide a próxima tatuagem que o outro vai fazer, que tal?

Eu perdi, assim acabei com a tatuagem da Betty Boop em meu corpo. Eu ri ao lembrar daquilo, erguendo meu moletom para olhar a tatuagem, já tinha pensado em removê-la, Bella tinha até negado, e decidi que nunca iria fazer isso, era parte da minha história.

Olhei uma última vez para a lápide e deixei o cemitério. No meu carro, de volta para casa, não coloquei nada para tocar, preferindo o silêncio daquela vez. Abaixei o capuz, tirei o boné, os óculos e desci a capota do Porsche.

Ainda era inverno, mas o clima na cidade estava uma delícia. Céu azul, Sol esquentando minha pele e um vento refrescante.

Eu estava bem melhor quando parei o carro na frente de casa, tinha acabado de cruzar a porta e minha esposa surgiu, hesitante.

— Tudo bem? — perguntei. — Sei que demorei, mas tudo tranquilo — garanti. — Você ficou nervosa esse tempo todo?

— Não, não, eu dormi mesmo — respondeu. — É que fiz uma surpresa para você e agora não sei se vai gostar.

— Que surpresa? Está antecipando meu presente de dia dos namorados?

Eu ainda não tinha decidido o dela, a semana tinha sido uma loucura por conta do trabalho, escolheria algo em Paris.

— Não, é que convidei seu pai para vir te prestigiar hoje e ele veio mesmo.

— Tá falando sério? — questionei, de fato surpreso. Meu pai tinha deixado o trabalho, a esposa e a Inglaterra só para estar perto durante o dia do Grammy?

— Sim, ele está lá na cozinha, acabou de…

Beijei Bella e corri até a cozinha, Carlisle estava mesmo ali, próximo ao balcão tomando café. Ele olhou para mim por cima da xícara, terminei de andar o caminho nos distanciando e o abracei. Recebi seu abraço de volta, com ele dando tapinhas em minhas costas.

— Obrigado por vir — agradeci, me afastando e olhando para ele que sorria.

— Estou feliz que vim.

— Nelly, Sean, este é Carlisle Cullen, meu pai — apresentei o médico aos dois que também estavam na cozinha, Bella tinha ido para lá também, estava parada junto à porta.

— Isabella já me apresentou a todos. — Carlisle riu. — Como você está com o grande dia, filho?

— Mais animado agora, Rose sabe que está aqui?

— Sabe sim.

— Ela e sua mãe já estão chegando também — Bella contou.

— Excelente! — comemorei. — Vai comer alguma coisa? Se me lembro bem disse que quando estivéssemos juntos na mesma cidade da próxima vez eu poderia te ensinar a tocar piano, o momento é agora.

Carlisle riu outra vez.

— Falei mesmo, pode me dar alguns minutos de aula, não quero tomar todo seu tempo.

— Ainda vai demorar até que eu me arrume. Linda, avisa a Rose que estamos na sala de música quando ela chegar?

— Pode deixar.

— Vem, pai.

Eu o levei até lá. Sentamos juntos ao piano e contei alguns detalhes básicos do instrumento, minutos depois minha irmã e minha mãe apareceram. Mamãe apenas cumprimentou Carlisle por um instante, mas me beijou e abraçou antes de subir para ir ficar com Bella.

Rose ficou apoiada no piano, nós dois conversando com papai e rindo de como ele era péssimo tocando. Talvez eu não ganhasse nenhum daqueles troféus, mas sentia que tinha vencido muito só com meu pai aparecendo.

***

Um quartel general foi montado em uma das salas do primeiro andar, era lá que Isabella e eu estávamos sendo preparados para o evento. Meu pai, completamente perdido com o caos que virou a mansão quando todos chegaram, estava descansando em um dos quartos de hóspedes, mas minha mãe e irmã estavam lá. Irina também, assim como o assistente de Bella e outros funcionários da Swan Productions. Uma equipe de filmagem e de fotografia nos acompanhava, um vídeo da gente se produzindo iria para nossas redes sociais.

Também estavam lá um preparador vocal e meu fonoaudiólogo. Eu precisava estar com a voz perfeita para aquela noite, não seria minha primeira apresentação na premiação, mas precisaria ser a melhor, ainda mais cantando duas canções seguidas.

Estava finalizando um exercício, enquanto Isabella era cercada por manicures e cabeleireiros, quando Irina se aproximou e cochichou para mim:

— Aquela sua encomenda chegou, Ed. — A mulher parecia animada com aquilo, também foi quem me ajudou com a parte prática da surpresa que planejei para minha esposa durante aquela semana.

— Onde tá?

— Na sala do piano da Bella, como você pediu. O resto tá pronto por lá também. — continuou sussurrando e sorrindo.

— Certo, estou indo. Te mando uma mensagem quando eu estiver pronto e aí você diz pra ela ir.

Pedi licença ao pessoal comigo e deixei o quartel general, seguindo para a sala ao lado, Bella estava conversando com Greg e nem me notou sair. A caixa vermelha e grande estava próxima ao piano, o local estava com todas as luzes apagadas, mas uma luminária, projetada em direção ao teto, dava um ar de noite enluarada e estrelada ao espaço.

Peguei meu celular do bolso e coloquei para tocar Kiss Me da banda de rock cristão Sixpence None The Richer, deixei no repeat e mandei uma mensagem para Irina. Logo minha esposa apareceu, com o cabelo preso em uma touca, unhas secando e uma expressão confusa.

Até que ela olhou tudo melhor e sorriu.

— É meu presente de dia dos namorados adiantado?

— Não, abra a caixa. — Indiquei.

Bella andou até a caixa sorrindo ainda mais, a abriu com cuidado para não borrar o esmalte e vimos os balões vermelhos surgirem de dentro dela. No maior deles estava escrito: Grammy?

— Isso… — Isabella me olhou confusa, então pareceu entender. — É um convite de baile! — gritou. — Sim, sim! — Me abraçou naquela hora, eu ri e senti ela encher meu rosto de beijos. — Por que essa música? — Olhou em meus olhos, os dela estavam brilhando.

— Porque essa semana apareceu no Twitter para mim um vídeo seu aos 15 anos, estava dando entrevista para um programa e falou que se estudasse em uma escola, não em casa, adoraria ser convidada para um baile, com Kiss Me tocando durante uma noite estrelada.

— Amor. — Bella choramingou. — Eu não me lembro disso, mas com certeza é algo que a minha versão de 15 anos faria. Ai, você é o melhor marido do mundo. — Me deu um longo beijo. — Fez até a noite estrelada.

