“Após anos praticando crimes e matando pessoas, finalmente o culpado pelos assassinatos da Universidade Hollow Spirit foi pego. O zelador, cujo nome é Carlos Blake, foi sentenciado a 50 anos de prisão. O crime foi solucionado por estudantes da...”

A TV fora desligada pelo paciente do quarto 417.

– Deseja algo mais, Sr. Blake? – pergunta a enfermeira.

– Não, obrigado.

Michael ainda não entendeu completamente tudo, e o remédio não ajudava. Alguns jornalistas já o entrevistaram, mas ele não sabia da história por completa.

Sara, que ocupada o quarto ao lado, estava exausta de tanto repetir o que acontecera quando fora sequestrada. Só de falar já sentia calafrios e a sensação do sangue saindo d seu corpo. Ela perdera muito sangue, mas com as doações logo ficara boa.

– Estou sem fome, obrigada – diz ela, educadamente, para a enfermeira. – Quem mandou essas tulipas?

A enfermeira se encaminha até a cômoda onde os dois buquês de flores se encontram e lê o cartão do primeiro.

– As azuis são de Jei Meuri, Felipe e Letícia. E as rosas são de Áxel, Batata e Tico.

– Ah, obrigada.

A enfermeira se retira do quarto para que Sara fique em repouso, algo que estava realmente precisando.

***

As férias de inverno foram antecipadas. Os alunos estavam fazendo suas malas e indo para casa. Ah não ser, é claro, os alunos da Dazer, que ficaram para ajudar a reconstruir a mansão da irmandade.

– Não vai me ajudar, é? – Hanna dizia, carregando suas três malas, na porta da Vebnus.

– Desculpa, amor – Vivaldo diz e logo em seguida caminha até Hanna para ajudá-la.

Eles colocam a bagagem no canto, enquanto Gina e Duda desciam com suas malas.

– Até aí tudo bem... – diz Duda, se referindo a uma história sobre seu pai que estava contando para Gina. Ela ajudava à amiga, pois Vivaldo carregava toda a sua bagagem. – Eu liguei para ele, tipo, todos os dias.

– Por telefone? – pergunta Gina.

– Não, por sapato.

Gina revira os olhos e segue com sua mala para dentro do carro, onde seu motorista a esperava.

***

Ana e Lyn ainda guardavam as roupas nas malas. O ônibus sairia em breve e as duas estavam atrasadas.

– Isso é seu – diz Ney, jogando um sutiã para Lyn.

– Não é não, tá doida?! – ela diz, jogando de volta.

– Claro que é, Linna – ela joga novamente.

– Olha, vai cagar – Lyn joga e o fecho acerta em cheio o olho de Ney.

Nesse momento, o telefone de Lyn apita e logo em seguida, ela gritava de raiva.

– O que é? – pergunta Ney.

– Rick filho da puta, não para de me stalkear – diz ela. – “Pirulitona”. AAAH! Vou chutar as bolas dele.

Lyn sai do quarto, batendo a porta com força. Já dava para ouvir de longe os risos de Ricardo.

***

Americo e Tico saíram juntamente com Paulo e Arthur. Os quatro seguiram para a quadra que dava saída da faculdade.

– Paulo, cadê a sua mala? – Arthur questiona.

– Ué, já vamos embora? – Paulo diz.

– Claro, seu bocó – Tico diz.

– Todo mundo com a mala... Você acha que vamos fazer o quê? Acampar? – Americo diz rindo. Paulo corre para buscar sua mala.

– Não esquece o UNO! – grita Arthur.

– Credo, isso destrói amizades – Tico diz.

***

– Eu sou um elfo livre novamente! – Dri diz. – DESSA VEZ, LITERALMENTE.

– Literalmente não... – Carol diz.

– Férias de inverno, você volta logo, elfa – Victor diz.

– Isso é injustiça – Dri diz. – Não tá vendo minha blusa? “I’m a free elf”.

Dri se emburra e os demais riem.

