História After You - Terceira Temporada
6 Capítulo Dearing Manor
Notas iniciais
Claire corria desesperada gritando por ela, só de pensar na possibilidade de perder Clarisse, seu coração parava de bater. Não. Jamais aceitarei isso. Então correu na direção dos prédios da faculdade. E lá estava Clarisse, recolhendo mais folhas dos velhos carvalhos e colocando no bolso do casaco. Mais fora do que dentro. Mas com certeza, aquilo não tirava a diversão que ela sentia fazendo aquilo.
— CLARISSE... — Correu até a garotinha e não pensou duas vezes para pega-lá no colo abraçando bem forte e chorou de alívio. Então a colocou no chão e se ajoelhou para olhar bem para o seu rostinho. — Nunca mais, escuta bem a mamãe... nunca mais saia de perto de mim e do papai. Entendeu? — a repreendeu.
De olhos arregalados, a pequena a fitava assustada com a repreensão. Um biquinho de choro começou a se formar. Por sorte a maioria dos alunos tinham viajado para passar as festas de fim de ano em família. O campus estava praticamente vazio.
— Não, princesa. Não chora... a mamãe e o papai estavam desesperados te procurando. — a abraçou carinhosamente. — Nós te amamos muito. Nunca mais se afaste assim. Está bem? — disse mais calma.
— Sim, mamãe. — Disse obediente.
— Te amo. — disse mais uma vez. A pegou no colo e ligou para o marido, já indo até a árvore. — Achei ela, amor.
Owen já estava lá a espera das duas quando chegaram. As recebeu com um abraço bem apertado.
— Vamos embora.
— Vamos.
Foram até o carro e seguiram viagem, Claire parou para comerem e reabastecer o carro. Já estavam há horas na estrada e só estavam na metade do caminho. A ruiva estava começando a ficar cansada. Foi aí que Owen se ofereceu para dirigir enquanto ela descansava.
— Já é quase nove da noite. O que acha de irmos para um hotel?
— Eu dirijo amor, só deixar no GPS.
— Está bem, amor. — parou no acostamento e colocou o endereço no gps. Então trocaram de lugar. — Vamos ficar na estrada só até a meia noite, baby. Precisamos descansar em uma cama.
Clarisse estava adormecia em sua cadeirinha.
— Acho melhor as 10, nessa época do ano é difícil achar quarto de hotel. — Comentou de olho na estrada.
— Tem razão. Sabe... isso me lembra quando fomos a primeira vez para a sua mãe, qua tinha aquela cidade mal assombrada. — riu.
— Cidade mal assombrada, baby?
— Ah vai dizer que não lembra? Ficamos até hospedados uma vez lá...
— Não era assombrada, bebê. Era só antigo.
— Era assombrada sim. Nada me faz mudar de ideia.
Owen e Claire fizeram o check in discutindo sobre o suposto hotel assombrado, subiram para o quarto discutindo, tomaram banho discutindo e foram para cama discutindo.
— ... Eu vou achar no mapa e você vai ver só, como ele existe.
— Você não vai achar... ao menos sabe o nome daquele lugar?
— Ah... Era hotel... hotel... um hotel... o nome da cidade esqueci. — Puxou o travesseiro dela para ele.
— Hey, devolve meu travesseiro.
— Esse é muito alto para você. Toma esse...
— Alto para mim, Owen? Não, quero o meu.
— É grande, eu fico com ele!
— Nem pensar... — puxou de volta.
— Claire... — Tomou dela outra vez e abraçou o travesseiro.
— Owen! — bufou e jogou o outro travesseiro no chão, deitando sem nenhum.
Ele desferiu um tapa no traseiro dela.
— Você nem usa o travesseiro, dorme em cima de mim!
Ela não respondeu, então fechou os olhos. Owen puxou ela para deitar no peito dele.
— Se ficar fazendo birra, vai acordar com o pescoço doendo amanhã.
— Por culpa sua. — retrucou e se aconchegou nos braços dele. — Sabe o que a Karen teve a ousadia de me dizer? — riu.
— O que?
Ela pegou o celular e mostrou a mensagem da irmão. A que tinha recebido na noite anterior de madrugada.
“Cuidado para você e o Owen não quebrarem a cama. Não sei qual seria a reação da Tia Eleanor. ;D”
— Se a Clarisse ficar no nosso quarto, isso não vai acontecer. Mas seria um prazer quebrar o quarto todo.
— Acredito que ela não vá ficar com a gente... — encarou ele e sorriu. — Seria mesmo, um grande prazer...
— Se bem que não conheço ela, vai que sua tia é muito religiosa e nos expulse...
