História After You - Terceira Temporada
19 Capítulo 19 - Inferno
Movido pela sede insuportável, Owen revirou tudo a procura de algo que não fosse a água quente que saía da torneira. Ele acabou sucumbindo a vontade e tomou a cerveja, sem remorso algum. Depois disso, ele não viu mais nada.
*
Tyna apareceu no escritório de Claire, ao final do dia.
— Senhora Grady, sua sogra ligou. Disse que sua assistente pessoal não estava atendendo e ela me ligou. Ela não consegue contato com o Owen e eles precisam ir embora.
— Não acredito. Era para ele estar lá com eles. — Bufou e tentou ligar para Owen, mas só chamava. — Obrigada Tyna. — A dispensou e ligou para Tereza. — Por que o Owen não está com vocês? — perguntou depois de verificar se eles estavam bem.
— Ele avisou que iria no bangalô arrumar algo que precisava para o trabalho amanhã... Mas não se preocupe, vamos pegar um carro até o heliporto. Irei deixar minha netinha com a Emma, ok?
— Está bem... E me desculpe mais uma vez por não estar aí. Prometo compensar depois.
— Entendo perfeitamente, não precisa se preocupar. Beijo querida.
Enquanto elas se despediam, Tyna estranhava o fato de Owen estar online no Whatsapp e não visualizar nada. Claire pegou suas coisas e ao passar por ela, estranhou aquela expressão da mais velha.
— O que foi?
— O senhor seu marido está online... Mas não me responde, houve uma emergência no setor de energia agora pouco.
— Ele só pode estar de brincadeira. — brava, saiu dali indo para o carro. Foi direto para o bangalô. A moto dele está lá e o estranho e que um carro desconhecido também. Imediatamente ela foi até lá e abriu a porta com a chave que tinha.
Um cheiro forte de cigarro subiu no ar, quase imediatamente. No interior, vários preservativos jogados no chão e uma música nojenta e insinuante tocava no rádio. Nem sinal de Owen na sala e cozinha. Ao deduzir o que estava acontecendo. Claire sentiu o peito doer.
— Não... — arfou. — Não pode ser...
Caminhou até o quarto e abriu a cortina. Claire não pode imaginar o quão grotesca era a cena, que tanto temia ver novamente. Owen estava de bruços, parecia estar dormindo. O cobertor tapava suas partes íntimas, era óbvio que ele estava nu. Ao lado, uma ruiva falsificava de calcinha e sutiã. Quando ela viu Claire, arremessou o telefone, que era de Owen, longe.
— Nossa, que susto. O Owie não me avisou que hoje seria algo a três...
O que jamais ela podia imaginar, estava acontecendo. Owen a traiu. No mesmo instante, ela sentiu um aperto no peito, uma pontada na barriga e um nó na garganta como se não conseguisse respirar. Seus olhos ficaram embaçados com as lágrimas que se formavam.
— O-o que está acontecendo aqui? — Murmurou quase sem forças para tal.
— O que foi? Você é a esposa dele? — Debochou. — Sinto muito se ele não te avisou que iria se divertir comigo hoje.
— QUEM É VOCÊ? — gritou dessa vez.
A mulher não esperava aquela reação e se assustou. Levantou rapidamente e começou a se vestir. Claire agora estava sendo consumida pela raiva. Foi até a porta e a trancou, para a ruiva falsa não sair. Encheu um copo de água e jogou no rosto de Owen.
— ACORDA, DESGRAÇADO!
Owen nem se moveu. Parecia quase morto. A falsa ruiva começou a forçar a porta tentando fugir.
— ME DEIXA SAIR! ME DEIXA SAIR!
Claire então pegou o balde que havia no banheiro, o encheu e jogou nele.
— ACORDA! E VOCÊ NÃO VAI SAIR DAQUI!
A mulher estava apavorada. Isso não fazia parte do combinado. Pegou o telefone e começou a ligar para alguém. Owen começou a reagir, a sensação era que tinha apanhado e estivesse fora de si. Imediatamente sentiu uma dor de cabeça aguda e levou a mão nas têmporas.
— O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI, OWEN? — indagou, ele jamais a viu com tanto ódio e triste ao mesmo tempo.
— Por que está gritando?
Claire puxou o cobertor e sim, ele estava completamente nu. Enquanto a outra, estava cada vez mais desesperada.
— VOCÊ AINDA PERGUNTA? QUEM É ELA?
Só então Owen notou a outra mulher no quarto e sua nudez. Ele imediatamente se vestiu, muito nervoso.
— Não sei... não sei quem é ela, eu juro!
— Você é um grande mentiroso! — o encarava com ódio. — Quero o divórcio. — dito isso, abriu a porta e saiu.
Owen correu atrás dela.
— CLAIRE, EU JURO PRA VOCÊ! AMOR.... VAMOS CONVERSAR!
— Não temos mais nada o que conversar, Owen. Está tudo acabado entre nós. — parou virando para ele, seus olhos estavam vermelhos. — Nunca vou te perdoar.