— Quando tive a ideia pensei em fazer ao ar livre, mas tive receio do tempo virar e ser passado para trás. — Eu ri e a beijei mais um pouco. — Então, você irá mesmo ao baile comigo, senhorita Isabella?

— Eu não iria com mais ninguém.

Fiz com que ela dançasse comigo, Bella contou que por muito tempo amou a canção por conta do filme onde ela tocava.

— Aquele da menina nerd, Ela é demais. Nossa, eu adorava, assisti várias vezes.

Kiss me. Beneath the milky twilight. Lead me. Out on the moonlit floor. Lift your open hand. Strike up the band and make the fireflies dance. Silver Moon sparkling. So, kiss me¹. — Cantei em seu ouvido. — Também gosto dessa música, ela é linda.

— E você realizou um dos meus sonhos, que eu nem lembrava, mas ainda um sonho. — Bella me apertou mais contra si. — Bendita hora que sua mãe apareceu e me pediu para ser sua empresária.

***

Isabella tirou fotos do teto, dos balões e uma selfie nossa. Porém, avisou que não queria postar nenhuma daquelas, seria algo só nosso. Topou apenas uma foto mais básica, tirada pela equipe, já com a sala iluminada, sem a luminária, e os balões longe, guardados na sala de música.

Nós dois postamos a foto, onde estávamos dançando. Ela com a legenda:

“Meu marido me convidou para um baile chamado Grammy Awards, obviamente eu disse sim.”

A minha foi bem curta também, mas já dizia muito.

“Minha parceira de vida, para todos momentos.”

O resto da tarde foi uma correria, com o restante dos preparativos para a premiação e ainda mais aparições nossas em redes sociais. Uma foto de Bella sendo maquiada foi compartilhada no Instagram de sua maquiadora, um vídeo meu cantando um pequeno trecho de Escândalo foi postado na conta do preparador vocal. E um de toda a equipe, minha mãe, Rose, Bella e eu cantando Don’t Stop Believin’ na conta da Hollywood Records.

Eu ainda fui atendido por meu terapeuta, algo que precisava muito. Ainda assim, foi impossível não ficar mais ansioso quando chegou a hora de sairmos de casa.

— Vai dar tudo certo, filho — mamãe disse enquanto me abraçava. Ela, Rosalie e meu pai iriam na frente até o local da premiação. Não sentariam junto de mim lá, mas só de tê-los por perto era algo maravilhoso.

— Obrigada, mãe. — Segurei e beijei suas mãos, extremamente grato por tudo que Esme tinha feito por mim ao longo da minha vida. Se eu ganhasse qualquer um daqueles prêmios uma boa parte desse merecimento cabia a ela, que tinha me incentivado desde o começo.

— Você vai vencer! — Rosalie me abraçou apertado. — Te amo tanto, Zan.

— De novo esse apelido. — Eu ri, lembrando dos gêmeos do desenho animado Supergêmeos. — Também amo você, Jayna.

— Boa apresentação.

— Obrigada, Rose.

Então, meu pai foi o próximo a me abraçar.

— Estou muito feliz por você, Ed. Independente de qualquer coisa que aconteça hoje, você já me deu muito orgulho. Sinto muito por ter falhado com você durante tanto tempo, irei mudar.

Eu agradeci em um sussurro, deixando ele, minha mãe e irmã irem. Isabella voltou para o QG naquele momento, dando um tchau rápido para os três, sem querer os atrasar, ela estava fazendo fotos sozinhas junto ao seu piano.

Nós dois já tínhamos tirado fotos pela casa toda, também fomos fotografados ao lado da minha família e também com nossos animais de estimação. Até com uma caixa de donuts, que Rosalie deu de presentes para Bella, e entrou na sessão fotográfica. Eles foram bem úteis, eu precisava de açúcar.

— Pronto? — Isabella parou diante de mim, estava ansiosa como eu, porém muito linda.

— Você tá linda pra caralho, Capitã.

— Olha quem fala. — Ajustou minha gravata borboleta.

A roupa escolhida para mim tinha sido um terno todo preto, com a lapela do terno em cetim, a camisa da mesma cor e a tal gravata, também preta. O cabeleireiro tinha trabalhado duro para deixar meu cabelo no lugar, exagerando no laquê para deixá-lo em um topete parecido com o muito usado por Johnny Cash.

Isabella usava um vestido de duas cores, a parte de cima mais sóbria era preta, com corte ombro a ombro reto na frente, um decote V atrás. A saia em camadas, em um tom escuro de azul de um tecido brilhante. De frente sua barriga ficava disfarçada por conta das cores escuras, mas de lado conseguíamos notar melhor. O cabeleireiro dela tinha feito um coque bem firme em seus cabelos, completando com uma tiara de tranças.

— Hora de ir, senhor Cullen! — Bella tirou as mãos da gravata, segurando em meus ombros. — Com ou sem aqueles troféus, você já é um vencedor, ok? Quero apenas que você se divirta hoje.

Quase chorei, mas aguentei firme e assenti.

— Só uma correção, nós vamos nos divertir, Capitã.

***

Meu coração estava mega acelerado quando a limusine parou, Bella agarrou minha mão e senti a dela um pouco frio.

— Também tá nervosa?

— Muito. — Riu apreensiva. — Me perguntando porque topei passar no tapete vermelho, poderia te deixar ir só e ir por trás — provocou, eu revirei os olhos.

— Nem pensar, senhora Cullen. Quero desfilar com você por esse tapete.

— Ok, vamos antes de eu vomitar nesse vestido que nem é meu.

Ela estava usando um vestido emprestado da YSL, assim como sendo um embaixador da marca, eu também usava roupas deles.

Mexi na porta perto de mim, parcialmente aberta por um dos seguranças. Ele terminou de abri-la, a gritaria que antes já podia ser ouvida, foi intensificada. A premiação aconteceria na arena Staples Center e afastados do início do tapete vermelho, estavam fãs, separados por contenção, não só meus, mas como dos outros artistas presentes ali naquele domingo.

Eu deixei a limusine primeiro, acenando, causando mais gritos. Ajudei minha esposa a sair do carro, algumas vaias foram ouvidas quando ela apareceu, mas Isabella e eu mantivemos a pose, acenando, sorrindo, como se nada daquilo estivesse acontecendo.

Irina e Greg, que foram em um carro à frente do nosso, nos guiaram para a parte coberta do tapete vermelho e mais distante da gritaria de fãs. Eu fiz questão que Bella fosse primeiro, ela riu ainda mais nervosa, mas aceitou, acenando para as dezenas de câmeras e entrevistadores.

Puxei palmas para ela antes de ir para seu lado, posamos para fotos juntos e separados. Um beijo delicado para não borrar nenhuma maquiagem. Também demos entrevistas curtas.

