Horas mais tarde daquele mesmo dia, Claire foi acordada por um falatório dentro do apartamento. Pareciam várias pessoas, e a voz do marido se misturava com as desconhecidas. Estranhando aquilo, ela colocou seu robe de seda e foi até a sala onde eles estavam. Haviam alguns paramédicos colocando Emma em uma maca e a levando para fora. A mulher parecia desmaiada. Owen estava mais afastado no telefone, muito nervoso. Parecia explicar algo para alguém. Claire correu até ele preocupada.

— O que aconteceu?

— Claire, volta para cama...

— Não, Owen. O aconteceu com ela?

Owen deu as costas para a esposa só para se despedir no telefone e tentou explicar.

— Eu a encontrei passando mal, no prazo que liguei para os médicos virem, ela desmaiou. Mas ainda bem que chegaram.

— Senhor Grady, ela tem sinais de envenenamento.

— C-como é? – Claire gaguejou trêmula, ficando novamente pálida. — Isso é impossível. Como ela teria sido envenenada?

— Envenenada?

— Sim, vamos averiguar. Só estavam vocês três no apartamento?

— Sim... Eu cheguei um pouco depois, mas ela estava com a minha esposa.

Eles só ficaram sabendo mais tarde. Owen e Claire acompanharam ela no hospital. Depois de algumas horas o médico explicou que ela teria tido contato com alguma planta envenenada e comido logo depois sem lavar as mãos. Uma equipe de investigações voltou ao apartamento para fazer buscas e descobriram a origem: As flores postas sobre a mesa eram extremamente venenosas, sendo capaz de matar uma criança em segundos.

Depois disso, Claire não parou de chorar. Pensou na Emma, e principalmente na filha que por sorte não estava em casa. Mas aquilo significava que tinha alguém querendo matá-la.

— Amor, olha para mim. Hey... olha... de quem são as flores? Ela que levou? — Owen estava ajoelhado na frente dela, ao lado dois policiais fardados.

— E-eu... — soluçou. — Estava bêbada, não vi quem entregou. Mas foi ela que recebeu...

— Encontraram um cartão no bolso do avental dela, parecia uma dedicatória minha para você. Sabe que estou bem encrencado no momento, né?

Claire arregalou os olhos e segurou a mão dele, assustada.

— O que? Mas porque você? Assim que ela leu o cartão, eu soube que não era você que mandou!

— Estão olhando as câmeras de segurança do hotel... Claire... podia ter sido você. Amor...

— A Emma vai ficar bem. Ela ingeriu muito pouco. Posso afirmar que ela tem sorte. — Disse o médico que tinha surgido do nada.

Claire respirou fundo aliviada e abraçou o marido.

— E quando ela vai ter alta, Doutor?

— Não tenho previsões. Ela está com paralisia nos membros inferiores, vamos ver como ela reage ao tratamento. Vocês podem ir embora. Tem um policial perito na casa de vocês, vão dar todo o suporte e orientação.

— Paralisia? — Claire tornoua chorar ainda mais.

Não queria que nada de ruim acontecesse a Emma, eles gostavam muito da senhora, a consideravam da família.

— Vem amor, vamos embora. Maia tarde vamos ver como ela está.

Quando Owen chegou com Claire em casa, o perito e o policial ainda estavam lá. Mostraram as flores, lacradas em um saco plástico, explicaram como ela contaminou a comida é perguntaram se eles almoçaram. Toda a comida do almoço, que Claire não ingeriu pois estava bebendo, foi descartada. Tudo foi limpo e desinfetado na casa. Depois de toda orientação, eles foram embora. Claire sentou no sofá, arrasada.

— Não acredito que isso está acontecendo...

Owen achou melhor arrumar as coisas e levar ela para a casa na praia, até ele estava paranóico de que algo pudesse estar envenenado, e tinham uma criança em casa. Enquanto dirigiam, mais tarde pela floresta, Owen tentava distraí-la.

— O que quer jantar hoje? Podemos fazer nossa pizza.

Por mais que não estivesse bem com tudo o que estava acontecendo. Ela viu o esforço do marido para distraí-la e agradeceu aos céus por ter Owen em sua vida.

— Podemos... — sussurrou colocando a mão sobre a dele.

— Eu não quero pizza, eu quero biscoitinhos de borboletinha! — Clarisse resmungou no banco de trás.

Aquilo fez Claire sorrir.

— Podemos fazer isso também, filha...

— Pois seu biscoitinho de borboleta ficou na outra casa, baby.

— Vamos buscar!

— Nós podemos fazer. Não é, amor? — olhou para o marido, não queria ter que lidar com o choro da filha naquele momento.

— Bom... claro. Por que não?

Owen Grady se perguntou como iria fazer aqueles biscoitos sem uma forma de biscoito em formato de borboleta. Mas como pai daquela garotinha, ele prometeu se virar e dar o seu melhor, quando mais tarde, na cozinha, juntou todos os ingredientes que encontrou. Claro, com a ajuda das duas.

— Mais açúcar, mamãe urso? — Gracejou.

Claire riu alto com aquilo.

— Mamãe urso? — o entregou outro pacote de açúcar.

A cozinha estava uma bagunça, eles já tinham feito a pizza. Agora estavam empenhados em fazer os biscoitos da pequena Grady.

— Sim, como no livro que eu estou lendo com a Clarisse a noite. Cachinhos dourados.

— Eu sou o bebê urso!

— É sim, meu amor.

