Hogwarts Terceira Geração - Interativa
11 A Profecia
Notas iniciais
Lilith Saphire Noble — POV's
O cheiro forte de mofo úmido da enorme câmara secreta não se comparava àquela sala, a qual eu abrira. Parecia que ela estivera há muito mais tempo fechada e devido a tal estava completamente empoeirada. Mas eu não me importava, aquele cheiro significa que eu descobrira algo e não era uma simples descoberta.
Respirei fundo e senti o aroma tomar conta do meu corpo, em seguida, dei um passo à frente e adentrei o salão. Era bastante escuro. Não havia nenhuma iluminação sequer, portanto, apanhei minha varinha de dentro das vestes e mentalizei uma lâmpada se acendendo e iluminando todo o local.
—Lumus— Disse e uma luz surgiu da ponta da minha varinha.
Naquele momento fui capaz de localizar algumas mesas de madeira e prateleiras nas paredes. Pareciam muito velhas e continham vários potes e livros ainda mais antigos. Me aproximei de alguns enquanto observava atentamente todo o local. Um dos livros cativou minha atenção.
Ele possuía uma capa de couro preta e nela estava escrito em letras garrafais e de tinta prateada "Diário de Feitiços de Slytherin". Meus olhos se iluminaram quando assimilei as informações. O apanhei rapidamente dentre as mãos e limpei a poeira e as teias de aranhas que impregnavam em sua superfície com a manga das vestes.
Nunca pensei que pudesse estar tão próxima de Salazar quanto agora. Mesmo sendo uma de seus descendentes e carregando seu sangue em minhas veias nunca me sentira tão privilegiada. Eu possuía um trunfo em minhas mãos e não teria medo de usá-lo.
Guardei o diário junto de mim e continuei por um longo tempo admirando cada objeto secreto daquela sala. Quando estava prestes a voltar para meu dormitório, acabei por esbarrar em um pote sobre uma das mesas e quase o derrubei no chão, porém fora rápida o bastante para segurá-lo a tempo.
Observei curiosa. Haviam várias bolinhas transparentes dentro do vidro. Elas eram brilhantes como pequenas bolas de cristal porém mais densas e era como se uma névoa branca flutuasse em seu interior. Continuei encarando-as, confusa e admirada. Eram realmente bonitas e eu não fazia ideia do que poderiam ser. Passei os olhos ao redor do vidro, contudo não havia nenhum bilhete à vista, ou alguma etiqueta sobre seu nome.
Dei de ombros e segurei o pote contra o meu corpo. Senti o volume do livro que apanhara dentro das vestes e uma luz de acendeu em minha mente. Era bastante provável que dentro daquelas páginas preciosas houvesse alguma informação sobre cada objeto naquela sala, incluindo a respeito do pote interessante ao qual segurava com a mão direita, enquanto levantava a luz da varinha com a esquerda.
Teria um excelente motivo para ficar acordada essa noite: explorar as páginas do caderno e procurar sobre as esferas luminosas, que encontrara. Cobri ambos com as vestes verdes da Slytherin e me precipitei a sair daquele salão. Assim, que dera as costas para o portal, me virei e reverti o feitiço de luz em minha varinha, para em seguida apontá-la para a porta e afirmar em ofidioglossia:
—Feche-se! Por Slytherin, ordeno que feche!
A passagem rapidamente começou a se mover e a se fechar. As paredes se encontraram e selaram-se em uma. Observei ao meu redor, tendo a certeza de que obviamente estivera sozinha, por fim, sorri internamente. Estava contente por tudo que descobrira, porém me apressei para deixar a Câmara, uma vez que já deveria estar em meu dormitório há algum tempo e não gostaria de causar suspeitas.
Joanne Jordan — POV's
Senti um frio na espinha quando os olhos severos e desapontados de uma mulher de meia idade, de cabelos volumosos e castanhos avermelhados, me atingiram em cheio. Ela estava me fixando e balançava a cabeça negativamente enquanto me encarava.
—Joanne Jordan! Que decepção! Como pode atacar uma de suas colegas, especialmente uma colega da mesma casa! — Rose balançou as mãos em minha direção.
