História After You - Terceira Temporada
8 Capítulo 8 - Family memories
Notas iniciais
Os olhos de Owen Grady estavam fixos na pequena residência em sua frente. Era totalmente diferente do que ele achava que seria. Imaginou por diversas vezes, uma mansão duas vezes maior do que a do seu tio Scott. Estava enganado. Era simples, ao mesmo tempo aconchegante e convidativa. Na frente, uma varanda com duas cadeiras de balanço e um belo jardim na entrada.
— Olha mamãe! Uma chané!
Clarisse estava aprendendo muitas palavras novas naqueles dias, mesmo que a maioria saísse um pouco errado era muito fofo vê-la tentando falar.
— Chaminé, princesa. Vamos descer? – Owen disse notando a esposa, que mantinha os olhos fixos na casa.
— E-eu não sei se consigo... — Murmurou.
Owen liberou Clarisse da cadeirinha e foi tirar Claire do carro.
— Vem amor, quero que me apresente tudo.
Claire olhou para o marido e segurou-lhe a mão, saindo do carro. Respirou fundo e começou a caminhar com os três. Pegou a chave que Eleanor havia lhe dado e abriu a porta. Ela sentiu um enorme arrepio percorrer seu corpo. A casa estava igual da última vez que esteve lá, até mesmo o cheiro de “lar” estava impregnado nas paredes. Podiam ver a sala de estar, com a lareira, sofás e mesinha de centro, em um canto, um móvel com várias fotos de família. Era nítido que para aquele lugar a deixou muito emocionada. Owen ficou perto dela o tempo todo, a distraindo.
— Uau, adorei aquele sofá... Dá pra passar altas noites assistindo UFC e tomando uma cerveja...
Claire riu e caminhou até onde estavam as fotos, pegou um porta retrato. Nele estavam seus pais, Karen e ela bem novinhas.
— Nossa...
Owen encarou a foto, abismado ao constatar que estava vendo a própria filha na foto.
— Meu Deus...
— O que foi? — olhou para ele.
— Você parecia muito a Clarisse, amor.
Claire sorriu e olhou para a filha que olhava curiosa para as coisas da casa.
— Sim.
Então seguiram para os outros cômodos, até chegar em seu velho quarto. Rosa e branco, parecia de uma menina bem meiga, quem o visse não imaginaria que era de Claire. Clarisse subiu na cama e começou a pular, revirar tudo achando alguns brinquedos antigos.
— OLHA MAMÃE, OLHA! UM CACHORRINHO...
— Está cheio de poeira, filha. Deixa aí... – Owen disse.
Claire riu e a pegou no colo.
— Ouviu o papai... está tudo cheio de poeira. Você gostou dos meus antigos brinquedos? – sentou-se com cuidado na cama com ela.
— É tudo seu, mamãe?
— Sim, princesa. Podemos levar...
Clarisse desceu do colo da mãe e comecou a juntar tudo o que queria. Owen ficou bisbilhotando as gavetas e as fotografias.
— Não sei se fico contente ou triste pela minha filha ser idêntica a mãe.
Claire se aproximou e o abraçou por trás.
— Se não ficar contente, vou me sentir mal...
— Vou me sentir mal quando ela chegar em casa na garupa de uma moto com um cara...
— Não vamos pensar nisso agora tá? O que achou da minha casa?
— Bem aconchegante para uma família de quatro pessoas. — Beijou a mão dela.
— Queria tanto ter te trazido aqui antes... ou se tivesse uma possibilidade de ter conhecido meus pais... — acariciou sua bochecha.
— Eu teria adorado. Mas o que importa agora, é que estamos juntos.
— Com certeza. — sorriu e pegou um álbum em sua gaveta. — Quero levar algumas coisas, amor... mas antes, eu queria muito limpar e organizar toda a casa...
— É melhor pagar alguem para fazer isso, é muita coisa amor.
— Não, eu mesma quero fazer isso... olha, pega a Cla e vão para casa. Mais tarde quando acabar, te ligo para vir me buscar...
— O que? Não. Nao vou te deixar sozinha.
— Amor, eu morei por 17 anos aqui. Fica tranquilo.
— Não posso te ajudar?
— Quer me ajudar? — sorriu.
— Claro que quero. Sou seu companheiro. Por onde começamos?
