Holding Skies
9 Sobre o Sorriso dos Filhos de Éris, TPM e Sobre os Problemas de Seth Gray .
Notas iniciais
Capítulo Oito: Sobre o Sorriso dos Filhos de Éris, TPM e
Sobre os Problemas de Seth Gray
.
.Narradora.
Nico entrou o mais suavemente que pode dentro do chalé negro, suspirou e se escorou na porta, o stress aliviando com o silencio cavernoso do lugar. Espera, silêncio? Perguntou-se o garoto abrindo os olhos. Seth não estava lá, o que era estranho, fazia alguns dias — dias depois da chegada de Sury Carpe— que seu meio-irmão havia finalmente percebi do quanto aquele lugar era quieto e agradavelmente brumoso, podia ser meio dia, mas havia sempre sombras demais lá dentro.
Algo parecido com o chalé de Éris, por algum motivo.
O filho de Hades suspirou, era bom não ter que aguentar as piadinhas de Seth e não ter que ouvir sua música alta. Arctic Monkeys era uma boa banda, ele tinha que admitir, mas não tão alto e não todo o dia. Suspirou e foi em direção a um dos beliches, o seu, e se jogou de peito pra baixo.
Queria gritar. Não aguentava mais Annabeth preocupada com Percy, quer dizer, não que fosse ruim; afinal ela devia estar preocupada, era o namorado dela — argh, maldita palavra — mas o problema é que ela agia como se fosse a única pessoa do mundo apaixonada por ele, o que era ridículo. Havia obviamente outras garotas caindo de amores por Jackson.
E, é claro, o próprio Nico.
Ele resmungou na colcha de cama e esticou a mão. Os dedos morenos e finos alcançaram algo feito de lã debaixo do travesseiro, o menino puxou o objeto para baixo enquanto se ajeitava na cama virando com o peito pra cima. Nico colocou a touca no nariz. Ah Bianca... Thalia não explicou como a havia conseguido, na verdade Nico suspeitava que ela nem fosse de verdade, mas ele não perguntou e não ligava também. Tinha cheiro de alfazema, ele nunca entendeu o por que da sua irmã cheirar a gente velha, mas ele gostava, lhe trazia lembranças borradas da sua mãe.
Ele ficou daquele jeito por um tempo, antes de abrir os olhos e encarar o estrado da cama a cima, tentando afastar as imagens da sua mente. Por que, pelas três cabeças babonas de Cérbero, eu não paro de pensar nele? Questionou-se irritado, mas as perguntas e imagens não paravam de vir: Será que ele estava bem? Com fome? Com frio? Machucado? Será que tinha morrido? Não, Nico sentiria, não havia na terra ninguém que ele se preocupasse mais e...
—Argh! — Grunhiu e se ergueu com rapidez, como se ele pudesse deixar aquelas pensamentos no travesseiro. Suspirou e pendurou a suposta touca na ponte do nariz, preferindo pensar em alfazemas a no filho de Poseidon. Cerca de cinco minutos depois quando ele decidiu que ia tomar banho e já escondia a touca debaixo do seu travesseiro Lou Ellen e alguns brutamontes de Hefesto escancararam a porta e arrastaram Seth Gray para dentro a força. Di Angelo se levantou e espantou todos os outros de perto do irmão, menos um que não deu sinal que o machucava ou que sairia dali.
Era Guilherme Lannister.
—O quê aconteceu? — Quis saber Nico agarrando o braço livre do irmão. Não parecia que tinha apanhado, mas estava mais pálido e com certeza meio azul enquanto ofegava.
—É o que eu estou tentando descobrir, hã, Gray? — Nunca se teria visto Guilherme tão sério e/ou aborrecido. Os olhos cor de amêndoas estavam brilhantes como a casca de uma noz e duro feito uma também.
“Tsc” dói tudo o que Seth fez.
—Não é da sua conta, bro — emendou virando o rosto para Nico e jogando o peso no irmão, talvez mais velho ou mais novo. Era difícil saber, mas o caso era que Seth era mais alto e fisicamente mais forte, Nico era franzino e baixo, mal batia nos ombros do irmão.
Guilherme franziu as sobrancelhas e com um movimento rápido que ninguém previu, ou se mexeu pra ficar no meio do Grandão, ergueu Gray do chão pela gola com uma única mão. Os olhos ficando vermelhos nas bordas, não como se fosse chorar, mas ficando cada vez mais irritado.
—A partir do momento que é da sua conta é da minha também, Surfista, eu sou teu amigo — a voz do filho de Hefesto não se alterou em momento algum, mas por trás da sua costumeira calma de monge havia um tom rouco que arrepiou os braços de Seth que, constrangido, desviou os olhos. Lembrava-se de Miguel e todos os outros, mesmo Valle e Velkan dizerem em coro, logo que Sury foi embora e eles começaram a se conhecer melhor:
—Guilherme Lannister, AKA Grandão — divagou Miguel como se fosse a chefe do 007 passando uma missão de extermínio. — Filho de Hefesto, filho mais velho de Tâmara Lannister e irmão mais velho adotivo de Sun-Hee Lannister e neto de Olive Lannister. Tem quase vinte e três anos, é de Touro.
