Hit Me Like A Man.
4 Almoço em família. Ou quase.
Notas iniciais
Oi! Como eu prometi na resposta aos comentários, eu voltaria hoje no finalzinho da tarde e cá estou eu. Vou postar em toda sexta-feira e se os comentários vierem em boa quantidade, posto de novo no domingo nesse mesmo horário *-*
Boa leitura!
Boa leitura!
Abri os olhos lentamente quando senti que estava sendo sacudido.
– Hm... Naruto – Gemi meio inconsciente e virei de bruços. – Sasuke, eu juro que se você ficar com essa bunda pro alto eu juro que não sou responsável por meus atos! Levanta, seu pai está em casa e logo meus pais chegam também. – Depois dessa frase que me deixou completamente desperto em todos os sentidos, tive que pedir para Naruto sair do quarto, até que eu pudesse me acalmar. Fui vagarosamente para o banheiro, ainda em modo meio zumbi e fiz minha higiene matinal. Voltei para meu quarto, troquei de roupa e quando chego na cozinha me deparo com meu pai fingindo ser simpático com Naruto... Fingindo não, realmente sendo! Quem era ele o que ele fez com meu otou-san?! Todos estavam na mesa tomando café da manhã, me juntei a eles desejando um bom dia. – Bom dia, otou-san. – Bom dia, Sasuke. – Respondeu meu pai, que por incrível que pareça estava bem humorado. Devia ter comido minha mãe a madrugada toda. Continuamos a comer em silêncio e quando acabamos, convidei Naruto para jogar vídeo game, e meu querido irmão, como o bom intrometido que é, se convidou para jogar junto. Instalei o console na tevê da sala e começamos a jogar um jogo chamado Ninja Storm 3 que na opinião de Naruto era o máximo. Jogamos ao modo Rei-da-mesa, quem ganhasse, permanecia no jogo e o que perdesse, entregava o controle para o que estava sobrando. Eu estava em uma partida pra lá de interessante com Naruto, quando o celular dele toca, tirando toda a minha concentração e nos forçando a dar pause no jogo. – Alô? O-oi... Gaara-kun. – PORRA, NEM NO FIM DE SEMANA?! Que merda! – Não posso falar agora... Não, e nem pelo resto do fim de semana. Estou na casa de meu amigo, Uchiha Sasuke... Falamos depois, tchau. – Lembrar-me de fazer uma dancinha da vitória quando estiver sozinho. – Naruto, vou tomar o seu lugar nessa partida contra meu baka otouto, posso? – Uchiha — Intrometido — Itachi perguntou. – Ah... Pode sim. – Eles rapidamente trocaram de lugar e Itachi já havia dado start, se continuasse naquele ritmo, eu iria perder feio para meu irmão. Concentrei-me totalmente no jogo e abstraí tudo que estava em minha volta. Minha concentração logo demonstrou resultados, eu estava começando a vencer Itachi. Era um jogo de luta e eu estava vencendo! É! Pelo menos no vídeo game eu poderia dar uma surra no traseiro de meu aniki. De repente, tudo começou a ficar fácil demais, resolvi voltar a prestar atenção no que acontecia ao meu redor, e vi que meu irmão flertava com Naruto, ao mesmo tempo em que tentava jogar. – Itachi, vou ter que lhe dizer mais uma vez que não estou interessado. – Cortou Naruto. – Tudo bem, desculpe-me, Naruto. – Itachi se desculpou. Lembrete: fazer duas dancinhas da vitória quando estiver sozinho. – Itachi, vamos no seu quarto conversar. – Avisei, largando o controle no chão e subindo junto com meu irmão. Entrei no quarto primeiro, sendo seguido por Itachi que fechou a porta atrás de si. – Se for para falar de Naruto, eu... – CALA A BOCA. – Perdi o cu. – Primeiro: qual a tua?! Você sabe que eu estou interessado em Naruto e mesmo assim fica lançando suas investidas nojentas contra ele. SEGUNDO: