História After You - Terceira Temporada

3 Capítulo - One night in the bungalow


Notas iniciais
Capítulo importante para o futuro da história. :)

O retorno para Nublar foi repleto de contratempos. O piloto do jatinho não pôde voar por motivos de saúde e uma tempestade incomum chegou logo após acharem um substituto. Conseguiram chegar em Nublar na manhã do dia seguinte. Owen e Claire não conseguiram conciliar a primeira semana após a viagem: Muito trabalho, professora particular da Clarisse, imprevistos e turistas reclamões. Consequentemente, estavam mal se vendo durante o dia, já que Owen trabalhava em outro lado do parque, e treinava os novos funcionários de segurança da ACU. Apesar de tanta correria, Owen não deixava de mandar várias mensagem para sua mulher ao longo do dia.

Era sexta feira quando Tyna entrou em contato com Claire pelo telefone, comunicando que haviam mais de 100 candidatas para ser sua nova assistente pessoal.

Claire tinha se esquecido completamente. Precisava urgente de uma assistente. Estava quase na hora do almoço, então mandou uma mensagem para o marido.

"Amor, vamos ter que desmarcar mais uma vez nosso almoço. Estou atolada aqui, não poderei ir. Me desculpa.

Te amo!"

Então, pediu para Tina organizar as candidatas na sala de reuniões. Falaria com todas juntas, para depois começar a entrevista individual. A assistente de Owen, competente como sempre, fez o que Claire pediu.

Dez minutos depois, ela entrou na sala sendo acompanhada pelo olhar de todas.

— Bom dia!

— Bom dia. – responderam em coro.

— Todas estão aqui para a vaga de minha assistente pessoal. Antes da entrevista individual, gostaria de deixar claro as atividades da função. E quem não se identificar, ou não estiver disponível, podem se retirar da sala. — Olhou para cada uma delas. — O nome "assistente pessoal" já diz... A candidata terá que ser totalmente responsável, eu não admito erros e gosto de organização...

Conforme Claire foi explicando, aos poucos a sala foi ficando vazia. Até que ao final, sobraram cerca de 40 candidatas o que fez a ruiva rir internamente. Ela se retirou e pediu para Tyna organizar e começar a mandar uma de cada vez para sua sala com os currículos correspondentes.

As primeiras foram encaminhadas, pareciam não estar nada a vontade. Antes da décima ser entrevistada, Tina bateu na porta e deu um aviso.

— Senhora Grady, algumas meninas estão indo embora alegando não estarem muito bem. Eu assustei pois saíram 22 meninas de uma vez só...

Claire arregalou os olhos com aquele comunicado.

— Vai ver, elas pensaram bem em tudo o que eu disse e desistiram. — riu. — Obrigada, Tyna. Pede para a próxima entrar por favor.

Tyna estava ajudando Claire, pois Vivian estava de férias e Owen foi muito gentil em ceder sua assistente para a esposa. E a ruiva a adorava.

Uma moça de cabelos castanhos entrou na sala logo em seguida. Entregou o currículo e disse que seu nome era Rebecca. Era muito gentil e educada, muito formal no modo de falar e se portar.

Rebecca se saiu muito bem ao se descrever e no geral. Sem falar nas boas recomendações no currículo.

Claire gostou muito da morena. Foi uma das melhores, ou se não a melhor candidata. Se encaixava perfeitamente no perfil que procurava.

— Ótimo currículo, Rebecca. Então você está disponível em tempo integral? Sou muito exigente.

— Sim, quando precisar. Sou uma máquina, posso virar a madrugada acordada quando precisar.

Claire assentiu com a cabeça e sorriu.

— Muito bem, vou ficar com seu currículo. Ainda tenho algumas candidatas para entrevistar. Caso seja selecionada, entrarei em contato até amanhã. Só mais uma coisa... Está disposta a morar aqui em Nublar?

Era quase certo para Claire que ela seria sua assistente, mas não iria se antecipar.

— Sim senhora. É a realização de um sonho morar aqui!

— Que bom... Então... — levantou e esticou a mão para cumprimentá-la. — Aguarde minha ligação.

Assim que cumprimentou a ruiva, Rebecca se foi e Tyna encaminhou as poucas candidatas que sobraram.

Quando Claire terminou, já tinha escolhido sua nova assistente. Pegou o currículo dela e guardou em sua gaveta. Não pôde deixar de pensar em sua melhor amiga, Zara. Nunca a esqueceu e sabia que ninguém seria tão boa igual a ela.