—Você sabe o signo do Gui? — Interrompeu Valerie com uma cara enjoada. Miguel colocou um dedo nos lábios sem se virar pra ela.
—Shhh, dark queen, isso é muito importante pra sobrevivência dele — disse muito sério. Naquela época, o apelido tinha acabado de ser criado por Travis que não previu que ela, na verdade tinha gostado do apelido novo, o que foi um troque, já que Miguel havia ajudado na criação do apelido, na época devia alguma coisa a Valle, coisa essa que ninguém nunca soube o que era. Pensou que o clichê a teria irritado, mas muito pelo contrário, tanto que o silence prince ao seu lado acabou gostando do que os amigos tinham criado para acompanhar a irmã.
Valle revirou os olhos.
—Continua então.
—Como eu dizia, Guilherme é um cara muito compreensível e calado, gentil até o último fio de cabelo da sobrancelha, mas o que você tem que entender é que ninguém nunca o tirou do sério e todos nós gostamos de deixar a coisa assim — dissera naquela tarde— O que você tem que ter em mente, Seth, é que Guilherme é a ultima pessoa que você quer irritar ou decepcionar. Tanto que e nunca tiro brincadeiras com ele, Sury me fez prometer.
Agora Seth entendia o que eles queiram dizer. Não tinha só haver com o fato de Gui ser o sexto cara mais rápido do Acampamento nem com a lei da física que afirmava que um soco do garoto afundaria a cara de qualquer um. Estava nos olhos dele. Guilherme tinha olhos de mãe. Havia uma decepção que havia passado a perna em Gray.
—Foi mal, cara — resmungou e olhando. Lannister relaxou a expressão e deu um sorrisinho do lado enquanto o colocava no chão e se virava para mandar os irmãos embora e dizer para Lou Ellen tirar o feitiço esquisito das pernas de Gray. Nico arrastou o irmão para o seu beliche de cor azul clara e se sentou do seu lado enquanto o outro fazia massagem nas próprias coxas.
Eram as piores câimbras da sua vida.
—O que você fez? — Sussurrou o “mais novo” encarando as supercostas de Lannister desconfiado.
—Por que eu fiz alguma coisa? Não poderia ter sido outro — Fazia também alguns dias que Gray estava insuportavelmente sarcástico, quase que como uma velha que vive amargurada numa casa com vinte e dois gatos.
—Considerando que quem pediu desculpas foi você, idiota, o que você acha? — Cuspiu entre dentes. Todos pareciam querer testar sua paciência naqueles dias. Seth desviou os olhos e finalmente ficou ereto e olhou pro irmão.
—Eu não estou conseguindo viajar pelas sombras e eu tenho que sair dessa merda de lugar — disse direto. Nico encarou o rosto moreno do irmão. Cabelos e olhos e um pouco do rosto. Só se pareciam nisso, por que até, mesmo sendo ambos morenos, Seth era mais bronzeado.
—Você bateu com a cabeça muito forte na parede, foi?
—O quê?
—Idiota — Nico escondeu o rosto numa mão, desolado pela burrice do seu irmão “mais velho”. Seth franziu a boca, odiava como Nico se fazia de esperto as vezes, como se soubesse da vida mais que ele. Bem talvez soubesse, mas ele ainda devia ser mais simpático.
—Não curto muito quando estou sendo xingado e não sei o motivo.
Nico ergueu dois dedos.
—Primeiro: se você não está conseguindo viajar pelas sombras é por que não está se concentrando. Eu já lhe disse isso mil vezes, você não pode viajar pelas sombras se estiver pensando... em, sei lá, em como a curva do quadril da Danna de Hebe é bonita.
—Eu nunca... Espera. Você percebeu que a Dan tem um quadril bonito? — Nico quis corar mais se segurou. Fazia algum tempo que Seth vinha dando indiretas, como se para deixar claro que sabia que o irmãozinho era gay, mas nunca por completo. Vinha apenas testando-o.
—Vi, Gray, eu vi sim. Tem como não ver?
—Na boa guri, você está me deixando confuso. Eu não sei se você é não.
—É o quê? — Quis saber Guilherme se sentando no beliche debaixo e depois se percebendo muito grande pro lugar se sentou no chão, passando os braços longos e grossos desleixadamente envolta dos joelhos.
—Nada— se adiantou Nico olhando efusivamente irritado para o irmão e mudando de assunto. — Por que diabos você foi arrastado pra cá?
Gray desviou os olhos, mas acabou respondendo. Não sabendo como lidar com os dois pares de olhos tão diretos e intrometidos.
