História After You - Terceira Temporada
20 Capítulo - The truth always appears
Enquanto dirigia pela estrada de terra, Owen teve certeza que algo muito pior os espreitava. Era o começo do inferno.
*
Enquanto Owen fazia tudo aquilo, Claire foi até a sala de segurança e solicitou as filmagens. Ela viu a hora que Owen entrou e deixou o embrulho e minutos depois, viu uma mulher entrando em sua sala. Estava vestida com o uniforme de funcionário da limpeza.
“Por que alguém roubaria aquele pacote?” Se perguntou.
— Descobre o nome dessa mulher. — Pediu para o técnico de segurança.
— Sim senhora.
Alguns minutos depois, ele já tinha a resposta.
— O nome dela é Déborah Valdez, senhora Grady. Está aqui há menos de um ano.
— Obrigada. Grava essa filmagem e me manda, por favor.
A ruiva saiu e voltou para sua sala. Esperaria Owen, para saber o que ele faria. E ele chegou com um copo imenso de café sem açúcar, tomando como se fosse água. Estava tentando conter o nervosismo na frente dela.
— Roubaram meu MacBook.
— O que? — a ruiva levantou e foi até ele. — Você está bem? — perguntou preocupada.
— Não sei. Parece que tá tudo conspirando contra mim, sabe?
Naquele momento, Claire não pensou em nada. Apenas o abraçou bem apertado. Owen aproveitou aquele momento único, estava morrendo de saudades dela. De tocá-la, sentir seu cheiro, de cuidar dela. Owen nunca desejou tanto que Claire visse aquele vídeo. Ela fechou os olhos, querendo poder parar o tempo naquele momento. Estava com tanta saudade. Mas não podia se deixar levar pelos sentimentos, sua razão falava mais alto. Então se afastou.
— E-eu vi as filmagens. Realmente roubaram o pacote.
— QUEM?
— Uma funcionária da limpeza. O que pretende fazer?
— E já não foi atrás dela?
— Não, Owen. Queria saber o que pretende fazer?
— Uma funcionária entra aqui, rouba e não vai fazer nada?
— Já disse que estava te esperando! — Responde começando a se irritar.
Owen olhou para ela desacreditado e resolveu tomar as providências. Mandou chamar a funcionária, mostrou as gravações e exigiu que ela devolvesse. Depois de muita pressão, ela devolveu o envelope nas mãos de Claire e imediatamente foi encaminhada para o RH para o processo de demissão.
— E agora, Grady? — perguntou com o envelope na mão.
— Só assiste. Por favor. Vou estar no meu escritório quando terminar.
Assim que ele saiu, ela se sentou em frente o seu computador colocando o pendrive e vendo o seu conteúdo. O que não a agradou em nada. A deixou furiosa. Ela retirou o mesmo e foi até a sala de Owen jogando o pequeno objeto em sua mesa.
— VOCÊ SÓ PODE ESTAR DE BRINCADEIRA! — esbravejou.
Definitivamente Owen não esperava aquela reação.
— O que foi, meu amor? Vai me dizer que foi montagem?
— O que? — cerrou os olhos. — É um filme pornográfico, Owen!
— É O QUE?
A segunda reação do loiro foi pegar o pendrive, conectar no computador do escritório e checar seu conteúdo. Era visível sua decepção e surpresa.
— Claire... tá acontecendo alguma coisa séria. Olha, alguém não nos quer juntos. – Soltou em desespero.
— O que estava no seu pendrive?
— Você não vai acreditar em mim. Como sempre.
— Se era tão importante, por que não me entregou pessoalmente?
— Por que eu sou um idiota. Bem que o detetive me avisou. É melhor eu voltar ao trabalho. Vou tentar fingir que está tudo bem.
Claire ainda encarava-o. Se sentia tão confusa, seu coração dizia para ela correr para os braços dele. Mas sempre vinha a imagem dele com outra na cama.
— Acho que nunca vou saber o que queria me mostrar.
— É. Me deixe trabalhar por favor? Não consigo com você me olhando com essa carinha.
Claire saiu da sala e foi direto para o RH. Déborah ainda estava lá assinando os papéis da demissão.
— Senhora Grady, deseja alguma coisa? — Vanessa, a responsável pelo departamento lhe perguntou.
— Quero sim, falar com essa moça. — A mulher olhou para Claire assustada. — Olha... você sabe que o que fez foi muito grave e eu vou fazer com que não consiga mais emprego em lugar algum. — Seu tom era o mais intimidador possível, se aproximou dela. — Então, eu acho melhor me devolver o verdadeiro pendrive que roubou. Ou sua vida vai ser um fiasco a partir de agora.
Déborah estava literalmente tremendo de medo, não pensou duas vezes e retirou o pequeno objeto da bolsa e entregou para Claire.
— Desculpe senhora...
— Por que fez isso?
Quando ela ia dizer, lembrou-se que não devia. Pegou os papéis da sua demissão e saiu às pressas de lá. Claire olhou para Vanessa, sem entender.
— Está tudo bem, senhora?
— E-eu não sei. — saiu e foi para sua sala.
Não esperou nem mais um segundo e foi assistir o conteúdo do pendrive. Claire estava incrédula com tudo o que acabara de ouvir. A culpa e arrependimento tomaram conta dela. Owen estava certo, ele jamais a traiu. E ela não acreditou nele, não acreditou no amor da sua vida. A dor e a vergonha, começou a sufoca-la. Jamais se perdoaria por isso.
