Notas iniciais
❤️❤️❤️❤️

Os preparativos para a festa de ano novo começou muito cedo na fazenda dos Grady. Sam e Sophie chegaram pela manhã fazendo o maior barulho, Chantal odiando a bagunça, Steve bebendo como um gambá, Tereza e Jessica na decoração, Owen, Harry e o cunhado desceram para matar um porco e três frangos bem longe dali. Claire preferiu dar uma de babá, além das duas crianças que já estava cuidando, agora tinham os gêmeos e o mais novo Theo, que por sinal a ruiva estava morrendo de saudades. Ela decidiu levar as crianças para brincarem no quintal.

— Titia, você é que vai ter que pegar a gente agora! — Sophie passou a vez para ela e todos saíram correndo de perto de Claire.

Claire acabou entrando na brincadeira e saiu correndo atrás deles.

— Aaaaah eu vou pegar vocês...

Clarisse e Sophie entraram floresta a dentro e sumiram. Ficou apenas Sam de longe e o pequeno Theo no carrinho, assistindo tudo. Naquele exato momento quando a ruiva tomou percepção do que tinha acontecido, Claire sentiu seu coração errar algumas batidas.

— MENINAS? VOLTEM AQUI! — Gritou desesperada.

— Tiaaaa... — Lisa puxou a calça dela. — Quero fazer xixi...

Claire pegou a pequena no colo.

— Eu já te levo... Sam, vá chamar o Tio Owen, agora! — Foi até a entrada da floresta, mas não as via. Começou a chorar desesperada. — CLARISSE? SOPHIE?

Owen apareceu instantaneamente com o irmão e o cunhado.

— Mas o que está acontecendo aqui?

— A C-Clarisse e a Sophie, correram para a floresta. — Gaguejou.

— E você só ficou olhando?

— Você queria que eu fizesse o que, Owen? Tinha as outras crianças também...

Os três homens entraram na floresta adentro, uma 10 minutos depois apareceram. Sophie chorando e levando bronca do pai e Clarisse no colo de Owen, pleníssima. Claire já estava vermelha de tanto chorar, sendo acalmada por Jess, Tereza e Kate que segurava Lisa. Ao vê-los, ela correu até eles pegando a filha no colo e a abraçando forte.

— Meu Deus, obrigada!

Clarisse olhou para a mãe, a carinha mais angelical do mundo.

— Mamãe, estava chorando?

— Não faz isso nunca mais! Por que foram para floresta?

Claire estava muito tensa e tremia muito.

— A Sophie disse que podíamos achar um presente do papai Noel... Sabia que ele deixa cair alguns do trenó?

Claire encarou o marido.

— Pode cuidar dela?

— Estou ocupado.

— Por favor, Owen. É sua filha também.

— Harry, pode terminar de cortar a carne? — Pegou Clarisse no colo, que já estava toda dengosa no braço do pai.

— Claro, sem problemas.

Claire estava se sentindo muito mal com o que acabou de acontecer e queria sumir naquele momento, então assim que Owen pegou a filha, ela saiu depressa dali. Quando ela entrou, Tereza pegou Claire de surpresa.

— Querida? O que foi?

Ela estava tão atordoada que ignorou a sogra e subiu correndo para o quarto. Ela foi atrás, preocupada.

— Claire, fala comigo... está de sentindo mal? — Pegou a mão dela. A ruiva estava em prantos.

— E-eu... o que aconteceu com as meninas... É minha culpa. Eu estava lá é mesmo assim não consegui cuidar delas...

— Claire, não foi nada de mais. Foi uma travessura, não aconteceu nada. Não pode ser tão dura consigo mesma. — Tereza alisou os cabelos dela.

— Não estou sendo dura, é a verdade... — soluçou. — Com isso, eu percebo que não posso ter outro filho...

— Claro que pode. Pode e deve. Uma mãe como você, é um privilégio para qualquer filho nessa terra. E eu quero mais netinhos ruivos. — A beijou na testa. — Por que não descemos juntas e você me ajuda com a torta de nozes?