—Eu estava tentando pegar um pégaso pra ir pra Malibu — resmungou olhando para o pôster de sua amada cidade na parede — então Lou me viu jogou um feitiço de Colar As Pernas e mim e guardou a varinha — Guilherme revirou os olhos com um risinho.
—Varinha? — Indagou Di Angelo sem perceber. Seth suspirou e olhou para o irmão desadorado.
—Feitiço de colar as pernas? Feitiços, Nico. Varinha de pena de fênix? — Ele continuou encarando o irmão até que o queixo de Seth despencou: — Harry Potter garoto! Hogwarts! Deuses, me diz que você viu pelo menos os filmes!
—Ah, sobre o bruxo que sobreviveu, não é? Já ouvi falar.
—Não se ouve falar de Harry Potter, Nico. Ele é o menino que sobreviveu, ele é um herói. Tenho que fazer você lê os livros imediatamente — disse Gray desacreditado que o irmão caçula tivesse ouvido falar de Harry Potter, mas nunca ter lido o quê, na sua mera opinião de potterhead fissurado era um completo descaso com sua formação, afinal Harry Potter forma caráter.
Di Angelo revirou os olhos.
—Não fuja do assunto — Seth revirou os olhos.
—Merda — resmungou, esperando que ninguém ouvisse. Sentiu o baque da sola do all star de estampa militar de Gui na sua canela. O filho de Hefesto assinalou com o queixo para Nico, dizendo com os olhos que queria ouviu a reposta do pedido de Nico.
Seth olhou para os lados procurando uma escapatória. Não queria mostrar o quão desesperado estava, muito menos a sua paranoia com esse tipo de coisa. Mas sabia que ele estava certo. Aquilo ainda ia acontecer, avisou a Troy que fizesse Yahiko ficar longe disso, agora o desastre estava feito e a culpa era sua.
Seth se levantou.
—Não é da conta de vocês, é sério. Não quero meter ninguém numa fria por quê — Guilherme surgiu como uma montanha na sua frente, as sombras do chalé deram um aspecto macabro ao seu rosto, mas o brilho castanho ainda estava lá, irritado. Mas o caso era que Seth poucas vezes na vida se sentira encurralado e esse foi um dos momentos.
Guilherme era tão grande que fazia sombra em Gray e seus um e setenta e nove de altura.
—Eu acho que ficou subentendido o que eu estava mandando, Gray —agarrou a gola do garoto, mas não o ergueu — por quê diabos você está tentando ir pra Malibu?
Não tinha jeito.
Ele tinha que contar.
—Você sabe quando sonha com o quê está acontecendo em outro lugar?
—Sim, é bem comum com meios-sangues — disse ficando mais calmo — continue.
É, não tem jeito, que merda, resmungou para ci mesmo em meio a pensamentos.
—Sonhei que meu sobrinho dava um tiro na minha mãe — o silencio no lugar foi ensurdecedor — e a culpa é minha, posso ir agora?
“Eu sou um monstro descuidado” era a frase que girava entorno da cabeça do filho de Hades.
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.Sury Carpe.
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—Que merda de papo é esse?! — Explodi no meio dos dois, mas nenhum nem o outro me deu atenção, trinquei os dentes e empurrei Luke pra longe quebrando o épico olhar de morte que estava tendo entre eles. Castellan tropeçou e caiu no chão e ergueu os olhos azuis confusos e cintilantes pra mim.
Apontei-lhe o dedo.
—Não ouse tirar essa sua bunda branca dessa droga de asfalto molhado — rugi e me virei para Percy que tinha as sobrancelhas erguidas numa expressão puramente e fofamente linda de surpresa. Sua boca estava entre aberta e havia um sorrisinho ali. Que garoto lindo. Deuses! A quem eu devia agradecer por ter uma visão tão bonita? Ao grande Poseidon ou a saudosa... como era mesmo o nome? Sally! A linda Sally Jackson?
—Você o empurrou— disse mais para si do que qualquer outra coisa. Franzi o cenho e pisquei muitas vezes para limpar a cabeça. Eu nunca tive paciência pra gente lerda, mas Percy Jackson era um nível diferente. Quase tudo o que ele fazia era tão contaminado por essa aura de “garoto-problema com sorriso de dez mil pratas” que era complicado se concentrar.
—É, eu empurrei — lhe dei um soco no peito para fazê-lo acordar.
—Ai, você empurra ele e eu que apanho? — Lhe encarei por um segundo, ou ele estava se fazendo de idiota por que não queria brigar comigo por que eu tinha ganhado a fama de “garota criada do Brooklyn” — o quê é ridículo, por que eu sou do Queens — ou a capacidade de reter atenção dele era igual a de um peixinho dourado.
Concentrei-me na minha raiva e não na sua fofura e o fato que suas bochechas e a ponta do seu nariz estavam rosadas por causa do frio e da água que ele havia jogado no rosto no banheiro.
