História After You - Terceira Temporada
10 Capítulo Jealousy and Mischief
Notas iniciais
Era tarde da noite quando a família Dearing chegou em casa. Owen foi dar banho na pequena Clarisse, quando Eleanor resolveu chamar Claire para uma breve conversa.
— Sabia que o Jensen iria querer falar com você. Como foi?
Claire sentou-se ao lado dela, não com muita vontade de falar sobre o ocorrido.
— Ah tia... ele continua sendo um idiota, queria conversar sobre o que aconteceu há anos atrás...
— Acharia uma boa vocês conversarem sim. Para esclarecer as coisas... Você já superou, então por que não? Ele costumava vir nos procurar para saber de você.
— Mas tia, ele mesmo disse que me viu com a minha família na TV e nos jornais. Eu não tenho absolutamente nada para esclarecer com ele. – Afirmou convicta. — Tudo o que eu preciso, estão lá em cima agora.
— Mas isso foi antes da sua carreira fazer sucesso no mundo afora. E ele tinha certeza de que, se não fosse o lance com a sua prima, vocês dois estariam juntos até hoje.
— Isso é loucura, éramos só adolescentes. Desculpe tia, mas não quero falar mais disso. É passado!
— Tudo bem, querida. Desculpe. Eu jamais vou ser como a sua mãe. — Levantou um pouco sem graça. — A cozinheira serviu um lanche, vai estar na mesa até as vinte e três horas.
Claire levantou imediatamente e segurou sua mão.
— Mas você é a minha tia, minha família e eu te amo. E não quero que nos afastemos nunca mais! Quero que faça parte da minha vida e da sua sobrinha...
— É mesmo? Por que também não quero me afastar de vocês mais.
A ruiva sorriu e a abraçou bem apertado.
— E não vamos, tia. E quero que em breve vá nos visitar em Nublar.
— Prometo que iremos, assim que nos organizarmos. – Eleanor abraçou a sobrinha carinhosamente, quando avistaram Owen descer com uma Clarisse de pijama da Disney e chorosa.
— Alguém está com muito sono... — Eleanor comentou risonha.
— Está mesmo. — Claire concordou se aproximando dos dois e pegando a garotinha de cabelos vermelhos no colo. — Oi meu amorzinho... quer mama de morangos? — Perguntou acariciando seus finos cabelinhos.
Clarisse virou o rosto com a mão na boca, ainda chorando muito como resposta.
— Ela está chorando desde que coloquei ela na banheira.
— Sabe por que? – Claire perguntou para Owen, toda preocupada.
— Sabe que ela dorme entre as oito e meia e nove da noite. Já são dez e meia, amor. Devíamos ter levado ela já de banho tomado.
— Sim, mas ela precisava de banho. Amor, faz a vitamina de morango enquanto eu tento acalma-la?
— Oh, podem pedir para a Carmen fazer. — Eleanor referiu-se a cozinheira da mansão.
— Obrigada titia, é que fazemos de um jeitinho especial. — piscou para o marido e foi se sentar com Clarisse no colo. — Olha princesa, conta para a titia que você adorou as bonecas que ela te deu...
Clarisse continuou manhosa, esperneando e escondendo o rosto entre os seios da mãe.
— Não gostaria de me contar, querida? Sei que está cansada, meu amorzinho. Por que não tenta se acalmar?
Eleanor segurou a mãozinha dela e fez um carinho. A ruivinha parou com o choro e passou a soluçar. Claire observou as duas e sorriu, Eleanor tinha mesmo jeito com criança. Ela sempre foi muito carinhosa.
— Quer ir para o colo da titia?
Clarisse apenas maneou a cabecinha positivamente, então a mãe a colocou no colo de Eleanor. Até Owen retornar com a mamadeira, as duas já tinham conversado bastante.
— Aqui...
Clarisse alcançou a mamadeira com as duas mãozinhas e começou a tomar com a cabeça apoiada no peito da tia.
— Eu nem acredito que vocês já vão embora amanhã. — A mais velha disse com tristeza perceptível em sua fala, enquanto apertava os pezinhos macios da pequena sobrinha em uma meia estampada de corações.
