Hisoka, assassino compulsivo
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Notas iniciais
Após receber a notícia da morte da doutora Jude, Hisoka se viu sem objetivo. Ele saiu definitivamente do seu país natal e deixava um rastro de destruição por onde passava. Apesar de continuar matando deliberadamente, ele se sentia cada vez mais vazio e assim ficou por mais alguns anos.
Um dia, logo depois de matar um entregador de jornais que não deu bom dia, Hisoka leu um curioso anúncio nos classificados.
“Procuram-se assassinos compulsivos para pesquisas psiquiátricas. Oferecemos cem mil jenis por semana e a oportunidade de matar sem restrições. Exigimos habilidade em combate desarmado. Interessados comparecer amanhã para uma reunião inicial às nove horas na rua da Bacia, número 333.”
O anúncio o deixou intrigado. Poderia ser uma armadilha da polícia ou mesmo de algum caçador de recompensas, mas Hisoka não é o tipo de criminoso que tem medo da polícia ou de caçadores de recompensas e decidiu comparecer à tal reunião. Se tivesse sorte, quem sabe isso renderia um bom desafio.
No dia seguinte ele compareceu ao local indicado no anúncio. Era um pequeno prédio de três andares e o seu interior era repleto de corredores e portas trancadas.
Havia uma espécie de recepção e lá, um funcionário em indicou o caminho. Hisoka seguiu a orientação até que chegou a uma grande sala, onde deveria esperar por um tal doutor. Outros assassinos também o esperavam, uma dúzia para ser mais exato. Pouco depois um homem baixinho, um metro e meio de altura no máximo, calvo, pele acinzentada e grandes orelhas pontudas entrou no local.
— Saudações belos assassinos, eu sou o doutor Ichigaki! Devem estar se perguntando porque os chamei aqui, bem, já ouviram falar na Torre Celestial?
— Eu sou mestre de andar – informou um dos convidados.
— Muito bom! – continuou o doutor – A minha intensão é criar um time invencível para dominar todos os andares da torre e por isso convoquei apenas assassinos cruéis.
— Como pretende fazer isso? E o que vamos ganhar? – perguntou outro.
— Eu criei uma toxina que se injetada, inibe totalmente o instinto do medo. Com as suas habilidades e sem medo, vocês serão capazes de vencer qualquer inimigo. Ofereço a quantia que coloquei no anúncio e tudo o que ganharem na torre.
Os assassinos começaram todos a falar ao mesmo tempo, seja uns com os outros ou com o doutor.
— Ainda é pouco, estou indo embora – disse um dos convidados.
— Faremos o seguinte, irei selecionar apenas um de vocês, que levará todo o pagamento. Doze vezes cem mil dá um milhão e duzentos mil jenis por semana, está bom para você?
O convidado sentou novamente.
— Então vamos à seleção: comecem a lutar entre si, aquele que sobreviver fica com o emprego.
Assim, começou uma batalha de todos contra todos dentro daquela sala. Os olhos do Hisoka brilharam, ele não tinha o menor interesse em virar empregado do doutor Ichigaki, todavia estar dentro de uma carnificina daquelas fazia a sua visita ter valido a penas. Depois de matar três candidatos, Hisoka percebeu que havia uma bela mulher na sala. Com uma expressão séria, ela matou rapidamente sete assassinos.
— Só sobraram nós dois – disse a mulher, encarando o outro sobrevivente.
— Você luta bem, até que eu gostaria de enfrenta-la, mas...
Ele não entendia bem o que estava sentindo naquele momento. Uma grande lutadora estava bem na sua frente e essa seria uma chance de uma bela diversão, mas por algum motivo, ele ficou com vontade de se divertir de outra maneira com ela.
— Há há há, magnifico! – o doutor interrompeu aquele momento – se não se importarem, eu posso contratar vocês dois.
Nenhum deles respondeu e os dois se entreolhavam fixamente em silêncio. Enfim, a mulher resolveu falar.
— Você não me parece do tipo que busca recompensas e muito menos que precisa de drogas para não ter medo.
— Você é muito perspicaz e aposto que você veio a esta reunião por outro motivo. Aliás, posso saber o seu nome?
— Machi e o seu?
— Hisoka.
— Ei! – Ichigaki deu um grito – eu estou disposto a pagar para vocês lutarem e testarem a minha toxina, não para ficar se paquerando.
— Quer fazer as honras? – Machi perguntou seriamente ao Hisoka e apesar terem acabado de se conhecer, parecia que ela o entendia muito bem.
— Damas na frente – ele disse galantemente.
Machi aceitou a oferta e se adiantou enforcando Ichigaki com uma linha de nen. Para terminar, Hisoka degolou o doutor com uma carta e enfim, ele caiu no chão sem vida.
Encontrou sua alma gêmea numa reunião
De assassinos compulsivos com um tal doutor
Era alegre e bonita
E matava sem dó
Os dois se apaixonaram
E punham-se a cantar
"laralarala tchop tchop tchop tchop
como gostamos de matar,
nada nos deixa mais contentes
e felizes a saltitar"
Mas que belo par de assassinos era os dois
De mão dadas a cantar, mataram o doutor
Mataram o doutor
Mataram o doutor
Mataram o doutor...
Machi encarou o boy por uns instantes, depois saiu pelo prédio como se procurasse por alguma coisa. Hisoka a seguiu, curioso, até que viu a mulher arrombando um armário e pegando um frasco.
