A noite chega e os alunos começam a ficar cada vez mais aflitos, ninguém havia saído do esgoto até agora e todos ainda estavam em posição nas saídas e estudando o subsolo.

– Cadê eles? — Gabriela pergunta aflita, usando a lanterna em uma das saídas.

– Eles vão aparecer qualquer hora — Luiz responde.

– Já são dez horas, Timbó.

– Eu tenho relógio.

– Idiota.

– Eles devem ter saído e nem percebemos — Dan diz.

– É provável. Têm umas sete saídas sem pessoas — João diz.

– A intenção é que eles saiam mesmo — Max diz.

– Mas e se aconteceu algo? — Dani diz.

– Vamos ser positivos — Americo fala, tentando manter a calma. — Aliás, poderíamos fazer um pequeno grupo para ir atrás deles...

– Não! — João diz. — Por favor, não vamos nos enfiar aí sem saber o que nos espera.

– Fray tem razão, porque afinal, não sabemos por que eles estão demorando e nem se eles ainda estão lá dentro... — Stefani diz.

– Gente, tem muitos alunos aqui, fora às meninas lá em cima, alguns têm de voltar pras irmandades — Vivaldo diz.

– Meninas, vocês voltam — Gorran diz.

– Você faz menos diferença aqui do que eu, Gorran — Clara diz.

– Concordo — Luiz diz.

– Você faz menos diferença ainda, Timbó — Stefani retruca.

– Luiz, Beto, João, Vivaldo, Dan, Gorran, Gabriela e Dani... — Americo fala. — Voltem para as irmandades e os avisem do que está acontecendo. Eu e os outros vamos ficar mais um pouco por aqui.

***

– Julia, não dá pra gente ficar aqui pra sempre. Temos que comer, tomar banho e estudar! — Dio diz.

– Esperem, por favor. Todos tem o que fazer, eu sei. Mas temos que ficar aqui!

– Ficar aqui pra quê? — Maria diz. — Já decorei o comprimento, a altura, a largura, TUDO! Já rodei essa quadra inteira, não tem mais o quê estudar.

– Julia, acho que devíamos entrar... O reitor não vai achar nada bom ficarmos aqui até tarde! — Dio diz.

– É semana de progressão parcial, não tem aula — Julia insiste.

– Fale por você, que sempre passa em tudo — Hanna diz. – Eu preciso estudar, com licença.

– Eu vou ficar. Me preocupo com todos que estão lá dentro. — Vick diz. — Especialmente a Analu.

– Hanna, já que está com má vontade, suba junto com a Carol e a Dio — Julia diz. — Vou ficar aqui com a Vick, Maria, Duda e Dri.

Hanna assente e as três saem. Julia se senta na grama junto com as outras e Erica enfim chegara.

– Falei com o reitor, ele disse que não é uma boa ideia... — Erica diz — mas, que podemos ficar aqui! Ele está preocupado com os alunos que estão no subsolo.

– Todos estão — Dri diz.

– O que resta, é esperarmos. — Duda fala, escorando o corpo, cansado, em uma árvore

– Mas quem disse que precisamos ficar nessa tristeza? — Maria sorri, tirando um pacote enorme da bolsa. — Trouxe comida.

Todas sorriram.

***

A vida é engraçada, e a visão das pessoas perante a vida é mais engraçada ainda. Todos esperam coisas boas acontecerem sempre, e que nada dê errado. Mas, quase ninguém percebe que, para que coisas boas aconteçam, precisa- se que coisas ruins aconteçam antes. Pois se não fosse assim, não haveria paz se não houvesse guerra. Não haveria luz se não houvesse trevas. E não haveria resgate se não houvesse um sequestro.

– Precisamos agir logo — diz Ana, desesperada -, ele está inconsciente.

Ela, Leti, André, Áxel, Netto, Paulo, Tico, Arthur, Felipe e Jay estavam em um compartimento no subsolo da universidade. Lyn estava por aí no esgoto, o que soma mais uma preocupação a todos.

– Eu o levo — diz Felipe. — Eu que o mandei ir ao meu lugar. Era pra eu ter sofrido o que ele sofreu.

– Mas vocês precisam continuar — diz Leti.

– Eles sabem se virar — fala Felipe. — Áxel, fique com minha faca.

Felipe estende a faca para Áxel, que aceita e coloca a faca no bolso traseiro.

– Eu, Tico, Paulo, Arthur, Áxel, Letícia e Ana continuaremos — diz Jay. — O resto, sabem voltar sozinhos?

– Lógico — diz Netto, coçando os olhos.

– Vou acompanhar Netto, meti ele nessa roubada — fala Ana. — Desculpa, Jay.

– Espera, acho que irei com eles também — diz Leti, que estava afastada de todos.

– Por quê? -pergunta Jay.

–Esse filho da puta ainda está vivo, mas está perdendo muito sangue — Leti aponta para o capanga ferido que Arthur tinha detido ao jogar a faca. — Minha mãe sempre diz que bandido vivo é prova do crime.

– Ok, então pra onde vão? — pergunta Jay.

– Pra Dazer, obviamente — responde Leti.

– Vamos pra esquerda — diz Netto. — Se vocês querem ir pra Dazer, é a saída mais perto.

–Tomem cuidado — diz Felipe e eles assentem com a cabeça.

Ele segura André ainda inconsciente e começa a carregá-lo. Letícia amarra o capanga, que está com um furo na perna, e Ana dá um tapa em sua cabeça.

– Pra onde Sara foi? — pergunta ela.

– Podem me matar, não vou responder — diz o capanga.

Ana pressiona sua ferida, e ele começa a se espernear de dor.