Os ônibus partiram as exatas 3hrs da tarde, levando todos os alunos, com exceção dos Dazers. Todos estavam felizes por tudo estar resolvido, mas alguns estavam tristes, pois se apegaram a faculdade e as pessoas que agora estavam a ir “embora”.

***

– Como estão se sentindo? – pergunta o reitor, que fora buscar Letícia, Felipe e Americo no hospital. Os mesmo tinham sido liberados no mesmo dia, após alguns soros.

– Bem – dizem Leti e Americo, em uníssono.

– Mais ou menos – fala Felipe.

– Prepare-se então, pois pode ficar “menos” – diz o reitor.

Eles entram na rua das irmandades e o carro para em frente à Mercure para que Americo desça.

– Até mais – diz ele.

Eles seguem por mais um minuto, o reitor para em frente a um espaço em ruínas, onde alunos limpavam os destroços nesse exato momento.

Nesse espaço costumava ficar a irmandade Dazer.

– O que houve?- pergunta Letícia.

– Uma tentativa de assassinado – explica o reitor. – Alguém colocou uma bomba na mansão. Por sorte, apenas quatro pessoas estavam na casa, e todos saíram ilesos.

– Aposto uma lata de refri que foi o Guut – diz Felipe.

– Sem dúvidas – fala Leti.

Eles saem do carro, e são recebidos por Clara e Didi.

– Sobrou algo? – pergunta Letícia. Felipe se afasta delas.

– Nada além dessas paredes e o monte de entulho queimado – diz Clara.

– E onde estão dormindo?

– Na irmandade Mercure, que está desocupada – responde Ingrid. – O reitor antecipou as férias de inverno, por conta dos assassinatos.

– E nós não teremos férias, pois temos que reconstruir a irmandade – completa Candy. – Quanto aos nossos pertences, os pais do garoto que admitiu ter colocado a bomba são milionários e irão pagar por tudo que perdemos. Em troca, haverá uma redução pequena de tempo em que ele passará na cadeia.

– Quando ele sair, ele ainda terá de pagar por nossas férias – fala Didi, revoltada.

– Sim, agora vou indo, mais tarde volto para ajudar- diz Letícia, que logo caminha em direção à Mercure, cumprimentando todos em seu caminho.

***

Os Dazers estavam descansando nos quartos da Mercure, pois passaram a madrugada toda ajudando a apagar o incêndio; Não demora muito para todos estarem de pé, já que havia muito trabalho pela frente.

– Oi Leti – diz Alj.

– Oi Alj – responde ela.

– Estou indo ajudar a tirar as ruínas, você vem?

– Sim. Vai indo na frente, já te alcanço.

Ele a deixa sozinha e segue para a casa em ruínas. No caminho, encontra André, Ana e Felipe indo para a Mercure. Todos exaustos, provavelmente por causa dos soros.

Ao chegar a casa em ruínas, ele pega uma marreta e começa a quebrar as paredes.

– O caminhão de entulho está chegando, vamos derrubar isso logo – diz Ingrid, quando vários alunos chegam para ajudar.

O céu estava nublado e havia um clima de tristeza entre os alunos da Dazer.

Não demora muito para que todas as paredes fiquem no chão, e mais alguns chegam para ajudar o pouco que falta.

– Vou ajudar a pegar as coisas no quintal – diz Felipe.

– Eu também – dizem Jay e Ana.

Eles se encaminham para os fundos e começam a recolher uns restos de blusas chamuscadas e a derrubar a cerca que ficara em chamas.

– Acho que me esqueci de algo que deveria lembrar – fala Felipe.

– Tipo? – pergunta Ana, arrancando uma parte da cerca.

– Não sei, mas algo que não me pertencia.

– Se te pertencia ou não, virou cinzas.

– Gente, olha o que eu achei – diz Jay, segurando um pedaço de frango assado e chamuscado na mão.

– Oba, frango grito – diz Fê, rindo.

– Nem se atreva a comer – fala Jay.

– Não vou.

Eles, por fim, terminam e se encaminham a frente de onde se localizava a Dazer, para que a escavadeira retire todo o entulho.