*
Com o fim do dia, Owen saiu mais cedo para levar Clarisse em uma apresentação infantil sobre os dinossauros na praça central do parque. Ele sempre levava a pequena em todos os eventos. Chegaram no início de uma pecinha de teatro com personagens trajados de dinossauros. Owen colocou a filha sentada nos ombros dele para que pudesse ver melhor. O que ele não esperava, era encontrar Amelia lá. A ruiva falsificada se aproximou dele toda sorridente.
— Oi gatinho...
Owen congelou na hora.
— Amelie... É... É... Oi.
— Nossa que menina linda. É sua filha com aquela bruxa?
— A mamãe não é uma bruxa, você que é! — Clarisse tinha o mesmo senso de proteção do pai. Owen riu por dentro, era o que ele queria dizer. Mas Owen não tinha mais 3 anos de idade.
Ele simplesmente avisou que era um dia particular com a filha e caiu fora de perto dela. Foram comprar algodão doce.
— Oi... — uma voz doce e bem conhecida, vinha de trás deles. Era Claire.
— Oi...
— Mamãe!
Em questão de segundos Clarisse estava pendurada no pescoço da mãe. Claire sorriu a acolhendo em seus braços.
— Minha princesa, o que estão fazendo? — olhou para Owen.
— Trouxe ela para ver a apresentação infantil. Como veio parar aqui?
Clarisse tinha algodão doce no nariz e cabelo.
— Ah, fui para casa e a Zia me contou onde estavam. — disse enquanto limpava a pequena.
— Hm.
— Mamãe, eu não chorei de medo. — Contou orgulhosa.
— É mesmo, princesa? — sorriu e a deu um beijo na bochecha. — Bom, eu vou indo. — entregou a filha para Owen. — Tenho umas coisas para resolver.
— Certo. Deixo ela em casa antes das oito.
— Está bem. — saiu.
Assim que ela saiu, Clarisse pediu para usar o dinossauro de brinquedo. Owen colocou uma moeda no aparelho que começou a ir para a frente e para trás e tocar uma musiquinha irritante. Colocou Clarisse em cima do brinquedo e ela se divertiu a beça, até chegar a hora de ir embora.
*
Quando Owen chegou em seu bangalô, pode ver o carro de Claire estacionado lá. Ela estava o esperando, sentada no banco da pequena bancada.
— O que faz aqui? — Questionou surpreso com a visita. — Está cheio de mosquitos essa noite...
— Eu vi o vídeo.
Owen olhou para ela cautelosamente, não soube nem o que dizer. Ela teria conseguido o pendrive? Alguns segundos depois sem reação, ele colocou as mãos nos bolsos, olhando para os próprios pés.
— Eu fui atrás daquela moça, ela me devolveu o pendrive.
— Que bom... Achei que não iria dar importância para isso.
— A única coisa que eu posso fazer, é te pedir perdão. — disse sem olhar para ele. — E se não aceitar, eu vou entender. Porque eu não o mereço.
— Eu aceito. — Respondeu simplesmente.
Ela deu um sorriso singelo e levantou.
— Eu acho que vou indo.
Claire se sentia tão envergonhada, que não conseguia encara-lo. Ela mesma não se perdoava.
— Está bem. Amanhã vou buscar a Clarisse para dormir aqui. Tudo bem para você?
— Claro. Boa noite, Owen. — Passou por ele e saiu.
— Boa noite. Toma cuidado...
Ela assentiu, entrou no carro e foi embora. O ex-marinheiro simplesmente fingiu não ter se abalado com o delicioso perfume no ar que ela deixou para trás.
*
Dois dias havia se passado desde então. Claire não tinha visto mais Owen. O evitou sempre que ia buscar Clarisse. Ela estava sentada em sua sala, olhando fixamente para sua aliança que tinha pego em sua gaveta. Tereza já sabia daquela confusão e tentou convencer os dois a irem para um retiro só para casais, para resolver esse e tantos outros problemas. Mas Owen ignorou e continuou sua vida. Só entrou em contato com Claire no dia da consulta com a médica.
— Que horas vamos?
— A consulta é às 14 horas. Te encontro direto lá no consultório.
— Nada disso. Eu vou te levar.
— Não, Owen. Eu não quero ficar perto de você, será que não entende? Eu não consigo mais nem sequer olhar nos seus olhos. — disse aos prantos desligando o telefone em seguida.
Claire não conseguia se perdoar por não ter acreditado em Owen desde o início. Ele não merecia o que ela fez. Todo aquele sofrimento poderia ter sido evitado, mas ela foi orgulhosa demais para acreditar. Quando ela menos esperava, Owen apareceu no escritório dela com as chaves do carro na mão.
— Bora.
Ela estava com o rosto e os olhos bem vermelhos.
— Eu já disse que não vou! Sai daqui, por favor Owen.
— Não banque a teimosa comigo, lembra que a doutora Jones disse que não pode ficar se estressando atoa.
Owen foi até atrás da mesa dela e a colocou de pé, como se a barriga dela estivesse pesando muito.
— Então, não me obrigue a fazer algo que não quero!
— É a consulta para ver como está você e o bebê. Não tem escolha. E se continuar, te levo no colo lá para baixo. A escolha é sua...
— Eu não quero ir com você. Nos encontrarmos lá. É isso que estou pedindo. Será que não entende?
— Eu sou o pai desse bebê, Claire Dearing. Você não tem direito nenhum de me afastar de você, até por que devido às circunstâncias passadas... quem deveria dizer isso seria eu.
— Então, diz Owen. — seus olhos estavam marejados novamente. — Diz... DIZ LOGO!
— Eu não quero me afastar da mãe dos meus filhos. Você ainda é importante para mim. De certa forma.