– Tá bem! Tá bem! – ele diz se contorcendo de dor. — Eles saíram do esgoto. Agora que sabem como ele se locomove pela escola, ele decidiu abandonar o subsolo.

– Muito obrigado por colaborar, escravo — diz Letícia. -Netto, por onde eles devem ir?

–Pelo túnel do meio — responde.

Áxel, Tico, Jay, Arthur e Paulo seguem em frente. Felipe, André, Ana e Netto vão para a enfermaria. Letícia e o capanga seguem de volta à Dazer.

– Acha engraçado, não é? — Letícia diz, ao ver o capanga ri.

– Ele não vai desistir... — ele diz, em meio aos risos. — Não vai mesmo!

Letícia chegara com o capanga na Dazer e Ingrid, Bah, Dani e Isa se assustaram ao ver a situação do mesmo.

– O que houve?! — Alj pergunta.

– Pega uma cadeira... — Letícia diz ofegante. Ainda estava fraca. — Dani, pega uma corda, por favor.

Os dois correram e voltaram com o pedido, Letícia amarrara o capanga que sangrava.

– Você pode falar o que houve agora? — Bah diz, com raiva.

Letícia se senta e conta tudo que acontecera lá no subsolo. Todas as torturas e enfim chega à parte em que conseguiu capturar o capanga.

– O André?! — Dani diz, desesperada.

– Você está bem? — Bah pergunta.

– Trouxe esse cara pra cá... — Ela muda de assunto, sem ao menos responder a pergunta de Bah. — Porque ele deve saber onde está aquele filho da puta do zelador.

– Como espera que ele fale? — Ingrid diz.

– Nossa, Didi. Até parece que você não manja! — Alj diz, rindo.

O capanga estava inconsciente, Isa trouxera uma jarra de água e Barbara joga a água na cara dele.

– Acorda, filho de chocadeira! — Barbara diz, o cara estava finalmente despertando.

– Oi, lembra-se de mim? — Letícia diz. — Sou a menina que você acertou com aquela arma, vou confessar que doeu pra caralho... Mas, estamos aqui, olhe em sua volta. Então, vamos fazer um trato, está bem? Você me diz onde está Sara e você sai vivo daqui. Caso contrário...

– Você não me mataria, sua estúpida — ele diz praticamente cuspindo as palavras.

– Sabe de nada, inocente — Dani diz, rindo.

– Ok, vamos começar — Letícia diz e Alj estava parado ao lado dela com uma faca. — Onde está o zelador?

– Eu não vou te falar nada, garota — Letícia faz um sinal para Alj e o mesmo passa a faca em seu machucado. Ele se contorce de dor.

– Tá! Tá! Ele estava no subsolo, mas ele foi embora e eu não sei pra onde ele foi — ele diz.

– Você está mentindo — Letícia diz.

– Ah, por favor! Dá pra cooperar? — Ingrid diz.

– É verdade, ele... ele... — Ingrid deu um soco na cara dele antes mesmo de completar a frase.

– Filha da...

– Termina a frase que eu chuto em outro lugar — Ingrid disse, ele se calou.

– Ele tinha uma espécie de esconderijo, poucos tinham a localização... Era uma espécie de porão, só fui lá uma vez, e me vendaram para terem a certeza de que não contaria á ninguém!

– Quantos são? — Bah perguntou.

– Mais de 15.

– É aqui na universidade? — Isa pergunta.

– Menina burra, eles me vendaram!

– Responda — Barbara diz, apontando a faca pra ele.

– Não, não é.

– Como era lá dentro?

– Quando eu fui, faz um tempo já, era sujo, tinha ratos, umas caixas lá. Enfim, um porão comum.

Leti e Bah se encararam.

– O porão da Dazer! — Isa diz.

– Se não é aqui na universidade, como pode ser o porão da Dazer? — Alj diz. — Menina burra — cantarola.

– É em Spooderith — Letícia, por um momento, pensou no orfanato.

– Tem algum aluno envolvido? — Ingrid pergunta.

– EU... EU NÃO SEI! — ele diz com raiva e se contorcendo. Letícia se vira para Barbara, mas em questão de segundos, o capanga conseguira se soltar tirando uma faca sabe-se lá da onde e a introduzindo em sua garganta.

– Que pena — Ingrid diz.

– Cara, isso tudo pra não falar? — Dani diz.

– Traz um pano, não quero olhar pra cara dele — Barbara diz.

– Pega você, folgada — Letícia diz. — Gente, eu acho que possa ser no Orfanato de Spooderith.

– Por que seria lá? — Alj pergunta.

– Porque... Sinceramente, eu não sei. Mas algo me diz que pode ser lá.

– Cala a boca, Leti – Ingrid diz.

– Ok, tente achar o lugar e depois me fale, Ingrid – ela diz. – Eu vou até a enfermaria, o Dré está bem mal;

– Eu vou também — Bah diz e Alj também, antes mesmo de os três se levantarem a porta da Dazer é escancarada na maior força possível, era Lyn.

– LYN! — Letícia gritou, olhando para o rosto assustado de Lyn. — O que houve?

– Leti... Me... A-ajuda... — Ela respirava lentamente. Fraca. Assustada. Dani fora pegar um copo d’água para a mesma.

– Tá tudo bem? — Ingrid pergunta, sentando Lyn.

– Não, n-não está tudo bem! Definitivamente, não!

– O que houve, minha filha? Fala logo — Clara diz, desesperada.

– Ai... eu... n-não acredito no que vi — Lyn começa a falar as lágrimas começam a cair. — Eu nunca poderia acreditar que ele seria capaz.

– ELE QUEM?!- Dani fala nervosa.

– O MATHEUS! ELE ESTA JUNTO COM O ZELADOR — ela fala e levanta da cadeira, todos a sua volta ficam assustados.