Você, seu arrombado, tirou minha virgindade sabendo que eu gostava de você e depois me magoa e acha que com que direito pode tirar o cara que eu estou interessado? Você sabe muito bem que eu não quero conquistar só o corpo de Naruto. Eu quero recomeçar, eu quero esquecer, valeu? Então vê se não atrapalha. – Saí dali o mais rápido que pude, esbarrando meu ombro no de meu irmão. Continuei meu caminho fulo da vida. Eu não conseguia pensar direito! Porque Itachi queria tanto Naruto? E por que aquilo me doía tanto? Muitos porquês sem respostas me fizeram cair da escada de mogno recém-encerada. COMO DEUS ME AMA eu não rolei a escada toda, só uma boa metade. Ouvi alguns gritos pela sala, até a hora que consegui parar de rolar. Minhas costas doíam minha cabeça também, e eu estava bastante tonto e confuso. – AH, então esse é o Sasuke-kun? Está tão crescido. – Uma voz fina chegou até meus ouvidos. – Está um homem. Melhor ver se ele está bem... Quando finalmente consegui abrir os olhos, eu dei de cara com Naruto. AI JESUS.Quando eu disse que dei de cara com Naruto, eu não quis dizer o Naruto que todos nós conhecemos e amamos, mas sim o Naruto do futuro, tá ligado? Ele era um homem! Ok, foi babaca isso. O que eu quis dizer é que o Naruto que eu encarava tinha pelo menos quarenta e tantos anos. Agora eu entendi tudo: estou protagonizando aquele filme, Zathura. Só uma coisa ainda não me fazia sentido: por que o Naruto tinha voz de menina? Quando eu finalmente ia responder, o Naruto do presente põe a mão no ombro do Naruto do futuro, que ainda me encarava. – Pai dá espaço pra ele respirar. – Por que o Naruto chamou o outro Naruto de pai? Ok, não tenho tempo pra isso! Eu preciso achar o tabuleiro e jogar, provavelmente é minha vez.
– Naruto, Minato, saiam daí! – Falou a voz fina que eu jurava ser do Naruto do futuro. ESPERA! O NARUTO DO FUTURO ERA TRANSEXUAL? – Minato? – Consegui perguntar. – Eu! Sou Namikaze Minato. – Onde eu já tinha escutado esse nome? Tudo estava muito confuso e eu sabia que havia pelo menos uma coisa clara: ERA A HORA DE DAR A LOUCA E ASSASSINAR TODOS, afinal, é isso que se faz nos filmes que envolvem o futuro, certo? Não? Não né. – Meninos, saiam logo daí. – A voz veio de novo, dessa vez seguida por uma cabeleira ruiva. ESPERA MAIS UMA VEZ! Ruiva? É claro! Minato e Kushina, os pais de Naruto! Agora que tudo realmente fazia sentido pra mim, levantei-me com a ajuda de Minato e Naruto, que se pareciam pra caralho. – Olá, desculpem a falta de educação de minha parte, eu ainda estava meio tonto. – Falei, enquanto sentava-me à mesa da sala de estar, onde estavam todos os outros. – Tudo bem, Sasuke-kun. Faz muito tempo que não nos vemos, e depois de uma queda da escada, dificilmente achei que você nos reconheceria. – Sorriu minha futura sogra. Qual é, vai me avacalhar agora? Ela é minha sogra, ela só não sabe ainda! – Eu estava com saudades de vocês nessa mansão. – Meu otou-san se pronunciou. Eu jamais acharia que meu pai soubesse ser sentimental, quem dirá gentil. – Eu também estava com saudades de vir aqui! – Sogrinha concordou. – Em pensar que nos conhecemos todos no colegial, e agora almoçamos com nossos filhos! Sabe, Sasuke, seus pais se conheceram graças a um local secreto que eu e Mikoto descobrimos um dia! – Sério? Eu nunca escutei a história de como meus pais se conheceram. – Realmente, eu nunca havia escutado tal história. – Mesmo?! Então conte a ele, Mikoto! – Dá lhe sogrão! – Isso mesmo, amor. Estou curioso para saber como