— Sou só a mãe dos seus filhos?
— "Só a mãe dos meus filhos", não. Você É a mãe dos meus filhos.
— É a mesma coisa, Owen.
— Não é algo para se diminuir para apenas um simples "só".
Ela o olhou nos olhos.
— Vamos logo...
*
— Bom dia... Claire Grady. — Ele completou, olhando para a ficha em suas mãos.
O obstetra — Dr. Becker — era um homem surpreendentemente bonito. Devia ter aproximadamente trinta anos, e era não só alto como musculoso. Um tipo que poderia lembrar tudo, menos um médico. Ele estava temporariamente substituindo a velha amiga deles, doutora Jones. Owen, provavelmente sendo alertado por seu orgulho masculino ligeiramente ferido e um instinto de macho-alfa muito esquisito, segurou Claire pela cintura e a trouxe mais para perto de si enquanto entravam. Ambos combinaram no carro que não iriam expor o "rompimento".
— Bom dia, doutor. — Ele respondeu pela esposa, puxando uma das cadeiras para que ela se sentasse e fazendo o mesmo em seguida.
— Bom dia. — Ele respondeu, sorrindo de forma educada, enquanto eles se encaravam e entrelaçavam os dedos em cima da mesa — Então... Vocês estão grávidos.
Ele era uma pessoa agradável. Sorria o tempo todo e tentava fazer com que o clima fosse o mais leve possível. Owen, embora visivelmente enciumado — simplesmente porque o médico era atraente — sabia que não havia motivos para ser desagradável ou mal educado com ele. Mas isso não queria dizer que ele faria algum esforço para ser agradável também.
— Sei que vocês são muito amigos da Jones, ela está de licença médica e eu espero cumprir o papel com vocês, tão bem quanto ela.
A consulta começou com perguntas subjetivas.
— A gravidez foi planejada? — Ele começou.
— Sim. — Owen responde. — Foi planejada...
— Entendi. E como estão lidando com a ela?
— Muito bem. — Owen respondeu, já animado — Está tudo ótimo.
— Que bom. — O médico falou, abrindo um lindo sorriso.
Owen aproximou sua cadeira da de Claire inconscientemente.
— Há quanto tempo vocês são casados?
— Ah... — Começou, tirando a mão esquerda de Claire com a aliança do colo e expondo-a em cima da mesa. — Pouco mais de três anos.
— Certo. — O Dr. Becker respondeu ainda sorrindo, de forma muito natural — É bom saber que o clima entre o casal é favorável à chegada do mais novo membro da família. Mas então, Claire. — Ele se corrigiu — É a sua primeira gravidez?
— Não. Já temos uma menina de três anos. — sorriu da mesma forma para ele.
— Que maravilha! Bom... — Ele recomeçou — Vamos fazer alguns exames.
— Que tipo de exames? — Owen perguntou.
— São muitos. Hemograma completo, grupo sangüíneo, glicemia, rubéola, hepatite B, Sífilis, HIV... Mas isso é pra todos os casos. — Ele se apressou em deixar claro, vendo o desconforto da paciente. — Todas as grávidas precisam passar por esses exames. Mas, de fato, vou passar alguns mais específicos pra você.
Owen pensava estar livre desse tipo de doença. Mas agora, depois dessa consulta, nem disso ele poderia ter certeza.
— E se acusar alguma coisa? — Perguntou, deixando o desconforto de lado e fazendo a pergunta em voz alta, agora genuinamente preocupado.
— Se acusar alguma coisa, nós vamos tratar. — Ele sorriu de maneira simples e contagiante, o que, de alguma forma, fez com que se sentisse menos mal — É pra isso que estou aqui, não é?
— E o sexo do bebê? Ela vai fazer uma ultrassonografia? — Owen perguntou, um pouco mais alto do que o tom habitual de sua voz.
— Ah, sim. Com um pouco mais de três meses, poderemos ter mais certeza do sexo através da ultrassonografia.
— Como?
— Bem... Existem métodos em que é possível determinar o sexo antes desse período. Mas são todos caros...
— Quais são? — Ele perguntou.
— Tem a sexagem fetal. É feita através de um exame de sangue, e identifica a ausência ou a presença do Cromossomo Y. Como esse cromossomo é exclusivo dos homens, a presença dele indica um menino. A ausência, uma menina.
— E quais são as chances de erro? — Ele perguntou, realmente interessado.
— Muito baixas. — O Dr. Becker pontuou.
— Ótimo. Pode pedir junto com os outros exames então. — Owen finalizou a questão, com seu mais novo ar de "Chefe de família".
O médico consentiu, anotando tudo em vários papéis.
— Bom, Claire. Quero fazer alguns exames simples com você agora. Pode tirar suas roupas e colocar o roupão no banheir...
— Como? — Owen interveio, e Claire podia jurar que estava a ponto de agredi-lo fisicamente caso ele não parasse com aquele ciúme exagerado e desnecessário.
O Dr. Becker parecia confuso.
— Eu tenho que fazer alguns exames nela... — Ele começou.
— E ela precisa tirar a roupa para isso? — Owen perguntou, mas pelo menos seu tom de voz não era rude. Ele sabia ser educado, mesmo puto. Às vezes.
— Bom, eu tenho que checar se há algum nódulo...
— E ela precisa tirar a roupa pra isso? — Ele repetiu.
— Você já ouviu, Owen. É só uns exames. — respondeu, visivelmente já sem paciência. Levantou e foi até o banheiro, voltando já só de roupão. — Pronto, doutor.