Ela se aproximou e o deu um selinho.
— Você é maravilhoso... podemos começar por aqui. Enquanto um limpa o chão o outro tira a poeira das coisas e os dois ficam de olho na Cla. Vou buscar as coisas para limpar... — saiu do quarto e foi até a lavanderia no andar de baixo.
*
Owen e Claire tinham terminado de organizar tudo por volta das sete da noite. Quando acabaram, tomaram um banho e o marido preparou macarrão com queijo para jantarem. Clarisse brincava no tapete da sala e Claire aproveitou para ir abraçar o marido.
— Sabia que meu pai também adorava cozinhar?
— É mesmo? Gostaria muito de ter trocado receitas com ele. Quem saiba ele tenha me ensinado algum tempero secreto dos Dearing. — Owen limpou o canto da boca dela com o dedão.
A ruiva sorriu ao ouvir aquilo e foi até o armário, achando dentro de uma das gavetas o que procurava. Um caderno antigo.
— Bom... acho que vai ter algumas... — entregou para ele. — Meu pai e minha mãe anotavam todas as receitas nele.
Owen pegou o caderno velho e abriu quase meticulosamente.
— Posso ficar com ele?
— Mas é claro, meu amor...
— Mamãe, papai... to com fome. — a pequena apareceu na cozinha, com o cachorrinho de pelúcia nos braços.
Owen colocou o macarrão em um pratinho rosa que tinha achado e colocou na mesa.
— Senta aqui pra comer, papai.
A pequena foi e se sentou, a mãe sentou ao seu lado após se servir.
— Está uma delícia amor, como sempre...
— Obrigado ruivinha.
— Olha mamãe, tem uma letra C de Clarisse no meu prato...
— Nossa, tem mesmo filha... — Acariciou sua bochecha.
— Era C de Claire, filha. O nome da mamãe. Era a tigela da mamãe quando pequena.
— Sim... — suspirou. A cada coisa ou lugar daquela casa, várias lembranças vinham nos pensamentos da ruiva.
— Quer passar a noite aqui, amor? — Questionou enquanto colocava uma pequena porção no prato dela.
— Podemos mesmo? — sorriu.
— Se quiser, ficamos.
Claire foi rapidamente sentar em seu colo.
— Muito obrigada, amor... eu quero muito. Vou lá em cima arrumar as camas. Quer dormir no meu quarto, filha?
— Sim, mamãe... — Clarisse limpou a boquinha suja no vestido.
— Meu amor, mamãe já disse para limpar a boquinha no guardanapo.
Quando finalizaram o jantar, Claire levou Clarisse para o quarto. Colocou seu pijama e a cobriu, entregando o ursinho para ela.
— Boa noite, meu amor... — a deu um beijo na testa.
— A gente vai morar aqui, mamãe?
— Não, princesa... vamos embora amanhã de manhã. Agora é hora de dormir...
— A vovó gosta daquela cadeira lá de fora, não é mamãe?
A ruiva arqueou as sobrancelhas.
— Como sabe, filha?
— Eu sei. — Enrolou os dedinhos curtos nos cachos da mãe.
Ela deitou ao lado da dela e a abraçou.
— Sonhou de novo com a vovó?
— Talvez... — Disse de olhinhos bem abertos. — Por que você tá triste, mamãe?
— Eu não estou triste, princesa. Pelo contrário. Estar aqui com você e o papai é muito importante para mim... não quer me contar o sonho?
— Não posso, mamãe.
— E por que?
— Ela acabou de dizer pra eu não te contar.
— O que? — olhou em volta. — Ela está aqui?
Clarisse fechou os olhos. Na mesma hora a janela abriu e um vento frio soprou nas cortinas cor de rosa. Claire levantou e foi até a janela para fechá-la, então sentiu o perfume de sua mãe. Ela parou por um momento, apesar de toda aquela situação ser muito estranha, ela se sentiu feliz.
— Mamãe... — sussurrou com um sorriso e os olhos úmidos.
Owen apareceu na porta de cueca e cabelo todo bagunçado, quebrando a magia do momento.
— Claire? Não tem nenhuma cueca limpa naquela mala.
Claire revirou os olhos.
