Notas iniciais
❤️

*

O dia foi se passando e Claire não tinha notícias de Owen. Desde a ligação mais cedo, ela estava angustiada. Ele só foi aparecer a noite, se desculpando por não poder ter vindo.

— Podemos conversar agora a noite?... Teve uns imprevistos idiotas no laboratório. Vai ficar brava comigo? — Abriu a porta do carro para Claire.

— Podia ter me avisado, assim não ficaria esperando igual uma idiota. — entrou sem nem sequer olhar para ele.

— Porra Claire, podia tentar ser pelo menos uma vez na vida compreensiva?

— Como é? — o encarou séria.

— Qualquer coisa é motivo pra você parar de falar comigo!

— Você poderia muito bem ter pegado a porra do celular, e ter me avisado!... Quer saber, Owen. Prefiro ir a pé... — saiu do carro batendo a porta.

Owen se sobressaltou com aquela atitude dela, nunca em anos tinha visto Claire falar palavrão. Ela colocou sua bolsa no ombro e foi caminhando em passos firmes em direção do hotel. Owen deixou para lá e foi pegar Clarisse na escola.

*

Ao chegar em casa, Claire preparou um banho de banheira e tentou relaxar. Estava tão exausta de tudo, que as vezes tudo o que queria era sumir por um tempo. A relação com Owen não ia muito bem, por tudo discutiam. Aquelas chamadas estavam tirando seu sono. Ela precisava fazer algo para resolver. E o mais importante, era se acertar com Owen. Ele chegou em casa com Clarisse cantando uma música da Patrulha Canina bem alto. Depois a levou para tomar banho. Assim que estava vestindo a filha, pode sentir os braços da esposa rodear sua cintura.

— Oi meus amores... — tentou fazer esquecer o que aconteceu minutos atrás.

Owen levou o maior susto e quase deixou o pente que estava em sua mão, cair no chão.

— Mamãe, o papai fez água rosa de novo!

— É sério? — sentou ao lado dela beijando sua bochecha. — E será que ele vai me ensinar a fazer?

— Ah... claro.

— É mágica do papai!

— Está bem... — riu e o encarou.

Owen não estava entendendo muito bem aqueles olhares e calçou as meias da filha, colocando-a na cama cuidadosamente. Depois pegou um livro da estante e começou a ler a história do Peter Pan.

— Quer que eu saia? — perguntou já se levantando.

— Não. Pode ler umas partes e eu outras...

— Okay... — sorriu e o acompanhou na história, até Clarisse dormir.

Owen deu um beijo na testa da pequena e levantou, arrumando a bagunça do quarto. Claire também deu um beijo na filha e tratou de segurar a mão do marido e o tirar de lá, o levando para a sala.

— Precisamos conversar...

— Mudou de idéia?

— Quero pedir desculpas... Olha... — sentou-se no sofá. — Eu não quis ser incompreensível, você tinha razão.

— Eu tinha?

— Sim, Owen... eu estou tão cansada e o que mais preciso é de você...

— Cansada? Você me ouviu quando te pedi para não por saltos e foi mesmo assim?

— Estou cansada psicologicamente, Owen...

— De que?

— De muitas coisas... e umas dele é... — ponderou se devia falar.

— Amor, eu sei de todos os seus pontos fracos, do seus traumas. Mas parece que você não me deixa te ajudar. Te coloquei em uma terapia e você fugiu...

— Não começa com isso de terapia de novo, por favor... sabe que odiei.

— Está vendo só? Não sei porque odiou uma coisa que te ajudava tanto.

— Nunca me ajudou, Owen. A única pessoa que consegui me abrir em toda a minha vida, foi você... e o que você fez? Me colocou para falar com uma desconhecida...

Owen começou a rir.

— Uma profissional que seria sua amiga, amor. Não uma desconhecida...

— Isso de amiga, não existe. Não quero amizades...

— Parece que até da Rebecca você se afastou. Estava feliz em ver você se enturmando e saindo com uma amiga.

— Só assim desgrudei de você, não é?

— Não quis dizer isso. É que é saudável uma pessoa ter amigos. Ainda mais minha esposa, a quem eu quero ver bem.

— Eu não preciso de amigos. Fico melhor sozinha. — forçou um sorriso amarelo. — — Então... amanhã vou organizar a viagem.

— Fica melhor sem mim? — A puxou pelo quadril, a encostando na parede.

A respiração da ruiva ficou ofegante com tamanha aproximação dele. Intercalou o olhar entre sua boca e seus lindos olhos verdes.

— Não... Sem você eu não sei viver...

Era nítido o efeito que ele tinha sobre ela. Owen não pode deixar de ficar ainda mais satisfeito.

— Claro que sabe. Você vivia muito bem sem mim antes...

— Acha mesmo que eu vivia bem, antes de estar com você?

— Bom. Acho que você só não tinha ninguém para cuidar de Você, vivia anêmica comendo alface e rúcula no almoço. Me perguntava de onde surgiu aquela bunda deliciosa sua...