Owen deixou a pequena polvilhar os confeitos coloridos sob a massa e deixaram no forno. Depois, foram brincar de fantoches na sala. Owen ficou atrás de um pequeno cenário e manipulava os bonecos e lhe dava falas. Clarisse achava o máximo e chorava de rir com as palhaçadas do pai. Assim como a mãe, que teve até que pegar um lencinho de tanto que chorava de rir. Owen era muito criativo. Claire aproveitou para filmar, até que precisou ir na cozinha tirar os biscoitos do forno. Os colocou em um prato e levou para sala.

— Quem quer?

EU! EU!

Owen saiu de trás do cenário e foi beliscar os biscoitos, mas foram poucos. Estava de olho nas sobras da pizza. Recebeu a ligação do médico pouco depois, avisando que Emma apresentou uma pequena melhora e que não precisava irem vê-la no hospital. Ainda não era permitido. Owen ainda fez algumas perguntas quando foi atropelado no pé, pela Clarisse no seu patinete. Já estava ficando tarde, Claire a pegou do patinete e junto com Owen, a levaram para o quarto. A deu banho e os dois a colocaram na cama.

— Agora é hora de dormir, princesa...

— Está bem. Onde está a vovó? Ela me deixou sozinha...

A ruiva olhou para o marido e depois para a filha.

— Como assim, meu amor?

— Ela sumiu. — Colocou os bracinhos para fora do edredom, impaciente.

Claire sentou ao lado dela depositando um beijo em sua testa.

— Quer que a mamãe e o papai fiquem aqui, até você dormir?

— Quero uma historinha. Uma sua e uma do papai!

— Bom... o papai começa... — olhou para ele.

Sem hesitar, Owen contou a história com a maior facilidade. Antes mesmo da esposa completar, Clarisse já estava dormindo serenamente.

— Missão cumprida.

— Ainda bem, porque eu não fazia ideia do que contar. — sussurrou rindo. Então saíram do quarto da filha cuidadosamente para ela não acordar. — Que dia... — abraçou o marido.

— Ainda estou preocupado com os presentes que anda recebendo. — Owen e Claire caminharam até a parte da frente da casa, com vista para o mar.

— Isso também me preocupa muito... Quem será que mandou aquelas flores? — indagou pensativa.

— A Emma não disse nada?

— Não, amor... só leu o bilhete e eu sabia que não era seu... Espera... tem algo muito errado! — concluiu. — Primeiro, te denunciaram se passando por mim. Agora alguém mandou flores, querendo se passar por você...

— Não faz sentido algum... Quem faria isso? Temos algum inimigo desconhecido?

— Isso não seria novidade, né? Muitas pessoas não gostam de nós.

— Quem? Os filho da puta que acharam que seriam herdeiros?

— Eu não sei, Owen. — disse nervosa.

— O Justin está preso. Será que mandou alguém? Lembro que ele te mandava flores. — pode ser qualquer pessoa, amor...

— Hm... — Colocou ela sentada no colo. — Vamos surfar?

— Está muito tarde, baby... é perigoso. — o abraçou carinhosamente. — Quero ficar assim com você... bem juntinhos.

— Mas você se lembra quando te levei para surfar uma vez... — Pausou para deixar um selinho nela. — ... e você ficou brava comigo?

— Eu lembro. — riu. — E foi a que eu quase me afoguei também...

— Você não se afogou.

— “Quase” me afoguei... — suspirou. — Estou com medo, Owen. Temos um inimigo que não sabemos quem é e pelo o que parece, essa pessoa sabe tudo sobre nós.

— Você disse que recebeu flores aparentemente de mim, certo? Eu te dou flores quando brigamos. Ou em datas especiais. Ou as vezes quando quero algo a mais na cama e você não libera... — Brincou. — Mas... vamos supor... se a pessoa mandou as flores, sabia que tínhamos brigado. Você contou a alguém? Nem que indiretamente?

— Não, Owen! Fiquei o dia todo em casa...

— Certo. Não sei o que pensar. Se você tivesse naquele hospital agora, eu estaria sem chão.

Claire repousou a cabeça em seu ombro.

— Eu que devia estar lá, não a coitada da Emma.

— Nem brinca com isso. — repreendeu.

Claire o encarou o abraçando bem apertado.

— Estamos correndo riscos, amor...

— Espero que a polícia descubra algo. Eu... Eu não posso perder vocês também. De novo não. — Owen estava a abraçando apertado até demais, inconscientemente.

— Amor, está me deixando sem ar... — murmurou.

— Hm?

— Está me apertando, baby!

Owen a soltou do aperto e pareceu pensar um pouco.

— Que tal um mergulho noturno?

A ruiva sorriu.

— Acho ótimo. — segurou a mão dele. — Estava pensando aqui... O que acha de não mandarmos a Cla para a escola por uns dias? Ela vai estar mais segura em casa.

— Para a escola?

— Sim...

— Não, Claire. Ela vai ficar lá?

— Poxa, Owen. Você é sempre do contra.

— Não entendi seu pensamento dela ficar na escola. Se fosse mandar ela para casa da minha mãe, eu acharia mais lógico.

— Owen, mas ela em casa vai estar perto da gente! E tem a Zia para ajudar.

— É melhor cancelar a escola dela e deixar Clarisse em casa. Contratamos um professor particular.

— Cancelar a escola é um exagero. E não quero um estranho em casa.

— Emma e Zia eram estranhas. Hoje são da família.

