História After You - Terceira Temporada

4 Capítulo - Dreams of little Clarisse


Capítulo 4 — Dreams of little Clarisse

Claire ouviu os passos e levantou com medo. Então apagou todas as luzes e espiou pela fresta da janela, mas não dava para ver nada. Owen ainda ficou no banheiro um bom tempo. Ela ouviu novamente os passos e foi até o banheiro.

— Owen... Tem alguém aqui... — Sussurrou em desespero.

O som da descarga foi ouvido e ele logo saiu.

— Foi um animal, amor.

— Não parece passos de um animal. — O puxou pela mão. — Vamos deitar com a Cla...

— Vai lá ficar com ela... Vou dar uma olhada.

— Não vou deixar você sair.

— Não vou sair, bebê. Vou olhar daqui de dentro.

E assim ele fez. Olhou de todas as pequenas janelas por quase uma hora de vigília, enquanto sua mulher e filha ficaram na cama. Até que voltou.

— Viu alguma coisa? — Sussurrou.

— Nada. Quer que eu chame alguém para dar uma olhada?

— Não amor, deita aqui com a gente. — estendeu a mão para ele segurar.

Owen segurou e foi deitar com ela. Depois notou Clarisse dormindo com a bundinha para cima e um biquinho.

— Meu Deus, papai..

Claire sorriu se aconchegando em seus braços fortes.

— É a coisa mais linda, não é? Acho que ela estava tendo um pesadelo, quis chorar, mas consegui acalmá-la.

— Ela deve ter sonhado com aquele seu amigo Tom...

— Não começa, Owen.

— Cara sinistro... eu não gostaria de ver ele no meio da estrada a noite.

— É sério isso? Vai ficar falando do Tom?

— É sério isso? Vai defender aquele pinto pequeno?

— Quer parar com isso? Como sabe que o pênis dele é pequeno? — segurou o riso.

— Dá... dá... para notar pelo volume na calça dele. — Disse nervoso.

— E você ficou observando isso?

— NÃO!

Claire começou a rir e virou para ele, o enchendo de beijos.

— Estou brincando. Sei que só disse isso porque não gosta dele...

— Ele te come com os olhos, Claire...

— Owen... Faz anos que ele não vem aqui. Por favor, esquece isso...

— Acho bom. A gente não tomou banho, baby.

— Tomamos sim, antes de vir para cá... Você deve estar precisando de outro. — brincou.

— Era só uma forma de te ver peladinha, mas pelo visto não vai rolar...

— Quer ir para o sofá? — sugeriu toda sexy.

— Vai na frente... — Owen deu um tapa no bumbum dela.

— Está bem. — sorriu, cobriu a filha e foi para o sofá.

Owen deu um tempo para ela e depois se escondeu.

Depois de alguns minutos, ela estranhou a demora dele e foi atrás.

— Ah não Owen! Para com isso! — resmungou.

Do nada ele saiu de trás da cortina e pegou ela por trás.

— O Owen não está!

Claire colocou a mão na boca segurando um grito, com o susto.

— Sabe que não gosto quando faz isso.

— Desculpa... porque não tirou a roupa?

— Porque quero que você tire...

— É? Eu disse pra você ir na frente para isso. Mas você é muito inocente... — Sem perceber, ele enfiara as mãos no cabelo dela e enrolara os dedos em seus cachos. Sem hesitar, ele a beijou, um beijo rude e exigente.

Owen era levado não apenas pelo desejo, mas também pelo desespero. Pela necessidade de tentar sair da agonia. Ainda beijando-a e segurando-a pelos cabelos, ele se livrou das roupas dela. E quando ela o abraçou pelo pescoço, ele a deitou sobre o tapete, entre os sofás. Uma parte dele, distante e que quase não tinha voz em meio à loucura, dizia para ir devagar, para pensar nela. Mas só havia ele e desespero. Não queria pensar em nada. Com mãos firmes, afastou-lhe as coxas.

E não era para menos, quando estavam juntos era uma explosão e muita química. Owen se tornava irracional e ela sabia disso, já que era mais racional. Mas não se importava, amava ser dominada por aquele homem. Porém quando ele apertou com mais força sua coxa, sabia que ficaria roxo. Ou seja, Owen estava sem controle.

— Hey... Amor... — afastou seus lábios. — Calma...

Muitas vezes, ela tinha que trazer a sanidade dele de volta.

— Eu... eu estou calmo.