Claire riu acariciando a barba dele.

— Antes de começarmos a fazer amor... queria conversar com você sobre uma coisa que vem acontecendo é que está me incomodando.

Owen prontamente a levou para o sofá, disposto a ouvir o que ela tinha pra dizer.

— Faz um tempo que venho recebendo, umas ligações estranhas... ninguém diz nada do outro lado. Só ouço ruídos e uma respiração... — disse visivelmente aflita.

— Mesmo? Me conta direito... Não dá pra ouvir nadinha?

— Não, amor... a pessoa do outro lado só fica me ouvindo...- Deve ser algum engraçadinho...

— Owen... faz semanas que isso vem acontecendo! Lembra que o Justin fazia isso?

— Você acha que é aquele filho da puta?

— Não, acho que não... mas isso não é normal. — segurou a mão dele.

— Também não acho. Mas vou ligar para o pessoal responsável por ele na cadeia. Assim você fica mais tranquila. — Beijou a mão dela.

Só Owen tinha o dom de acalmar Claire.

— Posso te pedir mais uma coisa?

— Quer que eu doe meu sangue pra você, eu doo. — Sorriu.

— Não. — riu. — Quando formos viajar... vamos deixar a Clarisse na casa da sua mãe. Vou me sentir melhor se ela ficar lá.

— Acho adequado. — Mordeu o dedinho dela.

— Que bom... — sorriu aliviada. — Então podemos começar a organizar nossas malas.

— Sei que quando fala assim é avisando que vai arrumar a minha, baby.

— Exatamente. — continuou rindo. — Me desculpa por mais cedo, eu sou tão idiota!

— Você nunca vai ser idiota... — Owen deitou ela no sofá, subiu a roupa dela e deu toda atenção aquela bela barriga redonda.

— A cada dia, estamos mais perto de conhecer o nosso Oliver. — afundou os dedos nos cabelos do marido.

— Eu fico pensando se ele vai ser ruivo igual vocês...

— Eu queria que ele fosse loiro, igual a você... Acho que ele vai ser lindo igual ao pai.

— Não acho. Acho que ele vai ser você em versão masculina. — Riu, beijando um pouco abaixo do umbigo. — Me diz... seu pai se chamava Oliver também?

— Não, amor... — riu. — Uma vez, quando seu pai era vivo, ele me contou que seu nome era para ser Oliver. Mas na hora de te registrar, a senhora Grady decidiu que seria Owen... — finalmente contou.

O marido ficou mudo por muito tempo.

— É sério?

— É sim... tecnicamente era para ser o seu nome é agora será o do nosso filho. E quem escolheu foi o seu pai... — Abriu um imenso sorriso para ele. — Eu acho isso tão incrível.

— Por que nunca fiquei sabendo disso?

— Eu não sei... não gostou?

— Só te perguntei... — Inevitavelmente Owen acabou descendo o olhar para a minúscula e delicada calcinha azul que Claire estava usando. Então ele começou a viajar em seus pensamentos. Como um bebê poderia passar por um lugar tão pequeno e apertado.

— No que está pensando? — acariciou sua barba.

— Acho que deveria cancelar essa ideia de parto normal, não quero te ver sofrendo mais que o necessário...

— Oh baby, parto normal é a melhor opção. A recuperação é muito rápida.

— É? Vai ficar toda arrebentada, amor...

— Não vou, baby. É a coisa mais natural do mundo.

— Não cabe um bebê aqui...

— Claro que cabe. — riu. — Vamos mudar de assunto, por favor?

— Então cabe a minha mão inteira?

Claire revirou os olhos.

— Eu vou ir dormir...

— Sério, deixa eu testar?

— Não Owen! Ficou louco?

Owen começou a rir descontroladamente. Claire ficou o encarando.

— Já terminou, senhor engraçadinho?

— E se eu colocar meu sapato? — Pegou ela e levou pra cama.

— Se você não parar, vai ficar sem sexo!

— Nossa baby... Só quis ajudar. — Disse em uma voz fingida e colocou ela na cama.

Claire se acomodou na cama o encarando.

— Me promete que quando o Oliver nascer, vamos fazer uma viagem sem eu estar grávida?

— Claro. Nós quatro juntos?

— Oh... é sim, claro... — disfarçou se sentindo a pior pessoa do mundo.

— Ok, entendi. — Owen sentou na ponta da cama, rindo da reação dela enquanto tirava os tênis. — Só nós dois.

— O que? Claro que não. Nós quarto... — levou a mão no rosto. — Quis dizer “nós quatro”!

Owen riu alto antes de ficar só com sua cueca cafona de abacaxis e se deitar junto com ela.

— Vamos intercalar. Eu e você, e depois nós e nossos bebês.

Claire deu um longo suspiro.

— “Nossos bebês”... — repetiu com um sorriso.

— O que foi?

— Estamos construindo uma família juntos... Isso me faz tão feliz.

Owen não disse nada, só enfiou a cara na barriga dela e encheu de beijos. Ela sorriu e acariciou o rosto dele.

