Histórias sem fim
1 Seen It All
Notas iniciais
– Porra, que frio – se queixava Percy no banco de trás a picape do pai de Jason.
– Relaxa ai cara, olhe – apontou Luke para um saquinho que vinha trazendo no bolso da bermuda
– Isso é... – começa a perguntar Leo
– Sim é – confirma Luke
– Onde você conseguiu isso? Isso é ilegal! – exclama perplexo
– Relaxa mano, e só pra pura diversão – concorda Jason
– Você já sabia disso? – pergunta espantado Leo
– Claro que sim, ajudei a conseguir
– Acho que isso não é uma boa ideia – reclamou Leo, que estava ao lado de Percy que permanecia calado. Esse parecia muito distante
– Tudo bem galera, são só algumas pílulas, não faz mal a ninguém – Luke abriu a mão direita e mostrou 5 cápsulas pequenas e brancas – vamos lá, só umazinha
Jason foi o primeiro. Estendeu a mão, agarrou uma pílula e a enfio na boca. Tudo, como se fosse a coisa mais simples do mundo.
– Sei não – continuava insistindo Leo – eu nunca usei essas coisas. E você Percy? Percy!?
– Ahn? Ah sim. Eu também não. Mas eu realmente quero me divertir hoje à noite. É sexta feira! A quanto tempo a gente não sai pra se divertir em uma sexta feira juntos pessoal? Por mais que eu não tenha certeza, acho que nada de ruim pode acontecer. Estou certo Luke?
– Claro que sim. Já fiz isso várias vezes e nunca tive problemas
Percy estendeu a mão, agarrou uma pílula, olhou pela janela e antes que colocasse a capsula na boca, sussurrou baixinho:
– Isso é por você
– E você Leo? Não vai pegar?
– Arg, té bom – e de má vontade, agarrou a pílula e a enfiou goela abaixo.
– Agora, vamos esperar – falou Jason
...
Tinham se passado cerca de 10 minutos, até que os efeitos da droga começaram a surtir efeito. O primeiro a sentir foi Percy, que não parava de rir e seus olhos pareciam duas pedras de rubi.
– Meu Deus! Isso é demais! – falava, um pouco empolgado demais
– Eu num disse – falava Luke
– Quero mais – Percy diz, como se tivesse pedindo doce a um amigo
– Sinto lhe dizer que não tem. Só deu pra conseguir essas – fala Luke
– Putz, e agora? Agora que o negócio estava esquentando
– Mas, eu acho que sei onde podemos conseguir mais, só que está rolando uma festinha lá, e digamos que eu não sou bem vindo
– Como assim? – pergunta Jason
– Bem, o cara que está dando a ‘festinha’, e um velho inimigo meu. Porém, o cara que pode arrumar esses brinquedinhos pra gente, está nela
– A gente podia ir sem você – fala Leo
– Sem chance. Vocês nem sabem que ele é. Tenho uma ideia melhor
– Qual é?
– E se a gente, simplesmente, invadíssemos a festa e ‘bum’, estragasse ela?
– O que você quer dizer com ‘bum’? – pergunta Leo
– Relaxa cara. E só pra se divertir
– E onde é essa festa?
– Bem, digamos que é no lado baixo da cidade
– Espera, espera. Você está nos levando a uma casa de gangster? Sem chance. Eu não vou
– Calma Leo. Até parece que você não quer se divertir. – reclama Percy
– Eu quero, mas se for dessa forma, tô fora.
– Você que sabe mano. De qualquer forma, acho que estaremos de volta em 1 hr no máximo, se quiser esperar pela gente, fique à-vontade, mas não garanto que restará algum pra você. – fala Jason
– Tudo bem. Vamos lá, mas se a coisa começar a ficar preta, eu vou vasar, quero nem saber
– Já é!
Jason deu a partida no carro e os quatros de dirigiram para o subúrbio da cidade.
– Chegamos, pare o carro ali perto daquela arvore – apontou Luke – a gente pode precisar dele perto se algo der errado
– Tudo bem
O bairro era bastante esquisito, e por mais que ainda não tivesse totalmente escuro, era possível notar que faltava iluminação publica naquela rua em particular.
– Qual é a casa? – perguntou Percy. Todos já tinham decido do carro
– Aquela ali, a amarela
– Wool, não parece que está rolando uma festinha nela
– Não é pra parecer. Venham – Luke começa a andar em direção ao portão de entrada.
A casa era uma casa de esquina, um pouco mais larga que as outras, porém, mal feita. A tinta amarela que um dia cobria toda a parede da frente, fora desbotada até sobrarem apenas algumas manchas de amarelo, sem contar na forte pichação de diversos palavrões e símbolos desconhecidos. Um portão de alumino de um metro e meio de largura, completava a entrada.