Era quase cinco da tarde, então decidiu ir comer alguma coisa.

— Senhora Grady? O senhor Owen mandou seu almoço, ele perguntou se eu vi você comendo... — Tyna disse vermelha, mostrando uma pequena sacolinha do restaurante favorito dela. Claire pegou a sacola e sorriu toda boba.

— Obrigada Tyna... Meu marido não existe. — disse toda apaixonada. — Se ele perguntar, fala que eu comi. — foi para sua sala comer, Owen sabia exatamente o que ela gostava.

Dentro da sacola, tinha um bilhetinho que ele mesmo escreveu. O papel estava meio sujo e as letras trêmulas.

"A luz reflete o vermelho quente dos seus cabelos.

Pele clara, lindos olhos esmeraldas,

boca delineadamente doce.

Ruiva dos cabelos de fogo mostre-me seu poder de incendiar,

queimar e amar de uma forma diferentemente quente.

Conjunto perfeito de curvas, com um toque sexy de sedução

A torna assim... tão irresistível.

Grady."

Um imenso sorriso se formou em seu rosto de porcelana. Ela depositou um beijo no papel e o guardou, tendo uma idéia. Comeu rapidamente e pegou suas coisas.

— Tyna, eu já vou indo. Qualquer coisa é só me ligar.

— Sim, senhora.

Claire foi para o carro e dirigiu rumo aonde estava o amor de sua vida. Ao chegar, ficou de longe o observando trabalhar. Pouco depois ela notou um ruivinha de vestidinho rosa correndo atrás do pai.

Owen sabia que Claire estava ocupada, então pegou a filha na escola e levou para o trabalho. Além de treinar os novos seguranças, tinha que olhar o que Clarisse estava fazendo o tempo todo, dar água, comida, levar no banheiro e distraí-la quando chorasse por causa da mãe.

Claire então se aproximou deles sorrindo.

— Muito trabalho? — perguntou para o marido que estava de costas, com Clarisse no colo.

— MAMÃE!

A criança foi ao delírio e se jogou em cima da mãe com um sorriso de orelha a orelha.

— Oi amor... O que faz aqui?

Claire a pegou no colo a abraçando e enchendo de beijos.

— Estava com saudade... — piscou para ele.

— Eu também fiquei, eu chorei só um pouquinho porque eu agora sou uma mocinha... — Explicou com a vozinha mais doce do mundo.

A mãe ficou toda derretida e a abraçou mais forte.

— Ah minha princesa... Vamos passar o fim de semana bem juntinhos. Não é amor?

— Posso tentar... tá um pouco corrido aqui. Ainda nem marcamos a consulta com a médica.

Claire o encarou séria.

— Bom... Não tem problema então. Vou com a Cla para casa... Onde está a mochila dela?

— Está no meu armário... Você sabe a senha. Cadê meu beijo de despedida?

Claire passou por ele e foi buscar a mochila com a filha no colo, voltando logo.

— Vai jantar em casa, ou hoje também não vai ser possível?

— Eu pretendo... — Owen estava visivelmente sem graça, seus funcionários estavam observando de rabo de olho.

— Hm... Dá tchau para o papai...

Clarisse correu e pulou no colo dele.

— Tchau papai... — Deu uma beijo na bochecha dele.

— Tchau, filhinha. Te amo. — beijou os cabelinhos dela.

Clarisse desceu do colo do pai e foi segurar a mão da mãe.

— Tchau, Owen. — disse apenas e as duas foram para o carro.

Magoado, Owen voltou ao trabalho e chegou em casa depois do jantar, quando Emma tinha acabado de ir embora.

Assim como ele, Claire também estava magoada. Ambos tinha muito trabalho, mas muitas vezes parecia que Owen dava prioridade a ele e não a família.

Clarisse já estava dormindo, tinha brincado muito com a mãe e ficou exausta. Claire também já estava deitada.

*

Owen estava no telefone quando trancou a porta da sala, falava com a doutora Jones.

— É complicado, eu sei. Podemos marcar para semana que vem?

— Claro, Owen. Pode ser na segunda?

— Sim, estaremos aí. Qual horário?

— Às onze da manhã.

Claire passou por ele e foi até a cozinha fazer um chá. Owen parou tudo o que estava fazendo para admirá-la naquela camisola de seda malditamente curta. Ela o ignorou, não queria conversa com ele.

— Temos consulta segunda feira, antes do almoço.

— Não devia ter marcado.