— Se vira, Owen! — foi até a filha e deu um beijinho na testa dela, que já estava adormecida e saiu do quarto dando as costas para ele.
— Já está mal humorada?
Ela foi para o quarto dos pais onde iam dormir e deitou na cama, abraçando o travesseiro. Por outro lado, o marido estava pensando que iriam dormir no quarto de hóspedes. Voltou pra lá e revirou a mochila toda. O tempo foi passando e ele pode perceber que Claire não ia para lá.
— Claire? — Foi atrás dela, a encontrando jogada na cama. Puxou o pé dela. — Acorda...
— Que foi? — resmungou.
— Não vamos dormir no quarto dos seus pais, eu quero transar.
— Eu não quero!
— Dormir aqui ou transar comigo? — Owen escalou o corpo dela na cama, sorrindo todo sem vergonha.
— Não quero transar, Owen... — disse séria. Depois do que aconteceu no quarto com a filha, estava muito abalada e não pretendia contar para o marido, já que ele não acreditava nessas coisas.
— Está menstruada, é? Desde quando você recusa um pau?
Ela o empurrou de cima de si e virou para o lado.
— Será falta de dengo? — Abraça ela por trás. — Que foi, meu amor?
— Prefiro não falar, você não vai acreditar mesmo...
— Fala para o seu maridão.
— A Cla sonhou ou viu com a minha mãe de novo... e eu posso jurar que senti ela no quarto com nós duas...
— Hm... mesmo?
— Sim. Mas não precisa fingir que acredita...
— Eu não disse nada...
— Nem precisa, eu te conheço.
Owen beijou o ombro descoberto e parou no pescoço.
— Sabe... eu fico feliz em saber que minha mãe está cuidando da nossa filha... — disse baixinho.
— Quem saiba ela é o anjo da guarda da Cla?
— Sim... — virou para o marido. — Eu queria tanto ver ela também...
— Não ia ficar com medo?
— Claro que não...Eu poderia me despedir dela... se você visse seu pai, ficaria com medo?
Owen pensou um pouco naquela pergunta absurda.
— Eu não vou ver ele.
— Mas se você pudesse vê-lo mais uma vez, não iria querer?
— Acho que não. Ele tá morto, Claire.
Ela arqueou a sobrancelha.
— Você é muito cético, Owen. Por que é assim?
— Podia respeitar meu pensamento como eu respeito os seus. Você acredita, ótimo. Eu não acredito ótimo. Não precisa me criticar, eu não debochei de você em nenhum momento! Se eu não acredito, tenho meus motivos pessoais.
Claire ficou sem saber o que dizer com aquela reação dele.
— “Motivos pessoais”? Pensei que não existisse segredos em nós... e não estou te criticando.
— Não estou falando de segredos.
— Okay... — balançou a cabeça e virou para o lado. — Boa noite.
— Poxa... Olha... vou dormir no quarto do lado. Nao quero desrespeitar sua família... — Levantou.
— Como achar melhor, Owen... — suspirou. Claro que não queria que ele fosse, mas não insistiria para ele ficar. Naquele momento, sentiu que não o conhecia como pensava. Que ele guardava sentimentos que preferia não dizer para ela, o que a chateou. — Eu não devia ter contado o que aconteceu, agora pouco... — Virou para ele. — Mesmo depois de tudo o que passamos, tanto tempo juntos... sinto que tem coisas que não quer me dizer...
— O que? Por que isso agora? Eu só disse que não acredito em fantasmas!
— Você disse que tem seus “motivos pessoais”... Quais são?
— Não acredito Claire, eu nunca vi nada!
— Está bem... então, boa noite... — ficou olhando para ele.
— Sabe que não aguento quando me olha desse jeito.
— Por que?
— Você sabe. E não quero dormir sem você.
— Foi você que disse que ia dormir no outro quarto...
— Mas você vem junto comigo.
Owen estendeu o braço pra ela. Ela suspirou e segurou em seu braço.
— Eu não posso dormir sem você...
Owen a puxou e pegou Claire nos braços, indo para o quarto ao lado. Colocou o corpo dela no centro da cama e deitou no canto.
— Vai brigar pelo canto da parede?
— Não vou... — riu e o abraçou, aspirando seu delicioso aroma, fechando os olhos em seguida.
— Não quer mesmo transar?
