Historias de amor
2 Guerreiros intergalácticos
Notas iniciais
Numa sociedade de guerreiros intergalácticos, nos confins do Sistema DELTA, Linda revistava a lista de invitados para seu casamento. Seriam 400 pessoas, numa festa que durariam três dias na fazenda da família de seu noivo, Milton. Suspirou fundo de felicidade! Sua futura casa também já estava mobiliada, com os presentes enviados pelos amigos, e depois da festa a lua de mel seria naquele ninho de amor. Nada de viajar pelo mundo. Trancar-se-iam a namorar sem data para terminar.
Quando Milton chegou, beijou-a na boca com doçura e depois a incentivou a dar uma olhada no futuro lar. Saíram da casa da mãe de Linda e de mãos dadas percorreram as ruas dessa cidade, rindo como adolescentes que eram. Cruzaram a “Cidade Universitária” onde se encontrava a “Escola dos guerreiros” e chegaram aos departamentos para casados daquela faculdade. Abriram a entrada com emoção, e quando fecharam a porta imediatamente se abraçaram e uniram as bocas para um beijo logo e delicioso. Em seguida, namoraram estendidos no chão. Enquanto se amavam com doçura, conversavam através da telepatia:
— Quanto tempo vai durar a “Lua de mel”, meu amor?
— O Diretor da Faculdade nos deu 6 meses, querida. Vão nos enviar as matérias via Internet e vamos sair daqui para fazer os testes quando o verão chegar. E durante todo esse tempo, vamos ficar aqui namorando e mais nada. O que acha?
— Ótimo. Os robôs nos alimentarão e irão ao supermercado em busca das delícias para repor as energias. Mas, vamos estudar, não vamos?
— Na cadeira dupla, com você me beijando a cada 5 minutos. Hum... Vai ser uma delícia de casamento...
Mas, infelizmente, uma sirena cruzou a “Cidade Universitária” e os alunos foram chamados às pressas para se apresentar ao Comandante de tropas. Linda e Milton vestiram os uniformes de guerra, e correndo alcançaram o elevador. Subiram até o telhado, entraram numa nave de combate e cruzaram o céu a caminho da Base Lunar, onde se encontrava o aeródromo interespacial. Saíram aflitos para um grande salão, onde todas as tropas começavam a se agrupar, esperando impacientes pelas palavras do Comandante.
Pouco a pouco a figura imponente de um homem apareceu num palanque gigantesco. Olhou para todos e com voz calma explicou que havia 90.000 naves de combate de um Mundo Selvagem, com destino incerto, com o propósito de exterminar populações de seres pacíficos e indefesos. Como guerreiros de um Mundo Superior, teriam que interceptá-los. Eram assassinos de grande periculosidade, que possuíam armas terríveis, como bombas “atômicas”, que poderiam destruir mundos inteiros com radiação. Em seguida, numa tela gigante mostrou o mapa universal, e a rota dessas naves primitivas. O Comandante também marcou o lugar onde os interceptariam e aconteceriam os combates.
Antes de subir na grande nave gigante, que os levaria para uma guerra sangrenta, Milton perguntou para Linda sobre o futuro de ambos:
— Escute, meu bem, se um de nós morre solteiro, o suicídio é proibido. Se nós casarmos, o suicídio será obrigatório. O que prefere?
— Casar. A existência sem você não teria sentido para mim.
— Para mim tampouco. Eu morro por você mil vezes, se for necessário.
— Jure que se nós sobrevivermos vai me engravidar no primeiro encontro.
— Com 5 filhos, eu prometo.
E correram ao templo para casar em frente aos “anjos divinos”, sozinhos, sem festa, e sem família nem amigos. Em seguida, junto aos outros guerreiros, entraram na grande nave de guerra. Falaram com telepatia um adeus para as famílias. Gente que chorava em coro dentro de suas casas, abalados com o incidente imprevisto.
Depois de muitos dias de voo pelo espaço infinito — na velocidade do pensamento — o Comandante parou a nave, desligou os módulos menores, e formou o bloqueio. Como telepático esperto, leu a mente do inimigo desde longa distância, e calculou onde poderiam ser abatidos. Reuniu aos seus tenentes, Milton e Linda entre eles, e marcou o lugar dos ataques com precisão. Linda foi designada para sair na frente de 15.000 guerreiros, em primeiro lugar. Milton a abraçou, em seguida beijou com rosto molhado. E depois ficou olhando a partida das naves individuais, se odiando até a alma por estar destinado para o último combate.
Os ataques duraram longamente, pois no espaço a contagem do tempo desaparece. Os primitivos morreram um a um, e os guerreiros intergalácticos também. Quando tudo acabou o Comandante viu o regresso da metade de seus militares. A maioria deles sequer tinha 18 anos, solteiros ou recém-casados sem filhos, como mandava o regulamento de guerra.
Linda, uma das sobreviventes estava com medo, pois Milton não lhe retornava nada por telepatia. Engoliu em seco e perguntou para seu Comandante sobre seu marido. Ele imediatamente lhe respondeu:
— Ele passou para a espiritualidade, meu bem. Tem minha permissão para explodir. Conte suas estrelas antes de passar pela transição da morte...
Limpando as lágrimas com o braço, Linda contou 28 estrelas no seu peito. Dava para renascer num “Mundo de Lazer”, onde a vida seria só de amor e alegria. Acelerou sua nave ao máximo e ela explodiu no Universo como uma bomba. Depois ela ficou como espírito, boiando no espaço, e abraçando aos amigos que estavam se suicidando como ela.
Quando a alma de Milton chegou junto dela, se entrelaçaram de braços e pernas formando um corpo só. Sem desfazer o abraço, Milton a rodeou com sua capa de tenente, começando os beijos ardentes. Desta vez, o deleite do amor seria telepático, pois o regozijo simplesmente os envolveria pela eternidade dessa viagem.
Depois uma brisa os sugou e cruzaram a imensidão na direção de outro Sistema Estelar, em busca de seu novo lar. Outro planeta. Longe da guerra. Onde mais uma vez casariam, rodeados da família e dos amigos desta vez, numa grande festa com direito a danças, e alegrias sem fim...
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