O Dr. Becker surgiu logo atrás dela, ajudando-a a subir até a cama alta e a deitando lá. Naturalmente, Owen já estava ali, assistindo tudo com os braços cruzados afastado deles, ainda na porta.
O médico apalpou o pescoço dela com cuidado, à procura de nódulos, e simplesmente foi fazendo isso em muitas articulações e quase todas as juntas do corpo, se prolongando nos seios, debaixo dos braços e na área da virilha. Por vezes, ela olhava para Owen, que parecia em cólicas, mas ainda assim acompanhava o movimento das mãos dele no corpo dela com um traço de preocupação, como se estivesse atento a qualquer reação estranha do médico.
— Tudo bem. — Ele finalmente falou, ajudando-a a se levantar. — Você parece ótima. Mas quero que o seu ginecologista faça um exame apurado em você. Vamos acompanhar isso direito.
Seguiram outra vez para o escritório, com Owen e o Dr. Becker atrás de Claire. O resto da consulta foi preenchido com explicações do médico relacionadas à alimentação, dando ênfase nos alimentos que Claire deveria evitar. Além disso, foi informada do que poderia ou não poderia fazer, além da frequência com a qual deveria manter as visitas ao obstetra, e alguns exercícios físicos aconselhados e os proibidos. Eles se despediram do doutor e foram comer em um restaurante que tinha próximo do consultório. Eles já tinham o costume de sempre comer lá.
— Sabe que aquela cena de ciúmes foi ridícula, não é? — comentou enquanto esperava os pedidos chegarem.
— Ciúme? Não diga besteiras!
— Então não estava com ciúmes? — arqueou uma sobrancelha.
— Não seja boba, Claire. Ele é médico.
— Tudo bem então. — ficou em silêncio olhando o movimento do restaurante.
— Mas que ele é inapropriado, ele é totalmente. — Completou, irado.
— Ah é mesmo? Por que acha isso? Eu gostei dele, é um bom profissional.
— A doutora Jones não fazia exame de toque em você, eu só acho engraçado que... — Owen começou a dar um sermão na ruiva e só parou quando a comida chegou. Ele encheu a boca de carne e se calou.
— Você não tem que achar mais nada, Owen. Não estamos mais juntos, Lembra? — desviou o olhar sua voz saiu falha, também começou a comer.
— Eu tenho que achar sim, ainda sou seu protetor.
— Não é não. Se ainda nos falamos é porque temos filhos juntos. Apenas por isso. — rebateu relutante.
— Está bem.
Owen estranhava aquela forma dela de tratá-lo, como se fosse ele o culpado ainda. Ela ficou em silêncio por um tempo, pensativa.
— Acho que devemos por um ponto final no nosso relacionamento.
— E você já não colocou, Claire? Ele não existe mais.
Ela abaixou o olhar, calada.
— Adiantar o divórcio?
Ela deu de ombros.
— Eu não solicitei ainda.
— E por que não?
— Me faltava coragem...
O que Owen não sabia, era que tinha um motivo muito forte para ela não querer voltar para ele.
— Coragem? Ou ainda me ama?
— Você acha que eu não te amo mais?
— Não sei. Me diz você.
— Isso não importa. Não faz mais diferença.
— Não?
— E você, Owen. Ainda me ama?
— Você disse que não faz mais diferença!
— Isso para mim é um “não”. Quando tudo aquilo aconteceu, você foi embora... isso significou muita coisa.
— Eu precisava de um tempo só pra mim. Eu voltei melhor do que sai daqui... acredite.
— Que bom para você! Acho melhor irmos embora. A volta para Nublar será longa.
Claire chamou o garçom e ela mesma pagou a conta. Owen não iria contraria-la daquela vez. Deixou que ela pagasse e ainda pediu um gorduroso hambúrguer para viagem.
— Aquelebacon amanteigado estava bonzão...
*
A volta para Nublar foi em completo silêncio. Quando Owen a deixou em frente o apartamento, Claire saiu do carro rapidamente batendo a porta e correu para casa. Owen foi atrás dela, chegou a tempo antes do elevador chegar no andar.
— Por que está agindo assim?
Ela respirou fundo olhando em seus olhos.
— Isso não importa agora, Owen. É melhor assim...
— Correndo de mim?
— Você não percebeu? Depois que nos separamos, as coisas ruins que estavam acontecendo pararam.
Quando o elevador chegou, Owen entrou junto com ela. Ele estava muito perto dela. Perto demais.
— Não percebeu? É por que estávamos quase chegando perto de quem estava por trás de tudo isso. É uma pausa. Essa pessoa tem um objetivo final e não vai parar.
— Mas se o objetivo era nos separar, não tem o porque continuar... — sussurrou sem se afastar.
— Separar por que?
— Eu não sei, Owen. Sempre tem alguém querendo nos separar...
— Eu não sei se consigo ficar sem você por muito tempo... Eu estou no meu limite... — Confessou com um sussurro.
— Está? — arregalou os olhos, sentindo seu coração acelerar.
Aquele espaço mínimo entre os dois foi acabado quando Owen juntou os lábios com os dela em um beijo calmo. Claire retribuiu, estava com tanta saudade daqueles lábios. As mãos foram parar em sua nuca o trazendo para mais junto de si.
Tão logo o elevador se abriu, Emma com um saco de lixo para levar para baixo com Clarisse "ajudando" logo atrás dela. A garotinha ficou radiante quando viu os pais juntos daquela forma. Owen assustou-se e ficou vermelho de vergonha, dando espaço para Emma no elevador. Claire teve a mesma reação e se afastou rapidamente de Owen.
— Vocês estavam beijando na boca, eu vi, eu vi! — Clarisse colocou as mãos na cintura, toda espertinha.