— Tem certeza? — mostrou a marca da mão dele em sua coxa.

— Nossa, te machuquei?

— Não foi nada... — acariciou sua barba. — Vem cá... — o puxou voltando a beijá-lo.

Em meio a um beijo lento e cheio de amor, Owen invadiu seus meios quentes sem muita pressa dessa vez.

Claire gemeu entre seus lábios, movimentando seu quadril no mesmo ritmo que ele. Tornando o beijo cada vez mais sensual. As línguas se esfregavam deliciosamente igual seus corpos.

Owen ainda penetrava devagar, testando para ver se conseguiria se mover melhor do lugar em que estava. Com algumas tentativas, ele já estava completamente dentro de Claire.

— Achamos uma boa posição pra nós dois. — Ele disse, estocando levemente dentro dela.

Seus movimentos foram ficando mais agressivos e mais rápidos, enquanto ele segurava-a pela cintura. Eventualmente, suas mãos apertavam com força os quadris, mas logo em seguida afrouxavam, como se ele se lembrasse de que ali ficaria a marca dele.

Suas mãos passeavam por toda a a barriga e seios, indo parar em seu ombro e segurando ali para penetrá-la com mais força.

— Merda, Claire! Você é uma delícia!

Começou a penetrar com mais força que antes, com mais fúria, soltando gemidos a cada estocada.

— Sou é? — murmurou em um gemido.

O barulho dos corpos se encaixando podia ser ouvido de fora do bangalô, assim como seus gemidos.

Claire estava vermelha de tanta força. Ambos estavam ofegantes. Podia sentir cada centímetro de Owen dentro de si. A cada estocada, o prazer aumentava. Então entrelaçou as as pernas na cintura dele, permitindo que fosse cada vez mais fundo.

E ele gozou, gemendo mais alto do que antes, ainda agarrado ao quadril dela.

Seu corpo, repousava em cima de Claire, muito suado. Ainda que estivesse desidratando, Owen tinha um perfume bom. Parecia exalar de seu próprio suor.

Claire aproveitou aquela posição para cheirar seu pescoço, aspirando o aroma que tanto amava, a do marido. Ela sorriu contra a pele dele e ficou em silêncio, só aproveitando aquele momento deles.

— Não gozou?

— Claro que sim. — riu com aquela pergunta.

— Eu sei quando você goza, Claire.

— Acha que estou mentindo, Owen?

— Não disse isso. — Levantou e sentou-se todo a vontade no sofá. — Fique de pé. — Demandou.

— Não estou com vontade... — pegou suas camisola. — Vou ir dormir...

— Mas não acabamos... — Murmurou quase decepcionado. — Por favor.

— Você gozou, então acabamos. — segurou para não rir e se sentou ao lado dele.

— De pé. Na minha frente. Agora. — Inquiriu mais uma vez com um tom sombrio, os olhos escuros de desejo.

Ela o desafiou e cruzou os braços.

— Não vou.

— Ok, não posso te obrigar.

Owen foi procurar a cueca embaixo do sofá e a vestiu.

— Qual é, Owen? Cadê seu senso de humor?

— É show da palhacinha Claire ou é transa?

A expressão dela mudou completamente, ficando séria. Vestiu sua camisola e levantou.

— Boa noite, Owen. — foi para o quarto e deitou ao lado da filha.

Owen seguiu e deitou do outro lado, dormiu em questão de segundos.

*

O sol já nasceu quente em Nublar, o claro invadiu o quarto onde dormiam. Como Claire tinha um sono leve, acabou acordando. Então levantou e foi tomar banho, quando terminou fez o café da manhã deles e foi para fora do bangalô. Ainda era muito cedo.

O sereno da noite anterior deixou o solo umedecido. Nitidamente dava para notar pegadas em volta da do bangalô e havia rastros que seguiam até a floresta. Pouco antes da ruiva notar os vestígios, começou uma chuva forte desmanchando tudo.

Claire entrou correndo.

— Mas que droga! — foi colocar uma roupa seca.

Clarisse já tinha levantado com o cabelo todo pra cima.

— Mamãe, o papai ronca. — Resmunga enquanto revirava a mochilinha dela em cima da cama.

Claire riu e se aproximou dela a pegando no colo e a apertando e enchendo de beijos.

— Bom dia, princesa da mamãe. Sim o papai ronca. O que está procurando?

— Meu pônei amarelinho... — Clarisse bocejou ainda com a carinha toda amassada. — Não achei...

