História After You - Terceira Temporada

12 Capítulo Uma ligação anônima?


Notas iniciais
❤️❤️❤️❤️❤️

Então, a família Grady começou mais um ano: Unidos, apesar de tudo. Embora Owen imaginasse o próximo fim de ano com eles sendo uma família de quatro, Claire continuava fazendo testes semanais de gravidez, constatando que ainda não havia nada.

Passou-se um mês desde a festa de ano novo, Clarisse havia aprendido novos passos de balé, mergulhava no fundo da piscina como nenhuma outra criança da mesma idade e aprendeu a identificar a primeira letra do nome. Owen tinha pilha de relatórios para redigir, funcionários para treinar e cargas para supervisionar quando chegavam de navio, nas docas. Ele também estranhava o fato da esposa agora, ter uma nova amiga. Mas por fim, ele concluiu que era ótimo. Claire estava cada vez mais próxima de Rebecca, sua assistente. A morena era uma excelente profissional e acabou ganhando a confiança da ruiva. O parque estava próspero, Claire e Owen tinham vários planos para continuar o desenvolvendo. Além de criar novas atrações.

Aquele dia em especial estava sendo péssimo para Claire. Era uma tarde de sexta-feira, quando recebeu um envelope que a deixou além de irritada, triste, devido às várias lembranças que aquilo as trouxe. Percebendo como a chefe estava mal, Rebecca a convidou para saírem e comer algo depois do expediente. Claire acabou aceitando e com isso, chegou mais tarde que o normal em casa.

— Mamãezinha... — Claire foi recebida com um abraço apertado da filha.

— Oi meu amor. — a apertou bem forte, sentindo todos os seus problemas desaparecerem em um instante.

— O papai fez meu mama, ele tomou na mamadeira igual eu!

— É mesmo? — Riu. — E onde ele está?

Clarisse não precisou responder, Owen apareceu para recepcioná-la de chinelo, bermuda e um pano de prato no ombro. Mesmo de cara fechada, deu um breve beijo naquelas lábios.

— Por que demorou?

— Fui beber um suco com a Rebecca no Starbucks. Ficamos conversando e acabei não percebendo que já estava tarde...

— Então é verdade? Ela está te roubando de mim...

Claire sorriu e colocou Clarisse no chão, se aproximou o abraçando.

— Isso nunca vai acontecer... — o beijou mais uma vez. — O que está fazendo?

— Lavando a louça.

Owen fez ela tirar a bolsa e os sapatos de salto, deitar no sofá e relaxar. Trouxe um copo de suco fresquinho, de morangos e começou a massagear seus pés. Aquilo era deveras relaxante, Owen era um marido único. Ela fechou os olhos por um instante e arfou.

— Amor... preciso te contar uma coisa. — exalou o ar.

— Conta.

Ela abriu os olhos o encarando, triste.

— Recebi uma intimação. Lembra do noivo da Zara, Alec? Ele recorreu ao processo que já via sido finalizado naquela época... e teremos um novo julgamento.

— La vamos nós outra vez. — Bufou. — Estou começando a achar que esse cara quer ganhar uma graninha extra as nossas custas.

— Eu não quero uma briga judicial. Vou tentar um acordo...

— Acordo? Que acordo?

— Qualquer acordo... o que for melhor. Devo isso a Zara...

— Nem a Zara, muito menos ao Alec! Claire... vou ligar para o nosso advogado.

— Não precisa... marquei uma reunião na segunda feira. Ele vai vir até aqui com o advogado dele.

— É uma ótima oportunidade pra mim descer a porrada nele...

Ela se aproximou sentando em seu colo.

— Você não vai bater em ninguém, vamos resolver isso da melhor forma.

— Só um soquinho, amor. Na cara...

— Não. — respondeu rindo. — E como foi seu dia?

— Foi legal. Fui ver o paddock temporário em construção. Aquele para bebês Galiminus. Fizeram um bom trabalho de campo por lá...

— Que bom... o que seria de mim sem você, hum? — passou a ponta do nariz no dele.

— Hmm... seria chata e mandona. E teria a cobertura só pra você.

— Mas eu sou chata e mandona...

— É verdade. Faltou me bater pra eu por a roupa no ano novo. — Riu com a lembrança.

Enquanto isso, Clarisse pegou os sapatos da mãe que estavam jogados no chão e levou para o quarto, sem ser vista.

