História After You
19 Capítulo - A Viagem
Notas iniciais
— O que eu quero? — solta uma gargalhada. — ME VINGAR DE VOCÊ! – a ruiva o olha assustada sem entender nada. — O QUE FOI? NÃO SABE DO QUE ESTOU FALANDO?... OLHA BEM PARA MIM, CLAIRE! OLHA NOS MEUS OLHOS! Não me reconhece mais, AMOR?!
Ao olhar dentro de seus olhos, pode finalmente o reconhecer.
— Justin...
— ACERTOU!!! — a aperta mais o braço, mas a ruiva estava tão apavorada que não sentia a dor. — Você viu como eu mudei amor? Nada que cirurgia plástica não resolva! Nunca ninguém iria me reconhecer, assim não serei preso!
Claire estava estática, não conseguia se mover. Até que um barulho surge próximo dali, fazendo Justin se assustar.
— Sua hora vai chegar, Claire! — a solta e se afasta indo embora. Zara aparece vindo do outro corredor.
— CLAIRE! — a morena se assusta ao vê-la parada e pálida. — O que aconteceu?
— Me leva para casa, agora! – a ruiva estava muito trêmula, mal podia andar e assim Zara o fez.
*
Mais tarde, em seu bangalô, Owen tomava a sétima latinha de cerveja quando pegou o celular que tocava insistentemente no sofá.
— Alô...
— Filho? Que voz é essa?
— Mãezinha... — Começa a rir do nada.
— ESTÁ BEBENDO GAROTO? OWEN?!
— Bebi água só... Juro.
— Eu devia te dar uns cascudos. Tudo isso em véspera de viagem?!
— Não vou mais...
— Como não? — Se Owen estivesse sóbrio, iria perceber o tom de tristeza na voz da velha mãe.
— Porque eu sou um otário.... a Claire não me quer... ela prefere os caras engomadinhos de gravata da inGen... — caía enquanto ria. – Opa... tô legal...
— O que quer dizer, Owen? FALA DIREITO!
— Ela me largou sozinho e terminou comigo, é isso... eu sou sempre o otário. — Owen falava arrastado, nitidamente bêbado e fora de si. Ele pode ouvir a senhora Grady xingar alguma coisa e desligar o telefone na cara dele. No dia seguinte com certeza ela ligaria.
Claire e Zara chegam ao seu quarto. A morena a senta no sofá.
— O que aconteceu Claire?
— O Justin está aqui! — começa a chorar. Não aguentava mais aquela situação.
— Como assim?
— Jack e Justin são a mesma pessoa! — conta tudo o que ele tinha dito a Zara.
— Meu Deus amiga... Você precisa contar isso para o Owen!
— Nunca! Não quero mais saber dele... ele terminou comigo. Se eu morrer, ele nem vai sentir falta.
— Cala boca Claire, para de falar besteira!!! – respira fundo. — O que pretende fazer agora?
— Não sei... mas agora, preciso dormir! — ela deita na cama com a mesma roupa. Zara não diz nada. Apenas fica ao lado dela a noite inteira até o amanhecer.
Owen passa a noite toda bebendo, só para no dia seguinte quando estava quase entrando em coma alcoólico. Nem levantava mais. Barry chega no bangalô e bate na porta. Estava com as duas passagens dele em mãos. Ao perceber que a porta não estava trancada, ele entra.
— Owen?! — se assusta ao ver o amigo naquele estado. — Você está louco? Bebendo em pleno dia de trabalho?
— Não bebi. – resmungou, sentando no sofá.
— Olha, Blue estava com isso na boca. Achei que eram suas. — deixou as passagens sobre a mesinha. Mas o loiro nem as olhou.
Barry aproveitou e escondeu toda bebida e deu uma aspirina para amigo. Após se certificar que ele não iria beber mais, foi embora irritado.
Claire acorda cedo e vê sua amiga ao lado dormindo.
— Zara? Acorda... – sussurra.
— Aí meu Deus que dor no pescoço. – passa a mão na nuca, acordando.
— Também, dormiu de qualquer jeito. — a ruiva se levanta.
— O que vai fazer hoje?
