Hole Hearted

2 Reflection


Notas iniciais
Primeiramente, mil desculpas por demorar quase dois meses para soltar esse capítulo. Os motivos foram uma combinações de problemas pessoais, reescrita deste capítulo até chegar a um resultado que me agrade, além da minha atual rotina chamada trabalho + faculdade. Mais uma vez, agradeço o apoio de todos por "Hole Hearted", cada comentário, cada favorito, cada... tudo ♥ Boa leitura ♥

“(...) Tem um buraco no meu coração

Que só pode ser preenchido por você

E esse buraco no meu coração

Não pode ser preenchido com as coisas que eu faço (...)”

Sam queria aproveitar ao máximo as novas lembranças que sua mente criaria depois com aquele homem.

Sapatos, meias, jaquetas, camisetas, blusas e até calças já estavam jogadas pelos cantos da caminhonete; as mãos de Bucky, naquele instante, acariciavam os mamilos mais o abdômen de Sam por baixo da camiseta do outro, entretanto chegou uma hora em que aquela peça de roupa passou a ser incômoda e seguiu seu instinto: retirou a camiseta de Wilson. Após o ato, parou para admirar os músculos muito bem trabalhados do militar. A libido dominou de vez o cantor: retirou a cueca de Sam, deu um beijo de tirar o fôlego do homem, ao mesmo tempo em que desceu sua mão até encontrar o pênis em riste do outro e passar a masturbá-lo, com movimentos moderados de vai e vem, porém firmes.

Sam deixava-se levar pelos carinhos alheios com vontade, afinal aquilo era uma “retribuição” pelo proveito que teve do corpo do cantor, marcado pelos seus beijos, chupões, leves mordidas e, agora, arranhões pelas costas, enquanto o outro homem continuava a dar-lhe muito prazer, mas não por muito tempo. A vontade de estar novamente por cima de Bucky Barnes começou a falar mais alto e na primeira oportunidade em que as bocas se separaram, pediu para o cantor parar a masturbação para trocarem de posição.

Com Barnes por baixo, facilitou para Wilson fazer o que sua libido pedia: retirar a calça jeans mais a cueca do outro, distribuir beijos pelo abdômen do homem até seu rosto chegar ao pênis de Bucky. O militar olhou para o cantor, deu um safado para ele e deu a lambida no falo alheio, finalizando com uma chupada generosa na glande do outro e, por fim, arrancando um alto gemido de Bucky. Logo em seguida, Sam provocou:

— E então...

— Você topa ir para a caçamba comigo? Lá tem um colchonete de casal, lençóis e cobertores para a gente ter espaço. Estou louco para fazer um 69 com você.

Sam continuou o instigar:

— Safadinho, hein, você?! Aposto que você é o terror de groupies.

— Não é para tanto, contando com você se transei com dois ou três fãs, entre mulheres e homens, é muito, mas... não vou mentir: sou muito intenso com tudo. — rebateu Bucky — E então?

— Tem que montar alguma coisa? — a pergunta pegou Barnes de surpresa, mas respondeu sinceramente.

— Só encher a colchonete, arrumar os lençóis e tal, coisa rápida... — porém Bucky foi interrompido pelo militar.

— Mas que corta o clima. Para começar, a gente teria que por as nossas roupas de volta para sair daqui, porque está um frio do cacete lá fora e aqui tem aquecedor... Além disso, se o problema é espaço essa caminhonete tem banco de trás para quê? Para enfeite?

Bucky apenas conseguiu dar uma pequena risada da situação e teve que concordar com o militar. Separaram-se para o cantor ir para o banco de trás, mas quando Sam ia fazer seu movimento, um botão próximo do porta luvas chamou-lhe a atenção. Perguntou:

— Posso apertar esse botão? Ele não dá nenhuma encrenca aqui não?

— Hmmm... não. Pode apertar.

Wilson apertou o botão e imediatamente o teto solar abriu, dando acesso ao lindo céu estrelado do deserto. Bucky ficou tão admirado com a vista que só percebeu o fato de Sam já estar no banco de trás da caminhonete, quando o militar roubou um tenro selinho dos seus lábios. O cantor somente conseguiu falar:

— Sabia que nesses cinco anos que tenho essa caminhonete, eu nunca liguei o teto solar dela, porque eu pensava que ele estava quebrado? Afinal, eu comprei isto aqui de segunda mão e ainda em promoção com 50% de desconto.

O militar deu uma boa risada da situação junto com Barnes, depois deu mais um selinho no cantor e comentou:

— Sabia que eu acho caras meio desligados muito sensuais?

— É mesmo? — provocou Bucky, com um sorriso de canto no rosto.