— Você mereceu... falando nisso, precisamos conversar sobre aquela noite. — saiu do colo dele e sentou-se ao seu lado.

— Eu fiz seu banho de ervas que tanto gosta. É melhor ir lá.

— Owen... não podemos fugir dessa conversa. — disse já se levantando.

— Tá bom, me fala. — Virou ela de costas e desceu o zíper da saia.

— É sobre o Steve... você sabe que não gosto dele, não é? E não quero mais ir na casa da sua mãe, quando ele estiver lá.

— Também não gosto dele. Apesar de tudo, no fundo minha mãe passa pano pra ele. E olha que ela não fez o mesmo com a Barbara. Ela está proibida de ir lá até hoje.

— Mas é diferente, ele é filho dela... — suspirou. — Então, você sabe que ele já tentou me beijar antes... E na noite de ano novo, ele me agarrou. Mas não conseguiu nada.

— É o que?

— É isso Owe... e ele disse coisas. E não quero mais ele perto de mim.

— Que coisas, Claire? Como ele te agarrou? Que história é essa, por que não me chamou?

— Você não estava lá, Owen. E eu não queria uma escândalo. Seria um grande desgosto para a sua mãe... ele aproveitou que eu estava distraída e me agarrou por trás, mas rapidamente eu me afastei... — Contou aflita.

Owen levantou, furioso com o telefone. Claire o impediu segurando seu braço.

— Por favor, Owen. Não faça nada, pelo menos não agora... Pensa na sua mãe...

— É inacreditável, quando penso que estamos de bem, aquele imbecil vem e quebra a confiança. Já chega!

— Amor, por favor... não faça nada agora, depois pensamos em uma solução. — implorou, se preocupava com Tereza quando soubesse.

— A solução é eu banir ele, definitivamente.

Owen se desvencilhou da mão dela e foi pegar o telefone do escritório. Claire correu atrás dele.

— Por favor, Owen. Estou lhe pedindo...

Ele olhou para Claire, para o telefone, para a parede e teve vontade de ter Steven do lado dele, pessoalmente para acertarem as contas. Ela se aproximou cautelosamente e o abraçou tentando acalma-lo.

— Ele... ele não fez mais nada com você, não é? Não disse nada?

— Não, ele só disse o quanto eu o interessava... — segurou a mão dele e o levou até a cozinha. Pegou um copo de água e entregou a ele. — Toma...

— Não quero, Claire. É melhor você ir tomar banho logo, deixei a luz acesa...

— Não. Eu não vou te deixar sozinho. — suspirou. — Não devia ter te contado...

— Deveria sim, você é minha mulher!

— Então por favor... acalme-se e venha tomar banho comigo.

— Eu já tomei banho. — Respondeu mal humorado. Clarisse surgiu puxando uma cordinha com algo amarrado na ponta, que não dava pra ver.

Claire suspirou cansada e olhou para a filha.

— O que está fazendo, princesa?

A pequena ruivinha saiu correndo, arrastando o objeto que logo deu para notar do que se tratava: O sapato prada de Claire, repleto de adesivos das princesas pregados. Ao ver aquilo, a única reação dela foi sentar e começou a rir. Owen encarou a cena, curioso.

— Jurava que iria surtar...

Ela olhou para ele ainda rindo.

— E o que ia adiantar? Ia me estressar atoa, ela ia começar a chorar e todos ficaríamos estressados... — explicou. — Mas claro que vou ter uma conversa com ela.

Satisfeito, Owen beijou o tipo da cabeça dela.

— Eu te amo.

Claire sorriu e segurou a mão dele.

— Também te amo muito...

— Fez o teste de gravidez essa semana?

Sua expressão mudou rapidamente para triste.

— Sim... nada. — abaixou a cabeça.

— Nenhum sintoma?

— Não...

— Ah, baby. Não fique assim, vamos conseguir. Vou falar com a doutora Jones.

Por fora, Owen a acalmava, mas por dentro, estava realmente preocupado. Lembrou da conversa que ele teve com um colega no paddock, que também pretendia engravidar a esposa e já tinha conseguido.

— Por que, amor? Por que dessa vez não estamos conseguindo? — seus olhos estavam marejados.