— A mamãe procura, enquanto a senhorita vai no banheiro e escova os dentes. Está bem? — a beijou várias vezes.

— Não sei escovar mamãe...

— Mas a mamãe já te ensinou, tantas vezes. — riu. — Vamos lá... — a levou no colo até o banheiro e fizeram tudo o que tinha que fazer. Claire a ensinou pacientemente como escovar.

— Mamãe, eu sonhei com a vovó...

— E como foi o sonho? — a colocou no banquinho.

— Ela tava voando, mamãe. Ela tinha asas e tinha o nome igual o meu!

Claire arregalou os olhos assimilando o que acabara de ouvir. Seus olhos encherem de lágrimas e se segurou para não chorar.

— O que mais filha? — sua voz saiu falha.

Naquele momento, Owen entrou na cozinha dando um beijo nas duas.

— Bom dia.

Claire o ignorou completamente, afinal, o que acabara de ouvir a abalou.

— Conta mais para a mamãe, filha...

Owen notou a indiferença e foi preparar o café da manhã.

— Ela sentou na cama e disse umas coisas... Não lembro mamãe.

— Tudo bem... — correu para pegar seu celular e começou a procurar algo nele. Então mostrou para Clarisse a última foto de sua mãe. — Era ela, meu amor?

A criança abriu bem os olhos, analisou a imagem e respondeu:

— Sim... como você tem uma foto dela se ela só vem quando você tá dormindo?

Claire respirou fundo tentando se acalmar, ficou de joelhos em frente a filha.

— Já viu ela mais vezes, filha? — tentou ser cautelosa.

Clarisse pareceu começar a ficar entediada com as perguntas.

— Sim. Posso brincar lá fora?

— O que ela te disse, princesa?

— Disse umas coisas, mamãe. Disse que você tem que ter cuidado com as pessoas... depois ela saiu pela janela e me deu tchau.

Aquela altura, Owen já tinha ouvido tudo enquanto mordia um grande pedaço de waffle. Estava pasmo. Claire engoliu seco, sentindo um nó na garganta e uma grande dor no peito.

— Pode... ir brincar no tapete... — gaguejou e foi para o quarto. Olhou para foto de sua mãe e não conseguiu mais segurar suas lágrimas e deitou aos prantos na cama. — Mãe... era você, mamãe... — sussurrou aos soluços.

Owen apareceu lá com um prato de panquecas Light para ela.

— Hey ruivinha...

— Me deixa sozinha, Owen. — murmurou.

— Posso voltar daqui quantos minutos?

— Não sei... Vai lá brincar com a Cla...

— Certeza?

— Sim. — disse apenas.

Owen encostou a porta, não sem antes deixar o prato com o suco na mesinha e foi cuidar da filha. A chuva ainda persistiu a manhã toda cancelando todos os planos do passeio de barco.

Claire não saiu do quarto, ainda chorava e não havia comido, não conseguia. O dor e saudade que sentia era mais forte que tudo.

Antes do almoço, Owen apareceu lá com várias flores silvestres que ele e Clarisse haviam colhido para ela quando a chuva deu uma trégua.

— Hey amor. Olha o que tenho para você.

Ela permaneceu na mesma posição, sem virar para ele.

— Depois eu vejo... — sussurrou.

— Já te deixei chorar muito. Foi só um sonho da sua filha de 2 anos e 6 meses... sabe disso.

— “Só um sonho”... — repetiu. — Você não entende mesmo...

Owen alisou as costas dela a confortando.

— O que mais poderia ser?

— A minha mãe, apareceu nos sonhos da nossa filha. Ela está tentando falar comigo pela nossa filha... — soluçou.

A verdade era que o marido era um pouco cético com aqueles assuntos. Mas respeitou o pensamento dela.

— Ela deve ter visto uma foto da sua mãe em algo lugar e sonhou com ela.

Claire virou para ele, seu rosto estava vermelho assim como seus olhos e inchados.

— Você não me entende, Owen... a Cla nunca viu uma foto da minha mãe. Não ouviu o que ela me disse? Ela nem sequer sabia que tinha o mesmo nome de minha mãe...

— Alguém deve ter contado... ou ela ouviu a conversa de alguém. — Ele pegou uma camisa limpa e limpou o rosto dela. — Sabe o tanto que a Cla gosta de ouvir nossa conversa atrás da porta.

Ela balançou a cabeça negativamente.

— Não quero falar sobre isso com você, já que não acredita.