— Pensar e organizar algumas coisas.
Zara achou estranho ela não ir trabalhar, mas não era para menos.
— Está bem, eu vou no meu quarto tomar banho e ir para o centro de inovação. Precisa de alguma coisa?
— Não, obrigada. Qualquer coisa me liga, tá bom?
— Pode deixar...
A morena sai e Claire aproveita para também ir tomar banho. Ao terminar se enrola na toalha e senta na cama perto do criado mudo olhando para as orquídeas que ganhou de Owen. Seus olhos estavam marejados. Tinham passado momentos incríveis juntos, pelo menos para ela.
" Sabe o que é flores?... Não sei o que fazer com vocês!.... essa coisa chamada amor, não existe. É algo que inventaram para fazer as pessoas sofrerem!"
Após um longo tempo na mesma posição, a ruiva levanta indo até o closet e vestisse. Estava disposta a devolver tudo o que havia comprado para a viagem, inclusive os presentes de Natal do treinador.
No bangalô, Owen juntou o restante de sobriedade que tinha e subiu na moto indo até o resort. No meio do caminho acaba caindo da moto, se sujando todo de lama, mas levanta e continua até chegar no hotel da ruiva. Chegando na porta ele não bateu, mas começou a cantar uma música totalmente desconexa depois começa a gritar o nome dela, como se estivesse a quilômetros de distância, tamanho era o escândalo.
Claire estava no closet quando escuta os berros. Vai correndo abrir a porta e se depara com Owen parecendo um mendigo.
— O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO, GRADY? — grita irritada.
— Oi mãe. – estava com a visão embaçada e passa por ela entrando no quarto. Abre a geladeira e procura por uma bebida.
A ruiva fica furiosa com aquilo, o puxa com força pelo braço fechando a geladeira.
— Sai daqui, Owen!
— Não tem bebida aqui? Que tipo de bar é esse? — a olha e pisca duas vezes. — Claire? Já veio atrás de mim... — Se aproxima dela de braços abertos para abraçá-la. Definitivamente estava fora de si. O que a fez sentir o cheiro forte de álcool.
— Que vontade de te jogar da varanda! – resmungou, odiava vê-lo bêbado e o arrasta até o banheiro. Liga o chuveiro na água fria e o senta em baixo dele, com roupa e tudo.
Owen tenta protestar, mas não tinha como pensar e agir. Começa a resmungar embaixo do chuveiro.
— Claire Dearing, me dá um beijo?
A ruiva o encara. Talvez se ele estivesse sóbrio ela falaria tudo que tinha para falar. Ela fecha o boxe e o deixa lá, até o efeito do álcool amenizar e volta a fazer suas coisas.
Após um tempo, o treinador fecha o chuveiro e olha ao redor. Uma dor de cabeça aguda se instalava e se sentia perdido, mas ao mesmo tempo onde deveria estar. Ficou um tempo tentando descobrir como abrir o vidro do box, mas conseguiu. Cambaleou até a saída e acabou caindo sobre a pia e encara seu reflexo no espelho.
— Desculpa aí cara. Foi mal.
Sai do banheiro todo molhado e começa a se despir.
— Hey!... pode parar de sujar minha casa! — irritada, joga uma toalha e um dos pares de roupa que havia comprado para ele, quando dormia lá. E volta para o closet.
Ele se seca de qualquer jeito e tenta se vestir, cai no sofá e acaba adormecendo, só acorda por volta das três da tarde. Senta e coloca a mão na cabeça. Não lembrava de nada do que havia acontecido.
— Maldita dor de cabeça... — leva um susto ao perceber que estava um pouco sujo de lama e outro um susto ao ver que estava no quarto de Claire. Suas roupas sujas estavam em um canto, começou a ficar envergonhado só de imaginar o que ele poderia ter feito.
Olha para os lados procurando pela ruiva e se levanta. Vai até o closet e a encontra sentada no sofá concentrada em seu notebook. Trabalhava de casa, não queria correr o risco de encontrar Justin.
— Claire... oi... – diz um pouco apreensivo.
— Oi! — responde sem olha-lo encarando a tela do computador.