Claire ainda chorava e soluçava.

— A-acho que não serei uma boa companhia... Não estou me sentindo bem.

— Vou chamar o Owen, está bem? Sei do que precisa. Estou vendo nesses olhinhos.

— Por favor... não. Ele está cuidando da Clarisse.

— Eu olho ela. Não tem problema algum. — Tereza se afastou e deixou a porta encostada.

— Não. — disse, mas já era tarde. A verdade era que ela só queria ficar sozinha e não ver ninguém.

A cara do marido surgiu na porta.

— Claire, o que foi?

— Nada, Owen. Não precisava ter vindo... Sabe que sua mãe é super protetora. — Cobriu-se virando para o lado oposto.

— Tudo bem. Já tem tempo que você não precisa mais de mim, não é? — Owen fechou a porta do quarto e deixou Claire no espaço dela.

— OWEN? — Gritou por ele, levantou correndo indo atrás dele antes que se afastasse mais. — Espera... — segurou a mão dele. — Isso não é verdade. Eu sempre vou precisar de você... É que nesses últimos dois dias, estamos tão distantes...

— Por que dormiu no outro quarto?

— Você estava bêbado. Sabe que odeio quando bebe.

— Você mandou o remédio...

— Eu cuidei de você, Owen... como sempre faz comigo. Mas você fica insuportável quando bebe. Me fala, por que você bebe? Não está satisfeito com a vida que tem e quer esquecer algo?

— Eu bebi pouco...

— Não foi pouco... você caiu de cara no chão. — começou a chorar. — Você não sabe como me dói te ver assim...

— Desculpe.

Ela ficou o encarando.

— Só vai dizer isso?

— Quanto tempo eu não bebo, Claire Grady?

— E por que você bebe, Owen? Quer que eu me afaste?

PARA ME DIVERTIR, PORRA! FINAL DO ANO, VOCÊ NÃO SABE APROVEITAR, O PROBLEMA É SEU! — Gritou, com o dedo na cara dela.

Ela empurrou a mão dele e seus olhos crisparam de raiva.

— Quem pensa que é para colocar o dedo na minha cara?... Quer saber, Owen... Foda-se! — foi para o quarto e bateu a porta.

Ele foi atrás. Bateu na porta.

— A culpa foi sua.

— Mais é claro, a culpa é sempre minha! Vai se divertir e me deixa em paz! Me esquece! Bebe o quando quiser, faz o que quiser... não vou mais me importar.

— Ok, abre a porta. Não deveria ter gritado com você, nunca. Claire, abre...

— Me esquece, Owen. — sussurrou do outro lado, encostada na porta. — Enquanto estivermos aqui, faça o que quiser. Não sou a companhia que você quer... isso agora ficou bem claro.

— Você é a mulher dos meus sonhos... — Murmurou encostado, do outro lado da porta. — Eu não mereço seu amor. Me desculpa, é sério.

Ela ficou em silêncio, abriu a porta e se afastou para ele entrar e sentou na beira da cama. Owen ajoelhou na frente dela, segurou-a pelas mãos e ficou se cabeça baixa. Sem dizer nada. Claire respirou fundo e uma de suas mãos, foi parar em seus cabelos cor de ouro, os acariciando.

— Eu prometo, de agora em diante, nunca mais beber.

— Não quero que faça promessas, Owen. Me prove com suas atividades...

— Não vou mais. Se te incomoda tanto.

— Beber não é bom para você, para mim e sua filha... Imagina a Clarisse crescer e te ver bêbado. Owen, eu quero o seu bem. Porque eu te amo muito e me importo com você, mais que tudo no mundo. E tenho medo que um dia, isso nos separe para sempre...

— Está bem. Se você acha.

— Eu acho? — o encarou com os cerrados.

— Hmmm... Não?

