Holding Skies

8 Seth enlouqueceu, Nunca negue alguma coisa para o caos e Percy vs Luke .


Notas iniciais
Boa leitura ☺

Capitulo Sete: Seth enlouqueceu, Nunca negue alguma coisa para o caos e Percy vs Luke

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Percy se levantou, mas parecia prestes a vomitar, Luke ao meu lado arregalou os olhos para o chão. Engoli a seco e encarei Annabeth no meio da confusão de gritos. Ela estava verde. Soltei a respiração que não sabia que estava prendendo, cobri a boca com uma das mãos e olhei para Rany que parecia mais branca e para Miguel que começava a ficar azul por algum motivo.

Quíron disse mais alguma coisa e nos mandou ir dormir. Luke se levantou e saiu como um trator para a Casa Grande deixando uma Rany abeira de um ataque de nervos e com olhos molhados, Nathy a abraçou, mas também parecia abeira de um ataque de nervos. Ela não gostava de Luke, não ia muito bem coma ideia da melhor amiga-barra-irmãzinha namorasse um cara como ele.

E eu não podia dizer nada. Luke era um cara complicado.

Bufei. Belo filho que fui arranjar.

Puxei o ar com força e comecei a correr na direção da casa grande, pra falar com o filho de Hermes, mas uma mão agarrou meu cotovelo no meio de um passo que me fez tropeçar, bater o cotovelo no seixo e quase dar de queixo no chão se o cidadão não tivesse me erguido.

Esfreguei meu cotovelo e dei um puxão no meu braço pra me soltar.

Seja quem fosse não me soltou

—Qual é o seu problema...? — O problema é que quando eu levantei a cabeça era Seth que me olhava— ah.

Ele deu um sorriso estranho. Contorcido.

—“Ah”? Só o que tem pra falar? — Eu hein, o que tinha dado nele? Resmunguei para mim mesma. Alias por que diabos ele estava irritado? Quem estava com uma garota que parecia que tinha metido o dedo em uma tomada no meio das pernas era ele não eu, mesmo que nós não... Ah! Ele simplesmente não tinha o direito de estar com raiva.

Dei mais um puxão. Nada.

—E por que Hades eu teria que te dizer alguma coisa? — Ele continuava evitando me olhar encarava os outros por cima da minha cabeça, os olhos castanhos vibrantes mesmo na luz da fogueira agora na cor normal, já que o grande Percy Jackson ia na missão, todos sabiam que as coisas iam ficar do melhor jeito possível. Por quê? Por que ele é Percy Jackson.

Eu estava começando a me perguntar como ele conseguia viver com essas expectativas na cabeça. De qualquer jeito, Seth me ignorou completamente, respirei fundo para segurar a vontade de lhe dar um soco e dei mais um puxão no meu braço.

—Me larga, Gray — ele bufou e me puxou mais pra perto, a fim de abrir caminho pra um grupo de filhos de Hebe passando, Danna não estava entre eles. Bem que ela podia estar ali, não é? Pra ver ele... Me segurando assim? Quando eu fiquei tão mesquinha?

Que ótimo. Ele era tão irritante que estava me deixando irritada comigo mesma. Suspirei e dei um puxão mais forte.

—Eu já disse pra me largar.

—Sabe, você não me disse isso das ultima vezes — mas que diabos...?!

—Ultimas vezes? Do quê... do quê você tá falando garoto? —Ele finalmente abaixou os olhos pra me encarar e erguer uma sobrancelha. Ah. Era disso — mas que... Qual é o seu problema Gray?

Pela primeira vez em meses parece que eu tinha dito a coisa certa por que um brilho estranho atravessou seu olhar e ficou no sorriso estranho que ele deu quando inclinou a cabeça para a minha.

—Você é meu problema, Sury.

—Bom, bem vindo ao clube, pegue uma senha esquerda e espere ser chamado — ironizei com voz de secretária, tentei me soltar de novo — me larga, Gray. Não sei o que te deu, mas eu não tenho mais nada haver com isso lembra?

Ele me encarou por um segundo e afrouxou o aperto no meu braço.