Claire riu e depositou um beijo em seu peitoral.
— Logo irá conhecê-la e toda família.
— Que horas vamos amanhã?
— Vamos sair às seis da manhã, assim chegaremos até a hora do almoço e antes da ceia... — brincou.
— Ah é, gordinha? — Owen fez cócegas na barriga dela.
— Acha mesmo que estou gorda? — o encarou preocupada.
— Não, baby. Foi um modo de dizer por que você citou o almoço e a ceia.
— Ah sim... — sorriu e apoiou a cabeça em seu peitoral. — Tem uma coisa faltando... não formalizamos nossa reconciliação.
— Formalizamos muito bem... — Mordeu o pescoço dela.
— Não amor... falta uma coisa...
— O que?
— Fazer amor...
— É o que? Não sei fazer isso.
Claire levantou e o encarou.
— Está bem... — foi para o banheiro.
Owen ficou esperando ela. Mas Claire não voltou. Ele levantou e bateu na porta.
— Ruiva?
Claire abriu a porta completamente nua.
— Pensei que não viria...
Owen quase engasgou com aquela visão espetacular na frente dele. Não perdeu tempo e entrou no banheiro, trancou a porta e colocou ela em cima da pia, a beijando todinha. Claire suspirou com seus toques e seus beijos. Seu corpo clamava por aquele homem. Apesar de só estar há dois dias sem transar, para ela era uma eternidade. Precisava muito dele. Então, suas mãos desceram até a barra de seu shorts a descendo e pode ver o delicioso pênis do marido.
— É todinho seu...
Ela sorriu e começou a massagea-lo.
— Você é todinho meu, Owen Grady. De corpo e alma... — murmurou e o puxou para mais perto de si. Segurando firme o membro do marido, o levou até sua intimidade e a penetrou, soltando um gemido de satisfação.
— Mas já é assim? Nem te dei uma bela chupada...
— Eu preciso de você dentro de mim, Owen... — arfou.
Owen segurou nos seus quadris sem muitas força e penetrou-a lentamente, testando a posição. Uma. Duas. Dez vezes.
— Não estou machucando?
— Não, meu amor... — gemeu em aprovação, prendeu com força suas pernas em volta da cintura dele, colando seus corpos. — Estava morrendo de saudade...
— Hmm... eu também, sabe?
Owen reparou que ela olhava-o profundamente, e seu olhar transmitia uma gratidão que ele não entendeu a princípio. Penetrou-a novamente, deitando o corpo em cima do dela na pia, deslizando as mãos pela sua barriga e seus seios no percurso, finalmente parando nos cabelos. Ele posicionou a boca em sua orelha, intensificando um pouco o movimento que seu pau fazia dentro dela. Para não gritar e acordar a filha no outro cômodo. Começou a beijar e morder o ombro de Owen em cada investida profunda que ele dava. Seus corpos se encaixavam perfeitamente e Claire já pode sentir que logo teria um orgasmo.
Owen estocou com força nela, e ela gemeu surpresa.
— Por que você é apertadinha assim? — Outra estocada. Outro gemido contido. — Aaah, porra Claire!
E ele sentiu seu corpo envolver e comprimir o membro em ondas cada vez mais rápidas, e pôde constatar que ela ia ter um orgasmo. Automaticamente, fitou seu rosto. Owen sabia que um orgasmo era o momento no qual seu corpo estava completamente entregue e sua alma em paz. Era muito fácil ver a essência de uma mulher na hora do clímax, porque naquele momento não haviam fingimentos ou precauções.
Ele queria vê-la.
E com a luz que inundava o banheiro pela janela, ele a viu.
Claire havia jogado seus braços acima de sua cabeça, repousados no mármore em um arco quase perfeito. Sua boca estava aberta, puxando todo o ar que podia para ajudá-la a lidar com a explosão que seu corpo estava sofrendo. Seus olhos fechados dançavam por trás das pálpebras, acompanhando o movimento que Owen fazia dentro de seu corpo. Duas ou três vezes, seus olhos abriram-se timidamente, apenas para voltarem a se fechar lenta e prazerosamente com a próxima estocada que viria.
Ela estava absurdamente linda.
Linda como Owen nunca havia percebido.
Não sabia se era efeito da luz perolada que a lua os oferecia, ou se era aquele perfume de baunilha que tinha algum poder sobrenatural sobre o loiro, mas o fato era que Claire Dearing, era uma visão de tirar o fôlego.
Até mesmo suas sardas não apagavam sua graça naquele momento. Ele já a havia sentido gozar antes, milhares de vezes, mas nunca tinha visto isso. Agora ele podia ver a cena que havia perdido, e, céus... Era linda!