— Ah é? — Owen pegou ela no colo. — Onde pensa que vai?
— Ia ajudar a Emma a levar o lixo, papai.
— Ela insistiu em me ajudar. — Disse a mais velha. — Não ia deixar ela sozinha também, é minha companheira. — Sorriu.
— Ótimo, agora vamos entrar e deixe a Emma voltar, baby.
Os três entraram, Clarisse olhando para os dois o tempo todo. Claire estava um pouco sem jeito.
— Quer beber alguma coisa?
— Mamãe? Dá outro beijo no papai para eu ver uma coisa?
— O que? — arqueou a sobrancelha. — Não, filha.
— Por que não?
— Porque... — olhou para Owen. — Clarisse, para com isso. — suas bochechas estavam vermelhas.
Owen foi mais rápido, roubou um selinho de Claire fazendo Clarisse sorrir largamente. Claire se afastou completamente envergonhada, colocando uma mecha atrás da orelha.
— É que faz tempo que não vejo você é o papai juntinhos, parece que não gosta mais dele.
A ruiva olhou para Owen, ela nunca deixaria de amar aquele homem.
— Que isso, filha.
— É que a mamãe e o papai estão... É... fazendo uma brincadeira de ser amigos por um tempo. Quem não conseguir, perde.
Clarisse ficou olhando para os dois, sem entender.
— I-Isso filha, estamos fazendo uma brincadeira. — fingiu um sorriso. — Quer beber alguma coisa, Owen?
— Quero. — Olhou sugestivamente para os seios dela, não disfarçando nada.
Aquilo a deixou ainda mais envergonhada, então foi para a cozinha. Owen deitou todo a vontade no grande sofá da sala, rindo com a lembrança de quando foi com Claire escolher os móveis do apartamento antes do casamento. Claire apareceu com uma lata de refrigerante para ele e o suquinho de laranja da filha.
— É... vou deixar vocês a vontade. Qualquer coisa estou no quarto.
— Por que não senta aqui?
— Quer que eu fique?
— Sim. — Owen bateu a mão no espaço vago do lado ele.
A ruiva sorriu e sentou-se ao lado dele, um pouco sem jeito.
— Posso? — Fez menção de tocar a barriga dela.
— Claro. — se encostou nas almofadas e levantou a blusinha descobrindo a barriga.
Todo cuidadoso, Owen tocou o ventre dela com todo carinho que tinha por ela e aquela criança sendo gerada. Depois, inclinou-se e beijou o pequeno espaço abaixo do umbigo. Clarisse assistia a cena hipnotizada. Claire não pode evitar e chorou emocionada. Sentiu seu corpo inteiro se arrepiar com os toques dele. Toques que sentia tanta falta. Com cuidado, tocou os cabelos dele fazendo um carinho. Owen deitou a cabeça ali e permaneceu por muito tempo. Ela continuou com o carinho. Clarisse acabou dormindo ao lado do pai.
— Alguém dormiu... — comentou.
— Engraçado, achei que ia começar a sessão de perguntinhas da ruivinha curiosa. — Owen pegou a filha no colo.
— Ah mais deixa ela acordar, com certeza terá várias. — riu e o acompanhou até o quarto da filha.
Owen deixou ela na cama, a cobrindo com um lençol.
— Parece que vejo você pequena, quando olho pra ela.
— Mesmo? — sorriu boba olhando para ela.
— Sim.
O quarto da pequena parecia mais que tinha passado um furacão, um especificamente, um furacão de três anos de idade. Tinha brinquedos até dentro do vaso sanitário, gavetas abertas e livros jogados. Claire com sua mania de organização, começou a arrumar a bagunça.
— Claire... É melhor descansar. Eu estou indo embora.
Ela virou rapidamente para ele.
— Não quer dormir aqui?
— Dormir com você?
— C-comigo? Seria no sofá...
— Acho que posso.
Owen olhava para Claire como se pudesse comê-la com os olhos.
E aqueles olhares a faziam suspirar.
— Pode tomar banho também, ainda tem roupas suas aqui.
— Vem cá, vou te por na cama...
— É melhor não, Owen...
— Baby, precisa descansar. Fez tanto exame hoje, tirou sangue... Está ainda mais pálida.
Owen usou o dom de persuasão que tinha sob a ruiva e deixou ela na cama, bem confortável. Claire segurou a mão dele, não o deixando se afastar.
— Fica aqui... — sussurrou.
— Fico, se quiser... — Beijou a mão dela.
— Eu quero sim. — pediu toda manhosa.
Owen ficou sentado, mexendo nos cabelos dela para fazê-la dormir.
— Owen... eu quero que durma aqui comigo.
— Sério?
— Sim... — Sentou se aproximando dele. — Você ainda me ama?
— Eu nunca deixei de te amar, Claire. Nem por um segundo.
— Oh Owen... — disse sofregamente. — Você merece alguém melhor que eu... Jamais vou me perdoar por não ter acreditado em você.
— Não existe alguém melhor que você para mim. E nem mesmo gostaria de estar com outra pessoa a não ser minha gerente sexy de operações, mandona e chata, viciada em dietas e dona no narizinho mais empinado das Américas.
Ela sorriu com os olhos marejamos e acariciou sua barba.
— Quer ficar comigo, mesmo eu sendo tão chata?
— Eu quero ficar com você para sempre...
— Eu te amo tanto. — sorriu e sentou em seu colo com uma perna de cada lado. — Sinto tanto a sua falta...
— Eu estou aqui, Claire. Pra cuidar de você. Eu sempre estive... — Owen colou a testa na dela, de olhos fechados.