— Como está se sentindo sendo esposa e empresária de um dos artistas com mais indicações da noite, Isabella?

— Tão feliz, Ed trabalhou tanto para estar aqui hoje. Eu sou a esposa e empresária mais orgulhosa da noite, sem dúvidas.

— Ed, o que você acha da banda Jungle, são os artistas com mais indicações hoje?

Era uma banda de punk rock, algo que não consumia, mas fui político em minha resposta.

— Eles são ótimos, é uma honra estar indicado ao lado deles nas categorias em comum. Espero que seja uma noite de festa para todos nós.

— Isabella, quando teremos mais músicas suas? Anos alcançou bons números este final de semana.

— Estou tão feliz com as pessoas curtindo minha música, não posso dizer quando teremos mais, porém eu sei que quero continuar cantando.

— Ed, como tem sido ter sua própria gravadora?

— Muito bom, todas as pessoas trabalhando na Hollywood Records são incríveis e foi o lugar que me acolheu em 2017 quando retomei a carreira.

— Isabella, você irá querer um parto normal, ou cesárea?

Aquela pergunta não foi respondida, Bella desconversou falando sobre o vestido da apresentadora. Depois, Irina nos tirou de lá para falar com outros jornalistas. Quando acabamos, entramos por fim na arena, nosso lugar era bem perto do palco.

Tentei avistar minha família, mas foi impossível. No meio do caminho até nossos assentos, cumprimentamos algumas pessoas e posamos para fotos.

— Finalmente! — Charlie exclamou quando chegamos lá, sentariamos junto dele e de Carmen.

— Vocês estão lindos! — a mexicana exclamou, abraçando a mim primeiro, depois Bella quando Charlie a soltou.

Ela usava um vestido branco, com decote e fenda. Charlie usava um terno do mesmo tom de azul do vestido da filha, o chapéu dele naquela noite era branco combinando com a roupa de sua esposa.

— Cabeludo Britânico. — Charlie apertou minha mão.

— Oi — murmurei, ainda mais nervoso.

— Ei, você parece que vai desmaiar, fica frio — ordenou.

— Não é fácil assim.

— Se desmaiar no palco quando formos cantar, faça isso longe de mim — Charlie pediu, disso eu tive de rir. Porém, nossa apresentação seria só na metade da premiação, não aguentaria até lá pra desmaiar.

— Melhor eu me sentar. — Fiquei no meu lugar, Isabella afagou meu braço.

De pé, ela ficou conversando com o pai e a madrasta, eu tirei meu celular do bolso e entrei no Twitter. Para me dar um pouco de ânimo, entrei no perfil de Isaward Swan, mas ela não postava nada desde o sábado de manhã. Fui para o Portal Beward, eles estavam postando tudo, nossa primeira foto juntos no tapete vermelho já estava lá com a legenda:

“Os papais da Holly chegaram! #GrammyAwards”

Respirei fundo, fechando o Twitter e desligando o celular. Aquilo só me deixou mais tenso, queria levar um daqueles troféus para casa e um dia contar a história daquela noite para minha filha.

Algumas pessoas apareceram para me cumprimentar, fazendo com que eu tivesse de me levantar para falar com elas. Jasper e Alice também apareceram, ver meu amigo me deixou levemente mais calmo.

— A apresentação será foda pra caralho — ele disse para mim. — E você vai ganhar a porra toda — proclamou olhando em meus olhos, antes de ir para seu lugar na fileira atrás da nossa.

Outras pessoas apareceram, não sentei por longos minutos, até a produção do programa anunciar que em breve a transmissão na TV começaria.

— Te amo — Bella sussurrou para mim quando nos sentamos.

Ela ficou entre Charlie e eu, a esposa do Caipira Swan estava do outro lado dele. Eu fechei meus olhos por um segundo, tentando silenciar o falatório ao meu redor. Outro aviso, cinco minutos para começar.

Jungle já estava posicionada para abrir a cerimônia. Eles estavam há uns três anos no mercado, os caras tinham alguns anos a mais do que eu. Eu sabia que aquele era o primeiro Grammy deles.

Pensei no meu primeiro Grammy, tanto tempo atrás. Nele fui com minha mãe e irmã, Jasper também estava por perto.

— Se eu ganhar você raspa os cabelos, Whitlock? — questionei para Jasper, me virando para olhá-lo, na primeira indicação que recebi ele e eu tínhamos prometido raspar se eu ganhasse.

— Fechado! — Jasper estendeu uma mão, eu apertei. — Vai raspar também?

— Não, meu contrato com a YSL não permite.

— Bella, você pode raspar junto — Alice brincou, minha esposa revirou os olhos.

As luzes se apagaram por completo, apenas um holofote sobre o palco lateral onde seria a apresentação. Eu me virei para frente, a bateria começou a soar pela arena. Segurei na mão de Isabella, ela levou a minha aos seus lábios, beijando demoradamente.

A apresentação deles foi foda, eram bons, mereciam estar indicados. Porém, a parte convencida em mim, me considerava o melhor em tudo.

O apresentador da cerimônia logo começou a falar, Bella, Charlie e eu fomos mencionados no discurso de abertura.

— Ed Cullen está aqui com nossa inesquecível Princesa Audrey, Isabella que agora também é Cullen. E temos com eles Charlie Swan, que anos atrás derrotou o genro e agora divide uma indicação. Se eles ganharem terão de cortar o gramofone ao meio para não ter briga.

Nós rimos, eu mais de nervoso do que por realmente achar engraçado.

A cerimónia prosseguiu, começando a anunciar categorias que eu não estava correndo, depois mais uma apresentação, daquela vez de uma girlband que tinha surgido no último ano. Elas eram realmente boas, me fazendo sussurrar no ouvido de Bella:

— Vamos fazer uma proposta para elas se juntarem à Hollywood Records?

— Eu estava pensando a mesma coisa, vamos conversar sobre quando voltarmos de viagem.

— Beleza.

Um intervalo, uma homenagem, uma apresentação e depois era hora do anúncio da minha primeira categoria. Melhor Performance Country em Duo ou Grupo.

Charlie e eu nos olhamos enquanto no telão os indicados passavam, ele sorriu para mim em incentivo. Eu respirei fundo, beijando rapidamente o rosto de Bella, nossas mãos unidas com força.

— E o vencedor é… — O apresentador da categoria, um cantor country tão velho quanto meu sogro anunciava. — Johnny Cash. — As unhas de Bella pressionaram minha mão, eu fiquei no automático, parecendo fora de mim. Era uma vitória. — Ed Cullen e Charlie Swan.