— Não é isso, Claire. Olha... só ainda não aconteceu. Tem o momento certo. Pensa no tempo que você tomou o remédio... esse tempo todo. Seu corpo está se adaptando.

Owen começou a despi-la para leva-la para o banho, estava muito quente em Nublar. Fazia algumas semana que ela andava deprimida com as falhas tentativas de engravidar. Foram para o banheiro e tomaram um longo banho juntos, logo já estavam vestidos e no quarto.

— Vou lá conversar com a nossa sapeca...

— Eu já dei banho nela, caso ela peça outro. Depois que eu fiz aquela água rosa com sabonete líquido, quer banhar o dia inteiro.

A ruiva riu assentindo.

— Está bem... — foi até o quarto dela, onde Clarisse ainda brincava com seus sapatos. Claire tentou não rir. — Oi filha... — sentou ao lado dela.

— Mamãe!

Em questão de segundos, Clarisse estava pendurada no pescoço da mãe. Claire a abraçou carinhosamente e a encheu de beijos como de costume.

— A mamãe quer saber... por que pegou meus sapatos para brincar?

— É que eu queria brincar de carrinho. — Explicou inocente.

— Mas meu amor, a mamãe já disse que não pode mexer nas minhas coisas. Você tem muitos brinquedos.

— Mas eu tô cansada deles, mãezinha. — Clarisse colocou as duas mãozinhas nas bochechas dela. — Mamãe, você é bonita.

A ruiva se derreteu toda.

— E você é a coisa mais linda desse mundo. — beijou a pontinha do seu nariz. — Mas, promete que não vai mais mexer nas minhas coisas.

— Mas eu enfeitei seu papato pra você ir trabalhar, mamãe.

— Clarisse Dearing Grady, não é mais para mexer nas minhas coisa. Entendido?

— Tá bom... quero tomar banho!

— Não. Você já tomou... vamos deitar agora. — a pegou no colo e a colocou na cama.

— É que eu me sujei, mamãe, tô sujinha igual o porquinho da história do livro!

Claire começou a rir e deitou ao lado dela, fazendo carinho em seus cabelos.

— Como foi no balé?

— Eu me cansei muito, a titia me ensinou a fazer o sapinho. Agora preciso de tomar banho... — Insistiu.

— Uhmm... a senhorita não vai tomar outro banho. É hora de dormir...

— Mas eu não durmo sem tomar banhinho.

— O papai já te deu banho.

Clarisse esboçou um bicão e cobriu a cabeça. Claire começou a cantarolar a música que sempre cantava para ela dormir. A filha ficou um pouco quieta, depois se arrastou para baixo do edredom e foi para o pé da cama. Pacientemente ela pegou a filha a deitando novamente ao seu lado.

— Mamãe, eu estava brincando que eu era um coelho! — Disse brava.

— Está brava com a mamãe? — fez um bico.

— Não, mas você não deixa eu brincar!

— Já está tarde, filha. É hora de dormir... Quer que eu conte uma historinha?

— Quem inventou as historinhas?

— As pessoas inventam...

— Que pessoas?

— Oh meu amorzinho, chega de perguntar por hoje. Quer ver um desenho?

— Mamãe, você não gosta de conversar comigo? O papai gosta.

Claire se sentiu q pior mãe do mundo naquele momento.

— O que? Não é isso princesa. Eu amo conversar com você. — a abraçou. — Eu te amo muito.

— Você fica brava comigo...

— Mas é normal, filha. Você é bem sapequinha e apronta bastante... mas você é a coisa mais importante da minha vida. — Explicou.

Clarisse começou a tagarelar sem parar sobre várias coisas e praticamente entrevistou a mãe antes de dormir de barriga pra baixo, toda esparramada na cama. Claire suspirou cansada e sorriu com a cena. A cobriu e a beijou cuidadosamente, então foi para o quarto deles.

— Nossa, duas horas e meia para ela dormir...

Owen estava em uma chamada ao vivo com a mãe, Tereza pareceu disfarçar as lágrimas quando viu Claire aparecer do lado dele.

— Oi, querida. Minha netinha tá dando trabalho pelo visto... — Brincou.

Ao constatar que Tereza não estava bem, quis matar Owen. Ela se aproximou rapidamente da tela.

— O que aconteceu? Por que a senhora está chorando?

— Eu? Que nada. É o tempo daqui, uma alergia boba.