—A verdade é que eu queria dar uma surra em vocês dois! — Percy franziu o cenho e toda a fofura do seu rosto desapareceu, ele estava irritado de novo. Bem melhor. Assim eu podia brigar com ele— que papo idiota é essa, Jackson?
—Não fui eu que comecei — resmungou desviando os olhos pra um caminhão enorme que estacionava ali perto do posto. Joguei as mãos para o alto.
—Deuses! Estou me sentindo uma babá. Jackson, pelo amor de Deus, se recomponha! — Ele finalmente me olhou, agora estava irritado comigo e alguma coisa nos olhos dele fizeram um arrepio descer minha coluna.
—O quê?
—É — pigarreei , tentando me livrar do nervosismo— você realmente está levando o que ele disse a sério?
—Mas é claro que não! — A ruga entre suas sobrancelhas ficou mais funda.
—Então por que diabos vocês estão nessa guerrinha ridícula?!
—Você sabe o que ele fez? — Revirei os olhos e dei dois passos para frente e ergui o queixo pra pode encará-lo. A raiva borbulhou dentro de mim, muito rápido.
—Ah, mocinho é bom você não me vir com essa história! — ele franziu o cenho e resmungou “mocinho?” — É, pra não te chamar de pirralho, Jackson. Eu não aguento mais essa história de “você sabe o que ele fez?” EU SEI O QUE ELE FEZ E NÃO DOU A MÍNIMA!
Percy estava com os olhos arregalados.
—Eu sei de tudo tá bom? Ele me contou.
—Pelo lado dele, lógico — abri e fechei as mão algumas vezes para me controlar e passei a língua nos dentes. Percy pareceu ficar desconfiado.
—Perseus Jackson, é o seu nome não é? Ótimo. Então, escute aqui, todo o Acampamento, todas as caçadores, todo o Olímpio me contou o quê ele fez. Milhares e bilhares de vezes e eu repito: eu não dou à mínima. Agora eu entendo que vocês fiquem desconfiados, claro. Ela pisou tão feio na bola que a estourou. Entendo que você esteja puto com o que ele disse — me virei para Luke me encarava com carinho ainda sentado, mas arregalou os olhos assustados — Por que ele não tem NADA HAVER com o seu namoro com a Chase porque ele não é o PAI dela nem nada parecido, independente do que tenha acontecido e não tem o direito de dar pitaco na vida de vocês.
Luke prendeu a respiração e eu me virei para um Percy com aquela cara de assustado de novo. Mas eu estava no clima. Eu ai falar tudo o que tinha pra falar.
—Agora, se você está chato desse jeito por causa do passado só se lembre de uma coisa: quem é a merda do herói, naquela merda de profecia? Anda, me responde Percy!
Ele tomou um susto com o grito.
—O Luke — aquilo mais parecia uma pergunta.
—BINGO! Você acertou Jackson, então por favor engula esse seu orgulho ferido por que se não EU VOU FAZER VOCÊ ENGOLÍ-LO A FORÇA! — Berrei ofegando. Percy tinha afastada a cabeça para trás, mas assentiu pra mim.
—Se você diz com essa doçura, tudo bem, claro — respirei fundo e assenti com veemência.
—Ótimo — me virei para o loiro ainda sentado no chão — agora Luke...
—Espera! — Ele se levantou com pressa agarrou meus pulsos— não precisa gritar. Eu ouvi e entendi tudinho, eu juro. Eu não tenho o direito de me meter na vida da Annie, por que ela já é uma mulher e sabe o que faz da vida não é? — Assenti, esperando o resto — e que devo pedir desculpas pro Percy por ter ido falar com ela e ter cirando um clima tenso entre eles, certo?
Franzi o rosto.
—Essa ultima parte não.
—Não? — Perguntaram em coro e se entreolharam incomodados com a sincronia.
—Não, isso ai é problema da Chase — falei dando de ombros — se ela não conseguiu lidar com o fato de você ter ido pedir desculpas sem afastar o pobre e inocente Percy, o problema é inteiramente dela — expliquei categoricamente.
—Problema dela? — Ecoou Luke confuso.
—Pobre e inocente? — Repetiu Percy com aquele sorriso safado do dia anterior. Virei a cabeça o máximo que pude para secá-lo um pouco. Meus Deuses que menino bonito.
—Entenda meu sarcasmo, Percy, por favor — resmunguei desviando os olhos da sua boca, ele riu rouco — e se você gosta de ser fiel a sua namorada acho melhor você parar de sorrir desse jeito — falei beijando a mão de Luke para ele largar os meus pulsos. Coisa que ele fez com cara de enjoado.
—Que nojo,Suh.
—Ué, é verdade. Vai dizer que você... não você é homem, não vê essas coisas — dei de ombros e caminhei de volta pra caçamba. O velho da carona estava pagando suas compras na loja de conveniências.