– O MATHEUS? Não é possível, você viu errado, ele não — Barbara fala desacreditando.

– Eu queria muito que não fosse ele, Bah! Porra, ele! Ele, não — ela fala chorando.

– CARA, EU SEMPRE SOUBE QUE ELE NÃO ERA FLOR QUE SE CHEIRE — Alj diz.

– ALJARILLA, VOCÊ NÃO SABE! O MAATH. ELE. O CHATONILDO, CARA — Barbara senta e começa a chorar, Dani se aproxima dela tentando consolá-la.

– PRECISAMOS AVISAR OS OUTROS — Leti grita. — Bah, vai ficar tudo bem — ela diz, por fim, se levantando.

– SE ELE FOI CAPAZ DISSO, ENTÃO PODE TER MAIS GENTE JUNTO — Ingrid fala.

– SERÁ QUE O MICK TAMBÉM? — Clara diz.

– Cala a boca, Clara. Claro que o Mick não faria uma coisa dessas! — Bah diz.

– Se o Matheus fez, tudo é possível, querida — Dani grita. — Preciso avisar meu irmão.

– Como ele está? — Lyn pergunta eufórica.

– Bem, eu acho. Vamos.

Lyn, Dani, Bah, Alj e Leti saíram dali. No meio do corredor, Lyn e Dani saíram atrás de Felipe. Enquanto Bah, Alj e Leti foram até a enfermaria que ficava lá fora do lado da quadra.

Lá, encontraram Ana, Felipe, Netto e um André deitado sobre a maca.

– Oi gente — Bah diz. — Espera, o que vocês estão fazendo aqui?

– Netto está se recuperando. Ana também. E o André, você está vendo — Felipe diz.

– Lyn e Dani estão atrás de você — Alj diz. — Aconteceu uma coisa horrível, é melhor nem comentarmos agora.

– O quê?! — Felipe diz.

– Vai atrás de Lyn e Dani, sério — Letícia diz. — Não vamos preocupar nenhum deles com isso agora. — Felipe assente e se retira.

– O que houve com você, Ana? — Bah diz, Ana fica em silêncio. — Você está bem, não é? Caralho, que susto que você me deu... — Ana ainda estava em silêncio. — Você levou o choque que nem a Leti, não foi? — Sem respostas novamente. — Porra, dá pra responder?

– NÃO, BARBARA! NÃO DÁ PRA TE RESPONDER. CARALHO, CHEIO DE PRESSÃO EM CIMA DE MIM! DÁ PRA ME DEIXAREM EM PAZ PELO MENOS UM POUCO? EU NÃO QUERO RESPONDER PORRA DE PERGUNTA NENHUMA. MEU IRMÃO ESTÁ MAL, EU TO MAL, TÁ TODO MUNDO MAL, DEIXA AS PERGUNTAS PRA DEPOIS, OU QUEM SABE, PRA NUNCA MAIS — Ana berra.

Bah, por um momento, se sente totalmente arrependida de ter se preocupado com Ana. Então ela sai da enfermaria, esperando o pessoal do lado de fora.

– Ei, rapaz! — Letícia se aproximou de André. — Tá tudo bem?

– Bem melhor — ele diz tentando sorrir, mas ainda está fraco.

– Esse é meu escravo.

– Olá! — A voz de Molly, a enfermeira, ecoou pela sala. — Ana, você já está liberada, vá descansar. Vocês também podem ir, o André precisa descansar, assim como Netto.

– Eu quero ficar aqui, com o meu irmão — Ana diz.

– Não, Ana. Por favor, você precisa descansar — ela diz. — Está rolando muitas polêmicas, temos que nos proteger. Os pais de Rose querem entrar com um processo contra a universidade, assim como os de Myllana... Não é fácil! Vocês devem imaginar. Amanhã será o enterro das duas e, é muito triste tudo isso que está acontecendo, Deus queira que achem o impostor!

Ana assentiu depois de um tempo e saiu com Leti e Alj. Os três saíram pela quadra, em silêncio, e encontraram Bah sentada no meio-fio. Todos estavam bem chateados com tudo que estava acontecendo, então saíram andando, Leti e Alj bem distantes de Ana e Bah.

– Não precisava ser grossa daquele jeito comigo — Bah diz. — Eu só estava preocupada com você. Nada mais. Mas pelo visto, não dá pra ser legal com as pessoas.

– Não dá mesmo não — Ana diz, friamente. — Não seja legal comigo, você nunca foi mesmo.

– Nunca fui? — ela diz, desapontada. — Porra, Ana. Faço todo o esforço do mundo pra ser legal com você e você me diz isso?

– Bah, sabe o que mais? Eu to cansada de você se esforçar pra ser legal comigo. É como se fosse obrigação! — As duas discutiam, Bah nem sequer olhava pro chão.

– Não é obrigação, mas se você quiser, de hoje em diante passa a se... — Barbara não pôde terminar a fala porque caíra da escada da quadra. Havia uma escada de no mínimo 20 degraus, e Bah não vira, Ana viu tudo de perto e deu um grito. Leti e Alj correram lá de longe.

– BAH! — Ana gritara, descendo a escada correndo que quase esbarrara e quase acabara na mesma situação que Barbara. — Bah, fale comigo, sua vadia. — Ela mexia a mesma.

– Para de me chacoalhar, virei chocalho agora? — ela diz, abrindo os olhos. Sua testa estava sangrando. — Acho que quebrei meu braço.

– Parece que não temos só o espírito da Emilly entre nós — Leti diz. — Parece que o da Nazaré Tedesco também está por aqui, portanto, cuidado! — Os quatro gargalham, por um momento, haviam esquecido que Bah tinha quebrado o braço, que Sara estava sumida, que Myllana e Rose foram brutalmente assassinadas e que André estava na enfermaria.

