Notas iniciais
Na vida espiritual, jogou-se ao chão, encolhido com tantas dores, pois na cadeia elétrica sua tortura para morrer fora terrível. Ficou deitado por algum tempo, mas depois, viu um espírito soberbo caminhando na sua direção. O iluminado colocou as mãos sobre ele, apagando os tremores e devolvendo-lhe a saúde. Depois, o abraçou e perguntou-lhe se sua súplica estava valendo, pois o Carma queria atender ao seu pedido. Como respondeu que sim, o ser espiritual pegou sua mão com firmeza e voaram juntos para as alturas em direção de outra Dimensão do Universo.

Um condenado, que estava prestes a morrer na cadeira, muito arrependido e assustado, pediu um padre na sua cela para se confessar e pedir perdão. E o padre falou-lhe:

— Eu vou perdoar em nome de Deus, filho, mas você tem que estar arrependido lá no fundo de sua alma...

— Padre, se eu pudesse, eu queria nascer de novo e pagar pelo que fiz... Isso é o que eu tenho que fazer padre, pagar por cada crime que eu cometi...

— Deus está escutando-o, mas gostaria mesmo de fazer isso?

— Sim! Se existe outra vida, quero ser eliminado a facadas...

— Mas isso é terrível, filho. Não precisa sofrer tanto assim. Porque não pede para ser penitente?

— Não! O meu desejo é nascer numa outra encarnação e ser morto da mesma forma que eu matei...

— Espero que Deus tenha compaixão de você e lhe dê alguma graça que o recompense de tanta dor... Agora vamos rezar. Reze comigo: Pai nosso...

E foi com calma que ele passou pela transição da vida para a morte.

Na vida espiritual, jogou-se ao chão, encolhido com tantas dores, pois na cadeia elétrica sua tortura para morrer fora terrível. Ficou deitado por algum tempo, mas depois, viu um espírito soberbo caminhando na sua direção. O iluminado colocou as mãos sobre ele, apagando os tremores e devolvendo-lhe a saúde. Depois, o abraçou e perguntou-lhe se sua súplica estava valendo, pois o Carma queria atender ao seu pedido. Como respondeu que sim, o ser espiritual pegou sua mão com firmeza e voaram juntos para as alturas em direção de outra Dimensão do Universo.

Pouco a pouco, Gregório foi se recuperando a calam de espirito, pois as estrelas que brilhavam na imensidão também iluminaram sua alma. Começou a responder perguntas básicas como onde havia nascido, como eram os pais que nunca conheceu, e a alta criminalidade da favela onde havia crescido.

Depois de longos anos de viagem, chegaram num mundo diferente, com cidades muito elegantes e uma sociedade em transição. Havia umas tecnologias tão eficazes, que a miséria era coisa do passado, e a delinquência só acontecia nessa sociedade evoluída porque os homens maus eram ambiciosos demais. Os ricos viviam em bairros afastados cercados por fortalezas muradas para se protegerem dos ladrões. Mas, em compensação havia uma medicina espetacular que ressuscitava os homens que eram atacados por criminosos. Não existia pena de morte e os condenados eram isolados em ilhas paradisíacas, aos cuidados de robôs. Por tanto, o espírito iluminado lhe falou que conforme a “Lei Cármica da livre escolha” ele podia ser um criminoso de novo.

Como Gregório jurou que seria o melhor homem do Universo, ele nasceu de uma família grande, em meio de irmãos lindos e barulhentos, numa grande mansão.

Sua mãe era assistida por meia dúzia de empregadas que a ajudavam a cuidar da criançada, e também possuía dois robôs que faziam a faxina doméstica. Seu pai era um executivo muito rico com muito trabalho. Mas, mesmo assim, nos fins de semana levava a família até uma fazenda onde os meninos corriam a cavalo, nadavam no lago e jantavam no meio do jardim, numa mesa cheia de delicias para comer.

E ele cresceu sendo muito amado, feliz, rindo o tempo todo.

Quando Gregório tinha oito anos foi raptado por uma dupla de malandros enquanto corria pela fazenda no seu cavalo negro. Foi levado de helicóptero para outra cidade e depois chamaram sua família e pediram um altíssimo resgate. Seu pai correu desesperado ao banco em busca do dinheiro e ele mesmo levou a grana ao lugar combinado. Mas, Gregório havia sido assassinado a facadas e ele o encontrou de boca para baixo em meio de um lençol cheio de sangue. Chorando, ele viu os médicos carregá-lo para o “Hospital de ressurreição”.

Dentro desse “Centro de Pediatria”, Gregório foi analisado com um vidro vermelho para estudar seus órgãos vitais, baço, coração, rins, pulmão e cérebro. Como tudo estava intacto, ele foi congelado e enfileirado junto com outras crianças, mortas por motivos diferentes, numa cabine de cristal.