você contaria nossa história. – Apoiou otou-san, passando o braço por cima dos ombros de minha mãe e apertando levemente. Se havia alguém que fazia meu pai mostrar a sua face mais desconhecida, era Mikoto Uchiha. Ela era o alicerce da família e todos nós sabíamos disso. Ela era quem mantinha meu pai centrado e no eixo, sempre calmo e racional. Ela conseguia o fazer mudar de ideia sem nem mesmo mudar a expressão facial. Nunca, nem em mil anos, eu duvidaria do amor de meus pais. – Conte-nos, Kaa-san, mas não antes de eu me sentar! – Pronunciou meu maldito irmão, que por ironia do destino, não caiu da escada. – Olá tia Kushina, tio Minato... Como vão vocês? – Palhaço. – Estamos bem, obrigada por perguntar. – Meu sogro foi curto e grosso. – Conte logo, mamãe! – Me sentia um neném curioso. – Ok, tudo bem, eu conto. – Minha mãe olhou carinhosamente para meu pai, aninhando-se no abraço do mesmo. – Quando eu conheci Fugaku, estávamos no dia mais estranho da primavera, que como todos sabem, é minha estação favorita do ano. Apesar de não serem nem cinco horas da tarde, o dia já estava meio escuro, devido às nuvens nubladas que tomavam o céu. O vento bagunçava tudo e qualquer coisa, mas nada me distrairia do meu objetivo, que era ler Hemingway. Eu estava sentada em uma clareira que eu e Kushina havíamos descoberto, era para onde íamos toda vez que queríamos paz e sossego, mas não naquele dia. – Mamãe parou para cutucar meu pai com o cotovelo. – Continue, querido. – Sim. Naquele dia, eu ainda era o pequeno e esmirrado Uchiha Fugaku, o nerd secundarista. Na hora da saída, eu levara a surra mais feia da minha vida de alguns veteranos metidos a besta, que me jogaram em direção ao mato, onde, por sorte, ficava a clareira onde Mikoto estava. Assim que ela me viu, tacou o livro para qualquer lado e digo a vocês: até hoje ela não sabe onde está o tal livro. Enfim, ela jogou o livro para o lado, e veio ao meu encontro, ajoelhando-se ao meu lado. Ela abriu a bolsa e dali de dentro tirou uma garrafinha d’água, que usou para limpar um pouco meu rosto. Naquele instante, eu abri os olhos e pude, pela primeira vez, me sentir em casa. Então ela perguntou “Quem é você?”, e eu respondi “Sou Uchiha Fugaku”, ela, abaixou-se mais um pouco, ficando bem perto do meu rosto e sussurrou “Eu sou Mikoto, e eu não vou te deixar só”. E daí... Bem, depois daquele dia, nós nunca mais nos separamos. Sorri, a história era simples, mas era realmente bonita. Do nada, minha mãe afasta-se abruptamente de meu pai, correndo para cozinha e gritando: – O ALMOÇO! Meu pai tomou seu lugar na cabeceira da mesa e minha mãe voltou, trazendo pratos e pratos de comidas variadas e deliciosas. Todos serviram-se menos meu companheiro de quarto, que ficou com um olhar pedinte em direção a matriarca Uchiha. – E aqui está o seu, Naruto. – Anunciou ela, trazendo uma travessa vermelha fechada, da qual eu desconhecia o conteúdo. Quando ela abriu, juro que não me surpreendi ao ver ramén de porco ali, e Naruto comeu com gosto. No meio do almoço, o celular de Naruto toca. – Alô? – Caralho, caralho, caralho... – Tem certeza que será a última vez? Promete?... Então tudo bem, estou indo. Tchau. – E desligou o telefone, com um olhar de desculpas direcionado a todos os presentes. – Gente, eu tenho que resolver algo de extrema importância, que só poderá ser decidido se eu for agora. Por favor, me desculpem e com licença. – Ele saiu da mesa, subindo as escadas depressa e logo voltando com sua pequena mochila. Despediu-se