Isabella me abraçou, ela falou algumas coisas que não consegui processar. Me fez ficar de pé, eu não chorava, estava em choque. Abracei Carmen, depois Jasper por cima das cadeiras e subi ao palco com Charlie, após nos cumprimentarmos com um aperto de mão.

Lá em cima, com todos os olhos em mim, eu despertei. Charlie pegou o troféu depois de falarmos com o apresentador da categoria, eu sabia qual era nosso próximo passo, tínhamos combinado aquilo há tempos, assim que recebemos a indicação.

Cheguei perto do microfone e falei:

— Charlie e eu concordamos que outra pessoa, a responsável por essa canção existir e posteriormente nossa parceria, merece fazer o agradecimento.

Eu desci as escadas rapidamente, naquele momento Bella já tinha se dado conta do plano e estava nervosa.

— É seu — anunciei para ela quando parei diante dela, esticando uma mão.

— Não…

— É seu — repeti, ela respirou fundo, sorriu e juntou sua mão à minha.

A levei para o palco, só palmas e gritos, nenhuma vaia. Deixei Bella perto do microfone e seu pai lhe entregou o troféu, a abraçando por dois segundos.

Minha esposa chorou, mas aguentou firme e conseguiu falar:

— Eu deveria saber que eles estavam aprontando. — Olhou para a gente, depois para o troféu. — Eu compus Johnny Cash anos atrás, uma canção inspirada em meu pai, por anos ela ficou escondida, até Ed surgir em minha vida. — Nos olhou novamente. — Não teria escrito essa canção sem ter aprendido a amar música com meu pai e não teria tido coragem de mostrá-la ao mundo sem o apoio do meu marido. Eu sou eternamente grata por eles serem meus maiores fãs, por terem topado dar voz a ela. E este prêmio é de nós três. Ed esperou muito tempo por um destes. — Estendeu o troféu para mim, eu fui e o peguei, beijando o prêmio e o erguendo, mais aplausos. Tremia um pouco, mas de pura felicidade. — Em nome dos três, gostaria de agradecer à minha família, os Swan, os Cullen, os agregados, Jasper esse é você, por todo apoio que nos deram. — Nós rimos. — Também não poderia deixar de agradecer a toda equipe da Swan Productions e Hollywood Records, vocês foram fundamentais para essa vitória. Os outros indicados na categoria, amei tudo que entregaram, é um presente estarmos ao lado de vocês com as indicações. E gostaria de dedicar a vitória em família para minha filha. — Tocou em sua barriga. — Holly, espero que aí no futuro você não esteja nos achando extremamente caretas com tudo isso. Amo você, Donut!

A música de encerramento subiu, Bella andou até mim e eu a beijei. Nós três deixamos o palco, nos bastidores ela começou a gritar, pegando o troféu, falando que ele era lindo, que iria o colocar sobre seu piano, abraçando o pai e a mim.

Eu tinha de concordar, o troféu era lindo, vencer era surreal. Eu estava feliz para caralho e ainda mais por ela ter feito o discurso. Talvez não vencesse mais nada naquela noite, talvez não tivesse mais um discurso para falar, só que eu já estava grato e feliz o suficiente pelo resto da vida.

Tinha conseguido. Ed Cullen tinha seu primeiro Grammy, uma esposa e logo seria pai. A vida era tão boa.

***

Depois do discurso de Bella, outro intervalo. Ela e Charlie voltaram para a platéia, o troféu ficou sob cuidados da nossa equipe, eu fui me preparar, iria apresentar uma categoria, fiz aquilo na volta dos comerciais. Em seguida, retornei para junto da minha família.

Não venci em melhor performance pop solo, perdi para Louise, uma das minhas ex-namoradas. Nada disso tirou minha animação.

Eu logo voltei para os bastidores, com Charlie, Jasper já tinha ido se encontrar com a banda. E rapidamente trocamos de roupas, ele usando uma em homenagem a Elvis, também citado em Johnny Cash, eu com roupas de cowboy. Minha banda e nós dois fomos para o palco, cantaríamos no principal.

Não tivemos cenário para Johnny Cash, apenas Charlie e eu debaixo de holofotes, tocando violão e cantando a canção de Bella. Quando a música acabou, ele saiu, todas as luzes do palco se acenderam, revelando a produção para que eu cantasse Escândalo.

O palco tinha se transformado em Bath, mais precisamente, uma réplica da sala de estar da casa onde cresci e aprendi a tocar. Eu peguei o megafone que me acompanhava na apresentação da canção desde o começo, mas o cenário não era o mesmo da turnê, nada remetendo ao luxo, apenas uma volta para casa.

Dancei em cima do sofá com os dançarinos, rasguei revistas com notícias falsas sobre mim, coloquei uma foto do meu casamento sobre o piano, uma caixa de donuts ao lado, e sentei ali para tocar. A letra de Escândalo se misturando à melodia de Garota, depois a de Anos de Isabella, ela nem sabia daquela parte na minha apresentação, era outra surpresa.

E quando acabei, todos me aplaudiram de pé. Eu acenei em agradecimento, peguei os donuts e comi dois nos bastidores antes de trocar de roupas.

De volta às minhas roupas de antes, com um retoque do cabeleireiro e maquiador, retornei para perto de Isabella.

— Gostou?

— Teria como não gostar, marido? Você é o melhor.

— Eu sou mesmo — me gabei, fazendo ela rir e me abraçar.

Algum tempo depois, era hora de outra categoria que eu estava concorrendo.

— E o vencedor de Melhor Álbum de Pop Vocal é… — A categoria estava sendo apresentada por uma cantora pop que fazia sucesso desde o comecinho dos anos 2000, era uma das melhores e já tinha vencido o Grammy diversas vezes. — Escândalo, Ed Cullen.

Naquele anúncio eu estava mais ciente do mundo ao meu redor, Bella agarrou meu braço e gritou, Jasper deu batidinhas em meus ombros e falou que eu merecia.

— Obrigada — agradeci minha esposa, ela estava chorando de novo, beijando sua testa e a abraçando rapidamente.

Levantei, cumprimentei Jasper e Alice daquela vez também, Charlie e Carmen na sequência. Subi ao palco sozinho, agradeci à cantora, peguei meu troféu e me posicionei diante do microfone.

Eu tinha dois, era um vencedor duplo, porra! Eu tinha escrito diversos discursos, mas eles estavam perdidos em minha mente, agradeceria de forma mais piegas, com o coração.