— Eu também, passou tão rápido...
— Podemos voltar outras vezes se conciliarmos nossas férias e folgas. Né, amor?
Owen já estava pensando na mãe e o drama que ela iria fazer.
— Sim, com certeza. — sorriu. — E vamos te esperar na nossa casa, tia.
— Pode ter certeza que nós iremos, além de ir ver vocês podemos finalmente conhecer o tão famoso Jurassic World.
— Vai ser uma honra.
— E por que não ficam mais dias? — Sugeriu esperançosa. Claire ficou um pouco sem jeito e olhou para o marido.
— Infelizmente não podemos, tia. Já combinamos em passar o ano novo com a família do Owen.
— A dona Tereza infantaria se não vesse a Clarisse e a Claire. Eu, tanto faz.
Eleanor riu alto.
— Mas é mesmo?
Claire também riu.
— Ele está exagerando, tia. A senhora Grady é louca por ele, o filho preferido. — Claire tinha toda a razão.
— Você é a nova filha preferida dela. — Rebateu o marido em tom de brincadeira.
— Amores, vocês dois podiam ir comer algo na copa, antes que a Carmen guarde tudo. Vou por minha sobrinha linda na cama.
— Obrigada, tia. — Sorriu levantando com a mamadeira já vazia na mão e a outra, segurou a mão do marido o puxando até a copa. — Com fome, amor?
— Ainda pergunta?
Havia muitas coisas sobre a mesa para comer, Claire começou a beliscar uma salada de frutas.
— Ainda tem pernil, quer um sanduíche?
— Eu faço, amor. Pode comer tranquila.
Naquela refeição, Owen comeu nada mais nada menos que três sanduíches de pernil, três fatias de torta, tomou a jarra de suco pela metade, duas bananas, um pedaço de pudim. Claire o observava enquanto comia, sorrindo. Owen era tão espontâneo e nunca tentou ser ou fingir que era uma coisa, só para agradá-la. Isso a fazia ama-lo ainda mais.
— Quer ter aquela conversa agora?
— Estava esperando...
— Bom... — Sorriu. — Namoramos sério sim, mas éramos crianças. Ele ia na minha casa, eu ia na casa dele. Mas só quando os nossos pais estavam. Andávamos de mãos dadas na escola e pela cidade. Era isso e nada mais. Como eu te disse há alguns anos, eu perdi a virgindade com o Justin.
Owen mastigava tentando conter o ódio, mesmo se sentindo idiota logo depois.
— Ok.
Claire percebeu a expressão dele e sorriu.
— Quer ir para o quarto?
— Você só comeu essas frutinhas de nada, vai desmaiar de anemia.
— Que exagero. Esqueceu que comemos várias coisas no parque? Não estava com fome.
— Você deu uma mordida no cachorro quente e não quis mais.
— Não é verdade, comi a metade. Era enorme e gorduroso!
— Não vai dizer que não gosta de uma salsicha enorme?
— Só existe uma no mundo que eu gosto... — dito isto, a ruiva deu mais um gole em seu suco, levantou e foi em direção a escada a subindo.
O loiro ficou reparando no belo traseiro da esposa até ela sumir de vista. Ele subiu minutos mais tarde, sentindo-se mais satisfeito que o normal. Claire já tinha tomado banho e estava deitada, enrolada pelo edredom e de olhos fechados. Antes de passar para o banho, Owen depositou um beijo na testa da ruiva e seguiu seu caminho. No banheiro do quarto, havia um grande e imponente espelho. Quando tirou a camisa, Owen não pode deixar de notar o quanto tinha perdido todo seu "tanquinho", já que tinha parado com os treinos matinais. Só treinava Claire, se fazendo de personal trainer. E ele era um dos melhores. Estava muito diferente, como há anos nunca esteve. Pensando seriamente em voltar a malhar, ele entrou embaixo do chuveiro.