— Esquece, Owen. Parece que não entendeu nada o que eu disse. Vai lá com seus irmãos... Eu vou ficar um pouco aqui.

— Ok. Você está certa e eu errado.

— Eu preciso sair... — levantou e foi pegar a bolsa.

— Eu tentei, tá? Quer fugir de mim... fuja.

— O que?

— Pode ir.

— Olha Owen, eu tomei uma decisão... Acho que não devemos ter outro filho. — disse logo.

— O que? Por que???

— Depois do que aconteceu com as meninas na floresta... eu acho que não estou preparada para cuidar de outra criança.

— Eu que bebo, e você que tem essas ideias de merda. Não vou brigar por isso, mas saiba que eu não concordo.

— “Ideias de merda”... — repetiu balançando a cabeça. Suspirou cansada. Sem pressa, tirou as botas e deitou na cama.

— Sim! Você é a melhor pessoa para ser mãe dos meus filhos.

Ela esticou a mão para que ele segurasse. Owen segurou e a beijou várias vezes. Claire o puxou para deitar ao seu lado.

— Olha só, sabia que era dengo. — A abraçou bem apertado.

— Calado. — fechou os olhos o sentindo bem junto de si. — Não esqueça do que prometeu.

— Ah, então é pra valer? — Gracejou.

— Owen. — disse com um tom repreendedor e virou, ficando de frente para ele e olhos em seus olhos verdes.

Owen se sentiu hipnotizado por aquele par de olhos, tanto que não soube diferenciar se achava sexy ou intimidador.

— Eu, eu prometo.

A ruiva sorriu ao ouvi-lo e se aproximou tocando os lábios nos dele, em um beijo bem lento e cheio de amor e saudade. Owen retribuiu o beijo totalmente o contrário, com pressa, desesperado, sedento, apaixonado, excitado. Ela ficou por cima, apertando o corpo contra o dele. Conforme o beijo ficava mais intenso, ela começou a se esfregar nele.

— O que pensa que está fazendo? — Owen já tinha arrancado o casaco dela e desabotoado a blusa dela. De repente, Tereza entrou no quarto e levou um susto.

— Ah, meu Deus...

— Mãe?

— Aí meu Deus... — Claire saiu rapidamente de cima dele fechando a blusa. Estava mais vermelha que um pimentão de tanta vergonha.

— Podiam ter fechado a porta. Tem crianças na casa. — Tentou se ajeitar, sem jeito. — Vim avisar para desceram e ajudarem com a decoração. Só falta isso. — Limitou-se a dizer e sumiu de vista.

— Nossa que vergonha... — comentou fechando os botões de sua blusa.

— De quebrar a cama com o seu marido, você não tem vergonha, Claire?

— Não. Vergonha de sua mãe ver a gente assim...

— Ela não viu nada... vamos descer?

— Uhm... não temos escolha.

Owen levantou bufando e levou ela para o andar de baixo. Chegando lá, já estava quase tudo pronto. Jess e Kate, adiantaram a arrumação da decoração.

— Olha o casal aí... — a irmã do loiro disse com ironia.

— O que temos que fazer? — Claire perguntou olhando pra os enfeites na mesinha.

— Infelizmente nossa mãe empatou minha foda agora pouco, agora tenho que fazer essas porcarias.

Owen soltou sem pensar, a irmã e a cunhada ficaram boquiabertas de início, depois quase desfaleceram de tanto rir. Claire sentiu vontade de bater nele na hora.

— Bom, nós não precisamos de vocês aqui... — Jess piscou para o irmão.

Tereza passou apressadamente com o avental todo sujo de massa de bolo.

— Owen, filho. As nozes acabaram, vá buscar mais. E rápido!

— Ok, mãe.

Owen pegou Claire pelo braço e saíram de casa sem serem notados pelos demais.

— O que está fazendo? — perguntou o acompanhando.

— Não se finja de santa, Claire Grady.

