História After You - Terceira Temporada

17 Capítulo -The Mysterious Bouquet Of Flowers


O telefone do loiro vibrou no bolso, desviando a atenção da mulher. Após pedir perdão, atendeu. Era apenas uma confirmação de carga de carne bovina que chegaria a noite. Estranhamente quando finalizou a ligação, a mulher simplesmente havia desaparecido.

Owen ajeitou o terno e voltou a procurar a esposa. A encontrou no lugar que achava que estaria, os olhos verde esmeraldas atentos a uma operação de resgate de um bebê pteroussauro fujão.

— Te achei.

Ao ouvir a voz do marido, Claire sentiu seu coração bater acelerado. Mas não desviou seu olhar para encará-lo, permaneceu concentrada no grande painel.

— Estava me procurando?

— Sim, não vi você no almoço e nem respondeu minhas mensagens. – Abraçou-a por trás, ignorando todos os funcionários ao redor. — E esse cheirinho de biscoitos?

Claire estava evitando Owen desde a pequena discussão no fim de semana.

— Owen... Não faz isso aqui. Estamos no local de trabalho. — Suspirou. — Estou muito ocupada, almocei na minha sala...

— Almoçou biscoitinhos?- Beijou a bochecha rosada demoradamente.

Claire sentiu que estava quase se rendendo aos encantos do marido, então afastou-se passando a mão nos cabelos avermelhados e finalmente encarou-o.

— Não importa o que eu comi... Viu a planilha de datas que te mandei?

— Vi sim. — Colocou as mãos nos bolsos.

— Precisamos definir algumas coisas... Pode me acompanhar até a minha sala?

Owen a acompanhou até a sala, fingindo formalidade. Até abriu a porta para ela.

— Primeiro as damas.

— Obrigada... — Entrou e foi direto sentar em sua cadeira. — Então, pensou em alguma coisa para essas datas?... Queria falar com você sobre o Natal...

— Só o tradicional halloween de todos os anos. — Deu de ombros, sentando-se de pernas abertas na cadeira da frente da mesa da ruiva. Já ela, cruzou as pernas e o encarou.

— Okay. Bom, esse ano o natal vai ser na casa da Karen. Tem algum problema?

— Tem, achei que ficaríamos na minha mãe.

— Todo ano passamos com a sua família, esse ano podíamos passar com a minha família. E é claro que a sua mãe e seus irmãos vão para lá também.

— Não, não vão. Só se fizermos o natal aqui na ilha.

Claire ficou com uma expressão séria, diante daquela recusa do marido.

— Eu quero passar o natal na cidade onde cresci, Owen. Nunca te pedi isso... É tão difícil assim para você?

Owen soltou um longo suspiro e acabou cedendo. Nada mais justo com ela.

— Está bem. A noite ligo para minha mãe avisando que ela não vai ver a neta.

Quando ela ia agradecer por ele ter aceitado, Owen teve que dizer aquilo depois. Claire encarou o porta retrato em sua mesa, com os três sentados em uma escada, na casa de praia. Ela e Owen sorridentes e Clarisse olhando para a câmera com a mamadeira na boca.

— Pelo jeito é bem difícil para você mesmo. Não precisa então... Avise a ela que não vai ver só a neta.

Owen ignorou a fala da esposa e mais tarde, naquela noite ligou para a mãe e comunicou que não iam passar o Natal lá. Ele ouviu gritos e depois a sogra pediu para falar com Claire. Com ela, dona Tereza agiu totalmente o contrário: Paciente, doce e entendeu a situação. Owen ficou observando as duas no telefone não muito surpreso.

— Eu gostaria muito que a senhora passasse com a gente na casa da Karen. O Natal não será o mesmo sem a senhora... Por favor... — pediu.

— Oh minha querida, não sei... Sempre passei o Natal aqui...

— Eu sei, senhora Grady. Mas precisamos da senhora e Owen vai te buscar aí. Também vou falar com os irmãos dele. Seria bom passarmos esse ano em um lugar diferente e eu quero a presença de todos vocês... São a nossa família. — disse carinhosamente.

— É que tem todo o pessoal que vem pra cá também, eu não conheço muito a Karen. Mas gosto bastante dela...

— Eu entendo, e foi ela mesma que convidou toda a família. A casa dela é grande, cabe toda a família lá... — Estava quase suplicante. — Por favor...

— Onde é a cidade que ela mora mesmo?

— Ela mora na Dakota do Sul, em Brookings.

— Vou conversar com o pessoal aqui, filha. Isso tudo tem que ser combinado. Como você está, meu bem? O Owen anda te chateando? Minha netinha linda, cadê?