—Vem aqui.

Ah, não. Finquei o pé no chão, sei muito bem onde isso vai acabar.

—Eu não vou pra canto nenhum com você — mas quem disse que ele me ouviu? Quem é que me ouvia afinal de contas? Suspirei e deixei-o me arrastar até a parte de trás do chalé de Hipnos, o lugar mais calmo e vazio do Acampamento.

Ele largou meu braço quando ficamos debaixo de uma janela que dava para um tipo de sala com lareira pelo brilho alaranjado, encostei-me à parede de madeira, mas não se virou pra mim. Esfreguei o lugar onde ele me segurou, estava vermelho. Seth ficou muito tempo quieto, só passando a mão nos cabelos e nuca com força.

—Tá bom, por que você me trouxe aqui, Gray? — Questionei aborrecida. Eu não estava entendo nada. Tínhamos concordado que aquilo não ia pra frente e ele aceitou tão bem que já estava se metendo com Melissa Sarell, a filha de Apolo publicamente declarada anti-relacionamentos.

—Você tem algum problema em dizer meu primeiro nome?

—O quê? Não! — Ele se virou e parou bem na minha frente.

—Então qual é o problema?! — Ele quase berrou. Faltou muito pouco para tanto. Percebi um pouco tarde que tinha me encolhido e prendido a respiração, ele pareceu engasgar com alguma coisa e se afastou de novo. Tá bom, agora ele estava me assustando. O que tinha acontecido com ele?

—Na boa, Gray eu acho que o problema aqui é você —expirei —eu vou embora, okey? Vou ser trocada pelo Deus do Olímpio lá pelas sete da manhã e preciso do meu sono da beleza. Tchau.

Seth segurou meu pulso e eu o ouvi suspirar e resmungar “desculpa” bem baixinho. Segurei uma vontade ridícula de sorrir e me virei pra ele. Parecia adoravelmente perdido o que era ruim por que eu estava com vontade de agarrá-lo. Engolia seco e cruzei os braços no peito

Suspirei e encostei-me à parede do chalé.

—O que você quer? — Perguntei outra vez. Seth olhou para o meu pulso depois para mim. O que diabos tinha acontecido com ele?

—Você... Tem certeza sobre isso? —hã? — Sobre a missão, quero dizer, não acha que... devia ficar?

Aquilo me passou a perna. Era isso? Ele estava preocupado comigo? Abri minha boca uma ou duas vezes, mas nada saiu dela lá, desviei os olhos pros meus tênis e pigarreei antes de conseguir falar.

—Não é como se eu tivesse escolha, Gray — grasnei. Vi seus ombros se mexerem quando ele suspirou mexeu as mãos como se não tivesse onde colocar elas até que as enfiou nos bolsos da calça jeans. Que tipo de conversa era essa?

Ficamos quietos por muito tempo

—Tem certeza?

—Certeza de quê, Gray? — Questionei começando a ficar cansada disso.

—Que não pode ficar — sua voz saiu estranha. Ergui a cabeça o vi, não vermelho, mas enjoado, como se estivesse perto de vomitar. Meu queixo caiu e voltou rápido, olhei para os lados sentindo meu rosto ficar vermelho. Descruzei os braços e cocei minha nuca.

—Gray... eu não teria nem ido embora da primeira vez se dependesse de mim — desviei os olhos quando ele me encarou. — Mas é como eu disse, eu não tenho escolha. Se Percy Jackson vai, como diabos eu posso dar pra trás?

—Eu não tô falando do Jackson, Sury.

—E você sabe do que você está falando? Na real? Não estás falando coisa com coisa— estourei. Não estava gostando do rumo da conversa, eu tentava deixar as coisas mais leves, mas parecia que ele insistia em piorar tudo.

—Eu sei do que estou falando.

—Sabe nada, Gray — caçoei.

—Estou dizendo que não estou gostando dessa ideia de você sair pra salvar Zeus com a sereia maravilha e o Cicatriz por ai — não sorri agora, não sorri agora. Merda, por que eu queria sorrir? Suspirei e olhei nos seus olhos finalmente, o castanhos dos seus olhos estava brilhante pela luz estranha da janela.