— Mas na época que as contratamos, não tinham alguém querendo me matar! Ela só não vai para a escola por umas semanas.

— Como quiser. Posso ser um ótimo professor...

— Não precisa. E nada de mandar presentes um para o outro, por um bom tempo. E de preferência, vamos trabalhar juntos...

— Nem pessoalmente? — Owen levantou com ela nos braços, caminhando em direção ao mar.

— Só pessoalmente... — sorriu e aproveitou para beijar seus lábios. — Espera! Não é uma boa ideia, vamos voltar para casa. Agora.

— Por que não é boa idéia, dengo?

— Não podemos deixar a Clarisse sozinha. — disse apavorada.

— Certo.

Owen entrou com ela, trancou tudo no andar de baixo e só deixou a porta da varanda do quarto aberta e as janelas. Estava muito quente em Nublar. Owen sabia que Claire passava mal facilmente com o calor, e como ainda não tinham instalado ar condicionado, fez um chá gelado para ela tomar.

— Obrigada, amor. — bebeu. Estava muito bom. — Acho melhor trazer a Cla para dormir aqui com a gente...

Claire estava realmente muito preocupada. Eles já passaram por muita coisa e sabia que todo o cuidado era pouco. Ainda mais agora que eles tinha uma filha.

— Claire... tá tudo bem com a nossa filha. Estamos seguros aqui. O quarto dela é aqui na frente do nosso. A porta está aberta... dá pra ver ela daqui. Quer que eu vasculhe a casa para voce se sentir melhor?

— Owen... você não entende. Se alguma coisa acontecer com ela ou com você, eu morro. — lágrimas rolaram por seu rosto de porcelana.

Aquilo foi o auge, Owen pegou aquele pacotinho cor de rosa da cama e colocou nos braços da esposa.

— Não chora, por favor. — Murmurou.

Claire acolheu a filhotinha deles em seus braços.

— Vocês são tudo para mim. — respondeu. Colocou Clarisse ao seu lado na cama e puxou Owen para deitar de conchinha com ela. Agora sim, Claire poderia dormir. As duas coisas mais preciosas do mundo dela, estavam seguras as seu lado.

— Amo vocês duas...

Claire sorriu com os olhos fechados, o sono já estava vindo.

— Vamos ter mais uns cinco filhos?... encher essa casa de crianças... — sussurrou.

— Cinco?

— Sim... Quero ter muitos filhos seus...

— Vamos providenciar, ruivinha. — Owen beijou a bochecha demoradamente.

— Te amo. — sorriu de olhos fechados, já sonolenta.

*

A decoração estava impressionante: As milhares de bexigas coloridas sobrevoavam o salão inteiro, as crianças corriam animadas com seus doces e brinquedos nas mãos, os adultos conversavam em suas mesas coloridas com os garçons fielmente repondo os alimentos e bebidas em cada mesa. A música era infantil e animada, os brinquedos coloridos funcionavam a todo vapor, divertindo desde de crianças mais pequenas até as mais velhas, as luzes piscavam por todos os lados, e o nome todo decorado com flores e fadas chamava a atenção... "Happy Birthday Clarisse". Do contrário da festa de um aninho da filha única, Owen e Claire optaram por uma comemoração privada, longe de imprensa e fotógrafos espiões. No grande salão adornado com o tema do aniversário, só tinha espaço para família e amigos próximos.

Tanto a família Grady quanto Dearing, estavam em peso ali, inclusive os tios de Claire, Scott e Eleanor.

Super discretos, aproveitam a festa da maneira deles, em uma mesa mais afastada onde tinha uma bela vista para o mar. Karen e os filhos estavam na mesma mesa que eles. Enquanto isso, dona Tereza tentava fazer com que Samuel e Sophie parassem de correr ao redor das mesas. Já era a terceira vez que Sophie derrubou sorvete no chão, no auge de sua euforia infantil. A aniversariante não ficava para trás nesse quesito, mas depositou toda sua energia nos brinquedos com a prima Lisa. Clarisse estava encantadora em seu vestido cor de rosa como uma perfeita fada, a fazia parecer o anjo mais perfeito de todo o céu. Owen parecia um pai coruja, olhando fascinado a tudo e a todos a sua volta, sua pequena, seu lindo presente estava se divertindo para valer...

— Clarisse, olha aqui para o papai! — Owen chamou-lhe a atenção com uma grande câmera pendurada no pescoço. Sim, ele resolveu bancar o fotógrafo, mesmo sabendo que os profissionais foram devidamente contratados para tal. Mas Clarisse não parou de pular, estava toda suada e com o rostinho brilhando de glitter. Quando Owen desistiu de fazer a filha ficar quieta para uma foto, foi beliscar a mesa do buffet, levando um inevitável beliscão da mãe.

— Eu já te falei! Os convidados são a prioridade, você come depois! — Ralhou.

— A senhora é difícil, mãe. Não posso comer no meu casamento, nem no aniversário da minha filha! — Reclamou com a boca cheia de cupcakes.

Tereza não pode deixar de sorrir com a lembrança do casamento do filho, as broncas que dera nele, das lágrimas. Agora o filho estava em outra fase e Tereza não podia deixar de estar orgulhosa. Antes da hora de cantar parabéns, Owen foi atrás da esposa no banheiro privado. Claire estava reforçando a maquiagem depois de ter se pegando violentamente com o marido no banheiro.