Claire suspirou audivelmente.

— Está tudo bem... A Cla está assistindo desenho. – Ficaram por mais alguns minutos conversando e desligou. — Obrigada. — Entregou o celular do marido.

Owen pegou o telefone e deu um tapa no bumbum dela. Clarisse achou engraçado.

— O que foi isso, Owen? — Vociferou.

— O que?

— Quer parar?! — Bufou e foi sentar-se com a filha. — Como foi a escola, princesa?

— Aprendi um monte de coisas, mamãe... — disse toda empolgada e sentou no colo da mãe e começou a contar tudo o que fez, fazendo Claire rir.

Owen pensou em ir no bar tomar um drink já que Claire ainda estava brava com ele, mas foi fazer o jantar. Claire aproveitou para levar a filha para tomar banho, ambas ficaram por vários minutos na banheira e depois colocaram o pijama. Foram para a cozinha.

— Papai... O que está fazendo? — Abraçou a perna dele.

— Comidinha pra você papar e dormir, passarinho. Quer nuggets de ursinho?

— Quero sim paizinho... — Disse animada.

Claire ficou na sala pensativa, abraçada a uma almofada.

— Vai lá perguntar para mamãe se ela quer omelete de espinafre.

Clarisse foi correndo paraa sala com suas pantufas rosa felpudas.

— Mamãe! Papai perguntou se você quer melete de nanafi...

Claire riu e a encheu de beijos.

— É "omelete" meu amor... — a pegou no colo e foi para a cozinha. — Quero sim, por favor...

Owen assentou e caprichou em tudo o que fez. Depois foi por a mesa. Omelete, capeletti de carne, nuggets, creme de milho e mini cenourinha cozidas no vapor para Clarisse. O cheiro estava maravilhoso, Owen tinha caprichado em todos os detalhes. A pequena família de três logo começou a refeição.

— Está muito gostoso... — Claire elogiou, encarando o marido.

— Também acho. — Responde o próprio de boca cheia.

Claire revirou os olhos e voltou a comer.

— Papai... Quero mais nuggets...

Owen colocou mais dois nuggets e duas cenourinhas.

— Olha amor, parece uma coelhinha...

— Parece mesmo. — Sorriu.

O jantar foi bem agradável, quando terminaram Claire foi lavar a louça. Clarisse foi brincar e Owen proibiu a esposa de lavar louça. Iria deixar para a empregada lavar no dia seguinte.

— Não tem problema nenhum eu lavar, Owen... Tem pouco coisa. — Teimosa, ela foi lá lavar.

Owen tirou ela de lá e a jogou no sofá.

— Escolhe um filme...

Claire segurou o riso e suspirou.

— Acho que vou dormir... Quero ir cedo para o centro de inovação, amanhã.

Owen se lembrou que o maldito Tom, por qual alimentava um ódio incomum, estava na ilha.

— Eu posso te levar?

— Não precisa. Vou com meu carro. Tenho que verificar umas coisas nos paddocks.

— Vai estar escuro ainda, eu vou com você.

— Por que? Sabe que conheço muito bem esse lugar. Não tem necessidade. — O encarou e acabou sorrindo. — Quer me proteger?

— É o meu trabalho...

Ela suspirou e colocou a mão por cima dele, sem desviar o olhar do seu.

— Obrigada.

— Vai deixar eu cuidar de você?

— Vou sim... — sua voz saiu com um sussurro.

Owen depositou um beijo na mãozinha dela todo orgulhoso.

— Parece que cada dia que passa você fica mais bonita...

— Ah, para... – Ela desviou o olhar envergonhada. — Está falando só para me agradar...

— Estou falando a verdade. Vai se olhar no espelho... — Deitou do lado dela, com a cabeça apoiada na barriga. — Oi, filho.

Claire ficou surpresa com aquela atitude dele. Carinhosamente acariciou seus cabelos.

— Eu marquei uma consulta com a doutora Jones amanhã... E também comprei um teste de gravidez. — confessou.

— E já fez?

— Não conseguiria fazer sem o seu apoio. E estou um pouco nervosa...

— Qual foi a última vez que fez teste?

— Faz quase dois meses... Vem comigo até o quarto?

Owen foi com ela. Claire entrou no banheiro e depois de fazer, saiu e foi esperar o resultado com ele. Ambos estavam ansiosos. Minutos depois, tinham o resultado.

— Negativo... — Murmurou com os olhos marejados.

Owen se manteve forte o tempo todo para ampará-la. Incentivou a continuarem tentando todos os dias e lembrou-se da consulta com a doutora Jones.