—Que coisas? — Quis saber o loiro apontei para Percy que estava logo atrás deles, mas a certa distância. O filho de Poseidon ergueu os olhos pra mim, com aquela cara de confusão adorável como um bebê foca.
—O quê?
—Viu? — olhei nos olhos do loiro, tentando passar a sensação — essa cara de bebê foca brincando com uma bola de praia, é difícil resistir — Percy deu um sorrisinho corado.
—Valeu.
—De nada, Jackson, agora é mais complicado quando ele faz aquela cara de... Ah, é difícil explicar, quando ele dizer de novo eu te mostro, Luke — o loiro ergueu as mãos e se sentou do meu lado na caçamba.
—Não, não precisa — respondeu rindo. Dei de ombros e fechei um pouco mais as pernas pra deixar Percy sentar ao meu lado. Trocamos algumas palavras, avisei para Jackson que não se achasse só por que ele era incrivelmente atrativo por motivos estranhos, mas que afetavam toda população norte-americana feminina.
Eles também pegaram no meu pé. Perguntando se eu estava de TPM, acabei fazendo as contas e vi que eles estavam certos então terminei de tocar o terror dizendo que estava mesmo que na próxima semana eu estaria uma pilha de nervos e que era bom que eles parassem com essas briguinhas.
—Sim senhora.
—Ótimo, agora fiquem aqui que eu tenho que fazer umas compras de emergência — me joguei da caçamba e fui caminhando calmamente até a loja. O velho pegou meus absorventes, o que foi nojento, constrangedor e fofo ao mesmo tempo, mas tudo bem, e me pagou um milk shake de morango. O que me deixou bem feliz.
—Deve-se sempre dar doces para ter uma mulher doce — me disse com um sorrisinho amarelado de cigarro, sorri de volta.
—É uma boa lição, senhor.
—Ah, os anos nos dão sabedorias, minha querida. Direi isso ao seu namorado — apontou para o vidro e para os dois calados em de cada lado da caçamba — e qual dos dois seria?
—Ah! Nenhum dos dois, Luke, o loiro é como... um filho pra mim e o moreno, Percy é... um colega muito especial.
—Colega muito especial? — Perguntou insinuativo, levantando e abaixando as sobrancelhas grossas e grisalhas muitas vezes. Não cheguei nem perto de corar, olhei pra Percy de longe.
—Não esse tipo de colega...
—Oh, me perdoe, mas esses jovens de hoje... quer dizer — o pobre senhor começou a se enrolar.
—Infelizmente — completei, e fiz o senhor rir — ele ama muito a namorada, entende? Apesar de eu não gostar muito dela... Espero que os dois fiquem juntos. Por isso estamos indo atrás dela entende, para que ela e o Perce... — elaborei melhor nossa mentira que estávamos indo atrás da namorada de verão de Percy, Annabeth, em Los Angeles, só que éramos jovens e sem dinheiro, mas querendo ajudar nosso grande amigo a realizar o sonho de ficar com a doce Annie.
Modéstia aparte foi a mentira mais melodramática que eu já contei. O senhor me mandou voltar para carro porque ele queria mais um pouco de café e eu fui embora, querendo aliviar atmosfera constrangedora entre Percy e Luke. Bom, esse era o plano, enquanto eu andava pra caminhonete olhei para os meus pés. Os tênis que Nathy havia me dado de aniversário resistiam bem, eu sorria para eles quando uma naja negra como um carvão passou na minha frente e se enrolou no meu tornozelo esquerdo.
Era fria, mesmo pelo jeans e a meia. Era muito fria.
Fiquei estática por um tempo depois a peguei pela cabeça como Ash havia me ensinado a lidar com Mavro quando estava de mau humor. A cobra enrolou a calda no meu braço e se estabilizou ali mesmo então eu a larguei. Eu sei, eu devia ter gritado como uma garota normal, mas não existem cobras tão negras como aquela, nem com aqueles olhos estupidamente verde-amarelados. Só uma.
Era Mavro, mas como diabos ele tinha chegado ali eu nunca ia saber.
Ele me encarou profundamente.
—Como diabos você chegou aqui? —Ele sibilou, mas eu entendi. Ouvi sua voz por trás do chiado, rouca e esquisita como da primeira vez que o vi em forma humana: Éris pediu um serviço a seu pai, há um meio-sangue por perto, deve pegá-lo e mantê-lo com você até uma segunda ordem.
—Um meio-sangue? Mas como assim? Eu... — Mas Mavro não deu a mínima simplesmente se jogou do meu braço e voltou a rastejar para longe de mim.
Fiquei meio segundo parada, o que foi o bastante para fazer os meninos virem até mim. Não tiveram tempo pra perguntar o que eu tinha, por que o caminhão que tinha chegado mais cedo começou a se debater, como se um monstro quisesse sair de lá. Meu estomago revirou lembrando-se de como eu já havia ficado presa numa coisa delas.
