Hole Hearted
1 Distraction
Notas iniciais
Inspirada na música "Hole Hearted" (Ísis, agradeço eternamente por você ter ressuscitado essa música da minha playlist, colocando ela como trilha sonora da sua fanfic "Escreva-me" ♥) da banda norte-americana Extreme - é só clicar no "Trilha Sonora" lá no início da fanfic, embaixo da letra - e inspirada também em uma fanart linda que a Thaty, minha pequena grande Lótus, jogou no meu feed, fora o incentivo monstro que a Gryphon, sua linda, deu para continuar escrevendo. Portanto se essa fanfic existe, muito eu devo à vocês. Obrigada de coração, girls ♥
Além disso, Gi, sua viada, eu não sei se tu shippa SamBacky, mas essa fanfic é teu presente de aniversário (atrasado, mas tudo bem) ♥.
Por isso, que eu não te dei feliz aniversário, pois fiquei dedicando-me ao máximo para dar esse presente para você. Espero que goste!
Ah, e antes que eu me esqueça - Burn the book!
Agora, sim, boa leitura ^^
“A ambição da vida ocupa meu tempo
Prioridades confundem a mente
Felicidade um passo atrás
Essa paz interna que ainda vou achar (...)”
(Trilha Sonora, Hole Hearted — Extreme)
Em um rock bar ALGBTTTQIP+ qualquer na estrada do Arizona, Estados Unidos, sentado no banco do balcão, de costas para o palco onde rolava um cover de uma famosíssima banda chamada Extreme, o militar Samuel Thomas Wilson, codinome “Falcão” no trabalho e apelido “Sam” somente para os mais íntimos, refletia sobre sua atual fase na vida: empregado, porém totalmente insatisfeito com o serviço, traído pela pessoa no qual julgava ser seu melhor amigo e pela pessoa que um dia chamou de “amor”. Queria uma mudança, precisava de uma renovação, entretanto pensou:
“Estou em um bar, eu vim aqui para relaxar, ouvir uma música boa, esquecer as merdas que foram essas duas últimas semanas, não filosofar sobre o quanto minha vida está péssima de uns tempos para cá. Ei, Sam, dia de folga! ” —, e virou mais um copo de uísque sem gelo, sendo que o militar já tinha tomado quatro copos do destilado mais seis garrafas de cerveja antes.
A música continuava a rolar, porém Sam nem ligava para quem cantava ou prestava atenção direito na música, pois estava tão absorto em seus pensamentos, quando chegou ao local, que foi direto para o balcão do bar.
“(...) Rios correm para o mar
No entanto, mesmo o não está tão cheio de mim (...)”
Repentinamente, Sam começou a reparar na voz masculina que cantava sua música favorita do Extreme, Hole Hearted*. Ela era afinada, onde até um leigo conseguia reparar que o cantor tinha bom domínio técnico da voz, tinha um timbre marcante, porém suave. Era como se remetesse a um refrescante vento primaveril.
Conforme acalantava os ouvidos com aquela voz bonita, cantando os versos da canção de forma emocional e visceral, a curiosidade de Sam virar para o palco e saber quem era, de fato, aquele cantor falou mais alto. O homem negro, porte atlético (devido à profissão) e cabelo raspado na máquina um, virou-se para o palco e finalmente matou sua curiosidade.
“(...) Se não sou cego, por que não posso ver
Que um círculo não cabe onde um quadrado deveria estar? (...)”
A visão do cantou agradou muito os olhos de Sam: cabelos longos na altura da nuca, branco e com os olhos mais verdes que já despiram Samuel Thomas Wilson de longe. Como o rock bar era um local pequeno, ele facilitava o artista ter contato visual com a plateia inteira.
Sam ficou um pouco envergonhado com o olhar do cantor, afinal há muito tempo o militar não se envolvia com homens, somente com mulheres, somado ao fato de não saber exatamente como corresponder do jeito mais adequado um olhar tão intenso como aquele. Sentimento piorado quando o cantou deu um sorriso bem safado para ele mais uma piscada de olho, ao mesmo tempo em que continuava a encantar com sua voz. Entretanto, o militar conseguiu disfarçar a situação retribuindo a piscada e o sorriso para o outro, mas quando o cantor ia continuar o flerte, o clima foi quebrado pelo barman, quando colocou no balcão a porção de nachos* com queijo mais a cerveja mexicana importada que o militar pediu.