— Aham... — confirmou Sam, segurando o lubrificante e as camisinhas pegas enquanto ele ia para o banco de trás. Em seguida, deu o lubrificante para Barnes.

Os olhares de um para o outro não precisavam de nenhuma palavra para complementar ou explicar: imediatamente eles deram um jeito de posicionarem-se no banco para começarem, de fato, a fazer sexo oral simultâneo um no outro.

Estavam profundamente conectados aos sentimentos de excitação, prazer e libido que aquele ato trazia, os gemidos abafados transmitiam isso claramente. Sam curtia muito as chupadas lentas, porém vigorosas de Bucky, ao mesmo tempo em que o cantor preparava-o de forma calma e cuidadosa, sempre perguntando se o militar não sentia dor; da mesma forma que Bucky deleitava-se com os movimentos firmes e rápidos de vai e vem, oriundos da boca do outro, junto com a preparação da sua intimidade, feita também de forma cautelosa por ele.

Após um bom tempo, envoltos nestes atos de luxúria, o cantor tomou a iniciativa, retirando o pênis do militar na boca e pedindo entre gemidos:

— Sam, vem!

Sem pensar duas vezes, Wilson pegou a camisinha posta na parte de cima do banco, saiu de cima de Barnes, ajeitaram-se de modo a conseguirem ficar sentados no local, abriu o preservativo, colocou-o no pênis e chamou Bucky, sentado ao lado dele, com o dedo. O cantor começou a sentar no colo de Sam, ao mesmo tempo em que o pênis do militar penetrava a entrada do outro vagarosamente. De longe, esta era a posição sexual favorita de Barnes, pois tinha o controle total da penetração.

Após todo o falo de Sam entrar lá dentro, Bucky começou a fazer movimentos de sobe e desce com os quadris, ao mesmo tempo em que dava espaço para Sam penetrá-lo com força. Barnes gemia alto de prazer, enquanto ditava um ritmo cada vez mais intenso para os seus movimentos dos quadris, com direito a dar uma ou outra rebolada para deixar Sam louco.

Já o militar desfrutava ao máximo das sensações boas que dava e recebia de Bucky: beijava o pescoço do cantor, pegava com gosto na bunda de Barnes para sentir as reboladas esporádicas do outro, para sinalizá-lo sobre o ritmo da movimentação, lambia e chupava o peitoral mais os mamilos do parceiro, beijava sua boca. Não queria mesmo que aquele momento parasse.

O cantor começou a movimentar-se de forma cada vez mais intensa, além disso, entre seus gemidos, ele pedia para Sam penetrá-lo mais rápido e mais forte, pois estava cada vez mais próximo do seu orgasmo. Algum tempo depois, o militar sentiu o corpo de Barnes tremer e viu uma das cenas mais belas da sua vida. Wilson já viu várias pessoas terem um orgasmo, mas nenhuma era tão bonita quanto Bucky Barnes gemendo seu nome sob um céu estrelado de tirar o fôlego, mesmo através da vista limitada do teto solar.

Após atingir o clímax, Bucky continuou a deixar Sam penetrá-lo, pois queira completar aquela conexão única de forma sublime e quando sentiu o corpo de Sam também tremer, segurar forte os seus quadris e a retribuir o momento, gemendo o seu nome, junto a todas as outras sensações típicas de um orgasmo, Bucky Barnes viu também uma das cenas mais lindas de toda sua vida. Era quase surreal de tão sublime que era a beleza de Sam Wilson tendo um orgasmo forte e sincero.

Depois de Sam atingir o orgasmo, já com o preservativo retirado, eles ficaram deitados no banco, abraçados, dando vários selinhos até o efeito refratário mais o cansaço passarem para, por fim, partirem para uma nova rodada de sexo, na qual Sam foi o passivo, ainda mais intensa do que a primeira.

Uma hora e meia depois, eles voltaram a mesma posição do primeiro pós-clímax: nus, deitados no banco, abraçados e trocando vários selinhos. Naquele momento, Sam observava as estrelas no céu límpido através do teto solar e refletiu alto sem querer:

— Será que esse é o caminho certo a seguir?

— Como assim, Sam? — perguntou o cantor.

O militar respondeu:

— Ah, é sobre aquele negócio que te falei quando a gente estava na estrada, sabe?! Sobre mudanças e tal... pensando se eu largo tudo ou peço a mudança, sei lá...

— Eu te entendo, cara, pois você atualmente está parecendo eu há cinco anos... eu te contei na estrada que também era militar igual você, só que corporal, certo?!

— Sim e eu repito o que eu falei antes. Se você tivesse continuado no quartel até hoje, provavelmente eu seria seu chefe. — ressaltou o militar.

— E das hierarquias mais altas, Capitão Samuel Thomas Wilson. — brincou Bucky com certa melancolia.