Fosse como fosse, a porta do passageiro se abriu e um garoto saiu de lá. Era magro e pálido com os cabelos quase tão pretos quanto Mavro, ele olhou para os lados, jogou o cabelo para o lado e saiu andando como se nada tivesse acontecendo.
—Mas quê diabos... — começou Luke.
—Eu conheço aquele garoto — mas Percy não teve tempo de terminar, uma pena jogada do céu como se fosse uma faca furou a calçada entre seus pés, vi os joelhos de Jackson tremerem de leve enquanto erguíamos os olhos para o céu.
—Esses pássaros malditos — resmungou Percy puxando a famosa e já conhecida Contracorrente, jogou a tampa longe e a espada surgiu. Luke puxou um par de adagas de dentro da mochila e eu estiquei a mão para minha costa, percebendo que a minha lança estava na caçamba.
Xinguei e olhei para Luke, que me entendeu na hora, assentindo.
Eu sorri.
Sai correndo e no mesmo segundo três daqueles pássaros pretos avançaram na minha direção, desviei para o lado e dei um mortal para o lado me salvando de quatro daquelas penas-facas, dei um impulso e sai correndo de novo, podia ouvir os passos de Luke atrás de mim e Percy lutando com mais alguns lá atrás, correndo para a segurança da loja enquanto os mortais corriam para todos os lados.
Dei um salto quando estava perto do carro e acabei dando um jeito no tornozelo que ardeu ao ponto de em deixar mole por um tempo, respirei fundo e curei a torção rapidamente, estiquei a mão e peguei a capa da lança, passei a alça por cima da cabeça e depois a tirei ela bem a tempo de empalar um dos passaram que voava na minha direção.
A coisa virou pó que e eu como uma idiota olhei para cima.
—Merda — cuspi, mas abri um dos olhos a tempo de conseguir me desviar de duas das penas, mas uma pegou de raspão criando uma linha ardida na lateral do meu pescoço. Na jugular. Engoli a seco e virei os olhos para Castellan que tinha os olhos arregalados.
—Você não cansa de quase morrer? — Mas ele não me deixou responder, agarrou meu pulso em arrastando para longe bem a tempo. Uma saraivada de penas, milhares delas choveram na caminhonete fazendo-a parecer massinha de modelar e pouco depois explodir as minhas costas que arderam.
A onde de choque nos empurrou pra frente, mas nos jogamos, batendo com o ombro no cimento frio, mas dando um mortal e continuando a correr. Dei uma risada aguda quando saltei pela janela quebrada da loja e corria para trás do caixa.
—Isso foi tão filme do Sylvester Stallone — ri abertamente, ofegando e puxando minha calça para ver meu tornozelo, inchado, mas não dolorido. Veria aquilo depois, até por que, atrás de uma coluna Percy riu pra mim. Estava mais despenteado que o comum, mais machucado também, mas ainda sim com toda sua carga de charme.
—Um filme ruim do Stallone, hein?
—Cala a boca Jackson, não acabe com o meu momento — meti língua e ergui a cabeça no mesmo momento uma pena quase me atravessou a testa. Passei os olhos pela loja e vi Luke agachado atrás da estante de mamadeiras, havia uma chupeta pendendo perto do seu rosto.
—Não devíamos ter vindo pra vá, se eles entrarem estamos mortos — resmunguei. Luke levantou os olhos para mim e desviou logo depois começando a pensar.
—Percy nos trouxe pra cá.
—Opa, a culpa é minha agora?
—É meio que é — concordei fazendo Jackson revirar os olhos e rebater uma pena pra longe. Mas a culpa era de todos, eu sabia — o que a gente faz Luke?
Ele apoiou o polegar, indicador e o dedo do meio na testa apertando os olhos por cerca de três segundos antes de abrir os olhos azuis e me encarar com um sorrisinho.
—Tem quê ter uma saída nos fundos, eu posso dar a volta e pegá-los de surpresa — franzi o cenho. Não estava gostando dessa história — eu mando um sinal e você se levantam só pra atiçá-los, assim eu posso fazer tudo mais rápido.
—E você vai sozinho?
—Eu aprovo — resmungou Percy olhando do outro lado da coluna— eles estão se acumulando perto das bombas de gasolinas, se você for rápido como antes pode transformá-los em pó sem esforço nenhum.
—Está admitindo que eu era mais rápido, Jackson? — Percy pareceu se virar para dar um soco no loiro, mas seus olhos passaram por mim antes e ele bufou.
—Não espere nada muito alem disso — retrucou— e se você for rápido. Não acho que vá consegui.
—Espere pra ver, Percy — Luke estava com aquele brilho nos olhos de novo. O moreno o olhou de canto, com um desafio óbvio nos olhos.
—Estou esperando — O sorrisinho de Castellan tremeu no canto e meu estomago se deu um nó.