— Calma. — disse rindo. — Vamos primeiro no mercado, compramos as nozes para sua mãe e depois... seremos só eu e você...

— Bobinha... Tem uma nogueira carregada de nozes, próximo a floresta. Vai subir lá e jogá-las para mim.

— O que? Quer que eu suba em uma árvore? — arqueou a sobrancelha.

— Nunca subiu em uma árvore?

— Não e não vai ser agora, o mercado é aqui perto. Vamos...

— Tudo bem, eu subo.

Antes mesmo de Claire pensar em impedi-lo, Owen já havia subido os três primeiros galhos com a destreza de um verdadeiro macaco selvagem.

— Meu Deus, Owen! Cuidado... — disse desesperada. Mesmo sabendo que o marido tinha toda a prática, ficou aflita.

Logo várias castanhas foram arremessadas no pé da árvore.

— Coloque na sacola, baby.

Claire fez o que ele disse, pegando vários.

— Já tem bastante, agora desde daí.

Ele olhou pra ela lá de cima, achando graça da carinha dela.

— Vou pensar...

— Vai logo, Grady. — disse aflita. — Quanto mais demorar, menos tempo vamos ter...

Quando o loiro colocou os dois pés no chão, sentiu uma pontada nas costas. A idade estava cobrando seu preço.

— Será que é o suficiente? — Revira a sacola na mão da esposa.

A ruiva começou a rir.

— Você arrancou quase tudo da árvore, é suficiente sim... vamos levar para sua mãe... — ao entrarem em casa, Claire foi logo para a cozinha para entregar as nozes. — Prontinho, senhora Grady...

— Oh minha filha, finalmente. Obrigada... — pegou a sacola correndo para terminar a torta.

Quando Claire menos esperava, foi agarrada e levada até um quarto no andar de baixo. Embora o marido estivesse com as mãos nos peitos dela enquanto a beijava quase desesperado, se ela reparasse bem, era o mesmo quarto que ela ficou quando caiu da escada por causa da Barbara, anos atrás. Ela o afastou um pouco sem fôlego.

— Hey, não vamos transar aqui...

— Por que não?

— Não gosto desse quarto.

— Baby, é aquele quarto que ficamos juntinhos... você com aquela barriga maravilhosa. — O loiro mordiscou o lóbulo da orelha dela, murmurando em seguida: — Quero fazer outra em você. Agora.

Claire fechou os olhos amolecendo em seus braços.

— Gostava da minha barriga?... Não podemos demorar muito... ainda temos que nos arrumar. — sussurrou fraca, totalmente entregue nos braços dele.

*

Faziam no mínimo umas duas horas que Owen e Claire estavam no quarto, transando feito dois ninfomaníacos. Vez ou outra alguém batia na porta e Owen xingava, expulsando quem quer que fosse. Lógico que Tereza soube do que se tratava e deixou as crianças bem longe daquela porta. Owen colocou a ruiva de quatro depois de vários minutos a penetrando por cima, intensificou o ato a ponto de deixá-la de pernas bambas e a beira de gritar mais alto. Logo Claire gozou pela quarta vez, chamando pelo nome dele. Fazia alguns dias que não transavam daquela forma, estavam matando a saudade e a necessidade que sentiam um pelo o outro. Os dois estavam suados. E a noite deles estava apenas começando.

Owen deixou ela deitada na cama, hipnotizado pelo belo corpo escultural a mercê dele. Ainda excitado, foi pra cima dela e chupou seus seios, um a um.

Claire arfou com aquelas carícias e entrelaçou os dedos em seus cabelos.

— Que delícia amor...

— Você é uma delícia, ruiva.

Owen parecia um bebê faminto. Acabou exagerando e ficou ali por muito tempo, até ficarem extremamente vermelhos. Claire suspirou e se aproximou beijando seus lábios sem pressa.

— Precisamos ir nos arrumar... mais tarde continuamos. — sorriu.

— Já estamos arrumados, baby.