Suspirei sentindo raiva por ter sido pega e abaixei a cabeça, encarnado meus próprios pés. Assim que atacara Lilith e ela deixará o Salão Principal às pressas, todos explodiram em palmas e risadas. Me senti totalmente vitoriosa, porém não tardou para que alguém aparecesse e trouxesse um dos professores, ou melhor, a ranzinza professora Madelyn.
A loira se encarregou de me repreender e, embora eu não quisesse, me arrastar pelo pulso para fora do salão até as gárgulas que protegiam a sala da diretora, no caso a prima de minha mãe, Rose Malfoy, filha dos meus tio avós Ronald e Hermione Weasley.
—Todos aqui somos uma família e não atacamos nossos familiares! Não somos inimigos uns dos outros, Joey! — Ela despejava as palavras ásperas sobre mim — Você devia se envergonhar, acabou fazendo com que a Srta. Nobel desaparecesse! Não sei o que dizer...
Ela deu algumas voltas em seu escritório, para logo, parar a minha frente decididamente.
—Devemos ser unidos, portanto você terá que pedir desculpas a Srta. Nobel.
—O que? Você só pode estar brincan... — Murmurei e levantei os olhos para encará-la, perplexa, mas fui interrompida.
—Alem de ganhar duas semanas de detenções com a Professora Madelyn, que a trouxe humildemente até mim, e não queria fazê-lo... Mas será melhor se o fizer... Mandarei uma carta avisando sobre seu péssimo comportamento a minha querida prima, Dominique Jordan.
Arregalei os olhos. Ela não podia estar falando sério. Primeiro, me fazer me desculpar com àquela cobra da Lilith? Depois ela resolve incomodar a meus pais? Eu esperava uma detenção, mas ela estava indo longe demais.
—Estamos entendidas, Joey?
Não a respondi, apenas revirei os olhos e dei as costas para ela. Madelyn já havia nos deixado, quando Rose atendeu a porta, portanto me dirigi até a saída sem dar-lhe resposta e a mulher me seguiu. Quando abri a porta para sair, foi que ela me alcançou. Senti sua mão em meu ombro.
—Ei, isso é para o seu bem. Só estou colocando ordem por aqui.
Continuei demonstrando desinteresse, quando uma voz feminina e bastante conhecida atravessou nossos ouvidos. Desviei o olhar para o corredor e avistei quem eu menos esperava ver. Depois do nosso duelo, ela simplesmente desaparecera da escola. Jack e outros foram procurá-la, mas não a encontraram e por isso estavam me acusando ainda mais. Agora eu os via juntos.
—Ah, olha que ótima oportunidade! Porque não pede desculpas para ela agora mesmo? — Rose sugeriu e me empurrou em sua direção.
Encarei-a enquanto a loira seguia em nossa direção junto de meu primo. Ela sorriu para a diretora, quando parou a nossa frente.
—Eu estou bem, diretora. Jack me disse que estavam a minha procura... Estou aqui e já vou me deitar...
—Ah, que ótimo que está bem, minha querida — Rose colocou a mão em seu ombro — Obrigada por encontrá-la, Jack — Ele sorriu — E Joey, acho que tem algo a dizer, não é?
Mordi minha bochecha enquanto encarava-os, porém para acabar logo com aquele sufoco e não ter de fazê-lo em público me entreguei.
—Eu... Sinto muito, Lilith... — Soltei ainda que sem a menor vontade de fazê-lo.
A loira sorriu para a diretora e, como sempre, pareceu a mais inocente e doce de todas as garotas. Delicada como da verdadeira realeza.
—Ah, obrigada, Joey. Aquilo, não foi nada. Estou bem e me desculpe também — Ela ainda sustentava o sorriso quando se virou em minha direção e estendeu a mão amigavelmente para mim — Perdoada?
Engoli em seco e me virei para encarar Jack, ele estava ao lado da garota e apenas me encarava de volta. Todos esperavam que eu retribuísse Lilith, mas no fundo o que mais queria era desaparecer em meu dormitório das quartanistas da Slytherin. Todavia, suspirei e apanhei a mão da loira.
—Sim...
Lily continuou sorrindo quando se despediu de nós e caminhou pelo corredor em direção às escadas. Jack me lançou um olhar de alívio antes de deixar o corredor também, provavelmente, por eu ter obedecido a diretora e não ter causado problemas, bom, talvez fosse porque ele não sabia que havia conseguido 2 semanas de detenções com a pior das professoras, e o pior! Meus pais iriam saber do acontecido o quanto antes!