— Claire. — Owen parou de joelhos na frente dela, implorando em desespero. — Você... você tem que acreditar em mim. — Ele segurava as pernas dela enquanto pensava no que se lembrava antes de estar naquela cama. Mas não conseguia muito bem. — Olha.... eu prometo explicar para você, mas nem eu sei o que aconteceu. Por favor, acredita em mim. Eu te amo, você é a única mulher da minha vida!
Claire estava devastada, começou a chorar compulsivamente.
— Não me ama não. Eu vi tudo, Owen. Você me traiu. Como pode fazer isso comigo?
— EU NÃO TE TRAÍ, ISSO FOI GOLPE! SABE SEI LÁ DE QUEM! CLAIRE, PELO AMOR DE DEUS... EU NUNCA VI AQUELA MULHER NA MINHA VIDA!
Owen foi empurrado.
— Nunca mais ouse a tocar em mim.
— Claire, só me dá uma chance de explicar! — Se levantou, ficando na frente dela. Perto demais.
Ao perceber tamanha proximidade, ela deu um passo para trás.
— Como se explica uma traição?
— Droga, amor. Eu não te traí...
Owen estava cansado. Desesperado. Sem forças. Nauseado.
— Não me chama mais assim. — Abriu a porta do carro e entrou, abrindo o vidro. — Vai lá, sua amante está te esperando.
Um ódio descomunal subiu dentro de Owen. Ele entrou indo tirar satisfações com a mulher, que só agradeceu a tarde de sexo e tentou ir embora, mas ele não deixou. O loiro começou um interrogatório e ela apenas confirmava que tinham tido relações e que não foi contratada por ninguém. Mas ele tinha certeza que ela mentira. Tudo mentira. Owen acabou não notando que ela escapou, fugindo na escuridão.
*
Quando Claire chegou em casa, Clarisse estava desenhando na mesa com Emma. Já tinha passado da hora dela ir embora, mas não podia deixar a pequena sozinha. A ruiva se sentia tão mal, tudo o que queria era chorar e chorar. Mas ao ver a pequena, se segurou. Teria que ser forte por ela. A primeira coisa que fez foi a pegar no colo a abraçar com todo seu amor e dispensou Emma.
— Mamãe, a vovó disse que vai me dar um presente quando eu for na casa dela. — Clarisse abraçou a cabeça da mãe, toda carinhosa.
— É mesmo, meu amorzinho? – Sentou-se no sofá, com a filha no colo. — Como foi seu dia?
— Eu comi com a vovó e a titia Eleanor e elas deixaram eu brincar na areia, aí eu empurrei um menino que pisou no meu castelo. Ele ficou chorando mamãe, que feio né?
— Filha, não pode empurrar as pessoas. Isso sim é feio. É falta de educação e você poderia ter machucado sem querer o garotinho. — explicou, enquanto tirava ia cabelinhos dela do rosto e deu um beijinho na pontinha do nariz dela. — A mamãe estava com saudade.
— Mas ele pisou no meu castelo! — Se defendeu.
— Não é porque ele fez algo de errado, que você ia fazer igual. Entendeu?
— Está bem. — Disse emburrada. — Cadê o papai?
A ruiva respirou fundo naquele momento.
— Está trabalhando.
— O papai trabalha muito.
Clarisse fez um biquinho e tirou uns brinquedos do bolso. Claire a abraçou novamente, agora seriam só as duas e o bebê que estava a caminho. Estava se segurando ao máximo para não chorar. De certa forma, a pequena sentia quando a mãe estava triste. Apenas ficou ali lhe fazendo companhia, colocando os brinquedos justamente na barriga dela. As duas ficaram ali por um bom tempo. Depois foram tomar banho de banheira juntas. Claire fez o mama de morangos da filha e a colocou na cama.
— Hora de dormir, meu anjinho...
— Eu quero dormir com você e o papai. — Esticou os bracinhos para ser pega.
— Mas o papai não vem dormir hoje. Ele vai ficar cuidando da Blue. — mesmo detestando, tinha que mentir. Então deitou ao lado dela. — Vou ficar aqui, até você dormir...
— A Bu tá doente, mamãe?
— Não bebê, ele está treinando ela... — Responde fazendo carinho em seus cabelos.
— Hm... Mamãe, por que os dinossauros fedem?
Claire riu.
— Eles são animais, filha. E não tomam banho. — explicou da forma mais simples.
— Mas a ‘’Mossauro ‘’toma banho na lagoa!
— É o cheiro natural dele. — riu.
— Ele tem cheiro daquele peixe fedido que o papai trás do mercado. — Clarisse tapou o nariz rindo toda engraçadinha. E aquele jeitinho meigo, fez a mão a encher de beijos.
— Tem mesmo. — começou a cantarolar a canção de ninar.
Clarisse colocou a mãozinha na boca dela, para ela parar de cantar.
— Não quer que a mamãe cante?
— É que a vovó estava me contando uma coisa, aí eu não ouvi com você cantando.
Claire arqueou as sobrancelhas e olhou ao redor.
— A vovó está aqui, filha?