Enquanto isso, Claire abriu os olhos e suspirou um tanto decepcionada, já que o marido não veio atrás dela assim que foi para o quarto. Então, apagou o abajur e foi dormir. Logo ela sentiu um peso se afundar no colchão, ao lado dela.
— Está do meu lado da cama, de novo.
— Tanto faz, não é nossa cama mesmo. — Resmungou.
— Estou acostumado com você estar sempre do meu lado direito.
— Só dorme, Owen... — Sussurrou quase adormecida.
Owen enfiou-se no cantinho que ela deixou de sobra.
— O que está fazendo?
— Deitando do meu lado. Já está com raiva de mim?
— Meu Deus, Owen. – Claire rolou na cama e deitou-se mais distante.
— O que está fazendo?
— Deixando você dormir do lado que tanto quer...
— Você já está azeda comigo, seus hormônios estão daquele jeito... – Resmungou o marido desta vez.
Owen tinha razão. Então Claire aproximou-se o abraçando bem apertado, sentindo o cheiro do seu macho alpha invadindo suas narinas. O melhor cheiro do mundo.
— Você não ficou naqueles dias, esse mês ainda, né?
— Já disse para parar de ficar controlando minha menstruação.
— Eu controlando, Claire?
— É-é... — gaguejou.
— Eu não controlo nada. Só te fiz uma pergunta, estou tentando te engravidar tem um tempo. Se eu controlasse... daria uma pausa nela na hora que eu quisesse te comer...
— Está bem, Grady. Boa noite. — Respirou fundo e virou para o lado.
— Desculpa.
Owen prometeu a si mesmo que não ia tentar ser "íntimo" depois com a esposa, entrando nesses assuntos dela. Virou para o lado oposto. O silêncio tomou conta do lugar. Claire não conseguia dormir, já estava sentindo saudade daquele lugar. Era altas horas da madrugada, quando decidiu descer para comer algo. O andar de baixo estava vazio, escuro. Nenhum barulho, exceto pelo grande e antigo relógio de parede fazendo tic-tac. Claire fez um chocolate quente e pegou alguns biscoitos. Foi para a sala de estar comer, enquanto observava o fogo queimar a lenha na lareira. Não demorou pra Owen ir atrás dela. Apareceu na sala de cueca boxer.
— O que está fazendo aqui?
— Eu que pergunto. — Coçou a cabeça.
— Vim comer, estava sem sono.
— Vai demorar?
— Por que?
— Vou te esperar.
— Não precisa, Owen. Pode ir dormir...
Owen deu as costas e subiu as escadas.
— Quer chocolate quente? – A ruiva perguntou antes de ele se afastar mais.
— Não.
Ela levantou rapidamente indo até a escada.
— Quer alguma coisa? Eu faço.
— Só vim ver onde você estava. Sabe que sempre faço isso.
— Hum... entendi. — murmurou e voltou para o sofá.
Owen foi deitar e esperou por ela, acordado. Uma hora depois, ela voltou e deitou com cuidado.
— Você parece um fantasma, Claire.
— O que eu fiz agora?
— Fica de madrugada... andando por aí.
— E qual o problema se estou sem sono?
— E por que está?
— Porque é nosso último dia aqui... — suspirou.
— Logo vamos voltar. Tem que dormir, a viagem é longa.
— Você também tem que dormir, Owen.
— Só durmo depois de você.
— Mas acho melhor você dormir, eu estou sem sono e daqui a pouco amanhece...
— Quer remédio?
— Não. — se encolheu debaixo do edredom.
— Certo.
— Não quero dormir, com esse clima estranho entre nós. — confessou se sentindo uma idiota.
— Você me deu gelo, Claire. Estou na minha.
— Eu sei... — se aproximou dele. — Me desculpa?
— Tudo bem. Fui invasivo.
— Claro que não, amor. Você é meu marido e melhor amigo... gosto que me conheça tão bem.
— Nem sempre.
— O que quer dizer? Que não me conhece, ou que não é bom me conhecer bem?
— Você não permite, Claire.