— Nem preciso perguntar o que aconteceu...
— Que bom...
— Claire, será que dá para pelo menos uma vez na vida, você ter a maturidade o suficiente para olhar na minha cara e conversarmos igual dois adultos? – respirou fundo. Claire finalmente o olha e fecha o notebook, dando atenção a ele. — Aquela sua atitude no paddock foi a última gota. Como se não bastasse você me dar as costas no meio do encontro, sair sem olhar na minha cara e ir para o hotel. Eu apareci lá depois e não disse nada... Você acha que eu não fiquei... magoado com você? Reflete bem sobre isso. E percebe de quem foi o erro no meio disso tudo, até porque após aquela confusão, eu tive a coragem de olhar nos seus olhos e dizer que confiava em você. Mas se isso não é o suficiente. É melhor cada um seguir suas vidas. — a encara, esperando que caísse na real, mas sabia que era difícil. Dependendo do que a ruiva dissesse, iria embora sem dizer mais nada.
Claire fica por alguns instantes pensando em tudo o que ele disse. Sabia que em partes, o loiro estava certo e o encara, assim como ele fazia.
— Você está certo... – levantou indo até a sala e o treinador a acompanha.
— Porque fez aquilo? Eu tinha tantos planos para noite.
— Eu fiquei cega de raiva do Justin... por tudo o que ele fez. Só queria sair dali e quando olhei para trás você não estava mais.
— Justin? O cara nem aqui está! Esse desgraçado vai ser sempre nossa pedra no sapato... já percebi. — pega suas coisas.
— Não Owen... espera! Não vai por favor... — segura em sua mão.
O treinador dá um passo a frente e beija o topo da cabeça dela.
— Eu amo você, Claire!
Ao ouvi-lo, a ruiva arregala os olhos. Ele nunca tinha dito que a amava antes e no impulso o abraça. O que o surpreende e retribui o abraço sem pensar duas vezes. Após uns segundos, a solta indo em direção a saída.
— Nosso vôo sai ás sete da noite... Não esquece. — Ele diz oferecendo um sorriso a ela e entra no elevador.
A ruiva fica confusa e espantada ao mesmo tempo ao ouvi-lo e retribuiu o sorriso.
— O Que foi isso?... — Diz ao fechar a porta e olha para o relógio. — Aí meu Deus! ... ele disse as sete já são três e meia, preciso correr!
Pega o celular e liga para o Lowery.
— Oi Chefa....- diz animado .
— Oi! — seca como sempre. — Preciso de um helicóptero as seis da tarde, com destino ao aeroporto.
— Vai viajar chefa?
— Não é da sua conta!
— Okay pode deixar. — começa a rir com a mesma Claire de sempre.
Desliga e vai tomar um banho correndo. Após alguns minutos pega a mala e coloca tudo o que precisaria dentro. Inclusivo os presentes de Owen. Decide avisar depois para Simon. Pela primeira vez, Claire não colocou seu trabalho em primeiro lugar, mas sim Owen. Já era cinco e meia e já estava pronta, linda com um vestido rosa claro. Queria impressionar o loiro. Então pega todas suas coisas, entra em seu carro e vai até o bangalô busca-lo. Chegando lá, buzina desesperada. Estava com pressa e ao mesmo tempo ansiosa.
Owen já estava pronto. Passou a tarde resolvendo as questões do pagamento das férias e comprou algumas últimas coisas antes de voltar para o bangalô. Estava decidido, se fosse para brigar com Claire o tempo todo que fossem juntos, e não separados. Afinal brigas entre eles sempre eram inevitáveis, mas era apenas uma fase. Estavam se conhecendo e aprendendo a conviver um com o outro. Assim como a base do relacionamento com os raptores era o respeito mútuo, ele e Claire tinha que ser a mesma coisa. Havia arrumado a bagagem, apenas uma pequena mala de rodinhas. Owen era o homem mais básico e prático daquela ilha. Enquanto arrumava as malas, lembra quando Claire menciona sobre levar 5 malas. Não pode deixar de rir sozinho, só poderia ser brincadeira.