— Te amo. Não gosto de te ver chorando.

— Acho que vou voltar para casa hoje... Preciso ficar sozinha e pensar.

— Eu te levo. Vamos almoçar antes lá naquele restaurante que você gosta.

— Não precisa... fica com a Cla aqui. Aproveitem o fim de semana, ela merece. — levantou e foi trocar de roupa.

— Claire... está triste por que supostamente sua mãe veio conhecer a Cla de outro mundo? Não era para ficar feliz?

— E eu estou. Mas preciso assimilar, pensar em muitas coisas e no que ela quis dizer com “ter cuidado com algumas pessoas”... você não faz ideia do quanto sinto falta dela e do meu pai...

— Quer meu abraço? Acho que não é um bom momento para ficar sozinha.

Ela o encarou pensativa, hesitou um pouco e Owen tinha razão. O certo seria ela ficar com quem ama. Foi até ele e sentou em seu colo.

Ele a recebeu com o maior carinho do mundo, abraçando-a apertado.

Ela retribuiu o abraço chorando.

— Eu amo tanto vocês... mais do que tudo. Agora eu tenho certeza que vocês são um milagre na minha vida.

— Você é meu milagre, Claire. O que seria de mim sem vocês? Um nada. Parece que a Senhora Clarisse Dearing está orgulhosa da netinha que tem. Podemos ficar felizes por isso, podemos? Mesmo que eu ainda não acredite muito... mas se você acredita é importante pra mim também.

Ela sorriu feliz acariciando o rosto dele.

— Obrigada, meu amor. Significa muito para mim isso. — beijou a ponta de seu nariz. — Minha mãe deve estar muito feliz com a sorte que eu tenho de ter você e a nossa filhotinha.

— Eu espero que sim, sempre imaginei ela perguntando para você de onde arrumou um pobretão marinheiro para namorar. — Gracejou enquanto mordia o lábio inferior dela e depois beijava.

— Oh meu amor... — sorriu. — Ela teria adorado você... minha família era muito simples. Sabe que nunca liguei para isso, não é?

— Acha mesmo? Por que será que ela veio justamente quando estávamos aqui no bangalô? Viu a netinha dela dormindo no meio dos mosquitos e ficou com dó.

Ela riu alto com aquilo.

— Você é um bobo... — deu um selinho nele. — Pelo o que a Cla disse, não foi só uma vez que sonhou com a minha mãe.

— Vamos conversar com ela depois. Agora quer almoçar comigo? — Pegou a mão direita dela e beijou todo cavalheiro.

— Eu quero sim. — sorriu e não pode resistir aos encantos do marido, aproveitando para beija-lo intensamente.

Aquele beijo demorou tempo suficiente, até Clarisse subir na cama e entrar no meio toda ciumenta.

— Ah, é assim agora?

Claire tentou não rir, olhou para o marido e depois para a carinha da filha.

— O que foi, meu amor?

— você beija o papai muito demorado. — Cruzou os bracinhos com o bicão.

— E qual o problema? A mamãe ama muito ele...

— Mais do que eu?

— Você é a coisa mais preciosa da mamãe e do papai. Você é a minha vida, a mamãe te ama mais do que tudo nesse mundo todo...

— Então você me ama mais que o papai. — Concluiu toda convencida pendurando no pescoço dela.

Claire olhou para o marido e riu.

— São amores diferentes, filha. O amor que a mamãe sente pelo papai, é o amor de marido e mulher. O amor que sinto por você, vai até o infinito... você vai entender quando crescer. — explicou.

Owen resolveu se apressar para irem almoçar, pois Claire não havia comido nada.

Durante a refeição em um lugar mais reservado, Clarisse levou um susto.

— Papai, meu pônei amarelinho!

— O que tem, bebê?

— Eu esqueci ele... — Começou a chorar.

— Não chora, princesa. Ele ficou em casa dormindo.

— Não... Ele quer comer um pouquinho... — Disse chorando.

— Cla, não chora. Quando chegar em casa você brinca, agora é hora de comer.

Clarisse chorou a manhã toda até Owen levar ela pra conversar. Ela voltou parecendo um anjinho e comeu alguma coisa no prato.

— Mamãe, quero um suquinho...

Claire se espantou com aquela mudança de humor e ficou curiosa para saber o que Owen disse para a pequena.

— Claro, princesa. — entregou o copo com suco para ela. — Então... qual é a programação de hoje, senhor Grady?

— você não quer ir pra casa?