— Não minta para mim. — disse séria. — O que você disse para ela, Owen?

— Já vão brigar?

— Eu confiei em você, Owen. Por que fez isso? O que ele falou para a senhora?

— Sinto muito pelo Steven, meu amor. Sinto muito mesmo...

Owen continuou calado.

— A culpa não é da senhora, não se sinta mal por isso. Está bem? E não quero que chore, eu te amo. E não quero ver a senhora assim... — os olhos dela ficaram marejados.

— Nossa, é o festival do choro agora? — Owen desdenhou.

— Cala boca, Owen. Isso é culpa sua! — A esposa esbravejou.

— Claire, o Owen fez certo em me contar. Não quero de forma alguma que fiquem assim!

— Não... eu pedi para ele não fazer isso e ele fez. Quebrou a confiança que eu tinha em contar as coisas para ele. — saiu do quarto e bateu a porta.

Owen finalizou a ligação e foi atrás da ruiva.

— Amor?

— Me deixa, Owen... não quero falar com você... não quero olhar para você... — soluçou deitada no sofá.

— Claire, não tem motivos para chorar e brigar comigo, você não teve culpa do que aconteceu... baby... Olha pra mim.

— Não! Você não fez o que eu pedi... agora a sua mãe está mal.

— Ela não vai morrer infartada de tristeza, pára com isso!

— Eu confiei em você...

— Eu não prometi nada. — Limpa o rosto dela. — Vamos deitar.

Ela afastou a mão dele.

— Vou ficar aqui!

— Então eu fico também.

— Não quero ficar perto de você.

Owen não disse mais nada, deitou no outro sofá e esperou o sono chegar. Claire estava realmente muito brava com ele, então levantou e foi para o quarto.

*Tarde da noite, Owen aproveitou o fato de dormir na sala para ver seus filmes, que Claire odiava. Como havia prometido que não iria beber, revirou um energético no freezer e deitou todo folgado no sofá. Devido o grande calor na ilha, uma forte chuva inesperada fez com que acabasse a luz do prédio.

— Que maravilha...

Owen ficou da mesma forma no sofá, beliscando uns petiscos quando constatou que seu energético havia esquentado. Um pouco raivoso por ser a única, arremessou a lata ainda pela metade na escuridão da cozinha. Talvez, ele tivesse acertado na lixeira, se fosse bom de arremesso no escuro.

— AI! — Claire gritou.

Ela estava na cozinha e a lata acabou acertando seu braço.

— Claire?

Ele levantou, sem muito senso de direção. Acabou acertando o dedo na mesinha de centro, chegou na cozinha um pouco manco. Teve a impressão de ouvir a ruiva ali, não podia estar enganado. Quando um clarão de um raio, cortou o céu tempestuoso de Nublar, Owen teve certeza que a viu de relance.

— Você jogou uma lata em mim, Owen. — murmurou correndo para a pia. Mesmo não dando para enxergar muito bem, sabia que ali tinha um corte.

— E-eu? Nossa amor, deixa eu ver isso... Poxa, não sabia que estava aí... Deixe-me ver...

— É melhor você ficar longe de mim... — foi para o quarto e pegou o celular ligando a lanterna. Depois foi pegar o kit de primeiros socorros. O corte estava bem fundo e sangrando muito.

Owen não obedeceu e foi analisar o corte. Lavou na água corrente e estancou o sangue.

— Me desculpa, por favor!

Obviamente, Claire estava chorando.

— Por que fez isso?

— Claire, sério que você está achando que eu fiz de propósito? — Sim, o marido já estava desesperado.

— Eu não sei de nada... — quando o curativo já estava pronto, ela foi se deitar.

— Só pode estar brincando comigo... Então eu seria covarde o suficiente para te machucar desse jeito? É isso que pensa de mim? Você estava andando no escuro, sem barulho nenhum... — Sentou do lado dela. — Tá doendo muito?

— Está... — continuou chorando. — Eu preciso dormir, estou cansada... — soluçou.

— Vou te dar um analgésico... — Vasculhou a gaveta da cômoda a procura dos remédios e logo achou. Colocou o comprimido na boca dela e a colocou sentada para tomar a água.

Ela tomou e voltou a deitar.

— Obrigada, Owen... já pode dormir. Eu vou ficar bem...

Owen já estava abrindo o curativo que fez para ver se não precisava de pontos.