Foi surpreendido pelo som de buzina do lado de fora e foi atender. Ao vê-lo, Claire ficou sem reação, era o homem mais lindo que já havia visto. O treinador estava com uma camisa social preta, calca jeans e sapatos também sociais. O cabelo estava bem penteado, porém ainda molhado. A mala estava do lado de fora, ele desce a pequena escada de madeira e aproxima da janela do carro da ruiva.
— Em que posso ajudar a madame? — Brinca.
— É...Va...mos?...- gagueja o olhando abobalhada.
— Vamos, gatinha. — pisca para ela sedutoramente e coloca os óculos escuro. Pega a mala e abre o porta malas se assustando quando vê que está tudo cheio.
— Claire! Alguém vai de carona com a gente?
— Não... — sorri. — Para...são só três malas!
— Você é uma ou é três? — Revira os olhos e fecha o bagageiro. Guarda a mala no banco de trás e senta ao seu lado.
— Okay...okay Senhor Básico! – sorri e dá partida no carro indo em direção a torre de controle de onde sairia o helicóptero.
— Ok madame das 300 malas. — Passa toda a viagem encarando a ruiva atrás dos óculos escuros, igual um idiota.
Claire vai o caminho todo tensa, parecia o primeiro encontro dos dois e não sabia como agir. Finalmente chegam na torre, a ruiva guarda o carro no estacionamento e vai retirar as malas do carro. Duas eram de rodinhas e a outra de mão. Estavam pesadas e ela faz um esforço para tira-las.
O loiro praticamente voou para fora do carro e retirou todas as malas da mão dela, levou para o interior do helicóptero.
— Prontinho madame! — gritou de longe fazendo um sinal positivo com a mão, a fazendo sorri.
— Obrigada! Vamos? — entra no helicóptero um pouco nervosa, não gostava muito de voar.
Owen a ajuda subir e sobe logo atrás. Se senta ao seu lado, passando o braço em volta do pescoçinho dela.
— Quem vai pilotar? Masrani? – brincou.
— Nem brinca com isso. — começa a rir.
Logo o piloto entra. Ao saírem do chão, Claire fica parada sem olhar para os lados. Tinha medo de altura.
Owen percebeu ela ficar tensa e a abraça.
— Hey, está tudo bem ruivinha. Olha só a visão do mar... visão privilegiada. — fez um breve carinho na mão dela e a fez olhar pela janela.
— É lindo sim. – olha brevemente o mar pela janela e desvia o olhar. — Pena que estamos tão alto... — após alguns minutos no aconchego do abraço do treinador, ela fecha os olhos e acaba adormecendo, estava muito cansada e tê-lo ao seu lado, a confortava.
A viagem não foi muito longa. Owen sorri ao vê-la dormindo. Logo chegaram ao continente e teve que acordá-la.
— Claire... — A balança devagar. — Chegamos... vamos descer.
A ruiva acorda assustada com um leve incômodo no braço que apoiava no loiro. Estava com o leve roxo.
— Já? — passa a mão no braço. — Que bom, vamos chegar mais cedo que o esperado no aeroporto. — sorri para ele.
Owen havia percebido aquele roxo no braço dela, desde a que entrou no carro e a observou, iria perguntar depois o motivo. Tinham muito o que conversar, de qualquer forma. Ele desce do helicóptero, pega todas as malas e coloca no taxi que havia chamado.
Logo já estavam no aeroporto e entram em seu vôo. Claire estava a cada minutos mais tensa em saber que iria conhecer os pais de Owen.
— Você senta na janela...- senta na poltrona do meio. E assim ele o fez.
— Vai perder a melhor parte da viagem... quem sabe vamos ter a sorte de passar dentro de uma tempestade. — percebeu a tensão dela e segurou-lhe a mão.
— Vai dar tudo certo, meu amor.
A ruiva sorri apertando a mão do amado e apoia a cabeça em seu ombro.
— Vai sim... – suspira.
O avião decola depois de algum tempo. Owen estava cheio de expectativa sobre o que estava por vir. Família, natal... entrelaça os dedos nos dela e começa a observar as nuvens do lado de fora. Finalmente iria voltar para casa, depois de tanto tempo.