—Muito bem, Joanne — Rose me parabenizou e pousou às mãos em meus ombros. Ela me chamara pelo meu nome, isso soava tão formal, quase ninguém o fazia — Agora, porque não volta para seus amigos? E sua detenção começa amanhã, às 19:00.
Assenti com a cabeça e antes quer lá pudesse estragar mais a situação acenei e parti até os grandes lances de escada. Quando comecei a descer apressadamente, apenas imaginando o conforto da minha Comunal nas Masmorras, acabei por perceber que a 'rainha' é meu primo ainda não haviam terminado de descer. Eles tavam parados nos lances de escada abaixo do qual eu estava. Me abaixei para que não os atrapalhasse e observei-os de longe. Afinal, porque haviam parado?
—Hey, Saph, vamos! — Jack exclamou quase como se implorasse.
—Do que você me chamou? — Lilith o encarou perplexa.
—Saph? Eu ouvi um professor se referir a você como Lilith Saphire e achei um nome muito bonito. Tem problema?
—Ninguém me chama assim — Mas ela não estava nervosa como eu quando Rose me chamara de Joanne, ela parecia mais chocada e talvez, um pouco amolecida.
—Bem, sempre tem uma primeira vez para tudo — Jack sorriu — E uma dessas é a que estou te pedindo agora... Confie em mim, eu quer te ajudar. Eu sei que a Joey é minha prima e o que ela fez foi errado, mas eu não quero que você fique mal... Eu quero que saiba que estou do seu lado e queria muito poder te ajudar... De alguma maneira — O moreno sugeriu, ele estava um degrau acima do de Lilith, então, ele colocou a mão em seu ombro e os aproximou ainda mais.
A loira deu um passo atrás e o encarou de volta. Parecia estar pensando na possibilidade. Senti meu estômago se revirar com a vontade que sentira de pular de trás das escadas e atacar Jack de surpresa! Como ele ousa me tratar daquela maneira? E ficar do lado daquela cobra? E eu ainda o fiz entrar para o time de quadribol! É imprescindível!
—E como posso confiar em você e você vive por aí com aquela sua prima? Além disso eu estou bem e trabalho sozinha.
A loira se virou e voltou a descer, quando o moreno a alcançou e puxou-a levemente pelo antebraço.
—Eu não vou mais ficar com ela... Eu quero te ajudar. Vou ficar ao seu lado. Pode confiar em mim, de verdade — Jack levantou dois dedos e os levou a têmpora direita — Dou minha palavra.
Lilith analisou sua resposta e depois olhou em volta. Ela não percebeu que eu estava observando, pois me abaixei atrás das escadas. Como não havia mais ninguém a loira acabou suspirando e cedendo. Ela puxou Jack para mais perto e sussurrou algo em seu ouvido, que fora baixo demais e só me permitiu escutar uma pequena parte:
—Ótimo... Vou confiar em você, mas caso me desaponte... Não serei compassiva — Jack concordou — Aliás tenho mesmo algo em que possa me ajudar...
Lilith continuou, porém não pude escutá-la e apenas percebi que Jack concordou e, por fim, eles deram as mãos, assim como quando eu disse que a perdoava mais cedo, e continuaram a descer. Jack parecia extremamente contente em ter conseguido o que tanto queria e nem sequer se importou comigo, já Lily não parecia totalmente a vontade em ter um ajudando, mas também parecia se sentir lisonjeada e, talvez, eu diria, até mesmo vitoriosa por ter tirado o único que falava e se importava comigo... Ou que ao menos era o que eu pensava.
Me sentei em um dos degraus da escada e encarei minhas mãos enquanto assimilava a situação. Havia perdido meu único amigo, se é que poderia considerá-lo assim, e estivera sabendo sobre algo realmente importante. Lilith parecia prestes a tramar alguma coisa e eu precisava descobrir do que se tratava, antes que fosse tarde e ela conseguisse alienar a todos, como fizera até mesmo com meu primo.
Violet Carver — POV's
No dia seguinte, durante a tarde, pouco depois do almoço. Resolvi dar uma volta pelo castelo com minhas melhores amigas para nos dirigirmos até a biblioteca e estudarmos um pouco. Glenda e Giselle, as duas haviam participado da confusão do dia anterior, quando duas meninas da Slytherin duelaram no Salão Principal, e esse havia se tornado o assunto do momento.