Ao se aproximarem do portão, já se era possível ouvir o barulho que emanava de dentro. Uma mistura de música reggae com vozes graves e as vezes alguns gritos agudos, que devem pertencer a alguma garota histérica.
– E agora? – pergunta Percy, que agora se encontrava em frente ao portão de alumínio com três garotos ao seu lado
– Esperamos. – completa Luke
Sem prévio aviso, o portão abre e um refletor, de proporções gigantescas, e apontado na cara dos quatros garotos.
– Ai meus olhos – reclama Leo
– Estou cego – fala Percy
– Calma pessoal. Está tudo bem – fala Jason
A luz agora tinha sido retirada e um homem um pouco grande demais estava do outro lado do portão.
– Quem são vocês? O que querem? – perguntou
– Viemos ver o Caronte
– Caronte? Ele não está aqui
– Sim ele está. E ele sabe que estamos aqui
O homem os olhou de cima a baixo e falou em tom sério:
– Esperem aqui. Eu já volto. – e fechou o portão na cara dos quatros
– Pessoal, eu não sei se foi uma boa ideia vimos aqui – fala Percy
– Eu sempre soube que não era uma boa ideia vim aqui Percy, só vim porque vocês são meus amigos – fala Leo
– Eu não estou me sentindo à vontade aqui. É... estranho – fala Percy
– Calma pessoal. Ele já deve estar voltando. Uma dica: façam o que fizerem, mas não encarem por muito tempo. Nunca é uma boa aposta.
O silencio se fez presente, mas o clima tenso, insistia em ser maior. Um pouco mais e o homem grande voltou. Tinha a mesma expressão vazia de antes, e só disse uma palavra quando o portão foi aberto.
– Entrem.
Os quatros foram entrando, guiados por Jason e atraindo milhares de olhares desconfiados. Além do portão, tinha uma grande área que era cercada por plantas, muitas já mortas, e algumas cadeiras que iam até a porta de ferro. O piso era de cimento e podia se notar algumas marcas de vômitos antigos, não limpados. Além da porta de ferro, vinha a sala de estar, que tinha as paredes completamente cinza e com alguns nomes escritos com tinta branca. Ela não possuía nada além de um sofá em L que tinha as mais estranhas pessoas já vistas, dois caras e uma mulher entre eles seminua. Ambos os olharam enquanto eles passavam.
O corredor era deprimente. Parecia um corredor de hospital, pois nele se encontravam várias pessoas deitas, só que ao invés de estarem doentes, estava bêbadas ou drogadas. Era possível ver muitas garrafas de bebidas e seringas espalhadas por ele. O corredor era composto por 5 portas, sendo que apenas a última estava aberta.
Os garotos se dirigiram para essa, mas antes que chegassem a ela, foram interrompidos por dois caras.
– O que as bixinhas tão procurando por aqui? – fala o maior entre eles
– Gostaríamos de falar com o Caronte. – quem responde e o Jason
– Hmm... vocês querem falar com o Caronte. Mas, o que os leva a ter certeza de que ele quer falar com vocês?
– Porque temos algo que ele quer – fala Jason
– E o que seria isso?
– Assunto entre nós e ele.
O homem o olha desconfiado, enquanto o outro apenas observa.
– Pois bem. Só aviso-lhe uma coisa: cuidado – e se começa a se retirar – ele está na segunda porta a direita. Batam antes.
– Obrigado – agradece Luke – vamos.
Antes de irem, Leo puxou Percy pro lado e disse:
– Percy. Todos tem armas aqui. Todos mesmo. Eu já conseguir ver várias facas, canivetes, sem contar que eu tenho quase certeza, que eles tem armas, armas de verdade, de fogo. Acho melhor darmos, o fora daqui
– Calma cara. Só viemos pegar o negócio, acho que até o Luke sabe que não dá destruir essa festa aqui. Isso não é uma festa
– Não sei não. Não sei mais de nada. Só sei que quero dar o fora o mais rápido que conseguir daqui.
– Relaxa, estamos quase lá.
Andaram até a segunda porta a direita no corredor, ao lado, era possível ouvir gritos e gemidos, um tanto violentos demais e do outro tinha um homem, de no máximo 20 anos, corpo muito magro e barba a ser feita esparramado. Ou drogado demais, ou bêbado demais.
– Acho melhor batemos antes – fala Luke
Já era possível ver, que até ele estava com certo medo. O ambiente não era dos melhores.
Toc. Toc. Toc.
Nada. Nenhuma resposta.