— Entendi... — sussurrou um pouco chateada consigo mesma. — Eu sei que não sou uma pessoa fácil de conviver, nem um pouco. E nem sei o que te dizer... mas se nosso relacionamento não está bom para você, precisa me dizer... ou talvez seja melhor eu me calar e irmos dormir. — virou para o outro lado tensa.
— Eu quero que descanse, amanhã temos viagem.
— Okay... Boa noite, Owen.
— Boa noite, ruiva.
*
Logo amanheceu e todos já estavam de pé, Claire mal falou com Owen, não sabia o que falar com ele. As malas já estavam todas no carro. A despedida não foi fácil para Claire e Eleanor, mas prometeram se ver em breve. Owen, Claire e Clarisse desembarcaram no aeroporto central de Winsconsin, pegaram o carro alugado e seguiram para a zona rural. Clarisse estava cantando uma música no banco de trás com os dedinhos deslizando sobre a tela do seu IPad.
— Será que podemos parar em algum lugar, para comermos? – Claire pergunta enquanto olhava a estrada que sumia de vista em meio a floresta de pinheiros. Ainda faltava algumas horas para chegarem na fazenda Grady.
— Não, tem biscoito e cereal na minha mochila. — Owen estava sério demais com as mãos o tempo todo no voalnte.
A esposa assentiu com a cabeça e fechou os olhos, estava com muito sono. O marido notou e abaixou o som pra ela dormir. E não demorou para a ruiva adormecer, não tinha dormido nada durante a noite. Owen vez ou outra olhava a carinha dela dormindo e tinha vontade de beijá-la. Naquela mesmo dia, a noite, Claire acordou na cama do velho quarto de Owen, já na casa da sogra. Ela deu um pulo assustada.
— Não acredito, dormi demais! – Levantou-se em um pulo e foi usar o banheiro. Depois desceu para cumprimentar a família. A primeira pessoa, foi Tereza. — Senhora Grady, que saudade. — abraçou a sogra.
— Querida, que saudade. Você chegou aqui desmaiada no colo do meu filho, até perguntei ele se tinha te dado alguma droga na viagem. — Brincou enquanto a abraçava e beijava.
— Eu só estava cansada. — riu. — E como a senhora está? – Foram juntas até a cozinha.
— Cansada, a casa esse natal encheu e ninguém se dispôs a lavar um copo. Piorou com a noiva que o Steven arrumou...
Claire arregalou os olhos surpresa.
— Steven arrumou uma noiva?
— Sim. — Tentou não soar tão desgostosa, mas falhou miseravelmente. — Tenho pena dela em dobro, não tem onde cair morta e se acha a rica. Precisa ver como ela provou da minha receita especial de torta de nozes... com nojo.
— Já não gostei dela. — disse abraçando a sogra de lado. — Eu senti falta das suas receitas especiais... — sorriu.
— Ah, meu amor. Você é uma filha pra mim... vou te ensinar várias coisas esse feriado...
Owen entrou na cozinha com uma imensa coxa de galinha na mão.
— Olha só, quem acordou... — Deixou um beijo gorduroso na bochecha da esposa.
— Por que não me chamou? — reclamou enquanto foi beliscar um pedaço da torta de maçã.
— Estava cansada, babe. Não quis incomodar. A Clarisse foi com o tio Harry e a Lisa no mercado. Ela está tão grande...
— Está mesmo querido. — a mãe do loiro respondeu. — Quer suco querida?
— Oh, por favor... — disse sentindo uma leve dor no estômago.
— Está tudo bem? — Tereza notou sua expressão de dor.
— Sim... É só uma leve dor no estômago. Sinto isso quando demoro muito para comer...
Owen fez cara de paisagem quando Tereza o fuzilou com os olhos. Claire tratou de comer bem e tomar o suco, para que aquela dor passasse logo. Ele aproximou, e como sempre, tentando fazer ela comer mais do que deveria. Mas a ruiva o impediu.
— Pode deixar Owen, eu sei me cuidar. Se ficar forçando mais, vai me fazer vomitar...
— Se vomitar, significa que meu filho está aí dentro... – Sussurrou em tom de perversão.
Claire encarou-o e não respondeu sobre aquele comentário.