Owen tentou acompanhá-la no clímax, e conseguiu. Jogou a cabeça para trás, deixando o corpo ser inundado pela inconsciência, alguns instantes depois de ouvir de sua boca um gemido final de prazer entre respirações ofegantes.
Então, tudo ficou em paz. Owen estava de pé, com a cabeça baixa, ainda dentro dela. E poderia ficar assim por um bom tempo, se suas pernas não começassem a ficar dormentes. Claire foi abrindo lentamente os olhos para fita-lo. E que visão era aquela. Seu corpo musculoso brilhava com o reflexo da luz em seu suor. Seu peito se movimentava rapidamente procurando o ar. Então, ela apoiou-se pelos cotovelos para vê-lo melhor.
— Está tudo bem? — sussurrou.
Com cuidado, Owen se retirou de dentro de Claire.
— Melhor impossível... — Falou baixo, enquanto tocava com a ponta do dedo, as sardas em sua maçã do rosto.
Ela sorriu e sentou se aproximando dele. Segurou a mão dele que estava em seu rosto e depositou um beijo.
— Você me faz tão feliz... — seu olhar era intenso.
— E você me faz muito mais. — Owen pegou o lenço umedecido e limpou ela primeiro. — Quer tomar banho?
Owen era tão gentil e atencioso, ela sabia que ele só era assim com ela. Que mais ninguém conhecia esse lado dele.
— Quero...
Então, ele deu banho nela primeiro, depois a enrolou na toalha colocando-a em cima da pia. Vestiu a camisola nela e lhe entregou a calcinha.
— Pode dormir sem, se quiser. Eu vou gostar bastante.
— Está bem... — sorriu e decidiu não vestir. O puxou pela mão o trazendo para perto dela. — Não quero que fique longe de mim... — disse toda boba, seus olhos tinham um brilho e sua bochechas estavam coradas.
— Está bem, coração. Vamos dormir bem juntinhos.
Owen levou Claire para a cama nos braços.
— Cheirinho de testosterona? — Disse exibido.
Ela riu e depositou um beijo.
— Cheirinho do amor da minha vida.
— Devia ter gravado como você ficou hoje... estava um espetáculo.
— Então eu só estava um espetáculo hoje?
— Não, é que hoje eu parei para notar os mínimos detalhes...
— Então só me notou hoje? Depois de 4 anos juntos...
— Sério que vai criar caso?
— Já que não quer responder...
Ela arqueou a sobrancelha e virou para o outro lado.
— Poxa Claire, você é difícil...
— E você não é? — retrucou.
— Eu faço uma declaração e você vira as costas pra mim.
Ela ficou uns minutos em silêncio pensando e virou para ele.
— Tem razão... me desculpa. Acho que estou nervosa por amanhã... e você é tão maravilhoso comigo. Não é justo. Perdão...
— Tudo bem. — Fechou os olhos, tentando não transparecer a tristeza que sentiu.
Claire se aproximou tocando carinhosamente seu rosto.
— Hey amor, por favor não fica assim. Me desculpa... eu te amo tanto. Eu sou uma idiota... — passou a ponta do nariz no dele. — Por favor...
Owen aproveitou para beijar aquele narizinho arrebitado.
— Eu disse que está tudo bem. Deita aqui e dorme comigo.
— Mas eu te conheço... — colocou a mão sobre seu peito esquerdo. — Sei o que se passa aqui dentro e nunca foi minha intenção te magoar... nunca faria algo para te magoar de propósito...
Como resposta, Owen pegou a mãozinha dela e levou aos lábios. Ela suspirou e deitou para dormir, se sentindo mal com aquilo.
— Te amo. — Murmurou rouco no pé do ouvido dela.
Ela sorriu e o abraçou, dormindo logo em seguida.
*
A manhã foi muito corrida quando Owen notou que estavam uma hora atrasados. Só deu tempo dos dois trocarem de roupa e entrarem no carro com Clarisse ainda de pijama. Durante o trajeto, pararam para tomar café em um drive thru. Claire pediu para o marido ir dirigindo, enquanto ia no banco de trás para arrumar a filha. Faltava apenas duas horas para chegarem na casa de Eleanor.
— Minha tia é irmã do meu pai... mas na verdade prefiro o marido dela, o tio Scott. Ele é bem legal, vocês vão se dar bem... — disparou. Estava a cada minuto mais tensa.
— Será que eles vão gostar de mim? Parece que estou indo ver meus sogros...
Imaginar isso fez Claire suspirar, teria sido incrível. Então o encarou por um segundo.
— É impossível não gostar de você, amor. — sorriu.