— Vocês não fazem ideia de como eu amo música, de como idolatro canções pop. É uma honra ter sido indicado ao prêmio, com tantas outras pessoas talentosas indicadas também e estar aqui em cima era algo que achei só ser possível de existir em meus sonhos. E não estaria neste palco sem ter tido a melhor incentivadora do mundo desde o momento que nasci, mãe, obrigado por tudo que fez por mim. Rosalie, você me conhece antes mesmo de nascermos, obrigado por me aturar desde a barriga, irmã. Pai, eu sei que o senhor sonhava com um filho diferente, mas garanto que estou muito feliz e obrigado por estar aqui hoje me apoiando. — Olhei para Bella, sentada ali perto, segurando a mão do pai e ainda chorando. — Capitã, você é parte grandiosa desse álbum, sabe disso muito bem. É uma parte grandiosa da minha vida também, é minha empresária, minha amiga, minha esposa, minha melhor parceira e mãe da minha filha. Obrigado. Para minha banda, meus colegas de gravadora, a equipe da Swan Productions, todos vocês ajudaram a construir o álbum, obrigado por colaborarem com maestria. Charlie, foi uma honra vencer ao seu lado e ao de Bella em uma canção country, na próxima fazemos uma pop. Jasper, eu ganhei dois, não tem escapatória e terá de pagar a aposta, e obrigado por se juntar ao time novamente para Escândalo. Holly, filha, eu já te amo tanto. Isabella, eu amo você pra caralho. — Eu a vi rir junto à plateia. — Muito obrigado, pessoal, muito obrigado!

***

Perdi em mais três categorias, melhor clipe, música do ano e gravação do ano. Até que chegou a hora de anunciarem a última da noite, melhor álbum do ano.

— Você tem muitas chances ainda — Bella disse para mim, segurando minha mão esquerda entre as suas.

— Se eu vencer você sobe junto comigo e o resto do pessoal?

— Subo.

— Perfeito.

Anunciaram os indicados, por fim o grande vencedor da noite.

— Escândalo, Ed Cullen!

— Porra, caralho! — eu gritei, Isabella me beijou, eu chorei um pouco.

Nem parei para cumprimentar ninguém mais, subi com ela direto. Eu tinha convidado Charlie antes, Jasper também se uniu a gente, assim como Laurent que estava ali naquela noite e outros produtores da Hollywood Records que fizeram parte da criação do álbum.

— Ok, eu acho que esta é a noite mais insana da minha vida — falei ao microfone, com meu novo troféu em mãos, eu tremia novamente. — Isabella. — Olhei para ela, que estava um pouco atrás junto aos outros, abraçada ao pai e Jasper. — Você realmente conseguiu me colocar no caminho certo para ganhar este, garota. Em 2017. — Me voltei para o público. — Eu deixei a reabilitação, estava limpo, mas não estava bem. Voltar a cantar, criar um álbum que me deixasse realmente contente com o resultado final e sair em turnê novamente com meus amados fãs, mudou minha vida. Quero agradecer aos fãs, por não desistirem de mim, quero dedicar este também, especialmente para quem vivenciou aquela noite em Berlim durante a turnê. Quero agradecer aos meus pais, minha irmã. Meus amigos, poucos, mas que eu amo tanto. Stefan, pensei pra caramba em você hoje, cara. Todas essas pessoas aqui. — Olhei para quem estava comigo no palco. — E as que não estão aqui, mas minha banda, funcionários da Swan Produtcions e Hollywood Records, fizeram parte da história do álbum e da minha. Agradecer aos outros indicados nesta categoria. Um agradecimento direto para Tanya Denali, você é uma Tirana, mas é uma das melhores pessoas que já conheci e estou feliz que será madrinha da minha filha. Isabella, nós vamos criar mais canções e em breve você estará neste palco novamente, recebendo um prêmio por seu álbum, meu amor. Obrigada por criar comigo, canções e uma família. Holly, um dia eu te mostrarei os vídeos desta noite e te contarei como você me incentiva a ser um homem melhor desde o comecinho, mal vejo a hora de ter ter em meus braços. Também gostaria de pedir que vocês apoiem instituições voltadas para tratamento de saúde mental e luta contra drogas, é fundamental que pessoas sem suporte financeiro também consigam ter apoio monetário para cuidarem de si. Eu sou Ed Cullen, estou sóbrio há alguns meses, tenho transtornos de ansiedade e depressão, mas sou mais do que isso, todos nós podemos ser mais do que os rótulos que nos taxam. No último ano, dois escândalos mudaram minha vida, o álbum e o outro. Eu descarto o outro hoje. Que possamos ficar com o álbum, arte é uma das bases que nos sustenta, arte precisa ser celebrada. Apesar de tantos escândalos, muito obrigado por me permitirem continuar a criar arte.

***

Com o final da cerimônia, Charlie, Bella e eu seguimos para entrevistas em um espaço dedicado na arena para isso. Meu sogro falou sobre ensinar Isabella a tocar, ela falou sobre a criação de Johnny Cash, eu falei sobre várias coisas, inclusive a informação que soltei em meu discurso sobre estar menos tempo sóbrio do que a imprensa e fãs achavam.

— Ano passado, após a morte de Stefan, eu bebi álcool. Perdê-lo foi inesperado e muito pesado para mim, recorri ao álcool para tentar lidar com a dor, mas não funcionou, ela piorou. Mas, continuei a me tratar e desde então nunca mais consumi nenhum tipo de droga, lícita ou ilícita.

— Como se sente agora sendo um vencedor de três Grammys, Ed?

— É loucura, até poucas horas atrás não tinha nenhum, agora tenho três. — Os troféus estavam em uma mesinha ao meu lado, eu em pé sobre um palquinho, com os jornalistas diante de mim.

— Você espera que sua filha seja cantora como você e Isabella são?

— Espero que ela faça algo que ama — respondi. — Eu ficarei muito feliz se ela gostar de música como nós gostamos, mas nunca irei forçá-la a virar uma cantora.

— Você irá produzir o álbum de Isabella?

— Com certeza, estou animado para isso.

— Quando iremos ter seu próximo álbum?

— Não tenho uma data, agora estou focado em produzir e depois que Holly nascer irei focar em ser pai dela antes de lançar um álbum novo.

— Você acha que o álbum de Kate Allen será indicado ao Grammy ano que vem?

— Espero que sim, Kate e todos nós da Hollywood Records mal vemos a hora de vocês o escutarem.

— Por que no cenário de hoje você recriou sua casa em Bath?

— Porque foi onde minha história começou, em uma sala parecida com aquela aprendi a tocar piano sob ensinamentos de Esme Cullen. Mãe, eu não te abracei ainda depois de tudo isso, nem sei se você está por aqui, mas te amo tanto, sério, amo muito.

— Como é ser enteado de Aro Volturi?

Eu ri.

— Ele é um homem incrível, para minha mãe, para os filhos, o neto e tem sido muito legal comigo, com Rose e Isabella também.

— Pretende se aventurar a gravar outras canções country?

