Notas iniciais
Na verdade a única coisa que eu fiz nesta vida foi trabalhar, trabalhar e trabalhar para o maior explorador do Universo, o meu patrão que vive nas alturas e atende pelo código de “00”, ou, o de Superespião. Para o cúmulo do incrível, quando estávamos voltando para casa, meu patrão pediu através de uma mensagem para explodir numa mini nave no espaço, pois meu trabalho estava terminado. Ou seja, ele premiou todo meu sacrifício com um pedido de suicídio. Dá para acreditar? Ele disse que eu ia nascer no “Mundo da arte e da felicidade plena” como prêmio e ia ser muito feliz. Logicamente, que eu fiquei brava, pois eu queria era casar nesta vida, ter meia dúzia de filhos e namorar até morrer.

Meu nome é Melinda, nasci na cidade de Meimburneg, no mundo “E” do Sistema ALPHA, na Primeira Dimensão do Universo. E hoje, antes de morrer, eu gostaria de contar sobre os últimos anos de minha vida.

Eu estudei na escola para “Espiões Intergalácticos” na Universidade Lunar de meu planeta, e me graduei com a nota máxima de “zero”. Imediatamente fui destinada a dirigir uma missão de 2.000 anos, com mais 16 espiões como eu. Fui até um mundo selvagem onde fiquei numa tribo de índios primitivos fazendo de mestra, ensinando-lhes a cultivar a terra, a escrever, fazer artesanato, enfim, posso garantir que foi um trabalho em tanto. Logicamente que não deu para ter um marido, casar, ter filhos, pois de meu mundo eu era a única mulher de meu planeta. Os outros Espiões eram do Mundo de “L”, todos casados. Na verdade a única coisa que eu fiz nesta vida foi trabalhar, trabalhar e trabalhar para o maior explorador do Universo, o meu patrão que vive nas alturas e atende pelo código de “00”, ou, o de Superespião.

Para o cúmulo do incrível, quando estávamos voltando para casa, meu patrão pediu através de uma mensagem para explodir numa mini nave no espaço, pois meu trabalho estava terminado. Ou seja, ele premiou todo meu sacrifício com um pedido de suicídio. Dá para acreditar? Ele disse que eu ia nascer no “Mundo da arte e da felicidade plena” como prêmio e ia ser muito feliz. Logicamente, que eu fiquei brava, pois eu queria era casar nesta vida, ter meia dúzia de filhos e namorar até morrer. E furiosa, me encaminhei ao “Espelho falante” da nave, chamei por ele, e esperei a olhar a imagem daquele explorador. E falei-lhe firme e grosso:

— Senhor, eu acho muito injusto me condenar com a extinção depois de matutar como uma escrava. Se bem que os homens que eu conheci nesta vida eram trogloditas peludos, mas por aqui perto há mundos com homens bem lindos para casar e ter meia dúzia de filhos. Então, para que morrer?

— Porque naqueles mundos dos qual você fala o amor não existe filha. Seria como procurar uma moeda num lixeiro. E em seu planeta não há homens solteiros de sua idade para voltar lá, e se apaixonar...

— Está me chamando de velha?

— Quem sou eu para fazer isso, filha... Mas acredite, se você descer naquela Dimensão eu vou me divertir muito olhando para você correr atrás de um marido...

— Sabia que o senhor além de ser explorador é também um gozador?

— Sabia! Se quiser ir a buscar homem pode ir, mas se você não achar, vai ter que morrer...

— Morro! Mas você vai ver como está enganado, eu vou descer na Terra, aqui pertinho, e você vai se arrepender de ter rido na minha cara...

E ELE começou a gargalhar na minha frente enquanto a imagem desaparecia no “Espelho falante”.

Meus amigos Espiões fizeram uma festa para mim, e me aconselharam como podia conquistar um homem com inteligência no máximo de 180. E depois me deram o robô mais lindo da nave para me acompanhar na missão. Ele era médico, engenheiro, artista e piloto excepcional. Subi na minha nave preta, com meu robô ao lado, e sai voando das naves gigantes dando uma volta completa para entrar na rota de meu novo mundo.