Owen sorriu todo idiota no volante. Clarisse estava impaciente na cadeirinha.
— Mamãe, não quero esse laço... quero o verde com bolinhas!
— Mas esse combina com a roupa que está usando filha. Depois colocamos o verde.
— Então coloca os dois, aí eu vou ficar bonitinha e a titia Lonor vai gostar de mim.
Claire virou para trás e segurou a mãozinha dela.
— Você é a menina mais maravilhosa desse mundo. E não será laços que vai mudar isso, tá bom?
— É verdade, filha. Você é perfeita de qualquer jeito.
Clarisse sorriu exibindo os dentinhos de leite toda meiga, abraçada na boneca da Ariel. Claire sorriu com a imagem da filha tão fofa. Logo pegaram uma grande avenida que dava para as mais afastadas da cidade. Depois entraram em uma rua, que ao final dava em um grande portão. As casas daquela região eram grandes e luxuosas. A da tia de Claire, não era diferente. Os portões foram abertos e seguiram parando em frente a casa.
— Chegamos.
Owen foi pego de surpresa, sempre brincou que Claire veio de berço de ouro mas não tinha comprovação nenhuma que sua teoria que era verdade. Até aquele momento. Estava boquiaberto. Literalmente.
— Sério? Não erramos de endereço?
— Não. — O encarou percebendo a expressão dele. — Amor, quero deixar claro que essa é a casa dos meus tios. Não tem nada haver comigo e com meus pais... — explicou. — Meu tio é rico, não minha tia...
— Seus pais não tem uma casa igual?
— Não... eu vou te levar lá. Vai ver que não tem nada haver... — segurou a mão dele. — Eu sempre te disse que minha origem era simples, eu não menti.
— Está bem, bebê. — A beijou e tirou Clarisse da cadeirinha que começou a correr em círculos pela grama.
Claire saiu do carro e respirou fundo. Quem apareceu para recepciona-los foi Karen.
— Finalmente... — brincou indo até eles e deu um forte abraço na irmã. — Que saudade...
— Também estava, mas ainda quero te matar... — A mais velha riu e foi falar com Owen.
— Cunhadinho... — o abraçou.
— Karen, quanto tempo... tem tempo que chegaram?
— Chegamos hoje pela manhã... A tia não parava de perguntar onde vocês estavam.
— Ótimo. — Claire resmungou.
— E onde está a minha sobrinha mais linda?
Clarisse pulou no colo da tia toda envergonhada. Mas isso era só no começo. Depois ela passava vergonha era nos pais com sua língua solta. Karen a abraçou forte e rodou com ela no colo.
— Você está tão grande e linda.
— Tia Claire... — Gray apareceu e correu para abraçar a ruiva.
— Meu Deus Gray, você está um rapaz já. — disse impressionada enquanto o abraçava.
Zach também apareceu e foi falar com Owen.
— Acho que tem alguém ficando velho... — o garoto brincou e foi abraçá-lo.
— Eu velho? Me respeita, garoto. — Owen deu um cascudo nele, seguido de um abraço. — Tá do meu tamanho esse moleque... cadê as namoradinhas?
Zach riu retribuindo o abraço.
— Só tenho uma namorada agora, tio. — disse meio sem jeito.
— Ele está apaixonado. — Karen disse rindo.
— Mãe!
— O que? É verdade...
Não demorou para Clarisse começar.
— Ele tá apaixonado, então ele beija na boca igual a mamãe e o papai?
— Clarisse! — Claire murmurou para a filha ficando corada na hora.
Logo um homem grisalho e simpático saiu e caminhou até eles.
— Olha só quem finalmente veio nos visitar...
— Tio Scott. — a ruiva foi abraçá-lo.
— Estava com saudade querida.
— Eu também. Quero te apresentar a minha família. — disse toda orgulhosa. — Esse é meu marido, Owen. E nossa filha, Clarisse.
Owen estendeu a mão e o cumprimentou todo cortês. Não queria fazer feio diante a família da esposa.
— Muito prazer, senhor Dearing.
— O prazer é todo meu. Você tirou a sorte grande Owen. Tem uma esposa incrível. — disse simpático. — Nossa, a filha de vocês é linda. Parabéns.
— Obrigado. Ela é linda assim por que puxou a mãe. Clarisse, venha falar com o seu tio...
— Oi titio, sou a Clarisse...
Não tinha como não se apaixonar por Clarisse, foi assim com Scott assim que a viu.
— Oi princesinha. Você se parece bastante com a sua mãe, quando ela tinha a sua idade, sabia?
— Quando a mamãe era criancinha? Agora ela tá velhinha, coitada.