—Espera aí — os dois se viraram para mim, como se lembrassem só agora de que eu estava ali — primeiro: acabem com essa guerrinha de vocês, segundo: Luke eu não lembro de ter deixado você morrer e...
O que aconteceu em seguida é difícil de explicar. Eu lembro bem de ver o filho de Hermes dar um sorrisinho amável de lado e se inclinar pra frente, mas ele não andou ou se mexeu, foi como se ele fosse engolido pela ar e cuspido na minha frente, ainda agachado.
Meu coração parecia que estava quase par explodir e eu não conseguia respirar, havia uma pressão de ar estranha agora onde ele havia aparecido.
—O que Hades...? — Castellan deu uma risadinha pelo nariz com os olhos brilhando e me deu um beijo na bochecha e apertou minha mão.
—Sou o melhor filho de Hermes dos últimos séculos, Suh — disse como se aquilo explicasse tudo. — Vou ficar bem, mamãe, eu juro que vai poder brigar comigo depois, tudo bem? Percy, cuida dela. Vou mandar um sinal, entendeu?
—Vai logo, cara — resmungou, mas parecia incomodado. Luke deu um sorrisinho e saiu correndo para os fundos, uma saraivada voou por cima da nossa cabeça, estourando maquinas de gelatto e sorvete, frascos de shampoo e outras coisas.
Percy aproveitou aquilo e se jogou para o meu lado, ofegando.
—Ele pode se teletransportar? — Guinchei ainda uma pilha de nervos. O filho de Poseidon abaixou os olhos pra mim, engoliu a seco pro algum motivo, se apoiou nos pés e ergueu um pouco o corpo para olhar para fora, havia mais de vinte daqueles pássaros pousados nas bombas de gasolina, mas havia mais chegando.
—Eu só tinha ouvido Connor e Travis falar sobre isso, mas não sabia que era pra valer.
—Ele sumiu no ar! —Guinchei outra vez e Jackson ergueu as sobrancelhas pra mim.
—Você é filha de um deus que não pode ter filhos, domou o Pégaso do Olímpio e sai ressuscitando pessoas por ar — falou categoricamente— e está tendo um AVC por que Luke consegue correr rápido?
Franzi o rosto e ergueu meus olhos. A luz de dentro da loja já havia sido explodida então só a luz do posto nos iluminava e ela também dava um tom estranho e bonito nos olhos de Percy. Perguntei-me também quando é que eu ia superar o charme de Percy de vez.
—Aquilo não é correr rápido, aquilo é correr rápido pra caralho, Percy — ele abriu um sorrisinho.
—Boa descrição — disse desviando os olhos para uma coisa que bateu no seu pé. Era um babador. Apertei os lábios. É Percy babava enquanto dormia. — Desgraçado.
—Vamos logo, Percy — me levantei e sai correndo para a frente da loja ouvindo ele vindo atrás, as aves se eriçando para lançar penas, não havia sinal de Luke. Vou morrer pronto. Jackson agarrou meu pulso para me parar, mas no mesmo segundo vimos Luke aparecer atrás às aves dançando com as adagas, mas algo deu errado. Uma delas que ainda não tinha pousado lançou duas penas que lhe acertaram o ombro e o peito.
Soltei um grito e torci o braço, me livrando por pouco do aperto firme do moreno.
Saltei a janela quebrada estendendo a lança espetar uma ave, que virou pó, girei a lamina para esquerda e peguei mais quatro delas, mas muitas saíram voando. Chiei irritada mais continuei avançando ignorando os gritos de Percy. Mas a verdade que é os pássaros não estavam mais me atacando.
Me ajoelhei ao lado de Luke que sangrava e parecia completamente confuso enquanto Percy lutava lá atrás. Puxei as penas e o Castellan gritou.
—Shiu, seu idiota. Eu disse que era má ideia, escuta sua mão da próxima vez — eu estava chorando. Castellan abriu um dos olhos pra mim, embaçado, mas sorriu e procurou apertar meu cotovelo, franzi a boca, chorando mais.
—Que filho grande o seu — encarei os coturnos com uma ponta brilhante de metal e subi pela calça jeans escura e puída para uma camisa de anime pelas letras escritas embaixo de FullMetal Alchemist, ou seja lá o que fosse havia uma garoto loiro com um braço de metal ao lado de uma armadura, havia também uma moletom cinza velho, um pescoço pálido ao ponto de eu ver algumas veias roxas. Um queixo pontudo logo a cima, uma boca tão bem desenhada que me lembrava de Lee Shun se não fosse pelas duas bolinhas de metal em cima e embaixo, por um nariz fino e bonito que me lembrava alguém e então os olhos.
Por todos os Deuses.
Eram amarelos, tão amarelos quanto um lápis de cor forte. As pupilas minúsculas como de Velkan e Valle.
—Por Apolo... — resmunguei. O garoto sorriu de canto pra mim.
—Bondade a sua, sei que sou bonito — ergueu os olhos — mas vamos primeiro limpar essa bagunça.