Imediatamente, a pequena fechou os olhinhos.
— O que foi, princesa?
— Eu gostaria de dormir, mamãe.
A ruiva ficou surpresa com aquilo e assentiu.
— Está bem, anjinho. Boa noite. Te amo. — deu um beijo já testa dela e saiu.
Clarisse só virou para o canto da parede e dormiu. Claire foi direto para o quarto e começou a fazer uma mala para Owen, com tudo o que era necessário por enquanto. Mil coisas se passavam em sua cabeça. A dor que sentia naquele momento era inexplicável.
Deixou a mala perto da porta da sala e foi tomar banho, onde finalmente deixou a dor falar mais alto e chorou por mais de uma hora. Não sabia o que fazer da sua vida a partir de agora. Sua única certeza, era que queria o divórcio.
Na calada da noite, Claire se sobressaltou com Clarisse gritando e chorando no quarto. Ela correu em desespero até o quarto da pequena.
— O que foi, filha?
— A bruxa malvada, a bruxa malvada e feia, ela vai me pegar... ela vai me pegar... — Clarisse agarrou no pescoço da mãe chorando em desespero. Claire a abraçou passando a mão nas suas costas.
— Foi só um pesadelo, não tem ninguém aqui. A mamãe jamais deixaria alguém te fazer mal. Está tudo bem.
— Ela vai sim, ela pegou o papai, ela pegou o papai!
— Ninguém pegou o papai. — pegou a boneca que ela dormia, e a levou para o seu quarto deitando com ela. — vamos dormir juntinhas... eu vou te proteger.
Clarisse ainda chorava muito, até começar a engasgar.
— Filha, por favor... não chora mais. Está tudo bem. — Continuou a abraçando.
— A vovó disse que não está, a bruxa levou o papai... ela levou o papai...
— Não levou. Quer falar com ele?
— Quero... — Ela sentou-se na cama com o nariz escorrendo, olhando pra mãe.
Claire pegou o celular e ligou para ele. Não muito estranhamente, ele atendeu automaticamente e começou a falar.
— Amor? Amor... você tem que me ouvir...
Mas ela o interrompeu, seca.
— A Clarisse quer falar com você. — entregou o celular para a pequena.
A medida que o pai foi conversando com ela, Clarisse foi se acalmando e voltando a se deitar. Claire pegou o aparelho e desligou sem falar com ele.
— Viu, meu amor. Está tudo bem.
Clarisse olhou para a mãe com os olhinhos lacrimejantes.
— Mamãe, você não entende...
A mãe deitou bem pertinho dela.
— Desculpa, filha.
— Não quero que ela te machuque.
— Ela não vai. O papai vai me proteger.
— A vovó disse que ela é má e não é sua amiga.
— E você sabe quem é?
— A bruxa.
Aquilo estava deixando Claire muito intrigada.
— Entendi, meu anjinho. A mamãe vai ter cuidado com a bruxa. Agora vem cá... — a pegou no colo a acolhendo, igual quando ela era bebê.
Clarisse logo dormiu pesadamente. Cuidadosamente, a mãe a colocou na cama e deitou ao lado dela. Estava tão exausta, aquele era um dos piores dias de sua vida. Havia chorado tanto, que seus olhos ardiam e estavam pesados, acabou adormecendo.
*
Mãe e filha só foram acordadas quando Emma as chamou para almoçar. A funcionária estava desconfiada que algo tinha acontecido, mas não ousou perguntar nada enquanto servia o prato de Claire. Ela parecia muito fraca. A ruiva só comeu pelo bebê que estava se formando dentro dela, porque não sentia nenhuma fome. Depois que comeram, foram para a sala assistir a sequência de desenhos da filha. Era quinta, mas havia decidido não ir trabalhar e nem levar Clarisse para a escola. Estranhamente Owen não apareceu na porta da casa dela. E isso era de fato muito estranho. Depois de tudo o que aconteceu, ele não foi tentar conversar. Para Claire só deixa mais confirmado que ele a traiu mesmo provavelmente estava com a outra.
A noite, enquanto Clarisse se divertia na banheira, Owen tocou a campainha, mesmo tendo a chave. Não queria piorar as coisas. Claire foi abrir a porta e ao olhar pelo olho mágico e ver que era Owen, respirou fundo e a abriu.
— A Clarisse está?
Owen estava com um cheiro forte de quem não tinha tomado banho e com as mesmas roupas.
— Claro. — deu passagem para ele entrar. — Vou terminar de dar banho nela e já a trago. A propósito, fiz uma mala com algumas coisas... — apontou para o canto. — Depois eu coloco tudo em caixas e te mando.
— Eu vim conversar também. — Disse quase sem voz, ver as roupas dele em malas significava muita coisa.
— Conversar sobre o que, Owen?
— Sobre o mal entendido de ontem. Eu passei o dia atrás daquela vadia, ela simplesmente fugiu depois que você se foi. Eu ia fazer ela confessar que era tudo mentira.
— Por que não assume logo o que fez? Eu vi, Owen. — seus olhos ficaram marejados. — E você fez a mesma coisa que o Justin.