Todos, com excessão de Claire caíram na gargalhada. Enquanto se recuperaram da pérola da pequena, entraram na mansão.
— E onde estão meus primos, tio? — Claire perguntou.
— Vão chegar no fim da tarde...
Dois empregados foram pegar as malas deles e levar aos devidos quartos. Então, Eleanor apareceu na sala para recepciona-los. Claire engoliu seco quando a viu, o clima ficou tenso por alguns segundos.
— Claire... como está? — a mais velha perguntou sem se aproximar.
— Muito bem, tia. Quero que conheça meu marido, Owen... nossa filha, Clarisse.
— Muito prazer conhecer a senhora. Vocês têm uma bela casa. — Owen tentou soar gentil.
— Muito obrigada, Owen. — respondeu educadamente e evitou olhar para Clarisse. — Estou surpresa, Claire. Não pensei que se casaria um dia.
O clima ficou ainda mais pesado. Zach e Gray sumiram dali. Quando Claire ia responder, Karen se meteu.
— Bom, acho que vocês querem ir para o quarto, descansar antes da ceia.
— Sim, sim... é uma boa idéia.
Clarisse já tinha dado um jeito de fugir para o cômodo do lado e se encantou com a coleção de porcelanas chinesas da tia Eleanor.
— Eu mostro o quarto para vocês. — Scott os acompanhou. Karen foi atrás da sobrinha.
— Gostou, princesa? São bonitas né?
— Sim, titia. Dá pra fazer comidinha de barro neles...
— Nem pense nisso, sapequinha. — Karen riu e ficou um tempo com ela.
O quarto que o casal iria ficar era enorme e rústico. Havia uma enorme lareira e de frente para cama a parede era na verdade, só vidro. O que permitia uma linda visão para o jardim. Scott os deixou lá e saiu os deixando a vontade. Claire estava calada, foi olhar a paisagem pela janela. Owen foi desfazer a mala e aproveitou para bisbilhotar o quarto.
— Uau... — Claire olhos para ele e apenas sorriu. O marido continuou: — Parece um palácio, podemos ter uma dessa?
— O que? — indagou supresa. — Você nunca se importou com essas coisas...
— Não posso sonhar?
— E seu sonho é ter uma casa assim?
Owen revirou os olhos e desconversou.
— Deixa pra lá.
— Amor, me conta. Estou surpresa, nunca disse nada... — se aproximou o abraçando por trás.
— Só estava brincando. Quando eu era menino e fiz aquela casa na árvore... imaginei que ela seria assim. Mas construí uma bem mais humilde em Nublar.
— Owen... — o fez ficar de frente para ela. — Você tem noção do quando a nossa casa é melhor que essa? Amor, você construiu cada cômodo. Ela é do jeitinho que queríamos. — Sorriu. — E se você quiser, sabe que pode ter uma dessa. — Disse toda carinhosa.
— Prefiro a nossa, ainda... — Beijou a testa dela. Owen estava um pouco receoso em perguntar da tia.
— Eu também. Onde você for, eu irei com você. Agora... por que está me olhando assim? — percebeu que ele queria falar algo.
— Nada não. É melhor deitar um pouco, vou fazer uma massagem em você.
— Quer saber sobre minha tia? — sentou na cama.
— Quero. — Owen revirou a mala que ela arrumou e tirou um vidro de creme massageador. — Tira a blusa...
— Não quero massagem agora... deita aqui comigo. — deitou passando a mão no espaço livre ao lado. — Vou te contar tudo...
Ele acabou cedendo e foi se deitar lá. Claire acariciou sua barba e o deu um selinho.
— Eu era muito apegada a minha tia quando criança, ela vivia lá em casa com meu tio e meus primos. Mas depois que meus pais faleceram, ela entrou em depressão. Lembra que te contei que eles faleceram quando estavam indo me visitar? — seus olhos ficaram marejados. — No dia do enterro, ela disse que eles morreram por minha culpa. Que era tudo minha culpa... brigamos feio e desde então não nos falamos mais.
— Isso é ridículo, como ela pôde te acusar disso? Ninguém tem poder de prever tragédias...
— Mas foi mesmo... — as lágrimas escorreram em seu rosto. — Se eu não fosse tão egoista, se eu tivesse ido visitar mais eles... isso não teria acontecido.
— Não, não foi culpa sua. A não ser que você tenha sabotado o avião, o que você não fez.
— Eu não vou aguentar esses dias. — começou a soluçar.
— Claro que vai, tenho certeza que ela se arrependeu do que te falou. E se não... o problema é dela. — Owen pegou uma manta que estava dobrada sobre a cama e a cobriu. — Vai ficar tudo bem, meu amor. Vai ver... — afastou os cabelos dela e a beijou na bochecha, sentindo o gosto salgado de suas lágrimas.