— Você é feliz, Owen?

— Porque não seria?

— Não sei, por isso estou perguntando...

— Tenho a mulher dos meus sonhos e dois filhos com ela. O que eu poderia querer mais?

— Oh baby... eu te amo tanto...

Owen depositou um longo selinho nos lábios dela.

— Isso seria um “eu também te amo”? — murmurou entre seus lábios.

— Seria sim.

— Então diz...

— Mas eu disse.

— Não, não disse...

— Disse. — Deu outro selinho nela.

— Não disse! — respondeu já sem paciência.

Owen riu outra vez, se divertia horrores com as reações explosivas dela.

— Eu amo a minha bebê brava...

— Hum... — fez um biquinho manhosa. — Assim está melhor...

— Só estaria melhor se você me mostrasse os peitos.

— Mesmo? — riu. — Vai ter que me convencer...

— O que custa me mostrar?

— Quero que me convença.

— Você é muito difícil, Claire. Então tira a calcinha pra eu ver uma coisa... — Mordeu a orelha dela.

Ela soltou um leve gemido com aquele gesto.

— Se não me convencer, não vai ter nada...

— Mas eu estou te pedindo com amor...

— Então faça você mesmo. – sussurro.

— Não amor... voce tá preguiçosa por causa da barriga? — Owen disse dando um chupão daqueles no pescoço dela.

— Ela está tão pesada, amor. — disse fechando os olhos.

— Hmmm... pesado é o que você faz comigo....

— Eu faço? — perguntou sem entender.

— Fica me seduzindo e depois se recusa a fazer o resto do trabalho.

Owen depositou outra chupada, em um local diferente, deixando a marca.

— Sabe que vou te matar por causa dessas marcas, não sabe? — disse rindo.

— Não tenho culpa se você é gostosa... — Disse apertando o bumbum dela. — Hmmm....

— Oh baby... — gemeu ao seu ouvido. — Não vamos mais perder tempo... — suas mãos desceram por seu abdômen.

— Já disse, ou me mostra ou nada feito...

Ela o afastou o encarando.

— Você que sabe então...

Owen bufou e se cobriu até a cabeça.

— Pelo visto, tem outra criança aqui em casa!

— Pelo visto, tem uma mimada aqui em casa.

— As coisas nem sempre serão do seu jeito!

Claire também bufou e virou para o outro lado, apagando o abajur.

— Sempre foi do meu jeito. Eu te dou a oportunidade de mudar, mas você quer a mesma coisa sempre.

— Ah então me desculpe pela mesmice de sempre. Pela a minha falta de criatividade sexual. Pelo mesmo sexo sem sal.

— Então você acha isso?

— Eu acho? Você acabou de dizer, Grady! O que me faz acreditar, que não está bom. Já que eu nunca mudo.

— Melhor ir dormir. Já está falando besteira.

— Vou sim. — puxou o edredom para si se cobrindo toda e abraçou o travesseiro na tentativa de achar uma posição confortável para a barriga.

Owen fechou os olhos e tentou se concentrar no sono, já que Claire não parava quieta. Ela então afastou o edredom e jogou o travesseiro longe.

— Nossa, que isso?

— Nada! — deitou procurando alguma posição.

— Vem cá...

Claire não pensou duas vezes, se aproximou aconchegando-se nos braços dele.

— Viu isso? Travesseiro nenhum me substitui, baby...

— Eu sei... — murmurou ainda se mexendo.

— O que foi agora?

— Nada está confortável. — resmungou.

Owen mudou ela de posição e colocou uma almofada entre as pernas dela.

— E agora?

— Acho que está melhor...

Owen encheu a bochecha dela de beijos.

— Porque você é assim?

— Assim como? — o encarou.

— Linda.

Claire sorriu sentindo suas bochechas arderem.

— Sou mesmo, né? — disse em um tom brincalhão.

— Sim.

— E você? Por que é assim?

— Gostoso?

Ela riu e o deu um selinho demorado.

— O meu amor todinho...

— Sou e não quis me mostrar nada... — Disse fingindo sofrimento.

— Amor... eu tive um sonho. — mudou de assunto. — Com o parto do Oliver...

— E como foi?

— Eu não sei como te explicar. Mas os nossos pais estavam lá e de alguma forma, eu tenho certeza de que vai dar tudo certo. Vai ser um parto normal e aqui em casa... — disse com um sorriso.

— Em casa?

— Sim, amor...

— Meu Deus... tenho que te colocar de volta na natação. De preferência com aquele professor que não gosta de mulher.

Claire começou a rir.

— Por que isso agora?

— Sabe que faz bem se exercitar. E na piscina você não sente o peso da barriga.

— Então você vai me apoiar que o parto seja aqui?

— Não. De forma alguma.

— Poxa Owen, qual o problema? — disse chateada.

— Não é porque você sonhou que vai acontecer.