Owen segurou o membro encaixou nela mais uma vez, com força. A cama bateu na parede com demasiada força.

— Owen! — gemeu cravando as unhas em seus ombros.

— Isso, fala meu nome.

Ele prosseguiu com o ato selvagem, acabou tirando a cama e os lençóis do lugar, tamanha a brutalidade das investidas. Owen usou o dedo indicador pra estimula-la fazendo círculos, a boca chupando seu seio esquerdo e o membro a empalando sem dó. Obviamente queria finalizar aquela sessão com um orgasmo avassalador na esposa. Era o mínimo que podia fazer para compensar aqueles dias. Claire jogou a cabeça para trás apertando a mandíbula, ou todos na casa iam ouvir seu grito. Com certeza Owen estava compensando todo o tempo perdido. Sem aguentar mais, Claire sentiu o forte orgasmo chegando e mordeu o ombro dele.

— Oh meu amor...

— Hmm...

Owen acabou perdendo a cabeça e implorou para que ela gozasse, estava no seu limite.

— Claire... por... favor...

Era muito satisfatório ver e ouvi-lo daquele jeito. Claire não pode mais segurar e deixou seu prazer jorrar, sentindo suas pernas tremerem. Caiu sobre a cama completamente sem forças. O marido acompanhou logo em seguida. Caiu do lado dela e acabou dormindo instantaneamente.

— Owen? — virou para ele o sacudindo. — Não pode dormir, temos que ir tomar banho e se trocar...

— Hm.... vou não.

— Vamos amor... — encheu seu rosto de beijos. — Mais tarde tem mais... — sussurrou em seu ouvido.

— Ainda dá conta de outra? — Murmurou sem fazer menção de levantar.

— Mas é claro... — ficou por cima dele. — Vamos subir, baby... — beijou seu pescoço.

— Vamos subir pelados? — Sugeriu.

— Claro que não. — riu e saiu de cima dele. — Vamos... — começou a se vestir.

Owen entrou no banheiro e tomou banho por lá mesmo.

Claire preferiu ir para o quarto deles, chegando lá tomou banho e foi se arrumar. A maquiagem estava impecável, assim como os cachos em seu cabelo. O vestido, todo branco, um lindo decote V com aberturas na cintura, além de ser longo as mangas também eram compridas. Clarisse entrou no quarto com o nariz e as bochechas riscados de canetinha. Lisa estava atrás dela, com o rosto ainda pior.

— Mamãe? Onde você estava?

— Meu Deus, crianças! — se assustou ao vê-las. — Está na hora de vocês duas tomarem banho. — se abaixou ficando na altura das duas. — Onde está sua mãe, princesa?

— Tá fazendo bolinho, titia. Você tá bonita. — Sorriu sinceramente, exibindo seus dentinhos minúsculos.

A ruiva sorriu toda derretida e a beijou nos cabelos.

— Obrigada, meu amor... agora... — levantou e tirou o vestido, colocando um roupão. — Vou banhar as duas, já para o banheiro...

*

Quando Claire terminou, Owen chegou no quarto com uma camiseta surrada da marinha, uma bermuda branca e chinelos.

— Amor?

— Oi... — respondeu sem olhar para ele, estava arrumando o cabelo da filha e da sobrinha. As duas pequenas já estavam vestidas, com lindos vestidinhos brancos.

— Elas vão ser damas de honra de algum casamento?

Claire o encarou com cara feia, até que notou sua roupa.

— Tá brincando, né?

— O que?

— Que roupa velha é essa, Owen?

— Ah, eu achei no porão. Tem várias coisas minhas lá. Deve compensar as camisas minhas que você jogou no lixo. — Comentou satisfeito, enquanto passava gel no cabelo.

— Não acredito no que está dizendo. Pode trocar de roupa. — foi até a gaveta e pegou a roupa nova que comprou para ele passar a virada. — Veste essa...