Em frente ao espelho de sua penteadeira, Claire passava seu gloss rosa claro. Estava deslumbrante com um vestido rosa bebê rodado e os cabelos com uma trança embutida. Ela estava muito feliz, mais do que podia imaginar. Há alguns dias, poucas coisas a deixavam de mal humor e mesmo o marido estranhando, logo tudo faria sentido. Ao ver Owen pelo reflexo do espelho, um enorme sorriso se formou em seus lábios delineados.

— Oi aniversariante...

Sim, já que o aniversário da Clarisse era bem próximo ao do pai. Decidiram fazer a festa no dia do aniversário do loiro, assim comemorariam os dois aniversários juntos. Mas como Owen não gostava de festa, o tema era exclusivo da pequena deles.

— Oi. — Respondeu com aquela voz rouca, não deixando de notar que as curvas da esposa estavam mais acentuadas. Ela estava engordando, sem dúvida nenhuma. Owen não ousava constatar aquilo em voz alta, de forma nenhuma.

— Aconteceu alguma coisa? — levantou indo até ele.

— Só vim ver o que está fazendo. Minha mãe foi pegar fósforos para acender as velas. Mas acho que não vou deixar você sair bonita desse jeito...

Ela sorriu de canto colocando os braços em volta do seu pescoço.

— E o que pretende fazer?

— Vai ter que tirar esse vestido e por uma camiseta comprida e uma máscara. — Segura ela pelo quadril.

Claire soltou uma gargalhada e deu um selinho rápido nele.

— Você é inacreditável... vamos lá cantar parabéns para vocês...

— Quem diria que eu teria uma festa de fadas um dia.

Aquilo sem dúvidas era muito cômico, fazendo Claire rir tanto que ficou vermelha e sem ar. Owen revirou os olhos e levou ela de volta para o salão, todo exibido com a bela ruiva ao seu lado.

— Chega de rir, amor.

— Desculpa. — se segurou ao máximo para não rir. — O parabéns vai ser agora?

— Vai sim.

Owen foi pegar Clarisse de um cavalo de mola e ajeitou os cabelinhos dela.

— Papai! — Resmungou.

— Vamos cantar parabéns, baby. Lembra de hoje cedo?

Clarisse foi acordada com uma bandeja de café da manhã com um mini bolo de aniversário. Uma festinha só entre os três, com participação especial da Emma. A funcionária da família conseguiu se recuperar a tempo da festa, depois que Owen e Claire custearam todos o tratamento e remédios. Só de pensar que teria que assoprar mais velas, Clarisse animou-se novamente e bateu palminhas como ninguém durante os parabéns, esboçando seu maior sorriso de felicidade. Em volta da mesa, estava todos os amigos e familiares cantando juntos. O bolo era exageradamente grande decorado com o tema da festa, além de vários doces ao redor. Ao finalizarem, Claire se pronunciou.

— Bom... — respirou fundo. — Essa data é muito importante para mim. Comemoramos o nascimentos dos dois grandes amores da minha vida e que são tudo para mim. — olhou para Owen e Clarisse que estava em seu colo. — E não podia ter momento melhor para entregar o seu presente...

Pegou uma caixa de presente que estava sobre a mesa e entregou para ele. Todos ao redor ficaram surpresos e extremamente curiosos com o presente. Afinal, todos eles estavam em uma grande caixa na entrada do evento.

— É para mim ou para Cla?

— É para você, Owen. — sorriu. — E para nós também.

Clarisse, curiosa, arrancou a tampa da caixa impaciente e tirou um pequeno body da caixa.

— Que isso?

Os olhos do pai estavam fixos na pequena peça de roupa, e por um ínfimo instante, Owen estava sem reação. Assim como todos na festa. Demorou até Owen cair em si, e ler a pequena frase na roupinha minúscula: " Papai, estou chegando".

Aquela altura, todos já sabiam do que se tratava, Tereza teve que se sentar pois sentiu a pressão baixando na hora, Clarisse ainda estava sem entender, Owen começou a ficar emocionado de verdade, Eleanor tirava várias fotos, Sophie subia na cadeira se esticando na ponta dos pés para ver o que o tio segurava. No calor do momento, Owen abraçou Claire com todo amor do mundo que tinha para lhe oferecer. A filhinha, no meio, ficou quietinha sentindo ambos a apertando, ao som de palmas e gritos de alegria da família toda. Claire a essa altura estava em prantos de tanta alegria, abraçando os dois.

— Conseguimos, amor. Vamos ter outro bebê! — sussurrou para somente os dois ouvirem.

E Claire viu uma cena rara em toda sua vida com Owen Grady. Seus olhos marejados de emoção, só os dois sabiam o quanto desejaram ter outra criança.

— Sim, meu amor. Nossa, eu te amo tanto... obrigado... obrigado.

— Eu te amo muito, muito! — o beijou demoradamente.

Sendo interrompidos por Clarisse que se sentiu sufocada, e os familiares e amigos que vieram parabenizar o casal. Depois de quase dez meses tentando ter outro bebê, finalmente eles conseguiram e estavam eufóricos de alegria. Owen mal se cabia de felicidade. Só mais tarde, em casa, os dois sentaram para explicar para Clarisse o que estava acontecendo.

— ... Então... a mamãe vai ganhar um bebezinho e vai ser seu irmão ou irmã...

— Ah é? Como?

— Ele nasce da barriga dela.

— Ele tá na barriga da mamãe agora?

— Está, filha. Bem pequeno.

— Isso, princesa. Aos poucos o seu irmãozinho ou irmãzinha, vai crescendo aqui dentro... — colocou a mão sobre a barriga. — Até a barriga da mamãe ficar bem grandona. Igual quando você estava aqui dentro.