Ela abriu seus belos olhos verdes esmeraldas, olhando diretamente nos dele.
— Pensei que não quisesse mais...
— Você me negou...
— Shiu... — colocou o dedo indicador em seus lábios. Aproximou seu rosto do dele selando seus lábios.
Aquele beijo era perfeito. Absolutamente perfeito. Não importava quantas vezes Owen havia sonhado com aquele momento ou o quão estimulante ele achava que ela poderia ser, nada do que imaginava era minimamente comparável àquilo. Conforme sentia seus lábios nos dela e ao encaixe que sua língua fazia, mais entregue e rendida Claire se sentia, como se sua vida dependesse do não rompimento daquela conexão. Era como se tudo pelo que tivesse passado tivesse sido esquecido, e então nada mais era suficientemente importante, porque ele — Owen — estava ali. Por algum tempo, tudo no que ela conseguia se concentrar era naquele beijo e nada do que estava fora dele era digno de sua atenção. Por isso, foi pega de surpresa ao sentir subitamente uma de suas mãos prender-lhe os pulsos acima da cabeça, enquanto a outra mão deslizava de forma provocante pela barriga, sob o tecido da camisola. Owen cessou o beijo, levando sua boca até o pescoço e depositando beijos molhados ali. Claire fez força para soltar os pulsos do aperto do marido, mas obviamente fracassou. Estava a ponto de gritar para que ele voltasse a beijá-la, mas não foi preciso, porque no mesmo momento ele já satisfazia o desejo, voltando a deslizar sua língua na dela enquanto subia sua mão da barriga para um dos seus deliciosos seios. O beijo ficou ainda mais intenso, e Owen começava a sentir falta de ar, mas não importava. Oxigênio não devia ser tão importante, e o prazer de respirar não devia compensar a decepção de senti-la se afastar dele outra vez. Ele finalmente soltou-lhe os pulsos e então a ruiva pôde mexer novamente as mãos livremente. De alguma forma que Owen saberia dizer, em pouco tempo já havia conseguido se livrar do resto de suas roupas. Foram necessários alguns segundos para que Claire se desse conta disso, e no momento seguinte já havia se atirado no colo do marido e se agarrado em seu pescoço como um afogado se agarra à bóia. A ruiva estava simplesmente rendida e tinha total convicção disso. Sabia muito bem que nenhum surto de razão que pudesse lhe tomar, seria capaz de fazê-la parar agora, porque tudo que ela mais queria na vida estava acontecendo. Owen lhe tinha nas mãos, e Claire sabia que isso só acontecia porque era fraca e vulnerável, e porque estava excepcionalmente sensível e apaixonada, mas naquele momento nada, absolutamente nada além dele importava. Claire agarrou-se em seus seus cabelos novamente com desespero, envolvendo-se nele com tanta força que seus músculos começavam a doer. Sentiu-o puxá-la para cima a camisola que ela vestia, e mesmo desejando profundamente que as línguas não tivessem que se separar outra vez, permitiu que ele passasse o tecido pela sua cabeça. A grande mão migrou para a nuca dela outra vez, e Claire esperou de olhos fechados pela sua boca, enquanto sua respiração ofegante se chocava contra a pele do rosto do marido. Como estava demorando mais do que ela desejava, abriu os olhos esmeraldas e os encontrou a centímetros de si outra vez. Como se estivesse apenas esperando para que Claire fizesse isso, finalmente ele se inclinou para frente e, fitando intensamente seus olhos, com a intenção de prender-lhe o olhar no seu, a beijou rápido, mas furiosamente. Uma vez. Duas vezes. Repetidas vezes, entorpecendo-a lentamente e fazendo-a sentir a intensidade em cada beijo, em cada toque, em cada lampejo de seu olhar. Quando as respirações tornaram-se ofegantes a ponto de nenhum dos dois conseguir mais adiar, Claire foi surpreendida novamente por outro beijo invasivo. Entre um beijo e outro, imediatamente sentiu suas mãos a levantando com facilidade e posicionando-a em seu colo. Sem esperar mais, Owen segurou o pênis firme com uma mão e o posicionou diretamente na entrada dela. Sentindo o que tanto almejava no seu ponto mais sensível, murmurou olhando em seus olhos.
