Notas iniciais
Finalmente consegui escrever o capítulo, tá curtinho mas tem informações relevantes. Boa leitura!

Quatro anos se passaram. Hisoka se tornou um nômade solitário, indo para qualquer lugar para o qual conseguisse uma carona ou viajar como clandestino. Nestes anos ele buscou aprimorar suas habilidades com nen e enfrentou alguns inimigos, porém nenhum deles a altura da sua genialidade.

Depois de passar alguns anos em outro país, ele voltou a fim de passar uma temporada em uma localidade conhecida como Bafo do Porco, uma comunidade considerada perigosa e qualquer viajante normal a evitaria. Todavia, não estamos falando de um viajante normal e Hisoka foi àquele lugar com a esperança de que por trás daqueles batedores de carteira desprezíveis pudesse haver algum lutador habilidoso que pudesse diverti-lo.

Na noite após sua chegada, Hisoka estava caminhando procurando algum lugar para dormir quando sentiu que estava sendo seguido. Continuou andando normalmente, fingindo não perceber.

Ele entrou um uma viela escura cercada por barracos, até havia postes de iluminação, porém nenhuma lâmpada funcionava. Foi então que o seu perseguidor resolveu aparecer.

— Ora ora, então o mágico mirim resolveu voltar...

Apesar da escuridão, Hisoka pôde ver que se tratava de um homem jovem, com aproximadamente vinte e anos de idade. Estava bem vestido e não parecia morador daquela comunidade.

— Quem diria que depois de tanto tempo eu encontraria um fã, quer um autógrafo? – Hisoka ironizou.

— Além de mágico é palhaço. Não espero que lembre de mim, eu era apenas o garoto da bilheteria.

— Ah, então é um sobrevivente do Viva La Vida. Vá embora, não tenho interesse em alguém que sobreviveu apenas porque fugiu com o rabo entre as pernas.

O mágico continuou seu caminho, quando sentiu um deslocamento de um grande volume de ar o atingindo. Quando virou, viu um poste “voando” na sua direção tão rapidamente que não teve tempo de se defender, foi atingido em cheio.

— Fu fu fu, agora isso ficou interessante... – Hisoka estava ferido, mas ainda assim tinha um sorriso sádico no rosto.

— Desgraçado, agora irá pagar pelo que fez – o homem agarrou outro poste e o arrancou do chão apenas com as mãos vazias – vou te esmagar como um inseto.

— Hum, superforça. Venha, estou preparado!

O ex garoto da bilheteria usou o poste como se fosse um bastão e começou a golpear o inimigo. Hisoka, apesar de machucado pelo ataque que recebeu, conseguiu esquivar de todas as investidas.

— O que foi “grande prodígio”, não consegue contra-atacar? – o sujeito provocou.

Hisoka não respondeu à provocação, mas aproveitava para analisar os movimentos do adversário. Os dois continuaram a luta com o bilheteiro atacando e o mágico esquivando por alguns minutos, até que o assassino compulsivo se agachou no chão.

— Acho que você me venceu... – disse Hisoka, ofegante – mas posso saber como você me encontrou?

— Desde que você dizimou os meus, os SEUS companheiros de trupe, jurei que ia me vingar. Não era fácil te encontrar, então prestei o exame hunter afinal, hunters tem acesso a iinformações privilegiadas e assim eu poderia te encontrar. O problema é que aquele exame é impossível, reprovei dois anos seguidos, mas felizmente, fiz um acordo com um famoso hunter lista negra e consegui uma licença temporária.

Ele prosseguiu.

— Aprendi nen, não espero que você sabia do que estou falando e nem vou te explicar, o que interessa é que eu fiquei muito mais forte do que você. Fiquei sabendo apenas que você saiu do país e como a minha licença é temporária, não tenho como obter informações do estrangeiro. Mas algo dentro de mim me dizia que um dia você voltaria então continuei monitorando as fronteiras. Dias atrás, recebi a informação de que você havia passado pelo porto e depois pegou um ônibus para o Bafo do Porco, então foi fácil encontrá-lo.

— Nossa, como você é inteligente!

— Obrigado e adeus!

O Hunter temporário ia golpear Hisoka, quando seus braços ficaram paralisados.

— O que? Porque não consigo me mexer?

— Use gyo e olhe para seus braços.

O homem não imaginava que Hisoka fosse usuário de nen, mas mesmo assim fez o que ele disse. Conseguiu ver a bubble gum grudada nos seus braços.

— Então, quer dizer que você...

— Exatamente, sou um usuário de nen muito melhor do que você e não preciso de licença pra isso. Vou mostrar o que posso fazer.

Hisoka puxou a goma elástica com tamanha força que arrancou os braços do inimigo, que caiu no chão sagrando e agonizando.

— Ahh... seu maldito! – ele praguejou.

Antes que Hisoka desse o golpe de misericórdia, ouviu o som de um tiro. Ao olhar para o inimigo, este já estava morto com um tiro na testa.