– Tá doendo — Bah diz. Leti a ajuda a levantar, passando o braço sobre sua cintura e a levando até a enfermaria.

– Vou levá-la para a enfermaria — Leti diz. — Nos encontramos na mansão.

Ana e Alj assentiram e as duas seguiram caminho.

– Cara, você é muito cega — Leti diz.

– Não tenho culpa de aquela escada estar lá.

– Tem sim, a culpa é toda sua — Leti diz, rindo.

– Cala a boca.

As duas chegaram até a enfermaria e Molly ficara extremamente desesperada, ela não sabia o que estava causando esse bando de acidente na universidade.

– Quem foi? O que fizeram dessa vez? Oh meu Deus!

– Ninguém, ela que é lerda mesmo.

– Obrigada, Letícia — Molly diz. — Eu cuido dela.

***

– Todos os alunos vão para o auditório imediatamente. — Uma voz, ecoara por toda a universidade. — O reitor que falar com todos vocês.

Os corredores estavam cheios, todos indo para o auditório e desesperados para saberem o que o reitor queria falar.

– Você some! TÁ ACHANDO O QUE? — Luiz gritava.

– Mano, um filho da puta me acertou com uma arma de choque, dá pra você compreender isso, Luís?

– Eu já compreendi — ele diz, com raiva.

– Então pronto — ela diz, indiferente. — Vamos.

Luiz se vira e acaba esbarrando em cheio em um garoto. Esse garoto era Max. Luiz já estava com raiva então acabou empurrando Max.

– Que foi? Perdeu a noção do perigo? — Max diz.

– Eu nunca tive, querido — Luiz diz virando a mão de lado.

– Agora vai ter.

Max partira pra cima de Luiz dando-lhe um soco na cara. Luiz quase desmontou pelo fato de ser MUITO menor do que Max, mas logo deu um chute em sua barriga. Max caíra no chão e Luiz estava por cima dele, logo Max o joga pro lado dando uma cotovelada em sua barriga. Uma roda se formou em meio à multidão, mas logo Ana chegara pra cima de Max.

– Essa é sua ajuda? — ele ri ironicamente. — Sou dois dela.

Ana mete um soco na cara de Max, o mesmo cambaleia.

Os dois ainda brigavam, mas Jay chegou correndo, sabe-se lá da onde e deu um chute em Luiz, ele olhou sem entender, mas logo viu que era Jay, a garota que o odiava.

– Você me dá nojo, garoto. — Jay diz. — Quem você pensa que é pra bater no Max? Mil vezes ele do que você! Que só sabe decepcionar quem te ama, eu quero mais é que você se foda, assim como você fode a vida das pessoas.

Luiz não ligou, logo partiu pra cima de Max e os dois estavam brigando novamente.

– QUEM É VOCÊ PRA CHUTAR O MEU AMIGO? — Ana diz.

– VAI CHORAR? — Jay diz. — QUER DEFENDER O NAMORADINHO, AI, QUE DÓ!

– EU NÃO DEIXAVA, METIA A PORRADA — Americo gritou da multidão.Americo gritava com os demais alunos da Mercure na multidão, todos riam e se divertiam, mesmo com todas as circunstancias do local.

– EITA! FALOU QUE A MÃE É TÃO GORDA QUE O PATRONO DELA É UM BOLO! — Rick gritou.

– QUE DÓ DA SUA CARA DEPOIS QUE EU TE DER UMA SURRA — Ana disse. Jay pulou em cima de Ana cravando a unha em seu rosto, as duas rolaram pelo chão. Ana pegara a cabeça de Jay, metendo-a no chão, mas Jay meteu a mão na cara de Ana e a mesma caiu sobre o chão.

Duas brigas em menos de dez minutos. A tia da limpeza viu tudo aquilo e logo separou. Max estava com o olho inchado e Luiz perdera um dente. Ana e Jay estavam grudadas, Ana com o rosto arranhado e o nariz sangrando e Jay com o cabelo arrepiado e um roxo no olho.

– Dá pra se comportarem? — ela diz, calmamente. — Vão para o auditório, por favor.

Todos os alunos foram para o auditório. Ana fora para o banheiro limpar os machucados assim como os demais, mas logo todos estavam no auditório, exceto os alunos da enfermaria.

O palco do auditório estava composto por todos os professores, o reitor e dois alunos: Erica e Tico.

– Boa tarde, alunos – a voz do reitor ecoara. — Chamei todos aqui, vocês devem imaginar por quê. Estamos em tempos difíceis, assassinatos, acidentes... E estamos atrás do autor de todos esses atos! Sabemos o quão difícil é perder colegas, amigos e irmãos. E ainda mais, ver alunos brilhantes, que tinham tudo para serem ótimas pessoas, partindo. Por isso, por meio desse comunicado, quero anunciar as férias de inverno...

– Reitor, mas já? — A voz de Dio ecoara.

–... Estamos antecipando as férias de inverno, para que tudo fique bem por aqui. Que as coisas melhorem e vocês voltem com o mesmo pique que chegaram... — ele diz, tentando ser otimista. — Eu quero parabenizar alguns alunos que se não fossem eles, não saberíamos nunca quem está por trás disso. Se não fossem esses alunos, mais assassinatos ocorreriam. Digo, a quem saiba de algo que não sabemos, que a polícia tomará frente de tudo isso. Sabemos que uma aluna brilhante, Sara Santos, está sumida, e eu quero afirmar a vocês, que não ocorrerá mais nenhum assassinato nessa universidade! — ele diz, todos batem palmas para encorajá-lo. Logo Erica e Tico tomam a frente.