— É culpa sua por não ter parado para comer, quando eu pedi.
— Estava vindo uma tempestade de neve. Íamos ficar presos... e tinha lanche no carro.
— Agora tanto faz... — Resmungou finalizando seu suco. — Que horas eles vão voltar do mercado?
— Saíram há vinte minutos. Já está com saudade, na mãe coruja?
— Sempre sinto saudade da minha filhotinha. — respondeu com um sorriso. — Bom, vou tomar um banho e desço daqui a pouco, Senhora Grady...
— Ok, filha. Aproveite a água quente...
— Obrigada. — saiu sumindo nas escadas.
Owen foi atrás.
— Se sente melhor?
— Ainda não... — disse enquanto tirava a roupa sem muita pressa, ficando completamente nua e foi para o banheiro.
Owen ficou encostado na porta, olhando-a minucioso.
— Se tivesse comido o bolo de carne, você estaria melhor.
— Se tivesse parado quando eu pedi, não estaria assim... — pegou a esponja ensaboando seu corpo, deslizando lentamente na parte dos seios.
— Está me provocando?
— Por que acha isso? — desceu até o meio de suas pernas.
— Tá brincando comigo....
— Acho que está delirando, Grady. — fechou os olhos enquanto esfregava sua intimidade.
Owen saiu dali e foi esperar a filha na varanda, ou ia perder o controle. Quando Claire percebeu que Owen não estava mais ali, ficou extremamente decepcionada. Decepcionada com o fato de o marido talvez não a desejar mais da mesma forma que antes. Se fosse um tempo atrás, ele a teria a agarrado e feito amor loucamente ali. Mas as coisas pareciam estar mudando entre eles e aquilo a deixava triste.
“Será que ele não notou que eu estava o provocando?”
“Será que ele não me deseja mais?”
“Acho que as coisas estão esfriando mesmo”
Atordoada com esses pensamentos, ela finalizou seu banho e foi se arrumar para o jantar. Clarisse chegou poucos minutos antes, estava se pendurando na maçaneta da porta da entrada com a prima Lisa, até que Tereza repreendeu as duas e as colocou sentadas à mesa.
— Vão ficar aí até a hora do jantar!
Claire apareceu na cozinha e foi diretamente cumprimentar o cunhado e sua esposa. Depois aproximou-se das duas pequenas.
— Meu Deus, Lisa... você está uma princesa linda... – Ajoelhou-se de frente para as duas, beijando-as na testa.
— Oi titia Ariel.
— O nome da mamãe não é Ariel! — Clarisse brigou, enciumada.
— Mas ela parece a princesa Ariel...
— Não parece nada! — Clarisse bateu o pé, morrendo de ciúmes da prima com a mãe.
Claire riu com o jeitinho das duas crianças.
— Você acha que me pareço com a Ariel? — perguntou pegando a garotinha de cabelos loiris nos braços e sentou-se na cadeira que ela estava. Colocou Lisa em uma perna e pegou Clarisse, colocando-a sentada na outra perna. — E vocês são a Anna e a Elsa, sabiam? As princesas da família... — beijou várias vezes as duas.
Clarisse começou a empurrar a prima para ela descer. Não gostou nada daquele ‘’colo compartilhado’’.
— Pára, Clarisse... – Lisa pediu chorosa.
— NÃO!
— Hey, filha. O que é isso? – Claire a repreendeu. — Não pode fazer isso. Pára agora!
Clarisse colocou a outra perna no colo da mãe, toda espaçosa. Lisa tirou a perna dela e Clarisse colocou de volta, birrenta.
— Nossa, como a tia Claire é disputada... — Era a voz de Owen. Ele estava morrendo de rir e filmando a cena inusitada.
Claire tentou não rir com aquele comentário do marido.
— Clarisse! — a colocou na cadeira e ficou só com Lisa no colo.
Como era de se esperar, a ruivinha começou a chorar e tentou subir de novo. Com toda a paciência do mundo, Claire colocou Lisa na cadeira.