—Eu... olha, Seth — ele prestou mais atenção quando usei seu primeiro nome. — Eu... Hades, que situação ridícula, bem eu... agradeço a sua preocupação, eu acho, mas a gente já conversou sobre isso, não foi? Não adianta.

Ele franziu a boca.

—Acho que sim.

—Pois é — suspirei aliviada, por ele entender. Aproximei-me e peguei suas mãos, virando as palmas pra cima. — Então, eu... tenho que ir entendeu? Eu só tenho que ir, não posso ficar aqui esperando que Percy e Luke resolvam tudo só por que eles são Percy Jackson e Luke Castellan. Foi a minha irmã que apareceu na visão da Rachel, foi o meu bracelete-katana que estava na mão dele e... É a minha profecia, entende?

—Acho que sim — repetiu vagamente.

—Acha?

—Eu entendi, Sury, okey? — explicou irritado. Apertei os lábios e o soltei.

—Que bom que entendeu — respirei fundo. — Agora eu vou dormir.

Se eu esperei que ele fosse me parar e me beijar? Esperei. Se eu esperei que ele fosse me abraçar pelas costas e pedir pra eu ficar como naqueles filmes de romance ruins? Odeio admitir, mas esperei. Agora, se ele fez qualquer uma dessas coisas?

Não, não fez, por que ele é Seth Gray; e Seth Gray não é clichê e tem orgulho próprio.

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Thalia me acordou um pouco depois das seis, eu coloquei varias blusas de frio, mais um par de tênis uma calça jeans na bolsa junto com uma porção extra de ambrosia e néctar, um cantil de água e muitas barrinhas de cereal.

Assim que fechei a mochila Thalia se aproximou de mim, tinha se mantido distante desde que eu chegara para dormir. Algo me dizia que ela não tinha ideia de como agir em mandar uma garota para a morte certa, mas não me ative a esses detalhes.

—Vou volta ara Lady Artemis e logo marcharemos também para o monte Otris.

—Claro, claro. Agradeço muito — resmunguei sem dar muita atenção a ele e sim ao a medalha de Peg que tinha se enrolado ao cordão que Miguel havia me dado, alguma coisa irritou a filha de Zeus por que ela agarrou meu braço.

—Estou falando sério, Sury, nos vamos atrás de você.

—E eu disse que não era sério? — franzi o cenho pra ela. Grace suspirou e me largou.

—Parece que você acha que estamos lhe mandando para forca.

—E não estão?

—Toda missão é perigosa, Carpe.

—E o Zeus do Olímpio é o objetivo de toda missão? — suspirei— Olha Thalia você sabe que eu não vou engolir nada do que você me disser, que vou continuar acreditando que vocês estão querendo se livrar de mim e de Luke do jeito mais rápido possível e correndo pra salvar Percy. Então, vamos deixar assim, tá bom?

Ela queria me dar um soco.

—Okey.

—Okey — resmunguei de volta e coloquei minha mochila na costa e sai do chalé. Eu havia me despedido de todos na noite anterior, deixei muito claro que se alguém aparecesse na porta do chalé eu mataria. Não queria dizer adeus de novo, pra nenhum deles.

O único que eu não consegui enxotar foi Pegs.

O pégaso estava ali cheirando algumas filhas secas no chão. Assim que cheguei mais perto ele pressionou a cabeça no meu peito. Ele não viria comigo. De jeito nenhum. Era muito perigoso então todos foram de acordo que ele fosse de volta para o Olímpio era por isso que Quíron me deu as rédeas douradas para colocar nele.

Odiei colocar aquilo nele, mas fiz, era pra sua segurança. Thalia o levar embora, mesmo estando verde só com a ideia de voar. Apertei a cabeça dela contra mim depois abracei seu pescoço com força. Ele mastigou meus cabelos e o capuz da blusa de dentro.

Funguei pra afastar as lágrimas e segurei seu focinho na mão, afim de olhar em seus olhos.