— Não entendi como ele foi parar aí. — Cruzou os bracinhos. — Você comeu ele?

Claire olhou para Owen na hora, sem saber o que dizer. Ele sempre foi melhor para explicar as coisas, do que ela.

— F-foi a cegonha. — gaguejou.

Owen olhou nos olhos da esposa, como se pedisse para ela não mentir. Tinham comprado alguns livros infantis que explicavam o processo de uma forma adequada para ela, estavam guardados. Talvez fosse a hora dela aprender. Clarisse completou três anos, não era mais um bebê. Ela retribuiu o olhar, em completo desespero. Clarisse encarou a mãe com os olhinhos curiosos e confusa.

— Como mamãe?

— Bom, eu coloquei uma sementinha na mamãe. E o bebê agora vai crescer, filha. É muito simples.

Clarisse pareceu satisfeita e foi se aninhar toda manhosa no colo da mãe que a recebeu com todo amor do mundo, a segurando igual quando ela era um bebê e sentiu uma saudade daquela época.

— Coisinha linda. — beijou sua testa. — Está animada em ter um irmãozinho?

— É um menino, mamãe?

— Não sei, meu amor. Ainda falta um tempinho para descobrirmos...

— Ele vai dormir aonde?

— Bom, provavelmente no quarto dele ou dela. Que vamos decorar.

— Ele vai ficar no meu lugar?

— Claro que não, filha. Nunca ninguém vai ficar no seu lugar. — a encheu de beijos.

Clarisse gargalhou com os beijos recebidos. Mesmo conforme o dia foi se passando, ela não deu trégua nas perguntas.

— Mamãe, meu irmão já cresceu?

— Ainda não, meu amor... — sorriu com a inocência da filha. — Ainda vai demorar um pouquinho... agora é hora de dormir. — a pegou no colo.

— Não quero dormir, mamãe. Eu, eu vou brincar de massinha. — Explicou toda dengosinha .

— Já está tarde, anjinho. A mamãe canta uma música para você dormir.

— Canta a música da borboletinha?

— Canto, meu amor... — a deitou e a cobriu, em seguida deitou ao seu lado. Começou a cantarolar a música, enquanto acariciava seus cabelinhos.

Claire não notou que Clarisse dormiu na primeira estrofe da música. Ela só foi perceber quando já havia terminado, com um sorriso deu-lhe um beijo de boa noite e sem fazer barulho, saiu do quarto indo procurar o marido. Owen estava na pequena varanda do escritório, fazendo 300 ligações avisando que seria pai outra vez. Ele tinha acabado de chegar em casa, estava nos quartos de hóspedes vendo se a família precisava de alguma coisa e se estavam confortáveis. Claire se aproximou sorrateiramente, o abraçando por trás.

— Hum... o que está fazendo?

— Conversando com umas pessoas. Vamos jantar o bolo da Clarisse?

Owen virou-se de forma que pudesse abraça-la.

— Vamos sim. — riu. — Está feliz por ser papai de outro bebê?

— Está brincando? Foi o melhor presente que poderia me dar, Claire. Há quanto tempo você sabia? — Owen tocou-lhe o ventre, fazendo carinho ali.

— Faz uma semana. — sorriu colocando a mão sobre a dele.

FLASHBACK ON

— O que acha de frango grelhado? — Rebecca perguntou para a ruiva que encarava o cardápio fixamente indecisa.

— Aí não, estou com vontade de comer algo diferente.

Como de costume, quando Claire não almoçava com o marido, ia com a assistente ao restaurante típico do parque. Ela sempre pedia salada com frango grelhado. E aquela mudança, deixou a morena surpresa.

— Você está bem?

— Na verdade não, hoje acordei meio enjoada de tudo. — respondeu finalmente decidindo o que iria comer. — Já sei, vou pegar esse prato que vai pernil. É algo que Owen comeria.

E mais uma vez Rebecca a encara incrédula.

— Definitivamente, você não está normal. — riu fazendo Claire a encarar pensativa.

Pensando sobre o que a amiga disse, sim, ela tinha que concordar que tinha algo estranho. Na verdade, algo estava diferente nela.

*

Conforme o dia foi passando, Claire ficou muito pensativa. Estava em sua sala e foi até o banheiro da mesma olhando seu reflexo no espelho. Seus seio e quadril estavam maiores, isso ela já tinha percebido há alguns dias. Mas o que a deixou em alerta, é que sua menstruação estava atrasada há dois dias. Como a doutrora Jones disse que isso poderia acontecer, já que não estava mais tomando anticoncepcional, ela achou que o atraso era normal. Até que tudo aquilo de uma vez, só podia significar uma coisa.

“Será?”

Pensou. Aquela ideia a deixava imensamente feliz.

“Claro. Eu já estive grávida, sei como fico.”

Então, sem mais enrolação. Ela foi imediatamente até o pronto socorro e pediu um exame de sangue. Era mais confiável que os testes de farmácia. Após uma hora ansiosa, esperando o resultado. Finalmente teve o resultado tão esperado.

— Parabéns senhora Grady, está esperando outro bebê.

Como há cerca de três anos atrás, foi novamente o Doutor Joseph que deu a notícia. No mesmo instante, Claire sorriu e seus olhos ficaram úmidos de tanta emoção. Era a melhor notícia. Era tudo o que ela e Owen queriam. Outro bebê. Suas lágrimas de alegria emocionaram Joseph, que depois de uns minutos, a liberou. Claire saiu daquela sala deslumbrantemente feliz. E decidiu na contar a ninguém, já sabia exatamente o que iria fazer.