– Bata novamente – insistiu Jason
– Está bem
Toc. Toc. Toc.
– Acho melhor irmos embora. – fala Leo
– Também acho – concorda Percy
Eles se viraram e começaram a sair do corredor em direção a sala e depois o portão de alumínio da rua. Mas antes que chegassem ao fim do corredor, foram interrompidos por uma voz um tanto rouca demais.
– Aonde vocês vão?
Primeira reação: parar. Segunda reação: congelar. Terceira reação: se virar. Foi exatamente nessa ordem que aconteceu, e em perfeita sincronia.
– Vocês não podem ir embora agora. A festa mal começou – fala o homem, completamente desconhecido até então
– A gente só ia... – começa a falar Jason
– Xii, eu sei bem o que vocês iam fazer. Não precisam ter medo. Estamos entre amigos. Não estamos?
– Claro
– Sim
– Sim
– Com certeza
– Então venham comigo. Vamos apreciar a vista. – esse passa por eles e segue em direção a cozinha, que fica ao lado oposto da sala.
Essa, parecia que tinha sofrido um atentado terrorista. Bancos quebrados, mesa pela metade, geladeira velha e aberta, pia completamente destruída e apenas uma peça de armário na parede. Sem contar o chão, que tinha de copos quebrados, pratos á vômitos, camisinhas usadas e fezes (que provavelmente eram humanas).
– Pra onde estamos indo? – pergunta Percy
– Calma, vocês logo, logo verão.
– Posso saber seu nome? – pergunta
– Pra que nomes? Eles são tão... cafonas. Mas vocês podem me chamar de Segredo.
– Segredo? Isso parece tão..
– Estranho? Bonito? Sim, eu sei.
– Eu ia dizer, diferente.
Enquanto a noite raiava lá fora, três coisas ficavam completamente claras na mente dos garotos. A primeira, era que o clima ia se caminhando de feio e fumaçado, até violência pura. Segunda coisa, eles estavam com medo. E terceira coisa, não ia ser fácil sair dali.
– Silencio – pede Segredo, mas não parece estar falando com eles, e sim chamando alguém.
Alguém se aproxima pelas portas do fundo.
– Pois não senhor.
– Pode levar nosso convidado pra fora – fala Segredo
– Ok. – o cara, que tinha um apelido também estranho, sai
– Por aqui – fala Segredo e os leva por uma porta ao final da cozinha
...
A parte de trás da casa era completamente medonha. Matos de um metro e meio, mais ou menos, cobria boa parte dele, sem contar dos entulhos velhos, que muitos pertencerá a carros ou automóveis do gênero.
– Agora, assistam – fala Segredo, como se fosse assistir a um filme ou a uma novela de que gosta junto aos amigos
Do outro lado do quintal, era possível ver um mini quarto revestido de madeira. Dele sai Silencio e mais dois caras, carregando outro cara amarrado e vendado. Ele e arrastado até o meio do quintal, onde há um círculo de areia e uma luminária fraca. Um dois caras começam a desamarra-lo e a desvenda-lo, enquanto o outro o entrega uma faca de cabo preto, de uns 20cm. Dois desses caras se afastam e fica apenas um. O cara que estava no chão começa a se levantar. Esse parecia que não come a um bom tempo e suas pernas começam a fraquejar.
Sem notarem, o quintal começa a encher de gente, e o que antes só era habitado por 4 garotos e um homem de nome estranho começa a se ver com mais e mais pessoas. O homem que entregou a faca ao cara no chão grita alguma coisa com ele e ele, como se fosse em um impulso elétrico, salta em cima do outro, errando por pouco o peito direito do mesmo.
Leo e Percy estavam prestes a ter um ataque cardíacos. Seus corações batiam muito rápido e suas pernas já não o aguentavam mais. Ambos se entreolhavam e sabiam que estavam ferrados. Jason e Luke não estavam muitos diferentes, a não ser que não pareciam demonstrar.
– Nada mais me choca depois dessa noite – sussurra em tom quase não auditivo Percy
– Que noite? – pergunta Silencio
No outro lado do quintal. Os dois homens lutavam. Enquanto um desviava o outro aplicava golpes certeiros, que por pouco não atingia uma veia ou artéria do outro. Aos poucos, o clima foi esquentando e apostas eram feitas ao redor. Foi quando a luta chegou ao fim, e com uma facada certeira no pescoço, o homem que estava sendo mantido preso cai ao chão.
Silencio olha para os garotos e pergunta:
– Gostaram?
– S-sim – o som que saia pelas boca de Percy, que foi o mais rápido a falar, era quase inaudível
– Pois bem – fala Silencio – quem será o próximo?
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