***

Todos os alunos da Dazer se reuniram na sala da Mercure para comer pizza. Não havia tanta harmonia assim há tempos ente os Dazers, o que era uma coisa boa. Se eles brigam, que seja pela mesma causa.

– Me passa a de calabresa? – pergunta Elli à Isadora. Ela assente e passa um pedaço à Elli, que agradece.

O dia fora cansativo. Finalmente todo o entulho fora retirado, e amanhã mesmo já chega o material para que comecem a reconstruir a irmandade.

O clima já estava mais alegre, e para melhorar, Ingrid, Dani e Candy aparecem com um bolo vermelho na sala.

– Feliz aniversário, Bah – diz Candy.

Todos começam a cantar parabéns e bater palma em uníssono. Muitos abraçam a aniversariante, que se emociona com a surpresa.

Quando todos já haviam comido e estavam de barriga cheia, subiram para os quartos e capotaram.

O dia amanhecera ensolarado. Os alunos acordaram cedo e bem dispostos a começar a obra. Tudo já estava planejado, e uma equipe de pedreiros, junto com o arquiteto, irá levantar a mansão com a ajuda dos alunos.

– Começaremos com a parede – diz o arquiteto. – Precisaremos da força de alguns para levantar os blocos de pedra, e do cuidado de outros para passar o cimento. Vamos começar.

Todos começam a carregar blocos de pedra e a passar cimento. Contavam com a ajuda de algumas máquinas, o que tornava as coisas mais fáceis e rápidas.

Nem todo mundo estava a ajudar na construção. Letícia lembrara de que havia algo a ser feito, algo que envolvia os assassinatos. Ela jurou nunca mais voltar a aquele lugar, mas precisava esclarecer as coisas para Emilly.

– É só massa corrida – diz André.

Ele e Ana acompanharam Leti, e estavam em frente à única entrada do banheiro, que estava coberta. Não demora muito para eles derrubarem a parede usando uma marreta.

Por fim, eles entram cautelosamente.

– Emilly? – Ana chama o espírito.

– Talvez tenha que gritar seu sobrenome três vezes – ri Leti. – PFEIFER, PFEIFER, PFEIFER.

Emilly aparece no espelho, o que faz com que os três deem um pulo para trás.

– O que vocês querem? – pergunta ela, friamente.

– Viemos dizer que solucionamos o seu caso – explica Leti. – Não sou foi Lais quem te matou. Foi o zelador.

– O zelador? – Emilly pergunta, confusa.

– Sim. Agora já pode descansar em paz, já que ele foi pego – diz André.

Emilly o encara e um sorriso brota em seu rosto.

– Agradeço a vocês por tudo – diz Emilly. – Arrependo-me de ter feito aquilo tudo quando vieram aqui. Espero que compreendam.

– Compreendemos – diz Ana.

– Bem, agora vou indo – Emilly diz e logo em seguida um brilho toma conta de seu corpo. – Adeus.

Ela desaparece completamente do espelho, e os alunos retornam para a Dazer rapidamente.

– Quero pilotar o guindaste – diz André.

– Não se eu chegar primeiro – fala Ana.

– Mas eu já estou aqui – grita Bah, e começa a escalar.

Letícia decide ajudar Alj e Jay, que estão cimentando a parede da frente. Felipe, Isadora, Elli e Clara estão com a parede direita, e Max, Dani e Ingrid com a da esquerda.

E assim, a Dazer vai se reerguendo aos poucos, com a ajuda dos membros que a compõe.

***

Cada membro que compõe cada irmandade é muito importante para a mesma. Por mais que não apareça muito, o fato de simplesmente estar ali já é muito significativo. Assim como os braços, que são membros do corpo humano. Ou como as diferentes camadas que formam a Terra.

O caso do zelador trouxe muita angustia, mas foi solucionado. Agora, é só aguardar a aventura seguinte. Quem sabe não aconteça algo parecido de novo? Até porque, um raio pode cair sim no mesmo lugar.

Ou quem sabe, num lugar próximo. Bem próximo.

FIM.

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