—Seja um bom menino, tudo bem? E fique por lá — ele resfolegou nas minhas costas — sim, eu prometo que se precisar eu vou chamar. Pela medalha, okey?

Ele bufou um sim e se afastou para o lado. De primeira eu não entendi, mas depois de assoprar minha franginha que já encaixava perfeitamente na parte de cima dos meus olhos, consegui ver Rany e Miguel parados ali perto.

Meus olhos arderam, mas eu me segurei. Suspirei e cruzei os braços. Se você pensou que Rany correria primeiro, errou. Miguel se jogou pra frente quase caindo e me abraçou, esmagando meus ombros a ponto de eu perder o ar. Killian havíamos ficado mais grudados esses dias aqui, fogueira e o tempo que tínhamos ficávamos conversando e tirando sarro dos outros.

Ele havia me dito, depois do café de ontem, que... bem que não havia mais ninguém que o aguentasse além de mim e Nathy e que eu estava proibida de sair de perto dele e que se danassem ou Deuses. Miguel era filho de militar, o mais novo e o único que não se encaixava na família, ele se considerava sozinho.

Então... Quem quer perder o melhor amigo, não é?

—Se você voltar com uma espinha em um lugar diferente, eu te mato — disse no meu ouvido. Ri pelo nariz e assenti e o abracei rápido de volta quando ele relaxou o aperto. Afastei-me por que mais um segundo perto de Miguel e eu me faria em lágrimas.

—Prometo, manter minhas espinhas no lugar— Ele apertou a minha mão e deu espaço para Rany que estava ali por perto. A loirinha pegou minhas mãos. Se não tinha chorado a noite toda, tinha chegado bem perto disso. Suspirei.

—Eu vou cuidar dele, tudo bem?

—Cuide de você, primeiro, tonta — resmungou olhando para baixo. Rany não era especialmente baixinha, mas era a mais baixinha das meninas, perdendo só pra Lika então eu meio que só via a raiz loira do seu cabelo.

—Bom, isso é lógico — resmunguei e apertei suas mãos de leve. — Eu sei que veio aqui pra isso, Crowfford, então relaxe, por que eu vou cuidar dele pra você. Vou trazer ele inteiro, prometo.

Ela ergueu os olhos. Ela não estava acreditando em mim, não que eu não fosse cuidar de Luke, mas que eu estivesse tão segura como aparentava. Apertei a boca e dei de ombros para pergunta silenciosa. É o tipo de coisa que garotos não entendem eu acho.

“Você não consegue mentir pra mim, idiota, eu te conheço” foi o que ela disse.

“Eu sei, então calada” foi o que eu respondi. Satisfeita ela puxou o ar e ficou ereta e me lançou um olhar duro para alguém tão fofa, franzi o cenho e dei um passo para trás.

—O quê?

—Cuide dele para mim e diga que eu o mandei cuidar de você. E relaxe — um sorrisinho estranho — vou manter Seth na linha.

—Como assim?

—Espera, ele não te contou?

—Me contou o quê?

—Quê... — seja o que fosse que Rany fosse dizer, foi abafado pro um assovio agudo, do outro lado da ala dos chalés Percy acenou para mim, em chamando para a Colina Meio-Sangue. Erguei meu polegar, mas ele ergueu os dois braços e bateu o indicador no pulso algumas vezes.

Franzi a boca, mas me virei para Rany me contar assim mesmo, mas Miguel já a tinha arrastado para longe. Xinguei baixo e dei uma leve corrida até Percy, que vestia uma camisa xadrez por debaixo de um moletom verde-água grosso, e clássicos jeans e tênis pretos, tinha uma mochila na costa e três ou quatro chupões no pescoço.

—Você e Chase se despediram, bem? — Pela primeira vez Percy parecia mal humorado. Franziu o cenho para mim, mas depois relaxou, e deu um sorrisinho de lado de deu ombros ajeitando a mochila nos ombros largos.

—Acho que ela vai ficar com saudades — ri baixo com ele e fui tocando cada chupão com o dedo.