— Desculpa ter te interrompido, pode continuar. Desabafar faz bem.

As palavras acolhedoras de Wilson incentivaram Barnes a desabafar como desabafou somente em duas ocasiões no passado.

— Então... vou falar para você o motivo que eu larguei o exército para virar músico. 2011, viver de música já falava alto na minha mente, pois eu me graduei em música com especialização em canto popular. Só aceitei a carreira militar pela grana, sabe?! Para me manter na faculdade. No começo era até legal, mas depois comecei a ficar meio cansado do serviço, aquilo nunca foi minha real vocação, porém não chegou ao ponto do insuportável até eu ser convocado para combater na Guerra do Iraque. Naquela hora, uma parte de mim gritava para eu pedir demissão, mas fui tão pressionado pelos Sargentos para aceitar a missão, achava que não era a hora para jogar tudo para o alto e eu fui, né?! Não tinha jeito. Chegando ao Iraque, fui “recepcionado” com mortes de inocentes, mortes de combatentes em guerra, bombardeios sem sentidos, berros dos inimigos e cidadãos iraquianos torturados, incluindo mulheres e crianças, casas e comércios explodindo. No primeiro dia, eu não consegui dormir, eu só chorava, chorava e chorava. O cúmulo, para mim, foi no segundo dia, quando eu não consegui matar a mulher e a filha de um “inimigo”, na realidade inocentes que eles mandaram matar só porque eram iraquianos. Ali, eu tive a certeza de que aquilo não era mais para mim. Surtei, dei minhas armas para elas se defenderem, peguei o jipe e fui direto para Embaixada norte-americana, implorando minha volta de joelhos para a recepcionista. — Bucky chorava e tremia muito ao contar sobre aquilo. Sam abraçou-o bem forte e passou a acariciar sua cabeça para tentar acalmá-lo.

— Bucky, já passou, já passou. Eu não fui para Guerra, eu não consigo imaginar o que é sofrer transtorno do estresse pós-traumático de guerra, porque eu sempre fiquei na parte de condicionamento muscular, mas vendo o seu sofrimento, lembrei também do sofrimento de vários colegas meus que voltaram destruídos dessa Guerra. Se quiser continuar a falar, ouvirei você de braços abertos, se não quiser, respeito tua decisão e dou minha empatia a você. Desculpa ter forçado você a falar de lembranças tão terríveis. — finalizou com um beijo na testa do outro.

Bucky ficou comovido diante de palavras tão sinceras e gestos tão acolhedores. Enxugou as lágrimas, aos poucos foi parando de tremer e continuou:

— Relaxa, como você disse, desabafar faz bem. Muito obrigado pela sua preocupação, Sam. Vou continuar, porque não gosto de deixar histórias na metade. — respirou profundamente e continuou — Após verem o meu estado, eles imediatamente concederam uma passagem para eu voltar para casa, fui dispensado por licença médica e comecei meu tratamento contra o TEPT com o psicólogo e o psiquiatra, porque o transtorno do estresse pós-traumático que eu carrego até hoje, mas em um grau bem menor do que antes, não desejo nem para o meu pior inimigo. Continuando, quando eu fui para as primeiras sessões, desabafei como nunca, falei do meu sonho com música e eles perguntaram cada um do seu jeito: “Se te faz mal, para que e por que você insiste?”. Ali, eu tive a certeza de que era aquela a hora de encerrar o ciclo, antes que me machucasse mais. No dia seguinte, pedi demissão do serviço, passei a exorcizar todos os meus demônios na música e finalmente passei a viver do que eu amo de verdade: a música, dando aulas de canto, guitarra e violão; além de seguir firme e forte no tratamento, pois se não fosse por ele... eu não sei o que seria da minha vida hoje. Só de eu passar de seis remédios para dois em cinco anos, é uma vitória.

Sam ficou sem palavras diante de um desabafo tão forte, ainda sentindo o choro do cantor no seu peito, além de refletir sobre todos os colegas que nunca mais voltaram a ser o que eram antes, como Barnes, pessoas que se mataram, ou até mesmo entregaram-se para o crime ou vícios. Apenas conseguiu falar:

— Você é incrível, Bucky. Eu conheço você a pouquíssimo tempo, mas você tem toda minha admiração pela sua gana de viver. Continue o tratamento e siga assim, pois a tendência é melhorar ainda mais.

Era a vez de Barnes ficar sem palavras diante das palavras tão encorajadoras de Wilson. Enxugou suas lágrimas no peito de Sam, ajeitou-se no abraço do outro, deu um selinho no militar e ali, ficaram observando o céu até o sono cair.