— A titia já pega você, princesa. — a beijou na cabeça e pegou Clarisse no colo a abraçando. — Por que tanta birra, filha?
— Você é minha mamãe... minha...
— Claro, meu amor... e sou a tia da Lisa. Estava com saudade dela, igual você. Não precisa disso, filha... — explicou calma. — A mamãe te ama muito. — sussurrou. — E quero ficar com as duas...
— Mas você é minha mamãe. — Olhou pra mãe com os olhinhos claros escorrendo lágrimas.
Claire as secou carinhosamente e beijou sua pequena testa.
— E sou só sua mamãe, para sempre. Não precisa chorar... O que acha de ir brincar com a Lisa, com as bonecas que ganhou da Tia Eleanor?
— Sim...
Claire a colocou no chão e segurou na mão das duas.
— Owen, pode pegar a caixa de bonecas no carro, por favor?
Owen estava com a garrafa de tequila, jogado no sofá. Ela viu aquela cena e desistiu.
— Olha, fiquem aqui... — colocou as duas sentadas no tapete e foi buscar. Tentando de todas as formas pegar a caixa pesada no porta malas.
No horizonte, ao longe, um carro se aproximava. Mas ela nem sequer notou. Estava muito empenhada em tirar a caixa e fazer as duas garotinhas que a esperavam, sorrir e se divertirem um pouco. Tão logo, ela sentiu duas mãos agarrarem seu quadril, e um hálito de tequila barata por trás dela.
— Achou que ia sair impune daquela provocação no banheiro?
Ela levou um susto e se afastou rapidamente.
— Sai, você está com cheiro de álcool. E sinceramente, agora eu não estou “afim”...
Owen ignorou completamente. Insistiu em agarra-la e a encostou no carro.
— Acho que vou te levar na casa da árvore e te dar uma bela lição.
Ela virou o rosto, devido o cheiro forte de tequila.
— Sabe que não gosto quando bebe...
— Você fica cada dia mais gostosa, qual o segredo? — Os lábios afoitos do marido foram parar no pescoço dela, ora beijando ou mordendo.
Claire segurou o rosto dele, o impedindo de continuar.
— Não quero fazer nada com você nesse estado, Owen. — disse chateada. — E se não for me ajudar com a caixa, é melhor ir...
Owen apertou a ereção entre as pernas dela, evidenciando o quanto estava ansioso para fodê-la.
— É sério, eu preciso te comer agora mesmo...
Claire se desvinculou de seus braços e foi pegar a caixa.
— Odeio quando bebe, Owen! E não vou transar com você assim. — disse brava, fazendo força tirando finalmente a caixa do porta malas.
— Isso está pesado, deixa que eu pego... — Tirou da mão dela.
Claire segurou uma lágrima que queria sair e caminhou com ele até dentro de casa.
— Prontinho, princesas...
Owen deixou a caixa no chão e voltou para fechar o porta malas. Acabou caindo da escada, de cara na terra. Claire ouviu o barulho e correu para ir ajudá-lo.
— Amor? Você está bem? — perguntou preocupada e segurou seu braço o ajudando a levantar.
Ele estava rindo.
— Eu tô sim, jurava que tinha um degrau ali. Quem tirou?
A ruiva revirou os olhos e o ajudou a caminhar. Ao entrar, agradeceu a Deus por as duas pequenas estarem distraídas brincando com as bonecas. Então não viram os dois passando e Owen todo sujo de terra. Ao chegarem no quarto, ela o levou até o banheiro.
— Tira a roupa, Owen. — começou a encher a banheira.
— Safadinha, vou tirar sim...
Desajeitado, Owen começou a fazer uma dancinha e começou a fazer um stripper na frente dela.
— Isso é ridículo... — riu e o fez entrar dentro da banheiro. — Sorte sua estar frio, ou ia tomar banho na água gelada...
— Não vai dar nem uma mamadinha aqui na minha tromba?
— Quando você estiver sóbrio, falamos disso... — pegou a esponja dele e esfregou em seu rosto, retirando a terra. Então começou a banha-lo de vagar.
Owen tentou se aproveitar da situação o tempo todo.