Mas, antes de descer, eu invitei o robô na minha suíte, para namorar. Aliás, eu já tinha feito isso com outros robôs durante minha missão.

Além de ser um namorado doce e maravilhoso, meu robô também me fez comer uma pasta de banana e cereais reforçados de vitaminas, uma taça de licor doce e uma sobremesa de creme com morangos. Depois, entrei na banheira com água morna e meu robô sentou ao meu lado. Ele lavou meus cabelos, me fez uma massagem quando sai do banho, namoramos de novo, e terminamos olhando para um filme na televisão.

Depois de um mês estávamos chegando ao meu destino, a Terra, um planeta bem pequeno, mais com paisagens paradisíacas, cascatas deslumbrantes, oceanos gigantes, que olhei extasiada através das pantalhas da nave. Me robô jurava que eu ia ser muito feliz nesse mundo e que ia encontrara um ótimo pai para meus filhos.

E para ter sucesso na empreitada meu robô me ajudou a assumir uma nova aparência, bem parecida com a média das mulheres da Terra. Tive que engordar 15 quilos e fiz três rugas ao lado dos olhos para parecer uma mulher com 40 anos desse mundo. Tingi meu cabelo de preto e meu robô o cortou até a cintura em camadas para fazer volume. Pintei os lábios de vermelho vivo e me olhei ao espelho, estava linda, linda mesmo. Depois escolhi as roupas, calças apertadas que realçavam minhas nádegas, botas altas, uma blusa larga, uma bolsa para levar objetos banais e uns óculos pretos para o sol.

Abracei meu robô, dei-lhe um beijo de despedida, e depois ele me desceu dessa nave através do raio luminoso.

E cheguei a Terra, o planeta mais belo que já conheci, com os animais mais lindos e mimosos do Universo.

Caminhei pela beirada do mar por longo tempo, e fiquei esperando na estrada para pedir carona. Um carro com cinco homens parou ao meu lado e um deles gritou:

— Hei, coroa, vai para onde?

— Para a cidade mais perto...

— Então sobe aqui, velhinha...

Subi no carro e sentei feliz, pois todos eles me acharam gostosa e queriam me abusar na beira da estrada. Maravilha! Assim que sorri para eles e dei um beijo no mais lindo, um deles falou:

— Nossa! É uma vadia, e das boas, cara...

— Ótimo, vamos comê-la aqui mesmo...

E o que se seguiu eu não entendo até agora. Pois meu primeiro abusador desmaiou depois de meu primeiro beijo, e os demais saíram correndo com ele, me chamando de bruxa.

E caminhei pela estrada até que parou outro carro com um homem de 50 anos, ainda um homem bonito. E ele perguntou-me:

— Cobras quanto?

— Nada!

— E daí, vamos para um motel?

— Mas, você é casado, homem... Me patrão “00” não gosta que os homens tenham amantes...

— Isso ali é com os padres! Para mim o único Deus que conheço é o dinheiro... Vai ou não vai?

E fiquei curiosa. Como seria um marido nesse mundo?

E sorrindo falei que sim. Depois, vi o carro desviar da BR e penetrar num edifício grande, bonito, onde entrei radiante. Mas, o namoro durou 5 minutos, pois esse homem desmaiou.

Sem entender o que se passava com esses homens desse mundo, corri até a cidade, e finalmente caminhei até um hotel de luxo.

Mas, que azar! Perdi meus 15 quilos!

E foi ali que fiquei sabendo que ia ter que pagar minha estadia com dinheiro. Droga! Elevei as ondas telepáticas até meu robô e lhe pedi um milhão de dólares. Em pouco tempo uma mala chegou ao hotel com meu nome escrita nela, e eu nunca perguntei onde é que ele conseguiu esse dinheiro todo.

Depois de um banho gostoso, vesti um vestido que comprei na loja desse hotel, e fui num banco abrir uma conta bancária, e sorri novamente. Todos os homens estavam me cobiçando. Será que era por causa da grana? Depois voltei para o hotel, para ler o jornal e procurar um emprego.

No dia seguinte, eu fiz uma fila com 30 pessoas em busca de trabalho.