– Oi gente, isso não é nenhum tipo de bronca nem nada. Só queremos falar algumas coisas a vocês — Erica diz. — Aprendi uma coisa com a minha mãe, perder pessoas é uma coisa inevitável, claro. Perdemos a Myllana, a Rose... É! Pessoas partem todos os dias, mas elas estarão sempre conosco, aqui dentro...

Like a Neville — Clara diz.

– Xiu — Carol diz.

–... Vocês sabem disso! Nada no mundo é tão ruim quanto isso, parece mais um rombo no coração. Mas eu digo a vocês, não vamos desistir tão fácil assim, pô! É o nosso futuro em jogo, é a capacidade de se arriscar, de fazer tudo, de crescer. Não vamos simplesmente jogar isso tudo fora! Vamos ser fortes.

– Esse cara logo será pego, e todos, repito, TODOS NÓS, vamos comemorar a sua captura — Tico começa. — Não sei se todos aqui conhecem, mas há uma frase, meio que assim: “São tempos sombrios, não há como negar. Nosso mundo jamais enfrentou ameaça maior do que a enfrenta hoje. Mas agora digo aos nossos cidadãos. Nós, sempre seus servos, iremos continuar defendendo sua liberdade e repelindo as forças que querem retirá-las de vocês. O ministério... Continua... Forte!” Os tempos sombrios estão ocorrendo, não há como negar. A Hollow Spirit nunca enfrentou ameaça maior do que enfrente hoje, mas eu digo a todos os alunos. Nós, sempre alunos, iremos continuar defendendo nossa universidade e repelindo as forças que querem derrubá-la. A universidade Hollow Spirit... Continua... Forte! — Tico disse, imitando e fazendo a metade do auditório gritar de euforia.

– Então, sobre aqueles que se foram, só digo, "os bons morrem cedo" — Erica fala e todos batem palmas, assim eles descem e o reitor torna a falar.

– Estão liberados. As férias começam na semana que vem, portanto, arrumem as malas!

Todos saíram do auditório, alguns tristes, alguns felizes. Só querendo que tudo começasse a dar certo.

***

– Nossa que imbecil, me deixa ver isso — Jay diz.

– Obrigado, Caps — Max diz. — De verdade.

– Não agradeça, demos um bom trato nele — Jay diz tirando o casaco que estava usando e limpando o sangue na testa de Max.

– Você não deveria...

– Ele é um babaca, por favor, né?! — Jay o interrompe.

– Realmente é — Max, por um momento, encara Jay, a mesma sorri. — Seu sorriso é lindo.

– O seu também.

Nesse instante Max a beija, simplesmente porque estava querendo fazer isso a algum tempo. E desejou que aquilo nunca tivesse fim.

***

Todos os alunos foram para as suas irmandades, os Dazers achavam que tudo estava sendo resolvido, mas ao chegarem à porta da mansão, viram um letreiro enorme com os dizeres:

“Depois de tantas pistas e mortes, a aventura acaba onde tudo começou.”

– Quê? — Clara diz.

Mal puderam tentar desvendar quando o celular de todos, não só da Dazer, mas de todos da universidade começaram a apitar. Todos abriram e um vídeo começara a passar por todos os celulares: era um quarto antigo, com cinco camas. A câmera rondava o quarto, quando parou sobre uma cadeira. A cadeira estava ocupada por nada mais nada menos que: Sara. Estava amarrada e machucada. E então o vídeo acabou.

Felipe pensara em já ter visto aquele quarto em algum lugar, assim como Letícia também. Muita gente não entendeu, mas os poucos que sabiam do que se tratava não caíam na real. Tico correra o mais rápido que pôde até a mansão da Dazer e adentrara, encontrando todos sentados procurando uma explicação.

– Felipe! Leti! — ele diz ofegante. — Preciso falar com vocês.

– Já tá falando — Leti diz.

– O quarto não lembra vocês de algo? — Tico diz.

– Não, eu nem pude vê-lo direito — Felipe diz.

– Rick hackeou o vídeo pra mim, venha ver — Felipe vira o vídeo umas duas vezes, pareceu que uma lâmpada acendera em cima de sua cabeça.

– É OBVIO, NÃO É? — Tico diz. — De início não achei que podia ser, mas quando vi o enigma da porta da Dazer, eu simplesmente confirmei. O zelador está no orfanato! Eu não sei o porquê, e nem como. Mas ele está lá! É claro que está!

– Mas o que a Sara tem a ver com o orfanato? E o zelador? — Ingrid diz.

– Não sei, mas tem uma ligação, eu sei que tem — Tico diz.

– Você é um gênio, Tico — Leti diz. — Eu estava mesmo querendo ir até lá novamente.

– Como eles passaram esse vídeo pra todo mundo ver? — Dani pergunta.

– Fácil — Tico diz. — Acessando os satélites de transmissão.

– A Vick sabe bem disso, podíamos falar com ela e Rick, tentar hackear o celular que acessou os satélites — Ingrid diz.

– Não temos tempo, Didi — Ana diz. -O enigma diz que a aventura vai acabar. Sara pode estar em um perigo terrível.

– Nisso ela já está, só temos que ir pra lá agora — Tico diz. — Vou chamar os garotos.

– Stefani está na enfermaria com André, eu vou pra lá – diz Ana.

Tico volta com Áxel, o mesmo estava com uma cara de choro, Paulo, Arthur, Hanna e Gina.

– Ok, agora me digam onde vou enfiar esse tanto de gente no carro — Felipe diz.

Leti havia arranjado um carro, porque o de Felipe e Dani estava na oficina.

– A Gina é anã, cabe até na roda — Paulo diz.