— Vem, tira logo essa roupa e senta aqui...
— Não. — continuou cuidando dele, igual ele fazia com ela. Quando terminou o secou e o fez vestir seu pijama, quando ele deitou ela o cobriu. — Vou trazer seu jantar...
— Eu não tô doente, Claire. Eu quero foder...
— Eu não quero.
— Vai querer.
— Olha, vou trazer a comida e depois conversamos...
*
Quando Claire desceu, Steve tinha chegado com a mulher, que mais parecia uma perua fora de moda. Estava sentada na sala de estar todo imponente. Claire os ignorou, não gostava nem um pouco dele e nem fingia simpatia. Pegou as duas crianças e as levou para a cozinha junto com a sogra.
— Não sabia que eles vinham... — sussurrou para Tereza.
— Vieram de surpresa. Vou apresentar por educação... Venha.
— Aí não... — resmungou igual uma criança. Mas a acompanhou.
— Chantal... essa é a Claire, esposa do Owen. Claire, Chantal... noiva do Steve.
— Owen? Só o vi pelas fotos... se for o bonitão que estou pensando. — Soltou, sem nem mesmo levantar pra cumprimentá-la.
Claire ficou séria na hora e nem sequer fez menção de cumprimenta-la também.
— Sim e é o meu marido!
Só então, a loira de feições esnobes parou para olhar a cunhada do futuro marido. Analisou a ruiva de cima a baixo, notou pelas roupas que ela não era uma qualquer. Imediatamente, uma simpatia incomum e forçada surgiu na mulher. Chantal levantou e abraçou Claire como se fossem amigas de muitos anos. Tereza olhou a cena com espanto.
— É um prazer imenso conhecer você, Claire!
Claire se afastou imediatamente, afinal, ela não era de muito afeto com estranhos. Ainda mais com aquela mulher, que não tinha gostado nem um pouco.
— É bom te conhecer. — forçou um sorriso e olhou para a sogra. — Preciso levar o jantar do Owen... a senhora pode dar o das meninas, por favor? — pediu gentilmente.
— Claro, meu amor. Leve a aspirina, ele vai precisar amanhã cedo.
Chantal estava de olho no colar de ouro branco no pescoço da Claire.
— NOSSA! Isso é ouro? Conheço de longe! Você parece ter um bom gosto!
Claire ficou um pouco assustada com o jeito dela.
— É sim. Eu preciso ir, depois conversamos. — tentou ser educada e saiu indo para a cozinha e fazendo uma bandeja com o jantar de Owen, logo apareceu no quarto. — Cheguei, está com fome?
Owen estava se masturbando quando ela chegou.
— Olha só quem chegou...
— Só pode ser brincadeira. — disse indignada. Colocando a bandeja ao lado dele na cama. — Não vou dormir com você hoje. Está agindo como um grande babaca!
— Você me deixou assim, babe.
Ao lado da cama, uma grande garrafa de cachaça com um laço de presente. O líquido estava pela metade. Sinal de que ele havia acabado de receber. De alguém. Os olhos de Claire ficaram marejados.
— Por que você bebe?
— Eu? Eu não bebi, amor.
Ela foi até a gaveta e pegou umas coisas dela.
— Vou dormir no quarto com as meninas. — Saiu batendo a porta.
Steven estava no corredor, deu de cara com a cunhada irritada.
— Ora, Ora, ora... se não é minha linda cunhadinha.
— O que você quer, Steve? — disse grossa.
— Só conversar. Tem um segundo?
— Fala logo! — bufou. — Apesar de não termos nada para conversar...
— Sabe que saí da cadeia tem pouco tempo e... estou com dificuldades. Você sabe... me socializar novamente. Você e seu irmão podiam arrumar um trabalho para mim no Jurassic World.
Claire começou a rir.
— Só pode estar brincando, né?
— Não estou brincando. — Rebateu, sério.
Ela suspirou recuperando o fôlego.
— Olha, Steve. Nós te conhecemos muito bem. Por que te daríamos um emprego?
— Por que sou irmão do seu marido. Cadê a consideração?