Ela sentiu a respiração dele se misturar com a dela. Sentiu seu cheiro que tanto sentia saudade. Passou a ponta do nariz na dele, depositando um beijinho ali.
— Me faça sua novamente... — sussurrou.
— Você sempre foi minha...
— E sempre vou ser... mesmo estando separados. — suas bocas estavam muito próximas.
Owen acabou com aquela espaço mais uma vez, em um beijo doce repleto de saudades. Era apenas o começo de um grande processo de reconciliação.
*
— Está nervosa?
Claire estava nervosa. Owen e ela estavam no carro dele, indo ao obstetra com os resultados dos exames. Para manterem a calma — ou pelo menos tentar — decidiram não ler nada antes do próprio médico, porque se houvesse alguma observação fora do "normal" naqueles laudos, mesmo que não fosse nada demais, não entenderiam os termos médicos e acabariam em pânico, talvez à toa. Por isso, os envelopes ainda estavam lacrados. Tanto os exames relacionados à saúde de Claire quando o exame que informava o sexo do bebê. Ela olhou para ele e assentiu com a cabeça. Claire mal consegui dormir a noite de ansiedade e medo, mesmo sabendo que não era necessário.
— Será que antes, podemos passar para comprar um chá?
— É sério amor, não dá para esperar?
— Não. Acho que o chá vai me ajudar a acalmar. — explicou.
Owen moveria céus e terra por aquela mulher, então atendeu seu pedido. Tomaram um chá juntos antes de entrarem, até Owen. Ele odiava chá. E Claire não pode deixar de notar as caretas que ele fazia a cada gole, o que ela achou muito fofo da parte dele.
— Quer que eu peça mais um?
— Não precisa, amor. — sorriu. — Você também está nervoso?
— Eu estou. — Ele falou, tentando manter os olhos na rua à frente. Owen não precisava sequer anunciar aquilo: Estava óbvio.
Claire olhou para ele, de certa forma era um alívio saber que Owen sentia o mesmo que ela. Então levou a mão até os cabelos dourados dele, acariciando o local.
— É melhor irmos.
Owen deu um beijo rápido naquele rostinho sardento e a levou para a consulta. Quando chegaram, o nervosismo pareceu se intensificar. Owen tentou parecer calmo, porque se Claire percebesse seu estado provavelmente entraria em desespero, aquela tensão toda acabaria prejudicando o bebê. Ele entraria em pânico também. E então, seriam dois pais desesperados à beira de uma síncope.
— Bom dia, Claire. Owen.
Sentaram-se, e se deixaram levar pela aura de positividade e animação do Dr. Becker. Owen estava tão nervoso que parecia ter simplesmente esquecido de sentir ciúmes.
— Bom dia, doutor. — Ele falou, entregando imediatamente os exames — Não vimos nada porque... Porque estávamos com medo. — Concluiu, imaginando que talvez falar, naquele momento, pudesse aliviar um pouco a tensão.
Era tão difícil Owen ficar daquele jeito, que Claire o encarou e segurou a sua mão fazendo um carinho com o polegar.
— Doutor, preferimos ouvir as notícias de alguém realmente capacitado a entender o conteúdo desses envelopes. Poderia por favor, acabar com a nossa ansiedade?
— Fizeram muito bem. — Ele disse, aceitando os envelopes das mãos de Owen e abrindo-os calmamente, como quem abre uma carta de Natal.
Ele analisou os resultados por algum tempo. Um bom tempo. Talvez semanas. O loiro ficou imóvel na cadeira ao lado da esposa, olhando fixamente para o médico, que ainda virava e desvirava as páginas. O zumbido do ar condicionado parecia muito mais alto agora, e os incomodava mais também. Estava frio, mas não deu muita atenção a esse pequeno detalhe. Claire podia escutar cada engolida seca que Owen dava, e aquilo estava lhe deixando à beira de um ataque de nervos. Até o barulho das páginas sendo viradas estavam dando corda à sua iminente explosão. Se o doutor não tivesse falado alguma coisa naquela hora, Owen provavelmente teria gritado.
— Podem respirar aliviados. A mamãe não tem nenhum tipo de problema que possa prejudicar o bebê.
Owen sentiu algumas toneladas sumirem das suas costas. Suspirou profundamente, não porque seguiu o sentido literal do que o Dr. Becker havia dito, mas sim porque o alívio que sentiu foi tão grande que mal podia lidar com ele. Fechou os olhos e agradeceu, mesmo sem saber a quem ou ao que direito, mas sabia que deveria ser grato. E ele estava.
— Eu sabia. — Owen falou ao lado, mas seu tom de voz entregava o alívio que ele próprio sentia.
A ruiva sentiu-o agarrar suas mãos e apertá-las, trazendo-a de volta à realidade. Quando Claire abriu os olhos, se deparou com o Dr. Becker, segurando os dois envelopes idênticos fechados que restaram.
— Dois? — Ele perguntou, um pouco confuso.
— É... Eu pedi pra fazerem duas vezes... Pra não restarem dúvidas. — Owen falou, um pouco tímido.
Claire não aguentou e riu naquele momento. Owen era muito exagerado, ainda mais quando se tratava da sua família. Mesmo ela não querendo fazer duas vezes o mesmo exame, ele insistiu tanto. E na hora que a olhou com os olhinhos pidões, a ruiva se deu por vencida e fez como ele queria.
— Isso é normal, doutor. Por favor, poderia ler logo o resultado? — mordeu o lábio inferior, tentando conter a ansiedade.
— Vocês não abriram? — Ele perguntou, os encarando.