— Você também não parece precisar de remédio pra lutar sem medo, por que está levando isso? – perguntou Hisoka.
— Não tenho que te responder!
Se outra pessoa tivesse dado essa resposta malcriada, certamente o assassino teria matado, mas não dessa vez.
— Tá afim de dar uma volta um dia desses, sei lá, que tal um teatro? Podemos matar os atores quando a peça acabar.
Machi ficou confusa, quando partiu nesta missão a última coisa que esperava era receber uma proposta deste tipo.
— Se conseguir me encontrar eu aceitarei o convite.
A mulher pulou pela janela, mesmo estando no terceiro andar. Quando Hisoka foi para a janela procura-la, ela já estava longe, mas ainda assim ele conseguiu ver a tatuagem de uma aranha na parte de trás do pescoço de Machi, o que deixou o mágico muito intrigado.
*****
Após este episódio, Hisoka passou a procurar pela linda e misteriosa mulher e a única pista que tinha era um nome sem sobrenome e uma tatuagem. Reproduziu a aranha e começou a pesquisar por ela em jornais, arquivos, bibliotecas e até na recém criada internet e acabou descobrindo algo muito interessante.
Aquela aranha é o símbolo de um famosos grupo de ladrões, a Genei Rhyodan ou Trupe Fantasma. Pouco se sabe sobre suas origens, objetivos ou quem são os seus membros, porém o que é de conhecimento público é que eles foram os responsáveis por crimes famosos como o roubo de todo o acervo do Museu do Bello Quinto e o recente massacre e roubo dos olhos do clã Kuruta.
É claro que havia falastrões que falsificavam a tatuagem para intimidar os outros e conseguir vantagens, porém Hisoka sabia que alguém talentosa como a Machi não faria algo tão ignóbil e que, provavelmente, ela foi ao encontro do doutor Ichigaki em alguma missão para a trupe.
Saber da existência da Genei Rhyodan é relativamente fácil, encontra-los já é uma tarefa extremamente difícil. Depois de muito procurar, ameaçar, torturar e matar, Hisoka acabou recebendo informações de que membros da trupe, sobretudo o seu líder, já foram vistos na Torre Celestial e prontamente partiu para lá. Chegou na torre como um jovem lutador e começou por baixo como todos, porém teve uma rápida ascensão como raramente se vê e em pouco tempo já lutava nos andares mais altos, se tornando muito famoso. É claro que sua estadia na torre rendeu boas lutas e um boa dose de diversão, porém naquele momento seu objetivo maior era encontrar a bela Machi e descobrir um pouco mais sobre o grupo criminoso do qual ela possivelmente fazia parte.
Certo dia, após uma dura e divertida luta, Hisoka relaxava tranquilamente no apartamento que havia alugado nas proximidades da torre, quando a campainha tocou.
— Que é? – ele perguntou.
— Aqui é o Tosko, tenho novidades.
Tosko era um aspirante a lutador que foi à Torre Celestial a fim de fazer fortuna, porém ao deparar com lutadores de verdade, acabou desistindo. Mas o que faltava em talento nas artes marciais, sobrava em astúcia e ele acabou descobrindo que podia lucrar muito vendendo informações. Na maioria das vezes, ele espionava lutadores da torre e vendia informações sobre habilidades secretas aos adversários, mas não era isso que interessava ao Hisoka e sim alguma pista sobre o paradeiro da Machi, ou ao menos algum dos membros da Trupe Fantasma.
— Pode entrar – Hisoka abriu a porta. Não era comum ele deixar que o vissem sem maquiagem, porém o assassino estava ansioso para saber quais eram as novidades as quais Tosko se referia.
— E aí Don Juan, soube que a garota que você tá procurando vai vir pra torre no próximo fim de semana, parece que o chefe dela vai finalmente lutar, depois de tanto tempo.
— Suspeito, não vi o nome Chrollo Lúcifer na programação...
— E você acha que ele sai anunciando seu nome verdadeiro assim? Na programação está o nome Koron, mas na hora todos vão saber que é ele. Se não acredita vai conferir, seria muito estranho um competidor que ninguém nunca ouviu falar já começar lutando no septuagésimo andar. Aliás, tenho uma foto deles num porto perto daqui, olha – Tosko abriu uma foto no seu celular, onde Machi andava na rua junto com Chrollo e mais duas pessoas que Hisoka não conhecia.
— Bem, de toda forma, obrigado – Hisoka agradeceu.
— Dispenso os agradecimentos, são duzentos mil jenis.
— É claro – Hisoka pegou algumas cartas de baralho – copas você leva o que pediu, ouros leva o dobro, paus você sai daqui sem dinheiro, mas vivo e espada eu te mato.
Tosko teve vontade de recusar aquele joguinho, porém já viu o mágico lutando várias vezes e sabia que qualquer passo mal dado significaria o seu fim. Então, com a mão trêmula, puxou uma carta.
— Es...pada – o informante gaguejava, temendo por sua vida.
— Regras são regras, adeus!
Assim, Hisoka usou a mesma carta que Tosko havia retirado para mata-lo.
— Excitante, então o líder da grande Genei Ryodan virá novamente para a torre... preciso ver essa luta.
Assim, naquele quarto, acima do corpo do seu antigo informante e com uma risada sádica, Hisoka mal podia esperar o momento de encontrar a bela assassina e também de conhecer o perigoso Chrollo Lúcifer.
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