— Owen... — arfou sem conseguir dizer mais nada.
Então, sem quebrar o contato Claire assumiu o que Owen fazia. Segurou o pênis dele, fazendo leves movimentos de vai e vem. Porque para eles, quando faziam amor só o que importava era um ao outro, dar e sentir o maior prazer possível. Owen já estava tão ereto, tão pronto para preenchê-la. Assim como ela estava molhada o suficiente. Mas isso não era novidade, já que apenas com troca de olhares ambos já ficavam excitados. Guiou lentamente o membro até sua entrada, a penetrando sem mais delongas. Quase instantaneamente, ele se moveu de forma brusca para frente, deslizando de uma só vez para dentro dela enquanto ainda beijava-a. A partir daí, concentrou-se nos movimentos ritmados e sincronizados que seus quadris e sua língua agora faziam dentro dela. Ambos se moviam da mesma forma, era tudo muito erótico. Claire soltou um gemido manhoso entre seus lábios e aproveitou para sugar o lábio inferior do marido.
— O melhor gosto do mundo... — sussurrou segurou o lábio dele entre os dentes de um jeito sensual.
— Eu acho que quem tem o melhor gosto do mundo é você mesma...
Owen e Claire só deram uma trégua na sessão de sexo selvagem, quando já estava quase amanhecendo. Ele amanheceu com a perna direita dormente e a estranha sensação de ter desrespeitado a casa dos falecidos sogros. Com esses infortúnios pensamentos, foi tomar banho antes que Clarisse acordasse e resolvesse fazer uma visita surpresa na cama deles. Claire acordou minutos depois, se sentindo mal por ter acordada sozinha na cama. Levantou e se enrolou nos lençóis, indo escovar os dentes e ignorando a presença de Owen.
— Bom dia pra você também... — Murmurou do chuveiro.
— Podia ter me acordado, sabe que não gosto de acordar sozinha na cama. — resmungou.
— Não achei que ia acordar enquanto eu estivesse no banho.
Owen saiu do chaveiro e beijou a cabeça dela. Que logo se afastou e entrou debaixo do chuveiro, começando seu banho.
— Poxa vida, você já acorda de mau humor! — Reclama enquanto pega e escova dela e passa a pasta de dentes.
— Eu só fiquei chateada de ter acordado sozinha... — disse enquanto se ensaboava.
— Como se eu tivesse arrumado as malas e te abandonado. Continue fazendo tempestade em copo de água. — Owen escovou com a escova dela e saiu do banheiro.
Alguns minutos depois, ela apareceu no quarto enrolada na toalha.
— Não precisa ficar assim também...
— Assim como?
— Bravo...
— Você que começ...
— MAMÃE, PAPAI!
Pezinhos barulhentos foram ouvidos correndo pelo piso de madeira antigo. Clarisse apareceu em seu pijama verde listrado amarrotado, cabelos desgrenhados e uma boneca pendurada pelo braço, em uma das mãos.
— Mamãe, eu fiz xixi na cama...
— É mesmo, filha? — a pegou no colo, dando vários beijos em sua bochecha. — Bom dia...
— Bom dia, mãezinha... Deitou a cabecinha no ombro da mãe, quando recebeu um beijo do pai.
— Passarinho do papai. Dormiu bem?
— Aham...
— A cama da mamãe tava macia?
— Uhum...
Claire sorriu e a levou para o banheiro, a deu um banho quentinho e a agasalhou bem com várias roupas.
— Precisamos ir, tem um lugar aqui perto que podemos tomar café...
— Mamãe, café é ruim. — Fez careta.
— Foi modo de falar, princesa. Para você, vai ser um suquinho. Precisamos ir...
Depois de pronto, Owen levou as duas para o local que Claire indicara. Era bem aconchegante e simples, sem falar na comida que era ótima. Pelo menos, para o gosto de Owen, que devorava a 6° panqueca caramelizada.
— Se não comer seus waffles, papai come, Clarisse.
— Nanão, eu vou comer sim!
— Estou vendo...
Claire riu com o jeito dos dois e a filha afastando o prato do pai. Ela aproveitou e colocou a mão sobre a dele.
— Me desculpe por hoje mais cedo...
Owen respondeu com um sorriso torto, mostrando que estava tudo bem. Ela sorriu de volta e voltou a comer.