— Devia, temos um bebê nos planos.

— Temos? Você não tem nem tempo para sua família agora. Outra criança será um erro. — pegou o chá e voltou para o quarto.

Owen não entendeu aquilo, mas jantou, tomou seu banho e foi se deitar. Claire estava com o abajur ligado, lendo um livro sobre administração.

Então, ele deitou nas pernas dela e cochilou, a fazendo suspirar e fechou o livro, ficou o admirando dormir enquanto acariciava seus cabelos macios e cheirosos. Ambos dormiram naquela posição.

*

Quando o despertador dele começou a tocar, já estava na hora dele ir para o trabalho. Owen acordou e foi deitar em cima da esposa, inconscientemente. Claire acordou com o peso dele.

— Owen... Você pesa. — resmungou.

— Hm?

— Sai de cima de mim. Seu despertador já tocou... Levanta!

Owen rolou para o lado, dormindo todo preguiçoso.

— Owen! — o sacudiu. — Está na hora de você ir trabalhar!

— Não vou.

Claire o encarou e deitou virando para o outro lado. Afinal, ainda era cinco horas da manhã. Quando ela acordou, mais tarde, Owen estava mexendo no iPhone dela.

Aquilo a deixou furiosa.

— O que está fazendo com o meu celular?

— Vendo suas fotos deliciosas.

Ela pegou da mão dele brava e foi para o banheiro tomar banho.

— Já acordou daquele jeito, é? Não devia ter tirado folga!

Depois de alguns minutos, ela voltou enrolada na toalha.

— Obrigada... Por não ter ido trabalhar... — disse sem jeito. — A Cla vai ficar feliz...

— Deixei ela na piscina com a professora de natação hoje cedo. — Disse olhando o telefone.

Ela se aproximou e sentou ao seu lado.

— Me desculpa... Não queria ter sido grossa com você.

— Tudo bem. — Limitou-se a dizer.

Quando a aula de natação acabou, Emma colocou o roupão na pequena Clarisse e a deixou vendo TV enquanto tomava a mamadeira.

A espertinha acabou escapando enquanto a mais velha preparava o almoço e apareceu no quarto, parecendo um pacotinho lilás dentro do felpudo roupão. Claire sorriu ao ver a filhotinha deles.

— Oi minha princesa... Vem cá... — Clarisse foi toda meiga com o dedinho na boca. — Bom dia... — a abraçou e a encheu de beijos, a colocando no meio dos dois. — Como foi a aula?

— A titia me ensinou a nadar de costas...

— Nossa que legal... Depois vai ensinar a mamãe? — disse toda atenciosa.

Ela assentiu ainda com o dedinho na boca e sentou em cima do pai que fingiu que estava dormindo quando ela chegou.

— O que acha de acordarmos o papai com muitos beijos? — sugeriu rindo.

— Acorda papai, acorda... — Clarisse deu um beijinho no rosto do pai, que tentou não rir.

— Isso filha... — aproveitou e também o beijou, deu vários selinhos em seus lábios.

Owen acabou "acordando" e atacando as duas com beijos e mordidas até Clarisse ficar vermelha de tanto rir.

— Minhas duas musas de toalha, falta só o papai por uma também...

— Podemos ficar um pouco na piscina... O que acham? — Claire sugeriu.

— Só se você ficar pelada...

— Owen... — o repreendeu olhando para a filha.

— O que foi?

— Nada... — riu. — Vou banhar essa Sapequinha. Queria ir almoçar fora...

— Querer não é poder. — Disse em um tom malvado e prendeu ela embaixo de si, fazendo Clarisse rir e tentar resgatar a mãe das garras do pai. Claire ria compulsivamente, tentando se soltar.

— Ajuda a mamãe, filha...

Clarisse pulou no pescoço do pai tentando detê-lo, o mesmo acabou cedendo e fingindo-se fraco diante da filha.

— Oh não, que garotinha forte é essa...

— Eu te derrotei, papai!

— Sim baby, pode soltar a mamãe.

Clarisse abraçou a mãe toda carinhosa.

— O papai mal não vai mais te pegar, eu te protejo, tá?

— Tá bom, meu amor. — riu a abraçando da mesma forma. — Vamos tomar banho... — Levantou com ela no colo. — Vamos almoçar fora? — encarou o marido.

Owen piscou para ela em resposta, depois se jogou na cama de tanta preguiça.