Todos, de alguma forma, se enfiaram no carro. A viagem foi longa, até porque Spooderith não era tão perto de Hollow Spirit, mas Felipe lembrava exatamente o caminho. Quando avistou o orfanato, tudo que passou no mesmo passara por sua cabeça. Cada brincadeira, quando tentou se arrumar com Julia, quando fez a festa surpresa para Matheus, quando foi encontrado na rua e quando se sujava pra comer frango, se bem que ele ainda se sujava hoje em dia.

– Antes de descermos, temos que tomar cuidado para não sermos vistos — diz Hanna — Ou eles podem fugir novamente, certo?

– Verdade — diz Leti — Quem de vocês sabe atirar?

Apenas Áxel levanta a mão.

– Ótimo! Esse carro é da minha mãe e achei duas pistolas de segurança — Leti passa uma delas para o Áxel.

Todos descem do carro, seguem até a entrada, e veem que o orfanato estava abandonado. As paredes estão sujas e há limo nas janelas. Não há ninguém fora e não aparenta ter pessoas dentro.

– Já pode devolver minha faca — diz Felipe a Áxel e o mesmo passa a faca para Felipe, que guarda no bolso traseiro.

O bando corre em direção à porta, que estava trancada. Não podiam arrombar, pois chamariam muita atenção, e eles estavam em minoria.

– Podemos entrar pelo porão — diz Tico.

– Não sei onde fica a entrada — fala Letícia.

– Eu sei, ué — diz Felipe. — Michael me disse na primeira semana em que cheguei.

– E você ainda lembra?

– Tem coisas de que a gente nunca esquece.

Felipe se encaminha para a lateral do orfanato, e abre um bueiro no chão.

– Af, esgoto de novo — reclama Paulo.

Felipe é o primeiro a entrar, seguido por Áxel, Tico, Leti, Hanna, Gina, Paulo e Arthur. Eles ligam as lanternas dos celulares, que agora estão quase sem bateria.

– Tem certeza que você sabe o caminho? — pergunta Gina.

– Obviamente que não — responde Felipe.

– E onde esse túnel vai dar? — pergunta Arthur.

– Em lugar nenhum, ele não é puta.

– Quis dizer onde é a saída dele.

– Ah, é na cozinha.

Depois de uns minutos, eles chegam ao fim do túnel e saem cuidadosamente pelo piso falso na cozinha. Letícia coloca a munição na arma.

– Ok, vamos nos dividir em dois grupos. Eu, Fê, Gina e Paulo iremos pelo salão principal. Áxel, Tico, Arthur e Hanna vão pela escada de emergência nos fundos. Só atirem a faca se necessário e não façam barulho.

Os dois grupos seguem para direções diferentes, com o mesmo objetivo.

Letícia lidera, seguida por Paulo, depois Gina e Felipe os cobre. Eles adentram o salão vazio, mas logo ouvem passos de pessoas no patamar acima. Paulo dá uma olhada rapidamente, e retorna.

– Armado? — pergunta Leti.

– Não, apenas com um rádio na mão — responde ele.

– Não vou gastar uma bala com ele. Felipe, atire a faca.

Felipe assente, depois corre silenciosamente para o centro do salão e acerta a faca em seu estômago. Logo, eles sobem as escadas, Felipe retira a faca e eles seguem em frente.

De repente, são surpreendidos por dois capangas que começam a atirar. Letícia acerta o peito de um, mas leva um tiro de raspão do outro e deixa a arma cair. O capanga ia matá-la, mas Paulo atira a faca, que se crava no tórax dele.

Letícia se recompõe, e arranca sua manga para ver o ferimento.

– Você está bem? — pergunta Gina.

– Sim, foi só de raspão — responde ela.

– Virei um assassino — diz Paulo.

– É, mas ele também era um assassino — diz Felipe. — E assassino que mata assassino tem 100 anos de perdão.

– Não seria ladrão? — questiona Gina.

– Que seja. Ele iria matar Letícia se você não tivesse atirado a faca.

– Ok, agora vamos — fala Letícia.

O grupo vira o corredor, onde se localizam os quartos, e são surpreendidos por 5 capangas armados.

– Ora... Ora... Ora... — a voz do zelador ecoa pelo corredor, e ele sai da porta dos fundos. — Olha quem veio nos visitar.

***

Clara, Dani, Isadora e Alj estavam deitados esperando: nada. Todos estavam com fome, mas o refeitório estava fechado há dias e o restaurante era muito longe.

– Eu to com fome... — Dani diz, a mesma estava deitada de cabeça para baixo. — Não tem nada pra comer, eu vou morrer. Sabe há quanto tempo eu não como sorvete? TRÊS MESES!

– Xiu- Alj diz.

– Xiu você — fala Dani.

– Não, sério, façam silêncio — diz ele.

Alj se levanta, seguindo o som de “PI” que vinha do segundo andar. Ele corre rapidamente, pois suspeita do que seja.

E ao chegar ao andar vazio da irmandade, suas suspeitas se transformam em certeza.

– TEM UMA BOMBA AQUI! – grita ele.

Havia um relógio que marcava um minuto, contando regressivamente, preso em uma dinamite na parede.

– Temos que tirar isso daqui — diz Clara, quando ela e as outras chegam ao segundo andar.

Eles tentam arrancar com todo o esforço do mundo, mas não conseguem.

– Será que dá pra desarmar? — Pergunta Dani.

– Tarde demais — diz Alj. — Temos que ir.

– Não podemos abandonar a irmandade – Isa fala.

Dani e Clara se encaminham para a janela à esquerda, mas Isa começa a apertar botões da bomba com a mão, tentando desarmá-la.