Finalmente que ele trazia alguma coisa brilhante nas mãos, a jogou pro alto uma vez, pegou de volta depois lançou aos pés de Percy. Um fio elétrico no teto do posto arrebentou de repente e acertou metade as aves, Percy evitando a morte saltou para frente e correu até nós.
As que sobraram olharam para o que quer que fosse a coisa dourada no chão piaram e voaram desesperadas para longe e pronto. Ele resolveu tudo lançando a bola dourada. O menino deu um suspiro satisfeito e foi até lá, pegou a coisa e voltou caminhando majestosamente até nós.
Percy que estava jogado ao meu lado agora ergueu os olhos pra o garoto, irritado como eu nunca tinha visto.
—Kira, seu moleque... — o garoto deu uma risadinha aguda e jogou a coisa dourada para cima outra vez. Foi então que eu notei, não era uma bola nem nada disso. Era uma maçã. E não só uma maçã qualquer, era dourada e cheirava tão bem que meu estomago estava rugindo como um Leão da Némeia, mas a coisa parecia ter sido feito de metal de tão reluzente, mas não havia reflexo de nós.
Mostrava prédios pegando fogo e pessoas morrendo.
E o Pomo da Discórdia, o garoto estava com o Pomo da Discórdia! Kira, como Jackson o estava chamando deu um risinho de canto e girou a mação entre seus dedos depois olhou para nós, sorrindo.
—Devia ser mais agradecido, Perce, eu salvei a vida de vocês.
—Com essa coisa! Todos avisaram, seu idiota que não devia... Por que você foi atrás disso?! — Eu nunca tinha visto Percy tão descontrolado. Kira abriu mais o sorriso. Hades como aquilo era assustador. Velkan e Valle dificilmente sorriam e quando faziam alguma coisa sempre dava errado pra alguém, mas aquele ali vivia sorrindo. Um sorrisinho de lado que me dava arrepios.
Mas não havia tempo pra isso.
—Calem a boca vocês dois — mandei e ambos em encararam. — Depois falamos disso.
—Do quê você está... wow, isso é legal — mais um risinho da parte de Kira. Eu me concentrei nas minhas mãos e senti o calor nelas e elas brilharam em verde, toquei em Luke que imediatamente respirou melhor e apesar de eu duvidar que a pena tivesse tão chegado perto do pulmão, mas não liguei, só quando a ferida se fechou e não havia mais manchas de sangue nem cicatrizes.
Castellan suspirou e se ergueu um pouco, mas sem sair do meu colo.
—Obrigada, Suh — lhe deu um soco bem onde estava a ferida depois o abracei por um tempo — está tudo bem.
—Ah, não está não, ainda tenho muito que reclamar — resmunguei. Luke riu abertamente e levantou os olhos para o garoto em pé que ergueu uma sobrancelha surpreendentemente bem feita.
—E você é?
—Akira Reeve, mas me chame de Kira, querido.
—Kira — chamou Percy — explique-se.
Pela primeira vez, Kira tirou o sorriso da boca e diferente do que eu esperava, não ficou mais reconfortante. O garoto passou a mão nos cabelos escuros com as pontas tão douradas quanto a maçã.
—Eu disse que ia consegui-la — rugiu com a voz um tom mais grosso— e aqui está. Ninguém vai mais duvidar de mim.
—Consegui-la? — Questionou Luke confuso, apontei com o queixo para a maçã na sua mão, o loiro prendeu a respiração — por que Hades você está com isso, menino?! Isso vai acabar te matando, você sabe quê...
—Que só Éris pode tocar na maçã sem ter toda a energia sugada? — Resmungou Kira, com um levantar de sobrancelha desdenhoso — claro que sei, não pense que eu sou idiota. Mas tem uma coisa que você não sabe, Luke Castellan, é que eu sou o filho mais poderoso de Éris, o Pomo não me suga nada, eu sei controlá-lo.
Como ele sabia que Luke era Luke eu nunca ia descobrir por que naquele momento uma nuvem negra e dourada fez puff entre nós e uma mulher se postou atrás de mim, Luke e Percy. Kira, já pálido, ficou tão branco que as veias esverdeadas das têmporas apareceram, mas com um respirar fundo ele se recompôs.
—Sabe controlá-lo, mas não a si mesmo, não é fedelho? —Aquela altura já sabíamos quem era. Éris passou a perna por cima de nós e encarou o filho, se vestia como da primeira vez que eu a vira, mas agora os cabelos lhe caiam em cachos lindos pelas costas.
—Ora mamãe, lembrou-se de mim, foi? — Desdenhou com fogo nos olhos.
—Não me teste seu moleque, me dê o Pomo agora — Kira o jogou para o alto.
—Ah, você o quer? — E fez a coisa que me fez amá-lo e temê-lo — vem pegar.
Kira Reeve era doido, completamente louco.
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