Claire foi para o quarto da filha, a deu um banho e a vestiu com um vestido amarelo e um laço da mesma cor no cabelo. Clarisse foi correndo até o pai, deitando ao lado dele. Enquanto a ruiva foi se vestir.

— E essa gatinha bonita de amarelo vai aonde?

— Mamãe disse que vamos sair.

Claire apareceu com um vestido branco com estampas de flores, bem diferente do que costumava usar.

— Isso mesmo...

— Jura? Achei que ela disse que iríamos ver UFC e tomar cerveja a tarde toda.

Claire cruzou os braços o encarando.

— Dá uma voltinha para eu ver. — Pediu com aquele olhar de depravação que só ele tinha.

Ela fez o que ele pediu e foi sentar com eles.

— Encontrei finalmente uma assistente pessoal.

— Que bom, depois de anos sem uma... Só tente não espantar a coitada com seus gritos. — Owen começou a morder o pescoço dela.

— Não posso prometer... — Riu alto sentindo seu corpo se derreter em com aqueles beijos quentes. — Baby... A Cla... — Sussurrou.

Mas a pequena acabou dormindo ao lado deles.

—Ah, vamos levar um bebê dormindo para passear, olha só...

— Não acredito... Ela tinha me dito que estava com sono. — acariciou os cabelinhos dela. — Vamos daqui a uma hora... Podemos ficar deitadinhos também. — deitou ao lado dele.

— Posso puxar um ronco então?

— Pode... — o abraçou.

*

O final de semana passou voando, e veio a segunda feira.

Owen e Claire foram trabalhar de madrugada ainda para compensar as horas que estariam fora para se consultar com a obstetra.

— Olha só, meu casal favorito! Quanto tempo!

— Quanto tempo mesmo, doutora. — Sorriu a cumprimentando.

— Pois é. — Claire sorriu meio sem jeito. Os três se sentaram.

— E a Clarisse, como está?

— Muito bem, está crescendo muito rápido...

— Podiam ter trazido ela, instalamos uma brinquedoteca logo ali. Quem sabe da próxima?

— Ela vai amar. — Owen olhou para a esposa, o tempo todo segurando a mão dela.

A sessão de perguntas começou e só as duas mulheres conversavam entre si, perguntas sobre menstruação, hormônios...

— Desde que parou de tomar o anticoncepcional você notou alguma mudança no seu corpo? Se ganhou ou perdeu peso... é comum na maioria das mulheres.

— Eu ainda não notei diferença... — Olhou para Owen e depois para ela.

— Certo, Claire... Agora com a questão do anticoncepcional, o corpo tem que se readaptar sem essas doses diárias. Todo funcionamento hormonal para voltar a ovular depende exclusivamente de quando o seu corpo vai eliminar esses hormônios ingeridos. Algumas mulheres podem levar mais tempo que outras e quanto ao tempo que demora para engravidar também pode variar.

— Então quer dizer que eu posso engordar... — respirou fundo. — Mas Doutora, e sobre aquelas tabelinhas para saber os dias férteis?

— Tanto quanto pode emagrecer também, querida. Não se preocupe. Vou passar uma dieta e umas vitaminas para aumentar a fertilidade. E isso inclui o Owen. Aproveite a tabelinha dos dias férteis para tentarem bastante, mas lembre-se do que eu falei sobre os hormônios.

Claire olhou para Owen e sorriu. Tentativas não seriam o problema.

— Entendemos, Doutora.

Ficaram mais alguns minutos ali, depois de pegar a receita a doutora passou alguns exames de rotina.

Após os exames físicos, foram liberados. Owen foi trabalhar junto com ela aquele dia.

— Tem bastante peixe aqui na sua dieta... como se sente?

— Após fazer tantos exames?... Violada. — brincou. — Será que vou engordar? Owen... Não quero que meu corpo mude.

— Violada, como assim?

— Já viu como é feito aqueles exames?

— Eu não entrei com você lá... — Owen era completamente alheio a exames ginecológicos da esposa. — Você nunca me contou.

— Deixa para lá... — riu e foi sentar no colo dele. — A nova assistente começa amanhã...

— Deixa para lá? Você nunca me conta essas coisas, as vezes eu gostaria de saber.

— Quer mesmo saber?

— Quero. E sobre "engordar", eu não importo. Vai continuar linda. — Beija o braço dela.

— Você não existe... — acariciou sua barba. — Quando chegarmos em casa, te explico sobre o exame. Vai ficar aqui?

— Se quiser eu fico. Parece um pouco dolorida depois dos exames.