—Eu nunca imaginaria que aquela garota de cabelos coloridos conseguiria vencê-la! — Minha amiga morena comentou.
—E muito menos eu! Lilith parecia tão segura e ela sempre foi tão poderosa — A loira concordou.
—E aquele feitiço que ela usou, Giselle? — Glenda perguntou abismada — Eu nunca ouvira falar!
Agora elas falavam de Joey. Ela usara um feitiço bastante diferente para atacar Lilith e, com certeza, fora o que a fizera vencer.
—Mas ela atacou a Lilith de surpresa! Ela nem sequer estava olhando! Isso foi errado... — Gi comentou enquanto passávamos pelo corredor.
—Pode ser, mas ela foi bastante sábia também, para conseguir vencer de uma dominadora dos elementos! — Glenda parecia bastante surpresa e apenas ri delas.
—O que foi? — A loira me perguntou e deu um empurrãozinho, o que só me fez começar a rir ainda mais.
—Vocês estão tão hilárias, discutindo sobre o duelo... Parece até que eram duas profissionais... — Segurei o riso e coloquei a mão na barriga — Elas são apenas duas meninas que não deveriam estar se enfrentando... Digo, elas são da mesma casa e não são inimigas de ninguém. São só duas meninas.
Ambas me encararam, depois de ouvirem meu pequeno discurso e Glenda colocou as mãos na cintura. Sorri para elas e, resolvi continuar andando, uma vez que havíamos parado para conversarmos mais intensamente.
—Lá vem Violet e seus discursos de ideais... — A morena revirou os olhos, mas logo me abraçou pelos ombros — Mas é isso que amo em você. Uma total Hufflepuff! Até pensa igual a ela!
—A favor da igualdade! — Gi levantou o braço direito para cima como se segurasse uma bandeira.
Não consegui conter o riso. Elas eram realmente as mais engraçadas e divertidas da escola. Amava o tempo que passávamos juntas e estava contente por tê-las comigo. E com certeza tinha muito orgulho da minha casa, entretanto não achava que me assemelhava a Helga, ela fora uma mulher extremamente incrível e não poderia me comparar a ela, apesar de ter ficado realmente lisonjeada com o elogio de minhas amigas.
Continuamos andando, em meio a risos, Glenda e Giselle entrelaçavam seus braços nos meus, quando finalmente avistamos a porta da biblioteca. Estávamos a poucos metros de distância, quando a garota de cabelos castanhos e curtos parou de andar e acabou por nos puxar para trás junto dela. Encarei-a confusa, mas fora Giselle que a indagou:
—O que foi, Glenda? Porque parou?
—Ei, meninas... Olha aquilo ali! — A garota não desviou o olhar em nossa direção. Ela estava realmente compenetrada em alguma coisa no final do corredor.
Acompanhei seus olhos e me deparei com o reflexo de luz brilhante. De início, não consegui entender do que se tratava, porém quando começamos a nos aproximar e meia olhos se ajustaram a imagem pude perceber que eram duas pequenas esferas transparentes, porém densas. Elas se iluminavam e cativaram nossas atenções. Não fazia ideia do que eram, porém pareciam ter o valor de pedras preciosas e nos encantaram como tal.
—É tão linda! — Glenda abriu os lábios em um sorriso e se abaixou quase como se estivesse em um encanto.
—Muito... Eu quero para mim! — Giselle se soltou de mim e se agachou também.
—Ei! Fui eu quem vi! — Glenda tentou empurrá-la para longe.
—Tem o bastante para nós duas! — Gi retrucou.
Encarei as esferas e senti que precisava possuí-las. Eram tão magníficas. Elas pareciam me chamar e portanto, me joguei no chão, entre as meninas e estiquei as mãos para apanhá-las, entretanto, a loira agarrou meu braço esquerdo enquanto a morena agarrava o direito e me impediram.
—Mas e eu? Também quero! — Puxei meus braços para me soltar delas.
—Eu as vi e serão minhas!
—Nem pensar, Glenda! — Gi atacou-a e as duas se fuzilaram com os olhos.
Tentei mais uma vez me apoderar das esferas enquanto as duas discutiam, contudo a loira foi rápida demais e apanhou uma delas antes que eu pudesse e a morena, raivosa, me empurrou e apanhou a outra. As duas seguraram suas bolinhas entre as mãos e sorriram admiradas, enquanto eu tentava me levantar do tombo que havia levado de Glenda.