— Eu não sei o que seria de mim, sem você. — Sua voz saiu falha.
Karen bateu na porta e apareceu no quarto com Clarisse no colo.
— Chegamos.
Claire tratou de secar imediatamente o rosto para a filha não a ver daquele jeito.
— Aproveita bem sua sobrinha, por que é uma dádiva muito rara, cunhada.
— Ah eu sei bem... precisava ouvir as ideias dela do que fazer com a porcelanas da tia. — todos riram. — Me declaro oficialmente a babá dela, assim vocês podem aproveitar mais juntos e sei que a minha maninha, vai querer te mostrar muitas coisas..
— Obrigada. — a ruiva sorriu para a irmã. Ela a conhecia muito bem.
— Mostrar? É sempre muito bem vindo as coisas que a Claire tem para me mostrar, se é que me entende...
Karen arregalou os olhos e olhou para a irmã. Clarisse continuou com a mesma carinha angelical, totalmente alheia ao teor adulto da conversa. Claire riu e balançou a cabeça, o marido não tinha jeito. As duas sentaram na cama, junto com eles. Clarisse rapidamente, deitou no meio dos pais.
— E como você está Maninha? Não quero que fique mal com as coisas que a tia fala...
— Eu conversei com ela... só fiquei sabendo dessa história agora mesmo... — Alisou os cabelos da esposa, todo atencioso.
— Foi algo bem desagradável e ainda bem que você está aqui cunhado... pode me ajudar com essas dias?
— Karen...
— Calada. — a interrompeu. — Eu sei que nossa tia se arrependeu... aquilo foi passado.
— Foi muita maldade com a Claire, já não bastava perder os pais. Mas ela também deve ter sofrido do jeito dela e falou coisas sem pensar...
— Sim Owen. O que ela fez foi muito errado. Eu também não a via desde essa época. Foi difícil perdoar o que ela fez com a minha irmã caçula. — acariciou a mão de Claire, que estava com a cabeça baixa se segurando para não chorar e a filha ver. — Mas precisamos seguir em frente...
Owen a abraçou, aconchegando-a no peito.
— E vamos sim, todos vamos. Né baby?
Clarisse tinha descido na cama e ido mostrar para a boneca a paisagem da janela. Claire assentiu e o abraçou. Karen sorriu para eles.
— Eu vou descer. Nos vemos daqui a pouco... — dito isso a ela saiu do quarto.
Claire levantou o rosto para olhar o marido.
— Você é o melhor homem do mundo, sabia?
— Sou o mais roludo, Né?
— Com certeza. — riu e o beijou. — O que vocês acham de ir conhecer a casa? — Falou alto para Clarisse ouvir.
Em questão de segundos, Clarisse voou por cima da cama.
— SIM, SIM, EU QUERO!
— E você amor?
— Claro, vamos lá. — Levantou, puxando a esposa pela mão. — Cla, nada de mexer nas coisas, ouviu? Só pode ver com os olhos.
— Tá bom, papai. — Pulou no colo dele.
Então saíram do quarto, tinha um grande corredor com várias portas. Claire entrou na que ficava em frente ao quarto que eles estavam. Era um quarto de criança todo decorado, com duas camas e uma beliche.
— Esse é o quarto que você vai dormir, filha...
— Mas tem monstro aqui... — Reclamou.
— Que história é essa?
— O bicho, mamãe. Do desenho.
— Não tem bicho aqui, meu amor. Está contando essa história para poder dormir com a gente...
Imediatamente, Clarisse cruzou os bracinhos, contrariada. Claire riu e foi mostrar o quarto para ela com mais detalhes.
— A mamãe e a tia Karen dormiam aqui também, quando vínhamos para cá. E você vai dormir com seus priminhos...
— Quando você era criancinha, mamãe?
— Sim, meu amor. Não tem o porque ter medo, não vai ficar sozinha...
— Então faz muito, muito tempo.
Claire fez um expressão fingindo que ia chorar. Owen segurou o riso e Clarisse olhou para ela assustada.
— Você disse que sou velha. — resmungou e colocou as duas mãos no rosto.
Clarisse começou a chorar desesperada por ter magoado a mãe. Claire tirou a mão do rosto imediatamente e a pegou no colo.
— Hey meu amorzinho, não chora. A mamãe estava brincando. — beijou sua bochechinha. Ela continuou chorando a plenos pulmões. A mãe ficou abraçada com ela um bom tempo. — Quer ir conhecer a sala de brinquedos? — sussurrou acariciando seus cabelinhos ruivos.