— Provavelmente irei acabar gravando, sim. Eu sei que no passado já falei bobagens sobre, como até sobre Charlie, mas hoje sou casado com uma mulher que ama música country e eu aprendi a gostar também. Talvez eu acabe gravando algo com Isabella para o álbum dela.

— Você ama criar canções com ela?

— Eu amo. Ela é a melhor parceira de composição.

***

Ao final da entrevista e de fotos, Isabella e eu seguimos para nosso próximo destino. Parando em um hotel no meio do caminho para trocarmos de roupas, maquiagem e penteados.

Minha esposa ganhou um look country, um vestido no meio das coxas, de mangas cumpridas e um pouco bufantes, a estampa dele era floral e o fundo laranja. Em seus pés, botas de montaria com saltos, da mesma estampa. Para finalizar, um chapéu por cima de seus cabelos soltos, do mesmo tom de laranja do vestido.

Eu dei adeus ao topete, livrando meus cabelos do laquê. Troquei a roupa mais social por uma regata branca, com uma camisa preta aberta por cima. A calça era bege, com a barra dobrada, cinto e coturnos pretos.

Tínhamos sido convidados para a After Party da Billboard, mas ficamos ali por apenas uma hora. Iríamos comemorar de fato na festa da nossa gravadora, realizada em nossa boate.

Tudo seguiu bem, fotos na After Party da Billboard, conversamos com algumas pessoas ali, eu bebi refrigerante, Isabella suco. Dançamos duas músicas e fomos embora, voltamos para o hotel, mais uma mudança de roupas, os cabelos e maquiagem permaneceriam.

A Capitã vestiu um conjunto azul com bolinhas azuis que brilhavam, a blusa de alças mostrava um pouco da sua barriga e a saia justa também ia até suas coxas, por cima um casaco azul acinzentado grande, de tecido peludo, além de botas de outras botas de montaria com saltos, essas de glitter prateado.

— Esse look eu batizei de cantora country casada com cantor pop! — exclamou para mim quando ficou pronta, dando uma voltinha. Eu ri e beijei sua barriga.

Meu visual não tinha um nome especial, mas eu usava calça preta, blusa de gola rolê preta e uma camisa xadrez branca e preta por cima. Tênis branco e alguns acessórios, incluindo uma touca.

A festa na boate estava muito legal, além do mais, todos nossos convidados estavam lá. Após fotos na entrada, fomos atacados por minha mãe, ela nos encheu de beijos e começou a falar:

— Eu amo vocês. Ed, querido, você venceu!

— Três vezes. — Ela me abraçou de novo.

— Você é um talento, filho.

— E você também que o introduziu à música — Bella disse, minha mãe choramingou e foi a abraçar mais um pouco, fazendo com que nós rissemos de toda sua emoção.

— Obrigado, mãe. — Afaguei seus cabelos.

— Meu menino, você tem um… Você tem três grammys, inclusive o de maior prêmio da noite. Vou atrás do seu pai e jogar na cara dele como eu estava certa. — Se afastou, Bella gargalhou.

— Acho que ela bebeu um pouco de champanhe.

— Bella, Bella! — Tanya surgiu abraçando minha esposa, Santiago estava com ela e me parabenizou.

— Foi incrível, cara. Eu adorei a apresentação, assisti em casa com Tina e ela pediu para falar que foi a favorita dela.

Eu ri e agradeci.

— Cullen, você me mencionou diretamente! — Tanya me deu um abraço apertado. — Nem acredito nisso.

— Eu te deixei louco quando a Bella foi pra turnê com a Kate, você mereceu o agradecimento.

— Mereci, né? E pode deixar que sua filha terá a melhor madrinha.

— Uma boa madrinha consegue algo para o pai da sua afilhada comer? — indaguei.

— Não, se vira.

— Credo, Tirana.

Cumprimentamos mais pessoas, Renesmee, alguns funcionários da produtora e gravadora. Riley e Lucy, Cameron e Kate, Aro e Alec. Minha irmã e seu namorado, que estavam muito felizes, também.

— Eles finalmente te premiaram! — Rosalie gritou em meus braços. — E você também! — Abraçou sua cunhada.

— Parabéns, cara — Emmett disse apertando minha mão. — Vocês mereceram.

— E você fez parte — falei honestamente. — Em vários pontos do processo do álbum e da turnê dando apoio, Emmett. — Ele negou.

— Eu não fiz nada, mas estou feliz por vocês. Bella, meus parabéns. — A abraçou depois de Rose soltá-la.

Nós quatro conversamos mais um pouco, até minha irmã ir buscar algo para eu comer. Naquele instante, meu pai, deslocado no meio daquilo tudo, me achou.

— Edward, oi.

— Pai, ei! — Eu o abracei sem esperar, ele me abraçou de volta.

— Parabéns pelas vitórias, filho. Você nasceu para ser um músico, continue a criar sua arte. — Beijou minha cabeça, eu agradeci, chorando um pouco, ele me soltou e se virou para Bella. — Parabéns, Isabella, por tudo.

— Obrigada, sogro. — Ela segurou meu braço, eu limpei as lágrimas.

— E eu gostei bastante de Johnny Cash — papai disse. — É uma excelente canção.

— Bella é excelente. — Beijei minha esposa, que sorriu contra meus lábios.

Rose logo voltou com comida para a gente, o que foi excelente. Isabella e eu comemos, bebemos sucos e depois fomos falar com mais algumas pessoas e tirar mais fotos. Mas, não passamos a festa toda batendo papo, fomos para a pista de dança e dançamos juntos.

Escândalo, a canção, também tocou. Um megafone parecido com o meu apareceu, eu cantei nele, todos estavam animados, mas talvez não tanto quanto eu ou minha esposa.

Dançamos, cantamos na pista. Abrimos juntos garrafas de champanhe sem álcool, e Bella fez um discurso, pegando o megafone e mandando a música parar.

— Hoje meu marido realizou um dos maiores sonhos dele, ajudou a realizar sonhos meus e nós queremos agradecer a cada um de vocês por estarem aqui comemorando conosco. Peguem suas bebidas e vamos brindar, à boate Endorfina, à Hollywood Records, à Swan Productions, ao álbum Escândalo, à música, à arte, ao amor e aos sonhos!

Nós dois brindamos com as garrafas de champanhe, no final, nos beijamos.

— À Isabella Cullen — sussurrei em seu ouvido.

— À Ed Cullen — sussurrou de volta. — À nossa filha.

— Ao nosso amor.

***

Alec estava apaixonado e me dando nos nervos.

— Renesmee é tão linda, eu não aguento mais esse sentimento tão forte e não poder fazer nada.