— Não... Não me compara com aquele vagabundo, por favor. Claire, está cometendo um erro. Você não confia em mim?
— Quer falar de confiança, depois do que aconteceu?
— MAS NÃO ACONTECEU ABSOLUTAMENTE NADA NAQUELE BANGALÔ, CL...
Owen só não terminou de falar por avistou a filha saindo do quarto toda molhada e indo pular no colo dele. Ele a recebeu com todo amor, não importando se ela estava com espuma pelo corpo todo. Aquela cena deixou Claire ainda pior.
— Filha... vamos lá tirar esse sabão, aí você vem brincar com o papai.
— Não, eu quero meu papai... — Clarisse grudou no pescoço dele disposta a não sair dos braços dele e Owen chorou sem ela notar.
Claire não estava suportando tudo aquilo.
— O-Owen... termina o banho dela, por favor. Vou deixar vocês a vontade. — se retirou dali e foi para o quarto, chorar.
*
Dentro da banheira, Clarisse começou a contar várias coisas que tinha feito para o pai, contou como a torta de pêssegos da Emma estava gostosa e como bagunçou a pilha de roupa suja que Emma juntou para lavar. Depois do banho, Owen deixou que ela escolhesse o pijama e foram para cama ler uma história.
— Que tal a história da Joaninha Joana?
— Você já leu essa, papai.
— Hmm... Cachinhos Dourados?
— Essa também.
— O palhacinho Chinês?
— Não!
— Está bem, você não quer história nenhuma.
— Não papai, eu quero, eu quero! O Palácio chinês.
Owen riu alto e a corrigiu.
— Palhaço.
— Palaço... — Clarisse irritou-se com o pai rindo dela. — Eu disse certo, tá?
— Tá bom anjo. Vamos ler a historinha e nanar.
Enquanto os dois aproveitavam a companhia um do outro, Claire ficou por um momento atrás da porta os ouvindo. Mesmo que estivesse decidida em se separar, jamais poderia imaginar Owen e Clarisse longes um do outro. E também não queria isso, jamais iria interferir no relacionamento de pai e filha. Depois de um bom tempo, ela foi para a sala.
— Filhinha...
— Hm?
— Promete que vai cuidar da mamãe? Não vai fazer muita bagunça, se ela chegar cansada... cuida bem dela. E se ela estiver triste, quero que a abrace bem apertado. Tá bem?
— Tá bem. — Assentiu inocente.
— Boa menina. — A beijou na testa e ficou ali até que ela dormisse. Depois saiu do quarto e fechou a porta.
— Ela dormiu? — perguntou quando ele apareceu na sala.
— Dormiu sim. Com a perninha em cima de mim pra eu não sair. — Sorriu bobo.
— Quero que saiba, que pode vir aqui ficar com ela quando quiser. Não quero que ela sofra sentindo falta de você.
— Ela já vai sofrer quando notar que estou morando em outro lugar.
Claire desviou o olhar.
— Mas ela vai se acostumar. Não esquece de levar sua mala.
— Certo. Acho que só fiz algo errado esses dias. — Comentou enquanto pegava a mala no canto.
— Você não faz ideia de como eu me sinto, Owen. Depois de te ver com outra na cama... na nossa cama, no nosso bangalô. — disse sofregamente.
— Fiz errado em me humilhar para você, tentando te fazer acreditar em mim. Eu fui parar para pensar e é a segunda vez. A segunda vez que fazem isso para nos separar. Acho que quem já está esgotado sou eu.
Ela o encarou e engolindo suas lágrimas, continuou.
— É nítido que já estava cansado desse casamento. — naquele momento, sentiu um forte enjoo e correu para a pia da cozinha, vomitando ali mesmo. Não daria tempo de chegar ao banheiro. — Droga...
Owen agiu rapidamente e levou ela ao banheiro. Depois de vomitar muito e ficar fraca, ela escovou os dentes. Estava bem pálida.
— Obrigada, Owen. Mas... não precisa mais se preocupar comigo.
— Ainda está carregando meu filho. Não diga bobagens.
— O nosso filho está bem. O que precisar saber, vai ficar sabendo. Agora, já está tarde. Acho melhor você ir embora...
Mas era óbvio que não era aquilo que ela queria.
— Está bem. Mas posso fazer algo pra você comer antes?
— Acho melhor não. Vamos evitar esse tipo de proximidade. O único assunto que teremos agora é sobre o parque e os nossos filhos.
— Sério? É pelo nosso bebê. Pare com isso.
— Por favor, Owen. Vai embora. — algumas lágrimas escaparam.
— Certo.
Owen limpou o vômito na sala, e só foi embora depois de deixar tudo limpo. Claire sentou no sofá chorando, sua vontade era de correr atrás dele e implorar para ele ficar. Mas a cena dele com outra, não saia de seus pensamentos e coração. Sem muita vontade, foi para cozinhar comer e depois acabou dormindo no sofá mesmo.