— Será que você pode por um segundo pensar em mim? Lembra de como eu fiquei depois da cesária da Clarisse? Não Owen, você não sabe como é ser aberta e ter que ficar semanas de repouso!

— Você pode ter o parto normal no hospital. Aqui não.

— Eu quero aqui, Owen.

— Vamos conversar com a Jones. Agora dorme.

Ela ficou o encarando e virou para o outro lado.

— O que foi baby?

— Quando concordar comigo, volto a encostar em você...

— Eu só disse que vamos ver isso com a Jones.

— Para depois você dizer “não”?

— Não, amor. Dorme por favor...

Ela levantou indo buscar seu travesseiro e voltou a deitar.

— Boa noite, Owen...

*

Pela manhã, Owen acordou com a ruiva se aconchegando nele chorando.

— Claire? Hey, que foi?

Ela tentou responder, mas soluçava muito. Owen esfregou o rosto e se sentou. Pegou um pano e secou-lhe as lágrimas.

— Tudo bem, vamos se acalmar primeiro...

— Eu... — soluçou. — A Clarisse... eu...

Claire havia acordado com uma grande angústia, não sabia explicar. Só sentiu uma sensação horrível.

— O que tem a Clarisse? Ela está dormindo aqui do lado. Quer vê-la?

Ela assentiu com a cabeça. Owen pegou ela no colo e levou até o quarto. Clarisse estava toda encolhida no cantinho da cama. O marido colocou Claire na cama junto com a filha, que se aproximou abraçando a pequena e a beijando cuidadosamente, como se não a visse a muito tempo.

— Foi um pesadelo? — Sussurrou.

— Não... — respondeu no mesmo tom. — Owen, promete que sempre vai protegê-la. — implorou ainda se sentindo angustiada.

— Sempre, custe o que custar. Eu dou minha vida por ela... Mas me conta o que foi que você está assim?

— E-eu... acordei com uma sensação estranha... um sentimento de perda... — contou ainda chorando.

— Shh... vai acordar ela baby. Quer deitar na nossa cama ou ficar aqui? Daí conversamos.

Ela assentiu com a cabeça e deu mais um beijo na bochecha da pequena. Owen levou ela pra cama, fez o café e conversou com ela a manhã toda. Claire não conseguia parar de chorar. Decidiu não trabalhar aquele dia e pediu para Owen ficar com ela.

E assim ele fez. Não iria conseguir ir trabalhar e deixá-la naquelas condições. Então dedicou o dia para ela e a filha.

— Vamos ver Titanic?

Claire levantou a cabeça para encara-lo, com os olhos bem inchados.

— É sério que faria isso?

— Sim. Ou qualquer outro filme que quiser...

— Oh Owen... você é tão bom para mim... — voltou a chorar.

— Amor, já estou ficando preocupado com você. Está chorando há horas... céus. Quer um banho? O que você quer? Eu dou.

— Tudo o que eu preciso, está aqui.

Segurou firme a mão dele, Clarisse adormeceu com ele na cama. Está encolhida no lado da mãe.

— Então será que pode tentar se acalmar? Está tudo bem com a gente. Só fui no escritório, Tyna me ligou dizendo que a Rebecca se demitiu...

Claire fez um movimento brusco, sentando na cama.

— Como é? Como assim ela se demitiu?

— Sim. Ontem a noite. Aparentemente ela teve um problema com os documentos no RH, ela simplesmente pegou tudo e foi embora sem mais esclarecimentos. Ia ver isso hoje, mas estou cuidando de você.

— M-mas ela nem me disse nada... — estava incrédula.

— Não disse nada a ninguém. Sem falar que vocês duas ultimamente não estavam dando muito certo.

— Ela andava muito invasiva. Estava passando dos limites... Sabe que não gosto disso.

— Achei que ela era sua amiga.

— Também achei... — disse decepcionada.

— Vem cá bebê... te amo. — A abraçou.

Ela retribuiu o abraço.

— Também te amo. Eu só tenho você!

— Shhh... Vou arrumar seu banho.

— Não... fica aqui comigo...

— Está bem. — Mordeu a boquinha dela, depois beijou.

Um beijo que se estendeu por um bom tempo. Claire segurou o rosto dele com as duas mãos, explorando cada cantinho da boca dele. Quando tiveram que pausar para tomar um ar, Clarisse estava sentada olhando o cena com espanto.

— F-filha... — a ruiva se engasgou e começou a tossir.

— Que nojo mamãe e papai!

— Nojo? — começou a rir e a trouxe para seu colo.

Clarisse deitou toda a vontade, abraçando a barriga dela.

— O Oliver já pode sair?

— Ainda não, meu amor... Mas logo logo ele vai estar aqui com a gente. — disse enquanto fazia um carinho em seus cabelos.

Owen deu um beijo nas duas e foi tomar banho. Clarisse imediatamente passou a mãozinha no rosto aonde o pai tinha beijado, limpando.

— Por que isso filha? — estranhou aquele gesto.

— O papai babou em mim... — Resmungou.

Claire riu e a encheu de beijos.