Após devorar com gosto a generosa porção e tomar a cerveja, Sam tomou coragem e foi em direção ao palco. Como se a voz do cantor fosse uma linha guia invisível, o homem foi aproximando-se cada vez mais do palco, pedindo licença para as pessoas na frente dele e avançando lentamente até conseguir ficar em frente ao palco, onde os olhos de Sam reencontraram com o do cantor e a troca de sorrisos e olhares continuaram.
Era uma visão linda de se admirar: o cantor, sentado no palco, tocando seu violão e cantando como se fosse sua última apresentação, de tamanha entrega aos sentimentos da música.
Os acordes finais de Hole Hearted vieram, indicando o final daquela apresentação. O músico fez uma reverência, agradeceu a presença de todos, pegou o violão e despediu-se do público.
Wilson ficou parado, ainda tentando processar o que foi tudo aquilo e se era de bom tom ou não ir atrás do outro, entretanto em menos de dois minutos — foi só o tempo de guardar o violão na caminhonete, estacionada do lado de fora do bar —, o cantor voltou para o palco, foi até onde o militar estava, abaixou-se, agarrou Sam pela camisa e tascou-lhe um beijo de tirar o fôlego.
Sam nem teve tempo de raciocinar direito, entregou-se ao beijo do cantor sem medo, provando do peculiar sabor de isotônico de tangerina que a boca do outro tinha, misturando-se de forma única ao sabor de cerveja que carregava nos próprios lábios.
Aplausos e gritos de aprovação vieram da plateia, mas não era de se surpreender, afinal um lugar como aquele, feito para celebrar todas as formas de amor, era mais do que, como diria a gíria local por ali, close certo.
Depois de um tempo, as bocas se separaram. Sam e o cantor sorriram um para o outro, onde imediatamente o rapaz de cabelos longos puxou o militar para o palco e de mãos dadas, eles acenaram para a plateia e, finalmente, saíram do palco ovacionados pelos presentes.
Em seguida, eles caminharam até a saída pelos fundos, abriram a porta e fizeram uma curtíssima caminhada até onde a caminhonete do cantor estava estacionada. Antes de entrarem no veículo, o cantor se apresentou:
— James Buchanan Barnes ou como me apresento por aí, Bucky. Prazer.
— O prazer é todo... nosso. — Bucky deu uma risada pela fala franca do outro. — Samuel Thomas Wilson, ou simplesmente Sam para você. —, retribuiu o militar, que recebeu um selinho do cantor. Após o beijo, eles entraram no veículo e caíram estrada adentro.
Durante todo o tempo dirigindo, Bucky e Sam mantiveram uma animada e sedutora conversa sobre vários assuntos, alguns até íntimos demais, e quando perceberam, sabe-se lá como foram parar no meio do deserto. Primeiro, uma certa preocupação, depois o alívio de saber que a região pegava internet e conseguiram se localizar no aplicativo de mapas online. Dentro do carro, eles deram uma gostosa risada da situação e nos braços de Barnes, bem abraçadinhos, Wilson observava o céu estrelado, límpido e com a lua cheia no seu resplendor máximo.
“É uma vista linda! ” — pensou o militar.
Hole Hearted começou a tocar na rádio sintonizada do carro.
Olhou para Bucky.
Impossível resistir.
Aos poucos, os rostos voltaram a aproximar-se, de olhos fechados, até sentirem os lábios um do outro novamente e retornarem aos beijos que nunca deveriam ter parado.
Continua...
Notas finais
* Hole Hearted: "Coração Esburacado" em inglês.
* Nachos: Sabe o Doritos original grandão do Doritos Dippa, aquele do molhinho em lata e o Doritos normal? Aquilo é nachos (sério).
Espero que tenham gostado e até a próxima, seus lindos!
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