FLASHBACK OFF

— ... e foi assim, amor. Que descobri que estava grávida...

Eles já estavam deitados no sofá da sala, Owen a encarava como se não pudesse acreditar.

— Como escondeu os enjoos de mim? Como não notei nada? Está de quantos dias?

— Eu queria que fosse uma surpresa. Estou com um mês e duas semanas...

— Um mês... Isso explica você ter engordado. — Soltou, sem pensar. — Quer dizer, muito pouco.

Claire sentou-se o encarando.

— Então eu estou gorda?

Owen sabia o quanto o peso a afetava.

— Não. De forma alguma. Seus peitos ficaram maiores, só isso.

— Você é um péssimo mentiroso, Grady. Vou para a cama. — levantou chateada e foi para o quarto.

Owen não deixou que ela chegasse lá, a alcançou antes.

— Sério que vai ficar assim? Você está grávida, vai engordar inevitavelmente.

— Não vou engordar! — disse irritada, abrindo a porta e indo para cama. — Quer dizer que já achava antes que eu estava gorda!

— Amor, você pesando um pouco a mais não vai deixar de ser menor bonita. Pelo contrário. Você fica tão gostosa grávida, só de lembrar... Eu já fico duro. — Flertou, indo se deitar com ela. — Hey...

— Hm? — murmurou.

— Não fica brava comigo, eu te amo e estou tão feliz pela surpresa. Era para estarmos na cozinha comendo aquele bolo, rindo como dois bobos.

Claire virou para ele com os olhos brilhantes.

— Tem razão, amor. Desculpe... — lamentou. — Eu também te amo e estou tão feliz! Você me faz feliz. — sorriu de canto.

Owen levou ela para cozinha e dividiu um pedaço de bolo com ela.

— Nossa, esse bolo ficou perfeito. — disse de boca cheia.

— É, notei que gostou baby.

Owen aproveitou que ela estava com apetite e entupiu Claire de bolo antes de leva-la para tomar banho. Que demorou mais que o suficiente. Logo estavam deitados debaixo do edredom.

— Mais uma vez... Feliz aniversário meu amor. — acariciou-lhe na barba.

— Obrigado. Seu marido está velhinho...

— E a cada dia mais lindo. — o deu um selinho. — 39 anos, não é velho, amor. — sorriu. — Sou tão feliz ao seu lado, que nem parece que já estamos há tanto tempo juntos...

— Ao mesmo tempo que parece pouco, parece muito.

— Como assim?

— Nada, dengo. Vamos dormir.

— Quer dizer que parece muito tempo que estamos juntos? — insistiu.

— Sim. Eu te conheço de todas as formas possíveis... e... Claire?

— O que?

— Se lembra do primeiro filme que vimos juntos?

— Lembro. — riu com a lembrança. — Foi na noite da nossa primeira vez...

— E qual foi?

— Foi “A hora do pesadelo 1”.

— Certo, você é boa de memória... qual era a cor da minha cueca?

Claire riu alto, sem entender.

— Por que isso agora?

— Para saber se você tem boas memória. — Brincou.

— Hm... era branca?

— Você chutou? Por que era.

— Claro que não chutei, sabe que minha memória é ótima. O que me surpreende é você lembrar disso...

— Não usamos camisinha, você me questionou pensando que eu comia as garotas sem nada.

— Eu pensava muitas coisas sobre você, Grady. Além de ouvir vários boatos.

— Tipo... quais?

— Varias e nada agradáveis. Sem contar que você era bem rude ao se dirigir a mim. Então, eu acreditava.

— Nunca fui rude com você. — Rebateu.

— Tem certeza, Owen?

— Você que era cheia de não me toque e toda frufru.

— E você só queria transar!

— Queria transar mesmo, estou há 3 anos transando com você sem parar e com dois filhos!

Ela riu balançando a cabeça.

— Naquela época, jamais imaginava que um dia isso iria acontecer... e estamos juntos há quase 5 anos.

Eram altas horas da madrugada, Owen e Claire não paravam de conversar.

— E sabia que tem uma lenda sobre mim que não te contaram?

— Qual é? — A ruiva estava vermelha de tanto rir com as palhaçadas do marido.

— Que eu viro lobisomem na floresta.

— Ah claro... — revirou o olhos.

— Nunca ouviu? Sério?

— Óbvio que não, você acabou de inventar.

— Não é inventado. Um dia... era noite de Halloween em Nublar. Tudo muito úmido e sombrio. Acordei no meio da floresta. Era noite de lua cheia... Eu estava sem camisa...

— Continua... — disse interessada na história.

— Tinha muitos pêlos pelo meu corpo, eu então comecei a uivar. De quatro no chão...

— De quatro?

— Claire, eu virei um lobisomem. Naquele noite eu fiz coisas. Eu provei sangue. Eu matei gente.

Owen relatava com tanta certeza que até parecia que foi real. A esposa ficou séria, não gostando mais daquilo.

— Pára, Owen. Não tem graça!

Owen começou aquela risadinha sacana e encheu ela de beijos.

— Seu bobo. — se encolheu no braços dele.

— Eu sou o bobo? Você que é medrosa. Não é toda mulher que tem um marido lobisomem. Você foi premiada.

— Pára com essa história!