— Que isso? Não me lembro dessa roupa. — Ignorou completamente e foi só trocar os sapatos para ela ficar mais calma.

Claire respirou fundo e deu atenção para as meninas.

— Meu amores, vão até a vovó e pedem um biscoito para ela. Está bem?

— Tá mamãe. — as duas saíram do quarto correndo.

— Pode colocar agora a roupa, Owen! — exigiu.

— Hey, que isso? Depois daquele amor gostoso, já quer brigar?

— Eu não estou brigando. Estou mandando você trocar de roupa.

— Você não manda em mim.

— Mando sim! Sou sua esposa. — disse colocando novamente o vestido.

Ele achou graça.

— Então... Eu mando em você?

— Não, só eu mando em você.

— Está brincando, não é? Eu não acredito que está falando isso. Não sou seu filho, sou seu marido!

— O que tem? — o encarou já pronta. — Vai se trocar, Owen.

Owen não se trocou. Fez algo no banheiro e desceu para encontrar a família. Claire respirou fundo e desceu logo em seguida. Estava furiosa com ele. Ele apareceu pouco depois segurando dois drinques. Ofereceu um a ela.

— Se me permite dizer, está uma gostosa essa noite.

Ela pegou a taça e tomou um gole, com um sorriso de canto.

— Não permito, Grady. Já que preferiu ignorar o que eu pedi, não fale comigo.

— Você mandou, na verdade...

— Tudo bem, Owen, não importa mais.

— Quer que eu pegue mais uma bebida?

— Não precisa. Espero que cumpra sua promessa. — o encarou.

— É sem álcool. — Owen olhava o decote dela descaradamente.

Notando aqueles olhares. Ela arqueou uma sobrancelha.

— Pode olhar, porque não vai tocar neles...

— Não só vou tocar, vou chupar e morder um a um.

— Não vai, Owen. — disse com firmeza.

— Claire... — Deu um passo a frente.

— Não, ignorou a roupa que comprei. Prefere as velhas, do que as que eu compro para você...

— Você foi comprar roupa pra mim e nem perguntou se eu queria ou o que eu pretendia usar!

— Eu sempre compro as suas roupas!

— Mas você costuma avisar...

— Eu só não avisei essa vez, Owen. Bom, mais você é um homem adulto, pode tomar suas próprias decisões.

— Exatamente. Talvez por que você também tenha vergonha de ter um marido mal vestido, não É? Não pode se comparar com uma madame. — Debochou.

— Você acha mesmo isso?

— Tenho certe...

Tereza apareceu repentinamente entre os dois. Olhou pra cara de cada um.

— Já estão brigando? Em plena festa de ano novo? O que eu faço com vocês dois? — Ralhou. — Owen, que roupa horrorosa é essa?

— É a roupa que ele gosta. — O encarou séria. — Não somos incompatíveis, Senhora Grady.

— Mas que bobagem, é claro que são!

— Talvez ela tenha razão. — Encarava a ruiva, sério da mesma forma.

Tereza deu uma breve lição de moral nos dois e afastou para receber alguns convidados que haviam acabado de chegar. Nesse pequeno prazo, o loiro pegou a esposa pelo braço e a levou em um canto. O par de olhos verdes, muito intimidadores.

— Não disse que éramos incompatíveis, na minha cama há poucas horas atrás.

Claire puxou o braço se soltando de seu aperto.

— Tudo para você se resume em sexo?

— Não. Mas eu gosto bastante. — Owen ousou tocá-la no meio das pernas, procurando algum sinal de que ela estivesse usando calcinha. Mas rapidamente, Claire tirou a mão dele.

— Não me toca, Owen. Eu estou realmente chateada com o que aconteceu e com o que disse.

Os dois ficaram discutindo até Tereza vir buscar Claire para apresentar a uma pessoa. Quando acabou, ela viu Owen descendo as escadas com o traje que ela tinha comprado. Se aproximou dele discretamente.

— Por que mudou de roupa?