No dia da cirurgia de ressurreição, seus pais olharam tudo através de uma retransmissão ao vivo, através de uma televisão gigante, dentro do mesmo hospital.

Primeiro costuraram as veias cortadas, uniram tecidos, reconstituíram partes danificadas com enxerto de tecidos e depois ele foi colocado na estufa para recuperar a temperatura normal. Enquanto isso, “células tronco” foram-lhe colocadas na medula óssea, para a fabricação de sangue. Além disso, foram introduzidas no baço 2 mangueiras com um medicamento aquoso para preencher as veias e artérias. Assim que o corpo estava com o sangue recuperado, um marca passo ressuscitou o coração e uma máquina incentivou o pulmão a respirar. Em quanto isso, cinco paranormais estendiam as mãos sobre a cabeça, passando energia vital para o cérebro através da ponta dos dedos. Pouco a pouco, Gregório foi renascendo de novo, seu cérebro acordou de um longo desligamento e sua memória lembrou-se de quem é que ele era. Assim que viu seus pais acenando para ele através de uma janela, chorou como uma criança e depois se abraçou aos médicos que lhe devolveram a vida.

Até a idade dos 18 anos Gregório e seus irmãos passaram a estudar em casa por medo de um novo sequestro. Seus pais contrataram professores particulares, além de 5 seguranças armados.

Depois de passarem no vestibular, Gregório e seus irmãos foram internados na melhor universidade particular, com direito a um apartamento especial.

E foi naquela ocasião que ele morreu mais uma vez.

Numa tarde em que se encontrava namorando nos jardins da universidade, estendido no chão, beijando suavemente a boca de sua amada, um assaltante roubara seu dinheiro, relógio, cheques, e depois lhe enterrou uma faca atingindo uma artéria na virilha. Ele morreu de anemia antes que os médicos chegassem ao lugar. Sua garota, que foi assaltada e roubada que nem ele, ficou chorando por cima de seu corpo num desespero terrível e depois foi internada junto com ele para tratamento psicológico.

Os pais de Gregório viram-no renascer mais uma vez, sorrindo, pois a ressurreição fora imediata desta vez sem necessidade de congelamento. Em lugar de injetar-lhe “células tronco” na medula óssea, os médicos esvaziaram o sangue do baço, preenchendo-o com um líquido aquoso, gota a gota. Durante 15 dias o corpo foi pouco a pouco recobrando todas suas funções normais. Terminaram o tratamento com vitaminas e uma dieta rica em ferro e outros minerais. Quando recuperou a memoria e abriu os olhos, perguntou pela namorada imediatamente. Seu pai respondeu-lhe:

— Ela está internada, filho. E parabéns, os médicos descobriram que ela está grávida... Você vai ser papai e nós vamos ser vovôs...

— Nossa! Não vão dar-me bronca, vão?

— Claro que não, filho, mas você vai ou não vai pedir essa menina em casamento?

— Mas, vocês topam?

— Concordamos. Vamos sustentá-los junto com o bebê até o dia dessa formatura...

Assim que Gregório voltou para seu apartamento com seus irmãos, sua namorada foi visitá-lo, pois ele ainda tinha que repousar durante 30 dias. Dali para frente ela carregava os deveres de aula para ele, estudavam juntos, entremeado de muitos beijos.

Um mês depois, eles casaram numa cerimônia simples, rodeados de alguns colegas da faculdade. Ao anoitecer, foram passar uma semana na fazenda da família, acompanhados de 3 seguranças e um casal de empregados.

E foi então, que Gregório conheceu a felicidade plena.

Amanda era afetuosa, doce, e respondia o fogo da paixão na mesma medida. Parecia que Gregório nunca havia amado uma mulher, pois ele a namorava durante o dia, de tarde, de noite, numa roda interminável de beijos e chamegos em todo lugar.

E os anos se passaram maravilhosos, estudando, amando-se, pois havia três robôs-babás cuidando da criança e deles mesmos. Quando se formaram na faculdade, eles ganharam de presente uma mansão, construída ao lado da casa dos pais de Gregório. Ele passou a trabalhar na mesma empresa de seu pai e Amanda ficou grávida do segundo filho.

Depois que a criança nasceu, Amanda passou a fazer alguns serviços via Internet e seu filho mais velho começou a estudar dentro de casa.

E foi quando Gregório morreu pela terceira vez.

Um dia, quando saía do trabalho, o segurança da empresa foi desmaiado com uma pedra na cabeça, e 2 ladrões roubaram uma mala cheia de dinheiro das mãos de Gregório. Um deles deu-lhe uma facada no estomago, antes de se perderem correndo.