Claire também estava perdida em seus pensamentos. Sua vida nos últimos anos sem sua família e sempre sozinha, se alegrava em saber que poderia sentir novamente como o Natal é bom. Pensa em seus pais, sua infância e na sua irmã. E lembra que assim que chegar lá precisa ligar para ela.
Após uns instantes refletindo, o treinador acorda de seus devaneios e pega o braço de Claire, analisando aquela marca roxa.
— Claire... você caiu?
— Isso... não foi nada! — Não queria tocar no assunto que causava brigas entre eles. Preferia não contar.
— Não foi nada? Como não foi nada? Escorregou no banheiro? — Owen olhou melhor. — Parece uma marca de mão...
— Foi o Justin... mas isso não tem importância, depois resolvo isso.
— Como assim foi o Justin? Que dia foi isso? Acho que agora é o momento de conversarmos. – a encara com os olhos cerrados.
— Jack é Justin são a mesma pessoa... as marcas no meu braço é de ontem quando me coagiu. Ninguém o reconheceu porque realmente ele está irreconhecível depois das plásticas. E prometeu cumprir as ameaças, o encontro de vocês no shopping, foi devido a sua mensagem o enfrentando, lembra? — dispara tudo de uma vez. — Acho que resumidamente é isso.
— Espera. Jack e Justin a mesma pessoa? — Era muita informação. — Ele te machucou? Como ele veio parar em Nublar? Como a polícia não tá investigando aquele idiota!? — Owen começou a se alterar. — Claire, você tem certeza? Sabe... o trauma pode te fazer ver coisas... É difícil de acreditar nisso. É surreal. Doentio. O cara tá obcecado em você!
— Pois é... – desvia a olhar. — Talvez quando ele conseguir o que quer, ele pare.
— E o que ele quer exatamente? Tenho uma arma em casa, só para constar. Acabo com a alegria dele.
— Se vingar de mim...me matar. Deixou isso bem claro. Mas enfim, isso não tem importância... — tenta mudar de assunto. — Quanto tempo ainda falta para chegarmos?
— Chegamos de madrugada, pegamos um carro de aluguel e viajamos até o interior. Seis horas de viagem... – a encara tentando entender toda aquela situação. — Ele não vai matar você. Vou tomar as providências. — Claire não sabia, mas desde a último acidente no escritório, ele mantinha contato com uns amigos investigadores e Masrani. Sempre a vigiavam, mesmo que o loiro estivesse longe, era avisado de sobre qualquer coisa. Com aquela nova pista, tudo poderia mudar.
— Como assim Owen? Não quero você envolvido nisso. Não quero que aconteça nada com você! – o encara.
— E eu vou deixar você nas mãos dele? Que tipo de namorado eu seria? Eu te amo Claire, eu vou proteger você independentemente.
A frase dele não passa despercebido, o que faz a ruiva dar um sorriso largo.
— Você o Que?... repete! — O olha nos olhos.
— Eu vou proteger você.
— Essa não palhaço... — começa a rir.
— Independentemente? – sorri de canto.
Ela revira os olhos e o belisca no abdômen.
— Ai! Isso doeu... — finge, mas na verdade só fez cócegas. Segura o pulso dela e a puxa até ele, iniciando um beijo calmo.
— Que saudade...porque não diz ãh? – sussurra entre os lábios do treinador.
— Vou dizer o que sinto. Uma vontade imensa de comer um cheeseburguer de bacon com picanha. — brinca e dá mais um selinho na amada. — Devia ter comprado um lanche pra viagem... O que tem aí nessa bolsa? Nem trazer comida para o seu marido você trouxe. Isso que é amor hein. – sorri tentando colocar a mão dentro da bolsa.
— Tira essa mão daí. – o da um leve tapa. — Não tem nada que seja da sua conta... — sorri.
Owen estava cansando de ficar dentro daquele avião. Observa em um banco mais a frente, uma senhora de idade repreendendo uma garotinha que não parava de correr entre as poltronas.
— Alice! Vem sentar aqui, agora! — O ex-marinheiro fica estático ao ouvir aquele nome. Assim como a ruiva, que também ouviu enquanto o observava.