— Puta merda, alguém precisa resolver isso. — Coloquei nas mãos dele minha lata de refrigerante e fui até onde Renesmee estava, conversando com Alice, Bella e Carmen, perto do bar. — Cunhada — falei diretamente com ela, Renesmee me olhou confusa. — Tem um homem naquela pista de dança sofrendo por você, sei que também gosta dele. Então, se quiser viver o sentimento, vá ao encontro dele e o beije.

Renesmee olhou por cima do meu ombro, para Alec, eu sabia. Depois para mim novamente e falou:

— Você é irritante, Cullen.

Não me deu direito de resposta, me afastou de seu caminho e foi até Alec. Carmen soltou um gritinho, Alice riu, Bella suspirou aliviada e Renesmee beijou o Volturi enquanto tocava California Gurls da Katy Perry.

— Dever cumprido! — exclamei feliz, olhei para minha esposa e completei. — Três grammys e juntei um casal, tudo na mesma noite, seu marido é um fenômeno.

***

Uma máquina de cortar cabelos surgiu na festa, obra de Alice, que debochou da cara de arrependimento do marido quando ele viu o aparelho em minhas mãos.

— Ed ganhou, você precisa honrar sua palavra, Jasper.

Meu amigo resmungou, mas entregou sua cerveja para Alec segurar e sentou no banquinho próximo. Isabella se posicionou para começar a gravar, Renesmee afastou um pouco o Volturi, o cara que ela não parava de beijar, de perto para que eles não se sujassem, Tanya nos deixou, dizendo que não tinha mais idade para isso.

— Começa com um moicano, Ed — Alice ordenou, eu comecei a raspar, Jasper se apavorou.

— Cara, não arranca minha orelha!

— Fica frio.

— Jasper, você é muito corajoso — Alec elogiou. — Arrancar sua orelha é o mínimo que Ed irá fazer. — Renesmee riu e o abraçou, uma desculpa para se beijarem em seguida.

— Meu marido lindo, irei ficar viúva tão cedo — Alice provocou.

— Confio em você, amor — Bella me incentivou. — Ed já até fez chapinha em mim, ele leva jeito para cabeleireiro.

— Edward mãos de tesoura — Alec disse todo feliz abraçando a garota que gostava, era bom vê-los finalmente juntos.

Alguns minutos depois, finalizei e Jasper estava com a cabeça toda raspada.

— Felizmente você continua gostoso mesmo assim! — Alice exclamou, Bella olhou para a sujeira no chão com uma careta.

— Acho que isso vai contra as normas de vigilância sanitária, vou mandar alguém limpar imediatamente — falou ao finalizar o vídeo, saindo atrás de um funcionário que cuidasse da bagunça.

— Puta merda, estou horrível! — Jasper gritou quando se viu em um espelhinho que Renesmee tinha em sua bolsa. — Irei viver de touca agora.

— Você pode comprar perucas — Alec sugeriu.

— Ou fazer que nem seu sogro e usar um chapéu sempre, aposto que aquela coisa fede. — Eu tinha acabado de falar e Charlie surgiu atrás de mim.

— O que falou, Cullen?

Estremeci, olhei para ele e forcei um sorriso.

— Não, nada não. — Passei a máquina para Alice. — Grande noite, né? — questionei meu sogro. — Ganhamos, Isabella aceitou discursar, Alec e Renesmee finalmente se pegaram.

— E você continua um idiota. E você está ridículo — completou para Jasper, que concordou. — Alec, podemos conversar um minuto?

— Ih, tá fodido — Jasper e eu falamos juntos, Charlie bufou. Alec nem hesitou, se soltou de Renesmee lhe dando um beijo e se afastou com o pai dela.

— Vocês dois nem estão mais na corrida por genro favorito — Alice anunciou, Bella voltou, com uma funcionária para recolher os cabelos de Jasper. — Bells, nossos maridos foram passados para trás pelo educado Alec Volturi.

— Que saco — Bella reclamou, Renesmee riu suavemente.

— Nem estamos namorando — ela disse.

— Ah, para! — exigi. — Vocês dois se amam, não fiquem enrolando.

Renesmee resmungou, eu ignorei e fui limpar minhas mãos. Quando reencontrei Isabella, ela me abraçou, eu a envolvi em meus braços, beijando o topo da sua cabeça.

— Vem comigo. — Bella me levou até o camarim atrás do palco da boate.

Entramos lá já aos beijos, com minha mão esquerda por dentro da sua minúscula saia, afastando para o lado sua calcinha e tocando onde mais queria no momento. Porém, eu queria mais.

— Fica de joelhos e me chupa, putinha.

Afastou nossos lábios e seu sorriso safado me atingiu. Eu sentei no sofá, Isabella se ajoelhou entre minhas pernas, abrindo minha calça. Suas mãos envolveram meu pau, suspirei e me deixei ser dominado por ela.

A mulher me masturbou, me chupou e ainda parou por um instante para tirar suas roupas, ficando somente em suas botas. Seus seios, tão grandes, também estimularam meu pau.

Gemia seu nome, ao longe podia ouvir Endorfina tocando. Nossa canção, uma delas, ao menos. Gozei em seus peitos, Isabella parecia satisfeita, eu estava muito, pra caralho.

Ela se ergueu do chão, me dando um rápido beijo antes de ir até o banheiro se limpar. Quando voltou, sentou ao meu lado, suas pernas sobre as minhas, se abrindo um pouco e puxando minha mão para sua boceta.

— Me deixa bem molhada — exigiu. — Mas não me faz gozar, irei me vestir de novo, sem a calcinha e vamos deixar essa boate para você me comer na limusine.

Perfeição de noite!

Eu a toquei, enquanto trocavamos beijos e sussurros apaixonados. Mas, como exigido, não a deixei gozar.

Com rapidez, Isabella se vestiu, eu subi minhas calças e lavei as mãos. Deixamos o camarim e fomos para as despedidas, não era o que queríamos, mas não poderíamos simplesmente desaparecer, a espera aumentou nosso tesão.

Na limusine, com música tocando e o motorista com ordens expressas de dirigir pela cidade em velocidade baixa até eu mandar ele ir para a mansão, voltamos para onde tínhamos parado. Minha mão em sua boceta, a boca dela devorando a minha.

Segurei seu pescoço com a outra mão, ela gemeu alto. Então, fiz meu pedido.

— Bate em mim.

Seus olhos se abriram, ela umedeceu os lábios e deferiu um tapa na minha cara.

— Quero que me coma, que me faça gritar, Cullen. — Mais um tapa, enfiei outro dedo dela, Isabella gritou. — Safado.

— Como é foder com um ganhador, putinha?