—É tão linda... — Gi comentou observando sua esfera.
Elas suspiraram encantadas e me senti traída por não ter a posse de nenhuma delas, todavia não demorou muito para que me arrependesse de tê-la desejado, assim que algo aconteceu diante de meus olhos. No impulso só consegui clamar por ajuda enquanto as observava.
Lary Malfoy — POV's
Mais para o fim da tarde, toda a equipe de quadribol da Gryffindor se encontrou no campo para treinarmos. Daqui a um mês daríamos início aos jogos, que seriam abertos por nossa casa contra a Ravenclaw. Portanto, tínhamos que nos esforçarmos o bastante para vencermos a partida.
Felizmente, eu e a garota ruiva, a quem tenho o orgulho de chamar de melhor amiga, havíamos voltado a nos falar e estávamos mais próximas do que nunca. Agarrei seu braço enquanto caminhávamos em direção ao centro do campo, já usávamos nossos uniformes vermelhos e dourados de quadribol.
O nosso novo capitão, Maxwell se encontrava junto às bolas e uma garotinha saltitante e entusiasmada, sua irmãzinha e nova apanhadora, Patrícia. Um pouco distante, os outros integrantes do time conversavam entre si e Brendan e Jensen, tentavam tirar certas dúvidas do novato, Peterson.
Nos aproximamos e assim que Max percebeu que estávamos todos presentes, levantou o apito aos lábios e assoprou decididamente. Pati parou de saltitar ao redor dele para lhe dar completa atenção. Os meninos se voltaram para nós quatro e, eu e Marie, nos concentramos no garoto.
—Certo. Esse é o nosso primeiro treino como a nova equipe oficial da Gryffindor. E daqui exatamente quatro semanas e três dias teremos o primeiro jogo, então, precisamos treinar bastante e para isso estive elaborando um novo método... Muitas equipes decidem treinar junta, uma contra a outra, ou quem sabe apenas jogarem, treinando uma espécie de jogador por vez, por exemplo, treinar os artilheiros depois o goleiro, mas faremos diferente — O garoto segurava a goles e a passava de mão em mão enquanto discursava — Vamos simular um jogo de verdade e nos dividirmos em duas equipes menores. Somente a patrícia vai disputar sozinha, ela simplesmente terá que encontrar e Apanhar o Pomo.
Observei-o enquanto explicava o que teríamos de fazer, mas uma dúvida surgiu a minha mente. Maxwell podia ser incrível nos esportes, porém certamente não era dos mais inteligentes, embora fosse muito esperto. Assim, estendi minha mão no ar e ele pausou e me encarou.
—O que foi, Lary?
—Como nos dividiremos em duas equipes se temos apenas um goleiro e três artilheiros? — Eu poderia apostar que ele apenas pensara nos batedores, uma vez que era um.
—Ótima observação — Ele sorriu radiante — Mas eu pensei nisso e portanto um de nossos artilheiros, nesse caso Jensen, vai tomar o papel de goleiro e em nosso próximo treino será você e no outro, será Peter. Assim poderemos treinar calmamente e caso algo aconteça com nosso goleiro — E assim ele se virou para Brendan — E esperamos que não. Qualquer um de vocês poderá substituí-lo sem problema algum e perderemos um artilheiro mas não o nosso goleiro.
Dessa vez, ele havia me pegado. Eu não poderia imaginar que ele pensaria em tudo. Max havia me feito comer a língua com os dentes, quão inteligente ele estava se tornando? Ou esse seu lado aflorara apenas porque ele era um capitão agora? O encarei surpresa e admirada quando, ele apontou em minha direção. Me assustei. Por qual razão ele estaria olhando para mim? E foi aí que percebi, não era para mim, mas para Marie que ele apontara.
—Agora, eu e Marie, os batedores, escolheremos nossos times, ou seja, um goleiro e um artilheiro para podermos começar o treino, certo?