— Consideração? O que você já fez de bom para o meu marido, ou para a família de vocês? Acha que não sei que você da bebida para o Owen de propósito?
— Estou cuidando do meu irmãozinho, como sempre cuidei, Claire.
Steve deu um passo a frente, o olhar sombrio.
— Pois pode tirar seu cavalinho da chuva, que no nosso parque você não trabalha. E sinceramente, não quero você perto da gente. — disse firme.
— Está me julgando sem me conhecer?
Steve ficou tão próximo a cunhada, que bastava um milímetro para beijá-la. Tendo essa constatação, a ruiva deu um passo para trás.
— O pouco que conheço de você, eu já não gosto. — dito isso, ela se afastou e saiu rapidamente dali. Estava internamente tremendo, não gostava nem um pouco do cunhado. Assim que chegou na cozinha, foi tomar um copo de água.
Clarisse e Lisa passaram igual um furacão pela cozinha, brincando de pega pega. O rastro que deixaram, foram pegadas de barro misturadas com gelo. Não demorou muito para as duas escorregarem feio no quintal, Lisa caiu de boca no chão e Clarisse de cabeça. O escândalo foi feito, e Tereza correu para acudir as netas. Claire foi logo atrás, pegou a filha no colo enquanto Tereza pegou Lisa. Os pais de Lisa estavam ausentes, pediram para a avó ficar aquela noite com a pequena enquanto o casal teria uma noite só deles. Era uma forma dela manter amizade com a prima Clarisse.
— Calma meu amor... já passou. — murmurou para a filha.
O resultado do tombo: Um galo no meio da testa. Lisa só cortou o lábio superficialmente, mas nada grave. As duas estavam no colo, ganhando gelo e muito dengo da avó.
— Mamãe, não quero mais gelo... tá doendo. -Resmunga, já havia parado de chorar.
Claire tirou o gelo e deu um beijinho nela.
— Agora vou banhar vocês duas e vamos dormir...
— Banha só eu, mamãe! – Pediu, começando o ciúme.
— Não senhorita, vou banhar as duas. Sem ciúmes, filha.
— Não. Ela tem mamãe. — Cruzou os bracinhos contrariada.
— Mas a mamãe dela não está aqui e pediu para cuidarmos dela. Você também tem que ajudar a cuidar dela...
Clarisse fechou ainda mais a cara e fez um bicão. Com a ajuda da sogra, levaram as duas para o quarto onde elas ficavam. Claire foi encher a banheira e Tereza foi tirar a roupa das duas. Tentando fazer com que Clarisse parasse com o ciúmes da prima e que a sobrinha se sentisse bem, ela teve uma ideia.
— O que vocês acham de tomarem banho juntas na banheira? — perguntou animada.
— Quero, quero!
— Eu quero, titia!
Claire sorriu satisfeita e as levou para a banheira, dando alguns brinquedos para elas. Enquanto as duas se divertiam. A ruiva foi preparar as camas. Como era duas camas de solteiro, ela e Tereza juntaram as duas e forrou o meio fazendo parecer uma cama grande, para evitar ciúmes de sua filhotinha. Após muitas reclamações e protestos dos pedacinhos de gente, que fazia a ruiva rir. Finalmente conseguiu finalizar o banho, as secando e colocando o pijama em seguida as levando para o quarto.
— O que acharam? Vamos dormir juntinhas...
— Vai dormir com a gente, mamãe?
— Vou sim, filha... — foi colocar seu pijama e foi para a cama com as duas.
Tereza estranhou.
— E o Owen?
— Não quero ver ele hoje... — suspirou cansada. — Está daquele jeito. Prefiro ficar hoje aqui, com essas sapequinhas...
— Entendo. — Respondeu um pouco decepcionada e foi ver o filho.
Claire deitou no meio da cama, Clarisse deitou de um lado e Lisa do outro, deu um beijo nas duas.
— Boa noite, minhas princesas...
Claire não podia negar, estava amando cuidar da sobrinha também. Estava até se inspirando em ter logo outro filho. O quanto antes.
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