—Eu contei quatro desses, suponho que foi uma bela despedida — ele deu um sorrisinho safado. E o que é mais excitante e bonito de se ver do que Percy Jackson dar um sorrisinho safado? Eu tinha quase certeza que eu estava corando.

Jackson tocou o peito, desceu até a barriga e... mexeu no cabelo.

—Você tem mais de cinco dedos em cada mão?

—Santo Zeus, que sorte hein? — e dei uma tapinha no seu ombro. Ele riu de novo e indicou para andarmos logo. Não falamos muito no caminho, até pro que as poucas pessoas acordadas aquela hora sempre apareciam para falar com ele, desejar sorte e dizer que rezaria por sua volta.

No topo da colina Luke já estava lá, vestido como sempre, só que dessa vez usava um moletom preto grosso por cima da camisa branca, não tinha dormido nada só pelas olheiras, mas deu um sorriso curto pra mim. Quíron disse qualquer coisa que eu não consegui prestar atenção graças a aura de morte que se instalou quando Luke e Percy se encararam.

Hades. Aquilo ia ser um inferno.

Na vã que nos levou até Manhattan a coisa toda só piorou, descemos na estação para pegar um ônibus para San Francisco e eu me sentei no corredor, Luke a frente e Percy do meu lado, no corredor. Tudo ótimo até saímos da cidade, assim que saímos da Lincoln Tunnel, quer dizer dez minutos depois, o motorista achou legal parar fora da rota e deixar uma hippie estranha vendendo “bolinhos de erva cultivadas em casa” entrar, bom o caso foi era: Os bolinhos não eram de maconha e a mulher era na verdade uma empousa.

Percy matou ela, mas destruiu o ônibus e atrapalhou o transito.

E essa brincadeira de mata e corre durou um dia e uma noite inteira. Não comemos e não descansamos, mas conseguimos carona na caçamba de uma picape até Pittsburgh, o que era incrível. Era um senhor que estava dirigindo, mas eles nos deu cobertores velhos para nos aquecer a virada na noite. Ele dirigia como um lunático, mas eu juro que eu preferia morrer com a cara sendo arrancada pelo asfalto do que aguentar aqueles dois.

Percy e Luke entraram numa competição ridícula pra ver quem matava mais monstros, quem corria mais, quem mandava mais... E eu nesse meio ficava como uma idiota sem saber pra onde ir. O fato é eu não conseguia gritar com Percy, ela havia me salvado meia dúzia de vezes naquele meio tempo. A quantidade monstros que tentavam me sequestrar era ridícula e na maioria das vezes Percy acabava me salvando.

Mas Luke era outra história.

Depois de um tempo Percy, mesmo que de leve, não resistiu e pegou no sono, deitado do outro lado da caçamba. Me rastejei até lá, coloquei sua mochila como travesseiro e lhe cobri com o cobertor. Deuses, ele babava enquanto dormia.

Segurei um risinho e voltei para sentar ao lado de Luke.

—O que está acontecendo com vocês? — Questionei por cima do barulho do vento. Castellan me olhou confuso depois desviou os olhos para o carro que vinha atrás de nós.

—Nada, estamos salvando sua vida.

—E eu sou muito agradecida a isso — repliquei — mas que ideia é essa de ficarem competindo pra ver quem é mais idiota?

Luke virou os olhos ejetados para mim.

—E por que só eu estou ouvindo isso?

—Por que faz meia hora que ele salvou meu pescoço e finalmente conseguiu dormir e você apesar de ajudar está agindo como se quisesse que todos esses monstros viessem me agarrar — ele franziu a boca. — Qual é o problema, Luke?

—Você... você viu o pescoço dele? Ele passou a merda da noite inteira transando com a Annie! — Chiou como um pai ciumento. Meu queixo caiu, que merda era essa.

—Se você estiver falando sério, Luke eu juroque vou jogar você desse carro agora, tipo agora — agarrei seu braço como se fosse jogá-lo mesmo. Castellan revirou os olhos e tirou minhas mãos do seu cotovelo e suspirou desviando os olhos para Percy por um segundo.

—Você sabe o quê é.