— Aí, Owen. — afastou a mão dele. — Está doendo.

— Estou pensando seriamente em te levar no médico.

— Eu não vou a lugar nenhum! — se irritou.

— Tá sangrando, tem um corte...

Owen não tinha palavras para descrever, o quanto estava chateado consigo mesmo. Ela era seu mundo, sua garota. Moveria céus e terra por ela, jamais, em hipótese alguma teve a intenção de machucá-la. Com toda a sua coragem de enfrentar a fera, Owen levou ela nos braços para o pronto socorro do lado do prédio, para levar uns pontos. Claire levou quatro pontos, e foi proibida de tomar sol no braço, que foi devidamente enfaixado. Ela foi gritando com ele até chegarem em casa, odiava ser contrariada. Foi direto para o quarto, além da raiva que estava sentindo tinha aquela dor incomoda do braço.

— Você é difícil, Claire. Céus.

— Difícil? Se não fosse as suas ignorâncias de jogar as coisas, isso não tinha acontecido. Já parou para pensar... e se fosse a Clarisse? A força que arremessou aquela lata, olha o que fez no meu braço. Imagina se acertasse ela?

— Olha só, eu já estou me sentindo culpado o suficiente, tá legal? Eu estou tentando me redimir e ainda levo gritos e acusações! A Clarisse não costuma acordar de madrugada e ficar em silêncio pelos cantos escuros igual uma assombração... eu sempre vejo TV nesse horário, não tive culpa... eu não quis te machucar, nem nunca vou fazer isso. Será que dá pra entender? Eu amo você... não faz isso comigo, já estou péssimo...

Claire ficou em silêncio por alguns segundos. Ela sabia que jamais Owen faria aquilo de propósito. E reconheceu que estava pegando pesado demais. Ela deu um longo suspiro.

— Desculpa...

— Só aceito se me deixar cuidar de você. Aquela... Aquela mulher da enfermaria estava me olhando estranho...

— Ainda não se acostumou com a forma que as mulheres te olham? — Segurou o riso. — Eu só quero dormir agora...

— Não, baby. Era como se desconfiasse que eu tava te violentado dentro de casa. — Deitou do lado dela. — Julgou até minha alma com o olhar...

— Isso é ridículo, Owen... — disse achando aquilo um absurdo. — Vamos esquecer isso, Está bem? Eu sei que foi um acidente e também te amo muito.

— Tá bom.

Owen a beijou e ficou a enchendo de carinhos até ela adormecer. Na manhã seguinte, no Jurassic World, o assunto do momento era o braço da patroa. Fofocas de vários tipos foram ouvidas. Tyna, Lowery, e Rebecca encheram a ruiva de perguntas sobre o braço ferido. E aquilo estava a deixando muito irritada. Mesmo falando que tinha sido um acidente, eles pareciam não acreditar e isso a incomodou muito. Então mandou uma mensagem para, Owen.

“Vamos almoçar juntos”

A resposta foi quase imediata.

"Vamos sim, baby".

Mas na hora do almoço, Owen não apareceu. Enquanto isso, Rebecca enchia a orelha da ruiva.

— Nossa amiga, vai ficar muito feio esse braço... nada de sol...

— Eu sei... — respirou fundo, tentando não perder a paciência. Olhou novamente no relógio.

“Onde você está?”

Owen não respondeu. Rebecca não parava de tagarelar, mudou de assunto e falava sobre qualquer coisa aleatória. E Claire já estava irritadiça, então pediu para ela ir até o centro de controle pegar alguns papéis para ela. Aqueles últimos dias não estavam sendo fáceis. E para piorar, a “reunião” com Alec seria no dia seguinte.

CLAIRE?

Era Barry, parecia ter corrido uma maratona para falar com ela. Ela levantou assustada de sua cadeira.

— Barry? O que aconteceu?

— Levaram o Owen. A polícia. O que aconteceu?

— O que? — arregalou os olhos. — Aonde ele está? — perguntou já desesperada.

— Não sei, só avisaram que tinham um mandado de prisão pra ele!

Claire pegou rapidamente sua bolsa.

— Me leva até lá, Barry. Por favor...

*

Barry deixou Claire no pequeno posto policial, um pouco afastado do centro do parque. Logo a identificaram na entrada e a encaminharam para o exame do corpo de delito. Uma psicóloga apareceu para conversar com ela, foi tudo tão rápido que mal deixaram ela falar.