— A mamãe ama tanto essa princesa... uhmmm...

Clarisse começou com as gargalhadinhas e limpar o rosto também.

— A mamãe não vai parar de te beijar... — continuou.

— Mamãe, não mamãe... — Ela já estava chorando de rir.

Claire parou e a trouxe para junto de si em um aconchegou maternal cheio de amor.

— Minha filhotinha... — suspirou.

Clarisse estava com aquele típico olhar brilhante de quem estava disposta a fazer uma sessão de perguntas.

— Mamãe, você não tem nojo de beijar a boca do papai?

— Claro que não, a mamãe ama o papai. E ele é meu marido.

— Eu não quero um marido, não quero beijar na boca nunquinha...

Claire riu alto.

— Continue assim, o papai vai adorar...

— Mas eu vou casar com o papai, ele vai ser meu papai marido.

— Tá certo. — a beijou mais uma vez.

— Mamãe, como sai o nenê da barriga?

Claire pensou por um momento como explicaria.

— Sabe filha, é uma grande milagre. A mamãe vai para o médico, aí ele me dá um remedinho para não sentir dor. Então ele corta aqui a barriga da mamãe. — mostrou para ela. — Depois vocês nascem e a mamãe fica bem.

— Mas eu ouvi do tio Loló que caga o neném no vaso... igual cocô.

Claire revirou os olhos, era típico do Lowery falar aquilo.

— Seu tio estava brincando.

— Hmmm... então não é verdade?

— Não meu amor... o tio não sabe o que fala.

— Por que mamãe? Ele é burro?

— Não. É que ele gosta de ser engraçado.

Engaçado?

— Sim... Bom, sabe quando o papai faz ou fala algo que te faz rir? Então, isso é ser “engraçado”. — explicou.

— Então você é engraçadinha mamãe.

— Não sei. Acha a mamãe engraçada? — fez cócega não barriga dela.

— Siiimm... — Respondeu já morrendo de rir. Clarisse sentia cócegas facilmente. Foi quando Owen saiu do banheiro e passou para o closet indo se trocar.

Claire o acompanhou com o olhar, então voltou a atenção para a pequena.

— Por que você não pega a escova de cabelo da mamãe, e penteia ele? Mamãe quer um pouco do seu carinho...

A pequena imediatamente saltou da cama e foi correndo pegar a escova de cabelos. Subiu na cama, ficando de pé e atrás da mãe. Começou a pentear os cabelos ruivos dela, toda cuidadosa. Era muito amor envolvido naquele momento. Claire fechou os solhos sorrindo, sentindo o carinho de bom grado da pequenina deles. Owen saiu do closet de bermuda, sem camisa, chinelo e sem a barba. Tinha muito tempo que ele estava barbudo, então ficou muito diferente. Claire o encarou surpresa.

— Hey, o que você fez com o meu marido?

— Fiquei parecendo um marginal, né?

Claire riu e segurou a mão dele o trazendo para perto de si e o beijou.

— Você fica lindo de todos os jeitos...

Clarisse ficou encarando o pai. Owen pegou a garotinha e apertou mordendo e enchendo de beijinhos. Clarisse só deu seus gritinhos e riu a beça. Claire como uma boa mãe e esposa coruja, ficou rindo toda boba com os dois.

— Acho que está na hora do almoço...

— Papai ama muito esse nenê... olha amor... a gente que fez essa coisinha linda? — Perguntou todo babão.

— Foi sim amor. Fizemos essa perfeição todinha.

Clarisse estava com as bochechinhas muito vermelhas e Owen aproveitou para beijá-la muito.

— Você falou do almoço amor. Está com fome?

— Estou sim amor... mas vou tomar um banho antes.

Levantou e foi direto para o banheiro.

— Hmmm... MAS TOMA CUIDADO! NÃO FICA DESCALÇA!

— TÁ BOM... — entrou debaixo do chuveiro e ficou por um bom tempo.

Owen foi pra cozinha com Clarisse, mas ela voltou escondida e entrou no banheiro segurando uma bonequinha. A ruiva desligou o chuveiro e se enrolou na toalha.

— Oi meu amorzinho...

— Mamãe, lava a minha filhinha? — Estendeu a boneca com a cara toda riscada.

— Não acredito que você riscou ela, filha...

— Eu não... — Mentiu.

— A mamãe já te disse que não pode fazer isso, princesa. — pegou a boneca e a limpou.

Por mais que Claire lavasse, a tinta da canetinha não saía. Como as canetinhas da pequena eram próprias para serem usadas para riscar até a parede, a ruiva chegou a conclusão de que foi as canetas que ela pegou no escritório. Clarisse continuava olhando para a mãe com a cara mais angelical do mundo. Claire desistiu e olhou para a pequena.

— Que canetinhas são essas?

— Do papai. — sorriu.

Claire a pegou no colo e a levou para o quarto a sentando na cama.

— A mamãe já não disse que não pode mexer nas coisas dela e nem do papai?

