Hisako, the school of death
3 Capítulo 3: O segredo de cada um
Notas iniciais
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Até aqui posso dizer que estou tendo uma espécie de “sorte”, quando quero conversar com alguém me encontro com Near, uma mente brilhante e o único além de mim que não pensa em futilidades. Os alunos por alguma razão me deixaram em paz e até tenho o ruivo para pedir alguma informação quando preciso.
Até aqui tudo parecia tranquilo, só que assim que você deixa o seu mundo para entrar num bem maior, a vida toma um rumo diferente. Já na segunda semana de aulas pude notar o sumiço de Near no período da manhã e então fui procurar saber do pequeno. Ninguém me recebeu na secretaria, nem na sala dos professores, os monitores não sabem de nada e logo percebi o quanto aquela escola era diferente dos padrões; era negado todo tipo de informação aos alunos – ou pelo menos é essa a conclusão que cheguei. Ainda não tinha entregado o psp para Matt e talvez essa seja a melhor hora para tal.
Segui para o quarto 54 e bati na porta, ansioso.
– Yo... _um Mello mal humorado abriu a porta, estava apenas com a calça do uniforme e os cabelos bagunçados, isso claramente mostra o porque de sua irritação, eu provavelmente o tinha acordado.
– Mail está, por favor? _ergui o psp na altura de seus olhos para que entendesse o motivo da visita.
– Entra ai, ele foi só até o refeitório e já volta _fez um sinal para que eu o acompanhasse e pulou em sua cama.
O quarto é igual ao meu, a única diferença são as cortinas azuis no lugar das brancas e o tamanho da bagunça espalhada. Não são simplesmente roupas e comida jogadas no chão, é um emaranhado de fios e computadores espalhados por todo o canto, além de cigarros e um narguile enorme com detalhes em amarelo.
– Está atrás de alguma informação? _Mello quebrou o silencio após alguns minutos.
– Como deduziu?
– Não seja tolo, você não é amigo dele para simplesmente vir até aqui e ficar esperando só pra devolver um psp.
– Está certo... _dei um sorriso de canto _então também posso deduzir que todos esses computadores não são meramente para estudar.
– He... está certo _deu uma longa risada e virou para o lado _você é inteligente, espero que não seja um imbecil.
– Não vou me meter no assunto de vocês.
– Muito bem novato.
– MELLO! _um afobado Matt abriu a porta do quarto e pareceu não notar minha presença _parece que vamos ter que adiar até segunda!!
– Dê OI para o seu amigo antes, imbecil.
– ... ah Lawli! Me desculpe... epa, e também esqueça o que ouviu agora!! _olhou para Mello com certo pavor.
– Não esquenta, ele não é imbecil _Mello respondeu agora um pouco sonolento.
– Ah... vim devolver isso _apontei para o psp que já estava sob a mesinha _e pedir uma informação.
– Tudo bem, pode perguntar _abriu um sorriso e tirou seus goggles amarelos do pescoço.
– Qual o quarto do professor Near?
– AH?! Só isso? _Mello pareceu ressurgir do mundo dos mortos _putz! _e caiu na gargalhada.
– ... _olhei sem expressão alguma para o loiro que agora segurava sua barriga de tanto rir.
– Ele dorme no numero 43, aceita uma cerveja? _abriu seu frigobar que estava lotado de latinhas e energético.
– Não obrigado... aliás, cobram o que por informações? _passei os olhos mais uma vez pela rede de computadores.
– Dinheiro e outras informações, às vezes por alguma bebida também _respondeu o loiro que agora fuçava em um dos muitos computadores.
– Mello!
– Relaxa, isso não é segredo afinal.
– ...entendo... _tentei encontrar algumas moedas no fundo do bolso da calça.
– Não precisar pagar por isso novato.
–------------------ + ---------------- + -------------------- Matt
– Não precisa pagar por isso novato _achei graça, mas não ri escandalosamente como Mello.
Lawli deixou nosso quarto sem mais delongas, parecia estar com pressa para falar com Near – mas isso não me interessava no momento – fiquei mais surpreso por Mello deixar o garoto novo entrar em nosso quarto, de alguma forma ele confiava naqueles olhos de panda.
Somos o centro de informações do Hisako, tanto os alunos quantos os professores vêm comprar nosso serviço e esse é nosso propósito aqui, ganhar dinheiro fácil. É claro que não escolhemos esse lugar aleatoriamente, Mello tem influencia sobre o diretor por ser da família Keehl – são ligados financeiramente – e parece que, além disso, o Hisako esconde algum segredo.
– Tudo bem deixar ele descobrir essas coisas?
– Parece que ele vai ser bem útil... joga uma latinha pra mim.