rapidamente de todos, parando para me dar um abraço. – Depois eu compenso essa, Sasuke. – E foi-se.SABE AQUELES FILMES ÁGUA COM AÇÚCAR EM QUE O MOCINHO ABANDONA A MOCINHA? Então. Se possível, a única descrição que eu poderia usar para descrever-me agora, é que eu me sentia como se meu coração tivesse “descolado” do peito. Eu já não tinha razão para ficar em casa, então me despedi de todos também, pedindo ao meu irmão que me dessa uma carona de volta a faculdade.Naruto. [especial]Eu havia concordado em me encontrar com Gaara em meu restaurante favorito, o Ichikaru Ramén. Ele havia me prometido que era a última vez que ele tentaria reatar o namoro comigo. Entendam: Eu namorei Gaara por três anos, e estávamos terminados a um ano e meio. Eu ainda ficava sem graça perto dele, claro, mas nada extraordinário como era antes. Na época em que terminamos eu havia entrado praticamente em depressão, por uns três dias. Mal falava com meus pais, mal saia do quarto... E agora, eu estava indo em direção daquele sofrimento todo. Eu não sei o que me levaria a dar uma última chance a Gaara... Eu só notei que era tarde demais para voltar atrás, quando estava na porta do restaurante. Sem dificuldade alguma, identifiquei a cabeleira ruiva. Assim que entrei em seu campo de visão, pude vê-lo sorrir. Meu coração perdeu uma batida. Sentei-me a sua frente. – Eu realmente achei que não viesse, Naru-kun. – Para ele, eu ainda era o Naru-kun. Tudo bem, para as outras pessoas, eu nunca deixei de ser, mas com Gaara era diferente. – Eu disse que viria. – Tirei minha mão de cima da mesa, quando a dele tentou torca-me. – E eu cumpro minhas promessas. – Isso, já comecei com indiretas, comecei bem. – Naruto... Desculpe-me! Eu sei que já pedi isso um milhão de vezes e eu sei que te magoei... Mas, Naruto me entenda! Era difícil ver um relacionamento de três anos, com um cara que tanto amei e ainda amo, ir pelo ralo. Nós estávamos desgastados, cansados e estávamos indo para um caminho sem volta. Eu terminei amor, mas eu voltei mais maduro e disposto a te dar algo como um futuro! – Seus olhos agora marejavam.Endireitei-me na cadeira, mantendo uma pose altiva. – Gaara, do que adianta você ter voltado agora? Um ano e meio depois! Agora que eu finalmente estou te superando, por que eu iria querer voltar? Eu quero prosseguir Gaara, eu quero seguir! Seguir qualquer coisa nova que a vida tenha a me propor. Sabe, se nós não tivéssemos terminado, estaríamos com quatro anos e meio de namoro, morando juntos e quem sabe pensando em adotar! Você sabe o que é isso? Construiríamos uma família. – E por incrível que pareça, naquele momento, eu não queria chorar. A liberdade de finalmente poder dizer aquelas palavras tomava meu ser por completo, e eu continuei. – Eu estou me reerguendo. – Eu sei, eu sei disso tudo! Você acha que não? – Sua voz agora soava apelativa. – Eu, mais do que ninguém, te conheço. Eu quero que a gente volte a namorar, mas sei que você não pode fazer isso, não agora. Naruto me dê uma chance, estipule um prazo para si mesmo, não precisa me avisar. Estipule esse prazo e me dê a chance de mostrar que eu mudei, e que agora tenho como te fazer plenamente feliz.
Eu sabia que ia me arrepender, eu sabia que tudo iria dar errado. Mas eu também sabia que se eu não tentasse, eu nunca iria saber se havia uma mínima chance de dar certo. Sorri para Gaara, um de meus melhores sorrisos, mesmo que não fosse de todo verdadeiro.
Notas finais
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