— Senhora Grady, prazer. Sou a psicóloga Harris. Estou aqui para te ajudar. — Sorriu gentilmente.

— Me ajudar? — perguntou confusa. — Que história é essa? O que está acontecendo? Quero ver agora o meu marido! — exigiu.

— Entendo que quer vê-lo. Mas isso não será possível. Recebemos a denúncia. Sabemos que foi você, estava chorando na ligação.

Claire a encarou ainda mais confusa.

— Que denúncia? Não sei do que está falando... eu não fiz denúncia nenhuma.

— Claire. O que houve no seu braço? Pode me contar a verdade. Não vou te julgar.

— Não houve nada no meu braço. Por que você não cuida da sua vida e me deixa ver agora mesmo o meu marido? — disse ríspida.

— Sabemos que foi agredida. EU entendo você... olha. A maioria das mulheres que passam por relacionamentos abusivos se vêem presas a situação. Não são capazes de enxergar o mal... Mas posso te ajudar a abrir os olhos...

— Você ficou louca? Meu marido nunca encostou um dedo em mim. — começou a ficar desesperada. — Por favor, eu preciso vê-lo. Tudo isso é um equívoco.

Um policial veio conversar com Claire e acalmá-la.

— Ele está em uma cela, aguardando a apuração dos fatos. O médico precisa te analisar naquela sala.

— Por favor, tudo isso é um mal entendido. Eu só quero tirar meu marido daqui. — seus olhos estavam marejados.

— Talvez poderá vê-lo se passar pelo exame.

— Mas que droga de exame é esse?

Claire foi levada para os exames, passou pela psicóloga novamente e demorou muito tempo até convencer todo mundo que não havia sido agredida. Porém, só foram soltar Owen no fim do dia. Claire o esperava angustiada na recepção. Assim que o viu, correu para abraçado.

— Amor... — o apertou em seus braços.

— Oi...

— Como você está? — perguntou sem soltá-lo.

— Com muita fome...

Claire o levou direto para casa, por sorte Clarisse ainda estava no balé. Fez dois sanduíches de pernil para ele e refrigerante.

— Pronto amor, come tudo...

Owen não tocou na comida.

— Me disseram que você me denunciou...

Ela arregalou os olhos.

— Acha mesmo que eu faria isso, Owen?

— Não sei, foi o que me disseram. E você me acusou ontem como fosse proposital... Não sei o que pensar.

Claire se sentiu muito mal com aquela desconfiança.

— Acho melhor então deixar você sozinho, para pensar... Se acha que eu seria capaz de fazer isso com você. Com certeza, você não me conhece. — levantou e saiu da cozinha.

Com toda certeza, Owen estava o dobro de ruim. Já sentia-se culpado o suficiente, aquela prisão acabou com ele. Mas Claire estava se esquecendo de uma coisa. Da pessoa anônima que denunciou seu marido. Ao chegar no quarto e sentar na cama, começou a pensar. Como tudo aquilo aconteceu?

— Espera... — constatou. — Quem seria capaz de fazer a denúncia e ainda se passar por mim?

Owen terminou de comer, pegou o kit de primeiros socorros e foi cuidar dela.

— Está pensativa...

— Preciso saber quem fez a denúncia se passando por mim... — suspirou. — Owen, eu te juro que não fui eu. Jamais faria isso... — Segurou o rosto dele com as duas mãos. — Por favor, acredita em mim...

— Eu acredito. — Ele limpou o ferimento com um anti-séptico no algodão. — Vai tomar banho? Preciso colocar o curativo quando estiver seca.

Ela continuou o encarando.

— Eu sinto tanto por isso ter acontecido.

— Está tudo bem. Já passou.

— Acredita mesmo em mim?

— Acredito. — Owen deu um longo selinho nela. — Vou buscar nossa filha.

Claire segurou em seu braço o impedindo de levantar.

— A Zia vai buscá-la e depois vai passear um pouco com ela... Vamos aproveitar esse tempo, só nós dois... — Sussurrou aproximando o rosto do dele.

— Está bem. Quer ver um filme?

Claro que o "filme" seria ignorado antes da metade, quando estivessem se pegando como dois tarados.