—Eu suspeito, mas estou rezando para quê não seja algo tão idiota quando um concurso de “quem é o mais forte”. Luke, olhe pra mim e me siga que você não está entrando nesse joguinho.

Ele não me olhou nem respondeu.

Engoli um grito, mas acabei lhe dando um soco forte no braço e me afastei. Aquilo tudo era por causa de Annabeth? Ela nem estava aqui. Não, eu sabia que tinha bem mais que isso. A filha de Atena era só o problema mais obvio, a verdade era que Percy e Luke passaram a vida — e morte no caso do loiro— sendo comparados, mas a verdade era quê eles nunca competiram de fato. Nunca... tentaram —essa não é bem a palavra, mas serve— saber quem era o melhor, por que Luke tentou destruir o mundo logo que Percy descobriu ser meio-sangue e acabou morrendo.

Agora a história era outra. Percy estava uma pilha de nervos por que aquele era o pior plano do mundo. Me tirar de dentro do acampamento junto com Luke Castellan e me levar para o monte Otris. Jackson era lerdo, mas não burro, ele sabia que era a pior coisa a se fazer e eu também concordava, mas havia alguma coisa que Quíron não estava contando ou Rachel.

Não sei.

Só acho que aquela coisa toda tinha que ter um propósito. Bem, além desse fato, a ex-paixão da namorada dele tinha voltado do fundo dos infernos e agora estava assombrando seu relacionamento e ainda por cima pagando de vitima para todo mundo. Ou esse era a visão dele, agora Luke... Eu não fazia ideia do que ele estava querendo com aquilo tudo, se você está se perguntando sobre o laço que eu tenho com ele? Bem, entenda uma coisa. Luke estava namorando com Rany, confuso sobre Thalia e sentido por Annabeth.

Como diabos você quer que EU o entenda? Eu sabia do básico. Sabia que ele estava confuso e psicologicamente debilitado por ser um zumbi e quê não devia ser fácil ser odiado por todo mundo; disso eu sabia, mas havia mais coisas, coisas que ele não queria me contar e eu não sou vidente.

Puxei minha toca mais pra baixo ainda a ponto de cobrir os lados da minha visão, puxei o capuz pra cima da minha cabeça e me encolhi para tentar dormir. Ash não havia aparecido para falar comigo...

Não, eu não estou magoada, nem com saudades e só que...

Tá, tudo bem. Eu... precisava saber onde ele estava, minha esperança era quê ele fosse surgir nos meus sonhos, como antes.

Fechei os olhos, enrolei os dedos na primeira camisa e apertei os olhos.

Ele vai aparecer, eu sei que vai...

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.Narradora.

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—ISSO É ridículo! POR QUEA TIRARAM DO ACAMPAMENTO?! —Apolo apertou os olhos e fingiu desentupir o ouvido, sem desvirar os olhos do espelho de corpo inteiro dentro do seu palácio. O deus-sol suspirou e encarou o filho pelo o espelho.

—Primeiro: abaixe o seu tom, ainda sou seu pai, segundo: por que você está gritando comigo? Tenho cara de deus das fofocas? Vá falar com Afrodite, ela ama você e terceiro:... Por Zeus, Asclépio vá tomar um banho você está horrível, já olhou seu rosto no espelho?

Inacreditavel, como eu posso ser filho desse idiota narcisista? Questionou-se o Deus da medicina esfregando a mão no rosto cansado e com barba rala. Agarrou o cotovelo do pai, finalmente atraindo a atenção do jovem loiro e bonito a sua frente.

—Como você pode estar tão tranquilo? Zeus foi sequestrado e é seu pai — Apolo franziu o rosto perfeito, criando rugas leves entre as sobrancelhas douradas, em um rompante deu um puxão no cotovelo e se virou para o filho irradiando um brilho solar perigoso.

—Vou repetir, reveja seu tom comigo, Asclépio, não pense que não estou preocupado com a situação — o tom estava mais velho, mais maduro. Esse era o pai que Ash queria — sou o deus do teatro e posso agir da forma que precisar, mas você sabe bem que nós não podemos interferir no mundo deles e repito: vá tomar um banho, nem parece filho meu.