— Obrigado, mas você já fez o seu trabalho.

Nesse momento surgiu quem disparou o tiro, era um homem de meia idade com um grande bigode, usando um terno cinza, ainda segurando a arma.

— Não gosto que abatam minhas presas – Hisoka reclamou.

— Ele não sobreviveria muito tempo naquelas condições – declarou o homem.

— E posso saber quem você é?

— Snake Sanders. Foi um bom negócio subornar um zodíaco para conseguir uma licença para este falecido, eu sabia que cedo ou tarde ele iria te encontrar.

— E você, quer vingar quem?

— Sou um mercenário, eu não me vingo, eu busco recompensas. Existe um bom preço pela sua cabeça desde que você matou a filha do senhor Tielovik, lembra disso?

— A primeira pessoa que matei, bons tempos... Você já deve ter percebido que sou usuário de nen, que tal largar esta arma e termos uma luta no bom e velho mano a mano?

Sem dar resposta, Snake atirou, deixando Hisoka caído no chão, com um furo no peito e sangrando.

— Desculpe, eu não negocio com a caça. Agora preciso levar a cabeça para solicitar a recompensa.

O Hunter retirou um afiada faca de caça do seu cinto e foi até o corpo do Hisoka. Quando estava pronto para decapitá-lo, Hisoka fez um corte no seus pescoço usando uma das suas cartas baralho.

— Arggg – Snake gritou quase rosnando – como...

— Textura enganosa – Hisoka tirou a pele falsa de que criou e que o protegeu de ser atingido pela bala – eu esperava mais de você, até o bilheteiro me divertiu mais.

Logo em seguida Hisoka cortou outros pontos vitais do adversário com suas cartas, o abatendo instantaneamente.

Obviamente o combate chamou a atenção dos habitantes locais e em pouco tempo, Morow foi atacado por alguns bandidos locais, porém não havia nenhum usuário de nen entre eles e o assassino acabou com eles facilmente. A estadia de Hisoka no Bafo do Porco durou menos de vinte e quatro horas, mas, ainda assim, ele deixou sua marca.

*****

Dias se passaram e Hisoka já estava há muitos quilômetros de distância dali. Mesmo tendo se divertido bastante, ainda havia um vazio dentro de si. Enfrentara dois usuários de nen praticamente ao mesmo tempo e nenhum deles sequer chegou perto de vencê-lo, será que nunca encontrará um adversário digno?

Em um insight, Hisoka percebeu o óbvio.

Os adversários que enfrentou dias antes não eram fracos, ele é que perdeu a noção do quanto se fortaleceu desde que estudou nen pela primeira vez. E existia sim um adversário à altura, ou melhor, uma adversária. Neste momento ele decidiu que procuraria pela sua mestra, a doutora Jude, finalmente ele se sentia pronto para enfrentá-la novamente.

Hisoka preferiu ir a pé até a cidade onde Jude morava, o que levou mais de uma semana. Finalmente chegou e foi procurá-la no hospital, afinal, era mais fácil encontrá-la no trabalho do que em casa. Foi até a recepção eufórico, estava louco para travar um combate com a melhor lutadora que já conheceu e desta vez sabia que sairia vitorioso ou morto, não havia uma terceira opção. E essa possibilidade o deixava em êxtase.

— Pois não senhor – disse a recepcionista.

— Eu gostaria de saber se a doutora Jude está.

— Bem... você é parente dela?

— Sou um antigo paciente que foi salvo por ela, vim aqui porque nunca tive a chance de agradecer apropriadamente.

— É que... infelizmente ela faleceu.

— Quê? Como assim? – ele ficou em choque.

— Ela sofreu um infarto seis meses atrás. Lamento.

Hisoka saiu correndo, se recusando a acreditar no que a recepcionista lhe disse. Foi até a casa da doutora e constatou que a mesma havia sido vendida, já havia outras pessoas morando lá. Depois disso ele fez algo que não fazia desde quando era praticamente um bebê: chorou.

Sua mestra estava morta, e não foi ele quem a matou.

Um infarto. Não era o tipo de morte digna de alguém como ela.

Mas contra a morte não havia o que se fazer e Hisoka sabia disso como ninguém. Então ele saiu dali correndo sem rumo e mais enlouquecido do que nunca.

Notas finais
Que azar Hisoka, a Jude morreu antes que você pudesse enfrentá-la em condições iguais. Trágico! Não sei se ficou confuso o hunter ter usado outra pessoa para procurar pelo Hisoka em vez dele mesmo fazer isso, eu até tenho os motivos na cabeça mas não achei conveniente colocar aqui, afinal, essa fic se atém ao Hisoka e coisas que acontecem fora da presença dele eu prefiro não citar. A fic tá chegando na reta final, em breve personagens do mangá/anime vão começar a aparecer. Até o próximo!