— Queria que eu ficasse pelado? Se quiser, só pedir.

— Deixa para lá. — balançou a cabeça e foi até a cozinha.

A festa prosseguiu animada e com o som alto. Claire estava tão entretida que mal notou quando dois braços fortes a rodearam por trás. A voz que sussurrou em seu ouvido, era semelhante a do marido. Mas não era ele.

— Adoro quando encontro as minhas presas sozinhas e indefesas. — Steven estava claramente bêbado, mais fora de si que o normal. — Não sabe o tesão imenso que tenho em você, cunhadinha...

— Você ficou louco? — o empurrou rapidamente e lhe deu um tapa na face. — Você me dá nojo, Steve! — disse com o maior asco.

— Nossa, é assim que retribui minha declaração?

— Como tem coragem? Você está comprometido e eu sou a esposa do seu irmão.

Ele riu debochado e se afasta, indo dar em cima de umas convidadas. Claire ficou o observando incrédula, não pode evitar de se sentir mal com aquela situação. Então, foi para o quarto. Quando ela entrou, se deparou com um casal de desconhecidos se pegando na cama dela. Claire arregalou os olhos incrédula.

— Mas... Que palhaçada é essa? SAIAM DAQUI AGORA! — Gritou com indignação.

Aos tropeços, os dois saíram correndo dali. Ela tratou de tirar o lençol da cama e jogou no chão. Owen apareceu na porta do quarto e presenciou a cena inusitada da esposa arrancando as roupas de cama.

— Mas esses acessos de raiva seus estão cada vez piores, amor. Vamos descer e tomar um calmante... — Ofereceu em um tom assertivo, estendendo-lhe a mão, parado na porta.

— Não vou mais descer. E tinha gente transando nessa cama. — disse apenas.

— Tinha?

— Sim!

— Baby, tem várias pessoas querendo te ver lá embaixo.

Ela deu um suspiro cansada.

— Não estou muito no clima... — sentou no canto da cama.

— Quer dar uma volta lá fora? — Sentou do lado dela, cauteloso.

Claire olhou em seus olhos e assentiu com a cabeça.

Com uma delicadeza incomum, Owen tocou o rosto dela, fazendo um carinho. Depois que a acalmou só com olhares e gestos, a levou para o quintal, de mãos dadas.

— Não gosto de te ver assim, eu não fico feliz. Você é parte de mim.

— Eu sei... — acariciou a mão dele com o polegar. — É que... — suspirou. — Eu não me sinto mais à vontade aqui...

— O que te incomoda? Nossa, você estava tão animada com tudo, de repente fica assim... claro, tirando a parte que estávamos brigando. — Sorriu.

— Eu tenho os meus motivos, Owen. Não fico assim sem motivos... — preferiu não contar o que aconteceu com o irmão dele.

— Quer me contar?

Ela o encarou pensativa.

— Não sei se devo...

— Se não quiser me contar agora, vou entender. Pode me contar uma outra hora. Quando se sentir melhor.

Claire pensou por um momento, seria melhor não contar agora, para não estragar a noite de toda a família.

— Está bem... — caminharam até o lago em silêncio. — Se quiser, pode ir aproveitar a festa. Sei que espera por ela o ano inteiro. — sorriu de canto.

— Minha festa é onde você está. — Segurando o quadril da ruiva, Owen começou a guiá-la em uma dança lenta.

Claire sorriu sem desviar o contato visual.

— Você acha mesmo que tenho vergonha de você? — sua voz saiu suave.

— Às vezes sim. Acho que eu não estava tão ridículo assim.

Sim, Owen Grady estava muito ridículo. Claire deu um longo suspiro.

— Lembra como você era quando nos conhecemos?

— Como eu era?

— Sim...

— Hm.... solteiro?

A ruiva revirou os olhos.