— Não. Deixamos pra receber todas as notícias de uma vez. — Owen falou, rindo do ainda recente alívio e da expectativa para mais uma novidade.
— Entendi. — Disse o médico, abrindo sem cerimônias o primeiro envelope. Se prestassem atenção, tinham certeza que poderiam ouvir as marteladas do coração de Owen naquele momento. Todos os movimentos do Dr. Becker pareciam ser feitos em câmera lenta, e eles tinham certeza que toda aquela adrenalina não podia fazer bem ao bebê. Claire e Owen o encaravam com atenção absoluta, registrando cada mudança em sua expressão. Como se soubesse disso, ele parecia fazer força para não esboçar reação alguma. De uma forma irritantemente calma, pegou o segundo envelope e abriu, lendo também o laudo daquele exame.
— Bom, os dois deram o mesmo resultado... — Ele começou, fazendo-a tremer um pouco. — Então acho que realmente não restam dúvidas.
Ele parecia divertido, mas os nervos de Owen Grady estavam em um estado que, se antes o sorriso do médico bonitão parecia deslumbrante, agora ele tinha vontade de socá-lo.
— E então? — Perguntou, e só se deu conta de que a voz era dele depois de ouvi-la.
A resposta veio, provavelmente, em menos de dois segundos. Para Owen, no entanto, o silêncio entre aquela pergunta e a resposta pairou no ar por, pelo menos, uma eternidade.
— É um menino.
Esperou que aquele pedaço de informação fizesse efeito, tanto em Claire quanto em Owen, mudo e paralisado ao lado. Embora o loiro tivesse suas convicções de que, no final das contas, o bebê seria realmente um menino, ainda assim ouvir a confirmação o fez ficar ainda mais feliz.
Um menino.
— Um menino! — Claire repetiu sentindo seu coração querer sair pela boca. Emocionada, alguma lágrimas se formaram em seus olhos.
Naquela gestação, Claire não tinha certeza do sexo do bebê igual teve com Clarisse. O que viesse seria muito amado. Mas agora com essa confirmação e com a reação de Owen. Não poderia ser diferente, pensou. Seriam pais de um casal.
— É um menino, amor... — disse mais uma vez, segurando a mão do loiro, enquanto chorava de alegria.
Owen ainda encarava o médico da mesma forma. Assim como ela — ou talvez mais — ele parecia distante, tentando processar a informação. Não poderia dizer se aquela novidade tinha sido bem aceita por ele ou não, porque ele não esboçava reação alguma.
— Bom, na verdade... — O Dr. Becker continou — Posso garantir que não há meninas nessa gestação, mas não devemos descartar a possibilidade de gêmeos ou mais, embora sua barriga não esteja suficientemente grande pra isso. Mas caso haja mais de um bebê, posso dar vocês a certeza de que todos serão meninos.
Claire arregalou seus belos olhos verdes, definitivamente não estava prepara para ter gêmeos e nem sequer pensar nessa hipótese.
Ela sorriu para o doutor e olhou para Owen, que estava muito estranho a deixando preocupada.
— Amor, está tudo bem?
— Eu estou, estou. Só processando a informação, eu...
— Poderia nos deixar a sós, só por um momento. — pediu educadamente, que assentiu e os deixou sozinhos. — Hey, Owen. — segurou a mão dele. — O que você tem?
Owen voltou a atenção para ela sem entender muito bem.
— O que foi? Só estou processando a informação. Sempre quis um filho...
— Percebi, já que não ficou assim quando engravidamos da Cla.
— O que quer dizer?
— Você sempre quis mais um menino.
— Eu sei... Mas isso não quer dizer que eu não ame minha filha. Por que está falando Isso?
— Foi só uma observação, Owen. Enfim... vou chamar o doutor.
Owen a abraçou bem apertado, como se a agradecesse em silêncio. Ela retribuiu o abraço e depositou um beijo em sua bochecha.
— Por que isso? — sussurrou.
— Por que eu te amo demais...
Ela sorriu e o deu um selinho demorado.
— Eu também te amo.
— Com licença, papais. — disse o doutor entrando na sala.
— Olha, vocês vão saber ao certo quantos bebês são depois da primeira ultrassonografia, que pelo que diz aqui na sua ficha, já está agendada. Mas, pela minha experiência, creio que seja um único menino mesmo.
Claire prestou bastante atenção em tudo que o Dr. Becker dizia, mas era impossível estar completamente atenta a ele enquanto Owen se mantinha ali, em estado catatônico, imóvel com seus pensamentos, incapaz de fazer parte da troca de informações entre eles.
Ela só conseguiu relaxar quando, algum tempo depois — provavelmente o tempo necessário para que ele tivesse alguma reação — virou para o lado outra vez e o viu sorrindo debilmente enquanto mantinha seu olhar desfocado na parede atrás do Dr. Becker. Aquilo só poderia significar que ele estava feliz. Quando a hora de ir embora chegou, chamou-o com uma voz calma e baixa, quase como se estivesse tentando acordá-lo de um sono profundo. Ele pareceu despertar, e embora ainda estivesse extremamente distraído, agradeceu ao Dr. Becker pela atenção com um sorriso radiante no rosto e saiu do consultório, puxando Claire pela mão.
Aos poucos, ele estava voltando a si.
*
— Meu Deus, e se forem trigêmeos? — Owen perguntou, animado como uma criança em véspera de Natal, quicando levemente na cama e fazendo com que a ruiva pulasse também ao seu lado. Claire riu e o segurou.
— Está me deixando enjoada, amor. E eu espero que seja só um mesmo.
— Por quê? — Perguntou em um tom ofendido.