— Está com medo de verdade?

— Não gosto disso.

Owen resolveu assusta-la de verdade, e na outra noite, colocou uma cabeça de lobisomem e ficou sem camisa, esperando Claire no quarto escuro. Clarisse estava com a avó na suíte do andar de baixo. Quando ela saiu do banho, estranhou a luz do quarto apagada, então foi ligá-la. A luz acendeu e Owen grunhiu em cima do móvel. Ao ver aquela cena, Claire se assustou tanto. Que sua única reação, foi desmaiar. O barulho do tombo foi ouvido no andar de baixo. Tereza deixou Clarisse mamando na cama e foi ver o que tinha ocorrido. Ao chegar, encontrou o filho com Claire no colo.

— Ruiva? Sou eu. Acorda

— Que isso, Owen?

— Nada... na-nada, ela desmaiou...

— Do nada?

— Sim... — Mentiu.

Mas Claire não reagiu, está muito pálida. Tereza buscou um pouco de agua fria e passou no rosto dela. Estava desconfiada que o filho tinha aprontado. Conhecia ele muito bem. Claire acordou aos poucos e ao abrir totalmente os olhos, se encolheu assustada.

— Hey... O que foi amor?

— Você é um Idiota, Grady. — começou a chorar.

— Ah, eu sabia! — Tereza expulsou Owen do quarto e ficou com a nora. — Não se preocupe querida, vou dar uma surra nele. O que ele te fez?

Claire estava vermelha e soluçando. Passou a mão no rosto na tentativa de seca-lo.

— Não faça isso, senhora Grady. — pediu-lhe. — Ele só fez uma brincadeira boba.

— Tem certeza? Se quiser, pode ficar comigo no meu quarto com a Clarissinha.

— Não precisa. — forçou um sorriso. — Pode ficar tranquila...

Tereza assentiu e desceu para olhar a neta, que já estava dormindo. Claire foi vestir sua camisola e em seguida, deitou. Owen não apareceu. A ruiva pegou o celular e ligou para ele.

— Onde você está?

— Aqui embaixo, minha mãe disse que eu sou um babaca. Desculpe aí...

— Vem aqui... não estou brava... — pediu-lhe calmamente.

Em questão de minutos, Owen apareceu no quarto, todo envergonhado.

— Como você está?

— Estou bem. — estendeu a mão para ele segurar. — Vem cá...

— Eu esqueci que está grávida. Não quero prejudicar nosso bebê. Está bem mesmo? — Sentou ao lado dela segurando-lhe a mão.

— Eu sei, meu amor. Prometo que estou. — o abraçou. — Não faz mais isso...

— Está bem. — Tentou não rir enquanto a colocava no colo. — Deixa eu ver se ficou roxo a cabeça...

Mas Claire não se moveu, não saiu de seus braços.

— Não ficou...

— Tem um vermelho na testa, baby. — Owen massageou devagar.

— Aí amor... tá doendo... — afastou o rosto.

— É para não ficar roxo. — Segurou o rosto dela e beijou o local.

Claire suspirou e deitou a cabeça no ombro dele.

— Com o foi hoje no trabalho?

— Cansativo, tivemos um problema no paddock da T-rex. Mas foi resolvido.

— Hm... Eu estava lá. Escondido de você, claro. Ela estava com uma ferida aberta. Cheia de moscas.

Claire se afastou o encarando séria.

— Como é, Owen?

— Só ajudei no processo de tranquilização. Eles podiam cometer algo errado, mesmo com o treinamento. Não custava inspecionar.

— Custava sim! Já conversamos sobre você não participar mais dessas inspeções. — Segurou o rosto dele com as duas mãos. — É muito perigoso. Você sabe que eu não ia suportar se algo acontecesse com você. — disse sofregamente.

— Bebê, eu nem entrei no paddock. — Tentou explicar.

— Mas você prometeu que ia ficar em casa... — seus olhos estavam marejados.

— Claire, não começa a me chantagear. Eu fiquei em casa por muito tempo, até que minha mãe e o resto da família foram aproveitar as atrações. Eu estava lá perto, aproveitei... — Cuidadosamente, a acomodou na cama, a fazendo se deitar.

— Está bem, Owen. Não vou me meter mais. — virou para o outro lado.

Owen agarrou ela por trás, como se não quisesse nada. Logo ela sentiu duas mãos grandes apertando os seios dela.

— Não estou afim, Owen. — tirou a mão dele.

— Estou fazendo um teste. Não posso?

— Não. — se afastou.

— Deu para sentir como estão maiores sim. — Provocou. — Uma pena não deixar eu chupar um por um.

— Uma pena mesmo. — cobriu-se e fechou os olhos.

Owen ligou a TV do quarto e não deu mais atenção pra ela. Claire voltou a abrir os olhos e ficou olhando para ele. Ele tentou fingir que não estava notando, mas logo os olhos dele encontraram os dela. Ela sorriu para ele e voltou a fechar os olhos.

*

Owen colocou um filme de terror bem pesado e ficou até de madrugada. Claire levantou e foi comer alguma coisa. Logo ele apareceu lá, sem camisa e todo descabelado olhando pra ela.

— O que foi? — o observou enquanto comia um pedaço da torta da sogra.

— Vim te acompanhar. Tem pedaço pra mim?

— Claro... — ofereceu um pedaço do que ela estava comendo.

Owen deu uma mordida enorme.

— Meu filho tá faminto? — Questionou com a boca cheia.