— Estava pensando em amanhã, passearmos pela cidade. O que acham?
— O que tem para nos mostrar? Estamos dentro.
Owen ergueu Clarisse no alto, a colocando sentada no ombro dele.
— Olha mamãe, eu sou grande!
— É sim, princesa... — sorriu para a filha. — Então amor... tem alguns lugares legais...
Terminaram de comer e foram para o carro, voltando para a casa de Eleanor.
— Hoje temos algo pra fazer?
— Hoje vamos ficar com a família... se não, a Tia Eleanor vai reclamar de não termos ficado com ela. — riu.
— Está bem.
Quando chegaram, Owen foi atender umas ligações em um canto. Clarisse aproveitou para fugir para o quintal e cavar um buraco na terra com um graveto. Assim que Claire entrou na casa, Karen começou a interrogá-la.
— Onde vocês estavam? — Karen indagou.
— Fomos na casa dos nossos pais, acabamos dormindo lá.
— Podia ter me avisado, fiquei preocupada. Você nem sequer atentei o celular. — Claire revirou os olhos.
— Que exagero. Não tem o porque de se preocupar!
— Ah claro, isso porque não foi você que ficou aqui. Nossa tia me infernizou perguntando de vocês.
— Okay, já estamos aqui. — revirou os olhos.
Uma das empregadas chegou com uma bandeja com café e as duas ficaram um bom tempo conversando, Claire contava sobre a casa e a missão de deixar tudo limpinho.
— Mamãe! — Clarisse chegou com a boca preta de terra dentro de casa, a mãozinha cheia de pinhas das árvores. — Olha!
— Nossa mana, você tem uma garotinha exploradora... — Karen recebeu um doce sorriso da sobrinha, ficou toda derretida. — O Gray na idade dela, trazia insetos mortos pra mim. Você tem sorte...
Claire até conseguiu rir, mas estava focada na boquinha dela com terra.
— Filha, por que sua boca está suja?
— Hmmm...
— Dois... fala Clarisse.
— É que eu fiz bolinhos...
— De terra?
— Sim.
— E você comeu? — arqueou a sobrancelha.
— Qual parte você ainda não entendeu, Claire? — Karen segurou a risada. A irmã a encarou séria e voltou para a filha.
— Me responde.
— Eu comi só um...
— Eu não acredito que você comeu terra, Clarisse Dearing Grady! E se ficar com dor de barriga? A mamãe já não disse que não pode!
— Não era terra, era bolinho. — Explicou toda meiga. Karen estava vermelha de tanto rir.
Eleanor se aproximou do trio, curiosa com aquela travessura da sobrinha.
— E estava gostoso, meu amor?
Clarisse colocou a mãozinha no rosto, pareceu pensar um pouco, mas logo concluiu.
— Não.
Karen e Eleanor caíram na gargalhada com a carinha que ela fez.
— Relaxa, Claire. A criança que não comeu terra, nunca foi criança. Logo essa fase vai passar e vai sentir saudades.
Claire olhou para as dias mais velhas, incrédula.
— Isso não é verdade. Eu nunca comi terra! — afirmou.
— Isso que você lembre, né. — Eleanor concluiu, fazendo Karen rir e Clarisse que também riu mesmo sem entender.
— Venha Cla, titia vai limpar sua boca.
Eleanor estendeu a mão para a pequena, que logo a segurou e seguiram para o lavabo. Claire observou as duas e sorriu.
— Está feliz, não é? — Karen observou, fazendo a ruiva olhar para ela.
— Estou sim, muito. Ver a nossa tia, ainda mais assim com a Clarisse, me deixa muito feliz. — sorriu.
— Que bom! E aqueles planos de engravidar, como estão indo?
— Estamos praticando bastante. — riu ficando corada. — Bom... passei na ginecologista e parei de tomar o anticoncepcional. Estamos ansiosos para ter outro bebê. — era nítida a empolgação dela.
— Fico tão feliz por vocês, mal posso esperar pra ter mais um sobrinho ou sobrinha!