*
Grady permaneceu na ilha por uma semana, vendo a filha todos os dias e só foi trabalhar na sexta feira, tinha uma reunião com alguns advogados. Depois disso, só foi visto no sábado em um bar com os amigos e no domingo não estava mais em Nublar. Rebecca se aproximou ainda mais de Claire, ajudando em tudo o que precisava. Tyna virou secretaria exclusiva da ruiva, já que Owen havia ido embora. Ele foi embora sem se despedir nem sequer de Claire, que ficou muito surpresa ao saber que ele tinha ido. Mais uma semana havia se passado, Claire se sentia sobrecarregada. Agora o parque era responsabilidade só dela e tinha que fazer o que o marido fazia antes. Quando chegava em casa, tinha que lidar com os choros da filha que queria o pai.
Owen não dava notícias, o que deixava Claire com mais raiva, ele ligava para Zia para falar com a filha quando a ruiva não estava. Mas ela também não iria atrás, se era queria ficar longe. Assim seria. Um mês havia se passado, a barriga dela começava a crescer, já estava de três meses. Chegou o dia de mais uma consulta com a Dra. Jones, que estranhou muito ela estar sozinha. Mas era muito discreta para perguntar. Ao fazer todos os exames e saber que estava tudo bem com o bebê. Claire aproveitou e foi comprar roupas de gestante.
Quando Claire chegou em casa, encontrou Clarisse com o IPad em uma chamada de vídeo com o pai no sofá. Claire arqueou a sobrancelha, sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo, fazia muito tempo que não ouvia aquela voz. A voz do homem que ainda amava tanto. Se aproximou apenas para falar com a filha.
— Oi meu amor... — deu um beijo na testa dela.
— Oi mamãe, fala com o papai!
Ela respirou fundo e olhou para a tela.
— Oi, Grady.
— Oi. Não me respondeu no Whatsapp tem 3 dias.
Owen estava diferente. Estava com a barba grande.
— Estou sem tempo. Agora gerenciando o parque sozinha. — Virou de lado e ele podia ver o tamanho que já estava sua barriga.
— E a consulta?
— Está tudo bem com o bebê. Talvez mês que vem, já vai dar para saber se é menino ou menina.
— Ótimo. Eu queria ficar com a Clarisse uns dias...
— Só se você vir para cá. Ela não pode perder aula.
— Tem escola aqui, eu matriculo ela lá.
— O que? Não é uma boa ideia, Owen. Eu não conheço e não me sentiria bem. Você não consegue vir passar uns dias em Nublar?
— Estou trabalhando na fazenda do meu pai.
— Acredito que não teria problema em pausar um pouco e vir ficar com sua filha...
— Acredito que não tem problema você por ela em um avião para ficar comigo uns 15 dias.
— Tem sim, não vou deixá-la sozinha em um avião. — suspirou. — Olha, podemos combinar de você vir buscá-la. Pode ser?
— Está bem.
— Então... sabe que dia vai vir?
— Está ansiosa para me ver?
Ela começou a rir.
— Não mesmo. Só preciso me programar para arrumar as coisas da Clarisse.
Depois que finalizaram a ligação, Clarisse começou com a manha diária querendo o pai. Claire a pegou no colo e explicou que logo ela ficaria com o pai. Depois a levou para tomar banho e foram jantar.
— O papai vai ficar na casa da vovó para sempre ?
— Acho que sim, filha...
Depois daquela resposta, Clarisse mal terminou o jantar, não quis mamar antes de dormir e nem ver desenhos. Como se não bastasse, amanheceu muito febril. Emma foi a primeira a notar e foi comunicar a patroa.
— Dona Claire, coloquei o termômetro embaixo do bracinho dela. Daqui uns minutos vou lá ver.
Claire pulou da cama, preocupada. Foi ver como a filha estava e então ligou para Owen. Ela sabia que a filho só melhoraria quando estivesse com o pai.
— Oi... será que você pode vir o quanto antes para cá?
— Sei que está com saudade daquele trato que eu te dava na cama, ruivinha. Mas não vai dar.
— Deixa de ser idiota, Owen. A Clarisse está doente, precisa de você.
— Doente? Doente como?
— Está com febre, ela sente sua falta... Por favor, vem para cá. — implorou.
Owen conversou mais um pouco com ela, juntou suas coisas e retornou para Costa Rica. Acabou chegando de madrugada, a hora que Clarisse começou a delirar na cama de tanta febre. Ela suava muito e se debatia.
— Que bom que chegou. — disse ao abrir a porta desesperada. — Ela está no quarto...
Owen correu até lá e a pegou nos braços.
— Filha? Filhinha... papai tá aqui. Hey... — A beijou e a abraçou como podia. — Cla...
Clarisse parou de resmungar, ainda de olhos fechados enquanto o pai secava-lhe o rostinho suado com uma toalhinha. Claire estava em prantos ao lado dele.