— Ou filha... — sorriu. — Talvez seja outra menina.

— Acho que já tem mulher demais nessa casa. — Gracejou o marido.

Claire achou graça.

— Isso é uma coisa que você não pode controlar...

— Hmm... — Owen a abraçou por trás, segurando o ventre dela com as duas mãos. — Seja o que for, o papai vai dar muito amor.

— A mamãe também. — colocou a mão sobre a dele. — Nosso bebê vai ter muita sorte em nascer nessa família...

— Vai sim. Quando tem consulta? Precisa das vitaminas.

— Daqui a quatro dias...

— Podia aproveitar que não temos uma garotinha em casa e dançar em cima da mesa pra mim...

Claire começou a rir.

— Não inventa, amor. Lembra que quando fizemos isso, a Emma chegou na hora. Foi um dos dias mais constrangedores da minha vida.

Ela só chega amanhã cedo... — Owen desceu aos mãos no quadril dela, roçando o membro de propósito no bumbum dela. Claire arfou fechando os olhos.

— Isso é golpe baixo. — murmurou.

— Sobe lá denguinho...

— Aí não... — disse toda envergonhada.

Owen encheu aquele rosto de beijos e levou ela pra escovar os dentes. Sentou ela na pia e deu a escova pra ela. A ruiva pegou e começou a escovar, sem desviar o olhar do dele. Ao terminarem, sorriu quando foi levada para cama nos braços do marido.

— Adoro, quando me mima assim...

— Sabe que agora vou piorar nesse quesito, não é? Não adianta ficar brava comigo.

— Não tem como eu não me irritar amor... As vezes você exagera muito.

— Tipo quando? — Perguntou tentando disfarçar a decepção.

Mas Claire o conhecida muito bem e notou. Se aproximou dele e o deu um selinho.

— Mas sei que faz tudo isso para o nosso bem...

— Mesmo exagerando?

— Sim. E eu te amo ainda mais por isso.

— Hm. — Se deitou.

Ela ficou o encarando por um tempo e deitou.

— Boa noite, Owen. — detestava quando ele era seco, aquilo a irritava tão profundamente que preferiu dormir.

— Boa noite. — Puxou uma mecha do cabelo dela. Mas ela se afastou.

— Sério? — Puxou ela pela cintura.

— Eu quero dormir, Owen. Amanhã tenho que ir trabalhar cedo.

— Amanhã estou de folga.

Quando Claire menos esperou, estava sem calcinha. E dessa vez, isso a irritou muito.

— Mas eu não estou, Grady. — Ralhou com sua típica mudança de humor, que só piora na gravidez. — Então me deixa!

— Mas eu não fiz nada...

— Não se faça de sonso!

Owen estava morrendo de rir internamente.

— Eu puxei sua calcinha e saiu, parece que tá frouxa...

— Você que é um frouxo. — disse irritada.

— Não, é sua calcinha mesmo. Aposto que usa ela desde que chegou em Nublar. — Continuou a implicando. A ruiva bufou e levantou.

— E não vem atrás de mim! — bateu a porta, foi para o quarto da Clarisse e trancou a porta.

Quando Claire já estava deitada, Owen começou a ligar pra ela. Cada vez ele estava a deixando com mais raiva. Ela pegou o aparelho e desligou. Tão logo ele começou a cantarolar na porta.

— Chega! — abriu a porta e foi até o quarto colocar seu hobby, ia dormir com a sogra e a filha.

— Claire, parei... — Owen ficou na frente dela a impedindo de sair pela porta, com as mãos para o alto. — Eu parei de gracinha, tá legal. Você tá muito nervosa... Quer uma água?

— Eu quero que você pare de ser idiota! As vezes você é muito imaturo, Grady.

— E você explode por nada, era só uma brincadeira.

— Você não sabe a hora de parar. Esse é o problema.

— Está bem. Me desculpe se não sou o cara sério que você queria.

O olhar de Claire agora era de decepção, respirou fundo parecendo pensar nas palavras certas.

— Sempre provei o quanto eu amo você e toda vez que discutimos, vem com essa “de não ser o homem que eu queria... que eu sonhava”. Eu cansei. Se acha isso, não posso fazer mais nada.

— É melhor ir dormir. — Limitou-se a dizer e foi se deitar.

Claire saiu do quarto, não iria dormir aquela noite com ele. Dormiria no quarto da pequena Clarisse. Onde tinha o cheirinho dela, as coisas e brinquedos dela. Era o melhor lugar naquele momento m, em que se sentia tão abalada emocionalmente.

*

Com a folga, Owen resolveu aproveitar o dia com a família. Eles pretendiam ir embora a noite, o voo seria de madrugada para os Estados Unidos. Depois do almoço, Owen avisou que iria ao bangalô pegar umas ferramentas para conserto, e que retornaria antes deles partirem. Quando chegou notou, uma garrafa de cerveja com um pedido de desculpas anexado. A letra não parecia a da esposa. Owen estranhou aquilo, afinal ela não gostava que ele bebesse.

Por que ela o presentearia com uma?

Cansado demais para pensar, voltou ao trabalho. O dia estava quente, quente demais. A medida que as horas se passavam, Owen se lembrava da cerveja gelada que ele ignorou e jogou no freezer. Movido pela sede insuportável, Owen revirou tudo a procura de algo que não fosse a água quente que saía da torneira. Ele acabou sucumbindo a vontade e tomou a cerveja, sem remorso algum. Depois disso, ele não viu mais nada.

Notas finais
❤️