— Mas o papai que me deu... — Respondeu com um biquinho.

— Mas ele não te deu, para você riscar as suas bonecas. Não faça mais isso, está bem? — beijou a testa dela, mesma lhe dando uma “bronca”. Não deixava de ser carinhosa.

Clarisse cruzou os bracinhos brava.

— Por que essa carinha? A mamãe não está brigando com você...

— Tá sim. — Bateu o pé.

— Olha... se fizer birra, vai ficar de castigo. — disse agora séria.

Clarisse começou a chorar alto com a ameaça e bateu o pé mais ainda. Claire a pegou e a levou para a sala, a deixando sentada na “cadeirinha do castigo”.

— Vai ficar aí, até parar com essa birra.

Clarisse continuou chorando e Owen apareceu com um copo de suco na mão.

— Hey... mas já estão assim há essa hora da manhã?

Claire o encarou ainda mais séria.

— O que quer dizer com isso, Grady?

— Nada... vamos comer?

— Só depois que essa mocinha parar de chorar.

Owen sentou ao lado da cadeirinha da filha e ficou lá sentado.

— Grady! Ela está de castigo.

— Filha, porque está chorando?

— A mamãe... bigou... comigoooo.... — Respondeu soluçando enquanto chorava muito.

Claire foi para o quarto, não gostou por Owen se meter no castigo da filha. Já que ela não se metia quando ele a castigava. Ela não ouviu mais a filha chorar. Quando viu, a pequena estava pendurada no pescoço do pai, quietinha e com o rosto escondido.

— Amor, seu suco tá na mesa...

— Okay. — respondeu de forma seca voltando a encarar a tela de seu notebook.

— Não quer?

— Depois eu tomo...- Vou te esperar. 5 minutos. — Saiu.

Mas Claire não foi. Como um bom marido, Owen levou pra ela na bandeira.

— Não precisava se incomodar, Owen... eu ia depois.

— Tá brava comigo?

— Estou! Por acaso eu me meto quando você coloca a Clarisse de castigo ou ensinando algo? Não! Então faça o mesmo.

— Nossa bebê... não fala assim. Não me meti em nada, só quis ajudar.

Ela respirou fundo.

— Okay, Owen...

— Então me dá um beijo?

— Preciso terminar um relatório.

— Hmm... nem um beijinho?

— Talvez depois...

— Certo. Te amo. — Saiu fechando a porta e dando a privacidade que ela queria.

Claire suspirou e ficou no quarto por mais duas horas. Até que começou a sentir fome e foi procurar algo na cozinha. Emma estava lá limpando a geladeira.

— Bom dia, senhora Grady.

— Bom dia Emma. — pegou um iogurte e sentou na cadeira sem muito ânimo.

— O senhor Grady saiu com a patroinha. Pediu pra avisar.

— Obrigada Emma. — levantou e foi para o quarto.

Aquilo sem dúvidas a chateou, já que combinaram de ficar em casa juntos. Mas ela sabia que foi ela que começou, indo para o quarto. Então decidiu ir para o centro de controle. Quando ela estava esperando o elevador, Owen apareceu dentro do mesmo, com uma cesta de presentes e Clarisse no outro braço.

— Baby? Onde vai com essa roupa de executiva exibida? Espero que mais seja o que eu tô pensando...

— Estou indo resolver uma coisa... E onde vocês foram?

— Clarisse foi comprar um presente para se desculpar pela birra. Né bebê?

Clarisse colocou o dedinho na boca e escondeu o rosto com vergonha.

— É verdade? — direcionou a pergunta para a filha.

Clarisse continuou do mesmo jeito. O pai respondeu por ela.

— É sim amor.

— Ah, acho que o gato comeu a língua dela.

Owen levou as duas para dentro de casa e entregou a cestinha de presente para Claire.

— Obrigada. É linda. Não precisava, Owen.

— Foi a neném que escolheu...

— É, mas ela não quer falar comigo...

Owen revirou os olhos.

— Amor...

— Sim...

— Pega ela...

Claire colocou a cesta ao lado e pegou cuidadosamente Clarisse, à abraçando. Clarisse abraçou de volta e ficou quietinha.

— A mamãe te ama muito filha... — a colocou sentada de frente para ela. — Você é tudo para mim... — encheu o rostinho dela de beijos.

Ela assentiu e abraçou a mãe de novo. As duas ficaram um bom tempo abraçadas. E sinceramente, Claire podia ficar o dia inteiro ali. Owen ligou a TV no jogo e ficou todo largado no sofá, enquanto Emma começou a juntar as roupas para lavar e Clarisse pediu para ajudar.

— Mãezinha, vou lavar roupa a com a Emma...

— Ah meu amor... fica aqui com a mamãe... — beijou a pontinha do seu nariz.

— Não mamãe. Só um pouquinho.

Claire a colocou no chão.

— Vai lá...