Todos assentimos e a ruiva ao meu lado se aproximou do moreno. Ambos se entreolharam e, no segundo seguinte, estavam disputando pedra, papel ou tesoura, para ver quem escolheria primeiro. Marie entreabriu os lábios e sorri internamente, aposto que ela conseguira prever qual era a sua cartada, uma coisa que as vezes era tão fácil quanto piscar o olho para ela. Maxwell jogou tesoura e Marie o acertou em cheio com uma pedra, então o garoto resmungou baixo e ela sorriu para nós.
—Eu escolho Brendan como goleiro! — O moreno surpreso caminhou em sua direção e Jensen se colocou atrás de Max.
Arregalei os olhos, não imaginara que a pessoa que Marie fosse escolher seria Brendan, pensei que eu fosse sua primeira escolha. Eu entendia que ela gostaria de jogar com um goleiro de verdade e profissional, ao qual estivera no time por quatro anos seguidos, mas realmente não entendi porque ela o colocaria como mais importante que eu, que certamente a escolheria mesmo que fosse péssima, o que não era verdade.
—Minha vez — Max mexeu as sobrancelhas em minha direção — Escolho Lary como artilheira.
Mais uma vez me surpreendi, todavia logo me contive quando percebi qual fora sua jogada. Ele me escolhera por ser uma artilheira há mais tempo que o novato e também por ser a melhor amiga de Marie e ela ter escolhido o melhor amigo dele. Estavam quites e os times haviam sido formados. Me coloquei atrás dele e Peterson atrás da ruiva.
—Beleza, vou soltar as bolas e vamos nessa! — Max soltou o pomo de ouro e os dois balaços e apanhou a Goles, então se virou para Marie — Par!
—Impar!
Ambos jogaram e mais uma vez a ruiva venceu. Ele lançou a bola para Peter, o artilheiro do time dela e apitou. Todos subimos e impulsionamos nossas vassouras para sobrevoarmos o campo. Patricia começou a rondar todo o percurso à procura de algum brilho de luz do reflexo das ágeis asas do pomo, enquanto Peter partia em direção a Brendan para marcar o gol.
Consegui ser mais rápida e entrei em sua frente e lhe roubei a goles. Voei em direção a Jensen. O garoto me lançou um olhar e pisquei para ele, tentando avisar que iria vencê-lo quando uma mão passou por debaixo do meu braço, sem que eu fosse capaz de prever e com tamanha agilidade, o loiro novato me roubou a bola. Marie riu e se preparou para lançar um balaço, porém hesitou quando seu artilheiro voou em direção ao goleiro.
Maxwell fez uma careta enquanto eu partia atrás do garoto. Impulsionei o meu corpo para frente para que pudesse aumentar a velocidade e me preparei para segurar a goles antes que Peter conseguisse lançá-la ao gol. Senti o vento contra meus cabelos curtos e algumas pequenas mechas loiras invadiam os meus olhos. Estiquei os dedos para frente já a centímetros de distância do loiro quando algo se chocou contra o meu antebraço e fui empurrada para o lado. Agarrei o cabo da vassoura com o intuito de não me desequilibrar e gemi baixinho, enquanto me virava para o local de onde viera o balaço e para minha surpresa, não fora Marie quem me acertara e sim, Maxwell.
Reuni todas as forças que me possuíam quando escutei Peter comemorando o gol que fizera e Brendan infelizmente se desconsertara e não conseguira defender a goles. Franzi o cenho em direção ao moreno alto e me aproximei dele enquanto apertava o braço dolorido.
—Maxwell! Você é maluco? Porque me acertou? — Bracejei frente a ele.
O garoto coçou a nuca um pouco desconcertado e sorriu amarelo em minha direção.
—Foi mal... Estava mirando no Peter, mas vocês estavam próximos...
—Eu sou do seu time! Que ótimo capitão você é! — Aumentei o tom de voz e fiz com que o jogo parasse e todos prestassem atenção em nós — Um que ataca seus próprios jogadores!
—Ei, isso não tem nada a ver com ser capitão — Ele atirou as palavras em mim.
—Você fez de propósito!
Naquele momento, Brendan e Peterson se colocaram ao lado de Maxwell e, consequentemente, Jensen e Marie se colocaram ao meu. Agora discutíamos de três contra três.
—Voce não podia atacá-la! Ela era do seu time! — Marie me defendeu.
—Ele não fez de propósito! — Brendan gritou contra ela.
—Foi um acidente! — Peterson defendeu-o.