— Owen... — estava pálido o que a assustou. – Amor?
— O que? — fingiu agir normalmente e a olhou. Mas a ruiva sabia que ele estava mentindo e o puxa para deitar em suas pernas, acomodando sua cabeça em cima da sua bolsa e o envolve com os braços.
— Nada... — beija sua bochecha.
Ele não entendeu muito bem todo aquele cuidado, mas gostou.
— Claire, não precisa agir assim, eu estou bem. Só... fiquei pensando... se... — Não consegue terminar e se cala.
— Shh...amor....Vamos superar isso juntos, lembra? – se curva e fica com o nariz entre os cabelos dele.
Owen ficou inebriado com o perfume dela. Era doce e era seu preferido. Senta novamente e encosta na poltrona, a trazendo para deitar em seu peito.
— Assim não é melhor?
— É Sim. – sorri e o abraça. — Mas quero cuidar do meu namorado... – suspira.
— Você já cuida até demais... — Fecha os olhos e começa a sentir o sono chegando.
— Owen? — começa a rir. — Você tem mesmo uma casa na árvore?
— Tenho sim... eu que construí. Tinha 13 anos quando a fiz — Disse todo orgulhoso de si.
— Eu te chamava de Tarzan sem saber disso...- Solta uma gargalhada. — agora então...- não consegue parar de rir.
O treinador franziu o cenho e mordeu o braço levemente dela como punição.
— Pode parar de zombar de mim. Não tenho culpa se você não teve infância...
— Tive sim! ... e podemos brincar na sua casa? Posso ser a sua Jane... — O encara sugestivamente e ri novamente.
— Claro que pode. Mas tem que brincar sem roupa sabe...
— Sei... – sorri e o dá um selinho. Ele retribui sorrindo maliciosamente.
Finalmente chegam no aeroporto já era madrugada. Owen optou por passar o restante da noite no hotel antes de prosseguirem com a viagem. Estava exausto e tinha certeza que a ruivinha também. Escolheu um hotel quase ao lado do aeroporto. Quando adentram Owen se joga em cima da cama, nem se deu o trabalho de retirar os sapatos. Diferente de Claire que trocou de roupa, caminhou até o treinador e retirou seus sapatos.
— Preguiçoso... — sorri e deita ao seu lado. Ele sorriu com a atitude dela e a abraçou.
— Você está gelada amor... minha nossa... — Pega o cobertor e a enrola. — Será que esse ano teremos neve antes do natal?
— Neve? Faz tanto tempo que não vejo neve... — aproxima mais dele o abraçando.
— Sim... Na Costa Rica é só sol.- já de olhos fechados.
— É Sim... Boa noite amor ... — fecha os olhos.
— Boa noite.
*
Já havia amanhecido e Owen a observou pela última vez adormecida, antes de aproximar e tentar acorda-la com os diversos beijos que distribuía no pescoço e rosto da ruiva.
— Hora de acordar preguiçosa!
— A não... – começa a se mexer. — Me deixa dormir mais um pouco...
— Vou continuar a viagem sozinho então... — Dá um leve tapa no bumbum dela – Vamos, Claire!
— OWENN... — grita e senta na cama ainda tonta de sono. O loiro ri sentando ao seu lado.
— Já passou da hora do almoço e você aí dormindo, Claire Dearing!
— Meu Deus! – olha assustada para o relógio. — Precisamos ir logo... quanto tempo até a casa dos seus pais? sei que vai parecer estranho...- começa a rir. — Mas estou com fome.
Owen franziu o cenho a olhando minuciosamente.
— Ok, digamos que você está duplamente estranha. Dormindo até tarde e com fome. – estava pronto para sair.
— E isso é ruim? – O encara. — Dormi porque estava cansada e estou com fome porque a última vez que eu comi foi em Nublar!.... Isso não é estranho Grady. — levanta e vai escovar os dentes.
— Cansada? Quem vira a noite fazendo planilha e vai trabalhar cedo com toda disposição? — a espera na porta de braços cruzados. — Acho melhor eu sentar... — Revira os olhos. — Tem um restaurante aqui no hotel. Vamos?