O loiro ainda continuou conversando baixinho com a pequena, e parecia que ela sabia que o pai estava ali. Mesmo sem acordar, ela ficou mais calma. Então, Owen cantarolou a musiquinha que ela ouvia quando bebê. A ruiva sentiu que estava atrapalhando ali, e ver que a filha estava mais calma a aliviou. Então saiu do quarto deixando os dois. Sentou no sofá chorando, se sentia de certa forma culpada por aquilo. Mas o que ela poderia fazer?
Depois que Clarisse dormiu, Owen arrastou o tapete para o lado da cama dela e deitou lá mesmo, usando uma almofada de concha de sereia como apoio para cabeça.
Depois de um tempo, Claire foi até lá e ver aquela cena partiu seu coração. Se aproximou dele cautelosamente.
— Owen, o que está fazendo no chão?
Mas ele não respondeu. Estava dormindo.
— Owen... acorda... — o sacudiu. Ela jamais deixaria ele dormir lá.
— Hm?
— Vem, vai deitar na cama... — segurou a mão dele.
— Não, se ela piorar eu tenho que levá-la no médico...
— Eu vou ficar aqui... qualquer coisa eu te chamo. Você precisa dormir, está cansado da viagem e quando ela acordar, vai querer aproveitar o pai dela...
— Está bem. — Levantou um pouco desnorteado.
— Pode dormir na nos... na minha cama.
— Não se preocupe comigo. Qualquer coisa, me chame.
Owen foi deitar no sofá e dormiu por lá mesmo. Claire ficou acordada a noite toda, monitorando a temperatura da filha.
*
Eram 6 da manhã quando Emma chegou, Claire foi para cozinha.
— A Clarisse melhorou, senhora?
— Sim, a febre passou.
— Que bom, vou fazer o café favorito dela.
Claire sorriu.
— Pode fazer o do Owen, também? Ele está ai.
— Mas é claro. — sorriu e começou a fazer tudo.
Clarisse ainda estava um pouco fraca por não ter comido direito, então amanheceu chorando quando notou que estava sozinha. Quando ouviu, Claire correu para o quarto.
— Oi meu amorzinho... — a pegou no colo. — Está tudo bem... vamos ver o papai?
Ela olhou para a mãe com os olhinhos de quem estava sofrendo muito e tudo o que queria ver era o pai dela. Claire entendeu o recado e a levou para sala.
— Olha o papai aqui. Acorda ele, princesa... — a colocou em cima do pai adormecido.
Clarisse de imediato grudou no pai, sem dizer nada. Owen logo acordou com aquele cheirinho de moranguinhos silvestres.
— Oi bebê. Nossa, que saudade papai... — A abraçou bem apertado.
— Bom, eu vou ajudar a Emma com o café. — sorriu e foi para a cozinha.
Emma estava envergonhada demais para perguntar o especular algo. Mas só limitou-se a dizer.
— É bom ter o senhor Owen de volta.
Claire observou sem dizer nada. Emma serviu o café e começaram a comer. Ela comeu um pouco.
— Eu preciso ir... — levantou. — Tenho que trabalhar.
— Tchau, mamãe. — Clarisse sussurrou fraquinha.
Antes que a pequena pudesse abracá-la, a campainha tocou e Emma prontamente foi atender. Era Rebecca, ultimamente ela andava frequentando bastante a casa de Claire e até fez amizade com Clarisse. A morena não sabia que Owen estava em casa, quando Emma a acompanhou até a sala de jantar, a mesma se assustou bastante. Ela abaixou a cabeça.
— Ah meu Deus, perdão... Não sabia que ele estava aqui... Eu.. e-eu.
— Titia Becca, a Emma fez bolo, vem!
Owen olhou para a mulher, sem entender muito bem aquela reação, lembrou-se de algum tempo atrás quando a encontrou no corredor quando foi encontrar Claire no escritório. Claire estranhou ela estar ali tão cedo.
— Aconteceu alguma coisa?
— Ah, na-não e-eu só vim ver se a Clarisse estava m-melhor... e-eu já estou de saída.
Por mais que Rebecca se sentisse intimidada pelo marido da patroa, aquilo fez com que ele prestasse bastante atenção nela, atenção até demais. Por um momento, Emma pensou ter visto Owen meio em estado de choque. O clima estava muito estranho, até que ela resolveu amenizar.
— Sente-se Rebecca. Acabei de tirar um bolo de abacaxi do forno.
Claire olhou para a morena e em seguida para Owen, que parecia um pouco pálido.
— Algum problema, Owen?
— Não, é que eu não almocei nem jantei ontem.
Owen voltou a atenção para a comida e a filha. A ruiva estava meio confusa em toda aquela situação.
— Quer tomar café? — indagou a Rebecca.
— Oh, não... acabei de lembrar que esqueci meu celular no carro! Obrigada pelo convite, depois marcamos algo.
Rebecca saiu dali praticamente voando. Emma, Owen e Clarisse não entenderam nada.
— Mamãe, a titia tá doidinha...
Comentou Clarisse, fazendo o pai é a empregada rirem.
— Tenho que concordar com minha patroinha. — Emma acrescentou enquanto servia biscoitos.
A ruiva também riu e se aproximou beijando a mãozinha dela.