— Vai dar tudo certo, baby girl.

Eles estavam sentados na cama, Claire chorava muito.

— Vai, não é? Vamos ter nosso bebezinho... — soluçou.

— Vamos sim, olha... Ele vai vir quando a gente menos esperar. — Segurava a mão dela o tempo todo. — Acho que a gente devia parar de pensar em gravidez e deixar acontecer... talvez isso estava meio que bloqueando o processo.

— Tem razão, amor... E ainda somos novos, temos muito tempo. — se aproximou e sentou em seu colo com uma perna de cada lado. Aproveitou para sentir o seu cheiro, que aquecia seu coração.

Owen e Claire só não ficaram naquela posição por muito tempo, pois precisaram por Clarisse na cama quando a mesma veio chorando da sala.

— O que foi filhotinha? — a pegou no colo e os três foram para o quarto dela.

— Eu te chamei mamãe, você não ouviu... — Explicou chorando.

— Oh minha vida... Perdoa a mamãe. — a abraçou se sentindo muito culpada. Ela se preocupou tanto em tentar engravidar, que esqueceu do seu pedacinho que estava ali precisando dela. — Estamos aqui com você... — a encheu de beijos e olhou para o marido.

— É que a mamãe estava um pouco triste e eu fui acalmar ela, princesa. Estamos todos juntos agora... e eu amo vocês duas mais que tudo nesse mundo.

— E a mamãe, ama vocês dois mais que todo no mundo. — sorriu para a filha. — Não chora mais, princesa...

Clarisse deitou na caminha toda dengosa.

— Então posso ir na loja de brinquedos?

Claire riu e a cobriu.

— Pode sim... — a beijou na testa e deu espaço para o pai também dar boa noite para ela.

— Posso comprar um pônei rosa?

— Amanhã vemos isso, filha...

— E uma Peppa que canta musiquinhas...

— Hora de dormir, papai... amanhã vemos isso. – Owen colocou meias anti-derrapantes nos pezinhos da pequena.

— E uma casa de princesa?

Claire sorriu e a deu um beijo.

— Amanhã vemos algo bem legal. Agora precisa dormir, meu amor...

Owen pegou um livro na estante da filha: A raposinha ruiva. Começou a ler em voz alta. Clarisse amava aquela história desde bebê. Claire ficou sentada do outro lado, acariciando os cabelos da filha. Até que a pequena adormeceu, ela sorriu para o marido e saíram do quarto dela.

— Missão cumprida.

— Adoro seu pai dessa garotinha. — Suspirou cansado e pegou a esposa no colo e foi para a sala. — Agora vamos ver uma série.

— Não prefere ir dormir? Parece tão cansado... — acariciou o rosto dele.

— Ainda não entendeu que o filme é pretexto pra te comer no sofá?

Claire riu alto e sentou em seu colo.

— Estou com saudade desses lábios... — passou a ponta dos dedos nos lábios do marido. — Me beija!

Owen a beijou. Owen a fodeu quatro vezes seguidas como recompensa da última vez, e estava disposto para uma quinta.

— Já está cansada?

— Acho que aguento mais uma vez... E você? — sorriu beijando lentamente seus lábios.

— Pega aqui para responder sua pergunta, ruivinha...

A sala estava toda revirada, as almofadas no chão, coberta pendurada na TV e os dois suados no tapete. Owen se posicionou no meio das pernas dela e começou a penetração outra vez, bem devagarinho. Claire gemeu toda manhosa, era delicioso. Ela o olhou nos olhos, enquanto o sentia indo e vindo. Prendeu as pernas no quadril dele se movimentando no mesmo ritmo.

— Assim tá gostoso? — Começa um ritmo mais intenso, apesar de lento, quando voltava, metia com força e parava.

Claire arqueava a coluna a cada estocada.

— Está perfeito... — após longos minutos se amando, a ruiva atingiu um forte orgasmo. Mais forte que os anteriores.

Owen não resistiu aos espasmos em volta de si e gozou mais uma vez, urrando de prazer.

Claire o abraçou forte, arranhando lentamente suas costas. Depositou beijos em seu ombro suado, sentindo a respiração dele se misturar com a dela. Com a força não se sabe de onde, Owen ergueu-se com ela nos braços e levou pra cama. Claire não largou dele, apenas puxou o edredom e os cobriu. Ficou o encarando como uma boba.

— Você molhou o sofá todo, dengo. Gostei de ver. — Murmurou safado.

Ela riu e acariciou sua barba.

— Eu te amo demais!