— Eu quero ficar com a minha família.

— Se soubesse, tinha levado a gente pra almoçar no restaurante do aviário, amor.

— OBA, OBA! AVIÁRIO!

— Podemos ir amanhã...

Clarisse bateu o pé e começou a chorar.

— O que foi agora, filha?

— Eu quero ir no aviário...

— Vamos amanhã. — terminou de comer e ficou esperando os dois terminarem.

Quando Clarisse insistiu em chorar, bastou uma olhada séria do pai e ela fechou a boca.

Claire fez um anotamento mental, para perguntar depois o que ele disse para ela.

— Então... o natal está chegando...

— Sim. Pedi a Tyna para ela fazer uma lista de presentes. Sou péssimo com isso.

— Hum... é que esse ano, gostaria que passássemos na casa da Karen.

— Sem chances. Minha mãe infartaria.

— A família Dearing resolveu se reunir esse ano. É pedir muito, passar com a minha família? — alterou o tom de voz.

— Hey, calma...Vamos conversar sobre...

— Acho que já podemos ir, já que todos terminamos de comer.

*

Owen levou as duas para um longo passeio pelas atrações. Automaticamente receberam as pulseiras Vips e tinham acesso exclusivo. Ao final da tarde, pegaram uma girosfera e passearam pelo campo dos tricerátops.

— Filha, qual o nome daquele dinossauro?

— Trilátopis!

— Tricerátops, isso mesmo neném. — Sorriu orgulhoso.

Claire sorriu achando a coisa mais fofa do mundo a filha falando o nome dos dinossauros. Clarisse amava já aqueles animais, mesmo sendo tão novinha. Afinal, ela compartilha do mesmo amor de seus pais. Depois de um bom tempo na girosfera, foram ver a mossassauro.

— Acho que devemos pegar as capas, para não nos molharmos... — Claire observou.

— Eu já peguei na entrada.

Owen carregava as três capas no braço esquerdo e Clarisse no direito, esticando o pescoço para ver acima da cabeça dos adultos.

— Sassauro! Sassauro, mamãe!

— Sim, princesa. — sorriu para a filha e pegou as capas, colocou a sua, a da filha e a pegou no colo para que Owen também pudesse colocar a sua.

Owen vestiu e se sentaram para ver o espetáculo. A mosassauro não pareceu tímida e deu um show para seus espectadores, para o terror de Clarisse que chorou aos berros.

Quando acabou, Claire saiu carregando a filha tentando acalma-la.

— Já passou, princesa. Está tudo bem. Mamãe e papai estão aqui.

— É sempre assim, quando ela supera o medo de um dinossauro... aparece um maior e mais assustador.

— Imagina quando ela ver a T-Rex. — riu. — Vamos tomar uma sorvete? — perguntou para a pequena.

— Ah, a T-Rex vai ficar para o próximo ano. Né meu amor? — Owen inclinou-se sobre ela e beijou a cabecinha ruiva de Clarisse. — Vai querer um sorvetinho?

— Quero...

Claire aproveitou para roubar um selinho do loiro e sorriu.

— Olha só como a mamãe não me resiste... — Piscou galanteador.

Ela retribuiu a piscada e os três seguiram até a sorveteria. Acabaram pedindo uma barca com todos os sabores e os três sentaram na mesinha da calçada para comer. Clarisse se saboreava junto com o pai.

— Ela tá comendo só o rosa, amor... — Fez a observação com a boca cheia.

— Eu gosto de rosa, papai...

— Estou vendo... me Diga, onde quer passar o natal?

— Vovó.

— Na vovó Tereza?

— Sim.

— A tia Karen quer ver você...

— Titia?

— Sim. Ela está com saudades.

Claire olhou séria para Owen.

— Então, filha... o que acha de passamos o natal na casa da titia? Seus primos vão estar lá... e vai ter outras crianças também.

— Então vamos viajar?

— Vamos sim. No natal... Quer ir para a tia Karen?

— Quero mamãe. Posso arrumar minha mala?

— Ainda falta alguns dias, princesa. — encarou o marido e sorriu vitoriosa.

Owen não olhou mais para ela durante todo o passeio até chegarem em casa. Ele levou Clarisse para tomar banho, vestiu e fez o jantar dela no microondas. Sopa de letrinhas.

Claire apareceu também de banho tomado e enrolada em um roupão.

— Vai ficar assim? — perguntou se aproximando dele.

— Assim como?