Faltavam apenas 10 segundos. Alj perde a paciência e puxa Isa. Não daria tempo até descer a escada e sair, então eles se jogam pega janela à direita.

A explosão faz um enorme barulho. Fogo se espalha e estilhaços voam. Tudo ao mesmo segundo. Alj e Isa caem na grama rolando, e por pouco não são atingidos por um enorme bloco de concreto.

Eles se recompõem, ficando de pé e tomando cuidado para não se machucarem outra vez. Há um corte na lateral da testa de Isadora e Alj apaga fogo em uma parte da sua jaqueta.

Dani, Clara, Isa e Alj se direcionam para frente da irmandade, onde mais alunos estavam parados contemplando o desastre: O segundo já não existia mais praticamente, tudo o que tinha eram algumas paredes e camas em chamas. O primeiro andar estava pegando fogo. Ao redor da casa, pedaços de madeira, concreto e telhado estavam espalhados.

Demora uns minutos até que os bombeiros chegam. Lágrimas escorrem por alguns rostos de alunos da Dazer.

– Quem foi o filho da puta? — berra Ingrid, secando o rosto com a manga da camisa. — Vou triturar os órgãos dele.

– Só pode ter sido obra do zelador — diz Dani.

– Sim, mas ele teve ajuda — fala Alj. — Alguém da irmandade traiu a gente e está trabalhando pra ele, porque a bomba não apareceu ali sozinha.

Todos se entreolham, com a mesma dúvida em mente: Quem?

Podia ser qualquer um, amigo ou inimigo. Agora é hora de ficarem atentos.

***

– Parece que vocês não são tão burros quando aparentam! Confesso que quando coloquei aquele enigma na porta da Dazer, achei que demoraria semanas pra vocês entenderem, mas vocês não são tão burros, não é?!

– Então, finalmente encontramos você — Felipe disse. – “A aventura termina”, então você está se entregando?

– Eu? Me entregando? — ele ri histericamente. — A aventura termina pra seus dois amigos!

– Falando neles, onde estão? — pergunta Paulo.

– Em quartos diferentes, até porque, meninos e meninas não frequentam o mesmo quarto. Não era essa a regra? — O zelador solta uma risada histérica.

– Você vai mesmo matá-los? — Hanna diz o óbvio.

– Eu? Eu não! — ele ri novamente. — Já sujei minhas mãos demais com essa aí. Um dos meus capangas vai torturá-la e por fim, matá-la. O mesmo com o garoto. — Ele tira uma faca do bolso — E se vocês se mexerem, eu mesmo matarei os dois.

O zelador guarda a faca e se prepara para voltar a falar, mas Letícia pergunta:

– Por que logo aqui?

– Porque... Bem, esse lugar tem um grande significado pra alguns de vocês, eu sei. Mas, por um lado, ele realmente significa algo pra mim também.

– Você é maluco, o que levou você a matar tanta gente? Do que é que você tem tanto medo? — Hanna pergunta.

– Hã... Para vocês é fácil dizer, é claro. Tudo começou quando aquela idiota da Emilly brigou com a minha irmã. Emilly era tão agressiva que a matou na primeira oportunidade, e quem sofreu com isso?! Eu e minha mãe! Aí foi que minha mãe quis vingança e então, matou Emilly. Ninguém nunca descobriu, mas desde então, minha mãe e eu odiamos todos os alunos da Dazer e queremos acabar com eles. Minha mãe não pode, é claro, porque desde o assassinato de Emilly ela teve que se isolar! Mas ela deixou a missão para mim, e olhem ao redor, está se cumprindo!

– Michael e Sara não são da Dazer, acho que vocês falharam — Felipe diz.

– Mas eles são iscas para que os alunos da Dazer venham até a mim.

– Myllana também não era, e você a matou.

– Ela era folgada e desaforada! Estava querendo saber demais. Gente assim merece morrer... — ele diz.

Um garoto encapuzado chegara de um dos quartos, um dos capangas do zelador.

– Até que enfim! — O zelador gritara. — Quero que torture a garota e por fim a mate.

O garoto tirara a mascara e revelara o seu rosto. Era Matheus. Seu rosto transmitia medo, ele não queria matá-la, mas ao mesmo tempo queria.

– E-eu? — ele diz.

– Sim, rapaz, você! — Ele diz. — Você é surdo, por acaso?

– Não, é claro que não.

– Então comece.

Matheus pega uma pequena adaga, e se encaminha para um dos quartos, que provavelmente era onde Sara estava.

– Filho da puta, traidor de bosta — diz Letícia. Eles precisavam de tempo, não podiam deixar que Sara fosse torturada ainda mais.

– Cale a boca — responde ele.

– Tem que ser muito covarde pra torturar o próprio irmão — diz Felipe, entendendo o plano de Leti.

– Era pra você estar no lugar dele — diz Matheus. — E também era pra estar no lugar daquele seu amigo que foi chicoteado, pelo que soube. Quem é covarde agora?

Felipe engole essas palavras, e está prestes a atirar a faca em Matheus, mas Leti o contém.

– Torture logo a menina, tem mais gente na fila — diz o zelador.

Matheus se adianta para a porta do quarto, e nesse momento, várias coisas acontecem ao mesmo tempo. A porta de emergência no fundo do corredor é aberta e Áxel começa a atirar nos capangas. Aproveitando a distração, Letícia também atira, e Felipe corre para cima do zelador, ao mesmo tempo em que Tico avança para a porta onde Matheus entrou. Hanna e Gina correm para o mesmo cara e começam a lutar com ele. Paulo e Arthur atiram as facas em dois seguranças que avançavam para Áxel, que estava sem munição.