E se virou para espelho novamente, sorrindo para a imagem e mexendo nos fios que caiam sedosamente pela sua testa de marfim.

—Isso não faz sentido, pai. Por que tirar ela de lá? — Apolo observou o filho cambalear para o sofá e se sentar no braço do móvel, apoiando a testa nas mãos — o senhor não vê nada?

Apolo ficou muito quieto e isso fez Ash suspirar. Seu pai sabia das coisas, sabia demais, por mais que ele detestasse o comportamento infantil do pais ele sabia bem que para ele não havia muita coisa se não ignorar os grandes acontecimentos, as vezes se perguntava o quão enlouquecedor era saber do destino e não poder mudar nada nele.

—Desculpe a pergunta — sussurrou. O deus-sol abriu um sorriso de repente.

—Não se preocupe, eu tenho um encontro agora, nada pode estragar meu humor — e poop. Ash suspirou e se levantou para ir, a cor amarelo-ovo do chalé lhe doía nos olhos. Evitou o espelho e caminhou olhando para os pés até sua clinica. Sentada no jardim da frente havia uma jovem ninfa. Ash a chamava de Bell pela voz de sino.

Era miúda como qualquer ninfa, mas essa tinha um tom rosado na pele e nos cabelos brancos, os olhos róseos cintilaram ao vê-lo, se levantou do chão e caminhou até a porta e a abriu deixando-o entrar na frente. Ash se arrastou até seu escritório e se jogou numa poltrona de frente a sua mesa. Haviam novos retratos agora.

Não só aquele em família, no aniversario de dois anos de Blythe, mas uma mais antiga, de Nilá e ele na frente da torre Eiffel, nos meses que eles passaram em Paris. Se Sury soubesse que Nilá também gostava de luvas e toucas... Um sorriso lhe escapou, esticou a mão para o último retrato. Era nova. Não tinha um mês.

Convencera a Sury a tirar aquela foto. Era eles dois na cozinha da clínica-casa, Sury comia direto da panela a maça de um bolo de chocolate enquanto duas ninfas realmente assavam alguma coisa ao fundo, Ash estava até os cotovelos sujo de trigo, mas comia a massa de bolo crua também. Ele gostava especialmente daquela foto.

Sury disse a odiara.

—Parece que eu enfiei o dedo em uma tomada! — reclamara quando vira a foto revelada. Era mentira, seus cabelos estavam sim cheios, mas havia cachos finos, poucos, pela primeira vez... Como a mãe. O deus franziu a boca e passou os dedos no rosto da mulher e das duas filhas na foto. Se arrependia tanto de não ter podido dar o pouco de carinho que dava a Sury a Blythe

—Ah, minhas meninas...

—Senhor? — Bell colocou a cabecinha para dentro da sala. Ele lhe abriu um sorriso. Já insistira tantas vezes que ele não precisava de servos, mas ela sempre estava por ali, agora, não sabia o que seria dele mesmo com a pequena ninfa.

—Sim?

—O senhor tem uma visita.

—Quem poderia...? — ambos ouviram sons de correntes se mexendo. — Ah, Éris, deixe-a entrar, Bell.

A deusa da discórdia nem mesmo esperou ser chamada, simplesmente empurrou a ninfa para o lado e se sentou na poltrona de frente de Asclépio, colocando os coturnos com saltos grossos e medianos no tampo da mesa. Bell franziu o cenho desgostosa e saiu de lá.

Asclépio suspirou e olhou para a deusa. A discórdia tinha muitas formas, já a vira em forma de uma freira e mesmo de uma menininha, mas de forma normal, ela parecia gostar de sustentar aquele estilo punk. Mas ela estava quase bonita, o deus da medicina não era fã de piercings ou tatuaguens, então...

Éris passou os olhos no lugar.

—Está bonito isso aqui.

—Agradeço, a sua casa também deve ser adorável — ela deu de ombros e o olhou de canto. Os olhos amarelos com pupilas minúsculas cintilaram.

—Ah, deusas como eu não tem palácios, ou casas adoráveis como essa.