— Faria qualquer coisa por mim, então? — Murmurou com aquele sorriso perverso, que ele só dava quando pedia uma coisa proibida.

— Sim. — Respondeu toda apaixonada.

Owen olhou no fundo dos olhos dela e teve medo de pedir o que queria.

— Também te amo.

Ela sorriu e o deu um selinho doce e carinhoso.

— O que ia me pedir?

— Eu? Nada. Melhor dormir que vamos acordar cedo amanhã.

— Está bem... — o beijou mais uma vez e se aconchegou em seus braços. — Boa noite...

*

Emma, a empregada, assustou-se com a quantidade de itens de sex show que estavam chegando diariamente pelos correios. Sem falar no cardápio diferente dos patrões, exceto pela pequena Clarisse que manteve-se igual. Em um daqueles dias, Emma quase morreu de vergonha quando foi pega lendo o *kamasutra que achou embaixo da cama do casal, durante a limpeza de rotina. A senhora de meia idade ficou tão chocada com o que viu, que não percebeu quando Claire chegou toda imponente do shopping com várias sacolas, montada em um salto alto. Emma desejou que um buraco se abrisse e a engolisse imediatamente. Ela guardou o livro na cômoda e voltou a limpeza, vermelha como um pimentão.

— Se-senhora, o closet esta do jeito que me pediu...

Claire não entendeu o porque do nervosismo da funcionária.

— Obrigada querida.

Colocou as sacolas no sofá de veludo do closet e foi para o quarto da filha, Clarisse estava vermelha de tanto rir, assim como Zia.

— O que estão aprontando?

— Mamãezinha... — A pequena ruivinha correu pulando no colo da mãe.

— Oi meu amor, que saudade! – Abraçou-a apertado, sentindo seu cheirinho de bebê.

— Nossa, estou exausta. — Zia murmurou levantando do tapete. Claire riu alto.

— Tem alguém dando trabalho? — beijou as bochechas rosadas da garotinha.

— Eu não dei trabalho, mamãe!

— Ah, imagina. — Zia disse irônica. — Imagina que o senhor seu marido hoje, sugeriu que a festa dessa pimentinha fosse com tema do Huck. Ele ia fantasiar de Huck e se pintar todo de verde...

— Não quero Uki! — Resmungou a pequena com um bico. Claire riu alto.

— Eu sei meu amor... a mamãe também não vai deixar ser do Huck. Seu pai tem cada ideia... amiga, se quiser já pode ir descansar...

— Certo. Até amanhã.

Após se despediram, Clarisse entrou dentro de uma das sacolas e ficou lá "escondida".

— Onde será que está a princesa da casa? — disse alto fingindo procurá-la e a pegou de dentro da sacola. — ACHEI!

Clarisse soltou um gritinho seguido de uma risada. Acabou abraçando a mãe pelo pescoço toda dengosa.

— Mamãe, eu te amo tá?

Claire a abraçou de volta e não pode evitar, seus olhos ficaram marejados emocionada com aquele gesto da pequena filha. Era tão gratificante, chegar em casa após um longo dia e ter um serzinho tão pequeno te esperando. Que precisa de você e que o amor é incondicional.

— Oh minha vida... a mamãe também te ama, muitíssimo! — rodou com ela em seus braços. — Agora vamos tomar banho e ir comer...

— Hm... eu queria biscoitinhos de borboleta.

Tereza enviou um pote cor de rosa com biscoitos de chocolate em formato de borboleta e desde então, eram os favoritos da pequena. Mas Owen só deixava ela comer uma depois do jantar.

— Lembra o que o papai disse? Só depois que jantar...

A levou no colo para o banheiro de seu quarto, encheu a banheira, tirou a roupa da filha e a sua e as duas aproveitaram a água morna com espumas. Depois de várias minutos e com muito trabalho, pois Clarisse queria brincar mais na água, Claire conseguiu tirá-la de lá e colocaram seus pijamas.

— A mamãe vai ligar para o papai, para saber se ele vai demorar...

— O papai saiu com o Loló. De chapéu, mamãe. — Ela colocou as mãozinhas na boca, achando sua observação muito engraçada.

— O que? — arqueou a sobrancelha estanhando aquilo. Pegou o celular e mandou uma mensagem.

“Aonde está?”

Ao enviar, pegou a pequena e foram para a cozinha comer a sopa de legumes eu Emma tinha feito. Owen não precisou responder, chegou pouco depois. Imundo, dos pés a cabeça.

— Oba, cheguei na hora do rango...

Claire arregalou os olhos em espanto.

— Aonde estava?