— Você é um cara sem educação a mesa. E você sabe disse, mas... nunca me importei. O mínimo que eu tento é com que você se vista adequadamente... Owen, você não é mais só aquele treinador que não se importava com que roupa vestir em um encontro. — Sim, ela nunca esqueceu das roupas que ele usou no primeiro encontro deles. — Você é um homem de negócios e bilionário. Agora tem uma imagem para zelar... e me incomoda muito você não se importar com isso.

— Você é bilionária. Eu sou seu marido. Não vai querer me colocar naquelas aulas de etiqueta da Clarisse?

— Já pensei nisso...

Owen começou a rir bastante.

— Tá brincando? Nunca!

— Nunca? — arqueou a sobrancelha. — Nem se eu te pedir?

Ele vacilou um ínfimo instante.

— É bobagem...

— Então para você as coisas que eu peço, são bobagens?

— Não. Você está jogando com meu ponto fraco, Claire. Pare com isso.

— Que ponto fraco, Owen?

— Você.

— Então sou sua fraqueza?

— Sim. Se te sequestraram e pedirem os documentos de posse do Jurassic World, eu passo os papéis na hora.

Ela se segurou para não rir e se aproximou mais, colando seus corpos enquanto seus braços passam por seu pescoço.

— Você é o que me fortalece, com você me sinto mais forte. Capaz de fazer qualquer coisa.

Owen depositou um longo selinho naqueles lábios rosados, antes de voltarem para a casa onde a contagem regressiva iria começar. Owen pegou Clarisse e Claire, foram para varanda e ficaram os três juntos vendo a queima de fogos. Em meio ao espetáculo, Clarisse com os olhinhos brilhantes, pediu docemente:

— Eu quero uma bomba daquela que explode!

— São fogos de artifício, meu amor. Não é para crianças.

— Mas eu vou guardar, papai.

— Ela não é de guardar.

Espertinha, como sempre, Clarisse apelava para a mãe quando o pai lhe negava algo. Ou vice versa.

— Mamãe, eu queria...

Claire e Owen trocaram olhares e se seguraram para não rir. A mãe depositou um beijo em sua bochecha gorducha.

— O papai já disse que não pode, meu amor...

— Uma rosinha!

— Isso não é brinquedo, princesa. É perigoso e pode machucar...

— Ah... — Lamentou-se da forma mais fofa do mundo, voltando a olhar os fogos.

Owen estava abraçando as duas, de forma que a filha ficasse no meio, parecendo um sanduíche.

— O que é ano novo?

— É um ano novo que chega... A cada trezentos e sessenta e cinco dias.

— Tezentos? Que isso?

— É a quantidade, filha. Um dia, dois dias, três dias...

— Tezentos é muito?

— Sim, muitos dias. Esse ano você fez dois anos, agora nesse novo faz três anos.

Clarisse encarou os dois como se o pai tivesse falado algo muito absurdo. Claro, ela tinha entendido do jeito dela. Mas Owen não podia deixar de notar que ela era uma criança muito desenvolvida para pouca idade que tinha. A sessão de perguntas só estava começando.

— Mamãe, por que o titio Steven tava caindo no chão e rindo?

Claire olhou para a filha, pensando em uma resposta que não fosse o que ela tinha vontade de dizer.

— Bom meu amor... é porque ele está muito feliz.

— O papai tava feliz de outro jeito.

— E de que jeito o papai fica?

— Ele fica sorrindo, mamãe. Assim: — Clarisse demonstrou alargando a boca com os dedinhos, imitando um sorriso.

— Ah, eu sorrio desse jeito?

— Sim!

Claire riu alto e deu um beijo na bochecha dela e um selinho no marido.

— É que o papai tem uma vida perfeita... E eu também. Somos muito abençoados.

— Eu amo vocês.

— Vocês são a minha vida. — sussurrou. — Eu amo muito vocês!

Clarisse olhou para os dois, desde pequena ela ouvia muito sobre amor além de receber muito dos pais. E ninguém podia negar, aquela garotinha era uma menina de sorte por tê-los.