— Eu quero. E estou sim, hoje a noite não vai rolar... — foi sentar em sua cadeira.

— Ela enfiou alguma coisa aí? — Perguntou curioso.

— Sim. — riu. — Mas mudando de assunto, terminaram os detalhes da escolinha e do hospital. Vamos lá ver?

— Agora?

— Sim.

— Está bem.

— Okay. — pegou seu tablet e o puxou pela mão saindo da sala.

*

Apesar do afazeres intensos no trabalho, a noite Claire e Owen tinham um mais que especial: Conceber um novo bebê na família. E o marido não teve piedade. Faziam sexo no escritório, no carro, em casa, até no banheiro da academia. Antes do final de semana começar, o casal teve que tirar uma folga pois Claire estava praticamente assada depois de tantas sessões diárias e pesadas de sexo.

Antes do anoitecer da sexta feira, foram para o bangalô. Owen passava alguns peixes na velha churrasqueira enquanto Clarisse se empenhava em empilhar gravetos e pedras.

A noite estava quente e o céu estrelado. Claire cuidou de colocar o remédio de pernilongos na tomada, para não sofrerem na hora de dormir e passou repelente na filha.

Na mesa perto da churrasqueira, cerveja para eles e o suco da filha, além de alguns petiscos para acompanhar o churrasco. A ruiva foi até a filha.

— O que está fazendo, princesa?

— Uma casinha! Me ajuda?

— Claro. — sorriu e se juntou com a pequena.

— Mamãe, por que o papai tem essa casa?

— Ele morava aqui antes de casar com a mamãe.

— Por que?

— Ele gostava de morar aqui...

— Eu quero morar aqui, agora.

— É mesmo, filha? – Owen ouviu aquilo e se sentiu orgulhoso.

— Sim!

— Só depende da mamãe nós mudarmos para cá. — Piscou para Claire.

Claire sorriu balançando a cabeça.

— Podemos vir passar mais tempo aqui, nos fins de semana.

Clarisse não gostou da resposta, e mais tarde foram jantar. A pequena comia com um bicão.

— Por que está com essa carinha, Denguinho da mamãe?

Ela deu as costas para mãe e cruzou os bracinhos.

— Clarisse Dearing Grady, já disse para não dar as costas pra sua mãe!

— Tudo bem, amor... — colocou a mão sobre a dele. — Ela vai ficar de castigo e não vem mais aqui com a gente.

A criança imediatamente voltou ao normal e terminou de comer o que tinha no prato.

Quando terminaram de jantar, Owen e Claire arrumaram tudo enquanto a filha brincava na cama. Depois os três foram assistir TV.

Claire colocou Clarisse no colo, fazendo carinho em seus cabelinhos ruivos.

— Princesa, mostrou para o papai o seu novo dentinho?

— Mostrei, ele disse que quando cair vai por embaixo do travesseiro para fada vir buscar!

— Eu disse?

— Disse papai.

Claire riu olhando para Owen.

— Isso mesmo, filha. Papai está certo. — Continuou com o carinho. — Está na hora de você dormir, amanhã vamos passear de barco no lago. Não é, amor?

— Vamos sim, meu amor.

— Meu amor! — Clarisse repetiu fazendo o pai e a mãe rir alto.

— E você é nosso amor! – Claire a encheu de beijos. — Vamos dormir?

— Não... eu não vou dormir nunca mais...

Clarisse correu para o sofá começou a pular. Claire a segurou, fazendo ela sentar.

— Não pode pular no sofá, filha. Se não dormir, não vai poder ir amanhã passear...

— Eu olho você e o papai dormir e acordo vocês amanhã cedo...

— Dormir? Eu e a mamãe não vamos dormir também. — Owen fuzilou Claire com os olhos.

Claire piscou para ele com um sorriso de canto. A noite para eles seria longa.

— A senhorita vai dormir sim! Quer Mama de morango?

— Quero. — Clarisse pegou uma bonequinha e colocou no colo da mãe. — Faz para ela também!

— Mamãe faz. — a beijou no topo da cabeça e a colocou no colo de Owen, o dando um selinho. Foi para a pequena cozinha fazer a mamadeira da filha.

Uma aranha gigante apareceu na pia da cozinha quando Claire estava terminando a mamadeira e começou a subir na parede. Quando ela viu, começou a gritar desesperada.

— UMA ARANHA! ARANHA! OWEN!

Owen apareceu quase magicamente na frente dela.

— Onde?

— Ali... — apontou para onde a aranha estava.