— Fui procurar umas pimentas na floresta. Estão servindo umas no restaurante, descobri que vieram de lá. São simplesmente a melhor do mundo.

Owen largou a mochila suja na cadeira e deu um beijo grudento nas duas.

— Papai, você tá fedido!

— Credo! Está mesmo. Vai lá tomar banho, amor. Te esperamos para comer...

Owen lavou as mãos na pia e sentou-se á mesa.

— Eu estou faminto, donzelas.

— Hey, o que já falamos de sentar à mesa para comer todo sujo? — olhou para Clarisse, dando a entender que ele tinha que dar o exemplo.

Owen pegou o pensamento dela rapidamente e foi tomar banho. Voltou cheiroso demais, como um cavalheiro. Mas comeu como um porco. Clarisse encarava a comida, fazendo círculos no fundo do prato com o dedinho indicador. Aquilo indicava que ela já estava satisfeita e a sopa fria. E Claire sabia, então tirou os pratos da mesa e limpou a mãozinha dela. Indo lavar a louça em seguida.

— Claire, deixa aí pra Emma... — Resmungou o marido.

— É rápido, amor...

— Se lavar muita louça, vai ficar com a mão igual a minha.

— Aí não. — fez uma careta e deixou a louça lá. Foram até o sofá, onde Clarisse estava deitada vendo o canal da Disney Junior. — Hora de ir para cama, princesa...

Clarisse começou a dar cambalhotas no sofá, ignorando a mãe, que suspirou de cansaço.

— Bom, agora é com você. — Deu um tapinha no braço do marido e foi para o quarto.

— Eu o que?????

CUIDA DELA... — Gritou do quarto.

Owen assumiu o papel de cuidar da pestinha. Acabaram brincando até mais tarde, correndo e gritando pela casa, fantasiados de fada e pirata. Claire dormiu assim que deitou. Era quase meia noite, quando levantou para fazer um chá. A sopa não lhe fez muito bem.

— Não acredito! — repreendeu o marido assim que os viu na sala. — Viu que horas são, Owen?

— Vish, pegos em flagrante. — Owen pegou Clarisse no colo e correu para o quarto. Depois de ler metade da história, Clarisse dormiu pesadamente, que nem acordou quando Owen trocou a fantasia de fada pelo pijama de dinossauro.

Não demorou para Claire notar um "pirata" a analisando de cima a baixo encostado na bancada. A ruiva começou a rir, sentando no banco do balcão de frente para ele.

— Sabe que amanhã ela vai dar trabalho para acordar... — bebeu um gole do chá.

— Deixamos ela dormir mais um pouco. — Deu de ombros. — Foi só hoje.

— Amanhã ela tem aula, não pode acostumar...

— Foi. Só. Hoje. — Murmurou pausadamente. — Você está viciada nesse chá. Tem o que nele? Que tipo de droga?

A ruiva riu bebendo o líquido.

— Ele é saudável... o que acha de irmos dormir?

— É maconha? — Meteu o nariz na caneca fumegante que a esposa segurava.

— Sai! — Empurrou a cabeça dele ainda rindo. — Me leva no colo para cama? — pediu tinha manhosa.

Owen pegou ela no colo e incorporou o pirata novamente.

Tenho uma ruivinha inocente raptada, vou levá-la para o meu navio imediatamente! — Forçou uma voz muita grossa e assustadora.

Claire caiu na gargalhada que não tinha nem forças para falar.

Está debochando do capitão Mighty Owie? Carniceiro do mar? Afundador de grandes embarcações, fuzileiro, dono de vinte ilhas no Pacífico, torturador de ladrões e apreciador de belas donzelas de cabelos vermelhos?

Ela tentou parar de rir e ficar séria. Inutilmente.

— Desculpe a minha falta de educação, Senhor Capitão. Poderia me ajudar a voltar para casa?

E onde é sua casa? — Jogou a ruiva na cama.

— É em uma ilha não tão longe daqui...

Então... a madame mora em uma ilha? — Subiu em cima dela, ainda froçando a voz grave.

— Moro sim... — arfou.

E tem marido?

— Não tenho, senhor...

Uma bela dama dessa... terás que vir comigo de barco. Serás minha esposa.

— Sua esposa? — Soltou um gemido dengoso.

Owen tocou os seios dela por cima do tecido da camisola semi-, afinal aqueles bicos durinhos estavam o convidando.

É minha a partir de hoje. E não tem como fugir.

Claire fechou os olhos desfrutando do toque dele, suspirou voltando a encara-lo.

— E o que fará comigo?

Coisas... tire a roupa! — Ordenou.