— Não chora mamãe, por favor...
— Mas eu não estou chorando, princesa. Olha... — sorriu para ela.
Clarisse tocou o rosto da mãe com as mãozinhas enquanto soluçava inconsolável.
— Se você ficar chorando, a mamãe vai chorar. Porque não aguento te ver assim, minha princesa. — beijou a mãozinha dela e a encheu de beijos. — Te amo...
— É que fiquei triste... — Soluçou.
— Desculpa a mamãe?
— Sim...
Claire a pegou no colo e continuou mostrando a casa, na parte de cima eram os quartos. Depois foram para a parte de baixo. Sala de jogos, sala de brinquedos que Clarisse ficou empolgada para usar. A grande cozinha e a sala de estar, onde tinha um bar.
— Acho que vai gostar dessa parte. — sorriu para o marido.
— E acho que você não vai gostar de me ver aqui.
Owen já estava bisbilhotando a qualidade e marca das bebidas. Ela riu concordando, Clarisse estava quietinha em seu colo, visivelmente com sono. Até que o Scott apareceu.
— Olha se não é uma família muito linda.
— Tio... — Claire sorriu para ele e o mais velho se aproximou de Owen.
— Que bebida você gosta? Sei fazer maravilhosos coquetéis. — se gabou tentando fazer amizade com o loiro.
— Ah, eu gosto mais das tradicionais. Tequila, whisky... geralmente das mais baratas... — Tentou soar engraçado, mas depois ficou envergonhado.
— Eu também... — o mais velho riu. — Vou ter companhia para beber mais tarde. Ele pode sobrinha?
— Claro. — Claire sorriu para os dois. Era muito bom ver os dois juntos.
— Ela fala isso agora, mas vai brigar comigo depois.
A ruiva riu alto e Scott também.
— Vida de casado é assim, Owen. Nunca vamos entender as mulheres.
— Na verdade somos fáceis de entender, vocês que são insensíveis. — ela disse com um tom de brincadeira.
— Eu comprei um livro na internet, se chama: Manual de com o entender as mulheres. Vai por mim, me ajudou muito, Owen.
— É mesmo? Acho que nem com manual eu vou entender a Claire.
O mais velho riu outra vez e tirou um vinho da adega. Serviu duas taças.
— Sobrinha, vai aceitar o brinde?
Clarisse já tinha dormido no ombro da mãe. Ela pareceu pensar e assentiu.
— Sim, vou por a Cla no nosso quarto e já volto. — saiu subindo a grande escadaria.
Os dois homens começaram a conversar, afinal precisavam se conhecer melhor.
— Então Owen, morar em Nublar... como é?
— Tirando o calor infernal, é o melhor lugar do mundo para mim. — Respondeu quase automático enquanto olhava o líquido de tom avermelhado na taça.
— Me lembro de que fomos lá quando a Claire começou a estagiar. Faz muitos anos.
— De lá pra cá mudou muita coisa, vocês tem que ir visitar para verem as mudanças.
— Em breve, Owen... E a Clarisse, não pediu um irmão ainda?
— Ah, sobre mais uma criança... estamos tentando. Se é que me entende...
— Isso é muito bom. Digamos que tentar é a melhor parte. — brincou, até que Claire aparece e ficou de frente para eles do outro lado da bancada.
— É muito bom ver vocês dois juntos. — sorriu.
— Seu marido está aprovado, sobrinha. Já até nos convidou para ir para Nublar.
Claire olhou para o marido e sorriu.
— Fico feliz tio. Ele é o melhor marido. — piscou para ele.
Owen retribuiu a piscada.
— E como era a pequena Claire Dearing?
A ruiva o encarou com os olhos cerrados e o tio suspirou com a lembrança.
— Como eu disse mais cedo, sua filha lembra muito Claire fisicamente. Era uma menina doce e inteligente. Aí foi crescendo e logo se tornou independente... e nunca foi muito de sentimentalismos. — riu.
— Tio... — deu um grande gole no vinho.
— Pelo menos antes de me conhecer, é o maior dengo dentro de casa. — Disse, embora soubesse que poderia ganhar uma surra da esposa.
Ela o encarou fazendo cara de brava e Scott riu.
— Então tio... E os meninos? — mudou de assunto.
— Eles vão chegar mais tarde...
— Está muito cedo para beber. — Eleanor disse se aproximando deles.
— É só uma taça, querida. — Scott respondeu todo atencioso.
— Não vamos exceder mais do que isso.
— Talvez a noite, né Owen...