— Parece que sim... Owen, podemos conversar?
— Agora?
Ela o encarou um pouco sem graça.
— É que... queria saber quantos dias vai ficar.
— Vamos então...
Deixaram Clarisse comendo com Emma e foram para a sala.
— Gostaria de saber quantos dias vai ficar e quando pretende ir para casa com a Cla.
— Não pretendo voltar. Minha filha é minha prioridade. — Respondeu decidido, com as mãos nos bolsos. Só então, depois daquele sufoco da noite anterior ele foi reparar no pequeno volume na barriga dela.
— Que bom. — sorriu. — Ela vai ficar muito feliz.
— Como andam as coisas? Quer dizer... tudo... a gravidez. É estranho pra mim ficar longe de você nessa etapa tão importante... Eu... Eu não queria que isso tivesse acontecido.
Os olhos de Claire ficaram cabisbaixos e suspirou.
— Eu muito menos, mas... — ponderou as palavras. — O bebê está bem e crescendo rápido. As coisas no parque, estão iguais. Só que agora tive que voltar a ficar mais horas no escritório... É difícil estar sozinha nesse momento.
— E os papéis do divórcio?
— Ainda não consegui falar com o advogado, mas vou resolver isso essa semana. E... estava pensando no que fazer com a casa da praia, já que pretende ficar aqui em Nublar. Pode ficar com ela.
— Vou continuar no bangalô, ela é sua e dos nossos filhos.
— Está bem, será dos nossos filhos. Minha não.
— Como quiser. E se concordar, quero assumir seu trabalho e o meu. Começando por hoje mesmo.
— O seu sim, o meu não. E acho melhor ficar hoje com a Clarisse. — rebateu.
— Sabe que vai sair de licença em breve, está ciente?
— Claro que não. Vou trabalhar até o bebê nascer...
— Está brincando comigo, não é?
— Olha, você não tem mais o direito de se meter nas minhas decisões. — se irritou.
— Eu tenho direito desde que afete a qualidade de vida dos meus filhos! — Irritou-se.
— Você perdeu o direito quando foi embora. Sem sequer me dizer. Então não me venha com essa.
— Você me acusou de algo grotesco que foi armado, rompeu comigo... Me despedir da minha filha foi o bastante!
— Okay, Grady!
Claire ainda estava usando a aliança, até aquele momento. Ela retirou a pequena joia, guardando no bolso.
— Vou falar com o advogado agora mesmo. Já devia ter feito isso há muito tempo! E você fica falando que essa traição foi armada, mas nunca provou isso.
Owen não falou mais nada. Decidiu aquele momento que iria correr atrás e descobrir tudo. Claire não perdia por esperar.
*
Depois que retomou seu posto no trabalho, Owen passou quase uma semana toda checando a identidade dos hóspedes da ilha. Iria encontrá-la nem que fosse no inferno. Obviamente a busca não foi fácil, o Jurassic World recebiam milhares de pessoas todos os dias. Quando Owen e o detetive particular que ele contratou, acharam a mulher, conseguiram o contato dela e com a orientação do detetive, Owen fez o seguinte:
Entrou em contato, e como se tivesse interessado, marcou um encontro em Nublar. Isso tudo com todas as despesas pagas.
— Owen, entendeu o que eu disse? Não pressione. Seja sutil. Tente fingir que estava cansado do casamento... ela vai contar a verdade. Se tivermos sorte, ela irá contar quem a pagou para isso também.
— Talvez eu tenha que pagar um valor a mais por isso.
— Exato. Mas...
— Eu não tenho receio em pagar. Só quero provar minha inocência.
Quando a conversa com o detetive acabou, Owen foi se encontrar com a tal Amelie Gee em um restaurante do hotel de turistas, bem longe de conhecidos. Owen começou sutil, atento a qualquer reação dela. Usou seu charme galante para convencê-la de que estava afim dela, depois de muitos galanteios, chegaram as bebidas e Owen partiu para a segunda parte.
Começou a dar a entender que seu casamento era um inferno e de certa forma ele estava agradecido por ela tê-lo "livrado". E sim, Owen estava estrategicamente com uma pequena câmera na camisa e um gravador de voz. Mas foi mais difícil do que ele pensou. Amelie começou a ficar bêbada, falava coisa com coisa e Owen não conseguia extrair nada coerente. Então, cortou o álcool e resolveu ser mais objetivo.
— Sobre aquela noite... foi maravilhosa.
— Como se lembra, gatinho?
— Bom... Me lembro.
Amelie riu alto e bebeu mais um gole do suco.
— Você estava bem drogado para isso. Infelizmente não rolou nada do que eu queria, mas se quiser... podemos fazer acontecer hoje mesmo.
— Eu drogado?
— Claro. Foi tudo planejado. Fico feliz que eu tenha te ajudado a se livrar daquela perda de tempo, sabe que me senti um pouco mal por ter separado vocês? Mas... Mas agora com essa conversa, acho que valeu a pena. E ainda ganhei um tigrão de brinde... — Flertou.