— Se quiser, vai ter que tirar você mesmo.

Owen deixou ela nua e aproveitou daquele corpinho de todas as formas que tinha direito. Quando ela já estava úmida o suficiente, a penetrou com força. Mais uma vez, o quadro da parede se despedaçou no chão. Mas eles não se importavam, só queriam desfrutar ao máximo aquele momento e um do outro. A cada estocada do marido, Claire gemia seu nome. Minutos se passavam e eles permaneciam conectados de corpo e alma, na dança erótica. Claire podia sentir seu orgasmo chegando.

— Mais rápido... — Sussurrou.

Owen atendeu o pedido, entrava e saia tão rápido de dentro dela que uma grossa camada de suor escorreu-lhe pelo rosto e caiu sobre ela. Claire estava tão concentrada que nem notou.

— Oh baby... — gemeu atingindo um forte orgasmo, caindo sobre a cama enquanto o marido continuava no ritmo.

Owen prolongou o máximo que podia e gozou minutos depois dela. Sem dizer nada, a ruiva o puxou para seus braços o aconchegando e o abraçando, cheia de ternura e amor. Acariciando os cabelos suados de Owen, por um bom tempo.

— Posso dormir sem tomar banho?

A ruiva riu depositando um beijo em sua testa.

— Podemos tomar banho, amanhã bem cedinho...

— Hm... É?

— É sim, meu amor... — sussurrou.

— A gente não terminou de usar nossos brinquedos novos...

— Podemos usar amanhã... — fechou os olhos.

— Ainda vai querer fazer a festa da Clarisse junto com a minha?

— Sim, amor... — passou a ponta dos dedos em seu ombro. — Já tem ideia de algo para a festa?

— Vai me vestir de Rainbow Ruby também? — Ironizou.

Mas Claire não respondeu, acabou dormindo. Owen balançou ela.

— Hey...

— Hm...? — murmurou.

— Nada.

Owen aninhou Claire nos braços e dormiu também.

*

Pela manhã, o celular de Claire começou a despertar e ela quis jogá-lo longe. Anda estava com muito sono e se sentia cansada. Desligou o aparelho para não acordar o marido, que ainda estava abraçado a ela. O que a fez sorrir. Definitivamente não queria sair da cama, então decidiu ficar pelo menos mais uma horinha nos braços de seu amor. Logo ela não pode mais continuar dormindo. O som na cozinha de Emma mexendo nas panelas, a máquina de lavar ligada e o choro da filha não deixaram. A ruiva levantou se arrastando, fez suas higienes matinais e foi até o quarto da filha.

— Bom dia, me anjinho. — a pegou no colo. — Por que o choro?

— A tia Zia... Não quer me deixar brincar na banheira!

— Mas é porque tem que ir para escolinha, meu amor. — explicou. — A noite, eu brinco com você. O que acha?

— O papai vai? — Perguntou enfiando o dedinho indicador no nariz.

— Vamos ver depois... — tirou o dedinho dela e mordeu de leve.

— Tinha caquinha mamãe... você comeu ela. — Riu toda sapeca.

Claire fez uma careta.

— Porquinha, já para o banho!

— Bom dia, Claire. E essa cara de cansada? — Zia apareceu no quarto.

— Bom dia... acha mesmo? — arqueou a sobrancelha. — Estou me sentindo cansada.

A morena a encarou e pegou Clarisse no colo.

— Vou banhar essa sapeca e depois precisamos conversar. — A ruiva assentiu.

Quando Claire terminou o café, Owen já estava vestido para trabalhar. De calção de praia e camisa.

— Olha quem caiu da cama...

— Aonde vai vestido assim?

— Hm... Onde mais eu iria?

— Vestido desse jeito? Não sei.

— Já vai implicar com a minha roupa em plena manhã?

— Com tantas roupas no closet, por que insiste em se vestir assim? — Perguntou indignada.

— Eu vou ficar trancado lá, não vou sair!

— Por que?

— Relatórios. Ao contrário de você, gosto de estar a vontade. — Encheu a boca de bacon, não deixando de notar o decote da esposa que estava levemente mais volumoso.

— É somos bem opostos nisso. — deu mais um gole do seu suco e levantou. — Já vou indo, tenho muito o que fazer...

— Eu te levo.

— Não precisa, vou usar o meu carro hoje. — deu um beijo na testa da filha. — Até mais tarde princesa. — e saiu.

— Nossa... É POR ISSO QUE EU BEBO! — Falou alto para ela escutar.

E Claireescutou, o que a deixou irritada. Ela voltou vermelha e pediu para Zia levar Clarisse para escola, as duas sumiram rapidamente.