Owen pegou ela com a mão e jogou pelo buraco da janela. Claire sentou no banco da cozinha, trêmula.

— Dá para a Cla, por favor... — Entregou a mamadeira dela e da boneca.

— Você está bem?- Segura ela pelo quadril. — Claire?

— Estou, só um pouco trêmula. Tudo bem amor... Vai lá levar para ela...

Owen colocou ela sentada no sofá e foi dar a mamadeira para Clarisse.

A pequena tomou tudo e ficou olhando para a mãe curiosa. A ruiva percebeu.

— O que foi, meu amor?

— Por que você está assim mamãe? — sentou no colo dela, enrolando os dedinhos no cabelo da mãe.

— Assim como?

— Seus olhinhos estão assim... — abriu bem os olhos fazendo a mãe rir.

— Ela assustou com a aranha, filha. Ela é medrosa.

Claire revirou os olhos com a fala do marido.

— Cadê a aranha, papai?

— Soltei ela lá fora.

— Temos uma princesa com sono... — Claire comentou beijando a mãozinha da filha.

— Quem é o denguinho do papai?

— Eu papai. — disse toda meiga.

— É sim.

Owen deu vários beijinhos no narizinho dela e cantarolou uma musiquinha qualquer, enquanto brincava com os dedinhos pequenos e gordinhos.

Claire ficou ao lado deles, babando aquela cena linda. Nunca imaginou ter sua própria família e ser tão feliz. Clarisse começou a bocejar e coçar os olhinhos verdes.

O pai ainda continuou cantando, a colocando bem junto do peito até dormir completamente. Owen ainda ficou admirando-a dormir por muito tempo em silêncio.

— Nosso maior tesouro... — Sussurrou depositando um beijo no braço dele. — Eu poderia ficar assim para sempre.

— Eu também poderia. As vezes é assustador você olhar para ela e saber que essa coisinha veio da gente.

— Sim. — sorriu. — Ela prova o quanto somos perfeitos um para o outro e que nosso amor é o mais lindo que existe...

— E ela é a menininha mais linda que existe...

— É sim... A mais perfeita!

Owen levantou todo cauteloso e foi por ela na cama.

Enquanto isso, Claire colocou um filme o esperando voltar. Ele voltou e deitou todo preguiçoso no outro sofá.

— Tomou a vitamina?

— Poxa... Deita aqui comigo. — disse toda manhosa. — Tomei.

Owen foi deitar lá, tomando todo o espaço. Claire aproveitou para ficar deitada por cima dele e fechou os olhos. Estava morrendo de sono.

— Engraçado que você ficou ainda mais branca quando viu a aranha. Como é possível?

Ela riu contra o peitoral dele.

— Fica debochando de mim, Grady...

— Fico não branquinha... eu te amo.

Claire o encarou com os olhos brilhantes.

— Eu também te amo.

— Então isso quer dizer que hoje tem um super hiper mega ultra anal?

— Não! — Revirou os olhos e foi sentar no outro sofá.

— Já vai ficar assim comigo?

— Culpa sua! Sabe que não gosto quando me pede anal.

— Vem cá, não vou pedir...

— Não quero mais... — fez um bico e cruzou os braços, do mesmo jeito que Clarisse fazia.

— Se não vier, vou Te buscar.

— Então vai ter que vir. — deitou.

O loiro foi buscar, pegou ela no colo e colocou de novo onde estavam. Fez carinho nos cabelos dela durante todo o filme. Até Owen achar que escutou algum ruído estranho do lado de fora e acordar um pouco assombrado. Claire também acordou e segurou o braço dele.

— O que foi isso?

— O que? Te acordei... desculpa.

— Não amor... Eu ouvi o barulho também.

— Deve ter sido um animal.

— Fica aqui. — o abraçou.

— Fico. Está com frio?

— Não se você me abraçar...

— Mais? — Deu um abraço de urso na ruiva, fazendo ela ficar por baixo.

Ela riu o apertando.

— Que gostoso... Me sinto tão protegida em seus braços...

— Acho que preciso ir mijar...

— Vai rápido, não quero ficar sozinha...

— Quer ir comigo?

— Não. — riu. — Vai logo...

Owen levantou quase sonâmbulo, checou Clarisse na cama e entrou no banheiro.

Do lado de fora, uma densa névoa quase deixava a visão impossibilitada. Outro barulho mais perto, pareciam ser passos perto da porta.

Notas finais
❤️❤️❤️