Enquanto conversavam, Claire pareceu notar uma risada de Owen e da prima dela, na sala ao lado. E aquilo a corroeu de raiva e foi até lá, se aproximando dos dois. Owen estava com uma garrafa de cerveja na mão, bem alegrinho por sinal. A prima de Claire, falava algo e tocava no braço dele, vez ou outra. Quando a presença da ruiva foi notada, as risadinhas idiotas da mulher acabaram.
— Oi meu amor... cervejinha? — Ofereceu.
— Não, Owen. — Olhou séria para os dois. — Sobre o que tanto falam?
Claire não estava gostando nada daquela proximidade entre eles, sabia o quanto sua prima não prestava e que faria de tudo para dar em cima do seu marido, assim como fez no passado com seu namorado.
— Sobre dinossauros, ela nunca viu um, acredita?
— Acho entediante aquele parque, não sei como gastam para ir para ir lá.
— Como pode julgar uma coisa que nunca viu antes? Aquele lugar é mágico, tenho certeza que mudaria de ideia.
— É mesmo? Quer que eu vá, senhor Grady?
Claire encarou Owen na hora esperando a resposta.
— Ah... bom, temos uma política de desconto para famílias de funcionários. Né, amor? — Disfarçou.
— Sim. — limitou-se a dizer e cruzou os braços.
— Quer que eu pegue uma bebida pra você, ruiva?
— Não! — forçou um sorriso falso.
— Sem álcool?
— Eu disse que não quero, nenhuma bebida. E você Samantha, quando vai embora daqui?
— Ela sempre foi sem graça assim mesmo, Owen. — Riu tocando no braço dele novamente. — Ela nunca bebeu, nunca gostou. Sempre era a que ficava só no suquinho de limão.
— Bem diferente de você, ainda bem! — disse ríspida.
— Não sei por que o incômodo de quando vou embora. Se sente ameaçada?
— Meninas... — Owen começou a intervir.
— Ameaçada? — riu ironicamente. — Por favor, sabemos muito bem a única coisa que quer e sabe fazer...
— Chega Claire.
Antes de Samantha abrir a boca, Owen tirou Claire de lá quase arrastando.
— Quer suco? Tem o de abacaxi que você gosta.
— Me poupe, Owen! Quero saber o que tanto ria com aquelazinha?
— Não posso dialogar com as pessoas? Não era nada de mais.
— Com ela não! Você parecia se divertir bastante...
— Já disse que não era nada de mais. — Bebeu mais um gole da cerveja.
A verdade era que Owen jamais falaria com Samantha se ele estivesse sóbrio.
— Ótimo, Owen! — brava, o deixou sozinho na cozinha e foi ver a filha.
Claire deu de cara com Clarisse em cima de um aparador, mudando uma escultura de lugar. Parecia pesada e caríssima. Claire praticamente correu a pegando no colo, a tirando dali.
— O que estava fazendo?
— Ai mamãe, que susto!
A ruiva achou graça o jeitinho dela e riu.
— “Que susto” digo eu. Vai deixar a mamãe com vários cabelos brancos.
— Mas aí você vai virar a vovó...
— Vou mesmo... meu amor, não mexe nas coisas da Titia Eleanor. Não pode. Onde está os brinquedos que era da mamãe?
— Eu deixei no sofá, aquela mulher pegou... — Abaixou a cabeça.
— Que mulher?
— Aquela da roupa de galinha.
Sim, Samantha estava com uma roupa toda extravagante de penas desde o dia anterior. A ruiva respirou fundo tentando controlar a sua raiva e depositou um beijo na testa da filha.
— Vamos ver as bonecas que a titia Eleanor te deu?
— Quero! — Abraçou o pescoço da mãe.
Claire a abraçou carinhosamente e a levou no colo até o quarto onde ela e Owen estavam dormindo. As duas começaram a tirar uma por uma com cuidado da caixa, colocando em cima da cama.
— Nossa filha... elas são tão lindas...
— Eu gosto daquela sua, mamãe. — Disse triste, começando a chorar do nada.
— Hey, minha princesa. — a pegou no colo. — Por que o choro?
— Eu quero minha boneca...
— Mas a mamãe vai pegar ela para você, eu prometo!
Claire não aguentava ver a filha chorar, o que só fez a ruiva por sua prima aumentar. Clarisse chorou até engasgar. Pouco depois, Owen apareceu com os brinquedos e a boneca junto.