— Então bebe por minha causa? — era nítido a fúria em seus olhos verdes. — EU SOU O PROBLEMA ENTÃO! Quer saber de uma coisa, eu prometi para mim mesma no dia do ano novo, que não me meteria mais na forma de se vestir. E eu sou uma IDIOTA DE ME IMPORTAR. Mas não vou mais! E sobre beber, Owen. Pode esquecer a promessa que me fez e beba o quanto quiser, a vida é sua!

— Você muda de humor do nada... Briga por nada! O que foi que eu te fiz?

— Não é uma coisa que te deixe feliz, saber que é o motivo para alguém beber.

— Quando você me trata assim, dá vontade de sumir.

— Sumir? Então quer dizer... me deixar?

— Sair.

Ela assentiu com a cabeça.

— Não vou mais me meter nas suas coisas, Owen... foi um erro meu querer mudar a forma de você se vestir. E querer que não beba mais...

— Eu não importo de deixar de beber... Mas você... você quer mudar até meu corte de cabelo.

— Eu não vou mais me intrometer. Agora, eu preciso ir e resolver uma coisa.

Chateada, ela foi até o porão. Lá havia duas caixas com as antigas roupas de Owen. Então, ela tirou tudo o que havia comprado para ele do Closet e colocou todas as coisas antigas no lugar. As novas, colocou nas caixas e devolveu para o porão.

— Você disse que as jogou fora! É mentirosa agora?

— Não me chama de mentirosa! Eu devia mesmo ter jogado tudo fora. Mas não me importo mais...

Claire saiu do quarto, foi até a pequena adega de vinhos e pegou uma garrafa. A abriu e encheu uma taça. Sentou no sofá e tirou os sapatos. Foi quando ela recebeu uma ligação da amiga e assistente Rebecca. A ruiva atendeu de má vontade.

— O que foi?

Amiga do meu coração! Vamos no shopping hoje?

Claire deu um longo suspiro.

— Não estou muito no clima... Olha, acho que não vou para o escritório hoje, então qualquer coisa você me avisa?

Ah, claro. Quer que eu vá aí?

Claire pensou por um momento.

— Pode ser mais tarde? Agora não é um bom momento...

Conheço esse tom de voz. Aconteceu algo?

— Depois a gente se fala... — desligou e continuou bebendo, já indo para a segunda taça e era apenas dez horas da manhã.

De repente, a voz de Emma soou cautelosa da escada.

— Dona Claire? Chegou encomenda para senhora.

— O que é? — sua voz saiu arrastada.

— Flores. Bem diferentes, nunca vi igual. Posso colocar elas na mesa de jantar?

— Tem algum cartão?

— Tem sim, acho que são do senhor Owen.

Ela finalizou a segunda taça, enchendo-a novamente.

— Pode ler, por favor?

A senhora de meia idade, tomou a liberdade de abrir o cartão e ler em voz alta.

"Para minha querida e amada, ruivinha". Não tem assinatura...

— Não é do Owen, ele não me mandaria flores. Sabe por que, Emma? Nós não somos mais o que éramos antes... — deitou no sofá e começou a chorar. — Pode jogar fora...

Emma arregalou os olhos com aquela cena, não sabendo muito o que fazer.

— Vamos deitar, venha. Eu te ajudo. Acho que está bebendo demais...

— Ainda não bebi o suficiente... dizem que quando você bebe, esquece os problemas. Eu ainda me lembro de tudo e quero esquecer... — Pegou a garrafa e começou a beber direto dela.

— Dona Claire, por favor. Vou chamar o senhor Grady.... Não vai ficar bêbada com vinho.

— Não! Não quero ver ele. Agora, me deixa sozinha...

Emma resolveu dar a privacidade que ela queria, mas avisou Owen sobre a situação e foi cuidar das flores que a patroa ganhara. Depois disso, Claire não escutou mais nenhum ruído.

Com certa dificuldade, ela levantou-sese segurando nas coisas. Não soltou a garrafa que já estava na metade. Lentamente, conseguiu chegar no quarto e fechou a porta. Foi para a cama e colocou a garrafa no criado mudo ao lado.