Preenchi uma ficha falando tudo o que sabia fazer e voltei para o hotel a ver televisão na sala de hóspedes.

Como durante 8 dias não encontrei trabalho nenhum, comprei 10 telas, tintas, pincéis, e pintei uns quadros. Depois de secos, sai com eles para a rua em busca de uma praça para vendê-los. Lastimei não poder dar de presente como fazia em meu planeta, mas coloquei um preço bem barato. Mas, para cúmulo do incrível ninguém comprou nada, alegando que não tinha grana. Para piorar, a polícia apareceu e me pediu a “Licença da Prefeitura” para vender em lugar público. Droga! O que será que era isso?

E foi assim que fui presa naquele mundo imbecil.

Na cadeia, conheci três meretrizes, 5 ladras e uma mulher que havia matado o marido. Como eu não tinha documentos tive que – através da telepatia — gritar para meu robô me fabricar tudo do dia para a noite e me tirar dali. E ele enviou tudo pelo correio.

Além dos documentos fabricados pelo meu robô, eu tive que pagar 10.000 dólares de multa e meus quadros, a polícia os confiscou para eles mesmos.

Sã e salva na rua eu peguei um táxi e fui para o hotel.

Como eu tinha ficado na cadeia, o Gerente do hotel havia também fechado minha conta, e tive que pagar o que devia. Desta vez, começando a ficar irritada, comprei a primeira casa que encontrei por perto. Instalei um ateliê de pintura e fui à Prefeitura a tirar licença para vender na praça. E comecei a ficar feliz, pois desta vez conheci muitas pessoas iguais a mim, que vendiam de tudo um pouco. Mas, que droga, todos eles eram casados.

Depois de fazer amizade com os feirantes, eu perguntei onde é que estavam os solteiros. Uma amiga me disse que eu tinha que ir numa danceteria e me explicou como chegar nela. Também ela me ajudou a escolher roupa adequada, e me levou a um salão de beleza onde fiz maquiagem, pintei os cabelos com mechas coloridas, fiz unhas longas com uma pasta de resina, e coloquei muito perfume. Nossa! Com a ajuda dela fiquei muito mais linda ainda. E fui até esse salão de danças, dirigindo meu carro novo, recém-comprado.

Mas, que sucesso! Depois que entrei a rebolar no meio da turma, e dei uma cambalhota para trás, 5 homens ficaram me olhando com cara de lobos. Escolhi o mais lindo e fui com ele para minha casa. Entramos na sala nos beijando, nos amamos por cima do sofá, e depois que ele desmaiou o acordei com um dedo na testa, para namorar durante 6 horas sem dormir.

Nos dias seguintes, ele me pediu para casar. Feliz eu coloquei o anel no meu dedo e sai com ele pela cidade radiante, nos beijando o tempo todo.

Quando cheguei à praça eu lhe expliquei que minha profissão era na rua, ao lado de meus amigos. Como havia umas 5 garotas de programa por ali perto, ele pensou que eu fazia o mesmo, me deu um tapa na cara, pegou meu anel de volta e me abandonou indignado. Droga! Perdi meu noivo em menos de 10 dias.

Sem querer dar o trunfo a “00” lá no alto, que devia estar gargalhando, fui à danceteria de novo, e assim que encontrei outro apaixonado o beijei na boca e depois o levei para um motel desta vez.

Coloquei o dedo sua na testa e ele ficou no chamego durante 5 horas sem dormir.

Logo, logo, fiquei noiva mais uma vez.

Coloquei novamente o anel no dedo e foi quando levei uma surra desta vez. E olhem o motivo, só porque o vendedor de pipocas me abraçou e deu um beijo na cara no meio da cidade. Fiquei com o olho roxo, uns hematomas no torso, e quase perco o olho.

Indignada, vendi minha casa e fiz uma festa de adeus para meus amigos ambulantes. Durante a festa eu fiz um sorteio com 30 envelopes fechados, onde havia repartido meu milhão de dólares em partes iguais. Só não sei do por que, que todos me chamavam de SANTA, nem do motivo da TV aparecer e filmar tudo como a maior novidade dessa cidade.