Os dois trocaram sorrisos cúmplices. Era o começo de uma grande amizade. Claire olhou para Eleanor e a mais velha fez o mesmo. A ruiva deu um sorriso de canto e a mais velha retribuiu. No fundo, aquilo a deixou muito feliz.
— Vocês não querem comer algo? — Eleanor ofereceu gentilmente.
— Você quer, amor? — perguntou para o marido.
— Não, obrigado. A bebida está ótima...
— Que bom que gostou. — Eleanor sorriu para o loiro.
— Precisa de ajuda com a ceia, tia? — ofereceu gentilmente.
— Oh não, já está quase tudo pronto.
— Então é melhor irmos se arrumar, Owen... — deu o último gole de sua taça.
— O que? Eu só vou vestir uma camisa.
E ruiva o encarou seria, Scott riu e Eleanor encarou o loiro.
— Vamos, Owen! Precisamos acordar a Clarisse...
Ele se rendeu e foi junto com ela.
— Achei que ia me bater na frente dos seus tios...
— Foi por pouco.
Assim que chegaram no quarto, tinha uma bandeja cheia de petiscos e uma jarra de suco. Clarisse ainda dormia na cama deles.
— A Karen não existe mesmo. — sorriu.
Owen comeu igual um mendigo faminto.
— Que mini sanduíche é esse? Bonzão. — Disse de boca cheia.
— Atum com queijo branco. Está gostoso mesmo. — comeu dois e foi chamar Clarisse. — Hey sonequinha... acorda. — Passou a mão em seus cabelos.
— Não! — Virou a bundinha para cima.
— Vamos comer. — deu um tapa de leve no bumbum.
Clarisse sentou na cama na hora.
— Comer?
Claire soltou uma gargalhada.
— Como pode ser tão igual seu pai?
Como resposta, ela desceu da cama e foi comer com o pai. Encheu a boca igual ele. Claire arregalou os olhos com aquilo.
— Clarisse Dearing Grady! O que já falamos sobre encher a boca na hora que estiver comendo?
— Mas o papai tá comendo assim...
— Mas ele está comendo errado. Não é, Owen? — disse séria. O loiro engasgou.
— Oi? Que? É... É... Sim. Eu tô errado...
A ruiva respirou fundo e foi separar as roupas que eles usariam aquela noite.
— Meus primos devem chegar daqui a pouco... — comentou.
— Eu vou com essa roupa, amor. — Avisou olhando o bumbum dela.
— Não vai mesmo, Owen! Meu marido não vai passar o natal com a roupa que viajou por horas.
— Nem sujei ela...
— Vai agora tomar banho, Grady... já separei sua roupa.
— Qual é? Eu visto agora.
— Eu só tenho UMA FILHA. Não dois, então vai agora tomar banho! — bufou.
Owen foi sem falar mais nada. Claire deixou a roupa dele no banheiro para ele se vestir. Calça jeans escura e camisa preta.
Mas ele nem viu as roupas. Depois de limpo, perfumado vestiu a roupa da viagem. E penteou a barba com o pente da esposa. Claire entrou no banheiro para encher a banheira. E ele estava enrolado na toalha.
— Gostou da roupa que eu escolhi?
— Que roupa?
Ela apontou para a roupa pendurada no gancho atrás da porta. Owen assentiu e ficou enrolando no espelho para ver ela tomando banho.Claire tomou banho demoradamente, esfregando o corpo para provoca- ló. Enquanto isso, Clarisse que tinha ficado vendo TV fugiu do quarto. Aquilo fez o marido demorar mais de meia hora escovando os dentes e demorou mais um tempão para vestir a roupa. A ruiva estava adorando ver a expressão de desejo estampada no rosto de seu marido.
Enquanto isso, Clarisse apareceu em frente à coleção de porcelana de Eleanor toda descabelada, como tinha acordado. Realmente a pequena havia adorado as louças.
Até que ouviu uma voz diferente.
— Gostou?
A garotinha olhou para a dona daquela voz um pouco tímida. Era Eleanor.
— Sim...
— Eu ganhei de presente de casamento do meu marido.
Clarisse continuou encarar a mulher envergonhada, percebendo o jeitinho da criança a mais velha se aproximou e se abaixou ficando na altura dela. Foi quando finalmente a olhou de verdade e viu como era linda a filha de sua sobrinha. Além de ficar impressionada como se parecia com Claire.
— Você é linda sabia? Parece muito com sua mamãe quando tinha sua idade. Quando anos você tem?
— Quase três, titia...
Ao ser chamada daquela forma, a mulher ficou surpresa e um pouco sem jeito. Era como se ela estivesse revivendo o passado com Claire. Então sorriu, não podendo evitar ficar emocionada.
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