—Mas poderia tê-la machucado de verdade! Tem que prestar mais atenção! Belo capitão! — Jensen atacou-o e senti-me bastante contente por ter pessoas ao meu lado.
Continuamos gritando um contra o outro freneticamente até que um grito estridente invadiu o campo e fez com que todos parássemos e olhássemos em volta. Era Tiça, ela segurava o Pomo e apontava para uma pessoa no centro do campo, em baixo de nós. Um garotinho tentava chamar nossa atenção e, assim, impulsionamos nossas vassouras e descemos.
—Maxwell! Patricia! Rápido! — Era Tom, irmão de ambos e ele parecia bastante aflito.
Não consegui entender o porque daquilo. Ele tinha que ter um bom motivo para atrapalhar o nosso treino e não fui capaz de imaginar qual poderia ser. Contudo, assim que nossos pés se encontraram com a grama recém-cortada do campo de quadribol, Tom saiu em direção dos irmãos e começou a puxá-los pelos pulsos.
—Rapido!
—Ei, espera! O que foi? Porque você interrompeu o treino? — Perguntei enquanto cruzava os braços completamente confusa e curiosa.
Marie se colocou ao meu lado e encarou-o com uma expressão bastante semelhante a minha.
—A Malina! Ela... Ela ta muito mal! Ela não para de chorar! Aconteceu... — Ele tomou fôlego antes de continuar — Alguma coisa com a Violet!
Franzi o cenho e me virei para encarar a ruiva ao meu lado. Ela pareceu tão confusa quando eu. Maxwell e Patrícia rapidamente agarraram-se em Thomas e o trio de irmãos saíram correndo campo a fora. Todos jogaram suas vassouras no chão e nem olharam para trás.
—Hey, vamos também! — Marie me chamou e rapidamente obedecia-a.
Ambas nos livramos de nossas vassouras também e saímos correndo atrás deles. Brendan, em poucos, segundos começou a nos alcançar e apenas Jensen e Peterson, ainda mais confusos permaneceram no campo. Me virei e gritei para os dois:
—Peter! Jensen! Guardem as vassouras e as bolas! Acabou o treino por hoje!
Embora não fosse uma capitã, sabia que eles precisavam de uma explicação e não poderíamos simplesmente abandonar o campo daquela maneira. Max poderia tê-lo feito, todavia eu precisava finalizar aquilo antes de continuarmos.
Puxei Marie pelo cotovelo para apressarmos o passo e aumentamos a velocidade enquanto corríamos atrás dos irmãos e com Brendan a poucos centímetros de nós. Quando chegamos até o castelo, passando pelos portões e deslizamos pelos corredores sem prestarmos atenção em ninguém. Todas as pessoas que estavam transitando em nosso meio, se virou para nós encarar, por estarmos correndo daquele jeito, mas apenas quando duas delas passaram a nos acompanhar e correr ao nosso lado foi que demos atenção a essa multidão.
Eram meus irmãos Klaus e Frederich. Ambos se colocaram ao meu lado e de Marie enquanto corriam para nós acompanhar. Eles pareciam confusos e curiosos quando o mais velho abriu a boca:
—Onde estão indo? O que ta acontecendo?
—Alguma coisa aconteceu com a Violet, estamos indo a ala hospitalar — Respondi-os.
Freddie diminuiu os passos por um momento enquanto assimilava minhas palavras e, então, se virou para mim completamente alterado.
—O que? Mas o que aconteceu com ela? A Violet não pode se machucar...
Não entendi muito bem a indignação dele. Claro que entendia que meu irmão estava preocupado porque ela era uma de suas melhores amigas, porém ainda sim fiquei surpresa com sua reação e quando o menino passou por nós para chegar mais rápido a enfermaria, apenas acompanhei-o com o olhar.
~•~
No momento em que Maxwell abriu as portas da ala hospitalar e adentrou o local com seus irmãos, pudemos escutar um choro agudo vindo do local. Logo, Freddie, eu, Marie, Klaus e Brendan conseguimos enxergar que uma garotinha estava bastante aflita. Patricia e Tom foram acalmá-la enquanto a menina soluçava, sentada à beira da cama de uma garota de longos cabelos castanhos escuros.
—O que aconteceu? — Klaus perguntou enquanto se aproximava deles.
—Você ta bem? — Brendan acompanhou-o.