—O que quer dizer?

—Quero dizer que não moro em canto algum — deu um sorriso largo. — O caos está em todo lugar, garoto.

—Veio me pedir um lugar para dormir? — Éris se sentou ereta e tirou os pés da mesa, mexeu nos cabelos arrepiados na nuca e olhou nos olhos verdes do Deus da medicina. Era irritante como ele era educado, ou como a evitava da melhor forma possível.

—E ter que aguentar esse seu sorrisinho, sunshine? Não, obrigada — resmungou. — vim aqui para pedir uma coisa.

—A mim? —Ash ficou surpreso — em quê poderia ajudar?

—Sua filha anda me divertindo muito, mas eu quero que ela faça algo por mim — aquilo não podia ser bom. Ash reprimiu a vontade de dizer que não, que não queria que a filha se envolve-se no que quer que Éris estivesse planejando, mas não era sábio dizer não a deusa da discórdia.

—Pois diga.

Éris abriu um sorriso largo, os lábios pintados de vermelho-sangue se torceram nas pontas.

—Você é mais esperto que aparenta, hein, garoto?

—Não tanto quanto gostaria de ser, infelizmente — ele suspirou — minha inteligência não tem sido de muita serventia, mas farei o que puder para ajudá-la, Éris.

O sorriso da mulher se alargou, mostrando seus dentes brancos.

—Não subestime sua inteligência, Asclépio, você é um dos poucos semideuses, se não o único, que vive nesse inferno nas nuvens. Apenas aceite que há coisas que só as parcas podem decidir — o que ela estava querendo dizer? — Mas vamos a negócios...

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.Sury Carpe.

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Consegui dormir por cerca de meia hora, mas não sonhei. Acordei com um nó na garganta e com Luke me balançando dizendo que o senhor que havia nos dado carona havia dado uma parada em um posto. Bocejei e pulei da caçamba me espreguiçando, olhei para os lados. Era um daqueles postos no meio do nada, para ambos os lados havia só algumas casas, pedaços de mata e pastos, muitos pastos e considerando que estávamos a caminho do Kansas as coisas iam continuar assim.

—Onde está Percy? — Castellan revirou os olhos — Luke, onde o Jackson foi?

—Estou bem aqui, saudades de mim Carpe? — Percy voltava do banheiro talvez, tinha o rosto molhado e com olheiras, também tinha a bochecha ralada. Abri um sorriso.

—Saudades? Você é meu guarda-costas, avise quando for sair okey? — Ele riu — mas, admito, é mais fácil dormir com esse seu cheiro de mar.

—Annie deve ter mencionado isso.

—Uau — resmungou Luke. Apertei os olhos.

—O quê, Castellan?

—Nada, Percy, quem sou eu pra discutir com o grande Percy Jackson, não? — Replicou o filho de Hermes parecendo enjoado. Escondi o rosto nas mãos dei um passo para trás. Meu recuso. Eles que se virassem.

Jackson se virou pra ele.

—Se quiser dizer alguma coisa, Luke, fala.

—Acho que você sabe bem o que eu tenho a dizer, Jackson. Pelo menos finja que respeita a Annie.

Parecia que Percy tinha levado um soco.

—Quem foi mesmo que quase matou ela? Ah, claro, foi você. Se tocares cara, você é a ultima pessoa que pode falar de respeito ou qualquer coisa do tipo, por sua causa muitos amigos meus morreram — Luke estava branco — então...

—Okey! —Me meti — não vamos nos exaltar e...

—Não, Sury — interrompeu Castellan — fala, Jackson.

—Então vá se ferrar, Luke. É isso.

—Acho que você se acostumou em ser o grande herói do acampamento não é?

—Bem, pelo menos faço isso melhor que você. Eu não matei ninguém até hoje.

O rosto do filho de Hermes ficou vermelho, fazendo sua cicatriz se destacar e vi aquele brilho nos azul dos olhos de Luke.

—Acha que o bom, Jackson? Acha que consegue essa missão, sozinho?

Epa, que merda é essa?!

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Notas finais
Eu não gostei muito, maaaas :3