Owen chegou de tarde e não encontrou almoço. O silêncio reinava no apartamento. Tudo muito estranho. Foi direto para o quarto procurar a esposa. Claire estava na cama esparramada, parecia dormir profundamente. Sorrateiro, Owen a beijou dos pés a cabeça e encheu o pescoço dela de beijos. Depois a cobriu e deixou a porta encostada. Estranhou não achar o almoço servido. Chegando na sala de jantar, um grande vaso com flores lilases enfeitavam o imponente cômodo. De quem eram aquelas flores? Quem as comprou? O loiro também notou a grande quantidade de abelhas mortas ao redor da planta. Passou a procurar Emma pela casa, com um pressentimento muito ruim. Aparentemente, a funcionária estava na lavanderia, lavando algumas roupas por causa do som da máquina de lavar ligada. Checando que estava tudo bem, voltou para o quarto e foi tomar banho. Claire acordou um pouco depois, com dor de cabeça e enjoada. Mas ainda estava bêbada, ela viu a garrafa de vinho e bebeu mais um pouco. E foi pega em flagrante pelo marido, quando o mesmo saiu do banho.

— Claire! — Em um tom repreendedor, tirou a garrafa da mão dela. — Você perdeu o juízo?

— Sai, Owen! — murmurou brava. — Me devolve!

— Não acredito que está se enbebedando com vinho. Deve estar com uma PUTA dor de cabeça. — Owen começou a despi-la.

Ela o empurrou e puxou o lençol se cobrindo, completamente bêbada.

— Não toca em mim... me deixa sozinha...

— Vou te dar um banho e uma aspirina.

Owen era mais forte, levou a ruivinha no colo para o chuveiro e deu um banho de água fria nela.

— Até bêbada é manhosa, nunca vi...

Claire não falou com ele, a água estava muito fria. A deixando roxa de frio e tremendo toda, mas ela não disse uma palavra, nem para reclamar. Ele notou e colocou na água morna.

— Desculpe... — Beijou a testa dela enquanto a água caia sobre suas cabeças.

De repente, Claire começou a ficar pálida e muito, muito enjoada. O que resultou em muito vômito ali mesmo, sujando sem querer até Owen.

— Desculpa... — jogou água nele, na tentativa de limpa-lo.

— Não tem problema. Ainda bem que estamos no chuveiro, não é? — Owen a limpou e a vestiu com um roupão macio. — Ainda está com vontade de vomitar?

Claire deitou virada para o lado oposto que ele estava sentado. Estava envergonhada com toda aquela situação.

— Não, só com muita dor de cabeça...

Depois de passar a aspirina para ela, Owen deixou ela deitar mais confortável. Secou seus cabelos com secador e a deixou quietinha.

— Pode me dizer... Por que bebeu?

Ela deu um longo suspiro.

— Só queria esquecer...

— De mim?

— É impossível eu me esquecer de você, Grady... você está no meu coração, nos meus sonhos... na minha pele.

— Da nossa discussão?

— Sim. Estou cansada disso, dessas discussões. E queria saber o porque você bebe, como se sente quando faz, mas acho que nunca vou entender.

— Mas eu não bebi em momento nenhum e você surtou comigo.

— Mas você bebia. Eu me dei conta que fui uma idiota durante muito tempo, achei que gostava das roupas que comprava para você. Aos poucos fui percebendo que não era bem assim...

— Eu gosto, Claire. Eu nunca reclamei. Você criou um problema onde não tinha, amor.

— Não, Owen... eu caí na real. Você é um homem independente e que deve se vestir como achar melhor... E estou sendo sincera, não vou mais me meter nisso. — sua voz saiu fraca.

— Acho melhor conversarmos depois. Você bebeu muito, não está acostumada.

— Eu me sinto bem. Estou pensando em doar as roupas que estão nas caixas no porão. Sabe... você não reclamava, mas também não usava. Então não vai fazer a diferença.

— Eu não usava as roupas que você comprava, Claire? Você fez o limpa no meu closet. Eu estava andando pelado, esse tempo todo e não estava sabendo?

— Não se sinta mais obrigada a usá-las...

— Eu gosto da minha esposa estilista.

Ela o encarou com os olhos brilhantes.

— Isso não é verdade...

— É sim. Vai descansar. — A beijou.

Claire segurou o rosto dele com as duas mãos, colando seus lábios em um beijo lento. Owen retribuiu docemente, deixando todo seu amor por ela transbordar naquele ato não íntimo.

— Eu te amo tanto... — disse entre seus lábios.

— Então prova isso e vai dormir um pouquinho.

— Só se ficar aqui comigo...

— Fico sim... — Deitou a lado dela e esperou que ela dormisse com seus carinhos.

Ela levantou a cabeça para olhar em seus olhos.

— Me perdoa, não sei o que deu em mim...

— Só dorme baby, não tem nada do que se desculpar. Nada.

Claire estava com os olhos marejados, se aninhou nos braços de Owen e não demorou para dormir.

Notas finais
❤️