Owen nem sabia o que dizer. Nem pensar. Nem mesmo reagir. Depois de tanto ela tagarelar, ele sabia que tinha sua prova final que salvaria seu casamento. Mas ainda não sabia quem havia pagado para ela fazer aquilo.
— Quem te pagou, Amelie?
— Hm? — Se fez de sonsa.
— Quem fez você participar disso.
— Não posso falar, você sabe. Podemos ir para o meu quarto?
— Se me contar...
— Isso não será possível.
— Quanto te pagaram? Eu dou o dobro.
Amelie engasgou. Tentou fugir do assunto e por fim disse que podiam marcar um segundo encontro que ela pensaria se contaria. Owen aceitou, mas teve que embebedá-lá o suficiente para deixá-la no quarto desmaiada, ou a mulher iria atacá-lo.
Aquilo já era um começo. Um grande começo. Owen voltou para casa, encontrou com o detetive que o esperava, arrumaram as gravações no computador. Editaram o áudio, as imagens desfocadas, mas Owen fez questão de deixar a gravação completa. Assim que terminaram todo o trabalho, Owen armazenou no pendrive e colocou em um envelope para entregar para a Claire no dia seguinte.
— Owen. Se eu fosse você, encaminhava isso para a Claire o quanto antes.
— Não estou com pressa. Ela já deve estar dormindo.
— Olha... toma cuidado. Tenho que ir.
— Ok. Muito obrigado senhor Harris.
— Imagina Owen. Até amanhã.
— Até.
*
Na manhã seguinte, Claire foi para o escritório antes das 5 da manhã. Era fim de mês e como de costume tinha muito o que fazer e ainda tinha que visitar alguns paddocks. Para a surpresa da ruiva, Rebecca já estava lá.
— Nossa, caiu da cama?
— Olha quem fala. — a morena riu. — Estava organizando sua agenda.
— Obrigada. Tenho muito o que fazer. — Rebecca parecia querer perguntar algo e ela percebeu isso. — O que foi.
— Olha amiga, sei que não é da minha conta, mas... você voltou com seu marido?
— Não. — estranhou aquela pergunta e logo Rebecca mudou de assunto.
Ficaram até as sete da manhã organizando alguns assuntos, e foram ao Starbucks tomar café.
— Pensei que ele tinha ido embora de vez... seu marido. — Rebecca insistiu na conversa.
— Isso é impossível, tem os nossos filhos. Sempre será um laço entre nós.
— Claro. Mas se quer um conselho amiga... ele não presta. Eu manteria ele longe até dos meus filhos.
Aquele comentário não agradou nada a ruiva.
— Olha Rebecca, você não conhece o Owen. Ele é um excelente pai, jamais faria isso com meus filhos ou com ele.
— Só estou te dizendo, eu não confio em homem nenhum.
Naquele momento, Claire recebeu uma mensagem no telefone. Era Owen:
"Viu meu presentinho na sua mesa?"
Claire estranhou, não tinha nada em sua mesa.
“Não tem nada aqui” respondeu.
"Claro que tem, eu passei aí às quatro da manhã. Um envelope azul."
Ela olhou em tudo e dentro de todas as gavetas.
“Owen, não tem nada aqui. Olhei em tudo.”
Ela recebeu a ligação dele imediatamente.
— Não brinca comigo, é extremamente importante, Claire! Pelo amor de Deus, diz que está aí! Talvez você jogou algo em cima ou caiu embaixo da mesa...
A ruiva achou aquilo muito estranho.
— Não, Owen. Eu te juro que não está aqui. Procurei em todo lugar, se quiser pode até vir aqui olhar.
E ele foi mesmo. Chegou revirando tudo em desespero.
— Não, só pode ser um engano...
Claire o encarou sem entender nada.
— O que está acontecendo?
Owen suspirou cansado e se jogou no sofá dela.
— Era a gravação. Era a prova de que fomos enganados. Pode ir checar nas câmeras de segurança? Eu juro que deixei aqui. Era por volta das 04:50. Eu vou ao bangalô ver se consigo ela no computador, tem a cópia lá. Ok?
Claire arregalou os olhos e foi rapidamente sentar ao lado dele.
— Como assim, Owen? Como conseguiu isso?
— Pode ir por favor? Eu volto já.
Owen saiu dali, pegou a moto e foi para o bangalô. Ao chegar, não encontrou o computador em cima da mesa, onde havia deixado. Revirou tudo, nada. Era inacreditável, mas aquilo só indicava que sim, tinha alguém querendo prejudica-lo. Ainda esperançoso, ligou para os amigos perguntando se não tinham ido até seu bangalô, ou visto algum veículo diferente na estrada. O próprio procurou vestígios e nada encontrou. Owen registrou um boletim de ocorrência como roubo. Deixou a polícia investigar o local, comunicou o detetive e voltou para o Centro de Controle. Sua única esperança seria as câmeras de segurança do escritório da ruiva. Enquanto dirigia pela estrada de terra, Owen teve certeza que algo muito pior os espreitava. Era o começo do inferno.
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