Desta vez, um helicóptero desceu no meio da rua com uma equipe médica. Depois voaram com Gregório para o “Hospital de ressurreição”, onde foi direto para a cirurgia, pois ele era pai de família com atendimento preferencial. Foi trazido de volta para a vida com eletrochoque no peito e seu cérebro foi reanimado por um paranormal famoso nessa cidade, que o trouxe de volta com um toque na testa. Em seguida, colocaram uma mangueira no baço com medicamentos para engrossar o sangue. Como estava com deficiência de glóbulos vermelhos, ele teve que permanecer um mês repousando na clínica. Dormia numa cama iluminada por luzes vermelhas, tomava injeções de vitaminas no baço a cada três horas e comia uma dieta especial com estrato de cascas de ovos, mariscos, batidas de frutas e comidas com pimenta, acompanhado de um cálice de vinho envelhecido.

Assim que voltou para casa, ele raptou sua mulher para a fazenda durante um mês e deixou os filhos com sua mãe, pois sua virilidade havia dobrado com tanta comida afrodisíaca.

Quando Gregório ficou mais calmo e o chamego normalizando, numa conversa durante um jantar, Amanda lhe pediu mudar de emprego, pois sua vida estava marcada pela tragédia e ela estava com medo de ficar viúva. Gregório concordou com a condição de ela ser sua assistente.

— Hum... E vou fazer o que, exatamente?

— Vai sentar no meu colo, servir cafezinho, e me beijar o tempo todo...

— Então eu aceito...

Quando o segundo filho começou a estudar em casa, ele abriu um escritório de consultoria na parte da frente da mansão, com três guardas armados. E passaram a trabalhar juntos. Almoçavam com os filhos, faziam a sesta após o almoço, e depois do expediente olhavam cinema com os meninos no colo. Amavam-se com ardor durante as noites e cedo pela manhã abriam a porta, pois os filhos pulavam na cama a brincar por cima deles. E teriam sido eternamente felizes se a fatalidade não viesse a atormentá-los novamente.

Num dia em que faziam compras para o aniversário do filho mais velho, ladrões fugindo da polícia entraram na loja e tomaram Gregório como refém. Depois de fugir com ele, o abandonaram na rua no meio de uma lagoa de sangue.

O corre-corre desta vez foi grande, pois os médicos descobriram que o coração fora atingido. Tiveram que congelar seu corpo, abrir seu peito, fazer uma cirurgia delicada no coração para unir veias e artérias, e fizeram algo que poucas vezes se fazia nesse mundo, transfusão de sangue do filho mais velho, que tinha o mesmo tipo. Reanimaram o coração com um marca-passo, vagarosamente, lentamente, enquanto seu cérebro era reativado por 6 paranormais que o trouxeram de volta. Quando ele acordou, estava com uma dor no peito enorme que mal dava para respirar nem falar. Fizeram-no dormir e a recuperação foi longa desta vez. Além das injeções de vitaminas, da comida afrodisíaca, ele ganhava massagens e acupuntura para controlar as dores.

Quando saiu do estado crítico Gregório foi levado a fazer terapia com um psicólogo, especialista em regressão a vidas passadas. Foi hipnotizado e ele viajou para suas vidas passadas e vividas, aqui na Terra. Primeiro ele se viu como mendigo, na Índia, catando comida entre o lixo da cidade, dormindo nas ruas e morrendo de fome um dia qualquer. Em outra encarnação ele fora estuprado, surrado e morto, na Europa, durante uma época muito antiga. Na última encarnação ele fora trombadinha, delinquente juvenil, e matara uma família de 4 pessoas, nos Estados Unidos da América. Viu-se no corredor da morte com o padre ao seu lado rezando antes de morrer, vivenciou os horrores da execução na cadeira elétrica, e acordou gritando de dor.

No dia que voltou para casa, ele se sentia diferente desta vez.

Estava mais calmo, pois havia morrido 4 vezes numa vida só, pagando uma dívida com seu próprio destino. Tudo indicava que nunca mais seria atingido por desgraça nenhuma.

Raptou sua mulher para a fazenda mais uma vez, sem os filhos, e começaram a namorar na beira do rio, como quem está nascendo pela primeira vez.

Como nesse mundo as pessoas morriam aos 200 anos, e Gregório estava com 50 e Amanda com 48, a vida deles seria dali para frente de felicidade eterna.

Morreriam um dia de velhice, rodeado de filhos, netos, bisnetos, e tataranetos, lindos e jovens, pois nesse mundo tampouco existia a senilidade.

Notas finais
Amanda era afetuosa, doce, e respondia o fogo da paixão na mesma medida. Parecia que Gregório nunca havia amado uma mulher, pois ele a namorava durante o dia, de tarde, de noite, numa roda interminável de beijos e chamegos em todo lugar. E os anos se passaram maravilhosos, estudando, amando-se, pois havia três robôs-babás cuidando da criança e deles mesmos. Quando se formaram na faculdade, eles ganharam de presente uma mansão, construída ao lado da casa dos pais de Gregório. Ele passou a trabalhar na mesma empresa de seu pai e Amanda ficou grávida do segundo filho.