– Hum... ah sim, eu ‘tava indo até a sala dos professores pegar a informação que pediu, mas o monitor me pegou primeiro _disse amargurado.
– Tsc... aquele desgraçado do Yagami, sempre se metendo _vi os olhos de Mello se fecharem por um momento.
– Precisamos daquelas chaves, a segurança lá está ficando melhor.
– ...o único que tem todas as chaves é o desgraçado, precisamos de um alguém que possa furtá-las sem ele perceber.
– Eu _olhei para ele como se a resposta fosse óbvia.
– Não, ele é mais inteligente _abriu um sorriso maldoso _preciso de alguém com mais sangue frio.
– Então faça você mesmo! Near nunca vai cair na sua _detesto quando ele se desfaz de mim.
– Talvez eu faça mesmo... ei, por que está bravo? _afastei a mão de Mello quando tentou mexer nos meus cabelos.
– Nada... quero sexo.
– Vem cá putinha _ puxou minha cintura e avançou com a língua na minha barriga, senti um arrepio subir pela espinha – loira vagabunda.
Mihael Keehl, esse era o nome da pessoa que detinha toda a minha existência. Minha família vem do ramo secundário dos Keehl, somos primos de primeiro grau e herdei o sobrenome da minha mãe – Jeevas — para proteger o sobrenome dos Keehl caso acontecesse algo comigo.
Os Keehl são uma família alemã pura, ou seja, se mantiveram na linhagem mais alta desde a segunda guerra. Os Jeevas tiveram misturas ao longo dos anos, minha mãe é irlandesa; explicando a minha rara genética ruiva.
Assim vivo para Mello como meu pai viveu para a senhora Keehl e segue por essa linhagem, cresci ao seu lado, sei de todas as suas manias e pensamentos.
Meu destino foi traçado no dia em que nasci nessa família, mas não posso dizer que foi algo ruim... o amo e tenho a chance de ficar ao seu lado, então estou feliz – não preciso de outro final para a minha existência.
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Segui para o quarto de Near, acho que estou começando a ficar sociável. Ah é claro que já previ isso, não subestimem o garoto bolsista do orfanato.
Bati na porta uma vez, foi o suficiente para o menino de cabelos alvos abri-la e junto dela um sorriso.
– Lawliet, que bom que veio.
– O professor substituto é muito ruim _respondi com sinceridade, mesmo parecendo não ser a coisa certa a se dizer.
– Entre, me desculpe por desaparecer assim... _sentou no tapete fofo que tinha ao lado de sua cama e voltou sua atenção para um grande quebra-cabeça branco – sim, inteiramente branco _parece que criamos laços afinal.
– ...não entendi o que quis dizer _me sentei ao seu lado na minha habitual posição.
– Ninguém realmente se importa se sumo ou não, não ligo para isso também e se você veio até aqui é porque se importa... _encaixou uma peça e depois mais uma, sem dificuldade.
– Fiz mal? _perguntei com receio.
– De maneira alguma, gosto de falar com você _apesar dele ter dito tais palavras, não abriu sorriso algum.
– Então, qual o motivo de sua ausência?
– Não posso responder, qual o seu objetivo no Hisako? _rebateu com uma resposta estranha, não estou conseguindo acompanhar seu raciocínio de forma clara.
– Abrir portas _claro que me refero á minha carreira.
– Oh... cuidado para não abrir as portas erradas _seus lábios se contraíram para um sorriso, não soube dizer se era sincero ou irônico, oras não sou bom em tudo – ainda.
– Espero que volte em breve _me levantei e caminhei até a porta, recebi um tchau antes de sair.
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– Lawliet... estranho, pela primeira vez abri a porta _olhei para meu quebra cabeças quase completo, algo ruim me veio a mente.
Vim de uma família de classe média, filho único, me mudei para o Hisako no começo do fundamental. Comecei como professor particular e logo acabaram me contratando, sou uma pessoa única quando se trata de lógica e números. Não tenho amigos – ao contrário do que pensam, é por saber exatamente o significado desta palavra que eu não os tenho – apenas alguns conhecidos, como meus alunos, outros professores, etc.
Sobre o que aconteceu agora? Bom, geralmente sumo mesmo, não faço de propósito é claro... a razão é que adoeço de forma constante. L não pareceu notar que estou de cama – sou um bom ator afinal – mas não quis preocupá-lo com isso. Agora só estou tentando entender porque abri a porta para ele e para outros não... acho que é por ele não se importar tanto comigo assim.
E sou assim, quanto mais fraco for o laço que a pessoa cria comigo, mais ficarei ao lado dela – não me importo se me chamarem de imbecil ou frio, apenas aceitem o fato.
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