Histórias Cruzadas
25 Capítulo XXV
Notas iniciais
Ao retornarem a casa de Lewis debruçam-se todos ao redor da ampulheta, embora tenham descoberto que ela é o objeto responsável por enviá-los através do tempo, nenhum deles tem qualquer ideia de como fazê-la funcionar.
— Deixe-me ver. – pede Charlotte a Harry, que segurava a ampulheta.
Harry dando de ombros entrega a ampulheta para a garota, que a pega estudando atentamente o objeto em suas mãos. Os sentimentos dela estavam confusos, ao olhar para ampulheta deseja apenas ir a fundo e terminar logo com essa maldição, subitamente sente os olhos cheios d´água ao lembrar dos gêmeos, filhos da falecida Charlotte sobrinha de Lewis, do quanto eles sentiam a falta da mãe e de como ficaram felizes ao vê-la, de fato pensaram que ela era a mãe deles, no fim teve que mentir e fingir ser a falecida, foi por isso que demorou tanto dentro daquela casa, estava pondo os pequenos a dormir e os contou uma história. Queria quebrar esta maldição não somente para salvar sua própria vida, mas para trazer felicidade à todos que por culpa desta maldição tiveram-na arrancadas de si. No entanto pensava em Harry, o quanto gostava deste garoto, que de uma certa forma entrou em sua vida de supetão e literalmente fez um reboliço. Mas sabia que Oliver e Dona Amélia precisavam do rapaz e não poderia se dar ao luxo de continuar essa missão juntos. Então conforme a areia ia descendo, a garota sentiu os olhos pesarem e tudo ficou embaçado, foi nesse momento que deixou a ampulheta cair, espedaçando-se no chão.
— Não, não... – ao longe podia escutar alguém gritando, mas não conseguia ver quem era. Sua visão ficou turva e tudo sumiu de repente, tornando-se uma escuridão total.
Alguns anos depois...
— Com licença doutor. – a enfermeira chefe, mais antiga do hospital pede antes de entrar na sala.
— Sim, Margarete. – responde o médico após dar uma bebericada em seu café.
— A paciente do quarto 64, que estava em coma há 5 anos acabou de acordar.
O médico mais que depressa levantou-se rapidamente, tirando os óculos de leitura e os deixando sobre a mesa, juntamente com seu copo com café e um jornal, ele estava em seu intervalo. Mas geralmente para médicos não existem intervalos, pois quando menos esperam surge uma nova emergência.
Ambos caminhavam a passos largos, o fato da moça ter acordado era um milagre, pois pela ciência as chances dela acordar eram mínimas. Mas, para o médico que acompanhava e cuidava da garota, haviam esperanças.
Ao entrarem no quarto pode vê-la ainda meio sonolenta deitada sobre a cama, ao se aproximar sentiu um frio na barriga ao ver aquelas olhos âmbares lhe fitarem novamente.
— Harry. – murmurou a garota, com os lábios pálidos e os cabelos cor de fogo desgrenhados.
O médico sentiu o coração vacilar uma batida, mal acreditando que depois de tantos anos iria poder ouvir sua voz novamente.
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