— Acho uma ótima ideia, mas antes vamos tomar banho? Me ajuda a tirar a roupa? — levantou ficando em frente dele.

Owen obedeceu de muito bom grado com segundas, terceiras e até quartas intenções. Quando deslizou a calcinha pelas pernas roliças, fez questão de brincar com a ponta dos dedos na parte interna da coxa. Claire fechou os olhos sentindo um arrepio percorrer todo seu corpo. Então caminhou lentamente até o chuveiro, esperando por ele. Como ela queria, o marido foi atrás, quase rastejando.

— Vai ficar rebolando assim, é?

Ela sorriu e ligou o chuveiro, entregando a esponja para ele.

— Vou rebolar em você, baby...

— Seria um sonho realizado.

Como se não quisesse nada, Owen a abraçou por trás, depositando cálidos beijos na pele sensível do pescoço. Claire soltou um gemido. Sentindo suas pernas ficarem bambas com a proximidade dos corpos, e seus lábios quentes em sua pele.

— Oh baby... estou com tanta saudade de você...

— Não esquece de que está com o bracinho costurado.

— O que acha de tomarmos banho logo e irmos para a cama, ein?

Owen riu pelo nariz, enquanto a mão direita pegava o sabonete e começava a deslizar na barriga dela.

— Você é danada, Claire. Estou aqui, na maior boa vontade te dando banho, na maior inocência. E você quer meu corpo nu. Esse pobre homem. — Mentiu, todo descarado.

Claire soltou uma de suas gargalhadas escandalosas o observando.

— Eu quero sim, abusar desse homem inocente. Mas hoje, vai ter que fazer todo o trabalho. Porque estou dodói... — fez um bico manhoso.

— Acho que gente dodói não pode brincar desse jeito. — Fez um delicado carinho no rosto dela e a beijou, depois prosseguiu com o banho. Fez bastante espuma, lavou os cabelos dela e enxaguou tudo.

Quando ambos já tinham tomado banho, Claire observou o jeito atencioso do marido enquanto a secava e a ajudava a colocar a camisola.

— Obrigada, baby... — foi deitar na cama.

— E o filme? Ainda não sequei seu cabelo.

— Pode escolher o filme... — Sentou para que ele secasse seu cabelo.

Owen secou com a ajuda de uma escova, com uma destreza incomum. Inclusive secreta, que só adquiriu depois de todo aquele tempo convivendo com ela. Quando acabou, foi fazer um jantar simples: Pizza de tomate seco, uma das favoritas dela. Os dois conversavam ao final do jantar, sobre o dia inusitado.

— ... Foi a primeira vez que estive preso, espero que não aconteça outra vez. Mesmo que seja por engano. A sensação é de que... sou um monte de lixo.

Claire sentia um aperto no peito de ouvi-lo falar daquela forma.

— Não diga isso... Você é o melhor homem do mundo. — sentou em seu colo. — Vamos descobrir quem fez isso com a gente. E eu juro que essa pessoa vai se arrepender. — o deu um selinho colocando uma mão em seu rosto. — Eu fiquei tão desesperada...

— Eles tinham planos de me transferir para uma prisão nos Estados Unidos. Seria bem pior... — Ficou um tempo em silêncio, pensativo. — Claire?

— Oi... — acariciou sua barba.

— É estranho. Queria saber quem ligou. Pra quem você contou?

— Eu não contei para ninguém. Só a Tyna, Lowery e a Rebecca ficaram enchendo o saco perguntando o que tinha acontecido. Mas é claro que não contei.

— Está bem. Quer ver qual filme?

— Qualquer um amor...

— Você nunca escolhe nada.

— Nunca escolho nada, Owen?

— Não. Antigamente brigava comigo pelos filmes que eu colocava. Agora... não tá nem aí.

Ela o encarou séria.

— É, não estou nem aí para nada! ... Acho melhor eu dormir. — levantou do colo dele e foi para o quarto.

Owen deu de ombros e foi se deitar também. Não pretendia se estressar pelas mudanças de humor de Claire. Ela acabou dormindo, estava tão cansada mentalmente. Era tantos problemas e ainda teria que enfrentar Alec no dia seguinte. E Owen ainda querer discutir sobre filmes, a deixou mais exausta. E a pergunta que não saía de sua cabeça durante a noite toda: Quem fez a ligação se passando por ela?

Notas finais
❤️❤️❤️❤️