Em questão de segundos, Clarisse tinha revirado as roupas que Emma tinha separado, derrubou sabão e pó no chão e derrubou o amaciante que acabou quebrando a tampa e ela aproveitou para passar no cabelo. Se tinham dúvidas sobre Clarisse ter puxado a personalidade da prima Sophie, agora não tinham mais dúvidas. Clarisse era 100 vezes mais arteira.

*

Claire e Owen desembarcaram no aeroporto Internacional de Veneza de madrugada, graças a um contratempo nos horários do voo. Atrasaram por causa de um problema entre os pilotos. Sem dúvidas, aquilo resultou em uma Claire irritadiça e de pés inchados. Por dentro, Owen se xingou por colocar a esposa grávida naquela situação. Tinham deixado Clarisse com Tereza nos Estados Unidos, por segurança.

Afinal de contas, estava tudo muito sombrio e incerto em Nublar, como se algum mal estivesse pairando sobre o ar. Só pelo fato de deixarem Clarisse aos cuidados da avó e longe de desconhecidos, os dois ficavam tranquilos até certo ponto, embora tivessem certeza que Clarisse aprontaria todas com a pobre avó.

Após longos minutos de espera, finalmente chegaram no hotel. Era lindo. Um dos mais luxuosos de Veneza, que até Claire ficou surpresa com a escolha do marido.

— Oh céus... — resmungou ao sentar na poltrona que havia no grande quarto e ao retirar o sapato .

Prontamente, Owen se ajoelhou aos pés dela com um gel e começou uma massagem nos pés dela.

— Me perdoa por isso?

Claire o encarou confusa.

— Te perdoar pelo que, amor?

— Te fazer andar tanto e se estressar...

— Mas a culpa não é sua... — sorriu. — Não peça desculpas, por favor.

— Espero que goste do hotel, acho que está ao seu nível. — Pressionou o peito do pé dela e lhe depositou um beijo.

— O lugar não me importa, mas estar com você... — suspirou com os toques dele, então fechou os olhos.

— Vou te dar um banho e te colocar na cama. Está bem?

— Ah não... eu quero passear...

Owen acabou achando graca.

— Está de madrugada meu bebê.

— Aaaah... — murmurou. — Então vou aceitar...

— Tira a roupa que eu já volto.

Owen se afastou para o banheiro da suíte indo preparar a água. Em cima da cama, havia dois roupões brancos e felpudos com o nome deles bordados. O de Claire era um pouco maior por causa da gravidez. O marido pensou em tudo.

Ela estava pasma com todos os detalhes. Tirou a roupa e colocou o roupão, indo até o banheiro.

— Você sempre me surpreende. — diz o observando da porta.

Owen já estava pelado andando de um lado para o outro.

— Que bom, significa que consegui meu objetivo...

— Owen... você sempre consegue o que quer comigo. Afinal, eu sou toda sua...

Owen olhou atravessado para ela, com aquele típico olhar cafajeste. Como se sugerisse algo com o olhar.

— Ah, é mesmo?

Claire abriu o roupão deixando sua barriga a mostra.

— Ainda tem dúvidas? — passou a mão na mesma tentando não rir.

— Vem cá pra eu beijar esse barrigão...

E ela foi.

— Acho que vou querer esses beijos...

Owen pegou ela no colo e levou para a grande banheira, onde encheu ela de beijos, tanto na barriga quanto na boca.

Eles ficaram trocando carícias por um longo tempo.

— Vamos para cama? — sussurrou entre seus lábios.

— Acho que esse perfume ficou muito gostoso em você, baby... — Owen mordiscou o pescoço dela até chegar na boca. — Você é tão gostosa...

Claire estava ofegante, jogou a cabeça para trás em um breve momento e voltou a olhar nos olhos dele.

— Ah se eu não estivesse grávida, Grady... — mordeu o lábio inferior.

A verdade era que por Claire estar com sete meses, sua barriga estava ainda maior. O que dificultava as posições e os lugares que podiam transar.

— O que você faria?

— Sentaria em você a noite toda... em cada canto desse quarto.

— Não dá pra sentar agora?

— Eu preferia que você ficasse por cima...

— Vou ver uma posição, o Oliver cresceu tanto... — Mordeu o lábio inferior dela.

— Sim... — gemeu. — Ele está crescendo muito.

Owen lavou a esposa com o sabonete de mel e camomila que o hotel disponibilizou. Foi tão cuidadoso e sem pressa que acabou achando graça da ruiva sem paciência.

— Hey, será que pode esperar?

— Está demorando demais, Grady. Só quero sair logo dessa banheira e deitar...

— Certo.

Dito isso, Owen apressou-se em deixá-la seca, vestida e deitada na confortável cama com lençóis impecavelmente brancos. Owen ainda solicitou uma quantidade exagerada de travesseiros no telefone, que foram imediatamente entregues. Depois de deixar Claire quase desaparecida entre eles, foi ligar para a mãe para perguntar sobre Clarisse.

— Ela não chorou nenhuma vez, filho. Até agora não aprontou nada.