— Eu não daria conta de três bebês. — continuou rindo.
— Bom, pelo menos você passaria por isso uma única vez, e eu não encheria mais o seu saco. — Ele falou, tentando parecer casual, enquanto se enfiava debaixo do edredom e se agarrava nela como sempre — Se vier um só, vamos ter que repetir a dose pelo menos mais duas vezes.
— O que? Quer mais filhos? — cerrou os olhos.
— Quero quinze crianças.
Ela soltou uma gargalhada e voltou a olhar em seus olhos.
— Acho que está mais que na hora de você voltar a morar com a sua família.
— Não vai jogar minhas coisas em uma mala de novo?
Ela ficou sem graça e desviou o olhar.
— Olha pra mim baby...
— Deixa Owen... se prefere as coisas assim. Tudo bem.
— Se quiser busco agora mesmo.
— E o que você quer?
— Eu quero minha família de volta.
— Então volta. — se aproximou dele. — Volta para a nossa família, nossa casa, nossa cama... — seu olhar era intenso e cheio de desejo.
— Vamos fazer o seguinte... Eu vou pegar minhas coisas. E você coloca uma lingerie e um hobbie e me espera.
Claire deu um sorrisinho de canto.
— Não é melhor você pegar amanhã? Eu vou com você. Vai que tenha outra psicopata te esperando lá.
Owen gargalhou alto com a fala dela.
— Sério?
A ruiva ficou séria na hora.
— É muito sério.
— Também não é assim, baby. O que tem embaixo dessa roupa? — Pergunta já com a mão dentro da blusa dela.
— Por que não tira para descobrir? — sugeriu sensualmente.
A ruiva estava com uma linda lingeriei vermelha rendada. Tinha planos para eles aquela noite. Fazia mais de um mês que um não tocava no outro e aquilo tinha que acabar o quanto antes. Ela veio para ele com aqueles olhos cor de esmeraldas profundos. Eram olhos muito diferentes do que ele via em suas exs namoradas, porque todas elas tinham olhos rasos, como se não tivessem história alguma por trás deles. Claire tinha olhos tão profundos que faziam com que ele quisesse mergulhar neles e descobrir o que quer que fosse que eles teimavam em esconder. Owen foi se sentar na beirada da cama, não tirando os olhos dela. Tirou a camisa e apoiou seu corpo sob as mãos, que repousavam no colchão atrás de si.
Claire então virou-se de costas para ele e desfez o nó do hobby muito lentamente, até que ele deslizou suavemente por seus ombros e caiu em cascata no chão, aos seus pés. Sua lingerie era trabalhada em rendas, de muito bom gosto, onde se misturavam em tons de vermelho. Os sentidos do marido começavam a se confundir novamente, e ele teve a visão do corpo de Claire, de uma tonalidade rosa extremamente clara, coberta em calda de cassis. Seu perfume pareceu intensificar-se quando seu hobby caiu no chão, levantando uma suave brisa. Seu corpo era lindo, pequeno, com curvas perfeitas e suaves. Aquilo estava excitando-o mais, muito mais do que o normal. Estava entusiasmado, pegando fogo, tremendo de antecipação. Seria o tempo que ficaram separados? Mas era isso que acontecia. Owen sentia seu corpo, literalmente, tremer de vontade. E seus movimentos lentos e desconcertantes o faziam querer ao mesmo tempo que aquilo se prolongasse o máximo possível, e também tomá-la de uma vez, no desespero de sentir o gosto de cassis, amêndoas e baunilha.
Suas sardas continuavam a contrastar fortemente com o tom claro de sua pele, mas ele já não as via. Em um movimento suave e preciso, ela desprendeu os aros que prendiam seu sutiã às costas. Removendo-o, Owen pôde ter a visão de Claire, apenas de calcinha, de costas, com os cabelos presos no lindo coque que mantinha seus fios ruivos perfeitamente desalinhados. Suas costas estavam expostas, e ela agora brincava com a alça de sua calcinha.
— Tire. — Ofegou, sem se conter.
Claire sorriu sem que ele visse. Era excitante saber que Owen ainda a desejava da mesma forma. Ainda de costas e sem pressa algum, ela desceu a pequena calcinha. Ficando por fim, completamente nua.
— Agora, é sua vez de tirar a roupa, Grady. — virou o rosto de perfil, o observando de rabo de olho.
Ela estava completamente nua.
Linda.
— Você vai fazer o que eu mandar. Pelo menos por agora. Vire-se. — Pediu o marido.
Owen analisou-a dos pés a cabeça. Seus olhos verdes o davam um certo tipo de fome. Seus lábios, muito vermelhos mesmo sem nenhum tipo de maquiagem, contrastava com sua palidez. Combinavam perfeitamente com o ângulo do pequeno "o" que sua boca entreaberta fazia, deixando-a ainda mais linda. Seu pescoço, era pouco coberto pelos fios de cabelo que teimavam em sair do coque e caíam leves por seus ombros. Algumas sardas claras iam daí até seu peito, em uma trilha provocante. Seus seios eram médios e tinham uma consistência mais cremosa que o resto de seu corpo, fazendo com que os bicos parecessem muito claros e rosados. A barriga era perfeita, com algumas poucas sardas remanescentes. Ela estava completamente linda, sem falar nas coxas na medida certa. Owen pegou-se ofegando apenas de olhar para aquela criatura.
— Claire... vem aqui.
— Você ainda está vestido. — observou.
Ela o conhecia muito bem, e aquela olhar sombrio misturado com desejo fazia suas pernas ficarem bambas. Mas não fez menção em sair do lugar.
Fale com o autor