— Espera eu trocar de roupa! — termina e para na sua frente. — Não se compara com o trabalho, esses últimos dias depois que brigamos não dormi nenhuma noite... pensar que não teria mais você ao meu lado, me fez mal!
Owen arregala os olhos com o que acabara de ouvir.
— Ah... sinto muito por tudo isso. — a beija e abraça apertado por alguns segundos. — Estamos juntos agora. Durante a viagem de carro eu te coloco para dormir de novo. — sorri e a solta, levando todas as malas para o carro que havia alugado enquanto ela dormia. Em seguida a levou ao restaurante do hotel onde a entupiu de comida como pode.
— Pode comer mais.. Disse de boca cheia.
— Owen! Que exagero, já estou cheia! — o encara. — Termina de comer logo, quero chegar na sua casa.
— Está ansiosa! – sorri colocando a mão sobre a dela em cima da mesa a fazendo sorrir. Estava em paz, afinal estavam bem longe de Justin e podia ficar mais tranquilo em relação a Claire. O loiro praticamente comeu quatro vezes e verificou se ela comia direito também. — Podemos ir embora quando você tomar o resto do suco, Dearing. Comida não se desperdiça.
— Já tomei! – Diz enquanto bebia e revirando o olhos.
— Boa garota. — ele pede para fechar a conta e paga tudo incluso, hospedagem e a refeição. Leva a ruiva até o carro e abre a porta para ela.
Seria a primeira vez que Owen dirigiria depois do acidente e preferiu não comentar. Mas estava visivelmente tenso, o que não passou despercebido por Claire.
— Owen? Vocês está Bem? – O encara.
— Estou ótimo. Não se preocupe comigo.
O treinador se enganou quando pensou que fosse difícil dirigir novamente. Após alguns quilômetros, já estava confiante e se sentindo bem com aquilo tudo. Até ligou o rádio onde estava tocando uma música da banda “The Calling”, o que o manteve distraído por mais tempo. A rodovia estava bastante tranquila, apesar da queda brusca da temperatura. Passaram por pequenas cidades, vilarejos, postos de gasolina na beira da estrada. Faltavam 200 quilômetros para chegarem em seu destino quando passavam por um pequeno vilarejo. A noite caía sobre eles, e Owen acende os faróis após encostar o carro na estrada e resolver atender a centésima ligação da mãe.
— Owen, meu filho! PORQUE NÃO ATENDE O TELEFONE GAROTO?! — A senhora Grady gritou tão alto que até quem estivesse do lado de fora do carro, ouviria.
— Estamos chegando. Eu estou dirigindo mãe, sabe que não posso atender no volante... — suspira. A senhora Grady se calou por um momento. Claire começou a rir, adorava vê-lo falando com a mãe, era engraçado.
— Tudo bem meu filho... Estou ansiosa para ver a Claire. – Owen olha para ruiva no banco ao lado e sorri.
— Ah, já até esqueceu de mim? – brinca.
— Não fale bobagens sabe o que eu quis dizer!
Após a ligação, o treinador retira a trava do cinto de segurança. O lugar em que estavam era um tanto sombrio e silencioso. As casas e comércios pareciam vazios. As janelas negras pareciam observar o jovem casal. Owen estranhou a falta de luz também. Claire não gostou nem um pouco do lugar e teve receio de ficarem ali.
— Vamos comprar algo para comer, amor? Estou faminto.
— Amor espera...- segurou pela mão. — Você não acha melhor irmos em outro lugar?
— Que outro lugar? Acho que não tem outra cidade próxima depois dessa. Você vem ou prefere esperar?
— Eu Vou! — Diz sem pensar duas vezes.
— Está frio. Pega minha jaqueta. — sai do carro e observa o local a sua volta. — Será que alguém mora aqui?
— Não faço ideia... mas parece que não. — veste sua jaqueta e pega a dele, como havia pedido e o entrega.
— Era pra você vestir, gatinha. – pega a jaqueta e sorri vestindo a deixando corada, começa a caminhar para o interior da cidade. O farol do carro piscou duas vezes e ele olha pra trás achando estranho.
— OLÁAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA – Grita, mas não obteve resposta.
— Owen vamos embora...- o puxa pela mão, não estava gostando de ficar ali.
O treinador aproveita e segura firme a mão dela, a levando para o meio das casas.
— Olha, uma mercearia.
A luz do carro ainda emitia alguma luz no meio daquela imensidão no meio do nada, mas a medida em que se afastavam a luz diminuía.
Os olhos dele se acostumaram com o escuro aos poucos. Bate na porta do local e empurra a porta. Um som de metal enferrujado ensurdecedor quebrou o silêncio do lugar. Tudo estava empoeirado, teias de aranha por todo lugar. O loiro praticamente puxa a ruiva que estava atrás dele.
— Claire, que foi? Tem cola no seu sapato?
— Ai meu Deus... – sussurra e olha para Owen. — Isso está parecendo o filme " A casa de Cera"... Não tem ninguém aqui Grady! Não é uma boa ideia ficarmos.
— Está vendo muito filme... estamos na vida real. — Revira os olhos.
— Então! Não somos loucos igual os personagens dos filmes e não ficaremos aqui, vamos! – o puxa novamente.
— Medrosa. — Revira os olhos e caminha em direção ao carro. Então, o treinador resolve assustá-la. — Claire, você viu? Tinha uma mulher de branco do seu lado.
No mesmo instante, Claire grita apavorada e sai correndo indo até o carro. Owen não esperava aquela reação dela, e se assusta também. Enquanto a ruiva corria, o treinador aproveitou para se esconder na escuridão e fingir um pequeno desaparecimento. Sem que ela perceba ele se esconde atrás do carro sorrateiro. E tenta segurar o riso.
Ela olha para trás e ao perceber que ele não estava sente o coração errar várias batidas.
— Owen? – O chama com o tom moderado, tinha medo de gritar e alguém aparecer ali. — Para com isso GRADY!... — olha ao redor e não o vê. Seus olhos estavam ficando marejados. — NÃO TEM GRAÇA! — acaba gritando. Começou a tremer, não sabia se era de medo ou de frio. — OWEN?? – grita já chorando e vai em direção às casas.
O loiro planejava aparecer na janela e a sustar, mas quando a ouviu gritar de desespero ele para de rir e resolve ir atrás dela.
— Hey... Claire! — a alcança e a puxa pelo braço. — Eu estou aqui, para de escândalo.
Ao vê-lo, a ruiva sentiu uma mistura de alívio e raiva pela brincadeira.
— SEU IDIOTA! — O empurra. — PORQUE VOCÊ FEZ ISSO? — O encara cerrado os olhos que estavam vermelhos pelas lágrimas .
Owen teria gargalhado se ela não estivesse chorando, pois era o ponto fraco dele, sempre.
— Só quis te pregar uma peça. Não precisar chorar... O que poderia acontecer de ruim aqui? Vem, vamos embora agora. — Ofereceu a mão para que ela pegasse.
A ruiva o encara secando as lágrimas e não o responde, ignora a mão dele estendida e vai para o carro.
O loiro revira os olhos e a segue entrando no carro. Dá a partida, olhando a estrada e ela, que permanece calada olhando pela janela.
— Claire... desculpa. — Conteve a vontade imensa de rir. — Me xinga, me bate... mas conversa comigo!
— Estamos chegando? – ignora o que ele disse.
— Sim... quase. Está cansada? Fome? – tenta se redimir.
— Não!
Owen revira os olhos, sabia que a ruiva estava cansada sim. Após mais uns minutos na estrada, Owen finalmente avistou a antiga propriedade onde cresceu. Seu coração se enche de alegria, não pode deixar de sorrir ao ver a casa de 3 andares, a varanda com algumas redes e o sofá que sua mãe costumava se sentar e bordar suas roupas. A plantação do pai logo atrás, o pântano em que o treinador brincava na infância. A lagoa onde ele, o pai e os irmãos pescavam para o jantar.
A senhora Grady estava no pé da escada da varanda, secando as mãos no avental, olhando-os com um sorriso imenso no rosto.
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