— Olha só o que encontraram... disseram que a Clarisse os jogou em um buraco no quintal, o que duvido muito.
— MEUS BRINQUEDOS! — Clarisse voou do colo da mãe, os pegando toda contente.
Claire ficou feliz por ver o sorrisinho no lindo rosto da filha, mas não gostou nada do que ouviu do marido.
— A Samantha pegou os brinquedos de cima do sofá. Além de vadia é mentirosa. — falou mais baixo a última frase. — Mas isso não vai ficar assim...
Owen olhou para ela a repreendendo, não notando Clarisse colocando massa de modelar no sapato. Claire desviou o olhar dele, dando atenção a sapequinha que aprontava em silêncio.
— CLARISSE! — gritou para assusta-la.
E a pequena levou um susto e começou a chorar. Owen pegou ela no colo.
— Hey, tá tudo bem meu bebê.
Claire olhou para os dois e saiu do quarto.
*
Owen e Clarisse sumiram a tarde toda, já que Claire estava "azeda". Deu uma folga pra ela e só voltaram do quintal durante a noite, antes do jantar.
— Olha eles... onde estavam? — Karen perguntou. — Zach e Gray te procuraram o dia todo, falando que você prometeu jogar videogame com eles...
— Prometi? Oh, me desculpe. A Clarisse estava agitada hoje, tive que distrai-la.
— Tudo bem... e a Claire? Não estava com vocês?
— Deixei ela aqui, ela parecia nervosa...
— Ninguém a viu o restante do dia, assim como vocês. Por isso achei que estivessem juntos. — pareceu pensativa. — Ela deve ter ido dar uma volta... E essa princesa da titia? Vamos ir jantar? — a pegou no colo.
— Ia dar um banho nela antes, mas estamos morrendo de fome.
— Quero mama.
— Mama é depois, agora vai comer comida.
A loira riu e foram para a sala de jantar. Estavam todos lá, menos Claire. Samantha sorriu assim que o viu. Owen foi procurar sua ruivinha nervosa, depois de deixar Clarisse comendo com a supervisão das tias. Começou pelo quarto. Claire não estava em nenhum lugar da casa e o carro que tinham alugado, também não tinha sumido. Ele ligou pra ela. Claire não atendeu. Então ele pode ver o carro chegando e estacionando, mas ela não saiu do veículo. Owen foi atrás dela.
— Onde estava?
Claire levou um susto.
— Fui dar uma volta. — pegou um álbum de fotografias no banco do passageiro e saiu do carro.
— Podia ter avisado, já esqueceu que tem família?
Ela o encarou séria.
— Engraçado, você faz isso sempre quando estamos na sua mãe. Parece não lembrar que tem família! — caminhou em direção a entrada da mansão.
Ele foi atrás dela.
— É sério que vai ficar assim?
— Como quer que eu fique, depois de ver outra mulher te alisando e você nem sequer se importar? E ainda me trata como se eu fosse a errada!... Escuta bem Owen, você não conhece aquela mulher. Então, não a defenda!
— Me alisando? Você ficou louca, Claire? Só estávamos conversando. Não estou nem aí pra ela!
— Agora sou louca?
— Você falando assim, parece!
Claire o encarou mais uma vez e entrou indo direto para o quarto.;Ele ainda foi atrás.
— Claire, sério... Não nos vimos a tarde toda, você brigou comigo, gritou com a Clarisse,o que há de errado?
— Eu só repreendi a Clarisse por estar aprontando de novo, enquanto você estava por aí com a Samantha. A nossa filha aprontou várias coisas! — era nítido o grande ciúmes.
— Você está com ciúmes. — Aproximou-se, sorrindo igual um idiota. — Admite! — Agarrou ela pelo quadril, obrigando ela o olhar.
Mas ela estava relutando.
— Me solta, Owen!
— Não solto, não vai ficar com ciúmes e brava comigo.
— Pára, Grady... — murmurou, exalando o ar.
E então, Owen a beijou. Foi compulsivamente, para pará-la. Por que a amava e estava com saudades. Naquele momento o amor falou mais alto e Claire amoleceu em seus braços e retribuiu o beijo na mesma intensidade. Uma de suas mãos foram para a sua nuca e a outras em seus cabelos macios, o trazendo para mais junto de si.
Fale com o autor