Owen riu mentalmente, conhecia bem a pequena e sabia que ela não ia demonstrar suas peripécias tão cedo na casa da avó. Mas depois que acostumasse, iria deixar dona Tereza com mais cabelos brancos do que já tinha.

— Certo. Ela toma vitamina de morangos para dormir, as vezes a gente dá pra ela durante a tarde para ela tirar uma soneca. Não deixe ela escovar os dentes sozinha, ela come a pasta, a Cla come sozinha mas tem que ficar olhando pois demora muito e a comida esfria. Nao deixa ela subir no sofá e ficar pulando, ela já caiu 5 vezes fazendo isso, não dê nenhuma coisa com açúcar pra ela, ela fica muito agitada e a Claire odeia. Ela gosta de ver patrulha canina e Pocoyo pela manhã, mas são só dois desenhos. O tablet dela está dentro da mala lilás, ela faz as atividades supervisionadas por meia hora e nada mais que isso... São uns joguinhos de letras e números, nada de joguinhos idiotas nem YouTube. Não se esqueça de ficar olhando se ela está fazendo as coisas, as vezes ela larga o tablet e vai brincar de esconder embaixo dos móveis...

— Meu Deus Owen, por que não fez uma lista?

Enquanto Owen passava a imensa lista de orientação para a mãe. Claire ria o encarando, enquanto abraçava um dos travesseiros.

— Acho que já está bom, baby...

Owen colocou o indicador na frente dos lábios, pedindo para ela ficar calada.

— ... A Clarisse odeia frango, se forçar ela a comer ela vomita. Não deixa nenhuma caneta na mão dela sem ninguém por perto, ela rabisca o que vê pela frente. E ela ama brócolis com purê no almoço, se não tiver ela quase não come. Não deixa ela cortar a cabelo das bonecas, ela já cortou o dela uma vez também.

— Tá bom Owen, chega. Me mande uma lista no email. — Tereza gracejou. — Sei muito bem cuidar de uma criança, eu pari 4! Cadê a Claire?

— Já estava demorando você me perguntar da preciosa Claire...

— Não seja idiota Owen, ela é como uma filha. E está grávida do meu neto.

— Ela não pode ser sua filha, seria estranho eu comer minha própria irmã... — Comentou todo indecente, olhando fixamente para a esposa na cama.

A ruiva ficou vermelha na hora e começou a rir, dando um tapa no braço dele.

— Deixa de ser idiota, Grady. Manda um beijo para a minha sogrinha...

Depois de receber várias ameaças da mãe e dar o recado da esposa, Owen finalizou a ligação e se deitou. O silêncio se fez presente alguns minutos, logo depois ele começou:

— E se ela ter algum pesadelo? Ela fica muito assustada. Droga, esqueci de falar que ela entra embaixo da torneira de roupa e tudo... Ela pode pegar pneumonia...

Claire colocou a mão sobre seu rosto e depositou um beijo em seus lábios carinhosamente.

— Calma amor... você está exagerando um pouco. Sua mãe é a melhor pessoa para cuidar da Cla. Ela vai ficar bem.

— Ela está tão longe... se acontecer algo...

— Hey... não vai. — o beijou mais uma vez. — Nossa bebê é forte e esperta.

— Hm... eu sou um idiota não sou?

— Claro que não! Você é o melhor pai do mundo.

— Longe disso...

— Você é, ponto final.

— Melhor você dormir, ruiva.

— Vai parar de paranóia?

— Não... O que foi? Só pedi para dormir, amanhã temos a agenda cheia.

— Okay Owen. — virou para o outro lado.

Owen suspirou e ficou deitado na mesma posição olhando para as costas dela até dormir. Ao perceber que ele havia dormido, a ruiva virou e se aproximou dele se aconchegando em seus braços fortes.

— Boa noite... — sussurrou.

*

Quando o café da manhã foi servido pontualmente, Owen e Claire estavam lá. Tinham pegado a melhor mesa com vista para a cidade de Veneza. Logo o marido irritou-se com o que fora servido, quantidades minúsculas e bem elaboradas de pãezinhos, biscoitos, frutas picadas, ovos e panquecas.

— Legal, vim até aqui pra passar fome. — Comentou irritado. Claire se segurou para não rir adorando o cardápio.

— Que exagero, amor. — levou um pedaço de maçã até a boca dele. — Come...

Owen mastigou um pouco sem vontade, mas Claire era tão irresistível no jeitinho dela que acabou comendo tudo que ela deu.

— Acho que fica mais gostoso quando você me dá...

— É mesmo? — sorriu e aproximou sua cadeira mais na dele. — Então eu vou te dar a comida...

Claire serviu várias coisas em seu prato, dividindo tudo com Owen. Vez dava para ele, vez também comia.

No fim, o marido achou que ela havia comido mais que ele, mas não comentou nada.

— Pronta para o nosso passeio?

— E onde será o passeio, senhor Grady?

— Surpresa. — Owen tirou uma fita preta do bolso e pediu licença para vendar os olhos dela. — Posso?

Notas finais
❤️❤️