— É maravilhoso. — Se moveu no banco, ficando em cima de mim, me prendendo entre suas pernas.

Eu já estava duro, ela abriu minha calça e puxou meu pau, ficou se esfregando nele. Nós dois gemiamos juntos, aquela altura ela estava só em seu casaco e botas. Puxei seus cabelos, beijei seus seios. Pedi por mais um tapa.

— Vou foder você em breve, senhor Cullen — disse, ainda se esfregando em mim. — Irei te vendar e enfiar um pau nessa sua bunda. — Agarrou meu rosto entre seus dedos, as unhas pressionando em minha pele. — Você quer isso?

— Sim e quero que você grave para eu ver depois.

Ela gemeu, não aguentando mais, levando meu pau para dentro de si. Não falamos muito depois, focamos em foder rápido e com força, ambos querendo gozar logo. E alcançamos o orgasmo praticamente juntos, comigo tremendo de prazer, enquanto a segurava em cima de mim, com medo de ela cair.

As mãos dela, agarrando meus ombros como se fosse seu porto seguro. Seu rosto se perdendo entre meus cabelos, seus seios roçando em mim, meu nome sendo declamado pela voz que eu mais amava no mundo.

— Porra, eu transei mesmo com um ganhador do Grammy. — Ela riu sobre mim, fazendo com que eu risse também, uma mão percorrendo suas costas.

— Você já quer ir para casa?

— Não, mas não aguento outra rodada hoje, estou exausta.

— Não era esse meu plano. — Puxei seu rosto, fazendo com que ela me olhasse. — Vamos nos limpar.

Ela sentou ao meu lado, eu peguei a mochila que tinha mandado guardarem ali mais cedo, com lencinhos, calcinha e cuecas novas para trocarmos. Nos limpamos, recolocamos nossas roupas, eu peguei meu celular e coloquei Mean da Taylor Swift para tocar junto ao som do carro, Bella ficou confusa com a mudança de uma música sexy para aquela.

Os troféus do Grammy estavam na limusine com a gente, eu aumentei bem o som e abri o teto solar do carro, com um troféu em mãos emergi para a noite de Los Angeles, estávamos passando por uma rua um tanto quanto movimentada, perto de algumas boates. Ali Bella entendeu, ela apareceu ao meu lado e cantamos juntos a canção, como dois bobos, chamando a atenção, causando um alvoroço, celulares nos gravando e fotografando, pessoas gritando nossos nomes.

Someday I’ll be living in a big old city. And all you’re ever gonna be is mean. Someday I’ll be big enough so you can’t hit me. And all you’re gonna be is mean. Why you gotta be so mean?²

Quando a canção acabou, rindo, deixamos o teto solar voltando para o interior do carro. Bella me beijou e disse:

— Manda o motorista nos levar pra casa, tive uma ideia.

***

Já era tarde quando chegamos à mansão, mas isso não nos impediu de executar a ideia de Isabella. Teríamos de viajar em algumas horas para Paris, então tentaríamos dormir no voo.

Tomamos um rápido banho, colocamos roupas confortáveis e fomos para a sala de música. Bella estava com um violão, eu ao piano, um gravador sobre o instrumento e um caderno de anotações também.

— Aqui podemos incluir o banjo — ela cantou o trecho em questão, sem tocar no violão, que já tinha escrito a letra.

Em Bath, na nossa última noite lá, começamos a compor uma canção para Holly. Naquela madrugada, após vencermos a maior premiação de música, decidimos finalizá-la.

— E algo assim para acompanhar? — mostrei o que pensei no piano.

— Não… Droga, preciso de um banjo para você entender direito.

— Calma, eu consigo entender o que você tá falando, canta de novo.

E ela cantou, eu sugeri uma alteração na letra. Ela pensou em incluir um verso, eu pensei em outro, trocamos umas palavras. Horas depois deixamos a sala de música. Subimos para o quintal, com dois violões, o caderno e o gravador. O Sol já tinha nascido, perto da piscina, tocamos juntos e começamos a cantar.

Garota. Me escute cantar. Sobre a outra menina. Que também veio encantar — comecei, Isabella sorriu satisfeita. — A sua história. Se inicia como uma surpresa. E aqui vai nossa dedicatória. Princesa. — Segui cantando só, aquele comecinho era somente em minha voz. Mas, quando o refrão entrou, Bella se juntou a mim. — Em uma semana. Você se tornou soberana. E nosso caminho. Meu azevinho, você mudou.

Isabella se levantou, tocando de frente para mim, movendo seu corpo com o ritmo animado da melodia country. A parte seguinte era só na voz dela.

Os dias passam. Seus pais casam. E o seu nome. Escrito em minha pele. É o mais belo. Escrito por aquele. Com quem temos um elo. Você. Ele. E eu.

E voltamos para o refrão.

Em uma semana. Você se tornou soberana. E nosso caminho. Meu azevinho, você mudou.

Eu não conseguia deixar de sorrir, estava feliz com a canção.

Em um dia frio. Eu sorrio. Imaginando ele, eu e você. E a forma que nos envolveu. — Bella cantou sozinha, sua voz vacilando um pouco com a vontade de chorar.

Mas, conseguiu uma pausa, já que eu fui sozinho em seguida.

Em um dia agitado. Eu sorrio. Imaginando ela e você ao meu lado. É o melhor cenário. Você. Ela. E eu.

Eu levantei também, para o refrão final da canção.

Em uma semana. Você se tornou soberana. E nosso caminho. Meu azevinho, você mudou. Em uma semana. Você se tornou soberana. E nosso caminho. Meu azevinho, você mudou.

Acabamos de cantar e tocar, nos olhamos e eu comecei a chorar. Bella deixou o violão que tocava sobre uma espreguiçadeira, também tirou o meu de minhas mãos e o colocou ao lado do outro. Nos abraçamos, não falamos mais nada.

O Sol nos aquecia, Woody miou ali perto, Jude latiu. Sobre o piano dela estavam os três troféus da última noite. Nós tínhamos vencido, após tantas derrotas.

Notas finais
A letra da música da Holly foi escrita por mim.. ¹Beije-me. Sob o crepúsculo enevoado. Conduza-me. Pelo chão enluarado. Tire-me para dançar. Comece o baile e faça. Os vaga-lumes dançarem. Como faíscas de. Lua prateada. Então, beije-me. ²Um dia, estarei vivendo em uma cidade grande. E tudo o que você sempre será é cruel. Um dia serei grande o suficiente para você não conseguir me atingir. E tudo o que você sempre será é cruel. Por que você tem que ser tão cruel? Agora faltam apenas 7 capítulos e o epílogo para a conclusão da fic. Beijão! Lola Royal. 25.03.22