O zelador corre pra saída de incêndio, seguido por Felipe. Hanna e Gina começam a se limpar assustadas com tanto sangue, Áxel entra no quarto atrás de Tico, onde Sara estava sendo refém, e Arthur e Paulo saem por um corredor atrás de Michael. Acaba a munição de Letícia, e a mesma corre atrás do zelador, assim como Felipe.

***

– Mais um passo e eu rasgo o pescoço dela — diz Matheus, com a faca no pescoço de Sara.

Tico e Áxel estavam parados na porta, e Matheus de costas pra janela. De repente, o barulho de sirenes ecoa.

– Fim da linha — diz Áxel. — Agora solte ela.

– Ainda pode ter mais uma morte — responde Matheus, e começa a botar pressão na faca.

– Só se for a sua! — Lyn aparece na janela, e acerta Matheus com uma pedra.

Matheus solta Sara, que vai para os braços de Áxel. Ele desaba no chão, tonto pela pancada, e depois apaga.

– Acabou a festa — diz Tico.

– Bom amarrar ele, não acha? — diz Lyn.

– Não é preciso, torço pra que ele não acorde.

***

Letícia e Felipe saíram em uma sala escura, não havia mais a lanterna e os dois estavam perdidos na escuridão.

– Só isso que vocês sabem fazer? — O zelador diz.

– Claro, não temos visão biônica — Letícia diz.

De repente, um estrondo enorme viera de uma porta. Americo apareceu colocando as duas mãos na cintura e com um estilingue em uma das mãos, atrás dele vinha Augusto.

– Como conseguiram chegar aqui? — Felipe pergunta. Agora a claridade era até demais.

– Guut nos trouxe – responde Americo.

– E como ele sa... — antes que Felipe pudesse terminar a frase, Augusto o dá um soco na nuca, deixando-o inconsciente no chão e correndo para uma porta, abrindo a mesma e entrando junto com o zelador. Letícia correra para tentar impedi-los, mas Americo usava um estilingue e quando foi mirar em Augusto, acertou uma pedra em cheio na cabeça de Letícia.

– Vai me matar antes mesmo de pegarmos o zelador? — Letícia grita, sua cabeça sangrava. Por um momento, ela não ligou. Americo chutou a porta junto com ela e lá dentro estava: O zelador, Augusto e Michael.

O zelador e Augusto foram pra cima de Letícia, o zelador estava com um chicote e Augusto com uma faca. A munição de Letícia já acabara. Ela não tinha pra onde ir. Deu um chute na barriga do zelador e por ele ser velho, demorou pra se recompor. Nesse meio tempo conseguiu imobilizar Augusto no chão, tirando a faca de sua mão.

Americo acertara com a pedra no alvo certo dessa vez. O zelador estava desmaiado no chão.

– Faça as honras — Letícia diz e olha para Augusto. — Traidor.

Americo o acerta também.

***

A palavra de alguns universitários não valia muito para a polícia, mas dessa vez a própria polícia quebrou a cara. Conseguiram solucionar quatro casos ao mesmo tempo, graças aos alunos da Hollow Spirit. Não foram apenas um ou dois. Foram todos. Todos cooperaram, de alguma forma, para que tudo se solucionasse.

Os policiais levaram Matheus, Augusto e o zelador. O lugar estava repleto de viaturas e SAMU’s. Levaram Felipe, amarrado dessa vez, para certificarem que ele não fuja novamente. Levaram Letícia, que estava com um ferimento horrível na cabeça e os demais alunos que estavam feridos.

Michael estava arrasado, era muita coisa pra engolir, muita coisa pra raciocinar, e ele não era capaz. Ele queria saber o porquê, o seu irmão era um garoto normal, como qualquer outro, de longe, nunca seria um assassino.

Quando Matheus foi levado para uma das delegacias mais próximas para esperar julgamento, Michael quis ir até lá.

– Será que eu posso falar com ele? — ele diz.

– Filho, vá pra casa. Tenha amor a sua vida, você está machucado! — O policial diz.

– Não, por favor! Só essa conversa e nada mais.

– Você tem visita — diz o guarda da prisão, quando Matheus estava isolado em uma cela.

– De quem? — pergunta Matheus.

– Vai saber.

O guarda prende a algema com os braços de Matheus pra frente e o guia até uma sala vazia, branca e muito iluminada, com apenas uma cadeira e uma mesa.

Matheus se senta na cadeira, o guarda sai e logo após uma pessoa inesperada aparece.

– O que foi? Quer desculpas? — ri Matheus, quando Michael, seu irmão, aparece.

– Não preciso e nem quero suas desculpas — responde Michael. — Quero fazer perguntas.

– Ótimo, comece logo porque quero voltar pra minha cela.

Michael respira fundo, e depois começa:

– Por que me odeia tanto?

A risada de Matheus é tão alta que fez Mick se afastar. Cuspindo as palavras na cara do irmão, ele começa:

– Por que você sempre foi metido. Sempre chegava onde não era chamado. E via o jeito como Naty te olhava, mesmo que vocês se odiassem.

– Mas vivemos felizes no...

– FELIZES? TUDO O QUE EU VIVI FOI UMA SOMBRA. A SUA SOMBRA, MICHAEL — Matheus avança, mas para no meio do caminho, e depois volta a sentar.

– E por que ajudou o zelador a matar tanta gente se você só tinha ódio por mim? — pergunta Michael.

– Por que ele precisava da minha ajuda.

– Não foi só por isso. Ele te chantageou, não foi?

Matheus revira os olhos e respira intensamente. Começa a olhar para vários lugares diferentes ao mesmo tempo, como um psicopata em apuros faz.

– Não.

– Então por quê?

Por fim, Matheus olha diretamente para Michael.

– Porque ele era nosso o pai.