—Foi... Estranho... As meninas apagaram, eu não sabia o que fazer, me desesperei e tentei carregá-las até a enfermaria, mas acabei me desequilibrando com o peso e escorreguei na escada — Violet nos respondeu com a voz fraca e sem se levantar da cama, a qual estava deitada.
Malina chorava mais baixo agora. Pati afagava seus cabelos delicadamente e Tom segurava a sua mão. Ela estava nervosa simplesmente porque sua irmã havia se machucado bastante, aquilo fazia sentido. Nos aproximamos todos da cama dela, entretanto com certeza ninguém estava mais preocupado do que Freddie, que correu até onde a garota estava deitada e acariciou seu rosto. Sua expressão era de completa compaixão e ternura.
—Hey... Você vai ficar bem, Vi... — Ele deu um meio sorriso em sua direção e a morena desviou os olhos claros para encará-lo, porém quando ela ameaçou abrir a boca para dizer alguma coisa ele colocou o dedo indicador contra seus lábios carnudos — Shh... Não diga nada, só descanse... Fico feliz que esteja bem, fiquei preocupado, mas estamos todos aqui por você...
A garota sorriu fraco em sua direção e estendeu a mão delicadamente para tocar na dele. Meu irmão mais novo agarrou sua mão contra a dela. Me virei para Marie. Iria cochichar com ela sobre aquilo, mas percebi que todos estavam olhando para as meninas desmaiadas. Parecia que ninguém havia percebido aquele momento de afeição a não ser eu. Estranho, nunca havia percebido o quão próximo eles poderiam ser.
—Mas o que aconteceu de fato? — Marie se aproximou deles na cama.
—Bom, estávamos indo para biblioteca quando encontramos duas bolinhas que lembravam bolas de cristal bastante densas e brilhantes... Elas estavam no corredor e chamou nossa atenção... Começamos a brigar por sua posse e quando as meninas conseguiram apanhá-las... Não sei como... Elas simplesmente pareciam ter ficado fracas e desmaiaram e quando fizeram as bolinhas ficaram foscas e sem viva... — Violet nos explicou um pouco fraca — A prof. de DCAT nos encontrou e nos trouxe até a Madame Betsy por meio de magia... Mas eu não sei de mais nada...
—Bolinhas? — Marie parecia realmente pensativa — Onde elas estão? O que aconteceu com elas?
A ruiva parecia bastante alterada. Ela começou a olhar ao redor à procura dos objetos, porém eles não estavam no local. Então, ela colocou a mão na cabeça como se sentisse alguma coisa e segurou na beirada de uma das camas para se apoiar. Eu e Maxwell nos aproximamos dela.
—Ta passando bem, Marie? — Indaguei quando ela pareceu que estava se sentindo tonta e encarava o chão.
A garota levantou a cabeça lentamente para nos encarar e pensei que fosse nos responder, no então assim que o fez, percebemos todos que seus olhos estavam arregalados e brilhantes como lâmpadas fluorescentes. Ela parecia em torna-se quando, finalmente, abriu a boca e sua voz saiu grave e fixa:
—O perigo de Hogwarts está próximo. A magia mais poderosa não é a solução. Os mais inocentes serão os únicos capazes de salvar a todos.
No instante em que a ruiva terminou de declarar, seus olhos se apagaram e ela pareceu não aguentar o seu próprio peso quando saiu do transe, por isso se desmontou para o lado. Max que estava mais próximo estende os braços para apanhá-la antes que caísse no chão e a garota despencou a cabeça para o ombro do moreno enquanto ele sustentava seu corpo.
—Marie... Marie! Acorda, Marie!
Maxwell se sentou aos pés da cama vazia a qual estavam próximos e ajeitou minha melhor amiga em seu colo, enquanto com a mão esquerda começou a dar leves tapinhas em seu rosto com o intuito de acordá-la. Me desesperei e sai correndo em direção à sala da Madame Betsy, a enfermeira de Hogwarts e comecei a bater contra a porta para quer lá me escutasse e acudisse. Não poderia ficar em minha irmã de outra mãe, ela precisava ficar bem. Todos precisávamos dela. Marie tinha que ficar bem.
Naquele momento, a única coisa com que me preocupava era com o bem estar da ruiva, e nem havia percebido que ela acabara de fazer algo muito poderoso. Apesar de tão jovem, Marie fizera uma profecia.
Fale com o autor