Nos dias seguintes, já acordados, vestidos e na estrada, Sam perguntou:

— Bucky, seria muito incômodo eu pedir para você me levar até o estacionamento do Badage, o hotel com estacionamento ali perto do bar? É que estacionei meu carro lá e eu tenho que ir para casa, tomar banho, me arrumar para ir para o trabalho.

— Você também trabalha seis por um, como eu trabalhava antigamente?

— Fazer o quê, né?! — comentou o militar.

— E mesmo se não trabalhasse, você teria que ir trabalhar, afinal hoje é segunda-feira. — apontou Bucky.

A dupla riu do comentário do cantor e continuaram a dirigir até chegarem no estacionamento do hotel, exatamente em frente ao carro de Sam. Conferiram se Sam não esqueceu nada, desceram do carro, trocaram celulares, redes sociais e e-mail. Chegou o momento em que eles menos queriam: a despedida. Deram um beijo de tirar o fôlego, um abraço forte e despediram-se com um peculiar “até logo”.

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Dentro do quartel, na sala dos seus superiores, Sam Wilson tomou coragem e pediu a mudança que seu coração pedia:

— Eu quero mudar para o setor administrativo do quartel.

O militar usou seus argumentos mais sinceros para justificar uma mudança tão radical de setor. Os superiores de Wilson imediatamente recusaram o pedido, por Sam ser um dos melhores líderes dos treinadores do setor de condicionamento muscular. Wilson manteve seus argumentos e acrescentou novos, novamente refutado. Com a consciência tranquila de que tentou, Sam pediu demissão. Imediatamente, os comandantes voltaram atrás e o pedido do rapaz foi atendido, por medo da saída do Capitão, querido entre seus subordinados, acarretar algum episódio de demissões em massa, como ocorrido algumas vezes no passado. O medo foi tanto a ponto da transferência de Sam dar-se no mesmo dia e, depois do horário de almoço “festa improvisada de despedida”, oficialmente Samuel Thomas Wilson era o Capitão Chefe do Setor Administrativo do quartel.

Após terminar o horário de expediente, o militar, agora administrativo, voltou para casa, tomou banho, fez um jantar especial e mandou uma mensagem de áudio, através de um aplicativo de comunicação instantânea via celular, para um peculiar número:

“Bucky, você está de folga ou tem um tempo entre suas aulas hoje? E a sessão com psicólogo, que você foi antes da hora do almoço, foi tudo bem? Continue firme com o tratamento, hein!”.

Recebeu outro áudio de resposta:

“O psicólogo foi bem, obrigado, e acabei de encerrar a aula com a minha última aluna do dia, por quê?”

Sam enviou para Bucky um print­ do mapa, mostrando o seu endereço e escreveu na legenda deste:

“Lasanha, vinho, depois um filme, em comemoração ao, agora, Capitão Chefe Administrativo Samuel Wilson, topa?”

“E tem como recusar você, lasanha e vinho? Chegarei aí em uma hora. Só o tempo de tomar banho, me arrumar, por gasolina na caminhonete e ir.” — respondeu Barnes.

Uma hora depois em ponto, o cantor chegou na casa de Sam. Estacionou o carro em frente ao local, desceu do veículo, andou até a porta e apertou a campainha. Sam abriu a porta, vestido uma camisa preta e caça jeans da mesma cor, e recebeu Barnes com um sorriso no rosto, com “Hole Hearted” do Extreme dando a trilha sonora, reproduzindo através das caixas de som no celular. Um caloroso beijo de boas vindas, indicativo de que a noite seria bem divertida.

Sam não tinha como prever se Bucky mudaria também seu status de relacionamento, mas tinha a certeza: aquele músico de bar, cantando sua música favorita da banda Extreme, o ajudou muito a encontrar a mudança na qual seu coração, agora não mais tão esburacado assim, tanto necessitava.

“(...) Tem um buraco no meu coração

Que só pode ser preenchido por você

Deveria ter sabido desde o início

Eu cairia logo com as coisas que eu faço

Coração esburacado (...)”

(Hole Hearted — Extreme)

Notas finais
Groupies: as minas e os caras que fazem literalmente de tudo para passar uma noite de sexo com os ídolos. Lembrando que transtorno do estresse pós-traumático não é exclusividade de veterano de guerra, segundo o site oficial do Dr. Drauzio Varella, qualquer pessoa que tenha "(...) sido vítima ou testemunha de atos violentos ou de situações traumáticas que, em geral, representaram ameaça à sua vida ou à vida de terceiros (...)" está sujeita a ter TEPT, por isso, reforço o objetivo dessa fanfic ao pincelar esse tema da forma menos não-romantizada possível: não tenham medo de buscar o tratamento, por mais difícil que seja. Psicólogos e psiquiatras estão aqui para ajudar ^~^ Vocês valem muito! Beijos e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!