Meu primeiro noivo apareceu a pedir perdão e dizer que queria casar comigo.

Mas desistiu quando falei que estava pobre, pois minha riqueza havia terminado. Saiu correndo de minha vida como um rato. Com certeza o Deus dele era também o dinheiro. Cego. Imbecil!

Já dentro da nave, comecei a chorar minhas decepções de amor. Meu robô me abraçou com ternura e depois me levou até o “Espelho falante”, pois havia uma mensagem para mim. E adivinhe quem é que ele era? O meu patrão, é claro. E ele me disse:

— Não fique triste, minha filha. Seu futuro marido já nasceu, e está com 3 anos de vida. Não gostaria de conhecê-lo?

— Não! Nesta vida só quero amar meu robô...

— Você é que sabe. Prometa-me meia dúzia de filhos para a próxima encarnação...

— Prometo... E obrigada, achei pessoas boas na Terra... Não poderiam ser meus amigos na próxima encarnação?

— Vou estudar o caso... Você estava hilária, sabia? Porque foi fazer fila para pedir emprego, afinal?

— Para ser uma pessoa normal, só isso... E em lugar de encontrar trabalho fui dar na cadeia... Lembra?

E nós demos boas risadas desta vez, lembrando-nos de minhas desventuras.

Hoje, depois de 60 dias de namoro e chamego com meu robô, loiro de olhos azuis e corpo de atleta, estou pronta para explodir no meio do espaço.

Quando isso acontecer, uma luz vai ficar brilhando como lembrança de minha vida corporal, pois ela será minha energia concentrada numa luminosidade bem pequena. Um dia, ela vai aumentar, e fazer parte de uma Nebulosa.

É por isso que o Universo nunca para de crescer e o motivo de tantas e tantas estrelas nascerem todos os dias. Sempre há um espírito superior explodindo e deixando sua luz na escuridão.

Meu patrão acha que quando todos os espíritos inferiores evoluírem e explodirem deixando o seu clarão, o Cosmos vai ser tão grande que cruzá-lo vai exigir esforço redobrado. Uma esperta em pilotagem e comandos de bordo como eu, vai necessitar viver 50 vezes mais para cumprir uma missão na frente de um navio e cruzar a imensidão.

Quanto tempo eu demoro em cruzar o universo nesta existência?

Realmente não sei, porque viajo na velocidade do pensamento. Quer dizer, com minha força mental mexo as naves na velocidade enquanto eu penso. Visualizo os Mundos que tenho que visitar e minha mente me levam até lá. Depois que a nave está na velocidade máxima eu desligo, pois no espaço a velocidade é contínua. Assim me dedico a cuidar de meus subalternos, que pela sua vez cuidam da cozinha, da horta, enquanto eu supervisiono a rota e marco nos controle o momento de parar. E desta forma estamos um dia lá, e no outro mais além, espionando para meu patrão, meu chefe, que mesmo sendo um explorador e um gozador é um grande sujeito com um enorme coração. E ele tem tanto amor que às vezes me surpreende. Palavra!

Pena que o “Deus-dinheiro” que lhe faz concorrência nos Mundos Inferiores tenha tanto sucesso. Uma lástima mesmo. Se não fosse assim, a vida seria só de chamegos e amor.

Adeus!

FIM

Notas finais
Já dentro da nave, comecei a chorar minhas decepções de amor. Meu robô me abraçou com ternura e depois me levou até o “Espelho falante”, pois havia uma mensagem para mim. E adivinhe quem é que ele era? O meu patrão, é claro. E ele me disse: - Não fique triste, minha filha. Seu futuro marido já nasceu, e está com 3 anos de vida. Não gostaria de conhecê-lo? - Não! Nesta vida só quero namorar meu robô... - Você é que sabe. Prometa-me meia dúzia de filhos para a próxima encarnação... - Prometo... E obrigada, achei pessoas boas na Terra... Não poderiam ser meus amigos na próxima encarnação? - Vou estudar o caso... Você estava hilária, sabia? Porque foi fazer fila para pedir emprego, afinal?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!