— Sem olhar para mim, sem falar comigo...

— Estou falando com você agora.

— É sério isso? Está bravo porque vamos para a Karen?

— Não estou. Só não gostei como olhou para mim mais cedo. Parece até que era uma disputa.

— Está bem... vou evitar olhar para você. — revirou os olhos e foi colocar sua camisola.

— Acho melhor ligar pra minha mãe avisando que não vamos.

— Passamos o ano novo com com ela... — Voltou já vestida.

Owen mordiscou um pedaço de brócolis do pratinho de Clarisse.

— Pois ligue avisando.

— Liga você... — foi sentar no velho sofá.

— Não quero ela gritando comigo...

— Mas é sua obrigação avisa-la.

— Certo.

Despreocupadamente, Owen se jogou no outro sofá e foi por Clarisse para dormir.

Claire ficou observando, até que acabou adormecendo ali.

Quando Clarisse finalmente adormeceu, o pai a colocou na cama e retornou a sala para ver seu jogo de beisebol. Colocou a ruivinha no colo enquanto alisava seus cabelos.

Minutos mais tarde, ela acabou acordando e sorriu. Levou a mão até o rosto dele, fazendo um carinho ali.

— Oi raposinha.

— Me desculpa?

— Não tem por que pedir desculpa.

— Mas eu errei... não devia ter feito aquilo na sorveteria.

— Não errou nada, fica quietinha...

— Estou tão cansada. — sussurrou já de olhos fechados. — Vou para a cama...

— Eu te levo. Mas só depois que acabar o jogo.

Owen arrumou umas almofadas para ela deitar as costas, mas as pernas deixou no colo dele.

— Boa noite...

A ruiva não respondeu, já estava adormecida.

— Poxa, nem deu tempo de perguntar se estava sem calcinha...

Clarisse apareceu na sala com um bico de choro.

— Hey neném, vem cá no papai...

— Sassauro, papai... — sentou no colo dele.

Owen aninhou ela no colo.

— A mosassauro está dormindo na Lagoa dela. Falta só o bebê... — Beijou a bochechinha da filha.

— Não quero dormir sozinha, papaizinho... — choramingou.

— Dorme aqui comigo então. Eu cuido de você igual cuido da mamãe.

A pequena deitou no colo dele e ficou olhando a tv.

— O que é isso papai?

— Jogo de beisebol. Um dia eu vou levar vocês lá pra assistir com o papai.

— Obaaa... — respondeu empolgada. — Papai, por que a vovó Clarisse virou um anjinho?

— Porque o papai do céu levou ela para morar com ele.

— Mas a mamãe ficou sem a mamãe dela. Eu vou também vou ficar sem a mamãe? — fez um bico de choro.

— Não, não vai. Eu sempre vou cuidar dela para que fique sempre com a gente.

Owen observou a esposa ainda adormecida, ressonando sobre as almofadas. Com a mão desocupada, alisou o rosto de porcelana e velou seu sono por muito tempo. Ela era linda até mesmo dormindo, ele não cansava de notar isso. E se dependesse dele, daria a vida por aquela mulher.

Não demorou para Clarisse também estar dormindo no colo do pai. Claire acabou acordando, sorriu para o marido e viu a pequena filha deles ali. Ela bocejou e se aproximou.

— Por que ela está aqui? — sussurrou.

— Acordou com medo do mosassauro.

— Hum... então é melhor levarmos ela para ver a T-rex só daqui a dois anos. — brincou e deitou a cabeça no ombro dele, enquanto olhava para Clarisse toda boba. — Acabou o jogo?

— Acabou sim... Falcons perderam de novo. Para variar. Cambada de corno...

A ruiva riu com o jeito dele.

— Vamos para a cama, amor... estamos todos cansados.

— Vou deixar ela na cama e já volto para pegar você, tá?

— Está bem...

Não demorou muito e o loiro já estava de volta. Levou ela de cabeça para baixo.

Claire riu e aproveitou para apertar o bumbum dele. Quando foi colocada na cama, o puxou deitando de conchinha.

— Isso é tão bom...

— O que exatamente?

— Dormir assim... com você, agarradinhos. E nossa filhotinha aqui...

— Só não se mexe muito que se não já sabe...

— Tá bom... — riu. — Owen?

— Claire...

— Te amo!

A declaração foi respondida com um longo beijo na bochecha dela. Ela suspirou, com um sorriso acabou adormecendo.

Notas finais
❤️❤️❤️